Às vésperas da eleição, ala “petista” do PSB arma golpe para controlar o partido de Marina

Amaral, um “petista” no PSB

Carlos Newton

Em plena reta final das eleições gerais, o PSB marcou reunião para segunda-feira, dia 29, a fim de eleger a nova direção partidária por mais três anos. Nunca se viu tamanha desfaçatez. É um golpe, não há dúvida, armado pelo presidente em exercício Roberto Amaral, que substituiu o ex-governador Eduardo Campos na direção do PSB e agora quer se eternizar no cargo, como ocorre em tantos partidos, como o PDT (Carlos Lupi), o PV (José Luiz Penna), o PMDB (Michel Temer) e outras legendas mais.

Figura sem voto e sem expressão no PSB, Roberto Amaral era prestigiado apenas por sua dedicação ao ex-governador pernambucano Miguel Arraes, avô de Eduardo Campos e principal líder dos socialistas. Em homenagem à memória de Arraes, Roberto Amaral vinha ocupando a vice-presidência e chegou até a ser ministro de Lula.

Agora, com apoio do pernambucano Carlos Siqueira, secretário-geral do PSB, que abandonou a campanha de Marina no dia em que ela foi oficializada candidata do partido, Amaral tenta se tornar presidente efetivo do partido. Mas acontece que Siqueira é como Amaral – não tem votos nem influência.

MANOBRA ELEITORAL

Num momento totalmente inoportuno, Amaral e Siqueira conseguiram convocar o partido para escolher uma nova direção. Jamais se viu isso na política brasileira – um partido realizando eleição interna na mesma semana das eleições gerais do país. A estratégia de Amaral e Siqueira é esvaziar o evento, pela ausência dos dirigentes que estão disputando as eleições ou atuando nas campanhas de Marina Silva e de candidatos a governador.

Roberto Amaral sempre foi mais petista do que socialista. Seu negócio era agradar a Lula e ao PT para ganhar um ministério ou alguma outra benesse federal. Por isso, em 2012, desde o início foi contra a candidatura de Eduardo Campos e lutou para manter a coligação com o PT.

Com a morte de Campos, a 13 de agosto, Amaral assumiu imediatamente a presidência do partido e tentou esvaziar a candidatura de Marina Silva, para renovar a antiga coalizão com o PT, mas foi derrotado pela Executiva, que nem quis conversa. Agora, age nos bastidores do Diretório Nacional para dominar o PSB.

O chamado grupo de Pernambuco está atento e tem apoio de Marina Silva para eleger Geraldo Júlio, prefeito de Recife, à presidência do partido. Eles tentam jogar a disputa interna para depois das eleições. Mas Amaral e Siqueira não querem perder a chance de manter o controle da máquina e do dinheiro do partido.

ABI elege nova Diretoria, com Domingos Meirelles (presidente) e Paulo Jerônimo (vice)

Carlos Newton

Depois de acirrada campanha eleitoral, a Associação Brasileira de Imprensa foi as urnas nesta sexta-feira e elegeu a chapa Vladimir Herzog, liderada por Domingos Meirelles e Paulo Jerônimo (Pagê), que representavam a situação, enquanto a oposição, na chapa Prudente de Moraes, era comandada por Fichel Davit Chargel e Carlos Marchi.

A chapa de Meirelles e Pagê venceu no Rio de Janeiro e também nos Estados. As providências mais importantes da nova diretoria serão a recuperação e a harmonização da ABI, com o desarmamento de espíritos e o congraçamento do categoria profissional.

“Como diz o presidente Tarcísio Holanda, a ABI não pertence a ninguém. É de todos nós, porque na verdade pertence ao próprio país, com mais de 100 anos de lutas pela democracia e pelos direitos humanos e sociais”, disse o futuro presidente Domingos Meirelles, enquanto o vice Pagê completava: “Vamos acabar com as divergências pessoais e nos unir em torno da ABI, para defender os jornalistas e os interesses nacionais. Estamos de braços abertos para receber os companheiros da chapar Prudente de Moraes. Vamos seguir em frente”.

CHAPA VLADIMIR HERZOG
 
Diretor Presidente
Domingos Meirelles
Diretor Vice Presidente
Paulo Jerônimo de Sousa
Diretor Administrativo
Orpheu Santos Salles
Diretor Econômico-Financeiro
Ana Maria Costábille
Diretor de Cultura e Lazer
Jesus Chediak
Diretor de Assistência Social
Arcírio Gouvêa
Diretor de Jornalismo
Eduardo Cesário Ribeiro
CONSELHO CONSULTIVO
Alberto Dines, Audálio Dantas, Ferreira Gullar, Juca kfouri, Cícero Sandroni, Hélio Fernandes, Ziraldo
CONSELHO FISCAL
Arnaldo César Jacob, Jorge Ribeiro, Lindolfo Machado, Luiz Carlos Chesther de Oliveira, Geraldo Pereira dos Santos, Rosângela Amorim, Paulo Roberto Gravina
CONSELHO DELIBERATIVO (Efetivos) 2013/2016
Aziz Ahmed, Flávio Tavares, Jesus Antunes, Lima de Amorim, Bernardo Cabral, Jorge de Miranda Jordão, Sérgio Gomes (Serjão), Andrei Bastos, Paulo Gomes Neto, Austrégesilo de Athayde Filho, Ralph Lichote, Silvestre Gorgulho, Elio Maccaferri, Antônio José Ferreira Carvalho e Udson da Silva de Oliveira
CONSELHO DELIBERATIVO (Efetivos)) 2014-2017
Ricardo Kotscho, Milton Coelho da Graça, Anna Lee, Joseti Marques, Moura Reis, Tarcísio Baltar, Nivaldo Pereira, Carlos Chaparro, Luthero Maynard, Daniel Mazola, Amiccucci Gallo, Oswaldo Augusto Leitão, Siro Darlan, Jeronimo do Espírito Santo e Fábio Costa Pinto
CONSELHEIROS SUPLENTES 2013/2016
Adalberto Diniz, Adilson Ribeiro, Carlos Alberto da Rocha Carvalho, Carlos Di Paola, Terezinha Santos, João Luiz Dória, Maurício Max, JL Costa Pereira, Luarlindo Ernesto, Marcia Guimarães, Carlos Newton, Moysés Chernichiarro Corrêa, Raul Silvestre, Reinaldo Leal, Wilson Alves Cordeiro
CONSELHEIROS SUPLENTES 2014-2017
Lourival Marques Bogea, Petrônio Souza Gonçalves, Elisabete Burlamarqui, Ilma Martins da Silva, Vilson Romero, Bonifácio Rodrigues de Mattos (Ikenga), Claudinéia Lage, JB Serra e Gurgel, José Carlos Machado, Jayme Gama, Érika Branco, Luiz Wanderley da Silva, Roberto Martins, Tiago Santos Salles, Wilson Carvalho

Piada do dia: Lula diz não saber de convite para depor na Polícia Federal

Valmar Hupsel Filho e Carla Araújo
O ESTADO DE S. PAULO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que não recebeu convite para depor à Polícia Federal em um dos inquéritos complementares do mensalão. Ao ser questionado pela reportagem se iria prestar o depoimento, respondeu: “Quando eu for convidado, meu amor. Eu não recebi nada.”

Lula participou de dois comícios do candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha. À noite, o ex-presidente disse estar “tranquilo”, mas viu conotação política na divulgação do caso. “Certamente, o objetivo de quem manda vocês fazerem a pergunta para mim é eleitoral. O que não é o comportamento da Polícia Federal”, afirmou. “Quando você quer fazer uma investigação séria, você não se preocupa com o período eleitoral. Não tem data, não tem limite, não tem eleição. Eu estou tranquilo.”

A tentativa dos federais de ouvir Lula foi noticiada ontem. Há sete meses, policiais tentam ouvir o ex-presidente no inquérito que investiga a suspeita de repasses ilegais da Portugal Telecom ao PT. Lula ironizou a situação: “É a primeira vez que alguém é convidado pela imprensa.”

Havia previsão de que o depoimento ocorresse esta semana em Brasília. Mas Lula não vai aparecer, segundo Paulo Okamotto, diretor do Instituto Lula. “Depois da eleição, talvez”, afirmou. Como ex-presidente, o petista tem prerrogativa de negociar quando será ouvido pelos policiais.

INVESTIGAÇÃO

A investigação foi aberta a pedido do Ministério Público Federal com base em denúncia do operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza. Em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República em 2012, Valério acusou o petista de intermediar pagamento de R$ 7 milhões da telefônica ao PT. O objetivo seria pagar dívidas de campanha. O conteúdo do depoimento foi revelado pelo Estado em 11 de dezembro daquele ano.

Lula não é alvo da investigação em andamento. A ideia da PF é ouvi-lo como testemunha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Se a poderosa Polícia Internacional (Interpol) não consegue achar Paulo Maluf, que tem endereço sabido e mandato de deputado federal, não é surpresa que a Polícia Federal tenha dificuldades para encontrar Lula, especialmente por ele vive viajando, não é mesmo? (C.N.)

 

Ministério Público quer condenar a parceira de Youssef a 47 anos de prisão

André Richter
Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) pediu a condenação da doleira Nelma Kodama a 47 anos e 15 dias de prisão pelos crimes de evasão de divisas, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Nelma é considerada pelo MPF líder do grupo criminoso que operava no mercado negro de câmbio, por meio de empresas fantasmas, para abastecer o esquema do doleiro Alberto Youssef, que também está preso.

Nas alegações finais apresentadas quinta-feira ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, o Ministério Público defende que Nelma Kodama continue presa, por ter tentado corromper um delegado para ter acesso à investigação, e por ter planejado fugir às vésperas da deflagração da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, em março.

“Nelma Kodama seria uma grande operadora do mercado de câmbio negro, envolvida na prática cotidiana de operações do tipo dólar cabo, com remessas e internações fraudulentas de numerário. A soma da movimentação financeira de suas empresas de fachada teria atingido, segundo comunicações do Conselho de Controle de Atividades Financeira, cerca de R$ 103 milhões de reais só entre 2012 e 2013”, afirma o MPF.

A partir de agora, os advogados da doleira terão seis dias para apresentar a defesa. Em seguida, Sérgio Moro divulgará a sentença de Nelma Kodama.

Crise militar provocada pelo ministro Celso Amorim é mais um problema para Dilma

Tânia Monteiro
O ESTADO DE S. PAULO

Vinte e sete generais de Exército da reserva assinaram um manifesto com críticas ao ministro da Defesa, Celso Amorim. No documento obtido pelo Estado, os generais, que atingiram o mais alto posto da hierarquia militar, afirmam abominar “peremptoriamente” a declaração dada pelo ministro, na semana passada, à Comissão Nacional da Verdade (CNV), de que as Forças Armadas aprovaram e praticaram atos que violaram direitos humanos no período militar. 

Depois de ressaltar que, “sempre que pode”, a Comissão “açula” as Forças Armadas, provocando-as, e exigindo que elas peçam desculpas, o grupo, do qual fazem parte três ex-ministros do Exército, declaram que “se houver pedido de desculpas será por parte do ministro”. E avisam: “Do Exército de Caxias não virão (desculpas)! Nós sempre externaremos a nossa convicção de que salvamos o Brasil!”.      

Os generais, ex-integrantes do Alto Comando do Exército e antigos comandantes de importantes unidades militares de todo o Brasil, justificam a necessidade do manifesto, lembrando que militares da ativa não podem dar declarações políticas, mas que os da reserva, que podem falar, “têm justos motivos para replicarem com denodada firmeza” para que não pareça estar em vigor o famoso ditado “Quem cala consente!”. 

O manifesto reforça e endossa declaração já dada, no início da semana, pelo ex-comandante Militar da Amazônia, o também general quatro estrelas da reserva Augusto Heleno, que reiterou que, em nenhum momento, as Forças Armadas reconhecem a tortura ou pediram desculpas e que este gesto veio do ministro Celso Amorim. 

No manifesto, assinado pelos ex-ministros Leonidas Pires Gonçalves (do Exército, no governo Sarney) , Zenildo Zoroastro de Lucena (do Exército, no governo Itamar e Fernando Henrique) e Rubens Bayma Denys (da Casa Militar, no governo Sarney), quatro ministros do Superior Tribunal Militar e outros 20 quatro-estrelas da reserva, os militares ressaltam que existe uma lei da Anistia em vigor que a Comissão da Verdade insiste em desconsiderá-la. 

Os generais lembram ainda que viveram “uma época de conflitos fratricidas, na qual erros foram cometidos pelos dois lados”. E prosseguem: “nós, que vivemos integralmente este período, jamais aprovamos qualquer ofensa à dignidade humana, bem como quaisquer casos pontuais que, eventualmente surgiram”. Citam também que “os embates não foram iniciados” por eles “pois não os desejávamos” e que não se pode esquecer do “atentado no aeroporto de Guararapes”. Eles se referem à explosão de uma mala que matou 16 pessoas no local onde o avião do ex-presidente Costa e Silva iria pousar e não o fez por uma pane no aparelho.

COMISSÃO DA VERDADE

Os generais criticam a Comissão da Verdade, afirmando que “a credibilidade” dela vai “gradativamente se esgotando pelos inúmeros casos que não consegue solucionar, tornando-se não somente um verdadeiro órgão depreciativo das Forças Armadas, em particular do Exército, como um portal aberto para milhares de indenizações e “bolsas ditadura”, que continuarão a ser pagas pelo erário público, ou seja, pelo povo brasileiro”. Afirmam ainda que “falsidades, meias verdades, ações coercitivas e pressões de toda ordem são observadas a miúdo, e agora, de modo surpreendente, acusam as Forças Armadas de não colaborarem nas investigações que, em sua maioria, surgem de testemunhas  inidôneas e de alguns grupos, cuja ideologia é declaradamente contrária aos princípios que norteiam as nossas instituições militares”.

Ainda no manifesto, os generais lembram que “o lado dos defensores do Estado brasileiro foi totalmente apagado”, sugerindo que ali “só existem criminosos e torturadores”. Mas destacam que, “por outro lado, a comissão criou uma grei constituída de guerrilheiros, assaltantes, sequestradores e assassinos, como se fossem heroicos defensores de uma “democracia” que, comprovadamente, não constava dos ideais da luta armada, e que,  até o presente, eles mesmos não conseguiram bem definir”. E ironizam: “seria uma democracia cubana, albanesa ou maoísta? Ou, talvez, uma mais moderna como as bolivarianas?”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Entre os signatários, Leonidas Pires Gonçalves. Bayma Denis, Zenildo de Oliveira, Augusto Heleno e Gonzaga Lessa. Se abrirem assinaturas para oficiais superiores em geral, a lista logo terá 500 assinaturas. Se passarem para o Clube da Aeronáutica e o Clube Nava, rapidamente se chegará a mais de mil assinaturas. Os militares estão de saco cheio. E já é comum ver oficiais superiores da ativa desrespeitando o regulamento e criticando publicamente o governo, como ocorreu em Brasília, no final do ano passado, no Seminário da ADESG (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. Eu disse: generais da ativa. (C.N.)

 

 

Paulo Roberto Costa fez denúncias tão graves e com tantas provas, que já vai ser libertado

Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras

Andréia Sadi e Natuza NeriFolha

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa deve ser solto até segunda-feira (29) e usará tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar no Rio de Janeiro, segundo a Folha apurou.

Antes de ser preso na Operação Lava Jato, em março, o ex-diretor morava no Rio de Janeiro com sua família. Ele está preso na superintendência do Paraná. A tornozeleira eletrônica foi cedida à PF nesta tarde pelo governo do Paraná. Agentes da Polícia Federal farão a segurança da residência do ex-diretor.

A soltura deve ocorrer ao longo do final de semana para evitar que ele seja transportado em avião de carreira. A operação eleitoral da PF já começou, e as aeronaves do órgão ficam comprometidos com a movimentação de policiais entre os Estados.

No dia 29 de agosto, Paulo Roberto fez acordo com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal para fazer delação premiada após saber que a PF poderia prender suas filhas. A Justiça havia autorizado operações de busca e apreensão em 13 empresas no Rio de Janeiro que pertencem a uma filha, um genro e um amigo de Costa.

Costa decidiu no fim de agosto revelar detalhes sobre subornos na Petrobras em troca de uma pena menor. Ele citou, segundo a revista “Veja”, os nomes de parlamentares que recebiam propina do esquema, entre os quais o do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-SP), e do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Todos negam com veemência que tivessem recebido recursos do doleiro.

Na última sexta-feira (19), a presidente Dilma Rousseff (PT) disse que pedirá ao STF o acesso a dados da delação pois não confia na informação, vinda da imprensa, de que ao menos um ministro de Estado foi citado na lista de políticos envolvidos com esquema de corrupção na estatal.

A declaração ocorreu no mesmo dia em que Paulo Roberto ficou calado diante de parlamentares que integram a CPI.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A notícia é importantíssima. Significa que o ex-diretor da Petrobras não somente abriu o jogo por completo, como também apresentou provas que comprovam suas acusações. Quando seus novos depoimentos forem divulgados, o governo, o Congresso e a Petrobras vão ser varridos por um tsunami. Podem acreditar. Se as denúncias de Paulo Roberto Costa não fossem de máxima importância e acompanhadas de provas, ele não estaria sendo passado para prisão domiciliar. (C.N.)

 

Toffoli manda prender ex-senador Luís Estevão, em regime aberto

André Richter
Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou a execução imediata da pena de três anos e seis meses de prisão, imposta ao ex-senador Luiz Estevão no processo em que ele foi condenado, em 2001,  por uso de documento falso para tentar liberar bens bloqueados.  De acordo com a decisão, caberá a Justiça Federal, que definiu a pena, determinar a prisão em regime aberto, por ser inferior a quatro anos.

Toffoli determinou a execução imediata da pena por considerar protelatório um recurso em que o ex-senador pretendia suspender a condenação até que o caso fosse julgado de forma definitiva no Supremo.

Segundo o ministro, Luiz Estevão teve a intenção de retardar o fim do processo.“Nítida, portanto, a intenção do recorrente de procrastinar o trânsito em julgado da sua condenação e, assim, obstar a execução da pena que lhe foi imposta, conduta essa repelida pela jurisprudência deste Supremo ao definir que a utilização de sucessivos recursos manifestamente protelatórios autoriza o imediato cumprimento da decisão proferida por esta Suprema Corte, independentemente da sua publicação”.

A principal ação que o ex-senador responde na Justiça é a fraude em licitações e superfaturamento na construção do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, na década de 1990. A condenação de Luiz Estevão foi estabelecida pela Justiça em 2006 e soma 31 anos de prisão e pagamento de multa, mas o ex-senador recorre desde então.

Marqueteiros deseducam o cidadão de bem

Delfim Netto
Folha

Uma das mais graves consequências da submissão das campanhas eleitorais ao domínio irresponsável dos “marqueteiros” é a deseducação do honesto cidadão e a vacina contra a ética que transmitem à sociedade.

Não tem o menor constrangimento de afirmar o “fisicamente impossível” ou mentir descaradamente, confiados na ingenuidade que é própria daqueles aos quais os sucessivos poderes incumbentes negaram, pela falta de educação, o espírito crítico. Trata-se de um processo de reprodução da mediocridade. Ele prejudica o papel renovador que cabe ao sufrágio universal, que –quando conduzido pela educação– é o vetor portador da sociedade civilizada.

Uma das falácias de mais fácil aceitação pelos cidadãos desinformados é a crença que o Estado cria recursos físicos do nada e que, portanto, não tem limite –a não ser a “vontade política”– para atender às suas demandas.

Como ela é comum às campanhas de todos os candidatos, terá provavelmente, pouco efeito para diferenciá-los nas urnas. Mas tem forte efeito deseducador do cidadão que não sabe que para a sociedade como um todo, não há nada que o Estado possa fazer sem o consumo de recursos tirados de alguns para dar para outros.

Como diria um “canalha” neoclássico: “Não existe almoço grátis”.

Para o “marqueteiro” tudo isso não interessa. Se vendeu ou não o seu “sabonete”, embolsa a grana da sua genialidade e vai descansar até a próxima eleição. Para o candidato eleito não!

IGNOMÍNIAS

As falsidades que o elegeram são as mesmas que lhes serão cobradas no exercício do governo. Afirmar que um Banco Central independente “rouba a comida da boca do pobre” é uma ignomínia.

Independente de quem, se sua diretoria é escolhida pelo presidente que lhe fixa os objetivos e aprovada pelo Senado, ao qual presta contas regularmente?

Prometer que vai “eliminar o fator previdenciário” diante das contas de previdência e do rápido envelhecimento da população brasileira é tão irresponsável quanto a promessa anterior.

Prometer que vai “modificar os índices de produtividade do campo” é irrelevante para aumentar a “produtividade” e será uma bobagem verificável só quando o MST promover a revolução…

A urna aprova qualquer barbaridade, mas a sociedade aprende para a próxima eleição. Infelizmente, a verdade é sempre descoberta tarde demais…

É por isso que nas democracias (sem adjetivo!) o remédio é mais democracia, cuja marcha pode, eventualmente, ser interrompida pelo “democratismo delirante”.

O autorretrato de Dilma

O Estado de S. Paulo
Editorial

Por ter chorado numa entrevista ao dizer que fora “injustiçada” pelo ex-presidente Lula, a candidata Marina Silva foi alvo de impiedosos comentários de sua rival Dilma Rousseff. “Um presidente da República sofre pressão 24 horas por dia”, argumentou a petista. “Se a pessoa não quer ser pressionada, não quer ser criticada, não quer que falem dela, não dá para ser presidente da República.” E, como se ainda pudesse haver dúvida sobre a sua opinião, soltou a bordoada final: “A gente tem que aguentar a barra”. Passados apenas oito dias dessa suposta lição de moral destinada a marcar a adversária perante o eleitorado como incapaz de segurar o rojão do governo do País, Dilma acabou provando do próprio veneno.

Habituada, da cadeira presidencial, a falar o que quiser, quando quiser e para quem quiser – e a cortar rudemente a palavra do infeliz do assessor que tenha cometido a temeridade de contrariá-la -, a autoritária candidata à reeleição foi incapaz de aguentar a barra de uma entrevista de meia hora a três jornalistas da Rede Globo, no “Bom dia, Brasil”. A sabatina foi gravada domingo no Palácio da Alvorada e levada ao ar, na íntegra, na edição da manhã seguinte do noticioso. Os entrevistadores capricharam na contundência das perguntas e na frequência com que aparteavam as respostas. Se foram, ou não, além do chamamento jornalístico do dever, cabe aos telespectadores julgar.

Já a conduta da presidente sob estresse, em um foro público, por não ditar as regras do jogo nem, portanto, dar as cartas como de costume entre as quatro paredes de seu gabinete, é matéria de interesse legítimo da sociedade. Fornece elementos novos, a menos de duas semanas das eleições, sobre o que poderiam representar para o Brasil mais quatro anos da “gerentona” quando desprovida do conforto dos efeitos especiais que lustram a sua figura no horário de propaganda e, eventualmente, do temor servil que infundiu aos seus no desastroso primeiro mandato. Isso porque os reverentes de hoje sabem que não haverá Dilma 3.0 em 2018 nem ela será alguém na ordem das coisas a partir de então.

A presidente, que tão fielmente se autorretratou no Bom Dia, Brasil é, em essência, assim: não podendo destratar os interlocutores, maltrata os fatos; contestadas as suas versões com dados objetivos e ao alcance de todos quantos por eles se interessem, se faz de vítima como a Marina Silva a quem, por isso, desdenhou. Cobrada por não responder a uma pergunta, retruca estar “fazendo a premissa para chegar na conclusão (sic)”, ensejando a réplica de ficar na premissa “muito tempo”. É da natureza dessas situações com hora marcada que o entrevistado procure alongar-se nas respostas para reduzir a chance de ser atingido por novas perguntas embaraçosas. Some-se a isso o apreço da presidente pelo som da própria voz – e já estaria armado o cenário de confronto entre quem quer saber e quem quer esconder.

Mas o que ateou fogo ao embate foram menos as falsidades assacadas por Dilma do que a compulsiva insistência da candidata, já à beira de um ataque de nervos, em apresentá-las como cristalinas verdades. Quando repete que não tinha a mais remota ideia da corrupção em escala industrial na diretoria de abastecimento da Petrobrás ocupada por Paulo Roberto Costa de 2004 (quando ela chefiava o Conselho de Administração da estatal) a 2012 (quando ocupava havia mais de um ano o Planalto), não há, por ora, como desmascarar a incrível alegação. Mas quando ela afirma e reafirma – no mais desmoralizante de seus vexames – que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) não mede desemprego, mas taxa de ocupação, e não poderia, portanto, ter apurado que 13,7% dos brasileiros de 18 a 24 anos estão sem trabalho, é o fim da linha.

Depois da entrevista, o programa fez questão de convalidar os números da jornalista que a contestava. De duas, uma, afinal: ou Dilma, a economista e detalhista, desconhece o que o IBGE pesquisa numa área de gritante interesse para o governo – o que simplesmente não é crível – ou quis jogar areia na verdade, atolando de vez no fiasco. De todo modo, é de dizer dela o que ela disse de Marina: assim “não dá para ser presidente da República”.

(enviado por Mário Assis)

“Cogito, ergo sum!”

Sylo Costa

O grande filósofo e matemático francês René Descartes, na obra “Discurso do Método”, conclui que não existe conhecimento sem base e que só subsiste a certeza do pensamento que duvida. Parece um jogo de palavras, mas não é. Sem dúvida, não há certeza, ou seja, a certeza seria a dedução, com método, a partir da dúvida.
Certamente o leitor já teve dúvidas sobre muitas coisas. Por exemplo: fulano de tal era um duro e foi só entrar para tal partido assim, assim que ficou rico. Tem base? Essa indagação é o que Descartes chama de “método do conhecimento”. Se for explicável a fortuna, tudo bem. Se não, fica a dúvida, ou o pensamento que duvida.

Aliás, “penso, logo existo” é dedução da própria existência. Mas não é disso que eu queria falar, acabei me enrolando com Descartes, para dizer que vivo uma dúvida atroz. Bem, não chega a ser tão atroz que a mente esmaga, porque aí eu já estaria chamando Castro Alves à lide…

A minha dúvida não é atroz, é feroz. Já disse que, entre Aécio e Marina, “mon coeur balance”. Dilma, nem morto. Dilma é assaltante de bancos, e da casa da amante de Ademar de Barros, de onde surrupiou à mão armada quase US$ 3 milhões, entre outros “malfeitozinhos” imperdoáveis, e também porque odeio o PT. Pronto, falei.

PT É ATRASO DE VIDA

Se no segundo turno ficar Dilma e mais um, votarei no mais um, como diz um amigo com quem dialogo pela internet. E desse mesmo bate-papo tenho outros argumentos para ilustrar minha posição: o PT é um atraso de vida. É o que existe de mais reacionário e terrorista. Violento, ele é uma abominação cognitiva porque é ignorante, expressão cunhada por Marilena Chauí, comunista fanática, falando da classe média. Portanto, para nosso bem e do Brasil: “Fora PT”.

Pensei em Eduardo no primeiro turno, mesmo sendo ele socialista, só para dar uma ajudazinha. Mas o avião caiu ou foi derrubado, quem sabe explodido, sei lá. O PSDB, partido da esquerda paulista que pratica uma social-democracia sui generis, tem uma profunda dificuldade de falar ao povo e é repleto de inimigos internos que se fingem de amigos. Preocupado em parecer bonzinho, certinho, bem vestido com grifes da Oscar Freire, se diz da oposição, mas não a pratica. Será rabo preso? Será por isso que não põe a boca no trombone? Até hoje, apanham do PT como boi ladrão. Acho que o PSDB só ganharia a eleição se lançasse o João Santana, um marqueteiro que diz saber tudo de eleições. Acho graça dessa profissão. Por que os marqueteiros não se candidatam? É cada uma…

A vantagem do PSDB é ter gente inteligente e culta, como o Serra, o Anastasia, além do pessoal do Plano Real e até de pedantes como o FHC. E o Aécio? Aecinho é o menos pior para o primeiro turno. No segundo turno, voto nele ou na Marina, e , nesse caso, fico esperando os bichos e as árvores, além de pseudointelectuais barbudos, tomarem conta de nós.

Do Brasil, só mesmo Deus… (transcrito de O Tempo)

Queda de Marina não altera dificuldades da reeleição de Dilma

João Bosco Rabello

Estadão

A campanha da candidata Dilma Rousseff segue aparentemente imune às sucessivas demonstrações de erros de gestão, maquiagem de números e reafirmação da corrupção que têm marcado o governo no último ano do mandato em que busca a reeleição.

Por imune, leia-se a permanência da candidata no patamar de 36% das intenções de voto, com oscilações de alta dentro da margem de erro e retorno frequente ao que parece ser o seu piso nessa disputa, reafirmado mais uma vez pela pesquisa da CNT/MDA , em que a candidata governista oscila dos 38% anteriores para 36%.

Os erros do governo e os escândalos de corrupção fizeram a presidente descer a esse patamar depois de experimentar o conforto de uma aprovação que esteve na casa dos 70%, antes das manifestações de junho de 2013.

O agravamento da economia, a maquiagem das contas, e os desconcertantes erros do IBGE, entre outros, não parecem afetar a candidatura ao ponto de produzir queda ainda maior do que a já registrada no último período de 12 meses.

A se confirmar essa tendência, conclui-se que a força eleitoral de Dilma registrada nas pesquisas é de um contingente que restou fiel ao PT após a descapitalização política do partido, que teve no mensalão seu fator maior de desgaste.

NA OPOSIÇÃO

A reta final da campanha, nesse contexto, só autoriza mudanças em relação às candidaturas de oposição, representadas por Aécio Neves e Marina Silva, empenhados numa disputa pela vaga no segundo turno, como mostra a pesquisa desta manhã da CNT/DMA, em que a candidata do PSB cai de 30 para 27%.

É um cenário previsível desde que o instituto da reeleição estabelece como eixo da disputa a candidata governista, em torno da qual se tem o ponto de partida do debate eleitoral. É com base nos resultados do governo que se instaura o debate, com a oposição mesclando crítica e propostas de mudanças.

Mesmo agora, a oposição precisa manter a ofensiva contra o governo para referenciar seu discurso no cenário em que o eleitor começa sua reflexão pela conveniência de estender ou interromper o atual mandato presidencial.

A pesquisa da CNT indica que a artilharia pesada do governo, combinada com a crítica de Aécio Neves, atingiram Marina Silva, mas não deve ameaçar sua liderança na oposição a Dilma.

AÉCIO MAL

O dado relativo a Aécio Neves, que se mantém nos 17%, confirma a dificuldade da candidatura do PSDB que, como já foi dito em outras avaliações neste espaço, precisará conquistar 10 milhões de votos, segmentados por todas as regiões do país, para reverter a vantagem de sua oponente oposicionista.

O governo continua sem razões para comemorar, porque o segundo turno apresenta uma perspectiva de vitória improvável de Dilma. A presidente precisará alcançar mais de 50% dos votos, o que seu percentual no primeiro turno desautoriza historicamente.

A queda de 3 pontos porcentuais de Marina é um alerta para a necessidade da candidata rever a precipitação com que rejeitou de forma hostil apoios como o do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin que, por força da aliança regional com o PSB, poderia ser um alento à campanha da ex-senadora.

Os resultados apontam para a necessidade de Marina Silva graduar a transição para o que chama de “nova política”, sob pena de desprezar alianças estratégicas para qualquer candidato. A composição política é imperativa e perfeitamente conciliável com a meta de mudança na forma de exercer a política, que dependerá muito mais da capacidade articuladora da candidata do que do enfrentamento político.

O segundo turno, se lá estiver, determinará a Marina essa rota mais amistosa para alcançar seu objetivo de chegar à Presidência da República. O contexto e os números a favorecem, mas erros pontuais podem dificultar ou mesmo inviabilizar sua vitória.

 

Refinaria de Abreu e Lima (PE) é o novo escândalo da vez na Petrobras, diz TCU

Dimmi Amora
Folha

O TCU (Tribunal de Contas da União) apontou que quatro contratos da Petrobras para a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, estão com indícios de superfaturamento que podem alcançar quase R$ 370 milhões.

De acordo com a decisão do órgão de controle, contra a qual a companhia pode recorrer, a estatal criou um índice de reajuste dos preços distorcido que já levaram ao pagamento a mais de cerca de R$ 243 milhões. Os ministros decidiram suspender pagamentos futuros desse contrato com base nesses itens o que, pelos cálculos do TCU, deverá levar a uma economia de cerca de R$ 127 milhões até o fim dos contratos.

A auditoria apurava os critérios de reajuste de cerca de 54 contratos da estatal na construção ou ampliação de cinco grandes refinarias do país. Só foram apontados problemas nesses quatro contratos em Abreu e Lima.

De acordo com a auditoria, a Petrobras decidiu reajustar vários pagamentos de serviços considerando apenas os itens mais relevantes contratados: mão-de-obra, materiais e equipamentos.

O relator do caso, ministro José Jorge, entendeu que o critério da estatal está correto. O problema, segundo ele, é que o item mão-de-obra tem uma proporção nos contratos de Abreu e Lima muito superior à da média das obras da Petrobras (entre 80% e 70% contra 55% da média da empresa).

De acordo com o ministro, isso gerou a distorção que está causando prejuízo à companhia. A Folha entrou em contato com a Petrobras pedindo um posicionamento da empresa sobre a decisão o que ainda não ocorreu.

 

A natureza sideral de Xangai e Ivanildo Vilanova

O cantor, violeiro e compositor baiano Eugênio Avelino (conhecido pelo apelido, devido à Sorveteria Xangai, que era propriedade de seu pai), na letra de “Natureza”, em parceria com Ivanildo Vilanova, faz o espaço sideral surgir como inspiração inicial e se volta para a descrição da natureza e suas maravilhas, exemplificada aqui pelo trecho relativo ao poraquê. A música foi gravada por Xangai no LP Mutirão da Vida, em 1998. pela Kuarup.
NATUREZA
Ivanildo Vilanova e Xangai
É o céu uma abóbada aureolada
Rodeada de gases venenosos
Radiantes planetas luminosos
Gravidade na cósmica camada
Galáxia também hidrogenada
Como é lindo o espaço azul-turquesa
E o sol fulgurante tocha acesa
Flamejando sem pausa e sem escala
Quem de nós pensaria apagá-la
Só o santo doutor da natureza
De tais obras, o homem e a mulher
São antigos e ricos patrimônios
Geram corpos em forma de hormônios
Criam seres sem dúvida sequer
O homem após esse mister
Perpetua a espécie com certeza
A mulher carinhosa e indefesa
Dá à luz uma vida, novo brilho
Nove meses no ventre aloja o filho
Pelo santo poder sã natureza
O peixe é bastante diferente
Ninguém pode entender como é seu gênio
Reservas porções de oxigênio
Mutações para o meio ambiente
Tem mais cartilagem resistente
Habitando na orla ou profundeza
Devora outros peixes pra despesa
E tem época do acasalamento
revestido de escamas esse elemento
Com a força da santa natureza
O poroquê ou peixe-elétrico é um tipo genuíno
Habitante dos rios e águas pretas
Com ele possui certas plaquetas
Que o dotam de um mecanismo fino
Com tal cartilagem esse ladino
Faz contato com muita ligeireza
Quem tocá-lo padece de surpresa
Descarga mortífera absoluta
Sua auto voltagem eletrocuta
Com os fios da santa natureza
Tartaruga gostosa, feia e mansa
Habitante dos rios e oceanos
Chegar aos quatrocentos anos
Pra ela é rotina, é confiança
Guarda ovos na areia e nen se cansa
De por eles zelar como defesa
Nascido os filhotes com presteza
Nas águas revoltas já se jogam
Por instinto da raça não se afogam
E pelo santo poder da natureza
O canário é pássaro cantor
Diferente de garça e pelicano
Papagaio, arara e tucano
Todos eles com majestosa cor
O gavião é um tipo caçador
E columbiforme é a burguesa
O aquático flamingo é da represa
A águia rapace agigantada
Eis o mundo das aves a passarada
Quanto é grande, poderosa e bela a natureza
A gazela, o antílope e o impala
A zebra e o alce felizardo
Não habitam em comum com o leopardo
O leão e o tigre-de-bengala
O macaco faz tudo mas não fala
Por atraso da espécie, por franqueza
Tem o búfalo aspecto de grandeza
O boi manso e o puma tão valente
Cada um de uma espécie diferente
Tudo isso é obra da natureza
Acho também interessante
O réptil de aspecto esquisito
O pequeno tamanho do mosquito
A tromba prênsil do elefante
A saliva incolor do ruminante
A mosca nociva e indefesa
A cobra que ataca de surpresa
Aplicar o veneno é seu mister
De uma vez mata trinta se puder
Mas isso é coisa da natureza
No nordeste há quem diga que o corão
Possui certos poderes encantados
Através de fenômenos variados
Prevê a mudança de estação
De fato no auge do verão
Ele entoa seu cântico de tristeza
De repente um milagre, uma surpresa
Cai a chuva benéfica e divina
Quem lhe diz, quem lhe mostra, quem lhe ensina?
Só pode ser o autor da natureza
Quem é que não sabe que o morcego
Com o rato bastante se parece
Nas cavernas escuras sobe e desce
Sugar sangue dos outros é seu emprego
Às noites escuras tem apego
Asqueroso ele é tenho certeza
Tem na vista sintoma de fraqueza
Porém o seu ouvido é muito fino
E um sonar aparelho pequenino
Que lhe deu o autor da natureza
Admiro a formiga pequenina
Fidalga inimiga da lavoura
No trabalho aplicado professora
Um exemplo de pura disciplina
Através das antenas se combina
Nos celeiros alheios faz limpeza
Formigueiro é a sua fortaleza
Onde cada uma delas tem emprego
Uma entra outra sai não tem sossego
Isso é coisa da santa natureza
A aranha pequena, tão arguta
De finíssimos fios faz a teia
Nesse mundo almoça, janta e ceia
É ali que passeia, vive e luta
Labirinto intrincado ela executa
Seu trabalho é bordado em qualquer mesa
Quem pensar destruir-lhe a fortaleza
Perderá de uma vez toda a esperança
Sua rede é autêntica segurança
Operária das mãos da natureza
A planta firmada no junquilho
Begônia, tulipa, margarida
As pedras riquíssimas da jazida
Com a cor, o valor, a luz, o brilho
A prata e o ouro cor de milho
O brilhante, a opala e a turquesa
A pérola das jóias da princesa
É difícil, valiosíssima e até
Alguém pensa ser vidro mas não é
É um milagre da santa natureza
O inseto do sono tsé-tsé
As flores gentis com seus narcóticos
As ervas que dão antibióticos
A mudança constante da maré
A feiúra real do caboré
no pavão é enorme a boniteza
Tem o lince visão e agudeza
E o cachorro finíssima audição
Vigilante mal pago do patrão
Isso é coisa da santa natureza?
A cigarra cantante dialoga
Através do seu canto intermitente
De inverno a verão canta contente
E a sua canção não sai da voga
Qualquer árvore é a sua sinagoga
Não procura comida pra despesa
Sua música sinônimo de tristeza
Patativa da seca é o seu nome
Se deixar de cantar morre de fome
Mas isso a gente sabe que é da natureza
      (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Nomeação de filhas de ministros do Supremo para tribunais envergonha a Justiça

Carlos Newton

Primeiro, foi o ministro Marco Aurélio de Mello que conseguiu emplacar a nomeação de sua filha Letícia Mello para o cargo de desembargadora do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que abrange o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. Agora, quem pode ser nomeada para desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro é a advogada Mariana Fux, filho de outro integrante do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luiz Fux.

A brecha que possibilita esse tipo de favorecimento de pai para filha é o chamado quinto constitucional. Pela Constituição Federal, um quinto das vagas dos tribunais deve ser preenchido por advogados, indicados pela OAB, e por representantes do Ministério Público.

A campanha de Luiz Fux para nomear a filha, através de ligações telefônicas a advogados e desembargadores responsáveis pela escolha, tem causado constrangimento no meio jurídico.

É uma situação revoltante e inaceitável, que mostra até que ponto chega a podridão em nossa Justiça. A democracia é o sistema político que se caracteriza pelo primado do mérito profissional. Quando ministros do Supremo usam sua própria influência para favorecer os próprios filhos, o que se pode esperar das demais autoridades.

SÃO 38 CANDIDATOS

Na disputa, Marianna enfrenta só uma concorrente com a mesma idade: Vanessa Palmares dos Santos, 33. Os outros 36 candidatos têm idades entre 38 e 65 anos. Dois já foram finalistas da OAB em outras seleções, e metade tem mais de 20 anos de advocacia.

Marianna não havia passado pelo crivo inicial do conselho da OAB, por não ter anexado documentos comprovando a prática jurídica. Em vez disso, apresentou uma carta assinada por Sergio Bermudes, amigo pessoal de Fux e ex-conselheiro da OAB. Marianna trabalha no escritório dele, em função subalterna, desde 2003.

Na carta, Bermudes declara que ela exerceu “continuamente, nesses mais de dez anos, a atividade de consultoria e assessoria jurídica”. Com a recusa da carta, Marianna, então, anexou uma série de petições para comprovar sua experiência, mas estão assinadas conjuntamente com outros advogados do escritório.

Na próxima análise dos currículos, um grupo de 20 advogados planeja impedir que a filha do ministro Fux siga no processo de seleção. O presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, não comenta o caso.

NÃO SENTEM VERGONHA

E o pior é que não se envergonham desses atos. Acham normal agir assim, usar de seu efémero poder para beneficiar parentes e amigos, como se fosse a atitude mais ética do mundo. Depois saem às ruas como se não estivesse acontecendo nada de errado, cumprimentam os vizinhos, os porteiros, o ascensorista, ou seja, desenvolvem uma vida paralela, como se fossem semideuses, acima do bem e do mal, quando não passam de cidadãos de segunda classe, que não têm senso de pudor e de cidadania.

Temer acusa Polícia Federal de intimidar filho do ministro Lobão no Maranhão

Gabriela Guerreira e Alexandre Aragão
Folha

Em nota, Temer afirma que integrantes da Polícia Federal fizeram buscas na aeronave, nos automóveis e nas bagagens de membros da comitiva do candidato, que estava no aeroporto, “sob o pretexto de buscar recursos ilegais de campanha”.

DENÚNCIA ANÔNIMA

Temer também afirma, na nota, que a ação intimidatória dos integrantes da PF não encontrou nenhuma irregularidade e foi baseada em denúncia anônima.

“No Estado Democrático de Direito é inadmissível que forças policiais sejam instrumentalizadas para atingir candidaturas legitimamente constituídas”, afirma Temer. “O procedimento foi baseado em denúncia anônima durante o curso da disputa eleitoral intensa”, completou o presidente do PMDB.À tarde, após evento de campanha em São Paulo, Temer voltou a tocar no assunto. “Recebi hoje pela manhã, assim que cheguei do Uruguai, uma informação dos companheiros do Maranhão dizendo que houve uma ação bastante agressiva”, disse.

“Acho importante apurar. Se a ação é fundada em mandado judicial, tudo bem, não há problema. E mesmo fundada em mandado judicial, deve guardar certos pressupostos, digamos assim, de tranquilidade na própria investigação, na própria apuração”, completou. “Se houve excesso, será igualmente apurado.”

Irã diz que erros do Ocidente transformam Oriente Médio em terra de terroristas

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, disse hoje (25), durante discurso na 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que as estratégias equivocadas do Ocidente para o Oriente Médio, a Ásia Central e para o Cáucaso converteram as regiões em paraísos para terroristas. Segundo ele, as grandes potências ocidentais incentivam o fundamentalismo e agora não sabem como detê-lo.

Como exemplo, Rouhani citou as intervenções militares no Afeganistão, no Iraque e na Síria. Para o presidente do Irã são os países da região que devem combater os grupos fundamentalistas. “A experiência da criação da Al Qaeda, do Talibã e de outros grupos extremistas mostram que não se pode usar grupos fundamentalistas para combater um Estado adversário, sem se intimidar com as consequências de um extremismo mais amargo”.

Rouhani ressaltou que, se a coalizão liderada pelos Estados Unidos, para enfrentar o Estado Islâmico, tiver o objetivo de manter a hegemonia ocidental sobre a região cometerá mais um erro, que continuará alimentando o ódio e a islamofobia. Para ele, a democracia não pode ser importada e, para consegui-la, da mesma forma como para acabar com o extremismo, deve-se impulsionar a Justiça e o desenvolvimento.

DEMOCRACIA DE EXPORTAÇÃO

“Sempre consideramos que a democracia não poderia ser imposta do exterior (…) não é um produto comercial que possa ser exportado do Ocidente para Leste”, disse Rouhani. “Quando os generais irrompem numa região, não esperam que sejam calorosamente recebidos pelos diplomatas. Quando a guerra começa, a diplomacia termina. Quando as sanções são impostas, aumenta o ódio sobre quem as aplica”, acrescentou o presidente do Irã, país que permanece sujeito a sanções devido às desconfianças das grandes potências sobre seu programa nuclear.

Em relação a este tema, Rouhani disse que seu país está determinado a prosseguir as negociações sobre seu programa nuclear, na expectativa de que um acordo seja concluído em curto prazo. Apesar disso, observou que as sanções constituem um impedimento para cooperações de longo prazo. Grandes potências e Israel acusam o Irã de promover clandestinamente, camufladas pelo programa nuclear civil, atividades destinadas à fabricação de bombas atômicas, o que o governo do país nega.

*Com informações do Centro de Notícias ONU e da Agência Lusa

OAB-RJ luta para barrar candidatura da filha do ministro Fux a vaga em tribunal

Marianna Fux, filha do ministro do STF, Luiz Fux

Marco Antonio Martins e Samantha Lima
Folha

Conselheiros da OAB-Rio pediram, nesta manhã de quinta (25), a impugnação da candidatura da advogada Marianna Fux, 33 anos, para a vaga de desembargador do Tribunal de Justiça do Rio. O pedido foi assinado por 31 advogados dos 61 presentes à sessão realizada na sede da OAB, no centro do Rio. O conselho da Ordem é formado por 160 advogados, entre titulares e suplentes. Marianna é filha do ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Até que o caso de Marianna Fux seja definido, todo o processo de indicação dos seis nomes que disputarão a vaga de desembargador do tribunal do Rio estará paralisado. Procurada, Marianna Fux não retornou os contatos feitos por telefone para o escritório onde trabalha ou para seu email.

Segundo a Folha revelou na edição de segunda (22), o ministro Fux tem feito campanha em favor da filha para que ela seja uma das escolhidas para compor a lista sêxtupla que será encaminhada pela OAB ao Tribunal de Justiça do Rio. A Folha apurou que o ministro chegou a conversar sobre a candidatura da filha com advogados e desembargadores da Justiça do Rio.

De oito conselheiros ouvidos para a edição de segunda, quatro disseram que o ministro lembrou, durante as conversas, quais processos de que cuidavam poderiam chegar ao STF, onde Fux tem uma cadeira e pode influenciar os resultados. A campanha do pai para emplacar a filha causou constrangimento no meio jurídico.

38 CANDIDATOS

Incluindo Marianna Fux, 38 candidatos se inscreveram para disputar a indicação para futuro desembargador do Tribunal de Justiça do Rio. A vaga foi aberta com a aposentadoria do desembargador Adilson Macabu.

De acordo com o processo de escolha, com a lista sêxtupla, definida pela OAB, o tribunal escolhe três nomes que serão encaminhados ao governador do Estado. De posse desta lista, o governador define o nome que ocupará o cargo.

Com a medida tomada pelos conselheiros nesta manhã, na próxima sessão, em 9 de outubro, o conselho escolherá um relator para analisar o caso de Marianna Fux. Este advogado avaliará se a candidatura de Marianna Fux deve ou não ser impugnada.

O tempo de paralisação de todo processo dependerá do período usado pelo advogado conselheiro para avaliar a situação. Com isso, o processo iniciado em 26 de maio pode durar mais dois meses se tornando o mais longo para a definição da lista na OAB do Rio. Em média, a lista é enviada ao TJ do Rio em três meses.

Em março, uma filha de outro ministro do STF conseguiu ser nomeada desembargadora do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que abrange o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. Letícia Mello, filha de Marco Aurélio Mello, tinha 37 anos quando assumiu o cargo –idade considerada nova para alcançar o posto. No meio jurídico, era tida uma advogada promissora, mas que dificilmente seria nomeada se o pai não estivesse no STF.