Temer cumpriu o prometido e unificou o Brasil

Resultado de imagem para temer charges

Charge do Montanaro (Portal UOL)

Bernardo Mello Franco
Folha

No discurso de posse, Michel Temer prometeu “pacificar a nação e unificar o Brasil”. O presidente unificou o país, mas não foi como ele gostaria. Oito em cada dez brasileiros defendem que o Congresso abra um processo para afastá-lo. Sua aprovação caiu a míseros 7%, o índice mais baixo em 28 anos.

O Datafolha deu números a um fenômeno visível a olho nu: o apoio a Temer derreteu. A rejeição ao peemedebista já supera as piores marcas de Collor e Dilma, que sofreram impeachment. Ele está próximo de igualar o recorde negativo de Sarney.

CORRUPÇÃO – A impopularidade de Temer cresce à medida que a polícia flagra seus aliados com malas de dinheiro ou contas na Suíça. Em pouco mais de um ano, quase todos os articuladores do impeachment estão delatados ou na cadeia. “Quem não está preso está no palácio”, resumiu o empresário Joesley Batista, um corruptor confesso que tinha passe livre no Jaburu.

A pesquisa mostra que a população despreza o delator, mas não caiu no truque de desqualificar a delação. Há um mês, Temer faz discursos indignados e diz que é vítima de armação. Não convenceu quase ninguém. Para 83%, ele teve participação direta no esquema de corrupção descoberto pela Lava Jato. Só 6% acreditam na inocência presidencial.

GAFES EM SÉRIE – Os números encerram mais uma semana trágica para o governo. O presidente viajou numa tentativa de atrair investimentos e simular normalidade. Perdeu R$ 166 milhões do Fundo Amazônia, cometeu gafes em série e ouviu um sermão da premiê norueguesa contra a corrupção.

No Brasil, a crise se agravou. Temer perdeu uma votação importante no Congresso e foi esculhambado por um senador que se gabava de nomear até melancias em seu governo. Na sexta, a PF desmoralizou sua defesa ao atestar que a gravação de Joesley não sofreu edições. A semana que começa deve ser ainda pior. Nas próximas horas, a Procuradoria-Geral da República vai formalizar a primeira denúncia contra o presidente.

Desembargadores que podem impedir candidatura de Lula são muito rigorosos

Oitava turma do TRF-4 em sessão de julgamento de recursos da operação Lava Jato

Nesta sala, será decidida a candidatura de Lula

José Marques
Folha

 

Foi um escândalo. Na saída da missa dominical de Ribeirão Claro (PR) dois motociclistas desfilaram nus em frente aos fiéis, após apostar e perder que o Brasil venceria a Argentina na Copa de 90. O promotor da cidade não pensou duas vezes: pediu a prisão preventiva (por tempo indefinido) dos “peladões”. Era João Pedro Gebran Neto, que atualmente é desembargador federal e relator da Lava Jato em segunda instância.

“Não foi fácil convencer o juiz substituto, que vinha semanalmente a Ribeirão Claro, de que o caso merecia tão séria repressão”, disse, em texto publicado em 2012. Como a cadeia estava vazia, o magistrado aceitou prender os arruaceiros por “um ou dois dias”. Depois disso, “a ordem estava restabelecida”, concluiu o ex-promotor.

RIGOR NAS PENAS – À frente da oitava turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que revisa as decisões de Sergio Moro, o curitibano Gebran Neto continua conhecido pelo rigor, assim como os outros dois componentes do colegiado, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus.

Quase metade das penas dadas por Moro foram elevadas na segunda instância, algumas delas em mais de dez anos. Na quarta-feira (dia 21), o processo contra o ex-sócio da Engevix, Gerson de Mello Almada, chegou à sala de julgamentos da turma com uma condenação a 19 anos de reclusão. Saiu com uma pena de 34 anos e vinte dias.

PRISÃO IMEDIATA – Antes mesmo de o STF (Supremo Tribunal Federal) definir que réus podem ser presos em segunda instância, a oitava turma já determinava a execução das penas de pessoas que condenavam.

O trio não tem concedido entrevistas, mas Gebran se posicionou ao ser questionado se, ainda hoje, considera o caso de Ribeirão Claro como passível de prisão preventiva – tomada quando há risco de reiteração da conduta ou destruição de provas.

“Na ocasião, os efeitos da decisão foram muito benéficos, porque a sociedade permaneceu em paz e sem novos presos por muito tempo”, disse Gebran em nota à Folha. “Como promotor, agiria como agi na época, levando em conta a data dos fatos, a pequena e pacífica comunidade onde aconteceu e os impactos causados com as condutas. Cabe ao julgador analisar os fatos e tomar a decisão”, afirmou.

LINHA DURA – Sediada em Porto Alegre, a oitava turma do TRF-4 tem apenas um gaúcho, o revisor da Lava Jato Leandro Paulsen. Especialista na área tributária, surpreendeu colegas de direito ao se tornar um juiz “linha dura” na área penal ao assumir a vaga no TRF, em 2013.

Juiz federal desde 1993, torcedor do Internacional, Paulsen construiu carreira e tem família na capital. Trabalhou por três anos e meio, ainda sem se formar, no gabinete de um juiz do TRF que, antes, era procurador da República. Em 2014, figurou ao lado de Sergio Moro em lista tríplice da Ajufe (Associação de Juízes Federais do Brasil) para substituir o ministro Joaquim Barbosa no Supremo.

Dos três, o que está mais tempo no tribunal é o catarinense Laus. Ex-procurador da República, por dez anos, foi promovido ao tribunal em 2002. Sempre foi tido como um magistrado severo, mas, na turma, é visto pelos advogados como o menos rígido.

DIRCEU E LULA – Alguns processos de repercussão serão analisados pela oitava turma nos próximos meses. Um deles é o do ex-ministro José Dirceu, solto pelo STF em maio, enquanto ainda aguarda a decisão do trio.

Outro possível processo é o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso ele seja condenado por Moro na ação do tríplex. Se não for, também há possibilidade de o Ministério Público recorrer.

A defesa de Lula, no entanto, já teve embates com o trio – assim como tem com Moro. Em ação, disse que Gebran tem relação de amizade com o juiz de primeira instância e não pode decidir se Moro é suspeito ou não para julgar o ex-presidente. Citou agradecimento que Gebran fez em um livro, em que dizia ter “afinidade e amizade” com Moro. A ação da defesa de Lula corre agora no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

IMPARCIALIDADE – Gebran não nega as relações com o juiz, mas diz que suas decisões são imparciais. Paulsen e Laus defenderam o colega de turma em juízo. “Não há que se imaginar que eventual amizade entre magistrados induza a manutenção de decisões ou coisas do tipo”, disse Paulsen, em voto.

Um adjetivo recorrente entre os advogados que classificam a turma é “rigorosa”. Foi isso o que disse o advogado Marcos Crissiuma à reportagem, após a turma manter a prisão preventiva de seu cliente, um gerente da Petrobras preso na 40ª fase da operação. É assim, também, que caracteriza quem já teve seus casos julgados pelos três em processos não relacionados à Lava Jato. “Essa turma pode divergir do Moro, mas ainda assim são divergências de juízes rigorosos”, afirma o criminalista Márcio Paixão.

BANALIZAÇÃO –  Advogados também veem que a reiteração de casos similares na Lava Jato pode levar os juízes a repetir decisões. Esse argumento foi usado por Antônio Sérgio Pitombo, na defesa de Almada.

“A visão de quem está dentro muitas vezes não reconhece alteração no caso”, disse, acrescentando que seu cliente sofria pressões. Pediu que “examinassem o homem”. Não fez o efeito esperado. Gebran, como relator, elevou a pena de Almada para 23 anos. Paulsen aumentou ainda mais, para 34, e foi seguido no voto por Laus.

Antes de votar, Gebran respondeu ao advogado. Disse que a turma tem percebido que houve uma “banalização” da corrupção na Petrobras, mas isso não “autoriza um raciocínio que beneficie quem estiver inserido dentro desse contexto”. “A banalização das coisas não torna elas melhores. Às vezes torna até piores, doutor”, afirmou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
São esses três desembargadores federais que irão julgar o ex-presidente Lula, após a sentença do juiz Moro. São esses rigorosos juízes que poderão permitir ou impedir a candidatura dele em 2018. (C.N.)

Com esse “Brazil System”, é claro que o Brasil será, para sempre, um país em crise

Leila Diniz, “Graúna” e a família Temer

Aninha Franco
Correio da Bahia

Quarenta e cinco anos sem Leila Diniz fazem falta ao “Brazil System”. Quando Marcela Temer nasceu, em 1983, para ser recatada, do lar e, futura esposa de Michel Temer, o presidente investigado, Leila Diniz estava morta desde 1972. Quando Marcela adolesceu, o Pasquim era cinzas, Henfil estava morto, e a Graúna estacionada em 1988. Henfil não assistiu à saída dos militares, e só votou para presidente da república uma vez, em 1960, porque de 1964 a1989 nos foi proibido eleger presidentes.

Voltando ao presente, desde sexta-feira, 9, sabemos que Temer ficou e Dilma pode candidatar-se e se eleger ao que quiser. Que Gilmar Mendes, presidente do Tribunal que deveria vigiar e punir os malfeitores eleitorais, desempatou o 3×3 e votou pela absolvição de Dilma&Temer.

IMPOSTO SINDICAL – O Michel Temer ficado já devolveu a obrigatoriedade do imposto sindical à República sindicalista e os trabalhadores brasileiros continuarão destinando um dia de suas jornadas à boa vida dos líderes sindicais. Talvez com esse agrado as greves e manifestações perderão seus ímpetos. Temer anistiou os banqueiros, aqueles profissionais que sempre lucram no tempo das vacas magras e das vacas gordas, e está bem com o Capital, com os 17 mil sindicatos e, para continuar ficando, parece que gastará muito do Erário combalido.

Nós já assistimos isso com Dilma, em queda, mas Temer tem mais aliados e minha intuição sugere que o PMDB não está brigado de verdade com o PT. Que a rusga é cênica. Que daqui a pouco PT e PMDB retomarão seu caso de afeto declarando, mais uma vez, amor aos que mais precisam. Sim, o Brasil não é uma nação, é um programa de humor que acabará nos matando de rir.

MUITO ENGRAÇADO – Recentemente, fotografei a placa de inauguração da Superintendência da PF – que está trabalhando certeira – e nela descobri que o prédio foi inaugurado pelo presidente Fernando Collor. E é sim, é muito engraçado.

E de risada em risada, desconfio que Juscelino Kubitschek não criou uma capital em 1960, que Juscelino criou um ninho de ratos, cevados com todos os privilégios nos últimos 57 anos, totalmente imunes à decência. É verdade que a Lava Jato desfalcou e ameaçou o ninho. João Santana, o “Patinhas”, por exemplo, faz falta ao PT saído e ao Temer ficado, porque explicaria com mais elegância o ataque petista à jornalista Myriam Leitão. E esconderia Temer melhor da sociedade, esse vice do PT duas vezes. Como é que o PT aceita um cara tão primário como vice-presidente de uma presidente doidinha?

MARQUETEIROS – Desde os primórdios da civilidade, os lideres políticos foram preparados por pensadores para governar. Alexandre, o Grande, possivelmente foi grande porque teve o filósofo Aristóteles como mestre. O Poder não é uma atividade banal.

Se o “Brazil System” não suporta filósofos, use marqueteiros preparados em humanidades. Chega-se ao poder para confortar milhares de cidadãos que dependem do líder, do chefe para sobreviver e desfrutar das existências. Parece que Temer só pensa nele, em Marcela, em Michelzinho e, no máximo, em Rocha Loures, seu “longa manus”. E com esse “Brazil System”, é claro que o Brasil será, para sempre, um país em crise.

(artigo enviado por João Amaury Belem. A autora, Aninha Franco, é uma jovem escritora, pensadora, poeta, dramaturga, crítica, advogada e ativista cultural)

Mulher de Sérgio Cabral influenciou nomeações em tribunais, inclusive no STJ

Resultado de imagem para cabral no enterro de jordana cavendish

Cabral e Adriana, no enterro de Jordana Cavendish

Italo Nogueira
Folha

No início da campanha pela vaga de desembargador no Tribunal de Justiça do Rio em 2010, o então promotor Paulo Rangel dizia não ter apoio de ninguém. Ao procurar uma autoridade, afirmou contar com “Deus apoiando e guiando os passos”. Ouviu como resposta: “Meu filho, Deus não vota no Órgão Especial”.  “Fui embora chocado com o que acabava de ouvir. Não tardou muito veio a resposta divina: ‘Rangel, a primeira-dama está recebendo os candidatos que a estão procurando e receberá você com prazer'”, relatou o magistrado em seu discurso de posse.

A advogada Adriana Ancelmo, 46 anos, estava em seu quarto ano como primeira-dama. Rangel seria o quarto nomeado a passar em seu escritório para pedir apoio junto ao então governador Sérgio Cabral (PMDB). Uma indicação decisiva, segundo relatos ouvidos pela Folha.

TRAJETÓRIA – Até o marido chegar ao governo do Estado, Ancelmo era uma advogada de pouco destaque, sócia do marido Sérgio Coelho num escritório de médio porte. “Braço jurídico” do casal, ganhou a atribuição de avalizar nomes para o tribunal. Segundo pessoas próximas do casal, era uma forma de Cabral prestigiá-la.

A ex-primeira-dama, alvo de quatro ações penais da Lava Jato, teve uma infância de classe média baixa em Copacabana, onde estudou em escolas públicas. Morava num apartamento de dois quartos, mas por vezes dividia o mesmo cômodo com a mãe e a irmã para que o outro fosse alugado.

Aos 16, trabalhou como vendedora em lojas. De formação católica, participava do grupo jovem da paróquia da Ressurreição.

NA PUC – Formou-se em Direito na PUC-Rio, onde conheceu Regis Fichtner, que viria a ser secretário da Casa Civil de Cabral. Foi ele quem levou Ancelmo para trabalhar na procuradoria da Assembleia Legislativa, onde ela conheceu Cabral num encontro casual no elevador. Os dois se casaram em 2004.

No início do governo, por ciúmes, ela vetou assessoras que trabalhariam diretamente com o governador. Buscou também ter presença pública. Apoiou, por exemplo, a ONG Pró-Criança Cardíaca para arrecadação de fundos para a construção de um hospital.

“A presença dela fazia diferença. Mandava e-mails para empresários mostrando a seriedade do projeto”, disse a médica Rosa Célia, fundadora da ONG. A placa de agradecimento ao casal está até hoje no saguão do hospital. Na parede oposta, a lista de doadores inclui alvos da Lava Jato, como a Carioca Engenharia e Arthur Menezes de Soares, ex-dono do grupo Facility.

ESCRITÓRIO – Prestigiar a primeira-dama era uma forma de agradar Cabral. Além do apoio às suas iniciativas públicas, o escritório dela despertou interesses.

Fundada em 1997, a banca tinha como especialidade até a posse de Cabral causas cíveis no setor de saúde. Depois, se diversificou. A receita subiu, em valores atualizados, de R$ 3,9 milhões em 2006 para R$ 13,2 milhões em 2008. Concessionárias de serviços públicos, bancos e o setor imobiliário aderiram à cartela de clientes.

“Quando a Adriana se torna primeira-dama do Estado, ela gerou uma grande atratividade. O escritório cresceu bastante por ela”, disse o ex-sócio e ex-marido Coelho à Justiça.

ACESSO AO TRIBUNAL – Relatos indicam que o acesso de Ancelmo a desembargadores do TJ-RJ impressionava os clientes. Enquanto concorrentes tinham dificuldade em marcar uma audiência com magistrados, ela os contactava pelo celular na frente de potenciais contratantes. Agora, executivos da OAS prometem delatar a atuação dela junto ao Judiciário para favorecer a empreiteira.

A chance de influenciar na composição do TJ surgiu a Ancelmo por acaso. Em 2006, semanas antes da posse do já eleito Cabral, o então defensor público Marco Aurélio Bezerra de Mello bateu na porta de seu escritório.

“Busquei todas as autoridades. Um amigo em comum me disse: ‘A futura primeira-dama é advogada. Por que você não procura ela?’. Fui lá e apresentei meu currículo”, disse.

20% DAS VAGAS – Todos os TJs reservam 20% das vagas para membros do Ministério Público e da OAB, o chamado quinto constitucional. Os candidatos buscam apoiadores capazes de influenciar o governador, que escolhe um nome da lista tríplice enviada pelo TJ.

Por acordos previamente firmados, Mello não foi nomeado em 2006. Ganhou a vaga seguinte da OAB, em 2008. Desde então, a ex-primeira-dama compareceu à cerimônia da maioria dos desembargadores nomeados pelo quinto. Passou a ser chamada de “madrinha” por alguns.

A influência de Adriana Ancelmo chegou ao Superior Tribunal de Justiça. Os ministros Benedito Gonçalves, Luis Felipe Salomão e Marco Belizze pediram à advogada o endosso do governador em suas campanhas.

BRIGA DO CASAL – A nomeação de Belizze, em 2011, culminou numa briga do casal, origem da sucessão de fatos que provocaram a queda de popularidade de Cabral. Embora tenha recebido Belizze em seu escritório, Ancelmo defendeu a nomeação de seu sócio Rodrigo Cândido de Oliveira.

Ao ter a indicação recusada, Ancelmo se separou de Cabral. Foi quando Fernando Cavendish, ex-dono da Delta Construções, convidou o governador para seu aniversário na Bahia. Um helicóptero caiu, matando sete pessoas e revelando a relação próxima entre os dois.

Meses depois, Ancelmo e Cabral reataram o casamento. Amigos relatam que o episódio agravou um problema crônico dela: a depressão que há anos lhe acometia.

RECONCILIAÇÃO – Curiosamente, quase todas as acusações contra a ex-primeira-dama referem-se a fatos ocorridos após a reconciliação com Cabral.

Foi quando teria recebido e comprado as joias mais valiosas –usadas, segundo a procuradoria, para ocultar patrimônio. É também o período em que seu escritório é acusado de receber quase todos os pagamentos sem a prestação de serviço, meio pelo qual teria lavado dinheiro de propina.

A maioria dos repasses suspeitos à firma ocorre após 2013, quando a sociedade dela com Coelho foi desfeita. O escritório passou a ter metade do número de advogados e de área ocupada. Apesar disso, deu um salto real de 24% no faturamento em 2014, recebendo R$ 17,5 milhões.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente e reveladora a matéria do Italo Nogueira. Há apenas um equívoco, de ordem cronológica. A ex-primeira-dama não se separou de Cabral por causa da nomeação de Belizze, mas porque ele estava apaixonado pela cunhada de Cavendish, Fernanda Kfouri. Foram passar o fim de semana juntos em Porto Seguro e Fernando morreu na queda do helicóptero, junto com a irmã Jordana e outras vítimas, inclusive o filho de três anos. O casamento de Cabral não foi reatado meses depois do acidente. Na verdade, após a morte da amante, Cabral imediatamente se reconciliou com Adriana Ancelmo para evitar o escândalo e até compareceu ao enterro das vítimas ao lado da compungida primeira-dama. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. Quanto a Benedito Gonçalves, um dos ministros do STJ indicados por Adriana Ancelmo, por coincidência ele está envolvido na Lava Jato, via OAS. (C.N.)

Polícia Federal faz varredura nos telefones do Supremo, para evitar grampos

Resultado de imagem para grampos no supremo chargesDeu em O Tempo
(Agência Estado)

A Polícia Federal está realizando, neste fim de semana, varreduras em telefones e gabinetes da presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, dos ministros que assim desejarem e de todo o terceiro andar do prédio. O pedido foi feito por Cármen Lúcia ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello. Um dos motivos da decisão foi a informação de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estaria grampeando os telefones do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato.

O presidente Michel Temer já havia telefonado para a ministra desmentindo que tenha pedido ou autorizado tal grampo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O fato concreto é que, depois da gravação das conversas de Joesley Batista com Michel Temer e com Aécio Neves, está todo mundo de sobreaviso em Brasília. Temer desmentiu que tenha autorizado a arapongagem do ministro Fachin, mas quem pode acreditar no que diz o presidente, a essa altura do campeonato? A presidente do Supremo está correta em se precaver. O mais curioso é que há os grampos autorizados pelo próprio Supremo. como o que flagrou o ministro Gilmar Mendes prometendo ajudar o senador Aécio Neves a aprovar um projeto de lei destinado a abafar a Lava Jato. (C.N.)

Ministro alega que a mídia “inventou” a saída do diretor da Polícia Federal

Torquato e Daiello deram entrevista sem perguntas

André de Souza
O Globo

Em meio às especulações sobre a possível troca de comando na Polícia Federal (PF), o diretor-geral do órgão, Leandro Daiello, e o ministro da Justiça, Torquato Jardim, chamaram a imprensa neste sábado para dizer que os dois trabalham em harmonia e num clima de camaradagem. Mas ambos se recusaram a responder a qualquer pergunta, inclusive se Daiello continua garantido no cargo. Nos últimos dias, cresceram as informações de que o governo estaria discutindo a troca no comando da instituição, que atua na Operação Lava-Jato.

“O noticiário que está aí é, para usar o termo moderno, a pós-verdade, não corresponde à realidade” – afirmou Torquato, acrescentando: “O doutor Daiello e eu temos trabalhado desde que aqui cheguei na mais absoluta harmonia e camaradagem, ambos igualmente comprometidos com a instituição Polícia Federal”.

DESDE 2011 – Daiellio foi nomeado para o cargo de diretor-geral em 2011, durante a gestão da presidente Dilma Rousseff. Desde que Temer chegou ao Planalto, toda troca de ministro da Justiça veio acompanhada de especulações sobre a continuidade ou não do diretor-geral da PF. Torquato assumiu o cargo em 31 de maio deste ano. O Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, concluiu em perícia que o áudio da gravação entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer não sofreu edição. A informação veio a público ontem.

A possível manipulação do áudio era uma das teses centrais da defesa do presidente Michel Temer. Torquato falou por menos de três minutos, se levantou e deixou a sala onde foi feito o pronunciamento. Sozinho, Daiello fez então seu pronunciamento, que durou menos de dois minutos.

Tanto Torquato quanto Daiello preferiram destacar o que vêm como prioridades para a PF, como a necessidade de avançar na internacionalização e no uso de recursos tecnológicos.

DISSE DAIELLO – “Na primeira semana da posse do ministro, nós o convidamos para visitar a Polícia Federal onde foi feita uma reunião com a diretoria. A Polícia Federal apresentou sua estrutura e seus projetos. Dentre esses projetos, o ministro demonstrou aqui a firmeza de que precisamos avançar em tecnologia, capacidade de inteligência e investigação. É o que temos feito. E percebemos a necessidade de uma inserção maior na área internacional. Ele confirmou que vamos ampliar a capacidade da Polícia Federal de ter uma inserção internacional para combater os crimes transnacionais e também como estratégia de proteção das fronteiras” – afirmou Daiello, sem responder a perguntas dos repórteres.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o ministro disse que a imprensa inventou a notícia de que iria afastar o diretor da PF. Ou seja, tentou desmentir a informação que ele próprio deu, ao receber sindicalistas em seu gabinete. É pena que nenhum deles gravou a fala de Torquato Jardim. Ou será que gravou? Na verdade, não deu certo a nomeação do ministro. Seu esforço para defender Temer chega a ser constrangedor. Ao assumir, disse o seguinte: “Temer não foi acusado. Há uma suposição da oposição”. Torquato quer concorrer à Piada do Ano, mas não leva jeito. (C.N.)

Rússia e China se unem para neutralizar ação dos EUA e aliados no Oriente Médio

Resultado de imagem para uniao russia e china charges

Rússia e China estão se unindo,22 até militarmente

Pepe Escobar
SputnikNews

Uma mudança geopolítica tectônica aconteceu em Astana, Cazaquistão, há poucos dias. Mas ainda não se viu nem qualquer mínima repercussão nos círculos ocidentais. Na reunião anual da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), fundada em 2001, Índia e Paquistão foram admitidos como membros plenos, como Rússia, China e Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tadjiquistão. Assim sendo, a OCX já é não apenas a maior organização política do mundo, por área e por população, como também reúne quatro potências nucleares.

O G-7 é irrelevante, como se viu claramente na recente reunião em Taormina. Ação à vera doravante, à parte o G-20, virá desse G-8 alternativo.

GANHA-GANHA – Permanentemente desqualificada no Ocidente já há uma década e meia como se não passasse de mero salão de conversas, a OCX, lentamente, mas sem parar nunca, continua a promover um quadro que o presidente Xi Jinping, da China, qualifica, de forma discreta e muito atenuada, como “um novo tipo de relações internacionais com vistas a cooperação ganha-ganha”. É o mínimo que se pode dizer, do grupo no qual se reúnem China, Índia e Paquistão.

A marca OCX, sob o jogo do radar, é muito sutil. A ênfase inicial, quando se entrava no mundo pós-11/9, foi combater contra o que os chineses chamam de “os três males” – o terrorismo, o separatismo e o extremismo. Nesse sentido, Pequim e Moscou, desde o início, pensavam nos Talibãs no Afeganistão e nas suas conexões centro-asiáticas, especialmente por conta do Movimento Islamista do Uzbequistão (MIU).

AFEGANISTÃO – Agora, a OCX está ativamente alertando para a “deterioração” da segurança no Afeganistão e conclamando todos os membros a apoiar o processo de “paz e reconciliação”. É a senha para a OCX, daqui em diante, engajar-se diretamente em encontrar uma solução “completamente asiática”  para o Afeganistão (com ambos, Índia e Paquistão, também a bordo), que transcenda o “remédio” sempre fracassado do Pentágono – apenas mais soldados.

A OTAN perdeu miseravelmente a guerra que fez no Afeganistão. Os Talibãs controlam hoje pelo menos 60% do país – e continuam a avançar. E para acrescentar insulto supremo à ofensa previsível, o Estado Islâmico do Corasan (EIC), braço do Daech no Afeganistão, acaba de capturar Tora Bora, onde, nos meses finais de 2001, os B-52s do Pentágono insistiam em bombardear Osama Bin Laden e Ayman al-Zawahiri, que já estavam muito longe de lá.

Que ninguém se engane: a OCX agirá, sim, no Afeganistão. E essa ação incluirá levar os Talibãs à mesa de negociações. A China acaba de assumir a presidência rotativa da OCX e se empenhará para colher resultados práticos a exibir na próxima reunião de cúpula em junho de 2018.

LIVRE COMÉRCIO – A OCX evoluiu muito também em termos de cooperação econômica.  No ano passado, Gu Xueming, presidente da Academia Chinesa de Comércio e Cooperação Econômica Internacional, propôs que se faça uma aliança com um “think-tank” econômico da OCX, também para estudar a implantação de zonas de livre comércio da própria Organização de Cooperação de Xangai.

INTEGRAÇÃO TOTAL – É movimento que sugere fortemente uma integração econômica ainda maior – que já está em curso para muitos negócios de pequeno e médio porte. A tendência é inevitável, paralela à interpenetração das Novas Rotas da Seda, também chamadas “Iniciativa Cinturão e Estrada” (ICE), e a União Econômica Eurasiana (UEE), liderada pela Rússia.

Assim sendo, nem chega a ser surpresa que, na reunião em Astana, o presidente Xi Jinping e o presidente Putin mais uma vez tenham discutido a possibilidade de fusão entre ICE e UEE. E ainda não estamos falando do trio ICE, UEE e OCX  (o que diz respeito ao Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, BAII; o Novo Banco de Desenvolvimento, NBD; o Fundo Chinês da Rota da Seda), em meio a um todo-poderoso arranjo de mecanismos político-econômicos.

JAPÃO E IRÃ – As coisas movem-se com incrível rapidez – em todos os fronts. Numa recente conferência “Future of Asia” em Tóquio, o suposto ferozmente antiChina primeiro-ministro japonês Shinzo Abe anunciou, embora ainda sujeito a muitas condições, que o Japão está pronto a cooperar com a ICE e com seu “potencial para conectar Oriente e Ocidente, assim como as diversas regiões que há entre um e outro”. Um possível reset China-Japão daria impulso definitivo à interpenetração de ICE, UEE e OCX.

Crucialmente importante é que China e Rússia estão em perfeita harmonia em termos de aprovar rapidamente a admissão do Irã como membro pleno da OCX.

Agora, comparem esse tipo de projeto/ação de China e Rússia, com a iniciativa do secretário de Estado americano”T.Rex” Tillerson, a ‘exigir’ mudança de regime no Irã.

CONTRASTE BRUTAL – Com a integração da Eurásia avançando inexoravelmente, o contraste com a proverbialmente pantanosa e repugnante arrogância dos aliados da OTAN não poderia ser mais flagrante.

Quando Moscou decidiu a favor de agir na tragédia da Síria e mudar aquele jogo, nenhum analista no Ocidente, exceto Alastair Crooke, viu o quanto esse movimento configurava uma espécie de operação ‘estilo-OCX’.

Entenda-se que Irã, Síria e Hezbollah não são membros da OCX, mas o modo como coordenaram seus movimentos com os russos já evidenciava uma alternativa factível, diferente do imperialismo ‘humanitário’ da OTAN e das aventuras tipo ‘mudança de regime’.

APOIO Á SÍRIA – O mecanismo “4+1” – Rússia, Irã, Iraque, Síria e Hezbollah – silenciosamente apoiado pela China foi instituído para combater todas as formas de terrorismo jihadista/salafista e, ao mesmo tempo, para prevenir qualquer tentativa de ‘mudar o regime’ em Damasco – sonho molhado da OTAN-CCG.

Agora, com a estrambótica política exterior de Trump, em que nada se coordena com coisa alguma, exceto com provocar o Irã, o resultado é que Rússia e China compreendem como é realmente fundamental que o Irã se torne, sem demora, membro pleno da OCX.

Pequim também já compreendeu, a importância de suas relações com o Qatar, fornecedor-chave de gás natural, e há apostas extremamente altas de o Qatar, mais dia menos dia, aceitará receber pagamento em yuan, reduzindo a importância do dólar.

QATAR E IRÃ – O silencioso movimento de pivô do Qatar na direção do Irã – razão-chave que enlouqueceu completamente a já encurralada Casa de Saud na Arábia Saudita – tem tudo a ver com a exploração em comum do maior campo de gás do mundo, North Dome/South Pars, que os dois países partilham no Golfo Persa.

Demorou um pouco para que o Qatar se desse conta de que, depois que os “4+1” (Rússia, Irã, Iraque, Síria e Hezbollah) se entenderam, um gasoduto do Qatar até a Turquia via Arábia Saudita e Síria até o mercado europeu jamais acontecerá. Ancara também sabe disso. Mas alternativamente pode haver um gasoduto Irã-Iraque-Síria, mesmo com uma possível extensão para a Turquia, com gás fornecido conjuntamente pelo campo North Dome/South Pars (Qatar/Irã).

Esse evento revolucionaria toda a equação da energia no Sudoeste da Ásia; e a hegemonia do petrodólar pode bem ser o principal “dano colateral” nesse quadro, o qual Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos aceitam devidamente.

Imaginem Qatar/Irã vendendo seu futuro gás para a Europa em euros, não em dólares norte-americanos, bem como os chineses que passarão a pagar em yuan, a energia que comprarem do Qatar – e da Arábia Saudita.

EUROS E YUANS – Que ninguém se engane: o futuro – inexorável – indica que o comércio de energia deixará de ser feito em petrodólares, para ser feito em yuan, moeda que pode ser convertida em ouro.

Jamais será demais destacar a importância da parceria estratégica Rússia-China coordenando todas as suas políticas para a integração da Eurásia, inclusive com os incansáveis esforços, pelos suspeitos de sempre, para impedir que a integração aconteça.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito importante o artigo enviado à Tribuna da Internet pelo jornalista Sergio Caldieri. Como diz Caetano Veloso, é preciso ler o que escreve o colombiano Pepe Escobar, que está se firmando como mais importante analista da política internacional. Escobar dá show na concorrência. (C.N.)

Uma estrela afoita, no céu das criações de Nando Cordel

Resultado de imagem para nando cordel

Nando Cordel, destaque da música nordestina

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, instrumentista e compositor pernambucano Fernando Manoel Correia, nome artístico Nando Cordel, faz versos para diversos estilos musicais: xotes, forrós, frevos etc. A bonita letra de “Estrela Afoita” fala de uma mulher, cujas práticas amorosas e suas consequências Nando Cordel afirma já conhecer. A música deu título ao LP Estrela Afoita gravado por Nando Cordel, em 1983, pela Barclay/Ariola.

ESTRELA AFOITA
Nando Cordel

Sai, sai de mim
Conheço sua intenção
Não pense que eu vou deixar
Você plantar saudade no meu coração

Estrela afoita
Sai do meu céu
Vai refazer-se de mel
Minha pureza já percebeu
Pega o desvio
Adeus

Deixa de comer meu tempo
Deixa meu verde florir
Meu sorriso ficar doce
Quando eu quiser dividir

Piada do Ano: Defesa de Temer vai recorrer da decisão do STF que está 7 a 0

Resultado de imagem para mariz de oliveira

Mariz vai recorrer ao STF só para marcar presença

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

O criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado do presidente Michel Temer (PMDB) no processo que envolve as delações da JBS, afirmou que a defesa vai questionar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) se os ministros não voltarem atrás e mantiverem a validade das delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

“Não tenha dúvida que vamos questionar essa decisão”, disse Mariz, ao chegar para um debate na Casa do Saber, em São Paulo. Ele afirmou que não se surpreendeu com a manutenção do ministro Luiz Edson Fachin como relator dos processos que envolvem o presidente Michel Temer, mas com a formação de maioria para manter a validade da delação da JBS.

PERDÃO JUDICIAL – O advogado informou que a defesa irá questionar os benefícios concedidos a Joesley, entre eles o perdão judicial, nas alegações que fará após a eventual denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). “Se a Câmara autorizar o processo, faremos uma defesa preliminar e nessa defesa vamos fazer nossas contestações”, disse o advogado. Mariz afirmou que o Ministério Público deu um benefício ilegal a Joesley. “O benefício dado foi a impunidade”, criticou.

Durante o debate, o criminalista criticou o Supremo por ter “lavado as mãos” diante da situação. “Me espanta que o Supremo tenha lavado as mãos permitindo isso”, disse.

PODERES DEMAIS – Mariz apontou ainda que o julgamento de quinta-feira mostrou que o Ministério Público “está recebendo poderes que não lhe são naturais.” Durante o debate, o advogado voltou a falar que, com as delações da JBS, está se abrindo “um estado de anomia social” no País.

Mariz afirmou ainda que “sente” que a Procuradoria-Geral da República está usando o processo que envolve o peemedebista para fazer política.

“Eu também sinto isso, mas não alcanço as razões. Fazer política objetivando o quê? O poder? Será que o Ministério Público almeja o poder? Eu creio que não”, disse Mariz, quando perguntado se avaliava que a PGR estivesse o usando o processo contra Temer como um instrumento político. “Essa questão política está realmente no ar, mas eu não vejo uma coisa ainda bem formatizada, formalizada. Mas está no ar”, declarou.

FORA DA LEI – Criticando fortemente os benefícios dados a Joesley no acordo de colaboração premiada que culminou em um inquérito contra Temer, o advogado afirmou que está se criando um novo processo penal brasileiro “fora da lei”.

O advogado diz que não há previsão legal de a PGR estipular uma punição ou um perdão judicial no acordo de colaboração premiada. Para ele, isso deve ser feito pelo juiz na sentença.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Recorrer de um julgamento que está 7 a 0 e deve acabar 10 a 01, com oposição solitária do folclórico Gilmar Mendes, só pode ser Piada do Ano. Não se pode levar a sério esse tipo de declaração. (C.N.)

Projeto “Vigie Aqui” possibilita identificar políticos com pendências judiciais

Charge do Son Salvador (Estado de Minas)

Luiza Muzzi
O Tempo

Na tentativa de engajar os brasileiros no processo eleitoral de 2018, o instituto Reclame Aqui lançou, há cerca de dois meses, o projeto Vigie Aqui, que, por meio da instalação de um plug-in, possibilita ver em destaque, durante a navegação em qualquer site, os nomes de políticos com pendências na Justiça.

Basta o internauta navegar normalmente, e, sempre que o nome de um político condenado, processado ou investigado aparecer, o sistema o grifará de roxo. Ao passar o mouse por cima do nome, é possível conferir a ficha do político, consolidada a partir de informações oficiais que constam nas várias esferas do Judiciário.

VOTO CONSCIENTE – Segundo o fundador e presidente do instituto, Maurício Vargas, que é também o idealizador do Vigie Aqui, a intenção é ajudar a população a votar de forma consciente: “O projeto foi motivado por um sentimento de indignação, somado à necessidade de oferecer informação e transparência”.

Hoje, o Vigie Aqui faz o monitoramento de processos envolvendo o presidente, cinco ex-presidentes, 81 senadores, 513 deputados federais e 27 governadores, mas a ideia é expandir para ministros e deputados estaduais. Para isso, o instituto firmou uma parceria com a PUC do Paraná, que tem treinado alunos para alimentar o sistema.

Desde o lançamento, 15 mil plugins foram baixados, e o objetivo é chegar a 2 milhões até a eleição de 2018. Segundo Vargas, já há a informação de que um ministério do governo federal está tentando proibir a instalação em suas dependências: “O projeto já está incomodando”, comemora.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo dizem Ronaldo Bastos e Milton Nascimento, “nada será como antes”, porque o advento da internet está mudando inteiramente a política. E “daqui pra frente tudo será diferente”, completam Roberto e Erasmo Carlos, porque só votará em político pilantra quem não tiver acesso à internet, que está cada vez mais popularizada aqui na Tropicália. (C.N.)

No país da impunidade, que sistema político daria certo, em meio à roubalheira?

Resultado de imagem para impunidade charges

Charge do Edra (chargesdoedra.blogspot.com)

Francisco Vieira

“Impunidade nos partidos é símbolo da crise política”, dizem cientistas políticos. O fato concreto é que a impunidade no Brasil é ampla, geral e irrestrita, abrangendo do juiz aposentado ao ladrão de celular da esquina que responde em liberdade. Qual sistema político daria certo em meio à roubalheira desenfreada, onde uma minoria honesta é obrigada a sustentar uma maioria criminosa? A única coisa que os brasileiros fizeram de grandioso, nos últimos quinhentos anos, foi Itaipu. O resto, tudo o que é maravilhoso já estava aqui antes da chegada de Cabral.

Infelizmente somos uma nação sem projetos para o futuro e nada mais nos está reservado além da obrigação de pagar os juros da dívida pública.

TUDO PELA DÍVIDA – É muito difícil que algum cidadão brasileiro possa de orgulhar de um país que gasta assim os impostos que recolhe: “(19/12/2016) – O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira (dia 15) a Lei Orçamentária Anual para o ano de 2017, no valor total de R$ 3,5 trilhões. Esse montante inclui
R$ 58,3 bilhões para o Orçamento Fiscal e da Seguridade Social;
R$ 90 bilhões para investimentos das estatais; R$ 306,9 bilhões para pagamento de pessoal na esfera federal; R$ 562,3 bilhões para o Regime Geral da Previdência; R$ 946,4 bilhões para o refinanciamento da dívida pública; e R$ 339,1 bilhão para pagamento de juros e encargos da dívida….”

Façam as contas: R$ 1.285,5 bilhões para a dívida pública. Ou seja, cerca de 38% do que é arrecadado. É possível aguentar isso?

DESIGUALDADE SOCIAL – Quando se analisa a classificação dos países mais desiguais do mundo, percebe-se que são justamente aqueles nos quais o governo sempre manteve a população analfabeta e ignorante para melhor roubá-la. E o Brasil faz parte dessa sinistra relação.

Os donos do mundo estão há quinhentos anos interferindo na construção deste país, e nós passamos todo esses séculos sendo governados e roubados por mercenários . E nada mudou, embora estejamos sentados sobre a maior riqueza mineral do Planeta Terra… Imagine viver sobre trilhões de dólares e ser proibido de usar tal riqueza para não se desenvolver e “criar asas”. Pois é justamente o que acontece conosco…

INIMIGOS DO PAÍS – Os inimigos do país não estão no exterior.
Podem ser encontrados aqui dentro mesmo, estabelecidos na Praça dos Três Poderes.

E aqui dentro ainda podemos ver um Supremo que gasta tempo e salário discutindo obviedades, como se bandido deve ficar preso ou se deve ficar solto… e todos recebendo “agrados” e se confraternizando com ladrões locais e com os agiotas internacionais.

As portas da falência do país não foram arrombadas de fora para dentro pela Quarta Frota. Foram abertas de dentro para fora por moradores desta nação!!!

Prazo para Janot apresentar ao STF denúncia contra Temer termina terça-feira

Resultado de imagem para janot

Janot prepara sua mais importante denúncia

Carolina Brígido e André de Souza
O Globo

A Procuradoria-Geral da República deverá apresentar até terça-feira, segundo o MPF, denúncia contra o presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quinta-feira, o relator da Lava-Jato, ministro Edson Fachin, enviou para a PGR cópia do inquérito Temer. A lei prevê prazo de cinco dias corridos, a partir do recebimento do material, para o órgão apresentar a denúncia, ou pedir o arquivamento do caso por falta de provas. A assessoria de imprensa da PGR informou que o prazo termina na terça-feira.

A Polícia Federal havia pedido prazo extra para concluir as perícias nos áudios de conversas de Temer com o dono da JBS, Joesley Batista. Fachin não negou, nem concedeu. Disse apenas para a PF enviar ao STF os laudos periciais pendentes assim que ficarem prontos. Como a perícia foi entregue na sexta-feira, o laudo já foi anexado às investigações e enviado à Procuradoria.

CONCLUSÃO ÓBVIA – Relatório parcial enviado pela Polícia Federal ao Supremo afirma que é possível concluir que Michel Temer aceitou vantagem indevida por intermédio do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures. Segundo o documento, Temer incorreu em crime de corrupção passiva. O mesmo relatório afirma haver provas de que Rocha Loures cometeu o mesmo crime. Segundo a PF, as evidências indicam “com vigor” a prática de corrupção passiva do “Mandatário Maior da Nação”, especialmente porque tanto Temer quanto Loures se recusaram a depor.

“Diante do silêncio do Mandatário Maior da Nação e de seu ex-assessor especial, resultam incólumes as evidências que emanam do conjunto informativo formado nestes autos, a indicar, com vigor, a prática de corrupção passiva”, diz um dos trechos.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Todo indiciado ou réu tem direito de não responder a perguntas que possam incriminá-lo. Mas quando é o próprio presidente da República que está sendo interrogado, deixar de responder é uma postura vergonhosa. Por isso, no relatório parcial a Polícia Federal fez questão de criticar o silêncio e a omissão do presidente no esclarecimento de graves denúncias. (C.N.)

Renegociações feitas pelo governo custam mais do que reforma da Previdência

Resultado de imagem para bondades de temer charges

Charge do Montanaro (UOL Notícias)

Paulo de Tarso Lyra e Rosana Hessel
Correio Braziliense

O governo já gastou com renegociações feitas para desafogar governadores, prefeitos e endividados de maneira geral mais do que economizará, caso consiga aprovar a reforma da Previdência em 10 anos. Somando-se liberação de créditos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para governos estaduais e prefeituras municipais, alongamento de dívidas de empresas e edição de medida provisória para novo Refis, já foram disponibilizados R$ 769 bilhões. Após as mudanças aceitas pelo Planalto no texto com as mudanças na aposentadoria, a economia aos cofres públicos ficará em R$ 600 bilhões, e ao longo de 10 anos.

Nessa conta não estão incluídas as acelerações de liberações das emendas parlamentares, prática comum quando governos — qualquer um — se sentem acuados ou precisam acelerar votações de seu interesse no Legislativo.

A LONGO PRAZO – Nenhum desses cálculos tem impacto imediato. Os R$ 600 bilhões da Previdência, por exemplo, serão economizados em 10 anos. O alongamento das dívidas também tem um prazo dilatado, tanto para governadores, prefeitos, quanto para pessoas jurídicas e físicas.

“Como não tem apoio perante a opinião pública, o governo tenta buscar sustentação política com governadores e prefeitos, na esperança de que o Congresso o ajude a escapar de punições mais duras”, diz o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo. Ele lembra que é um jogo cruel, típico de sistemas concentrados. “Como a maior parte do dinheiro está concentrada na União, estados e municípios acabam ficando dependentes nesse jogo.”

Para o cientista político, a situação tende a se agravar porque não há certeza se a reforma da Previdência será aprovada. “A tendência é que só fique no texto final a definição de uma idade mínima para a aposentadoria. Talvez, menor do que a imaginada pela equipe econômica. Como o governo já aprovou uma limitação para os gastos, se não houver economia, os cortes recairão em programas sociais e em investimentos nas áreas de saúde e educação”, lamentou Melo.

MÁS PERSPECTIVAS – O analista político da XP Investimentos Richard Back reconhece que, a médio e longo prazos, as perspectivas não são boas. O país segue em posição de vulnerabidade, não conseguiu reverter a tendência de deficit nas contas. “Quando vamos conseguir voltar a fazer superavit? Além disso, esses auxílios não resolvem os problemas de estados e municípios. Eles precisam enquadrar seus gastos para voltar a crescer, não receber perdão e mais recursos”, completou o analista político.

O vice-líder do PMDB na Câmara Carlos Marún (PMDB-MS) tem uma visão distinta da emitida pelo analista de mercado. Marún assegura que ainda não se sentou à mesa, com uma calculadora, para medir o impacto das benesses concedidas pelo Planalto. “Mas não há como o país crescer com estados e municípios sufocados, sem recursos para investir”. O peemedebista reconhece que o cenário poderá ficar complicado, caso a Previdência não seja aprovada. “Essa crise gerada pela JBS atrasou nosso cronograma, nos atropelou muito. Está na hora de virarmos essa página para reconquistarmos votos perdidos”, defendeu.

CAIXAS DOS ESTADOS – O economista e especialista em contas públicas Raul Velloso minimizou a anúncio da liberação de R$ 50 bilhões do BNDES aos governadores no jantar do Alvorada, na última terça-feira. “Isso é para aliviar o caixa dos estados de negociações passadas e que até hoje o BNDES não conseguiu implementar. O que estão fazendo é cumprir o que já estava acertado”, resumiu.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem dito a interlocutores que não há impacto fiscal no resultado primário do governo federal. O órgão evitou comentar as medidas uma a uma, mas destacou que algumas delas, que poderiam ter algum reflexo, sequer passaram pela pasta, como é o caso da mudança na tabela do Imposto de Renda. E, em relação aos R$ 50 bilhões prometidos aos governadores no jantar do Alvorada, R$ 20 bilhões já fazem parte da renegociação e os R$ 30 bilhões restantes não têm garantias da União.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
No desespero para garantir 172 votos na Câmara e evitar ser afastado do governo por 120 dias, durante o processo no Supremo, Temer está abrindo as torneiras dos cofres públicos sem aval de Meirelles, que comanda a equipe econômica. É claro que isso não vai dar certo e os dois acabarão batendo de frente. (C.N.)

O Brasil pergunta a Janot e Joesley: cadê a metade que falta?

Resultado de imagem para joesley depondo na pf

Ao depor,  Joesley procura preservar Lula e Dilma

Augusto Nunes
Veja

O Supremo Tribunal Federal decidiu que o acordo entre Rodrigo Janot e Joesley Batista não precisa de revisão, que o ministro Edson Fachin seguirá cuidando da meia delação premiadíssima e que, ao menos por enquanto, continuam valendo os benefícios que condenaram à impunidade perpétua um esquartejador da verdade. Com a decisão o STF aparentemente buscou impedir que os advogados dos quadrilheiros passassem a contestar todas as revelações de quem aceitou colaborar com a Justiça. O problema é que essa obscenidade parida em Brasília pelo procurador-geral da República pode desmoralizar o instrumento jurídico que, utilizado com inteligência em Curitiba, ajudou a iluminar a face escura do Brasil.

O correto seria percorrer o caminho do meio. As vigarices expostas por Joesley imploram por investigações e, se for o caso, castigos exemplares. Se o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, por exemplo, fizeram o que parecem ter feito, merecem o purgatório onde penam traidores de milhões de profissionais da esperança. Mas a história das falcatruas da JBS não pode limitar-se à primeira parte.

E A ERA LULA? –  Joesley está obrigado a exumar a metade que falta. O país que presta quer saber quando o açougueiro predileto dos governos do PT abrirá o baú das bandalheiras que praticou com a cumplicidade ativa de Lula, Dilma e a chefia do BNDES. Que tal começar pela suspeitíssima reunião que juntou Joesley, Lula e Eduardo Cunha no Sábado de Aleluia de 2016.

Figurões do Judiciário, do Executivo, do Legislativo e do Ministério Público teimam em fechar os olhos ao Brasil que a Lava Jato despertou. (Refiro-me, insisto, à verdadeira Lava Jato, personificada por Sérgio Moro, não à caricatura liderada pelo procurador-geral que presenteia bandidos bilionários com o status de inimputável). Esse novo país exige o enquadramento de todos os delinquentes, mesmo suspeitando que a tribo dos homens públicos honrados caiba numa maloca. Com o sumiço dos velhacos hegemônicos, a espécie em extinção vai multiplicar-se rapidamente. É hora de começar tudo de novo.

Acredite se quiser: Otan e EUA incentivam a volta do neonazismo na Europa

Resultado de imagem para andriy parubiy svoboda

Oleh Tyahnybok é o líder do Partido neonazista

Manlio Dinucci
Rede Voltaire (Itália)

A Ucrânia, de fato já na Otan, quer agora entrar oficialmente na organização. O parlamento de Kíev, votou no dia 8 de junho por maioria (276 contra 25) uma emenda legislativa que torna prioritário esse objetivo. A sua admissão na Otan não seria um ato formal. A Rússia é acusada pela Otan de ter anexado ilegalmente a Crimeia e de conduzir ações militares contra a Ucrânia. Em consequência, se a Ucrânia entrasse oficialmente na Otan, os demais 29 membros da Aliança, com base no Artigo 5, deveriam “ajudar a parte atacada empreendendo ações julgadas necessárias, inclusive o uso da força armada”. Em outras palavras, deveriam declarar guerra à Rússia.

O “mérito” de ter introduzido na legislação ucraniana o objetivo de entrar na Otan é do presidente do Parlamento, Andriy Parubiy, um dos fundadores em 1991 do Partido Nacional-Social ucraniano, que segue o modelo do Partido Nacional-Socialista de Adolf Hitler.

CURRÍCULO NAZISTA – Parabiy é chefe das formações paramilitares neonazistas, usadas em 2014 no golpe da Praça Maidan, sob a direção dos EUA e da Otan, e no massacre de Odessa. É também chefe do Conselho de Defesa e Segurança Nacional, que, com o Batalhão Azov e outras unidades neonazistas, ataca os civis ucranianos de nacionalidade russa na parte oriental do país e efetua com esquadrões especiais espancamentos de militantes do Partido Comunista, devastando as suas sedes e queimando livros no perfeito estilo nazista, enquanto o mesmo Partido Comunista está para ser posto oficialmente na ilegalidade.

Este é Andriy Parubiy que, como presidente do Parlamento ucraniano (cargo que lhe foi conferido pelos seus méritos democráticos em abril de 2016), foi recebido em 5 de junho no Palácio Montecitorio pela presidenta da Câmara italiana, Laura Boldrini.

“A Itália – sublinhou Boldrini – sempre condenou a ação ilegal realizada há anos em uma parte do território ucraniano”. Assim, ela avalizou a versão da Otan segundo a qual a Rússia teria anexado ilegalmente a Crimeia, ignorando o fato de que a escolha dos russos da Crimeia de separar-se da Ucrânia e reingressar na Rússia foi tomada para impedir de ser atacada, como os russos do Donbass, pelos batalhões neonazistas e as demais forças de Kíev.

MEMORANDO – O cordial colóquio foi encerrado com a assinatura de um memorando de entendimento que “reforça ulteriormente a cooperação parlamentar entre as duas assembleias, tanto no plano político como no administrativo”. Reforça-se, assim, a cooperação entre a República italiana, nascida da Resistência contra o nazifascismo, e um regime que criou na Ucrânia uma situação análoga àquela que levou ao advento do fascismo nos anos 1920 e do nazismo nos anos 1930.

O batalhão Azov, cuja marca nazista é representada pelo emblema decalcado do símbolo das SS do Reich, e incorporado na Guarda nacional, foi transformado em unidade militar regular e promovido ao status de regimento de operações especiais. Foi, assim, dotado de veículos blindados e peças de artilharia. Com outras formações neonazistas transformadas em unidades regulares, é treinado por instrutores estadunidenses da 173ª divisão aerotransportada, tranferidos de Vicenza (Itália) para a Ucrânia, ao lado de outros instrutores da Otan.

A Ucrânia é assim transformada em “berço” do renascido nazismo no coração da Europa. Para Kíev confluem neonazistas de toda a Europa, inclusive da Itália. Depois de treinados e postos à prova em ações militares contra os russos da Ucrânia no Donbass, regressam aos seus países. Doravante, a Otan vai rejuvenescer as fileiras da Gládio.
(artigo enviado pelo jornalista Sergio Caldieri)

Vergonha de ser brasileiro atinge recorde de 47%, revela Datafolha

Manifestantes fazem protesto contra a corrupção e a favor da lava jato em frente ao Congresso nacional. Eles pedem o fim do foro privilegiado e não a lista fechada nas eleições. Em 26.mar.2017

Corrupção é a maior preocupação dos brasileiros

Thais Bilenky
Folha

A crise política e econômica instalada no país contaminou a autoestima dos brasileiros. A vergonha de sua nacionalidade acometeu 47% da população, maior índice registrado pelo Datafolha desde o início da série histórica, em março de 2000. De acordo com a pesquisa, 50% dos eleitores hoje sentem mais orgulho do que vergonha de serem brasileiros. Houve uma queda brusca: em dezembro do ano passado, a taxa era de 69% e, em abril, 63%. Nesse intervalo, 28% tinham mais vergonha que orgulho em dezembro, e 34% em abril.

A pesquisa mostra que a corrupção, após mais de três anos de Operação Lava Jato, tornou-se a principal preocupação dos brasileiros. Esse problema foi citado espontaneamente por 23% dos adultos quando perguntados qual é a primeira coisa que vem à mente quando se pensa em Brasil. Vergonha e desgosto aparecem em seguida, com 14%.

EM DISPARADA – A imagem negativa do país disparou. Em 2010, 54% dos brasileiros citaram aspectos negativos quando perguntados sobre o país. Corrupção à época respondia por 4% das menções. Hoje, 81% das respostas abrangeram aspectos negativos e corrupção, 23%.

A pesquisa, realizada entre 21 e 23 de junho, com 2.771 entrevistados com 16 anos ou mais, em 194 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Apesar dos fortes laços de amizade, Gilmar Mendes vai relatar inquérito de Aécio

Resultado de imagem para gilmar e aecio

Charge de Ivan Cabral (ivancabral.com)

Rafael Moraes Moura
Estadão

Um dos inquéritos instaurados no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) com base na delação da Odebrecht foi redistribuído nesta sexta-feira, 23, e ficará sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes após sorteio eletrônico. O caso diz respeito à acusação de que o então senador recebeu em 2014 valores indevidos pelo grupo Odebrecht para a sua campanha eleitoral.

De acordo com delatores, os pagamentos teriam sido feitos de forma dissimulada por meio de contratos fictícios firmados com a empresa PVR Propaganda e Marketing Ltda. O tucano nega as acusações.

FORA DA LAVA JATO – Ao determinar a redistribuição do inquérito, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, concordou com o argumento do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que a investigação não está diretamente relacionada à Operação Lava Jato, de relatoria do ministro Edson Fachin.

“Na espécie vertente, como exposto pelo Procurador-Geral da República, em exposição acolhida pelo relator, ministro Edson Fachin, inexiste conexão entre os fatos narrados no presente inquérito e aqueles relacionados à denominada Operação Lava Jato”, escreveu Cármen Lúcia em decisão desta sexta.

“Pelo exposto, acolho a manifestação do Procurador-Geral da República e determino a livre redistribuição deste inquérito, resguardada a natureza do procedimento, incluídas ao resguardo do grau de publicidade, ou não, a ele imposto até o momento, até decisão do novo relator a quem caberá decidir as questões arguidas no presente processo”, afirmou a presidente do STF.

AÉCIO E ANASTASIA – Janot também tinha pedido a redistribuição de um outro inquérito instaurado contra Aécio com base na delação da Odebrecht, que trata do pagamento de vantagens indevidas para a campanha eleitoral de Antonio Anastasia (PSDB-MG) ao governo de Minas Gerais em 2010. Delatores afirmaram que, a pedido de Aécio, pagaram R$ 5,4 milhões em “vantagens indevidas” para a campanha de Anastasia.

O procurador-geral da República ainda solicitou a prorrogação em 60 dias do prazo de conclusão das investigações nos dois casos. Até a publicação deste texto, esse segundo inquérito ainda não tinha sido redistribuído.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como é público e notório em Brasília, o ministro Gilmar Mendes mantém uma forte amizade com Aécio Neves, desde os tempos em que era chefe da Advocacia-Geral da União, no governo FHC. Mesmo assim, Gilmar Mendes vai desconhecer o que determina a legislação (Código de Processo Civil e Lei Orgânica da Magistratura) e não recusará a relatoria por suspeição ou impedimento. (C.N.)

Como dizia Ibrahim Sued, o almoço da Tribuna da Internet foi um “su”

Antonio Rocha

Na última quinta-feira, dia 22/06/17, tive a felicidade de almoçar com velhos amigos que eu não conhecia… coisas da web. Não os conhecia pessoalmente. Mas acompanho ao longo de alguns anos seus textos, pensamentos, reflexões, comentários, dicas e, às vezes, alguns impropérios que ninguém é de ferro. Mas ainda bem que nosso editor Carlos Newton está aí para, como antigamente se falava: “chegar com a turma do deixa disso”. Então, até entendem mal pensando que é censura… Digamos, é um autocontrole em prol do bem comum.

Mas, se nem Jesus agradou todo mundo, é claro que o CN não vai agradar também a todos (as). O encontro foi no restaurante da Estação dos Bondinhos de Santa Teresa, um self service onde fizemos selfies.

ESTATÍSTICAS – Munido de um “laptop”, Carlos Newton nos mostrou algumas estatísticas do site americano Histats.com que, vez por outra, ele comenta no blog, lá naquela parte da “Nota do Editor”. No último dia 9, por exemplo, a TI foi lida em 81 países, teve mais de 100 mil acessos diretos e assim vai se caracterizando como um ótimo veículo de comunicação, que democraticamente abrange todas as áreas e acolhe todas as correntes ideológicas, embora isso pareça impossível.

A repercussão é intensa e as chamadas grandes mídias às vezes se inspiram nos artigos “tribunianos”… E a recíproca também é verdadeira. Transcrevemos links dos jornalões, revistões e saitões (aumentativo de site/sáite) e assim vamos, salutarmente, alimentando leituras, notícias e informações em geral.

Ficamos até às 16 horas, quando o restaurante já estava fechando e CN foi levar o Antonio Carlos Fallavena, meu xará, no Aeroporto Santos Dumont. Obrigado, Fallavena pela oportunidade de nos conhecermos pessoalmente, nos abraçarmos e conhecer um pouco do seu trabalho que falarei mais adiante.

ABRAÇO NO BENDL – Chico Bendl não veio, mas enviou via Fallavena uma carta muito bonita para os amigos. Tive a honra de conhecer a primeira-dama da TI, a jornalista Jussara Martins, respeitosamente digo: minha irmã de Fé no Budismo Nichiren.

Estavam ainda presentes o grande jornalista Pedro do Coutto que, há décadas eu acompanhava na antiga Rádio Jornal do Brasil AM. Quando o poeta Paulo Peres chegou foi uma alegria geral, com a sua aura de sabedoria musical e poética. Veio com a esposa Cristina, uma pessoa encantadora.

O atleta Darcy Leite, auditor da Receita, veio a pé da Urca, a 15 km de distância, caminhando e indicando a todos a importância dos bons passos. De Brasília veio o Jorge Mello, auditor do Senado, que nos contou sobre os bastidores da política. Também estava conosco o jornalista Lucas Alvares, que no dia seguinte ia participar de um debate com Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES.

PRIMEIRO DA SÉRIE – Foi um memorável encontro, o primeiro de uma série, visto que, no próximo, Bendl já se prontificou a estar presente. Estamos em orações pela rápida recuperação  do Chicão e pela saúde de todos nós.

Os tribunários ganharam o livro “Círculo de Pais e Mestres – da Teoria à Prática”, do Antonio Fallavena. E também uma bolsa e uma minibolsa com o timbre das instituições presididas por ele www.celacbrasil.com.br e www.cepacbrasil.com.br

Na saída, estiquei – como diziam os antigos colunistas sociais – até o Sinpro – RJ, Sindicato dos Professores, 85 anos de lutas em prol do Magistério. E, entre outras, lá contei que, graças a carteirinha de associado, quando estive na Espanha, ao apresentá-la, era muito bem recebido e ainda obtinha descontos vários. E vamos em frente.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão consegui colar a foto. Vou aguardar o Fallavena mandar as fotos dele, para publicar aqui, sem dar novo vexame. (C.N.)

Ministro vai afastar o diretor da Polícia Federal para “reorganizar” a instituição

Resultado de imagem para torquatojardim charges

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Wálter Nunes e Mario Cesar Carvalho
Folha

Em reunião de 15 minutos com sindicalistas nesta quinta (22), o ministro da Justiça, Torquato Jardim, anunciou que fazem parte de seus planos promover duas mudanças na Polícia Federal: trocar o diretor-geral, que é uma espécie de fiador da Lava Jato, e colocar em outro órgão os funcionários que cuidam de funções que não têm relação com a atividade policial, como emissão de passaportes e controle de estrangeiros.

A saída do diretor geral, Leandro Daiello, é vista por seus pares como uma tentativa de interferir na investigação, o que o ministro nega. Um dos nomes cotados para assumir o cargo ocupa o segundo posto na hierarquia da PF, o delegado Rogério Galloro, apontado por seus pares como um policial de perfil mais político.

ETCHEGOYEN E PADILHA – A indicação de Galloro para o cargo foi feita pelo general Sérgio Etchegoyen, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República), segundo a Folha apurou. O general foi o responsável pela indicação do ministro da Justiça e do diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

Etchegoyen e o ministro Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil de Temer, são apontados como os principais articuladores da mudança na direção da PF.

Galloro assumiu a segunda posição na hierarquia da PF em junho de 2013 e tem pouca experiência com investigações. Antes foi adido da PF nos Estados Unidos, chefiou a diretoria de logística (2009-2011) e foi superintendente em Goiás (2007-2009).

MUDANÇAS – O anúncio das possíveis mudanças na PF foi feito em encontro realizado entre o ministro da Justiça e o presidente da Fenadepol (Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), Sandro Avelar, além de outros três sindicalistas da federação e o diretor regional da ADPF (Associação dos Delegados da Polícia Federal) em Brasília, Luciano Leiro.

A reunião havia sido marcada para discutir a reforma da Previdência. A manifestação do ministro sobre mudanças na PF causou surpresa aos sindicalistas. Ele disse que não estava preocupado com a troca do diretor-geral.

“Ao invés de aumentar os quadros, que estão aquém do ideal, o ministro quer tirar atribuições da Polícia Federal. Isso num momento como esse é complicado”, diz o delegado Sandro Avelar, presidente da Fenadepol.

FALTA DE PESSOAL – Hoje a PF tem cerca de 11 mil funcionários, entre delegados, agentes e escrivães. Os sindicatos calculam que seria necessário um quadro de 15 mil servidores para dar conta das atribuições da PF.

A separação das atividades de polícia administrativa é criticada por sindicatos porque eles consideram que essas áreas controlam informações estratégicas.

Desde o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), ministros tentam retirar funções da PF, sem sucesso.

CONVERSA INFORMAL – À Folha, a assessoria do ministro disse que tem ótima relação com o diretor-geral da PF, mas não sabe se irá substituí-lo. Ele negou que haja planos de reestruturar a PF. Segundo Jardim, o tema foi tratado de maneira informal na conversa.

O general Etchgoyen nega que tenha feito indicações para substituir o diretor da PF.

O diretor-geral da PF disse em nota de sua assessoria que “é favorável a todo projeto que tenha como objetivo especializar o trabalho de inteligência e investigação já desenvolvido pelo órgão, e que representa a sua principal atribuição constitucional de polícia judiciária da União”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– É impressionante o efeito que o poder exerce sobre as pessoas. Torquato Jardim construiu uma sólida biografia de advogado e professor universitário, foi nomeado ministro do TSE, depois voltou a advogar, e agora joga todo esse prestígio na lata do lixo, ao tentar preservar um grupo de pilantras que chegou ao Planalto por obra do destino e das armações políticas. Somente Freud poderia explicar essa decepcionante postura de Torquato Jardim. (C.N.)