Governo federal prorrogará até abril de 2021 a presença das Forças Armadas na Amazônia Legal, afirma Mourão

Mourão diz que há valores suficientes para prorrogar a GLO

Victor Farias
O Globo

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta segunda-feira, dia 26, que o governo vai prolongar a operação Verde Brasil II até abril de 2021. A iniciativa, parte do decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), estava prevista para acabar em novembro deste ano.

“Vamos prorrogar até abril. [A decisão] está tomada. Tem que assinar entre esta semana e a semana que vem. Eu vou acertar com o general Heleno para fazer essa prorrogação”, afirmou Mourão, no Palácio do Planalto.

VALOR SUFICIENTE – O vice-presidente, que também preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, afirmou que a verba destinada para a operação contra desmatamentos na Amazônia foi de R$ 400 milhões e ainda restam cerca de R$ 180 milhões, valor suficiente, segundo ele, para prorrogar a GLO até abril.

“Nós precisamos prosseguir porque a gente quer entrar em um círculo virtuoso de queda do desmatamento, é o nosso compromisso que a gente tem que derrubar isso ai. E para derrubar nós temos que ter gente em campo fiscalizando”, explicou.

Mourão disse que o Conselho deve se reunir na terça-feira que vem para discutir o planejamento estratégico da GLO, regularização fundiária e a situação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

PARALISAÇÃO – Na quarta-feira, o Ibama paralisou as ações de combate e prevenção de incêndios, por falta de recursos financeiros. A paralisação durou até sexta-feira, quando o Ministério da Economia repassou R$ 16 milhões ao MMA.

O episódio, no entanto, provocou uma crise pública entre os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) na quinta-feira. Em rede social, o titular do Meio Ambiente marcou Ramos e criticou o que chamou de “postura de #mariafofoca”.

DESCULPAS – No domingo, Salles usou sua conta em redes sociais para pedir desculpas a Ramos. Em resposta, Ramos disse que uma “boa conversa apazigua as diferenças” e que “intrigas não resolvem nada”.

Na manhã de hoje, Mourão afirmou que acredita que houve uma interferência do presidente Jair Bolsonaro na resolução do conflito, como revelou o colunista Lauro Jardim. “É aquela história: os ministros são o Estado Maior do presidente, se está havendo alguma rusga entre os membros do Estado Maior, o comandante tem que intervir e dizer: “minha gente, vamos baixar a bolinha, vamos se acalmar e vamos respeitar-se”, comentou.

Marcos Pontes usa compromisso oficial para driblar restrições e passar férias nos EUA com a família

Pontes não respondeu aos questionamentos sobre ida a Houston

Renato Machado e Danielle Brant
Folha

O ministro Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Inovações) usou compromisso oficial em setembro para driblar restrições a viajantes do Brasil por causa da pandemia de Covid-19 e passar férias em Houston, cidade no Texas (EUA) onde moram sua esposa e seus dois filhos. Dessa forma, Pontes conseguiu ainda desfrutar de dez dias de férias no exterior sem gastar com passagens aéreas, uma vez que os deslocamentos foram custeados com recursos públicos.

Em maio, diante do aumento de casos de novo coronavírus no Brasil, o presidente Donald Trump proibiu a entrada nos Estados Unidos de estrangeiros –incluindo brasileiros– que tivessem estado no Brasil 14 dias antes. Quando o republicano assinou a proclamação, havia quase 23 mil mortos pela doença no país – hoje, o total se aproxima de 160 mil.

PASSAPORTE – A restrição, porém, não se aplica a quem tem passaporte diplomático. Com base nessa regra, Pontes aproveitou uma agenda na Universidade Rice, em Houston, no dia 4 de setembro, para entrar nos Estados Unidos com passaporte diplomático. Oficialmente, o ministro iria visitar universidades “com a finalidade de iniciar processos de parceria”.

A família do ministro reside em Houston desde o fim dos anos 1990, quando todos se mudaram para a cidade para que Pontes iniciasse a preparação para representar o Brasil na Estação Espacial Internacional. O detalhamento dos motivos para viagem disponível no Portal da Transparência indica que a programação do ministro incluía visita à Rice no dia 4 e compromissos na A&M University no dia 5 (sábado), na University of Texas no dia 6 (domingo) e na University of Houston no feriado de 7 de setembro.

Na agenda oficial de Pontes, publicada no site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, aparece a visita a projetos de tecnologia da Rice University no dia 4, programação na Texas A&M University e na Universidade de Houston no dia 5 e nova ida à Rice no feriado de 7 de setembro.

CONFERÊNCIA – No dia 3 de setembro, foram publicados no Diário Oficial da União dois despachos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que se referiam ao ministro. Na exposição de motivos número 96, Bolsonaro autorizava o afastamento de Pontes do Brasil no período de 19 a 29 de setembro para que ele participasse da 64ª Conferência-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), evento realizado de 21 a 25 de setembro em Viena, Áustria.

Já na exposição de motivos 97, o presidente deu aval para que Pontes tirasse férias de 8 a 18 de setembro. Portanto, o período de férias do ministro se deu entre as duas missões oficiais. Em vez de retornar ao Brasil após a série de visitas a universidades nos Estados Unidos, Pontes permaneceu em Houston, cidade onde mora sua família.

PASSAGEM – O Portal da Transparência registra a compra de uma passagem só de ida de São Paulo para Houston em 3 de setembro, ao custo de R$ 10.634,43, e o pagamento de quatro diárias na cidade do Texas, totalizando R$ 10.100,59. Via LAI (Lei de Acesso à Informação), a Folha obteve a programação de voo do ministro para Viena. Pontes partiu de Houston em 19 de setembro, fez escala em Nova York e Lisboa antes de terminar na capital austríaca.

Uma pesquisa por voos nos sites de companhias aéreas mostra que a compra de trechos em separado, para o trajeto percorrido pelo ministro, pode representar um acréscimo de 30% a 40% nos preços das passagens, em relação à compra de trechos casados, com ida e volta –no caso, São Paulo-Houston-São Paulo e São Paulo-Viena-São Paulo.

INFORMAÇÕES – A Folha procurou as quatro universidades informadas pelo ministro na justificativa que consta no Portal da Transparência. Delas, apenas a Rice e a Universidade de Houston responderam. Em resposta a questionamentos sobre a agenda do ministro no centro de ensino, a assessoria de imprensa da Universidade de Houston informou que não encontrou informações sobre visita do ministro à instituição –no Portal da Transparência e na agenda oficial já há divergência sobre quando teria ocorrido.

Na Rice, a universidade explicou que, em 2019, durante um encontro da Câmara de Comércio Brasil-Texas, o ministro conheceu representantes da Brasil@Rice, entidade que ajuda a divulgar a instituição de ensino junto a estudantes brasileiros e desenvolve projetos de parcerias acadêmicas e profissionais.

COLABORAÇÃO – Na ocasião, houve conversas sobre possibilidade de colaboração entre o ministério e a universidade. A seguir, o consulado brasileiro em Houston e a câmara de comércio começaram a organizar a visita de Pontes ao campus. Segundo a Rice, Pontes visitou o centro de ensino em 4 de setembro –não há menção a nenhuma ida à universidade no dia 7, como informa a agenda oficial do ministro. Lá, o ministro esteve em laboratórios e no centro de pesquisas em biociências da universidade.

O ministro almoçou com estudantes, pesquisadores e representantes da universidade, incluindo o presidente do centro de ensino, David Leebron. Não é a primeira vez que Pontes vai a Houston em compromissos oficiais. Em novembro do ano passado, ele esteve na cidade texana de 19 a 23 de novembro, em viagem com custo total de R$ 25.464,77.

No Portal da Transparência, o motivo para o afastamento do ministro do Brasil era participação dos eventos Space Port Summit e Bratecc’s Fall Mixer, na churrascaria Fogo de Chão, nos quais Pontes seria recebido como convidado especial. Não há informações na agenda oficial sobre o que o ministro fez no período.

ANIVERSÁRIO  –  Em março de 2019, o ministro foi de São Paulo para Houston no dia 8 e ficou na cidade texana até o dia 17 –passou o aniversário, em 11 de março, lá. Inicialmente, o despacho de Bolsonaro que autorizou a viagem do ministro afirmava que Pontes iria não apenas para a cidade onde mora sua família, mas também para Washington.

No entanto, no dia 13, quando já se encontrava no Texas, foi publicada uma retificação no Diário Oficial da União, afirmando que “onde se lê: ‘com destino a Houston e Washington, D.C., Estados Unidos da América’, leia-se: ‘com destino a Houston, Estados Unidos da América’”. O custo total da viagem ficou em R$ 24.673,64.

EXPLICAÇÕES – A Folha procurou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações pela primeira vez no dia 3 de setembro, solicitando explicações sobre as férias e as viagens oficiais de Marcos Pontes. Não houve retorno.

Nos últimos 10 dias, a reportagem enviou e-mails questionando, entre outras coisas, por que o ministro escolheu as universidades mencionadas para visitar –e não outras, de diferentes localidades americanas.

Perguntou também se Pontes considerava correto passar férias nos Estados Unidos mesmo com a restrição imposta a turistas brasileiros e se os compromissos oficiais foram criados para casar com suas férias, evitando pagar passagens com recursos próprios. Os questionamentos não foram respondidos.

 

PF investiga movimentações financeiras atípicas de Wassef, ex-advogado de Bolsonaro

Homem-bomba Wassef - Diário Online - Portal de Notícias

Charge do Alê (Diário Online)

Camila Mattoso, Mariana Carneiro e Guilherme Seto
Folha

A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar movimentações financeiras de Frederick Wassef, ex-advogado do presidente Jair e de seu filho mais velho, o senado Flávio Bolsonaro. A investigação tem como base documento de inteligência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Econômicas), produzido em julho deste ano, que mostrou pagamentos de R$ 9 milhões da holding JBS (grupo Friboi) para Wassef.

O relatório reúne informações bancárias envolvendo o advogado, seu escritório e uma empresa à qual é vinculado. Algumas das operações foram consideradas suspeitas pelo Coaf.

DIZ A CRUSOÉ – O relatório, revelado pela revista Crusoé, foi produzido um mês depois de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, ser preso quando morava em um imóvel de Wassef, em Atibaia (SP). Após o episódio, o advogado anunciou ter deixado a defesa do filho do presidente.

O inquérito foi aberto após o Ministério Público enviar à Polícia Federal a documentação do Coaf, com o objetivo de que os indícios existentes fossem apurados.

No mês passado, Wassef virou réu sob acusação de peculato e lavagem de dinheiro, suspeito de participar de um esquema que teria desviado R$ 4,6 milhões das seções fluminenses do Sesc (Serviço Social do Comércio), do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e da Fecomércio (Federação do Comércio).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O jornalista Elio Gaspari publicou neste domingo, em artigo publicado simultaneamente em O Globo e na Folha, que o presidente Jair Bolsonaro, que já revelou sofrer de apnéia noturna, está tendo muita dificuldade para dormir. E não é para menos. Quem cultiva amizade com uma figura como o advogado Frederick Wassef, realmente tem de ficar com a consciência pesada e enfrentar problemas para dormir. Wassef é nitroglicerina pura, como se dizia antigamente. (C.N.)

Secom omitiu dados sobre publicidade e veiculou até onze vezes mais anúncios em canais investigados por fake news

Bolsonarista Allan dos Santos foi um dos que recebeu publicidade

Leandro Prazeres
O Globo

Relatório da Controladoria Geral da União (CGU) obtido pelo O Globo mostra que o volume de anúncios pagos pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) em canais de blogueiros e políticos investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos inquéritos das fake news ou dos atos antidemocráticos é superior ao total informado antes.

Em alguns casos, foi veiculada uma quantidade até onze vezes maior de propagandas do que a secretaria havia reconhecido até abril. A atuação da Secom na distribuição de anúncios na internet é investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

PRAZOS – Os dados foram liberados após cinco meses de pressão da CGU, depois que a Secom descumpria prazos de abertura de dados em resposta a um pedido feito via Lei de Acesso à Informação.

Com base nos relatórios de abril, os canais dos blogueiros Allan dos Santos e Bernardo Pires Kuster receberam, respectivamente, 1.447 e 135 impressões — a unidade que mede a publicidade digital, na forma de banners e outros anúncios. Agora, foram encontradas mais 8.714 impressões no canal de Allan dos Santos e outras 1.498 no de Kuster.

Além disso, aparecem mais canais de investigados pelo STF que não haviam sido listados antes. É o caso dos canais Giro de Notícias, Folha Política e Ravox. O Giro de Notícias veiculou 23.271 impressões, o Folha Política recebeu 1.594, e o Ravox, 3.318.

TRATATIVAS – Os dados mostram ainda que as veiculações não pararam em agosto de 2019. Eles foram feitos até, pelo menos, novembro do ano passado.VO relatório obtido pelo O Globo foi elaborado pela equipe técnica da CGU. Segundo o documento, os novos dados só foram liberados após “inúmeras tratativas” com a Secom.

O caso começou em fevereiro, quando a CGU deu 60 dias para que a Secom atendesse a um pedido pela Lei de Acesso à Informação e liberasse todos os dados sobre anúncios pagos pela Secom via Google Ads (uma plataforma de mídia programática) entre 1 º de janeiro e 10 de novembro de 2019.  Mídia programática é um sistema de distribuição de anúncios na internet de forma automatizada, em que o contratante paga pelos anúncios e a plataforma os distribui em diferentes sites ou canais, obedecendo critérios automatizados que identificam público-alvo nas páginas que hospedarão a propaganda.

VETO – Embora o contratante não escolha antecipadamente que página receberá pelo anúncio, ele pode vetar a publicidade em páginas indesejadas. Quando respondeu o pedido de informações, a Secom omitiu a maior parte dos dados.

Em abril, a secretaria entregou três relatórios mostrando que veiculou um total de 129 milhões de impressões publicitárias, ligadas à Reforma da Previdência — este total inclui sites investigados no STF, mas é referente à toda publicidade virtual da secretaria. A campanha da reforma, porém, envolveu o disparo de 723 milhões de impressões e custou R$ 5,1 milhões.

SEM TRANSPARÊNCIA – Em julho, O Globo revelou que a Secom ainda não havia cumprido a decisão da CGU. Na época, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu o afastamento do chefe da secretaria, Fabio Wajngarten.

Em junho, a CGU foi provocada por um cidadão que pediu que o órgão verificasse se a Secom tinha cumprido a decisão da Controladoria. A Secom respondeu que a entrega das planilhas anteriores era suficiente, mas a CGU pediu informações “remanescentes”. Os novos dados só foram liberados em 5 de setembro.

Além da campanha da Reforma da Previdência, a Secom liberou informações de outras ações, como a “Amazon Day” e “Brazil by Brasil”, destinadas a melhorar a imagem do país no exterior. Questionada, a secretaria não explicou por que não liberou as informações antes.

ARQUIVAMENTO – Apesar de o relatório mostrar que a Secom só liberou os dados restantes após insistência da CGU,o órgão arquivou o processo. Em nota, a CGU afirmou que a “falha foi justificada” por um erro de interpretação da Secom, não tendo havido descumprimento de sua decisão.

Pesquisador e consultor do Banco Mundial, Fabiano Angélico, especialista na Lei de Acesso à informação, critica o arquivamento: “A melhor medida deveria ser investigar mais a fundo o que levou a essa demora na liberação dos dados”.

Em nota, a Secom disse que o pedido analisado pela CGU foi “integralmente atendido” e responsabilizou o Google pelo destino das impressões. “Coube à plataforma digital a prestação do serviço, conforme especificações de público-alvo”, afirmou a Secom. O Google, porém, diz que oferece controles e filtros que podem ser usados por seus clientes para que eles definam o destino dos anúncios.

Eduardo Bolsonaro sai em defesa de Salles e critica Maia: “Tem gente que é expert em tentar destruir o governo”

Rodrigo Maia acusou Ricardo Salles de querer destruir o governo

Deu no Correio Braziliense

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) citou em sua conta oficial no Twitter, neste domingo, dia 25, uma série de Medidas Provisórias que caducaram no Congresso e escreveu que “tem gente que é expert em tentar destruir o governo”.

A manifestação do parlamentar é um crítica ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e um reforço no apoio público que vem dando ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Neste sábado, dia 24, Maia acusou Salles de querer destruir o governo. “O ministro Ricardo Salles, não satisfeito em destruir o meio ambiente do Brasil, agora resolveu destruir o próprio governo”, escreveu Maia, também no Twitter.

ATRITO – Salles e o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, vêm protagonizando o mais recente atrito dentro do governo, que já ocorria nos bastidores e foi tornado público nesta semana após Salles usar as redes sociais para se posicionar. Salles se referiu ao ministro Ramos como “Maria Fofoca”.

Neste sábado, um movimento coordenado de parlamentares reforçou o apoio a Ramos. Além de Maia e outras lideranças partidárias e do governo no Congresso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também endossou a campanha em defesa de Ramos. Salles, por sua vez, conta com apoio da ala ideológica do governo e do deputado Eduardo Bolsonaro.

Neste domingo, Salles foi às redes sociais  e disse ter procurado o ministro para se desculpar. “Conversei com ministro Luiz Eduardo Ramos, apresentei minhas desculpas pelo excesso e colocamos um ponto final nisso. Estamos juntos no governo, pelo presidente Bolsonaro e pelo Brasil. Bom domingo a todos”, disse Salles em uma publicação na internet.

MPs – Dentre as Medidas Provisórias listadas por Eduardo, estão a da “Liberdade estudantil”, que previa a retirada do monopólio da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) sobre a emissão de carteirinhas estudantis, que perdeu validade em fevereiro; a do 13º salário para o Bolsa Família, que caducou em março; a da regularização fundiária, que perdeu validade em maio; a do “balancete empresarial”, que desobrigava as empresas de publicar seus balanços em jornais impressos e foi rejeitada em maio por uma comissão mista; a que impedia o desconto de contribuição sindical em folha, que perdeu a validade ainda em 2019; e a da “Liberdade do Futebol”, que alterava as regras sobre direitos de transmissão de eventos esportivos e caducou neste mês.

Ala ideológica se sente traída com aliança de Bolsonaro e o Centrão, mas mira em Ramos por costurar acordo

Charge do Clayton (opovo.com.br)

Andréia Sadi
G1

A briga entre o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o ministro da articulação política, Luiz Eduardo Ramos, expôs, mais uma vez, os diferentes grupos que cercam — e apoiam — o presidente Jair Bolsonaro.

Salles, inflado pela chamada ala ideológica, partiu para cima de Ramos, com acusações a respeito de assuntos da pasta do Meio Ambiente. Mas, na verdade, o foco era outro. Nas últimas semanas, ministros da chamada ala militar viraram alvos nas redes sociais da ala ideológica.

CASO DAS VACINAS – Pazuello, da Saúde, foi criticado por assinar um acordo com o governador de São Paulo, João Doria, para comprar vacinas contra a Covid-19. O presidente estava ciente do acordo, mas foi surpreendido pelos ataques nas redes sociais por parte de sua base. Diante da repercussão, enquadrou Pazuello e disse que não ia comprar nada. A base nas redes sociais se acalmou — até criar a próxima crise.

Na sexta-feira passada, arrumaram um novo alvo: o ministro Ramos, também da ala militar. Na visão de auxiliares presidenciais ouvidos pelo blog, a ala ideológica atribui desde sempre a Ramos o acordo do presidente Bolsonaro com os partidos do chamado Centrão.

Como o presidente fez campanha em 2018 atacando o grupo, vendendo-se como o candidato da nova política, os apoiadores do presidente que votaram naquela bandeira se revoltaram com o acordo com partidos de investigados, por exemplo, na Lava Jato, enxergando uma espécie de traição.

AVAL DE BOLSONARO – Ocorre que o acordo com Centrão foi costurado por diversos ministros, entre eles Ramos e Fabio Faria, mas só foi para frente pois foi determinado — e avalizado — pelo presidente da República. Mas, nas palavras de um assessor presidencial: “Como eles não podem atacar o presidente, atacam o entorno e sempre alguém paga o pato”.

O acordo com Centrão foi feito para garantir sustentabilidade política ao presidente — e tem dado certo, garantindo uma melhor relação entre os Poderes —, diferentemente do que aconteceu no primeiro semestre, quando Bolsonaro ainda não estava preocupado em se relacionar com os demais Poderes.

O governo foi buscar o acordo logo após a prisão de Fabricio Queiroz e do avanço dos inquéritos abertos no STF que preocupam a família e aliados de Bolsonaro (fake news e manifestações antidemocráticas). Por sobrevivência política, Bolsonaro parou de atacar Congresso e STF. Mas seus aliados continuaram nas redes sociais. Incluindo os filhos, como Eduardo e Carlos.

ESTRAGO – Sobre a crise dos últimos dias, o governo viu o potencial de estrago na construção harmoniosa de ocasião com os demais poderes na briga Salles com Ramos, quando Ramos recebeu o apoio público dos presidentes da Câmara e do Senado e líderes do Centrão, além de ministros do STF e ministros do governo — em caráter reservado, em conversa com o blog — terem criticado a postura de Salles. Por isso, o ministro do Meio Ambiente recuou e pediu desculpas.

Tudo em nome da sobrevivência e estabilidade política do governo. Nada a ver com arrependimento de pensamento dos chamados ideológicos que apoiam — incluindo os próprios filhos — ou com uma promessa de parar com fogo amigo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
O comportamento da ala ideológica em relação a Bolsonaro se assemelha ao de uma mãe que nunca vê defeito no filho, mesmo sabendo a bagunça que ele faz. No fundo, boa parte dos apoiadores já enxergou o quão contraditório, incapaz e irresponsável o ainda presidente é. Aliás, sempre foi, vide o seu “trabalho” nas últimas décadas enquanto parlamentar. Nada fez e nada fará.

Não entende patavinas do riscado e se puder atrapalha mais do que ajuda. Mas voltando ao fatos, a ala ideológica, que não dá o braço a torcer, sempre justifica os atos insanos do seu presidente, tal e qual o marido traído que culpa o sofá.  Bolsonaro não foi obrigado por ministro algum a se vender. Fez por interesses particulares, em troca de uma esperada segurança no Congresso. Foi e continua a ser apenas mais do mesmo. E isso os seus apoiadores não aceitam. Mas terão que engolir !

Seus comparsas utópicos tentam justificar o fato pela má influência dos que rodeiam Bolsonaro, ignorando que ele é o mandatário. Enquanto isso, o próprio se finge de bobo, de louco e continua livre, leve e sem as providenciais camisa de força e mordaça. (Marcelo Copelli)

Militares perdem o papel de ‘garantidores’ de Bolsonaro e assistem em silêncio à aliança com o Centrão

Charge do Zé Dassilva (twitter.com)

Tânia Monteiro
Estadão

Protagonistas do governo, os militares têm assistido sem contestação a uma guinada do presidente Jair Bolsonaro. Com 6.157 cargos em todos os escalões da administração federal, a ala militar optou por se manter em silêncio diante da decisão do chefe do Executivo de se aliar ao velho Centrão, de se juntar a quem sempre criticou e também de suas frequentes “cotoveladas” nos generais da Esplanada dos Ministérios.

Com Bolsonaro desde a campanha, os militares eram vistos por parte do eleitorado como uma garantia de que o presidente, um político oriundo do baixo clero e com forte viés ideológico, seria tutelado. Eleito, Bolsonaro virou o jogo, ofereceu privilégios e hoje recebe dessa ala consentimento até mesmo quando dá um “cala a boca” público num general da ativa.

VACINAS – Poucas horas depois de ter sido desautorizado publicamente com um “Quem manda sou eu, não vou abrir mão da minha autoridade” – e obrigado a cancelar o acordo para a compra de 46 milhões de doses da vacina contra covid-19 -, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, recebeu a visita de Bolsonaro – que saiu de lá, na quinta-feira, com o que foi buscar.

“É simples assim: um manda e outro obedece”, disse o general, com um leve sorriso no rosto. O vídeo, gravado no hotel onde Pazuello se recupera do tratamento de coronavírus, revela, ainda, que ele seguiu mais uma instrução do chefe: não usava máscara. Bolsonaro também estava sem a proteção no rosto.

Nesse e em outros episódios que os atingiram, os militares preferiram não reagir. Os generais da reserva Hamilton Mourão, vice-presidente; Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, além dos demais oficiais influentes, deixaram de lado os discursos contundentes que marcaram a geração militar pós-ditadura.

ESCÂNDALONas últimas semanas, eles também adotaram o silêncio quando Bolsonaro escolheu o desembargador Kassio Marques, ligado ao Centrão, para o Supremo Tribunal Federal, e após o escândalo protagonizado pelo senador Chico Rodrigues (DEM-RR), então vice-líder do governo, flagrado pela Polícia Federal com dinheiro na cueca. Ficaram calados, ainda, quando Bolsonaro atacou o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça Sérgio Moro.

As postagens de Villas Bôas no Twitter, em um passado não muito distante, sempre eram aguardadas a cada escândalo político e movimento de opositores. Em abril de 2018, por exemplo, às vésperas do julgamento pelo Supremo do habeas corpus em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Villas Bôas repudiou a “impunidade”. Procurado pelo Estadão, o general não quis se pronunciar. A amigos, ele tem dito que, neste momento, a “maior contribuição é o silêncio”.

A omissão sobre os últimos movimentos do governo virou motivo de meme nas redes sociais. “Não se esqueça de parabenizar as conquistas de nossos militares que se sacrificaram pela Nação: conseguiram se safar da reforma da Previdência; ganharam aumento durante a pandemia; vão se safar da reforma administrativa e vão ganhar mais dinheiro do que o Ministério da Educação”, diz um deles.

“ENGANO” – O general da reserva Luiz Cesário da Silveira Filho, ex-comandante Militar do Leste, no Rio de Janeiro, e crítico da ex-presidente Dilma Rousseff por causa da criação da Comissão da Verdade, considerou “um engano” achar que as Forças Armadas poderão ser prejudicadas pela existência de militares no governo. “O povo sabe separar isso daí”, disse ele. “Não tinha outra saída (a não ser se aliar ao Centrão) para garantir governabilidade e aprovar medidas.”

Professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), o pesquisador Carlos Melo rejeita a tese quase hegemônica na caserna de que a aliança com o Centrão era inevitável para garantir a governabilidade. “Alguns militares podem achar isso porque foram convencidos ou se deixaram convencer. Só que Bolsonaro se cercou do Centrão também por suas conveniências, que envolvem questões pessoais, de Justiça, os filhos, a família”, observou.

Melo avalia que Bolsonaro não precisava do Centrão para garantir a aprovação de projetos na Câmara e no Senado porque, mesmo sem base parlamentar, ele contou com “boa vontade extraordinária” do Congresso, aprovando, inclusive, a reforma da Previdência. “A aproximação com o bloco foi questão de proteção. Bolsonaro se aliou ao Centrão não para ter governabilidade, mas para ter blindagem por conta dos seus problemas políticos e até familiares”, argumentou o pesquisador do Insper.

COALIZÃO – Antecessor de Heleno no GSI, o general da reserva Sérgio Etchegoyen defende o modelo de “governo de coalizão” do Planalto. Ex-ministro do governo Michel Temer, Etchegoyen disse à reportagem do Estado que “imaginar que seja possível governar um país complexo sem fazer composição nem alianças é um sonho impossível”. Em sua avaliação, “a composição, quando é sadia, tem um grande benefício”.

O ex-ministro da Defesa Raul Jungmann advertiu, por sua vez, que os militares e as Forças Armadas têm muito a perder ao se identificar com um governo, e não com a “totalidade” da Nação. “Esse é um risco que deve ser evitado a todo custo”, destacou Jungmann. Um ex-integrante do Alto Comando das Forças Armadas, que preferiu não dar declarações públicas sobre o tema, admitiu existir na sociedade “uma percepção muito grande” de que as Forças Armadas estão extremamente associadas ao presidente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Votei em Bolsonaro para me livrar do PT, e só votarei nele de novo se houver segundo turno contra o PT

/ Agencia RBS

Charge do Gilmar Fraga (Rádio Gaúcha/Zero Hora)

Antonio Fallavena

Frequentes mudanças radicais demonstram descontrole, desconhecimento ou falta de capacidade de avaliação. O presidente Jair Bolsonaro tem feito isto, desde os primórdios de seu governo. Quantas vezes falou e depois se corrigiu? Quantas vezes mudou de opinião ao primeiro questionamento? Diz e desdiz; faz e desfaz, com facilidade. Essa conduta não é sinal de bom senso.

Votei nele sabendo das deficiências, mas com esperança de que o conjunto conseguisse controlá-lo. Errei e milhões de brasileiros fizeram como eu, não tinham outra opção, a não ser anular o voto e facilitar a manutenção da quadrilha petista no poder.

PROMESSAS VÃS – Completar obras que se iniciaram em outros governos, isso é obviedade. Na verdade, Bolsonaro chutou quase tudo o que prometeu. Além disso, cometeu atos impensáveis, seja ao nomear ministros ou ao demiti-los.

Sempre trabalhei para viver em um país justo com relação a seu povo e que obedeça a princípios. Não tenho agora o direito de aceitar remendos, acatar desajustes e ficar calado.

Algum dúvida de que o presidente tem problemas cognitivos e emocionais? Bolsonaro é diversionista e age  como aqueles que, cercados de problemas, jogam flores para os lados e distraem os patetas.

OBSESSÃO COM A CHINA – Sem a menor dúvida, a obsessão de Bolsonaro com a China já atingiu um nível inaceitável. Por causa da vacina chinesa que todos almejam, menos o presidente, o atual ministro da Saúde quase foi demitido.

Se a China é tão ruim, parem de vender e receber dinheiro dos chineses! Aliás, espera-se que os seus cientistas descubram também uma vacina para burrice.

Enfim, o país é bom demais para ter tanta gente omissa e incompetente, sem valores e que aceita tudo de boa vontade.

ELEITORES TRAÍDOS – É uma estranha relação de traições. Bolsonaro traiu milhões de eleitores. Quem votou nele sabe do que falo. Quem votou e acha normal o que ele vem fazendo, tem os mesmos valores dele! Quem votou contra, fala por falar!

O senador Major Olímpio (PSL-SP), quando estava na base do governo, foi instado a retirar seu nome da lista de convocação da CPI da Lava-Toga. O palácio cobrou e ele não retirou. Já o Flávio Bolsonaro, aquele que faz de tudo para fugir a investigações e julgamentos (por que será?), jamais se prontificou a assinar a lista!

Votei em Bolsonaro como atitude extrema para tirar o quadrilhão do PT que saqueava o cofre do país! Votar em Bolsonaro novamente? Só se corrermos o risco de o PT voltar. Num segundo turno que não seja contra o PT, meu voto jamais será a favor de Bolsonaro! O voto nele é só para eliminar coisa ruim pior!

A oito dias da eleição, as pesquisas não mudam, mas Trump ainda tem chances de vitória

Property Lines: Picking Sides On the Real Estate Policies of Biden and Trump  – Commercial Observer

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Dorrit Harazim
O Globo

Os murmúrios se adensam, a respiração mundial acelera, mas ninguém ousa se fazer ouvir a plenos pulmões. Até porque ainda é cedo — falta uma eternidade de 8 dias até o 3 de novembro. A insensatez arrogante que levou o Partido Democrata e Hillary Clinton à implosão em 2016 ainda sangra. Melhor represar o otimismo e concluir o aprendizado de como não menosprezar o poder feroz de Donald Trump.

Após o debate de quinta-feira, é razoável achar que o presidente dos EUA perdeu uma grande chance de ressurgir competitivo. Em seu derradeiro confronto ao vivo e na veia com o adversário, Trump pode ter desperdiçado a última oportunidade para mudar a dinâmica eleitoral em curso. Como se sabe, os números têm sido francamente favoráveis a Joe Biden.

PESQUISAS VALEM POUCO – Mas, como também se sabe, as pesquisas eleitorais que dão uma vantagem nacional de 8% a 12% ao candidato democrata valem pouco no labiríntico sistema eleitoral indireto do país. Se três ou quatro dos 50 estados americanos não votarem democrata (os “estados-pêndulos”), Donald Trump não arreda pé da Casa Branca.

Não existe superlativo capaz de traduzir tudo o que está em jogo neste 3 de novembro de 2020. Tampouco é exagerado falar em consequências planetárias para a democracia, o progresso, a solidariedade de gerações futuras. Levando em conta o peso mastodôntico dos Estados Unidos no mundo, o resto da aldeia global será afetada pelo resultado, inclusive na sua essência mais elementar — a humanidade.

Vale relembrar a pergunta final dirigida aos dois candidatos pela moderadora Kirsten Welker (que deu uma sólida master class em jornalismo na condução do debate). A pergunta era previsível, e ambos tiveram tempo de sobra para ensaiar a resposta que melhor espelhasse seu DNA. E assim foi. Trump nada tem a dizer a quem não o segue. Foi estreito, tribal, ominoso em sua busca perpétua por “sucesso”. Biden foi Biden:

MEDIADORA: “No seu discurso de posse, o que o senhor gostaria de dizer àqueles que não lhe deram o voto?”.

Trump: “Precisamos fazer nosso país voltar a ter o mesmo sucesso total que tinha antes da praga vinda da China”.

Biden: “Sou presidente dos Estados Unidos, não de estados vermelhos (republicanos) ou azuis (democratas). Represento todos vocês, tenham votado a favor ou contra mim. Vou lhes dar esperança. Vamos dar preferência à ciência sobre a ficção, à esperança sobre o medo”.

Como escreveu a autora Zadie Smith em ensaio sobre otimismo e desesperança, o progresso humano nunca é permanente, estará sempre sob ameaça e, para sobreviver, precisa ser constantemente reimaginado, reafirmado, reforçado. Biden parece saber que a esperança lúcida é uma forma de resistência contra os desvios da democracia. Já Trump nunca entendeu que a timeline do progresso humano não começa nem termina na sua timeline pessoal, cujo único norte é o “sucesso”.

DESPREZO POR CARTER – Dias atrás o jornalista do New York Times Mark Leibovich relembrou um episódio que testemunhou em 2015, quando Trump arrombou com estrondo a disputa pela Casa Branca. Afundado na limusine que o transportava pelas ruas de Nova York, o magnata-celebridade pôs-se a falar do desprezo que sentia por Jimmy Carter. O motivo do desdém pelo ex-presidente democrata de um só mandato (1979 a 1981) não era o fato de Carter ter sido escorraçado nas urnas por Ronald Reagan.

“Carter tinha a mania de embarcar no avião presidencial carregando a própria bagagem. Não quero um presidente que desembarca carregando seu saco de cuecas sujas”, explicou. No seu entender, isso transmitia uma mensagem péssima, cabendo a um comandante em chefe ser mais imperial, superior, jamais se comportar como um servidor qualquer.

IRONIA HISTÓRICA – Há uma ironia embutida no episódio. A se confirmarem as pesquisas atuais, o mesmo Trump que conseguiu transformar a Casa Branca num palácio de dourados ofuscantes corre o risco de ser defenestrado após um só mandato, como Carter. E, se assim for, de uma coisa pode-se ter certeza: não há a mais remota chance de o 45º presidente vir a evoluir como espécime humano a ponto de se tornar um ex de hombridade semelhante à do “carregador de cuecas”. Aos 98 anos, o cidadão Jimmy Carter é atuante e produtivo na vida cívica, respeitado dentro e fora de seu país.

Mas e se as pesquisas estiverem fora de prumo? Segundo estudo da Associação Americana de Psicologia, mais de dois terços da população adulta dos Estados Unidos descreve a eleição de novembro como “forte motivo de ansiedade em suas vidas” — muito além, portanto, dos 63 milhões que instalaram Donald Trump na Casa Branca. À Covid-19 veio se juntar a Angst-2020.

 

Noruega e a Alemanha, ironizadas por Bolsonaro, não querem mais financiar o Fundo Amazônia

Bolsonaro terá reunião com presidente da Ucrânia no Japão | Poder360

Bolsonaro falou o que não devia e perdeu as doações

Pedro Henrique Gomes e Fernanda Vivas,  
G1 e TV Globo

Em maio deste ano, o vice-presidente Hamilton Mourão chegou a anunciar que o governo recriaria o conselho gestor do Fundo Amazônia. A declaração foi dada após reunião com embaixadores da Alemanha e da Noruega, que patrocinam as atividades de preservação, junto com a Petrobras.

Na época, o vice-presidente – que preside o Conselho da Amazônia – disse que a ação faria parte do movimento para reativar o fundo. Passados quase cinco meses, o ato não se concretizou.

BOLSONARO DESDENHOU – Desde o ano passado, já no governo do presidente Jair Bolsonaro, o fundo se tornou alvo de polêmica. Maiores doadores, Alemanha e Noruega suspenderam os repasses ao Brasil em agosto do ano passado, quando as atividades já estavam paralisadas.

Na ocasião, Bolsonaro desdenhou da decisão dos países europeus. “A Noruega não é aquela que mata baleia lá em cima, no Polo Norte, não? Que explora petróleo também lá? Não tem nada a dar exemplo para nós. Pega a grana e ajude a Angela Merkel a reflorestar a Alemanha”, afirmou na ocasião.

Mais de um ano depois, o chefe da assessoria diplomática da Vice-Presidência da República, embaixador Juliano Féres Nascimento, diz que a negociação para a retomada do Fundo Amazônia é uma das prioridades do Conselho da Amazônia, presidido por Mourão.

DOADORES RETICENTES – Segundo o diplomata, as negociações estão em andamento, mas os países que colocam dinheiro no Fundo Amazônia esperam uma diminuição maior dos índices de desmatamento e de queimadas.

“Apesar do firme compromisso e do empenho do governo federal em combater as ilegalidades que atentam contra as normas ambientais brasileiras, os doadores internacionais tem expectativa, sim, de uma redução mais significativa das áreas atingidas por essas ações criminosas”, disse Nascimento.

“Infelizmente, as dificuldades encontradas no terreno somadas à intensidade da pandemia da Covid-19 inviabilizaram a esperada a inversão de tendência na magnitude desejada para a reativação do fundo”, declarou.

RECRIAR O COMITÊ? – O embaixador afirmou que o governo não pode simplesmente recriar por decreto o comitê orientador do fundo, pois os recursos são repassados mediante contratos privados entre os doadores e o BNDES.

“Portanto, caso os termos do decreto não reflitam o conteúdo do documento de projeto acordado com os doadores, a normativa será inócua pois não surtirá efeito sobre a liberação de recursos do Fundo Amazônia, que permanecerão congelados por determinação dos doadores”, declarou Nascimento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, o presidente Bolsonaro e seu fiel e competente ministro Ricardo Salles não deram a menor importância às doações da Noruega e da Alemanha, que foram ridicularizadas por Bolsonaro. Já explicamos aqui na TI  que hoje o Fundo Amazônia tem apenas um patrocinador, a Petrobras. Porém, com a privatização de importantes subsidiárias, em breve a estatal não terá condições de patrocinar nada. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)  

Esquerda se perde entre a pulverização de candidaturas e favorece o crescimento da direita

Brasil tem 13,5 milhões de miseráveis

Charge do duke (dukechargista.com.br)

Vera Magalhães
Estadão

O panorama das disputas municipais mostra uma constante de Norte a Sul do País: depois de 2018, a esquerda segue dividida, com o PT insistindo em transformar a sua estratégia eleitoral de agora e de daqui a dois anos num tribunal sobre as culpas pelo impeachment de Dilma Rousseff e a posterior eleição de Jair Bolsonaro – partindo da premissa, é claro, que nem uma coisa nem outra são sua própria responsabilidade.

Por conta dessa divisão, cidades como Fortaleza e Recife assistem a uma autofagia do chamado campo progressista, abrindo espaço para o crescimento, ao menos temporário, como mostram as pesquisas, de nomes de centro-direita e direita.

FORA DA DISPUTA – Outras capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, assistem à possibilidade de a esquerda simplesmente ficar de fora da disputa final por conta dessa dificuldade de unir propósitos e agendas.

O candidato petista em São Paulo, Jilmar Tatto, começa a sair do pelotão dos últimos colocados justamente quando se iniciava um movimento interno para que desistisse da candidatura para apoiar Guilherme Boulos, do PSOL.

Era evidente que um candidato petista em São Paulo não amargaria índices tão baixos quando se tornasse conhecido. Mas a questão é outra: qual o teto para o partido na cidade depois de ter perdido no primeiro turno quando governava a capital e, dois anos depois, Fernando Haddad também ter sido derrotado em terras paulistanas?

DESORIENTAÇÃO PETISTA – Isso deveria ter levado o PT a uma reflexão profunda de seu próprio legado nacional e local, e a propor uma candidatura que pudesse ser uma resposta a essas derrotas, e não uma reafirmação de tudo que levou a elas, como a de Tatto.

Usar o pleito de 2020, em plena pandemia, com Jair Bolsonaro tendo cruzado todos os limites dos arreganhos autoritários, para repisar as teses de que Dilma sofreu um golpe e Lula foi tirado do pleito de forma ilegítima, como fazem nomes como a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, todo santo dia, é mostrar que não se entendeu nada do cenário de 2013 para cá e se quer dar mais uma chance para Bolsonaro.

GUEDES SUBMERSO – O presidente, marotamente, mandou Paulo Guedes submergir até depois da eleição. Não quer ouvir falar em nova CPMF até lá, porque pensa em “varrer o PT do mapa”, sobretudo no Nordeste.

A resposta da esquerda: brigar entre si em Estados e capitais que hoje governa e ignorar a pandemia e a responsabilidade de Bolsonaro sobre ela. O que importa é uma disputa particular para ver se será o lulismo ou o cirismo a largar na frente para 2022, ainda que à custa de redução do espaço nacional da esquerda como um todo.

Fica evidente que um campo político está desnorteado quando se vê, por exemplo, que o fim de semana é tomado por dois “atos”: de um lado, os movimentos negros “cancelando” Fernando Haddad por conta de uma piada sem graça com suposta conotação racista – a despeito do que o petista efetivamente tenha feito como ministro, prefeito ou acadêmico em relação ao combate ao racismo.

UM PASSO ERRADO – De outro, uma campanha virtual de militantes petistas para banir do Twitter o jornalista Samuel Pancher – que nos últimos meses tem feito um trabalho muito acurado de expor as mazelas bolsonaristas por meio de vídeos mostrando o presidente em todo o seu esplendor atentatório à democracia – só porque ele “ousou” opinar que há traços antidemocráticos também no PT.

Com tal grau de interdição do espaço de dissenso e tamanha incapacidade de discutir a sério o longo e tortuoso caminho que nos trouxe até aqui, o campo que vai do centro (que incorre nos mesmos erros e tem ainda menos relevância) à esquerda vai ficar correndo atrás do próprio rabo e esperando por anos até voltar a ter aderência no conjunto da sociedade, para além das bolhas.

Pensando bem, o fanatismo por Bolsonaro ou Lula tem muitas características em comum

TRIBUNA DA INTERNET | Fanatismo político é uma doença degenerativa da mente  e da alma. Pense nisso.Francisco Bendl

Bolsonetes prá cá, luletes prá lá, a verdade é que os dois responsáveis pela divisão de fãs, admiradores e sectários no Brasil, têm muito em comum: ambos sempre detestaram o pobre, o miserável e o desempregado e, como consequência, jamais se importaram com o ensino/educação, pois não há razão para se investir nessa área com a “qualidade” do povo brasileiro, pensam.

Lula aumentou a condenação de mais alguns milhões de brasileiros à condição de carentes e necessitados, ao ampliar o Bolsa Família; Bolsonaro agora quer mudar o nome da esmola para Renda Cidadã, um deboche sádico e cruel com os beneficiados, ao definir o auxílio como “renda”, e aumentar os condenados à miséria e à pobreza.

MOTIVAÇÕES – Lula deve ter tido como motivação – apoiava fervorosamente a Teologia da Libertação – que, de fato, Deus ama os pobres, pois os fez em quantidade, ora! Bolsonaro, crendo em Deus de uma forma diferente, imaginou que o Criador também ama os medíocres, pois fez alguns, então os escolheu para seu staff, conforme o seu alcance mental.

Ambos líderes de torcida não melhoraram a vida do povo, mas, em compensação, foram pródigos na manutenção e proteção às castas, elites e sistema econômico.

O comandante petista ainda tem um outro aspecto, pois lhe disseram que Jesus não era contra os ricos. Resultado: foi nos dois períodos governados por ele que os bancos mais lucraram na história brasileira!

AGORA, EMPOBRECENDO – E, curiosamente, tem sido no primeiro mandato de Bolsonaro, que o povo mais empobreceu, pois também o ex-capitão e ex-deputado federal entende que não se deve jogar pérolas aos porcos, haja vista ser essa a maneira como interpreta os desvalidos.

Lula é ateu, assim como a maioria absoluta dos petistas. Menos,  é claro, quando precisam do voto, então participam de missas, cultos, frequentam sinagogas, mesquitas, templos, santuários, e acendem velas para os santos católicos, morubixabas, e visitam terreiros de conhecidos pais de santos (o que não se faz por votos…).

Bolsonaro se diz fiel a Deus e afirma sempre tê-lo ao seu lado. Ainda diz ser católico, para não perder votos, mas se comporta como evangélico pentecostal, para ganhar votor.  Chegou a dizer que a sua eleição era obra divina, declarou-se “enviado de Deus”… No entanto, a sua forma de “entender” Deus é egoísta, vaidosa, ambiciosa, exclusivista e pretenciosa.

AO LADO DE DEUS – O presidente deveria saber que a sua preocupação não é se Deus está ao seu lado, porém, se ele, o presidente, está do lado de Deus.

Resumo da ópera: tanto os ateus quanto os crentes que nos governaram não se saíram bem. Hoje, um pseudo evangélico exerce a presidência, o que me deixa preocupado, pois receio  que Bolsonaro se ache o Moisés, e mais pragas ocasione contra o país e povo, imaginando que, até sem cajado, resolverá os nossos graves problemas!

Na medida que existem dificuldades imensas entre quem crê e quem descrê de Deus, ou seja, é difícil surgir um candidato que se declare agnóstico, pois não seria eleito.

A sina do povo será esta, permanentemente: com crentes, a miséria aumenta; com ateus, os ricos ficam mais ricos.

A escolher, em 2022!

Lava Jato no Rio pede restituição de R$ 230 milhões de delatores à União com transferências e venda de imóveis

Bens eram de Dario Messer, de seus familiares e de seus operadores

Deu no Estadão

A força-tarefa da Lava Jato no Rio pediu à 7ª Vara Federal Criminal do Estado que determine o depósito de R$ 137,5 milhões em conta judicial e ordene a venda de 33 apartamentos, casas e terrenos do Rio de Janeiro e São Paulo, com valor estimado em R$ 92,8 milhões, para restituir à União o patrimônio renunciado por réus em acordos de colaboração fechados com o Ministério Público Federal.

Os bens eram de Dario Messer, o ‘doleiro dos doleiros, de seus familiares Rosane e Denise Messer, e de seus operadores Rafael e Mario Libman. As informações foram divulgadas pelo MPF do Rio.

LEILÃO – Entre os imóveis de Messer que a Procuradoria quer mandar a leilão estão uma cobertura no Leblon (Av. Delfim Moreira, nº 1130), sete apartamentos e um terreno na Barra da Tijuca e outros bens na Lagoa (casa), Copacabana (apartamento) e Leblon (duas salas comerciais).

Já o pedido relacionado a Rosane Messer lista duas salas comerciais no Leblon e um apartamento em Ipanema. A liberação deste último para venda também precisa de aval da 4ª Vara Federal Criminal do Rio, onde tramita outra ação. Quanto a Rafael Libman, a solicitação da Lava Jato envolve oito imóveis no Recreiro, três na Barra, três em Botafogo, um em Vila Isabel e um do Leblon.

Com relação ao pai de Rafael, Mario, operador ligado a Messer, os procuradores querem leiloar dois apartamentos no Itaim Bibi e um na Vila Nova Conceição, em São Paulo. Ele tem ainda uma lancha Coral 27 guardada em Angra dos Reis que terá de ser avaliada – no entanto, modelos similares são anunciados por cerca de R$ 150 mil, diz a Procuradoria.

BENS –  Messer e seus familiares ainda possuíam outros bens aos quais renunciaram no acordo de colaboração fechado com o MPF. Com relação ao patrimônio do doleiro no Paraguai e nos EUA, por exemplo, a Procuradoria já formalizou pedido de cooperação internacional para o seu compartilhamento.

A força-tarefa da Lava Jato também se manifestou sobre dez telas de Di Cavalcanti, uma de Djanira e uma de Emeric Marcier, também já renunciadas pela família Messer. Está pendente de julgamento no Tribunal Regional Federal da 2ª Região um recurso da Procuradoria que quer tornar públicas as obras.

A 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro tinha ordenado o leilão das telas, mas o MPF recorreu por considerar inestimável o valor desse patrimônio imaterial. Os procuradores sugeriram que a coletânea fosse doada ao Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) e expostas a toda a sociedade. Em relação ao patrimônio de Dario Messer no Paraguai e nos EUA, o MPF já formalizou pedido de cooperação internacional para o seu compartilhamento.

Direção nacional do PT questionará candidatos a prefeitos que não usam campanha para defender Lula

PT enfrenta resistência na estratégia de nacionalizar a eleição municipal

Ricardo Galhardo
Estadão

A direção nacional do PT vai questionar os candidatos a prefeitos de capitais que não estão cumprindo a decisão partidária de usar as campanhas para fazer a defesa do PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o embate com o governo Jair Bolsonaro. O partido tem enfrentado resistência de alguns candidatos que se recusam a nacionalizar as campanhas municipais.

A dificuldade foi exposta pelo coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT, deputado José Guimarães (PT-CE), em reunião com a direção do partido nesta semana. Segundo dirigentes, uma subcomissão do GTE encabeçada por Guimarães e pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, vai procurar as campanhas nas capitais para cobrar a nacionalização.

LEGADO – “Existe uma subcomissão do GTE que tem se reunido com os candidatos das capitais discutindo a importância de levar para os programas o legado do PT, de fazer o enfrentamento com o governo Bolsonaro, fazer a defesa do presidente Lula e informar à população brasileira o estado real da crise pela qual estamos passando”, disse e secretária nacional de Finanças do PT, Gleide Andrade.

Segundo ela, algumas campanhas como a de Nilmário Miranda em Belo Horizonte já se reposicionaram. Gleide citou como exemplo de campanhas que desde o início estão “indo para cima” de Bolsonaro: as de Márcio Macedo, em Aracaju, e Jilmar Tatto, em São Paulo. Tanto os dois quanto Nilmário ocupam posições intermediárias nas pesquisas de opinião, com poucas chances de vitória.

Entre as campanhas que são alvo de reclamação está a de João Coser, em Vitória. Com boas chances de ser eleito, Coser não tem dado destaque à cor vermelha do PT nem usado a imagem de Lula.

ORDEM DE LULA – A estratégia de lançar o maior número de candidatos possível nas grandes cidades brasileiras foi uma ordem de Lula. O objetivo é usar o bom tempo na TV dos candidatos para tentar reabilitar o partido depois da série de reveses iniciada com a Lava Jato, impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a prisão de Lula. O alvo é 2022. Segundo aliados, a estratégia ajudou a pulverizar as candidaturas e diminuir a força da esquerda nas eleições deste ano.

Esta não é única iniciativa do PT para fazer com seus candidatos nacionalizem a eleição municipal. Na terça-feira, Gleisi e o secretário de Comunicação, Markus Sokol, enviaram um comunicado a todas as instâncias partidárias pedindo que no dia 27, aniversário de Lula, os candidatos do partido usem seus horários na TV para defender a anulação das condenações contra o ex-presidente nos casos do sítio em Atibaia e do triplex no Guarujá.

TSE nega pedido da defesa de Fernando Pimentel para anular buscas da PF em endereços do ex-governador

Defesa de Pimentel alega que ouve violação de jurisprudência

Deu no G1

O ministro Luis Felipe Salomão, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou um recurso em habeas corpus da defesa do ex-ministro e ex-governador Fernando Pimentel (PT) para anular uma ação de busca e apreensão em dois endereços ligados ao político realizada no ano passado.

No dia 12 de agosto de 2019, a Polícia Federal (PF) realizou a Operação Monograma contra crimes eleitorais e lavagem de dinheiro em 2014. Ela foi um desdobramento da Operação Acrônimo. Os agentes foram ao apartamento e ao escritório de Pimentel, onde recolheram documentos.

DELITOS ELEITORAIS – A suspeita é de delitos eleitorais, em que empresas de consultoria teriam simulado a prestação de serviços para o recebimento de vantagens ilícitas em montante superior a R$ 3 milhões. À época da operação, a Polícia Federal informou que investiga se o ex-governador seria sócio oculto destas empresas de consultoria, que teriam sido contratadas para lavar dinheiro recebido ilicitamente de uma construtora.

Na decisão, o ministro argumentou, entre outros pontos, que não houve “constrangimento ilegal a ser reparado pela via estreita do habeas corpus”, negando seguimento ao recurso. O advogado Eugênio Pacelli informou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele afirmou que entende que a decisão que autorizou a busca e apreensão violou jurisprudência do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo o advogado, caso o pedido da defesa fosse aceito, o material colhido nos endereços de Pimentel seria invalidado. “Não estamos preocupados com elas [provas], mas a violação é clara”, disse.

“Conquistas” de Salles no Meio Ambiente: aumento da devastação e perda das doações externas

Nani Humor: RICARDO SALLES

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro Henrique Gomes e Fernanda Vivas
G1 e TV Globo

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, admite que o governo federal não recriou o Conselho Orientador do Fundo Amazônia, extinto há mais de um ano, porque os países europeus doadores rejeitaram mudanças no modelo de gestão dos recursos.

De acordo com Salles, o governo queria mexer na composição do conselho e extinguir a necessidade de decisão unânime no colegiado. Sem acordo entre os governos estaduais, o comitê foi extinto em abril de 2019 e, desde então, o fundo está paralisado.

DOADORES DESISTIRAM – “Um eventual novo decreto contemplaria condições negociadas que traziam essas preocupações do governo federal. Por outro lado, mantinham algumas ponderações sobre a ótica dos doadores. Infelizmente, essas condições de acordo não foram encontradas. Os doadores não concordaram”, disse Salles.

A explicação foi dada por Salles em uma audiência pública convocada nesta sexta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para debater a paralisação do Fundo Amazônia. O tribunal analisa uma ação de partidos de oposição, que apontam omissão da União ao não executar a verba doada pelos países europeus. A relatora do processo é a ministra Rosa Weber.

A extinção do conselho orientador foi feita por um decreto de “revogaço” do presidente Jair Bolsonaro. No mesmo ato, ele extinguiu outros mais de 250 decretos sobre diversos temas.

DOAÇÕES SUSPENSAS  – Com o impasse, o Brasil não aprovou nenhum projeto para receber verbas do Fundo Amazônia desde 2018.

O fundo foi criado em 2008 e capta doações para financiar projetos de combate ao desmatamento e uso sustentável da floresta. Noruega e Alemanha são os principais doadores. No Brasil, o fundo é gerido pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo Ricardo Salles, essa nova formatação para o comitê gestor dos recursos seria definida em um novo decreto, junto com a recriação do colegiado e a reativação do Fundo Amazônia.

NOVA COMPOSIÇÃO – O ministro do Meio Ambiente afirma que as mudanças chegaram a ser negociadas com os representantes diplomáticos dos doadores. Salles diz que o governo queria “igualar” o número de cadeiras no conselho e extinguir a divisão de vagas entre segmentos.

Na formatação original, o conselho tinha nove representantes do governo federal, nove representantes dos governos estaduais (um de cada estado da Amazônia Legal) e seis da sociedade civil. Salles não explicou, na audiência pública, como ficaria o novo cálculo.

O ministro também declarou que pediu mudanças na forma de deliberação do conselho. Pelo regimento do grupo, todas as decisões deveriam ser tomadas por unanimidade – algo que Salles diz ser inviável.

SEM OPOSIÇÃO – “Em um comitê plural, em que certamente estariam presentes opositores do governo, não faria sentido que as decisões fossem tomadas, como era outrora, em caráter unânime apenas. Por que provavelmente essa unanimidade jamais seria alcançada”, disse.

O ministro do Meio Ambiente também diz que, na visão dele, o conselho deveria ter maior participação na escolha dos projetos financiados pelo Fundo Amazônia. Salles defende que as reuniões, antes semestrais, passassem a ocorrer a cada um ou dois meses.

Por fim, o ministro afirmou ao STF que defendeu a criação de um “comitê executivo” para o Fundo Amazônia, responsável por acompanhar a execução dos projetos. Isso evitaria, segundo ele, que o governo fosse surpreendido por problemas nas prestações de contas das iniciativas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Salles conseguiu perder as doações da Alemanha e da Noruega. O único patrocinador que restou é a Petrobras. Porém, com a privatização de importantes subsidiárias, em breve a estatal não terá condições de patrocinar nada. Este é o balanço da gestão de Ricardo Salles no Ministério do Meio Ambiente. (C.N.)  

Bolsonaro se irrita com pedido de redução de preço do arroz: “Vai comprar na Venezuela”, respondeu

| Últimas: Diario de Pernambuco

Jair Bolsonaro foi passear de moto e acabou se aborrecendo

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro aproveitou o domingo (25/10) para deixar o Palácio da Alvorada e dar uma volta de moto por Brasília. O chefe do Executivo estava acompanhado do secretário de governo, Eduardo Ramos. No passeio, Bolsonaro fez uma rápida parada próximo à Feira Permanente do Cruzeiro, onde saltou para cumprimentar apoiadores.

No entanto, acabou se aborrecendo, ao ser interpelado por um dos populares, que lhe pediu que barateasse o preço do arroz, item essencial na cesta básica que sofreu alta nas últimas semanas.

NA CANETADA? – “Bolsonaro, baixa o preço do arroz, por favor. Não aguento mais”, pediu o homem.

O presidente então disparou: “Tu quer que eu baixe na canetada? Você quer que eu tabele? Se você quer que eu tabele, eu tabelo. Mas você vai comprar lá na Venezuela”.

Em setembro, Bolsonaro avisou que o governo federal não interferirá no mercado para baixar o preço do item.  “Não vamos interferir no mercado de jeito nenhum, não existe canetaço para resolver o problema da economia”, justificou. No entanto, prometeu manter conversa com representantes de supermercados, aos quais pediu “sacrifício e patriotismo” e que o lucro desses itens nos estabelecimentos fosse “próximo de zero”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Em permanente campanha pela reeleição, com os generais vindo de carona, tudo o que Bolsonaro faz é pensando em ganhar votos.  Não entende a importância de ser presidente e a liturgia que o cargo requer. Comporta-se como se não fosse responsável pelos rumos do país. E os generais continuam grudados nele, como se fosse um governante de alta categoria, e não largam a carona que ele lhes oferece. (C.N.)  

Ramos diz que “não tem briga nenhuma” e Salles pede desculpas em meio à crise no governo

Ramos justificou que quando uma não quer, dois não brigam

Daniel Carvalho
Folha

Diante da escalada da crise gerada pela disputa entre os grupos ideológico e militar que compõem o governo Jair Bolsonaro (sem partido), o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, passeou de moto com o presidente na manhã deste domingo, dia 25, e negou querer brigar. Pouco depois, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi às redes sociais pedir desculpas.

“Rapaz, não tem briga nenhuma”, afirmou à Folha quando se dirigia à moto para deixar o posto de gasolina em que foi com Bolsonaro em Sobradinho, no Distrito Federal. “Tem uma definição: briga é quando [tem] duas pessoas”, disse o ministro. Indagado sobre como vai o clima no governo diante de mais uma crise entre ministros, Ramos limitou-se a falar de sua relação com Bolsonaro. “Minha relação com o presidente está excepcional como sempre.”

DESCULPAS – Pouco depois da divulgação das manifestações de Ramos, Salles disse ter procurado o ministro para se desculpar. “Conversei com ministro Luiz Eduardo Ramos, apresentei minhas desculpas pelo excesso e colocamos um ponto final nisso. Estamos juntos no governo, pelo presidente Bolsonaro e pelo Brasil. Bom domingo a todos”, disse Salles em uma publicação na internet.

O estopim para a crise entre Salles e Ramos foi uma nota no jornal O Globo na quinta-feira, dia 22, que afirmava que o ministro estava esticando a corda com a ala militar do governo em decorrência do episódio envolvendo a falta de recursos no Ibama —Salles disse que, sem dinheiro, brigadistas interromperiam atividades de combate a incêndios e queimadas.

RESPALDO – As críticas de Salles a Ramos são amparadas pelos filhos de Jair Bolsonaro e fazem parte de estratégia do núcleo ideológico para convencer o presidente a trocar o responsável pela articulação política do governo, como mostrou a Folha na sexta-feira.

A pressão ocorre nos bastidores desde agosto, mas agora veio a público com a manifestação de Salles nas redes sociais. Republicando imagem com o título da nota do jornal O Globo, ele citou nominalmente Ramos e pediu ao militar para parar com uma postura de “maria fofoca”.

A decisão de Salles de tornar público o embate, segundo assessores palacianos, busca acelerar o desgaste de Ramos para que seja possível convencer Bolsonaro a incluir o general na minirreforma ministerial programada para fevereiro.

FRITURA – A ideia é repetir a fritura realizada no ano passado com o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que também comandava a Secretaria de Governo e foi criticado pelo núcleo ideológico por sua postura moderada. Bolsonaro foi influenciado a substituí-lo no posto.

O grupo que defende a substituição de Ramos conta com o respaldo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Para reforçar o apoio a Salles, o filho 03 do presidente postou mensagem desejando força ao ministro. “O Brasil está contigo e apoiando seu trabalho”, escreveu.

A troca de Ramos também tem respaldo do secretário da Pesca, Jorge Seif, e do escritor Olavo de Carvalho, considerado o guru da família presidencial. Até o momento, Bolsonaro não deu sinais de que pretende sacar Ramos do cargo. O general conta com a confiança do presidente.

ACENOS – Na sexta, Bolsonaro fez acenos aos dois ministros. Chegou com Ramos em seu carro à Base Aérea de Brasília para a cerimônia de apresentação do Gripen, caça da FAB (Força Aérea Brasileira), que fez seu voo inaugural. Salles estava na plateia, junto com outros auxiliares presidenciais. Em determinado momento, os dois ministros ficaram próximos a Bolsonaro, que deu um abraço em Salles. Ramos apenas observou.

O vice-presidente Hamilton Mourão foi questionado por repórteres na sexta sobre as divergências entre os ministros. “Isso não passa por mim, os ministros são do presidente e eu não me meto nessa guerra”, afirmou. Caso Bolsonaro seja convencido a fazer uma mudança até fevereiro, assessores presidenciais apontam que o nome favorito para desempenhar a função é o do ministro das Comunicações, Fábio Faria.

Em conversas com aliados, porém, Faria tem dito que não pretende assumir o posto e que apoia a manutenção de Ramos. Nos bastidores, Faria já desempenha informalmente o papel de articulador, fazendo a ponte entre Executivo e Legislativo.

Após Bolsonaro estimular boicote a candidatos que usam fundão eleitoral, Carluxo se beneficia da verba pública

Carlos declarou R$ 21 mil em material com Crivella, bancado pelo fundão

Ranier Bragon e Camila Mattoso
Folha

Meses depois de Jair Bolsonaro estimular uma campanha para que a população não votasse em candidato que utiliza recursos do Fundo Eleitoral, seu filho Carlos, candidato a vereador no Rio de Janeiro, apresentou prestação de contas parcial à Justiça informando gasto de R$ 22,1 mil em material de eleitoral bancado pela verba pública.

De acordo com os documentos entregues pelo filho de Bolsonaro, ele obteve material oriundo da campanha de Marcelo Crivella (Republicanos) à Prefeitura do Rio, adesivos e outros itens de propaganda comum aos dois candidatos, a chamada “dobrada”, tendo como fonte o Fundo Eleitoral.

DISCURSO CRÍTICO – Até agora, Carlos declarou receitas no valor de R$ 45 mil.Em janeiro, Bolsonaro sofria pressão de parte de sua base eleitoral para que vetasse o direcionamento de R$ 2,035 bilhões para financiar a campanha de prefeitos e vereadores neste ano. Após ameaçar veto, o presidente sancionou a medida sob o argumento de que era pressionado pelos partidos e pela legislação, mas adotou um discurso bastante crítico.

“Eu lanço a campanha aqui, não vote em parlamentar que recebe fundão”, disse Bolsonaro em janeiro, em meio a aplausos de apoiadores. “Eu me elegi com R$ 2 milhões, via campanha na internet, e 8 segundos na televisão. Quem quer muito tempo e muito dinheiro, quer esconder a verdade. O parlamentar, especial que já tenha mandato, ele tem o momento para se fazer presente junto à população, de modo que não precise de dinheiro para sua reeleição ou até mesmo eleição para os novos que estão entrando na política”, acrescentou, à época.

BENEFICIÁRIO – Apesar do discurso, Bolsonaro foi beneficiário de dinheiro público para suas campanhas, inclusive para a presidencial, em 2018, conforme revelaram reportagens da Folha. Crivella, que conta com o apoio do clã Bolsonaro no Rio, declarou receita quase que exclusiva oriunda do Fundo Eleitoral, R$ 1,7 milhão.

Além de Carlos, a ex-mulher de Bolsonaro Rogéria (Republicanos), também candidata a vereadora no Rio com o apoio do clã, declarou recebimento de R$ 100 mil do Fundo Eleitoral. Ela é mãe dos três mais velhos do presidente.

A Folha enviou questionamentos ao Palácio do Planalto e à assessoria de Crivella, mas não obteve resposta. A Folha também procurou Rogéria e Carlos por meio dos emails e telefones informados por eles na Justiça eleitoral, mas não conseguiu contato.