Motorista de gráfica da campanha de Dilma diz ter entregado dinheiro a petistas

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Herman Benjamin mandou apurar imediatamente

Felipe Pontes
Agência Brasil

Uma das testemunhas ouvidas nesta semana pelo ministro Herman Benjamin, relator da ação que investiga a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse ter entregado volumes de dinheiro em espécie a membros do PT. Os repasses teriam sido feitos em Brasília.

A informação consta em um despacho no qual Benjamin determinou que as companhias aéreas Gol e TAM informem, em 48 horas, todas as viagens da testemunha Jonathan Gomes Bastos da Silva durante o ano de 2014, com o objetivo de apurar a veracidade das declarações dadas por ele. O ministro atendeu a um requerimento da defesa de Dilma Rousseff.

“Segundo o depoimento, é possível que tais valores tenham relação com a campanha eleitoral de 2014, o que justifica, neste estrito limite, o aprofundamento da instrução probatória em relação a tal ponto”, escreveu Herman Benjamin.

DEFESA PROTESTA – A defesa do presidente Michel Temer foi contra a apuração dos fatos pelo TSE, alegando que teriam ocorrido fora do período eleitoral e, portanto, não teriam relação com a campanha. Para Benjamin, a “mera possibilidade das supostas entregas terem ocorrido fora do período de campanha não é circunstância que, por si só, exclui a possibilidade de ilícito eleitoral”.

Jonathan era motorista da gráfica Focal, que prestou serviços à chapa Dilma-Temer na campanha de 2014. Ele, no entanto, figurava como um dos sócios e admitiu atuar como laranja em nome do proprietário Carlos Cortegoso, de quem partiu a ordem para os pagamentos em dinheiro, segundo o motorista.

De acordo com o despacho de Benjamin, os depoimentos trouxeram à tona que Jonathan teria feito ameaças a Cortegoso. Atualmente, os dois disputam na Justiça pagamentos relativos à atuação do motorista na gráfica Focal, em processos não relacionados à ação no TSE.

NOVOS DOCUMENTOS – No mesmo despacho, Benjamin deu três dias para que os peritos que atuam no caso avaliem novos documentos contábeis da gráfica Rede Seg, entregues pela testemunha Rodrigo Zanardo, também ouvida nesta semana.

A ação no TSE, aberta a pedido do PSDB, investiga irregularidades em serviços prestados à chapa Dilma-Temer por ao menos três gráficas: Focal, Rede Seg e VTPB. Caso fiquem comprovadas ilegalidades, o processo tem o potencial de resultar na cassação do presidente Michel Temer e na inelegibilidade de Dilma Rousseff.

A “Agência Brasil” entrou em contato com a defesa de Dilma Rousseff, mas até o momento não recebeu retorno. A reportagem também tentou falar com a assessoria do PT, mas não conseguiu contato.

“Eu sou o samba” – cantava com orgulho o mestre Zé Kéti

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Zé Kéti, um cantor que era a voz do morro

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Zé Kéti, nome artístico de José Flores de Jesus (1921-1999), sentiu a sua carreira começar a deslanchar em 1955, quando o seu samba “A voz do morro”, gravado por Jorge Goulart, pela Continental, fez enorme sucesso na trilha do filme “Rio 40 graus”, de Nelson Pereira dos Santos. “A Voz do Morro” mostra em sua letra que o samba é a única voz valorizada no favela, de onde sai transformado em um condutor de alegria do Rio de Janeiro para o resto do país.

A VOZ DO MORRO
Zé Kéti

Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo, sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei dos terreiros

Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões
De corações brasileiros

Mais um samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo do país
Viva o samba, vamos cantando
Essa melodia do Brasil feliz

Aprovado “com louvor”, na sabatina entre amigos

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Nem Ruy Barbosa teria recebido tantas homenagens…

Bernardo Mello Franco
Folha

“Vossa Excelência é reconhecidamente capaz, qualificado e experiente”, exaltou o líder do PSDB, Paulo Bauer. “É um homem de coragem cívica, que se coloca sempre a serviço do Brasil”, reforçou o presidente do DEM, José Agripino. À primeira vista, os discursos passariam como homenagens a Ruy Barbosa. Mas os senadores tratavam de um personagem controvertido: Alexandre de Moraes, futuro ministro do Supremo Tribunal Federal.

Apesar da polêmica que cercou a escolha, a sabatina foi um passeio. Com ampla maioria, os governistas mantiveram a Comissão de Constituição e Justiça esvaziada. Quando apareciam, tocavam a bola para o lado, deixando o tempo correr com elogios e perguntas inofensivas.

Ninguém esperava muito rigor de uma sabatina chefiada por Edison Lobão, mas o próprio Moraes deve ter se surpreendido com a docilidade dos inquisidores. Investigados na Lava Jato falavam despreocupadamente sobre temas como o excesso de partidos e a lei da vaquejada.

AMIGO TUCANO – O senador Aécio Neves chegou a arriscar um gracejo. Disse que o futuro juiz, defensor de sua campanha em 2014, poderia ter atuado de graça. “Eu até gostaria que ele tivesse oferecido os serviços ao partido. Infelizmente, não o fez naquele momento”, lamentou. Moraes deixou o PSDB há apenas duas semanas.

À vontade, o ex-tucano conseguiu se esquivar das investidas da oposição. Coube ao folclórico Magno Malta, defensor do governo Temer, fazer a pergunta que interessava: “O senhor está sendo indicado para blindar os seus amigos?”. O ex-advogado de Eduardo Cunha respondeu que não, e a conversa parou por aí.

Satisfeito, Malta revelou a última dúvida que o afligia: “Quando um senadorzinho ou um deputado pedir audiência, o senhor vai receber no gabinete ou vai receber de pé naquele salão, no meio de um monte de gente?”. “Uma autoridade recebe outra autoridade no gabinete”, respondeu Moraes. Aprovado com louvor.

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Malta esqueceu o que dissera antes sobre Moraes

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HIPOCRISIA NA SABATINA DE MORAES

Frederico Vasconcelos
Folha

Segundo revela “O Estado de S. Paulo”, Magno Malta perguntou ao ministro licenciado se ele ‘não tem vergonha’ de ter feito lobby para ser aprovado ministro do Supremo Tribunal Federal. “O sr. que está servindo um governo, o sr. não tem vergonha de ter feito um lobby de gabinete em gabinete (no Senado)? É hipocrisia demais”, provocou Malta.

Vale recordar trechos de pronunciamento de Magno Malta em 2005, quando o plenário do Senado rejeitou, numa primeira votação, a indicação de Alexandre de Moraes para compor o Conselho Nacional de Justiça:

“Senhor presidente, lamento que o nome do Sr. Alexandre de Moraes tenha caído. Conheço esse rapaz, que é integro, de bem, está a serviço da Nação e presta um dos maiores serviços ao Estado de São Paulo. (…) Era um dos melhores quadros do País a integrar o Conselho. (…) Inexplicavalmente, o nome dele cai. (…) Tenho o direito, por conhecer esse moço, de revelar minha insatisfação em função de não ter sido aprovado seu nome no plenário do Senado Federal”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– As informação de Bernardo Mello Franco e Frederico Vasconcelos se completam à perfeição, revelando que, em matéria de hipocrisia, Alexandre de Moraes e Magno Malta praticamente se equivalem. Aliás, a bancada da corrupção, que é amplamente majoritária e reúne parlamentares de quase todos os partidos, vibrou com o desempenho de Moraes, que na vida acadêmica não foi aprovado “com louvor” na tese de doutorado, mas na política agora conseguiu a láurea(C.N.)

Substituir Serra será fácil, o problema de Temer é indicar o novo ministro da Justiça

Rio de Janeiro - O ministro das Relações Exteriores, José Serra, durante velório do acadêmico Ferreira Gullar, na Academia Brasileira de Letras (ABL), no centro da capital fluminense (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Cirurgia não resolveu o problema na coluna cervical

Luciana Amaral
G1, Brasília

O ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), pediu demissão do cargo na noite desta quarta-feira (22). Na carta enviada ao presidente Michel Temer, Serra disse que decidiu deixar a pasta “em razão de problemas de saúde”. Serra estava no cargo desde maio do ano passado, quando Temer assumiu como presidente em exercício. O tucano é senador por São Paulo e tem mandato até 2022. Ele havia se licenciado para assumir o Itamaraty.

Ao longo do período em que ocupou o Ministério das Relações Exteriores, José Serra se envolveu em algumas polêmicas, como quando determinou o envio de uma circular a embaixadores em todo o mundo para rebater a tese da ex-presidente Dilma Rousseff de que ela foi vítima de um “golpe” no processo de impeachment.

Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, Serra entregou pessoalmente a carta de demissão a Temer na noite desta quarta, no Planalto. Até a última atualização desta reportagem, o peessedebista ainda estava reunido com o presidente.

TRECHOS DA CARTA – Na carta de demissão, Serra diz que deixa o cargo “com tristeza’. Segundo o ministro, os problemas de saúde o impedem de cumprir as viagens internacionais necessárias ao cargo, além das atividades do dia a dia.

José Serra acrescenta, ainda, que os médicos estimam um período de quatro meses para o “restabelecimento adequado” da saúde.

“Para mim, foi motivo de orgulho integrar sua equipe. No Congresso, honrarei meu mandato de senador trabalhando pela aprovação de projetos que visem à recuperação da economia, ao desenvolvimento social e à consolidação democrática do Brasil”, conclui José Serra na carta.

CIRURGIA NA COLUNA – Na carta de demissão, José Serra não especifica os problemas de saúde que enfrenta. Em dezembro do ano passado, o então ministro foi submetido a uma cirurgia na coluna no Hospital Sírio-Libanês.

Mesmo com a saída de José Serra, o PSDB continua sendo um dos principais partido que integram a base de apoio do presidente Michel Temer.

Isso porque a legenda comanda os ministérios das Cidades (Bruno de Araújo-PE), da Secretaria de Governo (Antonio Imbassahy-BA) e dos Direitos Humanos (Luislinda Vallois-BA). Além disso, o líder do governo no Senado é o tucano Aloysio Nunes (SP), candidato a vice-presidente em 2014 na chapa formada com Aécio Neves (MG), que acabou derrotada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Serra foi operado em 19 de dezembro e diz que a cirurgia não resolveu totalmente o problema. Substituir Serra não será problema. A dificuldade de Temer é indicar para o Ministério da Justiça um ministro que seja contra a Lava Jato, mas aparente ser a favor. Realmente, uma missão muito difícil. Temer promete anunciar o escolhido nesta sexta-feira, já com o país no embalo do Carnaval. Vamos aguardar para ver quem vai desfilar fantasiado de ministro da Justiça. (C.N.)

Integrantes da base aliada não aceitam que assessor de Padilha possa ser ministro

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Osmar Serraglio quer ser ministro, mas é sério demais…

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

Na lista dos cotados para assumir o Ministério da Justiça, após a confirmação nesta quarta-feira (dia 22) da indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal (STF), o subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, é visto por integrantes da cúpula do PSDB e parte da bancada do PMDB da Câmara como um candidato que não tem “estofo” para a vaga.

De parte dos tucanos, a avaliação é de que Rocha, apesar do bom trânsito junto ao comando do Palácio do Planalto, não tem “musculatura” para substituir Moraes, que até a indicação para o STF era filado ao PSDB.

Do lado da bancada do PMDB da Câmara, o surgimento do nome de Rocha como um dos cotados é visto com um “balão de ensaio” e que falta “estofo” para o auxiliar palaciano para ocupar o ministério. Os deputados da legenda irão insistir na condução de Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o posto.

ADVOGADO DE CUNHAApesar da resistência de alguns setores da base aliada, o subchefe de assuntos jurídicos da Casa tem um histórico de serviços prestados ao PMDB, que inclui a defesa do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na operação Lava Jato.

A relação entre os dois foi confirmada pelo próprio advogado em sabatina realizada em maio de 2015, quando foi aprovado para ocupar uma cadeira no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

“Agirei com a isenção e a imparcialidade necessárias. Vossas excelências podem ter certeza disso” – assegurou Rocha por diversas vezes durante a sabatina.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOsmar Serraglio jamais será ministro neste governo,  porque é sério, respeitado e apoia a Lava Jato. Quanto a essa suposta “autocandidatura” de Gustavo do Vale Rocha a ministro da Justiça, a iniciativa é misteriosa e começa a despertar altas especulações. Estamos colhendo informações para voltar ao assunto, daqui a pouco. (C.N.)

Fachin nega pedidos de Lula e Aécio para terem acesso a algumas delações

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Fachin alega que as delações ainda estão sob sigilo

Felipe Pontes
Agência Brasil

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), negou ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acesso aos depoimentos prestados por colaboradores da operação. Lula havia pedido acesso à delação premiada do ex-deputado e ex-presidente do PP Pedro Corrêa, na qual é citado como envolvido no esquema de corrupção na Petrobras.

No despacho em que negou a solicitação, Fachin ressaltou que os depoimentos de Corrêa ainda não foram homologados pelo STF, motivo pelo qual não poderiam ser disponibilizados.

CITAÇÕES AO SENADOR – Aécio Neves, por sua vez, havia pedido para ter acesso à delação premiada dos ex-executivos da Odebrecht Benedicto Júnior e Sergio Neves. Para justificar a solicitação, a defesa do senador citou uma reportagem do site Buzzfeed, segundo a qual as referidas delações trariam menções a Aécio, por suposto envolvimento em irregularidades na construção da Cidade Administrativa, sede do governo de Minas Gerais.

Ao negar o pedido de Aécio, Fachin destacou que, mesmo que tenha sido citado, não consta que o senador tenha se tornado um investigado em decorrência dos depoimentos, motivo pelo qual não haveria justificativa para que tivesse acesso às delações.

Todos os depoimentos a que a os advogados de Lula e de Aécio pediram acesso estão sob segredo de Justiça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEis mais uma evidência de que o sigilo tem de acabar, em nome do direito a uma defesa plena. (C.N.)

Marcelo Odebrecht vão depor sobre doações para campanha de Dilma/Temer

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Charge do Paixão, reproduzida da Gazeta do Povo

André Richter
Agência Brasil

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamim autorizou nesta quarta-feira (dia 22) o depoimento do empresário Marcelo Odebrecht, um dos delatores da Operação Lava Jato, na ação em que o PSDB pede a cassação da chapa Dilma-Temer. A oitiva deve ser realizada no dia 1º de março, às 14h30, na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), em Curitiba. Marcelo Odebrecht está preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, desde junho de 2015, em função das investigações.

Em dezembro de 2014, as contas da campanha da então presidenta Dilma Rousseff e de seu companheiro de chapa, Michel Temer, foram aprovadas com ressalvas, por unanimidade, no TSE. No entanto, o processo foi reaberto porque o PSDB questionou a aprovação, por entender que há irregularidades nas prestações de contas apresentadas por Dilma. Segundo entendimento do TSE, a prestação contábil do presidente e do vice-presidente é julgada em conjunto.

DILMA SE DEFENDE – A campanha de Dilma Rousseff nega qualquer irregularidade e sustenta que todo o processo de contratação das empresas e de distribuição dos produtos foi documentado e monitorado. No início do mês, a defesa do presidente Michel Temer sustentou no TSE que a campanha eleitoral do PMDB não tem relação com os pagamentos suspeitos. De acordo com os advogados, não se tem conhecimento de qualquer irregularidade no pagamento dos serviços.

A decisão do relator Herman Benjamin foi tomada após a homologação dos acordos de delação de 77 investigados ligados à Odebrecht. Segundo o ministro,” houve depoimentos relacionados à campanha eleitoral da chapa Dilma-Temer em 2014″.

OUTROS DEPOIMENTOS – Além de Marcelo Odebrecht, também deverão prestar depoimento Cláudio Melo Filho e Alexandrino de Salles Ramos, dois ex-executivos da empreiteira que também assinaram acordo de delação.

As oitivas foram autorizadas pelo relator da Operação Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, e pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chefe da força-tarefa de procuradores da operação.

De acordo com Fachin, os depoimentos de delatores que figuram nos processos criminais da Lava Jato no TSE não violam os termos de sigilo do acordo. Para Janot, estão entre as obrigações dos delatores prestar informações em processos que tramitam em outras áreas da Justiça, como a eleitoral.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Marcelo Odebrecht vai contar que Temer lhe pediu doação legal, sem caixa dois, e vai limpar um pouco a imagem do presidente, até o próximo capítulo da novela Brasil. O relacionamento do empresário com Temer era muito pequeno em comparação às ligações da família Odebrecht aos presidentes FHC, Lula e Dilma. (C.N.)

STF mantém fim do sigilo na delação de Machado, que se deu bem na Lava Jato

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Machado enganou Teori e Janot para sair incólume

Margareth Lourenço
Correio Braziliense

Por unanimidade, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) integrantes da Segunda Turma negaram solicitação do ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, e de seus filhos, que pretendiam a manutenção do sigilo das delações premiadas que fizeram no âmbito da Lava-Jato. Desta forma, o Supremo validou o fim do sigilo, de acordo com decisão que já havia sido tomada pelo ministro Teori Zavascki (morto em janeiro) atendendo a um pedido do Ministério Público.

O pedido de manutenção do sigilo havia sido requerido pelos advogados do ex-presidente da Transpetro e dos filhos do executivo. A alegação é de que a intimidade dos delatores havia sido violada.

SEM SENTIDO – O ministro Dias Toffoli destacou que a necessidade do sigilo é para evitar vazamentos e a segurança dos delatores. Porém, com o conhecimento dos depoimentos de Machado, amplamente divulgado pela imprensa, não haveria sentido em manter o sigilo.

O ministro Ricardo Lewandowski disse ainda que  “tudo que interessa à sociedade deve vir à público. A luz do sol é o melhor desinfetante”. O ministro ainda reforçou que “nesse caso de corrupção, com a mais ampla divulgação dessas delações premiadas, evita-se divulgação seletiva, dando tratamento igual a todos.

O ministro Celso de Mello ressaltou que o sigilo não perdura de “forma absoluta ou perene” até recebimento da denúncia deixa de subsistir e não mais existam motivos que possam determinar essa situação de excepcionalidade.

RECURSO DE LULA – Para esta quara-feira (22/2), mais uma vez está prevista na pauta de votações do Plenário da Corte a análise de recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele solicita a anulação das provas obtidas na Operação Lava-Jato.

Os advogados do ex-presidente recorrem de uma decisão tomada pelo ministro Teori Zavascki (morto em janeiro), que devolveu ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, as investigações contra o ex-presidente na Lava Jato após aceitar parcialmente recurso dos advogados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O processo da famiglia Machado não é sigiloso, mas se tornou o maior mistério da Lava Jato. O então relator Teori Zavascki e o procurador-geral Rodrigo Janot aceitaram um acordo altamente benéfico a pai e filhos, que só tiveram de devolver R$ 75 milhões em suaves prestações, embora se saiba que desviaram muito mais recursos, porque a imprensa britânica denunciou que um dos filhos de Machado comprou quatro imóveis de luxo na Inglaterra, avaliados no equivalente a R$ 96 milhões. A famiglia Machado está livre, leve, solta, riquíssima e impune. Se o processo estivesse com a força-tarefa de Curitiba e o juiz Moro, esse absurdo judicial jamais teria ocorrido. (C.N.)

Ministério Público Eleitoral de Minas pede a cassação do governador Pimentel

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As provas se acumulam e o TRE  pode cassar Pimentel

Carolina Linhares
Folha

O Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais emitiu um parecer favorável à cassação do governador do Estado, Fernando Pimentel (PT), nesta terça-feira (dia 21). O parecer integra uma ação eleitoral movida em dezembro de 2014 pelo PSDB de Minas. A representação pede a cassação de Pimentel e teve o julgamento agendado para esta quinta-feira (dia 23) no Tribunal Regional Eleitoral do Estado.

Segundo o procurador regional eleitoral de Minas, Patrick Salgado Martins, a campanha de Pimentel “não se pautou pelos valores da lisura, transparência e higidez”. “Ao revés, foi realizada ao alvedrio e conveniência dos candidatos, gerando desequilíbrio de condições na concorrência e, em última análise, desigualdade no pleito”, diz o parecer.

DINHEIRO DEMAIS – Martins aponta que a campanha de Pimentel extrapolou em cerca de R$ 10,2 milhões o limite de gastos estabelecido, o que “maculou a igualdade e a disputa saudável entre os candidatos”.

O TRE-MG reprovou a prestação de contas da campanha de Pimentel em dezembro de 2014 devido ao limite excedido. O tribunal estabeleceu ainda uma multa de R$ 50,5 milhões.

Em fevereiro de 2016, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a reprovação das contas, mas retirou a multa. Para a maioria dos ministros, Pimentel teria cometido “dupla contabilização” de despesas nas contas e não teria ultrapassado os limites de gastos de campanha.

OUTRAS ILEGALIDADES – Os ministros do TSE, contudo, apontaram outros problemas na contabilidade, como o fato de que despesas de outros candidatos e comitês eleitorais cujo material favoreceu a campanha de Pimentel não terem sido declaradas. Esse gasto chegaria a R$ 2 milhões.

O procurador regional eleitoral aponta em seu parecer que foram usadas “duas estruturas de arrecadação e gastos, com a mesma pessoa no comando, duplicando-se os esforços gerenciais e de contabilidade, quais sejam: a conta do candidato a governador, Fernando Pimentel, e a conta do Comitê Financeiro Único do Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais”.

“Candidato e comitê realizaram contabilidade de conveniência, selecionando os gastos de campanha com os quais cada um arcaria, de forma que, ao final, as contas do candidato saíssem imaculadas”, diz Martins.

OUTRO LADO – Marco Antônio de Rezende Teixeira, secretário da Casa Civil de Minas, afirmou à Folha que a tese de Martins, de que Pimentel ultrapassou o limite de gastos, foi derrubada no TSE.

“O TSE já alterou os fundamentos da rejeição das contas e apontou que o TRE-MG contou duas vezes as despesas”, disse. “Essa ação de cassação está baseada nessa extrapolação de valor que o TSE já derrubou.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão é possível acreditar que o TSE tenha desfeito erro de cálculo tão bizarro, mas a Procuradoria Eleitoral esteja insistindo no mesmo equívoco. Só se for como Piada do Ano. (C.N.)

Assessor jurídico da Casa Civil insinua ter apoio de Janot para ser ministro da Justiça

r jurídico da Casa Civil em sessão no Senado

Gustavo Rocha, assessor de Padilha, está em “campanha”

Camila Mattoso e Gustavo Uribe
Folha

O subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, começou uma campanha para a vaga de ministro da Justiça, aberta após a indicação de Alexandre de Moraes para o STF (Supremo Tribunal Federal). O assessor jurídico já indicou abertamente ao presidente Michel Temer a disposição de assumir a pasta e passou a buscar apoio na última sexta-feira, após a negativa do ex-ministro do STF Carlos Velloso em assumir o cargo. Procurado, Rocha disse que não se manifestaria.

O apoio mais forte é o de Rodrigo Janot, procurador-geral da República. Embora não manifeste publicamente, Janot tem dito a interlocutores que aprovaria a escolha.

Os dois se aproximaram nas sessões do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), do qual Janot é presidente. Rocha é conselheiro desde 2015 e foi reconduzido ao cargo em dezembro do ano passado. A simpatia já teria sido inclusive declarada a Temer.

EDUARDO CUNHA – Rocha também tem o apoio de aliados de Temer que articulam a nomeação na tentativa de aplacar os ânimos do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O assessor da Casa Civil foi advogado do ex-deputado e seu nome é visto como um aceno a Cunha, que já mandou recados ao governo de que pode fechar acordo de delação na Lava Jato.

Segundo pessoas que levaram o nome do assessor ao presidente, Temer ainda não se pronunciou sobre Rocha.

Em oito meses no governo Temer, o advogado ganhou holofotes por ter protagonizado duas polêmicas. Em novembro, apareceu em gravações feitas pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero no caso envolvendo o ex-ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) em uma obra em Salvador. E Geddel deixou o cargo após o escândalo.

Recentemente, Rocha assinou petição em nome da primeira-dama, Marcela Temer, pedindo à Justiça de Brasília a proibição de publicação de informações sobre chantagem de um hacker sofrida por ela, o que lhe rendeu críticas por advogar particularmente para a família do presidente.

COMISSÃO DE ÉTICA – A Comissão de Ética Pública da Presidência vai investigar a conduta do subchefe de Assuntos Jurídicos no caso.

Outros dois nomes que têm sido defendidos no Palácio para a vaga de ministro da Justiça são os do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp e do ex-ministro do STF Cezar Peluso. Entre os cotados aparecem ainda Maria Tereza Uille, do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Matéria importantíssima de Camila Mattoso e Gustavo Uribe, por deixar entrever a briga de bastidores no Palácio do Planalto, que está esquentando. É um assunto inquietante, vamos voltar a ele, para analisá-lo em profundidade, com tradução simultânea e tudo o mais. (C.N.)

Lúcio Funaro, doleiro da Lava Jato, conseguiu dar golpe até em Eduardo Cunha

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Funaro passou os amigos para trás e embolsou a propina

André de Souza
O Globo

Não era apenas a empreiteira Odebrecht – cujos executivos tiveram um acordo de delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – que costumava identificar políticos por apelidos. O gosto por dar alcunhas também era compartilhado pelo empresário Alexandre Margotto, que firmou um acordo de delação com o Ministério Público Federal (MPF). O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por exemplo, era o “Vesgo”. Seu ex-sócio, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, era o “Maluco”. E Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa, era frequentemente chamado de “Rapaizim”. Além disso, tanto Margotto como Cleto costumavam reclamar que Funaro não era bom pagador, atrasando os repasses prometidos.

O acordo de delação premiada de Margotto – em que ele expõe irregularidades no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa – foi homologado na semana passada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília. Segundo os termos do acordo, ele se comprometeu a falar de irregularidades envolvendo Cunha, preso atualmente em Curitiba; o ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima; o ex-ministro do Turismo Henrique Alves; e os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS e do frigorífico Friboi.

FUNARO, O SÓCIO – Lúcio Funaro – que era o operador de Cunha e está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília – também é exposto na delação de Margotto. Os dois eram sócios e, pelas mensagens entregues por Margotto ao MPF, alternavam momentos de amor e ódio. Ora trocavam palavras amistosas, ora se xingavam, principalmente quando Margotto reclamava que estava sem dinheiro.

Na manhã de 5 de agosto de 2014, Margotto escreveu para Funaro que não tinha mais limite no banco e que iria pedir dinheiro emprestado para a mãe. “Não paguei a Cida, a empregada. A escola. Plano de saúde. Consegui sacar 150 reais, que é gasolina. Gasolina e almoçar”, escreveu Margotto.

Em 13 de setembro, novas reclamações: “Neste momento dependo de você. Se você falha, eu me fodo. Ajudei meu pai que tá com câncer. A mulher dele que tá. Tem escola. O básico. Então quando você fala que vai fazer algo, tô contando com aquilo. Se você falha, é efeito dominó. Pedi emprestado, Cleto. Ele disse que vai ver, se você não me ajudar, ele vai dar jeito”.

MESTRES DOS MESTRES – Em 15 de agosto, Cleto escreveu para Margotto, falando de Funaro: “É o mestre dos mestres, que dá aula de não pagar ninguém, você já conhece”. Em geral, Funaro respondia agressivo às reclamações de Margotto, acrescentando que, enquanto um ou outro negócio não fosse fechado, não poderia adiantar dinheiro.

Em sua delação, homologada no ano passado, Fábio Cleto já tinha apontado um episódio em que Funaro tinha enganado o próprio Cunha. O ex-deputado foi acusado de receber propina de contratos do FI-FGTS. Segundo ele, o combinado era que Cunha ficasse com 80% da propina paga por empresas interessadas em obter financiamentos do fundo. Mas isso não ocorreu em um caso: na liberação de R$ 500 milhões para um projeto habitacional em Pernambuco, da empresa Cone.

PROPINA REDUZIDA – Cleto contou que, normalmente, ficava com 4% da propina, Funaro com 12% e Margotto com outros 4%. Mas, no financiamento do projeto habitacional, Funaro combinou com os dois para não falarem nada a Cunha. Assim, os três dividiriam igualmente a propina, que totalizaria R$ 14 milhões.

Funaro, porém, não cumpriu o acordo e Cleto recebeu apenas R$ 75 mil. Não restou alternativa a não ser aceitar calado. Segundo o termo de depoimento prestado em abril do ano passado, Cleto disse que “não cobrou de Funaro o valor restante da propina devida, pois sabia que seria infrutífera a cobrança”.

Os delatores que vêm expondo irregularidades nas relações entre empresários e agentes públicos vêm demonstrando gosto pelos apelidos. Na Lava-Jato, a lista da Odebrecht expõe dezenas de políticos e suas alcunhas, como Angorá, Primo, Índio, Botafogo, Santo, Todo Feio e Boca Mole.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esse doleiro Lúcio Funaro não é de brincadeira. Vai entrar na História do Crime como o único vigarista que conseguiu dar um golpe em Eduardo Cunha. Realmente ele merece a alcunha de “mestre dos mestres”. (C.N.)

 

 

 

Recorde mundial – Helicópteros estaduais foram 1,5 mil vezes à mansão de Cabral

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Cabral diz que usava helicópteros “eventualmente”

Italo Nogueira
Folha

Os helicópteros do governo do Rio pousaram quase 1.500 vezes entre 2007 e 2014 no condomínio Portobello, em Mangaratiba, onde o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) tem casa de veraneio. Em 2011, ano com a maior frequência de voos para o refúgio, foram 241 aterrisagens no local, duas a cada três dias em média. Há casos de mobilização de mais de uma aeronave para levar passageiros para o local, com decolagens em sequência do heliponto do governo.

A lista de voos de helicópteros do Estado para a residência de veraneio do governador foi fornecida pela Subsecretaria Militar à Justiça estadual, em ação popular movida pelo procurador aposentado Cosmo Ferreira, que aponta suposto abuso no uso das aeronaves.

DEPOIMENTO – Cabral depôs nesta terça-feira (21) por videoconferência no caso. À juíza Luciana Lopes, da 8ª Vara de Fazenda Pública, o ex-governador afirmou que “pode” ter usado as aeronaves para fins particulares.

“No fim de semana posso ter me deslocado para compromissos particulares”, afirmou o peemedebista, que vestia uma camisa branca, calça azul, tênis, e aparentava estar mais magro.

O ex-governador afirmou que ele e seus familiares recebiam ameaças de criminosos, motivo pelo qual o uso das aeronaves era recomendado pelas autoridades de segurança. Versão semelhante já havia dado em julho de 2013, quando a revista “Veja” mostrou embarques de Cabral com familiares, funcionários e até o cachorro da família nos helicópteros do Estado.

“EVENTUALMENTE” – Cabral está preso em Bangu desde novembro sob acusação de cobrar propina em obras públicas em processo da Justiça Federal. Ele falou numa sala da penitenciária. Ele admitiu que, em alguns casos, seus filhos e a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo usaram sozinhos os helicópteros do Estado –informação também dada pelo piloto André Benvenuti de Moura Alcântara.

“Tinha vezes que ficava até muito tarde no Palácio [Guanabara, sede do governo], e eventualmente meus filhos e mulher iam antes e eu ia depois”, disse.

Até 2012, o ano com menor número de pousos em Mangaratiba foi em 2007 (192), com uma média de um a cada dois dias. No total, foram 1.481 pousos e decolagens na cidade durante a gestão Cabral.

CARNAVAL ANIMADO – A lista da subsecretaria mostra voos em sequência num mesmo dia. No dia 1º de janeiro de 2011, por exemplo, o Estado usou quatro aeronaves que realizaram nove voos chegando ou partindo de Mangaratiba. No dia 7 de março do mesmo ano, Carnaval, três aeronaves foram usadas para seis voos.

Em 20 de fevereiro de 2007, dois helicópteros do Estado decolaram juntos em plena madrugada, às 2h15, tendo como destino Mangaratiba.

A lista enviada pela subsecretaria não possui nome dos passageiros. Mas referem-se a pedidos de liberação de helicópteros feitos pela governadoria tendo como destino ou origem Mangaratiba.

DEPOIS DA “VEJA” – A frequência de voos se reduz drasticamente a partir de agosto de 2013, após a reportagem da “Veja”, quando Cabral decide regulamentar o uso das aeronaves oficiais. De agosto de 2013 a março de 2014, quando Cabral renunciou, foram 59 pousos ou decolagens no local – média de uma a cada quatro dias.

“Não havia regulamentação sobre uso de helicóptero. Fui o primeiro governador a estabelecer um ordenamento”, afirmou o ex-governador.

A juíza determinou uma perícia para determinar o custo dos voos, além de identificar o possível abuso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ao usar o advérbio de modo “eventualmente”, Cabral se candidata na disputa da Piada do Ano, que vai ficar ainda mais engraçada quando a Justiça apresentar a conta pela utilização indevida e abusiva dos helicópteros do governo. Mas a maior piada de Cabral foi ter criado um Código de Ética, a seu obedecido por ele próprio e por todos os governadores do Rio. (C.N.)

Congresso ameaça retaliação se o Supremo restringir o foro privilegiado

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Charge do Iotti, reproduzida da Zero Hora

Isadora Peron e Daiene Cardoso
Estadão

Caso o Supremo Tribunal Federal leve adiante a proposta de restringir o foro de políticos somente para crimes cometidos no exercício do mandato eletivo, líderes da base e da oposição no Congresso não descartam aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para retirar o foro privilegiado de magistrados e integrantes do Ministério Público.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), evitou polemizar sobre essa possibilidade de o Supremo restringir o alcance do foro privilegiado dos políticos ao mandato em exercício. “Vamos esperar para ver qual a decisão do Supremo, se de fato isso pode ser uma interpretação constitucional ou se pode ser por emenda constitucional”, disse.

AUTONOMIA DO CONGRESSO – Rodrigo Maia defende a autonomia do Congresso sobre debate do foro privilegiado, mas diz que é preciso ter “muita tranquilidade para avançar neste debate” e que a discussão sobre essa questão depende de “cada momento, cada conjuntura”.

“Esse debate ocorreu aqui alguns anos atrás e foi derrotado, porque havia um movimento de alguns que estavam sendo julgados no Supremo que queriam derrubar o foro”, afirmou.

SURUBA DE JUCÁ – Nesta segunda-feira, o líder do governo no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR), classificou como “suruba selecionada” a proposta em debate no STF e defendeu que é preciso haver uma regra igual para todos.

Motorista da gráfica usada por Dilma/Temer diz que virou “laranja” sem saber

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Jonathan, que era motorista, tenta arranjar emprego

Flávia Albuquerque e Elaine Patricia Cruz
Agência Brasil

O proprietário da Focal, o empresário Carlos Roberto Cortegoso, testemunha ligada às gráficas que prestaram serviços à campanha de 2014 da chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer, foi o último a ser ouvido antes do carnaval,  na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em São Paulo. A gráfica Focal é uma das empresas investigadas por supostas irregularidades durante a campanha eleitoral. Cortegoso saiu por volta das 16h15, sem falar com a imprensa. Cortegoso e mais três testemunhas foram ouvidas pelo ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin, relator da ação que pede a cassação da chapa Dilma e Temer. Os depoimentos estão sendo realizados por videoconferência, com o ministro em Brasília.

O advogado Marcio Antonio Donizete Decreci, que defende Cortegoso, evitou dar detalhes sobre o que foi dito hoje. “Isso corre sob sigilo e só estou acompanhando”, afirmou. “Carlos esclareceu todos os pontos do trabalho que ele desenvolveu na campanha, em relação ao trabalho da Focal e aos serviços realizados”, disse o advogado. “Ele prestou o serviço, isso eu posso dizer.”

“LARANJA” CONFIRMA – Mais três pessoas foram ouvidas nesta segunda-feira: duas como investigadas, os empresários Rodrigo Zanardo e Rogério Zanardo, da Rede Seg Gráfica, e o ex-motorista de Cortegoso, Jonathan Gomes Bastos, como testemunha.

O ex-motorista, que já havia prestado depoimento no dia 8, esclareceu que, sem saber, foi usado como laranja. Ele contou que está movendo um processo contra a gráfica, onde trabalhou por 13 anos. “Minha vida mudou muito, hoje tenho o nome sujo, estou desempregado. Usaram meu nome em três empresas citadas na Lava Jato [Focal Point, Redeseg e VTPB]. Fui um laranja.”

Jonathan disse que está com dificuldade para conseguir emprego. “Só preciso voltar a trabalhar. O que vai acontecer com eles não me importa, porque eles são ‘peixes grandes’. Tudo bandido, e com eles não vai acontecer nada.”

Sobre o depoimento do ex-motorista, o advogado de Cortegoso preferiu não fazer comentários. “É uma questão que está toda no processo e, neste momento, não quero me manifestar sobre isso.”

TEMER E DILMA – Os advogados do presidente Michel Temer e da ex-presidenta Dilma Rousseff acompanharam os depoimentos na sede do TER paulista. Na saída, Gustavo Guedes, defensor do presidente, disse que esta “foi mais uma audiência extenuante” e que as testemunhas, ouvidas desde as 10h, “em nada contribuem com o objeto desse processo”.

Segundo Guedes, o testemunho do ex-motorista é estranho ao processo. “A relação societária que ele tinha com o senhor Carlos Cortegoso é uma situação estranha a esse processo. O Brasil não pode seguir com esse processo tão importante para o país por conta de uma relação societária de uma gráfica ou de uma empresa que forneceu para a campanha. Na nossa avaliação, este é um tema que deve ser tratado na esfera criminal e tributária, para ver se isso realmente ocorreu, mas um processo dessa natureza, dessa importância, não pode seguir tão somente por conta de uma razão societária, de empresas que forneceram para a campanha.”

Mais uma testemunha ainda deverá ser ouvida pelo ministro por meio de videoconferência. Segundo Flávio Caetano, trata-se de uma testemunha de Minas Gerais, de uma terceira gráfica que prestou serviços para a campanha, a VTPB.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As provas são abundantes e evidentes. Gráficas-laranjas, sem equipamentos nem funcionários, e sócios-laranjas, como esse motorista, que agora precisa desesperadamente de um novo emprego. Mas nada disso interessa, porque o TSE é tão lento quanto o Supremo, os processos se eternizam, o tribunal não consegue nem mesmo analisar as prestações de contas dos partidos, que se acumulam desde a década passada. Portanto, o TSE se tornou também uma corte-fantasma, e fica tudo por isso mesmo. (C.N.)

A filosofia do samba, na visão de um mestre chamado Candeia

Resultado de imagem para candeiaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Antônio Candeia Filho (1935-1978), na letra de “Filosofia do Samba”, revela o substrato essencial de um sambista autêntico. O LP “Filosofia do Samba” foi gravado por Candeia, em 1976, pela Equipe.

FILOSOFIA DO SAMBA
Candeia

Prá cantar samba
não preciso de razão,
pois a razão
está sempre com dois lados.

Amor é tema tão falado,
mas ninguém
seguiu nem cumpriu a grande lei:
cada qual ama a si próprio,
“liberdade e igualdade”, onde estão,
não sei.

Mora na filosofia,
morou, Maria…
Morou, Maria?
Morou, Maria!

Pra cantar samba
veja o tema na lembrança:
Cego é quem vê
só aonde a vista alcança.
Mandei meu dicionário às favas:
mudo é quem
só se comunica com palavras.
Se o dia nasce,
renasce o samba.
Se o dia morre,
revive o samba.

Mora na filosofia,
morou, Maria…
Morou, Maria?
Morou, Maria!

Oposição decepciona e não consegue derrubar um ministro fraco como Moraes

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Moraes e Lobão foram feitos um para o outro

Deu no UOL

Ministro da Justiça licenciado do governo Temer, Alexandre de Moraes foi aprovado nesta terça-feira (21) em sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado para o cargo de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) por 19 votos a 7. Apenas a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) se absteve de votar.

Agora, a indicação de Moraes à cadeira que foi de Teori Zavascki no STF deverá ser submetida à aprovação do plenário do Senado, onde precisa do apoio de ao menos 41 dos 81 senadores. A votação é secreta, assim como foi na CCJ, e deve ser realizada nesta quarta-feira (22h), em sessão que começa às 11 horas.

Se Moraes for aprovado pelo plenário, o presidente Michel Temer confirmará a nomeação por meio de publicação no Diário Oficial e caberá ao STF marcar a data de posse do seu 11º ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Péssimo orador, com o cacoete de falar mordendo as palavras, Moraes foi aprovado pela base aliada sem demonstrar méritos para ser ministro do Supremo. Na sabatina, mentiu mais do que bula de remédio fitoterápico. Mas a oposição é muito fraca e não teve competência para desmenti-lo perante as câmeras da TV Senado. Por isso, daqui a pouco a gente terá de voltar com um texto mais aprofundado, para mostrar que Alexandre de Moraes não mostrou reputação ilibada para ser ministro do Supremo, mas vai ocupar a cadeira de Teori Zavascki, porque seu nome será confirmado nesta quarta-feira pelo plenário do Senado, onde tudo está dominado, como dizem os integrantes da facção criminosa PCC, que Moraes teve a honra de defender como advogado. (C.N.)

Oposição e centrais fecham estratégia contra a reforma da Previdência

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Charge do Cicero (cicero.art.br)

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Deputados da oposição e representantes de movimentos sindicais fecharam nesta terça-feira (21/2), uma estratégia para tentar impedir a aprovação da Reforma da Previdência na Câmara. A ideia é atuar em duas frentes: uma nos municípios, para que os eleitores pressionem os deputados a se posicionar contra a reforma; e outra em Brasília, abordando parlamentares da base que se mostram indecisos sobre a questão.

O primeiro foco serão os 38 deputados que fazem parte da comissão especial que discute a Proposta de Emenda à Constituição. A oposição calcula que tem 11 votos contra a proposta no colegiado. “Precisamos de mais nove para ter maioria. Vamos atuar no varejo, indo de gabinete em gabinete”, disse o deputado Sílvio Costa (PTdoB-PE).

DIFICULDADES – Para o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), o governo vai ter dificuldade para aprovar a reforma, porque mesmo na base aliada há muito parlamentar que mostra resistência em apoiar a medida. “Vamos conversar com o eleitor de cada deputado. Eles vão sentir a pressão”, disse.

Para mobilizar a população, o plano será fazer protestos em cidades de todo o País, não apenas em Brasília. Uma das ideias é realizar também audiências públicas nas câmaras municipais, para levar o debate também aos “rincões” nacionais. Além de deputados da oposição, participaram do encontro representantes da CUT, Contag, CTB e Nova Central Sindical.

“A partir de março, o Brasil vai pegar fogo”, afirmar o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A primeira dificuldade do governo será encaminhar ao Supremo o estudo atuarial sobre suposto déficit da Previdência, até porque esse cálculo jamais foi feito. Além disso, o governo quer incluir as despesas com aposentadoria de quem nunca contribuiu (trabalhador rural e idoso carente), mas isso não é previdência, apenas assistência social, que é outro departamento. (C.N.) 

Parlamentares e governantes somem, e Brasília se purifica para o carnaval

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Ivan Valente, do PSOL, é um dos últimos a viajar

Matheus Teixeira
Correio Braziliense

No Senado, o plenário ficou vazio. Já na Câmara, a discussão sobre a presidência das comissões ficou para a semana que vem, se der

Mais de 15 dias após iniciar o ano legislativo, a Câmara dos Deputados ainda não iniciou os trabalhos nas 25 comissões permanentes da Casa. E não vai ser agora, às vésperas do carnaval, que os parlamentares vão esquecer a folia para esquentar a cabeça com a disputa pelas comissões. Parte importante no cotidiano da Casa, esses colegiados são responsáveis por emitir pareceres técnicos sobre a maioria das matérias em tramitação no parlamento e, em alguns casos, podem até dar a palavra final sem a necessidade de votar a matéria no plenário.

Quando é por interesse próprio, porém, os parlamentares arregaçam as mangas. Os deputados até anteciparam o trabalho e começaram a semana mais cedo para não perder nenhum dia de festa. Ontem, teve sessão deliberativa, o que é raro de acontecer: normalmente, os deputados se encontram no plenário apenas entre terça e quinta-feira. Assim, é certo que a sessão marcada para depois de amanhã sequer terá quórum, como ocorreu em outros anos.

DISPUTA PELAS COMISSÕES – Como têm papel fundamental, as comissões são alvo de disputa entre os partidos. Geralmente, a distribuição do comando dos colegiados acontece de acordo com o tamanho de cada bancada. Esta, no entanto, não é uma matemática simples.

A presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais poderosa e cobiçada, por exemplo, deveria ficar com o PMDB. Mas o comando da CCJ está no meio de uma negociação maior: os peemedebistas querem a liderança do governo, hoje com André Moura (PSC-SE), e, caso tenham sucesso na empreitada, topam abrir mão da CCJ para Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

PT deve ficar com comissões de Direitos Humanos e Desenvolvimento Regional.

TUDO PARADO – O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu, nesta segunda-feira, que os colegiados só vão funcionar depois do carnaval. Nos bastidores, os deputados articulam para serem indicados às comissões. Jair Bolsonaro (PSC-RJ) atua para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e, se conseguir, o assunto deve dar grande repercussão. Seria a repetição do que aconteceu em 2013, quando Marco Feliciano (PSC-SP), que também tem posições contrárias às dos movimentos de direitos humanos, esteve à frente da comissão e foi alvo de inúmeros protestos.

Um dos principais aliados do governo, o PSDB deseja emplacar os presidentes de duas comissões: a de Seguridade Social e Família e a de Educação. O PSD, por sua vez, quer ficar sintonizado com o presidente nacional da legenda e ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, e ficar com o colegiado que trata do tema da pasta do PSD na Esplanada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nessa época do ano (e em outras) Brasília lembra o grande Oswaldo Aranha e se transforma num deserto de homens e ideias. Mas é justamente quando a belíssima cidade melhora de nível, porque os moradores provisórios e indesejáveis somem. (C.N.)