O futebol arte não morreu

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Ilustração reproduzida de O Tempo

Tostão
O Tempo

A nítida superioridade e a goleada do Paris Saint-Germain sobre o Barcelona foram situações atípicas ou uma demonstração da queda coletiva do time catalão? O Barcelona, nos últimos anos, não acompanhou a evolução coletiva das outras grandes equipes. Depende demais de alguns magistrais jogadores, além de não ter um bom lateral direito nem bons reservas. O Barcelona é a única grande equipe que só tem uma maneira de jogar e que nunca recua para bloquear os espaços perto de sua área, como se isso ferisse a tradição e o encanto da Catalunha. O time também não recupera a bola, com facilidade, no campo adversário, como fazia.

Hoje, todos os grandes times alteram, durante a partida, a marcação mais adiantada com a mais recuada. São bons na defesa e no ataque. Foi o que fez o PSG. Recuperou a bola, na frente e atrás, para contra-atacar. O contragolpe começa quando se recupera a bola. Pode ser perto da área do outro time. No futebol, a maioria dos gols sai em contra-ataques.

TIPOS DE MARCAÇÃO – Na quarta-feira, Santos e São Paulo também alternaram, com eficiência, os dois tipos de marcação. Qualquer que tenha sido a atuação ontem do São Paulo, o time tem duas grandes promessas, Rogério Ceni e Luiz Araújo.

O comentarista Vitor Sérgio Rodrigues, do Esporte Interativo, perguntou a Tite, no estádio e logo após o jogo entre PSG e Barcelona, se o Brasil tinha um meio-campista tão bom quando o italiano Verratti. Ele e os franceses Matuidi e Rabiot atuaram muito bem, de uma área à outra, alternadamente. Tite elogiou Verratti, mas não respondeu a pergunta.

Ele sabe que o Brasil não tem, apesar das boas atuações de Renato Augusto, auxiliado por Paulinho. Casemiro, que está muito bem no Real Madrid, joga mais atrás.

HÁ DIFERENÇAS – Enquanto na Europa forma-se, há muito tempo, um grande número de excepcionais meio-campistas, organizadores e com ótimo passe, símbolo do jogo coletivo, no Brasil e na América do Sul, predominam os meias e atacantes velozes, dribladores e agressivos, símbolos do talento individual. Uma das razões da falta de craques no meio-campo do Brasil foi a rígida divisão que houve, tempos atrás, entre os volantes que marcam e os meias que atacam.

A história, a economia, a psicologia e a evolução do comportamento social nos dois continentes ajudam também a explicar a formação diferente dos jogadores. Muitas pessoas, que trabalham ou não com futebol, estranham e criticam o fato de o Brasil, conhecido pelo futebol arte, seguir hoje conceitos e estratégias europeias. Acham ainda que foi essa a razão da queda de nosso futebol. Não é por aí.

Com o tempo, houve uma evolução, mais na Europa que no Brasil, da estratégia, do jogo coletivo e de tantos outros detalhes técnicos e táticos. Antes, o Brasil ganhava com habilidade e fantasia. Agora, só ganha se tiver também um ótimo conjunto.

POSSE DE BOLA – Não se pode confundir também habilidade, a intimidade com a bola e a capacidade de não perdê-la diante do adversário, com técnica, a execução dos fundamentos da posição e de fazer as escolhas corretas. Cristiano Ronaldo possui uma extraordinária técnica, sem ter muita habilidade.

É muito prazeroso e bonito ver alguns times atuais unirem uma excepcional estratégia e a intensidade de jogo com o talento e a improvisação de muitos jogadores. O futebol arte não morreu.

Blindagem dos envolvidos na Lava Jato começará pelas Comissões de Ética

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Governo trabalha contra a Lava Jato, diz Júlio Delgado

Ranier Bragon, Daniel Carvalho e Débora Álvares
Folha

Na iminência de serem alvos de inquéritos judiciais decorrentes da delação premiada da Odebrecht, congressistas preparam uma tentativa de blindagem também em outro front, nos conselhos de ética da Câmara e do Senado. Como “tribunal” legislativo, os dois órgãos são responsáveis por recomendar ao plenário das respectivas Casas a cassação ou não do mandato de um deputado ou de um senador pela chamada quebra do decoro parlamentar.

E é nesse “tribunal” que partidos envolvidos na Lava Jato pretendem concentrar esforços para restringir ao máximo o estrago que se anuncia com a delação da Odebrecht – fala-se em mais de uma centena de políticos citados – e de outras empreiteiras, na sequência.

MAIA A EUNÍCIO – Tanto o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quanto o do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), são citados na delação da Odebrecht. Os dois políticos negam irregularidade.

Os conselhos de ética da Câmara e do Senado terão suas novas composições definidas após o Carnaval. O do Senado é composto por 15 parlamentares e deve ser comandado pela sexta vez por João Alberto Souza (PMDB-MA), ligado ao ex-presidente e ex-senador José Sarney (PMDB-AP).

Conhecido por ser favorável ao engavetamento de representações, Souza diz que já foi procurado por alguns partidos, que ele se recusa a informar quais são, e que há uma “tendência” de que ele continue na presidência do colegiado.

Para o senador, as delações no âmbito da Lava Jato não são suficientes para que se abra processo contra os colegas do Legislativo. “Precisa haver alguma prova, alguns indícios”, afirma. “Até agora não apareceu nada. Na delação, hoje, está sendo pronunciado todo mundo no Senado, na Câmara. Quando chegar no conselho, a gente faz um exame acurado da coisa para ver o que tem.”

NA CÂMARA – Já o Conselho de Ética da Câmara é composto por 21 deputados. Assim como no Senado, o colegiado terá novos integrantes indicados pelos partidos após o Carnaval e, depois disso, os indicados elegem o presidente.

Até agora, dois deputados que fazem parte da atual composição que se encerra pleiteiam entre os colegas a presidência do colegiado, Marcos Rogério (DEM-RO) e Sandro Alex (PSD-PR).

Os dois não integraram o grupo que, em 2015 e 2016 tentou e quase conseguiu enterrar o processo de cassação contra com ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alvo da Lava Jato e hoje preso no Paraná. Por isso, integrantes do atual conselho relatam conversas para a união em apoio a um terceiro nome.

OPERAÇÃO ABAFA – “Espero que o Parlamento não se preste a repetir o que o Executivo está tentando fazer com a Lava Jato”, afirma Júlio Delgado (PSB-MG), para quem o governo Temer trabalha para abafar as investigações.

A Folha não conseguiu falar com Marcos Rogério, que foi o relator do processo de cassação de Cunha, com parecer favorável à perda do mandato do peemedebista.

Sandro Alex pondera que para um processo de cassação ter força é preciso pelo menos a formalização da denúncia, na esfera judicial, por parte da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Embora ressalte que é preciso analisar caso a caso, ele afirma que a abertura de um processo de cassação baseado apenas em delações ou em inquéritos sem desfecho (sem indiciamento da Polícia Federal ou denúncia da PGR) tende a ser frágil. “É preciso ter pelo menos a manifestação da PGR, eu trabalho com provas, sou defensor do devido processo legal.”

Grau de prioridade – Um dos partidos mais ativos na apresentação de pedidos de cassação contra congressistas, o PSOL ainda vai discutir qual critério usará nos próximos meses. “Tem que ser uma ação traçada de acordo com o grau de prioridade”, diz Ivan Valente (PSOL-SP).

Para Valente, entupir o Conselho de Ética com representações contra deputados de pouca expressão pode contribuir para uma “pizza”.

Os pareceres que saem do Conselho de Ética são analisados em votação aberta no plenário. Para haver a cassação do mandato, é preciso o voto de, pelo menos, mais da metade em cada Casa –257 na Câmara e 41 no Senado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como diz o sucesso popular, o dono do gueto mandou avisar que vai rolar a festa. Com Maia e Eunício à frente de Câmara e Senado, as pautas contra a Lava Jato estão garantidas. Mas não será fácil aprovar os projetos da bancada da corrupção, porque a mídia esta atenta, conforme se constata nessa oportuna reportagem da Folha, e a internet não perdoa. A opinião pública vai reagir à altura.  (C.N.)

Outros países podem seguir o exemplo do Peru e confiscar os bens da Odebrecht

Vários presidentes peruanos estão envolvidos

Deu em O Globo

A Superintendência Nacional de Alfândegas e Administração Tributária do Peru (Sunat) ordenou embargo de cerca de 200 milhões de soles peruanos (US$ 62 milhões, ou R$ 191 milhões) contra oito empresas brasileiras presentes no país, todas, segundo investigações, envolvidas na Lava-Jato. As informações são do site de jornalismo investigativo peruano “Ojo Publico”. Só da Odebrecht foram confiscados US$ 46 milhões (R$ 142 milhões).

O confisco inclui contas bancárias, imóveis, veículos e contas correntes de terceiros e de funcionários dessas empresas no país. O embargo afeta também as companhias Queiroz Galvão e OAS, diz o site do jornal espanhol “El País”.

Segundo o “Ojo Público”, uma área de quatro mil hectares de uma sucursal da Odebrecht foi desapropriada em Olmos, no norte do Peru. O mesmo deve acontecer com um edifício de sete andares no qual funciona a sede da empresa no bairro de San Isidro, em Lima. O prédio está em nome de um fundo fiduciário da sucursal de um banco.

SEM CONDENAÇÃO – A ação foi tomada embora nenhuma das empresas tenha sido condenada pela Justiça peruana, e as empresas podem recorrer. Em nota ao “Ojo Público”, a Odebrecht Peru disse que reitera seu “compromisso e cooperação com as investigações em curso” e disse que segue com medidas para “prevenir, identificar e remediar qualquer ato inapropriado para uma relação ética e correta entre o setor público e privado”.

O governo e o Ministério Público peruanos estão aumentando sua atuação na Lava-Jato. A Odebrecht admitiu ter pago US$ 29 milhões em propinas para facilitar sua participação em grandes obras de infraestrutura entre 2005 e 2014, período que engloba os governos dos ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

Toledo é alvo de uma ordem de busca e apreensão internacional pela denúncia de ter recebido US$ 20 milhões da empresa brasileira para a construção da rodovia Interoceânica.

TEM 27 EMPRESAS – A Odebrecht iniciou suas operações no Peru em 1979 e controla 27 empresas no país — 19 de origem peruana e oito filiais de empresas brasileiras. Este número foi apresentado pelo jornal “Em Comercio” em sua edição deste sábado. O levantamento foi feito em parceria com a Sunat. Essas empresas atuaram em ao menos 52 obras públicas, afirma a publicação. Todas serão investigadas pela recém-criada Comissão Lava-Jato no Congresso.

Alan García depôs no caso na quinta-feira passada; Ollanta Humala depôs na sexta. Humala foi questionado sobre supostas irregularidades na concessão do Gasoduto Sul Peruano. Segundo a denúncia de uma testemunha protegida, a licitação do projeto foi concedida após coordenações entre Nadine Heredia, esposa de Humala, e Jorge Barata, representante da Odebrecht no Peru. Ambos são investigados pelos crimes de colusão e negociação incompatível.

PRAZO DE 7 DIAS – O Ministério Público deu, na última sexta-feira, sete dias para que a Odebrecht entregue informações sobre a obra. “Não pertenço ao clube dos presidentes prófugos ou que vão morar no exterior” — disse Humala, em referência a Toledo, que está fora do país, embora haja mandado de prisão contra ele.

Humala negou qualquer envolvimento em corrupção. García havia dito à imprensa: “Não me coloquem no meio da gangue dos ex-presidentes”.

Outras testemunhas intimadas a depor são Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, e o atual presidente, Pedro Pablo Kuczynski.

RESSARCIMENTO – A Promotoria Anticorrupção pedirá, segundo a imprensa peruana, um pagamento de 200 milhões de soles (190 milhões de reais) para os envolvidos no caso Odebrecht. A quantia deverá ser assumida de maneira solidária pelo ex-presidente Alejandro Toledo, Jorge Barata, o empresário israelense Josef Maiman (amigo íntimo de Toledo), Jorge Cuba Hidalgo (ex-vice-ministro do Governo de Alan García) e os demais citados no esquema de corrupção.

As medidas cautelares da Sunat se aplicam com base no artigo 58 do Código Tributário, que estabelece que este tipo de ação pode ser tomada quando o devedor tem um comportamento que permite presumir que a cobrança será infrutífera, ou quando toma medidas para ocultar seus ativos ou falsifica seus livros contábeis, entre outras ações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tudo isso significa que, em matéria de corrupção, há grandes empresas brasileiras que se tornaram verdadeiras multinacionais. É evidente que o exemplo do Peru pode ser seguido por outros países onde a Odebrecht deixou suas impressões digitais, digamos assim. (C.N.)

Comandante do Exército adverte que o país está à deriva, e Temer não o demite…

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General Villas Bôas apenas refletiu a opinião dos militares

Monica Gugliano
Valor Econômico

Amazonas, Roraima, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Desde as primeiras horas de 2017, o país passa por uma das mais graves crises na segurança pública nos últimos anos. Do desgoverno no sistema prisional, onde detentos em Manaus, Boa Vista e Natal foram trucidados em brigas de facções, ao caos em Vitória, que resultou da paralisação da Polícia Militar, passando pela crescente instabilidade no Rio, a situação está tão crítica que homens das Forças Armadas têm sido necessários para manter o controle.

“Esgarçamo-nos tanto, nivelamos tanto por baixo os parâmetros do ponto de vista ético e moral, que somos um país sem um mínimo de disciplina social”, afirma o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas. “Somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser.”

PREOCUPAÇÃO – O general acompanha o cenário com preocupação. Nascido em Cruz Alta (RS) há 66 anos, 50 deles no Exército, Villas Bôas pondera que há entendimentos incorretos de que as Forças Armadas possam substituir a polícia. O Exército também está apreensivo com a reforma da Previdência, e Villas Bôas tem defendido a noção de que os militares não podem ser submetidos às mesmas regras do regime geral.

Na semana em que diversas entidades, entre elas o Ministério Público, manifestam o temor das investidas contra a Lava-Jato, o comandante defende a operação. “É a grande esperança de que se produza no país alguma mudança nesse aspecto ético que está atingindo nosso cerne, que relativiza e deteriora nossos valores.”

CALAMIDADE – Para o general, a segurança pública no Brasil é uma calamidade. Com dados, elenca os motivos de sua angústia: hoje morrem cerca de 60 mil pessoas por ano assassinadas, cerca de 20 mil pessoas desaparecem no país por ano, 100 mulheres são estupradas por dia. A Polícia Federal estima que cerca de 80% da criminalidade seja ligada direta ou indiretamente às drogas: dos massacres aos ajustes de contas e até o pequeno roubo do celular. “O que está acontecendo? A segurança pública é de responsabilidade dos Estados, e eles estão extremamente carentes”, afirma.

A seguir, os principais tópicos da entrevista que Villas Bôas concedeu ao Valor.

SEGURANÇA PÚBLICA – “Há entendimentos incorretos de que as Forças Armadas possam substituir a polícia. Temos características distintas. Fomos empregados na favela da Maré com efetivo de quase 3 mil homens por 14 meses. No Alemão, 18 meses. É um emprego das Forças Armadas que não soluciona o problema. Nossa ação se destina a criar condições para que outros setores do governo adotem medidas de caráter econômico-social que alterem essa realidade.

O que tem acontecido? A ideia de que, se eu emprego as Forças Armadas, o problema está resolvido. Ficou nítido na Maré, onde permanecemos por 14 meses: a operação custou R$ 1 milhão por dia, ou seja R$ 400 milhões. Quando saímos, uma semana depois tudo tinha voltado a ser como antes. Entendemos que esses empregos pontuais são inevitáveis, porque as estruturas de segurança nos Estados estão deterioradas. Nossa preocupação é que essa participação seja restrita e delimitada no tempo e no espaço, com tarefas estabelecidas e sempre com o entendimento de que não substituímos a polícia.”

APOIO DOS MILITARES – “A defesa não é atribuição exclusiva dos militares. É de todos os setores da sociedade que devem contribuir e participar. Nosso emprego está no artigo 142 da Constituição da Garantia da Lei e da Ordem. No entanto, nosso pessoal não tem a proteção jurídica adequada. A Justiça e o Ministério Público entendem que o emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem não se trata de atividade de natureza militar e sim, policial.

Não é verdade. Quando o emprego da estrutura policial não for suficiente, se emprega outra instância, as Forças Armadas. Mas, ao não exigir que se adote o Estado de Defesa e o Estado de Sítio, a lei não nos proporciona a proteção jurídica necessária. Não queremos que o uso das Forças Armadas interfira na vida do país. Mas sofremos desgaste e risco enormes com isso. Se formos atacados e reagirmos, isso sempre será um crime doloso e seremos julgados pelo tribunal do júri.”

CRISE NA POLÍTICA – “Esse processo que o Brasil vem enfrentando está atingindo nossa essência e nossa identidade. Tem outro componente, que vem de processo histórico recente, das décadas de 70, 80. Até então, o país tinha identidade forte, sentido de projeto, ideologia de desenvolvimento. Perdeu isso. Hoje somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser. Por isso, o interesse público, a sociedade está tão dividida e tem Estado subordinado a interesses setoriais.

Acho importante todo esse processo que estamos vivendo em decorrência da Lava-Jato e de outras operações. A Lava-Jato é a esperança de que se produza no país mudança nesse aspecto ético que está atingindo nosso cerne, que relativiza e deteriora nossos valores. Daí a importância desse protagonismo que a Justiça e o Ministério Público estão tendo. Esse processo é fundamental para o prosseguimento do país. E aí você me pergunta: o que pode acontecer se a Lava-Jato atingir a todos indiscriminadamente? Que seja. Esse é o preço que tem que se pagar. Esperamos que tenha um efeito educativo.”

INTERVENÇÃO MILITAR – Interpreto o desejo daqueles que pedem intervenção militar ao fato de as Forças Armadas serem identificadas como reduto onde esses valores foram preservados. No entendimento que temos, e que talvez essa seja a diferença em relação a 1964, é que o país tem instituições funcionando. O Brasil é um país mais complexo e sofisticado do que era. Existe um sistema de pesos e contrapesos que dispensa a sociedade de ser tutelada. Não pode haver atalhos nesse caminho. A sociedade tem que buscar esse caminho, tem que aprender por si. Jamais seremos causadores de alguma instabilidade.

A Polícia Federal estima que cerca de 80% da criminalidade seja ligada direta ou indiretamente à droga. Outro aspecto: a droga é a origem de quase todos os problemas. O Amazonas já virou grande corredor de passagem de drogas. O controle dessas rotas é que está sendo disputado, inclusive nos presídios, pelas facções. Para combater isso é preciso que o governo estabeleça política antidrogas, multidisciplinar, que envolva educação, saúde, assistência social, segurança, inteligência, defesa. Também temos que estimular a integração com os países vizinhos. O Brasil que era corredor de passagem hoje é o segundo maior consumidor de drogas do mundo. O tráfico no Brasil está se organizando, se cartelizando, e aumentou sua capacidade de contaminar outras instituições do país.”

LIBERAÇÃO DAS DROGAS – “Há estudos abalizados que são a favor e outros, contra. A Sociedade Brasileira de Psiquiatria é contra. Temos que examinar o que aconteceu em outros lugares. Sabemos, por exemplo, que em nenhum país se obteve resultado que tenha melhorado a situação substancialmente. Temos que participar dessa discussão. O Exército é um setor da sociedade e deve participar. O protagonista, no entanto, é o Ministério da Justiça. A tarefa constitucional é dele.

Estamos otimistas com o processo de paz na Colômbia, mas preocupados. Sabemos que algumas frentes não vão aderir. Existe a possibilidade de membros das Farc se juntarem a outras estruturas de guerrilha, como a Frente de Libertação Nacional ou guerrilhas urbanas. Temos uma incerteza, que vai exigir atenção muito maior para essa área: desde que se iniciaram as conversações de paz houve aumento das áreas de plantio na Colômbia. É importante destacar que temos 17 mil km de fronteiras. Fisicamente é impossível vigiar essa área. Sabemos que o caminho é buscar na tecnologia, como o Sisfron [Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras], que é fundamental.”

ELEIÇÕES EM 2018 – “A situação que estamos vivendo no país estabelece grande probabilidade de termos candidatos de caráter populista, porque a população está insatisfeita. Vemos surgir outro fenômeno – é natural que se faça um paralelo com os EUA, onde a sociedade não vê jamais as suas necessidades e o seu pensamento serem expressos por alguém. Quando surge alguém que fale coisas, mesmo que elas sejam não aceitáveis, mas que vão ao encontro daquilo que as pessoas pensam de uma maneira geral, corremos, sim, o risco de termos um candidato de caráter populista. E isso é muito preocupante.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA – No caso dos militares, a lei complementar vai estabelecer uma série de regras em relação à nossa previdência que estão em estudo, como o aumento e a adequação do tempo de serviço mínimo para a aposentadoria. O Estado deve entender que, se pretende contar com instituições a qualquer momento, em qualquer horário, de qualquer maneira, essa instituição tem que ter características especiais. Nosso contrato social nos dá prerrogativas para que possamos cumprir esse papel diferenciado. Não temos direito à sindicalização, à greve.

Ninguém aqui quer pressionar o governo, mas, se somos colocados no regime da previdência, abriremos margem para que os militares reivindiquem oito horas de trabalho. Isso vai descaracterizar e inviabilizar a profissão militar. Nós, militares, abrimos mão de alguns direitos como o FGTS, por exemplo, e, em contrapartida, a União assume as despesas com nossa inatividade. Temos estudos mostrando que se tivéssemos esse direito, a União anualmente teria que dispender R$ 24,7 bilhões.

Nosso regime previdenciário não tem sistema de proteção social. Contribuímos com 7,5% para nossa pensão e com 3,5% com saúde e assistência social. Isso corrobora que não temos regime de previdência e pressupõe planos de benefício e de custeio. Na inatividade, não temos plano de custeio e continuamos aportando. A União não nos dá nada. No caso dos demais servidores, a parcela da União pode chegar a 22%. Mas é feito um jogo de informações. Devemos tratar o assunto sem paixões. As despesas dos militares inativos estão no orçamento fiscal. Não impactam as contas da previdência. Até 2015, estavam no orçamento da Seguridade Social.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O comandante do Exército não dá declarações políticas. Quando o faz, é porque a pressão interna nas Forças Armadas é muito forte. Em tradução simultânea, o que o general Villas Bôas está dizendo eu ouvi há dois anos, em dois pronunciamentos de oficiais superiores do Exército e da Aeronáutica, num evento da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, em Brasília, e até publiquei aqui na Tribuna da Internet, sem identificar o general e o brigadeiro, para que não fossem punidos. O fato concreto é que os militares estão de saco cheio dessa esculhambação que reina nos três Poderes. Se Temer exercesse a Presidência da República, teria de demitir o general Villas Bôas, mas está engolindo calado. (C.N.)

Ao homem cabe pontuar a própria vida, ensina João Cabral de Melo Neto

Resultado de imagem para joao cabral de meloPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O diplomata e poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999), no poema “Questão de Pontuação”, afirma que o homem que pontuar a sua vida é aceito por todos, mas ele só discorda do ponto final.
QUESTÃO DE PONTUAÇÃO

João Cabral de Melo Neto

Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);
viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):
o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive,
o inevitável ponto final.

20 anos sem Darcy Ribeiro

ORG XMIT: 555401_0.tif Darcy Ribeiro, antropólogo e senador. (Rio de Janeiro, RJ, 12.12.1995. Foto de Luciana Whitaker/Folhapress)

Darcy foi o professor que criava soluções para o Brasil

Bernardo Mello Franco
Folha

“Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. A frase de Darcy Ribeiro voltou a ser lembrada no mês passado, quando o país viveu uma onda de massacres nas cadeias. Foi profetizada em 1982, quando o antropólogo se elegeu vice-governador do Rio na chapa de Leonel Brizola. Muitos políticos usam a educação para fazer demagogia barata. Não era o caso de Darcy. Ele idealizou e construiu centenas de Cieps, escolas públicas de tempo integral. Ergueu duas universidades, incluindo a de Brasília, da qual foi o primeiro reitor.

Não deixou de ser chamado de professor nem quando chefiou a Casa Civil, no governo João Goulart. Em 1964, tentou liderar uma resistência brancaleônica ao golpe. Deixou o Planalto quando os militares já ocupavam o gabinete presidencial, de onde só sairiam 21 anos depois. “Aquela era minha hora de chumbo. Hora que eu preferia estar morto a sofrê-la: a hora do derrotado”, conta, em suas memórias.

DUAS OPÇÕES – Darcy dizia ver duas opções na vida: se resignar ou se indignar. Escolheu a segunda, e culpava a indiferença da elite pelo atraso do país. “O Brasil tem um bolsão de gente que vem da escravidão, oprimido, marginalizado. Enquanto não incorporar este bolsão, o Brasil não existirá como gente civilizada”, avisava.

O professor não se conformou nem com a doença. No fim da vida, arranjou uma cadeira de rodas e fugiu do hospital onde tratava um câncer. Queria voltar para sua casa de praia e terminar “O povo brasileiro”, um tratado ambicioso sobre a mistura de raças que formou o país.

Com falsa modéstia, ele dizia que sua aventura não deu certo. “Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”. Na sexta-feira (17), o Brasil completou 20 anos sem Darcy.

Colaboração da Odebrecht prejudicou outras delações muito importantes

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Charge do Baggi, reproduzida do Jornal de Brasília

Thiago Herdy
O Globo

Réus que desde o ano passado tentam fazer acordo de delação premiada com a Lava-Jato estão sem perspectiva de terem colaborações aceitas pelo Ministério Público Federal (MPF), depois do acordo da Odebrecht. Presos na carceragem da Polícia Federal em Curitiba justamente para facilitar as conversas com procuradores, o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, e o operador de lavagem de dinheiro, Adir Assad, estão fora da agenda de negociações dos procuradores.

Até mesmo o ex-presidente do PP Pedro Corrêa (ex-PP-PE), que prestou depoimentos mas teve a homologação de delação recusada pelo STF, está sem prazo para retomada de conversas sobre sua colaboração.

CLIMA DE DESÂNIMO – Há vários motivos para a pausa nas negociações: há casos de réus que apresentaram informações consideradas insuficientes pela Lava-Jato para ensejar uma redução de pena, outros tiveram problemas no curso da negociação, como vazamentos e falta de comprovações de fatos narrados. Segundo agentes que atuam na PF em Curitiba, o clima na carceragem é de desânimo.

Desde o segundo semestre do ano passado, o foco da Lava-Jato é o processamento de episódios relatados pelos 77 executivos da Odebrecht em mais de 900 depoimentos, citando centenas de políticos de diferentes partidos, colaboração homologada no fim de dezembro. Outras delações ficaram em segundo plano e as negociações não foram adiante.

PAULO PRETO – Um exemplo é o ex-diretor da estatal paulista Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, citado por delatores como operador de propina para o PSDB em São Paulo. Ele demonstrou interesse em colaborar com investigações, e vem sofrendo pressões por isso. O recall das delações de empreiteiras e executivos da Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa também está à frente na lista de prioridades.

Os indícios de corrupção relatados pela Odebrecht devem ser encaminhados nas próximas semanas a procuradores e promotores de todo o Brasil, para que sejam transformados em inquéritos. O único preso na carceragem de Curitiba que ainda trata de sua colaboração com o MPF é o ex-presidente e herdeiro da empreiteira, Marcelo Odebrecht, que tem autorização para receber executivos e ex-colegas para discutir informações mencionadas no acordo com autoridades.

CORRÊA AINDA ESPERA – Preso desde abril de 2015 e condenado a 20 anos de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção, o ex-presidente do PP Pedro Corrêa, foi quem esteve mais perto de fechar um acordo, mas agora está sem perspectivas. Em mais de 70 anexos entregues e aceitos pelo MPF, ele relatou bastidores da política nacional envolvendo dezenas de políticos.

Procuradores da Lava-Jato avaliam que o dirigente fez um relato extenso de histórias do mundo político, mas não conseguiu entregar provas contundentes do que contou, o que preocupa seus advogados. O colaborador diz não ter mais o que informar, reduzindo a chance de homologação no STF.

O MPF chegou a anexar um dos depoimentos de Corrêa em denúncia contra o ex-presidente Lula, atribuindo ao petista diálogos que o colocavam no centro do loteamento de cargos na Petrobras. O político dizia que Lula tinha conhecimento dos desvios na Petrobras, o que o ex-presidente nega com veemência. Sem ser homologado, o depoimento do ex-político do PP não pode ser usado em ação penal.

EMPRESAS DE FACHADA – Outro exemplo: dono de empresas de fachada usadas para lavar dinheiro para empreiteiras, Adir Assad assinava contratos fictícios de engenharia e devolvia os recursos em dinheiro vivo, mediante pagamento de uma comissão. Ele foi investigado pela primeira vez no escândalo da Construtora Delta, em 2010. Com a investigação na Lava-Jato de mais empresas que usaram seus serviços, como Andrade Gutierrez e OAS, Assad voltou aos holofotes e, agora, tenta negociar um acordo que também envolva seu irmão, Samir.

O operador afirma não saber quem eram os destinatários finais de recursos entregues por ele a empreiteiras. Mas prometeu ao MPF entregar informações sobre outros clientes do esquema de lavagem de dinheiro, além dos alvos da Lava-Jato.

DUQUE E PINHEIRO – Citado como representante do PT na diretoria da Petrobras, o ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque está unido ao ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, na desesperança de um acordo.

O primeiro, condenado a mais de 50 anos de prisão, prometeu entregar a sistemática de cartel e corrupção na Petrobras, além de informações envolvendo Lula e Dilma.

O segundo assinou termo de confidencialidade com procuradores, entregando anexos que mencionavam beneficiamentos a políticos como Lula, Dilma e os senadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra, atual ministro das Relações Exteriores. A negociação foi suspensa pela Procuradoria-Geral da República (PGR) depois que alguns de seus termos foram publicados na imprensa. Não há sinal de qualquer mudança neste quadro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Entre as delações em expectativa, a mais importante é de Léo Pinheiro, que tinha entendimento direto com o governo federal e os principais parlamentares, além de governadores e prefeitos. Sua delação foi suspensa porque foram vazados detalhes de seu relacionamento com o ministro Dias Toffoli, do Supremo, e estrategicamente colocaram a culpa nele, que na verdade não tinha o menor interesse no vazamento, muito pelo contrário. (C.N.)

Para disputar a sucessão em 2018, o PT aumenta a exposição de Lula na TV

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Charge do Tacho, reproduzida do Jornal NH

Deu na Folha

Para virar a página, com a intenção de consolidar o nome de Lula para 2018 e fazer frente à série de acusações que o atingem, o PT determinou a seus diretórios estaduais que usem a imagem do ex-presidente nas propagandas de TV durante todo o primeiro semestre. Quer, com isso, chegar ao congresso da sigla, em junho, com sua candidatura ao Planalto construída. Em conversas com conselheiros, o petista tem dito que precisa de um discurso que fale mais do futuro e não fique preso às “velhas teses”.

Lula já disse que o PT deve usar seu congresso, em junho, para “discutir com profundidade” os erros internos para que o partido “volte a despertar esperança de um país melhor”.

Recentemente, o petista disse que se o PT “recuperar o exemplo de ética que foi neste país, recupera com muita facilidade a credibilidade que conquistamos”. “É verdade que decrescemos, mas ninguém ocupou o espaço que a gente deixou.”

DE VOLTA AO PASSADO – Em relatório, a consultoria Eurasia diz acreditar que, em março ou abril, Herman Benjamin, do TSE, recomendará a cassação da chapa Dilma-Temer, mas que há apenas 20% de chances de o peemedebista não terminar seu mandato.

O debutante Antonio Imbassahy, ministro da articulação política, faz nesta segunda-feira (dia 18) sua estreia na Câmara na nova função. Vai à reunião com líderes para discutir o encaminhamento das reformas de Michel Temer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As pesquisas estão animando os petistas e até enfraqueceram a rebelião interna dos 40 parlamentares que pretendiam deixar o partido, para tentar se reeleger por outra legenda menos desgastada. É fato que Lula ainda se mantém como o maior líder brasileiro, devido ao deserto de homens e ideias que caracteriza a política nacional. Mas não há razão para euforia no PT. Além de Lula correr risco crescente de ser preso, grande parte do eleitorado mostra decepção com a política e pode consagrar uma candidatura maluca, tipo Donald Trump. Vamos aguardar. (C.N.)

Dilma seria um sucesso no Senado, mas não tem condições para ser eleita

Resultado de imagem para dilma rousseff frasesRoberto Nascimento

Eu gostaria de assistir os embates de Dilma no Senado com os senadores que a derrubaram, porque na Câmara ela teria pouco espaço e certamente ficaria naquele grupo denominado de baixo clero. No entanto, trata-se de um sonho de noite de verão, pois a madame não têm votos para se eleger nem vereadora de Porto Alegre. Dilma não tem carisma para obter votos do povo. A ex-presidente foi uma invenção de Lula, que a colocou no trono do Planalto/Alvorada para esquentar a cadeira presidencial por longos quatro anos até sua volta triunfal. Mas ela queria mais quatro e deu no que deu: foi empichada.

Lula, um intuitivo, mais do que qualquer outra coisa, montou uma estratégia para insuflar Dilma diante do povão e conseguir elegê-la. Levava a ministra para seus périplos nos Estados e discursava nos palanques com longos elogios à mãe do PAC e loas à sua famigerada e nunca provada eficiência como gestora pública.

REALIDADE E FICÇÃO – Entretanto, os fatos reais superaram a ficção e o planejamento do dono do PT. Ruiu toda a armadilha para perpetuação do PT no poder por mais de 20 anos ininterruptos, sem que Lula pudesse fazer nada. A criatura, no caso Dilma, se desgarrou de seu mentor, o ex-metalúrgico Lula, e resolveu governar sozinha, principalmente a partir do segundo mandato, de 2014 em diante.

A falta de trato e traquejo político foi característica marcante da personalidade de Dilma, que não tinha paciência para ouvir os clamores da classe política, geralmente em busca de verbas, cargos e liberação das obras nos seus currais eleitorais.

Resultado de imagem para dilma rousseff frasesÉ lógico que a conjuntura econômica desfavorável se tornou avassaladora com o fechamento de indústrias, queda do faturamento das empresas, demissões em massa, com a redução do preço das commodities, notadamente o petróleo, cujos preços bateram no limite de 35 dólares o barril, reduzindo os investimentos externos da maior empresa brasileira, a Petrobrás, a maior alavanca da empregabilidade do país. A Refinaria Abreu e Lima de Pernambuco parou e o complexo do Comperj no Rio de Janeiro, idem, entre outros investimentos.

TROCA DA GUARDA – O sistema de poder empresarial, que sustentava o PT e LULA, tirou a escada sustentadora do “projeto” iniciado em 2002, a procura de um porto mais seguro para seus negócios, e o PMDB estava ali, à espera da grande oportunidade.

Enfim, fica a lição, de que nada pode ser previsto na saga maravilhosa da atividade humana. O futuro é o imponderável causando magníficas surpresas. Restou provado, que Lula cometeu muitos erros, aliás, como todo caudilho que se preze. Agora, “alea jacta est”, caciques do PMDB.

Relator da reforma da Previdência, que era a favor, já começa a apontar os erros

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Artur Maia vai “amaciar” a proposta do governo

Deu em O Tempo
(Agência Estado)

A regra de transição prevista na reforma da Previdência é um dos principais focos de críticas na tramitação da proposta, e já há movimentos tanto na base governista quanto na oposição para modificá-la. Dificilmente uma alteração nesse ponto do texto deve enfrentar grande resistência entre os parlamentares, uma vez que consultores defendem modelos alternativos e o próprio relator da matéria, deputado Arthur Maia (PPS-BA), já declarou publicamente que considera “muito brusca” a versão proposta pelo governo.

A consultoria da Câmara tem recebido pedidos de parlamentares de diferentes legendas, que buscam informações e propostas que possam substituir a regra apresentada. “Acredito que ela poderia ser melhorada, criar uma ‘escadinha’, mostrar para as pessoas que tudo que elas contribuíram até hoje não será jogado no lixo”, afirma o consultor Leonardo Rolim, que já foi secretário de Políticas de Previdência Social. Ele defende que é preciso uma regra que traga “mais justiça”.

CÁLCULO PROGRESSIVO – A consultoria tem trabalhado com uma ideia de um 85/95 progressivo, que valeria para todos os trabalhadores que já estão no mercado de trabalho. A regra mantém a aposentadoria por tempo de contribuição e prevê o benefício integral para aqueles cuja soma do tempo e da idade chegar a 85 (mulheres) e 95 (homens). Nesse caso, no entanto, a avaliação preliminar da consultoria é que, mesmo levando essa proporção ao 90/100, seria insuficiente. A proposta poderá ou não ser usada pelo relator, que demonstrou interesse durante audiência pública na quinta.

O texto original enviado ao Congresso Nacional prevê a cobrança de um “pedágio” de 50% sobre o tempo restante de contribuição para homens acima de 50 anos e mulheres acima de 45 anos. Muitos parlamentares, no entanto, têm questionado os critérios para a definição dessas faixas etárias. Além disso, a regra de cálculo do benefício já seguiria os novos moldes propostos: base de 51% do salário de contribuição e acréscimo de 1 ponto porcentual a cada um ano de contribuição.

JÁ EXISTEM EMENDAS – Enquanto a consultoria da Câmara não conclui seus estudos, alguns deputados já se adiantam emendas. Jandira Feghali (PCdoB-RJ) trabalha para recolher assinaturas de apoio a uma emenda que mantém o corte etário (homens acima de 50 e mulheres acima de 45 anos), mas prevê que a transição preservará as regras atuais.

O deputado Paulinho da Força (SD-SP) quer emplacar uma emenda que vai prever, entre outras mudanças, uma regra de transição para todos que estiverem no mercado de trabalho na data de promulgação da reforma. Por essa lógica, o “pedágio” seria de 30% sobre o tempo restante de contribuição.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ preciso avisar urgentemente aos deputados que a tramitação da reforma da Previdência está suspensa pelo ministro Celso de Mello, até que a Presidência da República encaminhe ao Supremo os cálculos atuariais que comprovem o suposto déficit do INSS. O relator deu prazo de 10 dias. Pessoalmente, acredito que o governo não conseguirá confirmar o déficit, porque terá de extrair do cálculo a Previdência Rural e a aposentadoria das pessoas miseráveis que jamais contribuíram, porque se trata de assistência social e não de previdência social. (C.N.)

Lava Jato negocia delação contra Cabral e investiga também Sérgio Cortes

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Sérgio Cortes (de gravata grená) se exibe na farra em Paris

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

A força-tarefa da Lava Jato no Rio negocia, em estágio avançado, uma nova delação premiada que revelaria detalhes de supostos envios de propinas ao exterior para o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). Segundo fontes próximas às investigações, o doleiro Vinicius Claret, conhecido como Juca Bala, está em tratativas para assinar o acordo de delação premiada. A colaboração avança sobre repasses no exterior, que integrantes do Ministério Público Federal (MPF) acreditam que podem chegar a R$ 1 bilhão.

Em outra ponta, os procuradores têm progredido nas apurações sobre fraude em licitações no Estado do Rio que podem atingir o ex-secretário estadual Sérgio Cortes, da Saúde. O MPF suspeita da existência de irregularidades na conquista de licitações na área da Saúde.

TURMA DO GUARDANAPO – Cortes acompanhou Cabral na viagem a Paris, em 2009, que se tornou conhecida após a divulgação de fotos de parte da comitiva em uma festa portando guardanapos na cabeça. Além de Cortes e Cabral, o então secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, estava no grupo que acompanhava o então governador e virou alvo das investigações.

Juca Bala, brasileiro que morava em Montevidéu, no Uruguai, teria começado a atuar para o esquema de Cabral quando os doleiros Renato e Marcelo Chebar – que já fecharam acordo de delação – passaram a ter dificuldades em tocar a operação do ex-governador. O motivo teria sido o aumento do volume de propina depois de 2007, quando Cabral assumiu o governo do Rio. Os irmãos doleiros já revelaram como a organização criminosa liderada por Cabral ocultou mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 340 milhões) com o envio de propinas para o exterior.

Sobre as denúncias, o ex-secretário Sérgio Cortes negou irregularidades durante sua gestão. Procurado na noite de sexta-feira, Fichtner não se posicionou até as 21 horas. Os advogados de Cabral não responderam aos contatos da reportagem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sérgio Cortes não tarda a ser apanhado pela Lava Jato. É mais um dos funcionários públicos que conseguem enriquecer sem risco. Usando o dinheiro que guardava no colchão, comprou um luxuoso apartamento duplex de cobertura no bairro da Lagoa, no Rio, com cinco vagas na garage, e pagou em dinheiro vivo. Tinha tantas economias que comprou também uma mansão em Mangaratiba, onde é vizinho do amigo e parceiro Sérgio Cabral. (C.N.)

Resultado da enquete proposta por Flávio Bolsonaro dá vitória de 71% a Lula

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Ilustração reproduzida do site da Veja

Deu no Correio Braziliense

O deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC-RJ) lançou uma enquete em suas redes sociais na quinta-feira (16/2), na qual simula o cenário de um eventual segundo turno entre o ex-presidente Lula (PT-SP) e seu pai, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) nas eleições presidenciais de 2018. O resultado pode ter surpreendido os Bolsonaros: Lula venceu com 71% dos votos, contra 29% de Jair.

Mais de 296 mil pessoas votaram na enquete, que foi publicada por Flávio Bolsonaro após a divulgação dos resultados da pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que colocou Lula na ponta da disputa para a próxima eleição presidencial. Nos comentários do post, internautas utilizaram o espaço para discutir sobre opiniões políticas. Outros aproveitaram para ironizar o fato de Bolsonaro estar atrás na pesquisa lançada pelo próprio filho.

É CANDIDATO? – Jair Bolsonaro já confirmou a intenção de concorrer ao Palácio do Planalto no ano que vem. Ele deverá se candidatar pelo PSC, partido que disputou o pleito de 2014 com Pastor Everaldo, que teve somente 780.513 votos, o equivalente a 0,75% dos votos válidos.  Bolsonaro – o pai –, no entanto, foi eleito por 464.572 eleitores do Rio de Janeiro, desempenho que o colocou em primeiro lugar entre os deputados federais eleitos no estado.

No início de fevereiro, Jair Bolsonaro disputou a presidência da Câmara dos Deputados e ficou em último lugar, com apenas quatro votos, atrás até dos votos em branco. Ele não foi votado nem por um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), que não participou da sessão, ocorrida no dia 2/2.

PESQUISA CNT – A pesquisa eleitoral CNT/MDA, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera todos os cenários para a sucessão presidencial. Jair Bolsonaro também se destacou na pesquisa, na maioria das simulações ele aparece à frente do senador Aécio Neves (PSDB-MG), segundo colocado nas eleições de 2014.

Na pesquisa espontânea, em que não é apresentada uma relação de candidatos ao eleitor, o petista tem 16,6% das intenções de voto, seguido por Bolsonaro, com 6,5%, e Aécio, com 2,2%. A ex-ministra Marina Silva (Rede) teria 1,8%, e o presidente Michel Temer (PMDB) seria o quinto, com 1,1%. Os eleitores também citaram a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), 0,9%, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), 0,7%, e o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), 0,4%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Por enquanto, é tudo brincadeirinha e especulação. Mas dá para ter uma idéia de que Lula não está acabado. Se não estiver preso (acredito que isso ocorra ainda este ano, em função das delações da Odebrecht), estará no segundo turno, com toda certeza. E há chances para Bolsonaro, que até hoje não é visto pelos eleitores como um político profissional, embora tenha profissionalizado toda a família na política. Ele continua sendo considerado um milico que virou deputado, e isso só faz aumentar suas possibilidades. (C.N.)

Impunidade do senador Ivo Cassol é exemplo da ineficiência do Supremo  

Ivo Cassol vai ser candidato ao governo de Rondônia

José Casado
O Globo

Ele prepara a candidatura ao governo de Rondônia na eleição do ano que vem. Senador pelo Partido Progressista (PP), dono de empresas cujo êxito foi tonificado por incentivos públicos, sonha há tempos em voltar a comandar o governo, agora no moderno conjunto de edifícios de Porto Velho, na Avenida Farquhar — homenagem a Percival Farquhar (1864-1953), empreendedor da ferrovia Madeira-Mamoré, um dos maiores empresários de serviços públicos da história, que viveu no Flamengo, no Rio, e faliu na especulação, repassando seus prejuízos aos cofres do Estado brasileiro.

O maior obstáculo ao plano de Ivo Narciso Cassol, de 58 anos, para quatro anos de mandato no comando político de Rondônia está na Justiça: foi condenado a quatro anos, oito meses e 26 dias de prisão, e a pagar multa de R$ 201,8 mil, por múltiplas fraudes com dinheiro público quando era prefeito da interiorana Rolim de Moura, entre 1998 e 2002.

IMPOTÊNCIA – O maior problema do Judiciário, paradoxalmente, é fazer cumprir a sentença aplicada a Cassol. Há três anos e meio o Supremo Tribunal Federal publicou sua condenação definitiva à cadeia em regime semiaberto — ou seja, em colônia agrícola ou similar. Até hoje, porém, o Supremo se mostra impotente para executar a própria decisão sobre os crimes cometidos por Cassol há mais de uma década e meia.

O caso do senador de Rondônia é exemplo da lassidão e da ineficiência demonstrada pelo sistema judicial em efetivar punições aos crimes de agentes públicos com foro privilegiado, no jargão jurídico, o foro especial por prerrogativa de função.

Há mais de 20 mil ocupantes de cargos no Executivo, Legislativo e Judiciário, em todo o país, com direito a julgamento especial e particular, caso enfrentem processos penais. O STF, por exemplo, terminou o ano passado com 460 processos contra parlamentares federais — 357 inquéritos e 103 ações penais, pendentes de decisão e julgados, mas ainda sem cumprimento da sentença. Cassol está nessa última categoria.

TRAMITAÇÃO ETERNA – Desde que deixou a prefeitura de Rolim de Moura, em 2002, seu processo passou nove anos circulando pela 1ª Vara Criminal do município, Tribunal de Justiça de Rondônia e Superior Tribunal de Justiça, até chegar ao Supremo. Isso porque, nesse período, ele foi prefeito, governador e senador. E, para cada mandato, a lei do foro privilegiado determina mudança de tribunal.

Em agosto de 2013, Cassol recebeu a sentença do STF, em processo relatado pela juíza Cármen Lúcia, atual presidente da Corte. Entrou com um tipo de recurso (embargo declaratório) que lhe permitia pedir esclarecimentos sobre a decisão. Ano depois, em setembro de 2014, o Supremo rejeitou os recursos e confirmou a resolução, publicada no Diário Oficial três meses mais tarde.

Surgiram, então, novas contestações. E fez-se outro julgamento, em abril de 2016, interrompido por um dos juízes, Dias Toffoli, que pediu para analisar o processo. Quando devolveu os autos, em setembro do ano passado, Toffoli sugeriu uma redução da pena de Cassol, a transformação da prisão em regime semiaberto, já decretada, em prisão domiciliar. Foi quando Teori Zavascki decidiu intervir. Outra vez, o julgamento foi interrompido para exame do processo. Zavascki devolveu os autos, mas morreu em janeiro passado, antes da decisão do plenário.

NA GAVETA – O processo adormece no Supremo à espera do novo relator. Será Alexandre de Moraes, escolhido pelo presidente Michel Temer para substituir Zavascki, caso seja aprovado nesta semana na Comissão de Justiça do Senado — onde o senador-réu ocupa uma vaga de suplente.

São muitos os casos semelhantes no Judiciário. Semana passada no Supremo, por exemplo, o juiz Luís Roberto Barroso encaminhou ao plenário o processo de Marcos da Rocha Mendes (PMDB), prefeito de Cabo Frio. O foro privilegiado, escreveu, “é causa frequente de impunidade, porque dele resulta maior demora na tramitação dos processos e permite a manipulação da jurisdição do Tribunal”.

Na eleição municipal de 2008, Mendes foi flagrado trocando bifes e notas de R$ 50 por votos. Trafegando entre mandatos de prefeito e de deputado federal, conseguiu adiar a sentença de perda dos direitos políticos. Desde janeiro é prefeito, pela terceira vez, da cidade da região dos Lagos cuja história é marcada pela ação da pirataria francesa e pelo tráfico de escravos. Além desse processo inconcluso, Mendes coleciona outras quatro dezenas de ações abertas em tribunais do Rio por distribuição irregular de recursos públicos a organizações privadas, como a Sorriso do Jacaré, escola de samba que premiou com o equivalente a R$ 100 mil, sem prestação de contas.

 

Algo de muito estranho em licitação da Telebras para centros de operações espaciais

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O Tribunal de Contas da União (TCU) acendeu o sinal de alerta em relação às licitações que vêm sendo feitas pela Telebras para a construção de centros de operações espaciais, que vão operar satélites de defesa e comunicação do governo federal. O projeto total está avaliado em mais de R$ 2 bilhões. Na primeira licitação, para a construção da unidade de Brasilia, realizada na semana passada, fatos estranhos foram observados no processo que teve a empreiteira Paulo Octavio como vencedora. A unidade está orçada em R$ 145 milhões.

A fase de lances foi aberta de modo que quadro empresas fossem classificadas em ordem decrescente, sendo que a que apresentasse a proposta menos vantajosa começaria a dar o lance. Na primeira rodada, nenhuma das três primeiras empresas cobriu a proposta de menor preço da última. Naquele momento, obteve-se a proposta mais vantajosa do certame.

EDITAL DESRESPEITADO – O que chama a atenção dos técnicos do TCU é que, em vez de declarar a proposta mais vantajosa vencedora, a pregoeira prosseguiu com os lances sem respeitar o intervalo mínimo de desconto de 0,5% estipulado no edital. Além disso, os licitantes davam descontos sobre os próprios preços e não sobre o preço mais vantajoso, ferindo a isonomia do certame e contrariando a Lei do Regime Diferenciado de Contratação RDC).

O valor final, de R$ 145 milhões, apresentado pela empreiteira Paulo Octavio, representou um deságio de 11%. Todos os participantes da licitação consideram esse valor inexequível. Teme-se que essa diferença seja coberta por seguidos aditivos no contrato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais uma matéria importante do jornalista econômico Vicente Nunes. Revela que a Lava Jato não foi capaz de moralizar as licitações da administração.  A ganância dos empresários e governantes corruptos parece não ter limites. (C.N.)

Filho de Lula foi instruído pela Odebrecht para ser empresário e acabou virando réu

Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula

Luís Cláudio é réu junto com o pai na Operação Zelotes

Wálter Nunes, Fábio Zanini e Bela Megale
Folha

Um dos favores feitos pela Odebrecht para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi pagar um orientador de carreira para ajudar seu filho Luís Cláudio a colocar de pé a empresa Touchdown Promoções e Eventos Esportivos, que organizava um campeonato de futebol americano. A informação consta da delação premiada da empresa, que ainda está sob sigilo. Segundo a Folha apurou, foi o próprio Lula quem pediu para que a empresa bancasse o “coaching”, cujo objetivo era ensinar a Luís Cláudio, de 31 anos, técnicas de gestão. Procurado, o Instituto Lula disse que não comentaria.

Caçula de Lula e Marisa, ele promoveu entre 2012 e 2015 o Torneio Touchdown, que reunia cerca de 20 equipes de futebol americano. A informação sobre a contratação do orientador foi dada pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Alexandrino Alencar, pessoa na empresa que era a principal responsável por atender demandas ligadas ao petista.

A empreiteira contratou um profissional de fora de seus quadros e o pagou. Alexandrino relata o caso como um dos diversos serviços que a Odebrecht prestou ao ex-presidente.

OUTROS “FAVORES” – No pacote elencado pelo ex-executivo também estão detalhes da reforma do sítio de Atibaia frequentado pela família Lula. Além disso, outros favores da empresa ao petista são a construção do estádio do Corinthians – descrita como um “presente” para o ex-presidente – e a compra de um terreno para ser a nova sede do Instituto Lula.

A informação referente à contratação do orientador de carreiras para Luís Cláudio foi decisiva para que Alexandrino conseguisse fechar seu acordo de delação com os procuradores da Lava Jato.

Na primeira entrevista que teve com representantes da PGR (Procuradoria-Geral da República) e da força-tarefa de Curitiba, a sua colaboração havia sido recusada.

ESTAVA SE OMITINDO – A avaliação dos investigadores no primeiro encontro era de que Alexandrino estava poupando o petista e escondendo informações para protegê-lo. Pressionado, ele trouxe novos relatos. O depoimento do ex-executivo foi realizado em novembro em Campinas (SP) e durou mais de dez horas.

Formado em educação física, Luís Cláudio trabalhou como auxiliar de treinamento nos grandes clubes paulistas: Palmeiras, São Paulo, Santos e Corinthians. Entre as funções que exercia estava colocar nos gramados pequenos cones que balizam os exercícios dos jogadores. Foi ajudante do técnico Vanderlei Luxemburgo.

Em 2011, abandonou os gramados e fundou a LFT Marketing Esportivo, tendo como primeiro cliente o Corinthians, na época presidido por Andrés Sanchez, hoje deputado federal pelo PT. O filho do ex-presidente Lula recebeu cerca de R$ 500 mil entre 2011 e 2013 sem ter desempenhado função no clube, segundo relatos de funcionários do time, entre eles o então o diretor de marketing, Luis Paulo Rosenberg.

GRANDES PATROCINADORES – Apesar de amadores, os torneios de futebol americano da empresa do filho do ex-presidente tinham grandes empresas como patrocinadoras, entre elas TNT, Budweiser, Tigre, Sustenta Energia (grupo JHSF), Qualicorp, GOL e Caoa Hyundai.

A Caoa é investigada por ter contratado o escritório de lobby Marcondes & Mautoni para obter extensão da desoneração fiscal por meio de medida provisória. Na época, o escritório contratou a LFT, de Luís Cláudio, por R$ 2,5 milhões para uma consultoria na área de marketing esportivo. O estudo feito pela LFT era um compêndio de informações tiradas de sites, o que levou à suspeita de que o pagamento ao filho de Lula seria uma forma de comprar influência junto ao governo. Luís Cláudio nega e diz que a consultoria foi realizada.

Em 2016, o campeonato Touchdown deixou de ser realizado. Depois que Luís Cláudio foi alvo da Zelotes, em outubro de 2015, o torneio perdeu patrocinadores e os times decidiram atuar em outra liga.

OUTRO LADO – Questionado sobre se houve a contratação de um orientador profissional pago pela Odebrecht para dar assistência a Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, o Instituto Lula disse, em nota, que a reportagem da Folha se baseia “em suposta delação para obtenção de benefícios judiciais que deveria estar sob sigilo, sem apresentar transcrição, documento, contexto, época do ocorrido ou qualquer informação básica que permita até compreender o que está sendo perguntado pela reportagem”.

O advogado de Luís Cláudio não respondeu os questionamentos da reportagem.  E a Odebrecht afirmou que não se manifesta sobre depoimentos das pessoas físicas. “A empresa reafirma que segue cooperando com as autoridades e tem avançado na adoção de medidas para aprimorar seu sistema de conformidade.” Diz que todos os integrantes devem “combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEste é o país da piada pronta.  A Odebrecht era a empresa mais corrupta do planeta. Sabendo disso, Lula coloca o filho mais novo para ser instruído pelos executivos da empreiteira. Será que Lula pensou que esse curso intensivo iria formar um novo Ronaldo Fenômeno na área empresarial? O resultado é que, agora, pai e filho estão juntos como réus da Operação Zelotes. (C.N.)

Trump, a Europa e a primeira virtude da sociedade mundial

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Charge do nani (nanihumor.com)

Leonardo Boff
O Tempo

Os Estados Unidos sempre se distinguiram por serem um país extremamente hospitaleiro, pois, à exceção dos povos originários, os indígenas, praticamente toda a população é composta por imigrantes. Bem como o Brasil, para onde vieram representantes de 60 povos diferentes. O espírito democrático e o respeito às diferenças religiosas estão consignados na Constituição daquele país. Agora, surge um presidente, Donald Trump, que rompe uma longa tradição norte-americana: o respeito às diferenças religiosas.

HOSPITALIDADE – O filósofo Immanuel Kant, em seu último escrito, “A Paz Perpétua”, propunha a República mundial, baseada fundamentalmente em dois princípios: a hospitalidade e o respeito aos direitos humanos. Para ele, a hospitalidade é a primeira virtude dessa República mundial, um direito e um dever de todos. O segundo princípio é constituído pelos direitos humanos, que Kant considera “a menina dos olhos de Deus”.

A hospitalidade está sendo negada a milhares de refugiados na Europa, que estão escapando de guerras apoiadas pelos ocidentais. Essa mesma hospitalidade é explicita e conscientemente recusada por parte de Donald Trump a milhares e até milhões de estrangeiros e trabalhadores ilegais.

CULTURA GREGA – É nesse contexto que vale lembrar um dos mais belos mitos da cultura grega: a hospitalidade oferecida por um casal de velhinhos, Filêmon e Báucis, a duas divindades: Zeus, o deus supremo, e seu acompanhante, o deus Hermes.

Conta o mito que Zeus e Hermes se travestiram de andarilhos miseráveis para testar quanta hospitalidade ainda restava sobre a Terra. Foram repelidos por todos por onde quer que passassem. Mas eis que, num entardecer, mortos de fome e de cansaço, foram calorosamente acolhidos pelos bons velhinhos. Quando estavam se preparando para repousar, despindo seus trapos, resolveram revelar sua verdadeira natureza divina. Num abrir e fechar de olhos, transformaram a mísera choupana num esplêndido templo.

As divindades pediram que ambos fizessem um pedido, que seria prontamente atendido. Como se tivessem combinado previamente, Filêmon e Báucis disseram que queriam continuar no templo, recebendo os peregrinos, e que, no fim da vida, os dois, depois de tão longo amor, pudessem morrer juntos. E foram atendidos.

UNIDOS PARA SEMPRE – Um dia, de repente, o corpo de Báucis se revestiu de folhagens floridas, e o de Filêmon também se cobriu de folhas verdes. Mal puderam dizer adeus um ao outro: Filêmon foi transformado num enorme carvalho, e Báucis, numa frondosa tília. As copas e os galhos se entrelaçaram no alto. E assim, abraçados, ficaram unidos para sempre.

A hospitalidade é um teste para ver quanto de humanismo, compaixão e solidariedade existe numa sociedade. Atrás de cada refugiado para a Europa e de cada imigrante para os EUA, há um oceano de sofrimento e angústia e também de esperança de dias melhores. A rejeição é particularmente humilhante, pois lhes dá a impressão de que não valem nada.

ALGO SAGRADO – Os refugiados vão para a Europa porque, antes, os europeus estiveram por séculos em seus países, assumindo o poder, impondo-lhes costumes diferentes e explorando suas riquezas. E agora, que estão tão necessitados, são simplesmente rejeitados.

Vale resgatar o valor e a urgência da hospitalidade, presente como algo sagrado em todas as culturas humanas. Temos que nos reinventar como seres hospitaleiros para estarmos à altura dos milhões de refugiados e imigrantes no mundo inteiro.

Caminhando contra o vento, sem lenço, sem documento…

Resultado de imagem para caetano veloso no festival da record 1967Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, músico, produtor, escritor, poeta e compositor baiano Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, o genial Caetano Veloso, na letra da marcha “Alegria, Alegria” apresentada no III Festival de MPB da TV Record, em 1967, rompe com os estilos vigentes na época, além de protestar contra o governo militar. A marcha “Alegria, Alegria” foi gravada por Caetano Veloso em compacto simples, em 1967, pela Philips.

ALEGRIA, ALEGRIA
Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou

O sol se reparte em crimes,
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e brigitte bardot
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço, sem documento,
Eu vou

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome sem telefone
No coração do Brasil

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou
Por que não, por que não…

Cunha tem mais perguntas a serem feitas a Temer

O ex-deputado Eduardo Cunha (à esq.) chega à sede da Justiça Federal, em Curitiba (PR), para prestar depoimento ao juiz Sérgio Moro

Eduardo Cunha faz começa a abrir o baú de maldades

Bernardo Mello Franco
Folha

Eduardo Cunha planejava passar o Carnaval no Rio. Obrigado a ficar em Curitiba, decidiu retaliar antigos companheiros de folia. É o que indica o novo questionário que ele enviou à Justiça Federal. O correntista suíço voltou a arrolar Michel Temer como testemunha de defesa num processo por corrupção. Desta vez, na ação que investiga fraudes em fundos administrados pela Caixa Econômica Federal.

Cunha fez 19 perguntas, reproduzidas pelo site da revista “Época”. Elas tratam de acertos com empreiteiras para bancar campanhas do PMDB e falam explicitamente no pagamento de “vantagens indevidas”, eufemismo jurídico para propina.

O questionário começa com uma dúvida singela: “Em qual período o senhor foi presidente do PMDB?”. Em seguida, Cunha faz perguntas sobre Moreira Franco, promovido a ministro após o Supremo homologar as delações da Odebrecht.

QUESTIONAMENTOS – O ex-deputado questiona Temer sobre a vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, feudo do PMDB no governo Dilma. Também menciona a campanha de Gabriel Chalita em 2012, lançada e patrocinada pelo atual presidente.

O questionário joga na roda o nome de Joaquim Lima, que tem passado incólume pelo noticiário da Lava Jato. Ele foi nomeado presidente interino da Caixa dias depois do impeachment. Pelo que Cunha sugere, é um arquivo ambulante sobre fatos investigados pela Polícia Federal.

NOVOS PERSONAGENS – O ex-deputado também menciona outros dois personagens pouco conhecidos: André de Souza, do conselho do FI-FGTS, e uma tal Érica, cujo sobrenome não é informado.

As perguntas foram encaminhadas à 10ª Vara Criminal Federal de Brasília. Se o juiz Vallisney de Souza Oliveira não seguir o exemplo de Sergio Moro, que barrou o primeiro questionário de Cunha a Temer, o Planalto tem motivos para se preocupar. Não é à toa que continua a pressão pelo fim da “alongada prisão” do correntista suíço.