Análise da Copa, com a tecnologia em campo

Tostão
O Tempo

Após a primeira rodada dos cinco primeiros grupos, já dá para avançar nas análises e prognósticos, mesmo com grandes riscos de errar.

No grupo A, o Brasil é praticamente certo nas oitavas de final. Croácia e México devem disputar a segunda vaga. Se o México for eliminado pelo saldo de gols, vai protestar duramente, com razão, por causa dos dois legítimos gols anulados contra Camarões.

No grupo B, a Espanha, mesmo se ganhar do Chile e da Austrália, corre muitos riscos de ser eliminada, pelo saldo de gols, se o Chile vencer a Holanda. A Austrália deve perder todas as partidas.

No grupo C, Colômbia e Costa do Marfim saíram na frente. O Japão, como sempre, parecia que ia ganhar e perdeu, em uma falha do goleiro. Os dois gols foram em jogadas aéreas. O Chile tem o mesmo problema. São os dois times mais baixos do Mundial. A Colômbia, além de bons jogadores, possui um time mais disciplinado e com melhor marcação do que tinha em outras épocas.

No grupo D, não era o resultado mais esperado, mas não houve zebra na derrota do Uruguai. A Costa Rica se classificou na frente do México nas Eliminatórias, e o Uruguai ganhou a vaga na repescagem. É um time decadente. Mas o Uruguai, contra os grandes, é difícil de ser batido. Itália e Inglaterra não estão garantidas. As duas seleções fizeram um ótimo jogo, melhor do que se esperava, por causa do calor. Foi uma partida equilibrada.

No grupo E, a Suíça, no último minuto, ganhou do Equador, de virada. A França confirmou seu favoritismo contra a fraca Honduras, mas deverá ter muitas dificuldades para vencer Suíça e Equador. Pela primeira vez na história do futebol, a tecnologia confirmou um gol. É um grande avanço. O futebol fica mais justo.

Pirlo, Robben, Van Persie e o jovem Campbell, da Costa Rica, foram os grandes destaques na primeira rodada desses cinco grupos. Pirlo, o melhor de todos.

Justiça, vergonha nacional: Nova investigação livra da cadeia mãe adotiva acusada de matar criança

Roberta Pinheiro
Correio Braziliense

Entre 2008 e 2011, a mineira Juliana viveu a dura realidade dos presídios brasileiros ao ser acusada de matar o filho de criação, de 6 anos. À espera de um julgamento adiado cinco vezes, ela sofreu na cadeia injustamente, como se identificou apenas seis anos depois. Por supostos abusos cometidos por agentes da Polícia Civil do DF, ela confessou o crime que não cometeu sob pressão e humilhação, praticadas por agentes da 8ª Delegacia de Polícia.

Na última segunda-feira, o Tribunal do Júri de Brasília considerou Juliana inocente. A decisão foi tomada com base na apuração voluntária da delegada Renata Malafaia (foto), que, em 2011, atuava na Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida — hoje, ela é adjunta na 1ª Delegacia de Polícia. A delegada pediu a cópia do processo e fez uma série de diligências por conta própria. Em seguida, concluiu a análise e entregou uma petição ao juiz declarando que acreditava na inocência da ré e que o provável assassino da criança seria o companheiro dela. Renata também solicitou à época a liberdade provisória dela, que não tinha histórico de crimes.

CONFISSÃO FORÇADA

O defensor público do Tribunal do Júri de Brasília Carlos André Bindá Praxedes disse ao Correio que, durante o julgamento, a investigadora Renata relatou que a confissão de Juliana à 8ª DP não foi espontânea. A então acusada teria sido humilhada e pressionada psicologicamente pelos agentes do SIA. “Ao júri, buscamos esclarecer que o caminho teria mudado com a nova apuração da delegada e mostrar que ela estava certa. Faltou apuração criteriosa, e a confissão foi forçada. Agora, vamos entrar com uma ação civil buscando a reparação dos danos sofridos ao longo desses seis anos”, explicou Carlos André.

A palhoça paradisíaca e imortal de J. Cascata

O cantor e compositor carioca Álvaro Nunes (1912-1961), conhecido por J. Cascata, expressa na letra de “Minha Palhoça” um bonito, bucólico e romântico convite para a pessoa amada. Este samba de breque foi gravado pela primeira vez por Sylvio Caldas, em 1935, pela Odeon.

MINHA PALHOÇA
J. CASCATA

Se você quisesse
Morar na minha palhoça
Lá tem troça, se faz bossa
Fica lá na roça à beira do riachão
E à noite tem um violão
Uma roseira
Cobre a banda da varanda
E ao romper da madrugada
Vem a passarada

Abençoar nossa união
Tem um cavalo
Que eu comprei em Pernambuco
E não estranha a pista
Tem jornal, lá tem revista
Uma kodak para tirar nossa fotografia
Vai ter retrato todo dia
Um papagaio que eu mandei vir do Pará
Um aparelho de rádio-batata
E um violão que desacata

Meu Deus do céu que bom seria..
Se você quisesse… (até)
Abençoar nossa união
Tem um pomar
Que é pequenino,
É uma teteia
É mesmo uma gracinha
Criação, lá tem galinha
Um rouxinol
Que nos acorda ao amanhecer
Isso é verdade pode crer
A patativa
Quando canta faz chorar

Há uma fonte na encosta do monte
A cantar chuá-chuá…

         (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Comentário pronto para o fim da Copa

Tostão
O Tempo

As análises já estão prontas para o fim da Copa. Certas ou erradas, independentemente dos fatos. Isso não acontece apenas no futebol. A maior parte da vida é programada. Os descuidos, os desvios, são exceções.

Se o Brasil for campeão, o fato de jogar em casa, apoiado pela torcida, será exaltado. Se perder, os jogadores não suportaram a pressão, a responsabilidade. Se a Espanha for eliminada na primeira fase, ou em um jogo mata-mata, a culpa será da decadência dos jogadores e do estilo. Se for campeã, será por causa da experiência.

Se a Holanda continuar brilhando, mesmo sem ser campeã, serão valorizados a irreverência dos jogadores, os banhos de mar e os passeios pelas belezas do Rio e de outras cidades. Se for eliminada, dirão que faltou seriedade e concentração.

Se a campeã for a Alemanha, a privacidade, em uma bela praia da Bahia, será positiva. Se perder, falarão que a seleção ficou isolada, solitária. Se a Argentina conquistar o título, as únicas razões serão Messi e o poderoso ataque. Se perder, as culpadas serão a péssima defesa e a apatia de Messi.

Se a seleção do Chile fizer ótima campanha, mesmo sem ganhar o título, a avalanche com que o time vai para o ataque será elogiada. Se for eliminado na primeira fase, será porque o futebol moderno não admite mais defensores baixos nem um jogo muito ofensivo. É o futebol do comentário pronto.

BELOS NOMES…

Existem atletas, pelo que jogam, muito mais famosos do que deveriam ser. Chicharito, reserva da seleção mexicana e do Manchester United, é um deles. Só falam nele. Deve ser porque o apelido é interessante, Chicharito. Antes da Copa de 1998, vi a França jogar só para ver Djorkaeff. Só falavam dele. Era apenas razoável, bom. A fama deve ser também pelo nome sonoro, Djorkaeff. Em compensação, vi um outro jogador já magistral, coadjuvante de Djorkaeff, um tal de Zidane.

Lula volta a criticar Dilma, mas diz que não é candidato

Raquel Faria
O Tempo

Lula foi taxativo em conversa há poucos dias com um alto dirigente do PT em Brasília: não será candidato a presidente em nenhuma hipótese ou circunstância. Ele disse que o PT vai ter que andar na eleição com Dilma, para ganhar ou perder.

Aparentemente, Lula começa a perder a paciência com as pressões do PT e de aliados para que tome o lugar de Dilma. Para ele, tal projeto significa altos riscos. Lula virou pop star, uma celebridade global. Ele sabe que sofreria duros ataques na campanha, inclusive sobre seu envolvimento no mensalão, caso voltasse a disputar o Planalto. E não se mostra disposto a sacrificar sua reputação para salvar o partido.

Mais do que as palavras (não é a primeira vez que Lula refuta a candidatura), o que mais chamou atenção no diálogo foi a aspereza do ex-presidente ao tratar do assunto. Mostrando irritação e usando expressões de baixo calão, ele disse mais ou menos o seguinte: “Eu deixei tudo redondinho. Agora, vocês que se virem com essa ….”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O que mais desperta curiosidade nesta nota de Raquel Faria é a crítica direta de Lula a Dilma Rousseff, como se ele não fosse o único responsável pela existência dela na política e no poder. Quanto a dizer que não aceita ser candidato, a estratégia de Lula é justamente esta. O PT é que tem de pedir a ele para aceitar. Detalhe: Dilma Rousseff não vai desistir. O PT terá de tirá-la a fórceps, o que seria constrangedor. Amanhã cedo a gente volta ao assunto, com mais detalhes. (C.N.)

 

Black Blocs lançaram coquetéis molotov na Polícia perto do Maracanã

Deu em O Dia

Manifestantes contra a Copa do Mundo marcharam da Tijuca em direção ao Maracanã, no Rio de Janeiro. Muitos deles estavam mascarados e portavam faixas e cartazes. Uma das faixas dizia “FIFA GO HOME!”.

Eles lançaram coquetéis molotov na polícia, que respondeu com bombas de efeito moral. Ninguém conseguiu chegar perto do estádio. De acordo com informações dos policiais, cerca de 150 pessoas participaram do ato.

Já na dispersão do protesto, uma agência bancária foi depredada e lixeiras foram arrancadas e jogadas na via por um grupo de aproximadamente 20 manifestantes na Boulevard 28 de Setembro, em Vila Isabel. A rua foi interditada.

Consulta-se a população ou não se consulta?

Sandra Starling

A polêmica anda mal colocada: as “oposições” acusam o governo de querer usurpar os poderes do Legislativo, e o governo desqualifica a crítica, tentando levá-la para aonde mais lhe convém, isto é, acusando os outros de elitistas. Afinal, no maniqueísmo reinante nestas plagas, nada melhor que etiquetar alguém como “populista” versus “aristocratas”.

Ouso dizer que o buraco é mais embaixo. Em primeiro lugar, o governo quer (ou diz querer) fazer consultas sobre assuntos de sua alçada, assuntos executivos. Portanto, não invade competência alheia. Discuto em seguida essa súbita febre de democratização que assola uma governante, a esta altura do campeonato, um tanto sem prestígio.

Em segundo lugar, nossas instituições são tão impermeáveis à vontade popular que, como bem assinala Fábio Konder Comparato, aqui os representantes – leia-se os parlamentares – é que autorizam o povo (por suposto, titular da soberania popular) a se manifestar diretamente por referendo ou plebiscito: pela Constituição de 1988, a tal Constituinte “cidadã” (haja aspas…), em seu Art. 49, Inciso XV, o Congresso é que pode convocar a população para usar esses direitos (ver do autor o excelente “Brasil: verso e reverso constitucional”, em “Cadernos IHU Ideias” 197, 2013).

Quanto às tais consultas populares, eu diria que andam vindo meio tarde, embora antes tarde que nunca. Acontece, porém, que nos faltam mil requisitos para que essas consultas não se transformem em novos talismãs para cegar corações e mentes. Recente artigo do lúcido senador Cristovam Buarque aponta a dificuldade que mesmo detentores de títulos universitários têm de entender textos mais complexos. Os meios de comunicação de massa não ajudam; as pessoas têm uma vida tão louca com a falta de mobilidade urbana que fica difícil fazer algo depois do trabalho. E o linguajar oficial é de lascar, quando querem enrolar as pessoas. É fácil supor que a consulta vai gerar cooptação e fazer o povo pensar que está mandando.

Por mim, criaria conselhos de fiscalização, sob controle de entidades da sociedade civil, às quais seriam fornecidas todas as informações necessárias ao trabalho hercúleo de politizar nosso povo sofrido. Isso, sim, seria autêntica política de vigilância. Todas as demais fórmulas viram eleitorado de cabresto de quem estiver ocasionalmente mandando. Verifiquem os resultados de conselhos tutelares em comparação com os conselhos municipais disso e daquilo, que apenas reproduzem máquinas pesadamente burocráticas e quase sempre ineficientes, a não ser para transformar seus membros em correias de transmissão dos que mandam. Deus nos livre de mais enganação ou embromação – como queiram.

A propósito: nesta semana chegam a Brasília alguns suíços para representar seu país na Copa. São os campeões da democracia direta, herdeiros de um democrata radical de Genebra chamado Jean Jacques Rousseau. Podem ser pernas de pau no futebol, mas em matéria de plebiscitos e referendos dão em nós, brasileiros, de goleada! (transcrito de O Tempo)

A Colômbia que conquistou Belo Horizonte

Chico Maia
O Tempo
Que bela festa fizeram os colombianos em Belo Horizonte. Aliás, continuam fazendo, já que foram muito bem recebidos onde se concentraram: Savassi, Lourdes, centro e Expominas, na Fan Fest. Deixaram os comerciantes belo-horizontinos muito satisfeitos com a grana que gastaram e com a simpatia.
A caminho do Mineirão, nova festa a partir das 10h, colorindo ruas, janelas de hotéis, táxis e ônibus. Como disse o Régis Souto, ex-comentarista da CBN, secretário de comunicação da prefeitura, parecia que estavam no estádio El Campín, templo futebolístico de Bogotá. Os gregos estão entre os mais animados torcedores da Europa, mas com a crise econômica vieram em pequeno número. Dentro de campo, um dos placares mais dilatados até agora, mas pensei que a goleada seria maior. Especialista em retrancas, ao tomar um gol no início, a Grécia teria que se abrir e buscar o empate; o que foi feito, mas encontrou um time colombiano bem mais responsável defensivamente do que em outras Copas.
Decepção
Depois da Espanha, o Uruguai foi o responsável por mais uma grande decepção na primeira rodada do Mundial. Time motivado pelo quarto lugar na África do Sul e pela conquista da Copa América em 2010 na Argentina, começou vencendo a Costa Rica dando a impressão de que golearia. Inexplicavelmente, diminuiu o ritmo e voltou para o segundo tempo jogando na defensiva, permitindo o empate e uma virada de 3 a 1, o que pode complicar seus planos de continuar na Copa.

Temperatura
O pior jogo que vi até agora foi a vitória do Chile sobre a Austrália. Esperava muito mais dos chilenos. Itália e Inglaterra entravam em campo quando enviei a coluna. Um grande clássico mundial cercado de fatores extra-campo como a temperatura de Manaus; nada que assuste os jogadores de futebol da Europa. É o grupo onde o Uruguai tomou de três da Costa Rica e que pode embolar na disputa pelas duas vagas.

Idade
Há quem diga que o fator idade, aliado às altas temperaturas de determinadas regiões do Brasil, nessa época do ano, prejudique algumas seleções cuja média de idade é mais elevada. Não vi isso na derrota do Uruguai, que tem média de 29 anos, para a Costa Rica, com média de 28. Faltou foi futebol mesmo. O Uruguai apresentou um time sem laterais; Forlán apenas andando em campo e um zagueiro, Diego Godín, que mais parecia uma enorme avenida bem aberta.
Muitos gols
O melhor dos primeiros jogos é a previsão de uma das maiores médias de gols na história das Copas, o que deve se confirmar. Depois de 5 x 1 da Holanda nos campeões mundiais, começamos a assistir cada jogo com a expectativa de muitos gols e futebol em alta rotação. Mas partidas como aquela são raras. Ali sim, pode ter havido influência da idade: média de 25,5 da Holanda contra 29,3 da Espanha, no calor de Salvador.

Copa começou melhor do que se esperava

Heron Guimarães

Até agora, foi melhor do que se esperava. A abertura da Copa, com a vitória do Brasil sobre a Croácia, mesmo com um pênalti questionável, representou um resultado mais animador do que se imaginava. A organização do evento em seu primeiro dia, mesmo com alguma ocorrência, como a falta de lanches antes do início da partida, foi melhor do que se desejava.

A reação da torcida durante o jogo, inclusive ou apesar da sonora vaia ecoada contra a presidente Dilma Rousseff e a Fifa, foi melhor do que se previa. Até o efeito das manifestações, apesar dos lamentáveis casos de vandalismo registrados em Belo Horizonte e em outras capitais, foi melhor do que se imaginava.

Os aeroportos inacabados e a operação do tráfego aéreo se comportaram incrivelmente melhor do que se pensava. Resumindo, o início da Copa ocorre de maneira surpreendentemente melhor do que se esperava.

A competição, mesmo ainda despertando desconfianças, contaminou boa parte dos brasileiros. Uma semana antes pouco ou quase nada se via de verde e amarelo. As ruas estão agora, pintadas, e as casas, decoradas.

As festas oficiais, espalhadas por todas as cidades-sede, apesar das licitações feitas em cima da hora, estão lotadas e divertidas. Enfim, diante do quadro de terror que se pintava, o “todo”, ao menos por enquanto, está melhor do que se sonhava.

MAS PODE MUDAR…

Os humores, entretanto, podem mudar. Esse clima de hospitalidade e de relativa euforia e tolerância com o evento pode se transformar radicalmente caso a seleção decepcione e faça feio nas fases seguintes.

Seria, então, o que vândalos e movimentos não tão representativos da sociedade, como alguns sindicatos, partidos políticos ou movimentos como o Black Bloc, aguardariam para deflagrar cenas mais fortes de violência e depredação? Certamente sim.

Mas, de modo geral, a sociedade em si está sabendo fazer a diferenciação do que é festa, esporte e evento do que é o estado de mazelas de nosso país.

Ao se revoltar contra a presidente, a multidão na Arena Corinthians estava, sim, deflagrando críticas contra a nossa mandatária, mas, seguramente, os “afagos” não eram exclusividade dela. Dilma sofreu toda a hostilidade porque estava ali representando o poder público e a classe política brasileira. Fosse outro, de qualquer partido, sofreria o mesmo.

BAIXO CALÃO

As palavras de baixo calão, minimizadas pela transmissão da Rede Globo, eram, de fato, ataques à classe política. São fruto da corrupção deslavada e da covardia de quem, a cada dois anos, vai às urnas para tirar dos mais pobres e encher os próprios bolsos.

A quebradeira no alto da Afonso Pena e as cenas do metrô de São Paulo, além dos ferimentos nas jornalistas estadunidenses, podem até ter ganhado o mundo, roubando a atenção do assunto principal, mas, neste momento, não representam o sentimento geral da nação, diferentemente do que ocorria na Copa das Confederações, durante as manifestações do ano passado. Tomara que continuemos assim: sabendo separar as coisas e constrangendo as pessoas certas. (transcrito de O Tempo)

 

O maracatu pernambucano do poeta Ascenso Ferreira

O poeta pernambucano Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895-1965), neste poema, canta o “Maracatu” de sua gente.

MARACATU
Ascenso Ferreira

Zabumba de bombos,
Estouro de bombas,
Batuques de ingonos,
Cantigas de banzo,
Rangir de ganzás…

– Luanda, Luanda, onde estás?
Luanda, Luanda, onde estás?

As luas crescentes
De espelhos luzentes,
Colares e pentes,
Queijares e dentes
De maracajás…

– Luanda, Luanda, onde estás?
Luanda, Luanda, onde estás?

A balsa do rio
Cai no corrupio
Faz passo macio,
Mas toma desvio
Que nunca sonhou…

– Luanda, Luanda, onde estou?
Luanda, Luanda, onde estou?

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

PF vai investigar ligação entre compra de Pasadena e Operação Lava Jato

Deu na Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) vai investigar a ligação dos fatos apurados na Operação Lava Jato com os eventuais ilícitos na compra pela Petrobras da Refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. A pedido de um delegado da PF, a Justiça Federal em Curitiba autorizou nesta sexta-feira (13/6) o compartilhamento das investigações.

A polêmica sobre a compra de Pasadena está em torno do valor pago pela Petrobras, que desembolsou no total US$ 1,25 bilhão no negócio. Segundo a presidenta da estatal, Graça Foster, a companhia belga Astra, antiga dona da refinaria, pagou no mínimo, US$ 360 milhões, e não US$ 42,5 milhões, conforme divulgado. Graça disse, em depoimento à CPI da Petrobras, que a estatal brasileira pagou US$ 885 milhões, e a Astra pagou US$ 360 milhões. O restante foram juros e honorários.
Ao depor na CPI, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que a compra da refinaria foi um bom negócio. Na Operação Lava Jato, Costa e o doleiro Alberto Youssef são investigados por possíveis desvios de recursos públicos na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
SUPERFATURAMENTO
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os desvios na construção da refinaria pernambucana ocorreram por meio de contratos superfaturados, feitos com empresas que prestaram serviços à Petrobras entre 2009 e 2014. Segundo o MPF, a obra orçada em R$ 2,5 bilhões, custou mais de R$ 20 bilhões. A investigação indica que os desvios tiveram a participação Costa e Youssef, dono de empresas de fachada.
Nesta semana, o Ministério Público da Suíça informou à Justiça Federal brasileira que foram descobertas naquele país contas bancárias no valor de US$ 29 milhões ligadas ao caso. Foram identificadas 12 contas em bancos suíços sob o controle de Paulo Roberto Costa, suas duas filhas, genros e de um funcionário do doleiro Alberto Youssef. Do total, US$ 23 milhões pertencem ao ex-diretor da Petrobras, segundo o levantamento suíço.

Um dia uma zebra vai ganhar a Copa

Neymar sofre falta de Ivan Rakitic Foto: Kirsty Wigglesworth / AP

Tostão
O Tempo

Estreei em uma Copa do Mundo em 1966, aos 19 anos, com uma grande responsabilidade, a de substituir Pelé, contra a Hungria. Fiquei tenso e não dormi bem, como aconteceu em toda minha carreira, na véspera das importantes partidas. Isso me ajudava a atuar melhor. No vestiário, minutos antes de entrar em campo, o excepcional Djalma Santos sentou-se ao meu lado, colocou a mão em meu ombro e disse: “Vai garoto, jogue seu futebol”.

O Brasil precisa de um artilheiro, como Fred, mas ele deveria se desgrudar dos zagueiros. Isso não significa voltar até o meio-campo nem ir para as laterais. Basta se movimentar pela intermediária e trocar passes com os companheiros. As análises sobre Fred não podem passar da depressão, como no jogo contra o Panamá, para a euforia, após marcar um belo gol contra a Sérvia. Fred deveria jogar bem, mesmo quando não fizer gols.

Se em todos os campeonatos com jogos mata-mata do mundo não é raro ocorrer zebras, como na conquista da Eurocopa pela Grécia, em 2004, vencendo Portugal na final, sob o comando de Felipão, em Lisboa, porque nunca uma seleção mediana foi campeã do mundo? Seria porque as grandes seleções atuam com muita seriedade? Forças ocultas não deixariam? Um dia, isso vai acontecer.

Pena que muitos craques não estão na Copa, e outros não estão nas melhores condições. As equipes, em todo o mundo, jogam demais, e o intervalo entre o fim dos campeonatos nacionais e o início do Mundial é muito curto para a recuperação dos atletas. É lamentável que um evento tão grandioso, um negócio de bilhões, que para um país, as estrelas do espetáculo não tenham as condições ideais para mostrar todo o seu talento.

 

Thomas Piketty fala de capital sem jamais ter lido “O Capital”

David Harvey

Thomas Piketty escreveu um livro intitulado Capital que causou furor. Advoga a taxação progressiva e um imposto sobre a riqueza global como único modo para conter a tendência na direção de criar-se uma forma “patrimonial” de capitalismo, marcado por – como diz ele – desigualdades “aterrorizantes” de riqueza e renda. Também documenta, em detalhes dolorosíssimos e difíceis de retrucar, o modo como a desigualdade social de riqueza e de renda evoluiu ao longo dos dois últimos séculos, com especial atenção ao papel da riqueza.

Tomas Piketty também destrói a visão amplamente disseminada segundo a qual o capitalismo de livre mercado distribuiria riqueza e que seria o grande instrumento para defender as liberdades e direitos individuais. O capitalismo de livre-mercado, na ausência de qualquer intervenção de redistribuição pelo Estado, como Piketty mostra, só produz oligarquias antidemocráticas. Essa demonstração gerou crises de apoplexia entre os liberais, como se viu no Wall Street Journal.

O livro tem sido apresentado como substituto do século 21, para obra de mesmo título de Karl Marx, no século 19. Piketty de fato nega que tenha tido tal intenção, o que me parece bem razoável, posto que o seu livro absolutamente não trata de capital. Absolutamente não nos diz por que aconteceu o crash de 2008 nem por que está demorando tanto para tanta gente livrar-se da dupla carga do desemprego prolongado e das milhões de casas perdidas para bancos credores. Tampouco ajuda a compreender por que o crescimento anda tão miserável nos EUA, ao contrário do que se vê na China, nem por que a Europa está aprisionada numa política de austeridade tanto quanto numa economia de estagnação.

AUMENTA A DESIGUALDADE

O que Piketty, isso sim, mostra estatisticamente (e muito temos a agradecer a ele e sua equipe pelas estatísticas) é que o capital sempre tendeu, ao longo de toda sua história, a produzir níveis cada vez maiores de desigualdade. Não que seja novidade para muitos de nós. Além do mais, é essa, precisamente, a conclusão teórica a que chega Marx no Volume Um de sua versão de “O Capital”. Piketty sequer percebe a coincidência, o que não chega a surpreender, porque ele já disse inúmeras vezes, em resposta a acusações da imprensa-empresa de direita, de que ele seria um marxista disfarçado, que jamais leu “O Capital”, de Marx.

Piketty reúne muitos dados em apoio a seus argumentos. O que diz das diferenças entre renda e riqueza é útil e persuasório. E defende atentamente os impostos sobre a herança, a taxação progressiva e um imposto sobre a riqueza global na medida do possível (embora, quase com certeza, não seja politicamente viável), como antídotos contra concentração ainda maior de riqueza e poder.

Mas por que ocorre essa tendência na direção de desigualdade sempre crescente ao longo do tempo? Considerados seus dados (temperados com algumas alusões literárias a Jane Austen e Balzac), ele deriva uma lei matemática para explicar o que acontece: a acumulação sempre crescente de riqueza pelos tais famosos 1% (termo popularizado graças ao curso do movimento “Occupy”) deve-se ao simples fato de que a taxa de retorno sobre o capital (r) é sempre maior que a taxa de crescimento da renda (g). Isso, diz Piketty, é e sempre foi “a contradição central” do capital.

PIKETTY NÃO DIZ…

Mas uma regularidade estatística dessa ordem dificilmente seria explicação adequada, muito menos viraria lei. Assim sendo, que forças produzem e sustentam tal contradição? Piketty não diz. A lei é a lei e… não se fala mais nisso. Marx obviamente teria atribuído a existência de tal lei ao desequilíbrio de poder entre capital e trabalho. E é explicação que ainda se mantém em pé. O firme declínio da fatia do trabalho na renda nacional desde os anos 70 derivou do declínio do poder político e econômico do trabalho, com o capital mobilizando políticas de tecnologias, de desemprego, de deslocalização e políticas antitrabalho (como as de Margaret Thatcher e Ronald Reagan) para esmagar toda oposição.

Como Alan Budd, conselheiro econômico de Margaret Thatcher confessou em momento de descuido, as políticas anti-inflação dos anos 1980s mostraram-se “excelente modo de aumentar o desemprego; e aumentar o desemprego revelou-se modo altamente desejável para reduzir a força das classes trabalhadoras (…) O que foi ali construído em termos marxistas foi uma crise do capitalismo que recriou um exército de reserva de mão de obra, e permitiu que os capitalistas obtivessem altos lucros desde então“. A disparidade na remuneração entre trabalhadores médios e os altos executivos-gerentes permaneceu em torno de 30:1 em 1970. Hoje já está bem acima de 300:1, e no caso da empresa MacDonalds é superior a 1.200:1.

Mas no Volume 2 de “O Capital” de Marx (que já se sabe que Piketty também não leu, dado que descarta o que ali leria), Marx destacou que a tendência do capital para mandar abaixo os salários chegaria, num certo ponto, a restringir a capacidade de o mercado absorver o que o capital produzisse. Henry Ford identificou esse dilema há muito tempo, quando mandou pagar $5 por dia de oito horas de trabalho aos seus operários, para, disse ele, estimular uma demanda de consumo.

FALTA DE DEMANDA
Muitos disseram que a falta de demanda efetiva levou à Grande Depressão dos anos 30. Foi o que inspirou as políticas expansionistas keynesianas de depois da 2ª Guerra Mundial e resultou em algumas reduções em desigualdades de rendas (embora nem tanto nas da riqueza) em pleno forte crescimento gerado por demanda. Mas essa solução repousava sobre o relativo empoderamento do trabalho e a construção do “estado social” (termo de Piketty) que os impostos progressivos criaram.

“Tudo considerado” – Piketty escreve –, “ao longo do período 1932-1980, quase meio século, a mais alta taxa de imposto federal nos EUA foi em média 81%.” E isso de modo algum reduziu o crescimento (mais um dado dos que Piketty reuniu, que desmente crenças da direita).

Ao final dos anos 1960s, já era claro para muitos capitalistas que tinham de fazer alguma coisa contra o excessivo poder do trabalho. Daí a destituição de Keynes, arrancado do panteón dos economistas respeitáveis; a mudança para o pensamento de Milton Friedman que pensa pelo lado da oferta; a cruzada para estabilizar, quando não para reduzir impostos, para desconstruir o estado social e para disciplinar as forças do trabalho. Depois de 1980, os impostos caíram e os ganhos de capital – fonte importante de renda para os ultra ricos – foram taxados em patamar muito inferior nos EUA, o que aumentou muito o fluxo da riqueza na direção do 1% de cima. Mas o impacto sobre o crescimento, como Piketty mostra, foi desprezível. O tal “efeito contaminação” dos benefícios dos ricos para o resto (outra das crenças preferidas da direita) não funciona. Nada disso foi ditado por qualquer lei matemática: tudo aí foi sempre questão política.

Mas então o timão fez volta completa e a pergunta passou a ser: que fim levou a demanda? Piketty ignora sistematicamente essa pergunta.

OS ANOS 90
Os anos 1990s fugiram de ter de responder, com vasta expansão do crédito, incluindo a extensão do financiamento de hipotecas na direção dos mercados de papeis podres. Mas a bolha resultante estava condenada a explodir, como explodiu, em 2007-8, levando abaixo os Lehman Brothers e todo o sistema de crédito. Mas os lucros e a maior concentração de riqueza privada recuperaram-se muito rapidamente depois de 2009, enquanto tudo e todos continuaram a ir mal e cada vez mais mal. As taxas de lucro dos negócios são hoje tão altas como sempre foram nos EUA. Os negócios estão sentados sobre montes de dinheiro e recusam-se a gastá-lo porque o mercado não mostra condições robustas.

A formulação, por Piketty, da lei matemática disfarça, mais do que revela, a política de classes envolvida. Como Warren Buffett observou, “claro que há guerra de classe, e é a minha classe, os ricos, que fazem a guerra; e estamos ganhando.” Uma medida chave da vitória deles é a crescente disparidade de riqueza e renda do 1% do topo, em relação a todos as demais pessoas.

Mas há, contudo, uma dificuldade central com o argumento de Piketty. Ele repousa – no sentido de “ele depende” – de uma definição errada de capital. Capital é um processo, não uma coisa. É um processo de circulação no qual o dinheiro é usado para fazer mais dinheiro quase sempre, mas não exclusivamente, mediante a exploração da força de trabalho.

DEFININDO CAPITAL

Piketty define capital como o estoque de todos os bens de propriedade de indivíduos privados, corporações e governos e que podem ser comercializados no mercado não importa se aqueles ativos estão sendo usados ou não. Aí se inclui terra, imóveis e direitos de propriedade intelectual tanto quanto minha coleção de joias e peças de arte. Como determinar o valor de todas essas coisas é um difícil problema técnico para o qual não há solução unanimemente aceita.

Para calcular uma taxa significativa de retorno, “r”, temos de ter algum modo de atribuir valor ao capital inicial. Infelizmente, não há modo de atribuir-lhe valor independentemente do valor dos bens e serviços que por ele é usado para produzir ou por quanto pode ser vendido no mercado. Todo o pensamento econômico neoclássico (que é a base do pensamento de Piketty) é fundado sobre uma tautologia.

A taxa de retorno sobre o capital depende crucialmente da taxa de crescimento, porque para atribuir valor ao capital considera-se o que ele produz, não o que foi usado para produzi-lo. Seu valor é pesadamente influenciado por condições especulativas e pode ser seriamente distorcido pela famosa “exuberância irracional” que Greenspan diagnosticou como típica dos mercados de ações e de moradias. Se se subtrai moradia e propriedades imóveis – para nem falar do valor de coleções de arte dos donos de hedge funds – da definição de capital (e o argumento para incluí-las é bem fraco), nesse caso a explicação de Piketty para as crescentes disparidades em riqueza e renda cairiam de cara no chão, embora as descrições que oferece do estado das desigualdades presentes e passadas ainda se mantivessem em pé.

TAXA DE RETORNO

Dinheiro, terra, imóveis e fábricas e equipamento que não estejam sendo usados produtivamente não são capital. Se a taxa de retorno sobre o capital que está sendo usado é alta, então assim é porque uma parte do capital é tirada de circulação e, pode-se dizer, entra em greve. Restringir a oferta de capital a novos investimentos (fenômeno que testemunhamos agora) garante alta taxa de retorno sobre aquele capital que está em circulação.

A criação de tal carência artificial não é só o que as empresas de petróleo fazem para garantir suas altas taxas de retorno: é o que todo e qualquer capital faz se tiver chance. Isso é o que está na base da tendência de a taxa de retorno sobre o capital (não importa como seja definido e medido) sempre exceder a taxa de crescimento da renda. É assim que o capital garante a própria reprodução, não importa o quão desconfortáveis sejam as consequências, para o resto de nós. E é disso que a classe capitalista vive.

Há muito de trabalho valiosíssimo nas tabelas de dados que Piketty reuniu. Mas sua explicação de por que as desigualdades e as tendências oligárquicas surgem, essa, é gravemente viciada. Suas propostas, seus remédios para as desigualdades, são ingênuos, se não utópicos. E com certeza absoluta Piketty não produziu modelo operativo para o capital no século 21. Para essa finalidade, ainda precisamos de Marx e permanecemos à espera de equivalente contemporâneo.

 David Harvey é um geógrafo marxista britânico, formado na Universidade de Cambridge. É professor da City University of New York e trabalha com diversas questões ligadas à geografia urbana. Seu artigo foi enviado por Mário Assis.

Fifa resiste a tornar o futebol mais justo

Chico Maia
O Tempo
Os árbitros foram protagonistas nas três últimas Copas com erros absurdos. E já na primeira rodada estão dando mostras de que repetirão as lambanças grotescas de 2002, 2006 e 2010. Erros acontecem e sempre acontecerão, mas a Fifa poderia ter diminuído os estragos há muitos anos.

Bastaria que seguisse os exemplos do vôlei, tênis e basquete, que adotaram meios eletrônicos para dirimir dúvidas e evitar injustiças, além de prejuízos morais e financeiros incomensuráveis. Erros graves não escolhem localização geográfica nem cultura. Na vitória do Brasil sobre a Croácia, um japonês atrapalhou a vida dos croatas; ontem um trio colombiano quase complica o México, que teve dois gols mal anulados, fez três para valer um e quase tomou o empate aos 41 e 44 min do segundo tempo, contra Camarões.

Afinal de contas uma disputa esportiva não visa apurar quem é o melhor? Por que essa resistência da Fifa em aderir à tecnologia? Imaginem o tempo gasto e o trabalho perdido em um único lance de infelicidade ou má intenção de um juiz? Tenho comigo que o futebol funciona como uma lavanderia gigante de dinheiro mundial, daí a resistência da Fifa em evitar que “erros” deixem de existir.

Mistérios

Da mais humilde liga amadora do interior, passando pelas federações, chegando às confederações, cada entidade dessas tem o seu micropoder; nada respeitado, porém temido, já que garante ao titular da cadeira um poder inacreditável. Esses cartolas e sub cartolas sabem muito bem utilizar esse poder em proveito próprio. Muitos clubes temem ser prejudicados por algum esquema extra campo, de cuja existência não têm 100% de certeza, mas também não ousam desafiar.

Poder aparente
Os clubes são a razão de ser Poder aparente
do futebol, mas são os que menos mandam. Formam e bancam os jogadores. Não é estranho isso? Vejam o exemplo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF): a maioria dos clubes critica, mas, na hora de eleger o presidente, faz acordos com os donos do poder, para não correr risco de ser “perseguido” lá dentro. Ou, talvez, para tentar levar alguma vantagem. São contidos na base de mimos ou de pressão subliminar.

Gol mais bonito
No Espanha 1 x 5 Holanda também houve pênalti que suscitou dúvidas, no Diego Costa, porém uma análise eletrônica certamente confirmaria que a penalidade foi marcada corretamente pelo árbitro italiano Nicola Rizzoli. Aliás, que bonito jogo, com direito ao belíssimo gol do Van Persie, fazendo 1 a 1, com grandes chances de ser eleito o mais bonito de toda a Copa.

Para compensar
Um 5 a 1 para a história. A estreia das seleções que decidiram o Mundial quatro anos atrás. Ninguém se poupou, e todos que entraram em campo deram tudo que podiam. Uma delas deverá enfrentar o Brasil nas oitavas de final, provavelmente em Belo Horizonte. Incrível a imagem do Robben, 30, aos 36 min do segundo tempo, numa arrancada daquelas para fazer o goleiro Casillas catar cavaco e marcar o quinto gol.

Dilma demonstra mais coragem do que Lula, Alckmin e Haddad

Francisco Bendl

Por uma questão de coerência, tenho de admitir que não me dei conta desse importante detalhe oportunamente levantado pelo comentarista Armando Martin, assinalando que o governador de São Paulo estava ausente na inauguração da Copa e do nosso jogo. Teria sido vaiado também.

No entanto, observa-se que os políticos homens estão muito medrosos, covardes até, eu diria. O ex-presidente Lula, criador do Itaquerão, não foi e sequer explicou sua ausência; GeraldoAlckmin fez o mesmo – espera! -, mas o prefeito de São Paulo Fernando Haddad estava lá ou não? Acho que não. 

A presidente está fazendo uma péssima administração. No entanto, devemos reconhecer que ela é muito mais corajosa que os seus colegas homens do PT, que adoram a surdina e preferem os porões, os labirintos, do que se mostrarem-se ao sol, à luz do dia!