Os aloprados do PT voltam à ação e fraudam a denúncia do caso Siemens

Maria Lima
(O Globo)

Os dirigentes do PSDB acusam o PT de ter adulterado o relatório original do ex-executivo da Siemens Everton Rheinheimer que apontava o pagamento de propinas aos governos tucanos de São Paulo de Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. Os tucanos distribuíram cópias do documento, em inglês e em português, que mostram que a tradução não corresponde ao original.

Segundo os documentos distribuídos pelos dirigentes tucanos, o relatório original entregue pelo ex-executivo à empresa não traz qualquer citação ao PSDB ou nomes de parlamentares tucanos. De acordo com o PSDB, a citação ao partido foi forjada, dando origem a um documento falso entregue na versão traduzida para o português que consta no processo aberto pela Polícia Federal.

Presente na coletiva, o secretário da Casa Civil do governo Alckmin, Edson Aparecido, também citado na acusação apócrifa do ex-executivo da Siemens, disse que o depoimento dado em inglês foi traduzido e adulterado pelo deputado estadual do PT Simão Pedro para incluir dois parágrafos com as referências aos tucanos. Essa parte adulterada foi negada pelo denunciante da Siemens.

— Foi o padrão petista de tradução. O depoimento foi traduzido pelo deputado Simão Pedro e ele introduziu trechos que incriminam os membros do PSDB, numa clara adulteração de documento oficial — disse Edson Aparecido.

Um dos trechos do documento, em inglês, diz que autoridades brasileiras estão investigando o envolvimento da Alston no pagamento de suborno a autoridades governamentais em vários projetos no Brasil, entre eles o da Linha G da CPTM (Metrô de São Paulo). Na versão para o português, segundo o documento divulgado pelo PSDB, aparece que “durante muitos anos a Siemens vem subornando políticos (na sua maioria) do PSDB e diretores da CPTM, Metrô de São Paulo e Metrô de Brasília”. O documento traduzido também cita o nome de lobistas envolvidos no caso do Metrô paulista que não constariam do original.

Paulo barão, a revista época e o general augusto heleno

Paulo Barão

Jornalista Newton,a notícia abaixo, de Leonel Rocha e Felipe Patury (revista Época) procede?

Ex-comandante militar da Amazônia e da força de paz no Haiti, o general Augusto Heleno entrou de cabeça na política depois que foi reformado, em maio. Armado com o Twitter, ele atira para todos os lados. Eis um de seus petardos: “Se o Brasil um dia for sério, o mensalão vira (sic) um ‘case’ para mostrar como o Judiciário era lento, inepto e engavetador”. A oposição também leva bomba: “Papai Noel está procurando até agora um líder sem rabo preso pedido pela oposição”. E o governo não é poupado: “Como se tecnologia bastasse. Marketing puro”, diz, sobre a distribuição de tablets a estudantes. É a revanche de Heleno, que ascendeu ao posto mais alto da carreira, converteuse na principal liderança militar da história recente e foi impedido de fazer um discurso defendendo o regime militar na cerimônia de sua aposentadoria.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA notícia parece velha, porque o general Augusto Heleno passou para a reserva em 2011. Hoje, ele tem um espaço no Facebook, cheio de fotos dele, é a imagem do Narciso. Para mim, o ex-comandante militar da Amazônia é uma decepção. Quando estava na ativa, chegou a dar algumas importantes declarações. Depois, na reserva, quando deveria e poderia falar, suas entrevistas são de um vazio deprimente. Cheguei a dormir assistindo um programa com ele na Band. Se agora resolveu falar pelo Twitter, posso mudar de opinião. E se ele quiser escrever artigos aqui, o espaço é livre e aberto. (C.N.)

 

VEXAME TOTAL: Junta médica da Câmara também constata que doença de Genoino não é grave.

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DEU NA FOLHA

A junta médica que avaliou o estado de saúde de José Genoino (PT-SP), divulgou nesta quarta-feira (27) parecer contrário ao pedido de aposentadoria imediata por invalidez feito pelo deputado licenciado.

Segundo O laudo, o petista não é portador de “cardiopatia grave” que o impossibilite definitivamente. Ele será reavaliado em 90 dias, período em que continuará licenciado. Após isso, passará por nova avaliação.

O parecer, que deve ser confirmado pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), complica ainda mais a situação do petista, que com a ajuda de seu partido trabalhava para conseguir o benefício como forma de barrar a instalação do processo de cassação de seu mandato,o que pode acontecer na semana que vem.

Condenado no processo do mensalão a 6 anos e 11 meses de prisão, Genoino, 67, fez no meio do ano uma cirurgia de correção da aorta, a principal artéria do corpo humano.

Em setembro, ele entrou com pedido de aposentadoria na Câmara, mas a junta médica destacada para avaliar seu caso disse que era necessário uma nova bateria de exames após quatro meses para ter um diagnóstico mais preciso sobre a evolução da cardiopatia do deputado.

Ao começar a cumprir sua pena de prisão no último dia 15, porém, Genoino entrou com pedido de antecipação da resposta como forma de evitar a abertura de seu processo de cassação. O destino do mandato do deputado é fruto de controvérsia entre a Câmara e o Supremo Tribunal Federal.

(Reportagem enviada por Darcy Leite)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO editor deste Blog antecipou o desfecho do intrigante episódio. Mas era fácil prever. O passado condena Genoino, como delator dos companheiros de guerrilha (sem ser torturado, porque sob tortura qualquer um diz o que sabe e o que não sabe). O presente também o condena, como ex-presidente do PT na época do mensalão. O futuro a Deus pertence, mas enquanto viver Genoino estará numa boa, faturando mais de 20 mil líquidos, porque cardiopata não paga Imposto de Renda. (C.N.)

A herança de dilma, com a Política em primeiro lugar

Daniel Barros
Exame

A verdade é que a economia não deslancha e o governo não terá muita margem para agir em 2014. Como a prioridade absoluta é vencer as eleições, o corte de gastos não é algo a ser esperado. O aumento de carga tributária, outro tipo de solução, seria um suicídio político. “Mas o governo vai tapar alguns buracos em 2014 para levar a situação e evitar o pior”, diz o economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria.

Entre as medidas possíveis está a diminuição dos repasses feitos aos bancos públicos, uma das marcas dos últimos anos, especialmente as transferências bilionárias feitas ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social para alimentar a concessão de empréstimos a juros subsidiados, na malbaratada política de formação de “campeões nacionais” – 300 bilhões de reais foram transferidos ao BNDES desde 2009.

DESONERAÇÕES

No campo das desonerações, possivelmente o imposto sobre produtos industrializados dos automóveis será recomposto. Até mesmo quem se beneficiou do incentivo avalia seu resultado como limitado.

“Os efeitos das desonerações não são imediatos, e o crescimento de um pais, assim como o de uma empresa, está ligado a uma diversidade de fatores, não apenas a um ponto especifico” , diz François Dossa, presidente da montadora Nissan no Brasil. O ministro Mantega também tem prometido fazer uma blitz nos critérios de quem recebe seguro-desemprego – estranhamente, o pagamento do benefício aumentou, embora a taxa de desemprego se mantenha baixa, e impactou o resultado ruim de setembro.

Em 2015, tudo mudará – ou pelo menos deveria mudar. O primeiro ano de mandato é, tradicionalmente, o momento mais propício para um governo fazer reformas. 0 apoio popular e a boa vontade do Legislativo ajudam. No México, o governo do presidente Peña Nieto tenta avançar com uma reforma tributária e outra energética ainda em seu primeiro ano de mandato. E possível esperar reformas profundas no Brasil? Difícil dizer ainda a um ano da eleição.

É certo que a Previdência Social, por exemplo, precisa de ajustes urgentemente. Os aumentos reais do salário Mínimo nos últimos anos tiveram forte repercussão em suas contas. “Não há como fugir”, diz Fabio Giambiagi, economista do BNDES e especialista na questão previdenciária. “Se esse tema não for encampado pelo próximo presidente, a tendência é que o Congresso renove a regra de aumentos do salário-mínimo. que tem custado muito caro.”
Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, aposta que, se a regra for renovada, o próximo governo encerrará o mandato gastando 8,5% do PIB com a Previdência – neste ano, deve fechar em 7,4%. “Ajuste fiscal nunca é gostoso””, diz Schwartsman. “Mas, se não for feito no começo do governo, não dá mais para fazer.”

Idealmente, o início do próximo mandato seria também o momento de retomar uma ideia do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, de limitar o crescimento do gasto público a um teto, vinculado ao crescimento do PIB.

PENTE-FINO

“O próximo governo precisará passar um pente-fino no gasto para buscar maior eficiência”, diz o economista Otaviano Canuto. conselheiro do Banco Mundial para os Brics, sigla que se refere a Brasil, Rússia. índia. China e África do Sul. “A tarefa é fundamental para fazer um ajuste fiscal sem prejudicar o funcionamento do setor público.” Pelo lado da receita, muitos economistas, pragmaticamente, apostam um aumento da carga tributária.

“Uma saída é um pequeno aumento de impostos para garantir o superávit primário em 2015 enquanto o governo prepara uma redução mais horizontal para 2016”, diz André Loes, do HSBC. “Com isso, seria possível abrir espaço para crescer mais nos anos seguintes.” O raciocínio é que, com recuperação da credibilidade perdida pelo governo, o ânimo com o país voltaria.

A taxa de investimento, que é básica para crescer, sairia da estagnação – nos últimos cinco anos ela variou de 18% a 19% do PIB. O tempo está se esgotando para que a presidente Dilma melhore a herança que vai transmitir – para ela mesma ou para um de seus concorrentes – e resgate a economia brasileira de uma fase de mediocridade. (artigo enviado por Mário Assis)

Trilha do dinheiro

Tereza Cruvinel
Correio Braziliense

São abundantes na internet os comentários de cidadãos indignados dizendo que, além das prisões dos réus do mensalão, querem a recuperação do dinheiro desviado. O Banco do Brasil deu o primeiro passo na busca dos R$ 73,4 milhões, que, segundo o STF, foram desviados por Henrique Pizzolato, da fatia do banco no Fundo Visanet para o valerioduto. Foram utilizados, concluiu o ministro Barbosa, para comprar o voto de parlamentares, usando como biombo empréstimos fictícios junto ao Banco Rural.

O trabalho que o Banco do Brasil fará agora , em busca dos recursos, acabará por dirimir a dúvida suscitada categoricamente pelos réus, especialmente pelos publicitários Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, condenados a penas altíssimas. Garantem eles que a campanha do cartão Ourocard Visa, correspondente aos recursos, foi executada, com peças veiculadas nas maiores emissoras de tevê do país, em outdoors, mobiliário urbano e patrocínios.

Apontam uma contradição no fato de terem sido condenados por peculato, por ter a agência DNA, da qual eram sócios, ficado com os bônus de volume da campanha, um desconto dado pelas emissoras às agências. Se houve bônus, houve veiculação, dizem. Notas e comprovantes estariam nos autos. A perícia técnica do BB, como cliente, revisitará tudo isso para propor as ações de recuperação do dinheiro, oriundo da Visa Internacional.

 

Além dos partidos políticos (lembrando a venda da Vale)

Welinton Naveira e Silva

Em 1997, FHC/PSDB “vendeu” a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) por apenas US$ 3,3 bilhões. Segundo avaliação dos auditores privados e do próprio Governo, o valor seria de R$ 93 bilhões. Outros estudos da época conduzidos por geólogos e especialistas nacionalistas, situavam o preço real da CVRD em mais de R$ 150 bilhões.

Um ano antes da privatização, o lucro da CVRD foi R$ 13,4 bilhões. Não é valor de patrimônio. É só lucro. Três meses depois da venda por US$ 3,3 bilhões, o lucro da Vale (ex-CVRD) já era superior aos R$ 4 bilhões. A privatização FHC/PSDB concedeu a Vale um território de exploração de minério superior ao tamanho do Estado do Rio Grande do Sul.

Na época da venda, a CVRD era a maior produtora de ferro do mundo e a segunda maior mineradora do planeta em importância econômica e estratégia, inclusive, em variedade de minérios, possuidora das maiores minas de ouro de toda América Latina. Ela também tem enormes reservas de urânio, que a lei diz que sua exploração deve ser da União.

A CVRD detinha quase toda malha ferroviária do País. Este transporte foi quase totalmente privatizado. A empresa controla ainda 54 grandes empresas que abrangem portos e navios graneleiros. Hoje, avalia-se que seu patrimônio supera os R$ 200 bilhões, com lucro anual superior aos R$ 70 bilhões. Existem várias questões jurídicas pendentes. São mais de 100 ações populares.

EXEMPLO DA CHINA

A razão da resumida abordagem acima sobre uma das críticas questões de nosso Brasil, é lançar indagações da poderosa China ter sido construída em menos de 60 anos, tornando-se a segunda potência econômica do mundo. Em 1949, era uma nação dominada pela descrença, ópio, fome, prostituição e sífilis.

Enquanto o Brasil, apesar de nossas siderais riquezas naturais, se passaram 500 anos, e não conseguimos construir uma Nação justa, forte e poderosa. As explicações para o nosso retumbante fracasso são várias. Principalmente, o baixo patriotismo de nosso povo somado aos lamentáveis comportamentos da maioria dos políticos e empresários, situando seus interesses pessoais acima do Brasil.

Independente dos partidos políticos, precisamos urgentemente incutir em nosso povo um forte patriotismo, amplo, conhecedor e fundamentado. Ter divergências políticas é do ser humano. Mas, sabotar e ou participar de ações contrárias aos estratégicos e interesses do Brasil, é coisa impensável. Até mesmo, não fazer nada para impedir prejuízos a Nação é comportamento de traidor. Acorda, Brasil.

Fatos, fofocas e deduções

01
Tostão
(O Tempo)

É óbvio que existem falcatruas em todo o mundo. No Brasil, parecem aumentar. Ninguém é bocó, idiota, para achar que não ocorrem no futebol. Mas, nesse caso, acreditar e divulgar, com tanta ênfase, a absurda suspeita de marmelada no jogo entre Vasco e Cruzeiro, baseada em um diálogo irônico, provocativo e frequente nessas situações, é uma irresponsabilidade. É uma ofensa a profissionais corretos, como Júlio Baptista, Dedé e o técnico Marcelo Oliveira.

O zagueiro Cris disse para Júlio Baptista amaciar, e ele respondeu, com a cara brava, para o Vasco fazer mais gols.

Neste mundo com excesso de informações, as fofocas, mesmo quando ridículas e desmentidas, são, com frequência, transformadas em fatos. Se você quiser ter uma boa audiência, crie uma fofoca. Já se tiver uma boa ideia, uma dedução para ser discutida, baseada em indícios consistentes, poucos vão te dar bola, ainda mais se você não participar de um grupo.

Deduzir e imaginar são muito diferentes de fofocar. Deduzo que Felipão, antes de sair do Palmeiras, já tinha conversado com a CBF, baseado no fato de ele ser assessor do Ministério dos Esportes. Não sei o que ele fazia. Escrevi, na época, uma crônica fictícia, em que Mano Menezes dizia ao psicanalista do medo de perder o lugar para Felipão. A ficção estava próxima da realidade.

Imagino ainda que houve um plano, elaborado em importantes gabinetes, de que era preciso criar um ambiente de otimismo, de paixão do torcedor pela seleção, e que ninguém era melhor para isso do que Felipão. Deu mais certo do que se previa, pois o time também melhorou muito.

Quando Seedorf fala, não é necessário deduzir. Ele é claro, direto. Com franqueza e aversão ao oba-oba, ele disse, no programa Bem, Amigos, do SporTV, que Ganso não pode ser analisado por belíssimos lances isolados, que ele não faria o mesmo na Itália, por ter que enfrentar melhores defesas, e que ele só será um craque quando jogar com mais intensidade.

Seedorf falou ainda, contrariando os que queriam agradá-lo, que a Holanda não está entre os principais candidatos ao título mundial, e que a Alemanha é a maior favorita, para surpresa dos que pensavam que ele iria fazer média com o Brasil.

Não concordo com tudo o que Seedorf disse, pois vejo Brasil, Alemanha, Espanha e Argentina com chances iguais, porém passei a admirá-lo ainda mais.

FLAMENGO E PONTE

Por fim, deduzo que o Flamengo, por jogar no Maracanã, e a Ponte Preta, por ter vencido o primeiro jogo por 3 a 1, têm mais chances de serem vitoriosos, mas não ficarei surpreso se ocorrer o contrário. Além das qualidades do Atlético-PR, outro perigo para o Flamengo, por ter a vantagem do 0 a 0, é não procurar o gol, levar um e perder o jogo, como aconteceu com o Cruzeiro, contra o próprio Flamengo, na Copa do Brasil.

TROFÉU GUARÁ

Na última segunda-feira, aconteceu o lançamento do livro “Troféu Guará, 50 anos de história”, escrito pelo jornalista Alexandre Siqueira. O Troféu Guará, promovido pela Rádio Itatiaia, é a mais tradicional premiação do esporte mineiro. O livro mostra a história do troféu, com depoimentos de pessoas que fizeram parte dela. Orgulho-me muito disso.

Infelizmente, o América não conseguiu uma das quatro vagas de acesso da Série A para a Primeira Divisão do Brasileiro. Talvez tenha sido melhor, pois a equipe não tem condições de se manter entre os 20 melhores. O América precisa crescer aos poucos, como clube, como tem feito, para ser um habitual frequentador da elite do futebol nacional.

Um ano jamais esmaecido, o de 1963

Márcio Garcia Vilela

O ano de 1963 tornou-se inesquecível para mim. Há 50 anos, três acontecimentos me marcaram a história pessoal que nunca me esmaeceram os pontos centrais da caminhada pelo mundo. Há cinco décadas, bacharelava-me em direito. Não era minha vocação. Coração e mente sempre me desviavam para a diplomacia, para cujo curso, então e até hoje, considerado o mais difícil, eu me preparara quase obsessivamente. O destino, porém, manteve-se indiferente ao meu desejo; talvez, mais que indiferente, hostil.

Não vale penetrar-lhe agora as razões. Se terminar minhas memórias romanceadas, é certo que o assunto virá à tona. Passo-lhes, pois, a responsabilidade de revelar-lhe as entranhas. Formado, procurei exercer a profissão com uma restrição: não suportei militar no foro. Achei espaço para dividir a profissão com a vida pública e com os estudos, através de pós-graduação, pareceres e magistério superior. Uma coisa aprendi: a primeira vocação, que nasce do mais profundo da alma, nem arrefece, muito menos acaba. Morremos com ela.

Um segundo acontecimento balançou-me o coração e a inteligência, no plano religioso: o desaparecimento do papa João XXIII, na minha opinião o mais inspirado pelo amor a Deus e ao homem de todos os chefes da Igreja. Devo-lhe o nascimento da fé, a dedicação a ela por anos, por inteiro e sem hesitação. No curso da devoção, ocorreu-me o fenômeno do ceticismo, da dúvida, da descrença, contra o qual passei a lutar. Mas não me entrego à provação. Busco em são Paulo e santo Agostinho a esperança de, antes do ato final, que não deve estar longe, o sonho de tudo superar. A entrega, total e definitiva, é hoje meu principal compromisso; preciso acabar sem despedaçar o coração como templo de Deus. N’Ele busco e n’Ele encontrarei.

KENNEDY

O terceiro abalo daquele tempo, ao mesmo tempo tão distante e tão perto, me atingiu com o assassínio do presidente John Kennedy. Meio século atrás, em 22 de novembro de 1963, por volta das 12h30, em Dealey Plaza, Dallas, no Estado do Texas, o 35º presidente dos Estados Unidos era assassinado por um atirador desconhecido. Um estupor geral perpassou o mundo.

Pela minha memória ressoou imediatamente o trecho do famoso discurso da “New Frontier”, pronunciado na convenção democrata que o escolheu candidato, no qual afirmou em palavras de bronze, tal qual aquele utilizado na elaboração do famoso Sino da Liberdade: “We stand today on the edge of a new frontier… But the new frontier of which I speak is not a set of promises – it is a set of challenges. It sums up not what I intend to offer the american people, but what I intend to ask to them”. (“Estamos hoje à beira de uma nova fronteira… Mas a nova fronteira da qual falo não é um conjunto de promessas – é um conjunto de desafios. Ela não resume o que pretendo oferecer ao povo americano, mas o que tenciono pedir a ele” (tradução linear). Confesso, pela primeira vez: não contive algumas “furtivas lágrimas” de respeito e pesar… (transcrito de O Tempo)

Muitos pensam que nos Estados Unidos prevalece uma atitude religiosa e anticomunista.

Paulo Solon

Alguns pensam que atitude ideológica e comportamento político são fatores provenientes da Matriz. Muitos pensam que nos Estados Unidos prevalece uma atitude religiosa e anticomunista.
Estou aqui, e vou citar dois exemplos. Apenas dois.

Um é da década de 70 e se chama Sam Peckinpah, tipo de cineasta de cultura tipicamente americana. A Chicago Tribune louva a restauração de seus filmes, mostrando a possibilidade da produçãao de alguns remakes.

No “Wild Bunch” (Meu Ódio Será sua Herança), Peckinpah coloca crianças felizes e sorridentes vendo o espetáculo de um escorpião se debatendo e dando ferroadas dentro de um quadrado, enquanto era atacado por centenas de formigões.

Mais adiante, Peckinpah mostra uma Liga de Abstinência, estilo Lei Seca no Rio, conduzida por um pastor evangélico, dizendo: “Não beba vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos, sob pena de que morras. Não olhes para o vinho quando está roxo, quando sua cor resplandece no vaso, que, quando menos tu esperas, morderá como serpente, e como escorpião produzirá dor. Amigos, esta é uma citação da Bíblia, mas neste povoado custa 5 centavos o vaso. Creem que é este o preço da bebida? Que isso decida quem perdeu seu valor e seu orgulho, que deixa um rastro de argila. Prometo, solenemente, com a ajuda de Deus, abster-me de toda bebida alcoolica, incluindo cerveja, vinho e sidra”.

Mas a oração era parte de uma cilada. Os bandoleiros chegaram para roubar o Wells Fargo, o chefe dizendo: “Está tudo tranquilo, estão todos orando”.

A Liga sai em desfile cantando aquela musiquinha evangélica,
Shall we gather at the river
Where bright angel`s feet have trod
Gather with saints at the river
That flows from the Throne of God

E então começa um massacre, os pistoleiros sendo surpreendidos pela armadilha.

Peckinpah sempre em seus filme identificou pastores com pistoleiros. Religião com roubalheira. Peckinpah trabalhava com associação de ideias.

Em dado momento um garoto coloca palha seca no quadrado e tasca fogo. O massacre? As crianças se dobram de rir. Riso americano?

No começo de 2012, o chefe de polícia de Chongqing (cidade na China), Wang Gijun, foi ao consulado dos Estados Unidos em Chengdu e requereu asilo, por ter caído em desgraca com Bo Xilai, chefe do Partido Comunista de Chongqing. Asilo negado.

Em recente entrevista que deu em Londres,  Hillary Clinton disse que tinha decidido não dar asilo ao Sr. Wang, decisão baseada largamente em seus registros sobre direitos humanos.

“Ele nao se enquadra em nenhuma das categorias estabelecidas pelos Estados Unidos para lhe ser concedido asilo”, declarou a Sra. Hillary Rodham Clinton, que naquela ocasião estava em Beiging.

Agora, no final de 2013, o embaixador dos Estados Unidos na China, Gary F. Locke, o primeiro chino-americano a ocupar o posto, anunciou no dia 20 de novembro que estava deixando o cargo que ocupava há apenas dois anos. Pediu demissão.

Qual a atitude do Sr. Locke que desagradou o governo dos Estados Unidos? Um dos momentos mais delicados em seu posto na China foi o voo do ativista chinês anticomunista Chen Guangcheng até a embaixada dos Estados Unidos em abril de 2012. O Sr. Locke foi fotografado segurando a mão do Sr. Chen e se identificando estreitamente com sua decisao.

O leitor deste conceituado blog pode tirar suas conclusões.

Afonso romano de sant’anna, desmontando a casa

O jornalista e poeta mineiro Affonso Romano de Sant’Anna descreve no poema “Separação”, tudo que acontece quando se desmonta a casa e o amor: sentimentos, momentos, conversas, filhos, vizinhos, perplexidade, futturo, indecisão, etc.

SEPARAÇÃO

Affonso Romano de Sant’Anna

Desmontar a casa
e o amor. Despregar
os sentimentos das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas
após a tempestade
das conversas.
O amor não resistiu
às balas, pragas, flores
e corpos de intermeio.

Empilhar livros, quadros,
discos e remorsos.
Esperar o infernal
juizo final do desamor.

Vizinhos se assustam de manhã
ante os destroços junto à porta:
– pareciam se amar tanto!

Houve um tempo:
uma casa de campo,
fotos em Veneza,
um tempo em que sorridente
o amor aglutinava festas e jantares.

Amou-se um certo modo de despir-se
de pentear-se.
Amou-se um sorriso e um certo
modo de botar a mesa. Amou-se
um certo modo de amar.

No entanto, o amor bate em retirada
com suas roupas amassadas, tropas de insultos
malas desesperadas, soluços embargados.

Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?

No quarto dos filhos
outra derrota à vista:
bonecos e brinquedos pendem
numa colagem de afetos natimortos.

O amor ruiu e tem pressa de ir embora
envergonhado.

Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objetos, morará na praia?
Viajará na neve e na neblina?

Tonto, perplexo, sem rumo
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.
No peito o coração pesa
mais que uma mala de chumbo.

 Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Erosão de capital

Tereza Cruvinel
Correio Braziliense

Do primeiro ato, o julgamento do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa saiu com a aura de grande justiceiro, de implacável cavaleiro da lei que liderou o STF na condenação de ex-dirigentes do partido no poder, banqueiros e publicitários bem-sucedidos. Mas, no segundo ato, a prisão dos primeiros condenados e a execução das penas, com seus procedimentos monocráticos e, para boa parte do meio jurídico, heterodoxos, Barbosa corre o risco de dilapidar seu elevado capital em prestígio, que já lhe valeu a lembrança de seu nome como candidato a presidente da República.

Na sequência de decisões que tomou a partir do dia 14 passado, quando decretou a prisão de 11 dos 25 condenados, Barbosa alijou o juiz da Vara de Execuções Penas, Ademar de Vasconcelos, substituindo-o pelo auxiliar Bruno André Silva Ribeiro, que seria mais dócil e menos resistente ao cumprimento de suas decisões. Pelo inusitado, a iniciativa ontem lhe rendeu críticas da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) e do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acionará o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As duas instituições podem ter arestas com Barbosa, mas são insuspeitas de viés partidário.

A medida foi criticada por juízes diversos, que vão do “progressista” Celso Bandeira de Mello ao “conservador” Claudio Lembo, filiado ao DEM. Com a mesma disposição para a polêmica que afirmou existir no Brasil uma “elite branca”, Lembo afirmou, no programa É notícia, veiculado à meia-noite de domingo pela RedeTV, que há “bases legais” para o impeachment de Barbosa. “O poder judiciário não pode ser instrumento de vendeta”, disse ele. No plano da realidade, obviamente, não existe ambiente para tal hipótese mas, ao dispensar o concurso de seus pares na execução penal e assumir sozinho atitudes tão polêmicas, confiando em seu elevado prestígio, Barbosa pode estar seguindo uma estratégia de autoerosão.
PREFERÊNCIA
A troca do “juiz natural” pelo de sua preferência elevou o tom das críticas, mas elas alcançam outros atos, como o fato de ter escolhido apenas 11, que incluem os três ex-dirigentes do PT, para a prisão imediata, embora existam condenados sem direito a recursos que seguem soltos; a escolha do 15 de Novembro para executar as prisões, com a espetaculosa transferência de avião para Brasília, quando a lei faculta o cumprimento de penas nas proximidades do domicílio; o encaminhamento irregular dos presos ao regime fechado, nos primeiros três dias, sem a devida cópia da sentença e da guia de encaminhamento dos presos, motivo de sua primeira divergência com o juiz Ademar; e a demora na concessão do regime hospitalar/domiciliar provisório a José Genoino, pela qual responsabilizou também Ademar, que não lhe teria dado informações precisas.
A escolha do juiz substituto Bruno Ribeiro, ainda que buscando apenas maior sintonia na execução, gerou críticas estridentes nas redes sociais pelo fato de ele ser filho de um dirigente do PSDB-DF, Raimundo Ribeiro. Sua mãe, Luci Rosane Ribeiro, também é ativista do PSDB local . Em sua página no Facebook, exibe manifestos contra o PT e o governador Agnelo Queiroz e convocações aos militantes tucanos para acompanhar o julgamento. Um post exibe uma foto de Joaquim Barbosa e uma frase que, naturalmente, ele nunca disse: “eu me matando para julgar o mensalão e você vota no PT? Francamente!”. Um outro pergunta quando seria o “mês da consciência branca”, em aparente crítica ao Dia Nacional da Consciência Negra.

Enquanto isso, os demais ministros continuam em obsequioso silêncio. Mas alguns estariam incomodados, receando que a impulsividade de Barbosa seja danosa ao próprio e também a todo o esforço realizado para levar a termo o julgamento da mais complexa ação criminal que já aportou na mais alta Corte.

Médica que denunciou o Hospital Rocha Faria recebe o prêmio Responsabilidade Pública 2013

Drª Angela Tenório Foto: Reprodução

Sidney Rezende

O Prêmio Responsabilidade Pública 2013 será entregue à médica Angela Maria Tenório Albuquerque, que protestou contra as condições precárias dos serviços no pronto-socorro do Hospital Estadual Rocha Faria, no Rio de Janeiro. O desabafo da Dra. Angela, transmitido para todo o país pela televisão e redes sociais, se tornou um marco na luta contra a falência do sistema público de saúde no Brasil.

A homenagem é conferida pela Sociedade Responsabilidade Pública (SRP) a servidores exemplares, que se destacam no cumprimento de suas funções, notadamente por enfrentar a corrupção, o corporativismo e os privilégios, que prejudicam os serviços públicos, penalizando a população. Em 2012, foi agraciada a Ministra Eliana Calmon, por sua atuação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

REIVINDICAÇÕES

A SRP foi criada em 2011 e tem como objetivos principais acolher e apoiar reclamações de cidadãos e organizações com para reivindicar reparações junto ao poder público e atribuir a autoridades e servidores em geral eventuais responsabilidades por omissão, incúria ou dolo. A entidade busca também incentivar práticas e projetos que busquem a melhoria dos serviços públicos e o fim dos privilégios de servidores que não condizem com o estado democrático de direito.

Com 23 anos de profissão, a Dra. Angela, sobrinha-neta do político Tenório Cavalcante, teve o seu desabafo gravado por uma equipe de reportagem de emissora de TV, quando cumpria plantão no pronto-socorro, sem conseguir atender a centenas de pacientes. “Sou médica, estou revoltada, estou sozinha nesta porcaria aqui. A secretaria e o governador não fazem nada. Estou de saco cheio. Vou ser punida por uma boa causa”, disse a Dra. Angela com emoção, surpreendendo os pacientes, que aplaudiram o seu desabafo.

A solenidade de entrega do Prêmio Responsabilidade Pública 2013 à Dra. Angela Tenório, será realizada hoje (quarta-feira, dia 27), às 19h30, na sede do Clube do Bridge, na Rua Raul Pompéia, 12, Copacabana, Rio de Janeiro.

(texto enviado por Mário Assis)

Jornalista denuncia o que existiria por trás do pedido de Dirceu

Ucho Haddad
(Do Blog Ucho.info)

É no mínimo irresponsabilidade acreditar que o ex-ministro José Dirceu de Oliveira e Silva, condenado no processo do Mensalão do PT, está realmente interessado em trabalhar área administrativa do Hotel Saint Peter, na capital dos brasileiros. Sem desmerecer os que trabalham no setor, o cargo é muito pouco para quem foi o homem forte da República nos primeiros anos da era Lula e estava acostumado a dar as cartas, inclusive nos bastidores do poder. E continua agindo da mesma maneira, mesmo preso no Complexo Penitenciário da Papuda, de onde manda recados nada diplomáticos para a direção do Partido dos Trabalhadores.

De acordo com o documento protocolado no Supremo Tribunal Federal e que também será entregue na Vara das Execuções Penais do Distrito Federal, o criminalista José Luís de Oliveira Lima justificou o pedido com a alegada experiência do seu cliente em consultoria empresarial, o que pode ser interpretado como lobby e tráfico de influência.

O Hotel Saint Peter, que já pertenceu ao polêmico Sérgio Naya, é de propriedade do empresário Paulo Abreu, dono da Rede Mundial de Comunicação, que controla as emissoras de rádio Tupi FM, Tupi AM, Mundial, Kiss FM, Scalla FM, Apollo FM, Iguatemi Prime FM, Terra AM, Terra FM e BR FM, entre outras.

José Dirceu já teria um contrato de trabalho assinado com o Saint Peter, mas tudo indica que a ideia é instalar no hotel uma central de lobby. Na última semana, José Dirceu acenou com a possibilidade de transferir de São Paulo para Brasília a sua empresa de consultoria, que ainda funciona em bairro nobre da capital paulista, mas ao que parece a ideia foi descartada.

O CLIENTE

O primeiro cliente do ex-chefe da Casa Civil e mensaleiro condenado seria o próprio Paulo Abreu, que trabalha intensamente nas entranhas do poder para ressuscitar a extinta TV Excelsior, que pertencia ao empresário Mário Wallace Simonsen e fechou as portas em setembro de 1970, em pleno regime militar.

De acordo com uma ex-funcionária de Abreu, que falou ao ucho.info sob a condição de sigilo, ele é um velho conhecido do Partido dos Trabalhadores, tendo escancarado a Rádio Tupi, em São Paulo, para entrevistas semanais de Fernando Haddad durante a campanha eleitoral rumo à prefeitura paulistana. Fora isso, na Advocacia-Geral da União (AGU) o possível novo patrão de José Dirceu é conhecido como o “rei das liminares”, o que explica as muitas concessões no setor de rádio.

O retorno da TV Excelsior, que recebeu aval da cúpula do Ministério das Comunicações, depende de um decreto de anistia que precisa ser assinado pela presidente Dilma Rousseff e já está na escrivaninha da petista. Para isso o empresário Paulo Abreu, que é próximo do deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), conta com a simpatia de petistas cinco estrelas, como Sigmaringa Seixas e os ministros José Eduardo Martins Cardozo (Justiça) e Paulo Bernardo da Silva (Comunicações).

Essa costura, até então desconhecida, mostra que há muitos interesses por trás da prisão de José Dirceu, que mesmo com a liberdade cerceada parece não querer largar o ofício de lobista. Nesse intrincado jogo há um escambo previamente combinado, que dependendo da decisão da Justiça poderá ruir a qualquer momento.

Era só o que faltava: Laudo afirma que cardiopatia de Genoino não é grave

André Richter
Agência Brasil

Brasília – A junta médica do Hospital Universitário de Brasília, formada para avaliar o estado de saúde do deputado José Genoino (PT-SP), concluiu que ele é portador de cardiopatia “que não se caracteriza como grave”. O laudo foi entregue hoje (26) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Com a base no documento, Barbosa vai decidir se Genoino, condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, vai permanecer em prisão domiciliar temporária ou voltará para o Presídio da Papuda.

Foram indicados os seguintes médicos para fazer a perícia: Luiz Fernando Junqueira Júnior, professor de cardiologia da Universidade de Brasília e presidente da junta; Cantídio Lima Vieira, cardiologista e especialista em perícia médica; Fernando Antibas Atik, especialista em cirurgia cardiovascular; Alexandre Visconti Brick, professor de cirurgia cardiovascular, e Hilda Maria Benevides da Silva de Arruda, médica cardiologista do hospital universitário.

A defesa do ex-presidente do PT e deputado federal José Genoino (SP) reafirmou que ele não tem condições de permanecer preso devido ao seu estado de saúde. Em nota divulgada hoje (26), o advogado Luiz Fernando Pacheco diz ter recebido as conclusões do laudo “com renovada esperança na recuperação” de Genoino. “Seguimos, pois, preocupados com sua saúde, já que, por óbvio, a cadeia, mesmo em regime semiaberto, não apresenta condições mínimas para seu completo tratamento e recuperação”, afirma o advogado.

No laudo de oito páginas enviado ao STF, a junta médica descreve os problemas de saúde de Genoino e afirma que não é necessário tratamento domiciliar. Os médicos afirmam que ele deve receber acompanhamento médico periódico. De acordo com o laudo, Genoino está com “condição patológica tratada e resolvida.”

No documento, os peritos também afirmam que Genoino é portador de hipertensão “leve e moderada”, que é controlada por medicação. Os médicos recomendam dieta hipossódica, prática de atividade física, porém, concluem que não é imprescindível “permanência domiciliar fixa do paciente”.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGGraças ao bom Deus, o jornalista que edita o Blog da Tribuna não ficará totalmente desmoralizado. Genoino estava só dando uma de “Neném Dodói”, que era como Walter Clark, Boni e os diretores da TV chamavam Armando Nogueira, que vivia se queixando de tudo. Saudades de meu amigo Walter Clark. Ele era o cara. (C.N.)

A herança de Dilma (parte 1) – A ECONOMIA EM QUEDA

Daniel Barros
Revista Exame

Uma conta de quase 250 bilhões de reais em aumento de gastos públicos manterá o governo sob pressão ao final do atual mandato e no início do próximo. Resultado: 2015 pode ser mais um ano de economia fraca.

O Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, ganhou nos últimos meses uma nova atribuição: tentar acalmar o mercado financeiro, cada vez mais ansioso com os rumos da economia do país. Holland tem mantido reuniões com economistas dos principais bancos e gestoras de recursos. “Nos encontros, ele costuma ouvir mais do que falar”, afirma André Perfeito, economista-chefe da gestora Gradual, participante de duas dessas conversas.

Na tarde de 8 de novembro, uma sexta-feira, o ministro da Fazenda. Guido Mantega, apareceu sem avisar na sala do 15* andar do prédio da Presidência da República na avenida Paulista, cm São Paulo, onde estavam Holland e a nata do setor financeiro. O tema da reunião era o resultado das contas públicas de setembro, que revelou déficit de 9 bilhões de reais as projeções eram de saldo levemente positivo. Mantega se empenhou em mostrar aos analistas que o governo reconhece a necessidade de fazer um ajuste – e que ele virá. Também prometeu resultados melhores em outubro. Foi mais uma tentativa do governo de mostrar que tudo está sob controle.

“O governo acordou para a piora nas contas públicas”, diz André Loes, economista-chefe do banco HSBC, presente no encontro. “É uma mudança de postura significativa. Mas será suficiente?”

ECONOMIA EM BAIXA

A maioria das instituições financeiras e consultorias prevê que Dilma Roussefí entregará ao presidente eleito no ano que vem – com boa chance de ser ela própria – uma economia com indicadores bem piores do que os recebidos em 2011. Segundo cálculo do economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria, a fatura dos gastos com Previdência, juros da dívida. desonerações ao setor produtivo e repasses do Tesouro para bancos públicos vai subir 245 bilhões de reais de 2010 a 2014, alcançando quase 740 bilhões. Será um acréscimo de 50% nessas despesas, enquanto a inflação do período – que esteve sempre acima do centro da meta – deverá somar 27%.

“A herança de Dilma em 2015 será um grande passivo”, diz Salto. “Ajustes duros terão de vir rapidamente, seja quem for o chefe de Estado.” Com esse quadro, é praticamente certo que nos próximos dois anos o desempenho da economia continue baixo – serão completados então inéditos cinco anos de crescimento modesto.

SEM MELHORA

Nada indica, ate agora, que haverá uma melhora das contas em 2014. Ao contrário. Para ficar num exemplo: o custo de isenções fiscais, como as voltadas para a compra de automóveis e as das folhas de pagamentos de 42 setores – as chamadas desonerações -, deve somar 78 bilhões de reais em 2013. Se nada mudar, chegará a 93 bilhões no fim do ano que vem. O impacto dessa e de outras despesas será sentido no saldo das contas públicas: previsões dos bancos e de consultorias indicam que o superávit primário (a poupança feita para amortizar juros da divida pública) ficará pouco acima de 1% no próximo ano. A marca de 1,5% de superávit é considerada o mínimo necessário para fazer o endividamento cair.

Em 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou sua gestão com superávit de 2,7%. No fim do primeiro mandato, em 2006, a folga havia sido de 3,2%. “O grande problema é que o gasto atual foi planejado pai a uma economia que cresceria 4,5% ao ano. Mas faz tempo que crescemos muito menos”, diz Mansueto de Almeida, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Para complicar, o governo tem adorado práticas contábeis pouco ortodoxas, como registrar dividendos que tem a receber de estatais no futuro, o que o mercado chama de “contabilidade criativa”.

DÍVIDA SUBINDO

Uma piora leva a outra. Com amortizações em queda, a dívida bruta vem subindo. Ao final de 2014, chegará a 61%, 8 pontos percentuais a mais que em 2010. A do México é de pouco mais de 35%. O custo para rolar a divida, símbolo do grau de confiança do mercado, tem sido no caso do Brasil o pagamento de 12% ao ano de juros para quem compra seus títulos oficiais, enquanto o México paga 5%, e a Colômbia, 6%. “Esses países perseguem a meta de superávit com seriedade”, diz Tony Volpon, chefe de Pesquisas para Mercados Emergentes das Américas do banco japonês Nomura Securities.

Com esse cenário montado, as agências de classificação de risco já ameaçam rebaixar a nota de crédito do Brasil. “Uma dívida bruta que avance muito acima de 60% do PIB pode, sim, nos levar a rever a nota”, diz John Chambers, diretor do Comité de Classificação de Risco Soberano da agência Standard & Poor”s. Na S&P, o país já está em perspectiva negativa. Outra demonstração da incredulidade do mercado é dada pela evolução do indicador chamado Credit Default Swap (CDS). Ele mede o seguro pago nos títulos da dívida pública. Quanto maior o CDS, maior o risco de investir aqui. Em 2013. o Brasil alcançou os maiores níveis desde a crise de 2009. E o pior: ao final de outubro, o CDS brasileiro estava mais de 50 pontos acima do de países como Colômbia e Peru, que têm notas de crédito piores do que a nossa em agências como S&P e Moody”s.
Para analistas, é um sinal de que o Brasil corre mesmo o risco de perder o status atual, o rebaixamento por agências de risco, somado a um quadro de piora fiscal e a uma retirada mais acelerada dos estímulos que o Federal Reserve, o banco central americano, tem dado à economia dos Estados Unidos, criaria um cenário de extrema dificuldade para o Brasil em 2014.

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto chamou essa combinação de “risco de uma tempestade perfeita, uma analogia à coincidência de vários fenômenos climáticos desastrosos. Embora seja uma probabilidade considerada baixa, ela não deve sei descartada. Sua ocorrência poderia levar o país à recessão. (artigo enviado por Mário Assis)

AMANHÃ:  A Política em primeiro lugar

 

Com Dirceu de gerente, hotel vai bombar em Brasília

Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Se a Justiça autorizar, José Dirceu de Oliveira e Silva, advogado, vai trabalhar como gerente administrativo do Saint Peter Hotel, um quatro estrelas de Brasília. Em petição ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, a defesa de Dirceu comunica que o ex-ministro do governo Lula, que depois se tornou um consultor empresarial com escritório no Ibirapuera, em São Paulo, “possui proposta concreta de trabalho junto ao St. Peter”, na Asa Sul de Brasília.

No dia 18, três dias depois de se entregar à Polícia Federal, Dirceu apresentou ao estabelecimento sua pretensão de tornar-se gerente administrativo.

“Em seguida, foi admitido no quadro de funcionários do hotel, o qual inclusive já elaborou e assinou o competente contrato de trabalho”, destacam os criminalistas José Luís Oliveira Lima, Camila Torres Cesar e Daniel Kignel, defensores de Dirceu.

Condenado a 10 anos e 10 meses de prisão, como suposto mentor do mensalão, o ex-ministro encontra-se, desde a semana passada, em regime semiaberto – parte relativa à condenação de 7 anos e 11 meses por corrupção ativa -, conforme entendimento de Joaquim Barbosa. Como mostrou o Estado no domingo, o ex-ministro quer manter seu blog e a atividade política, mas está desativando sua consultoria.

“Não havendo dúvidas acerca do regime prisional imposto ao requerente (Dirceu) torna-se admissível a realização de trabalho externo, conforme preceitua o artigo 35, parágrafo 2.º do Código Penal”, pondera a defesa. “José Dirceu preenche todos os requisitos necessários para que lhe seja deferida a possibilidade de trabalho externo.”

CARTEIRA ASSINADA

Até carteira de trabalho, com carimbo do seu empregador, Dirceu já tem em mãos. No contrato, a direção do St. Peter Hotel fez constar a informação de que “tem plena ciência e anui com as condições do empregado no sentido de cumprir a atividade laboral, seja no tocante ao horário, seja por outra exigência a qualquer título, relativamente ao regime profissional semiaberto ou outro que seja determinado pelo Poder Judiciário para cumprimento da pena a que foi submetido em razão da condenação na Ação Penal 470”.

“Além de estar cumprindo a pena em regime no qual se admite tal medida (trabalho fora), o requerente possui toda sua documentação pessoal em ordem, como certidão de nascimento, registro geral e inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas”, ressaltam os advogados.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDirceu vai ganhar 20 mil mensais e o hotel vai bombar, como novo ponto de turismo de Brasília. O problema é que ainda faltam julgamentos no mensalão e a pena de Dirceu pode aumentar, levando-o para trás das grades, em regime fechado. Mas até lá o hotel vira 5 estrelas. Fica faltando emprego para Genoino. Quem sabe ele volta para o Ministério da Defesa, onde já foi até condecorado e ainda não devolveu a honraria, como todo condenado pela Justiça tem de fazer. (C.N.)

 

PRESCRIÇÃO ESTÁ BENEFICIANDO MENSALEIROS TUCANOS

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Paulo Peixoto
Folha

Uma das figuras centrais do caso do mensalão tucano deverá ser o segundo réu a se beneficiar da prescrição das acusações. O tesoureiro da campanha do PSDB ao governo de Minas Gerais em 1998, Cláudio Mourão, fará 70 anos em abril e poderá requerer a prescrição das acusações de peculato (desvio de recursos públicos) e lavagem de dinheiro. Pelo mesmo motivo, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia ganhou esse direito e pediu sua exclusão do rol dos 13 réus do processo em Minas.

O prazo de prescrição para esses crimes é de 16 anos, mas cai pela metade quando o réu atinge 70 anos. O cálculo é feito da ocorrência do fato (1998) à aceitação da acusação (2010). Portanto, 12 anos se passaram – mais do que o prazo que passa a valer em abril para Mourão.

O mensalão tucano veio à tona no rastro da apuração do mensalão do PT, em 2005. A dinâmica e o envolvimento do empresário Marcos Valério de Souza ligam os dois casos.

O processo foi desmembrado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Réus sem foro especial respondem na Justiça mineira. Já o deputado e ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) e o senador Clésio Andrade (PMDB), no STF.

A denúncia diz que, sob forma de patrocínio de eventos esportivos, R$ 3,5 milhões foram desviados do banco estatal Bemge e das empresas públicas Comig e Copasa e depois usados na campanha pela reeleição Azeredo. Os réus negam todas as acusações.

Clésio era candidato a vice, e Mares Guia, vice-governador. Mourão foi secretário de Administração. Outros réus exerciam cargos no Executivo ou nas empresas públicas. Também foram denunciados Valério e seus sócios na agência SMPB, Cristiano Paz e Ramon Rollerbach, todos condenados no caso do PT.