Diante do estrago na economia, não há maquiagem que dê jeito

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O quadro fica assustador quando se olha para o resultado das contas públicas. O país registrou, entre janeiro e setembro, déficit primário, o que não se via desde 1997, quando o governo passou a cumprir metas fiscais. O buraco consolidado do setor público no período chegou a R$ 15,7 bilhões. Como não conseguiu poupar para pagar juros da dívida, o rombo nominal atingiu R$ 224,4 bilhões, o equivalente a 6% do PIB, dado de país em crise.

Diante desse estrago nas finanças públicas, não haverá maquiagem que dê jeito. Sem condições de cortar gastos, o jeito será o governo repassar a conta para os contribuintes. Depois da alta dos juros, da energia, da gasolina, será a vez de elevar os impostos. Dilma, como se vê agora, saiu pior do que a encomenda.

DÉFICITS GÊMEOS

Não será fácil a vida do próximo ministro da Fazenda, seja quem for o escolhido por Dilma Rousseff. Além da missão de tirar a economia do atoleiro em que se encontra e de retomar o controle da inflação, terá que enfrentar o que os especialistas chamam de déficits gêmeos, uma combinação explosiva de rombos nas contas públicas internas e externas.

Dados consolidados pelo Banco Central mostram que, quando incluídos os gastos com juros, o buraco nas finanças do governo chega a 6% do PIB. Nas transações correntes do país com o exterior, o déficit atinge 3,7% do Produto, e poucos acreditam que ficará estacionado nesse nível.

Para Tony Volpon, diretor do Departamento de Pesquisas para as Américas da Nomura Securities, os números são preocupantes. “A História do Brasil mostra que, todas as vezes em que os déficits público e externo chegaram a 4% do PIB, sempre houve uma crise ou foram necessários ajustes severos para evitar o pior”, afirma. Ele ressalta que, prevendo mudanças na política econômica, investidores e agências de classificação de risco estão dando um salvo conduto ao Brasil. Mas é preciso cautela.

Com dívidas milionárias, candidatos da base recorrem a Dilma. Mas dinheiro não é problema para o PT.

Cátia Seabra e Gustavo Uribe
Folha

Amargando dívidas milionárias referentes à disputa eleitoral deste ano, candidatos a governador aliados ao governo federal pedem agora socorro ao comando da campanha de Dilma Rousseff à reeleição.

Os apelos são suprapartidários: vão do PT ao PSB de Marina Silva, como é o caso do governador reeleito da Paraíba, Ricardo Coutinho.”Devo e não nego. Pagarei quando puder”, afirma o governador.

O comitê de campanha de Coutinho recorreu à equipe da presidente no segundo turno. Os petistas recomendaram a um doador que colaborasse com R$ 2 milhões para a campanha do pessebista.

PETISTAS DERROTADOS

Os pedidos mais insistentes partem dos próprios petistas, sobretudo os derrotados. Terceiro na corrida para o governo de São Paulo, Alexandre Padilha encerrou a disputa com um buraco de cerca de R$ 30 milhões.

Nos dois primeiros meses de campanha, a candidatura angariou R$ 4,2 milhões, menos de 1/3 do que arrecadou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) no mesmo período.

Além de Padilha, o senador Lindbergh Farias também pede ao PT ajuda para liquidar suas dívidas de campanha ao governo do Rio. Segundo ele, o rombo pode superar R$ 6 milhões. “É muito ruim perder. Os doadores acabam fugindo”, lamenta Lindbergh.

PRAZO FINAL

As prestações de contas finais dos candidatos que não foram ao segundo turno deverão ser entregues à Justiça Eleitoral até terça-feira (4).

O prazo para os que disputaram o segundo turno é maior: 25 de novembro. As dívidas pendentes devem ser assumidas pelos partidos.

A penúria não é exclusividade dos derrotados. A campanha de José Ivo Sartori (PMDB) teve como intermediário o ex-ministro Eliseu Padilha, que pediu ajuda para o recém-eleito governador do Rio Grande do Sul.

A dívida do comitê de Sartori é de cerca de R$ 5 milhões, segundo a Folha apurou. “Pedi dinheiro ao comitê de Dilma até a véspera da eleição”, conta Eliseu, que representava o PMDB na coordenação de campanha da presidente Dilma.

Embora derrotado, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), não deve registrar dívidas significativas. “Devem ser de cerca de R$ 300 mil”, calcula Carlos Pestana, coordenador da campanha de Tarso.

NO RIO

Reeleito para o governo do Rio, o peemedebista Luiz Fernando Pezão contou com o ministro Moreira Franco (Aviação Civil) como porta-voz junto ao comitê de Dilma. Ele solicitou recursos para bancar atividades conjuntas organizadas pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). “Pedi dinheiro, mas não sei quanto recebemos”, diz Paes.

Também no Rio, a deputada Clarissa Garotinho (PR) buscou ajuda da campanha de Dilma para o pai, deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ). Derrotado na disputa ao governo, ele admite ter dívida milionária, mas não a revela. “Ela [Clarissa] fez por conta própria. A situação está difícil. Não quero mais conversa com essa gente”, queixa-se.

Procurado, o tesoureiro da campanha de Dilma, Edinho Silva, afirma que seu foco agora é saldar dívidas do comitê da presidente. Ele não quis comentar a situação financeira das candidaturas aliadas. O comando da campanha da presidente não acredita que ela deva fechar o balanço eleitoral com dívidas.

Apesar disso, o PT ampliou neste mês em R$ 40 milhões o limite de gastos do comitê para cobrir despesas compartilhadas com os estados. O teto passou de R$ 298 milhões para R$ 338 milhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCalma, gente! Todas as dívidas serão pagas. Os empresários estão aí mesmo, para socorrerem o PT, partido mais rico do país. Em 2013, que nem era ano eleitoral, o PT recebeu R$ 80 milhões de “contribuições”. Não é preciso dizer mais nada. (C.N.)

 
 

Disfarça e chora que já vem a aurora

Dalmo foi o último parceiro de Cartola

O cantor e compositor carioca Agenor de Oliveira (1908-1980), mais conhecido como Cartola, considerado por diversos músicos e críticos como o maior sambista da história da música brasileira, na letra de Disfarça e Chora”, em parceria com Dalmo Castelo, mostra os sentimentos amorosos que acontecem durante uma noite de samba na vida das pessoas. Esse samba faz parte do LP Cartola lançado, em 1974, pela gravadora Discos Marcos Pereira.

DISFARÇA E CHORA

Dalmo Castelo e Cartola

Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora
A pessoa que tanto queria
Antes mesmo de raiar o dia
Deixou o ensaio por outra
Oh! triste senhora
Disfarça e chora
Todo o pranto tem hora
E eu vejo seu pranto cair
No momento mais certo
Olhar, gostar só de longe
Não faz ninguém chegar perto
E o seu pranto oh! Triste senhora
Vai molhar o deserto
Disfarça e chora

                              (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Não é obrigatório mudar quando o time está perdendo

12Tostão
O Tempo

Um erro frequente dos treinadores, de todo o mundo, é se sentir pressionado para mudar o time, quando está perdendo, geralmente aos 15 minutos do segundo tempo, mesmo se a equipe estiver bem, criando chances de gol. O técnico muda, o time piora e perde a chance de vencer. Essas substituições tornaram-se um hábito, uma compulsão. O técnico também morre de medo de não trocar e ser criticado por omissão.

Foi o que fez Enderson Moreira, na quarta-feira. Após o mau primeiro tempo, quando foi sufocado pelo Cruzeiro, o Santos voltou bem e teve chances de empatar. Durante a segunda etapa, o técnico não resistiu à tentação de mudar e trocou os três jogadores mais adiantados pelo sempre apagado Leandro Damião e mais dois jovens, ainda despreparados para o momento. O time piorou e deixou de ameaçar o Cruzeiro.<TB>Se, por dezenas de outros fatores, como um erro do árbitro, o técnico muda, quando não precisava, e o time vira o placar, será elogiado pelas brilhantes substituições que “mudaram” a história da partida. Depois do jogo, ao ser perguntado e elogiado pelo repórter, o treinador, para demonstrar modéstia, dirá que o mérito foi de todo o grupo.

FLAMENGO VAI BEM

O Flamengo melhorou muito com Luxemburgo. Com isso, voltou a badalação ao técnico, como se fosse algo extraordinário um treinador chegar e a equipe melhorar durante a competição. Já vi isso acontecer várias vezes com treinadores medíocres. Nunca achei que Luxemburgo estava ultrapassado nem que, em seus melhores momentos, fosse um supertécnico, um magistral estrategista, como tanto falam seus admiradores.

Luxemburgo sempre foi um excelente treinador, que caiu, por inúmeros motivos, e que tenta recuperar o prestígio. Se há dezenas de fatores envolvidos no resultado de um jogo, na conquista de um título, temos de ter muito cuidado com os exagerados elogios e com as duras críticas aos treinadores. Em longo prazo, fica menos difícil essa análise. Além disso, com frequência, um técnico razoável ganha um título importante e passa a dirigir grandes equipes, com ótimos jogadores, o que aumenta a chance de se manter no topo por um bom tempo.

Em entrevista no Redação Sportv, Parreira, perguntado sobre porque o Brasil não forma um Kroos, esquivou-se, como sempre, ao dar razões ocasionais e, por corporativismo, não quis criticar os técnicos, principais responsáveis pela divisão que houve no meio-campo, entre os volantes que só marcam e os meias que só atacam.

Toffoli passa adiante o pedido de auditoria nas eleições

André Richter
Agência Brasil 

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Dias Toffoli, enviou hoje (3) à Secretaria de Tecnologia  do tribunal, setor responsável pela apuração das eleições, o pedido do PSDB de auditoria especial do resultado da eleição presidencial.

Segundo o TSE,  caberá ao secretário de Tecnologia, Giuseppe Gianino, prestar informações sobre a necessidade e viabilidade do pedido. Após o parecer do secretário, o pedido voltará para a presidência do tribunal para ser analisado, individualmente, por Toffoli, ou pelo plenário.

Na semana passada, ao protocolar o pedido, o partido disse que tem “absoluta confiança” de que o tribunal garantiu a segurança do pleito, mas pretende tranquilizar eleitores que levantaram, por meio das redes sociais, dúvidas em relação à lisura da apuração dos votos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ inacreditável e decepcionante a incompetência do PSDB. As provas de irregularidades na eleição são abundantes, mas eles fizeram um requerimento tão inconsistente que não tem a menor chance de ir adiante. Com uma oposição desse nível, o PT ficará no poder per secula seculorum, como se dizia antigamente. (C.N).

Site oficial da Casa Branca tem petição popular contra Dilma

Marianna Rios
Correio Braziliense

A insatisfação com o resultado das eleições no Brasil fez com que brasileiros apelassem até aos Estados Unidos para protestar. No site da Casa Branca (em uma seção destinada a petições batizada de We the People), uma petição criada em 28 de outubro – dois dias após a reeleição de Dilma Rousseff – pede que o governo americano se posicione oficialmente contra a expansão do “comunismo bolivariano no Brasil”, promovido pela administração da petista, além de assinaturas eletrônicas para chamar a atenção dos Estados Unidos para a causa.
O documento já recebeu mais de 100 mil adesões até a tarde desta segunda-feira (3/11) e está entre as 20 petições mais assinadas entre as 99 disponíveis no site oficial da Casa Branca. Ao atingir 100 mil assinaturas, ele está apto a receber uma resposta da Casa Branca se posicionando sobre a causa. Para criar uma petição, basta ser maior de 13 anos, abrir uma conta no site da Casa Branca e ter o e-mail validado.

Entre as petições mais assinadas no site, há uma que pede que a Irmandade Muçulmana seja considerada uma organização terrorista e outra que quer o perdão a Edward Snowden (ex-funcionário da CIA que revelou detalhes de vários programas do sistema de vigilância americano).

Em resposta à reportagem por e-mail, a adida de Imprensa da Embaixada dos EUA em Brasília, Arlissa Reynolds, reforçou que as “petições apresentadas não representam as opiniões do governo dos EUA”. E destacou a declaração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parabenizando a presidente Dilma Rousseff pela reeleição. À época, Obama teria dito que “o Brasil é um importante parceiro para os Estados Unidos e estamos empenhados em continuar a trabalhar com a presidente Dilma Rousseff para fortalecer as nossas relações bilaterais”.

LEIA A ÍNTEGRA DA PETIÇÃO

“Nós peticionamos o governo Obama para se posicionar contra a expansão bolivariana comunista no Brasil promovida pelo governo de Dilma Rousseff.

Em 26/10, Dilma Rousseff foi reeleita e continuará o plano de seu partido de estabelecer um regime comunista no Brasil — nos moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo. Nós sabemos que, aos olhos da comunidade internacional, a eleição foi integralmente democrática, mas as urnas usadas não são confiáveis, além do fato de que a cúpula do Judiciário é, em sua maioria, de membros do partido vencedor. Políticas sociais também influenciaram a escolha da presidente e as pessoas foram ameaçadas com a perda do benefício de alimentação caso não reelegessem Dilma. Conclamamos uma posição da Casa Branca em relação à expansão comunista na América Latina. O Brasil não quer e não será uma nova Venezuela, e os EUA que precisam ajudar os promotores da democracia e da liberdade no Brasil”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ deplorável essa atitude desses brasileiros apátridas. Se querem se curvar a Barack Obama, então que se mudem para os Estados Unidos. Os problemas internos do Brasil só interessam aos brasileiros de verdade, que amam nosso país. (C.N.)

PT quer mandar em Dilma e no governo, e ela não tem saída

Márcio Falcão
Folha

Na primeira reunião após a reeleição da Dilma Rousseff, integrantes do PT defenderam mais diálogo com a petista para a formação de seu novo mandato.

Em reunião em Brasília nesta segunda-feira (3), a Executiva Nacional também decidiu preparar um grande ato para a posse da presidente no dia 1º de janeiro, para reforçar a ideia de que o partido conquistou uma vitória legítima nas urnas.

No encontro, eles defenderam que o partido, prestes a completar um ciclo de 16 anos no governo, precisa retomar um discurso mais voltado à esquerda, além de se reformular para o eleitorado. Petistas também explicitaram o desejo de interferir mais no governo. E Dilma será convidada para a reunião do Diretório Nacional do PT no fim do mês.

“Quando a gente fala em ampliar o diálogo, é também reforçar o papel do PT no governo. A presidente já deu ao nosso presidente [Rui Falcão] status maior para participar do governo. É só aprimorar e lubrificar um pouco mais os esforços”, afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

GRANDE FESTA

Em meio à onda de protestos questionando a vitória apertada da presidente nas urnas, o PT determinou a criação de uma comissão para preparar um grande ato para a posse da reeleição. Serão mobilizados especialmente os movimentos sociais, numa tentativa de reeditar a posse do ex-presidente Lula em 2002.

“Queremos fazer da posse uma grande festa popular, semelhante à de Lula em 2002. Tivemos uma vitória significativa, que teve a participação do PT, da juventude, das mulheres e dos que, embora não apoiando todas as nossas medidas, entenderam o que estava em jogo: avançar ou retroceder na linha do neoliberalismo que representava o candidato oponente”, disse o presidente da sigla.

Falcão classificou de “factoide” o pedido do PSDB para uma auditoria especial no resultado das eleições e evitou atacar as manifestações contra a reeleição de Dilma.

“Numa democracia, os movimentos e a participação de setores da população, ainda que minoritários, é legitima. Mas nós também estamos conclamando nossa militância atos em defesa da democracia e da reforma política.”

CONGRESSO

O PT também defendeu lançar um nome para a Presidência da Câmara, em contraposição a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pré-candidato. Os nomes e a data de anúncio da candidatura ainda serão definidos.

No encontro, o ministro Ricardo Berozini (Relações Institucionais) lembrou as dificuldades na relação com o novo Congresso, que se tornou mais pulverizado, com 28 partidos na Câmara.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Traduzindo tudo isso: Dilma Rousseff é uma estranha no ninho do PT. Só entrou no partido em 2001. É apenas tolerada pelos sindicalistas que dominam o partido, sob as rédeas de Lula. Dilma sonhou em ser mais independente no segundo mandato. Sonhar ainda não é proibido. A realidade é que o PT quer torná-la refém do partido e ela não tem saída. Vai continuar eternamente sendo apenas uma marionete, sem vida própria. (C.N.)

Acusado de corrupção, Machado enfim deixa a Transpetro

Indicado por Renan, Machado está no cargo desde 2003

João Domingos
O Estado de S. Paulo
Afilhado político de Renan Calheiros, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, vai pedir licença do cargo. A ideia é ficar longe da estatal enquanto durarem as auditorias, visto que o nome de Machado foi citado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Com isso, o PMDB procura evitar que a presidente Dilma Rousseff faça pressão sobre o partido para que aceite sem reação o afastamento de Machado.

Trata-se de uma solução à Henrique Hargreaves que, durante o governo Itamar Franco, afastou-se da Casa Civil enquanto a CPI dos Anões do Orçamento investigava se o ministro tinha alguma implicação nos desvios de verbas orçamentárias. Como nada foi constatado, Hargreaves voltou por cima e reassumiu a Pasta. O PMDB acredita que isso poderá ocorrer também com Machado.

A saída imediata de Sérgio Machado da presidência da Transpetro, subsidiária de transporte e logística da Petrobrás, foi uma das condições impostas pela PriceWaterhouseCoopers para auditar o balanço da estatal. O assunto foi discutido em uma turbulenta reunião do Conselho de Administração da companhia na sexta-feira passada. Segundo relatos, dez conselheiros ficaram divididos sobre a decisão.

A Price é a auditora independente que avaliza os balanços operacionais e financeiros da Petrobrás. O envolvimento da petroleira em denúncias de corrupção e as revelações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa no processo da Operação Lava Jato levaram a Price a impor algumas exigências para referendar o balanço. Entre elas, a contratação de duas empresas independentes para atuar na investigação interna – o que já foi providenciado – e o afastamento do presidente da Transpetro.

INDICADO POR RENAN

Ex-deputado e ex-senador, Machado é aliado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e, desde o início do governo Lula, em 2003, preside a Transpetro. Seu nome foi citado por Costa em depoimento à Polícia Federal. O ex-diretor afirmou que recebeu R$ 500 mil em dinheiro das mãos de Machado dentro do esquema de pagamento de propina na estatal. Recentemente, o Ministério Público Federal pediu à Justiça o seu imediato afastamento e bloqueio de seus bens por fraude em processo de licitação para compra de 80 barcaças e 20 empurradores pelo Estaleiro Rio Tietê.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Comparar Dilma Rousseff com Itamar Franco é um bocado de exagero. Itamar era implacável com a corrupção, enquanto Dilma… Na verdade, a única coisa em comum entre os dois é o topete. (C.N.)

André Vargas, um convidado bem trapalhão na reunião do PT

Um dia antes de seu pedido de cassação voltar a ser discutido na Câmara, o deputado André Vargas (sem partido-PR) visitou a sede do PT em Brasília, onde foi realizada nesta segunda-feira (3) uma reunião da cúpula do partido.

Vargas foi visto na sala ao lado do encontro da Executiva Nacional. Ao ser flagrado por fotógrafos, ele cobriu o rosto para tentar impedir as imagens. No local, Vargas estava acompanhado dos deputados Rogério Carvalho (PT-SE) e Policarpo (PT-DF).A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara deve analisar nesta terça-feira (4) recurso de Vargas contra sua cassação, que foi aprovada pelo Conselho de Ética da Casa.

Vargas responde a processo por quebra de decoro parlamentar devido ao seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef preso durante as investigações da Operação Lava Jato, deflagrada pela PF, sendo acusado de participar de um esquema de corrupção na Petrobras que, segundo a PF, movimentou R$ 10 bilhões.

O ex-petista disse à Folha de S.Paulo, por torpedo, que veio conversar com o líder do PT na Câmara, Vicentinho (PT-SP), e José Guimarães (PT-CE), ex-líder da bancada. “Somos amigos e colegas e tínhamos assuntos variados”, afirmou. Carvalho e Policarpo disseram que não sabiam o motivo da visita de Vargas.

BLINDAGEM

Questionado se o gesto não pode ser interpretado como uma espécie de blindagem do partido, ele não respondeu. O deputado, que pertencia ao PT, foi pressionado pelo partido a pedir sua desfiliação em abril. A pressão para deixar a legenda ocorreu pois o parlamentar havia desistido de renunciar ao mandato depois que suas ligações com Youssef vieram à tona.

Na semana passada, um pedido de vista do deputado José Mentor (PT-SP) suspendeu a análise do relatório da CCJ que mantém a cassação de Vargas. Se a perda do mandato for mantida pela CCJ, o processo segue para análise final no plenário da Câmara.

Vargas responde a processo por dois episódios: um voo em um jatinho emprestado pelo doleiro, e o suposto uso de influência do parlamentar junto ao Ministério da Saúde para viabilizar um contrato da Labogen com o órgão para a formalização de um contrato de R$ 35 milhões para produção de medicamentos.

A recomendação pela cassação do mandato de Vargas foi aprovado em 20 de agosto por unanimidade no Conselho de Ética.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAmigo é para esses coisas. O pedido de vista feito pelo deputado José Mentor é para atrasar o processo contra Vargas. Se ele não for cassado até 31 de janeiro, não perderá os direitos políticos e poderá se candidatar a prefeito ou vereador nas eleições de 2016. Ao proteger um notório corrupto, o PT demonstra que não é mais um partido político, virou uma simples quadrilha. (C.N.)

Livre, leve e solto, Pizzolato planeja turnê pela Itália

Mastrangelo Reino/Estadão - 28.10.2014

Jamil Chade
O Estado de S. Paulo

“A Itália é um país belíssimo”. A frase não é de uma campanha de publicidade do governo de Roma, mas do brasileiro Henrique Pizzolato que, na última terça-feira, deixou a prisão de Modena e fez questão de tecer amplos elogios ao país que o acolhe. Nos próximos meses, Pizzolato quer fazer valer sua “admiração” pela Itália e já indicou que vai iniciar uma verdadeira turnê pelo país. Enquanto isso, autoridades brasileiras já debatem, internamente, uma proposta para pedir que a Itália obrigue Pizzolato a cumprir sua pena no país europeu, mesmo que não seja extraditado ao Brasil.

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil foi condenado a doze anos e sete meses de prisão no julgamento do mensalão. Em outubro de 2013, ele fugiu para a Itália com um passaporte falso de um irmão morto há mais de 30 anos. Em fevereiro deste ano, ele acabou sendo descoberto na casa de um sobrinho na cidade de Maranello, no norte da Itália, e levado para a prisão de Módena.

O Brasil pediu sua extradição e o Ministério Público Italiano saiu em defesa do argumento brasileiro. Porém, o Tribunal de Bolonha rejeitou o pedido e liberou Pizzolato.

Nem bem pisou fora da prisão, o brasileiro revelou que tem planos de viajar, e muito. “Se vocês querem saber o que pretendo fazer, no dia 15 (de novembro) vai fazer cem anos da morte do irmão do meu avô na primeira guerra”, declarou. Segundo ele, sua intenção é a de ir ao “norte do Vêneto, no Montebelluna”.  “Meu avó sempre quis encontrar o lugar onde ele foi ferido, pois sua família sofreu muito”, explicou. “E eu lhe prometi que encontraria uma forma de ir até lá”, disse.

Essa não é a única viagem programada. Pizzolato quer ir “até Padre Pio orar e agradecer padre Pio”. O local fica em Bari.

A agenda de Pizzolato pela Itália prevê que, na próxima terça-feira, ele estará em Modena e dará uma coletiva de imprensa no escritório de um de seus três advogados italianos. Dali, ele pretende viajar ao sul da Itália para visitar parentes.

A Polícia da região da Liguria também indicou ao Estado que recebeu informações de que ele pode se instalar em uma das cidades da costa. Foi ali que ele primeiro buscou casa quando fugiu para a Itália, em outubro.

O Estado visitou nesta semana a casa onde ele esteve em Porto Venere, um dos locais mais caros do Mar Mediterrâneo. Mas ninguém no local soube dizer como Pizzolato pagava por seus gastos.

 

PT quer Minas e Energia para controlar apuração na Petrobras

Deu em O Tempo

Peemedebistas do Senado querem manter o Ministério de Minas e Energia, que comandam desde 2005. O atual ministro, Edison Lobão, avisou a parentes e aliados que deixará o cargo para retomar, a partir de janeiro de 2015, seu mandato de senador pelo Maranhão.

O PT defende a saída de Lobão, especialmente após o nome do ministro aparecer na delação premiada à Justiça Federal feita pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Além disso, querem que o ministério, ao qual estão subordinadas estatais como Petrobras e Eletrobras, componha um “núcleo duro” da Esplanada com diálogo direto com os responsáveis pela formulação da política econômica.

O argumento dos petistas é que o Ministério de Minas e Energia ganhou peso estratégico devido à situação de crise hídrica que tem afetado o nível dos reservatórios e a geração de energia e aos problemas de caixa das distribuidoras.

Também as denúncias de corrupção na Petrobras assumiram um alto grau de importância. O partido acredita que retirar o PMDB do comando ajudaria a transmitir a imagem de que o governo está interessado em apurar as denúncias de corrupção na Petrobras. Dessa forma, a pasta precisaria estar mais próxima do Planalto, atuando em sintonia com os futuros titulares da Fazenda e da Casa Civil, por exemplo.

MINISTÉRIO QUALQUER…

O senador Walter Pinheiro (PT-BA) afirmou que, no próximo governo, a pasta não pode ser vista como um “ministério qualquer”. “Precisa fazer parte do núcleo mais importante do governo”, argumentou. Não por acaso, um dos nomes cotados pelo partido para assumir o posto hoje ocupado pelo peemedebista Edison Lobão, afilhado político de José Sarney (PMDB-AP), é o do governador da Bahia, Jaques Wagner. Próximo à Dilma e fortalecido no PT por ter eleito seu candidato ao governo estadual ainda no primeiro turno, Wagner deverá ter papel de destaque no próximo mandato.

O chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo, que foi secretário de Minas e Metalurgia quando a petista comandou o ministério, é outro cotado. Não se sabe o grau do envolvimento do ministro Lobão com o esquema de corrupção na estatal, mas operadores do governo tratam sua queda como inevitável. Primeiro por atender à estratégia do Planalto de extinguir, no segundo mandato de Dilma, os feudos partidários. E segundo, por aproveitar o enfraquecimento político do padrinho de Lobão, o ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGTudo conversa fiada. O objetivo do PT é assumir o Ministério de Minas e Energia para controlar as investigações do escândalo da Petrobras, como se isso fosse possível. Mas o escândalo já saiu de controle, começa a haver delação premiadas das empresas corruptoras e não dá mais para controlar nada. (C.N.)

Dilma parece que esqueceu de regulamentar Lei Anticorrupção

Deu na Agência Brasil

A Lei Anticorrupção deve ser regulamentada até o final deste ano, de acordo com expectativa do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage. “Espero que assim seja. Claro que não posso assumir compromisso em nome da presidenta Dilma [Rousseff], porque é ela quem vai assinar o decreto. Mas, pelo avanço das discussões e das conversas conduzidas já nesta etapa, na Casa Civil, tudo indica que sairá muito proximamente o decreto”, disse Hage.

O ministro participou sexta-feira de seminário do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp) para discutir a Lei Anticorrupção, que ele costuma chamar também de “lei da empresa limpa”. Segundo o ministro, falta apenas “o ajustamento de alguns detalhes da legislação” para que a lei possa ser regulamentada.

Ministério da Justiça lança guia sobre proteção a denunciantes de corrupção PM do Rio quer investigar cúpula de oficiais suspeitos de corrupção Major da PM investigado por corrupção se entrega à polícia

PUNE AS EMPRESAS

A Lei Anticorrupção (12.846/13) foi sancionada em agosto do ano passado, no “calor das manifestações”, segundo ele, mas ainda falta ser regulamentada. Ela responsabiliza as empresas por atos de corrupção contra a administração pública e define punições que variam de 0,1% a 20% do faturamento bruto do exercício anterior ao do processo administrativo. Caso não haja informação sobre faturamento, a multa à empresa pode ser estabelecida entre R$ 6 mil e R$ 60 milhões.

A lei também proíbe que as empresas envolvidas em episódios de corrupção recebam recursos de instituições financeiras públicas. Também não podem participar de processos de licitação nem contratar com o poder público durante o período de cumprimento da sanção. A lei pode levar até ao fechamento da empresa. A multa, ressaltou o ministro, nunca será inferior ao valor da vantagem obtida, e caso a multa não seja paga no prazo, a empresa será inscrita na dívida ativa.

E AS ESTATAIS?

Uma das controvérsias da lei, disse o ministro, envolve as empresas públicas. Uma questão controvertida, segundo Hage, é se as empresas públicas também estariam sujeitas a todas as penalidades, incluindo o fechamento da empresa e a interdição de suas atividades. “Imagina uma empresa de água e esgoto ter suspensas suas atividades. Isso me parece impensável. A aplicação da lei para as empresas estatais é prevista sim, mas tem que ser feita dentro do princípio da razoabilidade”, falou.

Embora a lei esteja em vigor desde janeiro, ela ainda não foi aplicada, porque não ocorreu nenhum fato posterior, segundo o ministro. Perguntado se o caso da Operação Lava Jato, que envolve a Petrobras, não poderia render punição à empresa, prevista já na Lei Anticorrupção, ele explicou que não, pois o fato é anterior à lei, embora o conhecimento sobre o episódio só tenha se tornado público este ano.

“A lei entrou em vigor no dia 29 de janeiro de 2014. Não podemos fazer a lei retroagir para punir, porque a Constituição brasileira não permite. Então, todos os casos acontecidos antes da data não estão sujeitos a esta lei, mas a outras leis como o Código Penal, à Lei de Licitações ou à Lei de Improbidade”, explicou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito simpática a entrevista do ministro, mas o fato mais importante é que a presidente Dilma literalmente sentou em cima da regulamentação desta lei, que pode ser importantíssima para diminuir a corrupção, se é que isso será possível. Na campanha, Dilma vivia dizendo que iria propor leis contra a corrupção, como se já não existissem. Uma enganação patética. (C.N.)

Lobão, o pior ministro da História, deixa o cargo

Pedro Jacobi

O Ministro de Minas e Energia Edison já Lobão avisou ao seu staff que deve deixar o cargo já no início de novembro.  Considerado pelo setor mineral como o pior ministro a ocupar a pasta na História do Brasil, Lobão foi apontado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, na delação premiada, como um dos envolvidos na corrupção da estatal.

Não foi a primeira vez que a mídia associou o nome de Édison Lobão a casos de corrupção e, possivelmente, não será a última.  Lobão, que se “popularizou” ao chamar as pequenas empresas de mineração (junior companies) de “aventureiros e especuladores”, deixa o setor da pesquisa mineral devastado pela falta de investimentos e pelo desemprego.

Ele voltará a assumir a sua cadeira no Senado.

A grande paixão de Álvares de Azevedo

O dramaturgo, ensaísta, contista e poeta paulista Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831-1852) foi um escritor da segunda geração romântica (Ultra-Romântica, Byroniana ou Mal-do-século). No poema “Pensamentos Dela”, fala de sua grande paixão.
PENSAMENTOS DELA

Álvares de Azevedo

Talvez, a noite, quando a hora finda
Em que eu vivo de tua formosura,
Vendo em teus olhos… nessa face linda
A sombra de meu anjo da ventura,
Tu sorrias de mim porque não ouso
Leve turbar teu virginal repouso,
A murmurar ternura.

Eu sei. Entre minh’alma e tua aurora
Murmura meu gelado coração.
Meu enredo morreu. Sou triste agora,
Estrela morta em noite de verão!
Prefiro amar-te bela no segredo!
Se foras minha tu verias cedo
Morrer tua ilusão!

Eu não sou o ideal, alma celeste,
Vida pura de lábios recendentes,
Que teu imaginar de encantos veste
E sonhas nos teus seios inocentes!…
Flor que vives de aromas e luar,
Oh! nunca possas ler do meu penar
As páginas ardentes!

Se em cânticos de amor a minha fronte
Engrinaldo por ti, amor cantando,
Com as rosas que amava Anacreonte,
É que alma dormida, palpitando…
No raio de teus olhos se ilumina,
Em ti respira inspiração divina
E ela sonha cantando!

Não a acordes contudo. A vida nela
Como a ave no mar suspira e cai…
Às vezes, teu alento de donzela
E de teus lábios o morrer de um ai,
Tua imagem de fada, num instante
Estremecem-na, embalam-na expirante
E lhe dizem: “sonhai!”

Mas quando o teu amante fosse esposo
E tu, sequiosa e lânguida de amor,
O embalasses ao seio voluptuoso
E o beijasses dos lábios no calor,
Quando tremesses mais, não te doera
Sentir que nesse peito que vivera
Murchou a vida em flor?

                                (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

 

Temos uma oposição fraca, muito fraca mesmo

Antonio Fallavena

Quando técnicos afirmaram que a urna não é segura; quando os ministros do Tribunal Superior Eleitoral se negam a ouvi-los; quando nenhuma outra nação utiliza o mesmo sistema– por favor, algo há de errado ou, no mínimo, inseguro o suficiente para ser manipulado.

Se os técnicos afirmaram a viabilidade de manipulação, por que não permitiram análise plena no sistema? Se a urna é invulnerável, por que os técnicos não foram processados pelo TSE? Por quê?

A coisa já passou do razoável e atingiu, em cheio, o absurdo. Num país de fraudes, em todas as áreas, só as eleições seriam respeitadas? Após 12 anos de poder, com domínio total dos fatos, dos atos e dos atores, nem o PT como partido e nenhum petista tem moral ou capacidade para dizer que os “tucanos cometeram crimes”.

OPOSIÇÃO FRACA

Os candidatos de oposição, ao contrário de aceitarem as regras impostas, deveriam ter se negado a participar do processo e denunciá-lo ao mundo! Pergunto: o que mais precisa ser provado e comprovado para chegar-se a conclusão de que os governos petistas estão envoltos em corrupção e são coniventes com ela? Do jeito que está, nem declaração por escrito, com firma reconhecida e testemunhas bastará.

Por quê? A oposição é medíocre, não sabe fazer nada, sem coragem, sem liderança. Estão com medo do que? Acusações contra o que fizeram no passado? Se fizeram, quem cobrará? Nem o PT com ameaças e denúncias, em 12 anos no poder e com tribunais nas mãos, fez o quê?

ANTIGOLPISMO

E a sociedade que deseja mudança e quer seu país de volta? Alguns dirão que é “golpismo contra um governo democrático e contra a democracia”. Golpismo? Não! Golpismo é quando se ataca governo sério, nacionalista.

O atual, por acaso, é assim? Na verdade, estará sendo feita uma ação antigolpismo. Aliás, temos de pensar seriamente em agir, judicialmente aqui e em tribunais internacionais, para acusar os três governos petistas pelas múltiplas irregularidades. Isto aqui está caindo de maduro.

Aécio deu aval ao pedido de auditoria das eleições

Carlos Sampaio (PSDB): “Clima de insegurança”

Deu em O Tempo

O deputado federal Carlos Sampaio (SP), coordenador jurídico do PSDB, disse que o senador Aécio Neves, candidato derrotado à Presidência, deu aval para o pedido de auditoria do resultado das eleições protocolado na quinta-feira pelos tucanos.

“Falei com Aécio pelo telefone. Disse a ele que fizemos uma discussão no grupo jurídico porque vimos que se instalou um clima de insegurança em relação ao sistema de votação. Ele disse que não se opunha e deu aval (para o pedido de auditoria)”, afirmou Sampaio.

Em petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido pediu abertura de um processo para verificar o sistema de votação e de totalização dos votos com a criação de uma comissão de especialistas indicados pelos partidos políticos.

O resultado oficial das eleições para a Presidência da República foi proclamado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dias Toffoli, na terça-feira. A candidata do PT à reeleição, Dilma Rousseff, obteve 51,64% dos votos válidos, e Aécio Neves recebeu 48,36%.

Com a homologação do resultado, Dilma poderá ser diplomada pela Justiça Eleitoral. A data ainda não foi definida pelo TSE, mas a diplomação tem que ocorrer, no máximo, até 19 de dezembro, prazo estipulado pela Lei Eleitoral.

NA REDE. Na última quinta-feira, Aécio divulgou um post em seu perfil no Facebook agradecendo a marca de mais de 4 milhões de seguidores – curiosamente, pouco mais do que os 3,5 milhões de votos que garantiram a vitória de Dilma nas urnas. A página oficial da presidente na rede social tem 2,1 milhões de seguidores.

Sobre o pedido de auditoria no resultado das eleições presidenciais, Aécio e sua equipe de comunicação comentaram no Facebook: “O partido requer a análise de cópia dos boletins de urna de todas as seções eleitorais do país e todos os documentos que contenham dados da apuração. Tenham certeza de que Aécio está ciente das manifestações que se espalharam pelas redes sociais com denúncias de possíveis fraudes e continuará lutando para que sejam esclarecidas”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO deputado Carlos Sampaio precisa reforçar o pedido de auditoria, anexando as novas provas surgidas, inclusive o anúncio da vitória de Dilma feito na internet pelo dirigente petista José Eduardo Greenhalg às 19h26m, quando Aécio ainda estava vencendo a apuração. E o site do PT divulgava o número final de votos de Dilma às 19h35m, com incrível precisão, proclamando que ela teve (teria) 51,57%, com um erro mínimo, de apenas 0,7%. (C.N.)

 

O estelionato eleitoral e a armadilha da renda média

Fernando Dantas
Folha

A elevação da Selic pelo Copom e indicações, ainda incipientes, de que o governo pode fazer um ajuste mais duro da política fiscal em 2015 deram margem à discussão sobre “estelionato eleitoral”. Entram também neste debate as especulações sobre quem será o novo ministro da Fazenda da presidente Dilma Rousseff no segundo mandato.

Circulam na imprensa informações insistentes de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria indicado Luiz Carlos Trabuco e Henrique Meirelles, de cujos currículos consta o fato de terem alcançado a cúpula de comando do sistema financeiro privado. Trabuco é presidente do Bradesco e Meirelles foi presidente internacional do BankBoston, além, é claro, de ex-presidente do Banco Central no governo Lula. Uma solução intermediária para a Fazenda, que não feriria a militância com a opção pelo alto escalão das finanças, mas que ainda assim seria confiável para o mercado, recairia no economista Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda.

Os críticos do “estelionato” – ainda a se confirmar, diga-se de passagem – alegam que uma virada ortodoxa representaria uma contradição frontal com o discurso de campanha de Dilma Rousseff. Afinal, no primeiro turno, para desconstruir Marina, a propaganda da presidente reeleita disse que sua adversária queria entregar o Banco Central ao sistema financeiro, o que poderia inclusive afetar a segurança alimentar da população. A razão para a crítica foi o fato de Marina ter defendido a independência do BC em seu programa.

No segundo turno, quando as baterias do PT voltaram-se contra Aécio Neves, o discurso básico de Dilma e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi o de que um eventual governo tucano, liderado na parte econômica por Armínio Fraga, ex-presidente do BC, faria um ajuste recessivo na economia brasileira, provocando desemprego. A correção viria com forte elevação de juros e drástico aperto fiscal, o que significaria eliminar isenções tributárias e subsídios – que, segundo Mantega, são a marca registrada da visão de política industrial petista rechaçada pelo liberalismo tucano.

GRAU DA MEDICAÇÃO

Mesmo que os sinais iniciais de virada ortodoxa no início do segundo mandato de Dilma se confirmem, é muito provável que o debate sobre estelionato eleitoral fique inconcluso. A razão é que a presidente e seus defensores sempre podem alegar que a diferença está no grau da medicação.

Assim, poucos analistas contestam o fato de que qualquer correção dos atuais desequilíbrios da economia brasileira envolve elevação ainda maior dos juros, que só será eficaz se esfriar o mercado de trabalho. Além disso, um ajuste fiscal minimamente sério hoje deve incluir revisão de subsídios e isenções. O governo, entretanto, pode alegar que seus adversários fariam tudo isso de forma mais intensa caso tivessem chegado ao poder. Pouco importa, aliás, o fato de que Aécio e Fraga disseram que, dado o ganho de confiança se vencessem, poderiam obter mais com menos, comparados à Dilma. Como quase sempre ocorre nos discursos contrafactuais, cada um diz o que quer e acredita no que desejar.

TRANSIÇÃO INCOMPLETA

Existe, porém, um outro lado na questão do estelionato eleitoral, sobre o qual há menos debate e preocupação, mas que provavelmente é mais importante. O Brasil, como boa parte da América Latina, está preso à chamada “armadilha da renda média”, que é a transição incompleta da pobreza ao desenvolvimento – os países param de convergir para o nível do mundo rico quando atingem uma situação intermediária de renda e de padrões socioeconômicos em geral.

Superar a armadilha da renda média, como mostra a experiência dos países asiáticos (especialmente no caso exemplar da Coreia), exige uma mobilização nacional em torno de objetivos ambiciosos que não serão atingidos sem que a sociedade entenda que determinados esforços e sacrifícios têm que ser feitos.

FÔLEGO CURTO

A busca de equilíbrio macroeconômico, competitividade exportadora, aceleração da produtividade, excelência educacional, eficiência e solidez financeira do Estado, investimentos pesados em infraestrutura e aprimoramento do ambiente de negócios – enfim, uma agenda de desenvolvimento – não se faz sem perdas permanentes para grupos específicos e eventuais sacrifícios temporários para a sociedade como um todo.

Assim, uma guinada ortodoxa na política econômica na esteira de uma campanha populista vitoriosa pode colher alguns benefícios de curto prazo na economia, mas tem fôlego curto. Qualquer ganho imediato provavelmente será combustível para novos surtos de complacência, embalados pela economia política – a sociedade não está preparada para a longa e por vezes dura marcha da convergência econômica. Que quase todas as fases de boom econômico da nossa história recente tenham redundado em crescimento muito mais expressivo do consumo do que dos investimentos é sintomático da armadilha da renda média. Para superá-la, não basta episodicamente fazer a coisa certa. É preciso sistematicamente fazer, falar e pensar a coisa certa.