A magia dos craques

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Tostão
(O Tempo)

Messi é o melhor jogador do mundo, mas o que mais brilhou, em 2013, foi Cristiano Ronaldo. Por causa das várias conquistas do Bayern e de suas ótimas atuações, Ribéry também disputa o título. Se fosse escolher os três melhores do ano, seriam Cristiano Ronaldo, Ibrahimovic e Ribéry, e os três do mundo, Messi, Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic. Neymar seria o quarto melhor do ano e do mundo. Todos são atacantes.

O melhor jogador de meio-campo do ano foi Yaya Touré, da seleção da Costa do Marfim e do Manchester City, acima de Xavi, Pirlo e Schweinsteiger. Todos são volantes e atuam de uma intermediária à outra. O futebol mudou. Muitos não perceberam. Já os volantes brasileiros que têm atuado melhor são Ramires, que, na seleção, é reserva dos meias Oscar e Hulk, e Fernandinho, que nunca foi chamado por Felipão.

O grande craque reúne muita habilidade, técnica, criatividade, além de ótimas condições físicas e emocionais. O talento é a síntese de tudo isso. Não se deve confundir talento com habilidade, técnica ou criatividade. Todos os grandes craques são diferentes. Cada um faz de seu jeito. Jogadores extremamente habilidosos, como Robinho, não se tornaram craques por não terem ótima técnica. Outros, como Rivaldo, com extraordinária técnica, se tornaram craques, mesmo com pouca habilidade.

O perfeccionismo e a ambição são características comuns aos grandes craques. Para brilharem intensamente, precisam estar presentes, juntos, o talento individual, o coletivo, o esplendor físico e a gana de ir além. Assim como não se sabe qual é o momento exato em que um bom jogador se torna um craque, não sabemos também o instante em que começa sua queda nem se o motivo inicial é a diminuição da ambição, da concentração ou uma piora da forma física.

Cristiano Ronaldo possui mais virtudes técnicas que Messi. O português, além de alto, forte e veloz, faz gols de todos os lugares e de todos os jeitos. Passa bem e cruza como um autêntico ponta. Messi é menos completo, mas é mais encantador, mais espetacular. Faz também muitos gols, dribla em pequenos e grandes espaços e conduz a bola em grande velocidade, colada aos pés. O encanto não pode ser medido nem colocado nas estatísticas.

Neymar pode se tornar tão bom ou até melhor que Messi e Cristiano Ronaldo. Ainda não é. Diferentemente dos dois, Neymar ainda não atingiu o máximo do esplendor técnico. Ele possui um repertório mais variado, mais artístico e com mais efeitos especiais.

A torcida brasileira vai exigir que Neymar decida a Copa para o Brasil, mesmo se o time não estiver bem. Isso é cruel, pois concentra toda a responsabilidade no jogador, além de encobrir as deficiências da seleção e as mazelas do futebol brasileiro.

NO CRUZEIRO

Na quinta-feira, dia 2, o Cruzeiro completou 93 anos. Aos 16, em 1963, já era titular do time. Cheguei junto com Piazza. Logo depois, surgiram Dirceu Lopes, Raul, Natal, Evaldo e outros. Na primeira vez em que eu, Piazza e Dirceu Lopes treinamos, parecia que jogávamos juntos há 1.000 anos. Com a chegada de Evaldo, ficou ainda melhor.

Na Copa de 1970, quando Zagallo me perguntou se daria para atuar de centroavante, de pivô, disse a ele que não teria problemas, que jogaria como Evaldo, que seria, para Pelé e Jairzinho, o centroavante facilitador que Evaldo era para mim e Dirceu Lopes.

Estarei uma semana de férias. A coluna voltará a ser publicada no dia 15 de janeiro.

Áreas indígenas podem depender de consulta a nove ministros

Marina Dias
(Folha)

As mudanças que o governo quer fazer nas regras para demarcação de terras indígenas no país submetem a criação de novas áreas à avaliação de nove ministérios, reduzindo o controle que a Funai (Fundação Nacional do Índio) tem sobre o processo.

O assunto está em debate no governo desde o ano passado e agora parece estar perto de uma definição. Uma portaria com alterações no decreto que regulamenta a questão desde 1996 foi submetida pelo Ministério da Justiça a consultas e pode ser publicada nos próximos meses.

Se for mantida como está, a portaria obrigará a Funai a ouvir outros órgãos sempre que quiser demarcar ou ampliar terras para uso exclusivo de comunidades indígenas. Se não houver acordo entre eles, caberá ao Ministério da Justiça o papel de mediador.

No início de dezembro, o documento foi enviado para consulta de entidades indigenistas, órgãos do governo e associações de produtores rurais. O Ministério da Justiça promete oficinas para discutir as mudanças com índios, parlamentares e fazendeiros.

“O resultado da portaria veio do debate com vários órgãos que serão novamente ouvidos”, disse à Folha o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “Poderemos incorporar sugestões e, em seguida, publicaremos a portaria.”

Existe mais de uma centena de áreas indígenas em estudo na Funai atualmente. Elas se transformaram no ano passado num foco de atrito político entre o governo, os defensores dos índios e o agronegócio, que vê na expansão das terras indígenas uma ameaça aos seus interesses.

O ministro afirma que os objetivos das mudanças são “reduzir a judicialização e agilizar a demarcação de terras indígenas”, mas a portaria foi recebida com críticas em dois campos do debate.

PARALISIA

Para o ex-presidente da Funai Márcio Santilli, coordenador do ISA (Instituto Socioambiental) em Brasília, o texto “burocratiza e politiza” a formação dos grupos de trabalho encarregados de examinar as propostas de criação de áreas indígenas, o que deve “paralisar a identificação e delimitação das terras”.

De acordo com a portaria, os integrantes desses grupos serão nomeados pela Funai e serão coordenados por antropólogos. Mas a presença de representantes de outros ministérios introduzirá no processo pessoas “que não têm como foco central identificar terras indígenas”, diz Santilli.

A portaria determina que sejam chamados os ministérios da Agricultura, das Cidades, do Desenvolvimento Agrário, do Meio Ambiente, de Minas e Energia, do Planejamento e dos Transportes, além da Secretaria-Geral da Presidência da República e da Secretaria de Direitos Humanos, que têm status de ministério, e de um procurador federal nomeado pela AGU (Advocacia Geral da União).

RURALISTAS

Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária, que defende os interesses do agronegócio no Congresso Nacional, também têm ressalvas às mudanças propostas.

Para eles, a participação de outros ministérios no processo de demarcação de terras indígenas –uma demanda antiga dos ruralistas – seria muito limitada, por se restringir apenas ao fornecimento de dados e ao acompanhamento de trabalhos de campo, mantendo a responsabilidade das decisões com a Funai.

Além disso, a portaria autoriza a Funai a vetar representantes indicados pelos ministérios e permite que ela convoque um novo grupo de estudos nos casos em que nem a mediação do Ministério da Justiça for suficiente para alcançar o consenso.

Uma poesia da Folia de Reis, que se comemora hoje

A Folia de Reis faz parte do Natal no folclore brasileiro, ela se inicia na noite de 24 de dezembro e se estende até 6 de janeiro, com a Festa de Reis. A letra desta folia pertence ao folclore da cidade de Urucaia, MG.

FOLIA DE REIS

Porta aberta, luz acesa,
Recebei com alegria
A visita dos Reis Magos
Com sua nobre folia

Lá vai a garça voando,
Lá no céu bateu as asas
Vai voando e vai dizendo
Viva o dono desta casa

Entra, entra, minha bandeira,
Por essa porta adentro
Vai fazer sua visita
À senhora lá de dentro

Os três reis quando saíram
Cantando sua folia
Eles cantavam de noite
E de dia recolhia

Quando era boca da noite
A estrela aparecia
Os três reis se alevantava
Em seu caminho seguia

Foram saudar o Deus Menino
Que nasceu pro nosso bem
Ô bendito louvado seja,
Para todo sempre Amém

    (Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)

Governadores em perigo para reeleição

José Roberto de Toledo
Estadão

Em 2010, a eleição nos Estados apontou para a continuidade. Dos 27 governadores, 20 concorreram a um segundo mandato, e 13 deles foram reconduzidos ao cargo. Outros três elegeram seu candidato. Para 2014, a bússola virou de ponta-cabeça. Dos 15 governadores aptos à reeleição, só três podem confiar que estão no rumo certo para voltar ao palácio depois de passarem pelas urnas.

A pesquisa CNI-Ibope divulgada em dezembro forneceu o melhor mapa da sucessão estadual até agora. Pela primeira vez em três anos, todos os governadores foram avaliados simultaneamente. A sondagem não perguntou em quem o eleitor pretende votar, mas revelou o que os governados acham de seus governantes – e essa opinião é menos volátil que a intenção de voto.

A principal conclusão é que o ranking de 2013 é muito pior para a maioria dos governadores do que foi o de 2010: 11 estão devendo, 9 estão numa zona que não pode ser chamada de conforto, e dos 7 que estão realmente bem avaliados, 4 não são candidatos. A chave da pesquisa é o saldo de avaliação. Na eleição passada, ele mostrou-se o melhor fator para prever o resultado das urnas.

QUASE UM VELÓRIO

O saldo de avaliação é o que sobra, ou não, da popularidade do governador após levar-se em conta as opiniões negativas: é a taxa de ótimo e bom, descontada de quem acha o governo ruim ou péssimo. Essa classificação é melhor do que a simples pontuação pela taxa de ótimo/bom porque considera também o tamanho e a intensidade da oposição ao governante avaliado. Carma pesa.

Em 2010, o saldo médio dos governadores era de 31 pontos positivos – uma festa. Agora, é de 4. Quase um velório.

Na eleição passada, nove governadores tinham saldo igual ou superior a 45 pontos. Foi a nota de corte: todos se reelegeram (7 deles) ou elegeram seus candidatos (os outros 2). Hoje, só três governadores estão nessa faixa de quase certeza.

As diferenças e semelhanças entre os governos FHC, Lula e Dilma

Wagner Pires

O país estava em hiperinflação, quando o FHC passou a fazer parte do governo Itamar Franco. Já o Lula (cara sortudo) não pegou hiperinflação, pegou inflação em torno de 12% ao ano, e sem a inércia da indexação que existia.

Do mesmo modo, deu a sorte de o no país exportar como jamais em toda a sua história, fazendo superávit comercial recorde e formando uma poupança em reserva cambial que na época do FHC não havia. O que permitiu ao seu governo promover a políticas de expansão de consumo jamais visto aqui em nosso país.

Mas isso não é mérito de Lula, de modo algum, mas mérito do nosso país como um todo. Lula não produziu coisa alguma. Apenas continuou com a mesma política do FHC, qual seja: estabilização da economia baseada no tripé – controle do câmbio, controle da inflação e esforço fiscal para fazer superávit primário. Ponto!

FUNDO SOBERANO

A partir do primeiro ano da gestão de Dilma Rousseff, teriam que mudar a estratégia de relaxamento da política fiscal, no sentido de economizar mais, conter os gastos do governo e tentar formar uma poupança razoável utilizando-se do Fundo Soberano, que foi constituído para isso.

E o que a Dilma fez? Continuou gastando mais e mais na tentativa de estimular a economia pelo lado do consumo, às custas do endividamento público. E é por isso que a dívida pública está no mesmo patamar que o do governo FHC. Só que na época, FHC não tinha reservas para garantir estímulos internos. Ficou com o rabo preso com o famigerado FMI.

O pior é o seguinte, se continuar assim, ultrapassaremos os 60% dentro em breve.

BRASIL E MÉXICO

Outra coisa, não dá para comparar o México com o Brasil. O tamanho das economias são bem díspares. Quem quer fazer isso é o pessoal que gostaria que nós abríssemos a nossa economia como o México fez. Mas para nós isso seria um tremendo erro, pois não temos um nível de produtividade capaz de competir com as maiores economias mundiais. Seria um desastre para o Brasil, que, por enquanto, tem apenas 13% do seu PIB atrelado a transações correntes. E é bom que seja assim, até que tenhamos tecnologia e produtividade de ponta como tem, por exemplo, a Coréia do Sul.

Não foi incompetência do FHC a péssima gestão de seu segundo mandato. A falta de reservas cambiais acabou levando o país a adotar os ditames do Fundo Monetário Internacional. Inclusive o aumento da taxa de juros básicos, que foram a mais de 40% aoa ano.

E por que FHC fez isso? Porque ele tinha de atrair dólares e mais dólares para a economia brasileira, mesmo sendo por especulação, atrás de maior rentabilidade em aplicações financeiras e não em investimentos. Nossas reservas foram a zero, e o que passamos a ter (mais ou menos US$ 45 bi) foi por empréstimos do FMI, que mais tarde teríamos de pagar.

ALTA DOS JUROS

Agora mesmo, os juros foram aumentados e alcançaram novamente os dois dígitos. Foram aumentados por duas razões: 1º) restringir o crédito via depósitos interbancários, a fim de diminuir o consumo e pressões inflacionárias; e 2º) atrair capital estrangeiro, de modo a aumentar o fluxo de dólares em direção ao Brasil. Isso ajuda o Banco Central a controlar o valor do câmbio, já que, quanto mais dólares à disposição, menor a cotação da moeda. Ao contrário, quanto mais escassa a moeda, maior sua cotação.

De qualquer forma, é preciso compreender que o divisor de águas entre a economia estagnada no final do período de FHC e o aumento da atividade econômica no período de Lula foi a nossa formação de reservas e não a presença de um ou de outro presidente/a.

Mas, é claro que nenhum deles falará isso ao público. Porque faz parte do jogo político.

Indústria automotiva está pessimista com as vendas em 2014

Marli Moreira
Agência Brasil

São Paulo – O mercado varejista de carros novos vê com cautela os rumos da economia para este ano de 2014, e trabalha com a certeza de que nos próximos anos não se repetirão com frequência os resultados recordes de venda no setor. Estudos da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) indicam que a procura por automóveis pode ficar estável após recuo de 3,5% em 2013.

Considerando além dos automóveis, os comerciais leves, caminhões e ônibus, as previsões são de um aumento em torno de 0,29% nos emplacamentos em 2014, ante uma queda de 0,91% em 2013. As projeções levam em conta dois cenários: um com base no bom desempenho da economia e outro no qual se avalia o risco de maior volatilidade na cotação do dólar e a necessidade de medidas rígidas do governo para manter a inflação sob controle, conforme informou o presidente executivo da Fenabrave, Alarico de Assumpção Júnior.

“Teremos mais dificuldades para a venda de automóveis e comerciais leves”, prevê ele, ao destacar que 2014 será um ano atípico com menos dias úteis, Copa do Mundo e eleições. Apesar do recuo nas vendas em 2013, ele classificou como “bom” o desempenho, lembrando que o resultado vem de uma base de forte crescimento e que o escoamento de mais de 3,5 milhões de unidades é algo que “chega a ser invejável”.

ENDIVIDAMENTO

De acordo com o dirigente, a maior restrição ao crédito e o endividamento das famílias influenciaram nas vendas. Entre os segmentos que sofreram com a falta de dinheiro está o de motocicletas, cuja demanda fechou o ano em baixa de 7,44%. Incluindo todos os tipos de veículos, inclusive os implementos rodoviários, as concessionárias reduziram as vendas em 2,29%.

O executivo acrescentou que, no caso dos comerciais leves e dos ônibus, foram registrados recordes de crescimento. Os comerciais leves tiveram expansão de 3,57% com mais de 820 mil unidades emplacadas, o que é atribuído ao vigor das atividades do agronegócio. As vendas de ônibus cresceram 20,58%, em parte como consequência dos investimentos no transporte das cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo.

Cristovam Buarque diz que PDT descarta apoio à reeleição de Agnelo Alves (PT) no primeiro turno

Camila Costa
Correio Braziliense

Em Brasília, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) rebateu as cobranças do presidente regional do PT, Roberto Policarpo, sobre uma possível retribuição do apoio que petistas deram ao pedetista no passado. Cristovam disse que descarta uma coligação com o PT no primeiro turno das eleições, mas ressaltou que, a depender do adversário em outubro, poderá se unir aos petistas numa eventual segunda rodada da campanha.

Em entrevista ao Correio, publicada quinta-feira, o presidente do PT-DF, Roberto Policarpo, afirmou que tem esperanças de ver o retorno da sigla à coligação e disse acreditar na “generosidade” de Cristovam Buarque, para aceitar esta recomposição da aliança com o Executivo local. “A melhor alternativa não é Agnelo e eu não estaria sendo generoso com Brasília se o apoiasse no primeiro turno”, rebateu o senador, que defende o lançamento da candidatura do deputado José Antônio Reguffe (PDT) ao Executivo.

MODELO ERRADO

Em setembro de 2011, Cristovam deixou a base do governo do DF após decisão da maioria da executiva regional. Na época, em nota, a legenda elencou a ausência de diálogo entre o GDF e a discordância com o modelo de administração adotado por Agnelo como justificativas para o afastamento. No entanto, a gota d’água para a saída foi a mudança da gestão na Secretaria de Educação, feita sem consulta a Cristovam. “Não foi eu que rompi com o Agnelo. Ele que rompeu comigo desde o primeiro momento. Decidiu mudar tudo com que nos comprometemos”, sustentou Cristovam.

Em meio ao mal-estar do mundo, ainda há lugar para a alegria

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Leonardo Boff

No meio do inegável mal-estar mundial, irrompeu, surpreendentemente, em 2013, uma figura que nos devolveu esperança: o papa Francisco. Seu primeiro texto oficial leva como título “Exortação Pontifícia ‘Alegria do Evangelho’”. Ele vem perpassado pela alegria, pelas categorias do encontro, da proximidade, da misericórdia, da centralidade dos pobres, da beleza, da “revolução da ternura” e da “mística do viver juntos”.

Tal mensagem faz contraponto à decepção e ao fracasso face às promessas do projeto da modernidade de trazer bem-estar e felicidade para todos. Na verdade, a modernidade está colocando o futuro da espécie em risco por causa do assalto avassalador que continua fazendo sobre os bens e serviços escassos da mãe-terra. Bem diz o papa Francisco: “A sociedade técnica multiplicou as possibilidades de prazer, mas tem grandes dificuldades de engendrar alegria” (Exortação, n.7). Prazer é coisa dos sentidos. Alegria é coisa do coração. E nosso modo de ser é sem coração.

Essa alegria brota de um encontro com uma pessoa concreta que lhe suscitou entusiasmo, lhe produziu enlevo e simplesmente o fascinou. É a figura de Jesus de Nazaré. Não se trata daquele Cristo coberto de títulos de pompa e glória que a teologia posterior lhe conferiu. Mas é o Jesus do povo simples e pobre, que trazia palavras de frescor e de fascínio. O papa Francisco testemunha o encontro com essa pessoa. Foi tão arrebatador que mudou sua vida e lhe criou uma fonte inesgotável de alegria e de beleza. Para ele, evangelizar é refazer essa experiência, e a missão da Igreja é resgatar o frescor e o fascínio pela figura de Jesus.

UMA CAUSA

O papa Francisco não entende o cristianismo como uma doutrina. Mas sim como um encontro pessoal com uma pessoa, com sua causa, com sua luta, com sua capacidade de enfrentar as dificuldades sem fugir delas.

Na evangelização tradicional, tudo passava pela inteligência intelectual (“intellectus fidei”) expressa pelo credo e pelo catecismo. Em sua versão, papa Francisco defende que a evangelização passa pela inteligência cordial (“intellectus cordis”), porque aí têm sua sede o amor, a misericórdia, a ternura e o frescor da pessoa de Jesus.

Pois é desse cristianismo que precisamos, capaz de produzir alegria, pois tudo o que nasce verdadeiramente de um encontro profundo e verdadeiro gera a alegria, que ninguém pode tirar.
Falta-nos em nossa cultura midiática e internética esse espaço do encontro. Para isso, temos que realizar “saídas”, palavra sempre repetida pelo papa. Saída de nós mesmos para o outro, saída para as periferias existenciais (as solidões e os abandonos), saída para o universo dos pobres.

DOSTOIÉVSKI

Assim, nada melhor que lembrar o testemunho de F. Dostoiévski ao “sair” da “Casa dos Mortos”, na Sibéria: “Às vezes, Deus me envia instantes de paz; nestes instantes, amo e sinto que sou amado; foi em um desses momentos que compus para mim mesmo um credo, onde tudo é claro e sagrado. Esse credo é muito simples. Ei-lo: creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais humano, de mais perfeito do que o Cristo; e eu o digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isso: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se encontra nele, prefiro ficar com Cristo a ficar com a verdade”.

O papa Francisco faria suas essas palavras de Dostoiévski. Não é uma verdade abstrata que preenche a vida, mas o encontro vivo com uma pessoa, com Jesus, o Nazareno. É a partir dele que a verdade se faz verdade. Se 2014 nos trouxer um pouco desse encontro, então teremos cavado uma fonte de onde jorra alegria, que é infinitamente melhor do que qualquer prazer induzido pelo consumo.

Supremo terá temas polêmicos como embargos infringentes e fim das doações de empresas para políticos

André Richter
Agência Brasil

Brasília – O Supremo Tribunal Federal (STF) retornará aos trabalhos em 2014 com diversos temas pendentes de julgamento, como a proibição de doações de empresas privadas para campanhas políticas; a proibição da publicação de biografias não autorizadas; e assuntos penais, como o julgamento do processo do mensalão mineiro, além dos  embargos infringentes, últimos recursos da Ação Penal 470, o processo do mensalão.

Após a primeira sessão do ano, no dia 3 de fevereiro, o ministro Teori Zavascki poderá liberar o voto-vista no julgamento sobre a proibição de doações de empresas privadas para as campanhas políticas no Supremo. No dia 12 de dezembro, o julgamento foi suspenso pelo pedido de vista de Zavascki. O placar está em 4 votos a favor do fim das doações. Faltam os votos de sete ministros.

O STF também terá que decidir se os bancos devem indenizar os poupadores que tiveram perdas no rendimento de cadernetas de poupança por causa de planos econômicos Cruzado (1986), Bresser (1998), Verão (1989), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991). O julgamento começou em novembro, mas ficou decidido que os votos devem ser proferidos em fevereiro.

BIOGRAFIAS

As decisões de diversas instâncias da Justiça que têm impedido a publicação de biografias também será definida pelo plenário da Corte. A relatora é a ministra Carmen Lúcia. Na ação, a Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel) questiona a constitucionalidade dos artigos 20 e 21 do Código Civil. A associação argumenta que a norma contraria a liberdade de expressão e de informação e pede que o Supremo declare que não é preciso autorização do biografado para a publicação dos livros.

Segundo o Artigo 20 do Código Civil, “a divulgação de escritos, a transmissão da palavra ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas”.

Na pauta penal, a Corte deverá decidir se condena os envolvidos no processo do mensalão mineiro, caso que apura desvios de dinheiro público durante a campanha a reeleição do então governador de Minas Gerais e hoje deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), em 1998. Azeredo e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG) respondem às acusações no STF por terem foro privilegiado.

O relator das ações penais é o ministro Luís Roberto Barroso. Os demais acusados são processados na primeira instância da Justiça Federal em Minas Gerais.

Juiz afirma que prisão não acaba com corrupção

Fausto Macedo
Estadão

Na semana em que a Transparência Internacional classificou o Brasil na 72.ª colocação no ranking da percepção mundial sobre a corrupção, a Justiça Federal em São Paulo condenou a 2 anos e 2 meses de prisão uma agente de seguros acusada de violação ao artigo 317 (corrupção passiva) do Código Penal.

“A nefasta cultura da corrupção está entranhada no corpo social”, alerta o juiz federal Ali Mazloum, de São Paulo, em sentença de 15 páginas, na qual condena a agente de seguros em regime aberto.

“O certo é que a corrupção não será debelada com prisões, nem com a defenestração daquele que venha a ser pilhado na prática delitiva”, considera o juiz, que é titular da 7.ª Vara Criminal Federal. “Está-se diante de um fenômeno complexo, cuja causa é eminentemente de natureza social.”

A condenada teria solicitado dinheiro a um empresário, em 2009. Depois, o valor foi repassado a um agente policial que teria a missão de fiscalizar a empresa.

Ao condenar a ré, o juiz Mazloum destacou. “A ONU, com o escopo de enfrentar o problema, instituiu a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. Trata-se de um programa global anticorrupção que vincula os países membros a obrigações legais internacionais.”

Ele assinala que “dentre as causas da corrupção figura o baixo nível de organização da sociedade, fruto direto da má qualidade do ensino”.

“A educação é, sem dúvida, um instrumento eficaz, talvez o único, no combate à corrupção”, pondera Ali Mazloum,
O magistrado indica um caminho. “O melhor, acredita-se, seria investir maciçamente no ensino fundamental, cultivando nos estudantes valores essenciais ao trato da coisa pública.”

Ele destaca que compete aos Estados e municípios atuarem prioritariamente no ensino fundamental, conforme determina o artigo 211 da Constituição. Cabe à União assegurar um padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios. “O delito de corrupção tem como bem jurídico tutelado a administração pública, especialmente no aspecto da moralidade administrativa, cujo titular é o Estado. O dano, pois, causado à sociedade com a prática dessa espécie delitiva tem também cunho moral.”

A mulher condenada poderá apelar em liberdade, mas o juiz impôs a ela multa de R$ 25 mil a título de reparação dos danos morais causados à coletividade – valor atualizado desde a época dos fatos a ser depositado em favor do Ministério da Educação.

Ali Mazloum impõe que o valor da multa deverá ser investido exclusivamente no programa de melhoria do padrão mínimo de qualidade do ensino fundamental.

Papa pede à Igreja que reconsidere sua postura em relação a homossexuais e divorciados

Do Correio Braziliense

O papa Francisco pediu à Igreja católica para reconsiderar sua postura com os filhos de casais homossexuais e de pais divorciados, alertando sobre uma atitude que pode se reverter em algo equivalente a “inocular uma vacina contra a fé”.

“Do ponto de vista educacional, os casamentos homossexuais nos lançam desafios que às vezes compreendemos mal”, disse o papa em um discurso à União Internacional de Superiores Gerais, no dia 29 de novembro, cujos trechos foram divulgados na internet, pela imprensa italiana, apenas no sábado.

“A quantidade de crianças escolarizadas cujos pais estão separados é muito alta”, disse, acrescentando que, a estrutura familiar está mudando na atualidade.

“Lembro do caso de uma menina que, com tristeza confessou a sua professora: ‘a namorada da minha mãe não gosta de mim'”, disse o papa, segundo os meios de comunicação.

VACINA CONTRA A FÉ

O papa considerou que os educadores deviam se perguntar como ensinar o Cristo a uma geração em transformação?. “Temos que cuidar para não lhes administrar uma vacina contra a fé”, alertou.

Apesar de a Igreja estar frequentemente em conflito com lésbicas, gays, bissexuais e a comunidade transgênero em relação ao casamento homossexual, as tentativas de abertura do papa argentino foi apreciado.

Em julho teve um gesto com os gays ao declarar: “Se alguém é gay e busca o Senhor com sinceridade, quem sou eu para julgá-lo?”.

Em dezembro, a revista norte-americana The Advocate, consagrada à homossexualidade, destacou o chefe da Igreja católica como “a personalidade mais influente em 2013 na vida dos LGBT (lésbicas, gays, bi e transexuais)”.

O papa convocou uma assembleia geral dos bispos, no próximo ano, para discutir a posição da Igreja em relação à família, na qual deverá ser debatido, entre outros problemas, o dos divorciados que voltaram a casar e dos filhos de pais separados.

A violência das favelas, na visão da Paulo César Pinheiro

O cantor, compositor e poeta carioca Paulo César Francisco Pinheiro é considerado um dos maiores poetas da canção popular do Brasil, cuja obra ultrapassa 2 mil músicas compostas.
A letra de “Nomes de Favelas” denuncia as mudanças e a violência existentes nas favelas cariocas. Este samba foi gravado por Paulo César Pinheiro no CD O Lamento do Samba, 2003, pela Quelé.
NOMES DE FAVELAS
Paulo César Pinheiro
O galo já não canta mais no Cantagalo
A água não corre mais na Cachoeirinha
Menino não pega mais manga na Mangueira
E agora que cidade grande é a Rocinha!

Ninguém faz mais jura de amor no Juramento
Ninguém vai-se embora do Morro do Adeus
Prazer se acabou lá no Morro dos Prazeres
E a vida é um inferno na Cidade de Deus

Não sou do tempo das armas
Por isso ainda prefiro
Ouvir um verso de samba
Do que escutar som de tiro

Pela poesia dos nomes de favela
A vida por lá já foi mais bela
Já foi bem melhor de se morar
Hoje essa mesma poesia pede ajuda
Ou lá na favela a vida muda
Ou todos os nomes vão mudar

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Crise no Maranhão revela a incapacidade do país para lidar com a questão carcerária, diz especialista

Thais Araujo
Agência Brasil

Brasília – A crise prisional no Maranhão é emblemática e evidencia a incapacidade do Estado brasileiro, em todas as suas instâncias e Poderes, para lidar com a questão carcerária, avalia o sociólogo Renato Sérgio Lima, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Para ele, é fundamental e urgente haver uma reformulação da política de segurança pública no país, com efetiva articulação entre a União e os estados, a garantia de condições mínimas de sobrevivência para os presos enquanto cumprem a pena privativa de liberdade e a implementação de punições alternativas às prisões.

No maior complexo penitenciário maranhense, o de Pedrinhas, em São Luís, foram registradas duas mortes somente este ano, além da fuga de um detento. No ano passado, 60 pessoas morreram no interior do presídio, incluindo três decapitações, segundo relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O documento aponta uma série de irregularidades e violações de direitos humanos no local, como superlotação de celas, forte atuação de facções criminosas cuja marca é a “extrema violência” e abuso sexual praticado contra companheiras dos presos sem posto de comando nos pavilhões. Atualmente, 2.196 detentos estão presos no complexo penitenciário, que tem capacidade para 1.770 pessoas.

“O que vemos hoje, a exemplo de Pedrinhas, é que vários presos estão amontoados em uma mesma cela, sem qualquer critério de agrupamento. Além disso, os guardas não têm acesso às galerias dominadas pelos próprios presos. É uma lógica muito contraproducente, porque a atuação do Estado se iguala à dos bandidos e as prisões funcionam mais como escolas do crime do que qualquer outra coisa, permitindo que essas mesmas pessoas, que hoje estão presas, retornem à sociedade e provoquem mais medo e insegurança”, enfatizou Renato Lima.

Por US$ 1,3 milhão, governo da Índia compra cartas de Gandhi ao suposto amante

AE – Agência Estado

No ano passado, a publicação de um livro deu início a uma polêmica incomum sobre se Gandhi teve um amante gay, e o governo da Índia acaba de comprar por US$ 1,28 milhão um arquivo de correspondências trocadas entre Mahatma Gandhi e seu amigo Hermann Kallenbach.

A biografia “Mahatma Gandhi e Sua Luta Com a Índia” escrito por Joseph Lelyveld, que vencedor do prêmio Pulitzer, inclui passagens que alguns leitores interpretaram como sugestões de que Gandhi e Kallenbach, um arquiteto judeu alemão, eram mais do que grandes amigos.

O foco na sexualidade de Gandhi irritou muitos indianos, dentre eles políticos e parentes do líder político. Para muitos, a sugestão de que o pai da pátria possa ter sido homossexual, algo que Lelyveld nega, equivale a uma blasfêmia. No Estado natal de Ganhi, Gujarat, o livro foi proibido.

Com a compra dos documentos pelo governo indiano, a amizade de Gandhi e Kallenbach é novamente o centro das atenções. O anúncio da compra foi feito terça-feira governo indiano. Inicialmente, o material seria leiloado na Sotheby”s, em Londres.

ALTA PRIORIDADE

O ministro da Cultura da Índia disse que a decisão foi tomada depois de especialistas que avaliaram o material, composto principalmente por cartas trocadas entre os dois, recomendou que ele fosse adquirido “como questão de alta prioridade”.

O arquivo inclui cerca de 1.000 cartas, documentos e telegramas trocados entre os dois entre 1905 e 1945, assim como vários presentes que Gandhi deu a Kallenbach ao longo dos anos. O material, cuja maior parte não foi publicada, pertencia originalmente a Kallenbach, que se tornou amigo próximo de Gandhi durante o período em que os dois moraram na África do Sul. O arquivo foi colocado à venda pela sobrinha-neta de Kallenbach.

Embora o significado histórico desses documentos vá além do relacionamento pessoal de Gandhi com Kallenbach – talvez mostrando a evolução da filosofia de Gandhi – a questão sexual deve ser a que interessa grande parte das pessoas.

GRANDE AMIZADE

Em nota divulgada à imprensa, Gabriel Heaton, chefe da divisão da manuscritos da Sotheby”s, descreveu o arquivo como “um testamento do significado de Kallenbach na vida de Gandhi como um importante membro de seu círculo interno e é ricamente informativo sobre a importância da amizade entre os dois homens, o que o torna uma fonte biográfica sobre Gandhi”.

Sanjiv Mittal, graduado funcionário do Ministério da Cultura indiano, disse que a compra do material não tem nada a ver com a controvérsia sobre a sexualidade de Ganhi, lembrando que o Arquivo Nacional estava ansioso para completar sua atual documentação sobre Gandhi e Kallenbach. “Nós já temos parte da coleção”, declarou Mittal. “A ideia é preencher esta lacuna.” (As informações são da agência Dow Jones)

Chefes das quadrilhas mostram quem manda no Maranhão

Ônibus incendiado na Avenida Ferreira Gullar (Foto: De Jesus/O Estado)

Mieko Wada
(Do G1 MA)

Na noite de sexta-feira (3), três ônibus foram incendiados, um sofreu princípio de incêndio e uma delegacia foi alvo de tiros em São Luís. Ataques ocorreram após operação da Tropa de Choque no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão.
É grave o estado da menina de 6 anos, uma das vítimas do ataque ao ônibus na Vila Sarney Filho, em São Luís. Ela teve 90% do corpo queimado, de acordo com informações do Hospital Municipal Clementino Moura, o Socorrão II, onde está internada na UTI, em estado gravíssimo.

Além dela, a mãe e uma irmã de um ano e quatro meses também sofreram queimaduras pelo corpo, mas não correm risco de morte. “Ela pediu para eles não fazerem nada com as crianças, porque elas não tinham feito nada. Na hora, eles nem ligaram, não tiveram sentimento e tocaram fogo na menina, que está em estado muito grave no hospital”, disse um dos parentes, que pediu para não ser identificado.

“O que vamos definir é celeridade na prisão de quem executou os ataques. A ordem partiu do presídio, mas quem executou está solto e nós vamos localizar. Desde ontem já intensificamos a presença da Polícia Militar nas ruas da cidade. As ações criminosas são uma resposta ao trabalho de moralização dos presídios, pois os detentos estão sentindo o espaço deles diminuído dentro das unidades prisionais. O Estado não vai retroceder nenhum segundo nas medidas”, afirmou Aluísio Mendes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDepois de 50 anos de reinado da família Sarney, o Maranhão está dominado pelo crime. No presídio, os detentos que não obedecem às quadrilhas são mortos e decapitados. O governo de Roseana Sarney colocou a PM no presídio e nada adiantou, as execuções prosseguem. Além disso, as mulheres que visitam os maridos presos são estupradas impunemente. Agora, os chefões mandam incendiar os ônibus. Que país é esse? (C.N.)

Privacidade da presidente Dilma é invadida por fotógrafo da Folha

A presidente Dilma toma banho de mar na praia de Viração, em Salvador, onde foi escoltada pela Marinha; <b>veja imagens</b>

Carlos Newton

O fotógrafo Danilo Verpa, da Folha, deu uma de “paparazzi” europeu e conseguiu fotografar a presidente Dilma Rousseff tomando banho de mar na base de Aratu, na Bahia, invadindo a privacidade da chefe do governo brasileiro. Mas como a foto foi feita de longe, com teleobjetiva, a gente fica sem saber se realmente é a presidente ou alguma outra banhista. E você, o que acha?