Comissão da Verdade de São Paulo conclui que Juscelino Kubitschek foi assassinado

Elaine Patricia Cruz
Agência Brasil

São Paulo – A Comissão Municipal da Verdade de São Paulo declarou hoje (9) que o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek (JK) foi assassinado durante a ditadura militar (1964-1985), contrariando a versão de que o ex-presidente morreu em um acidente de carro.

A versão oficial sobre a morte aponta que Juscelino e seu motorista, Geraldo Ribeiro, morreram em agosto de 1976 em um acidente de trânsito na Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, quando o carro em que estava o ex-presidente colidiu com uma carreta após ter sido fechado por um ônibus. A versão de morte acidental sempre foi contestada pela comissão.

“Não temos dúvida de que Juscelino Kubitschek foi vítima de conspiração, complô e atentado político”, disse o vereador Gilberto Natalini, presidente da Comissão Municipal da Verdade.

Amanhã (10), na sede da Câmara Municipal de São Paulo, a comissão vai divulgar um documento, de 29 páginas, elencando “90 indícios, evidências, provas, testemunhos, circunstâncias, contradições, controvérsias e questionamentos” que a fizeram concluir que JK foi assassinado durante viagem de carro na Rodovia Presidente Dutra.

Estimativas sem embasamento empurram a economia para um caminho perigoso

Deco Bancillon
Correio Braziliense

A falta de acertos nas previsões do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e, sobretudo, as promessas não cumpridas pela equipe da presidente Dilma Rousseff têm minado a credibilidade do país junto a investidores, empresários e organismos internacionais.

Após inúmeros maus resultados no campo econômico, entre os quais o mais flagrante deles é o errático desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), tomou corpo no mercado financeiro um sentimento de descrédito total com a política econômica.

Para experientes analistas, a incapacidade dos técnicos do governo de identificar e corrigir problemas adicionou uma dose extra de instabilidade e desconfiança ao Brasil em um momento em que o mundo passa por transformações e que o capital estrangeiro está mais volátil e avesso a riscos.

POLITICA FISCAL

Um dos principais focos de preocupação é com a política fiscal do governo. Ao Correio, o economista-chefe da agência de classificação de riscos Austin Rating, Alex Agostini, adiantou que a empresa está prestes a revisar a nota de crédito do país. “Nós temos uma preocupação clara com a classificação do Brasil”, ele diz. “Atualmente, a nossa perspectiva para o país ainda é estável, mas devemos soltar um relatório já nas próximas semanas alterando isso”, conta.

Nas palavras de Agostini, “todos os indicadores, hoje, apontam para uma piora (do rating) do Brasil”. O economista, no entanto, não quis adiantar qual será a revisão feita pela agência, mas deixou entender que a mudança pode não ser apenas da perspectiva da nota, de estável para negativa, mas, sim, um rebaixamento efetivo do grau de credibilidade do país. “Esse risco é iminente”, confidencia.

Torcidas organizadas assinam manifesto pela paz nos estádios (quer dizer, nas arenas)

Elaine Patricia Cruz
Agência Brasil

Reunidos em São Paulo, representantes de torcidas organizadas de todo o país assinaram um manifesto pela paz no futebol elaborado pelo Ministério do Esporte. No documento, eles se comprometem a atuar no combate à violência nos estádios, respeitar o Estatuto de Defesa dos Direitos do Torcedor, divulgar as ações do manifesto às torcidas e cadastrar seus membros no site do ministério.

Ao ministério caberá zelar pelo cumprimento da legislação esportiva e do Estatuto de Defesa dos Direitos do Torcedor, além de disponibilizar a Ouvidoria para o recebimento e encaminhamento de denúncias. O acordo foi assinado à tarde, durante o 1º Seminário Sul-Sudeste de Torcidas Organizadas. A entidade que descumprir os compromissos assumidos no manifesto poderá ser excluída pelo ministério. Segundo o órgão, 34 organizações participaram dos dois dias do seminário.

Na cerimônia de encerramento do seminário, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, defendeu a existência desses grupos. “Por que proibir a torcida? Se há uma briga, o melhor seria encontrar quem brigou, o responsável pela agressão. Responsabilidade coletiva é uma coisa que só vi no nazismo”, disse o ministro, ao criticar o fato de se querer atualmente punir as organizadas por causa de atos de violência cometidos de forma individual.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA decisão é inócua. No domingo, em Santa Catarina, torcedores se enfrentaram e um foi para o hospital em estado grave. Mas esse tipo de coisa só acontece em decisões. Com os preços dos ingressos majorados para o Padrão Fifa, as autoridades nem precisam se preocupar. A quase totalidade dos integrantes das torcidas organizadas não tem a menor condição financeira de seguir frequentando estádios de futebol, que hoje são chamados de “arena” (talvez para lembrar o sacrifício do povo, no estilo Roma antiga). As autoridades não se interessam pelo povo, muito pelo contrário. Nas “arenas” só entra a elite, as torcidas ficam de fora. Esta é a realidade.(C.N.)

Mensaleiros que já cumprem pena passarão Natal e Ano Novo na cadeia

Diego Abreu
Correio Braziliense

As chances de os condenados no processo do mensalão passarem a noite de Natal e o réveillon na companhia de parentes são nulas. Uma portaria da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal a qual o Correio teve acesso limita as saídas temporárias de fim de ano a presos que tenham obtido progressão de regime e àqueles que receberam autorização para trabalhar, o que exclui os mensaleiros do rol de possíveis beneficiados.

Juristas ouvidos pela reportagem acrescentam que os sentenciados do mensalão que se encontram presos não terão direito ao chamado saidão, uma vez que tal benefício é autorizado somente para detentos que tenham cumprido, no mínimo, um sexto da pena, no caso de réu primário. Como as primeiras prisões ocorreram há menos de um mês, a maior parte dos apenados do mensalão terá de aguardar pelo menos até o ano que vem para pleitear tal privilégio.

A Portaria nº 7 da Vara de Execuções Penais, publicada no último dia 20 de novembro, autoriza a “saída especial” no Natal, no período do dia 24, às 10h, até o dia 26, às 10h, e no Ano Novo, entre 30 de dezembro e 2 de janeiro, nos mesmos horários.

Mas a norma elimina qualquer possibilidade de os mensaleiros serem alcançados pelo benefício. De acordo com a portaria, o saidão poderá ser concedido somente “aos internos que tenham obtido, até a data limite de 24 de novembro de 2013, progressão ao regime semiaberto, com autorização para saídas temporárias, e aos que estejam com o trabalho externo deferido, que já tenham usufruído, ao menos, de uma das saídas especiais nos últimos 12 meses”.

Estilo centralizador de Dilma Rousseff atrasa decisões e incomoda aliados

Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

Perto de terminar o terceiro ano de mandato e às vésperas da campanha na qual buscará a reeleição ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff corre para entregar o máximo de realizações possíveis para o eleitorado e compensar os atrasos de obras que atormentam o Palácio do Planalto e alimentam as críticas da oposição.

Empossada em 2011 como a grande gerente capaz de destravar o país, Dilma sofre com uma mania que, na realidade, tornou-se sua marca administrativa: a dificuldade — e a demora — em tomar decisões pelo perfeccionismo e excesso de centralismo.

Um dos queridinhos da presidente e cotado como um dos possíveis coordenadores da campanha pela reeleição, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, já tinha dado a dica ao seu sucessor no Ministério de Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, quando lhe transmitiu o cargo, em janeiro de 2012.

“Toda vez que você levar um programa, a primeira fase vai ser de espancamento do projeto. Ele vai ser desconstituído em todas as suas dimensões e, se não estiver muito bem, consistente, você vai ouvir a seguinte expressão: ‘Ele não fica de pé’.” Como se já não tivesse sido claro, o petista arrematou. “Não insista. Você não vai convencê-la. Vai perder tempo. Volte para casa, junte a equipe, trabalhe intensamente e volte a apresentar o projeto.”

Pouco com Deus

Vittorio Medioli

Aristóteles acreditava que “O homem sábio não procura o prazer, mas a ausência de dor”, não se desgasta para ter, se satisfaz em ser. Não existem luxo, opulência e poder que valham a perda da serenidade, portanto, o sábio rejeita sonhos fantásticos, metas ambiciosas, complicações fúteis que, uma vez alcançadas, despertam mais ambição, apetite, mais orgulho do que paz. O filósofo grego ainda sentenciou: “A felicidade é de quem é suficiente a si mesmo”.

O esforço tem que se voltar para dominar nosso inquieto interior, e a “fome de vento”. As fontes externas de felicidade e prazer por natureza são extremamente frágeis, perecíveis, sujeitas ao acaso e podem, mesmo nas melhores circunstâncias, ressecar repentinamente. O que era pó, mais cedo ou mais tarde, a pó voltará.

Na velhice, os prazeres comuns aos jovens costumam naturalmente se apagar, e se isso não acontecer o indivíduo se desorienta como o ex-atleta que quer continuar a disputar com os jovens. De certa forma perde-se o afã do amor carnal, mas adquire-se o prazer de um amor mais intenso. Desaparece a vontade de viajar para longe, de dançar, de participar da vida mundana, de vestir a moda, de ter cabelo comprido.

Envelhecendo, o indivíduo se liberta de muitas escravidões, simplifica sua existência. O raio de manobra se encurta, perdem-se parentes, amigos, tirados pela morte. Deixa-se para trás a necessidade de exibir. Os mais sábios entendem que vive bem quem bem se esconde, especialmente dos olhares invejosos, as baixezas humanas que são terrivelmente míseras e sórdidas.

DENTRO DE SI

Mais que qualquer fator externo, passa a ser importante o que o indivíduo encontra dentro de si, a fórmula de dominar e enjaular a futilidade e a inutilidade, quase sempre motivo de desgastes. Controlando-se interiormente, aumenta a capacidade de se harmonizar com as circunstâncias. A qualidade dos relacionamentos adquire mais valor do que sua quantidade. A felicidade passa a ser um fenômeno quase estático, menos grandioso e efusivo. A felicidade não precisa ser contada, basta ser sentida.

O mundo em volta pouco importa, valem mais a serenidade, a capacidade de desfrutar o momento de paz, um jardim, um fruto, um pequeno animal de estimação, até o mosquitinho que desponta do nada em volta da fruta madura, uma boa música, enfim, uma infinidade de pequenas coisas pode dar uma satisfação mais intensa do que uma palpitante viagem a bordo de um Bugatti ou um banquete repleto de iguarias e vinhos caros.

Passou nesses dias nos jornais mais um caso de corrupção tupiniquim com fiscais de São Paulo. Poucas novidades na escalada da lamentável realidade brasileira, prevista nesta coluna em decorrência dos péssimos exemplos dos governantes nacionais. Perdulários, demagogos, omissos, cúmplices da corrupção que ocorre sistematicamente na sala, servem de exemplo para os mais fracos.

A PODRIDÃO

Se os valores perseguidos e os métodos usados por quem está no comando são podres, inevitavelmente a podridão se alastrará e contaminará as camadas inferiores. Disseminar exemplos perversos gerará perversidade. Gandhi deu um exemplo de austeridade, de moderação, de intransigente honestidade, jejuou inúmeras vezes, mesmo como chefe de Estado viajava para a Europa na terceira classe do navio de rota comum, e deu impulso para a superação das imensas dificuldades do povo indiano. E nossos governantes?

Além das fórmulas sôfregas usadas para roubar, é interessante reparar como o butim é empregado. Desde aquele juiz Lalau, com Ferrari e Lamborghini num esplêndido apartamento em Miami, joias e babaquices caras, não temos grandes novidades. Corruptos gastam com apartamentos de luxo, jantares que exibem vinhos selecionados, joias, frotas de motos e carros fantásticos. O corrupto sente uma perversa necessidade de “ter”. Ter coisas caras e raras – que certamente não fazem a felicidade –, até para esquecer que no quesito “ser” ele é uma falência total, pois se rebaixou a pilhar dinheiro que poderia ir para merendas escolares e remédios. É como ganhar um jogo se dopando ou trapaceando.

Parece que entre corruptos há uma absoluta descrença quando se diz que “pouco com Deus é melhor que muito com o diabo”.

Briga interna: Interferência de Pimentel na eleição do PT mineiro desagrada Patrus e Dulci

Isabella Lacerda

A ausência de nomes da ala Articulação, liderada pelos ex-ministros Luiz Dulci e Patrus Ananias, no evento de posse do novo presidente do PT de Minas, Odair Cunha, no último sábado, gerou insatisfação e críticas entre os integrantes do partido. Agora, a tão prometida união interna para a disputa pelo governo de Minas no ano que vem parece ainda estar longe de acontecer.

Nesse domingo, os petistas trocaram farpas nos bastidores e apontaram para uma possível dificuldade de se obter consenso interno. De acordo com uma liderança do PT, que preferiu o anonimato, as desavenças internas tomaram forma durante a disputa pela presidência estadual do PT, quando dois nomes lançados por lideranças de peso do partido bateram de frente: de um lado, o deputado federal Odair Cunha, e, do outro, a secretária de Finanças da legenda, Gleide Andrade.

“Tinha um combinado de que na eleição do presidente do partido não haveria interferência direta do ministro Fernando Pimentel, mas isso não aconteceu, o que acirrou os ânimos”, argumentou.

Pimentel é dado como nome certo para a disputa estadual em 2014, mas as desavenças internas podem tirar dele o apoio unânime. “Todas as alas têm dito que ele deve ser o candidato. Ele tem esse apoio, mas o clima interno na disputa pela direção pode complicar isso”, completou o petista.

O vereador de Belo Horizonte Arnaldo Godoy (PT) declarou  ter ficado “desapontado” com a ausência de nomes importantes na posse de Odair Cunha. “Achei lamentável e afirmei isso durante o evento. Eu estava lá, era um momento de união nossa, e isso não se mostrou. Acho que isso é sim consequência da disputa interna pela presidência do PT, mas não queremos que isso tenha reflexo em 2014”, argumentou Godoy.

O também vereador Pedro Patrus assegurou, porém, que as ausências “não foram orquestradas”. “Ainda terá um outro evento de posse, um evento maior. Ontem não foi assim tão importante, foi mais protocolar”, ressaltou. “Na hora da eleição, o partido estará unido. É assim que acontece”, garantiu. (transcrito de O Tempo)

E Lula nunca desmentiu o empresário Mário Garnero…

Carlos Newton

Os leitores mais antigos do Blog da Tribuna da Internet já conhecem bem esse episódio, sempre relembrado aqui pelo comentarista Antonio Santos Aquino. E agora outro comentarista, Péricles, nos manda a integra da citação feita a Lula pelo empresário Mário Garnero, em seu livro “Jogo Duro”. Na época, Garnero era presidente da toda-poderosa Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), interlocutora de Lula nos embates sindicais:

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TRECHO DE “JOGO DURO”

Eu me vi obrigado, no final do ano passado, a enviar um bilhetinho pessoal a um velho conhecido, dos tempos das jornadas sindicais do ABC…

…Sentei e escrevi: Lula…. achei que tinha suficiente intimidade para chamá-lo assim, embora, no envelope, dirigido ao Congresso Nacional, em Brasília, eu tenha endereçado, solenemente: A Sua Excelência, Luiz Ignácio Lula da Silva, Espero que o portador o tenha reconhecido por trás daquelas barbas.

No bilhete, tentei recordar ao constituinte mais votado de São Paulo duas ou três coisas do passado, que dizem respeito ao mais ativo líder metalúrgico de São Bernardo: ele próprio, o Lula. Não sei como o nobre parlamentar, investido de novas preocupações, anda de memória. Não custa, portanto, lembrar-lhe. É uma preocupação justificável, pois o grande líder da esquerda brasileira costuma se esquecer, por exemplo, de que esteve recebendo lições de sindicalismo da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, ali por 1972, 1973, como vim a saber lá, um dia. Na universidade americana, até hoje, todos se lembram de um certo Lula com enorme carinho”.

“Além dos fatos que passarei a narrar, sinto-me no direito de externar minha estranheza quanto à facilidade com que se procedeu a ascensão irresistível de Lula, nos anos 70, época em que outros adversários do governo, às vezes muito mais inofensivos, foram tratados com impiedade. Lula, não: foi em frente, progrediu. Longe de mim querer acusá-lo de ser o cabo Anselmo do ABC, mesmo porque, ao contrário do que ocorre com o próprio Lula, eu só acuso com as devidas provas. Só me reservo o direito de achar estranho.

Lembro-me do primeiro Lula, lá por 1976, sendo apresentado por seu patrão, Paulo Villares, ao Werner Jessen, da Mercedes-Benz, e, de repente, eis que aparece o tal Lula á frente da primeira greve que houve na indústria automobilística durante o regime militar, ele que até então era apenas o amigo do Paulo Villares, seu patrão. Recordo-me de a imprensa cobrir o Lula de elogio, estimulando-o, no momento em que a distensão apenas começava, e de um episódio que é capaz de deixar qualquer um, mesmo os desatentos, com o pé atrás.

Foi em 1978, início do mês de maio. Os metalúrgicos tinham cruzado os braços, a indústria automobilística estava parada e nós, em Brasília, em nome da Anfavea, conversando com o governo sobre o que fazer. Era manhã de domingo e estive com o ministro Mário Henrique Simonsen. Ele estivera com o presidente Geisel, que recomendou moderação: tentar negociar com os grevistas, sem alarido. Imagine: era um passo que nenhum governo militar jamais dera, o da negociação com operários em greve.

Geisel devia ter alguma coisa a mais na cabeça. Ele e, tenho certeza, o ministro Golbery.
Simonsen apenas comentou, de passagem, que Geisel tinha recomendado que Lula não falasse naquela noite na televisão, como estava programado. Ele era o convidado do programa Vox Populi, que ia ao ar na Tv Cultura ” o canal semi-oficial do Governo de São Paulo. Seria uma situação melindrosa. “Nem ele, nem ninguém mais que fale em greve”, ordenou Geisel.

Saí de Brasília naquela manhã mesmo, reconfortado pela notícia de que ao governo interessava negociar. Desci no Rio com as malas e me preparei para embarcar naquela noite para uma longa viagem de negócios que começava nos Estados Unidos e terminava no Japão. Saí de Brasília também com a informação de que Lula não ia ar naquela noite.

Mas foi, e, no auge da conflagração grevista, disse o que queria dizer, numa televisão sustentada pelo governo estadual. Fiquei sabendo da surpreendente reviravolta da história num telefonema que dei dos Estados Unidos, no seguinte. Senti, ali, o dedo do general Golbery. Mais tarde, tive condições de reconstituir melhor o episódio e apurei que Lula só foi ao ar naquele domingo porque no vai-não-vai que precedeu o programa, até uma hora e meia antes do horário, prevaleceu a opinião do Golbery, que achava importante, por alguma razão, que Lula aparecesse no vídeo. O general Dilermando Monteiro, comandante do II Exército, aceitou a argumentação, e o governador Paulo Egydio Martins, instrumentado pelo Planalto, deu o nihil obstat final ao Vox Populi.

Lula foi a peça sindical na estratégia de distensão tramada pelo Golbery, O que não sei dizer é se Lula sabia ou não sabia que estava desempenhando esse papel. Só isso pode explicar que, naquele mesmo ano, o governo Geisel tenha cassado o deputado Alencar Furtado, que falou uma ou outra besteira, e uns políticos inofensivos de Santos, e tenha poupado o Lula, que levantava a massa em São Bernardo. É provável que, no ABC, o governo quisesse experimentar, de fato, a distensão. Lula fez a sua parte.

Mais tarde, ele chegou a ser preso, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, enfrentou ameaça de helicópteros do Exército voando rasantes sobre o Estádio de Vila Euclides, mas tenho um outro testemunho pessoal que demonstra tratamento respeitoso, eu diria quase especial, conferido pelo governo Geisel ao Lula, e por governo Geisel eu entendo, particularmente, o general Golbery.

O mal do adiamento


Heron Guimarães

De todos os males que assombram as gestões públicas no Brasil, a procrastinação é, depois da corrupção, a que mais prejudica o cidadão e, por consequência, os próprios governos que não fazem nada para evitá-la ou, pelo menos, reduzi-la. Deixar para depois acaba com qualquer planejamento, desmotiva a melhor das equipes, torna uma administração tão ineficiente que chega a comprometer um trabalho inteiro e pode derrubar políticos que conseguiram fazer uma campanha eleitoral exemplar e manter um discurso coerente e bem-intencionado.

O mal de adiar atinge todos os que dependem do serviço público, como em uma epidemia. Como é uma praga que se hospeda em pessoas, ela também afeta setores privados, mas, pela facilidade de trocar as peças e de acompanhar resultados sem ter a necessidade de satisfazer compromissos políticos, às vezes, ela é contida.

No serviço público, é diferente. A procrastinação é tolerada e, em muitos casos, estimulada. Afinal, para muitos governantes ou líderes públicos, é melhor deixar o tempo resolver. Porém, o tempo, “senhor da vida”, pode trabalhar contra.

ZUMBIS DE CORREDORES

Assim, sem tomar decisões, vão-se embora rios de dinheiro, trabalhos inteiros e ideias são jogadas ao vento. As vítimas desse adiamento contumaz se transformam em zumbis de corredores, lotando, sem eficiência alguma, prefeituras, câmaras, ministérios, tribunais e tudo o que se pode chamar de repartição pública. Ver esses fantasmas nos cafezinhos, esparramados de frente para suas mesas de MDF, usando seus estiletes afiados para apontar lápis ou simplesmente passando o tempo com fofocas em redes sociais ou jogando paciência é angustiante.

A incompetência, apesar de ser a principal responsável por deixar tudo para depois, não é a única a contribuir com essa patologia. Também tem a acomodação, a tal zona de conforto que vem de apadrinhamentos, a ausência de bons gestores e, por fim, a força do hábito. Essa última casualidade é, pela dificuldade de ser erradicada, a mais nociva, pois é altamente contagiosa. Propaga-se no vácuo e transforma mentes ansiosas por resultados em uma espécie de consciência paquidérmica generalizada.

O irritante sossego da procrastinação parece uma doença incurável. Pessoas esforçadas e competentes, em outros ambientes de trabalho, anulam-se no setor público, contribuindo com o estado de letargia total que assola o Brasil dos tempos de internet de alta velocidade. Elas, até sem saber, contribuem com um Estado inativo, ineficiente e prejudicial ao desenvolvimento humano e econômico.

A solução para essa chaga se resume em uma só palavra: meritocracia. Mas fazer valer o mérito é algo ainda inalcançável pelos padrões brasileiros de administração pública. (transcrito de O Tempo)

Cotas raciais no comércio exterior

Percival Puggina

Se existe uma parte do planeta onde bate com mais vigor o generoso coração de Lula e Dilma, esse lugar é a África Negra. Imagino ser por isso que existam cotas raciais para o comércio exterior brasileiro. Volta e meia – às vezes nem meia volta se completa – e lá estão nossos presidentes petistas na África Subsaariana, cada um a seu turno, perdoando dívidas milionárias que aqueles países têm para com o Brasil. A conta já passa de US$ 2 bilhões. Não por acaso são, em parte, débitos de governos ditatoriais, sanguinários, genocidas, que lidam com as finanças locais em regime de partilha. Vai um pouco para o interesse público e o restante para contas familiares em bancos estrangeiros.

Um deles, o senhor Omar al-Bashir, já leva 24 anos no cargo de presidente do Sudão. Tem dois mandados internacionais de prisão e, segundo um promotor do Tribunal Penal Internacional, acumula US$ 9 bilhões de recursos próprios em paraísos fiscais. Outro, o senhor Teodoro Obiang, que comanda a Guiné-Equatorial, adquiriu em 2010 um apartamento na Av. Vieira Souto, no Rio de Janeiro, naquela que foi até então a maior transação da história da cidade envolvendo um imóvel residencial. O pequeno refúgio carioca do ditador é um tríplex com 2 mil metros quadrados.

O patrimônio pessoal do bilionário ditador do Congo-Brazaville, Denis Sassou Nguesco, proprietário de algumas dezenas de imóveis na França é superior à dívida do país perdoada pelo Brasil (US$ 352 milhões). E por aí vai. Em maio deste ano, numa única tacada, a presidente Dilma anunciou perdões, abatimentos e novos parcelamentos para dívidas de uma dúzia redonda de nações africanas.

CLUBE DE PARIS

Alega o governo que esse procedimento está alinhado com as orientações do Clube de Paris, que o recomendam como forma de estimular a contratação de novos financiamentos e promover o desenvolvimento daqueles povos. Faria sentido se não estivéssemos tratando, em alguns casos, de povos cuja miséria aumenta na proporção direta em que a elite governante amplia sua riqueza pessoal. Faria sentido se não houvesse, na lista de beneficiados, governos ditatoriais que só perdem em longevidade e truculência para a dinastia cubana dos Castro Ruíz.

É uma pena que a benevolência dos governos petistas em relação aos seus cotistas raciais no comércio exterior não encontre simetria de tratamento com as dívidas dos produtores rurais brasileiros quando suas lavouras são assoladas por estiagens e secas. É uma pena que essa mesma prontidão não apareça na hora de atender os brasileiros vítimas de cheias, cujos bens são arrastados pelas águas.

DIREITA E ESQUERDA

É uma pena, também, que não se respeite o preceito bíblico de que a mão esquerda não saiba o que a direita faz em favor do próximo. De fato, enquanto a generosidade nacional é proporcionada pela dadivosa mão direita, a esquerda encaminha novos recursos para obras de empreiteiras brasileiras nesses países. Quem garante que a virtude da probidade e a adimplência tenham desabrochado em meio aos maus pagadores e prevaricadores de ontem? Continuaremos financiando empreiteiras e cancelando os débitos?

E é uma pena, por fim, que, junto com a bonomia das cotas raciais de nosso comércio exterior, não venha junto uma transparência maior sobre as comissões pagas pelos novos negócios que estão sendo contratados lá com as empreiteiras daqui. Tenho um palpite, mero palpite, de que iríamos encontrar, beneficiado por tais valores, um conhecido lobista que mantém relação de intimidade paternal com as decisões de governo.

Palpites furados para a Copa

01
Tostão
(O Tempo)

Já conhecemos a bola da Copa e a formação dos grupos. A Brazuca é linda. Espero que os jogadores a tratem com carinho e que joguem um bolão. A Copa não é lugar para bolas murchas. Os craques deveriam se divertir com a bola, ocupar o espaço imaginário entre a brincadeira, os efeitos especiais, e a seriedade, o compromisso com a vitória.

O sorteio foi ótimo para o Brasil na primeira fase. Croácia, México e Camarões estão no terceiro nível da competição em qualidade técnica. O México, por ter vencido o Brasil algumas vezes, deve ser o mais difícil adversário.

Mas, nas oitavas de final, o Brasil deve enfrentar Espanha, Holanda ou Chile. Logo após o sorteio, o tradicional Parreira disse que, se o Brasil se classificar, vai ter um grande rival pela frente, Espanha ou Holanda. Esqueceu do Chile. Muitos vão fazer o mesmo. No bolão, apostei em Espanha e Chile. Porém, os holandeses seriam adversários mais difíceis que os chilenos. Diferentemente do México, que costuma jogar mal e ganhar do Brasil, o Chile sempre joga bem e perde.

Muitos conceitos e palpites serão desmentidos quando a bola rolar. Não podemos escolher os melhores só pela tradição. Existe um grande número de seleções, que formam um segundo grupo, com pouca diferença técnica entre elas, como Itália, Holanda, França, Portugal, Inglaterra, Bélgica, Suíça, Colômbia, Chile, Uruguai e outras. Qualquer resultado entre essas seleções não é surpresa. Seria zebra se uma dessas equipes eliminasse, nos jogos mata-mata, um dos quatro favoritos (Brasil, Espanha, Alemanha e Argentina)? Penso que não, porém não é o mais provável.

Se existe, em todo o mundo, zebras em todos os torneios curtos, com jogos mata-mata, por que um azarão nunca ganhou uma Copa? Uma das explicações é que os grandes jogam o Mundial com muita seriedade. Outra é que um azarão tem de ganhar de mais de um grande em jogos eliminatórios. Já a preferida da turma da teoria da conspiração é que forças ocultas nunca deixam os pequenos vencerem o tradicional torneio.

A partir de agora, haverá milhões de bolões para a Copa. Já fiz minha simulação, e deu Brasil e Argentina na final. Já dei também meu palpite dos 16 classificados. No grupo do Brasil, aposto também no México como segundo colocado.

As chances de um “entendido”, como Nelson Rodrigues chamava os comentaristas, acertar mais da metade dos resultados na Copa é a mesma de quem não conhece nada de futebol. Essa incerteza é uma evidência da importância do acaso, ainda mais em jogos com pouca diferença técnica. É também uma constatação de que a história de uma partida, de um campeonato, está muito acima da nossa pretensiosa sabedoria sobre o mundo da bola.

COPA EM BH

Na primeira fase, teremos quatro jogos em Belo Horizonte: Colômbia x Grécia, Argentina x Irã, Costa Rica x Inglaterra e Bélgica x Argélia. De todos, o melhor é Argentina x Irã, pela presença dos argentinos, um dos favoritos ao título, além de eles ficarem concentrados em Belo Horizonte, na Cidade do Galo. Inglaterra, Colômbia e Bélgica são outras atrações.

O melhor será nas oitavas de final, pois é quase certo que o Brasil será o primeiro de seu grupo e que vai enfrentar Espanha, Holanda ou Chile no Mineirão. Será uma partida dificílima, ainda mais se for Holanda, que eliminou o Brasil na última Copa, ou a Espanha, atual campeã do mundo. O Chile, apesar de ter um bom time, é um antigo freguês.

O amor pela Pátria, segundo Vinicius de Moraes

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta , Vinícius de Moraes (1913-1980), escreveu belíssimos poemas para as mulheres que tanto amou, mas o seu poema de amor mais importante foi “Pátria Minha” dedicado a todos nós, brasileiros.

PÁTRIA MINHA

Vinícius de Moraes

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu…

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda…
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão…
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
“Pátria minha, saudades de quem te ama…”

        (Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)

O percurso existencial no sistema atual

João Batista Libânio

Como as pessoas se sentem existencialmente no atual sistema e momento cultural? Por aí conseguimos captar-lhe traços importantes que escapam das análises dos economistas e frequentemente dos sociólogos. Nem se trata diretamente de sentimentos psicológicos. Está em jogo algo mais profundo: o próprio existir humano sobre o qual a filosofia e a teologia costumam refletir.

Corta a sociedade atual a linha divisória do bem-estar material. De um lado, minoria agraciada com as ofertas consumistas em contínuo crescimento qualitativo e quantitativo. Reina, na linguagem do papa Francisco, em seu último documento “A Alegria do Evangelho”, o senhorio do dinheiro. Vive-se sob o império do capital financeiro que reina soberano, a oferecer lícita e corruptamente jogos mirabolantes com o capital. Faz tempo que a ética entrou em recesso no mundo do dinheiro.

O percurso existencial vai na linha progressiva da substituição do ser pelo ter, recordando reflexões do filósofo existencialista francês Gabriel Marcel – “Être et Avoir” – e de Paulo VI na “Populorum progressio”. Os dois corifeus da defesa do ser sobre o ter não puderam conhecer o novo deslocamento pós-moderno que faz sobressair sobre o ter o aparecer.

EXIBICIONISMO

Depois do primeiro passo do abundante ter vem a exibição do mostrar, do culto à exterioridade e à aparência. Aí o grupo privilegiado distingue muito bem os sinais reais e os requintes sofisticados do mundo da alta riqueza: grifes, hotéis, clubes, cruzeiros e outras demonstrações de status.

Aqueles que não passeiam por esse mundo facilmente são identificados pelo kitsch ou pela falsa moeda da exterioridade. Segue-se a tal sofreguidão da felicidade rápida, fútil e superficial. Não raro tudo desaba e a falida paz interior conduz à busca substitutiva da droga. De vez em quando, o noticiário nos surpreende com mortes por overdose. Triste fim de um itinerário que nunca tocou a intimidade maior da pessoa. A sabedoria dos antigos já nos deixara a lição: “Vaidade das vaidades – diz o Eclesiastes –, neblina fugaz, tudo é vaidade” (Ecl 1, 2)!

No lado oposto, não é menos trágica a caminhada. W. Benjamim traçou uma sucessão de passos vividos pelos excluídos do sistema. Desespero, raiva, cólera e indignação. Madri surpreendeu-nos na presente crise econômica com “los indignados”. No mês de junho deste ano, multidões ocuparam as ruas do Brasil explodindo de cólera contra um regime eivado de corrupção, de segregação.

O sociólogo Boaventura de Sousa Santos vê o sistema fechado pelos interesses dominantes de tal modo que só sobrou a rua como espaço de liberdade e de protestos. Na noite dos dois extremos, a fé cristã oferece outra estrada a trilhar: a esperança. Esperar é crer no amor. Mas em que amor? Precisamente do outro que conosco convive no momento em que ele descobre habitar em si a Transcendência. Ela mantém-nos inquietos, diria santo Agostinho, até que a encontremos no concreto da existência. E isso significa a experiência mais simples do mundo: cada saída de si em direção a um outro necessitado de nossa presença faz-nos mais felizes que todas as exterioridades das classes superiores e salpica de luz a noite dos que estão à beira do desespero. (transcrito de O Tempo)

Funeral de Mandela tem 53 chefes de Estado e de governo confirmados

Deu na France Presse

Joanesburgo – Ao menos 53 chefes de Estado e de governo confirmaram que comparecerão às cerimônias fúnebres de Nelson Mandela, anunciou neste domingo a chanceler sul-africana, Maite Nkoana-Mashabane.
Entre os líderes presentes estarão o presidente americano, Barack Obama, acompanhado por três ex-presidentes norte-americanos, a presidente Dilma Rousseff, o presidente francês, François Hollande, além do líder da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

O funeral de Nelson Mandela, que faleceu na noite de quinta-feira, gerou um “interesse sem precedentes” e líderes de todo o mundo querem comparecer à cerimônia, afirmou a chanceler em uma coletiva de imprensa.

Muitos líderes mundiais estarão presentes em uma cerimônia no estádio Soccer City, onde o ex-presidente sul-africano apareceu pela última vez em público, durante a Copa do Mundo de futebol de 2010. Um grupo menor viajará a Qunu, a aldeia natal do Prêmio Nobel da Paz, onde Mandela será sepultado no próximo domingo.

Sabedoria todo dia

Antonio Rocha

Mais adiante, a duras penas, os povos irão compreender que não precisamos de Política, de Políticos (com letras maiúsculas ou minúsculas), precisamos de sábios, de sabedoria (com letras maiúsculas e minúsculas).

Certa feita, perguntaram ao pensador indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986) quem seria melhor para dirigir os destinos do mundo: o político ou o religioso? E Jiddu respondeu: “Espero que nem um, nem outro”.

Em língua portuguesa temos diversos livros de Krishnamurti publicados e hoje, recomendo “Liberte-se do Passado”, tem edições várias.

É isso mesmo, para sermos felizes, precisamos nos libertar do passado e, no caso, a Política regeu e rege uma forma arcaica de ser no mundo.

Observe que em nome da Política guerras são feitas, famílias destruídas, países devastados e muita dor, bastante sofrimento para os idosos, crianças, civis inocentes … então essa tal de Política não faz bem à saúde: gera ódios, vinganças e afins.

ESTÁ NA HORA

Portanto, está na hora de começarmos a construir a Sabedoria diária, sabedoria 24 horas, desde comprarmos o pão na esquina pela manhã, até altas decisões palacianas. É preciso ser/ter Sabedoria.

As tais negociações/conciliações devem ser/ter Sabedoria, tendo em vista o bem comum.

Em vez de parlamentares, parlamentos, teremos conselhos de sábios, reuniões simples com senhores e senhoras dignos, decentes, gente simples desenvolvendo sabedoria em todas as áreas. Sem precisar ganhar rios de dinheiro e o excedente vai para os hospitais públicos, para a educação pública, para os transportes públicos.

Por enquanto, a sugestão fica no campo da utopia, mas observe que, em todo o mundo, cada vez mais, os políticos e a política são questionados. Podem perguntar, e o que vamos colocar no lugar? Ora… Sabedoria… sábios…

Penso que o presidente Mujica, do Uruguai, é um bom exemplo de sábio contemporâneo.

 

Conhece algum ‘Troll’, tipo de internauta que se dedica a perturbar debates na web?

Franklin Oliveira

Na gíria da internet, Troll caracteriza uma pessoa cuja intenção é provocar emocionalmente os membros de uma comunidade através de mensagens controversas ou irrelevantes. Com isso, ele consegue interromper uma discussão sadia e causa conflitos entre os participantes, fazendo com que o objetivo principal do tópico saia de foco.

O Troll atua em lugares onde existe uma grande concentração de pessoas envolvidas em algum debate potencialmente polêmico. Eles agem em comunidades do Orkut, listas de discussão, fóruns, blogs, chats, e até em jogos online.

Geralmente, eles procuram lugares onde os riscos de ver sua identidade associada aos seus atos é minimizado. No Orkut, por exemplo, eles atuam com perfis falsos (fakes) e percorrem a rede semeando a discórdia dentro das comunidades.

Existem Trolls de todos os tipos, desde os mais estúpidos que não economizam nos palavrões, até os mais aptos intelectualmente. Eles se divertem com a reação indignada de outras pessoas e sentem prazer em saber que causaram polêmica. Em alguns casos, as pessoas envolvidas perdem a paciência e chegam a se envolver em agressões pessoais.

MUITO CRIATIVOS

Os Trolls costumam ser bastante criativos e levam as pessoas à loucura quando “mordem a isca”. Alguns procuram brechas nas regras da comunidade e utilizam isso para fazer seu ponto de vista ser aceito. Veja mais exemplos de sua atuação abaixo:

Alguns só querem ver o circo pegar fogo – O Troll inicia um tema polêmico esperando que grupos com opiniões opostas discutam sobre o assunto. Ele apenas põe lenha na fogueira e assiste o resultado sem participar efetivamente da discussão.

Baixando o nível – Mesmo sendo intelectualmente inferior ao restante dos membros, o Troll consegue fazer com que a pessoa apele para a baixaria com xingamentos e ameaças. Dessa forma, sua vítima se autodenigre diante do resto da comunidade e perde a razão.

O Troll intelectual – O mais comum. Ele se utiliza de um vocabulário rebuscado para se autoafirmar diante da comunidade e ganhar status. Além disso, ele costuma corrigir e questionar a formação acadêmica dos colegas para ridicularizá-los.

Insistência – O famoso chato. Ele costuma repetir um conjunto de argumentos logicamente inconsistentes ou falhos até que a pessoa canse e pare de argumentar, ganhando a discussão por abandono.

Sobre o que estávamos falando? – Uma das coisas mais comuns é a troca de assunto. O Troll muda o foco da discussão diversas vezes até que mais ninguém consiga acompanhar o ritmo.

FALTA DO QUE FAZER

Existem diversos fatores que motivam uma pessoa a agir dessa forma. Pode ser por ideologia, fanatismo, autoafirmação, falta do que fazer ou por pura sacanagem. A maioria dessas pessoas possui algum distúrbio psicológico que pode ter sido causado por um trauma, fracasso ou impotência. Portanto, tome cuidado, eles podem se tornar bastante agressivos.

Apesar de existir alguns métodos eficientes para combater essa prática, o melhor jeito é ignorar. Eles não querem ser convencidos e não estão nem aí para a discussão em questão. Portanto, resista à tentação de tentar debater com eles, por mais que os argumentos, exemplos e comparações pareçam errados e provocativos.

TEMAS POLÊMICOS

Além disso, procure evitar assuntos reconhecidamente polêmicos como política, religião, futebol, música, etc. (exceto quando esse é realmente o tema em questão). Caso você identifique algum ato suspeito, procure informar ao moderador da comunidade sobre o ocorrido. Isso é muito mais eficaz do que alimentar as provocações e, ainda, nega ao Troll o que ele mais procurava: a polêmica.

Nem toda discórdia pode ser caracterizada como um ato Troll. Analise o contexto de cada situação e avalie o perfil do interlocutor. Caso você tenha dúvidas se uma pessoa está agindo com um Troll, pense que ela não é, tente ser educado e responda sem ironia. Indique a ela referências sobre o assunto e alerte sobre as regras da comunidade.

Algumas pessoas só estão perdidas e não possuem conhecimento suficiente para entender uma explicação, por mais simples que ela pareça. Tente referenciar este artigo para aqueles que insistirem demasiadamente, muitos podem não saber que estão agindo como Trolls.

E aí, você se considera um Troll?

O triângulo amoroso de Nelson Sargento

O artista plástico, escritor, cantor e compositor carioca Nelson Mattos foi sargento do Exército, daí o apelido que virou nome artístico. Uma de suas músicas revela um sublime “Triângulo Amoroso”, formado por ele próprio, por sua companheira e pela Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Este samba faz parte do LP Sonho de um Sambista, gravado por Beth Carvalho, em 1979, pela Estúdio Eldorado.

TRIÂNGULO AMOROSO

Nelson Sargento

Elas são o meu tudo na vida
Pra mim elas são iguais
Se por acaso eu perde-lás
Não sei do que serei capaz

É um triângulo amoroso
Funcionando com perfeição
{Uma me domina, a outra me fascima
Mas as duas tem meu coração}

Elas são o meu tudo na vida
Pra mim elas são iguais
Se por acaso eu perde-lás
Não sei do que serei capaz

É um triângulo amoroso
Funcionando com perfeição
{Uma me domina, a outra me fascima
Mas as duas tem meu coração}

Uma está no lar
É minha doce companheira
As vezes eu fico com a outra, a noite inteira
{Assim vivemos bem, pois ela sabe afinal
Que sua rival é a Mangueira}

           (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)