Resposta ao advogado de Lula

Resultado de imagem para cristiano zanin martins

Acusações de Zanin são desfeitas por Merval

Merval Pereira
O Globo

Recebi de Cristiano Zanin Martins, advogado do ex-presidente Lula, uma carta em que, além de considerações sobre a atuação do Grupo Globo, faz críticas ao meu trabalho e aponta o que seriam incorreções e mentiras da coluna publicada na sexta-feira com o título “Segredo de Polichinelo”.

As opiniões do advogado sobre minha atuação ou a do Grupo Globo não têm a menor importância, mas fatos que ele taxa de mentirosos ou distorcidos merecem uma contestação, que passo a fazer. Diz Cristiano Martins que o ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, em seu depoimento, admitiu que Lula jamais teve a chave ou usou o imóvel; jamais manteve qualquer pertence pessoal no local; jamais teve qualquer título de propriedade do apartamento, o que demonstraria que não é o proprietário do imóvel.

RAZÕES POLÍTICAS – Esqueceu-se o advogado de que Leo Pinheiro respondeu a perguntas sobre o tema de maneira bastante direta: não havia chave nem poderia haver objetos pessoais por que o apartamento estava em obras. E, a pedido do próprio ex-presidente, a transferência do título de propriedade não feita por questões políticas pois desde 2009, quando o Globo denunciou a existência do tríplex no Guarujá, Lula pediu sucessivamente para adiar a assinatura.

O advogado Cristiano Zanin diz ainda que Leo Pinheiro “negou quando perguntado se algum recursos utilizado no tal triplex era proveniente da Petrobras”. Quem se dispuser a ver o vídeo do depoimento do ex-presidente da OAS constatará, a partir do 1h57m de gravação, que a história é bem outra.

Leo Pinheiro realmente negou que a propina fosse da Petrobras, mas o fez de maneira irônica: “Quem paga propina é a contratada, não a contratante”. E relatou que a propina paga pela OAS ao PT e ao PP era proveniente de três obras da empreiteira para a Petrobras, entre elas a Refinaria Abreu e Lima, e foi paga num acerto de contas do equivalente a 1% da obra para cada partido. O dinheiro gasto no tríplex do Guarujá e também no sitio de Atibaia foi abatido dessa propina do PT, por autorização do próprio Lula.

PROPINA DA PETROBRAS – A certa altura Leo Pinheiro chega a afirmar claramente que houve “pagamento de propina da Petrobras”, o que não quer dizer que o dinheiro tenha sido pago pela estatal, mas que saiu das obras superfaturadas feitas por encomenda da Petrobras.

O advogado Cristiano Zanin Martins tem razão quando diz que atribui a ele um comentário feito por seu colega Roberto Batochio. Como no vídeo do depoimento não aparecem os rostos dos advogados, mas apenas as vozes, devo ter me confundido. Mas a crítica continua a mesma, pois ao afirmar que “se o apartamento é de Lula a empreiteira cometeu um crime ao dizer-se dona do apartamento”, e exigir uma ação do Juiz Sérgio Moro, o advogado admitiu o que a defesa de Lula nega. E como Cristiano Zanin garante que apóia a declaração de seu colega de defesa – que, aliás, parece estar deixando o caso -, a critica vai para ele também.

ATAQUES DIRETOS – O advogado de Lula diz ainda que eu fiz “ataques diretos e levianos” a ele e ao advogado Roberto Teixeira. Segundo ele, meu relato sobre a combinação de Alexandrino Alencar, executivo da empreiteira Odebrecht, e seu sogro, o advogado Roberto Teixeira, sobre notas frias para justificar as obras do sítio de Atibaia “jamais existiu e não tem amparo sequer na delação premiada do executivo da Odebrecht, que jamais fez referência a notas frias. Isto é criação sua, com a evidente intenção de caluniar o advogado Roberto Teixeira, ex-presidente da OAB/SBC e que tem uma história ilibada de 47 anos de advocacia”.

Quem quiser ter acesso ao vídeo com o depoimento de Alexandrino Alencar pode ir ao Youtube e fazer uma busca com o título “Obras no sítio de Atibaia tiveram notas fiscais forjadas”. Lá verá o próprio Alexandrino contando que em março de 2011 recebeu um telefonema de Teixeira pedindo que fosse até seu escritório porque estava preocupado em “formalizar” as obras realizadas no sítio Santa Bárbara.

DISSE O DELATOR – “Fui lá e ele estava preocupado, digamos, como é que poderia aparecer essa obra sem um vínculo com os proprietários do sítio. Então nós marcamos uma reunião uma semana, dez dias depois. Fui eu e o engenheiro [da Odebrecht] Emir conversar com ele. E ele estava preocupado, claramente preocupado”, disse Alencar.  “Aparece um pessoal de engenharia, construiu a coisa, foi embora. E essa conta, como é que aparece?”. Alexandrino Alencar disse então que o advogado Roberto Teixeira fez o pedido: “Ele falou: a obra terminou… a obra de Atibaia, o sítio de Atibaia, porque o sítio é do Fernando Bittar e nós precisamos, como se diz, formalizar a obra.”

A saída encontrada, segundo Alencar, foi emitir notas fiscais das obras, que haviam terminado dois meses antes. “Isso foi feito com notas fiscais através… que o Emir conseguiu falar com o Carlos Rodrigues Prado [empreiteiro subcontratado para a obra] para fazer uma nota fiscal mostrando que foi pago pelo Fernando Bittar”, disse Alencar.

Segundo Alencar, os documentos fiscais foram feitos de maneira a caberem no perfil econômico de Bittar: “Foi feito um escalonamento do pagamento para não ficar uma coisa muito cara que inviabilizasse, digamos, como é que o Fernando Bittar ia pagar toda a obra?”. O total da obra foi de R$ 1 milhão.

Se isso não é fazer “notas frias”, não sei o que é.

Papa Francisco demonstra preocupação com o abandono do povo brasileiro

Ilustração do site www.católicasfrases.com.br

Francisco Bendl

Em carta enviada ao presidente Michel Temer, o Papa Francisco afirmou que a crise que o Brasil enfrenta não é de fácil solução e fez uma reflexão sobre a situação social do Brasil. “Não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira”.

Tenho um amigo, que também escreve para este blog e esteve recentemente em Israel. Nas suas andanças pela Terra Santa, foi a Jerusalém e visitou o Muro das Lamentações, um dos locais mais sagrados do Judaísmo, talvez o mais importante. Pois, respeitosamente, encostou-se nas pedras do que restou do Templo de Salomão, destruído, reconstruído e mais uma vez destruído, e rezou, em voz alta.

CLAMAR A DEUS – Um israelita então lhe perguntou se não queria diminuir o som da sua voz, pois orava com fervor, e teve como resposta que ele não era judeu, mas devia render homenagem ao local e clamar ao Deus da Humanidade mais paz!

Foi um gesto nobre, honrado, digno, que seria o mesmo se ele frequentasse uma Mesquita, um Templo Budista, o Santo Sepulcro ou um Terreiro de Umbanda!

Dito isso, é preciso destacar que o Papa Francisco agiu acertadamente ao extrapolar sua autoridade como apenas Chefe de Estado, porque, independente do presidente que comanda a nação cujo número de católicos prepondera sobre as demais religiões, o Santo Padre tem a obrigação de alertar quanto ao tratamento que suas ovelhas recebem dos proprietários da fazenda. E estes têm sido cruéis, sádicos, desumanos.

FALSOS DEMOCRATAS – Minha reverência ao Papa Francisco, e que ele continue advertindo aos falsos democratas, aos corruptos e desonestos mandatários. O povo é muito mais importante que as leis de mercado, muito mais significativo que os poderes carcomidos pelos desmandos e descalabros, porque no Brasil é preocupante a situação do povo carente, atingindo pelos problemas criados por presidentes incompetentes e desonestos.

A Igreja tem problemas e comete erros, claro, afinal das contas é constituída por seres humanos, mas isso não quer dizer que o Papa deve se calar quando se defronta com as terríveis injustiças que o povo brasileiro tem sido alvo.

Nocividade dos jogos eletrônicos e o boato da “Baleia Azul”, que induz ao suicídio

Resultado de imagem para jogo baleia azul

Estes avisos na web são mais uma falsa notícia

Silvia Zanolla

A baleia é um animal conhecido por encantar crianças e adultos, possui simbologia marcante de liberdade e vitalidade. A cor azul representa tranquilidade, equilíbrio e saúde emocional.  Com esses adjetivos em relação à ideia de uma baleia azul, como explicar um jogo com este nome que leva seus jogadores ao processo de autoaniquilamento?

Pouco ou nada se sabe sobre esse assunto, confirmando que a internet pode ser um mundo assustador porque até certo ponto não é controlável; é universo desconhecido e sem fronteiras. Mesmo que seja apenas boato da internet, a repercussão por si causa assombro. Com certeza, sem uma análise profunda que envolve fatores sociais, culturais, psicológicos e econômicos, não chegaremos à resposta consistente.

Venho pesquisando a identificação de crianças com o jogo eletrônico há anos. Aprendi que a tecnologia do divertimento é ambígua: pode levar à formação de valores nobres, éticos e humanista, mas também a um processo de barbárie e autodestruiçãoa curto, médio ou longo prazo.

LADO SOMBRIO – Há um lado sombrio não apenas do videogame, mas das redes sociais em geral, em que se incentiva, entre outros comportamentos: pedofilia, anorexia e suicídio. Em 2010, com o apoio da Universidade Federal de Goiás e do CNPq, escrevi o livro “Videogame, Educação e Cultura”, fruto de pesquisas que se iniciaram em 1999, realizadas em 10 escolas públicas e privadas com crianças entre 9 e 11 anos.

Nesta pesquisa (em três etapas), investigamos, entre outros os temas: história e papel do jogo na sociedade; cultura de massa; violência virtual e simbólica; relação entre o computador e a infância; interação com redes sociais diversas; o papel da família, da escola e das mídias.

Descobri que definitivamente, não podemos ficar de braços cruzados enquanto é produzida livremente uma cultura nociva, insana e deformadora, que, no limite, literalmente deforma não apenas a mente de crianças e jovens, mas, aniquila sua vida. Não se trata de rotular os jogos em “bom ou mal”, mas de compreender que imagens e conteúdos culturais são elementos que formam mentalidades.

ATÉ EM ADULTOS – Entendo que o jogo eletrônico também influencia no comportamento das pessoas adultas, portanto, compõe o conjunto de fatores sociais que levam à formação de valores e atitudes. No caso específico das crianças, a identificação é mais preocupante devido ao fato que quanto menor, maior a dificuldade de diferenciar realidade da fantasia. Claro que esse conteúdo não é o único responsável por comportamentos desestruturados e violentos, mas, podem influenciar em maior ou menor medida dependendo do estado psicológico do jogador.

A identificação é simbólica. Quem joga, muito se envolve, geralmente não tem consciência do grau de influência.Há cerca de cinco anos a imprensa noticiou atos de violência pelas ruas, nos moldes do jogo “GTA – Grand Theft Auto” (em português: grande roubo de automóveis) um dos preferidos dos jovens. Embora proibido no Brasil e nos Estados Unidos para crianças e adolescentes é também um dos jogos mais vendidos do mundo, segundo o Portal Terra (2008). A lógica do GTA é a violência e o incentivo à criminalidade.

PAPEL DO JOGADOR – Segundo o Fórum Playstation (2009), seus personagens são diferentes de acordo com a versão do jogo, mas o papel do jogador é basicamente o mesmo em todas as versões: “presidiário, assassino, torturador, líder de gangue, ladrão etc”. “As ações variam, mas o personagem pode cumprir as missões que lhe chegam pelo celular, na maioria das vezes, ou sair pela cidade e fazer o que quiser: roubar carros, motos, caminhões; matar, atropelar, etc.”.

Para “zerar” o jogo, o jogador tem que cumprir todas as missões que lhe são oferecidas. Não bastasse isso, partir do ano de 2011, este jogo se supera no quesito produção de incentivo à violência. Surge o GTA 5 que aperfeiçoa a chamada violência gratuita, ou, aleatória.

Na prática, a vida imita a arte, e há cerca de 5 anos jovens começaram a agredir desenfreada e irracionalmente as pessoas em espaços públicos (sobretudo idosos), em praças, metrôs, calçadas, ruas, pontos de aglomeração. Há dados (não são boatos) na imprensa de que pessoas morreram ou foram hospitalizadas em estado grave (coma, desmaios etc.). Embora simulassem o comportamento de avatares/personagens, suas cenas de agressão à imagem do jogo GTA 5 eram reais (já se registrou esse tipo de violência também em Goiânia).

CULTURA AUTOFÁGICA – O problema não reside apenas a um ou outro jogo, embora o Baleia Azul tenha chamado a atenção pelo conteúdo de violência radical, que fatalmente atinge seu máximo. Há falta de preparo da sociedade em geral para lidar com essa cultura autofágica em termos formativos. Os jogos são elaborados como produtos de sedução para consumo – muitas vezes sem preocupação com o conteúdo educativo.

Detalhe: a indústria do videogame lucra mais do que a do cinema. O Brasil oscila entre segundo e terceiro do mundo neste consumo.  O Ministério da Justiça disponibiliza desde 2012 uma lista indicativa por faixa etária para consumo, porém, pouco divulgada e nada conhecida; praticamente não há fiscalização.

QUESTÃO EDUCACIONAL – Na pesquisa, a questão da dependência em relação ao computador e aos jogos foi abordada como sendo da ordem da educação ampla, da família e da saúde pública. Minhas pesquisas demonstraram que para vencer a batalha contra conteúdos nocivos e violentos da indústria do entretenimento é preciso esforço para acompanhar e orientar as atividades de jovens e crianças, não apenas pelos pais e pela escola, mas, pelo conjunto de autoridades competentes responsáveis por instituições sociais em geral: das mídias, legisladores, políticos, igrejas, associações, grupos econômicos de entretenimento (sobretudo produtores de jogos) e educadores.

Palocci, o elo que faltava, e seu estranho percurso

Resultado de imagem para PALOCCI DEPONDO  charges

(chargesbenett.wordpress.com)

Clóvis Rossi
Folha

A oferta de Antônio Palocci ao juiz Sergio Moro de apresentar “nomes, endereços e operações realizadas” que, segundo o próprio Palocci, interessam à Lava Jato é a oportunidade para encaixar o elo que falta na imensa corrente de corrupção montada no país. É sabido que esquemas mafiosos, como o que as construtoras armaram com seus asseclas do mundo político, geralmente só são desmontados a partir do momento em que solta a voz alguém de dentro.

Foi o que aconteceu com os executivos da Odebrecht e de outras construtoras e com ex-diretores da Petrobras. Faltava o elo final: a delação de alguém, como Palocci, que esteve no governo e era figura chave no partido que deteve o poder de 2003 a 2016.

CONFISSÃO DE CULPA – De certa forma, a oferta do ex-ministro ao juiz Moro já é uma confissão de culpa. Se ele sabe de “nomes, endereços e operações realizadas” de interesse da investigação, é porque participou dos trambiques.

Aliás, a fala de Palocci contradiz frontalmente a carga que fazem os petistas e alguns aliados contra a Lava Jato, acusada de abuso de autoridade. Palocci disse, ao fim do depoimento, que contaria o que sabe porque a Lava Jato faz bem ao país. Se é assim, não há abuso mas uma investigação que dá resultados.

O que me intriga no caso Palocci é os motivos que o levaram a envolver-se nos atos que agora se dispõe a dar a público. O que levou um jovem trotskista a, primeiro, aderir ao neoliberalismo e, depois, à lama que está vindo à tona?

RELAÇÕES DIRETAS – Tivemos um relacionamento bastante cordial durante seu período como coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002 (depois da morte ainda cercada de sombras de Celso Daniel), e depois como ministro da Fazenda. Foi ele, aliás, quem me procurou primeiro, quando o normal é que repórteres tomem a iniciativa de fazer contato com fontes de informação.

Nossas muitas conversas nesses dois períodos foram igualmente fora do padrão (do meu padrão, pelo menos): eram verdadeiras discussões sobre política econômica, quando, em geral, eu me limito a fazer perguntas, ouvir respostas, eventualmente reperguntar, mas não debater com o interlocutor.

Com Palocci, uma vez, numa das indefectíveis sessões de pergunta e resposta (pingue-pongue no jargão jornalístico) para o balanço do ano (2004 ou 2005, já não me lembro), tivemos um bate-boca sobre o calote dado pela Argentina na sua dívida.

IMBUÍDO DA MISSÃO? – Pareceu-me, sempre, um médico (sua profissão original) do interior (Ribeirão Preto) transformado em homem público e imbuído da missão de trazer a política de seu partido de toda a vida (o PT) da esquerda para o liberalismo.

Se ele ainda continuasse revolucionário, como todo trotskista deve ser, eu até entenderia: inviabilizada a revolução no Brasil, fica a tentação de enriquecer, quaisquer que sejam os meios empregados. Mas, tendo se convertido à moderação, a ambição de enriquecer poderia ter se moderado igualmente, até porque, como político e consultor, acabaria enriquecendo de qualquer forma, talvez mais lentamente.

Tudo somado, eu gostaria de conversar com ele em Curitiba, não só para saber nomes e operações que ele se dispõe a delatar mas para viajar à cabeça de um homem público transviado.

Mobilização pró-Lula em Curitiba pode começar antes, no Dia do Trabalho

Resultado de imagem para Rui Costa Pimenta

Rui Pimenta, do PCO, é o organizador do protesto

Fábio Schaffner
Zero Hora

Recepcionado no aeroporto por uma multidão barulhenta, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é conduzido pelas ruas de Curitiba até o prédio da Justiça Federal, onde pela primeira vez ficará frente a frente com o juiz Sergio Moro. Do lado de fora, 50 mil militantes aguardam o fim da audiência entoando palavras de apoio ao petista e contra a Lava-Jato. Nos últimos dias, esse cenário vem sendo idealizado por dirigentes do PT, de partidos aliados e movimentos sociais.

A ação, batizada de Ocupa Curitiba, é planejada para 3 de maio, quando Lula for interrogado no processo em que é acusado de ser o “comandante máximo” do esquema de corrupção da Petrobras, no qual teria recebido R$ 3,7 milhões em propina da OAS. Das cinco ações penais nas quais Lula é réu, este é o processo mais avançado.

FRENTE BRASIL POPULAR – A recepção a Lula em Curitiba está sendo liderada pela Frente Brasil Popular, movimento que abriga 68 organizações de esquerda. O autor da iniciativa é um militante que foi expurgado pelo PT. Presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta foi expulso da legenda em 1995 e, desde então, tornou-se crítico feroz dos ex-colegas. Agora, surge como um dos mais aguerridos defensores de Lula, diante do avanço da Lava-Jato. Em vídeo publicado na internet, Pimenta chama Moro de vigarista e diz que a eventual prisão do petista seria a “largada para um ataque generalizado ao movimento operário popular e de esquerda”.

“Nossa palavra de ordem: organizar caravanas de todo o país, um ato monstro em Curitiba. As pessoas devem cercar o Lula, ele deve ter 50, 60, cem mil guarda-costas e ninguém pode chegar perto dele. A palavra de ordem tem de ser: “não vai prender!” — diz Pimenta no vídeo.

NO DIA 1º – No PT, cresce a ideia de realizar uma série de mobilizações em Curitiba. Alguns dirigentes querem que Lula chegue à cidade em 1º de maio, para um grande ato pelo Dia do Trabalho. No dia seguinte, ele participaria de encontro com juristas críticos à Lava-Jato e de vigília na Praça Santos Andrade, a quatro quilômetros da Justiça Federal.

A meta é reunir sindicalistas, operários, sem-terra e demais ativistas de esquerda numa demonstração de força em apoio ao ex-presidente.

“É uma ação de um conjunto de movimentos sociais do país todo, inclusive entidades que não são do campo do PT, mas que entendem que a Lava-Jato se tornou ferramenta de perseguição política. Não é um ato de candidatura, nem tem relação com a eleição de 2018, mas sim contra os abusos da Lava-Jato” — afirma Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

OBSTRUÇÃO JUDICIAL – Segundo a presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Paraná, Regina Cruz, quase todos os dias a entidade recebe telefonemas de pessoas querendo informações de como será a mobilização. Regina procura um local para montar um acampamento, mas é contra a ida de militantes para a frente do prédio da Justiça Federal. Além do risco de confronto com apoiadores de Moro, Regina alerta para eventuais acusações de obstrução judicial:

“Creio que o melhor é todo mundo ficar esperando o Lula na Praça Santos Andrade. Ele depõe acompanhado dos advogados e depois vem até nós para falar ao povo”, sugere.

A Polícia Militar do Paraná estuda a adoção de esquema especial de segurança para o depoimento.

Uma criança perdida no Jardim do Éden, na visão do poeta

Imagem relacionadaPaulo Peres
Site Poemas & Canções
O advogado, administrador de empresas e poeta carioca Evanir José Ribeiro da Fonseca recorda sua infância naquele espaço destinado à cultivação e apreciação de plantas, flores e outras formas de natureza, local
que ele batizou de “Jardim do Éden”, da história judaico-cristã.

JARDIM DO ÉDEN
Evanir Fonseca

Na frente de minha casa tinha um jardim,
as flores nele cultivadas eram tão variadas
que pareciam travar uma grande batalha,
entre cores e perfumes que extasiavam as borboletas
que voavam, numa ida e volta, frenéticas,
como se escolhessem as mais saborosas ou sedosas.

Na frente de minha casa tinha um jardim,
que eu, um garoto desbravador, perdia-me
por entre os galhos espinhosos das roseiras
e folhas imensas de tinhorão e murtas
que floriam lilases, brancas e mescladas
como se fossem várias em uma só enxertadas.

No jardim da minha casa, tinha caminhos feitos de cimento,
que nos garantiam acesso a todas as plantas,
inclusive a uma “dama da noite”, peculiar no florir
pois abria no anoitecer e fechava-se no amanhecer,
seu perfume, imperativo, exalava tomando toda atmosfera
que, ao entorno dela, pareciam inexistir rosas
que como envergonhadas, encantadas e inanimadas,
descansavam, ou dormiam, talvez enfeitiçadas diante
da sobrevida que passava a imperar
no encantado “jardim da minha casa”!

Delcídio e empresários omitiram ilegalidades e podem perder a delação premiada

Resultado de imagem para delcidio amaral charges

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Deu em O Tempo

A Procuradoria Geral da República (PGR) analisa a possibilidade de romper o acordo de colaboração premiada do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS) homologado em 2016. O revés para o ex-parlamentar é uma consequência das revelações dos ex-executivos Benedicto Júnior e Rogério Santos de Araújo, da Odebrecht, sobre repasses para campanhas eleitorais em contrapartida à atuação dele em casos de interesse da empreiteira.

Além do acordo de Delcídio, outras delações deverão ser reavaliadas pelo Ministério Público por causa das revelações da Odebrecht. O ex-gerente de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco é outro que está na mira por conta das revelações do ex-executivo da Odebrecht Rogério Araújo. Segundo o delator, Barusco teria solicitado que ele guardasse em sua casa 24 garrafas de vinho de primeira categoria logo após o início da Operação Lava Jato. A informação não foi levada ao conhecimento dos investigadores à época da assinatura do seu acordo.

REVER OS ACORDOS – Entre as empreiteiras, ao menos a Andrade Gutierrez e a Camargo Corrêa já se preparam para rever seus acordos depois das delações da Odebrecht. As duas empresas assinaram seus acordos e deixaram de fora informações sobre algumas áreas agora delatadas pela empreiteira baiana. Também nesses casos a “punição” pela omissão pode ir de uma revisão das penas até o rompimento do acordo. O procedimento tem sido chamado de recall e deve levar ao surgimento de novos delatores e outras frentes de investigação.

No caso de Delcídio, ele teve seu acordo de delação homologado em 15 de março de 2016 pelo ministro do STF Teori Zavascki, morto em janeiro em acidente aéreo. Delcídio decidiu colaborar com a Justiça após ser preso com base em gravação feita pelo filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró. O ator Bernardo Cerveró gravou uma conversa com Delcídio na qual o senador cassado fala da intenção em ajudar na fuga de seu pai para a Espanha e sugere uma possível articulação entre ministros do STF para tentar soltar o ex-diretor.

FATO NOVOS – Com o surgimento de novos fatos, a PGR vai decidir se as omissões podem ser corrigidas com o aditamento em condições mais duras ou se resultará na rescisão do acordo. O advogado Antônio Figueiredo Basto, responsável pela defesa de Delcídio, disse que não comentará a colaboração da Odebrecht.

Em seu acordo, Delcídio foi taxativo ao afirmar que não recebeu qualquer valor em propina atrelada à Refinaria de Pasadena (EUA) e que nunca participou de reuniões sobre a obra.

Por sua vez, Rogério Araújo, ex-diretor da Odebrecht, relatou aos investigadores que o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque falou de uma reunião, em 2006, na qual a UTC Engenharia se comprometeu a pagar R$ 4 milhões a Delcídio, tendo como contrapartida a participação da empresa na obra de ampliação da refinaria nos EUA.

GASODUTO – Araújo também abordou em sua delação um pedido de Cerveró, em 2010, para pagamento de contribuição à campanha de Delcídio como contrapartida a “eventual aprovação de projeto de gasoduto” a ser realizado por uma empresa da Petrobrás na Argentina. Delcídio não cita esses fatos de forma direta, apenas aponta ter pedido ajuda a Duque e Cerveró para pagar dívidas de campanha de 2006.

Benedicto Júnior, ex-presidente da construtora Norberto Odebrecht, também citou repasses a ele. Delcídio não citou esses recebimentos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEstava demorando, mas já era previsto que acontecesse. Na delação, conta-se apenas o mínimo necessário. Mas a fila anda e a verdade completa acaba aparecendo. Muitas delações serão canceladas, podem apostar. (C.N.)

Advogado José Roberto Batochio deve deixar defesas de Palocci, Lula e Mantega

 

Resultado de imagem para josé roberto batochio

Delação de Palocci deixa Batochio em má situação

Mônica Bergamo
Folha

O advogado José Roberto Batochio deve deixar a defesa do ex-presidente Lula. E também as dos ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega. Ele advoga para os dois petistas na Operação Lava Jato. De acordo com pessoas do círculo íntimo de Batochio, ele enfrenta um dilema ético diante da conduta adotada em décadas de advocacia: por um lado, sempre disse execrar o instituto da delação premiada. Como Palocci já negocia a colaboração com o Ministério Público Federal, ele não teria como permanecer no caso.

MEMÓRIA – Permanecer na defesa de Lula traria um outro problema. Como é provável que Palocci, para efetivar a delação, mire seu canhão no peito do ex-presidente, Batochio seria obrigado a confrontá-lo, classificando todas as eventuais declarações do ex-ministro como mentirosas. O problema é que ele advogou para Palocci por dez anos, absolvendo-o em uma dezena de processos. E não teria como, agora, voltar-se contra ele nos tribunais.

Se Batochio deixar mesmo a defesa de Lula, será a segunda baixa na equipe de advogados do ex-presidente. Em março, o criminalista Juarez Cirino dos Santos deixou o caso.

Batochio também advoga para Guido Mantega em outros processos. Na Lava Jato, no entanto, o ex-ministro da Fazenda passará a ser representado por outro criminalista.

No atual estágio das investigações, portanto, cada petista seguirá caminhos diferentes e possivelmente divergentes de defesa.

###
NOTA DE REDAÇÃO DO BLOG A excelente jornalista Mônica Bergamo esqueceu uma outra importante baixa na defesa de Lula – a saída do criminalista Nilo Batista, ex-governador do Rio de Janeiro (era vice de Leonel Brizola. Nilo estava defendendo Lula de graça, mas acabou saindo por incompatibilidade, quando a imprensa revelou que ele havia recebido R$ 8 milhões defendendo a Petrobras no governo Lula. Pode-se dizer que Lula está sem praticamente sem advogados, porque o principal deles, seu compadre Roberto Teixeira, também é réu na Lava Jato e vai depor dia 8 perante o juiz Moro, e o jovem advogado Cristiano Zanin, genro de Teixeira, é muito dedicado, mas não tem a experiência necessária para intervir em processo de tamanha complexidade. (C.N.)

A escolha imoral da Imprensa, na guerra urbana entre bandidos e policiais no Rio

Resultado de imagem para PMs mortos no rio

54 PMs foram mortos este ano no Rio de Janeiro

Roberto Motta
Blog Medium.com

A imprensa sabe tudo e entende de tudo. Ela já julgou e condenou os policiais da Pedreira. Agora debocha do juiz e da promotora que atuam no caso. A imprensa não sabe, ou finge que não sabe, que vivemos uma guerra. A imprensa esqueceu os métodos dos traficantes — os mesmos que assassinaram Tim Lopes da forma mais cruel possível.

A brava imprensa não entende que um bandido ferido que tenta alcançar a sua arma não tem outra intenção que não a de matar o policial. E que esse policial não tem outra alternativa a não ser impedir, de qualquer forma, que o bandido faça isso.

Quando o policial baixa sua guarda, ainda que por um só segundo, o policial morre. Esse ano já foram assassinados 54 policiais no Rio de Janeiro. Quantos morreram porque hesitaram uma fração de segundo em se defender, com medo de serem crucificados pela imprensa e pelos ativistas de extrema esquerda ?

DIREITOS HUMANOS? – Na guerra urbana do Brasil, onde a vida do policial e a do cidadão não valem uma folha de jornal velho, a imprensa quer que nossos policiais retribuam com flores a selvageria dos criminosos.

A imprensa, seus “especialistas” em segurança pública — os mesmos de sempre: Ignácio Cano, Julita Lemgruber, Samara Bueno — e os políticos de extrema esquerda — alguém falou Marcelo Freixo ? — têm uma única e imoral preocupação: o bem-estar e os direitos das bestas-feras do crime.

Eles já esqueceram do policial militar Renato César Jorge, de 47 anos, executado em plena luz do dia em frente à UERJ, apenas por ser policial, há 3 semanas. Eles já esqueceram de Miguel Ayoub Zakhour, o jovem de 19 anos que foi morto por bandidos a 300 metros do Palácio Guanabara, há poucos dias. Eles já esqueceram de João Hélio, o menino de 6 anos que foi arrastado no asfalto até morrer, sacrificado no altar do politicamente correto em nome do direito dos criminosos de continuar matando impunemente.

POLICIAIS HERÓIS – A imprensa sabe de tudo, mas não entende de nada. Nossos policiais militares são heróis. Eles fazem milagres com a carência de recursos e equipamentos a que são submetidos.

Eles representam uma reserva de moral, honra e disciplina no momento em que o país e o estado do Rio afundam na lama. Eles arriscam suas vidas diariamente em situações e locais onde o mais bravo jornalista não ousa entrar. É isso que “as ruas” têm a dizer ao jornalismo marrom: a polícia é a última barreira entre a sociedade e a selvageria, e dessa barreira jamais abriremos mão.

Fiquem com os bandidos. A sociedade ficará com a polícia, agora e sempre. Todo o apoio à Polícia Militar do Rio de Janeiro. Todo o apoio ao juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira e à promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho.

                      (artigo enviado pelo advogado João Amaury Belém)

“Brahma” é Lula, disse Léo Pinheiro, confirmando o codinome do ex-presidente

Resultado de imagem para lula é o brahma charges

Charge do Kacio (kacio.art.br)

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo
Estadão

O empreiteiro José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, da OAS, confirmou ao juiz federal Sérgio Moro que o codinome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era ‘Brahma’. Segundo o empresário, a alcunha era usada na comunicação entre os executivos para ‘não expor as figuras públicas’. Durante o interrogatório a que foi submetido nesta quinta-feira, 20, o empreiteiro foi questionado por Moro sobre uma mensagem que apontava a expressão ‘Brahma’.

“Essa expressão se referia ao ex-presidente Lula, por causa de uma propaganda que existia que a Brahma é a número 1”, afirmou.

Moro quis saber por que não usavam o nome de Lula. “Para não expor as figuras públicas e nós tínhamos como prática”, relatou.

MENSAGENS – A investigação da Lava Jato interceptou mensagens trocadas pelo executivo da OAS. Numa das conversas entre Léo Pinheiro e um executivo da empreiteira eles dizem que “Brahma poderia fazer uma palestra no dia 26/11” sobre o tema Brasil/Chile. Na mesma data, a agenda de Lula marcava um evento em Santiago, no Chile.

Léo Pinheiro foi interrogado em ação penal sobre supostas propinas a Lula. A denúncia do Ministério Público Federal, no Paraná, sustenta que o petista recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio – de um valor de R$ 87 milhões de corrupção – da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012.

As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira OAS por meio de um triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, de 2011 a 2016.

DEFESA DE LULA – O advogado Cristiano Zanin Martins, um dos defensores de Lula, distribuiu uma nota à imprensa, para contestar o depoimento do empresário.

“Léo Pinheiro no lugar de se defender em seu interrogatório, hoje, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, contou uma versão acordada com o MPF como pressuposto para aceitação de uma delação premiada que poderá tirá-lo da prisão. Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel”, diz o advogado.

Um padre com cheiro de ovelha, o padre Cícero Romão Batista

re

Ilustração do Duke (O Tempo)

Leonardo Boff
O Tempo

Dos dias 20 a 24 de março último, realizou-se em Juazeiro do Norte, no Ceará, o 5º Simpósio Internacional Padre Cícero com o tema “Reconciliação… e agora?”. Fiquei admirado pelo alto nível das exposições e das discussões, com a presença de pesquisadores nacionais e estrangeiros. Tratava-se da reconciliação da Igreja com o padre Cícero, que sofreu pesadas penas canônicas sem jamais queixar-se, num profundo respeito às autoridades eclesiásticas, e com os milhares de romeiros que o consideram um santo.

Indiscutivelmente, padre Cícero Romão Batista (1844-1934) é uma figura polêmica. Porém, as críticas vão diluindo-se para dar lugar àquilo que o papa Francisco, por meio do secretário de Estado cardeal Pietro Parolin, numa carta ao bispo local, dom Fernando Panico, diz: no contexto da nova evangelização e da opção pelas periferias existenciais, a “atitude do padre Cícero em acolher a todos, especialmente os pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui, sem dúvida, um sinal importante e atual”.

A FÉ DO POVO – Padre Cícero corporifica o tipo de padre adequado à fé de nosso povo, especialmente nordestino. Existe o padre da instituição paróquia, classicamente centrada no padre, nos sacramentos e na transmissão da doutrina pela catequese. É um tipo de Igreja com parca incidência social em termos de justiça e defesa dos direitos humanos, especialmente dos pobres.

Entre nós surgiu outro tipo, com o padre Ibiapina (1806-1883), que foi magistrado e deputado federal, tendo abandonado tudo para, como sacerdote, colocar-se a serviço dos pobres nordestinos, como padre Cícero, frei Damião e padre José Comblin, entre outros. Eles inauguraram outro tipo de ação religiosa junto ao povo. Não negam os sacramentos, porém mais importante é acompanhar o povo, defender seus direitos, criar por toda parte escolas e centros de caridade. Esse é o tipo de padre adequado a nossa realidade e que o povo aprecia e necessita.

MANDAMENTOS ECOLÓGICOS – Esse era também o método de padre Cícero, que se desdobrava em três vertentes: primeiro, conviver diretamente com o povo; em seguida, visitar todas as casas dos sítios; e, por fim, orientar e aconselhar a população nas pregações e novenas. Ao anoitecer, ele reunia as pessoas diante de sua casa, distribuía bons conselhos e encaminhava o povo para o aprendizado de todo tipo de ofícios para se tornarem independentes. Nesse contexto, padre Cícero se antecipou ao nosso discurso ecológico com seus dez mandamentos ambientais, válidos até os dias de hoje (“não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau” etc.).

O padre Comblin, eminente teólogo, devoto de padre Cícero, escreveu com acerto: “O padre Cícero adotou amorosamente os pobres e advogou a causa dos nordestinos oprimidos, dedicando-lhes incansavelmente 62 anos de vida. E o povo pobre o reconheceu, o defendeu e o consagrou, continuando a expressar-lhe seu devotamento, porque viu e vê nele o Pai dos Pobres”.

CHEIRO DE OVELHA – Repetidas vezes enfatiza o papa Francisco que o padre “deve ter cheiro de ovelha”, quer dizer, alguém que está no meio de seu “rebanho” e caminha com ele. Cito um texto emblemático, proferido ao episcopado italiano no dia 16 de maio de 2016, que diz: “O padre não pode ser burocrático, mas alguém que é capaz de sair de si mesmo, caminhando com o coração e o ritmo dos pobres”.

Essas e outras qualidades foram vividas profundamente por padre Cícero, tido como o Grande Patriarca do Nordeste, o Padrinho Universal, o intercessor junto a Deus em todos os problemas da vida, o santo cuja intercessão nunca falha. Os romeiros e os devotos sabem disso. E nós secundamos essa convicção.

Lava Jato já recebeu os milhares de documentos que Odebrecht arquivou na Suíça

Resultado de imagem para odebrecht na suiça charges

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Deu no Estadão

Uma cópia do servidor com 2 milhões de páginas de documentos, e-mails e provas de transações bancárias das atividades suspeitas da Odebrecht já está em Brasília. Os dados guardados pela construtora na Suíça passam atualmente por uma “preparação” para que possam ser usados pelos procuradores da Operação Lava Jato e pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O conteúdo é tratado pelos procuradores da força-tarefa como uma espécie de “caixa-preta da República” de todos os pagamentos de propinas pela construtora pelo mundo. Entre as informações contidas no servidor estão, segundo os delatores e investigadores, os registros de pagamentos para a campanha de Dilma Rousseff e Michel Temer, em 2010.

COMPROVANTES – Os dados vão ajudar no cruzamento de informações com os inquéritos abertos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) relacionados às delações premiadas de executivos e ex-executivos da Odebrecht.

A expectativa da Procuradoria-Geral da República (PGR) é de obter comprovantes de pagamentos, tabelas de transferências e extratos bancários. As defesas de políticos investigados têm minimizado o conteúdo das acusações.

Até agora, há registro de mil relações bancárias ligadas à Odebrecht em contas na Suíça, com o bloqueio de US$ 1 bilhão. Pelas movimentações da construtora, US$ 635 milhões passaram pelas contas secretas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vai para o espaço a vã esperança dos principais políticos envolvidos. Eles achavam que poderiam escapar por falta de provas materiais sobre o recebimento de propinas, que a Odebrecht pagava de duas formas – em dinheiro vivo e em depósitos no exterior. Os peixes maiores, entre os quais estão os mais importantes políticos tucanos, recebiam em contas no exterior. Portanto, apenas os peixes pequenos é que ainda têm alguma chance de escapar por falta de provas. (C.N.)

Lula tinha recursos para comprar o sítio e o tríplex, mas preferiu ganhar de presente

Resultado de imagem para sitio e triplex charges

Charge do Alpino (Arquivo Google)

Willy Sandoval

Recentemente, Lula voltou a falar que duvida que haja algum empresário no Brasil, “preso ou livre”, capaz de dizer que “o presidente Lula pediu cinco centavos ou dez centavos para ele”. Por incrível que pareça, nessa frase o criador do PT está falando verdade. Desde quando ele iria pedir cinco ou dez centavos? Qualquer conversinha começava nas casas dos milhões. Por isso, é bobagem dizer que os salários de torneiro-mecânico e depois, de presidente da República por oito anos, além das duas aposentadorias, não bastariam para justificar um patrimônio do valor apresentado pelo Lula

O que Lula ganhou como presidente da República, com todas as mordomias e cartão corporativo, além dos rendimentos das supostas palestras, é claro que isso seria mais do que suficiente para comprar o sítio e o tríplex. Mas por razões demagógicas – eu diria mais ainda, até psicopáticas – e pessimamente assessorado em termos contábeis financeiros, Lula optou por esconder esses ativos. Foi estupidez pura. Tem mais é que pagar o preço por isso.

MAFIOSOS? – Chamar de mafiosos a esses quadrilheiros políticos chega a ser uma ofensa às organizações criminosas da Itália. Até mesmo porque, entre os bandidos da mais que centenária Máfia/Cosa Nostra, há verdadeiros códigos de honra. Um deles é a Omertá, a regra de silêncio absoluto.

Nem isso nossos políticos canalhas conseguiram estabelecer. Muito pelo contrário, fizeram votar e a anta presidanta sancionou em 2013 essa Lei da Delação Premiada que agora está sendo a desgraça de todos, a começar pelos empreiteiros. Isso porque, na cabeça deles, sempre houve o pensamento de que leis são para serem cumpridas somente pelos otários, imbecis, eleitores e pagadores de tributos. A lei nunca foi feita para ser cumprida por eles. Mas tudo indica que isso finalmente está mudando. Espero que 2018 confirme essa transformação dos costumes políticos.

Extratos mostram que propinas prometidas a Temer ultrapassaram US$ 40 milhões

Resultado de imagem para propinas do pmdb charges

Charge do Tacho, reprodução do jornal NH

Camila Mattoso e Bela Megale
Folha

A Odebrecht apresentou à Lava Jato extratos que seriam de pagamento de propina vinculada por delatores a uma reunião com o presidente Michel Temer em 2010. Os valores superam os US$ 40 milhões que, segundo ex-executivos, tiveram o repasse acertado em encontro com o hoje presidente, em seu escritório político paulistano. A propina é ligada, de acordo com a Odebrecht, a um contrato internacional da Petrobras, o PAC-SMS, que envolvia certificados de segurança, saúde e meio ambiente em nove países onde a estatal atua. O valor inicial era de US$ 825 milhões.

De acordo com documentos referentes ao PAC-SMS, apresentados pela Odebrecht, os repasses foram feitos entre julho de 2010 e dezembro de 2011. Os extratos atingem US$ 54 milhões, mas a soma de planilhas anexadas chega a US$ 65 milhões.

EM DINHEIRO VIVO – Do total, uma pequena parte foi paga em espécie no Brasil, em hotéis em São Paulo, nos casos de petistas citados, e em um escritório no centro do Rio, localizado na Rua da Quitanda, para os demais.

A maior parte, no entanto, foi repassada a contas de operadores no exterior. A Odebrecht reuniu mais de 50 depósitos em offshores fora do Brasil que vão de US$ 280 mil a US$ 2,3 milhões. Para realizá-los, o setor de operações estruturadas, área responsável por propina e caixa dois do grupo, utilizou cinco empresas em paraísos fiscais, quatro delas em Antígua.

Márcio Faria, ex-presidente da Odebrecht Engenharia, disse em delação que o PMDB negociou propina de 5% do contrato, correspondente a US$ 40 milhões.

ERA PROPINA – Segundo Faria, no encontro com Temer não se falou em valores, “mas ficou claro que se tratava de propina” relacionada ao contrato, e não contribuição de campanha. A reunião, segundo ele, teve a presença de outras pessoas, como o ex-deputado Eduardo Cunha, e ocorreu quando Temer era presidente do PMDB e candidato a vice de Dilma Rousseff (PT).

Rogério Araújo, responsável pelo lobby da Odebrecht na Petrobras, disse que Temer “assentiu” e deu a “bênção” aos termos do acordo, previamente tratados com Cunha e com o lobista João Augusto Henriques. Temer confirma o encontro, mas nega a versão sobre propina.

Os delatores relatam que a propina foi renegociada, e o PMDB teria ficado com 4% e o PT, 1%. Nas delações entregues ao STF (Supremo Tribunal Federal), a Procuradoria-Geral da República identificou os petistas que teriam recebido o dinheiro, mas não quem seriam os peemedebistas além de Cunha, preso em Curitiba.

RECEPTORES – O senador Humberto Costa (PE), o ex-senador Delcídio do Amaral e o ex-tesoureiro João Vaccari Neto aparecem como receptores vinculados ao PT, com os codinomes “Drácula”, “Ferrari” e “Camponês”, respectivamente. Três apelidos não foram identificados: “Mestre”, “Tremito” e “Acelerado”. Um ex-engenheiro da Petrobras, Aluísio Teles, subordinado ao então diretor da área internacional Jorge Zelada, é apontado como outro beneficiário de pagamentos.

Segundo depoimentos, o processo de licitação do PAC-SMS foi feito de forma fraudulenta, com participação de outras construtoras, como a OAS e a Andrade Gutierrez. Elas simularam interesse no projeto, possibilitando aumento de preço por causa da suposta concorrência.

INQUÉRITOS – A Procuradoria pediu ao STF abertura de inquérito sobre políticos envolvidos, mas só solicitou que Humberto Costa e Delcídio fossem ouvidos pela Polícia Federal.

Nos depoimentos, aparecem pelo menos três intermediários dos repasses: Ângelo Lauria, ligado ao lobista João Henriques, Rodrigo Duran e Mario Miranda (da Petrobras). O comportamento de Lauria levou a empreiteira a mudar o sistema de entrega.

Conforme relato do delator César Ramos, o operador apareceu um dia dizendo claramente que tinha vindo “pegar o dinheiro da Odebrecht”, sem tentar disfarçar a operação por meio de códigos. A frase foi comunicada à construtora, que disse que isso não podia se repetir.

TODO NEGAM – A assessoria de Michel Temer afirmou que o presidente “jamais tratou de valores com o senhor Márcio Faria” e que “a narrativa divulgada não corresponde aos fatos e está baseada em uma mentira absoluta”. “O que realmente ocorreu foi que, em 2010, em São Paulo, Faria foi levado ao presidente pelo então deputado Eduardo Cunha. A conversa, rápida e superficial, não versou sobre valores ou contratos na Petrobras. E isso já foi esclarecido anteriormente, quando da divulgação dessa suposta reunião”. Temer “contesta de forma categórica” o envolvimento de seu nome em negócios escusos e diz que nunca atuou em defesa de interesses particulares na Petrobras, nem defendeu pagamento de valores indevidos a terceiros.

A defesa do ex-deputado Eduardo Cunha classificou a acusação como “absurda”, e “inventada por um concerto de delatores e, não por acaso, não vem acompanhada da mais mínima prova”. O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que nunca se relacionou com qualquer pessoa sobre o PAC-SMS e que o próprio delator da Odebrecht relatou que jamais teve contato com ele.

A defesa de Delcídio do Amaral afirma que os fatos relatados pelos delatores são “mentira”. E a defesa de Augusto Henriques negou “qualquer influência ilícita em negócios envolvendo a Petrobras”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA conclusão é óbvia. Todos são inocentes, os únicos culpados são os delatores da Odebrecht, que têm mania de ficar inventando mentiras, mesmo sabendo que perderão o direito aos benefícios da delação premiada, se não falarem a verdade. (C.N.)

Delação do ex-ministro Palocci envolve também bancos e grandes corporações

Resultado de imagem para delaçao de palocci  charges

Charge do Humberto, da Folha de Pernambuco

Julia Chaib e Matheus Teixeira
Correio Braziliense

A sinalização do ex-ministro Antonio Palocci de que está disposto a fechar um acordo de delação premiada, feita ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava-Jato em Curitiba, em audiência na última quinta-feira, aumentou o temor daqueles que podem ser incriminados por um eventual depoimento. Como ministro dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ele angariou recursos para campanhas eleitorais e, à frente das pastas da Fazenda e da Casa Civil, editou medidas de governo que podem ter beneficiado empresas em troca de apoio partidário.

Mas, as teias de Palocci vão muito além. Como consultor financeiro, o ex-ministro atendeu a bancos e outras companhias privadas, que, mencionadas em uma eventual delação premiada, podem abrir um novo leque de investigação na Lava-Jato.

ESTÁ À DISPOSIÇÃO – Em audiência na 13ª Vara Federal, em Curitiba, Palocci pediu a palavra para garantir a Moro que, caso o juiz queira, ele pode revelar informações que sustentam pelo menos mais um ano de investigação.

“Fico à sua disposição hoje e em outros momentos, porque todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição o dia que o senhor quiser”, disse. “Apresento todos os fatos com nomes, endereços e operações realizadas. Posso lhe dar um caminho que vai lhe dar mais um ano de trabalho, que faz bem ao Brasil”, garantiu.

Palocci afirmou que houve caixa dois em todas as campanhas eleitorais do país. Mas negou ter usado contratos da Petrobras e do BNDES e medidas no Congresso para beneficiar a Odebrecht. Disse, porém, que pedia contribuições.

Para além disso, enquanto esteve fora dos governos do PT – ele foi ministro da Fazenda de Lula de 2003 a 2005 e titular da Casa Civil de Dilma, por seis meses, em 2011 -, Palocci operou no setor privado. De acordo com a Receita Federal, a Projeto Consultoria Empresarial e Financeira recebeu mais de R$ 80 milhões de 47 empresas diferentes. Entre os principais clientes, são apontados grandes bancos do país, como o Bradesco, a montadora Caoa e a seguradora Amil, por exemplo.

POTENCIAL DEVASTADOR – Integrantes do PT estão aflitos com o potencial devastador de uma delação de Palocci. Como ministro da Fazenda de Lula, deu incentivos e desonerações fiscais, e beneficiou a indústria automotiva, por exemplo. O que traz um alento aos petistas é que, por ora, nenhum cacique do partido aceitou fazer o acordo.

Cofundador do PT, Palocci teve uma ascensão meteórica na legenda. Em 1988, com apenas 28 anos, elegeu-se vereador de Ribeirão Preto e, dois anos mais tarde, tornou-se deputado estadual. Em 1992, foi eleito prefeito da cidade no interior paulista. Com bons resultados à frente do município, em 1998 conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados e, em 2000, voltou ao comando do Executivo de Ribeirão. Assim, conquistou seu espaço como um dos principais expoentes petistas, a ponto de se licenciar da prefeitura para coordenar a campanha à Presidência da República de Lula.

NEM O ADVOGADO SABE – O cientista político Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) de São Paulo, avalia como altíssimo o potencial de alcance de uma delação premiada de Palocci. “O que o Palocci vai dizer, talvez nem o advogado dele saiba. O que se imagina é que ele tenha, pelas conexões, questões de importância. Ele era um homem de muitas conexões dentro do governo e fora dele. Depois do governo, se transformou num consultor muito requisitado. Ele reconhece toda essa visibilidade”, disse.

O líder do PT na Câmara, o deputado Carlos Zarattini (SP) admite que um depoimento de Palocci pode ir muito além do esquema que existia entre o PT, a Odebrecht e outros agentes públicos. “O Palocci tem relação muito grande com todos os principais capitalistas brasileiros, inclusive os bancos. Não sabemos o que ele pode dizer do PT, mas também pode dizer muito de empresas nacionais, dos setores produtivos grandes e improdutivo, os especuladores”, disse.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Palocci é o verdadeiro homem-bomba. Sua delação premiada será aceita porque se insere na regra-padrão, de que réu não pode delatar para baixo, entregando aqueles que obedeciam suas ordens, é preciso que revele a atuação de quem está acima dele ou ao lado dele – no caso, os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, e os ministros e dirigentes do PT. Vai ser uma festa. (C.N.)

Pinheiro ja começou a apresentar documentos para provar as acusações contra Lula

Léo Pinheiro e Lula, na visita ao tríplex do Guarujá

Cleide Carvalho e Gustavo Schimitt
O Globo

Para comprovar as acusações que fez nesta quinta-feira ao juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente Lula, o empresário Léo Pinheiro vai utilizar um conjunto de documentos para mostrar que falou a verdade. Com cartas na manga, o empresário tem em mãos informações que incluem agenda de encontros pessoais entre os dois no primeiro ano de investigação da Lava-Jato, além de centenas de telefonemas e contatos relacionados às tratativas em torno do tríplex do Guarujá, o qual, segundo o empresário, estava reservado à família Lula desde que a OAS assumiu as obras do Edifício Solaris, em 2009.

Há ainda informações sobre as viagens que Léo Pinheiro fez ao Guarujá para encontros com Lula e dona Marisa, que devem ser corroboradas com os roteiros de viagens ao litoral paulista feitos por veículos registrados em nome do Instituto Lula. Os contatos por e-mail feitos para reformas no apartamento, que foi personalizado, e a compra de mobiliário e eletrodomésticos, já tinham sido revelados pela força-tarefa no início das investigações.

ANEXADOS À AÇÃO – Parte dos novos documentos foi anexada à ação relacionada ao tríplex dez dias atrás. Inicialmente, o foco de Léo Pinheiro será no detalhamento das agendas, encaminhadas por e-mail, onde são registrados encontros pessoais com o ex-presidente Lula durante o primeiro ano da operação, deflagrada em março de 2014.

Entre junho e novembro daquele ano, o empresário esteve cinco vezes em encontros com Lula até ser preso pela Polícia Federal. A última reunião entre os dois ocorreu em 10 de novembro de 2014, quatro dias antes de ser desencadeada a 7ª fase da Lava-Jato — a primeira grande ofensiva contra as empreiteiras acusadas de participar do cartel da Petrobras.

Ao juiz Sérgio Moro, na última quinta-feira, Léo Pinheiro disse ter ouvido de Lula, em junho de 2014, uma orientação para destruir registros de propinas pagas ao PT.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A nova estratégia da defesa de Lula é invadir as redes sociais com a alegação de que o tríplex é da OAS e Léo Pinheiro agora diz que pertencia a Lula para justificar a delação premiada. Como se vê, mais uma inscrição para a Piada do Ano. (C.N.)

Fachin manda Janot justificar por que pediu que Temer não seja investigado

Resultado de imagem para fachin e janot

Fachin está tocando o processo aberto pelo PSOL

Deu no Estadão

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que se manifeste sobre um recurso do PSOL que requer a inclusão do presidente Michel Temer (PMDB) como investigado em um dos inquéritos abertos com base nas delações da Odebrecht. O partido discorda da alegação da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que presidentes contam com “imunidade temporária” e afirma que é possível investigá-lo.

O inquérito em que o PSOL entrou com recurso vai apurar pagamento de vantagens indevidas em um processo licitatório que o Grupo Odebrecht participou dentro do Plano de Ação de Certificação em Segurança, Meio Ambiente e Saúde (PAC SMS). O único investigado é o senador Humberto Costa (PT-PE), mas o ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industrial Márcio Faria da Silva detalhou um encontro no escritório político de Temer, em Alto de Pinheiros, em São Paulo, em 15 de julho de 2010, em que afirma ter sido acertado pagamento de propina de US$ 40 milhões ao PMDB – valor era referente a 5% de contrato da empreiteira assinado com a Petrobras, que totalizava US$ 825 milhões.

IMUNIDADE TEMPORÁRIA – Mesmo havendo citações a Temer, Janot alegou “impossibilidade de investigação do presidente da República, na vigência de seu mandato, sobre atos estranhos ao exercício de suas funções”, com base no artigo 86, parágrafo 4º, da Constituição Federal.

Fachin, no despacho em que autorizou a abertura do inquérito, não chegou a analisar a argumentação da PGR sobre a não inclusão de Temer no rol de investigados. Apenas chancelou o pedido apresentado em relação ao senador, que nega qualquer irregularidade.

O PSOL quer a revisão e inclusão de Temer como investigado. O partido sustenta que “a imunidade prevista pela Constituição Federal à responsabilização de Presidente da República por ato estranho ao exercício de suas funções não alcança a fase pré-processual” e afirma que um arquivamento referente a Michel Temer “causa inequívoco prejuízo ao direito de toda a população brasileira” de “ver devidamente apurada a existência de infração penal”.

TEMER NEGA – Por meio de nota já divulgada, o Palácio do Planalto reforçou que Temer jamais tratou de “negócios escusos”. “Como reiterado em outras ocasiões, o presidente contesta de forma categórica qualquer envolvimento do seu nome em negócios escusos.” O texto diz ainda que Temer “nunca atuou em defesas de negócios particulares, nem defendeu pagamentos de valores indevidos a terceiros”.

Em vídeo publicado nas redes sociais do Planalto no último dia 13, Temer admitiu que participou de uma reunião, em 2014, com Marcelo Odebrecht, mas nega que tenha solicitado propina. “A mentira é que nessa reunião eu teria ouvido referência a valores financeiros ou a negócios escusos da empresa com políticos”, afirma o peemedebista no vídeo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O ministro Fachin agiu acertadamente, ao exigir justificativas a Janot, que fez uma interpretação livre da Constituição, digamos assim. No mesmo artigo, o parágrafo 1º diz que o presidente, em delitos criminais, será investigado pelo Supremo, desde que a Câmara dos Deputados assim autorize, da mesma forma que ocorre em processo de impeachment, e em caso criminal o presidente também é automaticamente afastado do cargo. O parágrafo 4º, citado por Janot, diz que “o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”. Bem, na língua portuguesa, “responsabilizado” não significa “investigado”. A investigação deve ocorrer, o que é discutível é a abertura do processo. Justamente por isso, a Polícia Federal desconsiderou o “parecer” de Janot e já está investigando Temer, de forma indireta, conforme noticiamos aqui na Tribuna da Internet, com exclusividade. (C.N.)

Um domingo no parque, na visão tropicalista de Gilberto Gil

Resultado de imagem para tropicalismoPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O político, escritor, cantor e compositor baiano Gilberto Passos Gil Moreira, conhecido como Gilberto Gil, na letra de “Domingo no Parque”, retrata a triste estória de dois assassinatos por causa de um romance. A canção também poderia ser resumida numa manchete de jornal sensacionalista: “Feirante ciumento mata a facadas amigo e namorada no parque”, a história no entanto é narrada de modo linear, mas em cortes abruptos, que lembram o imediatismo das associações publicitárias, dos gibis, ou mesmo a linguagem cinematográfica: “Oi girando girando – Olha a faca (Olha a faca!) – Olha o sangue na mão..”

A música “Domingo no Parque” foi gravada no LP Gilberto Gil, em 1968, pela Philips. Vale acrescentar que, essa música foi feita, um pouco antes do movimento tropicalista, o momento em que o tropicalismo começa a entrar em cena, eles queriam mostrar uma forma diferente de expressão artística, em que não usasse isso ou aquilo e sim isso E aquilo, misturando formas diferentes para novidades de composição. E o primeiro impulso para isso foi quebrar o antagonismo música de protesto x jovem guarda, começaram pelas canções “Domingo no Parque” de Gil e “Alegria, Alegria” de Caetano.

DOMINGO NO PARQUE
Gilberto Gil

O rei da brincadeira
Êh José!
O rei da confusão
Êh João!
Um trabalhava na feira
Êh José!
Outro na construção
Êh João!…

A semana passada
No fim da semana
João resolveu não brigar
No domingo de tarde
Saiu apressado
E não foi prá Ribeira jogar
Capoeira!Não foi prá lá
Prá Ribeira, foi namorar…

O José como sempre
No fim da semana
Guardou a barraca e sumiu
Foi fazer no domingo
Um passeio no parque
Lá perto da boca do Rio…

Foi no parque
Que ele avistou
Juliana!
Foi que ele viu
Foi que ele viu!
Juliana na roda com João
Uma rosa e um sorvete na mão
Juliana seu sonho, uma ilusão
Juliana e o amigo João…

O espinho da rosa feriu Zé
(Feriu Zé!) (Feriu Zé!)
E o sorvete gelou seu coração
O sorvete e a rosa
Oh José!
A rosa e o sorvete
Oh José!

Foi dançando no peito
Oh José!
Do José brincalhão
Oh José!…
O sorvete e a rosa
Oh José!
A rosa e o sorvete
Oh José!
Oi girando na mente
Oh José!
Do José brincalhão
Oh José!…

Juliana girando
Oi girando!
Oi na roda gigante
Oi girando!
Oi na roda gigante
Oi girando!
O amigo João (João)…

O sorvete é morango
É vermelho!
Oi girando e a rosa
É vermelha!
Oi girando, girando
É vermelha!
Oi girando, girando…

Olha a faca! (Olha a faca!)
Olha o sangue na mão
Êh José!
Juliana no chão
Êh José!
Outro corpo caído
Êh José!
Seu amigo João
Êh José!…

Amanhã não tem feira
Êh José!
Não tem mais construção
Êh João!
Não tem mais brincadeira
Êh José!
Não tem mais confusão
Êh João!…
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!……..

Governo não tem como aprovar a reforma da Previdência e adia a votação

Resultado de imagem para rodrigo maia na lide

Maia reconhece que não há condições de aprovar

Bruno Boghossian e Paulo Gama
Folha

Diante da resistência de parlamentares aliados, o governo passou a admitir que pode adiar a votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara, inicialmente prevista para a segunda semana de maio. Líderes e articuladores da base de Michel Temer no Congresso reconhecem que precisarão de mais tempo para convencer a população e os deputados a apoiar o novo texto do projeto, apresentado na última quarta-feira (19) na comissão especial da reforma.

Segundo os aliados de Temer, as mudanças na proposta atenderam à maioria dos pedidos de flexibilização feitos pela base aliada, mas a discussão sobre o tema foi “contaminada” pelo projeto original, elaborado pelo Palácio do Planalto, que continha regras mais duras que o texto atual.

MAIS TEMPO – O governo avalia que precisa de tempo para vencer as resistências, o que não deve ser possível até a data marcada para início da votação no plenário da Câmara, em 8 de maio.

Articuladores de Temer defendem o adiamento do cronograma em ao menos uma semana, mas alguns aliados do presidente admitem que pode ser necessário empurrar a data ainda mais. No limite, o texto passaria pela Câmara em junho e só teria sua votação no Senado no segundo semestre.

“O debate está contaminado pela proposta original, e é preciso deixar claro que aquele texto ficou para trás. Confio que isso possa ocorrer até o dia 8, mas é preciso ter certeza de que o tema está descontaminado”, afirmou à Folha o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

PUBLICIDADE – O adiamento seria uma maneira de ampliar os efeitos da ofensiva publicitária deflagrada pelo governo nos últimos dias, em defesa da reforma. O Planalto espera que campanhas de TV e rádio ajudem a vencer resistências dos deputados em suas bases eleitorais.

“Não é possível fixar uma data [para a votação], porque esse é um processo de discussão amplo, num país com 200 milhões de habitantes em um território continental. A comunicação às vezes demora para chegar. Tem que esperar um pouco”, disse à reportagem o ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo).

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O problema maior é que o governo não apresenta cálculos atuarias, diz apenas que há déficit. Fique difícil convencer os parlamentares e a própria opinião pública, que se manifesta pela internet. Por isso, não há como aprovar o saco de maldades. (C.N.)