Mesmo com as dificuldades de acesso, o Blog está sendo muito lido

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Charge do Jota, reprodução do Arquivo Google

Carlos Newton

O número de comentários diminuiu de forma espantosa, devido à dificuldade de acesso ao blog, mas o número de leitores continua expressivo. No momento em que escrevo, às 16h55m, já passamos dos 13 mil acessos diretos, sem contar a leitura por Facebook, outras redes sociais, republicações e e-mails.

Os técnicos do servidor UOL estão dando um atendimento permanente, as quedas de conexão já diminuíram, mas a situação ainda não se normalizou. Como dizem o Francisco Bendl e o Théo Fernandes está difícil postar comentários. Por isso, agradecemos a todos que insistem em acessar a Tribuna da Internet.

Mas não há de ser nada e logo estaremos com o funcionamento normal. E devemos fechar o dia com mais de 20 mil acessos diretos. Até agora, segundo contador norte-americano Histats.com,  o blog já foi lido em 46 países. Nada mal.

Procuradores precisavam dizer ao povo o que está acontecendo

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A entrevista detalhada do MPF era mesmo necessária

Janaína Paschoal
(Especial para a TI)

Quero deixar claro que não conheço os integrantes da força-tarefa da Lavajato, também não conheço o juiz Moro. Também acho importante deixar claro que não concordo com todos os posicionamentos adotados e propostas defendidas pela força-tarefa. No entanto, diante da celeuma instalada em torno da entrevista concedida pelos procuradores, gostaria de tecer algumas considerações.

DENUNCIADOS – Não sei se todos sabem, mas os procuradores, como ocorrera com Dr. Júlio Marcelo Oliveira, do TCU,  foram, inclusive denunciados junto ao Conselho Nacional do Ministério Público. Fizeram bem os procuradores ao conceder a entrevista. O tema é árido e eles estão enfrentando pessoas poderosas e muito bem articuladas.

Até mesmo para os chamados operadores do Direito, questões referentes à criminalidade econômica são complexas.
O tema “lavagem de dinheiro” é ainda mais complicado. Se os crimes de que fomos vítimas não forem explicados, o processo não prosperará. Não sei se a denúncia será recebida; também não sei se Lula será absolvido, ou condenado.

Mas tenho certeza de que Lula tem aliados fortes, em posições estratégicas, por isso a população precisa estar ciente de seus crimes.

CLAMOR POPULAR – Vejam, não estou dizendo que não há crimes e, por isso, faz-se necessário criar clamor popular. E justamente o contrário! O MPF descreveu muitos crimes, sabe que enfrenta uma pessoa especialmente forte e, por isso, tem que conscientizar a sociedade.

E não pensem que Lula não tem admiradores (seguidores) dentro do próprio Ministério Público. Eles estão em todos os órgãos. Esperem. Logo, professores de Direito das melhores Faculdade do país começarão a publicar pareceres e artigos em defesa de Lula. Foi assim na época do Mensalão. Pesquisem quantos artigos de juristas foram publicados, “denunciando” o viés persecutório do processo.

Os procuradores não são bobos. Mais do que convencer o juiz e os tribunais, eles precisam mostrar para o povo o que está ocorrendo. Os procuradores sabem que, no silêncio, a melhor das denúncias será esmagada. O PT criou um exército de titulados para defendê-lo. O mais difícil é que esse exército se apresenta como apartidário.

Janaina Pascoal é professora livre docente de Direito Penal na USP e advogada.

Mãe e cunhado do deputado Hugo Motta são sócios em atos de corrupção

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Chica Motta foi presa pela Operação Veiculação

Fabio Serapião, Fabio Fabrini e Julia Affonso

Presa pela operação Veiculação, coordenada pelo Ministério Público Federal da Paraíba, a mãe do deputado federal Hugo Motta (PMDB), Ilanna Motta, também aparece em relatório de outra investigação, a Desumanidade, que investiga desvios em obras financiadas pelo Fundo Nacional de Saúde. Ilanna era chefe de gabinete de sua mãe, Francisca Motta, prefeita de Patos (PB) afastada a pedido do MPF. O prefeito de Emas, também na Paraíba, José Willian Segundo Madruga, casado com a irmã de Hugo Motta, Olívia Motta, também aparece no relatório. Os dois seriam os destinatários finais dos valores pagos pelas prefeituras à empresa Soconstrói Construções e Comércio.

De acordo a investigação, foram encontrados graves indícios de irregularidades e direcionamento do resultado de licitações que beneficiaram a empresa Soconstrói Construções e Comércio entre os anos de 2012 e 2013. Ainda segundo o relatório do MPF, restou provado em diligências realizadas nas obras, que agentes públicos estavam “diretamente envolvidos com a execução das obras”.

QUEBRA DE SIGILOS – Por meio do cruzamento dos sigilos fiscais e bancários da empresa e dos investigados, o MPF mapeou que os valores oriundos das parcelas pagas pela Prefeitura à empresa tinham três destinos.

“Observou-se que, após cada parcela recebida pela empreiteira, os recursos tinham os seguintes destinos: a) Transferências de valores altos para determinadas pessoas; b) saques de quantias vultuosas; e, c) transferências de valores mais baixos para contas de determinadas pessoas”, informa o relatório de Análise 03/2016 do MPF.

Os valores recebidos pela Soconstrói da Prefeitura de Patos, segundo o MPF, eram imediatamente transferidos para contas de determinadas pessoas, na mesma data de crédito nas contas da empresa, bem como sacados com cartão ou em espécie. No entendimento dos investigadores, “pode-se concluir que as despesas operacionais das obras sob investigação, não foram pagas diretamente pela empreiteira.

MÃE E CUNHADO – A comprovação de que os valores recebidos pela Soconstrói não permaneciam sequer um dia em suas contas, aponta o MPF, “corrobora com os registros das interceptações telefônicas, os quais revelaram que a execução das obras e a movimentação parte considerável dos recursos públicos estavam sob o domínio de pessoas não pertencentes ao quadro societário da contratada”. Entre essas pessoas, estão Ilanna Motta e Segundo Madruga, mãe e cunhado do ex-presidente da CPI da Petrobrás.

Para ilustrar esses repasses, o MPF mostra que dos R$ 20 mil repassados para a Soconstrói no dia 27 de fevereiro de 2014, R$14,7 mil foram repassados para Segundo Madruga. Por sua vez, dos R$57,8 mil pagos na 2ª e 3ª parcela do contrato entre a prefeitura de Patos e a Soconstrói, R$ 5 mil foram tiveram como destinatário final a mãe de Hugo Motta, Ilanna Motta.

ENRIQUECIMENTO – No relatório em que detalha os repasses da empresa contratada pela Prefeitura cujo destinatário foram as contas da mãe do deputado Hugo Motta, o MPF também aponta que Ilanna Motta apresentou movimentação financeira em uma conta no Banco do Brasil “que superou em 97,14% seus rendimentos líquidos em 2014, declarados à Receita Federal do Brasil”.

O MPF ainda aponta que ligações telefônicas interceptadas no âmbito da operação Desumanidade “revelam que a Sr.ª Ilanna Mota também participou das atividades ligadas às obras das unidades básicas de saúde” alvo da investigação.

O advogado Solon Benevides, que representa os integrantes da família Motta, afirmou ao Estado que os fatos não podem ser objeto de análise pública porque estão sob sigilo. Segundo ele, a prefeita Chica Motta mandou abrir uma sindicância para apurar as possíveis irregularidades. “No curso da instrução vamos provar que as acusações não tem procedência”, afirmou Benevides. O Estado não conseguiu contato com a defesa de Segundo Madruga.

Cunha diz que “novos fatos” contra Moreira Franco provarão as acusações

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Vera Rosa
Estadão

Ao saber nesta segunda-feira, 19, que o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, minimizou, em Nova York, as acusações contra ele, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) voltou ao ataque. Cunha disse que operações irregulares feitas com recursos do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) têm “os dez dedos” do homem forte do presidente Michel Temer.

“O avanço das investigações e a divulgação de novos fatos poderão corroborar a suspeição por mim levantada”, insistiu o peemedebista. Cunha disse que o financiamento das obras de Porto Maravilha – projeto de revitalização da área portuária do Rio, alvo de denúncias de corrupção – foi montado por Moreira Franco.

O secretário executivo do PPI ocupou a vice-presidência de Fundos e Loterias da Caixa de 2007 a 2010, antes de Fábio Cleto, que denunciou Cunha ao fazer delação premiada. O empresário Ricardo Pernambuco, da Carioca Engenharia, também afirmou à Procuradoria Geral da República, no âmbito da Lava Jato, que Cunha cobrou propina de R$ 52 milhões em troca da liberação de verba do FI-FGTS para o Porto Maravilha.

ACUSAÇÃO SURREAL – Ex-presidente da Câmara, o deputado cassado classificou como “surreal” a acusação. “Quem comandava e ainda comanda o FI chama-se Moreira Franco. E lá tem muitos financiamentos concedidos que foram perdas da Caixa”, declarou Cunha, em entrevista ao Estado publicada no domingo, 18. Ele citou desvios na Rede Energia e Nova Cibe, que, pelos seus cálculos, causaram prejuízos da ordem de R$ 1 bilhão.

O deputado cassado disse que Moreira Franco sempre despachou no prédio da Caixa quando estava no Rio, mesmo na época em que era ministro da Aviação Civil do governo Dilma Rousseff.

Lava Jato contesta Folha e diz que não usou a delação rejeitada da OAS

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Charge do Tacho, reprodução do jornal NH

Deu na Folha

A força-tarefa da Operação Lava Jato contestou, nesta segunda-feira (19), reportagem da Folha e negou que tenha usado informações de uma delação rejeitada do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, na denúncia apresentada contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No domingo (18), a Folha mostrou que um dos argumentos centrais da peça só aparece no esboço da delação de Pinheiro, sócio e ex-presidente da construtora OAS. Pinheiro negociava um acordo de delação com procuradores da Lava Jato em Brasília e Curitiba, mas as negociações foram interrompidas pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por “quebra de confidencialidade” — trechos dos depoimentos foram publicados pela revista “Veja”.

Em nota, a força-tarefa argumenta que a reportagem da Folha chega a uma conclusão falsa e afirma nunca ter usado qualquer informação das tratativas com Pinheiro.

TRIPLEX E ACERVO – O ponto debatido é se vantagens que teriam sido recebidas por Lula —as benfeitorias no tríplex do Guarujá e o transporte de seu acervo presidencial, no valor de R$ 3,7 milhões— foram pagas pela OAS com dinheiro de corrupção desviado da Petrobras.

Segundo os procuradores, os valores saíram de um “caixa geral” de propinas devidas pela empreiteira ao PT, abastecido com o desvio de verbas da Petrobras.

Durante a negociação de sua delação, Pinheiro, sócio da OAS, afirmou que a empreiteira descontava os repasses que fez para o apartamento do Guarujá de uma espécie de conta-corrente que a empresa mantinha com o PT. O mesmo mecanismo de desconto seria usado no caso do armazenamento de presentes que Lula ganhou quando era presidente, cujo pagamento foi feito pela OAS.

CONTESTAÇÃO – Essa conexão é essencial para caracterizar corrupção, segundo advogados ouvidos pela reportagem. O uso de uma informação que não aparece no inquérito pode abrir um flanco para a defesa contestar as acusações.

A nota dos procuradores da Lava Jato cita casos análogos ao da OAS, mas não menciona de onde foi retirada a informação de que a reforma do apartamento no Guarujá e o armazenamento de bens eram abatidos do suborno que a empresa pagava ao PT, segundo a denúncia.

Os procuradores refutam a conclusão da reportagem e dizem que o sistema de “caixa geral” de propinas “é conhecido pelas investigações há muito tempo” e foi corroborado por outros delatores, como Ricardo Pessoa e Paulo Roberto Costa, e por provas colhidas ao longo da Lava Jato. Nem Pessoa, dono da UTC, nem Costa, ex-diretor da Petrobras, falam, no entanto, do caso da OAS.

DELCÍDIO – Com relação ao caso específico de Lula, os procuradores citam um depoimento do ex-senador Delcídio do Amaral, prestado especialmente para a investigação em torno do tríplex e do armazenamento dos presentes.

O ex-petista e antigo líder do governo afirma que, no caso de Lula, a OAS fez “uma contraprestação pelo conjunto da obra e não uma vantagem específica decorrente de uma obra determinada”.

TUDO COMPROVADO – “Tal metodologia de caixa geral era amplamente conhecida pelos investigadores, pois já foi amplamente comprovada pelos depoimentos e pela sistemática dos pagamentos”, afirma a nota dos procuradores.

A acusação, no entanto, não fala que o suposto suborno seria repassado ao ex-presidente pelo “conjunto da obra”. A denúncia aponta que a propina paga a Lula seria decorrente de duas obras que a OAS fez nas refinarias de Abreu em Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná.

A denúncia ainda será avaliada pelo juiz Sergio Moro, que decide se aceita ou não a peça acusatória. Caso seja aceita, Lula e outras sete pessoas virarão réus, sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro. A mulher do ex-presidente, Marisa, também é acusada na denúncia.

A defesa de Lula alega que não há provas contra o ex-presidente, mas apenas ilações sem fundamento por parte dos procuradores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bem que avisamos aqui na Tribuna da Internet que o esforço da Folha para defender Lula era comovente. Deveríamos ter dito “constrangedor”. A Folha é um excelente jornal e não deveria passar por esse tipo de constrangimento. (C.N.)

Receita segue Medina Osório e cobra R$ 10 bilhões por sonegação na Lava Jato

Gerson Schaan comanda as investigações da Receita

Deu em O Tempo

A Receita Federal vai cobrar mais de R$ 10 bilhões dos investigados na operação Lava Jato – força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e da própria Receita que apura esquema de cartel e corrupção na Petrobras. A investida dos agentes federais de Curitiba levou o órgão do Ministério da Fazenda a estimar o montante sonegado em tributos da União e fraudes fiscais. A maior parte desse valor refere-se a impostos não recolhidos, entre 2010 e 2014, por 28 empreiteiras acusadas de corrupção, acrescidos de juros e multas.

“Tínhamos a previsão de que os lançamentos tributários atingiriam R$ 1 bilhão, mas, em apenas um ano de apuração, esse valor já foi superado. Possivelmente superaremos um crédito tributário (impostos, juros e multas) total constituído de mais de R$ 10 bilhões”, afirma o coordenador geral do Setor de Investigação da Receita, Gerson D’Agord Schaan.

O foco são os tributos sonegados em movimentações de propinas, lançadas oficialmente como despesas de assessorias ou consultorias – muitas delas empresas de fachada, como as do doleiro Alberto Youssef, um dos delatores do esquema.

NOTAS FRIAS – Desde que foi deflagrada, em março de 2014, a Lava Jato relacionou pelo menos 34 empresas suspeitas de serem de fachada ou “noteiras” – criadas somente para emitir notas – que movimentaram, no mínimo, R$ 2,5 bilhões, em sua maioria provenientes de empreiteiras com contratos com a Petrobras. Executivos, políticos, agentes públicos e operadores financeiros são alvo dessas ações fiscais da Receita desde 2015.

O rombo foi rastreado pela Receita em investigação conjunta por meio da identificação de serviços fictícios, uso de notas frias, contas secretas no exterior e bens em nome de terceiros ou empresas offshores. O trabalho é resultado das descobertas de fraudes financeiras na Petrobras – um prejuízo para a estatal estimado, entre 2004 e 2014, em R$ 42 bilhões, de acordo com a PF.

“O tipo mais recorrente que gerou os maiores valores de autuação até aqui foi o pagamento de contratos de serviços fictícios, despesa indedutível e pagamento sem causa”, afirmou o chefe do Escritório de Investigação da Receita, em Curitiba, Roberto Leonel de Oliveira Lima.

FALSOS SERVIÇOS – “As empresas contabilizavam pagamentos por serviços jamais executados, sob diversas denominações, como assessoria, consultoria, engenharia, para dissimular efetivos pagamentos de vantagens indevidas ou propinas”, disse Lima.

Nesses casos, as empreiteiras são cobradas em 35% do Imposto de Renda retido na fonte sobre o valor pago sem causa e mais 150% de multa por fraude e juros. A cooperação entre Receita, MPF e Polícia Federal sustenta os trabalhos de investigação da força-tarefa. “A operação Lava Jato é um marco histórico pela forma integrada na qual desenvolvemos a investigação, cada qual na sua área”, afirmou Schaan.

Só da Receita são 75 auditores fiscais destacados para a Equipe Especial de Fiscalização da Lava Jato. Os auditores trabalham atualmente em 480 ações fiscais. Foram eles que identificaram, por exemplo, pagamentos milionários de empreiteiras à JD Assessoria e Consultoria, empresa do ex-ministro José Dirceu. De acordo com os investigadores da Lava Jato, os negócios ocultaram repasses de propinas. Dirceu teria recebido parte da cota do PT no esquema, comandado também por PMDB e PP.

PROPINAS BILIONÁRIAS – São os auditores fiscais que produzem os relatórios de evolução patrimonial, movimentações financeiras e fiscais dos investigados. Só em propinas a políticos, partidos, diretores e gerentes da Petrobras foram identificados R$ 6,4 bilhões movimentados ilegalmente.

A área de inteligência da Receita no centro nervoso da Lava Jato analisa, ao todo, R$ 214 bilhões em contratos de 28 empreiteiras com a Petrobras, entre 2004 e 2014.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Receita Federal seguiu o exemplo da Advocacia-Geral da União (na gestão do ministro Medina Osório, é claro) e vai exigir o ressarcimento de recursos desviados dos cofres públicos, na forma da lei. Os procuradores da Receita está atuando firmemente com a força-tarefa da Lava Jato e tem fundamentado muitas denúncias à Justiça. Enquanto isso, a nova AGU retarda ao máximo a preparação dos processos para exigir reparação aos políticos cujos inquéritos já foram concluídos no Supremo, entre eles os senadores Renan Calheiros e Valdir Raupp, dois caciques do PMDB. Detalhe importante: Gerson Schaan, que comanda as investigações da Receita, é auditor concursado e não pode ser demitido por Eliseu Padilha. (C.N.)

Empreiteira pagou R$ 1 milhão em propina ao caixa 2 da chapa Dilma/Temer

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Bela Megale e Gabriel Mascarenhas
Folha

Em depoimento ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta segunda-feira (19), Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, afirmou que a empresa pagou R$ 1 milhão em propina à chapa da ex-presidente Dilma Rousseff e do atual presidente Michel Temer em 2014. Conforme a Folha apurou, Azevedo disse que, no total, a construtora doou cerca de R$ 30 milhões às campanhas petistas em 2014. Parte desse montante, segundo o ex-executivo, era propina referente a contratos assinados pela empresa com o governo federal, entre eles o que garantiu à Andrade participar da construção da Usina de Belo Monte, no Pará.Segundo pessoas que presenciaram o depoimento ouvidas pela Folha, ele não detalhou, no entanto, qual o percentual dos R$ 30 milhões era relativo a suborno. Azevedo disse ainda que o R$ 1 milhão que entrou no caixa da campanha de Dilma e Temer foi proveniente de um pagamento de propina feito em março de 2014, antes do período eleitoral, ao diretório nacional do PT.

O depoimento, prestado em São Paulo, foi colhido pelo ministro Herman Benjamin, relator das ações quer pedem a cassação da chapa presidencial que venceu as eleições daquele ano.

ABUSO DE PODER – Os processos, movidos pelo PSDB, apuram suspeitas de abuso de poder econômico e político, além de indícios de desvio de recursos da Petrobras para financiar a reeleição de Dilma e Temer.

Outro ex-executivo da Andrade Gutierrez, Flavio David Barra também foi ouvido por Benjamin. Estavam previstos ainda depoimentos de mais quatro testemunhas, assim como Azevedo e Barra, investigados pela Operação Lava Jato: o empresário Augusto Mendonça; do ex-vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite; do sócio da UTC, Ricardo Pessoa; do operador Júlio Gerin.

Na sexta (16), ocorreram as oitivas do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, do lobista Hamylton Pinheiro Padilha Júnior e do engenheiro Zwi Skornicki, todos delatores do esquema de corrupção da Petrobras.

OUTRO LADO – O advogado do PT, Flávio Caetano, afirmou que os depoimentos desta segunda corroboram “a regularidade das doações feitas à campanha de Dilma e Temer”.

“Ficou reconhecido a origem legal das doações, que provieram do mesmo caixa das doações feitas (pela Andrade Gutierrez) à campanha de Aécio Neves e Aloysio Nunes (que formavam a chapa adversária)”, disse Caetano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA linha de defesa é patética. Quer inocentar o réu alegando que o vizinho também é criminoso. (C.N.)

Fracassa a manobra do Planalto para anistiar políticos envolvidos na Lava Jato

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Charge do Casso ( cassocartuns.blogspot.com)

Ranier Bragon
Folha

O plenário da Câmara dos Deputados tentou votar de surpresa na noite desta segunda-feira (19) projeto gestado nos bastidores da Casa que visa abrir uma brecha para anistiar políticos que hoje são alvos da Operação Lava Jato. O texto estabelece na legislação uma punição específica e direta para o crime de caixa dois eleitoral, que é o uso de dinheiro nas campanhas sem declaração à Justiça.

DOIS OBJETIVOS – Deputados que articularam a manobra almejavam dois objetivos: conseguir a anistia por prática de caixa dois cometida até agora, com base no princípio de que lei não retroage para prejudicar o réu; e inibir a atual inclinação da força-tarefa da Lava Jato — e do juiz federal Sérgio Moro — de tratar como corrupção pura e simples o recebimento de dinheiro que não esteja na contabilidade eleitoral.

Em resumo, a intenção era essa: aprovada a lei, os casos seriam enquadrados na nova legislação sobre o caixa dois — e não como corrupção ou outro crime com pena mais severa —, mas só haveria punição daqui pra frente.

ÀS ESCONDIDAS – O projeto entrou na pauta de votações desta segunda sem convocação explícita dos deputados para analisar o tema e sem apresentação prévia do texto. A maioria dos deputados dizia não saber o que seria votado e muitos fizeram questionamentos à Mesa. O próprio relator designado de última hora para o projeto, Aelton Freitas (PR-MG), afirmou não saber do que se tratava.

O deputado Beto Mansur (PRB-SP), primeiro-secretário da Casa, presidia a sessão e se recusou a responder aos deputados. Disse apenas que a inclusão de um projeto de última hora obedece ao regimento. Após muita pressão de deputados contrários à manobra, ele foi obrigado a encerrar a sessão.

“Pediram para que eu presidisse a sessão. Eu não sei um artigo desse projeto, uma linha. Eu estava apenas cumprindo minha função de brasileiro. Não tenho nada a ver com caixa 2, não estou envolvido na Lava Jato”, afirmou Mansur. Ele se recusou a responder à pergunta sobre quem pediu a ele para tentar votar o texto.

MAIA NO PLANALTO – Participaram das articulações em torno desse projeto, entre outros, deputados do PSDB e do PP, esse último o principal partido com parlamentares implicados na Lava Jato. Houve aval do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), responsável final por aquilo que é levado à votação.

Embora ele estivesse interinamente na presidência da República nesta segunda, devido à viagem de Michel Temer aos Estados Unidos, nunca um projeto desse porte iria a voto sem a sua anuência.

Rodrigo Maia afirmou à Folha que não participou da tentativa de votação desta segunda já que estava no Planalto. Mas que em resposta a consultas anteriores sobre o tema, afirmou que sempre defendeu a votação da proposta de criminalização do caixa 2 apresentada pelo Ministério Público Federal no pacote chamado de “As 10 Medidas contra a Corrupção”. O pacote está em análise em uma comissão especial da Câmara.

MAIA SE ESQUIVA – “Não dei aval nenhum. O que disse é que se fossem votar que votassem o texto do Ministério Público, que todos defendem, para não gerar nenhum tipo de dúvida na sociedade”, afirmou ele, acrescentando não acreditar que haja possibilidade de anistia.

No texto, o MPF propõe a responsabilização dos partidos políticos e a criminalização específica do caixa dois. Embora não tenha uma tipificação exclusiva, a prática já é hoje passível de punição com base na legislação existente.

Em um primeiro momento, Beto Mansur afirmou que Maia pediu para que ele conduzisse a votação. Depois recuou e se recusou a dizer que eram os padrinhos da ideia.

MARACUTAIA – “O que está se tramando aqui esta noite é uma bandalheira, uma maracutaia, um trambique. Queremos saber quem são os partidos que estão redigindo essa emenda na calada da noite, escondidos do povo brasileiro”, discursou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) antes de a sessão ter sido cancelada. “A Câmara dos Deputados não pode ser emasculada por um ato dessa natureza”, reforçou Miro Teixeira (Rede-RJ).

Outro que reclamou foi o deputado Jorge Solla (PT-BA), apesar de deputados afirmarem que petistas participaram das negociações. “Estão querendo apagar a corrupção do passado.”

Um dos principais temores dos deputados diz respeito à lista divulgada em março com o nome de mais de 200 políticos que teriam recebido recursos da Odebrecht. Os executivos da empreiteira negociam acordo de delação premiada com a força tarefa da Lava Jato.

NA REAÇÃO – Entre os deputados que participaram das conversas de bastidor contra o projeto está o ex-líder da bancada do PSDB Carlos Sampaio (SP), que é egresso do Ministério Público. Ele também defende a aprovação integral do texto enviado pelo Ministério Público Federal.

Sob o argumento de que o Ministério Público Federal jamais defenderia uma medida livre políticos envolvidos em crimes, Sampaio diz não ver possibilidade de anistia.

“Há chance zero de isso acontecer, não é nem chance pequena ou irrisória, é zero”, afirmou, argumentando que a Justiça poderá continuar a condenar os políticos envolvidos na Lava Jato com base em outra legislação. Segundo ele, a necessidade de votação agora se dá para que haja real possibilidade de uma punição mais dura aos candidatos que utilizarem caixa dois nas eleições de outubro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Rodrigo Maia já mostra que está com os caciques do PMDB e não abre. Na Câmara, nada entra em pauta sem ordem do presidente da Mesa, que não pode alegar que não sabia de nada, só porque estava no Planalto, do outro lado da praça, brincando de ser chefe do governo… Alguém precisa informar a este rapaz que já inventaram o telefone… Ficou mal também para o deputado Beto Mansur, que se sujou à toa. Por fim, Rodrigo Maia é hoje muito ligado a Temer e só faz o que ele e o primeiro-ministro  Eliseu Padilha mandam. (C.N.)

Lembrando Lupicínio Rodrigues, o rei da dor de cotovelo

Resultado de imagem para lupicinio rodriguesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), Lupe, como era chamado desde pequeno, compôs músicas que expressam muito sentimento, principalmente, a melancolia por um amor perdido. Foi o inventor do termo dor de cotovelo, que se refere à prática de quem crava os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pede uma dose dupla e chora a perda da pessoa amada.

Constantemente abandonado pelas mulheres, Lupicínio buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos. E “Aves Daninhas” não foge à regra, porque Lupe fala de um sentimento numa ocasião especial com franqueza. Este samba-canção foi gravado por Nora Ney, em 1954, pela Continental.

AVES DANINHAS
Lupicínio Rodrigues

Eu não quero falar com ninguém
Eu prefiro ir pra casa dormir
Se eu vou conversar com alguém
As perguntas se vão repetir
Quando eu estou em paz com meu bem
Ninguém por ele vem perguntar
Mas sabendo que andamos brigados
Esses malvados querem me torturar

Se eu vou a uma festa sozinha
Procurando esquecer o meu bem
Nunca falta uma engraçadinha
Perguntando ele hoje não vem
Já não chegam essas mágoas tão minhas
A chorar nossa separação
Ainda vem essas aves daninhas
Beliscando o meu coração