Afinal, por que a Crusoé foi multada em R$ 100 mil, mesmo cumprindo a ordem do STF?

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O documento de Odebrecht existe e foi apresentado pela revista

Deu em O Globo

A revista digital ” Crusoé ” informou na noite desta segunda-feira que, mesmo cumprindo uma decisão do Supremo Tribunal Federal ( STF ) para tirar do ar uma reportagem, foi multada pelo ministro Alexandre de Moraes em R$ 100 mil. Mais cedo, Moraes censurou a “Crusoé” e o site “O Antagonista”, mandando que retirassem imediatamente do ar uma reportagem intitulada “O amigo do amigo de meu pai” . Segundo a matéria, o empreiteiro Marcelo Odebrecht identifica que o apelido do título, citado em um e-mail, se refere ao presidente do tribunal, ministro Dias Toffoli.

“A multa por descumprimento é absurda, pois a decisão foi cumprida imediatamente. É sintomático que a certificação do descumprimento conste apenas no interior de um inquérito a que se nega acesso aos interessados e à sociedade”, disse o advogado André Marsiglia dos Santos, que defende a “Crusoé”, em texto publicado na revista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esta pequena matéria de O Globo não entra em detalhes, mas pode-se presumir que a multa foi aplicada porque a redação de “O Antagonista”, após receber a comunicação do Supremo, publicou no site uma matéria sobre o assunto, anunciando que tinha ocorrido a censura por parte do ministro Alexandre de Moraes, que considerou a reportagem da revista Crusoé como “fake news”, sob justificativa de que a Procuradoria-Geral da República divulgou comunicado na sexta-feira, dizendo que o documento com a menção a Toffoli não havia sido remetido ao órgão —diferentemente do que relatara o texto da revista.

“Obviamente, o esclarecimento feito pela Procuradoria-Geral da República torna falsas as afirmações veiculadas na matéria ‘O amigo do amigo de meu pai’ em típico exemplo de fake news — o que exige a intervenção do Poder Judiciário”, decidiu o ministro.

Data máxima vênia, como dizem os juristas, e com todo o respeito ao venerável ministro, é preciso destacar que o fato de a declaração de Marcelo Odebrecht não ter sido encaminhada à Procuradoria, sem a menor dúvida, não significa que o respectivo documento não exista, até porque o fac-símile do documento está publicado na reportagem da Crusoé, com a declaração de Odebrecht destacada em amarelo.

Certamente, o advogado fará essa alegação para livrar a revista da multa e da censura. (C.N.)

STF ordena buscas e mira militares da reserva e procuradores no inquérito de fake news

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Moraes está ampliando o conceito de noticias falsas (fake news)

Daniela Lima
Folha/Painel

O ministro Alexandre de Moraes não vai arredar pé. No esteio do inquérito que conduz no Supremo Tribunal Federal para apurar fake news contra ministros – e que abarcou a censura nesta segunda-feira (dia 15) dos sites O Antagonista e da revista digital Crusoé – foram autorizadas dez operações de busca e apreensão em seis estados do país. Na mira, computadores, telefones e documentos. Militares da reserva que pregam o fechamento do Supremo entraram na linha de tiro, assim como alguns procuradores, que foram chamados a prestar depoimento.

As novas movimentações mostram que o inquérito aberto para apurar ataques à corte vai servir a vários flancos – e que ele marca novo patamar na tensão entre o Ministério Público e o Supremo. Procuradores que acusaram o STF de pactuar com a corrupção serão ouvidos.

CASO CRUSOÉ – No caso que envolve a notícia divulgada por Crusoé, procuradores que tiveram contato com o documento que cita o presidente do STF, Dias Toffoli, serão ouvidos. Ministros dizem que é preciso entender 1) o timing da provocação que levou à menção e 2) o vazamento e suas motivações.

Entidades de classe, sócios e diretores de O Antagonista e da Crusoé classificaram a censura do STF como atentado à liberdade de imprensa e ato de intimidação judicial. A reportagem retirada dos sites dizia que não há imputação de crime ao presidente do STF na citação que chegou à Lava Jato.

PUBLICIDADE – Lucas Rocha Furtado, subprocurador-geral do Ministério Público de Contas do TCU, assinou representação para que a corte apure “o possível direcionamento de verbas publicitárias” pelo governo Jair Bolsonaro. O pedido é uma resposta à notícia de que, no primeiro trimestre deste ano, os gastos da Presidência com propaganda cresceram em comparação com 2018 – e que, agora, a TV Globo, líder de audiência, passou a receber menos do que concorrentes como Record e SBT.

“O princípio da impessoalidade requer, sob o enfoque da isonomia, que a administração pública confira tratamento isonômico, sem preferências ou discriminações”, escreveu Rocha. A Secom alega que quitou compromissos assumidos pela gestão anterior.

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NOTA DA REDAÇÃONão se sabe aonde isso vai dar. Militar da reserva tem o direito de opinar sobre o comportamento de ministros do Supremo. O general Paulo Chagas foi um dos alvos de mandado de busca e apreensão. Disse ele: “Caros amigos, acabo de ser honrado com a visita da Polícia Federal em minha residência, com mandato de busca e apreensão expedido por ninguém menos do que ministro Alexandre de Moraes. Quanta honra! Lamentei estar fora de Brasília e não poder recebê-los pessoalmente”. Como se vê, o relator Moraes está extrapolando e pode mergulhar em areia movediça, digamos assim. Precisa cair na real, o mais rápido possível. (C.N.)

“Não tenho dúvida de que é censura”, diz Mourão sobre o caso da Revista Crusoé

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Mourão diz que essa decisão do Supremo vai além da censura

Amanda Almeida e Daniel Gullino
O Globo

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal ( STF ) Alexandre de Moraes de ordenar a retirada do ar de uma matéria da revista “Crusoé” que cita o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli , provocou reação nesta segunda-feira do vice-presidente Hamilton Mourão e de parlamentares.Mourão afirmou ao site “O Antagonista”, também atingido pela decisão, que a convocação dos jornalistas dos dois veículos mostra que eles são investigados.

“Não tenho dúvida de que é censura, mas vai além da censura. No momento em que (a decisão), além de interditar a publicação, convoca os jornalistas a depor (significa que) já estão respondendo a inquérito”, disse o vice-presidente.

Na entrevista a O Antagonista, em que classificou de censuta  o ato do ministro Alexandre de Moraes, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, também criticou a manifestação da AGU favorável ao ‘inquérito combo’ aberto por Dias Toffoli.

AMIGO DO AMIGO – O ministro determinou que a revista “Crusoé ” e o site “O Antagonista” tirassem imediatamente do ar uma reportagem intitulada “O amigo do amigo de meu pai”. Segundo a matéria, o empreiteiro Marcelo Odebrecht identifica que o apelido do título, citado em um e-mail, refere-se ao presidente do tribunal, ministro Dias Toffoli. Pela manhã, um oficial de justiça da Corte chegou à redação da revista para entregar a cópia da decisão.

Moraes estipulou multa de R$ 100 mil por dia em caso de desobediência, e já multou a revista, por ter publicado uma reportagem sobre o ato de censura. Além disso, determinou que a Polícia Federal intime os responsáveis pela revista e pelo site para prestar depoimento no prazo de 72 horas. Em publicação desta segunda-feira, a Crusoé “reitera o teor da reportagem” e informa que ela foi escrita com base em documento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito importante essa manifestação do vice-presidente Hamilton Mourão, em defesa da democracia e das práticas republicanas. Além de se tratar de censura, mesmo, não há dúvida de que o ministro Alexandre de Moraes está extrapolando de suas atribuições, ao multar a revista por ter noticiado a censura e ao exigir o depoimento dos jornalistas no prazo de 72 horas. Se a Justiça agisse com tamanha celeridade, o ministro Paulo Guedes já teria prestado depoimento sobre a má gestão dos recursos de fundos de pensão, o ex-assessor Fabricio Queiroz já teria sido encontrado em São Paulo para depor sobre a “rachadinha” e o ex-deputado Jorge Picciani não estaria em prisão domiciliar apenas por usar fralda geriátrica. Afinal, que país é esse? (C.N.)

“Vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei”, sonhava Manuel Bandeira

Resultado de imagem para manuel bandeira frasesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta pernambucano Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho ficou conhecido como Manuel Bandeira (1886-1968) . “Vou-me embora pra Pasárgada” foi o poema de mais longa gestação de toda minha obra”, explicava o poeta, salientando que, “vi pela primeira vez o nome Pasárgada, que significa campo dos persas, quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego e isto suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias . Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: Vou-me embora pra Pasárgada!”.

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
Manoel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha falsa e demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Paságarda tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
– Lá sou amigo do rei –
Terei a mulher que quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada.

Museu de História Natural de NY não sediará evento que homenageia Bolsonaro

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O jantar de gala em homenagem a Bolsonaro seria neste prédio

Beatriz Bulla
Estadão

O Museu Americano de História Natural de Nova York anunciou na tarde desta segunda-feira, dia 15, que não irá mais sediar o evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos que homenageia o presidente Jair Bolsonaro. “Com respeito mútuo pelo trabalho e pelos objetivos de nossas organizações individuais, concordamos que o museu não é o local ideal para o jantar de gala da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Este evento tradicional irá acontecer em outro local, na data e hora originais”, anunciou o museu pela conta no Twitter.

No domingo, 14, o museu já tinha dedicado publicações em português para ressaltar que Bolsonaro não foi convidado pelo museu para receber o prêmio, mas sim convidado como “parte de um evento externo”. A Câmara de Comércio escolheu Bolsonaro como “personalidade do ano”, em prêmio que é tradicionalmente entregue durante um jantar de gala realizado dentro do museu.

CRÍTICAS – Desde a semana passada, o museu tem sido alvo de críticas pela homenagem ao brasileiro, principalmente por posições sobre políticas para o meio ambiente. O Museu de História Natural de NY já havia informado que iria avaliar as providências possíveis para o caso.

Na sexta, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, pediu que uma homenagem a Bolsonaro no Museu de História Natural do EUA, prevista para 14 de maio, fosse cancelada. “Bolsonaro não é perigoso somente por causa de seu racismo e homofobia evidentes”, afirmou De Blasio na sexta-feira, dia 12, durante entrevista à emissora de rádio WNYC.

“Infelizmente, ele também é a pessoa com maior poder de impacto sobre o que se passará na Amazônia daqui para a frente.”

AS RESPOSTAS – O assessor do presidente para assuntos internacionais, Filipe Martins, e o deputado estadual e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), comentaram a declaração de De Blasio, de que Bolsonaro é um “ser humano perigoso”.

“Surpresa seria uma toupeira dessas o elogiar”, escreveu Filipe Martins no Twitter. “Não há surpresa alguma em ver Bill de Blasio — um sujeito que colaborou com a revolução sandinista, que considera a URSS um exemplo a ser seguido e que faz comícios no monumento dedicado a Gramsci no Bronx — criticando o PR Bolsonaro.”

A premiação é concedida há 49 anos e tem objetivo de reconhecer sempre dois líderes, um brasileiro e um americano, que trabalham pela aproximação e relação entre os dois países. No ano passado, o brasileiro homenageado foi o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro. O americano que receberá a homenagem este ano é o secretário de Estado, Mike Pompeo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro é uma figura polêmica e controversa, não há dúvida. Diante dessa realidade, o bom senso indicava que ele deveria proceder com cautela na política exterior, sem se expor demais, procurando firmar uma imagem mais equilibrada. Como é extremamente mal assessorado, ele vai exatamente o contrário, se expõe o tempo todo e diz besteiras colossais como afirmar que o Holocausto foi há muito tempo e deve ser perdoado. Sua imagem no exterior é cada vez mais negativa, infelizmente. Precisa de assessores profissionais. Apenas isso. (C.N.)

Catedral de Notre Dame é mais um monumento da Humanidade que se perde

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Incêndio destrói uma das catedrais mais conhecidas do mundo

Antonio Rocha

Escrevo estas linhas enquanto vejo, com tristeza, o fogo consumir a Catedral de Notre Dame, em Paris, e tenho uma experiência familiar com a bela igreja francesa. Acredite se quiser. Lembro, antes de mais nada, do famoso romance clássico de Victor Hugo,“O Corcunda de Notre Dame”, publicado em 1831, traduzido em muitas línguas, vertido para o cinema, mais de uma vez e também várias peças teatrais para adultos, crianças e jovens em vários países.

Sigamos então para minha crônica familiar, que começa há alguns anos, quando um sobrinho, jornalista, foi com a esposa para a capital dos franceses, passar um temporada, enquanto ela fazia doutorado em Ciência Política.

UMA CHATICE –  Jovens ateus, não acreditavam em nada, pelo menos, nunca conversamos sobre assuntos transcendentais. Os três primeiros meses em Paris estavam um horror, uma chatice, nada dava certo, tudo era uma difícil e já estavam pensando em voltar.

Perdiam-se na burocracia de documentos que a Universidade solicitava, no aluguel do imóvel, no barzinho onde tomavam o café da manhã… um sufoco.

Fui alertado por outra parenta que já morava em outra cidade da França e fazia o seu doutorado, mas não tinham maiores problemas. O marido dela era também jornalista, estava tudo bem com eles.

UM PEDIDO – Via e-mail conversei com o sobrinho e escrevi mais ou menos assim: “Peço que você me façam um favor, fulano, lembre-se de que sua avó, minha sogra, era muito católica, muito religiosa e ela esteve na Igreja de Notre Dame rezando pela família e assistindo missa. Então vocês vão lá, entrem, sentem e relaxem”.

Aproveitei para ensinar um pouco de meditação budista, para prestarem atenção através da respiração. Disse que não precisava que assistissem à missa, mas se na hora estiver acontecendo, assistam e peçam permissão à Nossa Senhora e a Santa Genoveva e São Denis, padroeiros de Paris, para residirem e estudarem o tempo que for necessário na bela cidade.

Expliquei essa petição justifica-se pelo  que chamamos de “Espíritos Territoriais”, pois cada cidade, cada região é regida por uma energia que pode ser um santo ou santa e assim ao entrarmos na localidade, sempre é bom pedirmos permissão e proteção para moradia. E pedi que agradecessem também aos nossos antepassados, pois alguns deles estudaram e moraram em Paris e assim o vínculo de gratidão será efetuado.

RESPEITO À FÉ – Eu não sou católico, não sou cristão, contudo, respeito demais esta forma de Fé Ocidental, Vaticana. Sou budista, mas sei que do outro lado, em dimensão invisível aos olhos materialistas, eles, seres do Oriente e do Ocidente se entendem muito bem. E eu daqui, também ficarei orando e pedindo bênçãos para vocês e agradecendo sempre.

Coincidência ou não, tudo correu maravilhosamente bem; as portas se abriram, ela fez um excelente doutorado e hoje é professora concursada da UFRJ, em Ciência Política.

Então, neste momento de tristeza quando vejo as chamas derrubarem uma das torres da Catedral de Notre Dame, lembro da minha gratidão a este espaço sagrado.

Desculpem os leitores (não precisam ler, não se obriguem) que não gostam do tema. O assunto está mais para a TI = Teologia IntercontinenTao.

Coletes Amarelos obtêm sua primeira vitória e evitam a privatização de aeroportos

Os Coletes Amarelos se transformaram num movimento político

Ramin Mazaheri
The Vineyard of the Saker

Os Coletes Amarelos sem dúvida alcançaram afinal uma primeira vitória real contra o presidente Emmanuel Macron na semana passada, quando parlamentares da oposição surpreendentemente se uniram para votar a favor de se organizar um referendum que decida sobre a venda dos três aeroportos na área de Paris. Os RICs – Referendum de Iniciativa dos Cidadãos – à moda suíça – são a demanda estrutural democrática básica dos Coletes Amarelos. E o fato de que agora é possível que os cidadãos votem em referendum sobre a venda dos aeroportos franceses é, sem dúvida, resultado da agitação de rua.

A mídia francesa, sempre rabugenta, que odeia os Coletes Amarelos por eles se atreverem a questionar o direito de o Quarto Poder decidir a agenda que toda a sociedade seria obrigada a discutir, evidentemente não comemorou o que é vitória óbvia de todos que vivam sobre solo francês ou apenas passem voando por ali.

PATRIOTISMO – Muito me surpreendeu o renascimento do patriotismo, no bom sentido, econômico, da França. Na véspera da decisão, havia apenas uns 150 Coletes Amarelos em frente ao Senado, onde, naquele momento com certeza, a proposta de Macron para o desmanche dos aeroportos estava para ser aprovada. Ainda não se sabe se realmente acontecerá algum referendum, que seria pioneiro, mas é possível, sim, que apareça nas manchetes durante meses, empurrando enquanto isso, para as ruas, mais e mais franceses metidos em Coletes Amarelos.

A ideia de vender patrimônio do Estado aos mais ricos, já é vergonhosa até para quem não seja fanático obcecado contra qualquer democracia socialista, mas as táticas de Macron superaram todos os limites. Para começar, pôs toda a gangue dos servis travestidos de políticos na Assembleia Nacional a reescrever leis que permitissem desnacionalizar os aeroportos.

Os nomes orwellianos que se dão às leis francesas para as “deformas” que planejam são sempre cômicos. Nesse caso, a Lei se chama Plano de Ação para o Crescimento e Transformação de Empresas.

NA MADRUGADA – Em seguida, para evitar a imprensa e uma possível derrota, Macron convocou sessão de votação da lei para liquidar os aeroportos franceses, para as 6h15 da manhã [madrugada] do sábado, dia 16 de março. Deputados franceses trabalham em horas estranhas, sim, mas eu jamais tinha ouvido falar de sessão de votação às 6h da madrugada de um sábado. Só apareceram 45 dos 577 deputados que votam na Câmara baixa.

A mídia faixa branca fez o diabo para explicar que, sim, a votação foi legal. Ninguém cobriu a sessão – todos fomos enganados, eu inclusive. Ora bolas! Sou jornalista diurno. E não posso noticiar um evento dois dias depois de ele acontecer. Você mal dá conta de cobrir o dia, e logo já aparece mais um fato, ali, à sua espreita.

Depois, num movimento conectado a esse, mas conexão que nenhum veículo parece estar percebendo, Macron adiou a data da conclusão dessa campanha de Relações Públicas dissimulada sob o título de “Debate Nacional”, para desviar as atenções da votação no Senado.

NAS RUAS – Os Coletes Amarelos não se sentiram ofendidos, nem se incomodaram. Como já estava planejado, iniciaram ação massiva de desobediência civil na Avenida dos Champs-Elysées, um dia depois da data em que o Debate Nacional deveria ser concluído, dia 16 de março. Incendiaram até um banco. Acho justo registrar que fui o único a explicar adequadamente por quê.

E essa semana Macron revelou suas “conclusões” daqueles dois meses e meio de conversa fiada, que se resumem, essencialmente, à seguinte: “É reconfortante saber que sempre tive razão, desde o primeiro dia!” Claro que Macron contava com que a mídia se manteria focada na bobajada tecnocrática, e não dedicaria colunas inteiras à venda, em liquidação, dos aeroportos.

SURPRESA – Mas não contava com que deputados do partido de Macron se aliassem para o bem do país. Ou, de fato, para muitos, para o bem das respectivas campanhas de reeleição: a desnacionalização é tão impopular que ninguém pode sequer pronunciar o nome – sem ser imediatamente é atacado como vendilhão da pátria. Daí que falar mal de “privatização” – sobretudo se chamada de “desnacionalização” é garantia de atrair eleitores e votos.

Em resumo: é perfeitamente impossível acreditar no que diz Macron, que o único modo pelo qual o estado conseguirá 10 bilhões de euros para um “fundo de inovação industrial” é torrar os aeroportos de Paris (assim como as Loterias Francesas e a participação do estado francês na gigante Engie de energia).

RECORDANDO – A França já deu bilhões em cortes de impostos e isenções a empresas e negócios ao longo da Era da Austeridade [“Era do Arrocho”], sempre repetindo que o 1% investiria em fundos de inovação industrial que o próprio 1% proporia, e que não havia conexões com o Estado, nos programas de cortes.

Há também a evasão, que chega à casa de centenas de bilhões que o estado deixa de arrecadar… e que ninguém nunca mais verá, considerando que Macron quer cortar milhares de cargos no Ministério da Finança, o ministério cujo trabalho é arrecadar impostos.

Em resumo, a semana foi péssima para Macron: apenas 6% da França considerou um sucesso seu governo; e, pior que isso, os franceses absolutamente não engoliram a privatização que sua gangue de globalistas neoliberais amam acima de tudo.

SOCIALISMO? – Foi grande surpresa para mim, quando cheguei à França “socialista”, que já tivessem vendido todas as estradas do país. Hoje, quando um motorista paga 60 euros para dirigir de Paris a Marselha – só de ida! –, você quer pôr fogo na cabine de pedágio. Exatamente o que fizeram os Coletes Amarelos. Prestaram valioso serviço público.

Desnacionalizar o aeroporto terá o mesmo efeito caríssimo para o francês médio. Terá o mesmo efeito que o Reino Unido conheceu depois que as ferrovias foram desnacionalizadas: um ticket em alta temporada é hoje cinco vezes mais caro que no continente, e todos os serviços pioraram, a viagem demora mais tempo, é menos segura e menos confortável. Nos EUA leem-se manchetes como essa do ano passado, de St. Louis: Privatização de Lambert (aeroporto) é desastre semelhante ao do estacionamento em Chicago.

A França deve agradecer aos seus valentes Coletes Amarelos – que conseguiram impedir (pelo menos por enquanto), que o povo francês perca um dos aeroportos mais movimentados do mundo. Com certeza é vitória tangível, que calará os detratores do movimento, o que obrigará que se façam mudanças na agenda da mídia liberal-democrata hegemônica, e que pode ajudar os demais cidadãos franceses a se tornarem politicamente mais lúcidos e ilustrados.

Paradoxo: ao censurar a Crusoé, Moraes diz que Constituição proíbe a censura

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Moraes deu um jeitinho brasileiro para censurar o que incensurável

Deu na Folha

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que os sites da revista Crusoé e O Antagonista retirem do ar reportagem e notas publicadas na semana passada sobre uma menção ao presidente da corte, Dias Toffoli, feita em um e-mail pelo empresário e delator Marcelo Odebrecht. A decisão de Moraes, que atendeu a um pedido de Toffoli, é de sexta-feira (12), no âmbito de um inquérito aberto pelo STF em março para apurar fake news e divulgação de mensagens que atentem contra a honra dos integrantes do tribunal. O site foi notificado na manhã desta segunda-feira (15).

A multa por descumprimento é de R$ 100 mil por dia. Moraes também determinou que os responsáveis pelos sites prestem depoimento em até 72 horas.

AMIGO DO AMIGO – Segundo a reportagem de Crusoé que motivou a ação do Supremo, Marcelo Odebrecht enviou à Polícia Federal, no âmbito de uma apuração da Lava Jato no Paraná, esclarecimentos sobre menções a tratativas lícitas e ilícitas encontradas em seus e-mails.

Uma das menções, de acordo com o delator, era a Toffoli. Na época do e-mail, julho de 2007, Toffoli não era ministro do STF, mas ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O e-mail foi enviado por Marcelo Odebrecht a dois executivos da empreiteira, Adriano Maia e Irineu Meirelles, e dizia: “Afinal vocês fecharam com o amigo do amigo de meu pai?”. Não há no e-mail nenhuma citação a pagamentos.

TRATATIVAS – Marcelo Odebrecht explicou à PF, de acordo com a revista, que a mensagem se referia a tratativas que o então diretor jurídico da empreiteira, Adriano Maia, tinha com a AGU sobre temas envolvendo as hidrelétricas do rio Madeira, em Rondônia.

Após a decisão de Alexandre de Moraes, a direção da revista reafirmou o teor da reportagem, considerada pela publicação como censurada pelo ministro do STF.

Em sua decisão, Moraes afirmou que a Constituição proíbe a censura, mas permite reparações posteriores à publicação de um conteúdo. “A plena proteção constitucional da exteriorização da opinião não significa a impossibilidade posterior de análise e responsabilização por eventuais informações injuriosas, difamantes, mentirosas e em relação a eventuais danos materiais e morais, pois os direitos à honra, à intimidade, à vida privada e à própria imagem formam a proteção constitucional à dignidade da pessoa humana”, escreveu o ministro.

PROCURADORIA – A decisão destaca que a Procuradoria-Geral da República divulgou nota na última sexta, após a publicação da reportagem, afirmando que o documento com a menção a Toffoli não havia sido remetido ao órgão —diferentemente do que dissera o texto.

“A gravidade das ofensas disparadas ao Presidente deste Supremo Tribunal Federal, no teor da matéria, acima mencionada, provocou a atuação da Procuradoria-Geral da República, que publicou nota de esclarecimento”, disse Moraes na decisão.

“Obviamente, o esclarecimento feito pela Procuradoria-Geral da República tornam falsas as afirmações veiculadas na matéria ‘O amigo do amigo de meu pai’ em típico exemplo de fake news —o que exige a intervenção do Poder Judiciário”, decidiu o ministro.

NÃO É FAKE – O diretor de Redação de Crusoé, Rodrigo Rangel, afirmou que “reitera o teor da reportagem, baseada em documento, e registra, mais uma vez, que a decisão [de Moraes] se apega a uma nota da Procuradoria-Geral da República sobre um detalhe lateral e utiliza tal manifestação para tratar como fake news uma informação absolutamente verídica, que consta dos autos da Lava Jato”.

“Importa lembrar, ainda, que, embora tenha solicitado providências ao colega Alexandre de Moraes ainda na sexta-feira, o ministro Dias Toffoli não respondeu às perguntas que lhe foram enviadas antes da publicação da reportagem agora censurada”, afirmou o jornalista.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A notícia é verdadeira, dizem os responsáveis pela revista digital Crusoé, que tentou ouvir o ministro Dias Toffoli. Se ele tivesse respondido às perguntas, apresentando argumentos sólidos, poderia até ter esvaziado o conteúdo da reportagem, que talvez nem tivesse sido publicada. Como não respondeu, as dúvidas continuam no ar, comprometendo a imagem do ministro. O caso é muito interessante e vai ter desdobramentos permanentes. (C.N.)

Censura à revista Crusoé, sem dúvida, é um atentado à liberdade de imprensaa

Resultado de imagem para revista crusoé o antagonistaMario Sabino
Publisher da Crusoé

Fomos surpreendidos na manhã desta segunda-feira, 15 de abril de 2019, pela decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de censurar a reportagem “O amigo do amigo de meu pai”, publicada na sexta-feira passada pela revista Crusoé.

A reportagem revela, com base em documento da Lava Jato reproduzido pela revista, que Marcelo Odebrecht, ao utilizar o codinome em mensagem a executivos da sua empreiteira, disse à Força Tarefa da operação que se referia a Antonio Dias Toffoli, na época Advogado Geral da União e hoje presidente do Supremo Tribunal Federal.

Além de censurar a revista, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal tomasse depoimentos dos jornalistas.

Nossos advogados entrarão com recurso ao colegiado do STF, para tentar reverter esse atentado contra a liberdade de imprensa, aspecto fundamental da democracia garantido pela Constituição. Na nossa visão, trata-se de ato de intimidação judicial. A liberdade de imprensa só se enfraquece quando não a usamos. Continuaremos a lutar por ela.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDemorei a publicar esse ato de censura, porque estava fora desde de manhã, em importante reunião realizada na Associação Brasileira de Imprensa, onde também vem sendo travada uma luta pela democracia. O atual presidente Domingos Meirelles tenta o possível e o impossível para se reeleger, inclusive afrontando a Justiça para impedir que a chapa de oposição tenha acesso à lista completa dos associados e possa fazer campanha. É muito triste presenciar a esse retrocesso democrático, numa instituição como a ABI. Quanto à volta da censura, agora atingindo a revista Crusoé, só fará acirrar os ânimos dos jornalistas contra os atos do Supremo para blindar seus ministros e esvaziar a Lava Jato. Nada como um dia atrás do outro, diz o velho ditado.  (C.N.) 

Candidatos do Pros confirmam superfaturamento nas prestações de contas

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Charge do Flávio (Arquivo Google)

Alexandre de Paula e Ana Viriato
Correio Braziliense

A suspeita de que o Pros superfaturou valores nas prestações de contas de diversos concorrentes a deputado distrital nas eleições de 2018 teve desdobramentos na Justiça Eleitoral. Em depoimento ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) e ao Ministério Público Eleitoral (MPE-DF), dois candidatos da última disputa pela Câmara Legislativa revelaram detalhes e deram sustentação à denúncia de que a legenda cometeu irregularidades.

Conforme o Correio revelou em reportagem de fevereiro, a direção nacional da sigla alegou ter destinado mais de R$ 5 milhões em material gráfico a 33 candidatos a distrital que, juntos, conquistaram apenas 11,9 mil votos.

DENÚNCIA – Os concorrentes, no entanto, negam ter recebido os valores e denunciam que o partido utilizou as prestações de contas para desviar recursos. O suposto esquema do Pros ocorreu por meio da alegação de transferências volumosas de material gráfico para os candidatos, com gasto médio de R$ 172 mil para cada um dos 33 concorrentes.

A legenda teria utilizado uma brecha na legislação eleitoral, que dispensa a apresentação de comprovantes e recibos na transferência de valores em material de campanha. As transações são apresentadas como “receitas estimáveis em dinheiro”.

 A fartura dos itens, custeados por recursos públicos dos Fundos Partidário e de Financiamento Especial de Campanha, segundo a prestação de contas, é tamanha que seria possível, por exemplo, estampar por três vezes todos os 1,7 milhão de automóveis da capital com os 6 milhões de adesivos que a legenda diz ter confeccionado. Essa possibilidade é remota.

APURAÇÃO RÁPIDA – Em 28 de fevereiro, três dias após a publicação das denúncias no Correio, o Ministério Público emitiu parecer questionando os métodos do partido e pedindo apuração rápida sobre o caso à Justiça Eleitoral. “As irregularidades narradas, tanto pelo prestador de contas quanto pela imprensa, merecem ágil e percuciente apuração”, escreveu o procurador José Jairo Gomes.

Até agora, o TRE ouviu dois dos candidatos do partido nas eleições de 2018. Um deles, Gilberto Camargos, recusou-se a assinar a prestação de contas produzida pela legenda. Às pressas, elaborou uma nova, entregue em janeiro deste ano, ao lado de uma declaração em que justifica o atraso e detalha a suposta tentativa de fraude cometida pelo partido.

FOI PROCURADO – Na audiência, Camargos contou que, depois da publicação da reportagem, um representante do Pros o abordou para saber qual decisão tomaria contra a legenda. “Depois que o Correio Braziliense me procurou, aí, sim, o senhor Edmilson Boa Morte [secretário do Pros] me ligou para saber o que eu ia fazer, se eu ia entrar na justiça contra o partido, o que eu ia falar aqui, essas coisas”, disse Camargos.

O partido o chamou para assinar a prestação de contas no último dia do prazo estabelecido pela Justiça, disse. A informação se repete no relato de diversos candidatos. Camargos revelou ter sido pressionado a aceitar os valores superfaturados, mas negou. “Eles disseram: ‘Você tem de assinar porque, se não assinar, nunca mais vai ser candidato’. Nessa hora, eu fiquei nervoso e tomei deles os papéis”, contou. “Eu decidi falar exatamente a verdade e pronto. Não vou assinar o que não recebi.”

MATERIAL – Camargos guardou, em casa, o material entregue pelo partido, às vésperas da eleição. Por ser propaganda casada com um concorrente a deputado federal, o candidato se recusou a usar. A quantidade, alega, é muito inferior à que a legenda queria declarar — perto de R$ 170 mil.

“Pelo montante que eu fiz e pelo montante que me entregaram, eu calculei e cheguei num gasto de uns R$ 10 mil.” Todo o material, além dos documentos produzidos pelo partido, foi encaminhado para a Justiça.

Também ouvida pelo TRE, Marizete Pereira recebeu, de acordo com a prestação de contas produzida pelo Pros, R$ 159 mil em material para a campanha de 2018. Teve 490 votos. Ela contou, no depoimento, que sofreu pressão para assinar a declaração às pressas e não teve tempo sequer de conferir os valores apresentados pela legenda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como dizia Tom Jobim, “é a lama, é a lama, é a lama”. E a Justiça Eleitoral,  será que vai dar um jeito nesse lamaçal. Duvido muito. (C.N.)

Gilmar Mendes cobra Guedes por resultados em investigação de seus dados vazados

O ministro do STF Gilmar Mendes

Mendes quer “blindar” na Receita Federal ele próprio e a mulher

Mônica Bergamo
Folha

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), voltou a cobrar de forma dura a equipe do ministro Paulo Guedes, da Economia, para que as investigações sobre o vazamento de seus dados fiscais cheguem a quem ordenou a devassa e às razões pelas quais ela foi feita.

As explicações iniciais, de que o vazamento foi involuntário porque os dados foram repassados a uma empresa privada por engano, não satisfizeram Mendes —nem outras autoridades que também foram alvo de investigação.

HISTORIETAS – Para o ministro, as explicações são “historietas” para encobrir as reais motivações de seus dados terem sido não apenas escarafunchados como também tornados públicos.

Na cobrança à equipe de Guedes, ele disse que a Receita teve, no caso, um papel de “órgão de pistolagem”.

Mas o secretário especial da Receita, Marcos Cintra, tem afirmado que não vê a instituição com a mesma severidade do ministro do STF. E que ela apenas procura cumprir suas atribuições, previstas em lei.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A estratégia de Gilmar Mendes é inteligente. O problema maior, para ele e a mulher Guiomar, associada ao escritório de Sérgio Bermudes, não é o vazamento, mas a investigação em si, que detectou movimentação atípica em conta bancária da mulher. O fato ocorreu em meio a uma investigação ampla, que está em curso e envolve 134 personagens consideradas “politicamente expostas”, a denominação oficial de quem pode se beneficiar com recursos públicos, se uma forma ou outra.

O objetivo principal de Gilmar é blindar ele e a mulher, para que a investigação não avance, mesmo já tendo sido identificada a “movimentação atípica”. Para tanto, ele convocou a seu gabinete o secretário da Receita, Marcos Cintra, que lá compareceu, foi intimidado e saiu dizendo que iria punir os responsáveis pelo vazamento.

Agora, pelo que diz a jornalista Mônica Bergamo, Cintra já percebeu que não pode punir ninguém, porque os funcionários da Receita estão apenas cumprindo atribuições previstas em lei. No desespero, Gilmar resolveu apelar para o ministro Paulo Guedes, que tem mais o que fazer e está agora dedicado a manter o próprio emprego, depois de ter menosprezado Bolsonaro numa entrevista concedida sábado em Washington, sobre o caso do diesel. O clima está esquentando. (C.N.)

Esquerda vence “por um fio” na Finlândia, mas extrema-direita assombra mesmo a Europa

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Antti Rinne, social-democracta, festeja vitória de 0,2% dos votos

Nelson de Sá
Folha

No destaque da rede finlandesa Yle, o Partido Social-Democrata venceu e, com 40 cadeiras, volta a ser o maior da Finlândia. Pela primeira vez desde 1999, duas décadas, acrescentou a britânica BBC. Mas Yle e demais veículos pela Europa estavam tão ou mais voltados ao partido que veio em segundo, com 39, os Verdadeiros Finlandeses.

As manchetes digitais de La Stampa, La Reppublica e Corriere della Sera traziam enunciados na linha “Esquerda ganha por um fio dos populistas” ou “da extrema direita”, como trata logo o Stampa.

ALIANÇA – Os jornais italianos estão especialmente atentos porque os Verdadeiros Finlandeses são aliados do vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, da Liga, que acaba de lançar uma frente para as eleições do Parlamento Europeu.

Como destacou o Corriere, ele festejou a vitória dos seus “amigos”, como chama: “Em maio, junto com a Liga, a Europa finalmente muda”.

O alemão Frankfurter Allgemeine, no mesmo tom, destacou ainda entrevista com a francesa Marine Le Pen, que também se aliou nesta semana a Salvini e já prevê outros, como o polonês PiS.

ALVO É O PAPA – O britânico Guardian deu como manchete digital “Steve Bannon falou ao líder populista da Itália: O papa Francisco é o inimigo”. O ex-estrategista-chefe da Casa Branca, em 2016, “aconselhou Salvini a mirar no pontífice”. O italiano passou a afirmar que não reconhece Francisco por seu papa.

Também no exterior a figura de Jair Bolsonaro mobiliza cobertura. New York Times e jornais de Israel, como Haaretz, ecoaram a fala sobre “perdoar” o extermínio de judeus — depois também as desculpas dele.

E a rádio WNYC perguntou e ouviu do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, uma crítica à cerimônia contratada para homenagear Bolsonaro, “um ser humano perigoso”, no Museu de História Natural, “instituição pública”. O New York Post noticiou, mas questionando o prefeito democrata.

PRIVACIDADE? – O NYT deu manchete de domingo para o uso pela polícia, “ao redor do mundo”, do rastreamento de celulares do Google.

A reportagem ajudou a apresentar seu Projeto Privacidade (ilustração acima), que prevê um mês de artigos sobre os custos do maior poder das empresas de tecnologia e dos governos “para seguir as pessoas”.

Entre outros, escrevem os colunistas de tecnologia Farhad Manjoo e Kara Swisher, respectivamente sob os títulos “É hora de entrar em pânico sobre privacidade” e “Nós não vamos mais aguentar isso”. Também o próprio publisher A. G. Sulzberger, anunciando: “Nós também estamos examinando as nossas políticas e práticas de dados”.

Ao deixar ações judiciais, Bebianno lamenta ‘falta de consideração’ de Bolsonaro

No dia 18 de fevereiro, Bolsonaro demite o seu braço direito na campanha e ex-presidente do PSL, Gustavo Bebianno, da Secretaria Geral da Presidência, no meio de uma crise provocada por denúncias de uso de candidatos laranjas pelo PSL para desvio de verbas do Fundo Partidário nas eleições de 2018Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo 08/10/2018

Gustavo Bebiano nada cobrou pela defesa de dezenas de ações

Jussara Soares
O Globo

Quase dois meses depois de ter sido demitido pelo presidente Jair Bolsonaro, o ex-chefe da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno começou a cortar os últimos laços que mantinha com o presidente. Advogado por formação, ele deixou na semana passada os processos em que defendia Bolsonaro na Justiça Eleitoral. Ainda restam as ações criminais e cíveis, mas o momento de “cada um seguir com a sua vida” chegou.

Ao longo de todo o trabalho em favor da família presidencial, Bebianno diz ter reunido 40 advogados que trabalharam de graça sob sua coordenação para defender os Bolsonaros em contendas judiciais. Um esforço, na avaliação dele, não reconhecido.

“EXÉRCITO” – A família Bolsonaro deve esse exército de advogados que atuaram de graça ao trabalho que eu fiz” – disse Bebianno ao Globo, complementando: “Apesar de ter sido chamado de mentiroso, e não ter tido uma gota de consideração depois de tudo que eu fiz, a minha posição profissional continua a mesma” – afirmou.

“Apesar de não ter tido nenhum tipo de consideração por parte do presidente, continuei tendo consideração por ele. No processo do Adélio, tem uma conclusão crucial, se ele é inimputável ou não. E foi graças à minha insistência que foi nomeada uma perita “– afirmou Bebianno.

A pedido de Bebianno e do empresário Paulo Marinho, o criminalista Antonio Pitombo atua como assistente de acusação no caso Adélio, considerado inimputável pelos peritos da Justiça. A psiquiatra forense Paula Campozan foi contratada por Bebianno para fazer uma nova avaliação sobre a sanidade de mental do esfaqueador. A perita cobrou R$ 15 mil reais pelo trabalho. A primeira parcela de R$ 5 mil foi paga pelo próprio Bebianno e posteriormente reembolsada pelo presidente.

“ATAQUE HISTÉRICO” – “Enquanto muita gente fica dando ataque histérico e fazendo gracinha na internet, quem tomava as providências efetivas era eu. Não adianta ficar xingando o Adélio, se não tiver um laudo dizendo que ele não é maluco. Eu que consegui a perita, coloquei no circuito e inclusive paguei a primeira parcela” – disse o ex-ministro sem nominar quem “fica dando ataque histérico e fazendo gracinha na internet”.

Bebianno afirma que pediu a Bolsonaro que indicasse advogados para substituí-lo em todas as ações, após o Globo ter divulgado uma conversa em que o presidente demonstrava preocupação com o valor que o então ex-aliado poderia cobrar em honorários. Na ocasião, em um diálogo com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o mandatário disse que teria que “vender uma casa para poder pagar” Bebianno, se ele resolvesse cobrar pelo serviço.

SEM PAGAMENTO – “Quando vazou o áudio do Onyx, entrei em contato com o presidente e disse: “o senhor não tem que me pagar nada, o senhor não me deve nada, o que eu fiz, como o senhor sabe, foi por acreditar em uma causa”. E pedi que ele arrumasse outro advogado” – disse.

Na semana passada, conforme revelado no blog de Bela Megale , Bebianno, a pedido do presidente, foi substituído pela advogada Karina Kufa em 30 ações eleitorais. Ao Globo, a advogada afirmou que também deve assumir processos civis e criminais, mas ainda faz o levantamento do volume de causas do presidente que tramitam na Justiça. Bebianno não vê a hora de encerrar o ciclo.

– Eu quero passar tudo, as ações civis e criminais, acho que cada um tem que seguir com a sua vida.

Depois de sete anos de asilo, Julian Assange se transformou num farrapo humano

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ONU pede que Julian Assange seja submetido a um julgamento justo

Deu em O Globo

O escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas pediu oficialmente que seja garantido um julgamento justo para Julian Assange, fundador do WikiLeaks . O australiano foi preso na embaixada do Equador em Londres, depois que seu asilo foi revogado pelo governo de Quito, e desde então está sob custódia britânica. Ele é alvo de um pedido de extradição dos Estados Unidos.

“Esperamos que todas as autoridades relevantes garantam que o direito de Assange a um julgamento justo seja respeito, incluindo em qualquer procedimento de extradição que possa acontecer” — disse a porta-voz do escritório, Ravina Shamdasani a jornalistas em Genebra.

EXTRADIÇÃO — A polícia de Londres confirmou que Assange foi preso em resposta a um pedido de extradição das autoridades dos Estados Unidos, onde ele vinha sendo processado secretamente, segundo revelou a imprensa americana em novembro de 2018.

Depois da prisão, promotores americanos informaram que Assange é acusado de conspirar com a ex-analista de Inteligência do Exército dos EUA Chelsea Manning para acessar um computador do governo americano em 2010. Manning é a fonte dos documentos militares e da diplomacia americana que o WikiLeaks divulgou em 2010 e 2011. A pena máxima prevista para o crime é de cinco anos, segundo o Departamento de Justiça.

LIBERDADE CONDICIONAL – A prisão de Assange, de 47 anos, também atendeu a um pedido da Justiça britânica, que determinara sua detenção quando ele pediu refúgio na embaixada equatoriana, acusando-o de violar as condições da liberdade condicional que lhe havia sido imposta no âmbito de uma investigação de abuso sexual na Suécia.

Essa investigação foi posteriormente arquivada pela Justiça sueca, mas os advogados de Assange não conseguiram derrubar o pedido de prisão por violação da condicional. Nesse caso, ele pode ser condenado a até 12 meses de prisão.

DIZ A ONU – A relatora especial da ONU sobre Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias, Agnes Callamard, criticou o governo equatoriano pela revogação do asilo, que segundo ela expõe Assange “a um verdadeiro risco de graves violações dos direitos humanos”. O ministro do Interior equatoriano, José Valencia, disse depois à Assembleia Nacional em Quito que o governo não sabia do pedido de extradição americano quando revogou o asilo.

Por sua vez, o relator especial da ONU sobre Tortura e professor de Direito Internacional Nils Melzer afirma que o Equador não respeitou o direito processual de Assange durante sua retirada da embaixada equatoriana.

“Minha principal preocupação é que ele seja extraditado para os Estados Unidos “, o especialista. “Evidentemente, se trata de um caso de segurança nacional, e os Estados Unidos ao longo da última década não foram um Estado seguro no que concerne a proibição da tortura em casos que envolvem este tema.

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NOTA DA REDAÇÃO
Muita conversa fiada. Existe um complô ocidental contra Assange, e o novo governo do Equador é totalmente submisso aos Estados Unidos. Apenas isso. Após sete anos de asilo, a decadência física de Assange é impressionante, com apenas 47 anos. Ele vai ser o Nelson Mandela do século XXI. (C.N.)

Embate de Onyx com líderes do Centrão pode comprometer articulação do Planalto

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Centro pressiona Onyx Lorenzoni pela distribuição de cargos

Rodolfo Costa
Correio Braziliense

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, entrou em colisão com o Centrão em uma disputa que, dizem parlamentares do bloco político, não tem como vencer e pode custar caro ao governo. O “cavalo de pau” dado pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR), em não aceitar votar o Orçamento impositivo antes da reforma da Previdência na terça-feira, tem dedo do articulador político do Palácio do Planalto, que, agora, se engalfinhou de vez em uma queda de braço com o Centrão.

Lideranças do bloco prometem endurecer o coro por mudanças nas negociações de cargos nos estados, sob pretexto de impor derrotas ao governo, inclusive na votação da Previdência, e começarão a dar o troco nesta segunda-feira.

VOTAÇÃO – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), conversou com líderes no sábado e definiu que a votação do Orçamento impositivo fica para hoje, na CCJ, às 14h, como pauta prioritária. A decisão contraria a agenda estabelecida por Francischini na sexta-feira para a comissão, que votaria antes a reforma, em um contragolpe a Lorenzoni.

Nos bastidores, o presidente da Câmara trabalha para manter a ordem na Casa e não deixar a interlocução do Planalto se sobrepor ao Parlamento. A decisão é uma resposta direta ao distanciamento de Maia do governo, que, na terça-feira, diz ter perdido condições de ser articulador da reforma da Previdência e que não ficará no meio da briga levando “pancada” da base de Bolsonaro. “Agora, se o governo vai ganhar, você pergunta para o Onyx”, disse Maia.

ESGOTAMENTO – A atual articulação do governo por cargos está esgotada. Vem sendo conduzida pela líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), com os coordenadores de bancadas estaduais. O modelo, entretanto, tem desagradado o bloco governista na Câmara, composto por partidos do Centrão, PP, PSD, MDB, PR, PRB, DEM e PSDB, além do PSL, PTB, PSC e PMN. Em alguns estados, as coordenações são comandadas por parlamentares da oposição, como na Bahia (Daniel Almeida, PCdoB), no Piauí (Átila Lira, PSB), Rio Grande do Norte (Rafael Mota, PSB), e Goiás (Rafael Motta, PSB).

Mesmo em estados onde a coordenação é feita por partidos ligados ao Centrão, as críticas são de que os coordenadores estão criando obstruções para o apadrinhamento de olho em interesses próprios ou de correligionários. Afinal de contas, todos os partidos são adversários e disputam o poder.

QUEDA DE BRAÇO –  Em Roraima, por exemplo, o deputado Jhonatan de Jesus (PRB), líder da legenda na Câmara, se afastou desse modelo de articulação, uma vez que o coordenador da bancada no estado, Hiran Gonçalves (PP), não é afeto dele, dizem pessoas próximas.

O padrão de articulação feito por Joice Hasselmann deu curto-circuito. Não porque falte a ela respeito e confiança dos líderes. O caso de Jesus é apenas um exemplo dentro do desgastado molde de interlocução, que tirou condições de ela continuar conversando com os coordenadores de bancada.

A cobrança no Congresso é que ela, alinhada a Lorenzoni, substitua o processo por um diálogo com as bancadas partidárias nos estados que apoiam o governo, algo ainda não feito pela articulação política. Interlocutores do governo no Congresso dizem que a proposta será dialogada com o titular da Casa Civil nesta segunda-feira ou, no mais tardar, amanhã.

COBRANÇA – Lideranças do Centrão afirmam ao Correio que a cobrança pela mudança na articulação não se trata de uma sugestão. “Ou o governo muda a articulação ou vai sofrer derrotas. O Onyx insiste em uma queda de braço que ele não tem como vencer”, diz um líder. Mesmo parlamentares que, por convicção ideológica, entendem que a aprovação da reforma da Previdência é importante, sinalizam votar contrariamente enquanto a Casa Civil não alterar a interlocução de coordenadores de bancadas estaduais para as lideranças partidárias nas unidades federativas.

O Centrão vai testar o fortalecimento de Lorenzoni que, nas últimas duas semanas, articulou reuniões entre Jair Bolsonaro e 13 presidentes e líderes partidários. Das reuniões, mandatários saíram dizendo que não fazem parte da base governista. E a maioria, de fato, não fará, enquanto o chefe da Casa Civil não mudar o diálogo com as bancadas no Parlamento e convencer que deseja um relacionamento melhor.

DISTRIBUIR CARGOS – A pressão é que o convencimento não seja feito por palavras, mas dando poderes para que Joice Hasselmann possa não somente ouvir os líderes, como dar sequência às demandas.

A ideia de testar o poder de Lorenzoni passa pela opção em intensificar diálogos com o ministro da Secretaria de Governo, Santos Cruz. Ou seja, buscar outros canais de comunicação no Planalto. Mourão, por exemplo, já declarou publicamente que Bolsonaro poderia oferecer cargos nos estados aos partidos. “Ele e Santos Cruz têm se mostrado muito mais lúcidos no trato ao Parlamento”, pondera um líder.

A própria articulação do governo no Congresso calcula que é possível, em alguns estados, atender com até dois cargos para cada parlamentar fiel ao governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Olha o “toma lá, dá cá” de novo em cena, gente!!! (C.N.)

Reflexões sobre Michele Bolsonaro e o quarto mandamento da Lei de Deus

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Na cerimônia da posse, Michele fez uma apresentação maravilhosa

Carmen Lins

Fiquei encantada com a Michele Bolsonaro, na posse, com seu discurso em Libras. Foi a melhor cena da cerimônia. As expressões corporais, faciais, tudo encantou. Agora este tratamento com a avó e a mãe, nenhum familiar dela na posse, isso me entristece. Michele, querendo ou não, é de origem humilde, que não envergonha ninguém. Cora Coralina, a poeta, era doceira durante o dia e à noite fazia seus versos. É imortal hoje, uma pessoa que jamais será esquecida.

Há quem diga que esses parentes querem explorar o presidente e a primeira-dama. Mas não posso concordar com essa justificativa. Mãe, avó e tios, como se viu nas entrevistas, não parecem explorar ninguém.

OS FATOS – Faz mais de seis anos que dona Maria Aparecida não vê a neta que ajudou a criar. A avó não foi convidada para a posse, nem ela nem sua filha, mãe de Michelle, Maria das Graças. Passados três meses de governo, elas não receberam convite para uma simples visita ao Palácio da Alvorada, a residência oficial, que fica a apenas 40 quilômetros da favela. Por quê? A avó diz que não sabe responder.

“Aprendi que só vamos a pessoas importantes quando somos convidados. É minha neta, cresceu lá em casa, mas agora ela é a primeira-dama”.

O pastor Messias Rezende, da Assembleia de Deus, é um dos poucos confidentes que sabem do parentesco. Ele já se dispôs a tentar intermediar um encontro com o presidente Bolsonaro, mas dona Maria Aparecida rejeitou.

QUADRADO DE POBREZA – Se mãe e avó fossem mulheres exploradoras, já viriam agindo assim desde muito tempo. Mas elas ficaram no seu quadrado de pobreza.

Permitam-me indicar a todos o livro do Fabricio Carpinejar “Cuide dos pais antes que seja tarde” Ele, Carpinejar, não diz “assuma seus pais”.

Por fim, peço-lhe desculpas se me interpretei devidamente bem, ao fazer comentários ao assunto. Deixei-me levar por outros exemplos que machucam até a alma. Mas concluí que não há justificativas para se não seguir o quarto mandamento da Lei de Deus: “Honrarás pai e mãe”.  

PSDB de Doria adere à moda e encomenda pesquisa para avaliar mudança de nome

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Ricardo Galhardo
Estadão

Maior liderança tucana hoje, o governador de São Paulo, João Doria, disse que o PSDB encomendou uma pesquisa para avaliar entre outras coisas a possibilidade de uma mudança no nome do partido. “Nós vamos estudar. Defendo que façamos uma pesquisa a partir de junho. Já está previsto, inclusive. E que esta ampla pesquisa nacional avalie também o próprio nome do PSDB”, disse Doria, neste domingo, 14, depois de participar da convenção municipal do PSDB de São Paulo.

“Melhor do que o achismo e o personalismo é a pesquisa, ela representa a convicção daquilo que emana da opinião pública”, justificou o governador. 

NOVO NOME – A possibilidade de troca do nome de um dos mais tradicionais partidos políticos do Brasil foi revelada pela Coluna do Estadão. Segundo Doria, a reavaliação dos rumos do PSDB não representa uma guinada à direita abandonando o legado social-democrata tucano, como temem algumas lideranças históricas da legenda.  

“O caminho do PSDB deve valorizar a sua história mas entender também a dinâmica de um país que evolui no tempo e no espaço. Hoje o PSDB caminha para ser um partido de centro com respeito à esquerda e à direita com definições claras em suas políticas sociais mas também liberal na política econômica”, disse Doria.

NOVO DIRIGENTE – A convenção municipal dos tucanos paulistanos elegeu o sociólogo Fernando Alfredo, o Fernandão, chefe de gabinete da subprefeitura de Pinheiros e militante oriundo da base do partido, para presidir o diretório municipal do PSDB.

Aos gritos de “1, 2, 3 é Covas outra vez” o PSDB fez o primeiro gesto explícito em direção à reeleição do prefeito Bruno Covas, que participou da convenção.

A escolha não teve disputa. Ao longo da semana caciques tucanos fecharam um acordo para formação de uma chapa única na qual Covas indicou o presidente e Doria o secretário geral, Wilson Pedroso, além do tesoureiro-geral, o secretário municipal da Casa Civil, João Jorge.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com o partido devastado pela corrupção, ao invés de renovarem suas práticas e se adaptarem às novas perspectivas do eleitorado brasileiro, os dirigentes tucanos julgam que o ideal é trocar de nome, como se isso fosse esconder alguma coisa. Depois do PPS, que virou Cidadania 23, agora vem o PSDB querendo mudar a denominação. No entanto, como ficam sempre em cima do muro e não decidem nada, os tucanos vão esperar uma pesquisa. Bem, se forem abandonar também o símbolo, para deixarem de ser tucanos, o ideal seria “pomba-rola”. (C.N.)  

Líder do PSL aponta erros do governo Bolsonaro e diz não suportar Olavo de Carvalho

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Waldir, líder do PSL, diz que na Câmara quem manda é Rodrigo Maia

Luiz Maklouf Carvalho
Estadão

“Rodrigo Maia é o primeiro ministro. Se a reforma da Previdência passar, é mérito dele”, diz o delegado Waldir Oliveira, líder do PSL na Câmara, que não suporta Olavo de Carvalho. “O grande atrito que existe hoje no governo, as caneladas do presidente, são influência desse filósofo Olavo de Carvalho”, disse. Ex-tucano, é o deputado mais votado de Goiás e se orgulha de apontar ao presidente Bolsonaro os erros políticos do governo, “Você nunca viu na história um líder do partido do presidente firme e independente como eu” “Todas as pessoas mostram a ele só o ótimo. E eu mostro o amargo, o fel”. 

De família muito pobre, foi engraxate e preparador de mudas de café. Estudou Direito, foi escrivão depois passou no concurso para delegado da Polícia Civil de Goiás.

O que o sr. achou da queda do ministro da Educação, Ricardo Vélez, e do novo indicado, Abraham Weintraub?
O primeiro foi ministro porque era um olavete, indicado pelo Olavo de Carvalho. Com a indicação do outro o presidente deu sinal de que o Olavo está muito forte, porque ele é apaixonado pelo Olavo, continua apaixonado pelas teses de Olavo de Carvalho, o que enfraquece os setores técnicos e militares do governo.

O que o sr. acha do Olavo de Carvalho, tido como guru do presidente Bolsonaro?

Zero à direita, zero à esquerda. Uma pessoa que fica dando palpite em nosso país lá de fora. Quantos votos ele trouxe? Que campanha que ele fez? Escreveu não sei quantos livros, dizem. Parabéns! Mas e daí?

O sr. já leu algum?
Não tenho tempo a perder com isso. E eu duvido que o presidente Bolsonaro tenha lido um livro dele. O presidente tem muito o meu perfil. É operacional.

Como o sr. entende essa influência do Olavo de Carvalho no presidente?
Eles dizem que é o profeta da direita. Aquele que trouxe os ideais do bolsonarismo. Tudo besteira. O Brasil não precisa mais de sociólogos e filósofos. Precisa de pessoas que tenham operacionalidade e tirem o Brasil da miséria e da pobreza. É inadmissível que o Olavo ataque o PSL, os parlamentares, o governo e os militares, e lá de outro país. Indicou dois ministérios. Tem que largar a teta e vim pisar na favela, sentir a nossa poeira.

Que problemas a ligação com o Olavo tem provocado?
O grande atrito que existe hoje no governo, as caneladas do presidente, são influência desse filósofo Olavo de Carvalho. Tem que afastar a influência dele do governo. Quem tem que ter influência é o presidente. Ele não pode ser o palpiteiro de plantão.

Essa é uma crítica direta ao presidente, que prestigia o filósofo.
Não é a primeira que eu faço. Se você pegar os olavistas que me atacam nas redes sociais, eu dou aula pra eles todos os dias. Está na hora do Olavo de Carvalho parar de dar palpite no governo. Palpite é só no jogo do bicho.

O sr. sabe que esse estilo pode levar o sr. a sair da liderança em pouco tempo?
Sei que eles vão trabalhar para me derrubar, porque eu sou muito independente. O governo quer alguém que seja manipulado, e eu não sou manipulável

Já são favas contadas que o sr. vai sair?
Não. Eu tenho uma força, eu tenho cartas na manga. Seria bom um deputado como eu na oposição ao governo Bolsonaro? Um deputado de dentro da Casa, que conhece os segredos da Casa? Eu não sou submisso ao presidente. Eu não devo meu mandato a ele. Meu patrão é o eleitor.

Alguns de seus colegas tem dito que o sr., como líder, precisa seguir um manual de controle.
Isso é nota plantada. Eu não sigo manuais. Eu não sou uma pessoa domesticável. Ninguém me coloca coleira. Fui forjado pelo eleitor, pela minha experiência de vida. Eu fui lapidado na periferia, no gueto, venho de mãe zeladora, sem pai.

Como que o sr. virou líder do PSL?
Primeiro, o presidente do partido, Luciano Bivar, quis me conclamar líder, por aclamação. Mas o presidente Bolsonaro, por influência de um ou dois parlamentares, pediu que eu não fosse aclamado. Depois eu fui indicado com a assinatura de 36 dos então 52 deputados.

Por que o presidente Bolsonaro não quis que o sr. fosse aclamado?
Por influência. O presidente não faria isso sozinho, eu era da extrema confiança dele.

O sr. estranhou?
Estranhei. O Bolsonaro teve quatro votos quando foi candidato a presidente da Câmara, em 2016. Um deles era o meu. Eu fui fiel. Sempre fui um parceiro inseparável. O presente desautorizou o presidente do partido. Se tivesse concordado não teriam acontecido aquelas discussões no zap. Porque não tinha a definição do líder, e aí começou uma guerra.

O sr. já questionou o presidente por conta disso.
Não. Quem tem que responder é ele. Se em algum momento ele quiser me dar uma explicação, é líquido e certo que eu gostaria. Mas tenho total respeito. Em nenhum momento perdi a admiração.

Mas foi uma pergunta que ficou sem resposta.
Ficou. Mas não tenho amor à liderança também não. Estou líder, enquanto me mantiverem. Mas sou um líder independente, crítico, talvez em razão das minhas falas muito duras, de que não devem ser usadas as expressões “nova política” e “velha política”. O Bolsonaro parou de falar isso por causa das minhas falas de que deveria respeitar o parlamento. Ele começa a dialogar com o parlamento.

O sr. também disse que o projeto de previdência dos militares era um abacaxi. Se arrependeu?
Nada. Eu não sou da cozinha do presidente. Então, eu tenho que usar os meios para que o nosso governo dê certo. Alguém tem que dar o recado. Alguém tem que ser maduro nesse jogo. Alguém tem que ser muito duro e falar as verdades. Muita gente fala aquilo que ele quer ouvir. Alguém tem que falar o que ele não gostaria de ouvir, mas que é verdadeiro. Eu tenho essa missão. E pago o preço se daqui a pouco me destituírem da liderança. Eu não tenho amor a isso.

O sr. tem dito que o governo não tem base na Câmara dos Deputados. Onde é que está o erro?
O governo não tem base, repito. O que está errado é a articulação política. O presidente escolheu ministros técnicos para o primeiro escalão apostando nas bancadas temáticas, e as bancadas temáticas só votam assuntos do interesse delas. O parlamento está ligado aos líderes partidários, e aos partidos.

E quem é que não está conseguindo articular a base?
O Ônix (Lorenzoni, ministro da Casa Civil) articula, mas não está conseguindo fazer o convencimento.

E qual é o caminho?
Para convencer os parlamentares, o presidente tem de chamar os parlamentares para governar.

E ele não está fazendo isso?
Não. Ele tem experiência no parlamento, quer implantar um novo modelo de governabilidade, mas ele não pode criminalizar o parlamento.

O presidente está criminalizando o parlamento?
Quando o presidente criou as expressões “velha política” e “nova política” ele criminalizou a conduta do parlamento.

Explique melhor.
Eu não vivo na penumbra. Eu vivo na realidade. Não tenho como tapar o sol com a peneira. O presidente colocou todos os parlamentares no mesmo saco. Nós temos parlamentares que respondem a processos, mas temos parlamentares espetaculares. Ninguém vai votar no governo porque o Bolsonaro tem olhos azuis. Ele tem que fazer carinho na cabeça do parlamentar.

Como?
Os ministros precisam atender bem os parlamentares. Eu tenho parlamentar do PSL que levou 45 dias para ser atendido por um ministro. E quem recebe as queixas dos parlamentares não é o presidente, é o delegado Waldir. Eu conheço o parlamento. Nenhum ministro pode se achar deus.

O presidente ainda está criminalizando os parlamentares?
Ele criminalizou. Não está mais criminalizando. Não usa mais “velha e nova política”. Foi um erro que ele corrigiu, em razão das minhas críticas. Eu fui duro. Fui a primeira pessoa a mencionar isso.

O que fazer para que o governo tenha uma base?
O presidente confia ainda na pressão popular, que foi muito forte na eleição do Senado.

O sr. confia?
É uma ferramenta importante, mas que não vai convencer a maior parte do parlamento. O parlamento é muito corporativista. O governo já teve algumas derrotas.

O que é que vai resolver o impasse?
O parlamento quer ser bem tratado. O parlamento é a namorada, o presidente é o namorado. Ele viu a menina. E em vez de dizer “oi meu amor, minha querida” disse “nossa!, hoje você está uma bruaca”. No primeiro encontro, chegou três horas atrasado. A mulher, que é o parlamento, quer ser bem tratada, bem cuidada. “Que unha maravilhosa!” “Que boca maravilhosa!” “O seu cabelo está lindo!”. É isso. Está faltando convencer, agradar. O parlamento é muito sensível.

Como assim, sensível?
Cada parlamentar aqui é uma pessoa independente. Tem suas próprias convicções e um vínculo partidário. Se não seguir a orientação partidária, não vai ter fundo partidário. O presidente tem que convencer a mãe da moça, que é o presidente dos partidos. Ele está tratando a mãe da moça com desprezo. Nem quer saber quem é a mãe da moça, não está nem aí pra mãe da moça. Que se lasque a mãe da moça. Não quer saber se ela está doente. E a mãe da moça é a que sustenta, a que dá a fralda, a escola.

O presidente teve oito mandatos como deputado. O sr. quer dar aula para ele de como lidar com o Câmara?
Não. Mas o presidente está com a estratégia equivocada do Olavo de Carvalho. Vai pro belicismo com o parlamento. Joga o povo contra o parlamento. Afronta o parlamento. Manda o parlamento tomar no cu. Estou usando as palavras do próprio Olavo de Carvalho no domingo, dia 7. Ele disse: “Eu sou Bolsonaro, os filhos do Bolsonaro, e eu sou o povão. O resto vai tomar no cu”.

Como o sr. lê isso?
Não leva a nada. E depois o maluco sou eu.

A se acreditar no sr., a reforma da Previdência vai continuar complicada.
A reforma da Previdência não avança se o presidente quiser. Quem manda na reforma da previdência é o Rodrigo Maia, presidente da Câmara. O Rodrigo Maia é o primeiro ministro. Nós não temos o parlamentarismo, mas o primeiro ministro, neste momento, é o Rodrigo Maia.

Por que o sr. acha isso?
Porque ele tem em torno de 330 parlamentares. O Rodrigo mostrou que é o primeiro-ministro quando em uma hora ele aprovou em dois turnos a PEC do Orçamento. Qualquer coisa nessa Casa, só passa se o Rodrigo quiser.

O governo é refém do Rodrigo Maia, então?
O Bolsonaro resolveu construir com o Olavo. O Rodrigo escolheu construir com o parlamento. É uma questão de escolha. E escolha você pode mudar a qualquer hora.

Quanto tempo o sr. acha que dura no cargo?
Enquanto os parlamentares quiserem. Eu não nasci na liderança. Eu estou líder. Tenho várias ideias semelhantes às do presidente, mas não sou direitista de carteirinha, não dependi de movimento de direita para ser eleito, não dependi do presidente da República para ser eleito.

O sr. é o quê, de carteirinha?
Um defensor do cidadão. Daquele que me elegeu, que é o meu patrão, que me paga o salário. Para esse eu devo satisfação. Você nunca viu na história um líder do partido do presidente firme e independente como eu. Todas as pessoas mostram só o ótimo. E eu mostro o amargo, o fel.

E por que ele tem que saber do fel?
Porque está cercado de pessoas que querem mostrar o céu. Pessoas que querem dizer que ele tem 308 votos aqui, e ele não tem. Não tem 200 votos. Ele tem, estourando, 100 votos. Se a reforma da previdência passar, o mérito é do primeiro ministro Rodrigo Maia.

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NOTA DE REDAÇÃO DO BLOG
É promissor constatar que existem no Congresso parlamentares que dizem verdades e se comportam de forma independente. O líder do PSL é uma dessas raridades. Seu diagnóstico sobre os motivos de Bolsonaro não ter base aliada é muito verdadeiro. Certamente, o delegado Waldir Oliveira será líder por pouco tempo. Sempre haverá algum puxa-saco se oferecendo para substituí-lo. (C.N.)