A escabrosa história de José Dirceu, as ramificações do PT, o Hotel St. Peter (e a família de Eduardo Paes)

Políbio Braga

Ao oferecer emprego de R$ 20 mil mensais para José Dirceu, o dono oculto do Hotel St. Peter, José Abreu, revelou-se dono do PTN, partido da base de Dilma, dono de ampla rede de rádios, e candidato à mão da antiga TV Excelsior. Ele mantém tudo em nome de laranjas e com holding registrada no Panamá. Agora, o “dono” de mentirinha da sua holding, revela-se também dono de empresas da família do prefeito do Rio. A história continua. O PT não aprende.

Está cada dia mais escabrosa a história iniciada com a decisão do mensaleiro José Dirceu trabalhar no Hotel St. Peter, Brasília, em troca de R$ 20 mil mensais.

O “dono” do Hotel St. Peter, José Eugenio Ritter, um panamenho pobre, funcionário do escritório de advocacia Morgan y Morgan, surge agora como “dono”, também, de duas empresas pertencentes aos pais e irmã do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes: Conval Corporation e Vittenau Corporation, criadas em 12 de junho e 19 de junho de 2008, ano em que Paes se elegeu pela primeira vez.

Pertencem a Valmar Souza Paes, pai do prefeito, Consuelo da Costa Paes, a mãe, e Letícia da Costa Paes, a irmã. Cada uma possui capital social de US$ 4 milhões, ou seja, US$ 8 milhões que equivaleriam a cerca de R$ 20 milhões no câmbio atual.

APURAÇÃO

O caso do Hotel St. Peter já começou a ser investigado por líderes da oposição, como o senador Álvaro Dias, depois de denúncias feitas  pelo Jornal nacional, que mandou uma equipe para  a cidade do Panamá, onde entrevistou o “dono” do empreendimento, José Eugênio Ritter, surpreendido numa casa modesta nos arredores da Capital, lavando seu carro velho.

O Jornal Nacional descobriu que o verdadeiro dono do Hotel St. Peter é um conhecido político, aliado do governo da presidente Dilma Rousseff e do PT: Paulo Masci de Abreu, irmão de José Masci de Abreu, presidente do PTN, partido que em 2010 apoiou a eleição da presidente Dilma. Paulo Abreu, dono da Rede Mundial de Comunicação, que controla as emissoras de rádio Tupi FM, Tupi AM, Mundial, Kiss FM, Scalla FM, Apollo FM, Iguatemi Prime FM, Terra AM, Terra FM e BR FM, entre outras.

Ele também comprou do grupo Abril as operações da TVA em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba – três das principais praças comerciais do Brasil. Além disto, José Abreu quer o retorno da TV Excelsior, fechada em 1970, e já recebeu aval da cúpula do Ministério das Comunicações, dependendo agora de um decreto de anistia que precisa ser assinado pela presidente Dilma Rousseff.

DECRETO

O decreto já está na escrivaninha da petista. Para isso o empresário Paulo Abreu, que é próximo do deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), conta com a simpatia de petistas cinco estrelas, como Sigmaringa Seixas e os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Paulo Bernardo (Comunicações).

Esta cadeia de interesses de Paulo Abreu parece ter despertado a ira da Rede Globo, que quer fustigar um possível concorrente, temendo até mesmo o advento de um “laranja” do PT que mais tarde possa transformar a rede dos Marinho numa espécie de Globovision.

 

Platini e a velocidade do futebol

Tostão
O Tempo

Michel Platini, em uma entrevista à “Folha”, disse que o futebol nunca esteve tão rápido e tão bom. Concordo, em parte. Essa associação de intensidade, velocidade e de grande qualidade técnica só vemos em algumas poucas partidas das grandes seleções e, principalmente, nos melhores times europeus, que contratam os craques de todo o mundo.

As poucas grandes equipes marcam e atacam com muitos jogadores. Alternam a marcação por pressão com a mais recuada. Os jogadores se misturam, trocam de posição e realizam várias funções. Privilegiam a troca de passes e as triangulações. Atuam no limite entre o esplendor físico e a exaustão. Daí, a necessidade de ter grandes e bons elencos.

Na Copa, por causa do calor (um absurdo jogar às 13h), da umidade, do cansaço de fim de temporada na Europa, da impossibilidade de um jogador se recuperar de uma partida para outra e pelo fato de nenhuma seleção ter tantos craques, como possuem os melhores times do mundo, teremos muitos jogos fracos e sonolentos, mesmo entre grandes seleções.

Não dá para ter certeza sobre o que vai acontecer antes de a bola rolar. Gostaria de ser um arqueólogo do futebol para tentar saber o que ocorre antes do fato, antes do gol, no silêncio, na trama dos bastidores, pelo menos para chegar à conclusão que tudo, ou quase tudo, surge no momento.

MELHORES DO ANO

Na entrega da Bola de Prata, promovida pela revista “Placar” e pela ESPN, tinham cinco jogadores do Cruzeiro (Fábio, Mayke, Dedé, Nilton e Everton Ribeiro) e um do Atlético (Tardelli). Acho que Marcos Rocha merecia mais que Mayke, uma promessa, mas que era reserva. Foi belíssima a homenagem a Dirceu Lopes, que recebeu a Bola de Ouro de 1971.

O Fluminense possui dois jogadores, Fred e o lateral-esquerdo Carlinhos, que seriam ótimos reforços para o Cruzeiro. Apesar de Alex ter sido um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, sua contratação seria um risco, por ser caro, por estar em fim de carreira e pelo fato de o Cruzeiro ter dois bons jogadores na posição (Ricardo Goulart e Júlio Baptista).

STJ decide que planos de saúde não podem restringir tipos de tratamento médico

Da Agência Brasil 

Brasília – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que as operadoras de planos de saúde podem fixar nos contratos as doenças que serão cobertas, mas não podem estipular tipo de tratamento que será utilizado pelo médico. O caso foi decidido em um processo em que empresa Itauseg Saúde S/A negou-se a autorizar procedimento que usa um robô para tratar um paciente com câncer.

De acordo com informações do processo, a empresa cancelou a autorização para uma cirurgia após constatar que o procedimento seria feito com o auxílio de robô. Segundo o medico da paciente, o tipo de tratamento era indispensável para a evitar a evolução da doença.

De acordo com a ministra Isabel Gallotti, relatora do processo na Quarta Turma do STJ, as operadoras não podem negar acesso a procedimentos mais modernos para fazer o tratamento.

“Sendo certo que o contrato celebrado entre as partes previa a cobertura para a doença que acometia o autor da ação, é abusiva a negativa da operadora do plano de saúde de utilização da técnica mais moderna disponível no hospital credenciado pelo convênio e indicado pelo médico que assiste o paciente, nos termos da consolidada jurisprudência deste tribunal sobre o tema”, diz a ministra.

Dossiê Siemens: aloprados e poderosos

Carlos Sampaio

Folha

É fácil reconhecer que o caso Siemens segue o roteiro de praxe do PT para prejudicar seus adversários. No enredo petista, sempre tem um dossiê com documentos falsos contra a oposição e, quando descoberta a fraude, nega-se até a morte. Coisa de artista.

O PT se especializou nessa arte. Começou na eleição de 1998, quando estimulou a divulgação do dossiê das Ilhas Cayman contra tucanos. Em 2005, em meio à CPI do Mensalão, surgiu a Lista de Furnas, encomendada por dois deputados petistas.

No episódio dos “aloprados”, em 2006, dois petistas foram presos com mais de R$ 1 milhão para a compra de um dossiê contra o então candidato ao governo do Estado de São Paulo, José Serra.

Já na CPI dos Cartões Corporativos, em 2008, que avançava na investigação dos gastos do então presidente Lula, a imprensa descobriu um dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

E na campanha eleitoral de 2010, dados sigilosos da família de Serra foram encontrados num dossiê em posse da equipe da pré-campanha de Dilma Rousseff.

Agora, em meio às prisões dos mensaleiros, eis que o PT consegue engendrar mais uma fraude. O enredo, desta vez, não envolve mais o churrasqueiro preferido de Lula ou seu faz-tudo, como no episódio dos “aloprados”, mas o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, seu subordinado, o presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Vinícius Carvalho, e um deputado estadual de alta patente no partido, Simão Pedro.

ESCONDENDO A FILIAÇÃO
Carvalho havia sido chefe de gabinete de Simão Pedro, autor de denúncias de cartel em obras do PSDB de São Paulo, e, anos mais tarde, foi alçado à presidência do Cade. Chegou lá, registre-se, escondendo sua filiação ao PT. Depois de alguns encontros com seu ex-chefe, revelados pela imprensa, promoveu um acordo de leniência com a Siemens e abriu a investigação tão almejada por Simão Pedro.A partir daí começaram a vazar documentos à imprensa tentando envolver membros do PSDB na denúncia de cartel e de recebimento de propina.E como o ministro Cardozo entrou na trama? Pressionado pela imprensa, ele admitiu ter enviado uma carta-denúncia sem assinatura que citava três governadores de São Paulo e quatro secretários de Estado à Polícia Federal dois dias depois de o Cade negar tê-lo feito. E a história fugiu do script petista, assim como no caso dos aloprados.Descobriu-se, primeiramente, que na carta-denúncia apócrifa, recebida pelo ministro em sua residência, o tal “denunciante” dizia que estava denunciando o malfeito, mas pedia em troca um cargo na Vale do Rio Doce.

Depois, descobriu-se que na tradução do inglês para o português da tal denúncia foram enxertados os nomes dos tucanos. Com a trama descoberta, o ministro Cardozo reuniu a imprensa para dizer que cumpre a lei e que não se tratava de uma tradução, mas de documentos diferentes, embora no índice do processo entregue à PF conste como sendo uma tradução.

O que o ministro alega que fez a mando da legislação não passou de uma estratégia para emplacar uma denúncia contra o PSDB.

DOSSIÊS FAJUTOS
Em um governo sério, o presidente do Cade e o ministro já teriam sido afastados e se daria celeridade às investigações sobre o cartel, sobre o qual o PSDB tem total interesse. Mas, infelizmente, estamos diante de um governo que nutre verdadeira paixão por dossiês fajutos.O PSDB não se curvará inerte. Enquanto os responsáveis por mais essa fraude não forem afastados de seus cargos, não descansaremos.O nosso papel será o de impedir que essa fraude prevaleça e que as investigações sobre o cartel sejam seletivas e então denunciar o uso de órgãos do governo com finalidades político-partidárias.

(artigo enviado por Mário Assis)

A intangível beleza, na poesia de Abgar Renault

O professor, tradutor, ensaísta e poeta mineiro Abgar de Castro Araújo Renault (1901-1995) descreve, neste poema, a “Intangível Beleza” de uma mulher que surge como uma sereia.
A INTANGÍVEL BELEZA
Abgar Renault

Saiu da mão direita de Deus e é contemporânea do Gênesis.

Seus curvos braços, feitos para fecharem-se,
ainda estão imóveis, em golfo abertos,
friamente, diante de todas as águas,
com seus peixes, suas ondas, seu sal cheio de música.
Apenas os estremece, às vezes, um ritmo de fuga ante o esplendor do fogo próximo.

Compõem sua boca as curvas do infinito e a luz,
e habitam seus olhos de maio e de distância
os vocábulos de oculto país, verdes, esveltos e evasivos.

O romper do dia espera o alvorecer dos seus pés no chão,
caem as noites e murcham os coraçõe ao esmorecer de suas pálpebras,
e as tardes refugiam-se em seus cabelos de crepúsculo.

Seu ser interior e corporal é a linfa de uma fonte ausente:
pensá-lo é escalar o vértice, regressar às origens,
ver a poesia nascendo e projetando no mundo o seu mistério.

Que gesto apartará as colunas e separará terras e águas?
Que tacto se deslumbrará nos brancos astros?
Que lábio incendiará a ânfora no abismo?

(Do ninho de suas mãos obscuros pássaros cantam:
sua beleza é uma ilha de nenhum mar.)

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

A segunda morte de Mandela

Ricardo Melo
Folha

Para governantes de uma geração que mal sabe que CNA é a sigla de um partido que liderou a luta contra o racismo na África do Sul, a “unanimidade” em torno de Nelson Mandela vem a calhar. Quem entoa melhor o coral da falsidade é, sem dúvida, o arcebispo Desmond Tutu, em artigo para o jornal inglês “The Guardian” reproduzido nesta Folha.

“Mantenho que seu período [de Mandela] na prisão foi necessário porque, quando foi preso, estava cheio de raiva (…) ele não era um estadista, disposto a perdoar -era um comandante em chefe da ala armada do partido, que estava inteiramente disposta a recorrer à violência. O tempo que ele passou na prisão foi crucial (…) a prisão foi uma prova de fogo que queimou tudo que era ruim.”

Mandela passou 27 anos enjaulado. Viveu num buraco inferior a quatro metros quadrados para “queimar tudo que era ruim”. O que significou uma das grandes atrocidades do nosso tempo é difundido agora como estágio para estadista. Que isso venha da boca de um religioso, dá para entender. Religiões normalmente se prestam a esse papel -convencer fiéis a se conformar com o presente (ou a dar presentes…) em nome de um futuro redentor, ainda que na claustrofobia de um caixão.

Tão verdadeiro quanto isso é a patacoada ensurdecedora sobre o homem da transição pacífica, que venceu o racismo sem derramar sangue, o arquiteto da paz sem violência etc. etc Pacífica, cara-pálida? Só para citar dois eventos: a chacina de Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou pelas costas e matou mais de 70 opositores. O outro foi em Soweto, em 1976, que terminou com a morte de mais de 700 estudantes. Há inúmeros momentos como esses na história sul-africana, devidamente apagados dos registros pelo governo racista com a conivência internacional.

Seria apenas trágico, não fosse absolutamente trágico, assistir aos representantes de plantão das grandes potências renderem homenagem a Mandela.

CIA E TATCHER

Um dos regimes mais odiosos da história, o apartheid durou oficialmente quase meio século. Onde estavam esses países durante todo o tempo em que negros eram tratados como coisas, Mandela mofava na prisão e milhares de vidas desapareciam? Algumas pistas: a prisão de Mandela em 1962 teve a ajuda da CIA e a idolatrada Margaret Thatcher lutou até o fim para impedir o “terrorista” de deixar a cadeia. E por aí foi.

“Bem, a ONU aprovou um embargo”, apressam-se os cínicos. Alguém tente lembrar como essa cortesia diplomática livrou um único cidadão das garras de P.W. Botha, o gorila que promovia pogroms sistemáticos contra a maioria negra. Será tão fácil quanto provar a existência de Deus ou que uma roda é quadrada. Mal comparando, o embargo lembra acordos de destruição de armas químicas, que libera ditadores para matar aos magotes, desde que à bala, e não por asfixia.

Nada disso reduz a importância de Nelson Mandela como símbolo de luta, persistência e tolerância. Fez a parte dele, mas dentro de um combate em que houve de tudo, menos o primado do pacifismo. Mandela não tem culpa do uso bastardo de sua imagem. Fossem sinceros, os poderosos que montam fila para reverenciá-lo deveriam, no mínimo, deixar de perseguir opositores em seus próprios países, pedir desculpas ao povo da África do Sul e oferecer meios de ressarcir materialmente os anos de cumplicidade com o racismo.

Uma metáfora da vida que prossegue apareceu um dia após a morte de Madiba. Foi no sorteio da Copa do Mundo. O minuto de silêncio em homenagem a Mandela mostrou-se concessão demasiada -durou minguados 12 segundos. E a dupla brasileira encarregada de apresentar a cerimônia (ao que se diz, e sem nada pessoal contra ninguém) foi trocada pelos organizadores. Em vez de Camila Pitanga e Lázaro Ramos, subiu ao palco um casal mais parecido com representantes de afrikâners.

(artigo enviado por Mário Assis)

Planos de saúde terão de cobrir exames de 29 doenças genéticas

Da Agência Brasil

Brasília – A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicou normas que ampliam a cobertura obrigatória dos planos de saúde para exames de 29 doenças genéticas. A medida começa a valer no dia 2 de janeiro de 2014, assim como o novo rol de procedimentos obrigatórios dos planos.

Um dos exames que deverá ser oferecido é para a análise dos genes BRCA1/BRCA2, usado na detecção de câncer de mama e ovário hereditários.

Outro incluído na lista é o teste para a diagnóstico da síndrome de Lynch, doença que aumenta o risco de câncer intestinal e outros tumores.

De acordo com a ANS, testes genéticos já eram obrigatórios, e com as novas diretrizes, ficam definidos critérios para uso da tecnologia e tratamento dessas doenças. No total, foram acertadas 22 normas relacionadas à assistência, ao tratamento e aconselhamento de doenças genéticas. Uma das exigências, por exemplo, é que o exame seja prescrito por um geneticista.

A lista com as doenças abrangidas está disponível no site da ANS.

Falso intérprete de sinais em memorial de Mandela revolta surdos

Andrei Netto

A África do Sul descobriu nesta quarta-feira, 11, com um tanto de choque e indignação e outro de bom-humor, que o tradutor da cerimônia em homenagem a Nelson Mandela na terça-feira, no estádio FNB, em Soccer City, era um impostor.

O homem estava encarregado de fazer a tradução dos discursos para a linguagem dos sinais, para surdos e mudos, e foi uma das pessoas que mais apareceu em uma solenidade que reuniu mais de 90 chefes de Estado e de governo, entre os quais os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e do Brasil, Dilma Rousseff.

A descoberta foi feita por surdos e mudos que acompanhavam a solenidade e foi denunciada ontem por associações como a Federação Mundial de Surdos. E eles não encararam o assunto com bom-humor.

Segundo o intérprete oficial da Federação de Surdos da África do Sul, o falsário não conhece a linguagem dos sinais que fingiu interpretar. “Ele gesticulava e apenas mexia as mãos para todos os lados, sem nenhuma gramática, sem utilizar nenhuma estrutura. Ele não conhecia nenhuma regra da língua” , analisou. “Ele não traduziu nada, porque nenhum de seus gestos fazia nenhum sentido.”

(reportagem enviada por Celso Serra)

Ausência do Estado

Vicente Nunes

Correio Braziliense 

Desde a última quinta-feira, quem se aventurou a embarcar em um dos aviões da Gol enfrentou um mar de descaso e desrespeito. Por total incompetência da empresa, que não consegue se preparar para o período de chuvas, milhares de pessoas foram submetidas a atrasos, cancelamentos de voos, falta de informações e agressões verbais. Esse caos atingiu o ápice no sábado, quando mais de 300 decolagens saíram bem depois do horário previsto, a maioria esmagadora da Gol.

Esperava-se que, com os problemas se agravando desde a quinta-feira, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), responsável por regular e fiscalizar o sistema aéreo brasileiro, agisse a tempo e a hora, de forma a exigir que a Gol e a TAM, que também estava com problemas, apresentassem um plano de emergência para minimizar os estragos aos consumidores.

Mas, em vez de partir para cima das companhias, o presidente da Anac, Marcelo Guaranys, optou por curtir um show, no sábado à noite, de Ivete Sangalo. Na pista de dança, pulou e cantou, enquanto muitos passageiros nem sequer sabiam se conseguiriam embarcar e chegar ao destino. Mesmo tendo pagado caro pelos bilhetes aéreos.

Nada contra Guaranys ir ao show de Ivete. Ele tem todo o direito de se divertir, como qualquer mortal. Mas não naquele dia, em que milhares de pessoas, que pagam impostos elevadíssimos para sustentar a pesada e ineficiente máquina pública, que inclui a Anac, enfrentavam um calvário para apenas receber, de forma digna, o serviço pelo qual pagaram. Mesmo que estivesse na igreja rezando, Guaranys não estaria cumprindo o seu dever, de exigir uma resposta rápida da Gol e da TAM. Na função que exerce, deveria estar de prontidão.

Inquérito que investiga cartel em licitações do Metrô de SP chega ao Supremo

André Richter
Agência Brasil

Brasília – O inquérito da Justiça Federal que investiga o suposto esquema de fraudes em licitações no sistema de trens e metrô de São Paulo chegou hoje (12) ao Supremo Tribunal Federal e será relatado pela ministra Rosa Weber. A investigação foi remetida ao Supremo devido à inclusão do nome do deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) no inquérito. Como o parlamentar tem foro privilegiado, as acusações só podem ser analisadas pelo STF. Além de Jardim, pelo menos nove envolvidos são investigados, entre eles três secretários do estado de São Paulo. A ministra Rosa Weber terá que decidir se há indícios para abertura da investigação no Supremo.

Constam também no inquérito os nomes de José Anibal (secretário de Energia de São Paulo); Edson Aparecido dos Santos (secretário da Casa Civil do governo de São Paulo) e Rodrigo Garcia (secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo). Todos são deputados federais licenciados.

Os nomes de três ex-diretores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) também aparecem na investigação: João Roberto Zaniboni, Ademir Venâncio de Araújo e Oliver Hossepian Salles de Lima. Duas pessoas ligadas a Zaniboni também tiveram os nomes incluídos, assim como Arthur Gomes Teixeira.

VÁRIOS CRIMES

No processo, são apurados os crimes de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. As investigações apontam que as empresas que concorriam nas licitações do transporte público paulista combinavam os preços, formando um cartel para elevar os valores cobrados, com a anuência de agentes públicos.

Em novembro, atendendo a uma solicitação da Polícia Federal (PF), a Justiça Federal determinou o bloqueio de cerca de R$ 60 milhões em bens de suspeitos de participar do esquema, como forma de garantir o ressarcimento dos valores desviados. Foram afetadas pela decisão três pessoas jurídicas e cinco pessoas físicas, incluindo três ex-diretores da CPTM. A solicitação foi feita após a PF após tomar conhecimento de que autoridades suíças, que também investigam as suspeitas de corrupção, encaminharam um pedido de cooperação internacional ao Brasil.

A combinação de preços entre as empresas que participaram de licitações para obras, fornecimento de carros e manutenção de trens e do metrô também é alvo de investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual.

O cartel é investigado pela Operação Linha Cruzada, feita pelo Cade em conjunto com a Polícia Federal. A investigação teve início a partir de um acordo de leniência da empresa Siemens com o conselho, que permitiu que a empresa denunciasse as ilegalidades. Documentos e cópias de e-mails trocados entre funcionários da Siemens estão sendo analisados pelo Cade e pela Justiça.

Penúltimo dia do velório de Mandela reúne milhares de pessoas

Danilo Macedo
Ag, Brasil

Pretória – No penúltimo dia de visitação pública ao caixão com o corpo do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela no Union Buildings, a sede do governo, uma multidão esteve no local. Desde o início da manhã até o fim da tarde, milhares de pessoas deram seu último adeus ao ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1993. Ontem, o acesso para o público foi aberto somente à tarde, após uma cerimônia fechada para familiares e personalidades. Hoje, no entanto, o público pode entrar a partir das 8h.

As cenas de hoje foram muito parecidas com as de ontem: céu aberto durante todo o dia, fila quilométrica para o último adeus e chuva no fim do dia. Após o velório, o caixão retornou ao Hospital Militar para passar a noite e, amanhã de manhã retorna ao palácio para o último dia do velório em Pretória.

No sábado, o corpo será transportado de avião para Qunu, cidade onde Mandela nasceu e que já se prepara a recepção. Hoje, crianças que vivem na região deixaram mensagens em um muro de tributos a Tata Madiba, apelido carinhoso do ex-presidente. A representante do Conselho para Crianças, Pemmy Majodina, convidou os meninos e as meninas de Qunu para se juntarem à corrente humana do aeroporto local até a casa de Mandela.

Segundo ela, a expectativa é de que o cortejo reúna 1 milhão de pessoas ao longo do percurso. “Será a primeira e única oportunidade para o povo da região prestar sua homenagem e dizer adeus ao homem que ajudou as crianças em uma das regiões mais pobres do país”, disse Pemmy.

Aposentadorias achatadas

http://1.bp.blogspot.com/_Mc6hSIUqSgg/SwE7plFz8aI/AAAAAAAACCg/TmGS1ccznAg/s1600/Charge+do+S.+Salvador+-+Estado+de+Minas.jpgRenato Follador
Gazeta do Povo – PR

Sempre me perguntam: o governo vai repor as perdas que as maiores aposentadorias tiveram como decorrência da correção do salário mínimo? Resposta: não. Vai continuar repondo só a inflação, uma obrigatoriedade pós-Constituição de 1988, pois até então ela nem era repassada integralmente para as aposentadorias, o que era uma forma de cortar benefícios.

Mas os aposentados de maior renda acham que isso não basta e pleiteiam a mesma correção da aposentadoria mínima do INSS, que equivale ao salário mínimo e prevê, além do INPC, um aumento real equivalente ao crescimento do PIB de dois anos antes.

Mantida a atual política, há um achatamento gradativo das maiores aposentadorias. Se projetarmos para o futuro a diferença média anual nos últimos dez anos – que dá 2,28% –, quem se aposentar após 2018 vai ganhar, no máximo, o equivalente a cinco salários e quem se aposentar após 2038, somente três salários mínimos (ou R$ 2.034 de hoje). Sobre isso, haverá o fator previdenciário, que pode reduzir ainda uns 40% da aposentadoria de quem se aposenta precocemente.

Na década de 70, o INSS pagou 20 salários; na década de 80, 15 salários; na década de 90, dez salários; nos anos 2000, 7,5 salários; e, hoje, paga 6,3 salários, no máximo; e vai continuar a diminuir. Para quem acha que, após aposentados, a correção monetária basta (e duvida da perda de seu poder aquisitivo), cito dois exemplos: um é o das despesas crescentes com saúde e medicamentos na terceira idade. Outro é a despesa com serviços dos quais o idoso depende (como, por exemplo, a empregada doméstica) e que têm o reajuste anual do salário mínimo. Pois só por causa dessa despesa, um aposentado com cinco salários que tem uma empregada de um salário mínimo vai perder o poder aquisitivo em 12% em 20 anos.

OFERTA E PROCURA

Por outro lado, enquanto produtivo, o trabalhador está sujeito à lei da oferta e demanda no mercado de trabalho e usa-se o salário mínimo como parâmetro para muitos acordos coletivos. Na sua esteira, carreiras são reestruturadas e readequadas, e categorias profissionais conseguem conquistas salariais além da mera correção monetária. Prova disso é que, só no ano passado, em 86% dos 91 acordos coletivos das maiores categorias houve um aumento real médio, acima do INPC, de 1,4 ponto porcentual.

Como ao teto do INSS (hoje de R$ 4.159) aplica-se a regra da correção das maiores aposentadorias (só o INPC), o padrão salarial dos trabalhadores mais qualificados vai se distanciando gradativamente desse teto e mais desprotegidos previdenciariamente eles ficam. Resultado: cresce a necessidade de previdência privada para manter o nível de renda do fim da carreira. Daí o notável aumento dos depósitos em PGBLs e VGBLs, que passaram de um patrimônio acumulado de R$ 50 bilhões para R$ 350 bilhões em uma década.

O maior propagandista da previdência privada é o INSS, com sua incapacidade de manter as maiores aposentadorias nos níveis praticados anteriormente. Para quem imagina estar ganhando acima de três salários no fim da carreira e espera providências do governo, vale a máxima: de onde a gente menos espera que venha alguma coisa… é que não vem nada mesmo. Por isso muitos já fizeram uma previdência privada.

Outros, desinformados ou preguiçosos, se acomodam. Para estes, um alerta: a preguiça caminha tão lentamente que a pobreza não precisa se esforçar muito para alcançá-la.

(artigo enviado por Mário Assis)

Com a dupla Debi e Lóide no governo, o Rio de Janeiro vive uma fase deprimente

Carlos Newton

O povo teve muita esperança nos dois. Quando Sergio Cabral Filho surgiu na política, na aba do pai, que era vereador, e do sogro, Gastão Neves, diretor da Paranapanema e sobrinho de Tancredo Neves, parecia que se tratava de um jovem ético e idealista.

O pai, que sempre se declarou comunista e até hoje frequenta a roda dos velhos camaradas, descaminhou e deu um jeito de ser nomeado para o Tribunal de Contas do Município. O filho, na primeira oportunidade que teve, candidatou-se a prefeito pelo PSDB, mesmo sem chances, e começou a fazer fortuna com as famosas “sobras de campanha”. Depois, eleito presidente da Assembléia, aliou-se ao deputado Jorge Picciani e tornou um dos maiores corruptos da política brasileira.

Seu padrinho no PSDB era o ex-governador Marcello Alencar, que chegou a denunciar o enriquecimento ilícito do afilhado, mas não pode ir em frente, porque Cabralzinho ameaçou com um dossiê sobre Marco Aurelio Alencar, filho de Marcello, que então recolheu os flaps, como se diz na linguagem aeronáutica.

NO PAPEL DE LÓIDE

Como na série de comédias de Hollywood, Cabralzinho é o Debi e seu pupilo Eduardo Paes faz o papel de Lóide, com grande maestria. Criado na Barra da Tijuca, o prefeito não conhece a cidade, especialmente o Centro. Altamente irresponsável e delirante, é capaz de derrubar o mais importante viaduto do Rio, sob o argumento de que enfeia a cidade, e consequentemente criar um dos maiores engarrafamentos do mundo.

Na primeira chuva forte, seus planos foram literalmente por água abaixo, desculpem o inevitável jogo de palavras. E ainda bem que não chegou a concretizar seu outro projeto genial e mirabolante – a transformação da Avenida Rio Branco em rua de pedestres. Se o fizesse, seria caso de internação compulsória no Hospital Pinel.

Agora, a honorabilidade de Eduardo Paes também despencou, com a revelação das contas no Panamá, abertas em nome do pai, da mão e da irmã, no valor total de R$ 20 milhões. Ou seja, além de idiota e debilóide, o rapaz é também corrupto, vejam quanto talento.

E a culpa é nossa, que colocamos essas raposas para tomar conta dos galinheiros. Os dois deveriam estar atrás das grades, juntos com Luiz Fernando Pezão, que contratava as obras com a Delta de Fernando Cavendish, e com Sergio Cortes, o secretário de Saúde, que faz papel de Médico e de Monstro. Além, é claro, do empresário Arthur Cesar, o rei das concorrências fraudadas e grande peça do “esquema”.

Ah, que saudades do meu Rio de Janeiro…

 

A política de cotas (e o divide e impera)

Humberto Guedes

Infelizmente, cogitarem de cotas parlamentares para os hiper-melanínicos congênitos (negros, morenos etc.), não é demais não, é apenas desdobramento lógico de um princípio equivocadíssimo: a política de cotas para o que quer que seja.

As mulheres não ocupam mais lugares nos parlamentos, simplesmente, porque o povo, do qual são maioria, senão, equivalente percentual, não as elegem, e a maioria delas não se interessa pelas vias político-partidárias, pelo mesmo motivo se dá no caso os “negros” (se podemos dizer assim).

Os “negros” teriam dificuldade para acessar ensino público ou privado superior pelo mesmo motivo de não terem educação adequada. E a causa está na concentração de riqueza, e nisso não estão sozinhos, pois, o “branco” pobre está, ali, juntinho a eles na subcondição econômico-social, desfrutando do mesmo miserê, bem além da farsa da classe média.

Esta mentalidade, diga-se, de aritmética primária, de razão e proporção, agora, melanínico-étnico-sexual, como expressão da representatividade social equânime, diga-se, revestindo-se do melhor e miserável sentido mercantil, somente tem lugar uma vez obsedadas as mentalidades por abstracionismos infensos à realidade, sempre, multifacetada e aleatória.

VIÉS CONTABILISTA

Além disso, essa obsessão-compulsiva de viés contabilista fomenta divisões sociais, e consequentemente, disputas entre nós mesmos, pondo pá de cal sobre a tumba da solidariedade social, enquanto os maganos e os potentados, estrangeiros ou estrangeirados, fazem a festa sobre nós – viva o regime do “divide e impera”!

É preciso ter em mente que números não traduzem qualidade, nem natureza, enfim, a vida-viva, a vida real, e usá-los para fundamentar participações destas e congêneres suscita a exclamação de Heráclito sobre seu contemporâneo Pitágoras*, que o tinha por embusteiro (a coisa não era nada boa para este, pois seus discípulos foram refugiar-se na Itália de Roma onde, sim, fizeram sucesso, sobrevivendo, na Grécia, tão-só, em guetos apolíneos, isto é, de cultores da forma e das abstrações, com desprezo pela vida sensível, a traduzida pelos sensórios, e não sensível de afetação delirante, aliás, típica da histeria de todos os tempos).

Engodo, este, há muito, empreendido por qualquer tecnocrata número-contorcionista, com ou sem alta patente (pós-doutorado da vida), a empulhar-nos a cantilena de sua numerologia que a tudo hoje coloniza, não propriamente nesta ordem, mas, desde o produtivismo judiciário, com seus dispositivos gestionários, suas estatísticas estéreis de Justiça, e seus mega-super-salários, até o mito dos juros farmacônicos pelos quais a sociedade brasileira é posta a trabalhar pagando impostos destinados aos déspotas financistas beneficiários dos juros básicos (!), passando por miríade de situações da vida contemporânea.

SOB CONTROLE

Enfim, tudo a serviço de disciplina, controle e manipulação, realizando a servidão moderna, assim, à consagração da hipertrofiada libido de posses e de dominação, característica da pluto-clepto-divido-cracia de nossos dias, de tão longa duração que a próxima geração crerá tratar-se de coisa natural como qualquer necessidade fisiológica, perpetuando sua condição de cidadão servo, ou “homo sacer”** e o Estado de Exceção, pelo qual nossa Constituição e muitas vezes leis ordinárias são desprezadas.

Saudações libertárias e inconsoláveis.

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*Frags XXV e XXVI, conforme nova tradução e ordenação por Charles Kahn, em A arte e o pensamento de Heráclito, ed. Paulos, 2009.

** “homo sacer”, é o assassinável, porém não sacrificável, tamanha sua indignidade (v. (Agamben, primeiro volume da série com este nome).

O CADE, a telefonia e a segurança nacional

Mauro Santayana
(JB) – O CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica, finalmente decidiu que a Telefónica S.A, da Espanha, tem que se desfazer da sua participação direta e indireta na TIM Participações, ou procurar um novo sócio para a Vivo no Brasil.
A Telefónica aumentou, em setembro, com uma operação na Europa, sua participação no capital da TELCO, holding que possui expressiva fatia da Telecom Italia, dona da TIM.
Na ocasião, o Presidente do Grupo espanhol, Cesar Alierta, teve um encontro com a Presidente Dilma, que estava em Nova Iorque para participar da Assembleia das Nações Unidas, para tratar do assunto.
Até mesmo porque está cumprindo a lei, o CADE (e a ANATEL) tem que se manter firme, com relação a essa decisão, porque não se trata apenas de proteger as condições de concorrência – com foco no respeito aos direitos do consumidor – mas também de questão de relevante importância estratégica para o país.
Ainda ontem, o Jornal The Washington Post revelou, nos Estados Unidos, que a NSA, agência de espionagem norte-americana, monitora, diariamente, as conexões entre bilhões de telefones celulares em vários países do mundo – fora do território norte-americano – catalogando sua posição, e quem está se comunicando com quem.
A Alta-Comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, confirmou que a Organização das Nações Unidas também foi espionada, e que documentos do próprio Secretário-Geral, Ban Ki-Moon, foram vazados.
ESPIONAGEM
A espionagem, segundo Pillay, estaria colocando em risco não apenas o trabalho da ONU, mas também a vida de pessoas que – na área de direitos humanos – denunciam crimes à organização.
O jornalista inglês Glenn Greenwald, parceiro de Edward Snowden na divulgação dos documentos da NSA, afirmou à revista francesa Telerama, nesta semana, que novas informações a serem feitas pelo ex-espião da NSA nos próximos dias, iriam “chocar o mundo”.
E na terça-feira, o editor do jornal inglês The Guardian, onde trabalha Greenwald, Alan Rusbridger, disse durante depoimento à Comissão de assuntos internos do Parlamento inglês, que “apenas 1% do total de informações que estão em posse de Snowden foram divulgadas até o momento.
Nesse contexto, considerando-se que já entregamos até nossos satélites para multinacionais, na privatização do Sistema Telebras, nos anos noventa, o que for possível fazer para diminuir o poder das  empresas estrangeiras que controlam o mercado brasileiro de telefonia e banda larga, é de fundamental importância para a segurança nacional.
A Espanha (e o governo Rajoy) age como tradicional e subalterno aliado dos Estados Unidos no contexto internacional. Como disse Julian Assange, o divulgador dos papéis do Wikileaks, com relação ao nosso continente: “a vigilância em massa não é um problema para a governança e a democracia apenas – trata-se de uma questão geopolítica. Os velhos poderes explorarão qualquer possibilidade de retardar ou suprimir a eclosão da independência latino-americana.”

É sempre bom lembrar…

Danilo Macedo
Ag. Brasil

Milhares de pessoas passaram ao lado do caixão do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, pela primeira vez exposto ao público desde sua morte na quinta-feira .

O trajeto percorrido foi longo. A maioria teve de enfrentar mais de seis horas de fila para poder passar, em menos de cinco segundos ao lado do caixão. Apesar do sol forte, que se opôs à chuva incansável de terça-feira durante o tributo no Estádio Soccer City, o dia estava bonito e o cansaço não encobria o entusiasmo de cada um.

“A espera vale a pena porque vamos dar nosso último adeus a Tata”, disseram vários sul-africanos à Agência Brasil, carregando consigo adereços com a imagem de Mandela e chamando o ex-presidente por um de seus apelidos carinhosos. A despedida foi no belo Union Buildings, sede do governo da África do Sul.

A fila, que dobrou quarteirões, foi formada para, primeiramente, as pessoas entrarem nos ônibus que as levaria até o alto do terreno do Union Buildings, de onde se tem uma bela vista de Pretória. No local, outra fila para chegar até o caixão, que fechado, tornava difícil a visão do corpo de Mandela, apesar da superfície superior ser de vidro. Fotografias eram proibidas.

A babá do senador

Gaudêncio Torquato

Quem diria, hein? O Paraguai, cantado em prosa e verso como o território da muamba, foi capaz de oferecer uma das mais vigorosas lições de cidadania nesta região tão pouco afeita ao civismo, à ética e à racionalidade.

Na semana passada, a sociedade civil desse pequeno país de 6,5 milhões de habitantes, na onda da mobilização social que começa a sacudir o continente, decidiu realizar o mais veemente protesto contra a corrupção ao proibir a entrada de um grupo de políticos em bares, restaurantes, cinemas, supermercados, postos de gasolina e até em hospitais particulares. Isso porque 23 congressistas votaram contra a perda de imunidade do senador Victor Borgado, do Partido Colorado, denunciado pela Justiça por contratar com dinheiro público a babá de seus filhos.

A fogueira que se formou no rastilho da expulsão de senadores de alguns ambientes – aos gritos de “fora, ladrão!” – correu o país, multiplicando reações e induzindo garçons, vendedores, frentistas etc., a não oferecer seus serviços a “corruptos”, sob a percepção de que era necessário não apenas punir os agentes de um caso concreto, mas eliminar a impunidade.

É verdade que os movimentos de junho, que abriram as portas da indignação em quase todas as regiões do nosso país, continham elevada taxa de repúdio a padrões e costumes da velha política, incluindo o combate ao nepotismo, um dos alvos da “guerra paraguaia”.

CENÁRIOS PROMISSORES

A experiência do nosso vizinho permite vislumbrar cenários promissores no entorno da democracia participativa, que se expande no continente. Emerge, primeiro, a impressão de que a região fura a redoma da inércia e da tradição patrimonialista que por décadas tem impregnado sua cultura política.

É patente a melhoria de condições de vida, apesar de remanescerem na região traços de populismo, demagogia e autoritarismo, como os que se observam na República Bolivariana da Venezuela, em que o falecido comandante Hugo Chávez elevou ao altar da veneração o Libertador Bolívar. Registre-se, ainda, a tendência de governos a incentivar um nacionalismo populista, vinculado a um capitalismo de Estado, a par da adoção dos fundamentos macroeconômicos neoliberais. Apesar de abrigar ainda cerca de 50 milhões de latino-americanos vivendo em condições precárias de alimentação, moradia, saúde e educação, merecem destaque políticas de inclusão social, a começar pela experiência brasileira, base de uma sociedade mais solidária.

A aprendizagem democrática obedece a um processo irreversível. As nações reconquistaram o direito de escolher seus governantes – equatorianos em 1979, peruanos em 1980, argentinos em 1983, uruguaios e bolivianos em 1985, paraguaios e chilenos em 1989, e no fim desse ano também os brasileiros puderam escolher diretamente seu presidente.

As populações escancararam a vista, apontam o dedo para os malfeitos, chegando a fechar portas para corruptos. Maneira de evitar que helicópteros, lotados de cocaína, sejam abastecidos com nosso “rico” dinheirinho. Ou que o povo paraguaio use seus parcos guaranis para pagar os serviços da babá do senador Borgado. (transcrito de O Tempo)

Política brasileira parece uma ‘reunião de bacana’

Guilherme Almeida

A política brasileira mais parece o Samba “Reunião de Bacana”, dos compositores Bebeto de São João , Ary do Cavaco, Rubens e Gracinha, um dos maiores sucessos do samba moderno. Reparem na letra.

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REUNIÃO DE BACANA

Se gritar pega ladrão
Não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão
Não, não fica um
Se gritar pega ladrão
Não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão
Não, não fica um…

Você me chamou
Para esse pagode
E me avisou
Aqui não tem pobre
Até me pediu
Prá pisar de mansinho
Porque sou da cor
Eu sou escurinho…

Aqui realmente
Está toda nata
Doutores, senhores
Até magnata
Com a bebedeira
E a discussão
Tirei a minha conclusão…

Se gritar pega ladrão
Não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão
Não, não fica um
Se gritar pega ladrão
Não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão
Não, não fica um…

Lugar meu amigo
É minha baixada
Que ando tranqüilo
E ninguém me diz nada
E lá camburão
Não vai com a justiça
Pois não há ladrão
E é boa a polícia…

Lá até parece
A Suécia bacana
Se levam o bagulho
Se deixa a grana
Não é como esse
Ambiente pesado
Que você me trouxe
Para ser roubado…