Roberto Jefferson define sua priso como “exlio poltico”

Da Agncia Brasil

Braslia O presidente licenciado do PTB, Roberto Jefferson, definiu hoje (18) sua priso como “exlio poltico”, por meio de sua conta no Twitter. O ex-parlamentar afirmou que continuar a escrever no seu blog, caso seja permitido no perodo de execuo da pena. Saibam que, de onde estiver, continuarei a lutar pelos interesses e pela grandeza do Brasil.

Jefferson foi condenado a sete anos e 14 dias de priso pelos crimes de corrupo passiva e lavagem de dinheiro, alm de multa de R$ 720 mil, na Ao Penal 470, o processo do mensalo. Roberto Jefferson foi o responsvel pela denncia do esquema de pagamento a parlamentares. Durante a investigao do Ministrio Pblico Federal, o ento presidente em exerccio do PTB confirmou ter recebido R$ 4 milhes e distribudo o dinheiro entre os deputados do partido.

Na rede social, Jefferson declarou que cumpriu sua misso e que o ltimo ano tem sido um dos mais difceis de sua vida com a descoberta de um agressivo cncer no pncreas.

Roberto Jefferson um dos sete condenados que ainda podem ter a execuo da pena determinada hoje. Jefferson usou as redes sociais para dizer que no guarda “mgoas” e desejou “paz de esprito” aos seus “detratores”. Alm dele, devem ser comunicados sobre a pena os parlamentares Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP), o ex-advogado do publicitrio Marcos Valrio, Rogrio Tolentino, os ex-deputados federais Pedro Corra (PP-PE) e Bispo Rodrigues (PL-RJ, atual PR), e o ex-vice-presidente do Banco Rural Vinicius Samarane.

Ser que Lula vai dizer a verdade?

Celso Serra

A colunista de poltica Dora Kramer escreveu uma nota muito interessante no Estado, que vale a pena ser reproduzida. Confira o texto, para depois ver se a promessa se concretiza.

###
DEIXA FICAR

Dora Kramer
Logo aps a deciso do Supremo de mandar prender os rus em situao de trnsito em julgado, o ex-presidente Lula da Silva disse que ao fim de todo o processo pretende “falar algumas coisas” a respeito.

Ajudar a lanar luz sobre aspectos ainda obscuros se explicar, por exemplo, a razo pela qual se omitiu quando alertado pelo tucano Marconi Perillo e pelo prprio Roberto Jefferson sobre a distribuio de recursos a partidos em troca de apoio ao governo que presidia.”

Perito afirma que motorista de JK foi baleado na cabea

ABRE-G
Tmara Teixeira
(O Tempo)

A Polcia Civil de Minas Gerais ter de explicar Comisso da Verdade da Cmara de Vereadores So Paulo como e por que o crnio do motorista do ex-presidente Juscelino Kubitschek, Geraldo Ribeiro, foi esfacelado durante a exumao do seu corpo, em 1996. A comisso admite chamar a polcia mineira para prestar esclarecimentos depois do depoimento do perito Alberto Carlos de Minas, 68. Na ltima quarta-feira, ele disse que viu o crnio ser retirado intacto e com uma marca de tiro de dentro do Cemitrio da Saudade, em Belo Horizonte, para ser analisado no Instituto Mdico Legal (IML).

Para o perito, o crnio foi destrudo propositalmente. Alberto de Minas conta que acompanhou, a pedido da famlia e com autorizao da polcia, a exumao que pretendia provar que Geraldo Ribeiro foi vtima de um tiro antes de se envolver no acidente em que morreu e que matou JK, em 1976. Vi o crnio sair intacto com uma marca claramente provocada por uma arma de fogo, afirma o perito especialista em anlises de balstica.

No entanto, pouco tempo depois, o IML informou que o crnio havia sido encontrado esfacelado e que no era possvel verificar se o motorista havia sido atingido por uma bala. O laudo necroscpico divulgado na poca, de acordo com o presidente da comisso, vereador Gilberto Natalini (PV), trazia fotos com o crnio totalmente quebrado. Segundo Natalini, o documento do IML jamais foi divulgado na ntegra.

Na nossa avaliao, o crnio foi danificado propositalmente durante a exumao. Queremos saber o que de fato ocorreu em Minas. Este assunto sempre foi um tabu para a polcia. Naquela poca (1996), o sistema repressivo ainda tinha resqucio na polcia e se mantinha organizado. A corporao sempre teve dificuldades de tratar o assunto, afirmou.

O perito tambm categrico ao dizer que o material foi alterado. Faltou vontade poltica para desvendar o caso quando ele foi reaberto. Os restos foram destrudos para que tudo fosse perdido, disse Alberto de Minas.

SILNCIO

A Polcia Civil de Minas informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que s ir comentar o caso da exumao do motorista de JK depois de ser notificada oficialmente.

Site da Cruzex 2013 vem com bandeira dos Estados Unidos

Mauro Santayana
Parabns FAB pela brilhante organizao dos exerccios militares areos da Cruzex 2013 no Nordeste. Com todo o respeito pela nossa Fora Area, fao, no entanto, duas observaes: a recente incluso dos EUA e do Canad, pases da OTAN, no evento, que realizado desde 2002, eliminou a possibilidade de transform-lo no primeiro projeto do embrio de um sistema de manobras militares conjuntas e peridicas, envolvendo um grande nmero de pases da UNASUL e do Conselho de Defesa Sul-americano.
Esse fato abre a possibilidade de que outro pas sul-americano o faa, se a FAB no estudar a incluso em seu calendrio de manobras, de um outro encontro, sem os EUA e o Canad como participantes.
Em segundo lugar o pessoal do Comando da Aeronutica pode no ter percebido – a imperdovel ausncia do espanhol lngua da grande maioria dos pases convidados – do site oficial do evento, que tem como alternativas ser lido apenas em portugus ou em ingls, este ltimo idioma assinalado com o absurdo – para o local e a circunstncia – boto de uma bandeira dos Estados Unidos.
NOS DETALHES
Como dizia o professor da escola de homens-bomba, o diabo est nos detalhes, ou “os grandes problemas vm em pequenos pacotes”.
A no ser que os EUA fossem co-organizadores do evento ou seus patrocinadores, o que no o caso, a omisso representa, no mnimo, uma descortesia e um equvoco estratgico (que talvez ainda possam ser resolvidos a tempo) com pases e clientes do Brasil, como a Fora Area do Equador, que compareceu com seus novos Super-Tucanos.
Na pior das hipteses, fica um recado de rasteira subordinao aos EUA (por que no uma bandeira do Canad, pas que tambm tem o ingls como lngua, ou simplesmente as opes portugus/english por extenso?).E, como para bom entendedor um pingo letra, uma mensagem que poder ser interpretada por oficiais de foras reas sul-americanas como: olha, cucarachas… ns e nossos amiguinhos gringos estamos por cima, e vocs, por baixo.

O show de Luiz Carlos da Vila tem que continuar

O cantor e compositor carioca Luiz Carlos Baptista (1949-2008) que adotou o nome artstico de Luiz Carlos da Vila ou das Vilas, como ele mesmo afirmava, porque residia na Vila da Penha e era compositor da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, considerado um dos formatadores do samba carioca contemporneo.

A letra deste samba mostra que, mesmo diante das adversidades surgidas na hora de cantarmos, devemos insistir at acharmos o tom correto, porque O Show Tem Que Continuar. Este samba foi gravado pelo grupo Fundo de Quintal no Lp O Show Tem Que Continuar, em 1988, pela RGE.

O show tem que continuar
Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila

O teu choro j no toca
Meu bandolim
Diz que minha voz sufoca
Teu violo
Afrouxaram-se as cordas
E assim desafina
E pobre das rimas
Da nossa cano
Hoje somos folha morta
Metais em surdina
Fechada a cortina
Vazio o salo

Se os duetos no se encontram mais
E os solos perderam emoo
Se acabou o gs
Pra cantar o mais simples refro
Se a gente nota,
Que uma s nota
J nos esgota
O show perde a razo

Mas iremos achar o tom
Um acorde com um lindo som
E fazer com que fique bom
Outra vez, o nosso cantar
E a gente vai ser feliz
Olha ns outra vez no ar
O show tem que continuar

Ns iremos at Paris
Arrasar no Olmpia
O show tem que continuar

Olha o povo pedindo bis
Os ingresso vo se esgotar
O show tem que continuar

Todo mundo que hoje diz
Acabou vai se admirar
Nosso amor vai continuar

(Colaborao enviada por Paulo Peres - site Poemas & Canes)

Prises do mensalo no alteram tendncias eleitorais

Pedro do Coutto
As prises de condenados pelo Supremo Tribunal pelo processo do mensalo, ocorridas h poucos dias, no devem alterar as tendncias eleitorais registradas pelo Datafolha e Ibope relativamente s eleies presidenciais de 2014. So fatos distintos e assim foram focalizadas pela opinio pblica. A presidente Dilma Rousseff no se pronunciou e o ex-presidente Lula, de forma enftica, porm neutra, indagou quem seria ele para contestar uma sentena da Corte Suprema. As manifestaes ficaram por conta do deputado Rui Falco, presidente do PT, e de um pequeno grupo de petistas quando da apresentao dos ex-deputados Jos Dirceu e Jos Genono Polcia Federal. Os prximos levantamentos dos dois institutos devem confirmar essa previso.
O impacto junto opinio pblica certamente foi grande, sobretudo pelo carter excepcional de que se revestiu acrescentado pela repercusso do fato nos veculos de comunicao. Houve certamente uma expectativa intensa no espao de tempo entre a decretao das prises e apresentao dos rus. No de supor que, apesar disso, tenha produzido reflexos de porte nas intenes de voto registradas at agora.
A opinio pblica, no fundo, sabe separar as coisas e os efeitos delas no seu posicionamento. Afinal de contas, ningum pode se apresentar como dono de uma vitria que pertence a toda sociedade. Passaram-se oito longos anos entre a exploso do esquema do mensalo e seu quase desfecho final. preciso no esquecer que Jos Dirceu, ento ministro chefe da Casa Civil, terminou deixando o cargo atravs de ato do prprio presidente Lula.
Naquele momento, ele no s perdeu cargo como a condio de candidato do Planalto sucesso presidencial de 2010. Ele era capito do time, como o prprio Lula o chamava. Dilma Rousseff o substituiu na Casa Civil e tambm a candidatura presidencial quatro anos depois. Jos Dirceu, na realidade, foi o grande derrotado em todo o processo crtico que se desenvolveu no pas e cujo desfecho comeou a ocorrer concretamente a partir do final desta semana. Mas esta outra questo.
NOVAS PESQUISAS
Ibope e Datafolha vo realizar pesquisas na tentativa de identificar se as prises decretadas por ato do ministro Joaquim Barbosa, influem de algum modo ou no nas preferncias eleitorais vinculadas sucesso presidencial. Acredito que no como disse h pouco. Em primeiro lugar em funo da separao dos campos de anlise. Depois em face no terem ocorrido episdios de peso vinculados s eleies. Enquanto a candidatura Dilma Rousseff, como natural, segue seu curso, as indefinies no PSDB prosseguem, bem como as dvidas no PSB.

Entre os tucanos permanece a desarmonia entre Acio Neves e Jos Serra. No Partido Socialista Brasileiro, o choque entre as correntes de Marina Silva e Eduardo campos. Nenhum dos quatro fez qualquer pronunciamento de peso em referncia s prises de rus do mensalo decretadas at agora e quanto a continuidade dos julgamentos a serem completados. Mesmo que fizessem, o voto na urna uma coisa. O voto dos ministros do STF outra. Datafolha e Ibope devem, creio, confirmar essa face da questo.

Interpol inclui nome de Pizzolato na lista de procurados da Justia

Da Agncia Brasil

Braslia – A Interpol(Polcia Internacional) incluiu o nome do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato na lista de procurados em mais de 190 pases. Pizzolato foi condenado a 12 anos e sete meses de priso na Ao Penal 470, o processo do mensalo. No entanto, ele viajou para a Itlia e, por ter a cidadania italiana, no pode ser extraditado para o Brasil . Ele considerado foragido pela Polcia Federal.

Em uma carta divulgada imprensa por sua famlia, Pizzolato diz que decidiu buscar um novo julgamento na Itlia. Ele foi condenado por ter autorizado repasses de dinheiro pblico do Banco do Brasil em favor das empresas do publicitrio Marcos Valrio, apontado como operador do esquema de compra de votos no Congresso Nacional.

O Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou a ao, entendeu que os desvios ocorreram de duas formas. A primeira, por meio da apropriao de cerca de R$ 2,9 milhes do bnus de volume (bonificaes a que o banco tinha direito) pelas empresas do publicitrio, e a segunda, pela liberao de R$ 73 milhes do Fundo Visanet. Segundo os ministros, Pizzolato recebeu R$ 326 mil de Valrio em troca do favorecimento.

As prises de 12 dos condenados foram decretadas na sexta-feira (15) pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa. Somente o mandado de priso de Pizzolato que no foi cumprido.

Sete dos primeiros condenados que tiveram a priso decretada apresentaram-se PF em Belo Horizonte (MG): Jos Roberto Salgado, ex-vice-presidente do Banco Rural; O publicitrio Marcos Valrio; Ktia Rabello, ex-presidenta do Banco Rural; o ex-deputado federal Romeu Queiroz (PTB-MG); Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, ex-scios de Marcos Valrio; e Simone Vasconcelos, ex-funcionria de Valrio. Dois entregaram-se em So Paulo: o ex-ministro da Casa Civil, Jos Dirceu, e o ex-presidente do PT e deputado federal (SP) Jos Genoino. Os dois foram condenados ao regime semiaberto. O ex-tesoureiro do PL (atual PR) Jacinto Lamas e o ex-tesoureiro do PT Delbio Soares apresentaram-se PF em Braslia.

A imprensa que afaga a mesma que apedreja

Fernando Orotavo Neto

A liberdade de imprensa (freedom of the press), em todas as suas formas, alada categoria de direito fundamental do cidado pela Constituio da Repblica (art. 5, incisos IX), tem por finalidade a formao de cidados conscientes, a transparncia e fiscalizao das gestes pblicas, a livre circulao de informaes e ideias, em suma e em sntese, o fortalecimento da democracia e do Estado de Direito. Sem liberdade para opinar (CF, art. IV) e imprensa livre, o cidado perde o direito de ser informado e o seu poder de tomar decises resta diminudo, tornando-se refm do status quo.

Talvez por isto, num mundo cada vez mais globalizado, onde as notcias veiculadas so difundidas em questo de segundos, numa velocidade impressionante (on line), para um nmero cada vez maior de indivduos, quase ningum ouse questionar o poder da imprensa – qualificada, at mesmo e por vezes, como o quarto Poder da Repblica.

A fora e a influncia que a opinio publicada produz em relao opinio pblica to ostensivamente gritante, no tocante formao desta, que, apenas para citar um exemplo, na dcada de 60 nos EUA, no auge da Guerra Fria e da caa aos comunistas, a imprensa julgava e condenava os cidados que no interessavam ao regime, relegando para o Judicirio a funo menor de referendar o veredito antecipado da opinio pblica. Vigia a poca do chamado trial by media (julgamento pela imprensa) ou pretrial (pr-julgamento), ocasio em que muitos perderam sua liberdade sem direito a um processo justo (fair trial). Reprteres pensavam que eram juzes; editores de jornais tinham certeza que eram Ministros da Suprema Corte.

O CASO DA OGX

Tendo a histria por minha eterna conselheira e lendo as recentes notcias sobre o pedido de recuperao judicial da OGX, que me permitiram tecer algumas reflexes sobre a atuao inerte e omissa da CVM (Comisso de Valores Mobilirios) no episdio, penso que esse triste caso da vida financeira nacional deveria abrir oportunidade para que tambm a imprensa, ou grande parte dela, fizesse uma autoanlise das informaes difundidas sobre as empresas X, no perodo anterior e posterior queda, como si acontecer naquelas fotos de antes e depois postadas por simpticos gordinhos que emagrecem.

natural que a proximidade com o Poder, na busca pelo furo de reportagem, acabe gerando notas recomendadas (ou rec, como so chamadas no jargo dos assessores de impressa), notas chapa branca, de interesse da autoridade constituda, prefeitos, governantes e chefes de Estado, que tem interesse de v-las publicadas. O famoso dando que se recebe, no privilgio da poltica ou dos polticos. claro que h jornalistas srios, em sua grande maioria, que esto comprometidos com a veracidade da informao e se preocupam com os fatos que divulgam e pem em circulao, checando dados, fontes e, mais importante que isso, ouvindo o outro lado o que se afigura imprescindvel, diria eu. H outros jornalistas, porm, com j minsculo, que se deixam seduzir pelo jogo do poder, e passam a servir, escancaradamente, aos interesses dos governantes de ocasio, cujo desgnio maior formar a convico da opinio pblica a seu favor. Parecem hipnotizados pela vetusta frmula segundo a qual acontea o que acontecer, esteja onde estiver, estarei sempre do lado do mais forte.

O EXEMPLO DE EIKE

A ascenso e queda de Eike Batista um real exemplo dessa prtica. Sendo interesse do Governo justificar os emprstimos milionrios destinados s empresas X, criou-se, atravs da imprensa, o mito Eike Batista; o homem que, tal como Midas, em tudo que tocava virava ouro. As notas dirias sobre as empresas e seu comandante s prometiam pujana, novos investimentos, empregos em profuso. Parecia que Eike Batista havia criado o capitalismo, tamanha era a exposio benigna da sua figura nos veculos de comunicao. Havia mesmo jornalistas que todo santo dia enalteciam em suas colunas Eike Sempre Ele Batista, noticiando qualquer movimento do empresrio, no intuito de afagar seu ego empresarial e demonstrar que o poder pblico fazia muito bem em t-lo como parceiro de negcios.

claro que tamanha publicidade opressiva fez com que milhares de pessoas comprassem aes da empresa e nela apostassem cegamente, pois as notcias publicadas e veiculadas em jornais e revistas ainda possuem presuno de veracidade, j que o povo sempre acredita que onde h fumaa, h fogo, para repetir colorida e significativa expresso popular.

O curioso, nisso tudo, que, hoje, depois da queda, os mesmos jornalistas que enalteciam o vitorioso empresrio trocaram a mscara, s noticiam seus tropeos, suas dificuldades, retratando-o como o engodo empresarial do sculo; esquecendo-se, como num passe de mgica, todos os providenciais elogios que lhe renderam em tempos recentes, numa tentativa grotesca, conquanto visvel, de espiarem as suas culpas.

Eike Batista pode at no ser o Warren Buffet brasileiro; mas certamente no um Kraken, monstro lendrio e colossal que pertencia ao folclore nrdico. Assim como qualquer empresrio, vive de acertos e erros – e se no fosse sua gigantesca exposio miditica, talvez seus erros no tivessem tomado propores sobremaneira dantescas.

RESPONSABILIDADE

Partindo da premissa de que toda outorga de poder corresponde ao nascimento de um dever de igual fora, que lhe correlato e indissocivel, pergunto-me qual a parcela de responsabilidade da imprensa na divulgao inopinada de notas recomendadas?

Seria, portanto, muito interessante que a imprensa se propusesse a pensar seriamente no assunto e fizesse uma autocrtica legtima, para se assegurar de que, daqui para frente, as notcias divulgadas sejam sempre as mais fidedignas possveis, de modo que a liberdade de comunicao e de imprensa se prestem a cumprir a nobre finalidade para a qual estes institutos foram criados, sem muito salseiro ou salamaleques – ainda mais em ano pr-eleitoral quando os governantes esto vidos por fazer circular informaes sobre seus programas sensacionais e feitos miraculosos, na clara inteno de ganharem um votinho aqui, outro acol. Ou algum no se lembra do Senador Demstenes Torres, queridinho da mdia, preferido dos reprteres polticos para entrevistas, e alado por eles condio de paladino da justia e da tica?

A verdade, nua e crua, que se a mdia no primar por sua prpria independncia, mantendo uma distncia regulamentar e estratgica nas relaes profissionais que conserva com o poder pblico, o cidado, destinatrio final da informao, j no mais poder diferenciar a tnue linha que separa uma notcia veraz e sria de uma notcia recomendada ou chapa branca; restando-lhe apenas, ao fim e ao cabo, constatar o triste paradoxo de que, no raramente, por motivos estranhos, confusos, intrigantes, opacos e inconfessveis, a imprensa que afaga a mesma que apedreja (Daprs Augusto dos Anjos: A mo que afaga a mesma que apedreja/Se a algum causa inda pena a tua chaga; apedreja essa mo vil que te afaga; escarra nessa boca que te beija).

Fernando Orotavo Neto jurista, com vrias obras
publicadas de Direito, e professor de Processo Civil

Polcia canadense desvenda rede de pedfilos em 50 pases, inclusive no Brasil

Da Agncia Lusa

Ottawa A polcia do Canad anunciou que desbaratou uma vasta rede de pedofilia. O inqurito, j encerrado, interrogou 348 pessoas no mundo, incluindo religiosos, professores e profissionais de sade. O inqurito foi feito em 50 pases e deteve seis autoridades pblicas – policiais ou magistrados -, nove dirigentes religiosos, 40 professores, trs famlias de acolhimento, nove mdicos, alm de enfermeiros.

No total, das 348 pessoas interpeladas, 108 so canadenses, 76 americanos e outros 164 de pases como a frica do Sul, a Argentina, a Austrlia, o Brasil, a Espanha, a Grcia, a Irlanda, o Japo, a Noruega e a Sucia, informou a polcia de Toronto.

Em um inqurito iniciado em 2010 a polcia deteve, em maio passado, um residente de Toronto, apresentado como o crebro da rede.

A inspetora Joanna Beaven-Desjardins explicou que em outubro de 2010 o seu servio de luta contra a explorao sexual das crianas tinha entrado em contato com um homem que partilhava na internet imagens de crianas vtimas de abusos sexuais.

No total, 386 vtimas menores foram retiradas da explorao sexual mas a sua vida est afetada para sempre, declarou o inspetor adjunto Gerald OFarell.

A teologia feita por mulheres a partir de sua feminilidade

01

Leonardo Boff

O papa Francisco tem dito que precisamos de uma teologia mais profunda acerca da mulher e de sua misso no mundo e na Igreja. certo, mas ele no pode desconhecer que hoje existe vasta literatura teolgica feita por mulheres na perspectiva das mulheres da melhor qualidade. Eu mesmo tenho me dedicado intensamente ao tema, culminando com os livros O Rosto Materno de Deus (1989) e Feminino-Masculino (2010), junto com a feminista Rosemarie Muraro.

Entre tantas atuais, resolvi trazer ao presente duas grandes telogas do passado: santa Hildegarda de Bingen (1098-1179) e santa Juliana de Norwich (1342-1416). Hildegarda vem sendo considerada, qui, a primeira feminista dentro da Igreja. Foi uma mulher genial e extraordinria para o seu tempo e para todos os tempos. Monja beneditina, exerceu a funo de mestra (abadessa) de seu convento de Rupertsberg de Bingen, no Reno; foi profetisa (profetessa germanica), mstica, teloga, inflamada pregadora, compositora, poetisa, naturalista, mdica informal e escritora. Seus bigrafos e estudiosos consideram um mistrio o fato de essa mulher, no estreito e machista mundo medieval, ter sido o que foi.

Hildegarda foi, acima de tudo, uma mulher dotada de vises divinas. Num relato autobiogrfico diz: Quando tinha 42 anos e 7 meses, os cus se abriram e uma luz ofuscante de excepcional fulgor fluiu para dentro de meu crebro. E ento ela incendiou todo o meu corao e peito como uma chama, no queimando, mas aquecendo… e subitamente entendi o significado das exposies dos livros, ou seja, dos Salmos, dos Evangelhos e dos outros livros catlicos do Velho e Novo Testamentos.

um mistrio como tinha conhecimentos de cosmologia, de plantas medicinais, da fsica dos corpos e da histria da humanidade. A monja desenvolveu uma imagem humanizadora de Deus, pois Ele rege o universo com poder e suavidade (mit Macht und Milde), acompanhando todos os seres com sua mo cuidadosa e seu olhar amoroso. Hildegarda ficou especialmente conhecida pelos mtodos medicinais seguidos na ustria e na Alemanha por mdicos at os dias de hoje.

Outra notvel mulher foi Juliana de Norwich (1342-1416), da Inglaterra. Pouco se sabe sobre sua vida. O certo que viveu todo o tempo reclusa numa parte murada da Igreja de So Julio. Ao completar 30 anos, teve uma grave enfermidade que quase a levou morte. Em dado momento, durante cinco horas, teve 20 vises de Jesus Cristo. Escreveu imediatamente um resumo de suas vises. Depois de 20 anos, tendo refletido longamente sobre seu significado, escreveu uma verso longa e definitiva sob o ttulo Revelations of Divine Love (Revelaes do Amor Divino, Londres, 1952).

Suas revelaes so surpreendentes, pois vm perpassadas por um inarredvel otimismo, nascido do amor de Deus. Para ela, o amor sobretudo alegria e compaixo. No entende as doenas, como era crena popular na poca, e ainda hoje, em alguns grupos, como castigos de Deus. Para ela, as doenas e pestes so, sim, oportunidades para encontrar Deus.

O pecado visto como uma espcie de pedagogia pela qual Deus nos obriga a conhecer a ns mesmos e a buscar Sua misericrdia. Diz mais: atrs daquilo que falamos de inferno, existe uma realidade maior, sempre vitoriosa, que o amor e a misericrdia de Deus. Pelo fato de Jesus ser misericordioso e compassivo, ele nossa querida Me. Deus mesmo Pai misericordioso e Me de infinita bondade.

Somente uma mulher poderia usar essa linguagem de amorosidade e compaixo e chamar Deus de Me de infinita bondade. Assim, vemos uma vez mais como a voz feminina importante para haver uma concepo no patriarcal e por isso mais completa de Deus e do Esprito que perpassa toda a vida e o universo.

As crnicas de Suetnio

Vittorio Medioli

A palavra maquiavelismo passou a ser sinnimo de amoralidade na disputa do poder embora Nicolau Maquiavel tenha se guardado de fazer apologia dos mtodos que adquiriram fama com a sua obra literria. O diplomata florentino pesquisou profundamente os textos de historiadores romanos, como Tito Lvio e Caio Suetnio Tranqilo, procura das condutas e dos meios que levaram os imperadores romanos conquista de um poder inigualvel.

Maquiavel retrata fielmente fatos e circunstncias de uma poca pr-crist, ainda no alcanada pela revoluo moral do Novo Testamento. Portanto, quem perde de vista o contexto histrico dos fatos que ele narra passa a confundi-lo com um demnio, arauto do mal e dos sete pecados capitais. Ledo engano ou, pior, injustia.

Maquiavel revela friamente os mtodos que, num primeiro momento, expandiram o Imprio Romano, mas que o condenaram, em seguida, runa. Tem tambm o mrito de colocar a nu a infelicidade pessoal que cercava a vida dos poderosos de Roma condenados a se prostituir, a trair, a mentir, a suprimir parentes e amigos, a viver assombrados por traies e vingana para manter, a qualquer preo, o poder.

O termo maquiavelismo por justia deveria ser substitudo por cesarianismo ou mais corretamente por amoralismo, luz do ensinamento cristo. Se analisarmos a poca dos Csares luz da doutrina brmane, aparecer a deusa Kali, esposa de Shiva, entidade divina encarregada da destruio daquilo que j no tem sentido e precisa dar lugar a algo melhor. Uma fora permanente da natureza que possibilita flor de ltus crescer no meio do lamaal e semente encontrar alimento no organismo em decomposio.

FIM DE UMA ERA

Os doze Csares cumpriram com o papel de conduzir e acelerar o fim de uma era, trazendo tona muito de bom e tudo de ruim que a humanidade tinha disposio naquela poca. Todavia, os imperadores merecem uma enorme considerao pela capacidade de ordenar o Estado, com sistemas que continuam universalmente atuais.

O cientista florentino, por sua vez, morreu no ostracismo e na pobreza por ter revelado os sentimentos abjetos que mais serviram na conquista do poder. Mas Maquiavel teve o mrito incontestvel de escancarar o lado obscuro dos governantes, levando-o ao conhecimento de quem quisesse neutraliz-lo.

Pois bem, as crnicas de Suetnio chegaram s livrarias em verso portuguesa, facilitando aos interessados a compreenso do Imprio Romano, do prprio Maquiavel e at para medir os avanos que a moralidade registrou (na realidade, poucos) desde quando Csar tombou no senado lamentando: At tu, Brutus….

E at ns, desembarcando da leitura de Suetnio, sentiremos pulsando nas veias a herana dos imperadores. Vale a pena ler. (transcrito de O Tempo)

Ainda as biografias no autorizadas…

Sandra Starling

Nosso pas com a exceo do que esto fazendo os Black Blocs e Anonymous e outros mais annimos ainda anda carecendo de bons debates.

Se Marina prega a volta ao trip, se Dilma acha que regime de partilha no um tipo de privatizao, se Acio continua espera de Serra, e Eduardo Campos vai debater economia em Londres, melhor mesmo que o debate sobre as biografias continue. Porque, pelo menos assim, a gente debate algo que presta.

Alis, continuo desconfiada de que o fio da meada s um deus chamado dinheiro (ah, como bom revisitar Aristfanes!), pois, no fundo, no fundo, tudo se resolveria se os direitos autorais fossem divididos entre personagens, herdeiros e bigrafos. Maldita herana de bens materiais, fonte de todas, TODAS, absolutamente todas as dissolues familiares e os hipcritas ainda vm falar que o divrcio que acabou com as famlias.

O que sempre acaba e acabou com as famlias foi o direito de herana: os herdeiros beira do tmulo, ou ps-tmulo, fazendo as contas de quanto cabe a cada um deles, inclusive o vivo ou, quase sempre, a viva que acaba tendo, no fim da vida, vida muito melhor do que a que gozara na companhia do(a) finado(a), ainda mais que esse(a) j vinha se finando h muito tempo e s lhe dava, a ela ou ele, cnjuge, o trabalho de aguentar seus arrotos, sua clica, seu vagar insone pela imensa casa ou exagerado apartamento… Isso, claro, para quem pode deixar herana num pas onde poucos tm o que deixar.

Mas voltemos s biografias. Quem se envereda por esse debate, pelo lado do dinheiro, precisa saber que nesse assunto Roberto Carlos no o rei. Antes, muito antes dele, em 1963, depois da Copa do Mundo de 1962, Pel, ento Rei do Futebol, tambm quis partilhar porcentagem com as vendas do livro de Mrio Rodrigues Filho, Viagem em Torno de Pel, publicado pela Editora do Autor, porque o jogador passara horas e horas dando entrevistas em Via del Mar.

CENSURA PRVIA

E, para quem discute se ou no censura prvia, bom saber que nessa matria nosso pas sempre foi extremamente errtico. Vamos a ela: quase todas as peas de Nelson Rodrigues, escritas depois do fim da ditadura de Vargas, foram censuradas para apresentao em palco, e uma delas, lbum de Famlia que ficou mais de 20 anos proibida , s pde ser encenada em 1967, em plena ditadura militar, quando j havia de novo a censura explcita.

Da censura de Vargas, tambm fez uso o presidente mais democrtico do pas, Juscelino Kubitschek, ao proibir a divulgao da msica de Billy Blanco contra a mudana da capital do Rio para Braslia… Sabiam disso?! E o mais interessante de tudo que essa informao sobre censura, praticada por JK, eu a obtive no blog de Chico Buarque, que cita a Enciclopdia da Msica Brasileira (Art. Editora, 1998) e tambm a entrevista com Billy Blanco feita por Fernando Faro no programa MPB Especial, includo no CD gravado pelo Sesc em 2000…

Esperemos o prximo round dessa histria, entre Paula Lavigne e o dr. Kakay!… (transcrito de O Tempo)

Diego Costa e a Espanha

Mauro Santayana
(HD) -Cada uno es hijo de sus obras. – a antiga advertncia, de Don Quixote de La Mancha, que nos alerta para a conseqncia das ms decises, parece ter sido, nos ltimos anos, totalmente esquecida pela Espanha.
Mesmo com uma dvida externa de quase 200%, 27% de desemprego, quase 100% de dvida interna lquida, e cerca de 20 bilhes de euros em reservas, Castela continua imprudente e arrogante. E como no pode mais exibir duvidosos galardes econmicos, passou a exercitar sua proverbial petulncia em outras reas, como o futebol, por exemplo.

Antes da Copa das Confederaes, os jornais espanhis diziam que a Roja ia dar uma lio ao Brasil. Acabaram levando, de volta para casa, duas. Uma de futebol, e a outra de patriotismo, antes, durante e depois da final, no Maracan, quando perderam de 3 x 0.
Sem entender que no estavam colhendo mais do que semearam antes fora a antipatia futebolstica, muitos torcedores no se esquecem das expulses de brasileiros daquele pas – os jornais espanhis preferiram justificar as vaias recebidas por aqui com um suposto apavoramento do Brasil com a sua seleo.
CONFRONTAO
E, como a Espanha no aceitou a derrota, continua o clima de confrontao. O ltimo captulo da picuinha foi o convite a Diego Costa para jogar pela seleo espanhola. Convocado tambm pelo Brasil, ele optou pela Espanha e a CBF pediu a cassao de sua nacionalidade brasileira.
Envolvido com corrupo e com a ditadura, Marin no para dizer o mnimo um exemplo de cidado, mas, infelizmente, preciso reconhecer que, hoje em dia, as pessoas trocam de passaporte como trocam de camisa.
A nacionalidade brasileira no um direito, mas uma honra e um privilgio. Defender a bandeira de outra nao, em um campo de batalha ou de futebol, deveria determinar para quem o faz – o irreversvel direito de ser feliz em seu novo pas e em sua nova condio. Por ingenuidade ou interesse, Diego Costa foi usado como instrumento de uma briga que o Brasil no comeou.
SINUCA DE BICO
A Fria, para jogar a Copa, no precisava dele. E isso reconhecido at por parte da opinio publica espanhola. Ao ver aceito seu convite, Del Bosque ficou em uma sinuca de bico. Se trouxer o jogador para o Brasil, depois de ter escolhido a Espanha, estar obrigado a coloc-lo em campo, aumentando a presso da torcida brasileira contra o time espanhol.
No final do torneio, se Diego Costa jogar mal e a Espanha perder, Del Bosque ser execrado em seu pas. Se ele jogar bem, e marcar, a verso que vai ficar a de que a Espanha no ganhou por seus prprios mritos, mais sim porque tinha um brasileiro jogando em sua seleo.

Dessa vez, os cartolas espanhis quiseram crescer e aparecer, na mdia, criando nova polmica com o Brasil, pas anfitrio da Copa e Pentacampeo do mundo. Com essa jogada, o mais provvel, que eles e seu treinador acabem se dando mal.

Depois de telefonar para Dirceu e Genoino, Lula agora quer ‘esquecer’ o mensalo

Vera Rosa
Estado

O ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva telefonou sexta-feira para o ex-ministro da Casa Civil Jos Dirceu e para o ex-presidente do PT Jos Genoino logo aps saber da expedio dos mandados de priso contra os dois. “Estamos juntos”, disse Lula aos antigos companheiros.

Apesar de manifestar solidariedade, Lula acertou com a presidente Dilma Rousseff uma estratgia para no prolongar o desgaste. Em vigor desde o ano passado no Palcio do Planalto, a lei do silncio sobre os desdobramentos do mensalo ser mantida, sob o argumento de que deciso judicial para ser cumprida. “Ns temos um acordo de no falar sobre esse assunto”, disse ontem o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral).

Lula passou o feriado em sua chcara, no interior paulista, e foi de l que ligou para Dirceu e Genoino. Na quinta-feira, ele avisou que no compareceria ao 13 Congresso do PC do B, em So Paulo, pois estaria ali representado por Dilma e por Falco. A presidente, por sua vez, no mencionou a priso dos petistas, citada pelo presidente do partido anfitrio, Renato Rabelo.

A partir de agora, Lula, Dilma e o PT faro de tudo para se descolar do mensalo. A frase “quem sou eu para fazer qualquer insinuao ou julgamento da Suprema Corte?” foi a senha dada por Lula, na quinta-feira, para encerrar de vez o assunto

Agora, so assessores de mantega envolvidos em corrupo. Isso no vai parar nunca…

Deu na poca

Dois assessores diretos do ministro da Fazenda, Guido Mantega, esto na mira da Polcia Federal. O chefe de gabinete, Marcelo Estrela Fiche (foto), e seu adjunto, Humberto Alencar, que ocupa a chefia da Assessoria Tcnica e Administrativa, so suspeitos de receberem propina da empresa Partnersnet Comunicao Empresarial, que presta servios de assessoria de imprensa pasta.

As denncias so de que os subordinados de Mantega teriam recebido R$ 60 mil em pacotes de dinheiro vivo das mos de uma secretria da empresa em Braslia. H suspeitas tambm de que a Partnersnet tenha colocado na folha de pagamento do ministrio funcionrios fantasmas e outros que nem sequer do expediente na capital. O caso foi revelado em matria publicada no site da revista poca.

A Fazenda informou j ter adotado medidas para investigar o caso. Mantega enviou, na noite de quinta-feira, ofcio ao ministro da Justia, Jos Eduardo Cardoso, pedindo que a PF apure as denncias. Um processo tambm foi aberto na Corregedoria do ministrio, para investigar se os servidores receberam ou no algum tipo de vantagem da Partnersnet.

Chico e o comunismo

Percival Puggina

Chico Buarque ocupou durante algum tempo funes privilegiadas na minha gerao. Namoramos ao som de Chico. Amamos com Chico. Danamos Chico. Mal, mas danamos. Chico enternecia coraes, a virtude trepidava, a gente era feliz. E sabia. ramos scios remidos no clube da eterna juventude e bebamos cada lgrima nos olhos tristes de Carolina. Quantas vezes passei brao nos ombros de Pedro Pedreiro e caminhei com ele, penseiro das mesmas divagaes! H um enorme repertrio, produzido por seu talento potico e musical que, a cada reproduo, me arrasta pelos ps se for preciso minha juventude e Porto Alegre dos anos 70.

Foi nessa poca, tambm, que se tornou conhecido o engajamento poltico de Chico e seu alinhamento com o partido (PCB). Para ele e para muitos outros, foram tempos de interditos e censuras que tinham, c entre ns, a marca do mau gosto. E de um inexplicvel medo da msica. Medo da msica? Quem pode ter medo da msica? Parodiando Stalin – quantas divises tem um compositor que no sejam as dos compassos de sua cano? E a msica de Chico, convenhamos, nunca produziu frmitos revolucionrios. No, censurar Chico e tantos outros foi um erro. Mas no essa a minha pauta. Quero falar do Chico engajado, sempre pronto a assinar qualquer mensagem de apoio ao comunismo e ao regime cubano. Resistiu e resiste at o ltima vilania dos ditadores vermelhos. Aquilo que nem Saramago suportou, a execuo dos trs negritos e a priso de 75 periodistas e intelectuais independentes, ele engoliu com bom usque e foi em frente. Ante o que levou Rigoberta Mench desero, Chico deu de ombros. A mais do que cinquentenria ditadura castrista continua a lhe merecer incondicional reverncia.

A polmica disputa jurdico-legislativa entre o grupo Procure Saber (formado por celebridades musicais como Chico, Caetano, Milton Nascimento, Djavan, Erasmo e Gil) e a Associao Nacional de Editores de livros reabre a discusso sobre o direito de escrever e o direito de no ser objeto da escrita alheia. E a, queiram ou no os membros do Grupo Saber, entra a questo da censura, muito mal vista por todos enquanto estiveram sob seu infausto escrutnio. No h como desfrutar, simultaneamente, as vantagens da celebridade e os benefcios do anonimato.

BRECHT E A VIRTUDE

Berthold Brecht, com brutal franqueza, ensinava que a solitria virtude de quem luta pelo comunismo a luta pelo comunismo. Quaisquer outras s quais ns conservadores ainda tentamos, aqui e ali, atribuir algum valor so irrelevantes para Brecht. Pois bem, o objetivo final do comunismo a eliminao da propriedade privada. O Manifesto Comunista deixa muito claro o que Marx e Engels pensavam sobre a posse individual de bens (que segundo eles s era vivel para alguns por no ser possvel para todos). Dirigindo-se sociedade burguesa, afirmaram no Manifesto: “Em resumo, acusai-nos de querer abolir vossa propriedade. De fato isso que queremos”. Tal o generoso projeto marxista ao qual Chico Buarque adere.

No entanto, direito autoral uma legtima forma de propriedade. To propriedade quanto qualquer outra. No deveriam os comunistas dar o exemplo, renunciando a seus direitos autorais? Ou estimulando sua desapropriao para, por exemplo, prover fundos ao Retiro dos Artistas, em suas tantas carncias? O comunismo uma ideia generosa e prdiga. Com os bens alheios.