O que disse a presidente Dilma sobre a Proclamao da Repblica

12
Aclio Lara Resende

Inicio estas linhas semanais com duas entrevistas: no Programa do J (Soares), a do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pr-candidato Presidncia da Repblica em 2014 e, hoje, aliado da ex-senadora Marina Silva; no programa Roda Viva, a do jornalista Cid Benjamim, integrante do MR-8 poca da resistncia armada ditadura militar e autor do livro (recm-lanado) Gracias a la Vida, suas memrias de militante. A longa entrevista do socialista terminou perto das trs horas da madrugada.

Exausto, recolhi-me um tanto intrigado com o jeito sonhtico (um vocbulo novo) tanto de um quanto de outro. O jornalista, finalmente, deixou o PT, partido que ajudou a fundar, depois de ser candidato por ele quatro vezes, tanto a vereador quanto a deputado estadual. Desligou-se e se mandou para o PSOL. O governador ainda acredita que se entender com Marina…

Cid, que trabalhou no Jornal do Brasil, ao lado de Augusto Nunes (coordenador do programa Roda Viva), curiosamente, considera Fernando Gabeira o de hoje, no o de ontem conservador. Gabeira seria conservador porque teve a coragem de dizer que no seria honesto se dissesse agora que, na ditadura militar, ele e seu grupo lutaram pela democracia? Ou ser porque Gabeira reconheceu que ele e seus companheiros lutaram por um regime semelhante ao de Cuba?

O assunto principal, e que pode interessar a voc, leitor, s poderia ser nossa aviltada Repblica, transformada hoje em meio de bons negcios. Sua proclamao foi saudada desta maneira pela presidente Dilma Rousseff, em seu Twitter: Hoje (referindo-se ao ltimo dia 15), comemoramos o 124 aniversrio da Proclamao da Repblica. A origem da palavra Repblica nos ensina muito. A palavra Repblica vem do latim e significa coisa pblica. Ser presidente da Repblica significa, exatamente, zelar e proteger a coisa pblica, cuidar do bem comum, prevenir e combater a corrupo. Significa disse Dilma governar para todos, num governo do povo, para o povo e pelo povo.

“ESTAMOS JUNTOS”

Enquanto o ex-presidente Lula, segundo notcias dos jornais, no dia da Repblica, saudou os companheiros Jos Dirceu e Jos Genoino com a expresso estamos juntos, a presidente foi fundo em sua mensagem. Dilma teria se manifestado em seu nome ou em nome, tambm, do seu criador? Por que a fala da presidente s vsperas do recolhimento priso de personagens to importantes na histria do partido que a adotou? Ou esse o jeito de tratar aqueles que, embora importantes no partido, no a ajudariam em nada eleitoralmente?

Depois de afirmar que nada diria sobre a deciso do STF (Quem sou eu para comentar uma deciso do Supremo?), o ex-presidente Lula voltou s cargas e, finalmente, esclareceu que s falar sobre o mensalo quando o julgamento acabar. Agora, emendou, quem fala so os advogados, escapando, uma vez mais, de um episdio que, sem nenhuma dvida, precisava ser abordado por ele com coragem. A histria ficar capenga se no puder contar com sua contribuio…

O 15 de novembro, segundo o jornalista e escritor Laurentino Gomes, uma data sem prestgio no calendrio cvico brasileiro. Ao contrrio do Sete de Setembro, Dia da Independncia, comemorado em todo o pas com desfiles escolares e militares, o feriado da Proclamao da Repblica uma festa tmida. E ignorada.

A deciso do STF (sem atropelos ou ilegalidades) e as palavras da presidente (sero para valer?) podero mudar essa tradio. (transcrito de O Tempo)

JOAQUIM BARBOSA CONCEDE PRISO DOMICILIAR (PROVISRIA) A GENONO, QUE PASSOU MAL E EST HOSPITALIZADO

Da Agncia Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, concedeu hoje (21) priso domiciliar provisria para que ex-presidente do PT e deputado federal Jos Genoino (SP) possa fazer tratamento mdico. Genoino passou mal hoje na Penitenciria da Papuda, em Braslia, e foi transferido para o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (IC-DF), no Hospital das Foras Armadas (HFA).

De acordo com a deciso, Genoino poder cumprir a pena em regime domiciliar ou hospitalar at que ele seja submetido a uma percia mdica. No incio da tarde, Barbosa determinou que uma junta mdica formada por, no mnimo, trs mdicos, produza um laudo oficial sobre o estado de sade de Genoino. Os mdicos sero indicados pelos diretores do Hospital Universitrio de Braslia (HUB).

No despacho, Barbosa afirma que concedeu a priso domiciliar ou hospitalar provisria a Genoino aps ser informado pelo juiz Ademar de Vasconcelos, da Vara Execues Penais do Distrito Federal (VEP), por telefone, sobre a internao de Genoino nesta tarde. Segundo Barbosa, a informao repassada hoje contradiz documento da VEP enviado ao STF ontem (20) sobre o estado de sade do parlamentar.

Reformas profundas no Chile esbarram em regras polticas da poca da ditadura

Monica Yanakiew
Correspondente da Agncia Brasil

Santiago No prximo dia 15 de dezembro, os chilenos voltam s urnas para o segundo turno das eleies presidenciais. Se tudo ocorrer tal como se deu no primeiro turno, a probabilidade de a socialista Michelle Bachelet, que obteve 47% dos votos, derrotar a segunda colocada Evelyn Matthei, candidata de direita, grande. Evelyn ficou com 25% dos votos.

A vantagem, para a prpria Bachelet, que ela fez maioria no Congresso. No Senado, foram eleitos pelo seu partido 20 dos 38 senadores e 57 dos 120 deputados federais.

o suficiente para aprovar a reforma tributria a candidata promete cobrar mais impostos dos ricos para financiar planos sociais e reduzir a desigualdade. Mas o que est em xeque a capacidade de implementar todas as mudanas necessrias. A reforma tributria, por exemplo, requer apenas maioria simples (metade mais um) mas todas as outras, graas Constituio herdada da ditadura, s so possveis com 60% de votos.

Outra reforma estaria ameaada, a educacional. Principal reivindicao dos jovens, que contam com o apoio de oito em cada dez chilenos, a reforma do sistema de educao requer os votos de quatro stimos do Congresso (69 deputados e 22 senadores).

A candidata socialista tambm quer mudar o sistema eleitoral desenhado pelos militares para garantir um empate entre dois grandes blocos (centro-esquerda e direita). Pelas atuais regras, o governo, qualquer que seja seu mandatrio, s tem ampla maioria no Congresso se conseguir obter o dobro dos votos dos adversrios. Por isso, em 24 anos de democracia no Chile, todas as mudanas tiveram que ser negociadas e foram graduais.

Mudar o sistema eleitoral requer trs quintos dos votos (72 deputados e 23 senadores). Mas tanto a direita quanto a esquerda j perceberam que se se mantiverem as atuais regras, os partidos polticos sero atropelados pelas organizaes populares nas ruas, que exigem mudanas mais profundas j.

O mais difcil, porm, analisam especialistas, ser mudar a prpria Constituio uma das principais bandeiras da candidata socialista. Para isso, so necessrios dois teros do Congresso (80 deputados e 25 senadores).

Apenas 6 milhes, ou seja, menos da metade dos 13,5 milhes de chilenos em idade de votar, foram s urnas. As abstenes, de certa forma, prejudicaram mais Michele Bachelet, que queria macia participao do povo nas urnas j que o voto jovem que mudaria o quadro poltico no Chile.

At as eleies passadas, quando o voto era obrigatrio, 7 milhes de pessoas iam s urnas. Isso porque o voto era obrigatrio apenas para os que tinham se registrado para votar alguma vez na vida.

Esgotos

Jacques Gruman
Os vivos so e sero sempre, cada vez mais, governados pelos mais vivos (Apparcio Torelly, o Baro de Itarar)

Era cor-de-rosa, uma ousadia para a poca. Misturava futebol e, nos finais de ano, dicas e resultados do vestibular. L por meados dos anos 60, o Jornal dos Sports veio com a novidade: o Flamengo estava prestes a contratar um novo Pel. Todo mundo vivia aflito garimpando fenmenos. Vinha do interior de So Paulo, diziam ser exmio cabeceador (um novo Baltazar Cabecinha de Ouro ?) e se chamava Berico. O Menino foi, ansioso, ao Maracan, assistir a estreia contra o Olaria. O chamado grmio da rua Bariri tinha um bom time, mas naquela tarde ensolarada no foi preo, num Maraca sacolejante, com a torcida eufrica. Berico marcou dois gols, parecia que ia confirmar a expectativa. Ledo e ivo engano. Foi murchando, toc-toc na perna de pau, desapareceu em pouco tempo sem deixar saudades. Uma das muitas fraudes que enfiaram goela abaixo do mais querido.

Fraudes andam nas paradas de sucessos do Brasilzo (algum ainda se lembra das paradas de sucessos ?). Eike Batista foi uma espcie de cometa do empreendedorismo. Em menos de uma dcada, se tornou o homem mais rico do Brasil. H trs anos, era a terceira maior fortuna do planeta e no escondia a ambio de subir ao alto do pdio. Tenho que concorrer com o senhor Carlos Slim (dono da Amrica Mvil). No sei se vou pass-lo pela esquerda ou pela direita, mas vou ultrapass-lo, afirmou. Foi recebido em todas as esferas de governo como uma espcie de heri nacional, campeo do arrojo e da criatividade. Teve amplo acesso a dinheiro pblico, cultivou uma relao carnal com presidente e ex-presidente, que no cansaram de levar gua ao seu moinho. Ganhou biografia chapa branca. Nada parecia segurar a escalada rumo ao Olimpo.

O castelo de cartas acaba de desabar e, atrs dele, um rastro de destruio e desalento. Hoje, pobrezinho, tem uma fortuna modesta de US$ 75 milhes e o descrdito dos arruinados pela cobia. As louvaes viraram murmrios envergonhados em busca de explicaes. Marqueteiros buscam detergentes milagrosos que apaguem declaraes ufanistas, difceis de justificar em perodos eleitorais. Enquanto isso, o teatro Glria foi demolido e o hotel Glria, joia arquitetnica do Rio, jaz abraado em telas de plstico, numa reforma jogada para as calendas. Obras do visionrio falido.

EXIBIR PODER

Nossos (nossos ?) ricos, com as excees de praxe, precisam exibir poder. Suas extravagncias e hbitos so vendidos como metas de vida, como prova de que vale a pena investir nas leis de mercado, na competio sadia. Somos bombardeados por essa ideologia do sucesso, supostamente ao alcance dos esforados, dos que perseveram. Resistir, quem h de ? O site Mercado Livre colocou um anncio de venda de embalagens da marca Louis Vuitton. Traduzindo: voc tem uma bolsa francesa made in Paraguai, mas pode andar por a exibindo a tal embalagem, simulando um status de fancaria.

Isso me faz lembrar de uma histria contada pelo Augusto Boal. Num dos exlios na Amrica Latina, estava na rua com seu Teatro do Oprimido, quando viu um dos locais, traos indgenas, com um seixo colado ao ouvido. Estranhou e procurou saber o que era aquilo. Descobriu que uma multinacional fazia uma campanha agressiva para a venda de radinhos de pilha, com muitos outdoors. Tal como se faz ainda hoje em dia com produtos mais sofisticados, a posse dos radinhos passou a ser sinal de incluso, de afirmao, de humanidade. Impossibilitado de adquiri-lo, o indgena foi a um rio, pegou um seixo, desenhou nele botes e alto-falante e grudou-o no ouvido. Sentiu-se gente … Consumo hipnotiza.

H alguns dias, os jornais mostraram o outro extremo da farra das elites, que continuam fazendo o carnaval de sempre. Um menino de 9 anos, Paulo Henrique, mostrou o Brasil que no cabe nos discursos, na filantropia de resultados e no futuro que nunca chega. O fotgrafo Diego Nigro flagrou Paulo Henrique nadando no canal do Arruda, em Recife. No, ele no estava numa aula de natao. Seus bracinhos magros lutavam para afastar a imundcie do esgoto, na tentativa de achar latinhas de alumnio que lhe rendessem uns R$ 10 no fim do dia. Aquela cena se passava a apenas 15 minutos do centro de Recife. Uma tragdia que se reflete, tambm, na resignao da me do menino:

Fico com medo porque tem muito micrbio nesse canal. Acho ruim porque, se ele fica doente, me d prejuzo. mixaria, mas o dinheiro do lixo ajuda na feira. Quantas famlias clssicas, pai-me-filhos, esto destrudas, afetos amputados pelas necessidades materiais ? Outro fato me chamou a ateno. A famlia 8 pessoas vive num barraco onde todos dormem no mesmo ambiente, que dividem com duas televises, uma geladeira, um fogo de seis bocas e um armrio. Duas televises ! timo para as estatsticas, aumenta o contingente formal de consumidores. Me lembrei de imediato do seixo pintado.

“O BICHO”

Um recifense ilustre, sem conhecer Paulo Henrique e sua famlia, desenhou, com horror, este Brasil profundo, esquecido e triste. Manuel Bandeira escreveu o poema “O Bicho”:

Vi ontem um bicho

Na imundcie do ptio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

No examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho no era um co,

No era um gato,

No era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

A VOLTA DE JANGO

Mauro Santayana

(HD) – A recepo do corpo do Presidente Joo Goulart, em Braslia, esta semana, com honras de chefe de Estado, um importante passo para a consolidao e o fortalecimento da democracia em nosso pas.

Ao contrrio do que muitos pensam, Jango nunca foi comunista. Fiel seguidor do Presidente Getlio Vargas, ele era, pelo contrrio, filho de uma rica famlia de fazendeiros gachos, que aprendeu, com Getlio a se preocupar com as condies de vida dos mais pobres.

Foi levado, pela histria, a assumir o Brasil em um momento difcil criado pela irresponsvel renncia do Presidente Jnio Quadros. Ele sabia que o pas no iria progredir se no fizesse vrias reformas que ainda hoje esto pendentes, como a prpria reforma agrria.

Foram os mesmos golpistas que mataram Getlio levando-o a suicidar-se, com um tiro no corao, em 24 de agosto de 1954, no Palcio do Catete – que derrubaram Jango dez anos depois, com o Golpe Militar de 1964.

TAMBM, JK

Antes, j haviam tentado impedir a eleio e o extraordinrio governo de Juscelino Kubitscheck de Oliveira. Carlos Lacerda dizia aos militares golpistas preciso ressalvar que muitos militares defendiam a democracia e pagaram caro por isso mais tarde que JK no podia se eleger. Se eleito, no podia tomar posse. E se tomasse posse tinha que ser derrubado.

Se isso tivesse acontecido, no existiriam hoje Braslia, nem as grandes rodovias, nem grandes hidroeltricas, nem a indstria automobilstica, conquistas alcanadas por JK em um governo totalmente democrtico, que resistiu a vrias tentativas de golpe, como a Crise de Novembro , Jacareacanga e Aragaras.

Pressionado pela necessidade imperiosa de mudar o pas, mas tambm pela constante sabotagem dos golpistas – esses dirigidos e apoiados por uma potncia estrangeira, os EUA que no aceitavam um projeto independente e soberano de desenvolvimento para o Brasil – Jango finalmente foi derrubado.

Uma frota norte-americana j se aproximava das costas brasileiras, para, se necessrio, desembarcar tropas para ajudar os golpistas, caso houvesse resistncia, organizada, de incio, por corajosos chefes militares que depois tiveram de render-se.

Antes disso, em sua Carta Testamento na qual denunciava as foras e interesses nacionais e internacionais que se organizavam contra o Brasil Getlio Vargas afirmou, dirigindo-se ao povo brasileiro:

Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereo a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na Histria.

Esta semana, em Braslia, Jango entrou mais uma vez para a histria, agora com a pompa, as circunstncias e as honras que lhe cabem como ex-Presidente da Repblica e um dos principais lderes de nosso pas no sculo XX.

So Borja que nos desculpe, mas seu corpo assim como de outros presidentes que lutaram pela liberdade e o estado de direito – deveria ficar na Capital da Repblica, no Panteo da Liberdade e da Democracia.

Itlia se recusa a expedir mandado de busca contra Pizzolato. E LA NAVE VA…

Deu em O Tempo

A fuga de Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil e condenado a 12 anos de priso pelo envolvimento no mensalo, deixou o Pas em um impasse jurdico e diplomtico. O governo brasileiro, por meio do Ministrio da Justia e da Polcia Federal, tem feito presses e cobrado explicaes, segundo relatam autoridades italianas.

Em Roma, porm, a alegao que h um impedimento legal para a expedio de um mandado de busca contra Pizzolato porque o ex-diretor de Marketing do BB, que tem dupla cidadania, no cometeu crime na Europa.

Sem ter a confirmao oficial da presena de Pizzolato na Itlia o governo brasileiro, por sua vez, se v impedido de solicitar a extradio do ex-diretor. Nos contatos entre os governos, autoridades italianas afirmaram que no encontraram nenhum imvel em nome do ex-diretor do Banco do Brasil e nem registros de que ele tenha se hospedado em algum hotel.

Publicamente, o governo da Itlia se recusa a dar informaes sobre o assunto. A chancelaria, o Ministrio da Justia e o Ministrio do Interior adotaram uma poltica de impedir que qualquer informao seja divulgada.

NINGUM SABE, NINGUM VIU

Aps seis dias do anncio da fuga de Pizzolato, mesmo a entrada do ex-diretor do BB no pas europeu tambm no foi confirmada. No h explicaes sobre como Pizzolato teria obtido um novo documento que lhe permitiu pegar um avio – supostamente em Buenos Aires – e entrar em territrio italiano.

Na quarta-feira, amigos do ex-diretor confirmaram que o documento era um passaporte provisrio, mas tambm no esclareceram a sua origem. O silncio italiano comea a criar mal-estar entre os dois pases.

Diante dessa situao, a deputada brasileira no Parlamento Italiano, Renata Bueno, enviou um pedido oficial para que o vice-primeiro-ministro Angelino Alfano, explique a situao. Como deputada, o cargo a permite oficializar um pedido de informao.

Justia Trabalhista s existe em 16% dos municpios

http://2.bp.blogspot.com/-dFzx5T5-R1s/TqgSjz6EQ8I/AAAAAAAAIOY/QheEnwoNtds/oit-Fazendeiros-acusados-de-trabalho-escravo-tem-boa-formacao.jpgRoberto Monteiro Pinho

No Brasil a Justia do Trabalho, que especializada, no existe em 84% do seu territrio e nas regies mais distantes e precrias, onde existe grande concentrao de trabalho escravo, comum a violncia contra a mulher e o menor, sequer existe justia.

Uma pesquisa da Associao dos Magistrados Brasileiros (AMB) revela que a realidade da Justia nos estados brasileiros apresenta disparidades que repercutem de formas distintas no atendimento sociedade. O estudo evidencia que o maior nmero de juzes no significa reduo no congestionamento dos tribunais e alerta para a necessidade de melhor gerenciamento dos recursos.

Para a pesquisadora Maria Tereza Sadek, professora da Universidade de So Paulo (USP), A anlise dos dados mostra que os principais problemas que afetam a lentido na prestao jurisdicional no esto localizados principalmente no nmero de juzes, no volume de gastos, mas na forma como os recursos, tanto humanos como materiais, so empregados.

Uma abordagem interessante e realista foi o resultado de uma pesquisa realizada em 2003 pelo National Bureau of Economic Research, que publicou um amplo estudo sobre as questes do emprego, desemprego e informalidade luz da flexibilidade ou rigidez das leis trabalhistas em 85 pases (Simeon Djankov e colaboradores, “The Regulation of Labor”, Washington, NBER, 2003).

As principais concluses so: Os pases ricos regulam o trabalho muito menos do que os pases pobres; Nveis mais altos de regulao esto relacionados com informalidade e altas taxas de desemprego, especialmente entre os mais jovens; Dentre os 85 pases estudados, o Brasil o mais regulamentado de todos, apresentando as mais altas taxas de informalidade e desemprego, mesmo nos perodos de forte crescimento econmico.

Hoje temos o gargalo no judicirio, as aes travam a cada etapa do processo, e a soluo pode ser resolvida de duas formas: a composio atravs de acordos em cmaras de arbitragem e mediao, e com a substituio do juiz, por tcnicos no quadro da administrao dos tribunais.

Cmara adia deciso sobre processo de cassao de Jos Genono

Deu em O Tempo

Aps interveno de membros do PT, integrantes da Mesa Diretora da Cmara dos Deputados adiaram, para a prxima semana, a discusso sobre a cassao do deputado licenciado Jos Genoino (PT-SP). No encontro realizado na manh desta quinta-feira (21) pela cpula da Casa, o presidente da Cmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse que props a abertura de processo de cassao e o envio para a Comisso de Constituio e Justia (CCJ), para que seja dado um parecer sobre o caso.

O vice-presidente, Andr Vargas (PT-PR), e o quarto-secretrio, Biffi (PT-MS), pediram prazo de duas sesses para que o tema volte a ser discutido pela Mesa, o que foi concedido pelo peemedebista.

“No uma questo de m vontade, de querer ou no querer, uma questo de regimento. A Mesa no ditadora dessa Casa. Ela tem que zelar de cumprir o regimento. Votamos a matria na prxima semana”, disse Henrique Eduardo Alves, aps o encontro.

“Ns entendemos por necessrio pedir vista do processo. A carta mensagem enviada pelo Supremo Tribunal Federal sobre a condenao de Genoino insuficiente para dar conta de um caso de uma pessoa que no tem condies de se defender, que tem um problema grave de sade”, afirmou Andr Vargas.

O STF decidiu no ano passado que a Cmara deveria apenas decretar a perda de mandato dos condenados no processo do mensalo, mas, como o comunicado oficial da Corte no trouxe essa ordem e o tema ainda ser debatido novamente pelo tribunal, Alves decidiu que dar andamento ao processo deixando a deciso com os colegas.

Submetido a uma cirurgia cardaca em julho, Genoino est de licena mdica. Ele requereu Casa aposentadoria por invalidez em setembro e, em janeiro do prximo ano, passar por nova avaliao de junta mdica da Cmara para decidir se o benefcio lhe ser concedido.

Como o trmite da cassao exige prazos a serem cumpridos na CCJ e no plenrio, a aposentadoria poder ser concedida antes, e o processo encerrado. Alves j decidiu que no vai suspender o salrio dele mesmo com a priso.

Preos da bolha (na Copa)

Ruy Castro
(Folha)

Uma vaga em beliche no Rio durante a Copa do Mundo de 2014 poder custar R$ 1.000 por noite –mdia com po-canoa e manteiga parte, no botequim da esquina. Por esse preo, cerca de 300 euros, um turista brasileiro pode passar um dia e noite de sonho em hotis como o Adlon, em Berlim, o Excelsior, em Roma, e o Carlton, em Cannes, entre lenis de algodo egpcio de 400 fios e com 20 variedades de queijos e geleias no caf da manh, tudo includo na diria.

A julgar por isso, somente executivos da Fifa, milionrios rabes e torcedores de pases como Ir, Coreia do Sul e Nova Zelndia podero se hospedar nos hotis do Rio durante a competio. Os de Honduras, Etipia e Burkina Fasso tero de dormir na praia, tomar banho nos postos de salvamento e comer no p-sujo.

Para que no se pense que s deu a louca no Rio, tais preos esto tambm na parede da recepo de alguns hotis vendidos como de quatro estrelas em vrias cidades-sede da Copa, embora, sob qualquer padro, seu servio, atendimento e apresentao variem do medocre ao lamentvel. Ningum me falou –conheo-os de me hospedar neles nos ltimos dois anos.

Pelo que se est pagando por um anmico galeto na maioria dos restaurantes brasileiros, duas ou mais pessoas comem tripa forra na Europa ou nos EUA. No ser surpresa se um coco, hoje entre R$ 4 e R$ 5 nos quiosques beira-mar, chegar a R$ 20 no vero. Qualquer cermica fuleira nas feiras populares do Nordeste ou do Sul j tem preos de peas de design alemo ou italiano. E, no demora muito, uma perna na ponte area sair mais caro que um bilhete Rio-Nova York, ida e volta, na classe turstica.

uma bolha, dizem, e o mercado regular tudo. timo. Mas, se e quando isso acontecer, um pas inteiro poder se ver subitamente sem escada e pendurado na brocha.

 

MUDANA NO BLOG DA TRIBUNA DA IMPRENSA

Carlos Newton

Por deciso de Helio Fernandes, fui demitido da Tribuna da Imprensa esta quarta-feira. Ele e seu bastante procurador, Roberto Monteiro Pinho, devero contratar outro profissional para tocar o Blog. Enquanto isso no acontece, cumprirei meu aviso prvio de 30 dias.

Possibilidade da candidatura de Joaquim Barbosa causa pnico no Planalto (e no PT)

http://quintaldanoticia.com.br/wp-content/uploads/2013/06/Dilma-e-Joaquim-Barbosa.jpg

Carlos Newton

O grande jornalista Carlos Chagas registrou, aqui no Blog da Tribuna, que em Braslia no se fala em outra coisa, desde que foi decretada a priso dos mensaleiros . Os rumores so de que Joaquim Barbosa pediria aposentadoria em maro, para sair candidato a presidente da Repblica.

Essa especulao atingiu em cheio o Palcio do Planalto e o PT. tudo que a presidente Dilma Rousseff no quer ouvir. Ela continua apostando que o as pesquisas sero favorveis e o PT vai lhe garantir a legenda. Mas se Joaquim Barbosa entrar na disputa, como se especula na capital, o quadro muda inteiramente.

A presidente Dilma realmente tem motivos para se preocupar. O ministro Barbosa parece estar em campanha 24 horas por dia. Ontem, Dia Nacional da Conscincia Negra, ele apareceu em grande destaque na principal coluna de O Globo (de Ancelmo Gois), que reproduzida em um nmero enorme de jornais espalhados pelo Brasil. Com chamada na primeira pgina, foi publicado um texto assinado por Barbosa, incisivo e fortssimo, sobre a situao dos negros em nosso pas. Nada mais eleitoral do que isso.

DE CABEA PARA BAIXO

Se Barbosa realmente for candidato, o cenrio eleitoral vira de cabea para baixo, ningum sabe o que poder acontecer. O partido ao qual ele se filiaria nem interessa. No lhe faltam legendas, e certamente no foi por mera coincidncia que o PDT anunciou na semana passada que est desembarcando da candidatura de Dilma, a pretexto de um possvel apoio ao governador Eduardo Campos. Ser um despiste? Dizer uma coisa e fazer outra?

Lula est na expectativa, porque a candidatura de Barbosa significaria o fim das pretenses de Dilma reeleio. A eleio, com certeza, iria para o segundo turno. Por isso, o PT teria de recorrer a ele como salvao da lavoura.

Ser candidato tudo que Lula deseja, mas sabe que enfrentar Joaquim Barbosa ser uma empreitada muito difcil do que simplesmente atropelar Acio Neves (ou Serra) e Eduardo Campos (ou Marina), o que at Dilma consegue.

Bem, este o quadro atual. Parodiando a genial escritora britnica Virginia Woolf, podemos perguntar: “Quem tem medo de Joaquim Barbosa?” E a resposta ser: “Todos, inclusive Lula, que de certa forma se beneficia com a candidatura do presidente do Supremo”.

JANGO, DUAS VEZES DEPOSTO

Percival Puggina

Quem estabelece a narrativa histrica e comanda a leitura do passado, mais facilmente escrever o futuro.

esse controle da verso mais conveniente que vem sendo imposto ao Brasil nos ltimos anos. At a exumao do cadver de Joo Goulart serve, qualquer que seja o resultado, para se atrair ateno narrativa que convm ao poder. H uma ampla perspectiva demogrfica para isso. Dos 200 milhes de brasileiros vivos, apenas 15 milhes tinham 18 anos ou mais em 1964. Os outros 185 milhes conhecem apenas uma verso dos fatos ocorridos naquele ano, e em parte dos anos seguintes. Foram capturados por um nico relato. A verso que lhes insistentemente repetida serve ao projeto de poder de quem a concebeu. No outra a tarefa dos comissrios da Histria, integrantes da tal comisso que insiste em ser conhecida como Comisso da Verdade.

Absolutamente justo que se prestem honras fnebres ao ex-presidente. Ele morreu no exlio e no as recebeu. E ser interessante observar as expresses emocionadas de antigos militantes da luta armada diante dos restos mortais do presidente a quem tanto desprezaram. Desprezaram, sim. Eles eram comunistas e Jango no. Viam-no como um fazendeiro tbio, inseguro, inconfivel. Enquanto representou para os comunistas dos anos 60 um projeto de poder, Jango teve seu apoio. Fora do governo, foi ignorado pelos prprios companheiros sua esquerda. Ningum gastou um cartucho ou pegou um bodoque para restaur-lo no posto presidencial.

FOI DEPOSTO

Jango foi deposto pelo Congresso Nacional e pelos militares. E novamente destitudo de qualquer importncia pela maioria de seus parceiros. Brizola brigou com ele. O irrequieto cunhado, que projetava sombra em Jango presidente, olhos postos no mandato subsequente, continuou a projet-la no exlio. Era em torno de Brizola que se articulavam alguns dos que foram luta. No exlio, Jango s era visitado por amigos de pouco ou nenhum poder de mobilizao.

Aps sua queda, muitos dos que nestes dias o celebram em Braslia pegaram armas para reproduzir, aqui, as lies de sublevao revolucionria aprendidas em Cuba e na Rssia. No entanto, para a continuidade do projeto de poder ora em curso no Brasil importante que esses inimigos da democracia dos anos 60 e 70 sejam aclamados como portadores dos mais elevados ideais libertrios. Falso! Queriam implantar um projeto comunista no pas, totalitrio e muito mais brutal. Atrasaram a redemocratizao.

Alis, a bem da verdade, a democracia tinha inimigos pelos dois lados da disputa. Uns aferrados ao poder, abusando da violncia. Outros, sem nenhum apoio popular, buscando o poder pela violncia, para impor um regime que, j ento, havia gerado cem milhes de cadveres no mundo. Felizmente nos livramos desse mal maior e a poltica venceu. Foi atravs da poltica que o pas se redemocratizou, constitucionalizou, pacificou. E hoje convive com uma concentrao de poder que, novamente, vai corrompendo a democracia.

fraudulento o empenho de mistificar a histria, de ocultar o fato de que muitos dos que hoje nos governam eram revolucionrios comunistas e zombavam da democracia, que diziam ser coisa burguesa. Sua afeio ditadura dos Castro (cubanos) e sua devoo a Che Guevara (argentino) ficam bem representadas nos exames a que ser submetido o ex-presidente Goulart. Neles estaro atuando peritos buscados a dedo na notria ditadura cubana de tantos cadveres e na mal disfarada ditadura argentina.

Do Encantado Papuda

Tereza Cruvinel
(Correio Braziliense)

Os ministros do STF parecem ter lavado as mos, delegando todas as providncias relacionadas ao cumprimento de penas dos condenados da ao penal 470 deciso monocrtica do ministro presidente Joaquim Barbosa. Na sesso de ontem, nenhum deles abordou o assunto ou questionou os procedimentos adotados, que vm tendo a legalidade questionadas por juristas e polticos. Estariam todos extenuados pelo julgamento e decididos a evitar novos e desgastantes conflitos com Barbosa, ouve-se de interlocutores de alguns deles. Por ora, evitaro questionar Barbosa inclusive em relao ao pedido de priso domiciliar a Jos Genoino, embora alguns estejam sensibilizados. Vou decidir logo, afirmou o ministro, de relance, ao advogado de defesa que o abordou no intervalo da sesso.

O tempo, no caso de Genoino, pode ser decisivo. Embora muda em relao s prises, at a presidente Dilma permitiu-se ontem manifestar preocupao com a situao dele. Tm circulado informaes incompletas ou imprecisas sobre seu estado de sade. Ora dizem que ele fez uma cirurgia cardaca, ora que sofreu uma isquemia cerebral. tudo isso e algo bem mais grave. J tendo colocado stents no corao, no ano passado, por conta de bloqueios coronarianos, este ano Genoino sofreu uma desecco da aorta. Isso significa o descolamento das duas paredes da principal artria do corpo humano, que sai do corao levando o sangue bombeado para outros vasos. Quando ela se rompe, por conta de aneurisma ou de desecco, a caudalosa hemorragia interna causa morte imediata.
Genoino, que estava em Ubatuba quando passou mal, conseguiu chegar vivo a So Paulo, antes da ruptura, sendo operado imediatamente. Mais de 10cm de aorta danificada pela ocorrncia foram trocados por uma prtese, algo como uma mangueira plstica. Ela que tem garantido sua sobrevivncia. Stents, prteses internas, marcapassassos e similares precisam ser monitorados para no se deslocarem ou romperem. A presso arterial elevada pode contribuir para isso. Ele hipertenso, teve picos de presso alta na viagem e na primeira noite na Papuda. Isso est documentado, os laudos so minuciosos. Inclusive os periciais, feitos agora a pedido da Justia. A informao correta sobre seu quadro de sade importante para a deciso de Barbosa e para afastar suspeitas de que se trate de manobra para sair da priso.

Fora isso, a priso de um homem como Genoino, nestas condies, tem algo de desconcertante, embora externar isso no seja de bom tom, e por isso poucos o fazem. O tempo continua sendo de pensamento e sentimento nico. E o pensamento e o sentimento corretos parecem ser o de aprovar e aplaudir. Como todos os ministros que o julgaram o condenaram, exceto Ricardo Lewandowski e inclusive Toffoli, que serviu ao governo Lula, esto sendo coerentes na indiferena. Genoino foi condenado por corrupo ativa por, supostamente, ter participado de um esquema de compra de votos no Congresso. Afinal, ele era o presidente do PT, embora no tenham surgido provas de que ofereceu vantagem indevida a este ou aquele deputado.
Foi condenado por formao de quadrilha por ter assinado promissrias de emprstimos tomados pelo PT junto ao Banco Rural. CPI dos Correios, ele disse ter concordado com a operao de crdito proposta por Delbio para atender s urgncias financeiras de um partido endividado, apostando na nova cota do fundo partidrio, que paga semestralmente. Antes o partido tinha 45 deputados. Em 2002, elegeu 92. Logo, passaria a receber em dobro. E de fato, as cotas serviram para saldar os primeiros emprstimos. Hoje a cota do PT de mais de R$ 2 milhes mensais. Mas as demandas financeiras prosseguiram, e novos emprstimos foram feitos, j em nome das empresas de Valrio. Embora condenado como corruptor e quadrilheiro, Genoino continuou vivendo modestamente, na casa do Butat onde, por falta de espao, cultiva um jardim vertical, em vasos colados no muro lateral.

No final de 2006, depois do alarido do mensalo em 2005, e da incluso de seu nome entre os 40 denunciados pelo procurador-geral Antonio Fernando ao STF, Genoino visitou seus pais, que continuam vivendo como camponeses num distrito de Quixeramobim (CE). Na noite de Natal, seu pai, j octogenrio, pediu licena para lhe dizer que no conseguia entender a vida do filho, segundo relato do prprio Genoino: Voc vivia aqui no Encantado com a gente, trabalhando na roa. Aos 13 anos, com a ajuda do padre, foi estudar em Senador Pompeu. Foi para a faculdade em Fortaleza, pensamos que ia virar doutor. Mas voc largou tudo e foi fazer guerrilha contra os militares. Foi preso, sofreu tudo aquilo. Mais tarde entrou para o PT, virou deputado e amigo do Lula. Agora vai ser preso de novo? Que crime este que voc cometeu. Para o velho campons, e para quem conhece Genoino, no mesmo fcil compreender.

Dirceu e seus companheiros no merecem o menor respeito

Cesar Benjamin

Estou ficando cansado de receber mensagens, dizendo que Dirceu e seus companheiros merecem respeito.

Um homem que foi, durante muitos anos, presidente do PT, pea-chave na montagem de governos e principal ministro, tendo nomeado pessoalmente milhares de funcionrios, no pode, de repente, se transformar em “consultor” de grandes empresas que tm grandes negcios com o governo.

Dirceu no tem nenhum preparo tcnico especfico e nenhuma experincia empresarial. Sua “empresa” de consultoria no tem corpo tcnico. Mesmo assim, foi contratado por grandes empresas de todos os setores, de petrleo (incluindo Eike Batista) a bancos, de telecomunicaes a minerao, de empreiteiras a planos de sade privados. Ficou milionrio.

A nica mercadoria que tinha para vender, claro, eram bons contatos no aparelho de Estado. Isso extensivo a Lula e a todos os integrantes do ncleo duro do lulismo. No merecem respeito, no. Que militante se manter ntegro, olhando para cima e vendo esses exemplos? Esses caras deformaram o conceito de militncia e formaram a pior gerao da histria da esquerda brasileira, a que a est. Uma gerao de arrivistas da pior espcie, imagem e semelhana dos seus lderes.

(enviado por Mrio Assis)

O campo da representao


Gaudncio Torquato

Os deputados representam o povo e tm como funo primordial elaborar leis. A funo abriga os mais jovens, podendo assumir o mandato cidados a partir de 21 anos. J os senadores s podem chegar ao Senado aps os 35 anos, cumprindo a misso de representar os Estados e revisar os atos da Cmara, embora conservem tambm a prerrogativa de fazer leis.

O Senado est, a cada nova legislatura, mais renovado. Expande-se o nmero de senadores de menos idade. J a mdia de idade dos 513 deputados eleitos no ltimo pleito de 51 anos. A Casa dos deputados, portanto, exibe mais rebocos. No mais to nova. A mudana mais significativa, porm, refere-se morfologia da representao dos congressistas em face da intensa organicidade por que passa a sociedade brasileira.

Vale observar inicialmente o princpio bsico da Carta Magna, cujo nico do artigo 1 reza: Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituio. O poder dos governantes numa democracia dado pelo povo e por ele pode ser retirado. E o que o povo? a pessoa comum, o sujeito pleno de direitos ou, na expresso de Bobbio, o conjunto de cidados que mantm vnculos polticos e jurdicos com o Estado.

Ortega y Gasset explica que a sociedade sempre uma unidade dinmica de dois conjuntos: minorias e massas, sendo estas constitudas por pessoas no especialmente qualificadas. O que no significa que as massas devam ser entendidas apenas como massas operrias, como costume ler. Da a assertiva acentuada do filsofo de que a massa o homem mdio, um tipo genrico, no diferenciado de outros. A observao faz-se necessria para caracterizar o objeto da representao dos deputados. Seu foco o cidado, esteja ele em qualquer das bandas classificadas por John Stuart Mill: a dos passivos (dceis, indiferentes, manipulveis) ou a dos ativos (educados, conscientes, participativos).

REPRESENTAO

A mudana na forma de representao tem que ver com a passagem de uma sociedade de massas para uma sociedade assentada em grupamentos, ncleos, setores, categorias. Se a civilizao do sculo XIX produziu o homem-massa, como apregoava Gasset, razovel apontar neste segundo decnio do sculo XXI a emergncia do homem-cidado, ator central nos novos circuitos de representao.

O espectro parlamentar deixa transparecer a nova realidade. Na Cmara tornou-se rotina classificar as bancadas setoriais, como as dos empresrios, trabalhadores, ruralistas, evanglica, entre outras. Ora, a repartio dos conjuntos da representao por setores ou grupos escancara a crescente organicidade social no pas, decorrncia da conquista de direitos, principalmente ps-Constituio de 1988; da elevao dos padres educacionais; da ascenso social e econmica de milhes de brasileiros; e da abertura das redomas dos Poderes, com maior acesso das pessoas aos canais do Executivo, Legislativo e Judicirio.

O povo no uma fico. Pouco a pouco comea a entender que sua representao compe tambm a elite poltica. Nesse sentido, a morfologia representativa das Casas congressuais ganha as tintas da pluralidade. O Brasil tem avanado, sim, no campo da representao. (transcrito de O Tempo)

Os ossos do ofcio

Sylo Costa

A expresso ossos do ofcio diz respeito s dificuldades inerentes ao exerccio de uma atividade, funo, profisso etc. Mas existem outros tipos de ossos, tambm ligados ao ofcio, que viraram moda: mensaleiros de todos os tipos, inclusive aqueles do PT que se dizem presos polticos na democracia deles, e de outro, que procura dedo em cabea de cavalo pela evidncia da teoria do domnio do fato.

No bastasse o Vaticano anunciar que os restos mortais de So Pedro, fundador da Igreja Catlica, sero expostos ao pblico no fim deste novembro para celebrar o encerramento do Ano da F, evento que contar com o popular papa Chico, aqui no Rio Grande do Sul est um furduno com o revival petista da exumao dos restos mortais de Joo Goulart (Jango) para uma autpsia poltica que poder at provar que o ex-presidente foi assassinado e, assim, se tornar um plus para a subverso da histria.

O governador do Rio Grande, o terico terrorista Tarso Genro (e terico porque no se sabe dele durante a revoluo), protetor do terrorista italiano Cesare Battisti, est convencido de sua reeleio se peritos que vieram de Cuba pas fornecedor de mo de obra escrava , especialmente para demonstrar a tese do assassinato, conseguirem cumprir a misso com xito. Todavia, se no encontrarem nenhum pozinho que tenha envenenado o ex-presidente, os experts cubanos, gente boa e teleguiada, certamente tero de enfrentar, ao regressarem ilha, o paredo do big brother cubano. Os ossos de Jango podem, assim, se tornar os ossos do ofcio dos cubanos.

DOIDO VARRIDO

Se no Sul temos o Tarso Genro, no Norte, alm-fronteiras, temos o Maduro, doido varrido, conversando com os ossos de Chaves e presidindo a Venezuela, no de fato, mas de direito, sustentando as teses bolivarianas, verdadeiros ossos do ofcio.

E, por falar em direito, esqueci que dormir de barriga cheia me causa pesadelos e, desta vez, no foi diferente: sonhei um sonho mal sonhado, tudo por causa da meia priso dos mensaleiros.

Alguns ministros que votaram pela priso aberta daqueles que, absurdamente, tiveram seus embargos infringentes recebidos pelo Supremo, num dia qualquer, votaro pela continuidade da priso aberta e, a, arranjaro um atestado de bom comportamento para Dirceus e Genoinos da vida e relaxaro a priso de quase todos ou de todos eles. Isso to certo feito boca de bode, com votao de 6 a 5, os mesmos que votaram pelo recebimento dos embargos, com um discurso didtico de duas horas do ministro Barroso e concluso lgica: j que est, deixa ficar.

Depois dessa, os ministros diro como um vereador meu amigo dos tempos de militncia: E se argum furastero de terra estranha pregunt se foi ns qui fundemo essa instituio, que ns t inagorano, ns tudo responde com uma boca s: fumo!. (transcrito de O Tempo)

Falta trabalho e empenho para combater a dengue

http://www.biorosario.com.br/adm/files/charges/231/biorosario1.jpgPedro do Coutto

Reportagem de Laura Antunes Bertolucci, O Globo de quarta-feira, 20, revelou o crescimento dos casos de dengue no Rio de janeiro e no pas, acentuando que, de 2012 a 2013, registrou-se uma taxa de mortes 96% e a elevao de 65% nos casos graves. Esto faltando trabalho e empenho do Poder Pblico de modo geral para enfrentar tal quadro que sempre se agrava, como todos sabem, no vero especialmente em consequncia das chuvas. Nas guas estagnadas, os mosquitos proliferam. O trabalho para enfrentar a doena transmissvel inclui, como sempre assinala Elena, minha mulher, uma campanha permanente. Mas no. As autoridades sanitrias no atuam preventivamente. Agora, em funo da reportagem, vo se mobilizar. Em todo o pas, este ano, foram notificados 217,8 mil casos. Ocorreram 573 mortes, quase o dobro do total registrado em 2012.

Uma epidemia cujos nmeros faziam prever. Em 2010 os casos registrados foram 26,8mil. Trs anos depois, alcanaram 217,8 mil. As redes pblicas, em consequncia, passaram a se defrontar com sobrecarga maior adicionada s deficincias que j apresentam. Todas as semanas, os jornais e redes de televiso destacam as falhas que se sucedem e permanecem sem soluo. Macas com pacientes nos corredores, falta de remdios, de equipamentos, dficit de mdicos, neste caso ao ponto de o governo federal ter recorrido importao de outros pases. No poderia haver confisso maior de precariedade no atendimento. Os recursos financeiros so pequenos para a dimenso das tarefas. As perdas de medicamentos se acumulam, muitas vezes por descaso. Um desastre.

A todo esse quadro extremamente crtico acrescente-se o problema da dengue que poderia ser substancialmente diminuido caso os dirigentes pblicos se empenhassem efetivamente na tarefa permanente que comea pelo saneamento dividido em vrias escalas. A mais simples impedir a proliferao de pneus velhos contendo guas acumuladas. Ao dos tradicionais matamosquitos que desapareceram dos bairros e das ruas. O trabalho permanente exige esforo para valer, sobretudo levando-se em conta o aumento natural da populao brasileira. Com a taxa demogrfica em torno de 1% ao ano, a cada doze meses so mais 2 milhes de crianas que nascem.

INCIDNCIA SOCIAL

O empenho, portanto, tem que apresentar mobilidade pelo menos igual para que a doena causada pela contaminao do mosquito no vena a corrida entre a preveno e sua incidncia social. Esse enfoque no foi considerado, como a reportagem demonstrou. Pois se fosse, de 2010 a 2013, os casos atestados no teriam crescido tanto no Rio de janeiro e no pas. Os casos diagnosticados, pois quanto sequer teriam sido objeto de registro adequado?

E isso ainda no basta para se analisar todas as consequncias. As medicaes aplicadas foram as corretas? Sim porque necessrio incluir-se erros humanos na mdia dos atendimentos sobretudo num pas como o nosso que no possui mdicos suficientes para atendimento gratuito populao. E a maioria dos habitantes, como natural, no possui condies de recorrer a uma assistncia particular. preciso no esquecer que uma grande parcela de planos de sade foi penalizada pelo no cumprimento de suas obrigaes. Se isso acontece na rea pelo menos no totalmente, que dir na esfera da renda familiar ainda mais reduzida? A preveno insubstituvel. Mas exige trabalho e empenho de verdade.

A poesia livre e espontnea de Rachel de Queirz

A romancista, contista, tradutora, jornalista e poeta cearense Rachel de Queirz (1910-2003), em Geometria dos Ventos, mostra a poesia livre, sem limites de idioma, espontnea.
GEOMETRIA DOS VENTOS
Rachel de Queirz

Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que no oferece signos
nem linguagem especfica, no respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artrias,
to espontnea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo to elaborada –
feito uma flor na sua perfeio minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
j dentro da geometria impecvel
da sua lapidao.
Onde se conta uma histria,
onde se vive um delrio; onde a condio humana exacerba,
at fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassis de fogo,
sombra de Eva Braun, envolta no mistrio ao mesmo tempo
fcil e insolvel da sua tragdia.
Sim, o encontro com a Poesia.

(Colaborao enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canes)