Entre o errado e o certo, o Brasil, em geral, escolhe a primeira opção

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Ronaldo Conde
Blog Penedo

Tudo parece estar errado no Brasil. Hoje, todos os brasileiros sabem dessa singela e cruel verdade. Muitos a aprenderam na própria carne; outros, em exemplos narrados por conhecidos e amigos; a maioria, contudo, percebeu que o Brasil é não só um país tangido por erros e equívocos – como respira e vive dos seus erros e equívocos, e agora também de patranhas e desonestidades diversas, entre as quais a desonestidade intelectual.

Uma mulher, mãe de uma criança de três anos, matou o sujeito que estuprou sua filha. Foi condenada a 30 anos – vi a notícia, mas não li uma declaração pública das organizações e astros que se apresentam como defensores dos direitos humanos, dos direitos das crianças e dos direitos à vida. Certo, nós sabemos – embora poucos tenham coragem de verbalizar – que tais organizações, astros e estrelas e deputados são oportunistas, que agem e falam quando a ação e o discurso podem atender os seus interesses.

CASO DE INTERNAÇÃO – Outro dia, a deputada Benedita da Silva brindou a todos nós com uma frase em que juntou três elementos, que nem sempre andam juntos: ação política, a Bíblia (que ela disse ser a “minha Bíblia”) e – pasmem! – “derramamento de sangue” (que ela afirmou ser instrumento da ação política). Se fosse o Bolsonaro que dissesse tal estupidez, certamente o senadorzinho Randolfe Rodrigues e os deputados Molon, Valente e Maria do Rosário, entrariam com requerimento a clamar a cassação do deputado por falta de “decoro parlamentar” e “incitação à violência”.

Bem, eu, de minha parte, entraria com um pedido de exame psicológico, pois a frase da Benedita da Silva é prova inequívoca de que ela sofre de grave crise ou estado de loucura.

SEMIABERTO – Agora, tomamos conhecimento de que o médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos de prisão por abusar sexualmente de pacientes em sua clínica de reprodução humana, e Anna Carolina Jatobá Nardoni, condenada a 26 anos e oito meses de prisão por ter jogado a menina Isabella, com apenas cinco anos de idade, do 6º andar do apartamento onde passava os fins de semana com a madrasta e o pai, Alexandre Nardoni, também condenado a 31 anos e um mês de reclusão, estão em vias de obter progressão ao regime semiaberto. Há quem defenda a inocência dos três, mas não é esta a discussão. O que se discute é a facilitação de transformar cadeia fechada em uso de tornozeleira no bem-bom de suas casas. Não esquecer, também, das facilitações obtidas pelas esposas de Sérgio Cabral e do marqueteiro do PT, que confessaram os crimes de que são acusados.

IRMÃOS BATISTA – Outro absurdo ocorreu recentemente: a ampla delação (premiada) dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Ora, é certo que o Procurador-Geral Janot tem a prerrogativa de negociar e fechar os termos da delação. Mas os prêmios obtidos pelos Batistas foi um maná, embora os “cujos” tenham feito uma delação infame, que, levada em conta, dariam a eles uma pena entre 250 e 1200 anos de reclusão. Afinal, os sujeitos confessaram cerca de 300 crimes, um dos quais envolvendo o presidente da República e a sinistra informação de que corrompeu mais de mil e oitocentas pessoas.

Os Batistas chegaram a afirmar que os 500 mil pilhados numa mala eram parte de um contrato de 20 anos (vinte anos!) de pagamento semanal ao presidente Temer. Bolas! – como diria o meu avô, uma “semanada” de 500 mil chegaria, no final, a uma soma inacreditável de 520 bilhões! Bolas! – 520 bilhões (quando o que resta de mandato ao Temer, a partir de hoje, é de apenas, um ano e três meses). É uma acusação falsa, instrumentalizada e mentirosa, como foi a gravação do papo entre Joesley e Temer. Acusação e gravação que o Globonews, mediante um jornalismo delinquente, que não visa a informar corretamente, mas atender interesses golpistas evidentes.

ANIMAL DE CARGA – O Brasil é um país temerário, desigual, onde o povo é tratado como animal de carga – e parte da intelectualidade, do jornalismo, dos políticos se sente reconfortado exercendo papéis de canalhas e de covardes.

Em tempo: semana passada, intelectuais e jornalistas investiram contra o prefeito Crivella, do Rio de Janeiro, vetou um aumento de 50% das verbas das escolas de samba concedido pelo prefeito Eduardo Paes nos estertores da sua administração. Eu faria o mesmo – já que o prefeito preferiu usar os recursos em creches de alunos pobres. Muitos artistas também protestaram, mas isso era esperado: fazem parte daquela firmação de “destaques”, que, a cada ano, faturam ao dar relevo “à lídima manifestação da cultura carioca”. Certo, mas façam isso de graça!

(artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

Temer recorreu ao seu marqueteiro para se defender e desmoralizar Janot

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Mouco há 15 anos é o marqueteiro de Temer

Andréia Sadi
G1

O presidente Michel Temer convocou na noite desta segunda-feira (dia 26), ao Palácio do Planalto, o marqueteiro Elsinho Mouco para discutir estratégias de enfrentamento a Rodrigo Janot, após a apresentação da denúncia do procurador-geral da República contra o chefe do Executivo federal. Procurado pelo Blog, o marqueteiro confirmou o encontro e disse que a linha do discurso do Planalto será a de “cobrar provas” de Janot. Além disso, o presidente questionará detalhes da denúncia. Mouco chamou a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) de “peça de ficção”.

“Vamos para o enfrentamento. O presidente avalia se vai falar em entrevista, como será. Mas o tom está definido: vamos perguntar sobre as provas, vamos questionar Janot”, disse Mouco nesta terça-feira (dia 27).

NOVO PROCURADOR – Aliados defendem nos bastidores que Temer antecipe a escolha do sucessor de Rodrigo Janot na Procuradoria Geral da República. Acreditam que a operação pode “esvaziar” a atuação de Janot.

Nesta quarta-feira, os procuradores da República vão eleger os três candidatos mais votados para a sucessão na chefia do Ministério Público.

A lista será encaminhada à Presidência. Temer avalia ignorar a tradição (não é obrigatório) de indicar o primeiro colocado da lista, como foi feito nos governos passados.

REUNIÃO DE EMERGÊNCIA – Também passaram pelo Planalto nesta segunda-feira os ministros Moreira Franco (Secretaria Geral), Eliseu Padilha (Casa Civil), Torquato Jardim (Justiça) e Grace Mendonça (AGU).

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chegou a Brasília no início da noite e foi jantar com deputados na residência oficial da Câmara. Passaram por lá o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB), e os líderes do governo no Congresso.

Desta vez, Maia não passou no Planalto, como ocorreu em 17 de maio, dia em que veio à tona o conteúdo da delação da JBS.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Planalto está inteiramente perdido com a denúncia de Janot. Quando o indiciado tem de recorrer a um marqueteiro, é sinal de que a defesa não tem argumentos. Agora, falta chamar um pai de santo e um vidente, para ajudar ao marqueteiro, porque ele não conseguirá dar conta do recado se atuar sozinho. (C.N.)

Em discurso no Senado, Renan diz que Temer ‘faz de conta’ que governa o país

 

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Renan citou a “influência” de Eduardo Cunha

Talita Fernandes
Folha

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta terça-feira (27) que o presidente Michel Temer está “fazendo de conta” que governa o país. “Governando para onde?”, disse. O peemedebista disse ainda que é preciso ter “muita humildade” para receber a proposta feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que sugeriu que Temer encurte seu mandato. A opinião de FHC foi publicada na segunda-feira (dia 27) em artigo que escreveu para a Folha.

Renan defendeu ainda que Temer deixe de adiar uma decisão sobre o futuro do governo. “Demorar mais um mês, dois meses, um ano a frente do governo não vai mudar nada. É uma resistência para o nada”, disse em discurso feito em plenário.

LUGAR NENHUM – O líder do PMDB disse ainda que Temer errou ao “achar que poderia governar o Brasil influenciado por um presidiário de Curitiba”, disse em referência ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato. “Isso não ia chegar a lugar nenhum”.

Renan chegou a bater boca com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), ao criticar a reforma trabalhista. “Temer não tem mais a confiança da sociedade para fazer uma reforma como essa na calada da noite”, disse, ameaçando trocar os integrantes do PMDB na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que votará nesta quarta-feira (28) o texto da reforma trabalhista.

A fala irritou Jucá, que respondeu a Renan dizendo que se ele fizesse alterações, o PMDB também faria, já que, segundo ele, 17 dos 22 senadores do partido concordam com o projeto em discussão.

Talita Fernandes
Folha

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta terça-feira (27) que o presidente Michel Temer está “fazendo de conta” que governa o país. “Governando para onde?”, disse. O peemedebista disse ainda que é preciso ter “muita humildade” para receber a proposta feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que sugeriu que Temer encurte seu mandato. A opinião de FHC foi publicada na segunda-feira (dia 27) em artigo que escreveu para a Folha.

Renan defendeu ainda que Temer deixe de adiar uma decisão sobre o futuro do governo. “Demorar mais um mês, dois meses, um ano a frente do governo não vai mudar nada. É uma resistência para o nada”, disse em discurso feito em plenário.

LUGAR NENHUM – O líder do PMDB disse ainda que Temer errou ao “achar que poderia governar o Brasil influenciado por um presidiário de Curitiba”, disse em referência ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato. “Isso não ia chegar a lugar nenhum”.

Renan chegou a bater boca com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), ao criticar a reforma trabalhista. “Temer não tem mais a confiança da sociedade para fazer uma reforma como essa na calada da noite”, disse, ameaçando trocar os integrantes do PMDB na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que votará nesta quarta-feira (28) o texto da reforma trabalhista.

A fala irritou Jucá, que respondeu a Renan dizendo que se ele fizesse alterações, o PMDB também faria, já que, segundo ele, 17 dos 22 senadores do partido concordam com o projeto em discussão.

“Sempre pela garagem, viu?”, recomendou Temer a Joesley, na gravação

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Gravação deixa Michel Temer em péssima situação

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Um dos trechos da conversa entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o empresário Joesley Batista, da JBS, na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu, recuperados pela Polícia Federal, revelou uma recomendação do peemedebista ao executivo: “Sempre pela garagem, viu?”. A frase consta da perícia da PF, após o pente-fino sobre o arquivo em pendrive entregue como parte da delação de Joesley.

Naquela noite, Joesley e Temer se reuniram por cerca de 40 minutos. Na metade do encontro, o executivo diz ao presidente. “Eu, eu, prefiro combinar assim, ó: se for alguma coisa que eu precisar, tal, então eu falo com Rodrigo, se for algum assunto desse tipo aí…”

LOURES – O ‘Rodrigo’ a quem Joesley se referia era o ex-assessor especial do presidente e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMRB-PR). Temer e seu aliado foram denunciados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por corrupção passiva.

A conversa segue.

Temer responde. “AÍi você (ininteligivel).”

“É…”, diz Joesley.

Temer: “Pela garagem.”

Joesley: “{Pela} garagem.”

Temer: “(Ininteligível) sempre pela garagem, viu?”

Joesley: “Funcionou super bem, à noite …”

Temer: “É.”

Joesley: “… onze hora da noite, meia-noite, dé … dez e meia, vem aqui.”

Temer: “(Ininteligível). Não tem imprensa.”

Joesley: “A gente conversa uns dez minutinho, uma meia horinha, vou embora.”

PERÍCIA CONFIRMA – Em laudo de 123 páginas, os peritos criminais do Instituto Nacional de Criminalística (INC) concluíram que “não foram encontrados elementos indicativos” de que a gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer “tenha sido adulterada em relação ao áudio original, sendo a mesma consistente com a maneira em que se alega ter sido produzida”.

O áudio foi utilizado entre as provas referidas pela PF para afirmar, no relatório final entregue ao Supremo nesta segunda-feira, 26, que houve o cometimento do crime de obstrução à investigação de organização criminosa por parte de Temer, do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do empresário e delator do grupo J&F Joesley Batista.

DEFESA REAGE – Nesta segunda-feira, 26, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira reagiu com veemência às conclusões da Polícia Federal que, em relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF), atribui ao presidente Michel Temer crime de obstrução de investigações sobre organização criminosa.

“O valor jurídico do relatório é nenhum”, declarou Mariz.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica claro que Temer só pretendia se encontrar com o empresário na calada da noite, “sem a imprensa”. Realmente, é vergonhoso. (C.N.)

Com medo do superpanelaço, Temer só se defende pelas redes sociais

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Temer diz que é vítima de “uma infâmia” política

Fernanda Calgaro
G1, Brasília

O presidente Michel Temer afirmou na tarde desta terça-feira (dia 27) que não há provas concretas na denúncia por corrupção passiva contra ele apresentada ao STF pela Procuradoria Geral da República. Segundo ele, a peça acusatória é uma “ficção”. Foi a primeira fala de Temer desde que a denúncia foi apresentada, na noite desta segunda. Ele fez o pronunciamento no Salão Leste do Palácio do Planalto.

O presidente chegou ao local acompanhado de diversos ministros e parlamentares da base aliada, que se postaram de pé ao lado do presidente em sinal de apoio.

PRINCIPAIS PONTOS – Veja os principais argumentos utilizados pelo presidente no pronunciamento:  1) Disse que é vítima de infâmia.  2) Cobrou provas concretas. 3) Afirmou que a denúncia é “frágil” e peça de “ficção”. 4) Atacou a PGR e disse que ex-procurador se tornou advogado da JBS. 5) Disse que os acusadores reinventaram o Código Penal e criaram “denúncia por ilação”. 6) Afirmou que o “senhor grampeador” Joesley Batista é criminoso. 7) Disse que gravação de conversa com Joesley é “prova ilícita”. 8) Criticou o fatiamento da denúncia e disse que PGR quer “paralisar o país”. 9) ‘Somos vítimas de uma infâmia de natureza política’, disse.

ATAQUES A JANOT – O presidente dedicou parte do pronunciamento a atacar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele disse que, se quisesse usar o método da “ilação”, poderia levantar suspeitas sobre o ex-vice-procurador, Marcelo Miller, que, segundo afirmou, é ligado a Janot.

Marcelo Miller integrou a força-tarefa da Operação Lava Jato até pouco antes de o empresário Joesley Batista e outros executivos da holding controladora do frigorífico JBS fecharem acordo de delação premiada. Ele deixou a PGR em março e foi trabalhar no escritório de advocacia contratado pela JBS para fechar o acordo de delação premiada.

“Esse procurador da República, Marcelo Miller, homem da mais estrita confiança do procurador-geral. Pois bem. Eu, que sou da área jurídica, o sonho da carreira era prestar concurso pra ser procurador. Esse senhor que falei deixa o emprego, que é o sonho de milhares de jovens, acadêmicos, abandona o Ministerio Público para trabalhar em uma empresa que faz delação premiada para o procurador”, disse Temer.

GANHOU MILHÕES – Temer disse que Miller não cumpriu quarentena (período que um servidor tem de aguardar após deixar o serviço público e antes de ingressar no setor privado). “O cidadão saiu e já foi trabalhar para essa empresa, e ganhou na verdade milhões em poucos meses”, afirmou.

Para Temer, Marcelo Miller “garantiu ao novo patrão um acordo benevolente, uma delação que tira seu patrão das garras da Justiça, o que gera uma impunidade nunca antes vista”, declarou. “E tudo ratificado, assegurado pelo procurador-geral”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O texto foi redigido a muitas mãos, com supervisão do marqueteiro Elisinho Mouco, que desde setembro presta serviços ao Planalto e agora trabalha em dedicação exclusiva. A parte em que Temer ataca o ex-procurador pode dar processo de perdas e danos, porque Marcelo Miller não participou da delação da JBS. Ele pediu exoneração do Ministério Público em março e atualmente é advogado no escritório Trench, Rossi e Watanabe, um dos maiores do país, que atua na negociação de leniência da JBS. Temer, que reclama de estar sendo acusado sem provas, também não tem nenhuma prova contra Marcelo Miller. (C.N.)

 

 

Vaccari é absolvido porque as únicas provas contra ele eram as delações

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Vaccari tem de se livrar de outras quatro condenações

Por G1 RS

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), com sede em Porto Alegre, absolveu em segunda instância nesta terça-feira (27) o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto por 2 votos a 1. Em primeira instância, o juiz Sérgio Moro, de Curitiba, havia definido pela de 15 anos e 4 meses de reclusão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“O relator elevou a pena para 18 anos, mas os outros dois desembargadores o absolveram, acolhendo a nossa tese de que não pode haver condenação exclusivamente com base nas delações”, destacou ao G1 o advogado de Vaccari, Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso.

OUTRAS CONDENAÇÕES – O TRF4 ainda não informou se Vaccari deverá ser solto. Ele cumpre pena no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O advogado diz que ainda não há como saber se ele ganhará liberdade, pois existem outras condenações.

“Em todos os processos, as condenações se baseiam exclusivamente em palavras de delatores. Não há nenhuma única prova a corroborar o que os delatores falaram em processos. De modo que essa decisão estimula, dá uma diretriz de que a lei vai ser cumprida”, completa D’Urso.

Conforme o advogado, restam ainda quatro condenações, sendo que duas delas falam sobre prisão, “mas não houve nessas duas a decretação de nova prisão preventiva, e sim de extensão da prisão decretada no primeiro processo”, acrescenta. A partir disso, a defesa de Vaccari diz que entrará com recurso na Justiça Federal em Curitiba para pedir a liberdade. “Saindo essa absolvição, as demais, por conseguinte, vamos sustentar que devem ter também.”

CONDENAÇÕES MANTIDAS – O tribunal manteve as condenações dos outros quatro réus que apelaram contra as penas em primeira instância. Portanto, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque segue com 20 anos 8 meses de reclusão, e Adir Assad, Dario Teixeira Alves Júnior e Sônia Mariza Branco com 9 anos e 10 meses de reclusão.

Todos eles respondem por lavagem de dinheiro e organização criminosa. A sentença de Moro saiu em 21 de setembro de 2015.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Vaccari sempre alegou que não havia provas contra ele, porque tudo o que fazia era obedecer as ordens dos dirigentes do partido. Mas a absolvição não era esperada, devido à contundência dos depoimentos contra ele, apelidado de “Mocha”, porque carregava sempre uma mochila. Mas em um dos casos há provas, porque ele foi filmado recebendo a propina da empreiteira UTC. (C.N.)

Denúncia contra Temer será analisada na Câmara por critérios jurídicos

Pacheco, do PMDB, não aceita pressões do Planalto

Deu em O Globo

O Palácio do Planalto está preocupado com a postura independente do presidente da Comissão de Constituição e Justição (CCJ), deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG). Ele disse ao Globo que não vai sofrer interferência do governo para escolher o relator da denúncia contra o presidente Michel Temer, acusado de corrupção passiva pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Na CCJ, o Planalto gostaria de um relator do próprio PMDB. Um nome de confiança é o do deputado Jones Martins (PMDB-RS), que entrou como suplente no lugar do atual ministro Osmar Terra. O deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) já disse que não quer.

Como senhor vai atuar na condução da CCJ neste caso do presidente?
Vamos atuar com independência, com critério técnico e seguindo o regimento. Um relator que tenha independência para tratar do assunto e conhecimento jurídico. Não haverá interferência do governo. Esse é um fato.

Integrantes da cúpula do PMDB defendem que seja um nome do partido.
Poder ser do PMDB, mas pode não ser. O PMDB tem quadros na Comissão de Constituição e Justiça que preenchem esses requisitos. Não vou nominar precocemente. Agora vou ter a denúncia e devo escolher o relator ainda nesta semana.

Se houver mais de uma denúncia, poderá haver uma junção com a primeira?
Em princípio, terão que ser discussões separadas para cada uma, se houver mais de uma denúncia. Mas pode, sim, ser um único relator. Vai depender do teor das denúncias, se há conexão entre os fatos.

O senhor está se sentindo pressionado por ser do PMDB?
Não estou me sentindo pressionado e não fui procurado por parte do governo.

No almoço da Tribuna da Internet, debatemos ideias para aprimorar o blog

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Antonio Rocha, Darcy Leite, Carlos Newton, Pedro do Coutto, Jussara Martins, Antonio Fallavena, Lucas Alvares, Paulo Peres, Cristina Peres e Jorge Mello.

Antonio Carlos Fallavena 

Foi uma longa espera. Mas, depois de algumas ameaças, no último dia 22 de junho reuniram-se integrantes da nossa TI – Tribuna da Internet, pela primeira vez. Na oportunidade, os tribunários deram início a uma nova etapa de trabalho, através de encontros periódicos. Durante quase três horas, na primeira reunião-almoço, os tribunários Carlos Newton, Jussara Martins, Lucas Alvares, Pedro do Coutto, Antonio Rocha, Darcy Leite, Jorge Mello, Paulo e Cristina Peres e Antonio Fallavena trocaram abraços, histórias, brindes e ideias.

O encontro, que registra um momento histórico e feliz, foi registrado em algumas fotos que agora publicamos como parte do acervo da nossa TI.

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Newton e Fallavena, ao abrir os trabalhos

AGRADECIMENTO – Sou um sujeito que prezo muito as amizades, os colegas de trabalho e os familiares. A recepção que tive do nosso líder Newton, da chegada ao aeroporto ao seu lar/escritório; o “coffee break” na companhia do casal Carlos/Jussara e um bate-papo inicial, fez-me sentir em casa. Depois, conhecer Dona Yolanda Leitão de Azevedo, mãe de Carlos Newton, muito alegre aos 99 anos, com seus cacheados cabelos brancos, carinhosa, sorrindo sempre, lembrou-me queridas tias que um dia pretendo reencontrar.

É bom demais viver minutos assim. Na viagem a São Paulo, fiquei a pensar e a me perguntar: como pode nossa sociedade ter perdido tais valores?

NO FUTURO PRÓXIMO! – Levei algumas ideias ao chefe Carlos Newton, quanto ao futuro da nossa TI (desculpem se repito tanto isto) e a possibilidade/necessidade da ampliação de sua área de atuação e dos novos compromissos que precisamos pensar em assumir. Fiquei de enviar-lhe um roteiro completo, com informações e detalhes. Farei isto com a maior brevidade.

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Rocha, CN, Fallavena, Paulo e Cristina Peres

Demos, apenas, o primeiro de muitos passos. Sinto que devemos e precisamos assumir mais este compromisso. Temos condições para tanto.

Agradeço a todos a oportunidade de conhecê-los, de desfrutar estes momentos e de trocarmos ideias e histórias.

Um fraterno abraço ao casal Carlos Newton e Jussara, com votos de muita saúde e paz, desejos que estendo a todos(as) colegas da nossa Tribuna da Internet. E já estou esperando o próximo encontro.

Rocha Loures tentou marcar encontro entre Temer e Joesley em Nova York

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Loures foi preso ao voltar de Nova York

Deu em O Globo

O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures conversou com o empresário Joesley Batista, dono da JBS, e com Ricardo Saud, lobista da empresa, para planejar um encontro entre o presidente Michel Temer e Joesley em Nova York, que acabou não ocorrendo. As conversas constam na denúncia apresentada nesta segunda-feira pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer e Rocha Loures, pelo crime de corrupção passiva.

No documento, Janot ressalta que a reunião, segundo Joesley “tinha a finalidade de continuar dando sequência às tratativas ilícitas”.

NUMA CAFETERIA – Em conversa com Saud, que estava sendo gravada pelo lobista, Rocha Loures explica que iria aos Estados Unidos para participar de um evento em homenagem ao prefeito de São Paulo, João Doria, e afirma que o presidente talvez fosse também. O encontro ocorreu no dia 24 de abril, em uma cafeteria em São Paulo.

— Mas aí eu vejo se o Presidente vai ou não vai…Se ele não for, a gente, Joesley tando lá, a gente se encontra. Se ele for, procuramos fazer um encontro de todos lá — afirmou o então deputado federal.

COM JOESLEY – Depois, Rocha Loures também combinou a reunião com o próprio Joesley, por meio do aplicativo Confide, que protege as mensagens. O então deputado afirma que um ajudante de ordens da Presidência poderia ajudar a organizar o encontro.

Rocha Loures: Bom dia. Não irei a São Paulo esta semana. Na próxima estarei em Nova Iorque. Chego sábado dia 13 de mai (sic) Você vai estar por aí? Logo mais informo o telefone do ajudante de ordem do dia.

Joesley Batista: Lógico, com certeza. Dia 15, no meu escritório. Me manda o contato do ajudante de ordem? Qual o nome dele?

Rocha Loures: Capitão Lemos

Joesley Batista: O que você sugere, eu ligo pra ele? Ou você pede o chefe se ele poderia me ligar?

Rocha Loures: “Pode ligar para o AJO. Tranquilo. Ele tem reuniões hoje o dia todo por conta da reforma da Previdência. Estando com ele, vou dizer que você quer falar. Vamos falando por aqui.

Temer acabou não viajando para Nova York na data combinada, mas Rocha Loures foi. Ele ainda estava lá no dia 17 de maio, quando O Globo revelou a existência da delação da JBS.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É da maior importância essa gravação da conversa de Loures com o executivo da JBS, porque demonstra que ele, já na condição de deputado federal, continuava atuando em nome do presidente da República, na defesa dos interesses do grupo empresarial. Loures realmente foi a Nova York e vestiu um smoking para participar da homenagem a Dória e fazer selfies ao lado do prefeito de São Paulo, crente que estava abafando, como se dizia antigamente. (C.N.)

Há menos corrupção nos países que propiciam uma educação de melhor nível

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A corrupção causa revolta aos jovens brasileiros

Celso Toledo
Site da Exame

Uma questão pertinente é saber como caímos neste buraco da corrupção. Os pesquisadores suecos Eric Uslaner e Bo Rothstein, autores de “As Raízes Históricas da Corrupção”, detectaram a existência de uma relação inversamente proporcional entre os níveis históricos de educação no final do Século XIX e a corrupção percebida atualmente em uma amostra de 78 países para os quais há informações.

Os lugares atualmente menos corruptos eram relativamente bem educados em um passado distante, não necessariamente mais ricos.

VÍNCULO REAL – Há várias razões para acreditar no vínculo entre essas variáveis. Primeiro, a educação fortalece os laços sociais entre grupos distintos, consolidando noções de cidadania e de lealdade em relação ao Estado que, por sua vez, são favoráveis à honestidade.

Segundo, a educação tende a criar um ciclo virtuoso de riqueza e igualdade, fatores materiais que costumam inibir a roubalheira. De fato, a elite tem mais dificuldade em adotar políticas socialmente prejudiciais em sociedades mais igualitárias. Além disso, populações mais educadas precisam recorrer menos a estruturas de poder clientelísticas. Terceiro, a educação propicia a criação de um mercado para a imprensa, revigorando seu papel de sentinela. Resumindo, ao prover educação em massa, o estado sinaliza a seus cidadãos que não serve a um grupo específico, estimulando a honestidade.

QUESTÃO AGRÁRIA – A evidência também sugere que os lugares em que a distribuição da propriedade da terra era mais igualitária no passado tendiam a exibir níveis educacionais mais elevados. Estes fatores indicam que colonizações com fins extrativos, caracterizadas por terem menos europeus e distribuição desigual da terra, ajudam a explicar a corrupção hoje porque, nestes lugares, não havia incentivos a prover educação de massa. Mas isso é apenas parte da história.

As trajetórias de nações independentes também corrobora a teoria. Nestes lugares, a influência da religião foi um elemento importante. A educação foi mais estimulada pelos protestantes, cujos missionários pregavam a leitura da Bíblia. Nos países católicos, a igreja temia que a alfabetização pudesse levar ao questionamento de sua autoridade, preferindo investir em educação apenas quando enfrentava concorrência (como no Canadá). Essa cunha explica a diferença no destino de Portugal e Espanha, de um lado, e Escandinávia, de outro.

MELHOR EDUCAÇÃO – A Ética Protestante funcionou como obstáculo à corrupção contemporânea não apenas porque instilou a cultura do trabalho duro, mas porque favoreceu a educação. Um resultado interessante é a importância menor da existência de instituições democráticas lá atrás para entender a corrupção no presente.

No final do Século XIX, as democracias não apresentavam necessariamente os níveis educacionais maiores. A Inglaterra, a democracia mais avançada economicamente na época, introduziu educação de massa com bastante atraso, importando o modelo de nações mais autoritárias para fazer a reforma doméstica.

IDENTIDADE NACIONAL – Nações continentais como Alemanha, Dinamarca e Suécia investiram em educação porque a elite política via a necessidade de construir uma identidade nacional unificada a partir do Estado. O sistema Sueco, por exemplo, estabeleceu que meninos e meninas devessem ser tratados da mesma forma e estudar juntos – foi introduzido em 1842. Na Itália, país relativamente corrupto hoje, metade da população era analfabeta ainda na primeira década do Século XX, especialmente na região do sul – em que a corrupção é significativamente maior do que no norte.

O lado positivo do estudo é que parece haver uma via para recuperar o tempo perdido, mas com lentidão bovina. De fato, a correlação entre corrupção hoje e educação ontem é bem maior do que a relação entre corrupção hoje e educação hoje. Finlândia, Japão e Coreia do Sul são exemplos de países que, por razões distintas, escaparam da armadilha de um passado longínquo com pouca educação.

A roubalheira generalizada que assola o Brasil tem origem que remonta à colonização. A limpeza que parece ganhar corpo com a Lava Jato é apenas o primeiro passo de uma longa jornada. Só seremos um país verdadeiramente honesto quando tivermos discernimento para entender que o desenvolvimento não cai do céu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Não ouviram Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, deixaram de construir escolas, agora têm de construir presídios. (C.N.)

Perícia confirma que Joesley disse “todo mês” ao citar a propina de Cunha

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Ilustração reproduzida do site Nossa Política

Camila Mattoso, Reynaldo Turollo Jr. e Rubens Valente
Folha

O laudo produzido pela perícia da Polícia Federal afirma que o empresário do setor de carnes Joesley Batista usou a expressão “todo mês” em um ponto importante do diálogo travado com o presidente Michel Temer em 7 de março no Palácio do Jaburu, e não “tô no meio”, ao contrário do que afirmou o perito contratado pela defesa do presidente.

Segundo a transcrição do diálogo feita pela PF, Joesley usou a expressão quando falava sobre seu relacionamento com o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Em resposta, Temer indagou: “O Eduardo também, né?”, segundo a transcrição.

PROVA IMPORTANTE – A expressão “todo mês” ligada a Cunha é relevante porque atua em favor de manifestações anteriores da PGR (Procuradoria Geral da República), que procura associar o diálogo a supostos pagamentos mensais feitos por Joesley ao ex-deputado para uma “compra de silêncio” do ex-deputado, a fim de evitar que ele se tornasse delator na Operação Lava Jato – uma das teses centrais da investigação sobre Temer.

Em entrevista coletiva convocada em 22 de maio, o perito contratado pelos advogados de Temer, Ricardo Molina, disse que Joesley havia falado “tô no meio”, e não “todo mês”.

A perícia conseguiu recuperar trechos até então considerados inaudíveis. No ponto em que Joesley e Temer conversavam sobre Loures, o empresário indagou se o então assessor era o novo interlocutor da JBS após a queda do ex-ministro GeddeL Vieira Lima (PMDB-BA). Segundo a perícia, Temer respondeu: “Pode passar por meio dele, viu?”.

OUTRA PROVA – Esse ponto, antes indicado como ininteligível, pode reforçar a acusação de que Loures recebeu recursos que seriam direcionados, segundo a acusação do Ministério Público Federal, para Temer.

O laudo final da perícia, com 123 páginas, mais um apêndice de duas páginas, é assinado pelos peritos do INC (Instituto Nacional de Criminalística) Paulo Max Gil Innocencio Reis e Bruno Gomes de Andrade, designados pelo diretor substituto do INC, Mauro Mendonça Magliano, e foi encaminhada ao STF na última sexta-feira pelo chefe do serviço de perícias em audiovisual e eletrônicos do INC, Getúlio Menezes Bento.

SEM CORTES – Conforme a Folha havia antecipado na última sexta-feira (26), o laudo técnico do INC da PF apontou que as “descontinuidades” do áudio, que segundo o perito da defesa da Temer e um perito contratado pela Folha seriam “edições”, são na verdade um problema causado pelo tipo do aparelho gravador utilizado por Joesley.

As interrupções ocorreram, segundo a perícia, porque o aparelho operava com um sistema de gravação automática, que começava ou parava conforme a “pressão sonora”, ou seja, a voz dos interlocutores. Essa particularidade do gravador levou às pausas e reativações automáticas que poderiam ser confundidas com “edições”.

Segundo a PF, ocorreu um total de 294 “descontinuidades” ao longo de toda a gravação feita no Jaburu. “Constata-se, no entanto, que tais descontinuidades são compatíveis com as decorrentes de interrupção no registro das amostras de áudio por atuação do mecanismo de detecção de pressão sonora do equipamento gravador, conforme corroborado por meio dos ensaios realizados”, diz a perícia. Os peritos fizeram diversas simulações com os dois aparelhos usados por Joesley e chegaram a conclusões semelhantes.

ENCADEAMENTO LÓGICO – Os peritos atestaram ainda sobre a conversa no Jaburu: “Em especial, não foram encontrados elementos indicativos de que a gravação tenha sido adulterada por meio da inserção ou supressão intencional de trechos de falas ocorridas em outro momento ou em ambiente diverso”.

“Os trechos contínuos sucessivos ao longo do áudio questionado apresentam aparente encadeamento lógico de ideias e assuntos, e remetem a um dialogo travado entre dois interlocutores, com início, meio e fim”, dizem os peritos.

Conforme a perícia, as “descontinuidades” tiveram, em média, a duração de 1,3 segundo cada uma. Isso explicaria a diferença entre o total da gravação e um programa da rádio CBN transmitido na noite do dia 7 cuja emissão inicia e encerra a gravação feita por Joesley. O programa foi captado pelo rádio do carro do empresário.

DIFERENÇA DE TEMPO – Ao comparar o tempo da gravação com o da emissão da rádio, a emissora apontou a ausência de cerca de seis minutos na gravação de Joesley.

Segundo os peritos, “a existência de uma diferença temporal como esta é esperada quando da gravação de arquivos de áudio com mecanismo de ativação por detecção de nível de pressão sonora”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A inexistência de cortes na gravação e a recuperação de importantes trechos robustecem a denúncia da Procuradoria-Geral da República. Como reconheceu o principal advogado de Temer, Mariz de Oliveira, agora a defesa ficou mais difícil. (C.N.)

Nota oficial do PT prega “confronto aberto” nas ruas se Lula for condenado

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Quaquá vive incitando o radicalismo do PT

Catia Seabra
Folha

Dentro da estratégia de blindagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT do Rio, Washington Quaquá, divulgou nesta segunda-feira (dia 26), uma nota em que prega “confronto popular aberto nas ruas” caso o petista seja condenado pelo juiz Sergio Moro. “Queremos, a partir do Rio de Janeiro, dizer em alto e bom som: condenar Lula sem provas é acabar de vez com a democracia! Se fizerem isso, se preparem! Não haverá mais respeito a nenhuma instituição e esse será o caminho para o confronto popular aberto nas ruas do Rio e do Brasil!”, afirmou Quaquá.

“Nós queremos repactuar o Brasil em torno da democracia e dos direitos e reformas que melhorem, de fato, a vida do povo, com emprego, desenvolvimento econômico e soberania nacional. Mas quem dirá se será pacto democrático ou luta aberta será a burguesia que deu o golpe!”.

SEM DEMOCRACIA – No texto, o presidente estadual do PT diz ainda que a possibilidade de Lula concorrer é a última trincheira dentro das normas democráticas. E, “caso ultrapassada, não haverá mais compromisso democrático no Brasil”, a exemplo do que já aconteceu com o golpe militar de 1964.

“Vamos nos preparar pra luta da forma como ela vier. O judiciário brasileiro precisa dizer se vai aprofundar o golpe ou vai ajudar a restituir a democracia roubada. A garantia de eleições e do direito do Lula concorrer às eleições limpas (já que está mais do que evidente que não há crime por ele cometido e nenhuma prova produzida, depois de anos de investigação e de pressões e benefícios absurdos concedidos para quem se dispusesse a delatá-lo) é a última trincheira, que caso ultrapassada, não restará mais nenhum compromisso democrático no Brasil”, completa a nota.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A radicalização já era esperada, desde que Lula anunciou que iria convocar o “exército do Stédile. Recentemente, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) defendeu “derramamento de sangue” em defesa de Lula, citando a Bíblia dela. E agora o ex-prefeito de Maricá, Washington  Quaquá, defende o “confronto aberto nas ruas”a luta armada, em nota oficial do PT, ameaçando a normalidade democrática do país. É um irresponsável. (C.N.)

Piada do Ano: Temer se defende acusando Janot de tentar destruir a classe política

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Gustavo Uribe, Marina Dias e Bruno Boghossian
Folha

Na tentativa de barrar a denúncia contra ele, o presidente Michel Temer partirá para o enfrentamento direto com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusando-o de tentar condená-lo sem provas. Em reunião na noite de segunda-feira (26), no Palácio do Planalto, o peemedebista traçou com ministros e parlamentares estratégia de reação tanto política como jurídica contra a denúncia que pode afastá-lo do cargo.

O discurso que foi estruturado e será reproduzido em defesa do presidente é de que o procurador-geral atua contra a classe política em geral e que faz conclusões que não se sustentam pelos fatos.

MALA DE DINHEIRO – O principal ponto da denúncia que será contestado é a associação direta do peemedebista com a mala de R$ 500 mil recebida da JBS pelo ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures, um dos maiores aliados do presidente.

O argumento central é que o dinheiro ficou com o ex-auxiliar presidencial e que, portanto, não é possível provar que o presidente seria o beneficiário do montante.

Com o desmembramento da denúncia e apresentação a conta-gotas, o Palácio do Planalto acusará o procurador-geral de atuar de maneira parcial, com o único objetivo de desgastar a imagem do presidente e prolongar a crise política, afetando a recuperação econômica do país.

MOTIVAÇÕES PESSOAIS – Nas palavras de um assessor presidencial, o discurso será de que, por motivações pessoais, o procurador-geral prejudica o país e atua em uma cruzada política contra o peemedebista.

A conclusão em reunião no gabinete presidencial foi de que, apesar de o conteúdo da denúncia ter sido dentro do esperado, ela deprecia a imagem do presidente. Para o Palácio do Planalto, agora, é preciso avaliar o impacto dela junto à opinião pública e como ela será assimilada pela população em geral.

Para evitar que haja contaminação política com o tema, o presidente ordenou que a resposta para a denúncia seja feita exclusivamente pela sua equipe de advogados. Ele acredita que, caso consiga barrar as denúncias no Congresso Nacional, terá condições de sobreviver à atual crise política.

SEM PLANO B – O tom beligerante contra a PGR (Procuradoria-geral da República) já foi adotado pelo presidente na manhã desta segunda-feira (26). “Ninguém duvide, nossa agenda de modernização do Brasil é a mais ambiciosa de muito tempo. Tem sido implementada com disciplina e com sentido de missão. Não há plano B. Há de seguir adiante. Nada nos destruirá. Nem a mim, nem aos nossos ministros”, disse.

A ideia do presidente é tentar barrar já na primeira quinzena de julho a denúncia contra ele. Além de abreviar prazos na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o Palácio do Planalto pretende garantir a nomeação de um relator próximo à gestão peemedebista e um placar folgado já na comissão parlamentar pela recusa da denúncia.

Além disso, a gestão peemedebista defende substituições entre titulares e suplentes na CCJ para garantir a presença de parlamentares combativos que defendam insistentemente o presidente em discursos e discussões.

ACUSAÇÃO DE JANOT – O que diz o procurador-geral Rodrigo Janot em 60 páginas de denúncia contra Temer

– Temer foi o destinatário real da propina de R$ 500 mil paga em uma mala pela JBS ao ex-assessor Rodrigo Rocha Loures

– O presidente também aceitou uma promessa de R$ 38 milhões de vantagem indevida a ser pago em parcelas semanais

– Em troca, Rocha Loures ajudaria a solucionar uma demanda de interesse da empresa no Cade

– PGR diz haver “provas abundantes”: entre elas, a delação de sete executivos da JBS, o áudio gravado por Joesley no Palácio do Jaburu, a indicação de Loures para resolver qualquer pendência e a filmagem de Loures correndo com a mala de R$ 500 mil

– Procurador utiliza perícia da PF que atesta que não houve nenhuma edição nos áudios

– Temer se contradisse em duas ocasiões: ao explicar o motivo pelo qual recebeu Joesley e a razão para ter viajado em 2011 no jatinho do empresário

O que a Procuradoria pede: 1) Condenação por corrupção passiva; 2) Perda da função pública ou mandato eletivo; 3) Indenização aos cofres públicos de ao menos R$ 10 milhões por Temer e R$ 2 milhões por Loures.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A defesa do Temer, é claro, concorre à Piada do Ano, com base no conjunto da obra. Dizer que Janot acusa Temer porque pretende destruir a classe política como um todo, com certeza, é anedota de primeira classe. Merece palmas entusiásticas. (C.N.)

As estrelas da poesia, no firmamento de Cruz e Sousa

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Site Poemas & Canções

O poeta João da Cruz e Sousa (1861-1898) nasceu em Desterro, atual Florianópolis. No soneto “As Estrelas”, ele questiona se tais astros não são sentimentos dispersos de primitivos grupos humanos.

AS ESTRELAS
Cruz e Sousa

Lá, nas celestes regiões distantes,
No fundo melancólico da Esfera,
Nos caminhos da eterna Primavera
Do amor, eis as estrelas palpitantes.

Quantos mistérios andarão errantes,
Quantas almas em busca de Quimera,
Lá, das estrelas nessa paz austera
Soluçarão, nos altos céus radiantes.

Finas flores de pérolas e prata,
Das estrelas serenas se desata
Toda a caudal das ilusões insanas.

Quem sabe, pelos tempos esquecidos,
Se as estrelas não são os ais perdidos
Das primitivas legiões humanas?!

Supremo adia para agosto o julgamento que decidirá sobre a prisão de Aécio

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

André de Souza e Eduardo Bresciani
O Globo

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido de prisão feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) ficou para o mês de agosto. O processo não foi pautado nessa semana e o Judiciário entra de recesso no sábado (1º de julho). O caso foi retirado de pauta na semana passada da 1ª Turma do STF pelo relator, ministro Marco Aurélio Mello, após pedido da defesa do tucano de que o caso seja analisado no plenário. Ele solicitou que a PGR se manifeste sobre o pedido e ainda não houve resposta.

O pedido de prisão foi feito com base na delação da JBS. Após solicitação feita por Aécio a Joesley Batista, dono da empresa, houve um pagamento em espécie a um emissário do senador em ação controlada flagrada pela Polícia Federal. Foi neste mesmo processo que o ministro Edson Fachin determinou o afastamento de Aécio do mandato parlamentar, antes de a relatoria ser repassada a Marco Aurélio Mello pelo motivo de o caso não ter relação direta com a Petrobras.

RECURSO – Marco Aurélio já negou o pedido de Aécio para que a decisão fosse do plenário, mas como houve recurso de sua decisão optou por não levar o tema a voto na 1ª Turma semana passada. Segundo os advogados do senador afastado, Fachin, “ao impor a cautelar de afastamento das funções legislativas ao ora agravante, também afirmou que a matéria da prisão deveria ser apreciada pelo pleno”.

O novo pedido de prisão formulado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi reforçado com uma postagem de Aécio numa rede social em que aparece ao lado de aliados do PSDB com legenda “votações no Congresso e a agenda política”. Janot sustentou, com base na publicação, que o tucano continua exercendo atividade parlamentar, mesmo afastado por ordem judicial.

A defesa alegou que a PGR apresentou “fato novo” com a foto e pediu mais tempo para se defender do pedido de prisão. Mas Marco Aurélio negou, afirmando que o dado “poderá ser alvo de esclarecimentos da defesa a serem juntados ao processo, presente o princípio da ampla defesa”. O ministro considera que o “fato novo” alegado não é “apto a influenciar a definição da questão de fundo” a ser julgada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Aécio Neves está sofrendo uma espécie de tortura chinesa. Ainda não está preso, mas é como se estivesse, porque está recluso na casa que aluga à beira do Lago Paranoá, de onde não saiu desde que foi afastado da atividade política pelo relator da Lava Jato. Pode ser que não seja preso, em função do corporativismo do Senado, mas já jogou no lixo a imagem das famílias Neves e Cunha, que há mais de cem anos marcam presença na política de Minas Gerais. (C.N.)

Juiz manda leiloar a mansão e o iate de Cabral, avaliados em R$ 12 milhões

Os filhos de Beltrame e um amigo

Os filhos de Beltrame curtiam a lancha de Cabral

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, autorizou o leilão antecipado de bens do ex-governador do Rio Sérgio Cabral e da sua mulher Adriana Ancelmo, ambos alvo da Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato no Rio. A casa de veraneiro em Mangaratiba, no litoral sul do Rio, e a lancha Manhattan Rio estão entre os itens que vão à venda. O imóvel, um dos maiores símbolos dos tempos de ostentação de Cabral, foi avaliado em R$ 8 milhões, enquanto a embarcação ficou em R$ 4 milhões. Ao todo, os bens somam valor R$ 12,5 milhões – ainda falta a avaliação de joias.

Também serão leiloados um jipe Freelander (avaliado em R$ 120 mil), um jipe Discovery (R$ 240 mil), um Hyundai Azera (R$ 76 mil), uma moto aquática (R$ 45 mil) e um jet boat (R$ 50 mil).

FALTAM AS JOIAS – O Ministério Público Federal (MPF) também pediu a alienação de joias do casal, mas ainda falta a avaliação desses itens. O leilão desses itens ainda não foi autorizado, o que só ocorrerá se Bretas concordar com o valor de avaliação.

O leilão antes da divulgação da sentença foi autorizado com base na lei de lavagem de dinheiro. Nela, é previsto que a alienação antecipada pode ocorrer em casos nos quais os bens estejam sujeitos a grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para manutenção.

“Entendo que tanto automóveis quanto embarcações são bens facilmente depreciáveis com o simples passar do tempo, perdendo valor de mercado, ainda que bem cuidados e com manutenção em dia”, disse Bretas.

MANUTENÇÃO – Em relação à casa, o magistrado declarou que ainda que se diga que o valor de mercado não se reduz com tanta facilidade, a medida também é autorizada pela lei pela dificuldade de manutenção, uma vez que o casal proprietário está preso. Adriana cumpre prisão domiciliar em apartamento no Leblon, zona sul do Rio. Cabral está na Cadeia Pública José Frederico Marques (antigo BEP), em Benfica, zona norte do Rio.

“O objetivo da alienação antecipada é o de salvaguardar a restituição aos cofres públicos de eventual produto/proveito de crime, de forma que, obviamente, fica resguardado o direito à devolução da quantia em caso de sentença absolutória”, afirmou Bretas.

O magistrado alega ainda que a alienação visa proteger os bens, “na medida em que pretende evitar a depreciação e a redução exponencial do seu valor, enquanto os acusados não podem deles desfrutar propriamente”. Para Bretas, a medida pretende também proteger o patrimônio total dos acusados, caso ele venha a ser absolvido pelos órgãos jurisdicionais.

POINT DE FESTAS – A casa de Cabral fica no Resort Portobello, em Mangaratiba. Nela, o peemedebista costumava dar festa com políticos, empresários e reunir amigos em datas comemorativas.

Já a lancha Manhattan tem 75 pés e era utilizada com frequência pelo ex-governador e sua família em passeios por Mangaratiba, apesar de estar em nome de Paulo Fernando Magalhães Pinto, ex-assessor do ex-governador, também preso na Calicute. Ela ficava guardada na marina também no Portobello.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Cúmplice de Cabral, o badalado secretário de Segurança José Mariano Beltrame frequentava a mansão e passeava na lancha com a família. Quanto ao juiz Marcelo Bretas, ele é um tremendo gozador e decidiu participar do concurso Piada do Ano. Realmente, dizer que Cabral e Adriana podem ser absolvidos, sem a menor dúvida, é uma anedota de primeira linha. (C.N.)

Janot denuncia Temer ao Supremo por corrupção passiva e a Bolsa sobe 1,80

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Charge do Kacio (kacio.art.br)

Deu no Estadão

O procurador-geral da República Rodrigo Janot denunciou criminalmente o presidente Michel Temer e Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) por corrupção passiva no caso JBS. A denúncia foi protocolada nesta segunda-feira (26), no Supremo Tribunal Federal (STF). Janot atribui crime a Temer a partir do inquérito da Operação Patmos – investigação desencadeada com base nas delações dos executivos do grupo J&F, que controla a JBS.

A ação proposta por Janot não pode ser aberta diretamente pelo Supremo. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte máxima, terá de enviar a acusação formal do procurador à Câmara, a casa legislativa que pode autorizar a abertura do processo contra o presidente, sendo necessária a aprovação de dois terços dos 513 deputados.

GRAVE CRISE – O caso JBS mergulhou o presidente em sua pior crise política. Na noite de 7 de março, Temer recebeu no Palácio do Jaburu o executivo Joesley Batista, que gravou a conversa com o peemedebista. Nela, Joesley admite uma sucessão de crimes, como o pagamento de mesada de R$ 50 mil ao procurador da República Ângelo Goulart em troca de informações privilegiadas da Operação Greenfield, investigação sobre rombo bilionário nos maiores fundos de pensão do País.

A investigação revela os movimentos do homem da mala, Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial do presidente. Na noite de 28 de abril, Loures foi flagrado em São Paulo correndo com uma mala de propinas da JBS – 10 mil notas de R$ 50, somando R$ 500 mil. Os investigadores suspeitam que a propina seria destinada a Temer, o que é negado pela defesa do presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enquanto a política pega fogo, o mercado está pouco ligando para o que pode acontecer com Temer. Ao invés de a Bolsa despencar, subiu 1,80 nesta segunda-feira, ultrapassando a marca dos 62 mil pontos. Nada mal. E o dólar ficou em R$ 3,30. Em tradução simultânea, a economia se descolou da política. É um sinal de amadurecimento e racionalismo. Significa que o país é maior do que a crise. (C.N.)

Brasil foi dividido entre cinco grandes quadrilhas nas últimas duas décadas 

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Charge do Pelicano (pelicanocartum.net)

Erick Bretas

Se você analisa as delações da JBS, as da Odebrecht e as das demais empreiteiras, a conclusão é mais ou menos a seguinte: a maior e mais perigosa, diferentemente do que diz o Joesley, era a quadrilha do PT. Era a mais estruturada, mais agressiva, mais eficiente e com planos de perpetuação no poder. Comandava a Petrobras, vários fundos de pensão e dividia o poder com as quadrilhas do PMDB nos bancos públicos. Sua maior aliada econômica foi a Odebrecht. O chefão supremo era o Lula. Palocci e Mantega, os operadores econômicos. Era o Comando Vermelho da política: pra se manter na presidência eram capazes de fazer o Diabo.

A segunda maior era a do PMDB da Câmara. Seus principais chefões eram Temer e Eduardo Cunha. Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Henrique Eduardo Alves eram os subchefes. Lúcio Funaro era o operador financeiro. Mandava no FI-FGTS, em diretorias da Caixa Econômica, em fundos de pensão e no ministério da Agricultura. Por causa do controle desse último órgão, tinha tanta influência na JBS. Era o ADA dos políticos — ou seja, mais entranhada nos esquemas do poder tradicional e mais disposta a acordos e partilhas.

NO SENADO – A terceira era o PMDB do Senado. Seu chefão era Renan Calheiros. Seu guru e presidente honorário, José Sarney. Edison Lobão, Jader Barbalho e Eunício Oliveira eram outras figuras de proa. Mandava nas empresas da área de energia e tinha influência nos fundos de pensão e empreiteiras que atuavam no setor. Vivia às turras com a quadrilha do PMDB na Câmara, que era maior e mais organizada.

A quarta era o PSDB paulista, cuja figura de maior expressão era o Serra. Tinha grande independência das quadrilhas de PT e PMDB porque o governo de São Paulo era terreno fértil em licitações e obras. A empresa mais próxima do grupo era a Andrade Gutierrez, mas também foi financiada por esquemas com Alstom e Odebrecht.

A quinta e última era o PSDB de Minas — ou, para ser mas preciso, o PSDB do Aécio. Era uma quadrilha paroquial, com raio de ação mais restrito, mas ainda assim mandava em Furnas e usava a Cemig como operadora de esquemas nacionais, como o consórcio da hidrelétrica do Rio Madeira.

BANDOS MENORES – Em torno dessas “big five” flutuavam bandos menores, mas nem por isso menos agressivos em sua rapinagem — como o PR, que dava as cartas no setor de Transportes, o PSD do Kassab, que influenciava ministérios poderosos como o das Cidades, o PP, que compartilhava a Petrobras com o PT, e o consórcio PRB-Igreja Universal, que tinha interesses na área de Esportes.

Havia também os bandos estritamente regionais, que atuavam com maior ou menor grau de independência em relação aos nacionais. O PMDB do Rio e seu inacreditável comandante Sérgio Cabral, por exemplo, chegaram a ser mais poderosos que os grupos nacionais. Fernando Pimentel comandava uma subquadrilha petista em Minas. O PT baiano também tinha voo próprio. Elas se diferenciam das quadrilhas tucanas que estavam apenas circunstancialmente restritas aos territórios que comandavam — mas sempre tiveram aspirações e influência nacionais.

Por fim, vinham parlamentares e outros políticos do Centrão, que eram negociados de maneira transacional no varejo: uma emenda aqui, um caixa 2 ali, uma secretaria acolá…

SEM SUBESTIMAR – Digo tudo isso não para reduzir a importância do PT e o protagonismo do Lula nos crimes que foram cometidos contra o Brasil. Lula tem de ser preso e o PT tem que ser reduzido ao tamanho de um PSTU.

Mas ninguém pode dizer que é contra a corrupção se tolerar as quadrilhas do PMDB ou do PSDB em nome da “estabilidade”, “das reformas” ou de qualquer outra tábua de salvação que esses bandidos jogam para si mesmos.

E que ninguém superestime as rivalidades existentes entre esses cinco grandes grupos. Em nome da própria sobrevivência eles são capazes de qualquer tipo de acordo ou acomodação e farão de tudo para obstruir a Lava Jato.

 (Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas. O autor, Erick Bretas, é diretor de mídias digitais da Globo)