Troca de farpas e provocações marcam o debate entre Witzel e Paes

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Witzel abandonou a carreira de juiz para ser candidato

Lucas Altino e Stéfano Salles
O Globo

No primeiro debate entre candidatos ao governo do Rio no segundo turno, promovido pela Firjan e Rede Bandeirantes, Eduardo Paes (DE ) e Wilson Witzel (PSC), como era de se esperar, protagonizaram um encontro com muitas trocas de farpas. Durante o início da semana, Paes subiu o tom nas críticas contra o adversário, e o ex-juiz federal ameaçou dar voz de prisão em caso de injúria. Na primeira pergunta livre, Paes disse que Witzel “amarelou” ao deixar o Espírito Santo diante de uma ameaça de morte. Eles voltam a se enfrentar no dia 18, na Band.

SEGURANÇA – O primeiro bloco do debate serviu para os candidatos responderem a questões formuladas pela produção. Os temas foram segurança e finanças públicas. Witzel citou sucateamento da Polícia Civil e aumento do roubos de carga. Para ele, o policiamento foi fragmentado entre efetivo de UPP e dos batalhões, o que precisaria ser reintegrado.

– Tem que investigar lavagem de dinheiro e receptador. Junto com a Prefeitura, vou cassar alvará, e se possível colocar rastreadores nas cargas mais vulneráveis – disse o ex-juiz.

Já Paes disse que é necessário investir em inteligência e falou que vai pedir para o próximo presidente manter as Forças Armadas no Rio. Porém, ele afirmou que será o comandante da Secretaria de Segurança. Sobre o regime de recuperação fiscal, houve divergências. Witzel fez críticas, e Paes contemporizou. Mas eles concordaram na necessidade de se negociar com a União.

NÃO ERA IDEAL – “O acordo de recuperação fiscal não era o ideal, mas era o possível naquele momento. Mas o próximo governador vai ter que ter capacidade política para negociar. Eu reduzi 85% da dívida da prefeitura com a União. Servidor, vamos tratar com respeito. Questão é receita. Como prefeito, não aumentei imposto e tripliquei receita. Precisa rever isenção, se tem gente usando sem contrapartida. Tem que ter experiência de gestão, sei fazer isso.

Na terceira rodada de perguntas, quando os candidatos puderam indagar um ao outro, Paes questionou Witzel sobre o fato de ter deixado a Vara Federal Criminal do Espírito Santo, quando pediu para ser transferido para uma Vara de Execução Fiscal. O ex-prefeito do Rio questionou o fato de o adversário dizer que vai enfrentar a criminalidade e disse que ele “amarelou” no enfrentamento feito no estado vizinho.

– Em entrevista ao G1, de 2011, você disse que eles venceram e pediu para sair. Deu uma amarelada. Como a população pode acreditar em alguém que pediu para sair? – questionou Paes.

FAMÍLIA GRANDE – Durante a resposta, Witzel lembrou sua carreira como fuzileiro naval e disse não ter medo. Disse ainda ter sido ameaçado de morte no Rio e no Espírito Santo. O candidato ressaltou que, na vara do estado capixaba, não havia segurança suficiente para sua família, que é grande.

– Você não deve me conhecer. Eu estive com fuzil na mão como fuzileiro, perto de morrer. Não tenho medo. A matéria foi maldosa. Eu fazia mestrado em direito processual civil e pedi para ser transferido para uma Vara de Execução Fiscal no Espírito Santo. Não abandonei, e na Vara de Execução Fiscal também se enfrenta o crime organizado. Jamais fui intimidado – afirmou Witzel.

Na resposta, o candidato ao PSC disse ainda que Eduardo Paes foi embora para Nova York depois do mandato, insinuando que o adversário fugiu do Rio. Paes obteve direito de resposta, e lembrou que, neste período, foi trabalhar para o Banco Interamericano de Desenvolvimento, como vice-presidente do órgão para a América Latina.

POLÊMICA – Paes e Witzel divergiram sobre as propostas de segurança. Witzel defende o “abate” de criminosos encontrados com fuzil, mesmo fora de circunstâncias de combate. Paes ironizou a medida e minimizou a relação do adversário com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

– Uma coisa é falar, outra é fazer. A situação do Rio é ainda mais grave que a do Espírito Santo. Não vou usar a expressão que o candidato Romário usou no primeiro turno. Bolsonaro tem credibilidade para falar isso, porque fala há muito tempo. O senhor, não. O conheceu ontem. Não adianta falar que vai usar baioneta ou bazuca para resolver – afirmou Paes.

A frase sobre Romário era uma alusão ao debate em que o senador do Podemos chamou o ex-magistrado de “frouxo” durante o debate da TV Globo, no primeiro turno.

DESEQUILÍBRIO – “Seu jeito de falar demonstra seu desequilíbrio. Quando eu disse que abateria quem estava de fuzil, fui proibido de entrar em várias comunidades. Eu não vou em comunidade pedir voto para bandido” – disse Witzel. Paes voltou a citar a existência de uma relação entre o advogado que facilitou a fuga de Nem, da Rocinha e o ex-juiz, que retrucou:

– O (advogado Luiz Carlos Cavalcanti) Azenha é um ex-aluno meu, eu tenho mais de cinco mil alunos – explicou.

Witzel e Paes disputam a atenção do eleitorado fluminense em evento organizado pelo Grupo Bandeirantes e pela Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan). Nas estratégias de campanha , enquanto Witzel tenta vincular-se à família Bolsonaro, Paes aposta em sua experiência administrativa.

PROVOCAÇÕES –  Durante o debate, Paes era o candidato que elevava mais o tom das críticas. Mas Witzel também foi voz ativa nas provocações. A de o fazer uma pergunta sobre previdência, ele acusou o adversário de ter deixado déficit previdenciário na prefeitura, e disse que já tem escolhido um presidente para o Rio Previdência: Sergio Aureliano. Paes respondeu.

– Nunca atrasei pagamento nenhum, só perguntar para o servidor. Para de acreditar no Crivella.

Depois, Witzel disse que as PPPs do Porto Maravilha e do VLT seriam “cases de insucesso”. Para o candidato do PSC, o fundamental para realizar PPP é retomar a credibilidade.

PORTO MARAVILHA – Paes disse que o Porto Maravilha e o VLT são projetos bem-sucedidos e aproveitou para alfinetar o adversário.

– O candidato cometeu diversas injúrias, mas não vou dar voz de prisão, fique tranquilo. Não sou autoritário e nem frouxo – provocou, recebendo aplausos do público.

Paes lembrou que teve a candidatura deferida e ressaltou que não há qualquer acusação que pese sobre sua pessoa. Witzel então pediu direito de resposta e afirmou que o rival não tem o direito de chamá-lo de autoritário.

Para Meirelles, programa de Haddad é recessivo e o de Bolsonaro é confuso

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Meirelles não entendeu o programa de Bolsonaro

Joana Cunha
Folha

O programa de governo de Fernando Haddad (PT) para a economia é voltar à recessão, enquanto o de Jair Bolsonaro (PSL) é incompreensível, segundo a opinião de Henrique Meirelles, candidato do MDB à Presidência derrotado no domingo (dia 7). Após obter só 1,20% dos votos, ele afirma que não apoiará nenhum dos candidatos no segundo turno enquanto suas propostas econômicas permanecerem como estão. Meirelles, 73 anos, que foi convidado para ser presidente do Banco Central na gestão Lula e ministro da Fazenda de Michel Temer, também não aceitará participar de governos cujas ideias não estejam em linha com as suas.

Quem é o culpado pela polarização desta eleição entre Haddad e Bolsonaro, que prejudicou a votação de todos os outros candidatos, inclusive o sr.?
Há uma série de fatores. Teve a crise econômica, que levou à maior recessão da história e deixou as pessoas com uma visão muito negativa da realidade. Saímos da recessão na minha gestão no ministério da Fazenda, mas não houve tempo para a população perceber, então continuou aquela sensação e logo vieram as incertezas eleitorais. Quando eu estive no Banco Central por oito anos, houve um tempo para que a economia melhorasse e as pessoas percebessem o bem-estar. Outro fator é o descrédito com a classe política por toda a revelação de recursos desviados. A Lava Jato fez um belo trabalho mas deixou a indignação. Isso já tinha se manifestado nos protestos de 2013, quando o detonador foi o preço de passagem de ônibus, mas na realidade expressava um problema difuso da sociedade. Nesse clima, nós entramos em uma eleição tendo um candidato de direita e um de esquerda com seus componentes que levaram à passionalidade. De um lado, o esfaqueamento do Bolsonaro e de outro, a prisão do Lula. A conjunção desses fatores causou a polarização que, principalmente no fim da campanha, levou as pessoas a deixarem de votar no candidato que achavam o melhor. Aí nós tivemos esse resultado e estamos vivendo o segundo turno nesse clima.

Quando o mercado reage bem à escalada de Bolsonaro nas pesquisas, ele alimenta a polarização?
O mercado  não é um ente político. É uma definição de preços por pessoas que estão comprando e vendendo títulos.

Mas ele funciona como um componente da eleição? O nome do sr., por exemplo, se tivesse crescido no início da campanha, poderia ter agradado e trazido confiança ao mercado?
Certamente. É verdade, existe esse componente. O mercado é formado por pessoas que compram e vendem títulos em função do que acham que vai subir de preço. Tem um efeito político, mas a motivação inicial é a da formação de preço. Se o mercado se preocupa com um lado, favorece o outro.

O mercado já escolheu Bolsonaro. Ainda dá tempo de Haddad ajustar o programa de governo e fazer  aceno como fez Lula em 2002 com a carta ao povo brasileiro?
Sim, desde que viesse a fazer isso. Em 2002, Lula fez a carta aos brasileiros em maio. Não sei o que o PT vai fazer. Não estou participando das reuniões do PT, assim como não estou participando das do Bolsonaro. Vamos aguardar.

O sr. já criticou os programas dos dois candidatos. O que mais incomoda em cada um?
O grande problema do programa do PT é se propor a desfazer exatamente aquilo que permitiu que a economia brasileira se recuperasse da crise. Ele reforça aquela linha de ação que levou à crise, ou seja, resgata o que foi feito pela Dilma. É um caminho que claramente leva a uma recessão. Ele propõe, e isso é só um exemplo, eliminar o teto de gastos, que foi fundamental para resgatar a confiança. A dívida pública estava insustentável, e as despesas, crescendo. Então nós colocamos um teto para dar uma sinalização clara, colocar um limite, mudando a maneira até de funcionamento do Congresso, em que cada parlamentar tinha um projeto para apresentar, que custava recursos, e ele passou a ter que definir prioridades. Foi uma mudança fundamental na discussão orçamentária do Brasil. O que o PT propõe é voltar para trás. É gastar o que desejam os congressistas e o executivo. E isso leva ao aumento de juros, da inflação e do risco.

E o programa de Bolsonaro?
Ele nunca colocou com clareza o programa econômico dele. Anunciou um assessor econômico [Paulo Guedes] que tem dito algumas coisas que ele mesmo tem contrariado. Ele desmentiu e depois prestigiou o assessor.  Mas eu não sei o que vai prevalecer no governo de Bolsonaro.

Ele já andou anunciando nomes da equipe. O que o sr. achou?
São nomes ventilados. Não significa que fulano de tal foi convidado e aceitou fazer parte do governo.

O sr. aceitaria um convite para atuar em um governo de Haddad ou Bolsonaro?
Primeiro, eu preciso saber qual é a proposta. Estou trabalhando aqui sobre hipóteses. Eu entendo que uma série de coisas são fundamentais para o país. Eu precisaria saber, e a população também, se eles se propõem a fazer aquilo que eu acho fundamental para o país. Eu tenho uma série de propostas objetivas que já apresentei. Temos que discutir exatamente isso, e a partir daí, eu poderei tomar uma decisão. Antes disso, é meramente especulação.

Para aceitar, seria necessário que o sr. tivesse uma carta branca, como exigiu na época em que Lula, tentou levar seu nome para o governo de Dilma?
Eu não usei exatamente essa expressão “carta branca”. Naquela época, eu tinha propostas objetivas que eram diferentes do que ela estava fazendo, como por exemplo, o controle da inflação. E ela tinha uma prioridade de baixar juros. Enquanto eu propunha o limite dos gastos públicos, ela tinha uma proposta, e uma ação, para aumentar os gastos públicos. Nós tínhamos divergências fundamentais. Naquele momento, o Lula falou comigo, então eu coloquei o seguinte: naquela linha de ação, eu disse achava difícil. Ela tinha uma outra visão e eu não achei o projeto viável. Eu não estava disposto a aceitar a visão dela. Ainda bem, porque deu errado. E ela não estava disposta a mudar, infelizmente para o Brasil. Posteriormente, ela voltou a me convidar, já no final de 2015, mas aí eu achei que já era tarde demais.

Então, considerando o programa de governo que o Haddad ainda tem hoje, seria o mesmo cenário?
Sim. Dentro deste programa não adianta.  Eles vão sinalizar uma mudança? Não sei. Para ter uma proposta econômica que viabilize o crescimento do país, eu acho que teria que ser um programa diferente.

Há quem diga que esse nacionalismo que o Bolsonaro demonstra poderia afastar investidor estrangeiro. O sr. concorda?
Não há dúvida. A questão é que precisamos entender o que o Bolsonaro vai fazer. Existe uma diferença entre o que o assessor dele diz e o que ele votou em toda a vida política dele como parlamentar. Ele votou em muitos projetos apoiados pelo PT, mas agora ele tem uma proposta liberal, que é a proposta da assessoria dele. O que vai ser de fato o governo Bolsonaro? Isso é relevante: não há o que discutir em termos concretos.

A promessa da candidatura de Bolsonaro de zerar o deficit primário em um ano é vazia?
Totalmente irrealista. Tem que cortar abruptamente quase R$ 200 bilhões em despesas, ou vai ter um choque de aumento de imposto que vai paralisar o país. Como vai fazer isso em curto prazo? Tem outros problemas, como esse de privatizar. Vai entregar o Banco do Brasil para uma grande instituição financeira internacional? Ou vai entregar para um dos dois grandes bancos brasileiros privados e provocar uma concentração maior no sistema bancário brasileiro? E onde é que tem capital para isso? Ou venderia no mercado de capitais brasileiro? Existe recurso suficiente para absorver essas grandes estatais todas em curto prazo? Há uma série de coisas que são bonitas de falar mas poucos factíveis.  Já estamos na reta final. O presidente que assumir terá de fazer as coisas.

E qual é o caminho?
Há três ações fundamentais. A primeira é assegurar o crescimento sustentável nos próximos anos sem voo de pato, ou seja, sem crescer e entrar em crise. Para isso, precisa assegurar o equilíbrio fiscal, e com teto de gastos obedecido e viável. A longo prazo podemos nos estabilizar na faixa de 2% a 2,5% de crescimento simplesmente com equilíbrio fiscal. A curto prazo, o Brasil pode crescer até mais porque tem muita capacidade ociosa na economia. É uma taxa positiva, porém, não suficiente para resolver todo o problema de emprego no Brasil. Para crescer mais, nós precisamos fazer as reformas para aumentar a produtividade, como a reforma tributária e toda a agenda da burocracia no Brasil. Eu já anunciei 15 propostas. A maior parte já foi para o Congresso, uma ou outra ainda está em elaboração, como a tributária. O terceiro ponto é infraestrutura. Mesmo para a infraestrutura, temos que atrair a maior quantidade possível de capital nacional, mas ainda assim, possivelmente, não será suficiente. Temos que trazer investidores internacionais. Com esses três pontos, o país pode crescer de forma sustentável nas próximas décadas, até acima de 3%. Em algum momento, pode crescer a 4%, como já crescemos no período em que eu fui presidente do Banco Central, de 2003 a 2010.

O sr., que defende tanto o teto de gastos, o que sente ao ver um candidato que tem chance de chegar à Presidência falando em derrubar isso?
Significa que ele está propondo trazer a recessão de volta. E trazer o baixo crescimento, que é a situação que temos vivido nos últimos anos. Essa proposta não é nova, ela já foi apresentada em 2010 e 2011, foi aplicada. Não é algo desconhecido, uma esperança que ainda não foi aplicada no Brasil. Ela já fracassou e trouxe a maior recessão da história. É uma sensação de volta ao passado recente.

Me lembro de ter visto o sr. em uma agenda de campanha na periferia de São Paulo, em que o sr. viu esgoto a céu aberto e disse que era “chocante”. O sr. deve ter saído modificado da campanha. Esse tipo de experiência falta aos currículos de presidentes do Banco Central e ministros da Fazenda?
Eu já tinha tido uma experiência nesse sentido quando venci a eleição para deputado federal [em 2002]. Tive oportunidade de vivenciar isso na época, e de fato me foi muito útil no Banco Central porque eu pude entender carências básicas. É fundamental para um presidente do país entender que não se pode deixar levar apenas pela crise do momento, que é grave mas não é a única.  Por isso o esgoto é importante. Aquele foi chocante porque está em São Paulo, no centro industrial financeiro e comercial. E as pessoas vivem em condições medievais. O contraste é chocante. Eu fiz uma campanha que foi bem avaliada até pelos adversários. E a população ficou com uma imagem do que pode ser feito pelo Brasil.

Que retorno o sr. tem recebido disso?
Dia e noite, tenho recebido mensagens de pessoas dizendo que agora minha voz é importante. Vou continuar levando essa mensagem do que é necessário ao Brasil, que é competência e recursos para investir.  Precisamos cobrar quem for eleito. Esse fica sendo o meu papel.

O senhor disse outro dia que tem gente que critica a sua iniciativa de ter investido mais de R$ 50 milhões em campanha e que essas pessoas dizem que ou há uma intenção desconhecida ou o sr. é otário. Como responde a esse tipo de crítica?
Para mim foi bem gasto. Pela mensagem que eu levei aos brasileiros de que é necessário que os governantes cuidem dos recursos públicos como cada um cuida do recurso da sua casa. Foi uma mensagem de responsabilidade e competência.  Essa era a finalidade. Eu saí [das urnas] com o percentual muito baixo porque nunca fui candidato e também porque não fiz propostas populistas, desviando a atenção, dando piruetas. Eu disse na minha campanha: posso não ganhar o seu voto mas vou ganhar o seu respeito. Eu julgava que precisava retribuir ao povo brasileiro tudo que o país me proporcionou com educação pública, do ensino fundamental ao mestrado na UFRJ, e que me fez chegar à presidência de uma grande instituição internacional. Eu pude retribuir isso com prestação de serviço, quando fui presidente do Banco Central e agora fazendo essa campanha. Fiz a campanha eleitoral mais transparente e entreguei minha mensagem. Estou em paz e agora posso usar todo esse patrimônio de imagem e reconhecimento que obtive com uma nova campanha para contribuir para o país.

Pretende se candidatar novamente para algum cargo?
O que tenho claro é que vou fazer isto que já eu estou fazendo. Vou continuar defendendo as propostas para o Brasil, e em um passo seguinte vou transformar isto em algo mais permanente, criando um canal de comunicação com mídia digital e mantendo também a minha presença na mídia. É onde eu pretendo defender essas ideias e depois especificar mais os temas, como na questão do saneamento. Este é o projeto mais imediato que eu já tenho e vai me ocupar muito. Hoje eu já conversei com voluntários que querem participar produzindo conteúdo para diversas áreas neste canal digital.

O sr. vai apoiar um dos dois candidatos?
Em primeiro lugar, eu preciso de uma sinalização clara do que os candidatos vão fazer de fato. Não é só falatório e sinalização. Após saber disso, seria uma consequência. Eu não apoio um candidato. Apoio uma agenda.

Considerando que o sr. avalia que nada está claro, enquanto houver proposta vazia dos dois candidatos, Henrique Meirelles não apoia ninguém?
Exatamente.  Quando existir uma proposta, terei absoluta disposição de apoiar a agenda que já estou apoiando, que é a agenda do Brasil, para melhorar o padrão de vida dos brasileiros. Dou apoio para isso, antes ou depois da eleição.

Isso é independente do partido?
Independente.

O candidato do MDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, anunciou apoio a Bolsonaro enquanto o sr. ainda estava na corrida. Isso sinalizou falta de compromisso no partido. Todo mundo sabe que a impopularidade do MDB, partido que o sr. escolheu para concorrer, pode ter sido responsável por parte de seu fraco resultado. Isso seria levado em consideração em uma possível próxima candidatura do sr.?
Vamos levar tudo em consideração. Não tenha dúvida. Sobre Skaf, ele colocou isso em uma hipótese e me apoiou até o fim. É passado. Sobre o partido, O MDB não é um partido, digamos, como esses partidos ideológicos como o Novo e o PSOL, que são partidos pequenos e com ideologia muito definida, independentemente de serem ou não de extremos. O MDB é um partido que surgiu há 50 anos e está presente no Brasil inteiro, tem milhares de pessoas eleitas como prefeitos, vereadores, deputados. É um partido que tem uma grande diversidade de opiniões. Eu sempre disse que convivia muito bem com a diversidade de opiniões no MDB. As últimas convenções do MDB historicamente têm sido muito divididas. Mas eu tive uma vitória arrasadora, de 85% da convenção. Mesmo assim, houve votos divergentes, e mesmo durante a campanha.

Entre mulher e criança, a beleza da Rosa que encantou Gonçalves Dias

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Site Poemas & Canções
 

O advogado, jornalista, etnógrafo, teatrólogo poeta romântico maranhense Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), no poema “A Minha Rosa”,  retrata a beleza entre menina e mulher e entre mulher e anjo. Foi um grande pesquisador das línguas indígenas e do folclore brasileiro. Por seus poemas nacionalistas e patrióticos passou a ser conhecido como “o poeta nacional do Brasil”.

A MINHA ROSA
Gonçalves Dias

A mim! foi a mim que o ouviste?
Eu! — chamá-la minha rosa!…
De certo que é bem formosa,
Entre criança e mulher!
Se a vejo tão jovem inda,
Tão simples, tão meiga e linda,
Da vida no rosicler.

Podia chamá-la — rosa,
De musgo ou de Alexandria,
Rosa de amor, de poesia,
Mais lhe não dava que o seu;
Porque se essa flor mimosa
Já chegaste ao teu retrato,
Havias ver como a rosa
De repente esmoreceu!

Porém teu amor, querida,
Teu amor que é minha vida,
Que é meu cismar, que é só meu;
Esse que te faz formosa
Entre todas as mulheres,
Onde achá-lo?! — Minha rosa…
Minha és tu!… como sou teu.

Não nego que é meiga e linda,
Entre mulher e criança,
Tão jovem, tão meiga, e ainda
Da vida no rosicler;
Mas tu vales mais do que ela,
Não conheces bem teu preço,
Acho-te muito mais bela,

“Dispensamos voto de quem pratica atos de violência”, afirma Bolsonaro

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Candidato lamenta agressões ao pessoal do #EleNão

Jussara Soares
O Globo

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou sobre a onda de violência causada por desavenças políticas no país. O presidenciável escreveu em suas redes sociais, na noite desta quarta-feira, que dispensa o “voto de quem prática violência” contra eleitores que não o apoiam.  Este é o  posicionamento mais contundente de Bolsonaro contra as agressões.

“Dispensamos o voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim. A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar”.

NAZISMO – Poucos minutos após a primeira mensagem, Bolsonaro escreveu que existe um movimento para ligar a campanha dele ao Nazismo.

“Há também um movimento orquestrado forjando agressões para prejudicar nossa campanha nos ligando ao Nazismo, que, assim como o Comunismo, repudiamos completamente. Trata-se de mais uma das tantas mentiras que espalham ao meu respeito. Admiramos e respeitamos Israel e seu povo.”

Antes de o presidenciável escrever no Twitter, o PSL, partido de Bolsonaro, divulgou uma nota curta sobre o assunto: “O PSL sofreu e repudia toda e qualquer forma de violência. O respeito é a base para uma democracia justa e tolerante.”

CASOS DE VIOLÊNCIA – Desde a votação do primeiro turno, no domingo, têm sido registrados casos de violência atribuídos a eleitores do capitão do exército. Em Salvador, um mestre capoeirista foi morto com 12 facadas após revelar que havia votado no PT. Em Recife, uma jornalista registrou um boletim de ocorrência contra eleitores de Bolsonaro por agressão e tentativa de estupro. Em Porto Alegre, uma mulher teve o corpo marcado por uma suástica. A violência teria ocorrido por ela usar uma camiseta escrita #EleNão.

Em conversa com a imprensa na noite de terça-feira, Bolsonaro, ao ser questionado sobre os episódios de violência, disse que não “tem como controla a militância” e perguntou: “o que eu tenho com isso?

‘”Essa pergunta não tem que ser invertida? Quem levou a facada fui eu. Agora um cara com uma camisa minha comete lá um excesso, o que eu tenho com isso? Peço ao pessoal que não pratique isso, mas não tenho controle. São milhões e milhões de pessoas que me apoiam. A violência vem do outro lado, a intolerância vem do outro lado. Eu sou a prova, graças a Deus, viva disso daí” — disse o candidato.

Piada do Ano! Defesa de Guedes diz que denúncia é uma “armação eleitoral”

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Luiz Vassallo e Fábio Serapião
Estadão

Ao abrir Procedimento Investigatório Criminal contra Paulo Guedes, o ‘Posto Ipiranga’ da equipe econômica do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), a força-tarefa Greenfield citou a necessidade de apurar as ‘conexões’ entre doações de R$ 53 milhões a partidos e políticos da empresa Contax e aportes de fundos de pensão. A diligência está entre os procedimentos sugeridos pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), que cita uma relação entre a Contax e Guedes, aos investigadores…

A investigação foi aberta com base em relatórios sobre dois fundos de investimentos (FIPs) administrado por uma empresa de Guedes que receberam R$ 1 bilhão, entre 2009 e 2013, de fundos de pensão de estatais. Também será apurada a emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias.

RELEVANTES INDÍCIOS – As informações levantadas pela Previc, segundo o MPF, apontam que há ‘relevantes indícios de que entre fevereiro de 2009 e junho de 2013, diretores/gestores dos fundos de pensão Funcef, Petros, Previ, Postalis (todas alvos da Operação Greenfield), Infraprev, Banesprev e FIPECQ e da sociedade por ações BNDESPar possam ter se consorciado com o empresário Paulo Roberto Nunes Guedes, controlador do Grupo HSM Brasil, a fim de cometerem crimes de gestão fraudulenta ou temerária de instituições financeiras equiparadas ‘e emissão e negociação de títulos mobiliários sem lastros ou garantias, relacionados a investimentos no FIP BR Educacional’.

Entre as medidas recomendadas pela Previc, está a verificação de ‘eventuais conexões entre os aportes dos fundos de pensão e as doações da empresa Contax Participações S/A (registradas em R$ 53 milhões para partidos políticos e candidatos, entre 2008 e 2014) da qual, segundo o portal Bloomberg, o sr. Paulo Roberto Nunes Guedes era diretor’.

“FUNDO” DE GUEDES – No documento de instauração de inquérito, assinado no dia 2 de outubro, o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, chefe da força-tarefa que investiga fraudes em fundos de pensão, Caixa Econômica e BNDES, pede o ‘aprofundamento da investigação sobre os aportes no FIP BR Educacional’, fundo criado por Guedes.

No relatório, o procurador elenca 17 diligências para a instrução das investigações. Entre elas, pede para que sejam oficiados o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União ‘para que apure eventual prejuízo sofrido pelo BNDESPAR e pelos fundos de pensão Funcef, Petros, Previ, Postalis, Infraprev, Banespreve FIPECQ em decorrência do investimento no FIP BR Educacional’.

RECEITA FEDERAL – Também pediu para que a Receita Federal faça uma ‘análise de interesse fiscal do contribuinte Paulo Roberto Nunes Guedes, bem como das pessoas jurídicas vinculadas a seu grupo econômico’.

Ao fim do ofício, e fora da lista das 17 diligências, o procurador finaliza o documento determinando a solicitação à Assessoria de Pesquisa e Análise Descentralizada do Ministério Público Federal em Brasília a ‘pesquisa de vínculos societários das pessoas físicas e jurídicas mencionadas na nota técnica nº 1409/2018/PREVIC (inclusive a Contax Participações S/A), bem como pesquisa sobre doações eleitorais realizadas pelas pessoas físicas e jurídicas em questão entre os anos de 2008 e 2018’.

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DEFESA DIZ QUE QUEREM CONFUNDIR O ELEITOR

“Causa perplexidade que, às vésperas da definição da eleição presidencial, tenha sido instaurado um procedimento para apurar fatos apresentados por um relatório manifestamente mentiroso. Resta claro que essa iniciativa é uma afronta à democracia cujo principal objetivo é o de confundir o eleitor.

Cumpre esclarecer que o fundo FIP BR Educacional não trouxe qualquer prejuízo aos fundos de pensão. Ao contrário. Ele apresentou retorno substancialmente acima do objetivo estabelecido no regulamento firmado entre os cotistas. Da mesma forma, não houve, ao longo da operação, qualquer conduta antiética ou irregular por parte de Paulo Guedes, cuja reputação jamais foi questionada e é amplamente reconhecida no Brasil e no exterior.

A defesa vai apresentar toda a documentação que comprova a lisura das operações, esclarecer quaisquer dúvidas das autoridades competentes e reitera sua confiança na Justiça brasileira”, dizem os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A desculpa “eleitoral” dos advogados é Piada do Ano. Se a aplicação feita por Guedes tivesse dado lucro aos fundos de pensão, como alegam, nem haveria investigações. E o pessoal da Previc, que acusa Guedes, foi nomeado pelo PT e o MDB e é ligado aos dirigentes dos fundos de pensão. Ou seja, a Previc não conseguiu esconder o trabalho sujo dos aliados. Apenas isso. (C.N.)

No mundo, a esquerda se alarma por democracia no Brasil e a direita ironiza

Charge do mexicano Monero Rapè no Washington Post

Nelson de Sá
Folha

O conservador Wall Street Journal fez editorial saudando o “Drenador do pântano brasileiro”. Abre ironizando que os “progressistas globais estão tendo ataque de ansiedade com a quase vitória do conservador Jair Bolsonaro no Brasil”. Afirma que, “após anos de corrupção e recessão, milhões de brasileiros parecem acreditar que um ‘outsider’ é exatamente do que o país precisa”. E “talvez eles saibam mais do que os rabugentos globais”.

Sobre democracia, diz que Bolsonaro não propõe mudar as regras constitucionais que “constrangem os militares a ficar em casa”.

ONDA DE RAIVA – Também o Financial Times publicou seu editorial, intitulado “Bolsonaro cavalga onda de raiva popular no Brasil”. É bem menos assertivo. Diz que “os brasileiros estão compreensivelmente fartos”, mas questiona paralelos com Trump, pois no Brasil “as instituições são mais jovens e mais fracas do que nos EUA, o que torna os riscos muito maiores”.

Acrescenta que, embora seja “quase certa” a vitória de Bolsonaro, “muita coisa pode acontecer nas próximas três semanas”.

O mesmo FT trouxe coluna de Gideon Rachman dando a ascensão de Bolsonaro como “acontecimento de importância global”. Encerra citando o medo de que está começando “uma nova e mais sombria fase da história mundial, e que mais uma vez o Brasil sintetiza essa tendência”.

NOVO GOLPE – No Washington Post, Ishaan Tharoor, também colunista de política externa, reproduz uma imagem da bandeira brasileira com suástica e vê “um novo golpe na democracia liberal” no mundo.

O tom foi o mesmo por artigos no Guardian, com professor da Universidade de Boston alertando que a “democracia está numa encruzilhada” no Brasil e EUA; na New Republic, com professor da Universidade Brown dizendo que o “Brasil está à beira do autoritarismo”; e na Foreign Policy, com professor da Universidade de Chicago destacando que “o futuro parece sombrio para a democracia em Brasília”.

CARTA ABERTA – O sociólogo espanhol Manuel Castells, da Universidade de Berkeley, divulgou carta aberta a “amigos intelectuais comprometidos com a democracia”, reproduzida em veículos de EUA e Europa. Do texto:

“O Brasil está em perigo. E com o Brasil o mundo, porque após a eleição de Trump, a tomada do poder por um governo neofascista na Itália e a ascensão do neonazismo na Europa, o Brasil pode eleger um fascista, defensor da ditadura militar, misógino, sexista, racista e xenófobo. Pouco importa quem é seu oponente… Numa situação assim, nenhum intelectual, nenhum democrata pode se manter indiferente.”

MEIO AMBIENTE – No rastro de editorial na Science e artigo na Nature, agora a New Scientist questiona o líder na eleição brasileira, que “quer abandonar o tratado sobre o clima”. Vai além, escreve Fabiano Maisonnave no Guardian:

“Fim do acordo de Paris. Fim do Ministério do Meio Ambiente. Uma estrada pavimentada cortando a Amazônia. Não só isso. Territórios indígenas abertos à mineração. Relaxamento do licenciamento e da aplicação da legislação ambiental. ONGs internacionais como Greenpeace e WWF banidas do país. Uma forte aliança com o lobby da carne”…

E ao longo do dia o agregador Drudge Report (acima), referência da direita americana, postava a chamada “Brasil a um passo de mudança aguda à direita com Bolsonaro”, linkando o Miami Herald.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O jornalista Nelson de Sá é um craque. Muito interessante, instigante e inquietante essa repercussão da próxima vitória de Jair Bolsonaro. Demonstra que os estrangeiros e os antigos brasilianistas não entendem nada de Brasil. A principal explicação para o fenômeno Bolsonaro é que os brasileiros cansaram de corrupção. Somente em segundo plano é que existe fundamento ideológico de direita e esquerda. A maioria silenciosa brasileira é de Centro, até porque não entende nada de política. (C.N.)

Até quando Ciro Gomes continuará a ser vítima descartável do lulopetismo?

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O tempo vai passando e Ciro continua empacado

Francisco Cavalcanti

Com mais de doze milhões de votos recebido nestas eleições, o paulista que se criou no Ceará Ciro Gomes é, inegavelmente, um cidadão brasileiro preparado para exercer qualquer cargo público, inclusive de presidente da República. Tem currículo político testado nas urnas. Capital eleitoral de prefeito municipal a governador de Estado, mandatos de deputado estadual e federal, além de duas passagens em Ministérios da República.

Intelectualmente preparado, conhecedor dos problemas  nacionais e com longa vida pública sem ser citado em ilícitos, uma qualidade que não deveria ser mérito, mas diante da situação que se evidência hoje, ser político ou gestor público ficha limpa é excepcional qualificação.

SEMPRE MANIPULADO – Porém, ao que ser observa, Ciro é sempre manipulado pelo “mui amigo” Luiz Inácio Lula da Silva, que já lhe passou sucessivas rasteiras. São traições que começaram a acorrer a partir do momento em que Ciro aceitou a ser ministro do primeiro governo Lula, 2002/2006.

Foram adversários na campanha eleitoral de 2002, época em que Ciro afirmou que o PT não tem projeto nacional de governo e Lula é incompetente. Tinha respeitável patrimônio eleitoral, em torno de 20% dos votos válidos conquistados nas urnas, mas vacilou quando decidiu apoiar o adversário Lula no segundo turno.

GRANDES TRAIÇÕES – Lula sempre demostrou ser mais sagaz do que pensava Ciro. Com habilidade, Lula o convidou para ser ministro no governo federal e lhe prometeu apoio para ser candidato ao governo de São Paulo, induzindo-o a transferir domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, mas depois deixou Ciro falando sozinho.

Nessas eleições de 2018, engendrou tremenda articulação político-partidária contra a candidatura de Ciro no Nordeste , reduto eleitoral e o candidato do PDT somente venceu no Ceará. Do presídio, Lula articulou a traição contra Ciro em benefício do seu candidato Fernando Haddad, tornando-o vitorioso no Nordeste.

FIDELIDADE – Essa última traição de Lula tirou Ciro Gomes do segundo turno de 2018. Era o único candidato que tinha possibilidade de ameaçar a estabilidade eleitoral de Jair Bolsonaro em segundo turno.

Por ser uma continuada vítima, estranha-se hoje o porquê de Ciro Gomes permanecer fiel ao petista, mesmo dizendo ter “compromisso ” com a Democracia. Haddad já afirmou – “se eleito, vou trazer de volta o governo Lula “. Isso não é nada democrático, segundo o seu programa de governo.

Então, não haverá espaço para quem já está acostumado a ser traído e permanecer na goteira. Petista é sempre petista e obedece aos dogmas pragmáticos de Lula. Ciro será sempre uma vítima descartável no lulopetismo.

Teses dos generais que apoiam Bolsonaro mostram influência da geopolítica

Generais

Em alta, Augusto Heleno, Oswaldo Ferreira e Aléssio Souto

Marcelo Godoy
Estadão

As monografias na Escola de Comando e Estado-Maior dos generais que acompanham Jair Bolsonaro mostram a influência da geopolítica na formação desses oficiais. Aléssio Ribeiro Souto estudou novas tecnologias que deviam ser desenvolvidas no País. Seu trabalho defende obrigar as empresa beneficiadas por medidas governamentais a investir em pesquisa científica. Pede a concessão de benefícios para que empresas possam “penetrar no mercado internacional” e a criação de centros integrados de empresas, universidades e governo. “É imperioso considerar Ciência e Tecnologia mais uma expressão do Poder Nacional”, escreveu.

Oswaldo de Jesus Ferreira dedicou-se a estudar a matriz energética da América Latina. Preocupado em aproveitar melhor os recursos hídricos e evitar “desflorestamentos”, ele defendeu em 1991 a necessidade de o País ampliar a exploração de petróleo em águas profundas. Augusto Heleno Ribeiro Pereira escreveu sobre a Guerra do Chaco, entre a Bolívia e o Paraguai, e a influência estrangeira no conflito.

RELAÇÕES DE PODER – Um ponto em comum une os trabalhos: a análise de como os processos políticos e as características geográficas influenciam as relações de poder entre as nações e a sociedade. São todos ligados à geopolítica pensada por generais como Carlos de Meira Matos e Golbery do Coutto e Silva.

Não é à toa que o general Aléssio concluía então que, entre as estratégias necessárias para desenvolver tecnologias de ponta no País, estava a de “mobilizar a vontade nacional”. Não dizia, em sua tese, como. Hoje o staff de Bolsonaro já sabe o jeito de fazer isso: por meio das redes sociais.

Datafolha: Bolsonaro tem 49% dos votos e Haddad aparece com 36%

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Marco Grillo
O Globo

A primeira pesquisa de intenção de votos divulgada após o início do segundo turno mostra que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, tem 58% dos votos válidos, enquanto Fernando Haddad (PT) aparece com 42%. Na contagem dos votos totais, Bolsonaro tem 49%, enquanto Haddad tem 36%. Brancos e nulos somam 8%, e 6% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Nos recortes regionais, o candidato do PSL vence no Sudeste (55% a 32%), no Sul (60% a 26%), Centro-Oeste (59% a 27%) e Norte (51% a 40%). Já no Nordeste, a vantagem é de Haddad: 52% a 32%. Os números levam em consideração os votos totais.

VOTO FEMININO – Entre as mulheres, há um empate técnico entre os dois candidatos: Bolsonaro tem 42%, enquanto Haddad aparece com 39%. Já no eleitorado masculino, o candidato do PSL tem ampla vantagem: 57% a 33%.

O Datafolha ouviu 3.235 entrevistados em 227 municípios nesta quarta-feira. O nível de confiança é de 95%, e o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-00214/2018.

Haddad e Bolsonaro estão revendo rumos para respeitar a democracia

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Merval Pereira
O Globo

A recomposição dos projetos dos candidatos Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, provocada por uma entrevista do Jornal Nacional de segunda-feira, além da boa notícia de que os dois abandonaram publicamente projetos de cunho autoritário, reafirma o peso da opinião pública numa sociedade democrática.

A procura pelos dois candidatos de um eleitor que, no primeiro turno, recusou os extremos que representam, tem mais que o objetivo de obter novos votos. Mostra que entenderam que, mesmo em situações de conflito exacerbado, a sociedade busca caminhos democráticos para resolver suas questões.

CONSTITUINTE – Resta saber se os dois candidatos seguirão nesse caminho, não deixando dúvidas sobre seus compromissos com a democracia e a Constituição de 1988. O candidato petista havia anunciado, feito o acordo eleitoral com o PC do B, que o PT incluiu em seu programa de governo a convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva.

Quando aconteceram as manifestações de rua de 2013, acuada pelo vigor dos protestos, a então presidente Dilma foi à televisão anunciar, entre outras medidas que nunca saíram do discurso, como um pacto nacional pela responsabilidade fiscal, a convocação de um plebiscito para a realização de uma reforma política através de uma Constituinte exclusiva.

Não colocou em prática, por impossibilidade legal no caso da Constituinte, nenhum dos pactos, e acabou impedida de continuar na presidência justamente pela irresponsabilidade fiscal que patrocinou.

CASO DE CHÁVEZ – A convocação de uma Constituinte foi o primeiro passo do então recém-eleito Hugo Chávez, na Venezuela, para avançar sobre os demais poderes, ampliando a força do Executivo.

A “Constituição da República Bolivariana da Venezuela”, promulgada em 1999, primeiro dos 14 anos de governo de Chavez, é considerada o ponto de partida do chavismo.

Também o entorno do presidenciável Jair Bolsonaro andou fazendo propostas que não se coadunam com um ambiente democrático. O vice, General Mourão, sugeriu que uma nova Constituição poderia ser feita por um grupo de notáveis, sem precisar do voto popular, bastando ser referendada numa eleição posterior. Não existe tal possibilidade, e o mais parecido com isso foi a Comissão Arinos, formada por notáveis que propuseram ao Congresso um novo texto, como base para a nova Constituição a ser promulgada em 1988. Mesmo composta de “notáveis” e tendo suas vantagens, as propostas da Comissão foram solenemente ignoradas pelo presidente da Constituinte Ulysses Guimarães.

AUTOGOLPE – Também a referência à possibilidade de um autogolpe foi rejeitada por Bolsonaro, assim como Haddad rejeitou a afirmação do ex-ministro José Dirceu de que, vencida a eleição, o PT “tomaria o poder”. Mourão e Dirceu falavam da mesma coisa, de extremos opostos.

Os dois candidatos se curvaram à ordem constitucional e prometeram, diante da audiência do Jornal Nacional, a obedecerem a Constituição, que não permite que se use a democracia para atentar contra ela. A questão é saber o alcance e a seriedade desses compromissos.

O ex-presidente Lula fez a Carta aos Brasileiros em 2002 para garantir que manteria a política econômica então em vigor, e respeitaria o equilíbrio fiscal. Cumpriu a promessa durante seu primeiro mandato, mas, quando se sentiu forte, deu início à guinada em direção à “nova matriz econômica” de Guido Mantega que, aprofundada por Dilma, deu nessa enorme recessão de que ainda não nos livramos, com um déficit fiscal gigantesco.

CONTINUIDADE – O programa do PT é a continuidade da política econômica que nos levou onde estamos, e mais a reafirmação de controles sociais de diversos setores, até mesmo do Judiciário, passando pelos meios de comunicação, que sempre tentaram e não conseguiram, pela reação contrária da opinião pública.

Será preciso que Haddad, se não pode fazer a autocrítica necessária ao PT, abra mão desse dirigismo do Estado para que seu compromisso com a democracia possa ser levado a sério.

Também Jair Bolsonaro tem que desestimular seus seguidores, se não tem controle sobre eles como diz, a usar a violência para atingir seus objetivos de maior segurança pública e preservação dos valores conservadores. Esses objetivos não podem prescindir da proteção aos direitos humanos, e a maioria não pode submeter as minorias a suas convicções.  

Defesa diz que não há fato novo que justifique prisão de Marconi Perillo

Deu na Veja

A defesa de Marconi Perillo (PSDB) diz que não há fato novo que justifique sua prisão, determinada nesta terça-feira, 10, pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) – ele é investigado pela Polícia Federal na Operação Cash Delivery sob suspeita de recebimento de propina da Odebrecht em campanhas eleitorais.

Segundo seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, ele foi preso enquanto prestava depoimento. De acordo com ele, o “Tribunal Regional da Primeira Região já concedeu duas liminares para determinar a liberdade de duas outras pessoas presas nessa mesma operação” e que o decreto de prisão se assemelha a outro pedido de prisão já revogado. Alega, portanto, que “não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto”.

CONTEMPORANIEDADE– Em outro trecho, a defesa afirma que “uma prisão por fatos supostamente ocorridos em 2010 e 2014, na palavra isolada dos delatores, afronta pacífica jurisprudência do Supremo, que não admite prisão por fatos que não tenham contemporaneidade”. Acrescenta, ainda, que “esta nova prisão constitui uma forma de descumprimento indireto dos fundamentos das decisões de liberdade concedidas a outros investigados”.

Perillo renunciou ao cargo de governador do estado para concorrer ao Senado nas eleições deste domingo, 7. O tucano ficou em 5º lugar na disputa, com 7,55% dos votos válidos (416 613 votos). Os dois senadores eleitos foram Vanderlan (PP), com 31,35% dos votos válidos (1 729 637 votos), e o candidato do PRP, Jorge Kajuru, crítico do ex-governador, que teve 28,23% dos votos válidos (1 557 415 votos).

IMUNIDADE – Segundo a Lei 4.737, de 1965, o Código Eleitoral prevê a imunidade eleitoral, que garante ao candidato o direito ao pleno exercício da democracia, impedindo que ele seja afastado da disputa eleitoral por prisão ou detenção que possa ser posteriormente revista.

Por determinação, nenhuma prisão pode ser determinada 15 dias antes e até 2 dias depois das eleições.

 

Bolsonaro precisa afastar Paulo Guedes, para que ele prove sua inocência

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Paulo Guedes deu enormes prejuízos a fundos de pensão

Francisco Bendl

O eleitor de Jair Bolsonaro não pode agir como os petistas, que endeusavam seus parlamentares e membros do Executivo. Se o economista Paulo Guedes tem contra si processos que o colocam como corrupto, Bolsonaro deve imediatamente afastá-lo, sob pena de o PSL se transformar no PT da direita!

Precisa ser investigada a fundo a tal denúncia contra aquele que seria o ministro da Fazenda de Bolsonaro, pois o futuro presidente tem a obrigação de ter uma equipe acima de qualquer suspeita. A diferença de Bolsonaro para Lula e PT deve ser a famosa e decantada transparência, algo que jamais vimos por parte da quadrilha petista, que virou uma gigantesca organização criminosa.

DAS DUAS, UMA – Se Paulo Guedes não está envolvido, que então espere as investigações terminarem, para voltar com os louros da glória, porque inocente. Agora, se for culpado e Bolsonaro o afastou logo de início, palmas para o deputado, que evitará naturais e graves desgastes.

Bolsonaro não poderá jamais aceitar qualquer dúvida sobre seu staff que traga à lembrança os 33 anos de corrupção, roubos e explorações que padecemos, e que foi a razão principal da sua eleição, a honestidade!

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Perfeito o raciocínio de Francisco Bendl. O futuro presidente tem de agir como Itamar Franco, que afastou Henrique Hargreaves, seu chefe da Casa Civil e amigo de infância. Houve a investigação, Hargreaves foi inocentado e Itamar mandou colocar um tapete vermelho para recebê-lo de volta no Planalto. Quanto a Guedes, as provas contra ele são abundantes. Bolsonaro precisa aproveitar e se livrar deste intruso. (C.N.)

Ministério de Bolsonaro terá ‘quatro ou cinco’ generais, anuncia Bebianno

O presidente do PSL, Gustavo Bebianno Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

Bebianno critica o Centrão, que deu apoio a Alckmin

Jussara Soares e Marco Grillo
O Globo

Um dos principais conselheiros de Jair Bolsonaro , o presidente do PSL , Gustavo Bebianno , afirmou que o presidenciável terá “quatro ou cinco” generais nos 15 ministérios que vão compor a estrutura de seu governo em caso de vitória no segundo turno. Bebianno recebeu O Globo na casa do empresário Paulo Marinho, eleito suplente de senador na chapa de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). O local, na Zona Sul do Rio, se transformou em ponto de encontro de integrantes da campanha e em estúdio de gravação dos programas para o horário eleitoral da televisão. Bebianno conta ainda que Bolsonaro não deve participar de atos de campanha de candidatos a governador que estão disputando o segundo turno e insiste em pôr em dúvida a confiabilidade das urnas eletrônicas, garantida pelo TSE.

Qual é a estratégia no segundo turno?
Do outro lado, temos uma quadrilha criminosa que assaltou o Brasil. Vamos lembrar a população brasileira quem é o PT e os riscos que o partido impõe à democracia. O Jair Bolsonaro está há 30 anos na vida pública sendo eleito da forma correta. Ele prova mais uma vez agora seu potencial dentro do universo democrático. Em momento algum, ele acenou com qualquer tipo de ruptura futura.

Quando o general Mourão cita a possibilidade de autogolpe, não é uma ruptura?
Fazendo um exercício mental, o general Mourão desenvolveu uma tese analisando o caos a que o Brasil chegou. Falando em tese, ele foi infeliz, porque foi mal interpretado. Em momento algum, isso foi cogitado.

Como vão negociar os apoios?
Todo apoio será feito de forma suprapartidária, com quem tenhamos um mínimo de afinidade ideológica.

Que apoios já vieram?
Temos recebido diversos acenos, como do João Doria, que declarou que apoiará Jair Bolsonaro. Todo apoio é bem-vindo. Agora é o Brasil contra o PT. É o verde e amarelo contra o vermelho. É o vermelho da corrupção, do aparelhamento do Estado, da ineficiência, do desfazimento da família brasileira. Do outro lado, o verde e amarelo, as nossas riquezas, um país livre como sempre foi.

Vão dobrar a aposta no antipetismo? Na televisão, redes sociais e discursos?
Triplicar a aposta, com tudo junto. Teremos igualdade de tempo de TV.

O Bolsonaro vai subir em algum palanque pelos estados?
Acredito que não, até por conta do próprio estado físico. Nossa recomendação, por questões de segurança e saúde, é que ele se exponha o mínimo possível. Ele sofreu um atentado político e ouso dizer que haverá outros.

É um receio ou há ameaça concreta?
Até um tempo atrás, era receio. Antes da facada, alguns alertas e informes chegavam. Agora existem outras ameaças e informes. Nossa atenção é máxima.

Com essa preocupação, qual é a chance de ele ir às ruas no segundo turno?
Se depender dele, amanhã já está nas ruas. O Jair é a pessoa mais corajosa com quem eu já tive a oportunidade de conviver. É um homem que não foge de colocar em risco a própria vida.

Além do Paulo Guedes na Fazenda, que outros nomes estão certos nos ministérios?
O (deputado) Onyx (Lorenzoni) será o chefe da Casa Civil. Um general para a Defesa, possivelmente o general (Augusto) Heleno ou quem ele indicar. Estamos falando de um general também para a infraestrutura.

Ele falou em 15 ministérios. Quantos generais?
A escolha não é por ser ou não das Forças Armadas, mas pela competência e desenvoltura que o capitão imagina que a pessoa vá ter. Pelo desenho de hoje, são uns quatro ou cinco (generais).

Com um presidente capitão e vários generais, quanto o eventual governo será militar e quanto será civil?
Será, acima de tudo, um governo democrático, comprometido com a Constituição, as instituições e o equilíbrio de forças.

Vão procurar o Alckmin?
Não vamos procurar ninguém. Até por que o Geraldo Alckmin vendeu a própria alma. Ele sentou-se com o que há de pior na política. O PR nos procurou insistentemente. O PR é constituído de animais políticos muito experientes, que já tinham enxergado o fenômeno que ia acontecer. Ofereceram fundo partidário, tempo de TV, mas o Jair queria o Magno Malta como vice. Quando ele (Malta) decidiu que não viria mais, o Valdemar (Costa Neto) sentou conosco e abriu uma listinha para dizer o que queria. O Jair sorriu, apertou a mão dele e disse: “Não temos o que conversar.” Ele (Valdemar) ficou possesso.

E se o Alckmin ligar?
Aí vamos conversar. A última palavra é sempre do Jair.

O PSL pôs em dúvida o resultado da eleição presidencial, mas nunca teve um desempenho eleitoral tão expressivo. Não é incoerente questionar só um resultado?
Não tem incoerência nenhuma. Essa avalanche de votos poderia ter ido um pouco mais além. Esse é um ponto de interrogação. O Brasil não pode continuar com este tipo de dúvida por parte de ninguém. O processo eleitoral precisa ter a garantia de transparência e ser passível de checagem.

Mas são vocês que colocam em dúvida.
Há denúncias que foram feitas com registro de ocorrência, houve vários casos em que a polícia foi chamada. Estamos compilando todas as informações e, evidentemente, aquilo que parecer bobagem, vamos deixar de lado.

Um eleitor do PT foi assassinado em Salvador em uma discussão política. Vão se posicionar?
É muito triste a situação do Brasil, que vive esse tipo de clima. Mas quem vem colocando gasolina no incêndio? É o PT. A vida humana é o bem mais precioso que podemos ter. É um absurdo esse tipo de fato, da mesma forma que Jair Bolsonaro foi vítima de um atentado politico e à democracia. Lamentamos essa vítima (de Salvador), como lamentamos os mais de 60 mil homicídios que todo ano há no Brasil.

Bolsonaro imita Collor e diz que vai caçar “os marajás” do serviço público

‘Vamos acabar com a farra dos marajás’, diz Bolsonaro Foto: Domingos Peixoto/ Agência O GLOBO

Bolsonaro quer acelerar a reforma da Previdência

Jussara Soares

O candidato a presidente do PSL, Jair Bolsonaro, retomou, nesta terça-feira, o mote de Fernando Collor na campanha pela disputa pelo Planalto em 1989 e prometeu “acabar com a farra dos marajás”. A declaração do capitão do Exército refere-se a sua proposta de eliminar a incorporação de salários de cargos comissionados para o funcionalismo público. Essa seria uma das medidas para uma reforma da Previdência a ser apresentada por um eventual governo.

— Tem muitos locais no Brasil que o servidor público tem um salário x e tem um cargo em comissão. Depois de oito a dez anos, ele incorpora o salário. E depois de oito ou dez, ele incorpora de novo. Vamos acabar com essa farra de marajás — disse o presidenciável, sem detalhar a proposta.

PREVIDÊNCIA – Bolsonaro afirmou que, se for eleito, vai procurar a equipe do governo Michel Temer responsável pela Reforma da Previdência para apresentar a sua proposta. Segundo ele, o ato seria “um grande passo.”

— Não podemos é passar para o ano que vem sem fazer a reforma da Previdência — disse Bolsonaro, afirmando que vai apresentar uma proposta que tenha aceitação do parlamento.  — A proposta do Temer como está, se bem que ela mudou dia após dia, dificilmente será aprovada — disse.

Bolsonaro conversou com a imprensa por cerca de dez minutos no final da tarde desta terça-feira, após passar o dia gravando programas para o horário eleitoral que se inicia na próxima sexta-feira.

ATOS VIOLENTOS – O capitão do Exército comentou também sobre atos de violência que estão sendo cometidos por apoiadores de sua candidatura e disse que “não tem como controlar” a sua militância. Na segunda-feira, um mestre de capoeira baiano, após declarar voto no PT, foi atacado com 12 facadas em Salvador, na Bahia, por um homem que vestia uma camiseta de Bolsonaro. Questionado sobre como vê esses atos, o candidato respondeu: “o que tenho com isso?”

— Essa pergunta não tem que ser invertida? Quem levou a facada fui eu. Agora um cara com uma camisa minha comete lá um excesso, o que eu tenho com isso? Peço ao pessoal que não pratique isso, mas não tenho controle. São milhões e milhões de pessoas que me apoiam. A violência vem do outro lado, a intolerância vem do outro lado. Eu sou a prova, graças a Deus, viva disso daí — disse o candidato. Para ele, esses são episódios isolados: —  (O clima) não está tão bélico assim não. Está um clima acirrado, está havendo uma disputa, mas são casos isolados.

PLANO DE GOVERNO – Questionado se usará o segundo turno para detalhar o seu plano de governo, Bolsonaro disse que não tem por que fazer isso na disputa com Fernando Haddad (PT).

— (O plano) já está esclarecido. Entre mim e Haddad não tem que falar em plano de governo. Primeiro que ele é um fantoche, toda decisão que ele tem que tomar tem que ir para Curitiba conversar com o presidiário —  atacou Bolsonaro.

O capitão do exército citou um vídeo em que Haddad teria dito que subiria a rampa do Palácio do Planalto com Lula. O vídeo que circula nas redes sociais é falso.

PRESIDIÁRIO – “Como é que fica o Brasil perante o mundo elegendo o cara que pede benção para presidiário, que tem uma infinidade de processos contra ele. Imagine os derrotados do PT ocupando ministérios. Quem vai ser o ministro da Defesa? O João Pedro Stédile? Quem vai ser o chefe da Casa Civil? José Dirceu? Será que nós queremos isso para o Brasil?

O candidato do PSL, que terminou a votação do primeiro turno com 46,03% dos votos, já teria sido procurado por dois presidenciáveis. Ele, no entanto, não divulgou os nomes. O DEM também já estaria em negociação para apoiá-lo. O DEM é o partido do deputado federal Onyx Lorenzoni, responsável pela articulação política de Bolsonaro. Nesta quinta-feira, a campanha prepara uma reunião com parlamentares de diversos partidos para oficializar apoios para o segundo turno.

Wagner, do PT, quer formar “frente democrática” com Ciro, Marina e FHC

Givaldo Barbosa

Wagner está em São Paulo para articular a “frente”

Bernardo Mello Franco
O Globo

Jaques Wagner era o preferido de Lula para concorrer ao Planalto. Recusou a tarefa, elegeu-se senador pela Bahia e agora desembarcou em São Paulo para ajudar Fernando Haddad. O ex-ministro tenta costurar uma “frente democrática” contra o bolsonarismo. Quer unir Ciro Gomes, Marina Silva e Fernando Henrique Cardoso no palanque do PT. “Temos que procurar todos os que estão na política e têm responsabilidade com o país”, diz.

Wagner faz elogios a FHC, que já descartou a hipótese de apoiar o capitão. “A construção do país é tijolo por tijolo, ninguém faz nada sozinho. O Fernando deu uma bela contribuição ao Brasil. Nós aprendemos a responsabilidade fiscal com ele”, afaga. “É uma coincidência negativa da História que, em vez de ficarem juntos, PT e PSDB tenham polarizado um com o outro. Foram as melhores forças que surgiram no período democrático”.

NOVO DISCURSO – Para ampliar a aliança, o ex-ministro defende uma guinada no discurso do PT. Pede que o partido adote tom mais conciliador e reconheça erros do passado. “Acho que nunca é demais a gente fazer autocrítica”, diz. Ele considera que o candidato agora deve ser menos Lula e mais Haddad.

“Não precisamos inventar a roda. No primeiro turno, ficou claro que o Haddad era o candidato do Lula. Agora temos que mostrar quem ele é: um professor bem formado, que já foi prefeito de São Paulo e recebeu prêmios de boa gestão”, sustenta.

VERDE E AMARELO – Wagner também defende o uso do verde e amarelo na campanha, no lugar do vermelho do PT: “A bandeira do Brasil é de todos nós. A gente não pode entregar graciosamente para eles o que é um símbolo do país”.

O senador eleito diz acreditar numa virada. “Não acho que seja uma missão impossível. Tem cada vez mais gente incomodada com o discurso da truculência. Segundo turno não é escolha, é o menos ruim. Não dá para comparar o Bolsonaro com o Haddad”, argumenta.

Ele acusa o capitão de investir no discurso de ódio e na disseminação de “baixarias”. “O Bolsonaro é um cara inteligente, mas usa sua inteligência para o mal. Ele acaba liderando monstros que não tinham coragem de externar o preconceito”, critica. “Eu, que sou judeu, posso falar isso. As coisas começam assim”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSonhar ainda não é proibido, mas tudo tem limites. A iniciativa de Jaques Wagner foi manchete da primeira página de O Globo, mas deve ser mais uma Piada do Ano. (C.N.) 

Decepção! Guedes, o guru de Bolsonaro, é um pilantra da melhor qualidade

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Paulo Guedes deu grandes golpes nos fundos de pensão

Fábio Fabrini
Folha

O MPF (Ministério Público Federal) em Brasília investiga o economista Paulo Guedes, guru de Jair Bolsonaro (PSL), sob suspeita de se associar a executivos ligados ao PT e ao MDB para praticar fraudes em negócios com fundos de pensão de estatais. Em seis anos, ele captou ao menos R$ 1 bilhão dessas entidades. Guedes é o escolhido para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo Bolsonaro. Um procedimento investigativo criminal, instaurado no dia 2, apura se o economista cometeu diversos crimes, inclusive gestão fraudulenta  Ele é investigado por suposta emissão e negociação de títulos sem lastros ou garantias ao negociar, obter e investir recursos de sete fundos.

Entre as entidades estão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios), além do BNDESPar —braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

PT E MDB – As transações foram feitas a partir de 2009 com executivos indicados pelos dois partidos adversários da chapa Bolsonaro, os quais são investigados atualmente por desvio de recursos dos fundos. Procurado, Guedes não respondeu à reportagem.

Para o MPF, há “relevantes indícios de que, entre fevereiro de 2009 e junho de 2013, diretores/gestores dos fundos de pensão e da sociedade por ações BNDESPar” se consorciaram “com o empresário Paulo Roberto Nunes Guedes, controlador do Grupo HSM”.

A intenção seria a de cometer “crimes de gestão fraudulenta ou temerária de instituições financeiras e emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias”. Na época, a Previ era gerida por Sérgio Rosa, e o Petros, por Wagner Pinheiro —militantes históricos do PT, ligados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba e condenado pelo caso do tríplex. Já o Postalis estava sob o comando de Alexei Predtechensky, cujos padrinhos políticos eram do MDB.

OPERAÇÃO DA PF – A apuração foi instaurada pela força-tarefa da Operação Greenfield, que mira esquemas de pagamento de propina em fundos de pensão, com base em relatórios da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar).

Conforme os documentos, obtidos pela Folha, a BR Educacional Gestora de Ativos, de Guedes, lançou em 2009 dois fundos de investimento que receberam, em seis anos, R$ 1 bilhão das entidades de previdência de estatais.

Um deles, o Fundo de Investimento em Participações (FIP) BR Educacional, obteve R$ 400 milhões entre 2009 e 2013 para projetos educacionais. A suspeita é que o negócio tenha sido aprovado sem análise adequada e gerado ganhos excessivos ao economista.

ALTO LUCRO – A gestora de ativos de Guedes recebeu na largada 1,75% sobre o valor total subscrito (o compromisso de investimento), e não sobre a cifra efetivamente aportada. Isso gerou, de imediato, despesas altas, de R$ 6,6 milhões, em seu favor.

No primeiro ano de aporte, o dinheiro aplicado pelos fundos de pensão (cerca de R$ 62 milhões) foi injetado em uma única empresa, a HSM Educacional S.A., que tinha Guedes como controlador. “Tanto a gestora do FIP quanto a empresa investida possuem em comum a participação de um mesmo sócio, a saber, Paulo Guedes”, pontua relatório da Previc.

Na sequência, a HSM Educacional adquiriu de um grupo argentino 100% de participação em outra companhia, a HSM do Brasil, cujas ações não eram negociadas em Bolsa e, por isso, foram precificadas por um laudo. Nessa operação, foram pagos R$ 16,5 milhões de ágio pelas ações, embora a empresa não estivesse em operação no país e fosse apenas uma marca.

SEDE NA ARGENTINA – “Cabe indagar o pagamento em montante considerável à empresa vendedora, com sede na Argentina”, diz a Previc.

O objetivo do empreendimento era obter lucros com projetos educacionais, entre eles a realização de eventos para estudantes e executivos, com palestrantes de grife. As empresas, porém, passaram a registrar prejuízos repetitivos após a injeção dos recursos dos fundos de pensão.

No caso da HSM Brasil, um dos itens que mais impactaram os resultados foi a remuneração de palestrantes, segundo a Previc. Em 2011 e 2012, esses gastos somaram R$ 11,9 milhões. Guedes rodava o país na época a palestrar em conferências promovidas pela HSM.

RASTO DO DINHEIRO – Os investigadores querem rastrear o dinheiro das palestras e saber quem o recebeu. As despesas com pessoal somaram outros R$ 23,1 milhões e estão na mira do MPF.

O fundo de investimentos manteve participação nas empresas até março de 2013, quando trocou as ações por fatia na Gaec Educação. Nessa operação, segundo a Previc, foi pago ágio de 1.118% pelas ações da Gaec. O órgão conclui que “o resultado líquido do investimento do FIP foi negativo em R$ 16 milhões [no projeto da HSM]”.

Na portaria que instaura a investigação, a Procuradoria requer à Polícia Federal que abra inquérito sobre o caso. Pede ainda apurações na CGU (Controladoria-Geral da União), no TCU (Tribunal de Contas da União) e na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

DEZ DIAS – O MPF fixou prazo de dez dias para que os fundos de pensão apresentem cópias dos documentos que embasaram o investimento do FIP BR Educacional. Além disso, o órgão determinou que eles apurem responsabilidades de gestores que deram causa aos aportes e a eventuais prejuízos.

Guedes não atendeu aos telefonemas da Folha nem respondeu a uma mensagem enviada pelo WhatsApp. A reportagem entrou em contato com sua secretária e lhe enviou um email com questionamentos às 16h14. Até a noite de terça-feira (9), não havia recebido resposta.

Rosa disse que saiu da Previ em 2010 e não se recorda de detalhes de investimentos específicos. Pinheiro, ex-Petros, e Alexej Predtechensky, ex-Postalis, não foram localizados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Uma coisa é certa: o candidato Jair Bolsonaro precisa se livrar de Paulo Guedes o mais rápida possível. A investigação da força tarefa – PF,  Ministério Público Federal e Receita – mostra que Guedes é um pilantra da melhor qualidade e merece ir fazer companhia a Lula. (C.N.)

Base aliada de Bolsonaro terá mais de 300 parlamentares, diz Lorenzoni

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Lorenzoni, o coordenador, é da bancada ruralista

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), um dos coordenadores da campanha de Jair Bolsonaro (PSL), está otimista em relação à base aliada que um possível governo do capitão reformado poderá ter no Congresso. Segundo ele, o candidato do PSL teria uma base superior a 300 deputados, caso seja eleito. Em julho, Onyx afirmou que Bolsonaro teria uma base de 112 parlamentares, de diversos partidos de centro e direita, incluindo DEM, PSDB e MDB. Agora, ele afirma que essa base mais que duplicou para cerca de 350 com a formalização do apoio das bancadas evangélica, rural e da segurança.

Ele acredita que essa proporção deva se manter na próxima legislatura, principalmente devido à eleição dos 52 deputados do PSL. “A conta está sendo feita. Estou indo na quinta-feira para o Rio de Janeiro para fazer a projeção dos novos”, disse.

CASA CIVIL? – O deputado gaúcho, da bancada ruralista, é um dos parlamentares cotados a assumir posições de destaque em um eventual governo de Bolsonaro, podendo ficar com a chefia da Casa Civil.

“Eu vou cumprir o papel que o presidente me der. Se ele me disser vá lá para Câmara, é o que eu vou ser”, disse.