Amigo de Aécio, o relator Moraes não se considera suspeito para julgá-lo

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Moraes é o relator dos sonhos de Aécio Neves

Deu no Estadão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado na tarde desta segunda-feira (16) para ser o relator do mandado de segurança de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-Amapá), que defende a votação aberta das medidas cautelares impostas pela Primeira Turma do STF ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente licenciado do PSDB nacional. A votação no Senado está prevista para ocorrer nesta terça-feira (17).

Em fevereiro deste ano, Alexandre de Moraes comunicou a Aécio Neves a sua desfiliação do PSDB, após ser indicado pelo presidente Michel Temer para assumir a cadeira de Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em janeiro.

ARTICULAÇÃO – Ao recorrer ao STF, Randolfe menciona reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada na semana passada, que mostra a articulação de senadores para que seja secreta a votação sobre o afastamento de Aécio das funções parlamentares. Para Randolfe, os desdobramentos do caso Aécio “parecem estar longe de apontar para uma solução nos trilhos do combalido Estado Democrático de Direito pátrio”.

“Diante desse cenário de fundado receio de que a decisão se dê de modo secreto, ao arrepio da disciplina constitucional, até para que se evite a discussão posterior da validade de tal descalabro novamente junto a esta Suprema Corte, urge sindicar provimento acautelatório que ordene a votação ostensiva, com vistas a evitar que se radicalize a dramática crise de poderes que atravessa o país, onde a institucionalidade conquistada a duras penas é sacrificada em favor da torpeza egoística da manutenção do Senador Aécio Neves a salvo do império da Lei”, sustentou o senador da Rede ao STF.

CASO DELCÍDIO – No caso da prisão do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS), em novembro de 2015, o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou realizar a votação de forma sigilosa. À época, Aécio Neves e outros senadores entraram com um mandado de segurança no STF contra a iniciativa.

“Não havendo menção no art. 53, § 2º, da Constituição à natureza secreta da deliberação ali estabelecida, há de prevalecer o princípio democrático que impõe a indicação nominal do voto dos representantes do povo, entendimento este que foi estabelecido pelo próprio Poder Legislativo, ao aprovar a EC nº 35/2001. Sendo assim, não há liberdade à Casa Legislativa em estabelecer, em seu regimento, o caráter secreto dessa votação, e, em havendo disposição regimental em sentido contrário, sucumbirá diante do que estatui a Constituição como regra”, decidiu o ministro Edson Fachin naquela ocasião.

IRONIA DO DESTINO – A ofensiva jurídica de Aécio no caso Delcídio é mencionada por Randolfe em seu pedido ao STF. “Aliás, as ironias da História merecem ser exploradas justo por evidenciarem a natureza contingente e recalcitrante das convicções dos homens públicos do país”, criticou Randolfe.

O senador Aécio Neves citou “Alexandre” em um dos áudios gravados por Joesley Batista e entregues como parte da colaboração premiada, em uma conversa em que o tucano falava que sobre o comando da Polícia Federal e dizia que “tem que escolher dez caras” para conduzir inquéritos de investigados.

A conversa estava relacionada às investigações originadas com as delações da Odebrecht. Este trecho foi interpretado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como demonstração dos esforços de Aécio Neves para obstruir a justiça. O tucano nega as acusações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tudo dominado! Se tivesse havido combinação, não teria sido melhor. Foi sorteado um ministro-relator que era filiado ao PSDB e frequentava sua cúpula. Aliás, Alexandre de Moraes só saiu do partido porque foi obrigado, ao ser escolhido ministro do Supremo.  O mais curioso é o fato de Aécio ter defendido a votação aberta no caso Delcídio e agora mudou de ideia, repentinamente. O tucano Cassio Cunha Lima, pelo contrário, mostrou dignidade. É amigo de Aécio, mas não aceita o voto secreto. (C.N.)

Olimpíadas de sangue do povo sem saúde, educação e segurança

Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Sebastião Nery

Fernando Martins, jornalista, diretor da ANJ (Associação Nacional de Jornais) no Rio, conhecia o Salgueiro de “Chão de Estrelas” de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas. Ia passando na boca do morro, um velho e um rapaz carregavam uma moça.

– O que é que ela tem?

– Está passando mal. Vamos levar para o hospital do INSS em Andaraí.

– Entrem aqui no meu carro.

E Fernando Martins saiu em disparada para o Hospital de Andaraí.

Branca como uma nuvem, os olhos enormes saltando das pálpebras roxas, a moça tossia desesperadamente. O rapaz apertava a cabeça dela contra o peito e pedia baixinho:

– Calma, Gracinha, calma.

Trânsito ruim, Fernando furava o sinal, dava contramão, guardas apitando, anotando.

Ligou o rádio para distrair a moça. Elisete Cardoso cantava “Chão de Estrelas”:

– “Minha vida era um palco iluminado / Eu vivia vestido de dourado / Palhaço das perdidas ilusões.”

E a moça tossindo, sufocada. E Elisete cantando:

– “Cheio dos guizos falsos da alegria / Andei cantando minha fantasia / Entre as palmas febris dos corações.”.

A moça deu um gemido fundo, grunhiu forte. O rapaz, desesperado, o rosto lavado de sangue que saia do peito dela, golfadas esguichando, ensopando o tapete do carro.

E Elisete cantando: – “A porta do barraco era sem trinco / e a lua furando nosso zinco / Salpicando de estrelas nosso chão. / Tu, tu pisavas nos astros distraída / sem saber que a ventura desta vida / é a cabrocha, o luar e o violão.”

O velho apenas bateu com a cabeça. E passou os dez dedos calosos na testa da filha. O rapaz ficou soluçando baixinho, contido, beijando as pálpebras roxas. Tinha nos olhos o espanto dos loucos. E Elisete cantando:

– “Meu barraco no Morro do Salgueiro / Tinha o cantar alegre de um viveiro. /Foste a sonoridade que acabou./ E hoje, quando do sol a claridade / Forra meu barracão sinto saudade / Da mulher, pomba-rola que voou.”

Depois da correria, Fernando Martins chega ao hospital do INSS, em Andaraí. A moça tinha recebido alta algum tempo antes naquele mesmo hospital. Voltava morta. Apenas 21 anos, uma filha de dois meses. Comida pela tuberculose, a doença da fome.

Elisete já não cantava “Chão de Estrelas”.

LEGADO OLÍMPICO – O jogo tem que mudar. O relativo sucesso esportivo e cultural das Olimpíadas e das Paralimpíadas no Rio de Janeiro, de 2016, não pode apagar os desmandos e as roubalheiras de autoridades e dos dirigentes das federações esportivas brasileiras. A governança das entidades e de muitos clubes no Brasil é um desastre. Uma vergonha!

Pelo menos duas ações devem ser imediatamente apoiadas diante de tão grande número de escândalos no COI, na CBF e outras entidades: primeiro a apuração total e irrestrita da malversação dos recursos financeiros. E, segundo, buscar uma lei que limite ao máximo em dois mandados cada cargo de dirigente de federação e de time de futebol. Nada melhor para a gestão do que alternância de poder.

É hora de fechar o ralo do desperdício e da roubalheira para realizar as Olimpíadas da Saúde, da Educação, da Segurança, do Saneamento e da Pobreza. A vida do povo está em jogo.

Neste período torto da vida, a salvação pode ser a Teoria do Caos…

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Charge do Laerte (laerte.com)

Eduardo Aquino
O Tempo

Para quem acha que o mundo está acabando, em meio a furacões, terremotos, aquecimento global, Trump, Temer e Lava Jato, tenho boas notícias. Tudo isso tem uma lógica divina. Como “Deus escreve certo por linhas tortas”, estamos apenas vivendo em um período torto da escrita divina. Somos meros fractais, partes ínfimas que alteram o todo. Um efeito “El Ninho” civilizatório.

Pequenos e insignificantes caracteres de uma tuitada de um presidente podem encher nosso céu de luzes crepusculares de morte atômica. Talvez, cumpra-se a profecia, e o fogo espalhará sua força, trazendo luz às trevosas relações humanas.

É A ENTROPIA – Não sei se é do conhecimento de todos, mas o universo tende a um fenômeno chamado “entropia”. Ou desorganização, para desespero dos perfeccionistas e organizados. Por isso, me interessei pela teoria do caos. Pois é um alento saber que atrás de uma rachadura na parede, movimentos da bolsa de valores, ou o desenho que as ondas deixam nas areias em suas marés, coisas altamente irregulares, podem ser matematizadas por equações chamadas “não lineares” (não se preocupem com esses detalhes, pois isso é coisa para o pessoal de ciências exatas).

Enfim, por mais caótico que algo pareça ser, encontraremos alguma fração, mesmo invisível aos nossos olhos, altamente organizada.

LÓGICA DIVINA – Ok, parece complicado, mas vamos no popular mesmo: tudo tem uma lógica divina. Somos uma experiência cósmica que tem tudo para dar certo, ainda que aparentemente dê errado.

Como na teoria de Gaia, em que nosso planeta é um ser vivido regido por leis próprias e, de vez em quando, congela por milhares de anos, vira vulcões que exala atmosfera de gases tóxicos, ou é habitado por dinossauros, ou deixa um ser narcisista, egocêntrico, metido a Deus, achar que é “o cara” e dando poder a ele, transforma-o em demônio vendedor de almas, com depósitos na Suíça e delata os demais parceiros de inferno, guiados por almas honestas, que passeiam de pedalinho em lagoa de empreiteiras.

Mas ainda bem que a sopa de letrinhas de partidos feitos do barro de santos ocos pode ser vomitada em ordem alfabética. E santos de vestais do Supremo dizem amém. Pensando bem, não entendi nada da Teoria do Caos…

Costamarques, o laranja, revela que teve de devolver R$ 650 mil ao Instituto Lula

Lula

A situação de Lula se complica cada vez mais

Deu em O Tempo

Em depoimento ao juiz federal Sergio Moro no dia 6 de setembro, o aposentado Glaucos da Costamarques – acusado de ser o “laranja” de Lula na compra do apartamento vizinho ao que mora em São Bernardo do Campo e na aquisição do terreno do Instituto Lula, em São Paulo – afirmou que “devolveu” R$ 650 mil em dinheiro vivo dos R$ 800 mil que recebeu pela participação nos negócios. Para o Ministério Público Federal (MPF), as compras foram feitas com propina da Odebrecht ao ex-presidente.

O dinheiro teria sido devolvido atendendo a um pedido por Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula, e foi retirado por dois emissários e transportado num um carro blindado com cofre, segundo contou Costamarques.

DEVOLUÇÃO – “Algum tempo depois de tudo resolvido (os negócios dos imóveis), eu estava já lá tranquilo, o Roberto Teixeira falou: ‘Ô Glaucos, você podia devolver esse lucro que você teve para o Instituto Lula”, disse ao ser interrogado como réu no processo em que Lula é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro pelo acerto de R$ 12,4 milhões de propinas da Odebrecht.

O MPF sustenta que Costamarques recebeu R$ 800 mil em dezembro de 2010 por ter sido “laranja” de Lula nos negócios conduzidos por Teixeira. O valor embutia R$ 504 mil usados por ele quatro meses antes para comprar o apartamento 121 do edifício Hill House e ainda a comissão de R$ 172 mil por ter sido laranja, além dos gastos com impostos.

A defesa de Lula afirma que ele é locatário do apartamento 121 desde 2003 e que, a partir de 2011, passou a alugar o imóvel de Costamarques pagando aluguel regularmente. Lula afirma que tem os recibos originais dos pagamentos.

RECIBOS DO ALUGUEL – Na tentativa de verificar se os recibos do aluguel do apartamento 121 do edifício Hill House apresentados por Lula foram assinados no mesmo dia, O JUIZ Moro mandou o Hospital Sírio-Libanês verificar novamente se os registros de entrada apontam ingresso em suas dependências de Roberto Teixeira no segundo semestre de 2015, quando Costamarques estava internado na instituição. Interrogado pelo juiz, o próprio advogado relatou ter se encontrado com o aposentado no saguão do hospital, em São Paulo.

“Para dirimir por completo esta questão e considerando o requerido no evento 1.118, oficie-se novamente ao Hospital Sírio Libanês em São Paulo solicitando informação sobre eventuais registros de ingresso de Roberto Teixeira no Hospital Sírio Libanês no segundo semestre de 2015, a qualquer título, para internação ou tratamento”, ordenou Moro em despacho nessa sexta-feira (13).

Na última quarta-feira, o Sírio-Libanês entregou a Moro a relação de três visitas do contador João Leite Muniz a Costamarques em dezembro de 2015. O hospital informou também que não havia encontrado anotações sobre a visita de Roberto Teixeira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não há contradição nas declarações, porque Teixeira disse ao juiz Moro ter encontrado Costamarques no saguão do hospital. Ou seja, não chegou a entrar, por isso não houve registro de sua presença. Quanto a Lula, no dia 30 de outubro ele prestará depoimento à Justiça Federal em Brasília, no inquérito a que responde na operação Zelotes, sobre a compra e venda de MPs, a aquisição dos caças da FAB e outras coisitas mais. (C.N.)

Carta de Temer pedindo apoio a deputados é um primor de desfaçatez

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Andreia Sadi
G1 Brasília

O presidente Michel Temer escreveu uma carta a parlamentares para se defender das acusações que sustentam a denúncia contra ele na Câmara dos Deputados. No texto, a que o Blog teve acesso, Temer usa declarações do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para atacar a delação de Lúcio Funaro, operador do PMDB preso pela Lava Jato que fechou uma delação premiada.

“Em entrevista à revista Época, o ex-deputado Eduardo Cunha disse que a sua delação não foi aceita porque o procurador-geral exigia que ele incriminasse o presidente da República. Esta negativa levou o procurador Janot a buscar alguém disposto a incriminar o Presidente. Que, segundo o ex-deputado, mentiu na sua delação para cumprir com as determinações da PGR. Ressaltando que ele, Funaro, sequer me conhecia”.

Segundo auxiliares do presidente, a carta está sendo entregue em mãos aos parlamentares e se trata de um “desabafo”.

Leia a íntegra da carta:

Prezado Parlamentar.

A minha indignação é que me traz a você. São muitos os que me aconselham a nada dizer a respeito dos episódios que atingiram diretamente a minha honra. Mas para mim é inadmissível. Não posso silenciar. Não devo silenciar.

Tenho sido vítima desde maio de torpezas e vilezas que pouco a pouco, e agora até mais rapidamente, têm vindo à luz.

Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis.

Começo pelo áudio da conversa entre os dirigentes da JBS. Diálogo sujo, imoral, indecente, capaz de fazer envergonhar aqueles que o ouvem. Não só pelo vocabulário chulo, mas pelo conteúdo revelador de como se deu toda a trajetória que visava a impedir a prisão daqueles que hoje, em face desse áudio, presos se encontram.

Quem o ouviu verificou uma urdidura conspiratória dos que dele participavam demonstrando como se deu a participação do ex-procurador-geral da República, por meio de seu mais próximo colaborador, Dr. Marcello Miller. 

Aquele se tornou advogado da JBS enquanto ainda estava na PGR. E, dela sendo exonerado, não cumpriu nenhuma quarentena prevista expressamente no artigo 128, parágrafo 6°, da Constituição Federal.

Também veio a conhecimento público a entrevista de outro procurador, Ângelo Goulart Vilela, que permaneceu preso durante 76 dias, sem que fosse ouvido. Nela, evidenciou que o único objetivo do ex-procurador-geral era “derrubar o presidente da República”.

Ele tinha pressa e precisava derrubar o presidente”, disse o procurador. “O Rodrigo (Janot) tinha certeza que derrubaria”, afirmou. A ação, segundo ele, teria dois efeitos: impedir que o presidente nomeasse o novo titular da Procuradoria-Geral da República, e ser, ou indicar, o novo candidato a presidente da República. Veja que trama.

Mas não é só. O advogado Willer Tomaz, que também ficou preso sem ser ouvido, registrou igualmente em entrevista os fatos desabonadores em relação à conduta do ex-procurador-geral.
  
Em entrevista à revista Época, o ex-deputado Eduardo Cunha disse que a sua delação não foi aceita porque o procurador-geral exigia que ele incriminasse o presidente da República. Esta negativa levou o procurador Janot a buscar alguém disposto a incriminar o Presidente. Que, segundo o ex-deputado, mentiu na sua delação para cumprir com as determinações da PGR. Ressaltando que ele, Funaro, sequer me conhecia.

Na entrevista, o ex-deputado nega o que o dirigente-grampeador, Joesley Batista, disse na primeira gravação: que comprara o seu silêncio.

No áudio vazado por “acidente” da conversa dos dirigentes da JBS, protagonizado por Joesley e Ricardo Saud, fica claro que o objetivo era derrubar o presidente da República. Joesley diz que, no momento certo, e de comum acordo com o Rodrigo Janot, o depoimento já acertado com Lúcio Funaro “fecharia a tampa do caixão”. Tentativa que vemos agora em execução.

Tudo combinado, tudo ajustado, tudo acertado, com o objetivo de: livrar-se de qualquer penalidade e derrubar o presidente da República.

E agora, trazem de volta um delinquente conhecido de várias delações premiadas não cumpridas para mentir, investindo contra o presidente, contra o Congresso Nacional, contra os parlamentares e partidos políticos.

Eu, que tenho milhares de livros vendidos de direito constitucional, com mais de 50 anos de serviços na universidade, na advocacia, na procuradoria e nas secretarias de Estado, na presidência da Câmara dos Deputados e agora na Presidência da República, sou vítima de uma campanha implacável com ataques torpes e mentirosos. Que visam a enlamear meu nome e prejudicar a República. 

O que me deixa indignado é ser vítima de gente tão inescrupulosa. Mas estes episódios estão sendo esclarecidos.

A verdade que relatei logo no meu segundo pronunciamento, há quase cinco meses, está vindo à tona. Pena que nesse largo período o noticiário deu publicidade ao que diziam esses marginais. Deixaram marcas que a partir de agora procurarei eliminar, como estou buscando fazer nesta carta.

É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem e sabem de mim. É uma satisfação àqueles que democraticamente convivem comigo.

Afirmações falsas, denúncias ineptas alicerçadas em fatos construídos artificialmente e, portanto, não verdadeiros, sustentaram as mentiras, falsidades e inverdades que foram divulgadas. As urdiduras conspiratórias estão sendo expostas. A armação está sendo desmontada.

É preciso restabelecer a verdade dos fatos. Foi a iniciativa do governo, somada ao apoio decisivo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, que possibilitou a retomada do crescimento no país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCaramba!!! A carta de Temer revela um indivíduo digno de pena, uma alma puríssima sendo manchada por um grupo de malfeitores… Em matéria de desfaçatez, trata-se de uma obra-prima. (C.N.)

Exemplos de Delcídio e Cunha mostram que Aécio já deveria estar preso

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Celso Rocha de Barros
Folha

O Supremo Tribunal Federal não conseguiu explicar à opinião pública por que Aécio não foi preso como foi Delcídio do Amaral. Tampouco conseguiu explicar por que suas decisões contra Aécio terão que ser referendadas pelo Senado, rota de fuga que foi fechada para Eduardo Cunha. Se as decisões sobre o candidato da direita na última eleição presidencial estiverem corretas, as decisões sobre Delcídio e Cunha estavam erradas. Se as decisões sobre Delcídio e Cunha estavam certas, Aécio deveria estar preso.

Não sou constitucionalista, não tenho a pretensão de saber qual é o caso. Mas é evidente que, se todas essa decisões foram constitucionais, o Brasil teve outra Constituição durante a guerra para derrubar Dilma Rousseff.

TENDÊNCIA GRAVE – Não se trata, apenas, de um político corrupto escapando da Justiça. O caso de Aécio é representativo de uma tendência muito mais grave: desde que o PT caiu, a maré anticorrupção virou.

Delcídio caiu porque era petista, Cunha caiu porque foi pego antes de a maré virar (e, mesmo assim, só depois de ter derrubado Dilma). Aécio é tucano, do grupo que subiu ao poder com Temer. Não é Aécio que tem mais capacidade de resistir à Lava Jato: é a coalizão conservadora que chegou ao poder após o impeachment.

Não é possível, portanto, descartar a hipótese de que a direita fisiológica regula a margem de ação das instituições brasileiras conforme sua conveniência.

NO SUPREMO – Depois da decisão, o mundo caiu sobre a cabeça do STF, que foi acusado de não estar à altura de sua função constitucional. Bom, tem o Gilmar, mas, mesmo assim, não acho que essa seja a melhor análise.

Se a ministra Cármen Lúcia deu seu voto em favor de Aécio por temer uma guerra contra o Senado, sua leitura da situação estratégica estava correta: no momento, o Supremo Tribunal Federal é muito mais fraco que o conjunto dos senadores.

Durante a breve vigência da Constituição de 2015, o Supremo conseguiu derrubar corruptos importantes porque, na luta para derrubar Dilma Rousseff, nenhum dos analistas que hoje se preocupam com equilíbrio institucional dava a mínima para isso. Os empresários, que hoje só querem estabilidade, inflavam patos e os ânimos. Os partidos de direita que bradavam contra Delcídio hoje são o governo e têm como prioridade se livrar da cadeia, nem que para isso tenham que livrar também os petistas que derrubaram.

NOVA DIREITA – E a opinião pública? Como dizia Millôr Fernandes, opinião pública é a que se publica. Se o mestre, no céu dos colunistas, nos permitir uma atualização, opinião pública é a que se posta em redes sociais. Desde a guerra do impeachment, a opinião postada está sob controle da chamada Nova Direita, essa turma que não consegue mais emprego como roqueiro, ator pornô, filósofo ou militar, e descobriu que falar mal da esquerda rende um trocado.

E onde estava a Nova Direita durante o período que antecedeu o julgamento de Aécio? Estava fechando exposições de temática LGBT. A indignação que, em 2015, teria se voltado contra Aécio, agora caiu sobre o peladão do museu. O que era, é claro, o plano.

Desde que o Senado perdeu o medo da opinião pública, voltou a ser forte o suficiente para quebrar o Supremo. E enquanto a opinião pública brasileira continuar sendo a Marcha do Orgulho Otário, não adianta reclamar.

Uma dúvida: se o alvo não era Maia, a quem o advogado de Temer quis ofender?

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O advogado estaria culpando Raquel Dodge?

Bernardo Caram
G1, Brasília

Após classificar a divulgação de vídeos da delação premiada do operador financeiro Lúcio Funaro como ‘criminoso vazamento’, o advogado Eduardo Carnelós, que defende o presidente Michel Temer, afirmou neste domingo (dia 15) que “jamais” quis imputar prática de crime ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

No sábado (dia 14), Carnelós divulgou uma nota na qual apontava um “criminoso vazamento” dos vídeos com depoimentos à Procuradoria Geral da República. O material, porém, estava disponível no site oficial da Câmara desde o mês passado.

FICOU PERPLEXO – Ao Blog de Andreia Sadi, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se disse perplexo – “depois de tudo o que fiz pelo presidente” – com a manifestação do defensor de Temer.

Neste domingo, o advogado divulgou uma nova nota, justificando que não poderia supor que os vídeos eram públicos. Ele argumentou que, no fim de setembro, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), disponibilizou à defesa apenas as partes da delação premiada que diziam respeito a Temer.

“Considerando os termos da decisão do ministro Fachin, eu não poderia supor que os vídeos tivessem sido tornados públicos. Somente fiquei sabendo disso por meio de matéria televisiva levada ao ar ontem”, disse Carnelós. “Jamais pretendi imputar ao presidente da Câmara dos Deputados a prática de ilegalidade, muito menos crime”, acrescentou.

SEM SIGILO – Ele ressaltou ter constatado neste domingo que o ofício do STF à Câmara com o material da denúncia apenas tratava como sigilosos os autos de um dos anexos, sem se referir aos depoimentos de Funaro.

Para o advogado, os depoimentos do operador financeiro “também deveriam ser tratados como sigilosos, segundo o entendimento do ministro Fachin, em consonância com o que tem decidido o Supremo Tribunal”.

Na nota, Carnelós afirmou ainda que a divulgação dos vídeos pela imprensa causa prejuízos ao presidente. “Não se pode admitir o uso da palavra do confesso criminoso para influenciar os membros da Câmara, que votarão na CCJ o muito bem fundamentado parecer do deputado Bonifácio de Andrada, cuja conclusão é pela rejeição à solicitação de autorização para processar o presidente Temer”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se o advogado de Temer jamais pretendeu ofender o presidente da Câmara, o alvo de sua denúncia de “criminoso vazamento” só pode ser a procuradora-geral Raquel Dodge. Ou será que Carnelós estava tentado atribuir o “crime” ao ex-procurador-geral Rodrigo Janot, que há tempos está fora de combate? Como se sabe, a defesa de Temer & Cia. transformou Janot numa espécie de mordomo de filme de terror – é sempre o suspeito de tudo. (C.N.)

Com voto aberto, aliados de Aécio cogitam adiar decisão sobre afastamento

Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) em foto de fevereiro de 2015 (Foto: Agência Senado)

Cunha Lima, do PSDB, defende voto aberto na votação

Leticia Fernandes
O Globo

Depois da retirada do apoio da bancada do PT e de uma decisão da Justiça de Brasília determinar que a votação do caso Aécio Neves (PSDB-MG) será aberta, parlamentares do comando da Mesa do Senado já não descartam a possibilidade de adiar a sessão que decidirá sobre o afastamento do tucano, marcada para amanhã.

Preocupados, aliados de Aécio avaliam que, com a votação aberta e sem a ajuda dos petistas, diminuem as chances de o tucano se salvar. A esperança desses parlamentares era que Aécio pudesse ter votos mesmo na oposição se a votação fosse secreta. Diante do cenário atual, a avaliação é que o placar será muito apertado, mas o senador ainda conseguirá sair vitorioso e retomar o mandato.

VOTO ABERTO – “O placar será apertadíssimo. Acho que ele ganha, mas bem apertado. O voto aberto afugenta o PT, mas também parte do PMDB” — disse um dos aliados de Aécio.

A situação do senador afastado é delicada. Se ele não tiver 41 votos a favor da suspensão das medidas cautelares impostas pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), poderá ficar afastado do mandato por tempo indeterminado, e ainda terá de derrubar, no Conselho de Ética do Senado, o processo aberto pelo PT por quebra de decoro, que pode, aí sim, resultar na cassação de seu mandato.

Para garantir que será respeitada a decisão da Justiça Federal de Brasília de fazer a votação aberta, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) entrará hoje com um mandado de segurança no STF. “A regra da Constituição é clara: o voto neste caso tem que ser aberto, claro e transparente” — disse o senador, que criticou a possibilidade de a sessão que vai deliberar sobre o caso de Aécio Neves seja adiada. “Mesmo sob a minha divergência, o STF definiu que cabe a nós decidirmos sobre a situação do senador Aécio. Não há razão alguma para esse tema ser postergado”.

JUCÁ OPERADO – Na luta por votos, e com o desânimo dos últimos dias, Aécio deve perder mais um apoio importante: o do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que só deve voltar a Brasília na quarta-feira, um dia depois da data marcada para a votação ocorrer. A sessão do Senado foi adiada para que o STF pudesse deliberar sobre a questão antes dos senadores.

Internado há duas semanas por conta de uma diverticulite aguda, Jucá teve alta ontem do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, mas só voltará ao Senado na quarta-feira. No início do mês, já em crise de diverticulite, no entanto, Jucá usou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para se deslocar entre Roraima e Brasília e defender que o Senado não afastasse o colega tucano. O peemedebista fez um discurso do plenário, relatando a internação e argumentando que, mesmo assim, fazia questão de comparecer à Casa para decidir sobre o futuro de Aécio.

FIM DO SIGILO – Irritados com a liminar do juiz Márcio Luiz Coelho de Freitas, responsável por estabelecer o voto aberto, senadores da cúpula do Senado chegaram a dizer, durante o fim de semana, que a Secretaria da Mesa sequer receberia a notificação sobre a decisão do juiz.

Apesar da reclamação de senadores que afirmaram que a decisão da Justiça de Brasília é um avanço do Judiciário sobre as competências do Legislativo, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) voltou a defender o voto aberto, usando como precedente a análise da prisão do ex-senador Delcídio Amaral (MS) pelo plenário, em novembro de 2015. Naquela ocasião, a votação foi aberta, obedecendo a um mandado de segurança deferido pelo Supremo e a uma questão de ordem votada no plenário do próprio Senado.

“A votação será aberta, é o que estabelece o Regimento Interno. E teve inclusive uma questão de ordem por mim levantada, no caso do Delcídio, que esclareceu a regra” — defendeu o senador tucano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A repórter Leticia Fernandes está em festa hoje, porque seu avô, o maior jornalista brasileiro e decano mundial dos analistas políticos, está completando 97 anos, em plena atividade, escrevendo diariamente no blog tribunadaimprensaonline e no Facebook. Helio Fernandes é um guerreiro em defesa dos interesses nacionais e merece todas as homenagens possíveis e imagináveis. (C.N.)

PF faz buscas no gabinete de irmão de Geddel e também em Salvador

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Lúcio Vieira Lima é a bola da vez na Lava Jato

Deu na Folha e no G1

A Polícia Federal realiza nesta segunda-feira (16) uma operação de busca no gabinete do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima. A Folha apurou que a PF também está em endereços ligados a Lúcio na Bahia. A ação está relacionada aos R$ 51 milhões encontrados pela polícia em um apartamento que seria utilizado como “bunker” em Salvador. O dinheiro é atribuído a Geddel, que está preso desde setembro.

A operação foi a primeira deflagrada a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, através do relator autorizada pelo ministro-relator Luiz Edson Fachin.

INTERDIÇÃO – Agentes da PF chegaram a interditar o acesso ao sexto andar do anexo IV, onde fica o gabinete. Lúcio é irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso por tempo indeterminado desde julho, após investigadores apreenderem R$ 51 milhões em um imóvel atribuído ao político. Segundo a PF, é a maior apreensão de dinheiro vivo da história da corporação.

Além do gabinete do deputado, também há buscas no imóvel dele em Brasília e no prédio em que ele e o irmão têm apartamentos em Salvador, na Bahia.

Em setembro, as investigações sobre o assunto foram remetidas ao Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo da transferência do caso para o STF são os indícios encontrados nas investigações em relação a Lúcio Vieira Lima, que, na condição de deputado federal, tem foro privilegiado no STF.

NOTA FISCAL – De acordo com a PF, o apartamento foi emprestado a Lúcio Vieira Lima e era usado por Geddel. A corporação informou ainda que apreendeu uma nota fiscal de uma funcionária de Lúcio Vieira Lima no apartamento onde estava escondido o dinheiro. A operação desta segunda-feira investiga se há relação entre Lúcio Vieira Lima e os R$ 51 milhões. Os investigadores querem saber se ele poderia ser beneficiário ou intermediário do dinheiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Além de o apartamento estar emprestado a Lúcio e não a Geddel, o fato de ter sido encontrada uma nota fiscal em nome de uma funcionária do deputado demonstra a ligação e implica a própria assessora parlamentar, que terá de se explicar na Polícia Federal. (C.N.)

Um samba em homenagem à música brasileira, por Bira da Vila e Serginho Meriti

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Bira da Vila canta a brasilidade

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, compositor e percussionista Ubirajara Silva de Souza nasceu no Bairro Vila São Luiz, Duque de Caxias (RJ), razão pela qual adotou o nome artístico de Bira da Vila. Em parceria com Serginho Meriti, ele aborda os diversos estilos populares da música brasileira na letra de “Aqui, o Dali e o de Lá”. Este samba é uma aula de brasilidade e foi gravado por Bira da Vila no CD Canto da Baixada, em 2010, produção independente.

AQUI, O DALI E O DE LÁ
Serginho Meriti e Bira da Vila

É preciso mexer, misturar
O daqui, o dali e o de lá
Pois o nosso tempero tem samba, tem xote
Tem frevo e bolada, balada e jexá
Bota a banda pra tocar
Que o povo vai curtir, a galera vai gostar
Nossa gente é isso aí
Vai, vai…

No embalo do maracatu
Vaquejada, jambo, caxambú
Carimbó, sertanejo, merengue, lambada
Forró pé de serra, côco, boi bumbá
Xaxado, calango, reisado e axé
Toca aí que a gente diz no pé
Toca aí que a gente diz no pé

Toca um bom samba de enredo
O samba de roda, pagode e baião
Toca de tudo que toca em nosso coração
Um coração verde e branco, azul, amarelo
É canto, é dança, é ritmo
Elo, firmando a corrente da nossa nação

Toca quadrilha, congada
Fandango, lundu e saravacuê
Bumba meu boi, caiapó, toca maculelê
Cateretê, moçambique, quilombo
Bigada, caboclinho lambe, surge o marujada
Muita timbalada e o tererê

Nos EUA, Bolsonaro anuncia que poderá vender a Petrobras, “menos para a China”

Nelson de Sá
Folha

Via Facebook, o próprio Jair Bolsonaro informou sobre a cobertura de sua turnê pelos Estados Unidos. Destacou um “site de Alex Jones da Infowars” chamado “Prison Planet” e “o canal israelense i24 News “, para o qual declarou: “Com certeza será o primeiro país que visitarei”, se eleito.

Chamou atenção também para a entrevista que deu à Bloomberg, que o chamou nos enunciados de, entre aspas, “o Donald Trump do Brasil”.

Anunciou que a estatal Petrobras poderá ser vendida num eventual governo seu, mas não para a China. De maneira geral, defendeu que “o comércio com os EUA seja muito maior” do que com a China, o principal parceiro do Brasil.

FILIPINO DUTERTE – Também o “Financial Times” noticiou a turnê do deputado nos EUA, sob o título “Política de armas de fogo, ao estilo brasileiro”. Ele teria declarado em Boston que “Trump serve de exemplo para mim”, mas o jornal registra que alguns o associam também ao “filipino Rodrigo Duterte”.

Duterte que, segundo a agência France Presse, foi à televisão filipina na sexta à noite atacar a imprensa e “os vermelhos” — e ameaçar com um “governo revolucionário” no país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os militares vão “adorar” essa declaração do capitão Bolsonaro, sobre a próxima venda da Petrobras. Com “nacionalistas” como Bolsonaro, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e Henrique Meirelles, o Brasil nem precisa de inimigos. (C.N.)

Para o jurista Temer, crime é a divulgação, não os fatos que deram origem a ela

Charge do Mariano (Charge Online)

Pedro do Coutto

Através de seu advogado, Eduardo Carnelós, o presidente Michel Temer considerou crime a divulgação, pela Folha de São Paulo, do depoimento do corretor Lúcio Funaro, que é apontado como operador dos esquemas de corrupção para o PMDB. Lúcio Funaro propôs realizar uma delação premiada e para tal prestou depoimento gravado em vídeo divulgado nas redes sociais e transcrito pela FSP. O tema foi destacado em reportagem do jornal em sua edição de ontem, domingo. Na véspera o conteúdo foi divulgado por canais de televisão.

A lógica do Presidente da República é totalmente absurda, especialmente porque não houve vazamento. A gravação foi enviada à Mesa da Câmara e disponibilizada para que os deputados tomassem conhecimento do teor da denúncia do Supremo contra Temer.

VERSÃO ABSURDA – Como se estivéssemos numa peça de Ionesco, criador do Teatro do Absurdo, onde se desenrolam situações completamente extravagantes e sem elo lógico entre si, ficou registrada a versão interpretativa do presidente da República. Segundo ele, o crime não está nos atos cometidos pelo réu, e sim na divulgação em si dos fatos, por causar estardalhaço, como disse o advogado Eduardo Carnelós, as vésperas da votação parlamentar da segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer e os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Carmelós atacou a imprensa e as autoridades que liberaram as declarações de Lúcio Funaro, que envolveu também Eduardo Cunha na trama, mas o ex-deputado contestou sua versão e disse que as atividades criminosas confessadas pelo doleiro foram feitas por sua conta e risco. “Eu o desafio a provar as referências a meu respeito”, acrescentou Eduardo Cunha.

QUESTÃO DE DIREITO – O presidente Michel Temer tem todo o direito a se defender e a contestar a corrupção a ele atribuída. Mas isso é uma coisa. Outra é não rebater as acusações e, ainda por cima, considerar um crime a sua exposição à opinião pública. Ora, se o presidente se julga caluniado deveria processar o procurador acusador e o delator colaborativo. No entanto, como se vê, não percorreu nem vai percorrer esse caminho.

Simplesmente tenta desqualificar o conteúdo imputado, considerando-o uma ação criminosa. Não tem sentido querer compensar um crime por outro. Antes de mais nada, tem que se saber se são verdadeiras ou não as palavras do delator.

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SINDICATOS EXIGEM CONTRIBUIÇÃO OBRIGATÓRIA

Na mesma edição de domingo, a Folha de São Paulo publica reportagem de Fernanda Perrin, focalizando a reação dos sindicatos à lei que torna facultativa a contribuição sindical. Essa contribuição, na base de um dia de trabalho por ano, fornecia uma receita de 3 bilhões de reais às entidades de classe. Por aí se pode medir que a massa salarial brasileira ultrapassa o valor anual de 1 trilhão de reais. Portanto, o alegado déficit do INSS encontra-se muito mais na sonegação de empresas do que na arrecadação mensal sobre os salários. Basta confrontar os números dos salários com as percentagens a que as empresas têm de recolher.

Aviso aos leitores: nos próximos dias estarei ausente desta coluna. Até breve, portanto.

Campanha na internet terá papel importante na próxima eleição presidencial

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Guilherme Mendes
Correio Braziliense

O futuro aponta para eleições com menos comícios, carreatas e panfletagens —  e cada vez mais aparições de candidatos nos perfis dos eleitores nas redes sociais. A menos de um ano da próxima disputa presidencial, a sociedade se prepara para um embate em que a internet terá um papel central, apesar da aparente dificuldade que os órgãos fiscalizadores terão com essa nova realidade.

A permissão para partidos, coligações e candidatos pagarem para alavancar conteúdos em redes sociais, alcançando uma fatia maior do eleitorado, foi aprovada pelo Congresso e valerá para 2018. A técnica, conhecida como “impulsionamento”, é comum dentro da publicidade e do marketing, mas apenas agora ganha uma legislação própria para candidatos a cargos eletivos — as eleições anteriores não permitiam tal estratégia.

LIMITE DE GASTOS – Como a lei coloca um limite de gastos para a campanha individual, sem mencionar uma proporção desse total para engajamento em redes sociais, abre-se a possibilidade de uma candidatura focada 100% em propaganda nos ambientes virtuais. Tal proposta ainda se mostra distante da realidade brasileira, uma vez que isso poderia deixar pessoas mais idosas ou sem acesso às redes sociais fora do debate político.

A nova legislação também garante um trecho especial para coibir as chamadas “fake news”, como ficou conhecida a veiculação de conteúdos falsos com o intuito de prejudicar um candidato específico ou causar tensão entre eleitores, como o caso ocorrido nas eleições presidenciais norte-americanas do ano passado — em que se descobriu a interferência do governo russo, por meio de campanhas impulsionadas no Google, no Facebook e no Twitter, para influenciar a eleição de Donald Trump.

No caso brasileiro, também fica proibido propagar conteúdos capazes de “alterar o teor ou a repercussão de propaganda eleitoral”.

VIRALIZAÇÃO – Tais medidas são um avanço, mas ainda não livram o processo eleitoral de problemas. “Esse tipo de situação é difícil de tratar, pois ela viraliza muito rapidamente. Ela pode causar estrago muito rápido. É papel da Justiça Eleitoral combater esse tipo de situação”, pondera o advogado eleitoral João Fernando Lopes de Carvalho, do escritório Alberto Rollo, em São Paulo. “Ainda não há um tratamento específico sobre esse tema, apenas algo genérico.”

A opinião de João Fernando é parecida com a do ministro da Justiça, Torquato Jardim. Em entrevista nessa semana ao programa CB.Poder, uma parceria do Correio com a TV Brasília, Torquato afirmou que a regulamentação de campanhas em redes sociais é o maior desafio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para 2018. Quando perguntado sobre quais formas de controle poderão ser tomadas em casos de notícias falsas, Torquato afirmou que a contenção será pelo “controle da consequência”.

REGULAMENTAÇÃO – Parte das regras para as redes sociais no próximo pleito passará também pelas resoluções do TSE. O órgão deve regulamentar o tema até março do ano que vem. Nessa semana, a instituição montou grupos de trabalho para debater o tema, a primeira etapa para que os ministros da Casa possam tomar decisões sobre como será em 2018. Fontes ligadas a Polícia Federal dizem que a corporação aguarda o posicionamento do TSE para avaliar denúncias de crimes nesse sentido. Tais queixas chegam à PF depois que o TSE definir as regras do jogo.

Um dos entraves para as campanhas eleitorais virtuais é a própria dificuldade das empresas controladoras das redes sociais. Depois do exemplo nos EUA, elas têm sido cobradas por adotar plataformas de transparência, permitindo saber quem paga por um conteúdo político.

A lei aprovada pelo Congresso exime as companhias de adotar tal transparência com seus clientes — a única punição prevista é a responsabilização por danos decorrentes do conteúdo impulsionado se, após ordem judicial específica, o site não retirar o material do ar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA cada eleição aumenta a importância da internet. Aqui na Tribuna da Internet, na época de campanha sempre aumenta o número de infiltrados, que defendem essa ou aquela candidatura, e isso faz parte da democracia. O blog, é claro, não tem candidato próprio e oferece livre acesso a todos. (C.N.)

Maia ataca advogado de Temer e aumenta seu distanciamento do Planalto

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Advogado de Temer acusa sem provas, alega Maia

Andréia Sadi
O Globo

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reagiu neste domingo (15) às acusações do advogado do presidente Michel Temer de que a divulgação dos vídeos do operador financeiro Lucio Funaro no site da Câmara dos Deputados se tratou de um “criminoso vazamento”.

“Da minha parte, uma perplexidade muito grande ver o advogado do presidente da República, depois de tudo que fiz pelo presidente, da agenda que construí com ele, de toda defesa que fiz na primeira denúncia, ser tratado de forma absurda e – vamos chamar assim – sem nenhum tipo de prova, de criminoso.”

À DISPOSIÇÃO – No sábado (14), Eduardo Carnelós divulgou uma nota na qual apontava um “criminoso vazamento” dos vídeos com depoimentos à Procuradoria Geral da República. O material, porém, estava disponível no site oficial da Câmara desde o mês passado.

Neste domingo, Carnelós divulgou uma nova nota justificando que não poderia supor que os vídeos eram públicos e que “jamais pretendi imputar ao presidente da Câmara dos Deputados a prática de ilegalidade, muito menos crime”.

Maia, no entanto, não aceitou integralmente a desculpa. “A nota do advogado não esclarece o ponto mais importante. Ele fala apenas que não sabia que o site da Câmara tinha dado publicidade. Ele deveria saber que todos os documentos encaminhados pelo STF estavam à disposição dele, dos advogados, dos ministros. (..) Então, o advogado faz uma meia justificativa, o que não esclarece os fatos e o que vai obrigar – infelizmente – a que os funcionários da Câmara tomem atitudes, inclusive na Justiça, porque são servidores, têm fé pública e, com a nota dele, continuam sendo desrespeitados.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs mais diversos crimes têm sido atribuídos ao ex-procurador-geral Rodrigo Janot. O mais recente foi a ofensa de Moreira Franco, acusando Janot de receber propina do doleiro Funaro, sem haver a menor prova de que isso aconteceu, nada, nada. Agora, quem passou vergonha foi o advogado de Temer, que também acusou Janot sem ter a menor prova de ilicitude. Como dizia Tim Maia, no Brasil traficante cheira, prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme e pobre é de direita. Só faltou dizer que criminoso põe a culpa no promotor. (C.N.)

Mais uma Piada do Ano: Moreira alega que Janot recebeu dinheiro de Funaro…

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Para variar, Moreira Franco põe a culpa no Janot

Deu na Folha

Citado na delação do operador financeiro Lúcio Funaro, o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral) foi às redes sociais neste domingo (15) para desqualificar tanto o depoimento como Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República. Moreira é alvo da denúncia que tramita na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara por organização criminosa junto com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e o presidente Michel Temer, apontado também como tendo praticado obstrução de Justiça.

O ministro diz que a delação de Funaro foi uma “encomenda remunerada” feita por Janot, que já havia denunciado Temer por corrupção passiva. A primeira denúncia baseou-se na delação de executivos do grupo J&F, como Joesley Batista.

SEGUNDA FLECHA – “Como o objetivo da dupla Joesley e Janot era derrubar @MichelTemer, após a derrota na 1ª denúncia, só um fato novo justifica a segunda flecha“, tuitou Moreira.

Flechada que muito antes foi anunciada pelo PGR. Como faltava-lhe bambu, ocorreria a encomenda remunerada da delação de Funaro“, completou o ministro, que finalizou: “Seria um delivery de matéria-prima: Janot pedia e Joesley pagava. #Brasil #Justiça #Política”. As menções a bambu e flecha fazem alusão a uma fala de Janot. Segundo o ex-procurador-geral, “enquanto houver bambu, lá vai flecha”.

As declarações de Funaro, divulgadas em vídeo pela Folha na sexta-feira (13), implicam o grupo denominado “PMDB da Câmara”, do qual faziam parte o presidente Michel Temer e os ex-deputados Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, Eliseu Padilha, Moreira Franco e Eduardo Cunha, entre outros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sem condições de se defender das graves denúncias, Moreira Franco parte para a ignorância e acusa o procurador-geral da República de ter recebido propina para aceitar a delação do doleiro Lúcio Funaro. Esta estratégia de defesa demonstra apenas o desespero dos réus. (C.N.)   

 

Numa só operação na Caixa, Moreira Franco levou propina de R$ 7,8 milhões

Agência Brasil | Reprodução

Lúcio Funaro revela em detalhes o esquema da Caixa 

Deu no site 247

No acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal, o corretor financeiro Lúcio Funaro detalhou como o ministro Moreira Franco, braço-direito de Michel Temer na Presidência, foi beneficiou com pagamento de propinas oriundas da liberação de recursos do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), administrado pela Caixa.

À época do investimento feito pelo fundo de investimento do FGTS, o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco ocupava a vice-presidência de Fundos e Loterias da Caixa, responsável pelo FI-FGTS.

FUNDO FI-FGTS – Funaro explicou que foi procurado pelo Grupo Bertin para viabilizar o investimento do FI-FGTS porque os empresários sabiam que a vice-presidência de Fundos da Caixa era do PMDB.

Aos investigadores, Funaro explicou que o aporte de recursos do FI-FGTS na empresa do Grupo Bertin teve como contrapartida o pagamento de propina dividida entre ele, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Moreira Franco, que, de acordo com o doleiro, ficou com maior parte do dinheiro.

“Foi uma operação para financiar uma empresa que se chama Nova Cibe, de energia, do Grupo Bertin, num valor aproximado de R$ 300 milhões […] e que gerou propina pra gente na ordem de 4% [do valor total, o que dá R$ 12 milhões]”, afirmou Funaro.

DIVISÃO DA PROPINA – Questionado sobre como foi feita a divisão dos R$ 12 milhões de propina, o doleiro respondeu: “65% Moreira Franco, 25% Eduardo Cunha, 15% para mim”.

Ao detalhar o pagamento das vantagens indevidas, Lúcio Funaro disse que o repasse foi feito em “dinheiro vivo”. Sobre a entrega do dinheiro a Moreira Franco, Funaro declarou que os pagamentos seguiam um “fluxo de caixa”. “Ele me solicitava, eu passava conforme meu fluxo de caixa. Tenho R$ 1 milhão no Rio, vou mandar te entregar, tenho R$ 1 milhão em São Paulo, manda o Altair vir buscar. Toda semana tinha um fluxo de caixa”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG  – Desde sempre, sabia-se que Moreira Franco era corrupto. O que se desconhecia era esse apetite pantagruélico. Levar 65% em propina só pode ser recorde mundial, merece entrar no Livro Guinness. (C.N.)

Acusação de “vazamento criminoso” da delação de Funaro é só uma Piada do Ano

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Gravações estavam disponíveis no site da Câmara…

Deu no G1

Ao contrário do que acusa a defesa do presidente Michel Temer, não houve vazamento dos depoimentos do operador Lúcio Funaro à Procuradoria Geral da República. Os depoimentos estão disponíveis no site oficial da Câmara dos Deputados. Os vídeos foram enviados pelo Supremo Tribunal Federal no dia 22 de setembro em ofício endereçado ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). E foram liberados pela Câmara no dia 29 de setembro.

Eles fazem parte de uma lista de arquivos relacionados à segunda denúncia contra o presidente Temer, por obstrução de Justiça e organização criminosa. A Câmara dos Deputados é que vai dizer se concorda com o arquivamento da denúncia. Foi isso que recomendou o parecer já apresentado na semana passada.

ACUSAÇÕES – Nos depoimentos, Funaro faz acusações sobre a existência de um suposto esquema de propina envolvendo o presidente Michel Temer, aliados dele e o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os vídeos foram divulgados no site do jornal “Folha de S.Paulo”.

Funaro, apontado como operador do PMDB, conta ainda nos vídeos os motivos de ter ido ao escritório do advogado José Yunes, amigo de longa data e ex-assessor do presidente Temer, para pegar R$ 1 milhão, que teriam de ser entregues ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, em Salvador (BA).

Em outro depoimento, também em vídeo, Funaro fala sobre a atuação do deputado cassado Eduardo Cunha, a quem era muito ligado. Funaro conta que o peemedebista era uma espécie de “banco” para os corruptos.

“CRIMINOSO VAZAMENTO” – A reação do presidente da República à divulgação dos vídeos veio por meio de seu advogado, Eduardo Carnelós, que não sabia que os vídeos foram legalmente divulgados na internet e distribuiu uma nota para dizer que houve um “criminoso vazamento” das declarações do delator.

“O vazamento de vídeos com depoimento prestado há quase dois meses pelo delator Lúcio Funaro constitui mais um abjeto golpe ao estado democrático de direito”.

“Tem o claro propósito de causar estardalhaço com a divulgação pela mídia, como forma de constranger parlamentares que, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados votarão no dia 18 (próximo) o muito bem fundamentado parecer do relator, deputado Bonifácio Andrada”, diz a nota.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O tal “vazamento criminoso” é mais uma Piada do Ano, fruto da criatividade do advogado de Temer. Sem argumentos sólidos para contestar as acusações, a defesa do presidente se limita a “demonizar” a Procuradoria-Geral da República e os delatores, sem ter medo do ridículo. (C.N.)

Funaro denuncia o presidente da Caixa, que tem “meta de propina” a cumprir

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Funaro inclui na corrupção Gilberto Occhi, da Caixa

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

A colaboração premiada do doleiro Lúcio Funaro traz detalhes do suposto esquema de pagamento de propinas ao Partido Progressista (PP), com recursos desviados da Caixa Econômica Federal. Em depoimento ao Ministério Público, Funaro acusou o atual presidente da Caixa, Gilberto Occhi, de desviar recursos para o partido. Na época, ainda no governo de Dilma Rousseff, Occhi ocupava a vice-presidência de Governo do banco estatal. Funaro afirmou no depoimento, conforme reportagem do Jornal Nacional, que foi informado por um empresário que Occhi teria uma meta de repasse de propina para cumprir.

“Sabia até que tinha uma meta do Gilberto Occhi, de produzir um valor x por mês”, disse Funaro, em um dos vídeos do depoimento prestado ao Ministério Público. Ele não soube detalhar valores.

META DE PROPINA – “Qualquer verba da Caixa para sair, tudo quanto é verba do governo, tinha que passar pela diretoria dele. Tinha que passar na vice-presidência dele”, disse Funaro, em relação à atuação de Occhi. “E ele tinha uma meta, que não sei de quanto era. Meta de propina”, reforçou.

Em resposta, Occhi afirmou que nunca pediu nada a ninguém e que sua carreira sempre foi pautada pelo respeito à ética e à lei. Já a Caixa informou que está em contato permanente com as autoridades, prestando irrestrita colaboração com as investigações. A reportagem não obteve resposta do PP.

TEMER E GEDDEL – Funaro afirmou ainda que o presidente da República, Michel Temer, dividiu com Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) propina da Odebrecht. Em nota, o advogado do presidente, Eduardo Pizarro Carnelós, chamou ontem Funaro de “desqualificado delator”, declarou que as acusações são “vazias” e baseadas no que ele diz ter ouvido do ex-deputado Eduardo Cunha.

O corretor financeiro afirmou ao Ministério Público Federal, em acordo de delação premiada, que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) lhe pediu dinheiro para “comprar” parlamentares a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A defesa de Cunha desmentiu o conteúdo da delação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vejam a que ponto chegamos. O atual presidente da Caixa Econômica Federal tem uma “meta de propinas” a cumprir, em plena era da Lava Jato. Esta realidade vem comprovar a velha teoria do italiano Cesare Lombroso, de que há criminosos natos, que nasceram e vivem para delinquir. (C.N.)

Bolsonaro diz nos EUA que os militares voltarão ao poder pela força dos votos

Bolsonaro diz ser “vítima da imprensa”

Silas Martí
Folha

“Nós podemos voltar ao poder sim no ano que vem. Quando eu falo nós, eu falo em nós militares, porque pretendemos concorrer às eleições no ano que vem”. Num encontro fechado com simpatizantes em Nova York, Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, voltou a defender as Forças Armadas como o “último obstáculo ao socialismo” no Brasil, afirmando que a “bronca da esquerda não é com o Jair Bolsonaro, é com o capitão Jair Bolsonaro”. Na saída da reunião/debate, o deputado esclareceu à Folha que não defende mais um governo militar com a dissolução do Congresso, como já declarou no passado, mas disse que sua candidatura causa um grau de preocupação.

“O sistema está apavorado comigo”, afirmou Bolsonaro. “Os militares vão voltar pelo voto. Não existe amparo para dissolver o Congresso e nós respeitamos as leis. Quando falei 20 anos atrás que fecharia o Congresso foi num momento de indignação. Mas vamos supor que o Congresso sofra um atentado. Como vai reagir a população? Com indignação? Eu acho que não.”

VÍTIMA DA IMPRENSA – No debate, o pré-candidato falou ainda de sua simpatia pelo presidente americano Donald Trump e se disse vítima da imprensa, que vê como ameaça à campanha. Bolsonaro afirmou que a Folha era o jornal que mais o perseguia e criticou uma reportagem de capa da revista “Veja” a seu respeito, afirmando que a publicação o “esculacha em cinco páginas”. Reclamou também do colunista Ancelmo Gois, de “O Globo”.

“Na grande mídia, dizem que eu não entendo de economia, mas vou disputar eleições no ano que vem, não o vestibular”, disse Bolsonaro.

O deputado repisou ainda vários pontos que vêm defendendo em encontros fechados desde que chegou aos EUA, há uma semana, onde visitou Miami e Boston antes da vinda a Nova York. Em todas as paradas, elogiou Trump e se esforçou para parecer menos radical e mais liberal, um amigo do mercado.

ATAQUES À CHINA – “Já estou muito feliz em saber que Donald Trump sabe que eu existo. Nós comungamos das mesmas ideias”, disse Bolsonaro. “Nós dois cremos em Deus. Ele pensa no seu país, eu também. Ele quer o fim do comunismo, e eu também. Podemos fazer muitas parcerias. Precisamos sim de ajuda americana”. O pré-candidato fez ataques à China, dizendo que o “Brasil está sendo entregue” a Pequim.

Também fez um esforço para suavizar sua imagem, lembrando ter sido chamado de “homofóbico, xenófobo e misógino”.

Suas declarações foram dadas a portas fechadas, mas transmitidas ao vivo em sua página no Facebook. Ele falou no oitavo andar de um prédio em Manhattan -o endereço foi mantido em segredo e a porta era vigiada por seus simpatizantes. Uma delas gritava com jornalistas que esperavam na entrada.

CANCELAMENTO – Do lado de fora, Bolsonaro comentou ainda que cancelou sua viagem a Washington porque o evento numa universidade da capital americana foi organizado por um “elemento que apoia o PT”.

“Ele não queria um debate, queria um combate para que fosse levado para o mundo afora que eu fui repelido aqui quando minha passagem por aqui foi um sucesso”, disse Bolsonaro, rodeado de simpatizantes na saída do encontro em Nova York.

OLAVO DE CARVALHO – Também participaram do debate Olavo de Carvalho, ideólogo de direita considerado seu guru intelectual, que falou via Skype de sua casa nos EUA, e o analista conservador Jeff Nyquist.

Em sua fala, Carvalho atacou a imprensa, dizendo que em sua campanha o deputado enfrentaria ataques da mídia semelhantes aos enfrentados por Donald Trump em sua corrida à Casa Branca.

“Nos últimos 20 anos, o jornalismo se tornou quase ficcional”, disse. “Não se consegue discernir o que é uma desinformação desejada e o que é uma confusão mental.”