Brasil tem 16 cidades no grupo das 50 mais violentas do mundo

Sérgio Roxo
O Globo

SÃO PAULO – O médico José Alfredo Vasco Tenório, de 67 anos, iniciava a sua pedalada diária pela orla de Maceió, quando foi abordado por dois rapazes numa praça a 400 metros de sua casa. Um dos criminosos estava armado. Quando ele se abaixou para saltar da bicicleta, recebeu um disparo nas costas. A bala atravessou o corpo e acertou o coração. João Alfredo morreu no local e se tornou mais uma das vítimas da violência na capital alagoana, a quinta cidade com mais homicídios no mundo, segundo levantamento elaborado pela ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal AC.

O Brasil é o país com mais municípios no ranking: 16. O México aparece em segundo, com nove. Apenas sete cidades da lista não estão na América Latina: quatro dos Estados Unidos (Detroit, Nova Orleans, Baltimore e Saint Louis) e três da África do Sul.

O levantamento leva em conta a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no ano passado. De acordo com a ONG, foram levantados dados disponibilizados pelos governos em suas páginas na internet e consideradas só cidades com mais de 300 mil. Essa foi a quarta edição do ranking.

Em relação ao levantamento de 2012, Brasília e Curitiba deixaram a lista. Por outro lado, três cidades brasileiras ingressaram no grupo: Campina Grande (PB), Natal (RN) e Aracaju (SE). As duas maiores metrópoles do país, São Paulo e Rio de Janeiro, não estão no ranking. Segundo especialistas, há 10 anos o país vê os homicídios migrarem para os municípios de médio porte.

– A violência deixa de ocorrer nos polos tradicionais a partir da virada do século – afirma Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador do Mapa do Violência do Brasil.

Julio cita como fatores que provocaram o fenômeno a mudança do modelo econômico, com o fim da migração para as principais capitais do Sudeste, além dos investimentos federais nas cidades que tinham grandes taxas de assassinato.

– O crime organizado se nacionaliza e encontra nessas capitais de estados menores um sistema de segurança precário – diz o pesquisador.

No caso de Maceió, a cidade brasileira mais violenta, o problema ainda foi agravado por que o estado de Alagoas enfrentou seguidas greves de policiais nos anos 2000.

Dos 16 municípios do Brasil no ranking das cidades mais violentas do mundo, seis vão receber jogos da Copa do Mundo: Fortaleza, Natal, Salvador, Manaus, Recife e Belo Horizonte.

INVESTIMENTOS???

Os estados que possuem cidades no ranking das 50 mais violentas do mundo dizem estar fazendo investimentos para reduzir as taxas de homicídios.

O secretário de Segurança Pública do Ceará, Servilho Paixa, afirma que não há risco para os turistas que visitarem Fortaleza, a segunda cidade brasileira na lista, durante a Copa do Mundo.

– O turista pode ficar tranquilo, se conduzir no circuito apropriado, e de forma apropriada – disse.

Segundo o secretário, o estado tem investido na formação policial, na punição de irregularidades dos agentes e em gestão para reduzir os índices. Pernambuco afirma que a taxa de homicídios em Recife tem caído e que tem implantado medidas para combater a violência. Minas Gerais e Mato Grosso também dizem ter implantado medidas.

A Secretaria de Defesa Social de Alagoas, responsável pela segurança pública em Maceió, a primeira cidade brasileira no ranking, foi procurada, mas não se manifestou.

VEJA AS COLOCAÇÕES

Maceió (5ª colocada) – 79,76 homicídios por 100 mil habitantes

Fortaleza (7ª) – 72,81 homicídios por 100 mil

João Pessoa (9ª) – 66,92 homicídios por 100 mil

Natal (12ª) – 57,62 homicídios por 100 mil

Salvador (13ª) – 57,51 homicídios por 100 mil

Vitória (14ª) – 57,39 homicídios por 100 mil

São Luís (15ª) – 57,04 homicídios por 100 mil

Belém (16ª) – 48,23 homicídios por 100 mil

Campina Grande (25ª) – 46 homicídios por 100 mil

Goiânia (28ª) – 44,56 homicídios por 100 mil

Cuiabá (29ª) – 43,95 homicídios por 100 mil

Manaus (31ª) – 42,53 homicídios por 100 mil

Recife (39ª) – 36,82 homicídios por 100 mil

Macapá (40ª) – 36,59 homicídios por 100 mil

Belo Horizonte (44ª) – 34,73 homicídios por 100 mil

Aracaju (46ª) – 33,36 homicídios por 100 mil

Bancos já fazem suas apostas para a eleição presidencial

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Os maiores bancos do país já entraram no clima das eleições. Em conversas informais com clientes e investidores estrangeiros, Bradesco e Santander apostam que, diante dos números de hoje das pesquisas de intenção de votos, a reeleição da presidente Dilma Rousseff se dará, com folga, no primeiro turno. Já o Itaú Unibanco e o Banco do Brasil acreditam em uma disputa mais acirrada, que levará o pleito de outubro próximo para o segundo turno. O BB, contudo, aposta que Dilma será reeleita ao fim do processo.

Para o Itaú, caso o adversário da presidente seja o atual governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, há chances de derrota de Dilma, uma vez que ele conseguiria absorver a maior parte dos votos de Aécio Neves, do PSDB.

Nessas conversas, os bancos fazem questão de ressaltar que tais avaliações ainda serão revistas à medida que o processo eleitoral esquentar. Um dos fatores determinantes para a disputa, no entender dos executivos encarregados de traçar o quadro eleitoral, será a inflação, que voltou a acelerar e tende a incomodar, principalmente, o eleitorado de menor renda, que vota em Dilma.

Joga a favor da petista o fato de o mercado de trabalho ainda se manter forte, sustentando o consumo das famílias, mesmo que em níveis inferiores aos dos últimos anos, quando a farra do crédito permitiu que muita gente satisfizesse desejos reprimidos ao custo de parar na lista de maus pagadores do Banco Central. 

NÃO HÁ COMO FUGIR…

Oficialmente, os quatro bancos negam que estejam desenhando cenários para a eleição presidencial. Mas tanto clientes quanto executivos das instituições ouvidos pelo Correio confirmam as apostas bancadas até o momento. “Não há como fugir do assunto. Estamos a caminho de uma eleição importantíssima, pois quem tomar posse em janeiro de 2015 terá de fazer um ajuste brutal na economia”, destaca um diretor de um dos bancos privados, sob a condição de anonimato. “É preciso ressaltar ainda que o país está à beira de um racionamento de energia, que, se concretizado, será um baque para a imagem da presidente da República e um forte alento à oposição”, acrescentou.

Nas mesas de operações dos bancos, a ordem é acompanhar com lupa os números da economia e fazer um cruzamento com as intenções de voto dos presidenciáveis. Mesmo forte, com chances concretas de reeleição, Dilma pode derrapar se os resultados da atividade fraquejarem, por causa da inflação alta. “A presidente da República tem a seu favor um mercado de trabalho ainda forte e programas sociais que têm beneficiado parcela importante do eleitorado. Mas não podemos esquecer que, do ponto de vista da gestão econômica, as falhas estão se evidenciando e sustentando o discurso dos principais adversários”, destacou outro executivo.

SEM MARCA FORTE… 

Ele lembrou que Dilma não conseguiu, até agora, imprimir uma marca forte, que possa ser explorada na campanha eleitoral. Mais: desfez-se a imagem criada por marqueteiros de que ela era uma ótima gestora, e praticamente todas as medidas anunciadas pelo governo na economia acabaram tendo de ser revertidas.

As barreiras impostas à entrada de dólares no país, sob o argumento de que havia uma guerra cambial, foram derrubadas rapidamente. Os juros, que chegaram ao menor nível da história — 7,25% ao ano — estão em alta desde abril do ano passado, atingiram 10,75% e vão continuar subindo.

Agora, está clara a dificuldade do governo para manter a redução na conta de luz. O aumento virá, muito provavelmente, depois das eleições. “Esses retrocessos, em algum momento, vão aparecer nas intenções de votos”, frisou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ preciso não esquecer apenas um detalhe importante: uma das herdeiras do Itaú está fechada com o partido de Marina Silva e não abre. Financiou a criação da Rede Solidariedade e está sempre com o talão de cheques à disposição. Mas o banco, é claro, vai apoiar todos os candidatos. Assim, seja quem for o vitorioso (ou vitoriosa), já estará na gaveta. (C.N.)

As eleições e as esquerdas

Ricardo Antunes


O ano de 2014 será emblemático para o Brasil. Na Copa da Fifa, poderemos vencer ou não; teremos o ano do hexa com rebeliões, ou um ano de rebeliões sem o hexa.


Mas será também o ano das eleições. Depois do vendaval de junho do ano passado, os partidos recuperam seu espaço e já se sentem confortáveis novamente para o embate. Muitos exemplos mostram, entretanto, que a revolta nas ruas não têm tido repercussão direta nos resultados eleitorais.
Da Espanha ao Chile, da Itália a Portugal, as sublevações seguem uma lógica que recusa os calendários eleitorais, e o absenteísmo se amplia. A descrença é tal que quem opta por votar o faz alternando suas opções entre as principais rotas dominantes e aquela que vence recebe o troco nas eleições seguintes.
No Brasil, a presidente Dilma Rousseff (PT) recuperou-se nas pesquisas, ainda que a situação econômica e as turbulências de toda ordem sejam incógnitas eleitorais. A recente crise da aliança entre seu governo e o PMDB e a compra pela Petrobras de uma petroleira hipervalorizada nos Estados Unidos demonstram que o quadro eleitoral pode se turvar ainda mais.

BOLSA FAMÍLIA
Mas o ex-presidente Lula e seus candidatos ainda são fortes nos rincões onde o Bolsa Família se expande. Se o programa permite minimizar os níveis de miséria, é incapaz de eliminá-la. Sua perpetuação tornou-se, então, vital para a manutenção do PT no poder, criando um círculo vicioso perverso: o Bolsa Família é uma política assistencialista absolutamente insuficiente. E quanto mais tempo perdurar, mais o PT se beneficia, pois os pobres temem a volta do tucanato com sua conhecida insensibilidade social.
Foi assim que o PT encontrou seu principal cabo eleitoral. Ocupou seu espaço, gostou do poder e garante a boa vida dos grandes capitais. Não foi sem motivos que um delfim do empresariado afirmou que Dilma “tem qualidades interessantes para administrar e é de uma seriedade extravagante. Devíamos saber aproveitá-la.” (Valor Econômico, 23/12/2013)
O PSDB, por sua vez, perdeu o rumo quando o PT lhe roubou a programática. É constrangedor ver o senador Aécio Neves como paladino da oposição. O neto de Tancredo envelheceu precocemente e não percebeu. Deu espaço para Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (PSB), nessa esdrúxula aliança entre alguns verdes e novos e velhos ruralistas. Eles perceberam, entretanto, a fragilidade do mineiro, mas o querem como aliado.
A VOZ DAS RUAS
E as esquerdas que estão na oposição serão capazes de ouvir a voz funda que aflorou nas rebeliões de junho? Conseguirão encontrar uma alternativa que dialogue com os movimentos sociais, com o descontentamento das periferias? Compreenderão a recusa à mercadização dos bens públicos e sua oposição à via estritamente eleitoralista e prisioneira de uma institucionalidade viciada? Serão capazes de ampliar os laços efetivos com a juventude e com a jovem classe trabalhadora?
Se o eixo das lutas sociais passa hoje pelas praças e ruas, as esquerdas, apesar de sua pequena expressão eleitoral, poderão ao menos mostrar que ainda têm algo distinto a dizer para “os de baixo”, mesmo quando as eleições presidenciais parecem estar inteiramente restritas a uma dança entre os partidos da ordem.

Popularidade do governo Dilma cai para 36%, revela o Ibope

Cristiane Jungblut
O Globo

A popularidade do governo da presidente Dilma Rousseff teve uma expressiva queda no mês de março. O percentual da população que considera o governo ótimo ou bom caiu de 43% para 36%. Este é o resultado da pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ibope. O último levantamento havia ocorrido em novembro. Esta foi a primeira queda na aprovação da presidente Dilma desde julho, quando ocorreram as manifestações de rua em todo o país.

Na pesquisa, o percentual daqueles que consideram o governo ruim subiu para 27%, contra 20% registrados em novembro. A parcela da população que aprova a maneira da presidente Dilma governar também caiu de 56% para 51%, Já a parcela insatisfeita com sua maneira de governar cresceu de 36% para 43%.

PIOR DO QUE LULA

A confiança na presidente Dilma também diminuiu. A parcela da população que confia na presidente caiu de 52% para 48%. O governo teve uma piora na avaliação em todas as nove áreas pesquisadas. O descontentamento é maior principalmente quanto á condução da política econômica, com preocupações em relação à inflação e ao desemprego.

A pesquisa mostra que apenas 36% esperam que o restante do governo Dilma seja ótimo ou bom, contra 45% na pesquisa anterior. Já 28% apostam que o restante do governo será ruim.

Na área de Educação: a desaprovação subiu para 65%, contra 58% na pesquisa anterior. Na área de Saúde, a insatisfação subiu para 77%, contra 72% na pesquisa anterior; Na área da Segurança Pública, o descontentamento chegou a 76%.

A melhor avaliação continua sendo na área de Combate à Fome, com 48% de aprovação ao governo e 49% de insatisfação.

A pesquisa mostrou que 77% desaprovam a política econômica de forma geral. No caso específico da inflação, a insatisfação é de 71%. Na área de meio ambiente, descontentamento é de 54%.

A pesquisa foi realizada de 14 a 17 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Foram entrevistadas 2002 pessoas, em 141 municípios.

Na comparação entre os governos de Lula e Dilma, 42% consideram que a administração da presidente é pior, contra 34% na anterior. E 46% acreditam que os dois governos são iguais.

Pesquisa indica que diminuiu o ritmo de queda da produção industrial

indústria

Mariana Branco
Agência Brasil

 A produção industrial continuou em baixa em fevereiro, mas o recuo foi menos intenso do que em janeiro deste ano e fevereiro do ano passado. O indicador da produção ficou em 48,3 pontos, abaixo da linha divisória de 50 pontos, que indica queda. No primeiro mês de 2014, o índice havia atingido 47,4 pontos e, em fevereiro do ano passado, 46,1 pontos. As informações fazem parte da pesquisa Sondagem Industrial, divulgada hoje (26) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

Com a queda menos acentuada da produção, a utilização da capacidade instalada aproximou-se da usual. O indicador ficou em 44,7 pontos, 1,7 ponto acima do índice registrado em janeiro. Já o indicador dos estoques efetivos manteve-se estável, atingindo 49,9 pontos, bem próximo de 50. Isso significa que o volume de produtos estocados está perto do nível desejado pela indústria. A sondagem mostrou ainda que o número de funcionários ficou em 48,9 pontos em fevereiro. Embora o dado indique que o emprego industrial continua em queda, o resultado é melhor do que o de janeiro: 48 pontos.

Quanto às expecativas para os próximos seis meses, os empresários mantêm-se otimistas. Enquanto os demais indicadores referem-se ao desempenho da indústria em fevereiro, os índices de expectativas valem para março.  A estimativa de demanda ficou em 57,9 pontos, número idêntico ao do mês anterior. Os índices que medem as expectativas sobre volume de exportações e compra de matérias-primas também ficaram estáveis, atingindo, respectivamente, 53,1 e 55,6 pontos. Houve, no entanto, aumento da expectativa sobre contratação de empregados em relação a fevereiro, de 51,1 pontos para 51,8 pontos.

A pesquisa Sondagem Industrial foi realizada no período de 6 a 18 de março Foram ouvidas 2.085 empresas. O levantamento trabalha com uma escala de 0 a 100 para cada indicador, na qual números acima de 50 indicam avaliações positivas e, abaixo, negativas.

O gato e a lebre (ou o México é um país pobre e desigual)

Mauro Santayana 

(JB) – A OCDE – Organização para o Comércio e o Desenvolvimento Econômico, divulgou um relatório, na última terça-feira, classificando o México e o Chile, ambos formalmente sócios da “Aliança do Pacífico”, como os dois países com maior desigualdade do grupo.
Até aí, nada a estranhar, a OCDE reúne países teoricamente desenvolvidos, que exibem dados sociais – remanescentes do período anterior à crise economia – melhores do que a da maioria dos países latino-americanos, mas eles tem se deteriorado rapidamente nos últimos anos.
A dívida explodiu entre os 34 membros da OCDE, principalmente os PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda e Espanha). E o desemprego aumentou para um total de 48 milhões de pessoas, 15 milhões a mais do que em 2007, alcançando em alguns lugares, como a própria Espanha, taxas próximas a 30%.
O Chile – costumeiramente apresentado como um “milagre” latino-americano, que muitos atribuem a Pinochet – consegue ser ainda mais desigual que o México.
Mas o México perde para o Chile em renda. A sua é a menor da OCDE, e uma das mais baixas entre os países latino-americanos.
O país de Zapata, também cantado pela mídia como “exemplo” para o continente, tem, segundo estatística do FMI de 2012,  renda menor que a do Chile, Uruguai, Brasil, Argentina e Venezuela.
E o pior, no lugar de crescer, ela tem diminuído nos últimos três anos. Isso, considerando-se que o México não conta com uma legislação trabalhista ou uma rede de proteção social, ou programas de renda mínima, que possam garantir um mínimo de dignidade para a população.
SEM SEGURO-DESEMPREGO
Na nação dos tacos e da tequila – o que explica parte de seu “sucesso” manufatureiro na montagem e maquiagem, com peças de terceiros, de produtos destinados aos Estados Unidos – sequer existe seguro-desemprego.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho, quase 60% dos empregos no México são informais, contra 28% na Argentina, 34% no Brasil, 45% na Colômbia, e 45% no Peru. E quatro em cada dez cidadãos mexicanos não conseguem dinheiro para pagar uma cesta básica a cada 30 dias.
Como faziam os meios de comunicação espanhóis, que achavam que a Espanha estava uma maravilha, quando na verdade, já estava sendo engolida pela crise, os jornais mexicanos se gabam do país ter entrado para o NAFTA, o acordo que os uniu, economicamente, ao Canadá e aos Estados Unidos, e de terem assinado, com outros países,  dezenas de acordos bilaterais de livre comércio.
Mas não falam dos déficits históricos em sua balança comercial, que sua renda per capita está praticamente estagnada há mais de duas décadas, e que seu poder de compra tem caído, no lugar de aumentar,   nos últimos anos.
O problema da fome, do abastecimento e da inflação de alimentos também é muito grave no membro mais pobre do NAFTA.
FRANGO BRASILEIRO
Muita gente acha que o Brasil tem que parar de mandar alimentos para a Venezuela, mas não sabe que o governo mexicano está ultimando a compra, em nosso país, em caráter emergencial, de 300 mil toneladas de frango, para impedir que o preço das proteínas exploda, e que falte comida nos supermercados.
Muitos mexicanos também acreditam na balela de que o México é grande exportador de manufaturas, enquanto o  Brasil só exporta commodities – esquecendo-se que somos o terceiro maior fabricante e vendedor global de aviões.
O fato de que sejamos o maior exportador mundial de suco de laranja, café, açúcar, carnes, – além de primeiro em minério de ferro e o segundo em etanol – e de que tenhamos triplicado nossa safra de grãos nos últimos 12 anos e estejamos a ponto de ultrapassar os EUA como o maior exportador de soja do mundo, só quer dizer uma coisa: soubemos dar mais valor à segurança alimentar do que outros países latino-americanos, e hoje temos comida para abastecer nossa mesa, e para vender para o resto do mundo.
Na hora de ler os jornais, ouvir o rádio, ou ver os noticiários de televisão, ao ouvir falar das ”reformas” e de supostos avanços mexicanos com relação ao Brasil – quando eles cresceram a metade do nosso PIB no último ano – é bom ficar com o pé atrás e colocar as barbas de molho.
Não podemos comer gato por lebre, e seguir os passos dos mexicanos, que venderam a alma ao diabo, ao se agregar – como pouco mais que escravos e camareiros – ao sistema econômico norte-americano.
Ao nos oferecer acordos semelhantes, como a UE está fazendo agora – e os EUA tentarão fazer logo em seguida – os países “ocidentais” não vão abrir seus mercados para nossas manufaturas – pelo contrário, eles têm reduzido suas compras e aumentado as vendas para cá nos últimos anos. Irão apenas tomar, implacavelmente, das nossas indústrias, o mercado sul-americano.

 

Aprovação de cotas para negros em concursos públicos abre nova polêmica racial

José Carlos Werneck

Por 314 votos a favor,36 contrários e 6 abstenções a Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira  projeto que reserva 20% das vagas em concursos públicos na administração direta e indireta da União a candidatos negros . A proposta será encaminhada, agora ao Senado

A reserva  será aplicada sempre que o número de vagas oferecidas no concurso for igual  ou superior a três. Segundo a proposição, a reserva de vagas a candidatos negros deverá constar expressamente dos editais dos concursos, que terão de especificar o total de vagas correspondentes à reserva para cada cargo oferecido. Poderão concorrer às vagas reservadas a candidatos negros aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso público, conforme o quesito cor ou raça utilizado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Durante o debate da matéria, chegou a ser discutida a possibilidade de estender o mesmo percentual para os cargos comissionados do Executivo. A proposta não logrou êxito e foi rejeitada.

A discussão teve momentos polêmicos, em que parlamentares contrários e favoráveis à proposição se alternaram nos microfones. “São hipócritas, demagogos, quem defende o projeto”, declarou Jair Bolsonaro, do PP do Rio de Janeiro. Silvio Costa, do PSC pernambucano, afirmou: “Como é que a gente pode qualificar este País tendo a cor como bandeira? Isso é demagogia pura.”

Benedita da Silva, do PT carioca, enfatizou:”As cotas dos não negros, nós, negros, sempre, convivemos com elas, porque nossos filhos não foram para a escola, para a universidade. Eles não tiveram nenhum cargo que nós pudéssemos achar que era digno do seu conhecimento. Essa é a cota com a qual nós convivemos”.

Jandira Feghali, doPcdoB, do Rio de Janeiro acrescentou:”Nós vivemos num país onde a cor da pele discrimina, sim. Nós vivemos num país onde a grande maioria da população pobre é negra, onde as chances de disputa são menores, as chances de igualdade são menores”.

Calmaria e perigo, no mar de Sueli Costa e Cacaso

 
O professor, poeta e letrista mineiro Antônio Carlos de Brito (1944-1987), conhecido como Cacaso, nos versos de “Amor, Amor”, em parceria com Sueli Costa, explica que calmaria e perigo são condições contraditórias existentes no mar e no amor.
AMOR, AMOR
Sueli Costa e Cacaso

Quando o mar
quando o mar tem mais segredo
não é quando ele se agita
nem é quando é tempestade
nem é quando é ventania
quando o mar tem mais segredo
é quando é calmaria

quando o amor
quando o amor tem mais perigo
não é quando ele se arrisca
nem é quando ele se ausenta
nem quando eu me desespero
quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero

           (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Graça Foster, presidente da Petrobras, repete Lula e Dilma, dizendo que não sabia de nada

Luana Pavani
Agência Estado

SÃO PAULO – A presidente da Petrobrás, Graça Foster, afirmou que na segunda-feira, 24, tomou a decisão de abrir uma comissão interna para investigar a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.

Em entrevista ao jornal O Globo, a presidente da Petrobrás afirmou que o caso não vai ficar “pedra sobre pedra”.

Graça revelou que havia, na época da aquisição, um comitê de proprietários de Pasadena no qual o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa era representante da Petrobrás.

Irritada, Graça reclamou que desconhecia a existência do comitê – que atuava acima do Conselho de Administração da estatal. Após processo arbitral da estatal brasileira com os sócios belgas na refinaria, em 2008, o comitê deixou de existir.

Segundo ela, no entanto, ainda não foram encontradas irregularidades na atuação do comitê no caso de Pasadena.

Graça também mostrou indignação com a possibilidade não saber tudo que deveria sobre Pasadena: “eu não posso não saber de alguma coisa neste momento em relação à Pasadena. Eu não aceito. E daí vem minha indignação”, afirmou, na entrevista ao Globo.

De acordo com Graça Foster, a companhia terá até 45 dias para se manifestar “sobre uma série de processos que já estavam em avaliação de forma administrativa”.

Ainda na entrevista, a presidente da Petrobrás evitou comentar se as denúncias têm cunho político e admitiu que não foi feita auditoria na refinaria Abreu e Lima, envolvida em suspeitas de superfaturamento. “Não há materialidade hoje que justifique isso”.

Em 2005, a empresa belga Astra Oil comprou a refinaria de Pasadena por US$ 42,5 milhões. No ano seguinte, a Petrobrás adquiriu 50% do ativo por US$ 360 milhões. Em 2012, após disputa judicial, a companhia teve de comprar o restante da refinaria, num desembolso total de US$ 1,18 bilhão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA situação está ficando cada vez mais comprometedora. Um conselho de administração (presidido por Dilma Rousseff) que aprova um negócio de 360 milhões de dólares sem se preocupar com as cláusula do contrato. Um presidente da Petrobras (Sergio Gabrielli) que o assina o contrato, também sem se preocupar com as cláusulas, e depois contrata o primo (?) para resolver o gravíssimo problema nos EUA. E agora surge uma presidente da estatal (Graça Foster) que não sabia da existência de um comitê de “proprietários” da refinaria de Pasadena, integrado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, um dos integrantes da quadrilha que lesou a companhia. Sinceramente, é muita irresponsabilidade… (C.N.)

Na Era das UPPs, aumenta o número de homicídios dolosos e de autos de resistência no Rio

Vladimir Platonow
Agência Brasil 

O número de homicídios dolosos no estado do Rio de Janeiro aumentou 18,1% em janeiro deste ano em comparação com o mesmo perído do ano passado. No primeiro mês deste ano, houve 469 homicídios dolosos no estado, contra 397 em janeiro de 2013. Os autos de resistência, quando há mortes em confronto com a polícia, também aumentaram; foram 29 casos em janeiro de 2013 e 49 no primeiro mês deste ano, informou o Instituto de Segurança Pública (ISP), ligado à Secretaria de Estado de Segurança Pública.

De acordo com os números divulgados hoje (26) pelo instituto, também cresceu o número de latrocínios, que são os roubos seguidos de morte: passaram de 11 casos em janeiro de 2013 para 15 ocorrências em janeiro de 2014.

Os casos de estelionato, porém, caíram de 3.328 casos no ano passado, para 3.046 este ano. Os roubos a residências também tiveram pequena queda, de 125, nos primeiros 30 dias de 2013, para 123 casos em janeiro deste ano.

A produtividade da polícia teve aumento considerável em janeiro deste ano, contra o mesmo mês do ano passado. A apreensão de drogas aumentou 31% (2.025 casos em 2013 e 2.653 em 2014) e o número de armas apreendidas cresceu 13,2% (615 em 2013 e 696 em 2014).

O número de prisões cresceu 26,5% (2.120 em 2013 e 2.682 em 2014). As informações completas do relatório mensal do ISP podem ser acessadas na página da instituição na internet.

O rancor da perda

Carla Kreefft

O Brasil vive um momento de reorganização social. A classe média cresce como resultado de uma mobilidade induzida por políticas sociais compensatórias, criação de empregos e manutenção da estabilidade econômica. A notícia é velha, mas boa.

Com a ampliação da classe média, o consumo do varejo aumenta, o dinheiro circula mais, a venda de imóveis, veículos e bens duráveis sobe. Em resumo, parece ser bom para todo mundo. Mas só parece. Tem aí um segmento que está muito incomodado. Trata-se da velha classe média – aquela que já era classe média desde o período da ditadura.

Para identificar essa classe social não é difícil. Na década de 70, esse segmento social já tinha casa própria, o que era uma raridade, já que o financiamento público era muito restrito e somente quem tinha uma renda razoável tinha condição de acesso. Os filhos dessa classe estudavam em escolas públicas. A educação pública era de boa qualidade, mas só atendia quem passava em exames de seleção, ou seja, quem tinha condições financeiras de estudar (comprar livros, uniformes, custear um curso de inglês etc). Os pobres ficavam fora da escola, e os ricos estudavam em escolas particulares. Essa família tinha um carro e, nos fins de semana, frequentava clubes de lazer e podia ir ao cinema. Essas famílias também tinham telefone – que era muito caro na época.

De lá para cá, com a redemocratização do país, essa classe viu o ensino público ser universalizado e perder qualidade, o que a obrigou transferir seus filhos para a rede particular. Também presenciou a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o que retirou dos trabalhadores com carteira assinada a exclusividade do atendimento médico público. Em outras palavras, todo e qualquer cidadão passou a ter direito à saúde pública – mesmo sendo de qualidade questionável.

Mais recentemente, a estabilidade econômica desencadeou estratégias governamentais que expandiram a telefonia fixa e a móvel, permitiram financiamentos da casa própria e para compra de automóvel mais acessíveis. Além de tudo isso, a classe mais carente teve sua renda ampliada com a criação de mais empregos formais.

SEM PRIVILÉGIOS

A velha classe média perdeu seus privilégios e, por outro lado, não conseguiu a mesma mobilidade que os mais pobres obtiveram. Ela não se transformou em rica e viu os pobres se aproximarem. A empregada doméstica, que antes era marca da classe média, virou diarista ou conseguiu um emprego melhor e, agora, tem celular e uma TV de 42” em casa – os mesmo aparelhos que sua patroa. Ela também pode comprar uma passagem aérea e pagar em dez vezes.

O que restou para a velha classe média? Fazer uma marcha pela família e saudar a ditadura. Ela se agarra ao passado, desconhece a democracia, pisa nos valores que adquiriu na universidade pública, portanto paga por toda a sociedade.

A velha classe média se incomoda com um homem de bermuda em um aeroporto, com os negros nas escolas e universidades e em postos profissionais de destaque. Ela perdeu os anéis e não se contenta com os dedos. Ela está desesperada. É assim que pretende ir às urnas, em outubro deste ano, com o rancor do poder perdido.

PSB anuncia apoio e CPI da Petrobrás deve ter assinaturas suficientes no Senado

Ricardo Brito e Daiene Cardoso
Agência Estado

Brasília – O líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), anunciou nesta quarta-feira, 26, que a bancada do partido na Casa vai apoiar a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás. Com esse apoio, já haveria assinaturas suficientes para criar a CPI. No momento, foram recolhidas 25 assinaturas, mas o total deve subir para 27 com os apoios dos socialistas Antonio Carlos Valadares (SE) e João Capiberibe (AP). Esse é o número mínimo necessário para instalar a investigação no Senado.

Nesta noite, o vice-líder do PSDB na Casa, Alvaro Dias (PR), disse que vai protocolar ainda nesta quarta um pedido concomitante de CPI no Senado com 29 nomes. Eles receberam apoios desde terça de integrantes da base aliada: Clésio Andrade (PMDB-MG), Eduardo Amorim (PSC-SE) e Sérgio Petecão (PSD-AC).

A proposta de se fazer uma CPI sobre a estatal ganhou força depois que o Estado revelou, na semana passada, que a presidente Dilma Rousseff (PT), quando presidia o Conselho de Administração da Petrobrás, votou a favor da compra de parte da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), com base em um resumo juridicamente “falho”. Dois anos atrás, a estatal concluiu a compra da refinaria e pagou ao todo US$ 1,18 bilhão por Pasadena, que, sete anos antes, havia sido negociada por US$ 42,5 milhões à ex-sócia belga.

ACORDO COM AÉCIO

Conforme revelou o Estado, o PSB, do pré-candidato à Presidência e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, firmou um acordo com o senador Aécio Neves (MG), pré-candidato do PSDB, para propor uma investigação parlamentar sobre os negócios da estatal.

Ao defender a posição do partido, o líder do PSB disse que é preciso “jogar luz” e buscar a “transparência total” em todos os processos que envolvem a estatal. Para o socialista, as audiências públicas do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e da presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, apenas em abril, revelam que o governo não quer explicar logo o assunto. “Não há da parte do governo pressa em esclarecer esses episódios”, criticou.

A estratégia da oposição é apresentar um pedido de CPI no Senado e ao mesmo tempo continuar a colheita de assinaturas para realizar uma CPI mista (composta por deputados e senadores). Na Câmara, até o momento, conseguiram 143 assinaturas, sendo que o mínimo na Casa é de 171 nomes. Se conseguirem o apoio na Câmara, vão retirar o requerimento para se fazer uma investigação exclusiva no Senado, e farão uma conjunta das duas Casas Legislativas.

Após apresentado o requerimento da CPI do Senado, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), terá de lê-lo em plenário. Aqueles que assinaram terão até a meia noite do dia da leitura para eventualmente retirar os apoios.

Os ensinamentos de Sócrates continuam eternamente válidos

Francisco Bendl

Supostamente, o pensamento cínico teve origem numa passagem da vida de Sócrates quando ao passar pelo mercado de Atenas, teria exarado o comentário: “Vejam de quantas coisas precisa o ateniense para viver”.

Ao mesmo tempo, demonstrava que de nada daquilo dependia. De fato, o que o filósofo propunha era a busca interna da felicidade, que não tem causas externas — aspecto o qual os cínicos passaram a defender, não somente com palavras, mas pelo modo de vida adotado.

Sócrates tornou-se renomado por sua contribuição no campo da ética, e é este Sócrates platônico que legou seu nome a conceitos como a ironia socrática e o método socrático (elenchus). Este permanece até hoje a ser uma ferramenta comumente utilizada numa ampla gama de discussões, e consiste de um tipo peculiar de pedagogia no qual uma série de questões são feitas, não apenas para obter respostas específicas, mas para encorajar também uma compreensão clara e fundamental do assunto discutido.

UMA RUPTURA

Sócrates provocou uma ruptura sem precedentes na história da Filosofia grega, por isso ela passou a considerar os filósofos entre pré-socráticos e pós-socráticos. Enquanto os filósofos pré-socráticos, chamados de naturalistas, procuravam responder a questões do tipo: “O que é a natureza ou o fundamento último das coisas?” Sócrates, por sua vez, procurava responder à questão: “O que é a natureza ou a realidade última do homem?”

Os sofistas, grupo de filósofos (título negado por Platão) originários de várias cidades, viajavam pelas pólis, onde discursavam em público e ensinavam suas artes, como a retórica, em troca de pagamento. Sócrates se assemelhava exteriormente a eles, exceto no pensamento.

Platão afirma que Sócrates não recebia pagamento por suas aulas. Sua pobreza era prova de que não era um sofista. Para os sofistas tudo deveria ser avaliado segundo os interesses do homem e da forma como este vê a realidade social (subjetividade), segundo a máxima de Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”.

Isso significa que, segundo essa corrente de pensamento, as regras morais, as posições políticas e os relacionamentos sociais deveriam ser guiados conforme a conveniência individual. Para este fim qualquer pessoa poderia se valer de um discurso convincente, mesmo que falso ou sem conteúdo. Os sofistas usavam, de fato, complicados jogos de palavras, no discurso para demonstrar a verdade daquilo que se pretendia alcançar. Este tipo de argumento ganhou o nome de sofisma.

TUDO RELATIVO?

Em resumo, a sofística destruía os fundamentos do conhecimento,  já que tudo seria relativo (relativismo) e os valores seriam subjetivos, assim como impedia o estabelecimento de um conjunto de normas de comportamento que garantissem os mesmos direitos para todos os cidadãos da pólis.

Tanto quanto os sofistas, Sócrates abandonou a preocupação em explicar e se concentrou no problema do homem. No entanto, travou uma polêmica profunda com os sofistas, porque Sócrates procurava um fundamento último para as interrogações humanas (“O que é o bem?” “O que é a virtude? “O que é a justiça?), enquanto os sofistas situavam as suas reflexões a partir dos dados empíricos, o sensório imediato, sem se preocupar com a investigação de uma essência da virtude, da justiça do bem etc., a partir da qual a própria realidade empírica pudesse ser avaliada.

CONHECER DEUS

Sócrates contribuiu para que as pessoas se apercebessem da descoberta da evidência que é a manifestação do mestre interior à alma. Conhecer-se a si mesmo seria conhecer Deus em si.

Aquilo que colocou Sócrates em destaque foi o seu método, e não tanto as suas doutrinas. Sócrates baseava-se na argumentação, insistindo que só se descobre a verdade pelo uso da razão. O seu legado reside sobretudo na sua convicção inabalável de que mesmo as questões mais abstratas admitem uma análise racional.

O Sol também pode ser entendido como a Sabedoria ou a fonte do Conhecimento. Platão usou a metáfora do sol em seu mito da caverna, significando a presença do Conhecimento e da Verdade que ilumina. Assim, Diógenes, quando pede para Alexandre Magno não se interpor entre ele e o Sol, aponta para o fato de que o Filósofo não necessita de nenhum poder situado entre ele e o Conhecimento.

Da mesma forma, a preocupação com o próprio sofrimento, a saúde, a morte e o sofrimento dos outros também era algo do qual os cínicos desejavam libertar-se. Foi por isso que a palavra cinismo adquiriu a conotação que tem hoje em dia, de indiferença e insensibilidade ao sentir e ao sofrer dos outros.

Trata-se de um sofisma, que pode ser contestado amplamente a partir de uma simples pergunta: Se um filho ou parente ou amigo estiver sofrendo, devemos deixar que padeça ou vamos imprimir esforços no sentido que a sua dor seja minimizada?

Deputado Asdrúbal Bentes escapa da prisão, mas confirma renúncia ao mandato

Brasília - Deputado Asdrúbal Bentes (PMDB) informou que só vai decidir se renuncia ou não ao mandato amanhã (26) após com o líder do partido, e com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves(José Cruz/Agência Brasil)Iolando LourençoAgência Brasil

O deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) entregou nesta tarde ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a carta em que renuncia ao mandato parlamentar.

Bentes disse que tomou a  decisão, que considera “a melhor saída, após conversar com a família e com a direção nacional do partido.  Com isso,  oficializa-se a renúncia e o suplente, Luiz Otávio (PMDB-PA), será chamado para assumir a vaga.

Asdrúbal Bentes informou também que pedirá para cumprir a pena a que foi condenado em Marabá, no Pará, e não no Distrito Federal. Ele justificou o pedido dizendo que tem domicílio eleitoral e escritório de advocacia na cidade e que pretende voltar a exercer esta atividade profissional. Em Brasília não há albergue judicial, onde ele teria de dormir, por isso ganhou direito à prisão domiciliar.

Acusado de ter oferecido cirurgias de esterilização a mulheres em troca de votos, quando disputava a prefeitura de Marabá, o parlamentar foi condenado a, três anos, um mês e dez dias de prisão. Ao anunciar, nesta quarta-feira (26), a renúncia, ele voltou a negar a acusação.

Câmara vai ouvir autoridades sobre Pasadena e convoca também o presidente do BNDES para explicar empréstimo à Cuba

Carolina Gonçalves 

Agência Brasil 

Deputados se dedicaram, na manhã de hoje (26), a votar nova série de convites a autoridades do governo. As recentes denúncias envolvendo a Petrobras e o repasse de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Econômica Federal (CEF) para o Congresso Nacional do Movimento dos Sem Terra dominaram os requerimentos que estavam concentrados, principalmente, na pauta da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC).

Depois de aprovar convites ao ministro Guido Mantega (Fazenda) e ao ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, o colegiado decidiu retirar o requerimento para ouvir o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Ainda assim, os parlamentares decidiram que vão pedir ao ministério informações sobre os sócios belgas da estatal que participaram da aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas.

Partindo para a apuração de informações de outras áreas, a comissão também aprovou convite ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho. A ideia é questionar Coutinho sobre negócios do banco, como o repasse de dinheiro para o MST e o empréstimo concedido à construtora Odebrecht para obras do Porto Mariel, em Cuba.

A ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, também foi incluída no rol dos que vão falar sobre obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Mantega e Cerveró também estavam na lista de outras comissões. A de Relações Exteriores decidiu suspender a sessão em que o ex-diretor iria comparecer, enquanto a Comissão de Agricultura retirou o requerimento para o ministro explicar o dinheiro repassado para o evento do MST em Brasília.

Na Comissão de Minas e Energia, os deputados não conseguiram votar o item que previa um convite ao ex-diretor da Petrobras e retiraram o requerimento para solicitar audiência sobre as operações, negociações e contratos assinados entre a Petrobras e a empresa SBM Offshore.

Os parlamentares que cuidam da área energética limitaram-se a formular convites para que o presidente da Eletrobrás, José da Costa Carvalho Neto, e representantes da estatal e de outras empresas do setor comparecessem para explicar o cancelamento de convênios relacionados ao Programa Luz Para Todos.

 

A voracidade do lucro sem limites

Wagner Pires

O liberalismo é autofágico e se exprime na voracidade do lucro sem limites. Começa por eliminar a concorrência, depois o consumidor e, por fim a si próprio.

O Estado tem de entrar para controlar e limitar o processo de acumulação de riquezas, tomando-a de volta no círculo de rendas mediante a aplicação de tributos que respeitem a capacidade contributiva e redistribuindo à sociedade a riqueza que ela mesma gerou.

É como se fosse a participação do lucro total gerado por toda a sociedade que deve usufruir de bens públicos, serviços prestados pelo Estado ou mesmo servindo-se da transferência de rendas; tudo conforme o grau de necessidade. num sistema que combine a iniciativa privada e a intervenção estatal para a promoção do equilíbrio material.

É na justiça social promovida pelo Estado que se corrigem as falhas do sistema dito meritocrático. E assim todo mundo lucra.

Por outro lado, o Estado é chamado a participar, também, na economia como produtor – através das empresas públicas ou sociedades de economia mista – com o fim de suprir a carência mercadológica na produção de determinado bem, ou por qualquer outra estratégia econômica que garanta o fornecimento de determinado bem ou serviço atendendo aos critérios da necessidade e do custo versus benefício da população.

INDÚSTRIA

O emprego na indústria teve variação zero, segundo o IBGE. Em doze meses, retração de  – 1,2%. Não é falta de demanda, haja vista que no Brasil ela continuou alta e a população consumiu mais do que os setores econômicos produziram em 2013.

É verdade: enquanto a oferta no PIB atingiu R$ 4,838 trilhões, o consumo atingiu R$ 4,976 trilhões. Ou seja, R$138,0 bilhões a mais: R$ 121,0 bilhões supridos com importação e R$ 17,0 bilhões com a redução dos estoques formados no período anterior.

O que falta à nossa indústria é competitividade. Porém, surgiu um motivo a mais para incentivá-la. O câmbio se desvalorizou e o dólar ficou mais caro em cerca de 15% , tornando as importações de produtos concorrentes mais caras, também. De modo que a falta de competitividade nacional foi atenuada pela desvalorização.

O Brasil precisa realizar um pacto federativo amplo, geral e irrestrito em torno da reforma tributária de maneira urgente. Além de acelerar os investimentos em infraestrutura. Tudo isso com o objetivo de reduzir o Custo Brasil e tornar nossa indústria mais competitiva e menos dependente da proteção cambial.

Anestesia geral

Luiz Tito

 Os problemas que a sociedade brasileira registra e deles sofre, sem alternativas, infelizmente seguem-se os mesmos. Não há fatos novos acendendo reações inéditas. O que se vê é a mesma corrupção deslavada, a insegurança que tem tornado a vida do cidadão comum uma aventura diária, a educação e a saúde sucateadas mas mascaradas por campanhas estelionatárias. A vida do brasileiro foi transformada em um cipoal de problemas sem solução. Há duas semanas que a imprensa denuncia o assalto a mão armada que foi a compra de usinas pela Petrobrás, mundo afora, pagas com reservas que a maior empresa brasileira acumulara graças aos aportes de dinheiro público em seu capital.

Dinheiro público associado a um monopólio em cujo nome construíram-se fartos privilégios e equívocos criminosos, como as operações agora conhecidas. O assunto veio a rua trazido pelo que a linguagem policial trata como uma briga de quadrilha, já que seu denunciante fora o grupo liderado pelo deputado Eduardo Cunha, que em Furnas deixou suas digitais em negócios de interesses duvidosos. Esse grupo que Cunha lidera é insaciável, sem medidas em seu apetite e não é novidade. É gente metida nas entranhas do poder, sempre aplicado em desenhar as decisões que lhe convêm. Soltos, seus membros são um perigo para o erário. Vale apurar.

A vacina anti-HPV ministrada em crianças de 11 a 13 anos, resultado de um acordo do governo federal com um laboratório americano, se tiver seus custos investigados também vai gerar matéria para CPI. Nos EUA essa vacina, quadrivalente, custa US$ 80 a dose, no varejo. Aqui foi negociada por R$ 330,00 a dose. Mas há outras mutretas na fila, com riscos de prescrição.

Na semana passada esse jornal divulgou estatísticas sobre a insegurança em Minas, que não é diferente do resto do país. Toda família brasileira tem uma marca de violência, vítima ou agente dela, como a apurada pela polícia mineira de que dois assassinatos ocorridos em BH há dias foram praticados por dois irmãos, em ocasiões e locais diferentes mas da mesma forma: assalto a mão armada. Dois jovens estão mortos e seus assassinos presos e mantidos a custa do Estado, sem qualquer perspectiva de mudança da vida em sociedade. A população carcerária multiplica-se no percentual da insegurança pública e tudo permanece no mesmo lugar. Se é menor, pode ficar até 3 anos preso, ainda que tenha 17 anos e 364 dias. Se assassino bárbaro ou ladrão de galinha, dá no mesmo.

VOTO NULO E EM BRANCO

Chegamos ao topo da miséria social e também política. Dados revelados de pesquisas feitas por institutos idôneos mostram que as manifestações de junho de 2013 fizeram elevar para 18% o coeficiente de eleitores que hoje optariam pelo voto nulo ou em branco. Legalmente, isso reduz o total de votos válidos, fazendo com que a próxima eleição, para a Presidência da República, seja decidida pela inércia e não pela escolha. A oposição que se confronta com Dilma não conseguiu evoluir, não agregou nada que pudesse fazer a sociedade engajar-se no processo eleitoral, pela mesmice das propostas ou pelo descrédito dos postulantes.

Ou pelas duas coisas associadas. Vamos eleger o presidente da República, 57 senadores, um batalhão de deputados federais e estaduais. De novo, teremos aquela realidade um dia dita por Ulisses Guimarães: “o Congresso Nacional de hoje é pior do que o da legislatura passada mas certamente melhor do que o da próxima legislatura. A história nos ensina que levar as mãos, infelizmente, não é o melhor caminho. E nós, brasileiros, anestesiados. (transcrito de O Tempo)