Confrontos entre rebeldes (incluindo mercenários e terroristas) na Síria deixam 697 mortos e milhares de feridos

Da redação do Irã News com Hispan TV

Cerca de 700 pessoas morreram na Síria em nove dias de confrontos entre membros do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) e outras facções terroristas.

Entre 0 de janeiro e 11 de janeiro, os combates causaram a morte de 697 pessoas e centenas de prisioneiros nos dois campos, cujo destino ainda é desconhecido, o anunciou foi feito domingo (12) pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Segundo a fonte, entre os mortos estavam 246 membros EIIL, 351 terroristas de outros grupos e 100 civis, 21 dos quais foram executados em um hospital na província noroeste de Aleppo.

Os confrontos tiveram lugar nas províncias de Idleb, Aleppo e Al -Raqa, no norte do país, em Homs e Hama, no centro; e em Deir al-Zur, no leste, de acordo com o OSDH

O número de mortos pode ser muito maior, considerando que dezenas de mortes até esta segunda não tinham sido identificados. O chefe do OSDH, Rami Abdel Rahman, não descartou a possibilidade de que o número de mortos ultrapasse mais de mil.

Na terça-feira, o grupo EILL declarou guerra contra outros grupos terroristas, incluindo o Conselho Nacional Sírio (SNC), considerando-os objetivos legítimos.

Enquanto os confrontos sangrentos entre os vários grupos terroristas armados que operam na Síria para derrubar o governo de Damasco se intensificam, o exército sírio continua a colher vitórias na frente e recuperou o controle de várias cidades nas últimas semanas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ o fim da picada. Agora são os próprios rebeldes (que incluem terroristas e mercenários de todos os tipos) que se enfrentam na Síria. Seria interessante que lutassem entre si até o extermínio total, mas acontece que eles aproveitam para dizimar também civis sírios, num verdadeiro genocídio, com entusiástico apoio da mídia internacional, que torce e distorce as notícias para ajudar a destruir o governo da Sírio. (C.N.)

Televisores, geladeira e até videogames entraram em presídios no Maranhão

Wilson Lima
iG Brasília

Investigações do Ministério Público do Maranhão (MP-MA) sobre irregularidades ou violações aos direitos humanos no Complexo Prisional de Pedrinhas, em São Luís, apontam que entraram ilegalmente em presídios maranhenses desde aparelhos de televisão de 14 polegadas até videogames Playstation 2.

Na lista de games que os detentos jogavam dentro das prisões, conforme informação de agentes penitenciários, estavam jogos de futebol (Fifa) e da série Grand Theft Auto, conhecido como GTA. O GTA é um jogo que retrata cidades fictícias dominadas por facções criminosas e por gangues. O jogador é protagonista de um enredo que envolve atividades ilegais como tráfico de drogas, assassinatos e prostituição.

De acordo com o promotor responsável pelas investigações, Pedro Lino Curvelo, durante o ano passado o Ministério Público flagrou situações como a existência de quatro televisores de 14 polegadas, em uma cela que tinha cinco detentos. Também foram encontrados outros aparelhos eletrônicos como rádios, aparelhos de DVD e um Playstation 2. Durante a inspeção, inclusive, os presos estavam jogando uma partida de futebol no videogame. Em apenas uma cela, foram encontrados mais de 20 DVDs piratas com vários títulos de filmes de ação e de faroeste.

Esses materiais estavam na Casa de Detenção (Cadet), unidade do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, onde ocorreu a maior rebelião durante o ano passado, em outubro, com saldo de nove mortos. Segundo o promotor Pedro Curvelo, existe uma suspeita de que o material entrou nos presídios com a permissão de uma empresa terceirizada que faz o monitoramento das cadeias maranhenses.

Justiça confirma área indígena em Brasília que nem a Funai reconhece

Vista da reserva indígena, cercada por prédios; área equivale a quatro campos de futebol

Vista da “reserva indígena” em Brasília, cercada de prédios

Filipe Coutinho e Johanna Nublat
Folha de S. Paulo

Enquanto o governo Dilma Rousseff é criticado por índios por problemas em demarcações de terra, a Justiça atravessou a Funai (Fundação Nacional do Índio) e cravou uma área indígena em um bairro nobre de Brasília.

O local, agora reconhecido como área tradicional indígena, pode valer mais de R$ 146 milhões. Fica a 15 km do gabinete de Dilma, no Noroeste – bairro novo, supostamente “ecológico” e alvo de especulação imobiliária.

Publicada em novembro, a decisão constrange a Funai, acusada pelo Ministério Público Federal de ter sido negligente. Segundo a sentença, pareceres que a fundação alega serem contrários à demarcação das terras eram, na verdade, a favor dos índios. “A Funai já se posicionou pela inexistência da tradicionalidade [na área], entendendo que dizia respeito a problemas de moradia. Os documentos comprovam o contrário, evidenciando a natureza da tradicionalidade da ocupação”, escreveu o juiz federal Paulo Cruz.

NOVELA

A decisão atropela a Funai porque o pedido da procuradoria era apenas para que a fundação montasse um grupo de trabalho para examinar o tema. O juiz foi além e já estabeleceu a área indígena, obrigando a Funai a apenas demarcar os limites da área.

Após mais de cinco anos de polêmica, os índios da comunidade fulni-ô tapuya tiveram reconhecida uma área de quatro hectares –ou quatro campos de futebol. O uso dessa área já estava suspenso graças a uma decisão provisória da Justiça que impedia a licitação da terra.

A região corresponde a duas quadras comerciais do Noroeste, uma entrequadra e uma avenida. O local pode valer mais de R$ 146 milhões, se comparado aos preços exigidos pelo governo em licitações de quadras similares.

O local é ocupado pelos índios fulni-ô tapuya desde o fim da década de 1950, quando migraram de Pernambuco para a capital em construção. O jogador Garrincha (1933-1983) é o mais famoso representante dos fulni-ô.

A população indígena no local varia, mas ao menos cinco famílias ocupam a região –uma mata, margeada por prédios em construção. O boom imobiliário veio só em 2008, quando o DF começou a licitar lotes no Noroeste. O governo faturou quase R$ 2 bilhões com os terrenos.

O Ministério Público, a Funai e a Terracap, órgão do DF responsável pelas licitações, não comentaram a decisão.

Procurador-geral da República quer derrubar norma que limita investigação do Ministério Público Eleitoral

André Richter
Agência Brasil

Brasília – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu hoje (14) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a alteração da resolução do TSE que trata da investigação de crimes eleitorais nas eleições de outubro. Segundo o procurador, a norma limita o poder de investigação do Ministério Público Eleitoral (MPE). Procuradores eleitorais também divulgaram uma moção a favor da mudança na regra.

De acordo com o procurador, se o TSE não revisar a resolução, uma ação para declarar a norma inconstitucional será impetrada no Supremo Tribunal Federal (STF) a fim de garantir o poder do Ministério Público para investigar crimes eleitorais.

Na moção divulgada contra a decisão do tribunal, procuradores eleitorais relatam que o TSE restringiu à Justiça Eleitoral o poder de determinar a abertura de inquérito policial. Para os integrantes do MPE, a limitação prejudica a agilidade da apuração dos crimes.

CRIMES ELEITORAIS IMPUNES

“Criar embaraços para o Ministério Público (MP) é dificultar a apuração de graves ilícitos eleitorais, como a compra de votos, as fraudes no alistamento eleitoral e na coleta dos votos e o uso da máquina administrativa em prol de candidatos. É em nome do eleitor que o MPE atua. É dele, o eleitor, o maior interesse em eleições limpas e transparentes. A resolução do TSE fecha, desnecessariamente, uma porta que até hoje se encontra aberta para o cidadão votante”, dizem os procuradores.

A Resolução 23.396/2013, do TSE, foi aprovada no plenário da corte em dezembro do ano passado. De acordo com a norma, a partir das eleições de outubro, a instauração de inquérito para apurar crimes eleitorais só poderá ser feita com autorização do juiz eleitoral. Segundo o ministro Dias Toffoli, relator das instruções das eleições, o poder de polícia é exercido pelo juiz. Atualmente, a Polícia Federal também deve pedir autorização à Justiça Eleitoral para fazer investigação.

Tribunais atrasam informações ao Conselho de Justiça sobre julgamentos de crimes de corrupção

Mateus Coutinho
Estadão

77% dos tribunais do País ainda não informaram ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o cumprimento da Meta 18 do Judiciário – julgar até o fim de 2013 todos os processos de improbidade administrativa e crimes contra administração pública distribuídos em 2011. 28 dos 37 tribunais estaduais, federais e militares do Brasil ainda não repassaram os dados de dezembro para consolidar o relatório da meta proposta em 2012.

Dentre estes tribunais, destacam-se o Superior Tribunal Militar, que não repassou nenhum dado sobre a meta ao CNJ em 2013 e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que abarca 13 Estados e o Distrito Federal, e ainda não repassou os dados de novembro e dezembro.

Diante deste cenário, na semana passada o CNJ deu até o dia 30 deste mês para que os tribunais de todo o País informem os dados pendentes sobre o cumprimento da meta. “É um processo padrão, sempre damos um espaço de tempo para que as equipes façam a tabulação dos dados”, disse o diretor do Departamento de Gestão Estratégica do CNJ , Ivan Bonifácio.

O diretor, contudo, se surpreendeu com os dados referentes ao TRF1, e disse que vai cobrar explicações da corte.

Como informou o Estado no dia 1º deste mês, o Judiciário concluiu apenas 53,9% dos processos do tipo. Os dados foram baseados no relatório em tempo real disponibilizado no portal do CNJ na internet, que ainda não citava os atrasos no repasse de informações.

Considerando as pendências, a expectativa, segundo Bonifácio, é de que a média de cumprimento da Meta 18 chegue aos 60% nos casos dos tribunais estaduais e a 75% nos tribunais federais.

As verbas públicas recebidas da União e devolvidas por Estados e Municípios

Profa. Guilhermina Coimbra.

Vale observar as inúmeras e enormes quantidade de verbas recebidas da União,  pelos Estados, Municípios, diversos Ministérios, Secretarias e outros, devolvidas por não terem sido utilizadas.

As referidas verbas deveriam ter sido aplicadas, até o último centavo, porque é para isso  que os contribuintes brasileiros de fato e de direito pagam os tributos.

Distribuição de renda não é tirar do rico para dar para o pobre: distribuição de rendas é aplicar as verbas recebidas da União, até o último centavo nos diversos setores carentes dos Estados e Municípios.

Em uma das reportagens anteriores sobre as devoluções das quais se trata, disseram que…”ficaram com medo e devolveram”.

Não aplicaram a verbas públicas por medo? Se foi por medo que os Estados e Municípios não aplicaram as verbas públicas recebidas da União para a Segurança Pública (Ler em O Globo, 13.01.2013, 1ª página, in “DINHEIRO DA SEGURANÇA FICA SEM USO”), só pode ter sido o medo dos feitores aos quais se subordinam os que detêm por dever de ofício o  dever de aplicar as verbas das quais se trata.

Feitores incumbidos da tarefa de não assegurar a Segurança Pública, de modo a torná-la tão incontrolável a ponto de instalar ou, o estado  de sítio, ou, o estado de defesa, ou, a intervenção federal, ou, a solicitação de ajuda de tropas estrangeiras “de paz” (?), seguida da permissão para que forças estrangeiras transitem e permaneçam temporariamente no território brasileiro, com a consequente intervenção nas empresas públicas, a requisição de bens e etc., etc.

SEM DESENVOLVIMENTO

Interessa observar que, como o compromisso de não permitir o desenvolvimento brasileiro tem sido a condição sine qua non para a concessão dos patrocínios, os que pretendem se eleger nas próximas eleições têm utilizado em suas campanhas, diversas formas de plataformas eleitorais e, ou “teses”, para justificar o injustificável.

Desenvolvimento sustentável quer dizer desenvolvimento que possa ser suportável pelos concorrentes do Brasil – por não concorrer com produtos e serviços/tecnologia prestados pelas empresas nacionais de países de onde são nacionais os patrocinadores das campanhas eleitorais no Brasil.

E desenvolvimento com sustentabilidade, nessa visão, é tornar o Brasil dependente ad infinitum  de produtos, serviços e tecnologia nãobrasileira, tornando o Brasil mercado cativo de bens e serviços a serem fornecidos pelos patrocinadores das referidas campanhas etc., etc.

As hipóteses e sub-hipóteses são todas fáceis de observar, pesquisar, comprovar e concluir. O Brasil não é nenhum dos países com os quais estão acostumados a “ajudar a manter a paz” (?). O Brasil não pode se deixar destruir para depois ser reconstruído – a peso de ouro, pago pelos contribuintes que se deixaram destruir e reconstruir.

Os brasileiros estão atentos. O Brasil merece respeito.

 

Conflito na reserva de Humaitá vai além da questão indígena

José Maria Tomazela
O Estado de S.Paulo

A combinação de garimpos, madeireiras e reservas indígenas com a quase ausência do Estado transformam a região sul do Estado do Amazonas numa área de conflitos. Em 25 de dezembro, revoltada com o desaparecimento de três homens numa área indígena da Transamazônica, uma multidão queimou veículos, barcos e instalações de atendimento ao índio em Humaitá, a 675 km de Manaus. Madeireiros se armam no distrito de Santo Antônio do Matupi, vizinho da Terra Indígena Tenharim Marmelos, depois que os índios anunciaram que vão reconstruir pedágios incendiados.

Os indígenas se preparam para reagir caso haja novo ataque. “Estamos lidando com um barril de pólvora”, disse o prefeito de Humaitá, Cidenei Lobo do Nascimento (PMDB). Cerca de 600 guerreiros tenharins, parintintins e jiahuis estão prontos para o confronto. “Da outra vez não reagimos para evitar sangue, mas índio não tem medo e, se tiver um ataque, nossa reação vai ficar para a história”, afirmou Aurélio Tenharim, na presença do comandante militar da Amazônia, general Eduardo Villas Bôas. Segundo ele, os índios vão se defender com arcos, flechas e tacapes, mas o serviço de inteligência do Exército apurou que eles também têm armas de fogo.

O pedágio é pano de fundo de um explosivo conjunto de interesses. O distrito de Santo Antônio do Matupi, em Manicoré, ao lado da reserva dos tenharins, tem a maior concentração de serrarias do Estado. Além das 36 madeireiras legalizadas, há dezenas clandestinas. A terra indígena guarda imenso depósito natural de madeira nobre. Para o bispo de Humaitá, d. Francisco Merkel, os madeireiros estão no centro de uma campanha contra os índios porque querem a madeira da reserva. “Isso teve peso na revolta, pois muitos aproveitaram a situação dos desaparecidos para colocar à frente interesses econômicos.”

MADEIREIROS

Os índios acusam os madeireiros de furtar madeira da reserva. De acordo com o cacique Zelito Tenharim, eles abriram cinco estradas vicinais para entrar na área protegida a partir do km 180 da Transamazônica. “Toda madeira que está saindo do Matupi é da reserva. O Ibama fiscaliza nós (sic), mas não fiscaliza o madeireiro”, disse o cacique ao general Villas Bôas.

Madeireiros do distrito integravam o grupo que, após o primeiro conflito, no dia 27 de dezembro, invadiu a reserva e incendiou os postos de pedágio dos índios. O presidente da Associação dos Madeireiros de Matupi, Samuel Martins, repudiou a acusação dos índios e disse que a madeira provém de áreas de manejo florestal.

FISCALIZAÇÃO PRECÁRIA

O Ibama não dispõe de efetivo e frota para manter uma fiscalização eficiente. A sede do órgão em Humaitá, que guarda pilhas de madeira apreendida, fica sem segurança à noite. Das oito viaturas, cinco estavam em manutenção ou conserto. E dos quatro servidores, apenas um está apto a fiscalizar.

Os minérios também são alvo de disputas. Os índios estão sobre grandes jazidas de cassiterita, mas o que atrai mineradores e garimpeiros são ouro e diamante. Aventureiros já tentaram abrir garimpos no Rio Marmelo, no coração da reserva. Dos seis garimpos em operação no Amazonas, dois estão na região.

Na presença do general Villas Boas, os índios usaram a defesa desse território como argumento para manter o pedágio na Transamazônica. “O pedágio é o único que não dá trabalho para o governo brasileiro. Suspender a cobrança é perigoso, pois os tenharins podem se aliar com os empresários, e aí vai embora madeira e vai ter garimpo. Nós sabemos onde tem ouro e diamante aqui e não queremos fazer isso, mas, na necessidade, pode acontecer. Eu não vou conseguir segurar meu povo”, disse o cacique Zelito Tenharim.

POSSEIROS

A exemplo do que ocorreu com o sudeste do Pará, à derrubada da floresta pelos madeireiros segue a entrada do gado e se acirra a disputa pelo território. Ao longo da Transamazônica e da BR-319, brotam fazendas de gado na terra em que a floresta já foi derrubada. A maioria das áreas é de posse e surgem as primeiras lavouras de soja. A expectativa do asfaltamento da BR-319, que liga Porto Velho a Manaus, atrai levas de forasteiros para a Vila de Realidade, a 100 km ao norte de Humaitá. Entre os recém-chegados está um grupo ligado ao Movimento dos Sem Terra (MST).

Para o general Villas Bôas, é importante a atuação dos órgãos do governo para organizar a expansão e reduzir conflitos. “A região é muito rica e tem oportunidade para todos.” O prefeito de Humaitá, em conjunto com os de Apuí e Manicoré, vai pedir ao governo a presença permanente da Força Nacional de Segurança na região.

Governo do Maranhão devolveu quase metade dos recursos recebidos em 15 anos para construir presídios

Alex Rodrigues
Agência Brasil

Apesar de enfrentar, há anos, o problema da falta de vagas em suas prisões, o governo do Maranhão devolveu quase R$ 24 milhões à União por não ter conseguido executar, em tempo hábil, os projetos de construção de um presídio e de duas cadeias públicas. Juntas, as cadeias de Pinheiro e de Santa Inês e o Presídio Regional de Pinheiro acrescentariam 681 vagas ao sistema carcerário maranhense.

De 1998 a 2012, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, e o governo do estado assinaram nove convênios para construção de presídios, entre eles os três que tiveram os projetos cancelados. Juntos, os nove convênios totalizam R$ 50.749.830,00. Subtraídos os R$ 23.962.399,00 devolvidos ao Depen, o governo estadual aplicou pouco mais de R$ 26 milhões dos recursos federais recebidos por meio de contratos assinados nos últimos 15 anos – alguns deles ainda estão em vigor e há obras em andamento. Existem ainda contratos que beneficiam o sistema carcerário maranhense, com o aparelhamento de unidades prisionais, realização de mutirões de execução penal e instalação de centrais de acompanhamento de penas alternativas.

De acordo com dados do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), o estado fechou o ano passado com 2.562 vagas a menos que o número de detentos. Em 19 de dezembro de 2012, a população carcerária maranhense chegava a 5.466 pessoas. Desse total, 1.555 cumpriam pena em delegacias. Conforme revelou à Agência Brasil o juiz da Vara de Execuções Penais Fernando Mendonça, indicado para assumir a coordenação do Grupo de Monitoramento Carcerário do tribunal, há mais de 12 mil mandados de prisão à espera de cumprimento no estado.

DEVOLUÇÃO

Em nota, o governo maranhense informou ter devolvido os R$ 17 milhões necessários à construção da Cadeia Pública de Santa Inês e os R$ 5,314 milhões destinados à construção da Cadeia Pública de Pinheiro, porque, até março do ano passado, o Depen ainda não tinha definido a maneira como o Executivo estadual poderia usar os mais de R$ 22 milhões. Segundo o governo maranhense, o impasse surgiu enquanto se discutia se as duas unidades deveriam ser construídas pelo método convencional ou em módulos. Os dois convênios assinados com o Depen tinham caráter emergencial.

“Ou seja, não foi uma devolução, mas sim um cancelamento”, diz o governo estadual na nota, assegurando ter projetos para construção de mais nove presídios, como a Penitenciária de Imperatriz, para a qual foi assinado um convênio de R$ 6,5 milhões, ainda em 2007, e que, de acordo com o governo estadual, já está com 80% da obra concluída.

A vida do matuto, na visão do cantador Rolando Boldrin

O ator, cantor, poeta, contador de causos, radialista, apresentador de televisão e compositor paulista Rolando Boldrin, na letra de “Vide Vida Marvada”, descreve os boatos que correm aonde ele mora,que na verdade, é a descrição da vida calma e mansa de todo matuto.
Quanto ao verso“a baba sempre foi santa e purificada”, trata-se de uma alusão ao fato de que o matuto fica lá “sem fazer nada”, tocando a sua violinha e a baba deixada no capim pelo boi quando ele pasta, faz com que o capim nasça de novo sem que o matuto tenha que fazer muito esforço, segundo o boato que corre por lá.
Essa música foi gravada pelo próprio Rolando Boldrin no LP Caipira, em 1981, pela Som Brasil.
VIDE VIDA MARVADA
Rolando Boldrin
Corre um boato aqui donde eu moro
Que as mágoas que eu choro
São mal ponteadas
Que no capim mascado do meu boi
A baba sempre foi
Santa e purificada

Diz que eu rumino desde menininho
Fraco e mirradinho
A ração da estrada
Vou mastigando o mundo e ruminando
E assim vou tocando
Essa vida marvada

É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remedio pro meu desengano
É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda magoa é um misterio fora desse plano
Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa pra uma visitinha
Que no verso ou no reverso da vida inteirinha
Há de encontrar-me num cateretê

Tem um ditado tido como certo
Que cavalo esperto
Não espanta boiada
E quem refuga o mundo resmungando
Passará berrando
Essa vida marvada

Cumpade meu que envelheceu cantando
Diz que ruminando
Dá pra ser feliz
Por isso eu vagueio ponteando
e assim procurando
Minha flor de lis

É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remedio pro meu desengano
E toda magoa é um misterio fora desses planos
Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa pra uma visitinha
Que no verso ou no reverso da vida inteirinha
Há de encontrar-me num cateretê

       (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Obra-prima do cristianismo, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” completa 150 anos

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José Reis Chaves

Dedico esta matéria à comemoração dos 150 anos do lançamento, em 1864, da fantástica obra de Kardec, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de que fiz uma nova tradução lançada pela Ed. Chico Xavier.

No início do quinto século, santo Agostinho disse que, debaixo da lama dos apócrifos, há ouro a ser garimpado. Com razão, também a Igreja tem afirmado que os apócrifos nos ajudam a entender melhor os evangelhos. E “O Evangelho Segundo o Espiritismo” não é um livro apócrifo, mas uma coletânea de textos dos próprios quatro Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, com destaque, principalmente para a filosofia das máximas do Sermão da Montanha, a nata da mensagem evangélica.

Conheço muitos padres, pastores e bispos que o têm como um livro de cabeceira. Ele é rico de comentários racionais e convincentes de Kardec e de espíritos de renomados vultos da história do cristianismo, entre eles o apóstolo Paulo, são João Evangelista, santo Agostinho, são Francisco Xavier, são Vicente de Paulo, são Cura d’Ars, Pascal, Erasto, o arcebispo Fénelon e são Luís.

E quem não crê na manifestação dos espíritos, eu recomendo que estude o assunto, não só do ponto de vista bíblico, mas também científico. Eu estudei para padre redentorista e não acreditava também no espiritismo. Mas depois que o estudei, não pude mais deixar de aceitar as suas grandes verdades inquestionáveis, como os fenômenos da reencarnação e da manifestação dos espíritos através dos médiuns (profetas) de que a Bíblia está cheia. Ademais, esses fatos são, hoje, comprovados pela ciência não materialista.

ACUSAÇÕES FALSAS

Diante do avanço do espiritismo, muitos teólogos até se desistiram de acusar os espíritas de macumbeiros, feiticeiros e de falarem com os “diabos”. Inventaram outra tática: os espíritas não são cristãos. Mas foi o próprio Jesus quem ensinou que seus discípulos seriam conhecidos por se amarem uns aos outros. O cristão, pois, não é aquele que crê ou não crê em determinadas doutrinas.

E, com o devido respeito aos dogmas cristãos, afirmo que são eles os culpados pelas difamações e calúnias feitas pelos seus seguidores não só contra o espiritismo, mas também contra todos os outros credos. Eles, os dogmas, são a causa da crise do cristianismo cuja base é dogmática, e não bem evangélica. E, assim, pois, de uma fé muito fraca. Há muitos teólogos que querem mudar as coisas, mas têm que obedecer aos seus superiores hierárquicos para não terem sérios problemas. Então, preferem o silêncio. E o resultado é que o cristianismo, por causa das suas doutrinas dogmáticas, está se afundando, cada vez mais, o que é lamentável, pois, em que pesem seus erros, ele é uma poderosa arma contra o materialismo.

E, usando uma metáfora de Jesus, “O Evangelho Segundo o Espiritismo” não é odre velho, mas odre novo, ou seja, uma visão mais real do Evangelho do excelso Mestre para o Terceiro Milênio! (transcrito de O Tempo)

Livro que relata envolvimento de FHC com a CIA esgota edição

Do Correio do Brasil

Está esgotado nas duas maiores livrarias do Rio o livro da escritora Frances Stonor Saunders ‘Quem pagou a conta? A CIA na Guerra Fria da cultura’, no qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é acusado, frontalmente, de receber dinheiro da agência norte-americana de espionagem, para ajudar os EUA a “venderem melhor sua cultura aos povos nativos da América do Sul”.

O exemplar, cujo preço varia de R$ 72 a R$ 75,00, leva entre 35 e 60 dias para chegar ao leitor, mesmo assim, de acordo com a disponibilidade no estoque. O interesse sobre a obra da escritora e ex-editora de Artes da revista britânica The New Statesman, no Brasil, pode ser avaliado ao longo dos cinco anos de seu lançamento.

Quem pagou a conta?, segundo os editores, recebeu “uma ampla cobertura pela mídia quando foi lançado no exterior”, em 1999. Na obra, Frances Stonor Saunders narra em detalhes como e por que a CIA, durante a Guerra Fria, financiou artistas, publicações e intelectuais de centro e centro-esquerda, num esforço para mantê-los distantes da ideologia comunista. Cheia de personagens instigantes e memoráveis, entre eles o ex-presidente brasileiro, “esta é uma das maiores histórias de corrupção intelectual e artística pelo poder”.

Não é segredo para ninguém que, com o término da Segunda Guerra Mundial, a CIA passou a financiar artistas e intelectuais de direita; o que poucos sabem é que ela também cortejou personalidades de centro e de esquerda, num esforço para afastar a intelligentsia do comunismo e aproximá-la do American way of life.

No livro, Saunders detalha como e por que a CIA promoveu congressos culturais, exposições e concertos, bem como as razões que a levaram a publicar e traduzir nos Estados Unidos autores alinhados com o governo norte-americano e a patrocinar a arte abstrata, como tentativa de reduzir o espaço para qualquer arte com conteúdo social. Além disso, por todo o mundo, subsidiou jornais críticos do marxismo, do comunismo e de políticas revolucionárias. Com esta política, foi capaz de angariar o apoio de alguns dos maiores expoentes do mundo ocidental, a ponto de muitos passarem a fazer parte de sua folha de pagamentos”.

As publicações Partisan Review, Kenyon Review, New Leader e Encounter foram algumas das publicações que receberam apoio direto ou indireto dos cofres da CIA. Entre os intelectuais patrocinados ou promovidos pela CIA, além de FHC, estavam Irving Kristol, Melvin Lasky, Isaiah Berlin, Stephen Spender, Sidney Hook, Daniel Bell, Dwight MacDonald, Robert Lowell e Mary McCarthy, entre outros. Na Europa, havia um interesse especial na Esquerda Democrática e em ex-esquerdistas, como Ignacio Silone, Arthur Koestler, Raymond Aron, Michael Josselson e George Orwell.

NERY É LEMBRADO

O jornalista Sebastião Nery, em 1999, quando o diário carioca Tribuna da Imprensa ainda circulava em sua versão impressa, comentou em sua coluna que não seria possível resumir a obra em tão pouco espaço: “São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas”, afirmou.

“Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de US$ 145 mil. Nasce o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)”. Esta história, que reforça as afirmações de Saunders, está contada na página 154 do livro Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível, da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O “inverno do ano de 1969″ era fevereiro daquele ano.Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura militar havia lançado o AI-5 e elevado ao máximo o estado de terror após o golpe de 64, “desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos”, como afirma a autora. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. O ex-presidente Juscelino Kubitcheck e o ex-governador Carlos Lacerda tinham sido presos.

Enquanto isso, Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela para fundar o Cebrap. O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, por onde passou FHC, era voz corrente que o compromisso final dos norte-americanos girava em torno de US$ 800 mil a US$ 1 milhão.

DINHEIRO PELA JANELA

Segundo reportagem publicada no diário russo Pravda, um ano após o lançamento do livro no Brasil, os norte-americanos “não estavam jogando dinheiro pela janela”.

“Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando (os dólares)”. Na época, FHC lançara com o economista chileno Faletto o livro Dependência e desenvolvimento na América Latina, em que ambos defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos”.

A cantilena foi repetida por FHC, em entrevista concedida ao diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, na edição da última terça-feira, a última de 2013.

Com a cobertura e o dinheiro dos norte-americanos, FHC tornou-se, segundo o Pravda, “uma ‘personalidade internacional’ e passou a dar ‘aulas’ e fazer ‘conferências’ em universidades norte-americanas e européias. Era ‘um homem da Fundação Ford’. E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA”.

PRINCIPAIS TRECHOS

Principais trechos da pesquisa de Saunders:

1 – “A Fundação Farfield era uma fundação da CIA… As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos… permitiu que a CIA financiasse um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas” (pág. 153).

2 – “O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça…” (pág. 152). “A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria” (pág. 443).

3 – “A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares… Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos… com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos” (pág. 147).

4 – “Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante” (pág. 123).

5 – “Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritorios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil” (pág. 119).

6 – “A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana” (pág. 45).

ESPIONAGEM E DÓLARES

Não há registros imediatos de que o ex-presidente tenha negado ou admitido as denúncias constantes nos livros de Sauders e Leoni. Em julho do ano passado, no entanto, o jornalista Bob Fernandes, apresentador da TV Gazeta, de São Paulo, publicou artigo no qual repassa o envolvimento do ex-presidente com os serviços de espionagem dos EUA, sem que tivesse precisado, posteriormente, negar uma só palavra do que disse. Segundo Fernandes, “o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz que ‘nunca soube de espionagem da CIA’ no Brasil. O governo atual cobra explicações dos Estados Unidos”.

“Vamos aos fatos. Entre março de 1999 e abril de 2004, publiquei 15 longas e detalhadas reportagens na revista CartaCapital. Documentos, nomes, endereços, histórias provavam como os Estados Unidos espionavam o Brasil.Documentos bancários mostravam como, no governo FHC, a DEA, agência norte-americana de combate ao tráfico de drogas, pagava operações da Polícia Federal. Chegava inclusive a depositar na conta de delegados. Porque aquele era um tempo em que a PF não tinha orçamento para bancar todas operações e a DEA bancava as de maiores dimensão e urgência”, garante Fernandes.

Ainda segundo o jornalista, o mínimo de “16 serviços secretos dos EUA operavam no Brasil. Às segundas-feiras, essas agências realizavam a ‘Reunião da Nação’, na embaixada, em Brasília”.

Bob Fernandes, que foi redator-chefe de CartaCapital, trabalhou nas revistas IstoÉ (BSB e EUA) e Veja, foi repórter da Folha de S.Paulo e do Jornal do Brasil, afirma ainda que “tudo isso foi revelado com riqueza de detalhes: datas, nomes, endereços, documentos, fatos. Em abril de 2004, com a reportagem de capa, publicamos os nomes daqueles que, disfarçados de diplomatas, como é habitual, chefiavam CIA, DEA, NSA e demais agências no Brasil. Vicente Chellotti, diretor da PF, caiu depois da reportagem de capa Os Porões do Brasil, de 3 de março de 1999. Isso no governo de FHC, que agora, na sua página no Facebook, disse desconhecer ações da CIA no país”.

(artigo enviado por Mário Assis)

A mão e as vespas

Mauro Santayana (JB) 

Vez ou outra, os jornalistas vêm-se obrigados a tocar, repetidas vezes, nos mesmos assuntos, não pela razão — como dizia o poeta — de querer fazer um samba de uma nota só mas porque a realidade do país nos impõe, infelizmente, os mesmos implacáveis fatos, dia a dia, mês a mês, ano a ano, quase sem interrupção.

A situação do presídio de Pedrinhas, no Maranhão, com a morte de dezenas de detentos, no ano passado, e a decapitação de alguns, com direito a gravação em vídeo, seguida de macabra divulgação na internet, retrata resistente e trágica mazela que a sociedade brasileira não consegue vencer nem enfrentar.

Muda o nome do presídio, da cidade, do estado, mas a situação, o roteiro — como acontece com os blockbusters de Hollywood — é quase o mesmo. E o pior, para a ONU e a Comissão de Direitos Humanos da OEA, o nome do país, também é quase sempre o mesmo, só muda o mês, o ano e o  filme que está em cartaz.

Tudo isso ocorre porque, por trás da situação do Sistema Carcerário Brasileiro, existe outro “sistema”, paralelo, anônimo, ilegal e suboficial. Esse “sistema” está envolvido com atividades ilegais, que vão de cartéis para o fornecimento de comida e outros insumos para os presos à introdução de drogas, armas e celulares nos presídios. Um “sistema” que se sente confortável como um peixe dentro de lago profundo, escuro  e estanque com o estado atual das nossas prisões.
NADA MUDOU

Talvez seja essa a razão para que, nos últimos anos — incluídos os de FHC, Lula e Dilma— pouca coisa tenha mudado em nossas cadeias, e, de modo geral, para  os milhares de detentos que se encontram atrás das grades, cerca de 40% deles ilegalmente, já que sem terem tido culpa formada ou reconhecida pela Justiça.
Está faltando um debate mais amplo para discutir o descalabro e as perspectivas do panorama carcerário no Brasil.
Acossados pelo conservadorismo, tanto o PSDB como o PT, no entanto, evitam aprofundar-se no assunto, embora o tema devesse constar com destaque em qualquer programa de governo, e esteja faltando um debate mais amplo, e mais sério, para discutir o presente descalabro, e as perspectivas futuras, do panorama carcerário no Brasil.
Em Minas, o governo Anastasia inaugurou, no início de 2013, a primeira prisão “privada” do país, erguida e administrada por investidores, por meio de PPP, com celas para quatro presos em regime fechado, ou seis em regime semiaberto.
O complexo, com previsão para cerca de 3 mil presos, é gerido por um agente público, e por um conselho com participação das áreas de corregedoria, de direitos humanos e da própria comunidade, além do grupo responsável pela sua construção.
O senhor Fernando Henrique Cardoso já se manifestou publicamente — mas o PSDB não assumiu essa bandeira — a favor da descriminalização, assunto que está na ordem do dia com a regulação da produção e consumo da maconha no Uruguai, prestes a se transformar na primeira potência cannábica do planeta, inclusive com a exportação do produto para outros países, para a produção de medicamentos.

DE QUEM É A CULPA

O que não pode continuar ocorrendo, nem no Maranhão, nem em qualquer outro estado, ou em prisões federais, é que se tente imputar aos presos a culpa pela situação. Preso é preso, e Estado é Estado, assim como seus policiais, funcionários e agentes carcerários.
Querer culpar o detento por ter acesso a desafetos, celulares, drogas, armas, dentro da cadeia, quando se sabe que nada entra na cela sem o interesse ou a cumplicidade de alguém, é o mesmo que insultar a inteligência da nação.
Afinal, quem pode mais, pode menos. Quando os agentes do Estado querem — às vezes até mesmo à revelia das lideranças legalmente constituídas — invadem arbitrariamente prisões, espancam e torturam presos, massacram indiscriminadamente detentos como aconteceu no Carandiru.
Sejamos francos, a morte dos presos de Pedrinhas  só chamou a atenção porque o presídio foi visitado por uma comissão externa ligada ao Ministério Público, determinada  a verificar a situação da população prisional. E por causa de ataques, fora de seus muros, que atingiram covardemente a população local.
Se não fosse isso, a repercussão dos assassinatos de detentos em Pedrinhas seria zero. A morte de cinquenta ou sessenta presos por ano em um presídio qualquer não atrapalha em nada o “sistema”.  Pelo contrário, ela é vista, por muitos, dentro e fora dele, como desejável e normal.

A QUEM INTERESSA?
Resta saber se essas mortes, assim como os ataques a inocentes, como a menina de três anos, queimada dentro de um ônibus, não estão sendo incentivadas,  direta ou indiretamente, e se existe mais alguém, além dos detentos, interessado em incendiar o Maranhão.
Isso já ocorreu em São Paulo, não faz muito tempo, com as chacinas — que mataram dezenas de pessoas — detonadas no rastro dos ataques do PCC, em 2012.
Sempre que se tenta mudar a vergonhosa situação prisional do Brasil — que volta a estarrecer o mundo inteiro, neste momento — se está metendo a mão em perigoso vespeiro, forjado por anos e anos de impunidade e omissão.
E as vespas não conhecem outro caminho, para responder a quem mexe com elas, do que disseminar ao máximo seus enxames e ferrões, espalhando o medo e o terror.

Você realmente confia na urna eletrônica?

Paulo Sergio Everdosa

Circula na internet um inquietante texto sobre o seminário “A urna eletrônica é confiável?”, promovido pelos institutos de estudos políticos das seções fluminense do Partido da República (PR), o Instituto Republicano; e do Partido Democrático Trabalhista (PDT), a Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini.

Acompanhado pelo especialista em transmissão de dados Reinaldo Mendonça e pelo delegado de polícia Alexandre Neto, um jovem hacker de 19 anos, identificado apenas como Rangel por questões de segurança, mostrou como (através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro, sob a responsabilidade técnica da empresa Oi) interceptou os dados alimentadores do sistema de totalização e, após o retardo do envio desses dados aos computadores da Justiça Eleitoral, modificou resultados beneficiando candidatos em detrimento de outros – sem nada ser oficialmente detectado.

Esse depoimento do hacker vem alimentar as suspeitas do Brizola quando da eleição presidencial de 1989, ocasião em que o Lula foi para o segundo turno com o Collor por uma diferença mínima de votos. Na época, o Brizola requereu recontagem de votos o que foi rechaçado pelo presidente do TSE, sob o comando do “insuspeito” Francisco Rezek que, em seguida à apuração do segundo turno da eleição, largou o cargo vitalício de ministro do STF para assumir um ministério no governo Collor. Depois de algum tempo no cargo, saiu do governo e foi renomeado pelo Collor de volta ao STF!

Tive informações à época de que o complô foi urdido com apoio do Doutor Roberto Marinho e do ACM, que era ministro das Comunicações do Sarney e sócio do Doutor RM. O plano era emplacar o Afif. Como o Afif não decolou, aderiram ao Collor. Não poderia ser o Brizola pelos motivos mais do que óbvios!

Estranhamente, durante a transmissão dos dados do primeiro turno da eleição presidencial de 1989 do TRE de Minas Gerais para o TSE de Brasilia, houve uma “pane” no sistema, como que para dar tempo ao dimensionamento da fraude.

400 mil votos foram necessários para levar o Lula para o segundo turno, porque o candidato do PT poderia ser abatido com mais facilidade pelo esquema que já possuía no bolso do colete o escândalo da Miriam/Lurian (ex-namorada e filha de Lula).

EXEMPLO DA ARGENTINA

O Brizola pediu o apoio do Lula para pressionar o TSE a conceder a recontagem argumentando que há pouco tempo houvera fato semelhante na Argentina, onde a recontagem manual apurou uma diferença em relação à eletrônica bem superior à diferença verificada na eleição brasileira. Lá não houve mudança na classificação dos candidatos porque a diferença apurada não foi suficiente para alterar a classificação.

Na eleição brasileira, entretanto, a diferença entre o Brizola e o Lula, salvo engano, não chegava a 0,5%. O TSE não admitiu a recontagem. Registre-se que, antes da eleição, a Globo promoveu um Globo Repórter sobre a vida do Rezek, com o fito explícito de construir uma credibilidade que seria necessária para dar força às providências que ele teria que tomar no curso da sua presidência do pleito.

Para conferir o texto sobre o seminário, basta buscar no Google o título Hacker de 19 anos revela no Rio de Janeiro como fraudou eleição.

Doações para Genoino pagar multa já somam R$ 194 mil

Da Folha

O site criado por amigos e familiares de José Genoino com o objetivo de receber doações para pagar a multa de R$ 667,5 mil imposta ao petista por sua participação no esquema do mensalão arrecadou, até o agora  R$ 194 mil.

O site intitulado “Parceiros da família Genoino” foi criado na noite da última quinta-feira (9). As doações feitas no domingo ainda não foram computadas. O doador pode contribuir com qualquer valor e, após o depósito, o doador deverá enviar à família de Genoino um e-mail com nome completo, RG, CPF e cópia (scaneado, fotografado ou arquivo) do comprovante de depósito.

O petista tem até o dia 20 de janeiro para pagar o valor. Se descumprir o prazo, o débito será inscrito no cadastro da Dívida Ativa da União, de acordo com a decisão da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, e a União passa a cobrar a dívida judicialmente.

Clientes logrados pela Caixa podem requerer saldo das contas encerradas

Da Agência Brasil

Brasília – Os clientes da Caixa Econômica Federal que tiveram suas contas de poupança encerradas têm direito ao saldo existente, a qualquer tempo, após regularização, informou o Banco Central (BC) nesse domingo (12). O banco promoveu uma varredura entre 2005 e 2011 para identificar contas de titulares com irregularidades no CPF ou no CNPJ.

Segundo o banco, 346 mil contas foram regularizadas depois que os clientes foram contatados por correspondência ou por telefone, mas os correntistas que não se manifestaram tiveram a conta encerrada em 2012. Ao todo, 496.776 contas foram encerradas.

O encerramento, destacou nota da Caixa, ocorreu conforme as regras determinadas pelo Banco Central (BC) e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), sem nenhuma ilegalidade. O banco, no entanto, admitiu divergências em relação a contabilização dos R$ 719 milhões que estavam nas contas encerradas. Os recursos foram registrados como receitas operacionais, o que elevou o lucro líquido da Caixa em R$ 420 milhões no balanço de 2012 depois do pagamento de tributos.

De acordo com a Caixa, o registro dos recursos das contas encerradas foi aprovado por auditorias independentes, mas foi contestado pela Controladoria-Geral da União (CGU). O órgão fez uma consulta ao BC, que determinou que o saldo das contas inativas não fosse computado como receita. Segundo a instituição financeira, o ajuste aparecerá no balanço de 2013, como diminuição do lucro em R$ 420 milhões.

Reportagem da revista Isto É informava que a Caixa tinha encerrado ilegalmente as contas com irregularidades no CPF ou no CNPJ, confiscado os recursos da caderneta de poupança e usado o dinheiro para inflar os lucros em 2012. Segundo o banco, o recadastramento ocorreu para combater fraudes, evitar danos à credibilidade da caderneta de poupança e cumprir as regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Segundo o BC, “não há qualquer prejuízo para correntistas e poupadores da instituição e, portanto, não há que se falar em confisco, termo usado indevidamente pela publicação”. “Diferentemente do que afirmou a revista, a motivação para encerramento das contas não foi falta de movimentação ou de saldo, mas irregularidades cadastrais”. O BC disse ainda que “a Caixa Econômica Federal está providenciando a regularização de alguns dos procedimentos internos utilizados no encerramento de contas irregulares, bem como ajustes contábeis no seu balanço”.

Inovação tecnológica e precarização da força de trabalho, em meio aos esmagadores poderes do capitalismo global

http://4.bp.blogspot.com/_q3gj_kh4tRQ/S2HpSJnMCvI/AAAAAAAABPI/cQ6cpyjZtMM/s320/charge_demissao_desemprego_empresa_emprego_rua_vaga_industria_privada.jpgElísio Estanque
Estado de SP
Nos anos 1990, Ulrich Beck, alemão que estuda essas temáticas, pensava na enorme precarização da força de trabalho na qual não há praticamente direitos, e sim uma enorme rotatividade e instabilidade. Só que, na Europa, não se esperava que ela fosse tão brusca, tensa e violenta. A inovação tecnológica cria uma precariedade que não é apenas objetiva e material, mas também psicológica, o que leva o trabalhador a recriar os instrumentos da própria vulnerabilidade.O trabalhador é colocado numa situação vulnerável não apenas porque sabe que pode ser deslocado de um momento para outro ou ser facilmente demitido, mas também porque incorpora a ideia de que é preferível aceitar qualquer que seja a condição de trabalho a não ter nenhum. Daí que concorda em ser colocado numa posição de maior dependência. E aceita de certo modo ser explorado até a exaustão. Isso acontece na relação assimétrica de poder que ele mantém com a entidade patronal.A polivalência deixa de ser sinônimo de maior autonomia do trabalhador para torná-lo mais dependente de uma competitividade castigante. Dentro das empresas também há uma condição muito estimulada entre os trabalhadores, os prêmios de produtividade, que muitas vezes são ilusão. Se olharmos de um lado a multiplicação do lucro da atividade financeira e de outro os salários, há uma distância que se foi elevando nas últimas décadas em todos os países, a começar pelos EUA. Resumindo, essa multiplicidade de competências aconteceu por imposição de cima para baixo. A margem de negociação foi desaparecendo porque o próprio campo sindical deixou de negociar as condições de trabalho.

LÓGICA DO PRIVATISMOMas me parece que essas situações sejam cada vez mais excepcionais porque os servidores públicos estão sendo igualmente descartados, enquanto os recursos públicos seguem muitas vezes a lógica do privatismo. Eu diria que o cartão de ponto, neste momento, está no bolso de todo mundo. Está no celular, no computador, nos imensos meios técnicos que as empresas possuem para controlar o que cada um está a fazer a cada momento.Houve uma viragem de paradigma nas últimas duas ou três décadas. Os sindicatos temem ser agressivos, estão muito enfraquecidos. Em parte porque, seja no infoproletariado ou em outros vínculos laborais, as empresas e o trabalho tendem a ser terceirizados. Note-se, por exemplo, que, aqui no Brasil, cerca de 1/3 da força de trabalho é terceirizada. Em Portugal, mais de 30% dos trabalhadores estão com contrato a termo certo, ou seja, estão em situação de precariedade. As novas gerações de força de trabalho vão entrando no mercado em condição particularmente precária e dependente, individualizada e com medo.

O desemprego de jovens, na faixa abaixo dos 30 anos, ultrapassa os 40% de desempregados em Portugal e na Espanha, são 50%.  No Brasil apesar das melhoras em termos de formalização do emprego em relação há 15 anos, repara-se nos altíssimos porcentuais de rotatividade. Se o paradigma desenvolvimentista do Brasil sair triunfante dessa encruzilhada em que nos encontramos, é possível que a classe trabalhadora, nas próximas décadas, vá se beneficiar disso. Mas neste momento há uma grande incerteza nesse sentido. Os poderes do capitalismo global são realmente esmagadores.

Texto enviado por Mário Assis, extraído do Blog de César
Maia (Elísio Estanque é Professor da Universidade de Coimbra)

Briga boa: Secretário de Alckmin quer ser acareado com o delator do cartel dos trens

Rodrigo Garcia, do DEM, afirma que acusações de proprina são uma 'maluquice' - Sérgio Castro/Estadão
Fausto Macedo e Fernando Gallo
O Estado de S.Paulo

Rodrigo Garcia, deputado licenciado pelo DEM e secretário de Desenvolvimento Econômico da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), diz estar pronto para uma acareação com o delator do cartel dos trens, Everton Rheinheimer, que o acusou em depoimento à Polícia Federal como suposto recebedor de propinas do esquema que teria vigorado no setor entre 1998 e 2008, nos governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Alckmin.

Garcia conta que, em 2010, recebeu o ex-executivo da Siemens em seu escritório político, mas nega ter tratado com ele sobre licitações do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). “Não sei a que atribuir as maluquices dele (Rheinheimer).” Seu advogado, Alexandre de Moraes, assinala que nos 52 volumes do inquérito do cartel o nome de Garcia é citado só três vezes, sem que haja uma única menção a provas. O secretário acredita que as denúncias têm viés político-eleitoral. Para ele, a delação é “antídoto do mensalão”.

Como o sr. conheceu Rheinheimer?

Sei de quem se trata. Me familiarizei com ele pelas fotos de jornal. Lembrava dele como um ex-diretor de multinacional. Puxando na memória, se eu o recebi como líder do PFL (na Assembleia), recebi uma vez, como recebi tantas outras pessoas desse e de outros setores. É atividade parlamentar. E depois da eleição de 2010 lembro que ele esteve no escritório político. Eu já era deputado federal. Ele fez uma visita. É isso o que lembro. Não tenho nenhum tipo de relacionamento próximo, não sei onde mora, o que faz, se mora no Brasil, o que tem no Brasil, o que deixa de ter.

Como foi essa visita no escritório?

Eu tinha acabado de ganhar a eleição, ele tinha comprado um convite de jantar, que eu faço em toda campanha, e foi me cumprimentar, desejar boa sorte. Mas não foram reuniões específicas, institucionais. E foram no escritório político. Essa última, e talvez uma anterior, antes de eu ser presidente da Assembleia.

O sr. tinha participação em licitações?

Nenhuma. Sou deputado de quatro mandatos. Dois eu exerci na plenitude, como estadual. Nos últimos dois mandatos ocupei quatro secretarias, duas na Prefeitura e duas no Estado. Tenho uma vida pública de 15 anos. Nos meus atos formais, como na presidência da Assembleia, não tenho nenhum tipo de questionamento, nem nos meus atos no Executivo. Como deputado, fui líder de bancada, presidente da Comissão de Transportes, da de Agricultura, membro da Comissão de Constituição e Justiça. Fui presidente da Assembleia.