“Quem sabe isso quer dizer amor?”, perguntava o poeta Márcio Borges

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Os sonhos não envelhecem, diz Márcio Borges

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O escritor, diretor do Museu do Clube da Esquina, poeta e letrista mineiro Márcio Hilton Fragoso Borges é, sem dúvida, um dos melhores letristas do nosso cancioneiro popular, criador da expressão “os sonhos não envelhecem”.

Na belíssima letra de “Quem Sabe Isto Quer Dizer Amor”, Márcio Borges tentar explicar como, através de atos e sentimentos, é possível amar e se sentir amado. “Falar da cor dos temporais, de céu azul, das flores de abril. Pensar além do bem e do mal, lembrar de coisas que ninguém viu” são coisas que só fazemos quando sentimos amor.

Entretanto, alguns professores de literatura acrescentam que a letra também se refere a todas as oportunidades que devemos buscar para que possamos ser felizes, ou seja, tornar nossos sonhos reais só depende unicamente de cada pessoa que, inclusive, pode transformar ”o ribeirão em braço de mar”, cujo significado é o estreitamento da relação, um conhecimento mais profundo do indivíduo: sua alma. A música foi gravada por Milton Nascimento no CD Pietá, em 2002, pela Warner.

QUEM SABE ISSO QUER DIZER AMOR
Lô Borges e Márcio Borges

Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abrir a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira

Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos de cais
Pequenos fragmentos de luz

Falar da cor dos temporais
de céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar das coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor
Estrada de fazer o sonho acontecer

Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça

Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração bater mais forte só por você

O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor
Estrada de fazer o sonho acontecer

O sistema político pós-regime militar morreu. E agora, o que vai acontecer?

Eleitora caminha sobre panfletos na Rocinha

Foto de Custodio Coimbra, de O Globo

Bernardo Mello Franco
O Globo

Nada será como antes. O furacão eleitoral levou o telhado e as paredes da casa que abrigava a política brasileira há três décadas. “O sistema partidário que nós conhecíamos morreu no aniversário de 30 anos da Constituição”, resume o cientista político Jairo Nicolau. Ele é um dos estudiosos que tentam entender as mudanças decretadas pela urna.

O eleitor resolveu apressar a morte do doente. Despejou o presidente do Senado, desempregou o líder de todos os governos e humilhou oligarquias que não desgrudavam do poder, como o clã Sarney. No Rio, deu uma surra nos filhos de Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Jorge Picciani e Roberto Jefferson. E um ex-juiz desconhecido até a semana passada virou favorito para conquistar o governo do estado.

RETROCESSO – Ao mesmo tempo, a eleição premiou o ultraconservadorismo, o discurso truculento e o fundamentalismo religioso. A bancada da bala engordou e promete ficar mais estridente. No Rio, o campeão de votos para a Câmara foi um subtenente do Exército que tomou emprestado o sobrenome Bolsonaro. Há dois anos, ele tentou se eleger vereador em Nova Iguaçu. Teve míseros 480 votos. Agora recebeu mais de 345 mil na garupa do capitão.

“Uma taxa de renovação alta não garante um Congresso melhor”, lembra o professor Jairo Nicolau. Ele também prevê dificuldades para a formação de maioria, seja quem for o presidente eleito. A Câmara já estava dividida entre 25 partidos. Agora terá 30, uma fragmentação sem paralelo no mundo.

EXAUSTÃO – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujo partido sofreu um tombo histórico, concorda com o diagnóstico. “O sistema que nós montamos em 1988 está se exaurindo. Não sabemos ainda para que lado vai”, diz o tucano, que prevê “tempos de agitação” pela frente.

“A mudança na sociedade é muito rápida, e as instituições não correspondem mais às demandas das pessoas. Estamos virando uma página. O PSDB faz parte desta página. O que vai acontecer, eu não sei”, admite FH.

PSB decide apoiar Haddad, mas exige uma postura mais democrática

Siqueira explica que o apoio do PSB é condicional

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Os integrantes da Executiva Nacional do PSB decidiram nesta terça-feira, 9, que a sigla apoiará oficialmente Fernando Haddad, do PT, no segundo turno da eleição presidencial. Os diretórios do Distrito Federal e de São Paulo, no entanto, foram liberados para se posicionarem de forma independente.

Ao anunciar a decisão, o presidente da sigla, Carlos Siqueira, afirmou, no entanto, que o partido cobrará de Haddad a formação de uma frente democrática envolvendo, além de partidos políticos, atores da sociedade civil.

FRENTE DEMOCRÁTICA – “No momento difícil que vive o País, queremos que a candidatura se transforme em uma frente democrática. Não estamos apoiando o candidato do PT, mas sim quem vai liderar essa frente para defender a democracia”, afirmou Siqueira.

O partido deverá ainda entregar a Haddad um documento com pautas programáticas. De acordo com o presidente do partido, o PT não pediu apoio formalmente. “Estamos nos posicionando porque é a obrigação de um partido que tem vida republicana”, disse.

O apoio do PSB era considerado pelo PT como fundamental para impulsionar a candidatura do partido no segundo turno e angariar forças contra o adversário, Jair Bolsonaro (PSL).

RECOMPOSIÇÃO – Na manhã desta terça, Haddad havia dito que é preciso fazer uma “recomposição de campo”. O ex-prefeito de São Paulo lembrou também do apoio do PDT e do PSOL e ressaltou que, neste momento, ninguém está discutindo a definição de cargos em um eventual governo.

Haddad, no entanto, também espera um apoio formal do governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que disputa a reeleição no segundo turno. O candidato afirmou que prefere manter a neutralidade.

A cúpula do partido acatou a vontade de França e do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, que também disputa a reeleição no segundo turno. Os dois estão em Estados onde Bolsonaro tem amplo apoio e uma declaração pública a favor de Haddad poderia prejudicá-los.

EXCEÇÕES – “Decidimos que São Paulo e o DF poderão examinar suas coligações e definir qual posição irão querer adotar. Temos confiança absoluta neles e eles precisam ter liberdade para conduzir suas candidaturas”, afirmou Siqueira.

Questionado sobre se um dos dois candidatos poderia acabar apoiando Bolsonaro, Siqueira repetiu que confia em seus correligionários. O PSB também disputa eleições regionais no Amapá, com João Capiberibe, e em Sergipe, com Valadares Filho.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG O apoio do PSB é do tipo “meia-bomba” e não vai adiantar nada. Depois voltaremos ao assunto. (C.N.) 

PSDB expulsa Alberto Goldman e Saulo de Castro por ‘infidelidade partidária’

Alberto Goldman

Alberto Goldman riu ao saber que tinha sido expulso

Deu em O Tempo
(estadão conteúdo)

Em meio a uma profunda crise interna, agravada pelo resultado do primeiro turno das eleições, o diretório municipal do PSDB em São Paulo decidiu nesta segunda-feira, 8, expulsar sumariamente do partido o ex-governador Alberto Goldman, o secretário estadual de Governo, Saulo de Castro, e outros 15 filiados por “infidelidade partidária” nas campanhas de João Doria ao governo paulista e de Geraldo Alckmin a presidente. Cabe recurso ao diretório estadual.

Por unanimidade, 12 membros da executiva municipal tucana, controlada por aliados de Doria, entenderam que Goldman e Saulo de Castro traíram o ex-prefeito da capital na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, conforme antecipou a Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo.

APOIO A SKAF – Crítico ferrenho de Doria desde a eleição à Prefeitura, em 2016, Goldman apoiou a candidatura de Paulo Skaf (MDB), que teve 21% dos votos e ficou fora do segundo turno. No debate da TV Globo, na semana passada, o ex-governador e aliado do senador José Serra (PSDB) foi com um adesivo de Skaf colado no peito e sentou-se ao lado dos apoiadores do emedebista.

Já Saulo de Castro, braço direito de Alckmin no governo do Estado, foi expulso por ter levado na noite de domingo (dia 7) o governador Márcio França (PSB), que disputa com Doria o segundo turno, a uma reunião com Geraldo Alckmin, o presidenciável tucano. Ele ainda teria usado um broche de França durante todo primeiro turno.

DEMISSÃO SUMÁRIA – “Foi uma decisão sumária porque nós achamos que o momento é grave e não podemos esperar que tais medidas se repitam no segundo turno”, disse o vereador João Jorge, presidente municipal do PSDB.

Entre os expulsos do partido está Flávio Beal, apoiador de Doria que fomentou o voto “Bolsodoria”, defendendo apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) já no primeiro turno.

Ao ser informado pela reportagem da decisão, Goldman disse que não conseguia conter a gargalhada. “Não tem ninguém com condição moral no PSDB de me expulsar de lugar nenhum”, afirmou. Saulo de Castro não comentou a expulsão.

NA EXECUTIVA – Hoje, Alckmin e Doria devem se encontrar na reunião da Executiva nacional do PSDB, em Brasília, na qual os tucanos farão uma avaliação das eleições e devem definir o posicionamento no segundo turno entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT). Uma ala ligada a Alckmin prega a neutralidade, enquanto Doria defende apoio ao capitão.

Nesta segunda-feira, o presidente estadual do PSL, Major Olímpio, que se elegeu senador, afirmou que Bolsonaro não vai subir em nenhum dos dois palanques em São Paulo e que ele “jamais apoiaria o PSDB” por causa do tratamento dado à polícia e pelos casos de corrupção.

NEUTRALIDADE – Para o general Roberto Sebastião Peternelli, que se elegeu deputado federal pelo PSL, a neutralidade é melhor porque evita atritos estaduais que poderiam afetar Bolsonaro na eleição presidencial.

O PT de Haddad e do candidato Luiz Marinho também deve ficar neutro em São Paulo. Já Skaf se reúne nesta terça-feira, 9, com a cúpula do MDB para decidir sobre possível apoio a França ou pela neutralidade. As informações são do jornal O Estado de S Paulo.

Ex-juiz Witzel ameaça dar voz de prisão a Paes se ele mentir no debate…

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Witzel se aborreceu e mandou Paes sair do armário

Lucas Altino
O Globo

Após o candidato do PSC ao governo do Rio, Wilson Witzel, acusar o candidato do DEM, Eduardo Paes, de disseminar fake news contra ele e ameaçar dar voz de prisão ao ex-prefeito ao vivo em um debate na TV, Paes subiu o tom contra o adversário e disse que ele precisa “aprender que governar não é um ato arbitrário”. O ex-prefeito negou a acusação e disse que seu adversário precisa ter “respeito às leis e regras, ao eleitor e à imprensa”. No vídeo, o ex-juiz não apresentou nenhuma prova. Ele também disse que não vai comentar a réplica de Paes, que afirmou:.

– É uma calúnia. Vou ouvir a calúnia dele, não vou dar voz de prisão a ele, e vou dizer que é uma mentira, não estou produzindo fake news. O ex-juiz vai ter que aprender que, quando estamos na vida pública, a gente é o tempo todo arguido sobre o que já fizemos. Não só pelos adversários, mas pela imprensa e população.

AUTORITARISMO – Paes afirmou ainda que “ser candidato não é igual estar numa sala de juiz e assinar coisas”. E acrescentou: “Ele (Witzel) vai ter que aprender que governar não é um ato arbitrário e de autoritarismo. Vi na nota dele sobre essa história da Marielle uma resposta ameaçadora inclusive para o jornal. Estamos vivendo um país livre, agora não pode mais questionar? Quer vir para um debate eleitoral e está achando que é o dono da verdade.

O candidato do DEM disse que vai “fazer muita pergunta” a Witzel nos debates, inclusive “sobre questões que não foram esclarecidas anteriormente”, mas não quis detalhar o quê.

Em transmissão ao vivo pelo Facebook na segunda-feira, o ex-juiz acusou o ex-prefeito de crime de injúria na internet: “Agora que eu só tenho um adversário, eu só posso imaginar – e como magistrado, eu fui juiz durante 17 anos, a gente tem uma capacidade bem superior ao que você imagina. Essas fake news que estão correndo hoje. Você (Paes) vai ser responsabilizado por todas, porque você e o seu grupo estão colocando isso na internet. Eu não tenho outro adversário, só você”.

VOZ DE PRISÃO – Witzel também chamou Paes para o debate e ameaçou dar voz de prisão a ele, caso fale mentiras ao vivo.

– E você saia do armário. Mostre a sua cara e vá nos debates falar essas mentiras, que você vai ver a resposta. Mas cuidado que o crime de injúria está sujeito à prisão em flagrante. Viu? Dá uma estudadinha e converse com seus advogados. Porque, se você falar mentira ao vivo, eu vou te dar voz de prisão. Vai ser o primeiro candidato a governador que vai ter voz de prisão ao vivo em um debate.

E completou em seguida: – Mas é um aviso que eu te dou. Cuidado com a sua língua. Cuidado porque você sabe que a sua língua é chicote do rabo.

CARTEIRADA – Na tarde desta terça-feira, Paes também postou um vídeo no Facebook, em que critica a ameaça de Witzel e afirma que “não vai funcionar carteirada” na campanha.

– Eu fiquei curioso, porque durante o primeiro turno, em duas oportunidades,  o candidato Romário chamou ele de ‘frouxo’, e eu não vi ele dando voz de prisão nenhuma. Depois, eu vi o candidato Indio o chamando de ‘mentiroso’, e também não vi ele dando voz de prisão nenhuma. Depois, foi o candidato Garotinho dizendo que Witzel ofereceu para ele favores na Justiça Federal. E mais uma vez eu não vi ele dando voz de prisão pra ninguém.

E ironizou: – Eu não entendi. Será que ele concordou com tudo que disseram? Ele não se sentiu injuriado? Nós estamos aqui para o debate eleitoral, nós vamos discutir proposta para nosso estado e falar, sim, das características de cada candidato. Aqui não vai funcionar carteirada, não!

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! O clima esquentou de vez, está parecendo Ultimate Fighting. Se saírem da mão, o juiz destrói Paes, que é um fracote. Vai ser engraçado. (C.N.)

Campanha de Bolsonaro soube aproveitar a internet e as redes sociais

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Charge do Edra (Arquivo Google)

Marco Aurelio Ruediger

Dois dias após a eleição que mudou o país, e que terá impacto global na sequência de eleições mundiais afetadas pelas redes sociais, a ressaca do maremoto político de 7 de outubro ainda é grande. Falamos em colunas anteriores tanto da polarização como do conteúdo simbólico e sociológico das redes sociais. Falamos, também, de sua gigantesca influência no ambiente político, pela construção de narrativas eficientes em tempo real. Alertamos ainda sobre bots e fake news, e das perturbações potenciais ao processo de escolhas públicas e de votação.

Acompanhando o Twitter, já durante o debate na quinta-feira (dia 4), verificamos que Bolsonaro, que sempre esteve na frente nas redes sociais até então, ampliou ainda mais sua vantagem frente aos demais concorrentes, atingindo médias equivalentes ou acima de 100 mil tuítes por hora. Ele não participou do debate na Globo. No horário, foi veiculada uma entrevista sua para a Record. Essa margem de crescimento se estabeleceu na última semana e durou até a votação no domingo.

PELO FACE – Observando o Facebook desde setembro, vemos outro quadro ainda mais revelador. Bolsonaro havia estabelecido uma muralha de engajamento e de atração de perfis em patamar imensamente maior que a soma dos outros candidatos. Esse domínio — que em gráfico aparenta um curioso formato do Pão de Açúcar —  teve um pico menor no dia 1º de outubro e outro maior no dia 4, na quinta. Houve um volume total de 13,9 milhões de interações nas publicações de Bolsonaro na rede, com seu ápice durante o debate, quando chegou a atrair 430 mil interações em média por postagem.

Suas inserções nas redes não se resumiram a essas duas plataformas. Tiveram impacto demolidor também nas listas de mobilizadores no WhatsApp, que selaram uma estratégia que prescindiu dos meios tradicionais de TV e da estrutura partidária. Isso muda completamente a forma de fazer campanha, gerar mobilização e engajamento.

Discurso Moralista – Claro, houve a mensagem e sem a correta envelopagem isso não seria possível. Ao construir um discurso moralista com base na questão da corrupção e da segurança pública como metatemas, Bolsonaro produziu sínteses que atingiram os brasileiros, a despeito de seu viés ultraconservador. A partir disso, abriu outras frentes por esse viés, trazendo a questão da Venezuela, da economia e do antipetismo, apresentando-se como o único capaz de higienizar a política e a vida pública.

Mas houve também o senso de timing. Com discurso construído desde 2014, intensificado em 2016, no impeachment, e turbinado em 2018 pelas redes, houve tempo para Bolsonaro consolidar e possibilitar conversões. Milhões delas.

CIRO SE ATRASOU – Outros, como Ciro Gomes, intensificaram sobremodo sua presença nas redes, mas tardiamente. Ciro logrou o segundo lugar virtual na busca de última hora de parte do eleitorado por uma terceira via, ainda assim muito distante, atingindo, antes do início da votação, a marca de 547 mil tuítes. Bolsonaro já estava em 1,5 milhão.

Para nossa surpresa, esse potencial impacto foi negligenciado por analistas e pelas campanhas. No caso de alguns analistas, percebe-se que erraram em suas previsões por desconsiderarem o impacto das redes.

Fixaram-se numa abordagem retrô, na qual o tempo de TV e estruturas partidárias tradicionais eram os fatores preponderantes da equação. Essas análises permearam a estratégia de várias campanhas, que buscaram por aí mudar seu destino na esperança que o tempo diferenciado de mídia seria definitivo para reverter o jogo. A esfinge não foi decifrada e os engoliu.

(Marco Aurelio Ruediger é chefe da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas)

Balanço da eleição é positivo e revela um novo cenário político no Brasil

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br.)

Fábio Medina Osório

Um balanço geral revela novo cenário no Brasil. E me parece que esse contexto é positivo, pois traduz sentimentos de mudança da sociedade em sintonia com agenda internacional de liberalismo econômico, combate à criminalidade violenta e repúdio à corrupção. As eleições demonstraram a solidez da democracia brasileira, contrariando o discurso daqueles que tentaram manchar a imagem do Brasil no exterior, chamando nosso país de golpista.

Uma das suspeitas lançadas contra Bolsonaro foi a pecha de ditador ou inimigo da democracia. Esse ataque não vingou, pois sua candidatura fluiu dentro do sistema eleitoral e no curso das regras do jogo democrático.

QUADROS QUALIFICADOS – Chegou-se a suscitar, de modo equivocado, a impossibilidade de membros das Forças Armadas exercerem funções civis ou se candidatarem a cargos públicos. Quem sustenta semelhante tese desconhece a Constituição de 1988. Aliás, as Forças Armadas tem quadros extremamente qualificados para contribuir nas mais diversas áreas civis do governo.

Diga-se que a magistratura e o Ministério Público brasileiros também tem pessoas que podem contribuir para o crescimento do Brasil. E igualmente empresários, e outros funcionários das mais diversas carreiras devem participar da vida pública. Quer dizer, estamos vivendo novos tempos. Quem sabe os cidadãos não começam a participar mais ativamente da vida política nacional?”

Bolsonaro diz que participará de debates, se for liberado pelos médicos

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Bolsonaro será examinado pelos médicos nesta quarta

Deu na Agência Brasil

O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, disse à Rádio Bandeirantes que pretende participar de debates de televisão no segundo turno, se for liberado pela equipe média do Hospital Albert Einstein, e pretende “dar uns tiros pelo Brasil, no bom sentido”, demonstrando intenção em viajar em campanha. Ele disse ainda que o candidato a vice-presidente na chapa, general Hamilton Mourão (PRTB), assim como o assessor econômico Paulo Guedes, não deve aparecer no segundo turno porque “não tem traquejo com a imprensa”.

Na entrevista, Bolsonaro disse representar o novo, enquanto o seu adversário, Fernando Haddad (PT), em sua opinião, seria o velho, “a continuidade da corrupção, o desprezo pela família, o desprezo pela Educação”. Segundo ele, “a garotada desaprendeu mais ainda” no período em que Haddad foi ministro da Educação, nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

INDULTO A LULA  – “Sabemos que o Haddad tem falado com o Lula na cadeia. Hoje está visitando o Lula novamente. Ele (vai) assinar o indulto do Lula e também vai colocar um fim à (Operação) Lava Jato”, afirmou Bolsonaro à radio. O candidato petista, no entanto, já negou essa informação.

Ao comentar o grande número de votos recebidos pelo PT na Região Nordeste do País, Bolsonaro acusou, sem oferecer provas, o partido adversário de utilizar o programa social Bolsa Família para cooptar “eleitores de carteirinha”. “A maneira de arranjar recursos é combatendo a fraude, combatendo a corrupção, até mesmo dentro do Bolsa Família. Acreditamos que 30% aproximadamente são benefícios dados sem qualquer critério. É gente que não precisa receber isso aí. Tenho dito, disse no Nordeste: vamos continuar trabalhando para lá. Combatendo a fraude, tem até como pagar um pouco melhor para essas pessoas”, disse o candidato do PSL.

EM RECUPERAÇÃO – Bolsonaro afirmou ainda que está “em franca recuperação” física, o que vai permitir que faça campanha pelo Brasil. “O problema que eu teria é, no meio do povo, receber uma cotovelada, um abraço muito forte… Foram duas cirurgias de vulto, em que tudo foi colocado para fora do abdome foi para dentro novamente. Mas estou me sentindo bem. Acredito que esteja com 60% da parte física em dia. A parte mental está boa. Então, tá tranquilo”, argumentou, complementando, em seguida, que a decisão será da junta médica do Hospital Albert Einstein, nesta quarta-feira, dia 10. Desde que foi esfaqueado no município de Juiz de Fora (MG), em campanha, Bolsonaro passou a se comunicar com os eleitores via redes sociais.

O candidato do PSL ainda agradeceu o apoio das lideranças evangélicas e lamentou a derrota do candidato a governador do Espírito Santo Magno Malta (PR-ES), a única derrota de “peso” entre os aliados, em sua opinião.

MENOS DEPUTADOS – Mais uma vez, ele defendeu o corte no número de deputados federais, mas negou que tenha intenção de fechar o Congresso. “Vamos ter uma bancada orgânica bastante grande, além dos simpatizantes. O que pregamos por anos pelo Brasil e depois em Brasília foi bem aceito pela sociedade. A sociedade quer mudança”, destacou.

Entre possíveis ministros, citou apenas o nome do tenente-coronel e astronauta Marcos Pontes, que chegou a se candidatar à chapa de Bolsonaro, como vice-presidente. A vaga, por fim, ficou com o general Hamilton Mourão que, assim como o assessor econômico Paulo Guedes, não deve aparecer no segundo turno, porque “não tem traquejo com a imprensa”, segundo Bolsonaro.

Ontem, Mourão, mais uma vez, teve que voltar atrás e se explicar pela afirmação de que o neto é bonito por ser fruto de um “branqueamento da raça”. Depois dos efeitos negativos na imprensa e redes sociais, Mourão disse que fez apenas uma “brincadeira”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Para participar de debates, Bolsonaro deveria pedir que se colocasse uma mesa no estúdio, para que ele e Haddad ficassem sentados. Quando à campanha, ele ainda está em recuperação, por isso não deve viajar de avião nem se submeter a sacolejos em possíveis turbulências. Não custa prevenir. (C.N.)

Após críticas, Bolsonaro e Haddad recuam sobre fazer nova Constituição

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Charge do Laerte (laerte.com)

Marina Dias, Catia Seabra e Talita Fernandes
Folha

Levados ao segundo turno da eleição presidencial, os candidatos do PSL, Jair Bolsonaro, e do PT, Fernando Haddad, recuaram e descartaram a controversa ideia de fazer uma nova Constituição para o país. Enquanto o petista vai recalibrar a estratégia da campanha e acenar ao centro, seu adversário fortalecerá as táticas que lhe renderam 46% dos votos no primeiro turno.

Bolsonaro se preocupou, em entrevista ao Jornal Nacional nesta segunda-feira (dia 8), em enfatizar que respeita o voto popular e que desautorizou seu vice, general Hamilton Mourão, por ter dito que ele considerava convocar uma Constituinte escrita por notáveis e achava razoável a hipótese de um autogolpe contra o Congresso.

ERROU O NOME – “Ele deu uma canelada. Eu o desautorizei”, disse Bolsonaro sobre o vice, cujo nome errou duas vezes (“Augusto”). “Ele é general, eu sou capitão, mas o presidente serei eu.”

Bolsonaro ainda acenou ao Nordeste e aos mais pobres, campos em que o PT leva vantagem, e afirmou que não acabará com o Bolsa Família.

O PT, por sua vez, fez um gesto significativo ao eleitorado de centro que teme ver Haddad tutelado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado por corrupção. Nesta segunda-feira (dia 8), o candidato foi liberado pelo padrinho de visitá-lo semanalmente na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde cumpre pena, e reduziu o número de citações a seu nome em entrevistas.

NOVOS RUMOS – A correção de rota petista deve ser mais drástica do que a de Bolsonaro, a fim de buscar ampliar a base de 29,3% dos votos recebidos no domingo. A avaliação da campanha, porém, é que perfazer a diferença será “muito difícil”.

Após receber Haddad nesta segunda-feira, Lula o autorizou a revisar pontos do programa de governo em busca de alianças. Assim foi descartada a instalação de uma Assembleia Constituinte, criticada.

Indagado em entrevista no Jornal Nacional desta segunda sobre a possibilidade de nova Constituição, Haddad declarou que o PT “reviu o posicionamento” e que eventuais mudanças se darão somente com emendas à atual.

CARTA BRANCA – Lula orientou o discípulo a ir à rua fazer campanha e deu carta branca para que firme sua identidade e converse com diversos partidos –inclusive com lideranças do PSDB como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem tem boa relação.

A ideia é que os acordos formais se deem entre siglas de esquerda e centro-esquerda, como PDT, PSB e PSOL, mas haja espaço para uma frente em defesa da democracia. O ex-adversário Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado, pretende anunciar nesta quarta “apoio crítico” ao petista.

Após se reunir com Haddad e o comando da campanha em São Paulo, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que as visitas de Haddad a Lula dependerão da dinâmica de campanha: “Temos menos de 20 dias. Não sei qual será o tempo e a disposição para isso. Se for possível, ele vai; se não, vai fazer campanha”.

WAGNER REFORÇA – Para articular o arco de diálogo, a campanha de Haddad incorporou nesta segunda o senador eleito pela Bahia Jaques Wagner. Com bom trânsito entre políticos, empresários e integrantes das Forças Armadas, o ex- ministro da Defesa de Dilma Rousseff buscará diferentes setores e tentará esfriar os ânimos no PT.

Uma ala importante da coordenação defende que o eixo do segundo turno seja o debate econômico, com a radicalização do discurso e sem acenos ao mercado, enquanto o grupo próximo a Haddad quer movimentos para ampliar o apoio, inclusive com empresários e investidores.

A campanha se preocupa também em buscar o eleitor lulista que migrou para Bolsonaro. Daí a ênfase no discurso para o eleitorado mais pobre.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Bolsonaro seguirá na mesma balada, porque não se mexe em time que está vencendo. Do outro lado, os petistas estão batendo cabeça, porque ninguém sabe o que fazer e Lula já jogou a toalha, convencido da derrota. (C.N.)

Dória apoia Bolsonaro, mas FHC e Alckmin ainda estão em cima do muro

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deverá publicar nota sobre seu posicionamento no segundo turno esta semana Foto: Marcos Alves / Agêncio O Globo

FHC assistiu ao PSDB desmoronar nestas eleições

Silvia Amorim
O Globo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi às redes sociais nesta segunda-feira para dizer que não manifestou apoio a nenhum dos candidatos à Presidência que disputam o segundo turno — Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL). O ex-presidente afirma que não teria motivos para se posicionar porque Haddad e Bolsonaro não se mostraram até agora compromissados com ideias que ele acredita serem relevantes para o país.

“As redes divulgam que apoiarei Haddad. Mentira: nem o PT nem Bolsonaro explicitaram compromisso com o que creio. Por que haveria de me pronunciar sobre candidaturas que ou são contra ou não se definem sobre temas que prezo para o país e o povo?”, escreveu.

SEM DETALHES – FHC não explica na publicação a quais temas está se referindo. Há uma expectativa de que o ex-presidente divulgue ainda esta semana, provavelmente na quarta-feira, uma nota mais abrangente sobre um posicionamento dele na eleição presidencial.

Nesta segunda-feira, FH direcionou críticas às duas candidaturas nas redes sociais. “Os candidatos vitoriosos devem dizer o que farão com o Brasil, não quem perdeu. Não concordo com o reacionarismo cultural e o descompromisso institucional de uns vitoriosos e tampouco com a corrupção sistêmica e com apoio ao arbítrio na Venezuela e em outros países”, postou.

SEM PRESSIONAR – Nesta terça-feira, a direção nacional do PSDB se reunirá em Brasília para começar a discutir uma orientação partidária para a polarização entre Bolsonaro e Haddad. Aliados do candidato derrotado à Presidência, Geraldo Alckmin, afirmaram neste domingo que o tucano não manifestará apoio a nenhum dos dois adversários.

Seja qual for a decisão da Executiva nacional do PSDB, a qual Alckmin preside, uma certeza entre os tucanos é a de que as lideranças do partido vão se posicionar no segundo turno de acordo com seus interesses individuais. O partido não terá força para impor qualquer posicionamento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Doria é esperto e foi logo apoiando Bolsonaro. Com isso, emparedou o adversário Márcio França, do PSB, e praticamente consolidou o caminho da vitória no segundo turno. (C.N.)

No segundo turno, um dos desafios de Bolsonaro é calar Mourão, seu vice

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Mourão tem um talento enorme para falar asneiras

Deu na Coluna do Estadão

A campanha de Jair Bolsonaro (PSL) enxerga como um desafio para o segundo turno controlar seu candidato a vice, general Hamilton Mourão (PRTB). A estratégia é isolá-lo e vendê-lo como alguém folclórico, uma vez que ele é considerado fora de controle e que de nada adiantaram os pedidos para que parasse com as declarações polêmicas. O problema é como fazer isso sem passar a impressão de que, se eleito, Bolsonaro já chega tendo problemas com o vice, munição certa para o seu adversário, Fernando Haddad (PT).

Militares entrarão em campo para ajudar na tarefa, porque no primeiro turno Mourão já disse que o 13º salário é uma jabuticaba, que o neto é bonito por representar o “branqueamento da raça” e que o “Brasil herdou indolência dos indígenas e malandragem dos africanos”.

ACABOU A PACIÊNCIA – Em conversas com seu círculo mais íntimo, Bolsonaro demonstra que perdeu a paciência com o vice, a quem já chama na intimidade de “imbecil”, segundo dois interlocutores, e diz não entender a razão de o general insistir em polemizar.

A equipe médica do Hospital Albert Einstein que atende Bolsonaro não vê empecilhos para que ele participe de debates na TV no 2º turno. Ele será reavaliado esta semana e deve receber alta do home care.

No 2.º turno, Bolsonaro vai mudar o discurso e dizer que só ele poderá reconciliar o País. Os ataques mais pesados ficarão por conta da sua militância nas redes sociais.

CAMPANHA DO MEDO – O PT vai se valer de estratégia já conhecida do partido para tentar derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno. Com foco no eleitor das classes C, D e E, vai insistir que Bolsonaro vai tirar direitos do trabalhador e acabar com programas sociais.

Agora é guerra. Além das declarações do vice de Bolsonaro, outro ponto a ser explorado será o voto contrário do presidenciável do PSL à lei que regulamentou a profissão de empregada doméstica.

Dentro do PT, ainda há críticas à dificuldade de Haddad para se comunicar com o eleitor, o que ele precisará mudar. O partido pedirá reforço das centrais sindicais e movimentos sociais para disseminar a versão de que Bolsonaro está contra o trabalhador.

ALVARO DIAS – Apesar dos esforços da campanha de Bolsonaro, ele não deve receber o apoio de Alvaro Dias (Podemos). A interlocutores, o senador disse que vai desaparecer e para um deles explicou: “Os que querem assassinar esse País que o façam”.

Decretada a derrota de Geraldo Alckmin, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) lembrou a aliados que tentou fazer uma autocrítica quando assumiu a presidência do PSDB, mas que foi arrancado do cargo após críticas por ter reconhecido erros do partido.

João Doria (PSDB), que disputa com Márcio França (PSB) o segundo turno ao governo de SP, disse à interlocutores que, se eleito, vai  convidar Geraldo Alckmin para compor seu governo.

A rede bancária líquida funciona como a maré, que traz e depois leva…

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Holanda, sempre bem-humorado

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O designer gráfico, editor, professor, advogado, jornalista, contista e poeta pernambucano Gastão de Holanda (1919-1997), no poema “A Rede Bancária Líquida”, faz uma curiosa comparação do famoso Rio Capibaribe com o funcionamento da rede bancária para a sua clientela de suas margens. Assim como as instituições financeiras, o rio dá com “o braço da maré” e depois tira com “o murro da cheia”.


A REDE BANCÁRIA LÍQUIDA
Gastão de Holanda

O rio tem uma rede bancária
para atender aos flagelados,
sua clientela das margens.
Há um capital chamado pró-giro
feito de redemoinhos e febre amarela.
O rio tem um balanço exigível
pedindo a execução dos marginais
e há sempre passivo, lucro não há.
Perdas? Sim, essas são ganhas, fatais.
As mercadorias em consignação desfilam
no leito rancoroso, como um
gerente, de conta-corrente
que o banco do rio credita ao mar
e não ao devedoso cliente.
O rio empresta a prazos e juros altos
pois quem nele pesca uma tainha
tem que lhe endossar uma cesta de camorins.
Se a fome recorrer ao mangue
a pena é mil alqueires de caranguejos
cevados na lama da baixa-mar.
O rio dá com o braço de maré
e tira com o murro da cheia
que com ela traz o mar de meirinho.

“A luta política deixa mágoas profundas” (que poderiam ser evitadas)

“A luta política deixa mágoas profundas” (que poderiam ser evitadas)

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Antonio Rocha

Certa feita ouvi ou li o título acima e gravei. Desde então tenho acompanhado a assertiva e verifico, com tristeza, ser ela cada vez mais atual. Tenho 66 anos e constato que a atual eleição ganha disparada em matéria de intolerância partidária, ideológica e afins.

Noto que o Brasil está ficando dividido. Se antes a divisão era econômica, cultural, agora também é em outras áreas: laboral, educacional, familiar, religiosa e outras mais.

RADICALIZAÇÃO -Sou professor do Estado, na Baixada Fluminense e “acompanho” mais ou menos algumas famílias de colegas, alunos, funcionários e nunca presenciei, até então, o nível de raiva, discórdia e similares que vejo atualmente.

O mesmo presencio entre parentes e amigos virtuais em outros estados, nas chamadas redes sociais. Pessoas pedindo para serem cortadas/apagadas das listagens porque discordam da posição política do candidato que o outro defende.

Com frequência leio aqui na TI comentários dando a entender que todos ou quase todos os professores seguem o credo de Paulo Freire e são marxistas partidários. Não é verdade. O que esta eleição tem revelado é que os professores pensam muito diferentes entre si. Não há uma unanimidade ideológica/pedagógica.

SISTEMA WALDORF -De minha parte, esclareço que tenho simpatia pela Pedagogia Antroposófica, o sistema filosófico alemão de Rudolf Steiner chamado Waldorf. Com ingredientes do métodos inglês Summerhill e o português Escola da Ponte. As três aproximam-se da Pedagogia Zen-Budista.

Vou ilustrar o que escrevi o título. Uma determinada família da chamada classe média, na Baixada Fluminense, chegou às raias do radicalismo. O casal de idosos vota em Bolsonaro. A filha, o marido dela e a neta votam no PT. As provocações no Facebook foram tantas que mudaram de Estado (outros motivos contribuíram para a separação); bolsonaristas para um lado e lulistas para o outro. Não querem se ver, nem saber das respectivas caras.

TUDO PASSA – Budisticamente, eu então lembro que tudo passa, que tudo é impermanente, que tudo é ilusório. Mas pelo visto, a distância entre eles vai continuar, por causa da “mágoa” acima descrita. E sabemos que todos estes estados e estágios negativos fazem muito mal à saúde dos envolvidos.

Citei apenas um caso, mas conheço outros. Parece que é um carma negativo brabo do Brasil. Não estou defendendo nenhum dos dois lados da polêmica, mas sendo um seguidor da Filosofia Budista concordo com o Mestre Buda de que a razão, o equilíbrio, o discernimento está no meio, no centro. E as partes beligerantes devem sentar à mesa e conversar educadamente, sem paixões, assim a Nação ganha, caso contrário, todos perdemos.

Caso de Alexandre Frota mostra como os petistas podem ser preconceituosos

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Frota foi eleito deputado pelo partido de Bolsonaro

José Carlos Werneck

Os petistas estão criticando, através de postagens no Facebook, o agora deputado eleito Alexandre Frota, dizendo que ele foi motorista do aplicativo Uber. Nunca pensei que pessoas que se dizem defensoras das classes trabalhadoras fossem capazes defazer comentários elitistas como esses.

O desespero com a votação estrondosa de Jair Bolsonaro no primeiro turno e o desempenho sofrível de Fernando Haddad, o estafeta de Lula, está fazendo com que os petistas se deixem levar, cadavez mais, por um ódio e rancor sem limites. Logo eles, que classificavam seus oponentes de “preconceituosos e fascistas”.

É DEPRIMENTE – Que coisa mais feia e deprimente é debochar de alguém por desempenhar uma função que eles consideram menos nobre.

Realmente, esses petistas deveriam repensar o que disseram, num momento de ódio incontido. Poderiam criticar Alexandre Frota com outros argumentos, mas ironizar uma pessoa por desempenhar uma função digna e honesta, dando a entender, com deboche, que um motorista do Uber não pode ser deputado, é realmente um preconceito hediondo.

Num Brasil que teve a economia arrasada e em que o PT, chefiado por Lula, roubou tanto, existe hoje muita gente com curso superior completo que está trabalhando como Uber ou vendendo quentinhas para poder pagar suas contas no fim do mês.

Qualquer trabalho digno é honesto e deve ser respeitado. Feio é roubar, como fizeram Lula e vários de seus seguidores, enchendo os bolsos com recursos públicos, que eram do povo!

Ciro Gomes pretende que PDT declare apenas “apoio crítico” a Haddad

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Carlos Lupi diz que o PDT não tem outro caminho

Catarina Alencastro
O Globo

Depois de ficar em terceiro lugar na disputa presidencial, o candidato do PDT, Ciro Gomes, decidiu, ao lado do presidente da sigla, Carlos Lupi, defender que a posição do partido seja de declarar um “apoio crítico” ou “sem empenho” à candidatura do petista Fernando Haddad no segundo turno. O assunto foi objeto de uma conversa nesta segunda-feira, mas ainda será discutido em uma reunião da executiva do PDT com a participação dos parlamentares eleitos numa reunião em Brasília na próxima quarta-feira.

O apoio a Jair Bolsonaro (PSL) não será aceito dentro da legenda, podendo resultar em expulsão, mas quem ficar neutro não será punido.

ELEIÇÃO DE 2022 – O que Lupi e o próprio Ciro defendem é que a sigla não participe da campanha e nem aceite qualquer cargo no governo do PT, caso Haddad vença as eleições. Lupi defende inclusive que o PDT parta para a oposição em qualquer cenário a partir de janeiro de 2019 para que Ciro se posicione como uma alternativa para o Brasil nas eleições de 2022.

— Vamos discutir que tipo de apoio vamos dar a Haddad, um apoio crítico, sem participar do governo. Vamos cobrar alguns compromissos públicos do PT contra o aparelhamento do Estado. E no dia seguinte ao dia em que novo presidente for eleito, Ciro vai para a oposição e vai começar a campanha dele para 2022 — disse Lupi ao Globo.

UNIR O PDT – O presidente do partido admite que sua maior dificuldade será unificar os quadros da legenda em torno de uma posição pró-Haddad. Ele esclarece que defenderá uma adesão “sem empenho” ao petista. E diz que não obrigará ninguém a fazer campanha. Mas que não admitirá que nenhum membro do partido apoie a Bolsonaro.

— Minha grande dificuldade vai ser unificar a bancada. Mas eu confio no meu taco. Não vou exigir que ninguém abra o peito e entre no mar para defender o PT, mas não vou tolerar apoio a Bolsonaro. Boto para fora mesmo. Vou levar para a reunião minha posição, de que devemos dar um apoio sem empenho ao Haddad — afirmou Lupi.

FÃ DE LULA – O dirigente conta que recebeu no domingo uma ligação da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, mas não atendeu porque estava com Ciro, jantando após a divulgação do resultado. Lupi é fã declarado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem considera “um gênio”. Ele também simpatiza com Haddad, que seria, na sua avaliação, o único quadro do PT que não tem a “cara do PT tradicional”.

Sem abrir mão de seu jeito bonachão e bem-humorado, na entrevista ao GLOBO, realizada no lobby de seu hotel na manhã seguinte à apuração do resultado que botou Haddad e Bolsonaro no segundo turno, Lupi esboçava preocupação e dizia que era preciso entender o recado das urnas. “O PT vai ter que passar por uma catarse. Essa política do varejo, do toma lá dá cá esgotou-se” — pontuou.

Aliança de centro-esquerda não basta para vencer Bolsonaro, dizem analistas

Resultado de imagem para haddad CHARGESPatrícia Campos Mello , Joana Cunha e Flavia Lima
Folha

Para o candidato Fernando Haddad (PT), não será suficiente criar uma grande aliança democrática, aglutinando partidos de centro-esquerda, para ter alguma chance —pequena— de derrotar o líder Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno, afirmam cientistas políticos. Matematicamente, Haddad teria de herdar todos os votos de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) para conseguir vencer no segundo turno, algo improvável.

Para cientistas políticos, a única maneira de uma coalizão derrotar o candidato do PSL, que venceu por uma margem de quase 20 pontos porcentuais, é tirar votos dele. “E, para isso, não adianta insistir em questões levantadas no primeiro turno, como oposição à tortura e importância da democracia. Isso não afeta o eleitor de Bolsonaro”, afirma a cientista política Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília.

DEFESA DOS DIREITOS – Seria necessário o PT investir na narrativa de retirada de direitos, como esboçado na polêmica do vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, sobre o décimo terceiro salário. “É por aí que poderia haver algum desgaste para o capitão reformado”, diz Flávia.

No entanto, seria um movimento delicado porque, ao mesmo tempo que um ataque às políticas ultraliberais defendidas pela chapa de Bolsonaro ajudaria a tirar votos dele, o PT precisa fazer um exercício de conquistar o centro e o mercado financeiro com acenos para políticas macroeconômicas mais ortodoxas.

Entre economistas, é consenso de que Haddad teria que caminhar em direção ao centro. Espera-se alinhamento com Ciro Gomes (PDT) e parte de suas propostas. “Se radicalizar para o lado da esquerda, certamente vai perder”, diz o economista Nelson Marconi, da coordenação de campanha de Ciro.

EVANGÉLICOS – Um desafio será o movimento das igrejas evangélicas, que conseguiram mobilizar eleitores pró-Bolsonaro unindo a chamada teologia da prosperidade, que prega a ascensão social por mérito e empreendedorismo, aliada ao conservadorismo em costumes. “Certamente o ‘kit gay’ e outras questões de gênero ressurgirão com força”, diz a cientista política.

Para Flávia, o PSDB é o grande perdedor dessa eleição e o PT sai vitorioso, apesar da distância entre Haddad e Bolsonaro. “Mesmo após um processo de desmonte, Haddad teve 29%, ou seja, a transferência de intenções de voto de Lula para ele foi quase integral, considerando-se a margem de erro.”

LEI E ORDEM – Para o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor emérito da UFMG, não se pode creditar totalmente ao antipetismo a enorme vantagem obtida por Bolsonaro. “Acredito que, nas camadas mais altas de renda, o antipetismo seja o principal motor para o apoio a Bolsonaro. E essas camadas influenciam camadas mais baixas”, diz. No entanto, na classe média e nas mais baixas, o principal é uma psicologia social de apoio ao discurso de lei e ordem, afirma Reis.

“Embora em tese as pessoas apoiem a democracia, como mostrou a pesquisa Datafolha desta semana, elas apoiam um conceito abstrato. Quando se pergunta como elas veem a tortura em delegacias e chacina de bandidos, o apoio é gigantesco. Indagados se um homem honesto e forte capaz de unificar o país substituiria partidos políticos, a grande maioria dirá que sim”, diz Reis. “Esse ideário fascista de bandido bom é bandido morto é o grande apelo de Bolsonaro.”

Flávia acredita que o salto nas pesquisas que Bolsonaro teve nos últimos dias foi devido ao antipetismo —quando Haddad começou a subir, muitos eleitores de Alckmin e Marina migraram para o candidato do PSL. “Mas existe um grande porcentual dos eleitores que vota em Bolsonaro porque ele conseguiu mobilizar suas inseguranças e frustrações.”

DIAS MELHORES? – No mercado financeiro, a vitória de Bolsonaro é considerada provável e festejada. Mas não é recebida pela maioria dos economistas como garantia de dias melhores. Existe uma preocupação sobre qual será a real chance de o economista Paulo Guedes emplacar a agenda de reformas de que o país precisa.

“O mercado financeiro acordou de bom humor, animadíssimo com a liderança de Bolsonaro, mas vai ser uma vitória de Pirro”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Continuo achando que Paulo Guedes e a agenda dele não serão longevos”, diz Vale, para quem Bolsonaro e seu economista teriam um “diálogo de surdos”.

Para a economista Alessandra Ribeiro, sócia da consultoria Tendências, o mercado vai receber bem o resultado do primeiro turno, com forte liderança do candidato Jair Bolsonaro (PSL), e deve haver alta dos preços dos ativos de modo geral.

QUADRO DIFÍCIL – No entanto, a situação econômica sera difícil em 2019 e a necessidade de reformas “deve colocar uma faca no pescoço do futuro presidente”, diz a economista. Ela acha que o candidato que sair vencedor deve apresentar uma reforma da Previdência.

A cientista política Marta Arretche, professora titular da Universidade de São Paulo (USP), afirma que Bolsonaro será obrigado a explicitar suas posições em temas macroeconômicos cruciais, pela primeira vez.  “Até agora, ele só foi o candidato anti alguma coisa – anti-PT, anticorrupção, antiviolência. Agora, terá de explicar, por exemplo, como irá manter a política de salário mínimo e, ao mesmo tempo, equacionar a Previdência? Como vai promover o equilíbrio das contas públicas que vem prometendo?”

Na festa da democracia, é preciso ter cuidado com discursos mais exaltados

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Hélio Schwartsman
Folha

Em tempos mais normais, uma coluna a ser publicada sobre eleições gerais exaltaria a festa democrática. Como não vivemos tempos normais, vejo-me compelido a escrever sobre riscos institucionais. A crer nos discursos mais exaltados, depois de hoje estaremos reduzidos a escolher se enterraremos a democracia elegendo Bolsonaro ou nos tornaremos uma Venezuela optando por Haddad. Cuidado com os discursos mais exaltados.

Não se trata, é claro, de ignorar os alertas. Bolsonaro já deu inúmeras declarações que escancaram seu descompromisso para com a democracia e os direitos humanos. Não é absurdo, portanto, imaginar que, uma vez alçado ao poder, ele dê início a uma escalada autoritária.

DENTRO DAS REGRAS – Seu plano econômico é pouco consistente e Bolsonaro parece completamente despreparado para o cargo. Por mais que alguém odeie o PT, é preciso uma coragem meio suicida para apertar o número 17 na urna.

Só que não podemos tomar o que é uma possibilidade — a erosão da democracia sob seu governo — como uma certeza. Apesar do discurso radical e irresponsável, concretamente Bolsonaro nada fez que possa ser descrito como uma violação às regras democráticas. E, enquanto não fizer, precisa ser aceito como um participante legítimo do jogo.

JUS SPERNIANDI – Quanto a Haddad e o PT, se o passado vale alguma coisa, eles já foram aprovados no teste da democracia. O partido teve uma presidente destituída e seu líder máximo preso e em nenhum momento deixou de acatar as regras, ainda que fazendo uso liberal do “jus sperneandi”, o direito de espernear.

O problema com o PT é que ele parece invulnerável ao aprendizado econômico. Seu programa insiste em algumas das teses que, sob Dilma, produziram a megarrecessão. Nossa melhor esperança é que o programa não seja para valer. Haddad já deu alguns sinais de que, no poder, caminharia mais para o centro. É duro que tenhamos de torcer por mais um estelionato eleitoral.

Bolsonaro larga forte para segundo turno mas agora terá que se expor

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Jair Bolsonaro agora terá de detalhar seu programa

Paulo Celso Pereira
O Globo

O deputado Jair Bolsonaro chega ao segundo turno em situação numericamente muito semelhante à do ex-presidente Lula em 2006, quando, disputando a reeleição, teve 48,6% dos votos no primeiro turno. Há, no entanto, algumas diferenças. Ao contrário do que ocorria com o petista 12 anos atrás, a trajetória do candidato do PSL é claramente ascendente nas pesquisas, ainda que seus admiradores saiam frustrados por não terem conseguido encerrar a fatura neste domingo.

Por outro lado, ele terá agora que se expor e dizer claramente o que pretende fazer caso seja eleito, tarefa da qual foi dispensado no primeiro turno em função do pouco tempo de TV e do atentado que sofreu.

POLARIZAÇÃO – O segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad deve levar a uma polarização ainda maior da campanha eleitoral. As fake news divulgadas nas últimas semanas, e intensificadas neste domingo, são só o prenúncio do que pode se tornar a disputa presidencial deste ano.

A tendência é que os eleitores votem mais por rejeição a um dos nomes do que por alinhamento com o outro. Todas as pesquisas feitas nos últimos dias mostram que os índices de rejeição de ambos candidatos eram maiores do que seus apoios.

O PT, que temia uma onda de última hora de Ciro Gomes, respira aliviado e precisa se reorganizar para uma longa caminhada na nova etapa. De cara, a tendência é buscar o apoio de Ciro e de outros políticos relevantes, na tentativa de reduzir sua rejeição e se mostrar como um nome amplo.

ANTIPOLÍTICA – No campo oposto, é provável que Bolsonaro opte por seguir navegando onde é melhor: na antipolítica.

O resultado deste primeiro turno deixa claro que em nenhum momento se deu de fato uma onda relevante pró-Ciro Gomes ou em nome de outro candidato que quebrasse essa polarização. Geraldo Alckmin exibe o pior resultado da história do PSDB, o que obrigará a uma reorganização profunda do partido.

Por fim, é estarrecedor o resultado de Marina Silva. Após figurar com cerca de 20% dos votos por duas eleições seguidas, ficou atrás de nanicos João Amoêdo, Cabo Daciolo e Henrique Meirelles.