Banco Central quer ficar bem longe das eleições

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Técnicos do Banco Central já começam a sentir o peso das eleições. Teme-se, no mercado, que o Comitê de Política Monetária (Copom) acabe cortando juros no início de setembro, se o ritmo de atividade despencar. A orientação do presidente do BC, Alexandre Tombini, é para que a instituição se afaste o máximo que puder da campanha presidencial. O banco reforçará que todas as suas decisões são baseadas em questões técnicas, independentes do governante de plantão.

Mas aliados de Dilma não perdem a oportunidade de tripudiar economistas da oposição que defendem a autonomia, em lei, do Banco Central. “Nos Estados Unidos, já se discute a possibilidade de se reduzir a independência do Fed (Federal Reserve). Então, por que temos de dar mais poder a nossa autoridade monetária, que, por sinal, já é muito autônoma?”, indaga um senador petista.

O tema voltou às rodas de conversa, diante da defesa veemente da presidente do Fed, Janet Yellen, de que o Congresso norte-americano não pode tirar a independência da instituição, proposta defendida pelos Republicanos.

CABIDE DE EMPREGO

A Companhia Energética de Brasília (CEB) enfrenta sérios problemas de caixa. Está atrasando salários. Nem mesmo o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) está sendo repassado em dia ao Governo do Distrito Federal. São pelo menos quatro meses de inadimplência.

Não é à toa que a Companhia Enérgica de Brasília (CEB) está caminhando para o calote. Em vez de cortar custos, somente no ano passado aumentou em 15% a folha de pessoal. Isso, apesar de ter sido obrigada pelo governo federal a reduzir, na média, em 17% as tarifas cobrados dos consumidores.

O canto da Mãe Terra, reproduzido na genialidade de Cora Coralina

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1880-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, conforme este poema “Cântico da Terra”. Vale ressaltar que a obra de Cora Coralina também nos mostra a vida simples dos becos e ruas históricas de Goiás Velho, a antiga capital do Estado.
O CÂNTICO DA TERRA

Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

      (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

A confiabilidade das pesquisas eleitorais

Paul G. Hoel

“Uma característica interessante de problemas como esse [pesquisas eleitorais] é que, contrariamente à crença da maioria das pessoas, a precisão de uma estimativa de proporção populacional (“p”) não depende do tamanho da população, mas só do tamanho da amostra. Dessa forma, uma amostra de 2.500 eleitores tirada de 50.000.000 de votantes é suficiente teoricamente para determinar a preferência desses eleitores, com alta precisão.

Infelizmente, eleitores não se comportam sempre como tentativas num jogo de azar, de modo que o modelo da distribuição binomial [modelo estatístico de amostragem usado nessas pesquisas] não é estritamente aplicável a problemas desse tipo. Por exemplo, um votante quando entrevistado pode favorecer um candidato e, contudo, uma semana mais tarde, pode votar em outro candidato ou pode mesmo esquecer de votar. Pode também interpretar mal as perguntas do questionário, e assim responder de modo incorreto.

A experiência tem mostrado que, devido a fatores humanos incontroláveis, a precisão de uma estimativa de proporção populacional (“p”) para votantes não aumenta muito após se tirar uma amostra de 10.000. É necessário bom senso na aplicação de modelos matemáticos à vida real, principalmente quando se trata de seres humanos e de suas inconsistências.”

(Paul G. Hoel é estatístico e matemático da Universidade Califórnia,
em Los Angeles. Texto enviado por Wagner Pires)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O problema das pesquisas eleitorais em países como o Brasil é a possibilidade de manipulação direta (fraude) ou indireta (direcionar parte da pesquisa para área que seja reduto do candidato.  O prof. Hoel fez bem em ressalvar a existência de “fatores humanos incontroláveis”. Agora, no caso da sucessão no Brasil, as pesquisas vêm indicando uma tendência de queda da candidata à reeleição e uma tendência de alta dos candidatos da oposição. Com isso, está praticamente confirmada a possibilidade de haver segundo turno, que significa uma nova eleição. E as grandes novidades são as subidas de Aécio Neves e Eduardo Campos no segundo turno. O resto é folclore. (C.N.)

Editorial do Estadão diz que PT usa o descaramento como política

O Estado de S.Paulo
Editorial

O programa de governo Dilma Rousseff 2014 é uma peça publicitária, com forte dose de ficção. Um dos tópicos, intitulado Os 12 anos que transformaram o Brasil, é constrangedor. Ali, a mentira parece adquirir status de verdade histórica.

O que primeiro choca é a incongruência entre o título do programa (Mais mudanças, mais futuro) e o conteúdo proposto. Era de esperar que, com resultados tão pífios – reconhecidos não apenas por analistas econômicos, mas, como as pesquisas têm indicado, pela população em geral, que já percebeu qual é a qualidade do atual governo -, o leitor do programa se deparasse com algo diferente do que viu nos últimos anos. Mas o que lá está é mais do mesmo, com a reedição de “programas” pontuais e desconexos, sem uma visão ampla do que o Brasil precisa. Vê-se logo que é um programa feito pró-forma, em que o País é um simples acessório.

Furtando-se de analisar os seus anos de governo – o que seria mais honesto -, sempre que pode Dilma inclui os oito anos de Lula nas suas comparações. Disso resultam afirmações que se chocam com a verdade. Por exemplo, “ao final de três mandatos, todos os indicadores do período são positivos e sempre muito melhores do que os vigentes em 2002”. Haja criatividade nos números para tamanha miopia!

BRAVATAS

Em relação ao seu calcanhar de aquiles – a inflação -, não tendo o que apresentar, usa bravatas pouco convincentes. “Entendemos o poder devastador da inflação (…) e por isso jamais transigiríamos ou transigiremos com um elemento da política econômica com esse potencial desorganizador da vida das pessoas e da economia”. Se de fato Dilma entendeu o poder devastador da inflação, seus anos de governo são um exercício explícito de má-fé. O que ela de fato compreendeu foi o efeito político da inflação, daí a manipulação de números e os preços e tarifas administrados.

Há passagens que são a mais deslavada mentira. “Os governos do PT assumiram a histórica tarefa de investir na infraestrutura logística brasileira. (…) O Brasil dos governos do PT e de seus aliados ficará marcado como o período da história recente com mais entregas de grandes obras de infraestrutura.” Será uma piada de mau gosto? Se há um setor onde existe uma distância abissal entre o que o País necessita – e o governo prometeu – e a administração petista entregou, este é o da infraestrutura. É dessa forma que a Mãe do PAC vê os resultados pífios do seu mandato?

No programa, renova-se a “profissão de fé do PT” no seu modelo de desenvolvimento. Informa que ele está assentado em dois pilares – a solidez econômica e a amplitude das políticas sociais – e que ganhará no próximo governo um terceiro sustentáculo: a competitividade produtiva. Infelizmente, não houve, como afirma o documento, “defesa intransigente da solidez macroeconômica”. É fato de domínio público. Sobre as políticas sociais, também é conhecido como o PT entende o seu maior trunfo: repasse de verba, sem acompanhamento de resultados efetivos. “Social”, para o governo atual, é sinônimo de voto. Na sua lógica, se deu voto, houve transformação social. E o terceiro pilar é algo de que o PT pouco entende, como já se viu. No máximo, sabe dar incentivos pontuais, de alcance duvidoso, sem uma política de governo séria e responsável, que garanta a confiança no ambiente dos negócios.

Para aparecer bem na foto, o PT não tem escrúpulos de editar a imagem real. No programa, afirma-se que “a tarefa de combater a extrema pobreza (…) foi superada”. Confundem o título de programa social, “Brasil sem Miséria”, com a realidade vivida. Afronta a sensibilidade humana fazer campanha eleitoral ignorando a realidade de tantos brasileiros e brasileiras que ainda vivem em condições sub-humanas.

Não foi o PT quem inventou certa “flexibilidade” nos programas de governo. Já existia antes dele. Mas o atual governo pôs em outro patamar o nível de descaramento. Eleições merecem respeito, porque o cidadão merece respeito. Há limites até mesmo para o que se põe no papel, ainda que na ética petista tudo aquilo que o mantenha no poder seja visto como legítimo. O Brasil merece outra ética, outra política.

(texto enviado por José Carlos Werneck)

Por que nenhum país importante usa a urna eletrônica?

 

Luiz Cordioli

É minha visão que que esta eleição continuada de corruptos se deva tão somente à qualidade de nossas babaqueadas urnas eletrônicas inverificáveis e sem voto impresso. Ninguém pode conferir o que elas totalizam.

A eleição é o que está na lista impressa, talvez muitos dias antes da própria eleição.
Eleição eletrônica com nossas urnas é apenas um algoritmo matemático. E só os seus “donos” têm acesso a ele.

Para elegerem um determinado candidato, não precisam alterar a totalidade dos votos.
Basta alterarem um pouco dos votos de algum (ou de todos) para a conta dele, que ele vence. Aí, às 17 horas, tiram-se as totalizações já alteradas e desligam-se as máquinas.
Simples assim, nesta fase e possibilidade. Existem outras, mais sofisticadas.

E as pessoas se surpreendem por que tantos votaram num candidato tão corrupto e ele se elegeu… Discussão para muitos meses, quantos quiserem. Sem saída. Não houve votação nele, mas ele se elegeu. Com votos eletrônicos, só isto.

Quem poderá recontar, conferir e discutir o resultado impresso? Ninguém, forever.

Está na Lei que se possa recontar os votos. Só que na prática, na realidade da própria urna, a recontagem está proibida, com outras palavras e fatos: pode recontar, sim, só não temos o quê, porque a urna foi desligada, e é só eletrônica, não existe voto impresso…

É muito fácil, mesmo. O corrupto se elege… mas com votos só eletrônicos.

Repito, acredite quem quiser. Quem não quiser, continue reclamando dos brasileiros que não sabem votar…

http://www.brunazo.eng.br/voto-e/ ou http://www.votoseguro.org

Quem faz o que faz, na cara de todos, e nada lhe ocorre, o que não fará por baixo dos panos? É muita ingenuidade, gente! Estamos procurando há muito tempo, mas não se encontraram santos, por enquanto. E a coisa é feia, especialmente onde não se vê.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGJá está mais do que provado que as urnas eletrônicas não são confiáveis. Brizola costumava pedir que houvesse uma lista impressa dos votos, mas ninguém tomou providências. Há alguns anos, quando a Seaerj (Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro) era presidida por Eduardo Konig, houve um importantíssimo debate sobre a urna eletrônica, com participação de um hacker, que inclusive mostrou como conseguiu entrar no sistema da Justiça eleitoral para alterar a votação. Ninguém tomou providências. A Universidade de Brasília também mostrou publicamente como adulterar a votação da urna eletrônica. Ninguém tomou providências. E por que nenhum país aceita usar a urna eletrônica, uma espécie de jabuticaba eleitoral que só existe no Brasil? (C.N.)

Isto não é um país, é uma colônia de corsários, de bandidos!

Francisco Vieira

Alguns navios piratas devem ter naufragados na costa desta terra e os seus capitães, após aqui aportarem e fincarem bandeira, dividiram as tripulações em três quadrilhas, eufemisticamente chamadas de poderes, harmônicos entre si único com um único e exclusivo objetivo: abusar e explorar os nativos, impiedosamente. Um poder dando cobertura ao outro, coisa que perdura até hoje!

No Distrito Federal, o caso do estádio Mané Garrincha, a ser “privatizado” depois da reforma que custou R$ 1,4 bilhão, não é o único que chama a atenção, mas também o caso da rodovia que liga Brasília a Goiânia.

Durante mais de 50 anos os motoristas foram obrigados a trafegar em uma pista de mão dupla, esburacada e com erros de engenharia que custaram muitas vidas e encheram os bolsos dos donos de radares móveis, estrategicamente colocados nos pontos mais perigosos para “evitar acidentes” (principalmente na aberração de engenharia chamada de “sete curvas”) com os motoristas impacientes, já que era comum, diariamente, ver filas enormes de veículos, com os motoristas trafegando de segunda marcha, atrás de caminhões carregados de tijolos produzidos nessa região do Goiás.

Nesta josta de lugar, mesmo quando os incompetentes erram, os bandidos instalados no sistema ainda lucram! Pois bem. Finalmente, agora, quando a rodovia foi duplicada, sinalizada, novas pontes construídas e os erros de engenharia consertados com o dinheiro dos otários, e quando já se tornou possível ir de uma cidade a outra mais rápido e sem correr risco de vida, estão construindo postos de pedágio!

Seria a mesma coisa que você fazer um portão novo na sua casa com o seu dinheiro e aparecer um bandido, se apossar dele e passar a cobrar por cada vez que você fosse utilizá-lo.

Quanto aos estádios, devem ser vendido por alguma mixaria. Acabou o milho, acabou a pipoca. E os otários da senzala, mais uma vez, pagarão as contas da festa acontecida na casa grande e para a qual não foram convidados.

“Nunca vi tanto dinheiro”, diz procurador sobre investigações da Operação Lava Jato

 O presidente do CNMP, Rodrigo Janot, divulga relatório sobre o Programa Segurança sem Violência (Elza Fiúza/Agência Brasil)
André Richter
Agência Brasil 

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse hoje (18) que as investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, revelaram um grande esquema de lavagem de dinheiro. “Nunca viu tanto dinheiro”, afirmou Janot, ao comentar dados da operação aos quais teve acesso. O procurador participou nesta sexta-feira de um café da manhã com jornalistas.

Ele nomeou uma força-tarefa do Ministério Público para dar celeridade aos trabalhos, mas ressaltou que a conclusão dos inquéritos não será  rápida, devido à complexidade das investigações.

De acordo com informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os acusados movimentaram mais de R$ 10 bilhões. Janot disse que era “um esquema enorme de lavagem de dinheiro” e que o dinheiro era usado para mais de uma finalidade. “Tem campanha [política], tem corrupção, são vários os destinatários e destinos dessas importâncias. O volume de dinheiro é enorme e as investigações prosseguem. Nunca vi tanto dinheiro na minha vida”, enfatizou.

SUPERQUADRILHA

Deflagrada no dia 17 de março deste ano, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, desarticulou uma organização que tinha como objetivo a lavagem de dinheiro em seis estados e no Distrito Federal.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado, “além de envolver alguns dos principais personagens do mercado clandestino de câmbio no Brasil”, é responsável pela movimentação financeira e lavagem de ativos de diversas pessoas físicas e jurídicas envolvidas em crimes como tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal, evasão de divisas, extração e contrabando de pedras preciosas e desvio de recursos públicos.

A operação foi intitulada Lava Jato porque o grupo usava uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar o dinheiro. Em um dos inquéritos, são investigados supostos desvios de recursos públicos na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. No processo, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e outros acusados são investigados por lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, a obra foi orçada em R$ 2,5 bilhões e os gastos já chegaram a R$ 20 bilhões.

Tribunal mantém bloqueio de bens de ex-presidente do Banco Panamericano, mas Silvio Santos continua rindo


Fausto Macedo e Mateus Coutinho
Estadão

O Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3) manteve o bloqueio de bens do ex-presidente do Banco Panamericano, Rafael Palladino e de ex-diretores da instituição. O Tribunal acolheu manifestação do Ministério Público Federal e rejeitou as apelações da defesa de Palladino e de ex-diretores contra a decisão de primeiro grau da Justiça Federal que impôs o embargo patrimonial.

Segundo a Procuradoria Regional da República, o bloqueio busca garantir a eficácia, em caso de futura condenação, da reparação dos danos causados em esquema de desvio e lavagem de dinheiro na gestão do Panamericano que, segundo as investigações, causaram prejuízos de ao menos R$ 3,8 bilhões.

Rafael Palladino, então presidente do Panamericano e sócio de seis empresas suspeitas de serem usadas para receber dinheiro desviado, pedia em três apelações distintas a liberação de seus bens e os de suas empresas, que foram alvo de sequestro e arresto como medida cautelar no âmbito da ação principal que apura supostos desvios e crimes cometidos pelos executivos do banco.

Palladino alegou em três recursos não haver indícios de que ele ou suas empresas teriam alguma relação com os crimes apurados. Para ele, o fato de as empresas não funcionarem nas respectivas sedes não permitiria concluir que elas fossem de fachada. Afirmou, ainda, que o bloqueio de seus bens seria desproporcional ao estabelecido em lei.

Para a Procuradoria, a investigação realizada pela Polícia Federal mostrou que as empresas de Palladino seriam mesmo de fachada, uma vez que todas tinham o mesmo endereço e, no local, funcionava um consultório de psicologia e de fonoaudiologia – atividades alheias às que deveriam exercer as empresas do ex-presidente do Panamericano.

ARDIL

A PF constatou que Palladino “transferia elevadas quantias a essas empresas por pessoas sem nenhum vínculo com o banco para dificultar a verdadeira origem do dinheiro”.

Segundo o Banco Central, Palladino participou de um processo de ocultação que, para o Ministério Público Federal, justifica o sequestro dos bens que teriam sido obtidos de forma ilícita. A liberação do bloqueio, segundo parecer do procurador regional da República Osvaldo Capelari Júnior, permitiria que os bens fossem diluídos e, desta forma, “frustraria a execução de uma eventual pena e a consequente reparação aos acionistas e clientes prejudicados pela fraude”.

A ordem de bloqueio foi mantida também com relação a ex-diretores do Panamericano.

O procurador ressaltou que “a medida assecuratória se mostra de acordo com os requisitos legais e se faz necessária para a reparação dos exorbitantes danos causados, que afetam não apenas o banco, mas todo o Sistema Financeiro Nacional e investidores”.

Segundo as investigações, em decorrência das fraudes atribuídas aos diretores e empresas do mesmo grupo econômico, o Banco Panamericano suportou prejuízos da ordem de R$ 3,8 bilhões durante o período de 2007 a 2010, valores que podem aumentar até o final das investigações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO dono do Banco Panamericano chamava-se Silvio Santos. Com apoio do então presidente Lula, ele vendeu o banco falido para a Caixa Econômica Federal, embolsou o dinheiro e saiu dando risada, enquanto a viúva contabilizava o prejuízo. Se Lula não o tivesse apoiado, Silvio Santos teria ido à falência. Mas está cada vez mais rico e sorrindo como nunca . (C.N.)

Sucessão presidencial está cada vez mais emocionante

Wagner Pires

A candidata Dilma aparece com 36% das intenções de votos. Como esta média não supera a soma das intenções de votos dos demais candidatos, que é de, exatamente, 36% – Aécio (20%) + Campos (8%) + Pastor Everaldo (3%) + Outros (5%) –, a disputa eleitoral vai para o segundo turno.

A nova pesquisa Datafolha colimou ainda mais o resultado em relação a última pesquisa que realizou. Ouvindo 5.377 eleitores o erro estatístico admitido para a pesquisa ficou bem próximo dos 2% divulgados.

Vejam, para os 5.377 eleitores entrevistados temos um erro calculado de: 5.377 = (3² x 0,5 x 0,5)/e². Calculando, temos:

5.377 = (3² x 0,5 x 0,5)/e²
e² = 2,25/5.377
e = 0,00042^1/2
e = 0,0204 ou 2,04%

Ou seja, confirma-se que o Datafolha divulgou acertadamente o erro admitido para a pesquisa, diferentemente de outros institutos em pesquisas anteriores.

EMPATE TÉCNICO

Sendo assim, e considerando a existência do segundo turno, a pesquisa levantou a informação de que é de 44% as intenções de votos para a candidata Dilma, e de 40% para o segundo colocado, o candidato Aécio Neves.

Diante destas informações e considerando o erro de estimativa admitido na pesquisa, estatisticamente há um empate técnico no segundo turno entre estes dois candidatos, pois a possibilidade é de que Dilma tenha 44% – 2% (para baixo) = 42%, e, Aécio Neves 40% + 2% (para cima) = 42%. Ou seja, os dois candidatos apresentam a mesma média de intenções de votos quando considerado o erro de estimativa admitido na pesquisa.

O mesmo raciocínio não ocorre em relação ao terceiro colocado, o candidato Eduardo Campos, que, segundo a pesquisa, aparece com a média de 38% das intenções de voto no segundo turno. E, se somada ao erro de estimativa admitido 38% + 2% = 40%, continua abaixo da média apresentada pela candidata Dilma, significando a vitória desta no segundo turno, por dois pontos de diferença.

Diante da presente pesquisa, portanto, já não dá para a presidente Dilma comemorar antecipadamente uma possível vitória. Pelo contrário, os números mostram que há dúvida e a possibilidade de uma virada de intenções de voto na corrida eleitoral.

Está cada vez mais emocionante. Ou, interessante, se preferirem.

A bola em outros campos

Gaudêncio Torquato

Em sua última crônica antes de o Brasil estrear na Copa do Mundo, em 1958, Nelson Rodrigues, indignando-se contra o pessimismo das ruas, cunhou um chiste famoso, o “complexo de vira-lata”. Arrematava a explicação: “o brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-lata e que tem futebol para dar e vender lá na Suécia”. O dito do nosso maior dramaturgo há tempos abandonou os vãos da nossa alma futebolística para fazer eco em outras arquibancadas, principalmente nos ambientes palacianos dos governantes.

A fantasia, a improvisação e a invenção, matérias-primas que, por anos a fio, sedimentaram as bases da “pátria em chuteiras” (outra expressão de Nelson) e jorraram com abundância nos dutos da catarse social, hoje não passam de arremedos infrutíferos.

Pouco adiantará apontar culpados, ensaiar jogadas recíprocas de acusações, tatear nas margens das questões que o futebol suscita, a partir do reconhecimento de que suas técnicas evoluíram, priorizando os conceitos da força do conjunto, da celeridade, do preparo psicológico, de táticas e estratégias específicas para cada adversário.

CHOQUE DE GESTÃO

Já se prega a urgência de um choque de gestão no futebol brasileiro, o que implicaria a oxigenação nas cúpulas da cartolagem, a busca de perfis adequados aos contextos de competitividade e o fim do ciclo até então vivido pela seleção. Pode ser um caminho. Mas não se espere que mexer com uma pedra do tabuleiro será suficiente para conduzir o nosso futebol aos primeiros lugares do ranking mundial. Ele é parte de um todo, não um fio separado do rolo. O ethos nacional é mescla de hábitos, costumes, atitudes, visões, história e tradição.

Essa radiografia valorativa, porém, não comporta apenas a planilha de coisas bonitas, conforme se pode depreender de uma olhada na estética das ruas durante a Copa. Abriga aspectos nem sempre alinhavados pelas lupas sociológicas, como o desleixo, a individualidade, a desorganização, enfim, o cenário que tende a propiciar atos de selvageria. Nesse ponto, convém puxar o papel do poder público para a harmonização social. Trata-se de dever inalienável da administração do Estado cuidar para suprir as demandas dos contingentes socais na esfera do cotidiano. Daí a importância de um choque geral de gestão.

DERROTA VERGONHOSA

A escorchante e vergonhosa derrota para a Alemanha pode abrir o encontro do Brasil com suas realidades. Passar uma camada de tinta sobre o nosso futebol, deixando o reboco mofado sobre as paredes da saúde, educação, segurança pública, transporte, enfim, continuar a encobrir a paisagem torta das ruas é perpetuar o estado de carências.

O futebol é apenas um eixo da roda da diversão nacional. A respeito dele, sem querer esmaecer o conceito de negócio que o transforma em atividade das mais lucrativas do mundo do espetáculo, urge que promova maior correspondência entre os salários de jogadores e suas atuações.

O clamor das galeras expressa o desempenho da equipe: “falta raça, sobra ração ($)”. E muita exibição. Estrelas do Olimpo, os nossos atletas até parecem sofrer do “complexo do pavão”. (transcrito de O Tempo)

De olho no PIB negativo e no desemprego

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O governo já admite, nos bastidores, que o Produto Interno Bruto (PIB) poderá ser negativo no segundo semestre. O número oficial será divulgado em 29 de agosto, quando a disputa eleitoral estará entrando na reta final. A ordem, porém, é manter o sangue frio. Internamente, técnicos da equipe econômica municiam o Palácio do Planalto de indicadores quase diários e garantem que, mesmo que a retração da atividade entre abril e junho se confirme, a sensação de bem estar entre o eleitorado estará quase intocada.

Na avaliação da equipe econômica, o importante é que o desemprego se mantenha estável até outubro, o que deve acontecer, mesmo que o setor de serviços demita parte dos trabalhadores temporários contratados para a Copa do Mundo. Para complementar, ressaltam os técnicos, a inflação já está dando alívio no orçamento das famílias, devido ao recuo dos preços dos alimentos. Esse movimento favorecerá, sobretudo, a população mais pobre, que tende a destinar mais votos à candidata petista.

“Sinceramente, a oposição não contava com a queda dos preços dos alimentos. Isso já esvazia um pouco o discurso daqueles que queriam colar na presidente Dilma a pecha de que ela foi leniente com a inflação, colocando em riscos as conquistas obtidas no governo Lula”, diz um integrante da campanha à reeleição. “Agora, temos o discurso de que a inflação está abrandando porque o governo agiu. Não se pode esquecer de que o Banco Central elevou os juros de 7,25% para 11% ao ano, ciente de que esse aperto reduziria a atividade econômica”, acrescenta.

INFLAÇÃO

O governo vai insistir no discurso de que não tolera inflação. E que continuará tomando as medidas necessárias para proteger o bolso dos consumidores. “Tudo está mostrando que não há descontrole inflacionário, que, mais uma vez, os pessimistas erraram”, reforça um assessor do Planalto. Ele conta que, no entorno da presidente Dilma, foi bem recebida a decisão do BC de manter, ontem, a taxa básica de juros (Selic) em 11% ano. “Era pedra cantada. Mas confirma o quão prudente está sendo o Banco Central. Não há por que forçar a mão nos juros e impor custos extras ao país. A inflação está caindo, vai continuar caindo, sem que seja necessário elevar mais a Selic”, ressalta.
 

Palestina, o sonho acabou?

Clóvis Rossi
Folha

As explosões que abalam Gaza e Israel abafaram um ruído que potencialmente é muito mais perigoso. Refiro-me às declarações do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu de que Israel tem de se assegurar de que “não haverá outra Gaza na Judeia e Samaria” (como os judeus se referem ao território que a comunidade internacional trata por Cisjordânia e habitado majoritariamente pelos palestinos).

Mais especificamente, Netanyahu declarou:

“Acho que o povo de Israel compreende agora o que eu sempre disse: não pode haver uma situação, sob qualquer acordo, na qual nós renunciemos ao controle de segurança no território a oeste do rio Jordão” (de novo, os territórios palestinos).

Tradução, segundo David Horovitz, fundador e editor do “Times of Israel”, preciosa fonte de informação sobre a região:

“Não renunciar ao controle de segurança a oeste do rio Jordão, deve-se enfatizar, significa não dar a uma entidade palestina plena soberania. Significa não aceitar as demandas de Mahmoud Abbas [presidente da Autoridade Nacional Palestina], as demandas de Barack Obama, as demandas da comunidade internacional. (…) Essa sentença, muito simplesmente, determina o fim da noção de que Netanyahu consentiria no estabelecimento de um Estado palestino”.

Com isso, prossegue Horovitz, “torna-se fora de questão uma Palestina plenamente soberana”.

Tem razão: se já perto de impossível alcançar um acordo sobre a delimitação dos territórios nos quais os palestinos terão soberania, torna-se inteiramente inviável qualquer entendimento que lhes ofereça soberania apenas parcial, se lhes é imposto um controle de segurança feito por uma potência estrangeira que não é exatamente bem amada nos territórios.

Como a anexação por Israel dos territórios palestinos teria um preço elevadíssimo, razoável supor que Netanyahu esteja pensando em uma solução menos radical: a manutenção do status quo, em que a segurança de Israel fique mais ou menos garantida pelo muro que separa o Estado judeu dos territórios.

Funcionaria? Não, respondeu Philip Gordon, coordenador da Casa Branca para o Oriente Médio:

“Como Israel permanecerá democrático e judeu se tenta governar os milhões de palestinos que vivem na margem ocidental [do Jordão]? Como ter paz se não quer delinear uma fronteira, encerrar a ocupação e permitir aos palestinos soberania, segurança e dignidade?”.

Se pensam assim um jornalista judeu e um alto funcionário do maior aliado de Israel, imagine-se então o que pensam os árabes e aliados menos incondicionais.

Posto de outra forma, Netanyahu está desejando uma não-solução. Mais: antes de poder implementá-la, ainda tem de resolver a sua prioridade mais urgente, que ele mesmo diz que é “dar conta do Hamas”.

Não é à toa, pois, que o escritor israelense Etgar Keret escreve para “El País” que, “nos bons tempos”, conseguia produzir um texto pela paz a cada dois meses. Agora, “ao sentar-me diante do computador, não me saía nada”.

Nelson Sargento mostra por que o samba agoniza mas não morre

O artista plástico, escritor, cantor e compositor carioca Nelson Mattos foi sargento do Exército, daí o apelido que virou nome artístico. Ele endossa nesta letra a força que o samba tem apesar de todas as adversidades sofridas desde o seu surgimento, visto que o “Samba Agoniza Mas Não Morre”. Um dos maiores sucessos gravados por Beth Carvalho no LP De Pé No Chão, em 1978, pela RCA Victor.
SAMBA AGONIZA MAS NÃO MORRE

Nelson Sargento

Samba,
Agoniza mas não morre,
Alguém sempre te socorre,
Antes do suspiro derradeiro.

Samba,
Negro, forte, destemido,
Foi duramente perseguido,
Na esquina, no botequim, no terreiro.

Samba,
Inocente, pé-no-chão,
A fidalguia do salão,
Te abraçou, te envolveu,
Mudaram toda a sua estrutura,
Te impuseram outra cultura,
E você nem percebeu.

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

 

Ministério Público Federal quer limitar cargos comissionados do Senado

Deu no Correio Braziliense

O Núcleo de Combate à Corrupção (NCC) do Ministério Público Federal no DF (MPF/DF) apontou ilegalidades na forma como o Senado Federal preenche seus postos de trabalho, ao analisar uma ação popular que tramita na Justiça. O NCC constatou ” notável desproporção” entre o numero de servidores comissionados e efetivos. Atualmente o quadro tem 3.244 cargos em comissão e 2.954 efetivos.

Desde outubro de 2013, um inquérito civil do MPF/DF investiga os mesmos fatos mencionados na ação popular. Entre outros pedidos, o processo tem o objetivo de impedir que o Legislativo nomeie novos servidores comissionados ou terceirizados para atividades próprias de cargos efetivos para os quais há candidatos aprovados em concursos recentes.

Foi apurado que, de 2002 a 2014, o número de comissionados no Senado Federal quase duplicou. “Em 2013, pela primeira vez, a casa passou a dispor de mais comissionados do que efetivos em exercício nos seus quadros,” destaca a petição do NCC. O quadro se agrava, pois até o fim de 2014 há mais de 700 aposentadorias potenciais de efetivados e o concurso vigente expira em julho de 2014.

SEM CONCURSO

O Ministério Público argumenta que esses postos comissionados no Senado ferem os princípios da exigibilidade de concurso público, moralidade, impessoalidade e eficiência. Segundo a Constituição, essas ocupações são exclusivamente para atividades de direção, chefia e assessoramento. Porém, o atual cenário no Senado indica que determinados cargos comissionados englobam atividades nitidamente executivas e que deveriam ser exercidas por servidores efetivos.

Mencionados na ação entre os cargos de natureza operacional preenchidos por comissionados estão: Auxiliar Parlamentar Júnior, Auxiliar Parlamentar Intermediário, Auxiliar Parlamentar Pleno, Auxiliar Parlamentar Sênior, Assistente Parlamentar Júnior, Assistente Parlamentar Intermediário e Motorista. As atividades por eles desempenhadas são: telefonar, operar computador, receber pessoas, registrar informações, controlar documentos, arquivar, expedir correspondências e digitar.

NÚMERO CRESCENTE…

O Núcleo de Combate à Corrupção do MPF/DF defende que tais serviços – por serem rotineiros, burocráticos e sistemáticos – devem ser desenvolvidos de maneira impessoal, caracterizada pela contratação de trabalhadores concursados. Esses tipos de cargos, por meio de comissão, “colocam em risco a continuidade do serviço publico, diante da possibilidade de ser perdido periodicamente todo o conhecimento técnico acumulado na alternância de poder”.

“O órgão legislativo vem criando, nos últimos anos, um número crescente de ocupações em comissão com natureza executiva/operacional privilegiando o apadrinhamento político em face do sistema imparcial e meritório do concurso público, em detrimento inclusive de candidatos devidamente aprovados,” frisa o Núcleo de Combate à Corrupção.

 

 


 

Datafolha pós-Copa acende luz amarela para Dilma e o PT

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José Roberto de Toledo
Estadão

Como está dentro da margem de erro da pesquisa, a oscilação negativa de Dilma Rousseff (PT) no Datafolha, de 38% para 36%, pode ser uma simples variação estatística, mas é um sinal amarelo para a campanha petista. Aliás, são vários sinais amarelos. O saldo de avaliação do governo Dilma caiu de 9 para 3 pontos em duas semanas. Tanto o ótimo/bom diminuiu 3 pontos quanto o ruim/péssimo subiu na mesma proporção.

Além disso, os adversários estreitaram a diferença em relação à candidata à reeleição nas simulações de segundo turno. Dos 7 pontos do começo de julho, Aécio Neves (PSDB) tirou 3 e está agora apenas 4 pontos atrás de Dilma. Eles estão tecnicamente empatados. Já Eduardo Campos (PSB) viu sua distância para a petista diminuir de 13 pontos para 7 em apenas duas semanas.

CLIMA DE FESTA

Durante a Copa, o governo federal e estatais como Petrobras e Caixa Econômica ocuparam grande parte dos intervalos dos jogos e dos programas esportivos com propagandas. Somava-se a isso o fato de as atenções estarem voltadas para a competição, de haver um clima de festa e de o noticiário sobre a organização do evento ser positivo – além do aumento da auto-estima dos brasileiros por causa da aprovação dos estrangeiros.

Com o fim da Copa, imediatamente as atenções se voltam para os problemas do dia-a-dia, em especial a perda de poder de compra acarretada pelo aumento continuado de preços. A desaceleração do ritmo de criação de empregos formais é outro sinal preocupante para a economia e, por tabela, para Dilma.

 

Nada disso deve melhorar até agosto. O período entre a Copa e o começo do horário eleitoral no rádio e na TV é crítico para Dilma Rousseff (PT). As estatais e o governo estão proibidos de anunciar enquanto os indicadores econômicos continuam piorando. A esperança da presidente é ter direito a muito mais tempo na propaganda eleitoral do que os rivais.

Os resultados cada vez mais parelhos das simulações de segundo turno são uma boa projeção de como esta campanha deve ser disputada e de como a diferença tende a ser apertada. A eleição presidencial de 2014 está muito mais para Argentina 0 x 0 Holanda do que para Alemanha 7 x 1 Brasil.

Inocência e demagogia no Padrão CBF, com Ricardo Teixeira ganhando  R$ 100 mil mensais

Chico Maia
O Tempo

Depois que o Brasil tomou 7 a 1 da Alemanha, começou, de novo, o “clamor” por mudanças na estrutura arcaica do futebol brasileiro. A imprensa pôs o tema nas manchetes e um monte de gente passou a ser ouvida a respeito: torcedores, dirigentes, jogadores, políticos, sociólogos e por aí vai.

Estamos em ano eleitoral e entre inocentes, demagogos, oportunistas e hipócritas tem saído todo tipo de opinião. Mas poucos têm falado a realidade: teremos uma troca de cadeiras no comando da seleção, mas nas estruturas do futebol nacional não vai mudar nada.

Um simples exemplo está numa nota curta da coluna do Elio Gaspari no domingo, sob o título “O padrão CBF”. Diz o bem informado jornalista: “Ao sair da CBF, Ricardo Teixeira deixou um jatão de 18 lugares e um helicóptero Agusta de 15, que custou US$ 14 milhões. Nos últimos anos, o Agusta foi usado como táxi pelos presidentes José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, que moram em São Paulo, para seus deslocamentos até o Rio de Janeiro, pousando perto da CBF. Esse é o padrão de maganos que vivem como milionários com os recursos alheios.”

Quanto custa um aparelho desses e a sua manutenção?

Os mesmos. Teixeira só saiu do cargo de presidente da CBF, mas é consultor da entidade, ganhando mais de R$ 100 mil mensais, mesmo morando nos Estados Unidos. Seus sucessores têm currículos e comportamentos semelhantes. Que ninguém espere nada de diferente. Os clubes, que deveriam ser os maiores interessados em mudar, são coniventes, em função de conveniências pessoais ou políticas de seus dirigentes.

Perda de tempo. E tome demagogia e mentiras quando se envolve o governo e a política partidária nisso. Essa turma só usa o futebol para angariar votos. Peguemos da ditadura militar para cá: qual presidente nomeou um ministro que fosse do ramo e que se preocupou em dar um rumo sério ao nosso futebol? Rigorosamente, nenhum! Nessa disputa entre tucanos e petistas, difícil apontar quem foi pior nesta área.

Legitimidade. Quem deveria mandar no futebol são os clubes, que formam e pagam os jogadores. Quase todos falidos e a CBF riquíssima, que se dá ao luxo de ter aeronaves de chefes de Estado. Quantos jogadores a CBF possui ou forma nas categorias de base? Vivemos esse absurdo em nosso futebol desde que o profissionalismo foi instituído no país, há quase cem anos.

Omissos e desunidos. Como os clubes não se entendem e não assumem a missão que seria deles, abrem brechas para movimentos como este “Bom Senso F. Clube”, que também não vai levar a lugar nenhum. Tradicionalmente, os jogadores de futebol do Brasil são tão ruins de serviço que não conseguiram se organizar nem em sindicatos, o que seria o caminho natural, como ocorre nos países evoluídos.