Quem está mentindo sobre Pasadena? Dilma ou o advogado do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró

Paulo Victor Chagas
Agência Brasil 

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann, disse hoje (2) que a presidenta Dilma Rousseff não teve acesso antecipado ao contrato de compra da Refinaria de Pasadena, no estado norte-americano doTexas, pela Petrobras.

Mas o jornal Folha de S.Paulo informou, nesta quarta-feira, que o contrato sobre a aquisição da refinaria foi enviado a Dilma e aos demais conselheiros da Petrobras com 15 dias de antecedência. Segundo a reportagem da Folha, Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró (então diretor internacional da estatal), disse que os conselheiros tiveram tempo hábil para examinar o contrato.

Em nome da presidente Dilma, o ministro Traumann negou que ela tenha tido acesso prévio ao documento. “Como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, a presidente Dilma Rousseff não recebeu previamente contrato referente à aquisição da refinaria em Pasadena”, afirmou o ministro, esta quarta-feira, no Palácio do Planalto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGLogo saberemos a verdade. Cerveró vai depor na Câmara no próximo dia 16. Como dizia o genial compositor e publicitário Miguel Gustavo, nosso vizinho no Edifício Zacatecas, “o suspense é de matar o Hitchcock”… (C.N.)

Maioria do Supremo vota contra doação de empresas privadas a campanhas eleitorais

André Richter
Agência Brasil

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votou hoje (2) a favor da proibição de doações de empresas privadas para campanhas políticas. Por 6 votos a 1, os ministros entenderam que as doações provocam desequilíbrio no processo eleitoral. Apesar da maioria formada, o julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Não há prazo para o julgamento ser retomado.

O Supremo julgou a ação direta de inconstitucionalidade da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra doações de empresas privadas a candidatos e a partidos políticos. A OAB contesta os artigos da Lei dos Partidos Políticos e da Lei das Eleições que autorizam as doações para campanhas políticas.

De acordo com a regra atual, as empresas podem doar até 2% do faturamento bruto obtido no ano anterior ao da eleição. Para pessoas físicas, a doação é limitada a 10% do rendimento bruto do ano anterior.

Mesmo com o pedido de vista, dois ministros pediram para adiantar seus votos. Marco Aurélio, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), manifestou-se a favor da proibição das doações de empresas privadas. Segundo o ministro, o processo eleitoral deve ser justo e igualitário. “Não vivemos uma democracia autêntica, mas um sistema politico, no qual o poder exercido pelo grupo mais rico implica a exclusão dos menos favorecidos”, afirmou.

Marco Aurélio citou dados do TSE que demonstram os gastos das campanhas eleitorais em eleições passadas. De acordo com o ministro, em 2010, o custo de uma campanha para deputado federal chegou a R$ 1,1 milhão. Para senadores, o gasto médio ficou em torno de R$ 4,5 milhões. Na disputa para a Presidência da República, os candidatos gastaram mais de R$ 300 milhões.

PODER ECONÔMICO

De acordo com o tribunal, os maiores financiadores das campanhas são empresas que têm contratos com o Poder Público, como empreiteiras. “O dados revelam o papel decisivo do poder econômico  para o resultado das eleições”, disse Marco Aurélio.

Na sessão de hoje, o ministro Ricardo Lewandowski também seguiu entendimento da maioria e votou pelo fim das doações. Para ele, os repasses vultosos para campanhas políticas ferem o equilíbrio das eleições.

A maioria dos ministros seguiu o voto proferido pelo relator da ação, ministro Luiz Fux, em dezembro do ano passado. Também acompanharam o entendimento de Fux os ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Joaquim Barbosa. De acordo com o voto de Fux, as únicas fontes legais de recursos dos partidos devem ser doações de pessoas físicas e repasses do Fundo Partidário.

Fux também definiu que o Congresso Nacional terá 24 meses para aprovar uma lei que crie normas uniformes para as doações de pessoas físicas e para recursos próprios dos candidatos. Se, em 18 meses, a nova lei não for aprovada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderá criar uma norma temporária.

Até o momento, apenas Teori Zavascki votou contra a proibição de doações de empresas privadas para campanhas políticas.

 

Piada do ano: Mantega diz que Conselho da Petrobras agiu certo no caso de Pasadena

Alexandro Martello
Do G1, em Brasília

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou nesta quarta-feira (2), durante entrevista ao programa “Bom Dia Ministro”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que o governo não teme “qualquer investigação” sobre a Petrobras e que o Conselho de Administração da empresa agiu corretamente na aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006. O negócio é alvo de investigações por suspeita de superfaturamento e evasão de divisas.

Mantega, que é o atual presidente do Conselho de Administração da estatal, destacou que não fazia parte do colegiado no momento da compra da refinaria. Na ocasião, o conselho era comandado pela presidente 
Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil no governo Lula.

“O que se discute na Petrobras é a aquisição de Pasadena. Eu não estava no Conselho de Administração [na época]. Mas tenho certeza de que o conselho agiu corretamente na ocasião. O conselho é formado por pessoas da mais alta competência dos setores público e privado. Analisou com toda a discriminação e a profundidade necessárias”, declarou Mantega.

No mês passado, quando a compra da refinaria pela Petrobras já era investigada, Dilma divulgou que votou a favor do negócio com base em um relatório “falho”. A presidente citou cláusulas que teriam sido omitidas e que, “se conhecidas, seguramente não seriam aprovadas pelo conselho”.
“CASO SERÁ ESCLARECIDO”

Na entrevista desta quarta-feira, o ministro da Fazenda acrescentou que o caso será esclarecido no Congresso Nacional pela presidente da Petrobras, Graça Foster, e pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. O Congresso está discutindo a instalação de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar o assunto.

Apesar de convidado, o ministro Mantega destacou que não foi “chamado” ao Congresso Nacional para tratar do assunto. O convite é diferente da convocação: o ministro não é obrigado a comparecer.

Mantega disse ainda a Petrobras é fiscalizada o “tempo todo” pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e por uma auditoria interna. “Não é só pelo Conselho de Administração, do qual faço parte.”

Ele avaliou que o Congresso “pode investigar” a empresa. “Deve investigar, somos favoráveis a isso. Vamos ver que a empresa trabalha na regularidade. É uma das maiores do mundo, a que mais faz investimento no mundo, tirando as chinesas. [Foram feitos] Investimentos de US$ 48 bilhões no ano passado. A Petrobras está fazendo investimentos para extrair petróleo do pré-sal”, afirmou Mantega.

ENTENDE O “NEGÓCIO”

Em 2006, a Petrobras comprou 50% de uma refinaria de petróleo em Pasadena, no Texas (EUA). Os outros 50% pertenciam à empresa belga Astra Oil.

Pela primeira parte, a estatal brasileira pagou US$ 360 milhões (US$ 190 milhões pelos papéis e US$ 170 milhões pelo petróleo que estava em Pasadena).

O valor é muito superior ao pago um ano antes pela Astra Oil na aquisição da refinaria inteira: US$ 42,5 milhões.

Em 2008, a Petrobras e a Astra Oil se desentenderam, e uma decisão judicial obrigou a estatal brasileira a comprar a parte que pertencia à empresa belga. Assim, a aquisição da refinaria de Pasadena acabou custando pelo menos US$ 1,18 bilhão à petroleira nacional – mais de 27 vezes o que a Astra desembolsou no negócio.

FMI recomenda que os bancos apresentem maiores garantias em relação aos empréstimos

Wagner Pires

O relatório de estabilidade financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) recomenda a substituição dos subsídios governamentais aos bancos, o que acaba pesando no bolso do cidadão-contribuinte, como bem argumentou o Sr. Bortolotto, por uma exigência maior em relação às garantias que os próprios bancos devem ter em relação à quantidade de dinheiro que emprestam.

Isso significa que a recomendação é a de que os bancos mantenham um capital compatível com o montante dos empréstimos.

Outra recomendação do Fundo é a de que os governos passem a cobrar dos bancos um “imposto de estabilidade financeira”, conforme o tamanho do passivo que o banco apresentar. Pois, pela lógica, quanto maior o passivo, maior o risco de quebra do banco. Desta forma, caso a instituição venha a sucumbir, haja um fundo do qual possa se servir, sem que haja a necessidade de o governo ter de subsidiar recursos para isso.

Além de acompanhar o endividamento em relação ao capital da instituição financeira, o FMI recomenda o monitoramento da liquidez como medida para reduzir os riscos relacionados aos eventos financeiros.

ESFORÇO CONJUNTO

Enfim, o Fundo Monetário Internacional recomenda um maior conjunto de instrumentos normativos e um esforço conjunto dos governos no sentido de dar transparência e reforçar a coordenação internacional de supervisão dos bancos; principalmente, para os bancos multinacionais.

Particularmente, gostei muito da ideia do FMI de tributar os bancos com o “imposto de estabilidade financeira”.

Aqui no Brasil, no governo de FHC, muita coisa mudou em relação às instituições financeiras com a adoção do programa PROER. Uma delas foi a criação do Fundo Garantidor de Crédito – FGC – formado e sustentado pelos próprios bancos.

O FGC tem por objetivos prestar garantia de créditos contra instituições dele associadas, nas situações de:

•decretação da intervenção ou da liquidação extrajudicial de instituição associada;

•reconhecimento, pelo Banco Central do Brasil, do estado de insolvência de instituição associada que, nos termos da legislação em vigor, não estiver sujeita aos regimes referidos no item anterior.

Integra também o objeto do FGC, consideradas as finalidades de contribuir para a manutenção da estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e prevenção de crise sistêmica bancária, a contratação de operações de assistência ou de suporte financeiro, incluindo operações de liquidez com as instituições associadas, diretamente ou por intermédio de empresas por estas indicadas, inclusive com seus acionistas controladores.

Chega desta história de banco quebrar e a população por meio do governo, arcar com a restruturação da massa falida deste banco, ou, simplesmente absorver o seu passivo através dos bancos oficiais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO comentarista Wagner Pires está corretíssimo em sua análise. Mas precisamos lembrar, a respeito do Fundo Garantidor de Crédito, que ele foi criado para proteger o depositante e investidor. Tal norma foi frontalmente desrespeitada no governo Lula, quando os recursos do FGC salvaram da falência o Banco PanAmericano, que ficou sob controle da Caixa Econômica, com prejuízo de aproximadamente 10 bilhões de reais para os cofres públicos, sem que Silvio Santos (dono do PanAmericano e protegido de Lula) desembolsasse um só centavo. (C.N.)

Criadora da campanha “Não mereço ser estuprada” quer debater políticas públicas

Aline Leal
Agência Brasil

A jornalista Nana Queiroz, criadora do evento no Facebook “Eu não mereço ser estuprada” e que foi ameaçada na rede social, diz que sente medo, mas não vai se intimidar com as ameaças de estupro e de outros tipos de violência.

“A nossa ideia é ir para encontros, debater políticas públicas e leis. Mais políticas públicas do que leis, pois é uma questão de educação”, disse a jornalista, que amanhã tem uma reunião marcada com o deputado federal Jean Wyllys para debater o assunto.

A jornalista considera muito importante o apoio da presidenta, mas pede que esse apoio se transforme em ações. “Tem várias ideias interessantes circulando, por exemplo acrescentar os crimes virtuais acontecidos em redes sociais na Lei Maria da Penha”, defendeu.

O movimento foi criado depois de divulgação de pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicando qu65% dos entrevistados acham que mulheres merecem ser atacadas quando estão com roupas que mostram o corpo. “Eu queria falar para a mulher que concorda com isso: acorda garota! Você tem todo o direito de usar a roupa que você quiser, de se portar da maneira que você quiser. O corpo é seu e ninguém tem o direito de te atacar por isso”, explicou.

Nana conta que o seu marido foi quem tirou a foto dela sem a parte de cima da roupa, com os dizeres escritos no corpo: “Eu não mereço ser estuprada”. “Perguntei se ele se sentia a vontade e ele disse que o corpo é meu e que eu é quem tenho que me sentir a vontade com a foto”, disse.

A jornalista denunciou à Delegacia da Mulher as centenas de ameaças que recebeu, entre elas a de estupro e de outros tipos de violência. “Fui muito bem atendida, mas só para eles descobrirem a identificação do computador de quem me ameaçou vai levar uns seis meses”, lamentou.

Mais de 45 mil pessoas aderiram ao evento do movimento no Facebook e, de acordo com a jornalista, pelo menos metade delas postou fotos trazendo os dizeres do grupo escritos no corpo ou em cartazes. Amanhã o evento será desativado, mas o grupo #Eunãomereçoserestuprada, também criado pela jornalista, vai continuar ativo para debates sobre o tema.

Brasil não toma partido na crise entre Rússia e Ucrânia, diz especialista

Da Agência Lusa

A posição do governo brasileiro na atual crise entre a Rússia e a Ucrânia, que culminou na anexação da Crimeia por Moscou, pode ser considerada passiva, afirma Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, defendeu uma solução “negociada” pelos ucranianos: as partes envolvidas devem agir com moderação. Ele não criticou diretamente a Rússia por enviar tropas para a Crimeia.

“O Brasil não se posicionou de maneira clara, como os Estados Unidos ou a União Europeia”, avalia o professor, realçando que a passividade “não é necessariamente algo ruim” e que deve ser adotada também pela Índia e China.

Para o professor, o entendimento entre as autoridades brasileiras é o de que uma posição mais crítica poderia pôr em risco a presença do presidente russo, Vladimir Putin, no encontro do Brics [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul], que se realiza em julho, no Brasil.

Entretanto, acrescentou, a presença de Putin na reunião do Brics é “mais importante para ele mesmo, para mostrar que não está isolado”. A seu ver, a preocupação do Brasil parece “exagerada”.

SOBERANIA

Stuenkel recordou que a política externa brasileira condena a violação da soberania de um Estado, com base na inviolabilidade do seu território, questões não cumpridas pela Rússia em relação à Crimeia.

Outro motivo para a passividade em relação à Rússia, segundo o especialista, é o momento negativo que o Brasil vive com os EUA desde o caso das suspeitas de espionagem, identificadas no ano passado. Segundo ela, criticar a Rússia poderia ser visto como uma atitude brasileira a favor das sanções norte-americanas contra o país.

Além disso, a proximidade das eleições, que ocorrem em outubro, pode estar motivando um posicionamento mais conservador. Segundo Stuenkel, um acerto do governo na área da política internacional não influencia positivamente uma eleição, mas um erro pode causar a derrota e, por isso, a presidenta Dilma Rousseff tem evitado se envolver em conflitos internacionais.

Para o especialista, é provável que os presidentes anteriores, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, tomassem posições mais claras.

O preço do despreparo

Luiz Tito

A presidente Dilma Roussef viu firmar-se nas últimas semanas um quadro de intolerância e resistência ao seu governo que tornou mais forte a preocupação do PT e de seus aliados em relação ao seu estilo de relacionar-se com a classe política e sua base de apoio.

O conflito – que começou na relação com o líder na Câmara, deputado Eduardo Cunha – ganhou força dentro do PMDB e trouxe para o centro da briga os demais partidos, ávidos em rechear suas reservas para enfrentarem com mais conforto a disputa de outubro. A reeleição de Dilma, a renovação da Câmara, de um terço do Senado, das assembleias legislativas e a escolha de governadores norteiam os sentidos das conversas.

Não há divergências programáticas, não há disputas ideológicas em jogo nem questões de princípio: há interesses eleitoreiros e materiais, cargos, poder, grana mesmo, e somente. Para flexibilizar o jogo, os núcleos de resistência ameaçaram com a abertura de CPIs e sinalizaram com investigações sobre a Petrobras.

Dilma e seus assessores mediram mal o tamanho do braço de seus contendores, deram de ombro e a oposição aproveitou-se da janela aberta para tornar públicas mutretas mil, denúncias de superfaturamento, favorecimentos a grupos, desperdício, enriquecimento ilícito, corrupção, práticas que há muito tempo o Código Penal define como formação de bando ou quadrilha.

DESGASTES

Aos desgastes desse episódio somaram-se maus resultados dos números da economia, que ameaçam a gestão das contas públicas, os investimentos e o crédito internacional. E mais grave: a perspectiva de descontrole da inflação. Isso realmente assustou. Para atender os partidos e manter calada a base, o governo terá que fazer gastos, quase sempre invertendo opções e adiando prioridades essenciais; o jogo político quando praticado no espaço menor, no varejo, priorizando interesses de grupos às preocupações com a coletividade é caro e sem fim.

Infelizmente o governo da presidente Dilma Roussef está refém desse modelo e com o governo, refém também estamos todos e tudo que compõe a nação. Que lástima. A presidente que começou seu governo com imagem de durona, que consolidou apoios e aumentou sua popularidade quando teve a coragem de confrontar-se com estruturas políticas que infestavam a administração federal, que assumiu como essencial a faxina de órgãos e ministérios, que frequentou as listas de líderes mais importantes do mundo agora está de pires na mão, desnorteada, absolutamente entrincheirada, dependente da concessão que lhe oferecerão ou não um Congresso e partidos incapazes de construirem a própria imagem.

Dilma ficou vítima da própria arrogância, do despreparo de seu grupo em construir um governo alinhado ao mundo moderno, atento e sintonizado com as demandas internacionais políticas e econômicas. Atingida em pleno voo no momento em que se dirige para sua reeleição, a presidente terá que flexibilizar seu estilo para chegar a outubro com vigor para a disputa. E essa conta, infelizmente, pagaremos todos: com tributos, com trabalho, com as consequências de nossos atrasos. E pior, com a desesperança. (transcrito de O Tempo)

Pavana para o homem comum

Levante do Gueto de Varsóvia 7
Jacques Gruman

Não sou da área da saúde,/minha missão não é salvar./Sou da Infantaria,/minha missão é matar. (cantado recentemente por um grupo de militares do Exército, em
exercícios no bairro da Urca)

Já falei dele. Tio Bóris, bessarabiano de poucas palavras e muitos afetos, foi inspiração matutina do Menino. O rosto severo e o terno escuro não combinavam com as palavras suaves, quase em surdina, que usava sem parcimônia. Abriu os olhos do Menino para o que não era visível. Demonstrou coragem intelectual num episódio inesquecível.

Cerimônia sobre o levante do gueto de Varsóvia, início dos anos 60. Teatro lotado. Era uma solenidade que congregava muitas famílias judias e o Menino, a contragosto, estava lá. Na mesa, um rabino conservador comenta: não importam tanto os números da barbárie, o fundamental é compreender suas causas e clamar por justiça. Nas escolas judaicas, os 6 milhões de judeus assassinados no Holocausto eram mostrados como uma tragédia definitiva, sobre a qual não cabiam maiores reflexões. O número era o fato e suas circunstâncias, e ponto final. Daí vinha a surpresa com a declaração do rabino. Ele afirmava que a estatística era importante, mas não o essencial. Que matar uma pessoa que fosse pelas razões invocadas pelos nazistas já seria um crime abominável.

Tio Bóris, ateu, ouviu com atenção, balançou a cabeça em sinal de aprovação, e disse para o Menino: ele está certo. O ateu abria um canal de comunicação com o religioso ortodoxo, os opostos podiam se entender. Num mundo polarizado e numa casa pouco habituada ao diálogo, aquele momento fugaz criou raízes.

50 ANOS DO GOLPE

Em muitos lugares do Brasil, aconteceram eventos para lembrar os cinquenta anos do golpe de 1964. Há um grande envolvimento de acadêmicos de várias áreas e de setores políticos neste esforço de interpretação dos acontecimentos que desembocaram na deposição de Jango. Não pretendo, claro, competir com especialistas, que usam ferramentas apropriadas para entender a chamada Grande História, os macrofatos que apontam as linhas gerais das transformações nas sociedades.

Vou olhar, como meu tio Bóris, para o pequeno detalhe (pequeno ?), para o homem simples, para histórias que não vão para os livros, para o invisível. A violência da ditadura criou infinitos vasos comunicantes, que foram dos militantes em todas as áreas da oposição ao homem comum.

Vasily Grossman é meu inspirador. Escritor e sem o menor talento para a guerra, acabou sendo correspondente do jornal Estrela Vermelha nos vários fronts da invasão nazista à União Soviética, durante a Segunda Guerra Mundial. Seus relatos criaram um rico painel da vida cotidiana nos territórios devastados pela máquina de guerra hitlerista. Estava em Moscou e Stalingrado nos momentos em que tudo parecia perdido e na reação que levou o Exército Vermelho até Berlim. Ouviu soldados, oficiais, jornalistas, aldeões, crianças. Histórias que não constam dos compêndios sobre a Segunda Guerra, mas, sem elas, não é possível ter a dimensão completa dos acontecimentos.

PURO NONSENSE…

Uma delas, puro nonsense em meio ao caos, me impressionou. Uma organização feminina americana enviou para o front de Stalingrado dois pacotes. Eles deveriam ser entregues “às duas mulheres mais corajosas na defesa de Stalingrado”. Escolhidas pelo Comissariado Político, receberiam os presentes das mãos de Grossman (que detestava este tipo de cerimônia oficial). Ele atravessou o Volga, quando isso era extremamente perigoso, e foi ao encontro das duas moças, muito animadas com o fato de se encontrarem com um famoso escritor. Agradeceram e começaram a desembrulhar os pacotes. O que havia dentro ?

Roupas de banho e sandálias. Todos ficaram constrangidíssimos. Roupas de banho de aspecto luxuoso pareciam estranhas naquele ambiente, no inverno gelado e sob fortes bombardeios alemães. Onde terão ido parar os maiôs ? Aquela pintura surrealista talvez fosse um forte registro simbólico do que estava acontecendo em cada metro quadrado do inferno que arrombara os portões de Stalingrado. O poder da pequena História, da saga do homem comum.

NA ILHA DO FUNDÃO…

O “meu” golpe começou em 1969, na Cidade Universitária da Ilha do Fundão. Nós, frangotes inocentes e virgens de política, iniciamos o ano letivo sob as graças do decreto-lei 477, que punia professores, alunos e funcionários da universidade envolvidos em “atividades subversivas”. A ilha era invadida quase diariamente por tropas do exército, que cercavam o restaurante, faziam um corredor polonês e exigiam documentos dos comensais. Para quem tinha esquecido a carteira de identidade, camburão. Um amigo foi salvo da cana pela boa vontade de um recruta, que relevou a falta de documento. Era um terror, que não está contabilizado nos balanços cínicos e mentirosos que militares, viúvas da ditadura e desinformados fazem hoje do golpe.

MINISTRO DA EDUCAÇÃO

Durante o governo Médici, que assumiu no final de 1969, o ministro da Educação foi o coronel Jarbas Passarinho (que, ao assinar o AI-5, celebrizou a frase canina: Às favas com os escrúpulos !). Um coronel no ministério da Educação. Precisa falar mais sobre as entranhas da ditadura ? Faz lembrar um esquete do impagável grupo argentino Les Luthiers. Simulavam a posse do ministério de uma república bananeira. E lá iam: Energia, general Fulano; Transporte, marechal Sicrano; Educação, … cabo Beltrano. Típico.

O insignificante para mim é tão grande quanto tudo, disse o poeta Walt Whitman. Tinha razão. Os anônimos são a lanterna que ilumina a Grande História. Vejam só essa pequena história. Tsutomu Yamaguchi conseguiu fugir de Hiroshima depois da explosão da bomba atômica. Sabem para onde ele foi ? Nagasaki. Estava lá quando explodiu a segunda bomba. Por puro acaso, sobreviveu. O depoimento do senhor Yamaguchi, sem rancor, é um dos documentos mais impressionantes sobre o genocídio nuclear praticado pelos Estados Unidos. Seu nome, no entanto, não é citado pelos especialistas que estudam o massacre nas duas cidades japonesas.

Como entender o que aconteceu sem incluir o homem comum, os Yamaguchi ? Usando números e gráficos, sem a dimensão humana da tragédia ?Neste meio século de mais um dos surtos de autoritarismo que emporcalham a história do nosso país, presto minha homenagem ao homem comum. Aquele que viu crescer as Ligas Camponesas e, depois, a volta triunfal dos coronéis. Ao operário que gritou “Viva Brizola !” em Copacabana, no dia 1 de abril de 1964, e foi agredido a coronhadas por um oficial da Marinha. Ao metalúrgico que votou nas assembleias do ABC e encorpou a luta contra a ditadura. Ao passageiro de ônibus que entregou seu jornal à vizinha de banco, que tinha lido uma notícia sobre repressão à luta armada (generosidade também é resistência). Ao Menino que deu a mão para alguém se levantar na Cinelândia, na Passeata dos Cem Mil.

Da tribuna do Senado, Paim agradece a Werneck um artigo na Tribuna da Internet que elogia coerência de seu mandato

O senador Paulo Paim (PT-RS) comentou o artigo “A crise entre a presidente Dilma e os políticos ‘descontentes’”, do jornalista José Carlos Werneck. O texto aponta para o capital político da atual presidente da República e destaca que, dentro da base aliada do governo, “existem políticos honrados e trabalhadores, dispostos a colaborar com o governo, sem trair seus ideais e renegar suas raízes populares”.

Werneck questiona, em seu artigo, o motivo de “um nome do quilate e gabarito do senador do PT gaúcho Paulo Paim” não ocupar o Ministério da Previdência, “já que domina todos os assuntos atinentes à pasta”. O texto segue apontando que, com o senador no comando da pasta, “a população brasileira seria poupada das explicações risíveis e bizarras, dadas habitualmente por políticos que ocuparam a pasta, com o intuito de justificar o ‘rombo’ da Previdência Social”.

Paim, conhecido por sua bandeira em favor do fim do fator previdenciário, ressaltou que não existe rombo algum na Previdência Social que justifique a manutenção do Fator, que atinge as aposentadorias com valores acima do salário mínimo.

“Eu sei que a Previdência não tem rombo nenhum”, disse Paim, que emendou citando trecho do artigo. “Quem nunca precisou da Previdência e está a quilômetros de distância dos problemas vividos pela massa trabalhadora, não tem capacidade e autoridade para explicar absolutamente nada aos que vivem de pensões e aposentadorias miseráveis.”, enfatizou.

De acordo com Paim, uma situação que mostra claramente a coerência de seu mandato, como apontado pelo artigo, é o seu posicionamento em relação ao fundo de pensão Aerus.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve decisão que obriga a União a indenizar a Varig por tabelamento de tarifas entre 1985 e 1992, um valor estimado em até R$ 7 bilhões. O valor seria utilizado para quitar dívidas trabalhistas e previdenciárias dos ex-funcionários da Varig e da Transbrasil.

“Eu não tenho medo de arena alguma. Sempre estarei fazendo um bom debate e um bom combate, sempre que necessário, e do lado do mais fraco, do mais necessitado”, disse Paim, ao comentar o trecho do artigo que questionava “Quem tem medo de Paulo Paim na Previdência?”.

“Agradeço os elogios que o autor faz a minha pessoa. E o autor mostra a nossa coerência, a coerência do nosso mandato. Não seria coerente se não estivesse desse lado, ao lado de vocês, ao lado do mais fraco”, disse, ao se referir aos pensionistas do Aerus, que se encontravam no plenário.

Querem que eu diga o mesmo

12

Tostão

O Tempo

Se você discordar dos milhares de chavões e lugares-comuns que são repetidos um milhão de vezes nas ruas e nos programas esportivos, vai levar uma tremenda vaia, mesmo se tiver ótimos argumentos. A vaia será ainda maior se negar algumas lendas que existem no futebol, mesmo que tenha vivido os fatos. Querem que você minta para si próprio.

Um leitor me criticou porque votei em Zagallo como melhor técnico dos cem anos de história da seleção brasileira. O ótimo Telê Santana foi o escolhido. Para muitos, Zagallo não teve nenhuma importância na conquista da Copa de 1970, o que é uma grande inverdade. Depois, o critiquei várias vezes, como na Copa de 1998, por não ter evoluído. Muitos acham ainda que Zagallo é conservador, amigo do poder e chato, com seus discursos ufanistas. Concordo, mas é preciso separar as coisas.

Por falar em ufanismo, é nítida a mensagem de patriotismo do ministro dos esportes Aldo Rebelo, ao publicar, com dinheiro público (patrocínio do BNDES), uma seleção de crônicas de Nelson Rodrigues exaltando o país. A tiragem foi de 50 mil exemplares, que será distribuída nas escolas e bibliotecas públicas, como mostrou Fábio Victor, em reportagem na Folha de São Paulo.

Não se pode confundir o nacionalismo tolo, eventual, como o corrupto do dinheiro público, que vibra com a conquista de uma Copa, com o orgulho de pertencer à nação, de torcer pela seleção e de ser um cidadão consciente. Quem mama na teta do governo não tem liberdade de expressão.

Querem ainda que eu diga que Zagallo convocou Dario porque o ditador Médici exigiu. Outra lenda. Ele chamou Dario e Roberto porque, como ocorre hoje com Felipão, preferia um típico centroavante. Eram os dois melhores. Depois, mudou de ideia.

Querem ainda que eu diga que Afonsinho não foi à Copa de 1970 porque era rebelde e incomodava a ditadura. Tinha e tenho grande admiração por Afonsinho. Era também um excelente armador. Mas ficaram fora três grandes craques da posição, muito melhores: Dirceu Lopes, Ademir da Guia e Zé Carlos.

Queriam ainda que eu votasse em Ronaldo no time dos sonhos. Não o fiz porque estava preocupado em colocar os jogadores em suas posições. Como já tinha, no ataque, Pelé e Garrincha, tirei cara ou coroa entre Romário e Ronaldo. Deu Romário. Querem ainda que eu concorde que o Palmeiras tem um ótimo time, que Fernandinho tem de ser reserva, porque Paulinho e Luís Gustavo jogaram muito bem a Copa das Confederações.

LIBERTADORES

Atlético e Cruzeiro têm jogos difíceis na Libertadores. O Atlético pode até empatar. Mesmo se perder, vai decidir no Independência, embora não exista mais tanta certeza de que quem cai no Horto está morto. O Cruzeiro tem de ganhar. Há duas expectativas, teorias. Uma é que o nervosismo, a obrigação de vencer, pode ser ruim para a equipe. Outra, positiva, é de que, não podendo empatar, o time vai atacar mais e ser mais vibrante, sem ficar cozinhando o jogo, como acontece quando as equipes atuam fora e acham que o empate é bom. Cruzeiro, Atlético e todos os times brasileiros precisam se libertar do chavão de que, para ganhar a Libertadores, ainda mais fora de casa, é preciso jogar feio e pesado.

Precisando se encontrar, na poesia de Candeia

O cantor e compositor carioca Antônio Candeia Filho (1935-1978), na letra de “Preciso Me Encontrar, descreve a tentativa de uma pessoa mergulhar no seu íntimo para se descobrir. A música foi gravada no LP Cartola, em 1976, pela Discos Marcos Pereira.

PRECISO ME ENCONTRAR

Candeia

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar…

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver…

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar…

Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar…

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções) 

 

Dilma já lançou 23 pacotes para estimular a economia, mas o PIB não reage

João Villaverde
O Estado de S. Paulo

O governo Dilma Rousseff lançou 23 pacotes com medidas para estimular a economia brasileira, mas todo esse ativismo, até agora, não gerou uma taxa de crescimento do PIB próxima ao patamar de 3%. Depois do mais recente pacote, que consistiu numa injeção de R$ 12 bilhões no setor elétrico para manter a conta de luz baixa e competitiva para as empresas e famílias, as críticas do mercado ao “intervencionismo” do governo voltaram com força.

Internamente, os próprios técnicos da equipe econômica admitem que houve um excesso de medidas, mas a visão do governo é clara: não fossem os estímulos fiscais e monetários concedidos nos últimos anos, o ritmo da economia brasileira seria ainda mais lento, e a inflação ainda mais alta. No Palácio do Planalto, o entendimento é que as medidas estruturais, como a desoneração da folha de pagamentos, as concessões ao setor privado e a desvalorização da taxa de câmbio, ainda vão surtir efeito pleno sobre a atividade produtiva.

“A economia entrou em compasso de espera, porque as regras do jogo foram mudando rapidamente, tanto setorialmente, como no caso dos ramos automobilístico, da mineração e do setor elétrico, quanto no campo macro, com juros e câmbio subindo e descendo bruscamente em pouco tempo”, disse Juan Jensen, sócio da Tendências Consultoria e responsável pela área de macroeconomia e política do grupo.

Para Jensen, o elevado número de pacotes com medidas para estimular a economia não só deixaram de cumprir seu objetivo principal, como acabaram por minar as expectativas com a atividade econômica. “Todo remédio tem efeito colateral. O problema do governo é que ele atacou os efeitos colaterais dos seus remédios com novos medicamentos”, disse o economista, que citou o caso do setor de combustíveis. Para auxiliar a Petrobrás, mas ao mesmo tempo evitar que um reajuste da gasolina chegasse ao consumidor, o governo zerou o principal tributo do setor, a Cide. Com isso, reduziu sua arrecadação, e deixou a gasolina mais competitiva que o etanol. Então, concedeu um pacote ao etanol, com redução do PIS/Cofins, o que reforçou a piora fiscal.

Procuradoria pede que Supremo investigue dois secretários de Alckmin sobre cartel no metrô: José Anibal e Rodrigo Garcia

Agência Estado

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encontrou indícios de envolvimento dos secretários estaduais do governo paulista de Geraldo Alckmin (PSDB) – José Aníbal (PSDB) e Rodrigo Garcia (DEM) – no cartel dos metrôs de São Paulo. Ele pediu ao ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que dê prosseguimento às investigações em relação aos dois secretários, que são deputados federais licenciados.

“Há fortes indícios de existência do esquema de pagamento de propina pela Siemens a agentes públicos vinculados ao Metrô de São Paulo”, sustentou Rodrigo Janot no ofício enviado ao STF. No documento, o procurador afirma que, por enquanto, não existem elementos que autorizam a continuidade das apurações relacionadas ao deputado federal Arnaldo Jardim (PPS), ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) e ao secretário Edson Aparecido (PSDB).

“Há atribuição de situações concretas e específicas em relação ao deputado federal Rodrigo Garcia no depoimento do investigado colaborador. Os detalhes dados, assim como a menção a encontro pessoal entre ambos, autorizam, também, a colheita de maiores elementos contra esse parlamentar”, disse o procurador.

Além disso, Janot afirmou que “o colaborador apontou, ainda, indícios de envolvimento do deputado federal José Aníbal, na medida em que relata ter sido avisado que, com a saída de Rodrigo Garcia da presidência da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, deveria passar a tratar com o deputado José Aníbal, que passara a ser responsável pelos contatos políticos e pagamentos de propina”.

UM CARTEL TÍPICO

Conforme informações destacadas pelo procurador no ofício enviado ao Supremo, a Siemens teria se associado com a Alstom para formar um consórcio com o objetivo de vencer a concorrência para a linha 5 do metrô de São Paulo. Para Janot, a formação do consórcio teve o objetivo de diminuir a concorrência, numa atividade típica de cartel. 

O procurador ressaltou o fato de que Aníbal e Garcia foram presidentes da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Em relação a Aloysio Nunes Ferreira, Arnaldo Jardim e Edson Aparecido, Janot concluiu que, por enquanto, não existem indícios. “Esse arquivamento não é impeditivo para que, caso surjam elementos concretos da participação destes ou de outros parlamentares, seja a investigação realizada, pois aí haverá justa causa para o seu prosseguimento”, afirmou.

Janot também sugeriu ao STF que desmembre o inquérito para que apenas as investigações relacionadas a Aníbal e Garcia continuem no Supremo. Por terem mandato de deputado federal, eles têm direito ao chamado foro privilegiado. Ou seja, somente podem ser investigados e processados perante o Supremo.

Deputado petista amigo de doleiro preso diz que sua relação com ele está dentro da legalidade

Carolina Gonçalves
Agência Brasil 

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas (PT-PR), disse hoje (1°), em nota, que conhece há 20 anos o empresário Alberto Youssef, investigado pela Polícia Federal, na Operação Lava Jato, que apura esquema de lavagem de dinheiro.

Uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo, publicada hoje, diz que Vargas usou um avião do empresário para uma viagem a João Pessoa. Segundo o jornal, o empréstimo da aeronave foi discutido entre os dois por mensagem de texto no início de janeiro.

Em nota,  o parlamentar explicou que é amigo de Youssef.  “Conhecer alguém há 20 anos não é crime. Alberto Youssef é empresário de minha cidade. Dono do maior hotel da cidade. E os encontros, contatos e a relação se deram dentro da legalidade. Qualquer homem público poderia passar por isso”, diz a nota.

Assessores de Vargas informaram que o deputado está reunido desde o final da manhã com a equipe para definir se fará uma declaração sobre o caso.

Operação Lava Jato foi deflagrada no último dia 17, em seis estados e no Distrito Federal. Mais de 20 pessoas foram presas suspeitas de participar do esquema de lavagem de dinheiro que, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), movimentou mais de R$ 10 bilhões. Um dos presos foi o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Lá vai o Brasil descendo a ladeira… Rombo comercial no primeiro trimestre é o maior da história

Deu no Estadão

O déficit entre exportações e importações acumulado pelo Brasil entre janeiro e março de 2014 é de US$ 6,072 bilhões – divulgou nesta terça-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Trata-se do maior rombo comercial em primeiros trimestres da série histórica do (MDIC). Foi importado no período o equivalente a US$ 55,660 bilhões. As exportações foram da ordem de US$ 49,588 bilhões.

Em março, o resultado foi superavitário em US$ 112 milhões. No entanto, a diferença entre exportações de US$ 17,628 bilhões e importações de US$ 17,516 é a mais baixa desde 2001.

Na quarta semana de março, houve saldo positivo de US$ 279 milhões. E, na última semana, com apenas um dia útil, o resultado foi negativo em US$ 107 milhões.

Os números de março vieram dentro das estimativas dos economistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, mas acima da mediana, de superávit de US$ 100 milhões. Pesquisa realizada com 24 instituições apontou que as estimativas iam de déficit de US$ 500 milhões a superávit de US$ 500 milhões.

Exportações

As exportações foram 4% menores em março desta ano relação ao mesmo mês de 2013, pela média diária. Os manufaturados tiveram queda de 15,3%, puxados por óleos combustíveis, açúcar refinado, motores e geradores elétricos, autopeças e motores para veículos e partes.

Renan anuncia criação da CPI da Petrobras, mas governistas pedem impugnação

Mariana Jungmann
Agência Brasil 

 O requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, para investigação de denúncias de irregularidades na empresa, foi lido hoje (1º) no plenário do Senado. O presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que o documento tem número suficiente de assinaturas e que a comissão será instalada.

Logo após a leitura do requerimento, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) apresentou questão de ordem à Mesa Diretora do Senado pedindo a impugnação da comissão. Na questão, Gleisi alegou que, apesar de todos os argumentos apresentados tratarem da Petrobras, eles não guardam relação entre si, o que tornaria a CPI antirregimental e inconstitucional.

O líder do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira (SP), contra-argumentou citando outras CPIs que já ocorreram com base em fatores semelhantes aos apresentados no requerimento lido hoje. Ele lembrou que é prerrogativa do Congresso fazer a investigação parlamentar diante das graves denúncias de irregularidades na empresa, que tem como principal acionista a União.

Renan disse que a Mesa Diretora responderá à questão de ordem na sessão de amanhã (2).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGParece incrível, mas Renan Calheiros está agindo certo. Poderia ficar embromando, mas não quis aproveitar as brechas do regimento para atrasar a CPI. Sua jogada é politicamente rentável. Ele sabe que, quanto mais problemas tiver o governo, melhor para o PMDB. A situação está ficando cada vez mais divertida e interessante.(C.N.)

Grandes bancos ainda recebem ajuda de centenas de bilhões de dólares na Europa e EUA, aponta relatório do FMI

Os grandes bancos considerados muito importantes para não deixar que peçam falência continuam sendo beneficiados pela ajuda dos Estados, afirma um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI). Na Eurozona, as ajudas representaram até 300 bilhões de dólares em 2012, uma proteção implícita porque as instituições consideradas “muito grandes para falir” poderiam “ameaçar a estabilidade do conjunto do sistema financeiro”.

Segundo o FMI, nos Estados Unidos as “subvenções implícitas” foram de 90 a 300 bilhões de dólares em 2012, na Grã-Bretanha oscilaram entre 20 e 110 bilhões de dólares. Durante o pior momento da crise financeira, de 2008 a 2009, o governo dos Estados Unidos atuou de maneira intensa para ajudar os gigantes bancários à beira da falência como Bank of America ou Citigroup.

“Depois da crise financeira mundial, as reformas reduziram (mas não eliminaram) as garantias implícitas dos governos que beneficiam os bancos”, destaca o relatório de estabilidade financeira do FMI, publicado antes da assembleia de primavera (hemisfério norte) do Fundo. O FMI manifesta dúvidas sobre os efeitos das garantias.

“A espera de uma ajuda das autoridades reduz a propensão dos credores a vigiar o comportamento dos grandes bancos, estimulando a tomada de riscos e o endividamento excessivo”, explica o documento. “Avanços foram registrados, mas nossas estimativas de subvenções parecem indicar que o problema dos