O Brasil tem uma democracia que se nega à participação social

Leonardo Boff

Um grito geral da mídia corporativa, de parlamentares da oposição e de analistas sociais ligados ao status quo de viés conservador se levantou furiosamente contra o decreto presidencial que institui a Política Nacional de Participação Social. O decreto não inova em nada nem introduz novos itens de participação social. Apenas procura ordenar os movimentos sociais existentes, alguns vindos dos anos de 1930, mas que nos últimos anos se multiplicaram exponencialmente. O decreto reconhece essa realidade e a estimula para que enriqueça o tipo de democracia representativa vigente com um elemento novo, que é a democracia participativa. Essa não tem poder de decisão, apenas de consulta, de informação, de troca e de sugestão para os problemas locais e nacionais.

Portanto, aqueles analistas que afirmam que a presença dos movimentos sociais tira o poder de decisão do governo, do Parlamento e do poder público laboram em erro ou acusam de má-fé. E o fazem não sem razão. Estão acostumados a se mover dentro de um tipo de democracia de baixíssima intensidade, de costas para a sociedade e livre de qualquer controle social.

Valho-me das palavras do sociólogo e pedagogo Pedro Demo. Em sua “Introdução à Sociologia”, diz: “Nossa democracia é encenação nacional de hipocrisia refinada, repleta de leis ‘bonitas’, mas feitas sempre, em última instância, pela elite dominante para que a ela sirva do começo até o fim.

PERFIL DE POLÍTICO

Político (com raras exceções) é gente que se caracteriza por ganhar bem, trabalhar pouco, fazer negociatas, empregar parentes e apaniguados, enriquecer-se à custa dos cofres públicos e entrar no mercado por cima… Se ligássemos democracia com justiça social, nossa democracia seria sua própria negação”. Não faz uma caricatura de nossa democracia, mas uma descrição real daquilo que ela sempre foi em nossa história.

Mas ela pode ser melhorada e enriquecida com a energia acumulada pelas centenas de movimentos sociais e pela sociedade organizada que estão revitalizando as bases do país e que não aceitam mais esse tipo de Brasil. Agora, esses atores sociais querem completar essa obra de magnitude histórica com mais participação. E eles têm direito a isso, pois a democracia é um modo de viver e de organizar a vida social sempre em aberto.

O ato de votar não é o ponto de chegada ou o ponto final da democracia, como querem os liberais. É um patamar que permite outros níveis de realização do verdadeiro sentido de toda a política: realizar o bem comum por meio da vontade geral que se expressa por representantes eleitos e pela participação da sociedade organizada.

BOBBIO

Isso, no pensar do teórico da democracia no século XX Norberto Bobbio, se viabiliza por meio da democracia formal e da democracia substancial. A formal se constitui por um conjunto de regras para chegar a decisões políticas por parte do governo e dos representantes eleitos. Como se depreende, estabelece regras, mas não define o que decidir. É aqui que entra a democracia substancial. Ela determina certos conjuntos de fins.

Os movimentos sociais e a sociedade organizada, devido à gravidade da situação global do sistema-vida e do sistema-Terra, e na busca de um caminho melhor para o Brasil e para o mundo, querem oferecer tudo aquilo que possa contribuir na invenção de outro tipo de Brasil, no qual todos possam caber.

Uma democracia que se nega a essa colaboração é uma democracia que se volta contra o povo e, no termo, contra a vida. Daí a importância de secundarmos o decreto presidencial sobre a Política Nacional de Participação Social.

 

Joaquim Barbosa já tem mais de 20 mil seguidores no Twitter

Danilo Verpa-9.dez.2013/Folhapress

Deu na Folha da Região

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, irá tirar férias entre 14 e 31 de julho. Neste período, o vice-presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, ficará responsável pelos processos em andamento.

Na semana passada, o ministro criou uma conta no Twitter com o perfil @joaquimboficial e desde então vem dando opiniões sobre a Copa do Mundo. Nesta quarta-feira, Barbosa elogiou a vitória da Argentina sobre a Holanda nos pênaltis. “Saudável sobrevida latino-americana na Copa!”, escreveu o ministro, que já tem mais de 20 mil seguidores na rede social.

No fim de maio, Barbosa anunciou sua aposentadoria do STF, que estava marcada para julho. Na semana passada, no entanto, o ministro pediu o adiamento de sua saída para o dia 6 de agosto. A explicação dada é de que a transição para a equipe de Ricardo Lewandowski, que assumirá a presidência do tribunal, estaria sendo feita “às pressas”, já que julho é mês de recesso do Judiciário.

TRANSIÇÃO

De acordo com a assessoria de imprensa, mesmo tendo pedido adiamento da aposentadoria para facilitar a transição, o ministro pode tirar férias porque o processo é conduzido pela sua equipe de confiança.

Assim que retornar, Barbosa deverá presidir mais uma sessão da Corte, marcada para o dia 1º de agosto. O ministro já se despediu do cargo na semana passada quando presidiu o que seria sua última sessão. Na ocasião, ele disse que seria um cidadão qualquer, “absolutamente livre para tomar posições que entender necessárias e apropriadas”.

Barbosa poderia permanecer até 2024, quando completará 70 anos, idade em que os ministros são obrigados a deixar o cargo. Ao se aposentar, Barbosa vai receber o salário integral de R$ 29,4 mil, segundo assessores.

E Felipão ainda sonha em continuar técnico da seleção, com apoio do futuro presidente da CBF

Carlos Newton

A grande diferença entre as transmissão da Copa pela Globo e pela Band, para ficarmos apenas nos canais abertos, foi o comportamento contido da equipe da emissora carioca, capitaneada por Galvão Bueno, acerca dos muitos erros cometidos pelo técnico Luiz Felipe Scolari. Enquanto os narradores e comentaristas da Band desciam o malho em Felipão, a equipe da Globo tentava colocar panos quentes, preferindo culpar o baixo nível dos jogadores.

Baixo nível? Estavam ali, representando o Brasil, alguns dos mais bem-sucedidos jogadores do mundo. Todos eles milionários e alguns já multimilionários, inclusive o zagueiro mais caro de todos os tempos, Thiago Silva.

Na Globo, a única grande crítica a Felipão partiu de Galvão Bueno, ao enfim registrar que a seleção brasileira jamais treinava no campo maior da Granja Comary, com o técnico preferindo fazer uns bate-bolas em espaço reduzido, a pretexto de enfrentar marcação sob pressão. E seleção que não treina não pega conjunto, é óbvio.

UM RETRANQUEIRO

A verdade é que Felipão convocou os jogadores certos. Poderia ter levado Kaká, para dar mais experiência ao time, mas tudo bem, os jogadores disponíveis estão entre os melhores do mundo. O problema é escalar um time que consiga jogar junto.

Felipão escala mal porque é retranqueiro, no mau sentido, que não arma o time para ganhar, mas para não perder. Aliás, ele é um dos destaques da Era da Retranca,  que Zagallo tentou inaugurar em 1970, mas os já jogadores estavam acostumados a jogar para a frente, no estilo João Saldanha, desobedeceram às ordens de Zagallo e deram aquele show no tricampeonato.

De lá para cá, todas as seleções do mundo passaram a tentar jogar como o Brasil em 1970, com os laterais subindo e descendo, os atacantes marcando pressão e também subindo e descendo, como uma sanfona. E as exibições do Brasil nesta Copa passaram a ser uma espécie de Bíblia para treinadores do mundo inteiro.

A “Laranja Mecânica” da Holanda, sob comando do Cruijff, a França de Zidane e a Espanha de Iniesta não passaram de adaptações do esquema brasileiro de jogar. Nelson Rodrigues diria que esta observação é o óbvio ululante, mas parece que muita gente tem dificuldade de enxergar o óbvio.

TODO MUNDO JOGA IGUAL

No Brasil, Zagallo inaugurou a Era da Retranca, seguido por Parreira, Lazaroni, Felipão e a quase totalidade dos técnicos brasileiros, com raras exceções, como Telê Santana. De 1990 para cá, só deu retranca na seleção.

Hoje, todas as seleções jogam igual. Marcam pressão e contra-atacam com tudo, laterais subindo. A posse de bola é valorizada, com troca de passes a partir do meio do campo, tabelinhas e investidas na intermediária em busca do gol, quando os verdadeiros craques então fazem a diferença.

A diferença para os esquemas apresentados nesta Copa pelos outros semifinalistas (Alemanha, Holanda e Argentina) é que Felipão sempre dá prioridade à escalação de volantes que protejam a defesa, enquanto os outros técnicos preferem escolher volantes que também saibam atacar e avancem no ataque.

Para contrabalançar essa maneira equivocada de jogar, Felipão escala sempre um centro-avante, como Fred, e o resultado é que o Brasil acaba jogando com apenas 10 jogadores, porque Fred some em campo. Detalhe: Jô é melhor do que Fred, porque se desloca e busca jogo, mas também não serve para seleção.

RETRANCAGENS…

Na Copa que Parreira venceu, o Brasil era retranqueiro, mas tinha um grande líder no meio campo (Dunga) e dois atacantes diabólicos (Romário e Bebeto). O time ganhou a Copa, mas não convenceu.

E na Copa que Felipão venceu, o Brasil tinha Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Roberto Carlos, que desobedeciam Felipão, bagunçavam qualquer tentativa de jogar na retranca e partiam para cima do adversário.

Para encerrar: Felipão está completamente ultrapassado. Com esse método de não treinar coletivos, criou uma seleção sem conjunto e sem identidade. E com essa conversa fiada de formar a “família” Scolari, sob as ordens do paizão, criou uma geração de frouxos, que choram por qualquer motivo e até pedem para não bater o pênalti, como o “capitão” Thiago Silva. Jogadores com essa falta de personalidade não deveriam ser convocados. É preferível escalar 11 “feras”, com fez o Saldanha em 1970.

 

A rua Grande e a elegância distinta de d. Edwine Passarinho na terra de Sarney

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Fátima Oliveira 
Ao contrário de minhas filhas, que são da “geração shopping”, detesto shopping centers. Nunca gostei de comprar nada nem de comer nesses lugares! Nas tais praças de alimentação, além de cadeiras desconfortáveis, a impressão que tenho é que a comida é de plástico, juro! É um lugar muito barulhento e com cheiro de gordura velha, embora seja limpo! Prefiro comer em qualquer “sujinho” de rua do que em shopping!
Acho tudo de um artificialismo irritante… O pior é que, nas pouquíssimas vezes em que comprei alguma roupa em shopping, até a cor era outra quando eu a via em casa! Sinto-me tapeada, é sério! Andei lendo que a iluminação é tão exagerada que muda a tonalidade das cores! E que, para que as roupas de inverno tenham boa saída, exageram na climatização. Inverno em shopping é invernão sempre!
Fora os cinemas, nada em shopping faz a minha cabeça! Gosto mesmo é de apreciar vitrines de rua! Entrar numa loja, sair, pegar um vento, entrar em outra, sem compromisso de comprar… Depois de bater perna para lá e para cá, voltar, pedir para ver de novo e até comprar… Falo de uma quase antiguidade, não é? Nem tanto! Em todos os grandes centros urbanos há nichos de rua com lojinhas bem transadas e até ateliês, dos populares aos glamourosos, com coisas boas e chiques para todos os bolsos!
Foi com imensa alegria que li: “O shopping center hoje é um ícone do capitalismo em decadência, e o principal rival dos shoppings é a internet, que permite fazer compras sem sair de casa”; e que a “morte de shoppings nos EUA acende alerta no Brasil”. E relembrei como a rua Grande era o eixo da moda de São Luís em minha adolescência e juventude, pois havia de um tudo da modernidade e da chiqueza em roupas, joias, bijuterias, móveis e eletrodomésticos!
COMÉRCIO DEGRADADO
Fiquei espantada há duas semanas quando estive lá! Foi um choque ver um comércio degradado e as travessas que viraram um comércio de rua desorganizado! Nada contra camelôs, que ganham o pão de cada dia de modo sacrificado e difícil. Sem falar que sou freguesa deles, pois há coisas que só eles vendem! Fala sério, quem resiste a um assédio benfeito de um camelô, que aqui chamávamos de “marreteiros”?! Quantas vezes comprei coisas das quais não necessitava, só pela boa lábia?
A rua Grande era a cara de dona Edwine Passarinho – elegante e distinta viúva que residia lá numa bela casa e se postava no parapeito de sua janela, todas as tardes, bem penteada, puro laquê, com brincos de pérolas enormes e muitas joias, além de bem vestida e maquiada, apreciando o “footing” (o caminhar a pé) que subia e descia a rua nos fins das manhãs e tardes, composto por estudantes dos colégios São Luís, Rosa Castro, Liceu, Ateneu, Instituto de Educação, Santa Teresa… Alguns colégios até proibiam as alunas de passearem na rua Grande de uniforme. De nada adiantava!
Dona Edwine Passarinho encarnava o que em Minas se chama de “namoradeira” – boneca artesanal em cerâmica, madeira ou gesso que decora janelas. E desconheço quem não a apreciasse. Cheguei até a presenciar uma briga entre duas amigas por causa dela quando especulávamos sobre a roupa que ela usava. O mito que corria era que ela jamais repetia uma roupa para se postar em sua janela exibindo sua beleza e riqueza. Foi quando uma colega disse que aquela senhora era tão somente uma exibicionista. Ao que Miriam retrucou: “Eu não a critico, pois será que, quando jovem, ela podia se arrumar assim? Hoje pode! E sua presença torna a rua Grande ainda mais bela!”. (transcrito de O Tempo)

Decodificando as oligarquias e as receitas originárias dos minérios do subsolo do Brasil

Profa. Guilhermina L. Coimbra

As oligarquias se entendem como castas privilegiadas separadas dos demais e dos interesses gerais. A oligarquia política é aquela elite social e econômica que governa um país em função de seus próprios interesses grupais. Entretanto, as oligarquias não estão adstritas ao poder político nem ao governo de um Estado. As oligarquias também se reproduzem em diversos outros tipos de instituições. Existem grupos oligárquicos nas atividades comerciais, industriais, minerárias que se investem do poder de decidir sobre os demais residentes no território do Estado.

No Brasil, observa-se que tanto a oligarquia liberal quanto a oligarquia conservadora têm exercido o poder político de modo a defender os próprios interesses relativamente aos minérios que jazem no subsolo do território brasileiro. O poder político das referidas oligarquias sobre as minas – principalmente sobre aquelas onde se encontram os minerais geradores de energia – tem sido exercido através do conluio do silêncio.

Antes de ser um país agrário  tido como “celeiro do mundo” e antes de ser um país industrializado e detentor de alta tecnologia, algumas, genuinamente brasileiras, o Brasil é um país possuidor de algumas das maiores minas do planeta: é celeiro de minas de minerais estratégicos e de minerais geradores de energia.

SILÊNCIO TOTAL

Não há como justificar o silêncio sobre as minas do Brasil – porque fora do Brasil, através dos magnetômetros, as minas do Brasil estão todas mapeadas, inexistem segredos sobre as referidas minas do Brasil.

O Brasil é celeiro de minerais geradores de energia elétrica (urânio, o combustível do século) e de minerais imprescindíveis à industrialização de inumeráveis produtos de primeira necessidade ao redor do mundo (nióbio).

Sabido é que para governar um Estado, independentemente de seu tamanho – o governo tem que auferir dois tipos de receitas: receitas originárias e receitas derivadas de tributos. As receitas originárias são aquelas que por determinação constitucional, originam-se do exercício das obrigações empresariais do Estado. As receitas derivadas advêm da arrecadação dos tributos.

Uma atividade de mineração monopolizada significa que o lucro da exploração dos referidos minérios monopolizados é receita originaria diretamente canalizada para a Caixa do Tesouro Nacional. A atividade da mineração de minérios geradores de energia – nuclear, por exemplo – por determinação constitucional está monopolizada razão pela qual, é geradora de receitas originárias diretamente canalizadas para a Caixa do Tesouro Nacional.

ESTADO DE DIREITO

Quando se defende a possibilidade de se acabar com o monopólio do urânio está se defendendo que o Estado brasileiro deixe de ser um Estado democrático de direito, no qual os poderes públicos integralmente se submetem às disposições e garantias constitucionais.

Pragmaticamente, quando se defende a possibilidade de se acabar com o monopólio do urânio está se defendendo que a receita originada da exploração do referido minério deixe de enriquecer a CTN e passe a enriquecer a caixa dos tesouros nacionais de outros Estados que não o Brasil.

Os candidatos ao mais alto cargo público eletivo do Brasil sabem por dever do ofício pretendido – Presidência da República do Brasil – que somente existem duas formas de se conseguir receitas: a originária e a derivada. Os candidatos – ao exibirem as “plataformas”, as diretrizes básicas dos programas de governo de cada um – têm silenciado sobre as receitas originárias. Omitem a arrecadação das receitas originárias como se inexistentes.

A receita originária é o único tipo de receita que não onera o contribuinte. A arrecadação de receitas (a originária mais a derivada) auferidas pelo Estado é que torna o governo do Estado e o próprio Estado independentes para aplicá-las.

Em um Estado de formação continental como o Brasil as receitas originárias são imprescindíveis e indispensáveis. Sem as receitas originárias o país não teria como enfrentar as despesas que se fazem necessárias para infraestruturar o país e teria de cobrar cada vez mais tributos dos contribuintes brasileiros.

EM CAMPANHA

Até o momento nenhum candidato mencionou como pretende conseguir receitas para fazer face às despesas necessárias à infraestruturar o país nas áreas mais carentes: Saúde, Educação, Infraestrutura (autoestradas, ferrovias, saneamento etc.). As receitas originárias – em todos os Estados desenvolvidos do mundo são as maiores receitas que os Estados auferem – sem onerar os respectivos contribuintes. Impossível ignorar ou conluiar a respeito da importância da arrecadação de receitas originárias com as quais os candidatos terão que contar para poder governar. A receita originária é a mais importante receita auferida pela Caixa do Tesouro Nacional, porque não onera o contribuinte. Sem receita originária o governo é obrigado a exigir do contribuinte pagamentos de tributos cada vez maiores.

Recursos prometidos ou conseguidos pelos candidatos ao governo não são receitas e tornam dependentes o Estado e o governo que conseguiu os recursos. As mais conhecidas formas de conseguir recursos são: através de empréstimos bancários, garantidoS com os bens públicos do Estado; e através do fideicomisso. O fideicomisso é uma espécie de arrendamento mercantil dos bens públicos do Estado. Os brasileiros abominam as duas formas de conseguir recursos. E os candidatos têm que parar de pensar que estão falando para uma massa de ignorantes e explicar como pretendem administrar as receitas originárias das minas do território brasileiro, sem receio de desagradar às oligarquias brasileiras.

coimbra@ibin.com.br

Como teatro, dez! Futebol, um!

Chico Maia
O Tempo
Luiz Felipe Scolari disse que fez tudo certo, e quem “gostou, gostou; quem não gostou que vá para o inferno!”. Depende do ponto de vista sobre o “tudo certo”. Se falarmos de teatro, ele e Carlos Alberto Parreira realmente foram muito bem e merecem nota 10: disseram que o Brasil seria campeão, pois tinha essa obrigação; ensinaram os jogadores a cantar o hino nacional à capela, com todo o vigor; alguns, como o David Luiz, aos berros, com cara feia. Também ensaiaram bem a nova moda de se entrar em campo trocando as mãos dadas, inventadas por Dunga, pela mão no ombro do companheiro à frente, em fila indiana. Inventaram também uma psicóloga para conter a tremedeira do grupo quando começou chegar a hora da verdade, como se um profissional desses resolvesse esse tipo de problema em algumas seções coletivas e em público, como foi feito. Mudaram a forma de atuar do assessor de imprensa Rodrigo Paiva, até então, um sujeito cordial e prestador de bons serviços à CBF como jornalista. Virou “leão de chácara” para impedir perguntas inconvenientes de jornalistas e, depois, agredir jogador chileno no intervalo.
MANDINGAS
Acharam que foi o terço do goleiro Victor que salvou o Julio Cesar e o time nos pênaltis contra o Chile; aí, tentaram transformar o Neymar, machucado, em mártir e santo milagreiro. Puseram os jogadores e toda a comissão técnica para entrar em campo contra a Alemanha com boné com o nome dele. Na hora do hino, mais uma dose cavalar com o capitão David Luiz e Julio Cesar exibindo a camisa do Neymar.
MAUS ESPÍRITOS
E teve ainda o sal grosso que o preparador físico Paulo Paixão espalhou no gramado do Mineirão antes da entrada dos times. Na Idade Média era usado para afastar os maus espíritos, os demônios e as bruxas das casas, assim como nos dias atuais. Não consta que espante também goleadas de times bem-treinados e com grandes jogadores bem-escalados. Mas como teatro, vale!

NO LUGAR ERRADO
Como teatrólogos e atores, os comandantes Scolari e Parreira merecem realmente nota 10, mas não foi para isso que eles foram contratados pela famigerada CBF. Como veteranos e rodados profissionais do futebol, só não merecem nota zero porque convocaram jogadores que a maioria dos treinadores convocaria. Faltou aos convocados um técnico competente que treinasse o time.

MICO DA CARTA
Para completar, aquela ridícula entrevista coletiva no dia seguinte aos 7 a 1. Foram 49 minutos de bobagens, quando tentaram convencer a todos que a goleada foi fruto apenas de um “apagão” de seis minutos que resultou nos quatro gols alemães. Tese também defendida pelos amigos e atores deles na imprensa. Com direito à tal carta elogiosa da suposta senhora “Lúcia”, que foi lida por Parreira.
“Como teatrólogos e atores, Scolari e Parreira merecem realmente nota 10, mas não foi para isso que eles foram contratados.”

 

Oposição e governo tentam convencer 47 milhões de indecisos após a Copa

 

Paulo de Tarso Lyra, João Valadares e Grasielle Castro
Correio Braziliense

Ainda sob o efeito da derrota do Brasil no Mundial, governo e oposição buscam o discurso para atrair 47 milhões de eleitores – um terço do eleitorado, que ainda não vestiu a camisa de um lado ou do outro para as eleições de outubro. Os oposicionistas defendem que o vexame perante a Alemanha apenas coroou um torneio que teve obras superfaturadas, entregues com atraso e resolvida pelo jeitinho brasileiro de decretar feriados nos dias dos jogos para não travar a mobilidade. Para os governistas, a “Copa das copas” foi um sucesso, os aeroportos funcionaram, os pessimistas foram calados e não se pode culpar a presidente Dilma Rousseff (PT) porque não foi ela quem entrou em campo ou escolheu Luiz Felipe Scolari para ser treinador da Seleção Brasileira.

“A partir de agora, viveremos a Copa das culpas”, disse Carlos Melo, cientista político e professor do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. “Cada um dos lados vai tentar empurrar para o outro as razões desse fracasso. O eleitor indeciso será bombardeado por uma guerra infinita de versões”, prosseguiu Melo. O especialista lembra que, nas redes sociais, a cada gol alemão, multiplicavam-se cobranças à presidente pela ausência de investimentos em saúde e em educação e a prioridade dada às obras para o Mundial. “Mas não podemos esquecer que São Paulo, governado pelo PSDB, lutou para sediar a abertura dos jogos”, completou.

Dilma concede entrevista à rede norte-americana CNN: petista voltou a lamentar a derrota do Brasil na Copa (CNN/Reprodução)
Dilma concede entrevista à rede norte-americana CNN: petista voltou a lamentar a derrota do Brasil na Copa

O cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Fábio Wanderley avalia que o povo brasileiro sabe separar bola e voto. “A verdade é que ainda vai correr muita água até as eleições”, afirma. Ele acredita, no entanto, que a derrota pode servir como adubo para o recrudescimento das manifestações de rua que sacudiram o Brasil em junho do ano passado.

O Planalto e a campanha do PT pela reeleição de Dilma Rousseff asseguram que, até o momento, não há qualquer razão para mudanças de planos. A presidente segue disposta a ir ao Maracanã no domingo para entregar a taça ao vencedor do Mundial. Há alguns dias, a decisão causou estresse entre a Secretaria de Comunicação da Presidência e o Ministério do Esporte, pois Aldo Rebelo confirmou a presença de Dilma à Fifa antes de comunicá-la do convite.

Foi-se a Copa? – indagou Carlos Drummond de Andrade

 

Carlos Newton

Mineiro de Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais, que tinha grande amor pelo Rio de Janeiro e morava em Copacabana, Carlos Drummond de Andrade em 1978 publicou esse poema, criado num ano em que a seleção brasileira também se deu mal na Copa do Mundo.

Foi-se a Copa?

Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
A Copa da Liberdade.

 

 

 

Diferenças são na qualidade dos jogos e tamanhos dos escândalos

Chico Maia
O Tempo
Daqui a mais uns dias começaremos o retorno ao normal, falando do Campeonato Brasileiro, dos nossos times e das mazelas da CBF e arbitragens. O domingo sem jogos da Copa já provocou estranheza em muita gente que gosta de futebol, acostumada a dois grandes jogos diariamente, em horários distintos. Uma zapeada ontem na TV e dois “aperitivos” do que nos aguarda: amistosos entre Grêmio e Londrina, no Paraná; Corinthians x Uberaba no Uberabão. Se os nossos jogos oficiais têm sido sofríveis imagine amistosos.

No que se refere a mazelas, as da CBF e Fifa só mudam de tamanho da repercussão e dos volumes financeiros. Só na comercialização ilegal de ingressos os acusados ligados à Fifa faturam mais de US$ 1 milhão por jogo. Humberto Grondona, filho do chefão argentino e vice de Josep Blaterr, Júlio, teve ingressos da cota pessoal dele apreendidos, mas disse que deu de presente a um amigo e não sabe o que este fez com eles. Está explicado, e não se fala mais nisso. Um cartola forte da Fifa está bravo é com a Polícia Civil do Rio, que não avisou previamente à entidade que iria investigar a máfia.

Não muda
Nas arbitragens os problemas vividos pela Fifa são os mesmos da CBF, Federação Mineira de Futebol e demais federações do país e do mundo. Sempre haverá erros, mas enquanto os meios eletrônicos não forem adotados e algumas regras forem mudadas, ficaremos nessa avalanche de discussões. O basquete, o vôlei e o tênis mudaram e melhoraram, mas o futebol ainda resiste. Enquanto isso, assunto é que não falta para abastecer os nossos noticiários e debates.

Histeria
As pequenas e grandes falhas também são as mesmas, porém, com quase 40 câmeras de TV de última geração em cada jogo, em todas as posições do estádio, as falhas dos atuais árbitros são mais vistas, obviamente. A histeria nacional que tomou conta do Brasil em relação à “vítima” Neymar cegou até alguns dos mais sensatos comentaristas. Em coro com a CBF querem a cabeça do colombiano Zuñiga numa bandeja.

Coisa pouca

Perto do que fez o goleiro alemão Schumacher com o atacante francês Battiston, na Copa da Espanha, o lance do Zuñiga com o Neymar não foi nada. E apesar da entrada criminosa que deixou Battiston seis meses inativo, com costelas e dentes quebrados, o alemão não recebeu nenhuma punição; nem dentro nem fora de campo.

Faltas
Uma rede de TV fez uma seleção de faltas “assassinas” desta Copa. Não fossem as potentes câmeras, nenhuma mereceria nem cartão amarelo.

Experts
Um dos maiores defensores de pênalti da história, João Leite foi um dos primeiros goleiros do mundo a estudar em qual canto os cobradores de pênalti contra quem iria jogar chutavam. Só treinadores, colegas de time e poucos repórteres sabiam dos estudos do João. Em cinco, costumava defender três.

O caldeirão das urnas

Gaudêncio Torquato

Passados os lúdicos tempos da Copa, o país retornará ao ciclo da “opressão psíquica”, termo que Serge Tchakhotine usa para explicar o tiroteio verbal a que será submetido o eleitorado brasileiro na arena que abrigará contendores até a luta de outubro, quando as urnas mostrarão quem viverá, morrerá ou será ferido na eleição mais emblemática das últimas décadas.

Mesmo levando em conta que a evolução social da massa impede que seja entorpecida como “um rebanho de carneiros que não se governa por si mesmo, devendo ser conduzido por entusiasmo e interesse”, como dizia Mussolini, é fato que parcela ponderável das camadas menos esclarecidas e até de segmentos mais elevados é muito influenciada pela propaganda política. Não por acaso, a conquista de maior espaço na mídia eleitoral foi o fator mais ponderado nas negociações para a formação da mais estrambótica frente de parcerias e alianças entre partidos e candidatos.

Afinal, que condimentos entram no caldeirão eleitoral, a ponto de atrair o apetite de milhões de pessoas de todas as classes? Vejamos alguns. O medo, por exemplo. Exerce o medo maior influência sobre camadas em precária situação econômica, contingentes esgotados ou amedrontados por diversos motivos. Por isso mesmo, procura-se marcar candidatos com a pecha de contrários a programas assistenciais, como o Bolsa Família.

ACREDITAR E ADMIRAR

Harold Laswell, estudioso norte-americano, coloca ainda no caldeirão que começa a ferver duas categorias assim designadas: os “credenda” e os “miranda”, ou seja, as coisas a serem acreditadas e as coisas a serem admiradas. A primeira comporta o discurso, as promessas etc. Já na galeria da admiração, emerge o candidato com sua história e valores que modulam o perfil: experiência, simplicidade etc.

Os grupos de amigos, a vizinhança e a própria vida no bairro têm peso no processo decisório do eleitor, eis que funcionam como cola de pertinência social e do cotidiano comum. Explica-se, assim, a proximidade como fator gerador da distritalização do voto, tendência crescente no país. As bases buscam cada vez mais candidatos que se identifiquem com as localidades, que são os centros da micropolítica.

EMOÇÃO E RAZÃO

Questão instigante na propaganda política é a que procura distinguir a linguagem da emoção da linguagem da razão. “As pessoas que votam com o coração são mais numerosas que as que votam com a cabeça; as eleições são ganhas e perdidas pela emoção, não pela lógica”, proclama o famoso profissional de propaganda norte-americano Joseph Napolitano.

Como se conclui, é imbricado o tecido sobre o qual se desenvolve a artilharia discursiva das campanhas. Pode-se até apostar no entorpecimento das massas por meio da “mágica da expressão” a cargo do marketing eleitoral. Mas a excitação, a animação, a indução, enfim, os fenômenos que explicam os comportamentos humanos ganham outras influências, a par da artilharia desfechada pela palavra. Sem esquecer que existe a força do imponderável, aquele vento que causa destruição quando entra pelas frestas eleitorais sem dar aviso prévio. (transcrito de O Tempo)

 

Revolta e resignação de Martinho da Vila e João de Aquino

 Martinho e Gabriel, filho de Aquino

O escritor, cantor e compositor Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila (Isabel), nascido em Duas Barras (RJ), e o violonista carioca João de Aquino expressam na letra de “Pensando Bem” uma mistura de revolta e resignação numa situação-limite sugerida. Este belíssimo samba foi gravado por Luiza Dioniozio, no CD Devoção, em 2009.

PENSANDO BEM

João de Aquino e Martinho da Vila

Irmão
A gente não tem nem mais o que comer
Trabalho não há também pra laborar
Então o que é que a gente vai fazer

Mulher
Eu acho que a gente vai ter de roubar
Sair pelas ruas botar pra quebrar
De fome é que a gente não pode morrer

Não sei
Pensando bem acho que não vai dar
Roubar contraria as leis do Senhor
E a justiça dos homens vai nos condenar

              (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Se o Brasil jogar com a Holanda como jogou com a Alemanha, vai tomar outra surra

Nelio Jacob

A inversão de posição de Bernad e Hulk foi invenção infeliz do Felipão. O maior erro do Brasil foi não ter um sistema tático, um esquema de jogo, foi para cima da Alemanha como se fosse um time qualquer e se abriu na defesa.

É necessário considerar, que a Copa do Mundo é um campeonato de mata-mata, o mais importante é não tomar gol e se possível fazer um. A França empatou e ganhou com seleções sem expressão em termos de futebol, com diferença de um gol. Nesse tipo de competição tem que se priorizar a defesa, como vem fazendo a Argentina. Pode jogar feio, mas tem grande oportunidade de ser campeã.

A Alemanha, vinha ganhando com dificuldade de países sem expressão em termos de futebol: empatou com Gana de 2 x 2, ganhou dos EUA de 1 x 0, ganhou da Argélia de 2 x 1 e da França por 1 x 0. O Brasil tomou de 7 X 1 pelo fato de não ter um esquema de jogo, um sistema tático e deixou a metade do campo livre para o contra-ataque.

A Argentina, joga recuada, na retranca mesmo, com forte marcação, numa roubada de  bola, sai no contra-ataque, quando perde a bola voltam todos rapidamente para compor a defesa, até o Messi fica na intermediária da Argentina, correndo e marcando.

Se o Brasil jogar com a Holanda, como jogou com a Alemanha, vai tomar outra surra. Alemanha e Argentina vai ser outro jogo duro, as duas seleções se fecham muito bem na defesa. É muito difícil penetrar na área do adversário com um time todo recuado, não há espaço para jogadas.

O perigo dos vices

Sylo Costa

Dizem que a prática da política partidária é ofício do diabo. E parece que é mesmo. Não sei quem disse isso e, se ninguém disse, digo eu. Meus candidatos à Presidência da República não saem vitoriosos, exceção para Jânio. Votei sempre no que achava o menos ruim e, por isso, votei em Ciro Gomes e até em Esperidião Amim, aquele pelado como eu, lá de Santa Catarina.

Tenho certeza, se é que se pode ter certeza em política partidária, que determinadas regras quase sempre falham em eleições majoritárias. Por exemplo: muitas vezes, a eleição majoritária começa a ser decidida com a escolha do vice. O vice não elege ninguém, mas pode derrotar e azarar tudo, como foi o caso de Tancredo com Sarney, que não podia ser candidato a nada por ter renunciado à presidência da Arena para se filiar ao MDB sem o interstício de dois anos exigido por lei.

Isso foi um rolo arquitetado pelo general Golbery, que nunca aceitou a candidatura de Andreazza. E deu no que deu. Nasci e me criei no Norte de Minas, onde a política “é o pau que gira”. Fui deputado por muitos anos e sempre pensei que minha vida sempre seria na militância política, com ou sem mandato. Mas com a eleição de Tancredo, pessoa que eu admirava, politicamente (ele lá e eu cá), começou minha desilusão.

Como eu havia sido eleito para mais um mandato, tive tempo para ir me preparando para largar tudo e apoiar um companheiro salinense. E assim, ao completar o mandato, que coincidiu com meus 50 anos, fui cuidar da fazenda.

Tancredo nunca me perdoou e bateu forte em mim. Aliás, eu e o saudoso Pio Canedo fomos avisados de que iríamos pagar o pato por termos ficado contra ele. Tancredo sempre falou em eleições diretas, mas conjurava com Golbery pelas indiretas e, assim, ganhou a Presidência com esse raposismo pessedista.

VICE DE AÉCIO

Agora, aproximam-se as eleições presidenciais. Eu pretendia votar em Aécio, o menos pior na minha opinião, mas eis que Aécio, pupilo da “chique” esquerda paulista, acaba de lançar para seu vice o terrorista-senador Aloysio Nunes Ferreira Filho. Sendo assim,“votarei” nulo para presidente. Esse cara assaltou bancos e foi motorista do terrorista-chefe Marighela, que, na versão de seus companheiros da ALN, foi assassinado pela ditadura.

Mentira: Marighela morreu de metralhadora nas mãos, em combate, apesar de toda proteção que recebia dos também terroristas de sua grei. Entre esses, havia alguns até de batina, que tinham dom Evaristo Arns como líder.

O senador Aloysio foi muito mais ativo na guerrilha que a terrorista que hoje preside a República. Aliás, mais tempo, menos tempo, ela terá seu destino mudado pelo voto do povo consciente. A propósito, onde estariam os quase US$ 3 milhões que Dona Dilma roubou da casa de Ademar de Barros, em São Paulo? Cadê o cobre, D. Dilma? Que diferença existe entre o jogador criminoso Bruno e os mensaleiros brancos? E por que a diferença de tratamento? Racismo? (transcrito de O Tempo)

 

A ressaca

 

Mauro Santayana
Jornal do Brasil

No Day After da histórica goleada de sete a um, da Alemanha sobre a seleção brasileira, no Mineirão, uma frase de Napoleão Bonaparte ajusta-se, sem dificuldade, à campanha do Brasil na Copa do Mundo de 2014: “Quem teme ser vencido tem a certeza da derrota”.

Jogamos, desde o início, não como se estivéssemos disputando nossa vigésima copa do mundo, em nossa própria casa, mas como se pisássemos terra alheia, e praticamente estreássemos nesse tipo de competição.

Para qualquer espectador arguto, já estava escrito o que iria acontecer. Bastava observar a expressão entre aérea e preocupada do senhor Luiz Felipe Scolari, antes do início dos jogos. E interpretar, com a clareza  da fumaça branca saindo das chaminés do Vaticano, em dia de eleição do Papa, o espetáculo de indulgência e autocomiseração que se seguiu à vitória, por um triz, contra o Chile, ao final da disputa de pênaltis.

O Brasil perdeu, e o pior, perdeu feio, mais pela atitude do grupo do que pela “sacola” de gols que tomamos dos teutônicos no jogo da desclassificação. E, isso, porque não soubemos, desde o início, nos impor – e cantar de galo – dentro das linhas dos retângulos verdes de nosso próprio terreiro.

HINO NACIONAL

É certo que aprendemos, depois da Copa das Confederações do ano passado, ao menos a cantar – sem balbuciar ou mascar chicletes – o hino nacional, “à capela”, junto com a torcida.

Mas faltou confiança no país. Nacionalismo. E nos deixamos dominar, em campo, pelo mesmo “complexo de vira-latas” que, muitas vezes nos atrapalha e tolhe fora dele.

Tínhamos tudo – os estádios, a torcida, o fato de estar em casa  – para conquistar, com talento e determinação, no peito e na raça, extraordinária vitória. Não nos preparamos, no entanto, como fizeram outras seleções, nem como devíamos, nem como guerreiros. Perdendo ou ganhando, choramos mais que nossos adversários, jogando, quase sempre, menos do que eles.

TERCEIRO LUGAR

Enfim, a derrota só se esquece com a glória, e não adianta tentar salvar a cara, futebolisticamente, jogando melhor para ganhar – se possível for – o terceiro lugar desse torneio.

Para 2018, quem sabe, será preciso estudar outra forma de escolher nossos atletas, que não seja a arrogância e onipotência de quem é mais firme em uma entrevista coletiva, do que no treinamento e capacitação de seus comandados, e que – com mais garra de vencedor do que cara de loser – precisava exibir energia e determinação na beira do gramado.

Não é possível que um país com 200 milhões de habitantes e milhares de jogadores de futebol tenha que depender sempre da mesma meia dúzia de estrelas, que jogam do outro lado do oceano.

Com a Copa, o Brasil deu muito aos deuses do futebol em sua visita. Templos, público, emoções, espetáculo. Mas não foi o suficiente para nos concederem os louros da vitória.

DEPOIS DO VENDAVAL

Agora, depois da ressaca, voltemos ao que importa. Muito mais relevantes, para o futuro do Brasil, do que ganhar o Campeonato Mundial de Futebol de 2014, será a criação do Banco dos BRICS – uma espécie de Banco Mundial dos Países emergentes – logo depois da Copa, na Cúpula dos Presidentes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em Fortaleza. Seguida do lançamento de um fundo de reservas, com capital de 100 bilhões de dólares que funcionará como alternativa ao FMI – Fundo Monetário Internacional, para o Grupo.

E, principalmente, o resultado das eleições deste ano, em que se elegerão deputados, governadores, senadores e quem irá ocupar a cadeira da Presidência da República a partir de 2015.

Esquizofrenia generalizada

Murilo Rocha

O Brasil vai continuar por algum tempo em clima meio de velório, meio de sanatório. Enquanto alguns choram o fim de uma ilusão da redenção das mazelas de um país ou da vida via futebol, outros deliram com teorias conspiratórias ou teses pueris vindas da direita e da esquerda, ambas sem nenhuma base real.

A ressaca do massacre, realmente histórico, imposto por uma talentosa geração de jogadores alemães a um desfigurado Brasil dentro das quatro linhas, ecoa de forma tão dissonante sociedade afora justamente porque o esporte ocupa por aqui um lugar quase sempre indevido. Historicamente, e com mais ênfase de quatro em quatro anos, o futebol é usado de forma oportunista e, muitas vezes, criminosa para forjar algo como “a verdadeira alma do brasileiro”.

Em vez de batalhas emancipatórias, guerras por independência ou simplesmente lutas por melhores condições de vida em um país tão desigual, escolhe-se associar a identidade de um povo a um esporte, o qual, por uma série de razões, inclusive extracampo, calhou de ser o maior vencedor.

Não há mal algum em criar literatura em torno do esporte. Lendas, mitos, heróis e vilões são uma maneira de contar a história do futebol, sem dúvida alguma, uma das atividades mais apaixonantes criadas pelo homem. Mas no Brasil, de agora e também do passado, como também no resto do mundo, esse casamento ideológico do futebol com a política já se mostrou desastroso. O país deveria ter aprendido isso com a ditadura militar, a qual criou um clima de patriotismo para mascarar as atrocidades do regime no embalo do tricampeonato de 70. Mas não. O esporte parece estar sempre pronto a ocupar esse vazio identitário.

POR UM PAÍS MELHOR

Em 2014, com a Copa no Brasil, a Copa das Copas, o circo estava armado novamente. Até mesmo as manifestações populares, reconhecidas no ano passado como um movimento positivo de parte da sociedade contra os desmandos do país, voltaram para o limbo empurradas pelo oba-oba, pelo ufanismo irresponsável criado no Brasil desde o início do Mundial.

“Agora não é hora de protestar!”, bradava a esquerda patrocinada pelo PT. “A polícia está certa. Tem de baixar o cacete”, endossavam os conservadores de sempre. O casamento de opostos realizado sob a égide do futebol criminalizou movimentos sociais e reforçou a manutenção de aparelhos repressores.

O fato de a Copa ter dado certo – e realmente deu – não invalida o grito de quem reclama por um país melhor, com menos desigualdade social. Se a oposição queria criar clima de instabilidade usando um eventual fracasso da Copa e incitar crises, os governistas estavam prontos para jogar problemas graves para debaixo do tapete e surfar numa onda de populismo criado pelo esperado hexacampeonato. Mas aí veio o dia 8 de julho, no Mineirão, e com ele uma impiedosa “Blitzkrieg”: 7 a 1. Deus deve mesmo existir e ser brasileiro. (transcrito de O Tempo)

 

Patrimônio de Temer supera a soma de todos os outros candidatos a vice

Vice-presidente, Michel Temer.

Deu na Folha

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), declarou à Justiça Eleitoral reunir um patrimônio de R$ 7,5 milhões. O valor ultrapassa em R$ 950 mil a soma dos bens dos outros dez candidatos à vice-presidente nas eleições de outubro. Os cofres dos 11 vices totalizam R$ 14 milhões, superando os R$ 11,5 milhões dos presidenciáveis.

A fortuna de Temer é quatro vezes maior que a do senador Aloysio Nunes (PSDB), vice na chapa dos tucanos e que reúne R$ 1,8 milhão. A diferença para a ex-senadora Marina Silva, nome para vice do PSB, é ainda maior: 55 vezes superior aos R$ 135,4 mil declarados por ela.

Conhecido como um político de bastidor e que enfrentou rebelião de parte do PMDB para confirmar nova dobradinha nas urnas com a presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente tem como bens mais valiosos um título de renda fixa de R$ 2,2 milhões, participação em uma empresa que também soma R$ 2,2 milhões e um prédio em área nobre de São Paulo de R$ 722 mil.

Entre investimentos e imóveis, o peemedebista é quatro vezes mais rico que Dilma, que tem R$ 1,7 milhão em bens. Ele também supera os R$ 5 milhões repassados à Justiça pelo presidenciável José Maria Eymael (PSDC), que tem o maior patrimônio entre os cabeças de chapa.

VALOR SUBESTIMADO

As declarações dos candidatos à Justiça Eleitoral subestimam o valor de seus bens, porque eles não são obrigados a informar o valor real de mercado de seus imóveis.

Segundo mais rico entre os vices, Aloysio Nunes tem como seu principal patrimônio uma fazenda em Guzolândia, interior de São Paulo, avaliada em R$ 1,1 milhão. Seu patrimônio é inferior aos R$2,5 milhões do presidenciável do PSDB, senador Aécio Neves (MG). Uma casa de R$ 60 mil, em Rio Branco (AC), é o maior bem de Marina Silva, que declarou R$ 411 mil a menos que o ex-governador Eduardo Campos.

O candidato a vice com menor patrimônio é Ricardo Machado, do PCO. Bancário, ele informou um total de R$ 11 mil, sendo R$ 8 mil de um carro Santana, modelo 1996, e R$ 3 mil de uma moto Yamaha, modelo 1987.

 

Acredite se quiser: Presidente eleito da CBF diz que por ele, Felipão fica

Jamil Chade
O Estado de S. Paulo

O presidente eleito da CBF, Marco Polo Del Nero, culpa a escolha tática do técnico Luis Felipe Scolari como a responsável pela humilhação que passou o Brasil diante da Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo. Mas deixa claro que, se depender dele, Felipão continua como treinador do time principal do Brasil.

“Por mim, ele (Scolari) fica”, declarou Del Nero, em uma conversa exclusiva com Estado no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. “O que aconteceu foi um erro tático. Esse foi o problema. Mas todos nós erramos. Isso acontece com qualquer um. O importante é que o trabalho foi bem feito. A campanha e a preparação foram boas. A base existe”, declarou.

Del Nero venceu as eleições na CBF e é a pessoa que, em 2015, assumirá o comando do futebol brasileiro. Ele admite que será um período de “desafios”. Mas garante que está “pronto” para assumir a função.

O dirigente ainda fez questão de destacar o “sucesso” da Copa do Mundo como evento e não descarta nem mesmo pensar em uma nova candidatura no futuro para que o Brasil receba o Mundial, a partir de 2030. “Porque não?”, questionou.

INTERVENÇÃO

Del Nero ainda respondeu às propostas do governo de realizar uma “intervenção indireta” no futebol brasileiro, um discurso usado pela presidente Dilma Rousseff depois da derrota para a Alemanha.

“A participação do estado é sempre bem-vinda, dentro dos limites do que se pode fazer”, declarou Del Nero. Mas ele deixou claro que o governo precisaria se ocupar da rede pública de escolas antes de falar em agir nos clubes brasileiros.

“A escola é a base de todo”, declarou. “O governo precisa dar maior prioridade para o esporte na rede pública”, defendeu. “Os clubes não podem fazer tudo. Parte desse trabalho de base precisa ser construído pelas escolas”, completou.

O dirigente ainda sugeriu que propostas para o desenvolvimento do futebol feminino enviado ao governo pela CBF estão paradas há anos. Ontem, o ministro Aldo Rebelo, da pasta de Esportes, e a Fifa, cobraram da CBF uma operação de maior envergadura com relação ao desenvolvimento do futebol feminino no Brasil.

Del Nero, porém, alertou que ainda quando Orlando Silva era ministro, a CBF encaminhou um projeto para o desenvolvimento da modalidade nas universidades. Em troca de bolsas de estudos, as mulheres teriam a organização de times e de campeonatos. “Mas o projeto nunca andou”, comentou Del Nero.

Criaram um monstro

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Tostão
O Tempo

Felipão é o responsável pela seleção, mas não é o criador do nosso atual e medíocre estilo de jogar. Ele pensa como os outros técnicos brasileiros. Criaram um monstro.

Não sei quando nem onde isso começou, se foi de dentro para fora, por causa da visão estreita dos treinadores, ou se foi de fora para dentro, por causa da ganância pelo lucro, em detrimento da qualidade do futebol. Está tudo interligado, um jogo de interesses. Repito, uma praga nacional. Desaprendemos a jogar coletivamente.

Para Felipão e a maioria dos técnicos, trocar passes no meio-campo é frescura, um jogo bonitinho, improdutivo. O futebol brasileiro vive de correria, de estocadas e de jogadas aéreas. Muitas vezes, dá certo.

Por motivos óbvios, qualquer técnico da seleção tem uma ótima estatística. Queremos mais que isso. O mundo, que tanto nos admira, também está triste.

Por causa do desprezo pelo meio-campo, não temos um craque neste setor. Se Kroos, Schweinsteiger e outros armadores fossem formados no Brasil, seriam escalados, desde as categorias de base, de meias ofensivos, para atuar próximos ao gol. Schweinsteiger era um meia habilidoso e criativo que se transformou em um volante, para o time ter mais o domínio do jogo e da bola.

Contra a Alemanha, o Brasil jogou com cinco atrás (quatro defensores mais Luiz Gustavo), quatro na frente (Hulk e Bernard, pelos lados, e Oscar, próximo a Fred) e apenas Fernandinho, em um enorme espaço no meio-campo.

Enquanto isso, a Alemanha, com todos os jogadores muito próximos, tinha três no meio-campo, mais Muller e Ozil pelos lados, que voltavam para marcar e chegavam na frente. Os cinco atacavam e defendiam. Eram cinco contra um. Há 15 anos falo sobre isso. Tenho a sensação de que estou sendo repetitivo e que não há nenhuma importância se falo ou não falo disso. Cansei!

 

Caramba! Um vidente impressionante previu tudo o que aconteceu na Copa até agora.

Mário Assis

É impressionante a previsão de um médium chamado Carlinhos Vidente, da cidade de Apucarana, no Paraná. Ele foi entrevistado pela TV Apucarana, antes do jogo do Brasil com o México, ainda nas eliminatórias.

Confira as previsões dele. São inacreditáveis.

http://m.youtube.com/watch?v=m1RtVDNsQ9g&autoplay=1