Ratos e homens, envolvidos na eterna luta contra a dependência química

Cena perversa: um rato de laboratório no labirinto

Ruy Castro
Folha

A tese é recorrente e nunca passa muito tempo sem ser exumada, ter a poeira espanada e voltar à cena como novidade –até ser abandonada de novo por resultados pífios. É a que prega o uso de alguma substância para ajudar a controlar ou vencer o alcoolismo. Nos últimos 50 anos, todas as substâncias, das drogas mais pesadas ao Ovomaltine – ponha aí aversivos, remédios tarja preta, morfina, cocaína e até heroína –, já foram tentadas por pessoas dispostas a parar de beber e, quase sempre, com consequências desastrosas.

Em regra, esses tratamentos resultaram não na interrupção de uma dependência, mas na substituição de uma por outra ou no acréscimo de uma segunda à primeira – a pessoa parou de beber, mas se tornou dependente de remédios, ou então somou as dependências. O contrário também vive sendo tentado, e com os mesmos resultados: pessoas que passaram a beber para deixar de cheirar descobriram encantadas que não havia incompatibilidade entre as duas drogas e se atiraram alegremente a elas.

MACONHA – A tese mais recente, desenvolvida por cientistas paulistanos, consiste no uso do THC, que é o princípio ativo da maconha, para “reduzir ou eliminar o efeito de fissura – a vontade extrema de repetição da dose– causado pelo álcool”. A coisa foi testada em ratos e, segundo eles, deu certo. Tratados com etanol por 11 dias e com THC por quatro, os roedores sossegaram e pararam de correr pra lá e pra cá. Não entendi bem a relação, mas supõe-se que, servidos de THC, os seres humanos também sossegarão e passarão a dispensar uma dose depois da outra.

A tese parte de um ponto coerente. A “fissura” é fisiológica e, se se achar uma substância que a limite, o sujeito beberá menos. Mas temo que, tratado com THC, o bebum continuará bebendo e apenas parará de correr pra lá e pra cá.

Lula afirma que existe uma ‘pactuação diabólica’ para derrubar sua candidatura

Resultado de imagem para golpe contra lula charges

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Deu no Estadão

Em reunião com as bancadas do PT na Câmara e no Senado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (13) que vai lutar para defender a sua inocência e pediu para que os petistas ergam a cabeça para vencer a batalha diante das acusações contra ele e o partido. Em discurso, que durou aproximadamente 30 minutos, Lula disse que há uma tentativa de impedir que o PT volte ao poder. “Não quero ser candidato por ser candidato. E não quero ser candidato se for culpado. Eles (acusadores) que apresentem à sociedade uma única culpa. O máximo que conseguem dizer é que Lula sabia”, disse o ex-presidente.

O presidente de honra do PT disse que não quer que os petistas tenham um candidato “escondido” na sua candidatura, ou seja, um candidato que participa do pleito para não ser preso. Lula ressaltou que tudo que não quer é ser condenado sendo inocente. “Se apresentarem provas contra mim de todas as acusações, terei a satisfação de vir aqui e dizer que não posso ser candidato.” Lula repetiu que, se fosse culpado, não teria condições morais de ser candidato.

PROCESSO POLÍTICO- – O ex-presidente pediu para que os petistas leiam todo o processo contra ele e que desmoralizem “o power point” do Ministério Público Federal de Curitiba. “Neste momento, acho que só temos uma saída: enfrentar a situação de cabeça erguida”, disse. Lula também reclamou que tem “algo além do jurídico” nesse processo. “O golpe precedeu da ação dos agentes políticos”, afirmou.

Ainda na linha de rebater as acusações que pesam contra ele, Lula reclamou que não tem nada pior para desmoralização de uma alma honesta do que a acusação de desonestidade. Em sua avaliação, houve uma “pactuação diabólica” entre a Polícia Federal, imprensa, Ministério Público e o Judiciário. “Se esse País não voltar à normalidade e as instituições não voltarem a funcionar, esse País não tem jeito”, discursou.

Lula disse que é respeitador das instituições e afirmou que a democracia só será garantida com instituições sólidas e que essa era sua principal divergência com o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez. “É com muita tristeza que vejo hoje o comportamento de setores da PF, do Ministério Público e do Judiciário, que estão totalmente subordinados à opinião pública”, disse. O ex-presidente disse que fica “enfurecido” quando a classe política não reage.

A FAVOR DA APURAÇÃO – Para Lula, os investigadores só deveriam agir diante da mais verdadeira prova apurada no processo. Ele também reclamou de uma suposta ação política mais forte do que o aspecto jurídico. Ainda assim, Lula disse que continua respeitando as instituições e que quer um Ministério Público forte. “A gente não pode dar a impressão de que é contra a apuração. Ninguém apurou mais que o PT”, declarou.

Durante o discurso, Lula também disse que a divulgação da recuperação do dinheiro da Petrobras no âmbito da operação Lava Jato é “falácia” e que o prejuízo maior é a falta de investimentos. “O que não pode prender é a pessoa jurídica”, criticou.

O ex-presidente disse que o País vive um momento muito especial e que o PT tem de ter orgulho, levantar a cabeça. “Não abro mão da minha defesa. Caráter a gente tem ou não tem. Estão lidando com um cidadão que tem muito caráter”, afirmou. “Faço minha resistência não por mim, mas pelo PT”, disse.

SEM PLANO B – Em diversas situações, o ex-presidente pediu que os petistas acompanhem a investigação para que não façam sua “defesa no escuro”. Ele reclamou também que a imprensa vem antecipando a campanha presidencial e que tentam destruir a sua candidatura. Lula recomendou que os petistas reajam às acusações. “Se acharem que vão sobreviver ficando quietos, podem ficar certos de que não vão sobreviver”, finalizou.

O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), disse que o partido não tem plano B e que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o candidato petista à Presidência da República “de qualquer jeito”.

“Podemos recorrer até ao Supremo Tribunal Federal (STF) e Lula vai ser candidato de qualquer jeito, mesmo sub judice. Esqueça essa história de plano B. Nosso plano A, B, C, D, E, F é o Lula”, disse o senador nesta quarta-feira em reunião das bancadas do PT da Câmara e do Senado com o ex-presidente.

NÃO HÁ PROVAS – Na abertura do evento, parlamentares criticaram o que chamam de perseguição do Judiciário ao ex-presidente Lula. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), disse que a Justiça está apressando o andamento do processo e não há provas contra Lula. “Se houver condenação, será a primeira condenação em que, não só não há provas como não há crimes”, afirmou.

O deputado Paulo Pimenta (RS) disse que o calendário eleitoral não é justificativa para que um tribunal altere suas regras e criticou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) por ter marcado o julgamento de Lula para o dia 24 de janeiro, data em que completa um ano que a ex-primeira dama Marisa Letícia teve um AVC. Marisa morreu dez dias depois.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAcusar o Tribunal de marcar a data de 24 de janeiro por ser o mesmo dia em que Marisa Letícia teve um AVC e morreu 10 dias depois, sem dúvida, é mais uma Piada do Ano. Até parece que o povo brasileiro deve ter obrigação de saber a data em que alguém ficou doente, seja quem for… Mas os petistas gostam de fazer piada com tragédias, e vice-versa. (C.N.)

Planalto joga a toalha e a votação da reforma da Previdência fica para 2018

Romero Jucá

Jucá, o líder, anunciou o adiamento

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

O líder do governo no Senado Federal, Romero Jucá (RR), anunciou nesta quarta-feira (13) que a reforma da Previdência só será votada em fevereiro de 2018. Segundo ele, a decisão já está acertada entre os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). “Só vota Previdência em fevereiro. Está conversado entre o Rodrigo e o Eunício. Estamos esperando apenas o presidente (Michel Temer) chegar (de São Paulo) para fechar o acerto”, disse Jucá em rápida entrevista, após se reunir com Maia no gabinete na presidência da Câmara.

Jucá afirmou que o acerto é para que as duas casas votem a reforma de forma “casada”, ou seja, o Senado votará a matéria logo após a Câmara concluir a votação. A combinação era cobrada por deputados, que temiam se desgastarem votando uma matéria impopular, sem que os senadores dessem prosseguimento à matéria.

ORÇAMENTO – O acerto para o adiamento da análise da reforma da Previdência possibilita a votação ainda nesta semana do Orçamento da União de 2018 pelo Congresso Nacional. Jucá e Eunício trabalham para votar o Orçamento ainda nesta quarta-feira em sessão do Congresso.

“Se não votar hoje não tem quórum”, disse Jucá.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O tempo conspira contra a reforma da Previdência. O governo tenta aprovar sem discussão pública um projeto da maior importância, que interessa a todos os brasileiros. Ou seja, quer enfiar pela goela do contribuinte, e isto acontecerá em pleno ano eleitoral. É lamentável. A questão precisa ser discutida em profundidade. (C.N.)

Extinção do foro privilegiado dá mais um passo na Câmara dos Deputados

Resultado de imagem para foro privilegiado charge

Charge do Oliveira (humorpolítico.com.br)

Deborah Fortuna
Correio Braziliense

A Proposta de Emenda à Constituição 333/17, que altera as regras para o foro privilegiado, deu mais um passo na Câmara dos Deputados. O presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) determinou, na manhã de terça-feira, a criação de uma comissão para discutir o tema. O ato foi lido em plenário. O texto já foi aprovado no Senado Federal, no começo deste ano, e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em novembro. Agora, os líderes de partido devem indicar os membros para compor a comissão especial. Até o fechamento desta edição, PSDB, DEM e PDT já haviam indicado parlamentares.

Junto com o ato de instalação, será eleito o presidente da comissão, que também indicará o relator da matéria. O colegiado será composto por 35 membros titulares, e de igual número de suplentes. Ainda não há data definida para nenhuma das decisões.

RELATÓRIO – A comissão terá até 40 sessões para produzir um relatório que será levado a plenário. A PEC extingue o foro especial no caso dos crimes comuns (homicídio, furto, roubo, por exemplo) cometidos por deputados e senadores, e tem como exceção os casos de presidentes dos três poderes e do Vice-Presidente Da República. Estima-se que mais de 37 mil autoridades e políticos tenham a prerrogativa de função no país. Segundo os dados do 5ª Relatório Supremo em Números sobre o foro privilegiado, da Fundação Getulio Vargas, mais de 500 processos de políticos com prerrogativa de função tramitam na Suprema Corte.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– No Senado, houve um milagre político, pois a emenda de Alvaro Dias (Podemos-PR) foi aprovada por unanimidade, até os membros da bancada da corrupção votaram a favor, derramando lágrimas de esguicho, como diria Nelson Rodrigues. Na Câmara, vai ser mais difícil, os deputados querem inventar moda para garantir a impunidade. Vamos aguardar. (C.N.)

Congresso enfrenta Temer e proíbe autofinanciamento de campanha eleitoral

Resultado de imagem para sessão do congresso

Temer perdeu esta votação por 345 votos a 18

Fernanda Calgaro
G1, Brasília

O Congresso Nacional, em sessão conjunta de deputados e senadores, derrubou nesta quarta-feira (dia 13) o veto do presidente Michel Temer que liberava o autofinanciamento irrestrito de campanha. Na prática, com a decisão dos parlamentares, o candidato ficará proibido de bancar totalmente os seus gastos eleitorais.

Alguns parlamentares entendem que os candidatos serão, então, enquadrados na regra de pessoas físicas, que podem fazer doações até o limite de 10% dos seus rendimentos brutos no ano anterior.

No entanto, técnicos do Congresso entendem que não há consenso sobre esse ponto e possivelmente será questionado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a quem caberá definir a regra para o autofinanciamento.

O veto presidencial foi derrubado com 302 votos de deputados e apenas 12 favoráveis. Na votação entre os senadores, o placar foi de 43 votos a 6.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Henrique Meirelles, João Doria Jr. e Luciano Huck estão inconsoláveis. Eles sonhavam investir parte de suas fortunas para realizar o sonho de serem presidentes. Agora terão de recorrer ao velho esquema do Caixa 2, cuja eficácia tem sido largamente apregoada por Sergio Cabral, aquele governador que jamais recebeu propina, era tudo Caixa 2 e sobras de campanha… (C.N.)

Como previu Umberto Eco, a internet abriu espaço também à imbecilidade

O filósofo Mário Sérgio Cortella

Cortella diz que Umberto Eco acertou em cheio

Deu no DW Brasil

O filósofo Mario Sergio Cortella comenta, em entrevista à DW Brasil, a cultura do ódio que se disseminou pelo país. Para o escritor, na internet todos têm uma opinião, mas poucos têm fundamentos para ancorá-la. A instantaneidade e conectividade da web fomentam um ambiente hostil em que todos têm “alguma opinião sobre algo, mas poucos têm fundamentos refletidos e ponderados para iluminar as opiniões”, diz o filósofo e professor universitário Mario Sergio Cortella, em entrevista à DW Brasil.

Cortella é uma figura influente na sociedade brasileira como palestrante, debatedor e comentarista de rádio. Com mais de um milhão de livros vendidos entre seus 33 títulos lançados, Cortella traduz à linguagem coloquial e adapta à realidade atual do Brasil complexos temas filosóficos, existenciais e políticos como “se você não existisse, que falta faria?” ou “o caos político brasileiro”. Nesta entrevista, ele analisa como a cultura do ódio é alimentada por “analfabetos políticos”.

Etimologicamente, a palavra “cultura” (culturae, em latim) originou-se a partir de outro termo, colere, que indica o ato de “cultivar”. Podemos considerar que a “cultura do ódio”, que se vê eclodir na sociedade brasileira, é algo que já estava presente nas relações sociais, vem sendo cultivado e agora encontrou o tempo ideal para a “colheita”?
O ódio é uma possibilidade latente, mas não é obrigatório. Contudo, não havia tanta profusão de ferramentas e plataformas para que fosse manifestado e ampliado como nos tempos atuais no Brasil. A instantaneidade e a conectividade digital permitiram que um ambiente reciprocamente hostil – como o da fratura de posturas nas eleições gerais do final de 2014 – encontrasse um meio de expressão mais veloz e disponível, sem restrição quase de uso e permitindo que tudo o que estava aprisionado no campo do indivíduo revoltado pudesse emergir como expressão de discordância virulenta e de vingança repressiva.

Qual o papel das redes sociais nesse fenômeno? Você concorda com Umberto Eco, para quem as mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis?
As mídias sociais favoreceram, sim, o despontar de um palanque também para a imbecilidade e a idiotia. Antes delas, era preciso, para se manifestar, algum poder mais presente ou a disponibilidade de uma tribuna mais socialmente evidente. Agora, como efeito colateral da democratização da comunicação, temos o adensamento da comunicação superficial, na qual todos têm (e podem empresar) alguma opinião sobre algo, mas poucos têm fundamentos refletidos e ponderados para iluminar as opiniões. Como dizia Hegel: “Quem exagera o argumento, prejudica a causa”.

Por que pensar e se expressar de forma distinta daquilo “com o que eu concordo” passou a ser o estopim para reações de ódio exacerbado no Brasil?
Uma sociedade antes fragmentada concentrou-se em ser mais dividida. Isto é, dois lados em confronto, agora dispondo de arsenais mais contundentes de propagação e, por outro lado, vitimada por poderes comunicacionais dos quais desconhece a face e o interesse. O salvacionismo moral sugerido por alguns em meio a uma crise de valores republicanos e à degradação econômica encontrou fácil disseminação. Como se diz em português: “Para quem está com o martelo na mão, tudo é prego…”

Como explicar casos de “cidadãos de bem” sendo atores de ações de censura, de extrema intolerância e violência, verbal e física, contra outros cidadãos, igualmente “de bem”?
O “cidadão de bem”, entendido como aquele que não faz o que faz por maldade, é a encarnação do que Bertolt Brecht chamava de “analfabeto político”. Isto é, alguém que, portador de boas intenções, age em consonância desconhecida com as más intenções de quem almeja uma situação disruptiva e oportunista.

Quem se beneficia dessa explosão de ódio?
Todos os “liberticidas” e todos os “democracidas” são herdeiros dessa seara incendiadora que exclui o conflito (divergência de ideias ou posturas) e alimenta o confronto (busca de anulação do divergente).

Aonde essa cultura do ódio e intolerância no país pode nos conduzir? Tempos sombrios estão por vir?
Tempos sombrios podem vir, sempre. Contudo, podem ser evitados se houver uma aliança autêntica em meio às diferenças entre aqueles e aquelas que recusam a brutalidade simbólica e física como instrumento de convivência. Não há um caminho único para o futuro. Não há a impossibilidade de esse caminho parecer único. Não há inevitabilidade de que um caminho único venha.

Até nos tempos mais sombrios temos o direito de ver alguma luz”, disse a filósofa alemã Hannah Arendt. Qual seria a luz para começar a responder a essa cultura do ódio?
A luz mais forte é a da resistência organizada e persistente de quem deseja escapar das trevas e não quer fazê-lo sozinha, nem excluir pessoas e muito menos admitir que impere o malévolo princípio de “cada um por si e Deus por todos”. Seria praticando cotidianamente o “um por todos e todos por um”. Afinal, como dizia Mahatma Ghandi, “olho por olho, uma hora acabamos todos cegos”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMuito interessante esta entrevista enviada por Darcy Leite. Mostra que a “Tribuna da Internet” está no caminho certo, ao tentar se livrar do pensamento único e se abrir para a troca de ideias, em busca do bem comum. É uma utopia, claro. Mas nossa amiga Lauro Alvim, que morreu muito pobre, depois de construir e doar ao Rio de Janeiro um de seus mais sofisticados centros culturais, teve a gentileza de nos ensinar que o trabalho intelectual é igual ao do ferreiro. É preciso malhar incansavelmente, até atingir o resultado pretendido. Laura era filha de  Álvaro Alvim, mártir da Medicina brasileira, introdutor do raio-X em nosso país e que teve de amputar os dois braços, de tanto bater chapas de seus pacientes sem usar proteção, na ânsia de salvá-los. Aprendi muito com Laura Alvim, tenho um orgulho enorme de ter convivido com ela e ajudado a arranjar recursos para a conclusão da obra da Casa Laura Alvim, em Ipanema. Mas isso é outro assunto. (C.N.)

PF investe contra a quadrilha de Marcelo Miranda, governador do Tocantins

Resultado de imagem para dulce miranda

Dulce, a mulher do governador, está envolvida

Camila Bomfim
TV Globo, Brasília

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (13), em Brasília, operação que tem como alvo os deputados Carlos Henrique Gaguim (PODE-TO) e Dulce Miranda (PMDB-TO), mulher do governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB-TO). Mandados judiciais de busca e apreensão foram cumpridos nos gabinetes dos deputados na Câmara, nos apartamentos funcionais deles em Brasília e também em suas residências no Tocantins.

Os policiais federais chegaram à Câmara por volta das 7h30, e os andares onde ficam os gabinetes de Dulce e Gaguim foram interditados pela Polícia Legislativa. Somente depois das 9h, servidores da Casa que trabalham no mesmo pavimento foram liberados a ingressar nos gabinetes.

MANDADOS – De acordo com a PF, estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e 8 de intimações. As diligências foram solicitadas pela Procuradoria Geral da República (PGR) e autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a assessoria da Polícia Federal, a ação desta quarta faz parte da 6ª fase da Operação Ápia, que investiga um esquema de corrupção que teria desviado recursos públicos direcionados a obras de terraplanagem e pavimentação asfáltica no Tocantins. Os contratos sob suspeita ultrapassaram R$ 850 milhões.

Nesta fase da operação, policiais federais e procuradores da República investigam suspeitas de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por parte de integrantes do núcleo político da suposta organização criminosa integrada por Carlos Gaguim e Dulce Miranda.

CORRUPÇÃO E LAVAGEM – Os investigadores apontam que ocorreram os crimes de corrupção e lavagem em supostos pagamentos de propinas realizados pela Construtora Rio Tocantins (CRT) aos políticos.

Considerada a maior investigação policial da história do Tocantins, a Operação Ápia foi deflagrada pela Polícia Federal, em outubro de 2016, para desarticular uma organização criminosa que, segundo as investigações, atuou no estado corrompendo servidores públicos e agentes políticos e fraudando licitações e contratos de obras de terraplanagem e pavimentação asfáltica em várias rodovias estaduais.

SIQUEIRA CAMPOS – Na quarta fase da Operação Ápia, realizada em abril, o deputado estadual Siqueira Campos (DEM-TO) foi alvo de mandado de condução coercitiva – quando a pessoa é levada para depor.

Conforme a PF, as obras foram financiadas com empréstimos internacionais obtidos pelo governo do Tocantins e com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os financiamentos para bancar as obras de infraestrutura do programa batizado de Proinveste e Proestado somaram R$ 1,2 bilhão. O governo federal atuou como avalista da dívida adquirida com o Banco do Brasil.

Os investigadores apuraram que foi montado um esquema de corrupção para desviar parte dos recursos que seriam aplicados no programa de pavimentação asfáltica.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As famiglias Siqueira Campos e Miranda dominam a política do Tocantins. É impressionante a desfaçatez. O governador Marcelo Miranda já foi cassado em outro mandato, por corrupção. Não foi atingido pela Lei da Ficha Limpa e voltou ao poder, para seguir na corrupção, envolvendo também a mulher, porque a famiglia é muito unida. Como diz a TV Globo, a política no Tocantins é o outro lado do paraíso. (C.N.)

Temer cancela agenda para fazer nova operação na próstata em São Paulo

Temer faz hoje mais uma cirurgia na próstata

Deu no G1

A assessoria do Palácio Planalto informou, por meio de nota oficial, que o presidente Michel Temer viajará a São Paulo nesta quarta-feira (13) para fazer uma “revisão urológica” no Hospital Sírio-Libanês. Em outubro, o presidente da República passou por uma cirurgia na próstata no Sírio-Libanês. Na ocasião, ele foi internado no hospital com quadro de retenção urinária por hiperplasia benigna da próstata.

De acordo com apuração do repórter José Roberto Burnier, da TV Globo, Temer está com dificuldade para urinar por conta de novo estreitamento da uretra. A causa pode ser um machucado provocado pela manipulação da redução da próstata.

Ainda segundo Burnier, o presidente passará por um procedimento cirúrgico e voltará a Brasília ainda na noite desta quarta. Ele será atendido pelos médicos Roberto Kalil e Miguel Srougi.

Temer já havia realizado exames urológicos na segunda-feira e na terça-feira (11 e 12), no posto de saúde do Palácio do Planalto, conforme informou a colunista do G1 Andréia Sadi.

Além da cirurgia na próstata, Temer passou, em novembro, por uma angioplastia de três artérias coronárias. O procedimento também foi realizado no Sírio-Libanês.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A informação de que Temer volta a Brasília ainda na noite desta quarta-feira é conversa fiada.  Com toda certeza, ele terá de ficar internado. Já tem 77 anos e está passando pela terceira anestesia num período de apenas 45 dias. Vamos aguardar. (C.N.)

Análise: Justiça definirá o ‘norte’ de eleição que tem Lula como bússola

Resultado de imagem para lula condenado charges

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Paulo Celso Pereira
O Globo

Os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região terão o dever de julgar o ex-presidente Lula de acordo com o que está nos autos. Mas seja qual for a decisão tomada, ela tende a provocar uma refundação da corrida eleitoral. Não é exagero dizer que o dia 24 de janeiro definirá o ano de 2018, e possivelmente os próximos anos da política brasileira.

O ex-presidente Lula não é apenas o líder de uma disputa presidencial. As candidaturas à sucessão do presidente Michel Temer vêm se delineando tendo o petista como uma bússola: os candidatos são apresentados, desde o primeiro momento, como adversários ou aliados de Lula.

ABSOLVIÇÃO – Se o ex-presidente for absolvido, o campo da esquerda tende a se unir em torno daquele que quase indubitavelmente estará no segundo turno. Em uma eleição de recursos escassos, é difícil acreditar que partidos como PCdoB, Psol e mesmo PDT gastem de fato suas energias — e finanças — na luta inglória para crescer sobre uma figura que monopoliza seu campo político.

No centro e na direita, por outro lado, a tendência é que se intensifique imediatamente uma corrida pelo voto útil anti-Lula. Ou seja, Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Henrique Meirelles e quem mais aparecer pela frente terão como único caminho se apresentarem como o mais capacitado a derrotar o ex-presidente no segundo turno.

CONDENAÇÃO – Se Lula, no entanto, for condenado — e consequentemente se tornar inelegível — a disputa eleitoral deve partir para uma pulverização total, lembrando 1989. De acordo com o último Datafolha, divulgado há dez dias, Jair Bolsonaro lideraria a corrida, mas seguido de perto por Marina, e esta por Ciro e Alckmin.

De acordo com a mesma sondagem, 29% dos eleitores votariam no candidato apoiado por Lula. Só que a saída dele tende a fragmentar o campo da esquerda. Ciro Gomes (PDT), Manoela D’Ávila (PCdoB), Guilherme Boulos e provavelmente outro nome do PT — hoje são cotados Jaques Wagner e Fernando Haddad — lutariam pelo espólio.

Quando montou suas caravanas para propagar a ideia de que sua eventual condenação significaria uma fraude eleitoral, o objetivo de Lula era pressionar os juízes. A única coisa que já conseguiu, de fato, foi dar mais atenção à sua possível saída da disputa eleitoral do que à hipótese de tornar-se o primeiro ex-presidente brasileiro a ir para trás das grades.

Joaquim Barbosa admite que pensa em ser candidato, mas ainda não se decidiu

Resultado de imagem para joaquim barbosa candidato charges

Charge do Jeremias Castro (Arquivo Google)

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Apontado como possível candidato à Presidência da República em 2018, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa se reuniu na tarde desta segunda-feira, dia 11, com deputados federais do PSB para discutir o cenário político-eleitoral. O encontro aconteceu no escritório dele em São Paulo e contou com a presença de oito dos 33 integrantes da bancada na Câmara.

A reunião foi pedida pelos parlamentares, com aval do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira. De acordo com relatos dos deputados, nas quase duas horas de conversa, Barbosa admitiu que cogita ser candidato a presidente e prometeu anunciar uma decisão até março do próximo ano, prazo final exigido pela legislação eleitoral para que ele se filie a um partido político para poder participar da disputa.

REFLEXÕES – “Ele (Barbosa) disse que ainda está refletindo sobre a candidatura. Ponderou que hoje está com uma vida estabilizada com a advocacia, palestras e aulas que dá”, contou o líder do PSB na Câmara, Júlio Delgado (MG), ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

O líder era um dos presentes no encontro. Segundo o deputado, a bancada reforçou o convite para o ex-ministro ser candidato pela sigla. “Ele não falou nem que sim, nem que não. Disse que está analisando o cenário”, afirmou.

Delgado ressaltou que o ex-ministro se mostrou atento ao cenário político e ao comportamento do PSB no Congresso Nacional. Barbosa teria questionado a opinião dos deputados sobre como será disputar eleições sem a doação empresarial, proibida pelo STF desde 2015. “Ele perguntou como será enfrentar candidatos de grandes oligarquias, com alto poder econômico. Dissemos que isso não era o principal desafio”, relatou o parlamentar.

À DISPOSIÇÃO – Nesse encontro, o ex-ministro ainda se colocou à disposição para novas conversas com os deputados. De acordo com o líder do PSB, Barbosa disse aos parlamentares que deve chegar a Brasília na próxima sexta-feira, 15, para passar as festas de fim de ano com a família e que estava aberto para conversar nesse período. “Ele não está desligado como muitos pensam. Ele está acompanhando tudo”, declarou Delgado.

A reportagem não conseguiu contato com Barbosa. O ex-ministro, que deixou o Supremo em 2014, vem travando conversas com integrantes do meio político há algum tempo. Recentemente, se encontrou no Rio de Janeiro com o apresentador de TV Luciano Huck, que já negou que será candidato a presidente em 2018. Barbosa também mantém diálogo com a Rede, da ex-ministra Marina Silva.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Se decidir ser candidato e fizer coalizões para ganhar mais tempo na TV, Joaquim Barbosa será um dos favoritos nestas eleições, que não contarão com candidatura de Lula, os votos serão muito divididos. Praticamente todos têm chance de passar para o segundo turno. Vamos aguardar.  (C.N.)

Desmascarando a “ineficiência” da Eletrobras, que foi programada para dar errado

Resultado de imagem para eletrobras charges

Charge do Cristiano Gomes (Arquivo Google)

Roberto Pereira D’Araujo

Nível de reservatórios baixos, tarifas nas alturas, um mercado judicializado e inadimplente. A Eletrobras, maior geradora da América Latina, quebrada e com risco de racionamento. Como chegamos a isso? É uma história que vai muito além de problemas políticos e corrupção!

Nos anos 90, o Brasil escolheu a Inglaterra como seu espelho para o setor elétrico, inclusive com a contratação de consultores ingleses. Esse período foi pródigo em aplicar receitas genéricas. Foi uma espécie de “Onesizefitsall” no mundo energético. Como era previsível, a adoção de um modelo competitivo sobre o sistema brasileiro exigiu uma intricada adaptação, pois o sistema físico brasileiro é radicalmente distinto.

ESTRANHA METODOLOGIA – Aqui, usinas não vendem a sua própria energia, mas sim uma fração do sistema. Essa “parcela” é determinada por uma complexa e subjetiva metodologia que emite um certificado que registra a “importância da usina”, a sua “garantia física” (GF). Portanto, não podemos sequer ficar surpresos com a excentricidade de térmicas que vendem energia mesmo desligadas! Aliás, não fosse essa virtualidade, elas nem seriam construídas.

Não foi só essa bizarra mercantilização da eletricidade que foi “inaugurada”. Também vendemos 26 empresas do setor. As distribuidoras que atendem estados carentes foram empurradas sobre a Eletrobras, que foi obrigada a comprá-las. Evidente que as mais rentáveis foram todas privatizadas. Hoje, as “rejeitadas” estão sendo anunciadas pelo valor de um automóvel.

Sob essa política de privatização ampla, a Eletrobras também foi proibida de realizar investimentos previstos em planos de expansão, pois, obrigações de dispêndios poderiam desvalorizá-la. A lição veio através de uma seca média em 2001, mostrando seus efeitos: racionamento de 25% da carga, explosão de preços e inadimplência no Mercado Atacadista de Energia. Hoje, estamos quase lá.

CONSEQUÊNCIAS – Depois da penúria, sobrou o efeito de longo prazo. O consumo total do sistema se reduziu em 15%, o que equivale a um crescimento de 4 anos da demanda! Apesar dessa redução, a descontratação da Eletrobras foi mantida pelo novo governo em 2003. As hidrelétricas da empresa continuaram gerando no lugar de térmicas e liquidando cada MWh por menos R$ 10.Prejuízo certo! Ninguém pode dizer que “não sabia”, tal a obviedade.

Do outro lado, o mercado livre florescia, já que o derrame de energia quase gratuita era um convite irrecusável. O sistema criou uma prática peculiar. Um preço “spot” determinado por um modelo matemático incentivou estratégias de curto prazo, e, como não podia deixar de ser, o mercado livre não atraiu usinas para si. Na realidade, a expansão da oferta continuou capitaneada pelo mercado cativo, que, ao contrário do seu oposto, sofria aumentos de tarifas constantes.

PROJETOS DEFICITÁRIOS – Para tentar animar os investidores privados, quejá contavam com empréstimos subsidiados do BNDES, o governo, mais uma vez, convocou a Eletrobras para se associar minoritariamente em diversos projetos privados que hoje mostram ser deficitários para a empresa.

Esse efeito “carona” do mercado foi uma das causas da carga total do sistema ter perigosamente tangenciado a “garantia física” (GF) do sistema de 2009 até 2013, segundo dados da CCEE. Com cerca de 1/4 da carga total ancorado em contratos curtos e sem usinas que o suportassem, evidentemente estávamos abusando da segurança do sistema. Como disfarçar? Apesar da “garantia” no nome, houve contratação de energia de reserva! Traduzindo? Mais custos!

Em 2008, em mais uma travessura matemática típica do modelo mimetizado, um leilão deixou o mercado decidir que grande parte de térmicas contratadas seriam à base de óleo combustível e diesel. No singular sistema brasileiro, onde usinas não vendem o que geram, dado o alto custo dessas energias e o já alto nível das tarifas, “contratou-se também” o maior uso de hidráulicas. Sem surpresas, o nível médio da reserva despencou do equivalente a 4 meses de carga para menos de 1,5 meses. Como sempre, São Pedro levou a culpa.

FALSO ARGUMENTO – Tarifa nas alturas, perspectivas de aumento substancial do custo de operação e, evidentemente, maiores tarifas. O que fazer? Por sugestão da Fiesp, em 2012 o governo resolve aceitar a “tese” de que as tarifas estavam altas por conta do preço “cobrado” por usinas antigas. Apesar de valores de leilões, o assunto era alardeado como se as usinas da Eletrobras tivessem decidido esses preços.

O que fazer? Mais uma vez, a Eletrobras foi usada para “compensar” os efeitos adversos do modelo. Através de medida provisória, com uma metodologia subjetiva e incompleta, foram fixados preços 90% mais baixos às usinas com o prazo de concessão por vencer. Essa política cometeu dois brutais erros: Isentou-se da explosão tarifária todas as outras razões e anulou-se a capacidade de autofinanciamento de parte significativa dos ativos do setor.

Tarde demais! Bastaram alguns anos secos e o já conhecido decrescimento de afluências do Rio São Francisco para que, mais uma vez, o aumento do custo de operação disparasse. Agora, outro grave problema emerge da complexidade do período de “abuso”. O certificado de garantia do sistema, a base do virtual modelo mercantil vigente desde 1995, deixa evidente que sempre esteve superavaliado. Como símbolo máximo da bizarrice, hoje, com os reservatórios vazios, custos acima de R$ 700/MWh, “oficialmente” estaríamos com sobras de garantia…

DÍVIDAS BILIONÁRIAS – Sob um incrível sistema em que saldos não compensam déficit, as hidráulicas estão penduradas em dívidas bilionárias, pois não conseguem gerar a sua “garantia física” (GF), a mesma que ultrapassaram em mais de 30% no período do abuso!

Hoje, inadimplência no mercado, empresas fragilizadas, tarifas explosivas, e, pior, um déficit fiscal equivalente a mais de 20 vezes a privatização da Eletrobras.

Além das influências políticas, “ineficiências” do sistema despencaram sobre a Eletrobras. Qualquer que seja o futuro, que pelo menos fique registrado que sua fragilização é um projeto de longo prazo, multipartidário e conhecido por todos.

Roberto Pereira D’Araujo é diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético.

Com julgamento marcado, aliados e rivais dizem que só uma liminar salva Lula…

Resultado de imagem para lula condenado charges

Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Deu no Painel da Folha

O que será, que será? A celeridade com que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) marcou o julgamento de Lula só ampliou a certeza – tanto nas siglas de esquerda como nas de direita – de que a corte deve condená-lo. Restam, agora, duas perguntas: 1) Até onde o petista está disposto a ir para fazer de seu calvário jurídico uma disputa política? 2) Algum ministro das cortes superiores irá se dispor a suspender os efeitos da decisão por meio de liminar, liberando o ex-presidente, hoje com 37% das intenções de voto, para ser julgado pelas urnas?

Integrantes do PT dizem que Lula não tem escolha a não ser radicalizar e levar seu embate com a Justiça às últimas consequências. Ele deve manter a estratégia de se registrar na disputa eleitoral e aguardar até o julgamento do último recurso possível para deixar a eleição.

BOLSA DE APOSTAS – Quem conhece o TRF-4 acredita que os três desembargadores que vão analisar o caso Lula devem condená-lo, porém, com penas diferentes. Isso abriria espaço para mais um tipo de recurso, o embargo infringente.

Em tese, mesmo preso, Lula poderia se registrar na disputa. Em 2004, por exemplo, Antério Mânica, ex-prefeito de Unaí, conseguiu ser eleito enquanto estava na cadeia.

“Se for o caso, ele será proclamado eleito e chamado para a diplomação. Se vai comparecer ou não, é um problema do carcereiro”, disse, na ocasião, o ministro Sepúlveda Pertence, que presidia o TSE. Anos depois, Mânica acabou condenado a 100 anos.

E MAIS ESSA – Um ex-ministro do TSE diz que a conclusão do julgamento de recursos também depende da velocidade dos advogados – que podem tentar postergar decisão final – e lembra que nenhum candidato pode ser preso a 15 dias da eleição.

Em reação imediata, deputados do PT querem que a defesa do ex-presidente Lula vá ao Conselho Nacional de Justiça questionar o que eles têm chamado de “velocidade seletiva” na tramitação do caso do petista no TRF-4.

No dia em que o Tribunal Regional Federal vai debater a sentença de Lula (24 de janeiro de 2018), o presidente Michel Temer e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), participam de recepção e jantar do Fórum de Davos, na Suíça.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sonhar não é proibido. A torcida é grande e os petistas espalham as mais estranhas teses jurídicas, fazem contorcionismos jurisprudenciais e abastecem os jornalistas, que acabam embarcando nessas armações, sem saber bem ao certo o que estão escrevendo. Em tradução simultânea, a candidatura de Lula não vai “eczistir”, como diria o padre Óscar Quevedo. A não ser que vocês acreditem em bruxas… (C.N.)

Um lápis de cor para desenhar a felicidade, na visão criativa de Fátima Guedes

Resultado de imagem para fatima guedes

Fátima Guedes, bela, criativa e elegante

Paulo Peres

Site Poemas & Canções
A cantora e compositora carioca Fátima Guedes, na letra de “Lápis de Cor”, solta a sua imaginação e desenha o local onde gostaria de viver com o seu amor. A música foi gravada por Fátima Guedes no LP Lápis de Cor, 1981, pela EMI-Odeon.
LÁPIS DE COR
Fátima Guedes

Com amor, lápis de cor,
desenhei uma casinha pra gente ir morar,
com fumaça na chaminé
e o sol a brilhar
no canto da página.

Com amor e lápis de cera
desenhei uma mangueira com uns passarinhos.
É difícil traçar bichinhos
sem saber desenhar,
mas eu tentei.

Plantei um jardim caprichado,
um pouco estilizado, diferente.
Pus uma cerca branquinha, embora
cerca nada tenha a ver com a gente

E foi tanto o meu empenho
que o tal do desenho estava lindo
com os pássaros cantando e o sol saindo
do canto da página.

Defesa de Marin tenta responsabilizar Del Nero no julgamento do Fifagate

Ex-presidente da CBF José Maria Marin chega a tribunal de Nova York acompanhado por advogados

Marin chega ao tribunal com seus advogados

Estelita Hass Carazzai
Folha

Na reta final do julgamento do escândalo de corrupção na Fifa, nesta segunda-feira (dia 11), a defesa do ex-presidente da CBF José Maria Marin resolveu trazer à tona o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, e comparar sua situação à de Marin. Ambos os dirigentes são acusados pela Justiça dos Estados Unidos de cobrarem propina de empresas de marketing esportivo em troca de contratos com a confederação.

Marin, que está em julgamento, vive em prisão domiciliar em Nova York. Já Del Nero, atual presidente da CBF, não viaja para o exterior desde seu indiciamento, em dezembro de 2015, e foi o único presidente de confederação a não ir ao sorteio dos grupos da Copa da Rússia.

SEMPRE JUNTOS – Na sessão desta segunda-feira, fotos de Marin e de Del Nero, que era vice-presidente da CBF na gestão de Marin, foram exibidas aos jurados. Os dois aparecem dividindo palcos em cerimônias oficiais, num jatinho rumo a uma reunião da Conmebol, e fazendo o “V da vitória”, junto com Juan Ángel Napout, dirigente da confederação paraguaia que também é réu no processo.

“Quase sempre eles [Marin e Del Nero] estavam juntos”, disse o advogado James Mitchell, que defende Marin. Ele interrogava o investigador da Receita Federal americana Steve Berryman, que é testemunha de acusação e depõe desde a última quinta (7).

Para Mitchell, a conduta da Fifa com Marin, que foi banido da instituição, não foi a mesma com Del Nero, e isso contraria a suposta política de “tolerância zero” da entidade contra corrupção e fraude. Eles frequentavam as mesmas reuniões e estavam sujeitos ao mesmo código de ética, argumentou o defensor.

LINHA DE DEFESA – A juíza Pamela Chen, porém, interrompeu as perguntas, retirou os jurados da sala, ouviu as partes e decidiu que não iria permitir a linha de argumentação, por considerar que ela não prova nada sobre os fatos contra Marin, e que a Fifa e seu posicionamento em relação aos investigados não está em jogo.

A magistrada chegou a afirmar que isso só provaria que “Del Nero tem mais amigos em esferas superiores do que Marin”.

Nas duas horas de interrogatório, Mitchell também fez perguntas sobre a conta da Firelli Internacional, pertencente a Marin e baseada no exterior, que teria recebido US$ 2 milhões em transações de propina, segundo a acusação.

LAVAGEM DE DINHEIRO – O investigador Steve Berryman detalhou as transações de lavagem em seu depoimento, que já dura três dias. A acusação havia mostrado despesas de US$ 118 mil com roupas de grife, feitas pela conta Firelli em lojas de Paris, Las Vegas e Nova York.

O advogado destacou a existência de documentos que revelem os beneficiários da conta, sediada no banco Morgan Stanley, nos EUA. Disse que a investigação recebeu toda a documentação bancária em menos de dez dias, assim que obteve os mandados judiciais. “Estava claro para o banco que o sr. Marin era associado a essa conta”, afirmou Mitchell, argumentando que Marin era “um homem muito rico” antes mesmo de virar presidente da CBF, por ser dono de negócios imobiliários e de estações de rádio.

A previsão é que os jurados comecem a deliberar até o fim dessa semana, com o encerramento das testemunhas e as considerações finais das partes.

O grosso e o fino, com Ruy Castro lembrando um encontro com Tom Jobim

SÃO PAULO, SP, 03.11.2016: EDUCAÇÃO-SP - A professora Bárbara Pinheiro durante aula de atualidades do Colégio Agostiniano Mendel, no bairro do Belém na zona leste de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi/Folhapress)

Oscar Castro Neves, Tom, Gal e Hendricks no Free Jazz

Ruy Castro
Folha

Tom Jobim nunca se conformou com o fato de que três de suas maiores canções da primeira fase da bossa nova —”Outra Vez”, letra e música dele, e “O Amor em Paz” e “Chega de Saudade”, com Vinicius de Moraes—, não tivessem feito nos EUA o sucesso de “Desafinado”. Certo dia, em sua casa, ele me explicou: o americano que cometera as versões em inglês “não entendera nada”. Era o cantor e letrista Jon Hendricks, membro do trio vocal Lambert, Hendricks & Ross.

Em 1963, Hendricks gravara um disco solo pela Reprise, “Salud! João Gilberto”, com 12 títulos da bossa nova consagrados por João Gilberto, incluindo os três citados, vertidos por ele, Hendricks, ao seu jeito. “Chega de Saudade”, por exemplo, se transformara no lamento de um sujeito que quer voltar para sua cidade na roça —nada mais distante do que os cariocas Tom e Vinicius tinham em mente. Tom me disse que, depois, pensara em desautorizar aquelas letras, mas desistira.

VERSOS BOBOS – Hendricks era craque em criar versões vocais de clássicos instrumentais do jazz, com versos bobos, mas que permitiam ao cantor fazer uma espécie de vocalese com letra. Aplicara isso a temas associados a Count Basie, e o LP resultante, “Sing a Song of Basie”, gravado pelo LH&R em 1958, era sensacional. Mas as letras da bossa nova eram diferentes —tão sofisticadas quanto suas harmonias e delicadas quanto seu ritmo. E Hendricks era um grosso.

Em 1993, nas duas noites do Free Jazz em sua homenagem, no Rio e em São Paulo, Tom se viu no palco ao lado de Jon Hendricks. Assistindo hoje no YouTube a um sorridente Tom acompanhando Hendricks enquanto este destroça “Garota de Ipanema”, ninguém saberá o que estaria se passando por sua cabeça. Tom era fino.

Hendricks morreu no dia 22 último em Nova York, aos 96 anos. Devia achar que Jobim era seu fã.

Ministra Luislinda tentou receber pagamentos retroativos de mais de R$ 300 mil

A ministra de Direitos Humanos, Luislinda Valois, em evento na Bahia

Ministria pediu os “atrasados” já com correção

Gustavo Uribe
Folha

A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, filiada ao PSDB, não solicitou em outubro apenas o pagamento acima do teto constitucional. Pediu também ao presidente Michel Temer o pagamento pelos cofres públicos de atrasados de pelo menos R$ 300 mil. O valor retroativo seria a soma da quantia que foi abatida pelo teto constitucional do acumulado do vencimento integral recebido pela tucana com a aposentadoria de desembargadora pela Bahia.

Foi neste pedido (cuja íntegra foi obtida nesta segunda-feira (11) pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação) que a ministra alegou que o trabalho executado sem a correspondente contrapartida “se assemelha a trabalho escravo”.

TRATAMENTO DESIGUAL – “[A situação] está criando distorções inaceitáveis pelo nosso ordenamento jurídico, porque está a requerente [ministra] a receber tratamento absolutamente desigual ao oferecido a outros servidores em situação semelhante em termos de execução de serviço prestado à administração pública”, argumentou.

O montante requerido pela ministra se referia aos recursos que foram abatidos de julho de 2016 a fevereiro de 2017, quando ela exerceu o cargo de secretária de promoção da igualdade racial, e de fevereiro a outubro deste ano, quando já era ministra.

A aposentadoria bruta da ministra é de R$ 30.471,10 e o teto constitucional é de R$ 33.700, o que equivale ao salário bruto dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Como ministra, o salário bruto dela é de R$ 30,9 mil. Com um abate mensal de R$ 27,6 mil, ela receberia pelo período R$ 221 mil. A soma dos dois montantes chega a mais de R$ 300 mil, sem incluir “as devidas atualizações e correções”, que eram também requeridas pela ministra.

Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa da ministra lembrou que ela do pedido desistiu em novembro.

SUBSTITUIÇÃO – Com o desgaste da ministra, o presidente discute nomes para substituir a tucana, que deve ser trocada do cargo até o final do ano.

O peemedebista quer indicar alguém que tenha o respaldo da bancada feminina, na perspectiva de garantir votos para a reforma previdenciária.

Ele deve se reunir na próxima semana com deputadas da bancada para discutir opções. No Palácio do Planalto, são citados os nomes de Soraya Santos (PMDB-RJ), Rosângela Gomes (PRB-RJ) e Tia Eron (PRB-BA).

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO padrão do Ministério de Temer é de um baixo nível constrangedor. Essas candidatas a substituir Luislinda mostram que o presidente não tem o menor interesse em melhorar a qualidade do Ministério. Desse jeito, é melhor nomear o Titirica, porque pior não fica. (C.N.)

Com um exame atrás do outro, estado de saúde de Temer está meio esquisito

Temer

Temer, na moderna ambulância UTI do Planalto

Deu no Estadão

Mesmo com uma agenda extensa de compromissos nesta terça-feira (dia 12), o presidente Michel Temer fez novamente exames no Palácio do Planalto como parte do acompanhamento posterior à cirurgia urológica. Segundo auxiliares, o presidente está bem e os exames são de rotina. Nesta segunda-feira, o presidente já havia passado por exames no Palácio do Planalto. Na avaliação desta segunda, também de ordem urológica, não foram detectadas anormalidades.

No dia 27 de outubro, Temer realizou no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, uma cirurgia para desobstrução da uretra. Na ocasião, o presidente chegou a colocar uma sonda na uretra.

Cerca de um mês depois, no dia 24 de novembro, também no Sírio-Libanês, Temer foi submetido a uma angioplastia de três artérias coronárias com implante de stent, um tubo minúsculo, expansível, colocado na artéria para melhorar o fluxo sanguíneo para coração.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Há algo de estranho nessa sucessão de exames urológicos a que o presidente Temer está se submetendo. Ele sofreu cirurgia de raspagem da próstata no dia 27 de outubro. Em 24 de novembro, antes do cateterismo, fez um exame completo da próstata no Hospital Sírio-Libanês e estava tudo bem, segundo a equipe médica. Agora, 17 dias depois, nesta segunda-feira, 11, ele fez novo exame urológico no Serviço Médico do Planalto e a assessoria novamente informou que estava tudo bem. No dia seguinte, nesta terça-feira, 12, mais um exame urológico no Planalto que seria “de rotina”. Bem, tudo indica que a situação médica do presidente se complicou. Ou então ele gostou dos exames de toque e ficou viciado… Com todo o respeito, claro. (C.N.)