Propina foi mascarada como doações ao PT, PMDB e PP

Wilson Lima
iG Brasília

Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da Operação Lava-Jato apuram a possibilidade de as doações de campanha feitas por pelo menos sete empreiteiras a partidos como PT, PMDB ou PP nos últimos oito anos terem sido uma forma indireta de pagamento de propina para obtenção de contratos públicos junto à Petrobras.

Desde o desencadeamento da Operação Lava-Jato, a PF e o MPF tem monitorado doações de empresas como a Camargo Corrêa, UTC, Mendes Júnior, entre outras, a partidos políticos. Em uma das linhas de investigação, apura-se se o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, intermediava esse acordo entre as empresas e os partidos políticos.

Em depoimento prestado em outubro à Justiça Federal do Paraná, Paulo Roberto Costa afirmou que alguns contratos celebrados pela Petrobras eram superfaturados e cerca de 3% do faturamento era destinado à partidos políticos. A suspeita da PF e do MPF é que, por meio de Costa, as doações de campanha feitas por empreiteiras, legalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também serviam como um pagamento indireto de propina por contratos conquistados junto à Petrolífera.

CONTATO DIRETO

As investigações da Lava-Jato apontam a possibilidade de que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras mantinha contato direto com representantes da Camargo Corrêa, OAS, UTC, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Engevix e Mendes Júnior para a obtenção de recursos de campanhas eleitorais.

“Alguns desses nomes (de representantes das empresas) também encontram-se anotados em agenda que foi apreendida na residência de Paulo Roberto Costa, em parte atinente a contatos junto às empreiteiras para obtenção de doações eleitorais”, afirma o juiz Sérgio Moro, nos mandados de prisão preventiva, temporária e condução coercitiva cumpridos na semana passada pela Polícia Federal.

Obras financiadas em outros países que fazem falta ao Brasil

Francisco Bendl

Em rápido levantamento sobre as obras no exterior financiadas pelo BNDES, abaixo algumas realizadas e que causam inveja aos brasileiros, diante da falta que elas fazem para nosso desenvolvimento.

1) Porto de Mariel (Cuba) Valor da obra – US$ 957 milhões (US$ 682 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht

2) Hidrelétrica de San Francisco (Equador) – Valor da obra – US$ 243 milhões Empresa responsável – Odebrecht Após a conclusão da obra, o governo equatoriano questionou a empresa brasileira sobre defeitos apresentados pela planta. A Odebrecht foi expulsa do Equador e o presidente equatoriano ameaçou dar calote no BNDES.

3) Hidrelétrica Manduriacu (Equador) – Valor da obra – US$ 124,8 milhões (US$ 90 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht -Após 3 anos, os dois países ‘reatam relações’, e apesar da ameaça de calote, o Brasil concede novo empréstimo ao Equador.

4) Hidroelétrica de Chaglla (Peru) – Valor da obra – US$ 1,2 bilhões (US$ 320 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht

5) Metrô Cidade do Panamá (Panamá) – Valor da obra – US$ 1 bilhão Empresa responsável – Odebrecht

6) Autopista Madden-Colón (Panamá) – Valor da obra – US$ 152,8 milhões Empresa responsável – Odebrecht

7) Aqueduto de Chaco (Argentina) – Valor da obra – US$ 180 milhões do BNDES Empresa responsável – OAS

8) Soterramento do Ferrocarril Sarmiento (Argentina) – Valor – US$ 1,5 bilhões do BNDES Empresa responsável – Odebrecht

9) Linhas 3 e 4 do Metrô de Caracas (Venezuela) – Valor da obra – US$ 732 milhões Empresa responsável – Odebrecht

10) Segunda ponte sobre o rio Orinoco (Venezuela) – Valor da obra – US$ 1,2 bilhões (US$ 300 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht

11) Barragem de Moamba Major (Moçambique) – Valor da obra – US$ 460 milhões (US$ 350 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Andrade Gutierrez

12) Aeroporto de Nacala (Moçambique) – Valor da obra – US$ 200 milhões ($125 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht

13) BRT da capital Maputo (Moçambique) – Valor da obra – US$ 220 milhões (US$ 180 milhões por parte do BNDES) Empresa responsável – Odebrecht

14) Hidrelétrica de Tumarín (Nicarágua) – Valor da obra – US$ 1,1 bilhão (US$ 343 milhões) Empresa responsável – Queiroz Galvão *A Eletrobrás participa do consórcio que irá gerir a hidroelétrica

15) Projeto Hacia el Norte – Rurrenabaque-El-Chorro (Bolívia) – Valor da obra – US$ 199 milhões Empresa responsável – Queiroz Galvão

16) Exportação de 127 ônibus (Colômbia) – Valor – US$ 26,8 milhões Empresa responsável – San Marino

17) Exportação de 20 aviões (Argentina) – Valor – US$ 595 milhões Empresa responsável – Embraer

18) Abastecimento de água da capital peruana – Projeto Bayovar (Peru) – Valor – Não informado Empresa responsável – Andrade Gutierrez

19) Renovação da rede de gasodutos em Montevideo (Uruguai) – Valor – Não informado Empresa responsável – OAS

20) Via Expressa Luanda/Kifangondo (Angola) – Valor – Não informado Empresa responsável – Queiroz Galvão

Como estes existem muitos outros empréstimos concedidos pelo BNDES no período de 2009-2014, com favorecimento de países estrangeiros ou grupos nacionais, como o Friboi e o X, de Eike Batista. Conforme mencionado acima, o banco não fornece os valores de alguns deles… Ainda.

 

Era só o que faltava: empreiteiro diz que foi “extorquido”

Deu no iG

O diretor de Óleo e Gás da construtora Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, afirmou ter aceitado pagar propina ao esquema do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. De acordo com depoimento à Polícia Federal nessa segunda-feira (17), Fonseca relatou ter sido extorquido pelos dois principais acusados. As informações são do jornal “Folha de S.Paulo”.

Fonseca destacou que o dinheiro era destinado ao Partido Progressista (PP). Segundo ele, o pagamento foi realizado após receber ameaças feitas por Costa e Youssef. Eles teriam afirmado que, se não fossem atendidos, a Galvão Engenharia seria prejudicada pela Petrobras nos contratos em andamento.

Em meados de 2010, Fonseca havia sido procurado pelo então deputado Jose Janene (PP-PR), que comandava à época o esquema de propinas destinado ao PP. Após a morte do deputado em setembro do mesmo ano, Costa e Yousseff assumiram as negociações.

Durante depoimento, o executivo negou que a Galvão tenha formado cartel com outras empresas que tenham participado do esquema de propinas para ganhar licitações. Segundo ele, o pagamento de propina só foi realizado para evitar que os contratos da empresa fossem prejudicados pela estatal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs procuradores e policiais federais que interrogaram Erton Medeiros Fonseca devem ter dado boas gargalhadas com o depoimento dele. Ao invés de “corruptor”, agora ele quer aparecer nos autos como “vítima de extorsão”. Então, fica combinado assim. (C.N.)

Fundos de pensão das estatais querem se livrar dos petistas

Samantha Lima

Folha

Dizendo-se preocupados com “os destinos dos fundos de pensão de empresas estatais” e “ameaças presentes”, um grupo de 15 conselheiros de fundos de pensão de estatais assinou um manifesto em que se propõem a unir-se para defender os investimentos e os interesses dos participantes.

A preocupação do grupo, segundo a Folha apurou, é em relação à gestão das instituições, considerada deficiente, e à ingerência política.

Entre os signatários, estão representantes da Funcef, da Previ e da Petros, respectivamente fundos da Caixa Econômica, do Banco do Brasil e da Petrobras.

Segundo esse integrante, o grupo pretende reunir-se com a Secretaria de Previdência Complementar, órgão responsável por regular e fiscalizar os fundos de pensão, para discutir o problema.

PROTEGER OS SEGURADOS

No documento, os conselheiros dizem-se comprometidos em “empreender todos os esforços possíveis” para “proteger e salvaguardar os interesses dos participantes” das entidades.

O documento foi assinado ao fim do do Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, realizado em São Paulo.

Os conselheiros signatários foram eleitos pelos participantes e dizem-se livres de indicação política. Da Funcef, assinaram Antonio Augusto de Miranda, Max Mauran Pantoja da Costa e Souza e Délvio Joaquim Lopes de Brito; da Previ, Antônio José de Carvalho, Ari Zanella, Cecília Garcez, Décio Bottechia, José Bernardo de Medeiros Neto e Williams Francisco da Silva; da Petros, assinaram Epaminondas de Souza Mendes, Paulo Teixeira Brandão, Ronaldo Tedesco e Sílvio Sinedino; da Associação dos Auditores Internos da Caixa, assinou Luciane Munhóz de Martins; e da Associação dos Auditores dos Correios, assinou Maria Inês Capelli Fulginiti.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA preocupação é procedente. Os fundos de pensão podem chegar ao ponto de não honrar seus compromissos com os aposentados, com já acontece com o Aeros (Varig/Transbrasil).  Em 2013, os fundos  fecharam seus balanços com um déficit histórico de R$ 22 bilhões e o saldo negativo só cresceu este ano. No primeiro semestre, a Previ (Banco Brasil) acumulava R$ 5 bilhões de prejuízo; a Petros (Petrobrás), R$ 3 bilhões; e a Funcef (Caixa Econômica), R$ 4 bilhões. Detalhe: são seis milhões de contribuintes ativos, aposentados e pensionistas. (C.N.)

Vaccari, Baiano e Adarico recolhiam as propinas dos partidos

Paulo Roberto Costa delatou os três “operadores” de PT, PMDB e PP

Deu no Correio Braziliense

Se o mundo da política, e mais particularmente o PT, o PMDB e o PP, está tenso com os próximos desdobramentos da Operação Lava-Jato, muito dependerá do quanto será descoberto e da disposição em falar daqueles que, até o momento, são apontados por delatores e investigadores como o elo entre o “clube das empreiteiras”, que pagavam propinas nos contratos da Petrobras, e os partidos políticos.

Nas palavras do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, as conexões entre o cartel denunciado pelo juiz Sérgio Moro e as legendas eram feitas pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto; por Fernando Soares, o Fernando Baiano, pelo PMDB; e por Adarico Negromonte, pelo PP.

Os dois últimos tiveram mandados de prisão expedidos na última sexta-feira, mas são os únicos que se encontram foragidos. Vaccari, por enquanto, não tem nada, além das citações de Paulo Roberto Costa e de Youssef, ligando-o ao caso. A Polícia Federal emitiu um mandado de busca e apreensão na casa da cunhada de Vaccari, Marice Correia Lima.

“Ela não tem nada a ver com o Vaccari. Ela trabalhou no PT há muito tempo, ainda nos tempos de Delúbio Soares. Desde que o Vaccari assumiu a tesouraria do PT, ela não trabalha mais lá”, afirmou o deputado Ricardo Zarattini (PT-SP). O tesoureiro disse que “repudia veementemente as acusações”.

VACCARI: LIVRE, LEVE E SOLTO

Embora o PT reafirme em alto e bom som que não há necessidade de blindar o tesoureiro da legenda, pois não há nada concreto contra ele, Vaccari já foi pressionado a deixar o cargo de conselheiro da Itaipu Binacional, no último dia 31. Durante a reunião do Conselho de Administração da estatal, Vaccari disse estar “incomodado com as acusações sem fundamento”. Para Zarattini, a situação incomoda. Não apenas Vaccari, mas também o partido. “Mais uma vez, as atenções estão voltadas para nós. É claro que preocupa”, sintetizou.

A saída de Vaccari de Itaipu foi interpretada, à época, como uma pressão do Palácio do Planalto para tentar minimizar os efeitos da crise decorrente das denúncias de corrupção na Petrobras. Movimento semelhante foi feito na Transpetro que resultou no pedido de licença de 30 dias do presidente Sérgio Machado — para muitos, um caminho sem volta. Tanto no PT quanto no PMDB, o pedido de afastamento e de licença gerou atritos com o Palácio do Planalto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ inexplicável e inaceitável a omissão da Procuradoria da República, que ainda não pedi a prisão de Vaccari. Os dois operadores de PMDB e PP (Baiano e Adarico) já estão foragidos. É óbvio que Vaccari seguirá o mesmo destino. E assim como Henrique Pizzollato, ele também possui dupla cidadania, brasileira e italiana. (C.N.)

Atiraste uma pedra e feriste um amigo

Nasser, grande letrista

O jornalista, escritor e letrista, nascido em Jaú (SP), David Nasser (1917-1980), autor de diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais “Atiraste uma Pedra”, em parceria com Herivelto Martins, retratando o sofrimento que a separação da pessoa amada acarreta. Este belo samba-canção teve sua primeira gravação feita por Nelson Gonçalves, em 1958, pela RCA Vitor.

ATIRASTE UMA PEDRA

Herivelto Martins e David Nasser

Atiraste uma pedra no peito de quem                                                                                                                                                                                      Só te fez tanto bem
E quebraste um telhado
Perdeste um abrigo
Feriste um amigo
Conseguiste magoar
Quem das mágoas te livrou

Atiraste uma pedra
Com as mãos que esta boca
Tantas vezes beijou.
Quebraste o telhado
Que nas noites de frio
Te serviu de abrigo
Perdeste um amigo
Que os teus erros não viu
E o teu pranto enxugou

Mas acima de tudo
Atiraste uma pedra
Turvando esta água
Esta água que um dia
Por estranha ironia
Tua sede matou.

      (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Mundo tem 35,8 milhões de escravos modernos, aponta estudo

No Brasil, muitas crianças escravizadas

Andreia Verdélio
Agência Brasil
Dados inéditos da fundação internacional Walk Free revelam que cerca de 35,8 milhões de pessoas são mantidas em situação de escravidão no mundo. O relatório de 2014 da organização será lançado no dia 18 de novembro e a versão em português será apresentada em 1º de dezembro, no Rio de Janeiro, durante a entrega do Prêmio João Canuto, de direitos humanos.

Em entrevista à Agência Brasil, a representante da Walk Free no país, Diana Maggiore, conta que o número de pessoas escravizadas hoje cresceu 20%, em relação aos 29,8 milhões de pessoas apontadas no The Global Slavery Index 2013, o primeiro relatório da organização.

Segundo a Walk Free, no Brasil há cerca de 220 mil pessoas trabalhando como escravos. Maggiore explicou que, em 2013, pela primeira vez, o número de pessoas resgatadas de situações de escravidão no setor urbano foi maior que no setor rural no país. “Por causa dos eventos esportivos, tivemos muitos registros na construção civil e a tendência deve continuar até as Olimpíadas. O Brasil está crescendo, daqui a alguns anos pode ser diferente”, disse.

Entre as formas de escravidão estão o tráfico de pessoas, o trabalho infantil, a exploração sexual, o recrutamento de pessoas para conflitos armados e o trabalho forçado em condições degradantes, com extensas jornadas, sob coerção, violência, ameaça ou dívida fraudulenta. Os últimos dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 2012,  apontam que quase 21 milhões de crianças e adultos estão presos em regimes de escravidão em todo o mundo.

O maior número de trabalhadores forçados, segundo a OIT, está na Ásia e região do Pacífico, com 11,7 milhões de pessoas nessas condições. No último dia 23 de outubro, Sandra Miranda, de Brasília, recebeu uma encomenda do site chinês AliExpress com um pedido de socorro: “I slave. Help me [Sou escravo, ajude-me]”. A filha da advogada colocou a foto da mensagem nas redes sociais e já teve mais de 15 mil compartilhamentos. “Fiquei perplexa, pensei até que fosse brincadeira, mas o pacote estava muito bem fechado, então veio mesmo de quem embalou”, disse.

“A alegação feita contra um dos vendedores da plataforma AliExpress está sendo investigada”, respondeu a empresa do Grupo Alibaba à Agência Brasil. Segundo Sandra Miranda, um representante da empresa entrou em contato e explicou que o site apenas revende os produtos que já chegam embalados de diversas fábricas e que precisaria rastrear de qual vendedor veio o seu produto.

A Embaixada da China no Brasil respondeu dizendo que o país asiático tem leis que proíbem rigorosamente o trabalho escravo e um órgão que atua para sua erradicação, similar ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no Brasil. Sobre o pedido de socorro no pacote de Sandra Miranda, não há solução, segundo a embaixada, já que no bilhete não havia nome, nem nada que pudesse levar à identificação da vítima.

A mensagem, entretanto, chamou atenção para a situação dos trabalhadores daquele país. Segundo o coordenador Nacional do Programa de Combate ao Trabalho Forçado da OIT no Brasil, Luiz Machado, já houve outras mensagens semelhantes, não só no Brasil, e mostra um problema grave que deve ser endereçado às autoridades chinesas.

Machado explica que, independente da China não ter ratificado as convenções sobre trabalho escravo da organização, a OIT lançou em 1998 a Declaração de Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, que prega a erradicação do trabalho escravo e infantil, a não discriminação no trabalho e a liberdade sindical. “A China fez avanços e vem trabalhando melhor a regulação da relação de trabalho, coisa que nem existia por lá. A OIT tem escritório no país e projetos de cooperação técnica na área, ela [China] vem se abrindo a aceitar essa cooperação, aceitar observar os direitos humanos”, explicou.

Segundo Machado, o perfil de trabalhadores escravizados na Ásia não é muito diferente de outros lugares do mundo. São pessoas pobres, a maioria mulheres e crianças, por serem mais vulneráveis, que geralmente migram do seu local de origem, dentro do próprio país ou não, por conta própria ou forçados, e sem educação formal aceitam qualquer proposta de trabalho; podem ser enganadas ou ter a liberdade cerceada e acabam aceitando a exploração por ser a única forma de ganhar um pouco de dinheiro ou comida.

O coordenador da OIT explica que qualquer governo que tenha relações comerciais com outro país e que perceba que, no processo de fabricação de seus produtos, há a utilização de trabalho escravo, pode impor condições para sua comercialização, assim como faz o setor privado.

“Temos o caso clássico de Myanmar, que sofreu condenação na OIT e sanções econômicas por causa da exploração de trabalho forçado. Existem casos mais específicos de empresas privadas, como o embargo da indústria automotiva ao aço brasileiro. Em determinado momento, descobriu-se que o carvão utilizado em siderúrgicas vinha de trabalho escravo e infantil e do desmatamento ilegal. As pessoas começaram a dar mais atenção a toda a cadeia de valor”, contou Machado. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil não mantém acordos bilaterais de combate ao trabalho escravo nem impõe sanções unilaterais a outros países por questões sociais. “O Brasil defende que eventuais sanções sejam determinadas por órgãos multilaterais como o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Na área de combate internacional ao trabalho escravo, o país participou neste ano, em Genebra, da elaboração do novo protocolo da Convenção da OIT sobre trabalho escravo. O governo brasileiro deverá ser um dos primeiros países a ratificá-lo”, disse o Itamaraty, em nota.

Segundo Machado, o Brasil é um dos pouquíssimos países que tem estrutura específica de combate ao trabalho escravo, que são os grupos de fiscalização móvel do MTE, em parceria com a Polícia Federal. De 1995 até 2013, quase 47 mil vítimas foram resgatadas da situação de escravidão no Brasil, entre brasileiros e estrangeiros. Historicamente, os setores agropecuário e sucroalcooleiro são os que mais aparecem na lista suja do trabalho escravo, mas a construção civil e a moda vêm ganhando destaque.

Para o coordenador da OIT no Brasil, o país deve se preparar para enfrentar a questão da imigração, já que cada vez mais latino-americanos, africanos e asiáticos estão vindo em busca de trabalho. “Não há um processo ainda desburocratizado para apoiar o trabalhador migrante. O Estatuto do Estrangeiro, de 1980, tem que ser revisado e adequado ao novo cenário global de fronteiras”, argumentou Machado.

(Matéria enviada por Paulo Peres)

Empreiteira alega que só pagou R$ 7 milhões, uma mixaria…

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Camargo “comprou” barato

Deu no Estadão

“Regra do jogo conhecida por todos”. É assim que definiu o executivo Julio Camargo, em sua delação premiada, o esquema que cobrava propina em troca de contratos bilionários da Petrobras. O executivo da Toyo operacionalizava pagamentos de propina por meio de três empresas abertas por ele (Treviso, Piemonte e Auguri), em especial aos ex-dirigentes da Petrobras ligados ao PT – Duque e Barusco.

Ele e outro executivo do grupo apontaram por exemplo as obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. Para ganhar as obras, participando dentro do Consórcio Interpar – controlado pela Mendes Júnior -, teve que pagar R$ 12 milhões em propina. Um contrato de consultoria foi firmado pelo consórcio com a empresa Auguri Empreendimento e Assessoria Comercial, usada pelo delator para movimentar a propina.

“Houve solicitação de pagamento de vantagem indevida por Renato Duque e Pedro Barusco do valor aproximado de R$ 12 milhões”, revelou o executivo. “O valor foi pago mediante transferências feitas no exterior”, apontou Camargo, indicando a conta de onde saiu, no Credit Suisse, a offshore que controlava a conta, a Drenos, e qual contrato da Auguri, no valor de R$ 40 milhões de comissionamento, respaldou a movimentação da propina.

Nas obras da Refinaria Revap (em São José dos Campos-SP), em 2007, fechado pelo valor de R$ 1 bilhão, a Toyo participou do consórcio que era controlado pela Camargo Corrêa. Ele cita o vice-presidente do grupo, Eduardo Hermelino Leite, preso em Curutiba (PR), como controlador do contrato. Segundo ele, em 2008 a Camargo Corrêa fez um contrato com a Treviso para repassar R$ 23 milhões de comissão para ele.

CONTAS AQUI E LÁ FORA

“Dessa comissão, repassou em propina para a Diretoria de Engenharia e Serviços o valor de R$ 6 milhões, sendo pago a maioria no exterior e parte em reais no Brasil”, afirmou Camargo. Ele apontou ainda a conta no Credite Suisse de onde saiu o dinheiro da propina dos dirigentes ligados ao PT nas transferências feitas no exterior. Ao todo, os executivos apontaram nove obras da Petrobras alvo de propina. Indicou ainda suas empresas usadas para movimentar o dinheiro: Treviso, Piemonte e Auguri. E as contas no exterior, como do banco Winterbothan, no Uruguai, e nos bancos Credite Suisse e Cramer, na Suíça.

“Os pagamentos foram feitos através de contas que os executivos da Toyo mantinham no exterior “para contas indicadas por Duque ou Barusco no exterior, ou em reais no Brasil disponibilizados por (Alberto) Youssef”, afirma o MPF. Os depoimentos de Barusco estão sendo tomados em sigilo e ainda não foram acordados com a Polícia Federal e o Ministério Publico Federal. Depois de fechado o acordo, ele será submetido à Justiça para ser homologado. Para terem direito ao benefício da redução de pena, o que eles dizem devem ser comprovado.

Nada mudou: atual diretor Cosenza também recebia subornos

Cosenza imitou Lula e foi à CPI da Petrobras dizer que não sabia de nada

Deu no Estadão

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, principais delatores da Operação Lava Jato, acusaram o atual diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza, de receber “comissões” de empreiteiras que mantêm contratos com a companhia. A revelação foi feita pela Polícia Federal ao interrogar executivos presos na última sexta-feira (14).

“Paulo Roberto e Alberto Youssef mencionaram o pagamento de comissões pelas empreiteiras que mantinham contratos com a Petrobras para si, para os diretores Duque, Cerveró e Cosenza, e para agentes políticos, confirma?”, perguntou o delegado Agnaldo Mendonça ao diretor executivo da Queiroz Galvão, Othon Zanoide de Moraes Filho, um dos presos. “Desconheço essa informação. Eu nunca tive conversa nenhuma com eles nesse sentido”, reagiu o engenheiro, que prestou depoimento na sede da Polícia Federal em Curitiba.

Cosenza era braço direito de Paulo Roberto na Petrobras e o substituiu na área de Abastecimento. Ele participou de evento nesta segunda-feira ao lado da presidente da estatal, Graça Foster. A defesa do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró nega que ele tenha recebido propina.

Em depoimento à CPMI da Petrobras no Congresso, ele disse desconhecer o esquema de cartel e corrupção na companhia. Em nota, Cosenza disse negar, “veementemente, as imputações de que tenha recebido ‘comissões’ de empreiteiras contratadas pela Petrobras, ao tempo em que reafirma que jamais teve contato com Alberto Yousseff.”

Só agora Graça Foster admite que sabia das propinas da SBM

Graça Foster mentiu até a semana passada

Samantha Lima e Lucas Vettorazzo
Folha

A presidente da Petrobras, Graça Foster, admitiu, nesta segunda-feira, que já tinha, desde meados do ano, a informação de que a SBM Offshore fez pagamento de propina a “empregado ou ex-empregado da Petrobras”, admitida pela própria fornecedora, sediada na Holanda.

Até então, a Petrobras não havia comunicado oficialmente que tinha recebido tal informação.

O que vinha sendo dito – e foi repetido na última sexta-feira, quando a Petrobras voltou ao tema por meio de um comunicado – era que uma comissão de apuração criada em fevereiro, quando as denúncias tornaram-se públicas, havia investigado internamente, durante 45 dias, mas nada havia sido descoberto. E que, depois disso, a apuração continuou, e relatórios complementares haviam sido enviados à Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal.

Agora, Graça Foster diz que o comunicado da semana passada foi emitido no contexto do acordo fechado entre o Ministério Público holandês, que investigava o caso, e a SBM.

“Passadas algumas semanas, alguns meses [da investigação interna da Petrobras], eu fui informada de que havia, sim, pagamentos de propina para empregado ou ex-empregado de Petrobras. Imediatamente, e imediatamente é ‘imediatamentemente’, é que informamos a SBM de que ela não participaria de licitação conosco enquanto não fosse identificada a origem, o nome de pessoas que estão se deixando subornar na Petrobras. E é isso que aconteceu, tivemos uma licitação recente, para plataformas nos campos de Libra e Tartaruga Verde, e a SBM não participou”, alegou a presidente da Petrobras.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É inconcebível essa postura da presidente da Petrobras. A SBM foi eliminada das licitações em maio. Isso significa que antes disso Maria das Graças Foster já sabia que tinha havido suborno, não tomou providências e continuou repetindo que a comissão não havia descoberto nada. Da mesma forma, vivia dizendo que Pasadena tinha sido um grande negócio, mas agora manda processar o ex-presidente Gabrielli e os 15 cúmplices na negociata. Traduzindo: Graça Foster é uma espécie de Dilma e não se pode confiar no que ela diz. (C.N.)

Petrobras processa ex-presidente Gabrielli e 14 cúmplices

O processo é pela compra da refinaria

Deu em O Globo

O Conselho de Administração da Petrobrás encaminhou ao Ministério Público pedido de abertura de ação civil contra 14 funcionários e ex-funcionários da estatal, segundo o jornal O Globo. O pedido inclui o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli e teria sido motivado pela compra da refirnaria de Pasadena, no Texas (EUA). A atual presidente da Petrobrás, Graça Foster, não desmentiu a decisão do conselho, mas disse, nesta segunda-feira, 17, que não iria comentar o caso.

“Não vou comentar qualquer decisão do Conselho de Administração”, limitou-se a dizer a executiva, durante a coletiva de imprensa.

A compra da refinaria de Pasadena foi finalizada em 2012. O negócio começou a ser investigado em 2013 pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) com base em reportagem do Estado que revelou a discrepância entre o valor pago pela empresa belga Astra pela refinaria, em 2005, e o desembolso total efetuado pela Petrobrás pelo empreendimento. Em julho deste ano, o TCU apontou que a negociação causou prejuízo de US$ 792 milhões à estatal.

Além de Gabrielli estaria entre os 15 funcionários citados pelo conselho o ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró. Ele foi demitido da estatal em março deste ano, dias depois de a presidente Dilma Rousseff ter afirmado ao Estado que a aquisição da refinaria foi feita com base em um relatório elaborado por Cerveró.

Em 2006, quando a primeira metade da refinaria foi comprada, Dilma era ministra da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, que deu aval para a aquisição. Em março deste ano, a presidente afirmou ter tomado a decisão com base em um parecer técnico “falho” e “incompleto”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGGraça Foster está colocando em prática o ardiloso plano de Dilma Rousseff, que consiste em colocar toda a culpa na gestão de Sérgio Gabrielli, nomeado por Lula. O interessante é que somente agora, depois da nova fase da Operação Lava Jato, a Petrobras tenha chegado à conclusão de que comprar a refinaria/sucata de Pasadena foi uma negociata. Até a semana Pasadena, Graça Foster continuava alardeando ter sido um grande negócio… Mas parece que as coisas mudam, ao sabor do vento do poder. (C.N.)

Por falta de credibilidade, 2015 tem cenário desafiador

Luiz Guilherme Gerbelli
Estadão

O desafio do segundo mandato de Dilma Rousseff passa inevitavelmente pela retomada da confiança entre governo e empresários, relação bastante abalada durante os primeiros quatro anos da gestão atual. Esse retorno da confiança mútua entre os dois lados pode fazer com que o investimento destrave e a economia brasileira volte a crescer.

Na avaliação dos economistas ouvidos pelo Estado, a sinalização dos passos econômicos do governo vai ser importante, sobretudo na política fiscal, área mais crítica da economia. No primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff, o cenário inicial não deverá ser fácil. A economia brasileira deve continuar apresentando baixo crescimento e a inflação continuará pressionada, muito próxima do limite superior da meta do governo, que é de 6,5%.

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RECLAMAÇÃO NÃO PRODUZ CRESCIMENTO, DIZ DELFIM

Para o ex-ministro Delfim Netto, não resta alternativa para a economia a não ser crescer. Na avaliação dele, o problema fiscal é o número um, “mas ninguém vai fazer crescimento cortando”.

Por que a economia brasileira tem tantos desequilíbrios?

O Brasil deixou de crescer por causa da murcha da indústria. A partir de 2009, o que não se recuperou foi a produção industrial, por um motivo muito simples: o uso do câmbio como substituto à política de combate à inflação. Houve uma recessão, que ajudou a piorar a situação fiscal. Não tem outra saída ao Brasil a não ser voltar a crescer. É por isso que todos esses programas – corta isso, corta aquilo, faz isso, faz aquilo – têm de ser precedidos de uma volta de confiança entre o setor empresarial e o governo.

Por quê? 

Para resolver qualquer questão, inclusive o fiscal – o problema número um -, precisa de crescimento. Ninguém vai fazer crescimento cortando (gastos). Levou tempo, mas o G-20 chegou à conclusão de que eles cortaram durante seis anos e deu tudo errado. Agora, estão tentando propor uma política de investimento conjunto. Todo mundo puxa para cima e a coisa provavelmente vai dar certo. Mas tem de começar com um bom programa com começo, meio e fim e que vai dizer o seguinte: eu vou apresentar tal medida, vou ter uma política fiscal razoável, uma política econômica cuidadosa e uma política cambial realista.

Como o governo pode retomar a confiança dos empresários?

Acho que o governo tem de dar uma demonstração clara de que vai agir. A minha sugestão é aprovar duas coisas. A primeira é a reforma do ICMS, que está pronta e pode ser aprovada com muita rapidez. A outra medida é uma velha proposta da CUT, a livre negociação entre trabalhadores e empresários, sob o controle do sindicato, respeitando todos os direitos dos trabalhadores. Essa livre negociação pretere a lei. Na minha opinião, ela (Dilma) vai dar ao trabalhador a consciência de que o emprego não vai diminuir e, para o empresário, que começou um movimento real de mudança. Essas duas coisas têm de ser combinadas com o investimento em infraestrutura e políticas cambial e industrial adequadas.

Quais seriam os impactos dessas medidas?

Você deslancha os dois vetores fundamentais para o crescimento – de um lado investimento e do outro a ampliação do setor exportador. Nesse processo, se o País crescer 2%, 2,5% em 2015, 80% do problema fiscal está resolvido. Agora, é claro que precisa de medidas fiscais, controlar despesas. Precisa nomear um grupo de trabalho para fazer um orçamento de base zero.

Como funcionaria?

É preciso que um grupo de trabalho analise item por item do Orçamento. Deve haver 30 mil projetos ou programas que podem ser fechados sem que aconteça nada. O Orçamento hoje sobrepõe um programa em cima do outro, mas nunca se extingue nenhum.

Como mediar a necessidade de cortar despesa e acelerar o crescimento da economia?

Se começar o ajuste cortando gastos e elevando a taxa de juros, a economia vai para uma bruta de uma recessão. Controlar a política fiscal é necessário. É a mais importante de todas. A situação é complicada porque tem um déficit público de 5% do PIB. É muito. Boa parte disso é produto do quê? Primeiro, de um descuido. Estavam vendo desde o começo que a economia ia crescer zero, mas se supôs 2,5%. Se tirar dos 5% esses 2,5%, você volta aos 2,5%. Ou seja, uma boa parte da confusão fiscal foi produzida pela restrição ao crescimento e não vai resolver simplesmente cortando despesa.

E os sinais do governo? O ministro Guido Mantega (Fazenda) falou em reduzir o papel dos bancos públicos, e a Dilma tem dito que fará o dever de casa.

São pequenas coisas. Aqui, estamos cuidando da ‘macro’. Você precisa de uma quebra dessa paralisia, colocar uma nova situação em cima da mesa. Uma situação na qual o governo diga o que vai fazer, e o setor privado concorde e corra o risco junto. Há muito exagero. Ela (Dilma) não ganhou a eleição porque o povo é idiota. Só os idiotas pensam isso. Ela ganhou a eleição porque a maioria se sente melhor do que se sentia antes. E tem de se convencer do seguinte: terminou a eleição e ela recebeu um voto de confiança. Enquanto ficar com cara feia e batendo a cabeça na parede, não vamos a lugar nenhum. Reclamação não produz crescimento.

Ex-gerente da Petrobras vai devolver 100 milhões de dólares

Barusco aceitou a delação premiada

Deu no Estadão

O ex-gerente-executivo da Diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco fechou acordo de delação premiada em que se compromete a devolver cerca de US$ 100 milhões e contar o que sabe sobre o esquema de corrupção e propina na estatal. O novo delator da Lava Jato é considerado peça-chave para a força-tarefa da Polícia Federal e da Procuradoria da República porque deverá revelar o esquema que era controlado pelo ex-diretor da área Renato Duque, nome indicado pelo PT e que foi preso na sexta-feira, na sétima fase da operação, batizada de Juízo Final.

O acordo evitou que Barusco fosse o 26º nome da lista de prisões decretadas pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato. O valor de restituição, a título de indenização, caso seja homologado pela Justiça, será o maior já obtido em um acordo com servidor da Petrobrás.

O ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, delator da Lava Jato, e sua família vão pagar cerca de R$ 70 milhões. Barusco, convertendo em reais, terá que desembolsar R$ 252 milhões. Desse valor, US$ 20 milhões já haviam sido bloqueados na Suíça, onde ele mantinha uma conta. Barusco foi apontado como braço direito de Duque na cobrança de propina pelos executivos da Toyo Setal Julio Gerin de Almeida Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, que fecharam acordo de delação com o MPF no dia 22 de outubro.

“Por meio desses depoimentos resta clara também a participação de Pedro Barusco, Renato Duque, ex-gerente executivo e ex-diretor da área de serviços da Petrobras, em diversos fatos criminosos investigados ou conexos com esta operação”, escreveram os procuradores da Lava Jato no parecer de pedido de prisão de Duque. As delações dos executivos da Toyo foram decisivas para deflagração da nova etapa da Lava Jato e para abertura de novas frentes de apuração.

FORMAÇÃO DE QUADRILHA

No pedido de prisão dos executivos do esquema, os procuradores da força-tarefa registram que os dois “narram com riqueza de detalhes todo o esquema de cartelização, corrupção, desvio de dinheiro, pagamento da corrupção no exterior, manutenção de dinheiro ilegalmente no exterior, lavagem de ativos”. Para eles, foram dados os elementos necessários para enquadrar criminalmente os acusados da lava Jato, inclusive os executivos e dirigentes da Petrobras, “por formação de organização criminosa voltada a prática de crimes contra a administração pública”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSe o gerente aceita devolver 100 milhões de dólares (deve ter levado muito mais), podemos imaginar quanto seu superior, o diretor Renato Duque, amealhou com os subornos. Agora, fica feio para o Paulo Roberto Costa, que também era diretor, devolver só 70 milhões de reais. É uma mixaria perto da fortuna ilícita dos outros colegas. (C.N.)

A presidente Dilma viaja nos números da economia

Vinicius Torres Freire
Folha

O governo do Brasil é um dos poucos do G20 que não estão no vermelho, disse a presidente, durante a viagem a caminho da Austrália, para a reunião de cúpula do G20.

Dilma Rousseff referia-se ao fato de que apenas três ou quatro dos governos das 19 maiores economias do mundo vão gastar menos do que arrecadam: vão ter superavit primário neste ano (a União Europeia é o vigésimo integrante do G20).

É verdade o que diz a presidente. Mas a comparação não tem cabimento quase algum e é irrelevante para o debate dos problemas econômicos brasileiros.

Dilma Rousseff pretendia refutar as críticas de que seu governo estourou as contas de modo inédito desde 1997, o que vai contribuir para as agruras econômicas de 2015.

A presidente referia-se ao saldo primário das contas dos governos, a diferença entre receita e despesa, desconsiderados os gastos com juros. No G20, apenas Arábia Saudita, Itália e Alemanha devem ter superavit primário.

CONTA DE JUROS

Considerada a conta de juros, o Brasil cai na melhor das hipóteses para 11° lugar. Dadas as calamidades recentes, deve ficar em 15º entre 19 países. Mas, posta nesses termos, a querela da numeralha ainda é uma bobice.

Apenas o governo do Egito gasta mais com juros do que o do Brasil, quando se mede tal despesa como proporção do PIB, consideradas as 74 economias mais relevantes do mundo. Trocando em miúdos, isso quer dizer que o governo do Brasil paga caro demais para financiar seus deficits e refinanciar, rolar, sua dívida. A taxa de juros é alta, a dívida é relativamente alta, embora a presidente faça pouco dela, dizendo que é uma das menores do G20.

Considere-se o caso do governo de um país com deficit e dívidas teratológicos, o Japão. A dívida bruta neste ano deve ser de 245% do PIB (Brasil: 65% do PIB), o deficit primário é de 6,2% do PIB (zero no Brasil). O Japão deve gastar 0,8% do PIB com juros. O Brasil, mais de 5%.

O Brasil está entre a dúzia de países com as maiores necessidades de financiamento de curto prazo (o dinheiro que tem de arrumar em um ano). Quer dizer, entre os que mais têm de pedir emprestado para cobrir o rombo anual e refinanciar a dívida que vence no ano, mas que vai rolar para o futuro.

JUROS FAZEM A DIFERENÇA

O Brasil está na companhia ilustre de Japão, EUA e França, de países europeus que praticamente quebraram na crise (Portugal, Espanha, Itália) e de cronicamente endividados, como Hungria.

Mas os governos de Japão, EUA e França pagam juros miudinhos nos empréstimos que tomam para cobrir deficit (entre 0,5% e 2,5% ao ano, para empréstimos de dez anos). O do Brasil paga mais de 12%. Quase todos esses dados baseiam-se no Monitor Fiscal do FMI.

É fácil perceber, pois, que o governo do Brasil tem de ser mais comedido que países com dívidas ou deficits relativamente maiores. O crédito do governo do Brasil é ruim.

De resto, na presente situação, deficits maiores implicam inflação, juros e dívidas maiores, o que prejudica o crescimento, o que prejudica a receita do governo, o que realimenta o ciclo vicioso. Para piorar, a conta de juros alimenta o Bolsa Rico, os juros pagos aos credores do governo, os que têm dinheiro de sobra para emprestar.

Dilma tem de demitir Graça Foster o mais rápido possível

http://www.cbnfoz.com.br/images/2014/abril-2014/dilma-graca-foster.jpg

Graça e Dilma: daqui para a frente, tudo vai ser diferente

Renato Andrade
Folha

A nova fase da operação Lava Jato antecipou a tempestade política que muitos previam chegar somente no início de 2015.

A prisão de executivos de empresas que respondem por boa parte do financiamento de campanhas eleitorais no país terá consequências inevitáveis sobre a forma como se faz política atualmente no Brasil.

Mas a primeira vítima efetiva da avalanche provocada pela PF será a Petrobras, estatal que está no epicentro da crise que eclodiu em março.

A credibilidade da maior empresa do país está no chão. O envolvimento de ex-diretores da estatal no esquema desbaratado pela PF travou operações corriqueiras, como a publicação do resultado da companhia no último trimestre.

O Palácio do Planalto reconhece que é preciso agir rápido para tentar, de alguma forma, limpar a imagem da empresa e evitar que os futuros desdobramentos das investigações comprometam, ainda mais, a capacidade da estatal de investir e operar.

TROCA DE COMANDO

A reformulação do comando da empresa é dada como certa. A dúvida, até o momento, é a extensão dessa mudança e o tempo de execução.

A saída de Graça Foster da presidência da Petrobras deixou de ser mera especulação. Mesmo sem ligação direta com o escândalo de desvio de recursos, sua permanência na cadeira é politicamente inviável.

Substituir a executiva não é tarefa fácil. O primeiro obstáculo está dentro do próprio Palácio do Planalto. Graça pertence ao restrito grupo de pessoas que a presidente Dilma Rousseff gosta e confia.

A segunda dificuldade é encontrar, fora da empresa, um nome com respaldo no mercado de petróleo que esteja disposto a assumir o comando da estatal no momento mais delicado de seus 61 anos de história.

Dilma tem nas mãos uma decisão difícil de ser tomada. E não poderá adotar o ritmo cadenciado que sempre usou para promover mudanças. Tempo é algo cada vez mais escasso para a gigante do petróleo.

Empreiteiros farão delação premiada, diz o procurador Janot

Janot: “Delação é um rastilho de pólvora. Vem um atrás do outro”

Severino Motta
Folha

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, espera que a prisão de executivos e presidentes de grandes empreiteiras do país na operação Lava Jato faça com que muitos dos detidos busquem o instituto da delação premiada para tentar reduzir o tamanho de suas penas.

“Isso é um rastilho de pólvora. Quando um começa a falar, o outro diz: Vai sobrar só para mim?’. E aí eles começam a falar mesmo.”

Questionado sobre a possibilidade de haver uma quadrilha operando no desvio de recursos da Petrobras, Janot afirma que “em princípio sim, tudo indica que sim, mas está cedo para falar ainda”.

À Folha, o procurador fez ainda um balanço de sua gestão no comando do Ministério Público e rechaçou críticas de que recomendou o arquivamento de muitos inquéritos no Supremo Tribunal Federal desde que assumiu o cargo, em setembro de 2013.

NOVAS DELAÇÕES

Isso é um rastilho de pólvora. Quando um começa a falar, o outro diz: Vai sobrar só para mim?’, e aí eles começam a falar mesmo. Todos vão negociar. Se um abrir a boca, abre todo mundo. Um me perguntou: E se eu não tiver ninguém para entregar?’ Eu disse: Sempre tem, você pode se entregar, se entregue, autodelação’. Eu só não aceito perdão judicial [no acordo de delação]. Se for um crime que tenha já semiaberto, sempre que for possível eu vou botar o aberto. Vá cumprir pena em casa, sem problema nenhum.

EMPREITEIROS

Em principio é fraude em licitação, lavagem de dinheiro, crime contra o mercado e corrupção ativa.

Elas [empreiteiras] diziam que eram alvo de concussão [exigência de dinheiro por parte de funcionários da Petrobras]: Eu sou obrigado a dar, senão eu não consigo participar desse negócio e eu morro à míngua’. Se puder me explicar como a fraude à licitação decorre de concussão, eu concordaria com a tese. Como a concussão te obriga a fazer um cartel, fraudar uma licitação e ganhar um dinheirão? Está sendo extorquido para ganhar dinheiro? Para ter que botar US$ 100 milhões no bolso? Vamos combinar, não é. A delação quebrou com essa ponte.

PRESÍDIOS

A gente ainda vai pegar esse dinheiro. Hoje são cerca de R$ 700 milhões bloqueados [dos empreiteiros]. Se as empreiteiras vierem [fazer delação], nas cláusulas do acordo, vamos colocar a exigência para a construção de presídios. Nós vamos ter que fazer licitação para construir? Não. Eles vão me dar é in natura’.

POLÍTICOS

São muitos fatos e muitas pessoas. Há também muita gente que não tem foro, mas tem relação com o fato. O que estamos investigando? Pagamento de propina com dinheiro desviado da Petrobras. As empreiteiras faziam o retalho das licitações. Teu lote é aquele, teu lote é aquele outro. Eu pego meu lucro, engordo ele, os outros engordam mais. Essa diferença entre meu lucro e o que engordei vai irrigar o sistema. Desse dinheiro, pelo que entendi do [ex-diretor da estatal] Paulo Roberto Costa, você tem dinheiro destinado a caixa dois de campanha.

INTERFERÊNCIA

Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo [governador] Beto Richa para a coisa de saneamento [Conselho de administração da Sanepar], tinha vinculação com partido. O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação.

LEGADO DA LAVA JATO

O sistema republicano e a Justiça começam a mudar de paradigma. A Justiça de três, quatro anos para cá, não é mais uma justiça dos três Ps, de puta, de preto, de pobre. Ela está indo em cima de agente político e de corruptor. Acho que [essas novas operações e prisões] serão o grande propulsor da reforma política. E esse sistema é corruptor mesmo, se continuar esse sistema não vai mudar nada, pois vamos derrubar essas pessoas e outros virão ocupar esses espaços. O efeito que estou apostando é a reforma política.

ARQUIVAMENTO

Eu arquivei 65 inquéritos, desses, cinco envolvem o senador Cícero Lucena (PSDB-PB). Em dias separados pegou uma motoca, botou caixa de som e começou a fazer propaganda eleitoral. Instauram-se cinco inquéritos, crime eleitoral, ambiental e de trânsito. Outros cinco da Kátia Abreu (PMDB-TO). Uso de armas da República em papel da CNA (Confederação Nacional da Agricultura). Há caso de deputado que cometeu crime quando era prefeito, mas foi verificar e ele não era prefeito no período. Arquivei um do senador Fernando Collor (PTB-AL). Alguém num avião ouviu que o Collor havia mandado matar o PC Farias e abriram inquérito de homicídio. Você precisa ter um mínimo de elementos para abrir inquérito. No STF se perguntavam como esses casos poderiam estar lá, ocupando a pauta do Supremo. O que eu fiz? Tirei o que tinha de lixo. E mais vai sair. Dizem que eu arquivei só do PT. São 20 do PMDB, 8 do PSDB e 3 do PT.

INQUÉRITOS ABERTOS

Eu requisitei a instauração de 29 inquéritos. Coisas que têm fundamentos. Também apresentei 11 denúncias contra parlamentares. Isso sem contar o trabalho na Lava Jato, na operação Ararath [que apura crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro em Mato Grosso]. A atuação está visível.

Para “cumprimento das leis”, Petrobras cria sétima diretoria

Deu no iG

A Presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, anunciou que a empresa terá uma nova diretoria, para assegurar o “cumprimento de leis e regulamentos internos e externos”.

A nova diretoria, a sétima, teve sua criação aprovada na sexta-feira (14), em reunião do conselho de administração da companhia.

O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (17), durante a teleconferência de apresentação de resultados operacionais da companhia no terceiro trimestre. A empresa não vai divulgar o balanço contábil do período, que ainda não foi assinado pelos auditores externos independentes, como exige a lei.

“Nós mitigaremos riscos assegurando, pela companhia, o cumprimento das leis e regulamentos externos e internos. O respeito técnico é uma conquista de muitos anos. Gostaria de ressaltar a importância que é ter uma diretoria de governança, porque queremos mais que o reconhecimento técnico que conquistamos. Nós queremos também o respeito pela governança da nossa companhia, a Petrobras”, disse Graça.

FALTA O NOME

A presidente não anunciou quem vai ser o titular da nova diretoria. A empresa tem também as diretorias de Exploração e Produção, Abastecimento, Gás e Energia, Engenharia, Serviços e Internacional.

O anúncio ocorre após a Petrobras adiar a divulgação do balanço do terceiro trimestre na semana passada. A estatal deveria ter publicado todas as informações até a última sexta-feira (14), como determina a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas adiou porque a auditoria responsável por assinar suas demonstrações, a PwC, recusou-se a fazê-lo, devido a denúncias de corrupção na estatal. A auditora está à espera de informações que permitam avaliar o impacto das denúncias no patrimônio da empresa.

Para tentar atenuar o impacto da crise criada pelo adiamento da divulgação do balanço, a Petrobras antecipou, em anúncio de página dupla publicado em jornais neste sábado (15) e domingo (16), o fornecimento de dados sobre seu desempenho operacional. Aproveitou para esclarecer as providências tomadas para apurar as denúncias de corrupção levantadas na Operação Lava Jato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enfim, a melhor Piada do Ano. A criação da nova diretora significa que, antes dela existir, a Petrobras não se preocupava mesmo em cumprir as leis e regulamentos, como está fazendo agora, ao atrasar o balanço. E Dilma Rousseff não dá nenhuma indicação de que vá demitir Graça Foster. Como se dizia antigamente, amiga é para essas coisas. (C.N.)

Empreiteira se tornou sócia do doleiro em hotel na Bahia

Ricardo Pessoa, da UTC, é sócio do doleiro

Cleide Carvalho
O Globo

A UTC Engenharia não se limitou a pagar propinas e usar o doleiro Alberto Youssef para o repasse a partidos políticos. A empresa, que pertence a Ricardo Pessoa, Francisco de Assis Oliveira Rocha e João Argollo, se tornou sócia do doleiro Alberto Youssef em empreendimentos hoteleiros na Bahia. Investigações da Polícia Federal (PF) mostram que a empreiteira se associou em 2010 à GFD, empresa de Youssef, no hotel Web Salvador Iguatemi e na compra de um terreno no município de Lauro de Freitas, na Bahia, adquirido por R$ 5,3 milhões, também destinado a um empreendimento hoteleiro.

Para que a sociedade se concretizasse, foi aberta uma Sociedade em Cota de Participação, tendo a UTC como sócia ostensiva e a GFD como sócia participante. O empresário Ricardo Pessoa, sócio da UTC Engenharia, teve a prisão preventiva decretada na sétima fase da Operação Lava Jato e está na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. O doleiro usava laranjas para operar empresas de fachada e também seus investimentos em ativos, adquiridos com recursos de origem ilícita. Segundo o Ministério Público Federal, Pessoa era amigo pessoal de Youssef.

OS CONTRATOS

A PF anexou ao processo que investiga a empresa e seus executivos o Instrumento Particular de Assunção Recíproca de Obrigações firmado entre a UTC Participações e GFD Investimentos em dezembro de 2010 para a compra do terreno em Lauro de Freitas. Foram interceptados também e-mails trocados por representantes do doleiro, entre eles Enivaldo Quadrado e Calos Alberto Pereira da Costa com representantes da UTC, entre eles Walmir Pinheiro.

Num deles, do ano passado, os dois grupos acertam a divisão de despesas para os meses de abril e maio e são enviadas planilhas de controle de cobrança (R$ 3.264.310,93) da GFD e os aportes (R$ 2.813.238,89) realizados no período de agosto de 2010 a abril de 2013.

A UTC é uma das empreiteiras contratadas pela Petrobras para obras na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. No total, os negócios com a estatal superam R$ 8 bilhões.​

OS PRESOS NA LAVA JATO

Estão presos na Superintendência da PF do Paraná, dividindo três celas: Jayme Oliveira Filho, supostamente ligado ao doleiro Alberto Youssef; da Camargo Corrêa: Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente, João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração e Dalton dos Santos Avancini, presidente; da companhia Engevix: Gerson de Mello Almada, vice-presidente, Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor, Newton Prado Júnior, diretor; da Galvão Engenharia: Erton Medeiros Fonseca; da IESA: Valdir Lima Carreiro, diretor-presidente, Otto Sparenberg, diretor; da Mendes Junior: Sérgio Cunha Mendes, diretor-vice-presidente-executivo; da OAS: José Aldemário Pinheiro Filho, presidente, Mateus Coutinho de Sá Oliveira, vice-presidente do conselho, Alexandre Portela Barbosa, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor e José Ricardo Nogueira; da Petrobras: Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras; da Queiroz Galvão: Ildefonso Collares Filho, ex-diretor-presidente, Othon Zanoide de Moraes Filho, diretor; da UTC: Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente, Ednaldo Alves da Silva, Walmir Pinheiro Santana, e Carlos Alberto Costa Silva.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/empreiteira-se-tornou-socia-do-doleiro-youssef-em-empreendimentos-hoteleiros-14575242#ixzz3JGiYmk3D
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A reforma política da Polícia Federal pode acabar com o PT

Igor Gielow
Folha

A Operação Lava Jato, agora na apropriadamente apelidada etapa do Juízo Final, pode fazer aquilo que todo governo em crise promete: uma reforma política. Ao atacar de frente os corruptores, a Polícia Federal tem a oportunidade de expor o elo que costuma escapar nos escândalos do gênero.

A confirmar as suspeitas, ao fim poderá estar claro que empresas fornecedoras da Petrobras roubaram da estatal por meio de propinas e superfaturamentos, e usaram parte deste mesmo recurso para molhar a mão de políticos e operadores que permitiram a instalação do esquema.

É quase um círculo perfeito, no que tange o financiamento dos políticos. Em campanhas, dinheiro desviado pode ser reinvestido legalmente em quem abriu a porta do cofre.

Depois do mensalão e das duras condenações aplicadas particularmente aos atores não-políticos do esquema, o pagamento aos políticos precisava de novos e menos arriscados mecanismos.

A reforma política proposta pelo governo não resolve os problemas e ainda cria outros. Mas involuntariamente a PF fará avançar essa agenda, se conseguir ir até o fim. Resta saber o que sairá disso, visto que agentes que irão debater as novas regras poderão fazê-lo do banco dos réus.

PT CORRE RISCO

O escândalo da Petrobras ameaça a todos, mas só um partido corre risco existencial com ele: o PT.

Em seus governos, o partido colocou a estatal no topo da agenda; fez controle inflacionário ao represar reajustes de combustível, enquanto Lula embebia as mãos com petróleo, à Getúlio. Para cada descoberta no pré-sal, contudo, parece ter havido uma contrapartida obscura.

PMDB, PP e outros estão citados, mas o PT tinha o leme. Depois de sobreviver ao mensalão e sofrer derrotas apesar de reeleger Dilma, o que sobrará do partido se o que se insinua na Lava Jato for comprovado?