Hospitalizado por coronavírus, um dos seguranças de Bolsonaro está em estado grave

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Teoria de “ser atleta” de Bolsonaro é uma irresponsabilidade.

Francisco Dutra
Site Metropoles

Um dos seguranças do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contraiu coronavírus e entrou em estado grave. Ari Celso Rocha de Lima Barros tem 39 anos e foi internado no Hospital de Base do DF, na noite dessa quarta-feira (25/03).

Ele é capitão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e foi diagnosticado com a doença em 18 de março. Desde então, cumpria isolamento domiciliar. Mas, segundo a família, o quadro piorou.

VIAJA COM BOLSONARO – “Estava em casa, sob controle. Ontem (quarta), se sentiu mal e foi internado no Hospital de Base”, contou ao Metrópoles a mãe do segurança, dona Julmar Rocha de Lima de Barros. “Ele trabalha na Presidência. É segurança do presidente. Ele sempre viaja com ele. E eu acredito que esse vírus ele adquiriu nessas viagens que fez”, acrescentou.

Curiosamente, na viagem a Miami, em que a grande maioria dos integrantes da comitiva presidencial adoeceram, Ari não esteve presente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO capitão Barros não está no grupo de risco e é um atleta, o que demonstra que a teoria de Bolsonaro é uma irresponsabilidade. (C.N.)

Tratem logo do impeachment, porque o dilema agora é tirar ou manter Bolsonaro

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Charge do Jaguar (Arquivo Google)

Helio Fernandes
(heliofernandesonline.blogspot.com)

O capitão presidente preparou tudo para que sua saída do governo seja apresentada, votada e consumada. Anteontem escrevi comentário com o título: “Bolsonaro, presidente sem passado, presente, futuro”.

Na conclusão: Sua chance de chegar a 2022, é difícil, quase impossível”. Isso tem apenas 48 horas. O PASSADO e o PRESENTE já estavam destruídos, ele fulmina o próprio FUTURO, colocando em perigo a vida de toda a população.

EXIGE, INSISTE – Contraria médicos, cientistas, especialistas, pede, exige, insiste no fim do “confinamento, isolamento” e de outras medidas de proteção.

Não sei quem chamou Bolsonaro de IRRESPONSÁVEL. Mas o autor da identificação tem direito a todos os royalties.

O capitão chama o confinamento imposto em todos os países por presidentes e primeiros-ministros “como crime contra o povo brasileiro”.

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P.S. 1
– Até os principais auxiliares condenam seu comportamento, (chamando-o de “aloprado”, sinônimo perfeito, apesar de vulgar) para IRRESPONSÁVEL.

P.S. 2 – Bolsonaro vai utilizar às 24 horas do dia para conseguir o fim do CONFINAMENTO usado no mundo todo.

P.S. 3 – Tratem logo do impeachment.

P.S. 4 – A partir de agora, o dilema será TIRAR ou MANTER Bolsonaro. 

Governadores propõem isolamento social, pedem crédito e redução de superávit

O encontro, por videoconferência, reuniu 26 governadores

Igor Gielow
Folha

Na primeira reunião do Fórum de Governadores após o duelo entre João Doria (PSDB-SP) e o presidente Jair Bolsonaro acerca da condução da crise do coronavírus, os chefes estaduais concordaram que é preciso manter políticas restritivas para evitar a propagação do patógeno. Bolsonaro, por sua vez, insiste em que as quarentenas são danosas à economia e fazem parte de uma histeria em relação à ameaça do vírus.

Os chefes estaduais também pediram a suspensão por 12 meses do pagamento das dívidas deles com a União. São Paulo e Bahia já obtiveram decisões no Supremo para não pagar por 6 meses, desde que apliquem os valores no combate à pandemia.

VIDEOCONFERÊNCIA – Participaram do encontro por videoconferência de duas horas e meia centrada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, 26 dos 27 governadores —apenas Ibaneis Rocha (MDB-DF) não estava presente.

Na carta final do encontro, que buscou ser propositivo e evitar críticas exacerbadas a Bolsonaro, recomenda a aprovação de um projeto urgente de renda mínima, de alongamento de dívidas de pequenas e microempresas, além da viabilização de recursos livres da União. Quer a redução da meta de superávit fiscal, que hoje na verdade é um déficit permitido de até R$ 124,1 bilhões em 2020.

AJUSTE FISCAL – Também pede a aprovação no Congresso do chamado Plano Mansueto, elaborado pelo secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, que prevê acesso de estados e municípios a empréstimos da União tendo como garantia promessa de ajuste fiscal. O texto pede que Bolsonaro lidere o processo e coopere com os estados.

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, também foi convidado, numa simbolização de unidade. Ele disse que governo Bolsonaro parece estar querendo criar pânico econômico para “obrigar parte da sociedade a acabar indo à rua” devido à crise do novo coronavírus.

O deputado falava sobre a agenda legislativa imediata para a crise, e afirmou que o governo havia prometido editar medida provisória para tentar garantir empregos.

MAIS PÂNICO – “Eu disse que, se não mandassem, o Congresso iria legislar. Fica parecendo que eles estão esticando a corda exatamente para obrigar parte da sociedade a acabar indo para a rua, e que fique num estado de maior pânico em relação aos próximos passos”, afirmou.

Um ponto central do embate entre o Planalto e os estados, a decisão sobre quarentenas, foi quase unânime: governadores defenderam seguir orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde), que vem apoiando o isolamento social para conter a curva de infecção do coronavírus, na contramão do que prega o presidente brasileiro.

SEM OFENSAS – “O objetivo não é transformar isso numa trincheira contra o presidente Jair Bolsonaro”, afirmou o paulista, que de todo modo voltou a criticar o discurso do presidente da noite de terça-feira, dia 24. Ele negou ter ofendido o mandatário máximo, e sim ter expressado suas críticas.

Uma exceção pontual foi Wilson Witzel (PSC-RJ), que foi mais duro sobre o posicionamento de Bolsonaro. “Qualquer decisão baseada no achismo está sujeita à responsabilização direta daquele que o faz”, afirmou o fluminense, ao defender que o país deva seguir orientações internacionais.

Para ele, “pronunciamento é manifestação política, não é ato jurídico, não tem qualquer reflexo na determinação do que se deve ou não fazer”.

PONTOS EMERGENCIAIS – Maia disse para eles serem objetivos, e afirmou que havia espaço para três pontos emergenciais: o Plano Manuseto, a MP do emprego e o projeto de renda mínima para a crise. A reunião foi secretariada por Doria, que é um dos coordenadores do Fórum dos Governadores.O impacto econômico da crise dominou as intervenções de quatro minutos de cada governador.

“Eu tenho muito medo dos reflexos econômicos. Tem cidade de 5.000 habitantes em quarentena, sem nenhum caso. Como é que vão ficar as pequenas e microempresas do país? Vai ter saque, como fica esse país?”, disse um aliado de Bolsonaro, Mauro Mendes (DEM-MT).

SERENIDADE –  “Ele se tornou presidente confrontando todo mundo nesse país. Nós temos de ter serenidade, senão tornaremos a crise da saúde a maior crise econômica da história”, afirmou Mendes.

Já Antônio Denarium (PSL-RR), outro bolsonarista, citou Doria e disse que “precisamos de harmonia e serenidade” na crise, repetindo com sinal trocado a frase do paulista pela manhã ao presidente.

LUTA DUPLA – “O principal ponto é que estamos numa luta dupla. Uma luta contra o coronavírus, mas também contra uma recessão, talvez uma depressão”, afirmou Romeu Zema (Novo-MG). Ele repetiu o tom de que é preciso defender empregos e empresas, e envolver o Congresso no processo.

Helder Barbalho (MDB-PA) defendeu tarefas conjuntas para geração de emprego nos estados. “Que possamos criar um amplo programa de transferência de renda para famílias pobres, tendo como referência os beneficiários de programas já existentes”, disse, afirmando que há R$ 1 trilhão em recursos do Tesouro em receitas vinculadas não utilizadas.

“Momento difícil”, afirmou Paulo Câmara (PSB-PE), citando a primeira morte pela pandemia no estado. “As restrições estão no caminho correto. Os estados têm de se preparar”, afirmou.

DRAMA – Outro oposicionista, Wellington Dias (PT-PI), exemplificou o drama de estados mais pobres. Disse que o apoio federal é imprescindível neste momento, ao mesmo tempo em que enfatizou a necessidade de seguir as orientações da OMS.

“O Brasil tem R$ 1,5 trilhão em reservas internacionais. Usar só 20% disso poderia salvar os empregados, a economia informal, a agricultura familiar”, afirmou Fátima Bezerra (PT-RN). Para o tucano Eduardo Leite (RS), é preciso reforçar o Fórum de Governadores para padronizar as ações contra a pandemia.

CRÍTICAS –  A reunião ocorreu depois da turbulenta videoconferência entre o Jair Bolsonaro e os governadores do Sudeste, que ficou marcada pela dura altercação entre o presidente e o tucano Doria. Nela, o governador apresentou demandas e queixas gerais dos governadores, além de criticar o discurso feito por Bolsonaro na véspera, no qual o presidente sugeriu a reabertura das escolas e buscou novamente minimizar a Covid-19, que já matou 57 pessoas no país.

Bolsonaro reagiu de forma agressiva, aos berros, e acusou Doria de buscar protagonismo na crise para tentar se cacifar na disputa à Presidência em 2022. O chamou de leviano e disse que ele se voltou contra si após ter usado seu nome para ajudar a eleger-se, em 2018.

MOVIMENTO DE UNIÃO – A reunião desta quarta-feira é o marco de um movimento de união inédito de governadores, conforme a Folha mostrou em fevereiro. Desde o ano passado, os titulares de estados nordestinos vinham se manifestando em notas conjuntas, e foi formado o consórcio do Sudeste e do Sul.

Doria foi um dos incentivadores da ação, inclusive criando o grupo de WhatsApp no qual os chefes estaduais se comunicam. Neste ano, a pressão de Bolsonaro para que estados retirassem a cobrança do ICMS, seu principal imposto, dos combustíveis e a crítica do presidente sobre a ação da PM baiana na morte do miliciano Adriano da Nóbrega cristalizaram o grupo.

NOTAS DURAS – Em ambos os casos, notas duras foram emitidas. Só ficaram de fora delas entre cinco e sete governadores, a depender do assunto, mais alinhados com o Planalto. Nesta quarta, dois deles, Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Comandante Moisés (PSL-SC), romperam com o governo.

Político tradicional do Centro-Oeste, Caiado era um esteio do bolsonarismo num dos estados centrais do agronegócio brasileiro, Goiás. Moisés, que era um bombeiro desconhecido, foi alçado ao governo na onda conservadora que levou o presidente ao poder.

Irritado com a repercussão de suas declarações, Bolsonaro volta a defender o fim do isolamento social

Sem nenhuma estratégia, Bolsonaro se isola cada vez mais

Deu no Estadão

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, dia 25, que não vai condenar a população “à miséria” para receber elogio da mídia ou de quem “até ontem assaltava o País”. “Penso no povo, que logo enfrentará um mal ainda maior do que o vírus se tudo seguir parado”, escreveu o presidente em sua conta oficial no Twitter.

A questão econômica tem permeado os discursos de Bolsonaro nos últimos dias. Em pronunciamento na terça-feira, 24, o presidente criticou autoridades estaduais e municipais que proibiram transporte e determinaram o fechamento dos comércios e o confinamento em massa.

SEM PAGAMENTO – Na rede social, ele escreveu que não há como desassociar emprego de saúde e, sem produzir, empresas não terão como pagar salários e servidores deixarão de receber.

A flexibilização da quarentena foi cogitada pelo presidente, que defende a ideia de ‘isolamento vertical’ para idosos e pessoas de baixa renda. Nesta quarta-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, alinhou o discurso com o de Bolsonaro e disse que é preciso melhorar a quarentena. “Não ficou bom. Foi precipitado, foi desarrumado.”

“GRIPEZINHA”– Após chamar o novo coronavírus de “gripezinha”, o mandatário escreveu que não quer descaso com a doença. “Não queremos descaso com a questão da Covid-19. Apenas buscamos a dose adequada para combater esse mal sem causar um ainda maior. Se todos colaborarem, poderemos cuidar e proteger os idosos e demais grupos de risco, manter os cuidados diários de prevenção e o país funcionando.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNinguém em sã consciência torce para que o trabalhador perca o seu sustento, a empresa feche ou a economia emperre de vez. Porém, não é empurrando as pessoas para as ruas que a questão estará resolvida. Usar a tática terrorista de escolha entre a saúde ou a economia é lavar as mãos diante de medidas estratégicas e organizadas que precisam ser tomadas. O mundo inteiro adotou protocolos semelhantes, mas Bolsonaro (ex-atleta das flexões parciais) e os seus apoiadores acreditam que o Brasil “com seu clima diferenciado” pode sair impune e enfrentar de peito aberto o coronavírus, e que os milhares de cidadãos que moram com seus pais e avós darão um jeito de, eventualmente infectados, protegerem seus entes. Fica a dúvida se é ignorância ou loucura. Há de se encontrar uma solução, uma cura. Mas incitar o fim do isolamento social sem garantia alguma é irresponsável. Bradar por cenários anteriores, em comparativos que não justificam é falta de argumento. Se outros governos erraram, isso não avaliza o atual a errar também dia sim, dia não. Quem está no campo minado é a população. Já que Bolsonaro se candidatou ao cargo de matemático, chegou a hora de sentar com a sua equipe e resolver essa equação. (Marcelo Copelli)

Rodrigo Maia vai derrubar MP que suspende prazos da Lei de Acesso à Informação

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Rodrigo Maia reclama do excesso de Medidas Provisórias

Camila Turtelli
Estadão

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu abertamente derrubar a medida provisória do presidente Jair Bolsonaro que desobrigou órgãos públicos de prestarem informações pedidas durante o enfrentamento da crise causada pela pandemia de coronavírus.

O governo suspendeu os prazos para que a administração pública atenda a solicitações feitas via Lei de Acesso à Informação, que determina o máximo de 30 dias para respostas a demandas de qualquer pessoa.

MATÉRIA FICOU DÚBIA – “Até conversei com o secretário Jorge (Oliveira, ministro da Secretaria-Geral da República), entendo a defesa que ele faz. Mas de forma remota hoje todo mundo consegue acessar todos os dados”, disse Maia. “A minha posição é que a matéria ficou dúbia e o melhor é que possamos derrotar essa matéria”, afirmou.

A decisão de Bolsonaro causou forte reação de entidades de transparência e de jornalismo, como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Imprensa. Para a organização não governamental Conectas Direitos Humanos, trata-se de um “ataque a um dos pilares da democracia”.

Parte do Congresso já discute formas de derrubar a norma e quer mudar o esquema de tramitação das medidas provisórias, que hoje têm prazo de 120 dias para serem validades pelo parlamento. Um pedido foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que esse rito de passagem das MPs possa ser mais rápido.

“Nossa proposta, já encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, é propor mudança no rito da votação das MPs, para que possamos ter um rito mais célere e mais rápido”, disse.

“Se essa for a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que possa autorizar um rito célere, para que não fique dúvida em relação as essas matérias que estão sendo editadas pelo governo a cada dia”, disse Maia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Durante a Constituinte, o jurista Saulo Ramos, consultor-geral da República, cansou de avisar que as Medidas Provisórias seriam usadas pelo Executivo para legislar, invadindo prerrogativa do Congresso. E não deu outra. (C.N.)

O mundo inteiro está errado ou Bolsonaro presta desserviço à nação, diz líder do PSL

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Olímpio é aliado de Bolsonaro, mas diz que tudo tem limites

Amanda Almeida, Isabella Macedo, Natália Portinari e Bruno Góes
O Globo

Líderes do Congresso reagiram à declaração do presidente Jair Bolsonaro, que repetiu pontos do pronunciamento da noite de terça-feira, dia 24, reforçando que apenas idosos deveriam ficar isolados, e ameaçando que a crise pode levar o país a sair da “normalidade democrática”.

Para parlamentares, “ou o mundo inteiro está errado e Bolsonaro está certo ou ele está prestando um desserviço à nação” – a frase é do líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), que, apesar do rompimento com filhos do presidente em meio ao racha no partido, ainda se considera aliado de Bolsonaro e defende medidas dele no Congresso.

TUDO AO CONTRÁRIO – As manifestações dele são contrárias a tudo que se diz no mundo inteiro. Se ele tiver certo, adiaram a Olimpíada por causa de uma gripezinha; a Índia colocou em isolamento um bilhão de pessoas, por causa de uma gripezinha; os Estados Unidos suspenderam voos, por causa de uma gripezinha, que só contagia velho e não afeta ex-atletas. Ou o mundo está errado e o presidente certo. Ou ele está prestando desserviço à nação. Continuo pedindo: acreditem 100% nas declarações do ministro Mandetta e fiquem em casa” – diz Olímpio.

Para o senador, os últimos pronunciamentos de Bolsonaro lembram o “Sai de Baixo”, programa da TV Globo. “Quando o personagem Caco Antibes, de repente, levantava e gritava: ‘Cala a boca, Magda’, isso sintetiza o meu pensamento, com muita tristeza, porque sou aliado de primeira hora dele”.

NORMALIDADE DEMOCRÁTICA – Presidente em exercício do Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG) disse nesta quarta-feira que não há hipótese de o país “sair da normalidade democrática”, como cogitou pela manhã o presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, todos são “escravos” da Constituição.

— Eu não acredito. Eu sou uma pessoa, até mesmo pela minha formação jurídica, totalmente vinculada à Constituição. Sou dela escravo e assim continuarei. Há temas que nem discuto, considero inexistentes. Nós todos somos obrigados a resguardar e seguir a Constituição. Aliás, foi o nosso juramento — disse Anastasia.

A presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Simone Tebet (MS) diz que Bolsonaro errou no timing, na forma e no conteúdo. “Agora, é hora de ficar em casa para salvar vidas. Enquanto isso, estamos votando projetos que liberam dinheiro extra para a saúde e subsídios para as empresas, a fim de proteger os mais vulneráveis e garantir empregos – avalia a senadora.

UMA FALA INSANA – Para o líder da minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a fala de Bolsonaro sobre “normalidade democrática” foi “insana”.

– Ele aposta no conflito. Temos de ser firmes e não cair no que ele fala. Tocar o Brasil, apesar dele. Bolsonaro passou de todos os limites da racionalidade, da humanidade. Não é mais um presidente da República. É um candidato a genocida.

Já o Líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), diz que “Bolsonaro falou para outro Brasil”. “ Brasil que eu vejo é onde as escolas estão fechadas, do comércio que aceitou se trancar para reduzir a curva de contágio. Ele quis comparar com a linha do Trump, mas o Trump fez uma programação para reduzir o “lockdown” pela páscoa. Faltou isso, o Bolsonaro construir com o gabinete de crise dele a ideia de fazer uma volta progressiva. Da forma como foi feita, ele foi contra as orientações do próprio governo” – disse o líder.

ORIENTAÇÃO DO MINISTÉRIO – O líder do MDB na Câmara, o deputado Baleia Rossi (SP) reforçou a necessidade de seguir orientações do Ministério da Saúde e de especialistas.

— Fiz uma declaração ontem no meu Twitter e a mantenho. Acho que temos que continuar seguindo as orientações do Ministério da Saúde, que são embasadas em técnicos da área e médicos renomados e da Organização Mundial da Saúde. Temos que seguir as orientações daqueles que estudaram a vida inteira para esse tipo de enfrentamento.

Já o líder do PDT no Senado, Weverton Rocha (MA) diz que o presidente precisa de parar de fazer política e começar a usar os recursos que foram autorizados pelo Congresso, quando aprovamos o decreto de calamidade pública no Brasil, para socorrer as pessoas e as empresas. “O coronavírus é um inimigo real e o presidente tem os instrumentos para combater e salvar vidas. Mas prefere matar pessoas que abrir os cofres públicos” – afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba, os repórteres não conseguiram encontrar um só líder a favor de Bolsonaro! Isso é grave, muito grave. (C.N.)

ABI afirma que Jair Bolsonaro demonstra não estar à altura do cargo que ocupa

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Paulo Jerônimo critica o  presidente

Do site da ABI

“Num momento em que se exige serenidade e liderança firme e responsável, com seu comportamento irresponsável e criminoso o presidente mostra não estar à altura do importante cargo que ocupa”, diz a Associação Brasileira de Imprensa em nota assinada pelo presidente Paulo Jerônimo de Sousa, após o pronunciamento de Jair Bolsonaro nesta terça-feira, dia 24.

“Decididamente, num momento em que se exige serenidade e liderança firme e responsável, com seu comportamento irresponsável e criminoso o presidente mostra não estar à altura do importante cargo que ocupa”, diz a ABI, ao comentar o pronunciamento no rádio e TV, em que Jair Bolsonaro voltou a comparar a Covid-19 a uma “gripezinha” ou “resfriadinho”, atacou a imprensa e usou idosos para criticar o fechamento de escolas. Bolsonaro ainda voltou a atacar as medidas dos governadores, pedindo para eles “abandonarem o conceito de terra arrasada”.

Leia, abaixo, a nota na íntegra:

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BOLSONARO TENTA RESPONSABILIZAR A IMPRENSA

Na noite desta terça-feira, o País assistiu, estarrecido, a um pronunciamento em que o presidente Jair Bolsonaro minimiza os riscos da pandemia do Covid-19 e vai na contramão de todas as medidas recomendadas pelas autoridades de saúde, tanto do Brasil, como do mundo. Tenta, também, responsabilizar a imprensa pela justificada apreensão que toma conta de todos.

Num momento em que milhares de vidas são ceifadas em outros países e que o coronavírus chega a nosso país de forma ameaçadora, fazendo as suas primeiras vítimas fatais, Bolsonaro refere-se à pandemia como uma “gripezinha” ou um “resfriadinho” e, ainda mais grave, recomenda que as medidas preventivas não sejam adotadas pelos brasileiros. Dessa forma, contribui para que o país não se prepare para enfrentar a grave situação que estamos vivendo.

Decididamente, num momento em que se exige serenidade e liderança firme e responsável, com seu comportamento irresponsável e criminoso o presidente mostra não estar à altura do importante cargo que ocupa.

Associação de Jornais e entidades criticam MP que muda atendimento à Lei de Acesso à Informação

Organizações dizem que propostas de mudanças são contraditórias

Paulo Roberto Netto
Estadão

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota no início da noite desta terça-feira, dia 24, criticando a medida provisória que prevê suspensão dos prazos da Lei de Acesso à Informação (LAI). Segundo a entidade, nas situações atuais, o governo deveria ser ainda mais transparente e ágil.

“Em situações de calamidade, a informação pública deve ser ainda mais transparente, abrangente e ágil, e não menos, como define a MP”, diz a ANJ. “Embora em situações excepcionais sejam compreensíveis limitações isoladas e específicas, tais circunstâncias deveriam ser explicitadas nas respostas aos pedidos de recursos, e não omitidas por força de uma MP”.

PROPOSTAS CONTRADITÓRIAS – A entidade afirma lamentar a edição do ato, feito nessa segunda-feira, dia 23, pela gestão Jair Bolsonaro. Além da ANJ, nota coletiva assinada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) com mais de cinquenta entidades criticam sete pontos da medida. Segundo as organizações, as propostas de mudanças na LAI são vagas, contraditórias e sem exposição de motivos.

“Em vez de estabelecer novos procedimentos que dificultam o acesso a informações, o governo federal deveria seguir o exemplo dos países que foram mais bem-sucedidos no combate à covid-19 (coronavírus) e ampliar a transparência, orientando estados e municípios a fazer o mesmo”, afirmam.

ÔNUS AO CIDADÃO – Outros pontos criticados é o trecho da MP que impede a possibilidade de recorrer de pedidos suspensos sob justificativa de servidor em home office ou em atividade de combate ao coronavírus e trecho que deixa o ônus ao cidadão de procurar o órgão novamente para ter a resposta atendida quando o período de estado de calamidade pública acabar.

“Ao estabelecer que os pedidos não respondidos no prazo devem ser reiterados em até dez dias passada a calamidade, possibilita que todas as solicitações feitas no período sejam ignoradas, a menos que a pessoa se lembre de refazê-la, findo o decreto de emergência – quando a informação poderá deixar de ser útil e estar desatualizada”, apontam.

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ÍNTEGRA DA NOTA DA ANJ:

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) lamenta a edição da MP 928, que restringe o alcance e a efetividade da Lei de Acesso à Informação.

Em situações de calamidade, a informação pública deve ser ainda mais transparente, abrangente e ágil, e não menos, como define a MP.

Embora em situações excepcionais sejam compreensíveis limitações isoladas e específicas, tais circunstâncias deveriam ser explicitadas nas respostas aos pedidos de recursos, e não omitidas por força de uma MP, sob pena de gerar na sociedade condenáveis especulações ou desinformações.

ÍNTEGRA DA NOTA CONJUNTA DA ABRAJI COM MAIS DE 50 ENTIDADES:

Só venceremos a pandemia com transparência
As organizações e os especialistas abaixo manifestam seu repúdio às alterações nos procedimentos de acesso à informação feitas pela Medida Provisória (MP) Nº 928. O texto, publicado no último 23.março.2020, ataca gravemente os mecanismos de acesso à informação e de transparência pública. Pelos motivos apresentados abaixo, exigimos a revogação do trecho que inclui o artigo 6º-B na Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020.

1. Não há exposição de motivos para a inclusão do artigo. Esse item, que normalmente acompanha uma MP, é fundamental para a sociedade compreender a finalidade da medida e os critérios usados pela administração pública para adotá-la.

2. O texto é vago, prejudicando o procedimento de acesso a informações. O art. 6º-B determina a priorização de respostas a pedidos relacionados às medidas de enfrentamento da pandemia, mas não especifica como isso ocorreria, se o prazo para resposta seria menor e quais os critérios para essa priorização. O texto não explicita se a priorização afeta apenas informações sobre saúde ou também alcança assuntos igualmente importantes que tangenciam o combate à covid-19 – como economia, geração de renda e condições de compras públicas em situação de emergência. Ao não apontar como seria a priorização dos pedidos, não deixa clara a necessidade de solicitantes exporem os motivos pelos quais seu pedido se relaciona com a pandemia – o que contraria ao art. 10, § 3º, da própria Lei de Acesso à Informação (LAI).

3. O texto é contraditório e abre brecha para omissões indevidas a pedidos de informação. O caput do novo art. 6º-B da Lei nº 13.979/2020 indica que serão priorizados os pedidos relacionados com as medidas de enfrentamento da pandemia. Mas o inciso II do §1º determina a suspensão do prazo determinado pela LAI justamente quando a resposta ao pedido necessitar de envolvimento de agentes públicos ou setores dedicados às medidas de enfrentamento. Na prática, os prazos para o atendimento de pedidos relacionados com as ações de combate ao coronavírus estariam suspensos sob uma retórica de priorização. É de fundamental importância que o governo federal e especialmente o órgão coordenador da política de acesso à informação, a Controladoria Geral da União, garantam condições para que os servidores possam, em segurança, atender a tais demandas – sejam os que estão no combate direto, sejam os que estão executando as funções administrativas em teletrabalho.

4. Exclui a possibilidade de recurso, impedindo que as pessoas questionem negativas a informações ou não atendimento a pedidos. Somada à falta de critérios claros de aplicabilidade da nova norma, o fato de a MP estabelecer que não serão sequer avaliados os recursos contra negativas ou omissões de informação nas condições do artigo 6º-B sepulta as chances de acesso a informações pois possibilita constantes, injustificadas e impunes negativas do governo, contrariando a determinação da LAI, que garante a apresentação de recursos como um direito.

5. Impõe a todas as pessoas a obrigação de buscar a transparência que deveria ser fornecida pelo poder público. Ao estabelecer que os pedidos não respondidos no prazo devem ser reiterados em até dez dias passada a calamidade, possibilita que todas as solicitações feitas no período sejam ignoradas, a menos que a pessoa se lembre de refazê-la, findo o decreto de emergência – quando a informação poderá deixar de ser útil e estar desatualizada.

6. A MP foi construída e imposta sem transparência ou diálogo com a sociedade civil. A CGU conta com um Conselho de Transparência, cujo propósito é justamente discutir esse tipo de medida com a sociedade civil e garantir a participação social, mas nem o colegiado, nem outras instâncias de participação foram consultados.

7. A medida vai na contramão das iniciativas de governo aberto que estão sendo adotadas por diversos países. As ações – disponíveis aqui – são incentivadas pela Open Government Partnership (OGP), parceria internacional de governo aberto da qual o Brasil faz parte. Com essa ação, o país também contraria o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16 presente na Agenda 2030 das Nações Unidas.

Pelos motivos expostos, a MP 928 é desproporcional e viola o direito constitucional de acesso a informações de interesse coletivo. Coloca a transparência e o controle social em um lugar secundário justamente quando a população sofre com a desinformação em meio a uma crise sem precedentes. Isso prejudica o direito das pessoas de ter informação sobre as ações governamentais de enfrentamento à epidemia.

Em vez de estabelecer novos procedimentos que dificultam o acesso a informações, o governo federal deveria seguir o exemplo dos países que foram mais bem-sucedidos no combate à covid-19 (coronavírus) e ampliar a transparência, orientando estados e municípios a fazer o mesmo.

A divulgação ampla de dados, especialmente em formato aberto (como boletins epidemiológicos; testes administrados e disponíveis; metodologia da coleta de dados; contratos e informações sobre compras públicas e orçamento; status de ocupação dos leitos nos hospitais, principalmente nas UTIs etc.), pode eliminar uma eventual sobrecarga de pedidos de informação e a necessidade de ajustes em prazos e procedimentos.

Dessa forma, repudiamos o artigo 6º-B da Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, estabelecido pela MP 928 e defendemos enfaticamente sua revogação imediata. Além disso, esperamos medidas que visem ao aprimoramento da transparência ativa, bem como mecanismos e instrumentos necessários para que os servidores tenham plenas condições de cumprimento da lei sem comprometer sua segurança. Não se pode instituir um regime de operação paralelo à Lei de Acesso à Informação, nem tampouco retroceder nas conquistas sobre transparência alcançadas pela sociedade, especialmente em um momento de evidente crise.

Ricardo Salles pede desculpa após compartilhar vídeos antigos de Drauzio Varella contra isolamento

Mudança de postura veio após o Twitter apagar as publicações

Alice Cravo
O Globo

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles pediu desculpa em suas redes sociais pelos vídeos antigos do médico Drauzio Varella publicados em seu Twitter, no último domingo, com informações desatualizadas e fora de contexto sobre o novo coronavírus.

A mudança da postura de Salles veio após o Twitter apagar as publicações por violarem as políticas da empresa, além de uma alta repercussão negativa. O ministro compartilhou vídeos do Drauzio datados de 30 de janeiro, quando o Brasil não tinha casos de coronavírus e a Itália registrava apenas dois infectados.

INFORMAÇÕES ANTIGAS – Neles, o médico afirmou que não mudaria a sua rotina por conta do vírus e que nada justifica a alteração dos hábitos na população. O ministro publicou os vídeos em sua conta no Twitter sem avisar que se tratavam de informações antigas e desatualizadas para a situação atual do país com o vírus.

Drauzio e sua equipe emitiram uma nota acusando a autoridade de “desserviço”. Após a repercussão negativa, o ministro postou vídeos atualizados do médico e afirmou que não apagaria as outras publicações porque também havia compartilhado os novos conteúdos. Salles, no entanto, citou em seu pedido de desculpas que o assunto é “dinâmico”, “comporta discussões e opiniões distintas” e que quis demonstrar o “impacto econômico de certos exageros”.


DESINFORMAÇÃO – Em nota, a empresa afirmou que o Twitter anunciou em todo o mundo a expansão de suas regras para “abranger conteúdos que forem eventualmente contra informações de saúde pública orientadas por fontes oficiais e possam colocar as pessoas em risco de transmitir o COVID-19”.

Na legenda da postagem, o ministro escreveu apenas “Coronavírus/considerações Drauzio Varela”, sem avisar que se tratava de uma publicação antiga. A equipe do médico afirmou por meio de uma nota que, na época, a pandemia ainda não havia chegado ao Brasil e que por isso o conteúdo foi produzido para acalmar a população.

MUDANÇA DRÁSTICA – “À época, não tinha motivo para alterar o ritmo de vida diário (o vídeo antigo que circula data de 30/01, quando a Itália tinha somente dois casos confirmados)”. A equipe do médico ainda reforça que a situação “mudou drasticamente e vai continuar mudando, pois a pandemia é dinâmica” e que “orientações antigas não servem para esse momento”.

O Portal Drauzio Varella chamou a divulgação do vídeo pelo ministro de “desserviço” e afirmou que “por prováveis interesses políticos, algumas autoridades oficiais estão usando esse conteúdo sem informar que se trata de um material antigo, cujas recomendações não valem mais”.

A reação da equipe do médico também veio através das redes sociais. Em uma das postagens, a conta oficial no Twitter do “Portal Drauzio Varella” escreveu que “Na posição de ministro, esperamos que o senhor, no mínimo, tenha a responsabilidade de se atentar à data em que esse vídeo foi publicado (30.jan), uma vez que a situação em torno do coronavírus muda rapidamente”.

MÁ INTENÇÃO – Na edição do Fantástico deste domingo, o médico afirmou que “gente mal-intencionada” estava compartilhando o vídeo gravado em janeiro”. “Vale o que eu digo agora e o que direi nas próximas semanas: fique em casa o máximo possível”, reforçou.

Depois da repercussão negativa, Salles também compartilhou vídeos mais atuais do médico, que continham as novas recomendações do ministério da Saúde, como o isolamento social. Estas publicações continuam no ar.

RECUO – Na legenda, além de indicar que são conteúdos mais recentes, o ministro ainda destacou algumas falas do médico, como “Reforcem as medidas de precaução… lavar as mãos, evitar ficar próximo de outras pessoas e especialmente proteger os mais velhos” e “Se cada um fizer da sua cabeça o que acha melhor, vai virar bagunça”.

Em suas redes sociais, Ricardo Salles afirmou que, apesar da ampla repercussão, não achava prudente apagar a publicação que continha o vídeo mais antigo, já que compartilhou também os conteúdos mais recentes. Ele ainda destacou que fez questão de ressaltar as medidas de prevenção. “Postei todos os 3 vídeos, começando pelo mais antigo (nem tanto assim, 30/01) até o de 19/Março”, escreveu em uma publicação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGConforme dito nesta Tribuna, Salles quis, a exemplo de Bolsonaro, de forma irresponsável, minimizar a pandemia. Disseminou falsas notícias pelas redes sociais sabendo que milhares de pessoas iriam compartilhar as informações erradas. Agora, após ter suas postagens apagadas pelo próprio Twitter, recuou e pediu desculpas sob uma justificativa pra lá de enrolada. Não convenceu. (Marcelo Copelli)

Mourão diz que Bolsonaro se expressou mal e reprova critica que ele fez a Dória

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Mourão mostrou-se constrangido com a agressão a Dória

Deu na CNN

Cada vez mais isolado, depois de ser criticado por quase todos os governadores, Jair Bolsonaro foi desautorizado pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, que defendeu o isolamento social no combate à pandemia de coronavírus. Depois de ter convocado uma coletiva e não ter aparecido, o vice-presidente disse que a posição oficial do governo é o isolamento social e que Bolsonaro se expressou mal.

A jornalista Daniela Lima, da CNN, informou que Mourão disse que a posição oficial do governo é o isolamento social e que Bolsonaro se expressou mal. Antes da declaração, Mourão havia convocado uma coletiva de imprensa e, depois de 36 profissionais de imprensa reunidos, não apareceu, avisando que daria declarações via conferência.

ISOLAMENTO SOCIAL – “A posição do governo por enquanto é uma só, a posição do governo é o isolamento e o distanciamento social. Está sendo discutido e ontem o presidente buscou colocar, pode ser que tenha se expressado de uma forma que não foi a melhor, mas o que ele buscou colocar é a preocupação que todos nós temos com a segunda onda. Temos a primeira onda, que é a saúde, e a segunda que é a questão econômica”, disse Mourão em reunião sobre coronavírus para a região amazônica.

“Existe uma discussão no mundo entre o isolamento horizontal e o isolamento vertical que são pessoas que pertence ao grupo de risco e as que têm convívio com elas. A minha visão por enquanto é que temos que terminar esse período que estamos em isolamento para que haja calibragem da forma como está avançando a epidemia no país e, a partir daí, se possa gradativamente ir liberando as pessoas dentro de atividades essenciais para que a vida vegetativa do país prossiga”, continuou, segundo reportagem do Globo.

CONSTRANGIMENTO – Ainda em O Globo, o colunista Lauro Jardim noticiou que o o vice-presidente Mourão deixou claro seu descontentamento durante a discussão que o presidente Bolsonaro e o governador paulista João Dória tiveram durante a videoconferência nesta quarta-feira.

“Enquanto Bolsonaro dizia coisas como ‘Vossa Excelência se apropriou do meu nome nas eleições’. Mourão, que estava ao lado do presidente, olhou para baixo, meneou a cabeça com ar de reprovação”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A coisa está mesmo feia. Até o vice Mourão, que se afastou da imprensa para não irritar Bolsonaro, já não aguenta os arroubos do presidente. É grave a crise. (C.N.)

Uma semana após anunciar teste positivo para o novo coronavírus, Augusto Heleno volta ao Planalto

Heleno não cumpriu o isolamento de ao menos 14 dias

Guilherme Mazui
G1

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, voltou nesta quarta-feira, dia 25, a trabalhar no Palácio do Planalto, uma semana após ter anunciado que seu teste para identificar o novo coronavírus teve resultado positivo.

Segundo a assessoria do GSI, o ministro retornou ao trabalho no Planalto mediante autorização médica. Heleno, junto com outros auxiliares de Bolsonaro, participou nesta quarta-feira de videoconferência entre o presidente e governadores dos estados do Sudeste. Durante ela, Bolsonaro trocou farpas com o governador de São Paulo, João Doria.

ISOLAMENTO –  Heleno fez um primeiro teste para Covid-19, com resultado negativo, e repetiu o exame no dia 17, quando resultado foi positivo. Ele iniciou o isolamento na quarta-feira, dia 18, e retornou nesta quarta ao trabalho.

O ministro integrou a comitiva de Bolsonaro na viagem à Flórida (EUA), no início do mês. Até o momento, 23 pessoas que participaram da viagem estão com o coronavírus.

DOIS TESTES – Heleno, outros ministros e Bolsonaro fizeram dois testes para identificar o novo coronavírus depois da confirmação de que o secretário de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, que viajou aos EUA, estava com o vírus.

Nos dois testes realizados, Bolsonaro informou pelas redes sociais que o resultado foi negativo. Ele não apresentou o laudo com os resultados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPara dar força a Bolsonaro, que está cada vez mais isolado e perde apoio até nas Forças Armadas, o general Augusto Heleno voltou ao Planalto, ao invés de cumprir o isolamento de 14 dias. Julgava-se que Heleno serviria para evitar as maluquices de Bolsonaro, mas não é bem isso que está acontecendo. O general-ministro parece apoiar o presidente em qualquer circunstância, e isso não combina com sua brilhante carreira militar. (C.N.)

Mourão contraria Bolsonaro e diz que a posição do governo “é o isolamento e o distanciamento social”

Mourão defendeu a união de todos no combate à pandemia

Paula Ferreira
O Globo

 O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou, nesta quarta-feira, dia 25, que a posição do governo é de defesa do isolamento social no combate ao novo coronavírus.Em pronunciamento em rede nacional na terça-feira, dia 24, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu a retomada de atividades comerciais e volta às aulas.

Questionado sobre o tema, Mourão afirmou que Bolsonaro pode ter se expressado mal. Novo boletim sobre a disseminação da Covid-19 registrou 2433 casos confirmados e 57 mortos.

ISOLAMENTO – “A posição do governo por enquanto é uma só, a posição do governo é o isolamento e o distanciamento social. Está sendo discutido e ontem o presidente buscou colocar, pode ser que tenha se expressado de uma forma que não foi a melhor, mas o que ele buscou colocar é a preocupação que todos nós temos com a segunda onda. Temos a primeira onda, que é a saúde, e a segunda que é a questão econômica”, afirmou Mourão .

“Existe uma discussão no mundo entre o isolamento horizontal e o isolamento vertical que são pessoas que pertencem ao grupo de risco e as que têm convívio com elas. A minha visão por enquanto é que temos que terminar esse período que estamos em isolamento para que haja calibragem da forma como está avançando a epidemia no país e, a partir daí, se possa gradativamente ir liberando as pessoas dentro de atividades essenciais para que a vida vegetativa do país prossiga”.

ATRITOS – O vice-presidente minimizou os atritos de Bolsonaro com os governadores e defendeu a união de todos os agentes públicos no combate ao novo coronavírus.

“A questão entre governadores e o presidente da república faz parte da política e ela muitas vezes nos coloca em pólos opostos. Existe um ambiente de cooperação entre governos estaduais e federais, porque temos que estar unidos para vencer essa epidemia com menor dano possível à população”.

CONSELHO DA AMAZÔNIA – Mourão, que está à frente do Conselho da Amazônia, apresentou em videoconferência seu plano de ação para a região da Amazônia. Outros 14 ministros compõem o grupo. O conselho foi instituído para dar uma resposta à crise na região, quando o desmatamento atingiu recorde de 29,5% em relação ao ano anterior e as queimadas na floresta.

O grupo ativou o Gabinete de Prevenção e Combate ao Desmatamento e às queimadas, que ficará subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

VIRTUAL – Embora tenha convocado uma coletiva de imprensa, o vice-presidente Hamilton Mourão não respondeu às perguntas dos jornalistas presencialmente, mas por meio de uma vídeoconferência.

Foi montada uma sala onde cerca de 20 jornalistas e cinegrafistas acompanhavam a fala de Mourão e aguardavam para fazer perguntas. Para a coletiva sem a presença do vice-presente, a assessoria colocou as cadeiras a uma distância de pouco mais de um metro. No intervalo entre uma pergunta e outra o microfone era higienizado.

Ronaldo Caiado rompe com Bolsonaro: “Na política e na vida a ignorância não é uma virtude”.”

Aumenta o isolamento político de Bolsonaro em meio à pandemia

Bruno Boghossian
Folha

Aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), rompeu com o presidente depois do pronunciamento feito em rede nacional na noite de terça-feira, dia 24. O goiano anunciou que não conversará mais com Bolsonaro e que o estado não atenderá suas determinações sobre o combate ao coronavírus.

“As decisões do presidente da República no que diz respeito à área de Saúde e ao coronavírus não alcançam o estado de Goiás”, afirmou em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, dia 25. “As decisões de Goiás serão tomadas por mim e por decisões lavradas pela Organização Mundial da Saúde e pelo povo técnico do Ministério da Saúde.”

CRÍTICAS – Caiado, que é médico, criticou as declarações feitas por Bolsonaro sobre os impactos econômicos da crise e seus ataques aos governadores, qualificando-os como um “discurso totalmente irresponsável”.

“Não posso admitir que venha agora o presidente da República lavar as mãos e responsabilizar outras pessoas por um colapso econômico. Não faz parte da postura de um governante. Um estadista tem que ter coragem de assumir as dificuldades. Se existem falhas na economia, não tente responsabilizar outras pessoas, assuma sua parcela”, declarou.

EX-APOIADOR – O governador de Goiás apoiou a candidatura de Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2018 e foi um dos poucos líderes locais que se mantiveram ao lado do presidente em seus 15 meses de mandato. Ele anunciou que não procurará mais o presidente e que só se comunicará com ele, a partir de agora, por comunicados oficiais.

“Se decisões eu tiver que tomar junto ao governo federal, eu as tomarei junto ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional. A autonomia que estou aqui conclamando como governador é conferida pela Constituição”, afirmou.

NA BALANÇA – O goiano criticou o foco exclusivo nos impactos econômicos da crise: “Ora, o que é isso? É exatamente querer, nessa hora, colocar na balança o que é mais importante, a vida ou a sobrevivência da economia. Não, nós podemos fazer as duas coisas”.

Caiado rebateu ainda declarações de Bolsonaro sobre medidas para relaxar restrições nos estados e também sobre o uso de medicamentos em fase de teste contra o vírus.

LAVANDO AS MÃOS – “Agora é isolamento vertical, agora é cloroquina… Ah, por favor! Estamos tratando de um assunto sério. A população tem que ter norte, tem que ter rumo, os líderes têm que saber se pronunciar nesse momento”, disse. “Por que responsabilizar os outros, dar uma de Pôncio Pilatos, lavar as mãos?”

Sem se mencionar o nome do presidente, o governador iniciou a entrevista coletiva com uma frase atribuída ao ex-presidente americano Barack Obama: “Na política e na vida a ignorância não é uma virtude”.

Caiado afirmou que Goiás vai manter medidas de restrição à circulação de pessoas e à atividade comercial independentemente de qualquer decisão de Bolsonaro.

RESTRIÇÕES – “[A crise] existe e será tratada por nós da maneira como nós determinamos no nosso decreto. Saberemos balizar o momento em que, aí sim, saberemos flexibilizar as restrições”, disse.

“Ao curarmos pessoas e tentarmos diminuir a extensão e gravidade da contaminação, estamos também atendendo à necessidade das pessoas de voltarem a suas atividades”, completou.

Bolsonaro “pedirá” ao ministro Mandetta isolamento somente para idosos e doentes

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Bolsonaro já mudou o tom e passou a respeitar o ministro

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que pedirá ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, uma mudança na orientação de isolamento da população na crise causada pelo novo coronavírus. “Conversei por alto com Mandetta, hoje, e vamos definir essa situação. Tem que ser, não tem outra alternativa”, apontou. A fala foi dita ao deixar o Palácio da Alvorada.

“A orientação vai ser o [isolamento] vertical daqui pra frente. Vou conversar com ele e tomar uma decisão. Não escreva que já decidi, não. Vou conversar com o Mandetta sobre essa orientação”.

ISOLAMENTO DE IDOSOS – Questionado sobre como aconteceria na prática, Bolsonaro disse que é preciso pegar o idoso e isolá-lo, em hotéis ou em casa. “Tem o isolamento horizontal, que estão fazendo aqui, e tem o vertical. É o vertical. Peguei um vídeo agora do Japão, todo mundo na normalidade. Você tem que pegar o idoso e isolá-lo, com hotéis ou em casa. Pô, cada filho cuida de seu pai, do seu avô, poxa. Não quer que eu contrate uma pessoa para cuidar de cada idoso, é impossível. Eu não sei a massa de idoso que tem no Brasil, são alguns milhões”, afirmou.

Ele voltou a criticar ainda que as medidas restritivas impostas por alguns governadores no combate contra o vírus, pode ser ainda pior do que a própria doença.

“Olha, quem está são, o risco é quase zero. O problema é acima de 60 anos ou quem tem algum problema de saúde. É isso. E agora o mal, né, que teremos depois com esse tipo de tratamento, isolamento horizontal, será muito maior do que vem acontecendo com vírus no momento. É uma realidade. Alguém acha que dá para ter zero mortes?”, questionou.

A PRÓPRIA MÃE – O presidente também citou a própria mãe para falar sobre a doença. “Tem essas pessoas que se não tivessem acometido o vírus também teriam morrido.  A gente lamenta, ninguém quer enterrar o ente querido, ninguém quer. A minha mãe vai fazer daqui a pouquinho 93 anos. Está magrinha, tem seus problemas. Ela está numa situação bastante complicada, qualquer coisinha que der nela, uma gripe qualquer, ela pode ser fatal. Lamento”.

Perguntado se seria possível isolar apenas a população de risco, Bolsonaro disse que é dever da família cuidar e que a população não pode deixar tudo nas costas do Estado. “Você quer que eu faça o quê? Eu tenho poder de pegar cada idoso lá e levar para um lugar e “ó, fica aí, tá aqui uma pessoa para te tratar”. É a família dele que tem que cuidar dele em primeiro lugar, rapaz.

NÃO É DITADURA – “O povo tem que deixar de deixar tudo nas costas do poder público. Aqui não é uma ditadura, aqui é uma democracia. A família em primeiro lugar. Este foi o discurso que me elegeu, inclusive. Os responsáveis pela minha mãe de 92 anos são seus meia dúzia DE filhos. Nós que somos responsáveis pela minha mãe no momento. Em último lugar, se não tiver ninguém, daí coloca num asilo, o Estado, seja quem for”, disse o presidente, antes de seguir para o Palácio do Planalto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBolsonaro sentiu a mancada do dia anterior e passou a demonstrar respeito ao ministro Luiz Henrique Mandetta, que está fazendo excelente trabalho, seguindo os protocolos internacionais, ao invés de tentar inventar saídas que ainda não existem. (C.N.) 

Ao invés de obedecer a Bolsonaro, as Forças Armadas preferem apoiar os governadores 

Marcelo Godoy e Tânia Monteiro
Estadão

O comandante do Exército brasileiro, general Edson Pujol, afirmou nesta terça-feira, 24, em vídeo distribuído pela corporação, que a crise do coronavírus “talvez seja a missão mais importante de nossa geração”. “Vivemos o enfrentamento de uma pandemia que exige a união de todos nós brasileiros. O momento é de cuidado e de prevenção, mas também de muita ação por parte do Exército brasileiro”, afirmou o general.

O pronunciamento, que durou 4 minutos e teve mais de 40 mil visualizações em duas horas, mostra a gravidade com que o tema está sendo tratado pela Força e contrasta com as declarações e pronunciamentos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro, que insiste em chamar a covid-19 de “gripezinha” ou “resfriadinho”.

OPERAÇÃO CONJUNTA – O Exército participará da operação conjunta concebida pelo Ministério da Defesa por meio do Estado Maior das Forças Armadas. Foram estabelecidos dez comandos conjuntos, que dividem o País. Oito deles estarão a cargo de generais do Exército e dois de almirantes – Natal e Salvador.

Hoje, tropas do Exército saíram às ruas em Vitória (ES) a pedido da prefeitura da cidade para auxiliar as forças de segurança locais a conscientizar a população a permanecer em casa. O motivo da atuação é que o caráter coercitivo do Exército é muito maior do que o de uma guarda municipal para mandar as pessoas saírem das ruas.

“Após rápido e minucioso exame da situação, que se mostra extremamente dinâmica, diretrizes foram expedidas pelo Comando do Exército e, em nível setorial, pelo Comando de Operações Terrestres, pelo Departamento de Pessoal e pelo Departamento de Educação e Cultura”, afirmou Pujol. No caso das escolas militares, só as que funcionam em regime de internato continuam com aulas, as demais estão com ensino a distância.

CONTRADIÇÃO – A mensagem do comandante foi gravada antes do pronunciamento presidencial e sem que Pujol soubesse o que Bolsonaro ia falar na TV à noite, quando voltou a desprezar a pandemia e seus efeitos. Até a noite desta terça, a covid-19 já havia deixado 46 mortos no Brasil e infectado ao menos 2.201 pessoas. “Uma de nossas responsabilidades com a Nação nesse momento de crise é que nossa tropa deve manter a capacidade operacional para enfrentar o desafio e fazer a diferença. Talvez seja a missão mais importante de nossa geração.”

De acordo com Pujol, estão ainda sendo tomadas medidas para proteger a saúde dos militares. “Os integrantes do sistema de saúde são os nossos combatentes da linha de frente. Esses profissionais estão dando exemplo de coragem e comprometimento contra a doença”.

O comandante também se dirigiu à reserva e aos familiares de militares. “Contamos com a ajuda de todos. O momento exige união e organização, cuidado especial com a nossa saúde e com a dos que nos cercam para que possamos superar mais este desafio.”

EXÉRCITO PREPARADO – Por fim, o general deixou claro que o Exército estará preparado para garantir a ordem caso seja necessário.

“O braço forte atuará se for necessário. E a mão amiga estará mais estendida do que nunca aos nossos irmãos brasileiros. Se a nossa Pátria amada está sendo ameaçada, lutaremos sem temor”, concluiu o comandante.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o presidente Bolsonaro está pedindo uma coisa (fim do confinamento) enquanto as Forças Armadas fazem outra (ajudam os governadores a tirar as pessoas das ruas). E ainda há quem pense que os comandos militares estão apoiando Bolsonaro incondicionalmente… Pelo contrário, muitos deles já acham que Bolsonaro está manchando a imagem das Forças Armadas e precisa agir com mais responsabilidade. Pense sobre isso. (C.N.)

Críticas “incendiárias” de Bolsonaro ao isolamento social repercutem na imprensa internacional

Charge do Adnael Silva (Arquivo Google)

Deu no Correio Braziliense

As críticas do presidente Jair Bolsonaro às medidas de isolamento que visam mitigar o contágio do coronavírus estão repercutindo no exterior. Em discurso transmitido em rede nacional na noite de terça-feira, dia 24, Bolsonaro pediu a reabertura de lojas e escolas, ainda que especialistas de saúde pública recomendem o confinamento para “achatar a curva” de contaminação pelo covid-19.

 O New York Times destacou que Bolsonaro vê a questão do coronavírus como “exagerada” e citou os panelaços que ocorreram na terça-feira durante o discurso do presidente. “Enquanto ele falava, alguns brasileiros que estão em casa, em isolamento, protestaram contra o que consideraram como atitude blasé em relação à pandemia”, informa o jornal americano.

CETICISMO – Colunista do The Washington Post, outro jornal dos Estados Unidos, Ishann Tharoor diz que Bolsonaro, “ao contrário de Trump”, encara a ameaça do coronavírus com “ceticismo”.

“Ele declarou o coronavírus como uma ‘gripezinha’ e criticou governadores do País por instituírem bloqueios em alguns dos principais Estados. E ele divulgou suas próprias supostas proezas atléticas como evidência de que ele poderia suportar o vírus”, escreveu o analista.

EXTREMA DIREITA – O inglês The Guardian, que chama Bolsonaro de “presidente de extrema direta”, destaca que o mandatário brasileiro “disse que não sentiria nada se infectado com a Covid-19”.

“As observações incendiárias de Bolsonaro ocorreram quando o Rio de Janeiro e São Paulo foram colocados sob bloqueio parcial pelas autoridades municipais e estaduais, que temem uma explosão de casos nos próximos dias”, diz matéria publicada no portal estrangeiro. “O presidente resistiu a medidas drásticas para impedir a propagação do que ele chama de ‘gripezinha'”, informa outra nota do mesmo site.

RISCOS MINIMIZADOS – Ainda na Europa, o francês Le Monde afirma que Bolsonaro minimizou os riscos da Covid-19, “que já matou mais de 18 mil pessoas em todo o mundo e forçou um terço da humanidade a aderir medidas de confinamento”.

O portal alemão Deutsche Welle, por sua vez, traz que Bolsonaro é cada vez mais criticado em sua forma de lidar com o coronavírus. “Ele chama de ‘histeria’ e ‘gripezinha'”, diz o jornal.

CONTRA A MARÉSobre o pronunciamento de Bolsonaro, o Japan Times publicou análise do jornalista Dave Graham. “O esquerdista mexicano Andres Manuel López Obrador e o presidente brasileiro de direita Jair Bolsonaro nadaram contra a maré da opinião científica – diminuindo os riscos, delegando responsabilidades e ignorando os conselhos dados ao público”, defende o texto. López Obrador também tem resistido às orientações de isolamento, de olho nos impactos econômicos.

Na América Latina, o argentino Clarín traz análise do editor Ricardo Roa, que cita Bolsonaro e seu posicionamento em coluna intitulada “O vírus da gripe e o delírio”. Já o jornal chileno Emol ressalta que a fala de Bolsonaro foi feita no mesmo dia em que o número de casos de coronavírus no Brasil chegou a 2.201, com 46 mortes.

Bolsonaro publica áudio não identificado nas redes sociais para defender a reabertura do comércio

Bolsonaro afirmou que haverá caos se o isolamento continuar

Ricardo Della Coletta
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicou nesta quarta-feira, dia 25, em suas redes sociais um áudio não identificado para defender a abertura do comércio em meio à crise do coronavírus. Em outra publicação, o presidente divulgou um vídeo sobre a pandemia no Japão e afirmou que haverá caos se a política de isolamento continuar no Brasil.

O áudio anônimo trata da resposta de Donald Trump à pandemia do novo coronavírus nos Estados Unidos e disse que, assim como prega o americano, o Brasil também precisa “abrir o comércio”. A declaração do presidente vai na linha de seu pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, na terça-feira, dia 24, e de sua declaração na manhã desta quarta-feira.

CRÍTICA AOS GOVERNADORES – Nas duas ocasiões, o presidente criticou medidas de restrição de movimentação adotadas por governadores e disse que o país, para evitar o caos, precisa retornar á normalidade.

“Trinta e oito milhões de autônomos já foram atingidos. Se as empresas não produzirem não pagarão salários. Se a economia colapsar os servidores também não receberão. Devemos abrir o comércio e tudo fazer para preservar a saúde dos idosos e portadores de comorbidades”, escreveu o presidente em seu Twitter.


MUDANÇA DE PARADIGMA – Na mesma mensagem, o presidente compartilhou uma imagem dele e de Trump, além de um áudio de uma pessoa não identificada. Nele, gravado na segunda-feira, dia 23, o narrador diz que Trump adotou uma “mudança de paradigma” no combate à Covid-19.

“Tem que mudar o paradigma, não pode fechar a economia inteira. Se não o caos social vai se estabelecer a cura vai ser muito mais danosa do que o desease [doença]”, declara o narrador do áudio. “Ele [Trump] vai abrir o país, vai mandar todo mundo voltar”.

ADVERTÊNCIA – No mesmo áudio, o narrador também diz que os EUA vão passar a administrar a hidroxicloroquina para pacientes com o novo coronavírus. O medicamente apresentou resultados promissores para a enfermidade, mas ainda faltam estudos conclusivos e o próprio ministro da Saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta, advertiu que ele tem sido administrada apenas para casos graves e que há efeitos colaterais.

“Todo mundo rezando para que o remédio funcione nos pacientes nos EUA, na América Latina e no mundo inteiro”, diz o narrador do áudio. Ele classifica ainda a política de confinamento massivo da população para frear a transmissão do vírus como “covarde”.

Em declaração recente, Trump afirmou que espera reabrir uma grande parte da economia americana até a Páscoa (12 de abril). Assim como Bolsonaro, o presidente dos EUA tem dito que os prejuízos econômicos com o confinamento em massa podem gerar danos inclusive maiores do que as mortes pelo Covid-19.

Reunião com governadores do Sudeste, tem bate-boca e troca de acusações entre Bolsonaro e Dória

Dória ameaçou ir à Justiça contra o governo federal em caso de confisco

Silvia Amorim, Gustavo Maia e Thais Arbex
O Globo

A reunião do presidente Jair Bolsonaro com governadores do Sudeste na manhã desta quarta-feira, dia 24, teve bate-boca e os discursos descambaram para questões políticas e eleitorais.

O momento mais tenso foi protagonizado por Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria. O paulista ameaçou ir à Justiça contra o governo federal caso haja confisco de equipamentos e insumos destinados ao combate do novo coronavírus no estado.

“DEMAGOGIA” – Bolsonaro reagiu ao discurso de Doria e, entre outras acusações, disse que o governador faz “demagogia barata” neste momento com objetivos eleitorais em 2022.

Participam da reunião os governadores Wilson Witzel (Rio de Janeiro), Romeu Zema (Minas Gerais) e Renato Casagrande (Espírito Santo), além de ministros como Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), entre outros. A reunião, que acontece por videoconferência, ainda está em andamento.

ADVERSÁRIOS – O clima do encontro destoou das demais reuniões feitas por Bolsonaro com os outros governadores do país desde segunda-feira. O encontro desta manhã aconteceu um dia depois do pronunciamento de Bolsonaro em rádio e televisão em que defendeu um afrouxamento das medidas de restrição à Covid-19. Witzel e Doria são os governadores que Bolsonaro considera seus maiores adversários políticos.

Bolsonaro foi cobrado na reunião desta manhã a dar “o exemplo” ao país. Irritado com a fala do governador de São Paulo, Bolsonaro partiu para o ataque: “Essa situação (de Dória como) porta-voz (dos outros governadores) pra mim não serve. Senhor governador João Doria, faça a sua parte, o governo federal está pronto para colaborar, como sempre esteve. Vossa excelência foi que fechou as portas para nós. Resolveu partir para a campanha antecipada de 22 em vez de buscar o bem estar do seu povo paulista, para minorar os problemas que se avizinhavam. Assim, sendo, respondendo a vossa excelência, não atacando, mas apenas respondendo seus ataques infundados”.

CALMA E EQUILÍBRIO – Bolsonaro passou a palavra para o ministro da Saúde, Luiz Mandetta, que diante da discussão entre eles pediu calma: “O momento, quando se tem uma crise dessa proporção, a primeira palavra que a gente precisa ter é calma e equilíbrio”.

Governadores também pediram ao presidente nesta quarta-feira que inicie negociações com o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para que o pagamento das dívidas dos estados com essas instituições seja adiado por até um ano.

 

Maia defende redução de salário nos Três Poderes, inclusive dos concursados

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Nossa meta principal é evitar a perda de vidas, afirma Maia

Luiz Calcagno
Correio Braziliense

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) falou, na manhã desta terça-feira (24/3), sobre como conter a crise do coronavírus. O deputado trata o problema como situação de guerra. Entre outros pontos, defendeu a redução do salário de funcionários públicos concursados ou dos eleitos nos Três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário.

Maia afirmou que a folha de pagamento atinge um valor de R$ 200 bilhões e que uma economia de 15% a 20% por mês poderia ajudar, mas destacou que o assunto ainda será debatido.

DOIS ORÇAMENTOS – O deputado também voltou a falar na proposta de emenda à Constituição (PEC) que segrega o orçamento da crise do orçamento anual do governo federal, como uma forma de impedir que gastos necessários para a prevenção e combate ao Coronavírus e seus efeitos na saúde, educação e segurança não continuem pelos próximos anos.
“Quando a gente fala em recessão, fala em empobrecimento do país. Estamos ficando mais pobres. Quando ficamos mais pobres na nossa casa, readequamos nossos gastos para outra realidade”, explicou o presidente da Câmara.

Maia abordou as dificuldades que o Brasil enfrentará e falou sobre o Plano Mansueto, projeto de lei complementar vai garantir empréstimos para os estados. Afirmou também que o texto ainda sofrerá alterações e melhorias, inclusive, no que diz respeito à recuperação fiscal do Rio de Janeiro, que também deve ser estendido à Minas Gerais e Goiás.

DÍVIDAS ESTADUAIS – “Você suspende o pagamento da dívida. O governo vai autorizar a suspensão para todos, para todos gastarem menos com a dívida e ter o que gastar com coronavírus. O governo federal, ontem, anunciou a recomposição dos fundos estaduais e municipais. A queda deve ser grande, de R$ 16 bilhões. Também vamos resolver o problema legal do BNDES para que ele possa suspender pagamento de juros da dívida, o que também precisa de projeto de lei complementar para enfrentar a crise na economia, no social e, em especial, na saúde pública.”

Cabe lembrar que o país está no começo da subida no crescimento de número de contaminação. “Temos que trabalhar semana a semana. Ainda não sabemos os verdadeiros impactos do vírus na nossa sociedade. A gente sabe que ele tem uma letalidade muito grande nos mais velhos, mas que eles são vulneráveis, tem diabetes. Temos essa informação. Temos uma população mais jovem que na Itália. O vírus não disseminou dentro das comunidades, que são as pessoas mais vulneráveis”, disse.

GARANTIA À SAUDE – “Precisamos dar tranquilidade aos brasileiros, investir em saúde pública para ter leito de UTI, os respiradores necessários para quem ficar doente, precisa ter essa garantia. Todo mundo está trabalhando nessa linha. Ontem, eu vi em São Paulo a construção de muitos leitos. O Rio de Janeiro está fazendo a mesma coisa e, certamente, Goiás. Mas não sabemos o impacto da crise na nossa sociedade. Por isso que eu acho que o governo tem que dar garantia para a saúde pública”, disse, acrescentando:

“E o governo federal, com o setor privado, construir um entendimento para que o Estado coloque recurso e mantenha os sistema produtivo privado, de pequenas, médias e micro empresas, por um período. Por isso, temos períodos de 60 dias. E a cada semana, ir revisando as decisões”, detalhou.

Maia também falou sobre o isolamento da população e disse que a medida poderia ser revista em três semanas, a depender de como o vírus se alastrará entre os brasileiros. “Hoje, a decisão é o isolamento. Ninguém tem dúvida que esse é o melhor caminho. Amanhã, daqui a 15 dias, três semanas, pode ter outra posição, liberar do isolamento as pessoas mais jovens, para que a economia volte a caminhar. Mas a prioridade é a vida”.