Mangabeira Unger, um profeta entre originalidade audaciosa e lugar-comum

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Mangabeira está lançando seu novo livro

Otavio Frias Filho
Folha

​O filósofo brasileiro Roberto Mangabeira Unger está lançando um novo livro, “Depois do Colonialismo Mental – Repensar e Reorganizar o Brasil” (Autonomia Literária). Novo livro em termos, pois se a segunda parte do volume é composta de artigos publicados na imprensa, principalmente neste jornal, a primeira é um ensaio em que o autor burila, mais uma vez, as ideias que o inspiram desde a segunda metade dos anos 1970.

Os escritos de Mangabeira, pela originalidade audaciosa, deveriam interessar todo brasileiro preocupado com o país.

Ele descarta tanto as políticas autoritárias do marxismo, que falharam no teste da prática, quanto as vertentes autonomistas da extrema-esquerda. Além de repelir também o pensamento de direita, por ser retrógrado e mesquinho, ele é ainda um crítico acerbo das combinações de liberalismo e social-democracia que estiveram em voga nas últimas décadas, por se limitarem a humanizar aspectos do capitalismo, em vez de “reinventá-lo”.

DUAS FONTES – As origens de um pensamento assim peculiar e intransigente estão em duas fontes. De um lado, o “progressismo” que vigorou nos Estados Unidos da primeira parte do século 20, sobretudo nos governos reformistas dos dois Roosevelt, que canalizaram a pressão popular crescente no rumo do estímulo ao pequeno negócio e da regulamentação dos oligopólios. De outro, a fé em fórmulas redentoras que se encontra tanto no puritanismo americano como no catolicismo messiânico brasileiro.

Mangabeira começa onde começaram tantos de seus antecessores, pelo descompasso entre as potencialidades incalculáveis do Brasil, dadas por sua unidade, vitalidade e sincretismo, e o pouco que se obteve até agora em termos de realizações emancipatórias.

REFORMISMO – Seu texto vem embalado numa fulgurante retórica baiana que pode iludir. Suas ideias sobre educação, por exemplo, não estão longe do que virou lugar-comum no tema, ou seja, máxima prioridade a um ensino que capacite as inteligências para resolver problemas concretos e desenvolva sua visão crítica do mundo.

Quais os estratos a serem mobilizados por esse reformismo radical? São os emergentes, com sua paixão por subir na vida, são os batalhadores, que tendem a seguir aqueles, são as massas menos qualificadas, que têm pouco a perder.

Aqui sempre caiu a linha divisória entre nosso autor e os petistas, que ele via como representantes da aristocracia operária de São Paulo –mas isso até ceder ao canto de sereia de Lula, dois anos após ter clamado pelo impeachment deste, para assumir em 2007 uma etérea Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (que Reinaldo Azevedo apelidou inesquecivelmente de “Se Alopra”).

CONTRAPESOS – Até mesmo o mecanismo de freios e contrapesos, considerado em ciência política a maior contribuição dos redatores da Constituição americana à democracia, é rejeitado por Mangabeira, que nele vê uma fórmula conservadora de desacelerar e esfriar a política, quando esta deveria ser conduzida pela paixão sob as rédeas da razão. O autor propõe uma mistura de democracia representativa e direta, com recurso frequente a plebiscitos e “recalls” de governantes.

Os social-democratas brasileiros, para voltar por um momento a eles, são imitadores acanhados, que desejam fazer do Brasil uma “Suécia tropical”.

Mas o que haveria de tão errado nisso? Ora, diz Mangabeira, a tarefa mundial do Brasil é mostrar que é possível associar “pujança e ternura”. Somente isso poderia traduzir nossa verdadeira grandeza, definida como disposição para nos colocarmos em pé e irmos além de nossas próprias possibilidades. É certamente esse aspecto da utopia mangabeirana que sensibiliza artistas ambiciosos, como Caetano Veloso, autor do prefácio.

AMBIÇÃO SAGRADA – E, de fato, o que é apresentado como ambição sagrada de todo um povo talvez se reduza a uma dimensão estética que mesmeriza profetas. Será que a ambição das pessoas comuns, normais, não consiste apenas em ter uma profissão decente, uma remuneração condigna, uma vida familiar em segurança, algum lazer de vez em quando? Será que vale a pena passar pelos horrores da revolução, da “política de alta energia”, para poder ostentar um título de originalidade? Isso é existencial ou frívolo?

Sobretudo num pensador que se diz dedicado à prática e à experimentação, sua vida não se pode dissociar de suas ideias. Mangabeira se mantém numa sinecura na Universidade Harvard para, a cada eleição, fazer uma incursão pela Terra de Santa Cruz. Antes assessorava líderes voluntaristas, tumultuários, como Brizola e Ciro Gomes. Depois passou a tentar candidatura própria pelos partidos mais implausíveis, e são também inesquecíveis as caras e poses de Napoleão de hospício que ele fazia para as câmeras. Talvez se trate, afinal, mais da grandeza de Mangabeira do que do Brasil.

Nesta eleição, o PT vai colher o que semeou, e será o início de seu fim

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Charge do Wilmar (Arquivo Google)

Antonio Fallavena

É difícil debater com torcedores apaixonados. Vejam o caso dos petistas e seu líder. Política precisa ser feita com verdade, bom senso, equilíbrio e tudo mais que possa nos levar a decisões corretas e sensatas. Não pode ser como o futebol. Quem aceita qualquer coisa recebe qualquer coisa. Sempre busquei o melhor e o máximo, lutando para que estejamos próximos aos conceitos que prego e defendo.

Já escrevi muito sobre o PT quando nasceu, quando cresceu e quando se corrompeu. O PT, em muito breve, colherá o que semeou.

INÍCIO DO FIM – No começo, todos eram corruptos, menos ele. Chegando ao poder, a facção que o criou, interna e ideologicamente, já tinha dominado os demais petistas. A maioria eram pessoas simples e/ou se consideravam excluídos. A cabeça da serpente usou a todos eles. Esta mesma facção se apoderou da direção do partido e depois dos negócios que sempre condenou.

Este ano, os resultados nas urnas mostrarão o início do fim do PT. E a Lava Jato continuará seu trabalho: mais cadeias, mais condenados, novas descobertas de roubos antigos.

O PT nasceu nas urnas e nelas terminará. É o plantador colhendo o que semeou

AO CULPADOS – Me permitam perguntar, mais uma vez: quem nasceu primeiro, o governo ou a sociedade? Quem criou quem? Os governos e os governantes têm muito da sociedade, para não dizer que têm tudo da sociedade. Se estão errados, fomos nós que erramos (se não nós, pessoas como nós).

A falta de valores na sociedade produz governos sem valores. Enquanto buscarmos responsabilidades nos outros, não estaremos assumindo as nossas.

Basta ter algum conhecimento para verificar como está o país. Nenhum governante, sem que tenha apoio da grande maioria da sociedade, fará alguma coisa em quatro anos. E só poderá ficar no poder se continuar dividindo o bolo com os mesmos comensais.

UM SACRIFÍCIO – Nas últimas décadas, confesso que votar, para mim, tem sido um dilema e um sacrifício. Este ano, no primeiro turno votarei no candidato menos pior. Se ele não passar ao segundo turno, terei de votar num ainda pior do que o escolhido anteriormente.

Dou valor ao voto, mas dou muito mais valor à minha consciência. Bem sei, a imensa maioria dos brasileiros nem sabe o que é isso.

Na verdade, o mundo que vamos deixar para os nossos filhos depende dos filhos que vamos deixar para o nosso mundo. O mesmo critério vale para o país.

Diretor da Polícia Federal conta que ia libertar Lula na decisão do plantonista

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Galloro comunicou a Jungmann que ia soltar Lula

Andreza Matais
Estadão

Trinta homens do Comando de Operações Táticas (COT), a tropa de elite da Polícia Federal, estavam a postos com suas armas para invadir o Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo. Com mandado de prisão expedido pelo juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resistia a se entregar.

Na primeira entrevista desde que assumiu o cargo, há cinco meses, o diretor-geral da PF, Rogério Galloro, relata detalhes das negociações para levar o petista a Curitiba naquele sábado, 7 de abril. O número um da polícia se aproximou dos negociadores de Lula: “Acabou! Se não sair em meia hora, vamos entrar”. Em seguida, ordenou que os agentes invadissem o prédio no fim do prazo estipulado.

Como foi o episódio da prisão do ex-presidente Lula?
Foi um dos piores dias da minha vida. Quando eles (interlocutores de Lula) pediram detalhes da logística da prisão, nos convenceram de que havia interesse do ex-presidente de se entregar ainda na sexta (6 de abril, prazo dado pelo juiz Sérgio Moro). Acabou o dia e ele não se apresentou. Nós não queríamos atrito, nenhuma falha.  Chegou o sábado, Moro exigiu que a gente cumprisse logo o mandado. A missa (improvisada no sindicato) não acabava mais. Deu uma hora (da tarde) e eles disseram: ‘Ele vai almoçar e se entregar’.

O sr. perdeu a paciência em algum momento?
No sábado, nós fizemos contato com uma empresa de um galpão ao lado, lá tinha 30 homens do COT (Comando de Operações Táticas) prontos para invadir. Ele (Lula) iria sair em sigilo pelo fundo quando alguém, lá do sindicato, foi para a sacada e gritou para multidão do lado de fora, que correu para impedir a saída. Foi um susto. A multidão começou a cercá-lo e eu vi que ali poderia acontecer uma desgraça. Ele retornou.

Qual era o risco?
Quando tem multidão, você não tem controle. Aquele foi o pior momento, porque eu percebi que não tinha outro jeito. A pressão aumentando. Quando deu 17h30, eu liguei para o negociador e disse: ‘Acabou! Se ele não sair em meia hora nós

Houve alguma exigência?
Eles pediram para não haver muita exposição, que não humilhasse o ex-presidente, nós usamos tudo descaracterizado. Ele estava quieto o tempo todo, bastante concentrado.

Por que o ex-presidente está na superintendência da PF?
Isso não nos agrada. Nunca tivemos preso condenado numa superintendência. É uma situação excepcional. O juiz Moro me ligou, pediu nosso apoio, ele sabe que não temos interesse nisso. Mas, em prol do bom relacionamento, nós cedemos.

Recentemente, Lula mandou chamar dirigentes do PT para discutir, dentro da superintendência, a eleição presidencial. É um tratamento diferenciado?
Não somos nós que organizamos isso (as regras para visitas), mas o juiz da Vara de Execuções Penais. O Lula está lá de visita, de favor. Nas nossas novas superintendências não vão ter mais custódia. No Paraná, não vamos mexer agora. Só depois da Lava Jato.

O sr. conversou com o ex-presidente na prisão?
Eu estive na superintendência, mas não fui vê-lo. É um simbolismo muito ruim. O segundo momento tenso para a PF envolveu a ordem de soltar Lula dada pelo desembargador Rogério Favreto e a contraordem de Moro e dos desembargadores Gebran Neto e Thompson Flores, do TRF-4. Eu estava no Park Shopping, em Brasília, dei uma mordida no sanduíche, toca o telefone. Avisei para a minha mulher: ‘Acabou o passeio’.

Em algum momento a PF pensou em soltar o ex-presidente?
Diante das divergências, decidimos fazer a nossa interpretação. Concluímos que iríamos cumprir a decisão do plantonista do TRF-4. Falei para o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública): ‘Ministro, nós vamos soltar’. Em seguida, a (procuradora-geral da República) Raquel Dodge me ligou e disse que estava protocolando no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a soltura. ‘E agora?’ Depois foi o (presidente do TRF-4) Thompson (Flores) quem nos ligou. ‘Eu estou determinando, não soltem’. O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. Valeu o telefonema.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, blindou o delegado da PF Cleyber Malta Lopes ao autorizar a prorrogação do inquérito dos Portos, que investiga o presidente Michel Temer. O sr. tentou trocar o delegado?
Não. Eu estive com o Cleyber antes de me tornar diretor-geral. Depois disso sequer o vi. Houve um momento em que eu coloquei 25 policiais para ajudá-lo. Foi no período anterior à decisão do ministro de prorrogar por mais 60 dias.

Não lhe pareceu um recado o fato de o ministro especificar em sua decisão que o delegado deveria continuar à frente do caso?
Acho que o ministro quis dizer que Cleyber toca bem o caso. Na linha: ‘Olhe, não tire ele, não. Se ele entrar de férias, não põe outro no lugar’.

A PF está perseguindo professores da UFSC que fizeram protestos contra agentes da operação que investigou o ex-reitor Luiz Carlos Cancellier?
Depois que o reitor se suicidou, uma situação terrível, começou um movimento de muita crítica às autoridades que participaram da investigação, a delegada, a juíza, o corregedor da universidade. Foram colocadas fotos deles dizendo: ‘autoridades que cometeram abuso de poder e mataram o reitor’. E essa faixa é exposta toda vez que fazem uma manifestação. E essas autoridades se sentiram ofendidas.

Houve necessidade de abertura de inquérito?
É a mesma coisa de colocar, por exemplo, a foto de servidores e dizer: ‘Esses indivíduos estupraram alguém’. É uma acusação seriíssima. E esses indivíduos, cada vez que saem da oitiva, dizem que estão sendo perseguidos. Não é uma investigação contra a universidade. É de crime contra a honra.

Mas o inquérito não pode ser uma forma de censura?
Tem outros meios de protestar que não acusar uma autoridade de abuso.

O sr. é um gestor, um técnico. Como evitar que o próximo presidente nomeie um delegado amigo para a diretoria da PF? Tem policial com viés político. E isso é legal. Mas será que um desses, se tornando diretor-geral, é bom para a instituição? A gente teve um exemplo recente que se provou que não é. Se o gestor não tiver legitimidade interna, ele não consegue permanecer. Eu não tenho influência nas investigações.

No Dia dos Pais, a inspiração que se deve ter, antes que as crianças cresçam

Affonso Romano, um pai e avô muito inspirado 

Carmen Lins

No Dia dos Pais, é conveniente saborear uma crônica de Affonso Romano de Sant’Anna sobre o relacionamento de pais e filhos, com a chegada depois do que de melhor poderia acontecer — os netos.

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ANTES QUE ELAS CRESÇAM
Affonso Romano de Sant’Anna

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.

Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.

Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.

Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.

No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.

Chanceler chileno defende integração da América Latina que favorece o Brasil

Vestido com terno preto, camisa branca e com gravata laranja estampada, Ampuero abre as mãos enquanto discursa.

Em São Paulo, Ampuero diz que integração é irreversível

Diego Zerbato
Folha

O ministro das Relações Exteriores do Chile, Roberto Ampuero, considera que neste momento os países da América Latina estão a caminho de uma integração em termos mais reais que retóricos como, julga, têm sido as últimas experiências na região.Para exemplificar este processo, cita a aproximação entre Mercosul e Aliança do Pacífico, do ponto de vista econômico, e do Grupo de Lima —de países críticos ao regime da Venezuela— na política.

Composta em sua maioria por governos de centro-direita, como o do presidente chileno, Sebastián Piñera, a articulação é feita em detrimento às instituições regionais criadas na década passada por governos de esquerda.

Entidades – Tanto a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) quanto a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) estão subutilizadas devido ao desentendimento com os líderes esquerdistas remanescentes, como Nicolás Maduro (Venezuela), Daniel Ortega (Nicarágua) e Evo Morales (Bolívia).

“A América Latina tem muita história de integração em termos retóricos, mas muito poucas reais, e essa proximidade é muito promissora, porque estamos acertando detalhes específicos”, disse.

Um exemplo do elo que Ampuero cita foi um dos motivos de sua visita a São Paulo, onde conversou com a Folha, e a Brasília. Nesta semana, Brasil e Chile acertaram os detalhes para um acordo de livre-comércio e um acordo militar.

ALGO CONCRETO – “Estamos otimistas, porque entendemos que conseguimos avanços substanciais que podem levar a algo concreto ainda neste ano.”

A partir das negociações de livre-comércio, o chanceler chileno vê como uma oportunidade para seu país de fazer a ponte entre os blocos latinos e as economias do Pacífico em um momento de guerra comercial no resto do mundo.

“Brasil e Argentina pediram ao Chile para ser a ponte nestes casos de livre-comércio com a Ásia, da mesma forma que países asiáticos pediram ao acesso aos mercados.”

VENEZUELA – Embora os países estejam unidos do ponto de vista econômico, o ministro considera que ainda há divisões em relação à questão política que os une. Para ele, qualquer ação nova em relação à Venezuela deve ser tomada em conjunto.

“Quando os países na América Latina precisam atuar seriamente precisam fazê-lo em grupo, como no caso do Grupo de Lima, compartilhando valores e uma posição maciça.”

Uma movida que, a seu ver, ainda está em discussão é o envio do relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre as violações cometidas pelo regime de Maduro ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia.

MADURO – O Chile foi um dos países que se prontificou a apoiar a ação contra o autocrata, junto com o Peru. Paraguai e Colômbia dão sinais de que aderirão. “Isso requer muitas consultas, há alguns a favor, outros contra, outros pensam que não é o momento”, afirmou.

“É verdade que alguns estão pensando que as declarações diplomáticas não têm muito resultado porque o regime de Maduro viola ou não reconhece ou debocha delas e, portanto, há uma preocupação não só do Chile e do Grupo de Lima, mas internacional.”

Ele chamou de incidente confuso o suposto atentado contra Maduro e criticou a acusação do mandatário contra a Colômbia, feita, em sua opinião, de forma apressada demais para qualquer país sério. “Nós, assim como outros países pedem, pedimos: por favor, mostrem as provas daquilo que sustentam. Agora, haverá sempre em um regime como o de Maduro a dificuldade a que se acredite nele.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Uma maior ligação da América Latina é fundamental para o Brasil. O ocaso da Venezuela não deve servir de embaraço. Pelo contrário, deve ser encarado como incentivo. (C.N.)

Marqueteiro de Aécio recebeu dinheiro da Odebrecht sem prestar serviço

E as provas contra Aécio Neves vão se acumulando…

Carolina Brígido
O Globo

A Polícia Federal (PF) encontrou mais um indício de que o marqueteiro do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Paulo Vasconcelos, recebeu dinheiro da Odebrecht sem ter prestado serviço em contrapartida. Em depoimento prestado no mês passado, um empresário chamado José Enrique Castro Barreiro disse que fez um plano de comunicação real para a empresa em 2009 e recebeu, em troca R$ 248 mil. Já Paulo Vasconcelos recebeu R$ 1,8 milhão para prestar o mesmo serviço no mesmo ano – ou seja, um valor sete vezes maior. Para a PF, o valor discrepante é mais um elemento para comprovar a tese de que, na verdade, o marqueteiro recebeu o dinheiro com outra finalidade.

O novo depoimento reforça a hipótese de que o R$ 1,8 milhão foi, na verdade, repassado, por meio de caixa dois, para a campanha de Antonio Anastasia ao governo de Minas Gerais no mesmo ano. Essa acusação já tinha sido feita pelo ex-executivo da Odebrecht Sérgio Neves em delação premiada. Segundo ele, o dinheiro para financiar a campanha de Anastasia foi pedido por Aécio.

DELAÇÃO – O depoimento do empresário foi prestado para instruir um inquérito aberto contra Aécio no STF a partir da delação premiada de executivos da Odebrecht. Segundo as investigações, Aécio teria pedido doações por meio de caixa dois à empresa entre 2009 e 2010, totalizando R$ 5,4 milhões em espécie, além das notas fiscais de R$ 1,8 milhão emitidas a Paulo Vasconcelos. Os valores teriam irrigado a campanha de Anastasia.

No início do mês, a defesa do senador pediu o arquivamento do inquérito, sob argumento que Paulo Vasconcelos de fato entregou um plano de comunicação, embora a empresa tenha decidido utilizar outro.

Os advogados também argumentaram que, depois de mais de 15 meses da abertura do inquérito, não havia elementos para comprovar o conteúdo das delações premiadas. Já a Polícia Federal pediu mais prazo para concluir as investigações, porque faltava concluir a perícia no sistema utilizado pelo setor de propina da Odebrecht. Agora cabe ao relator, ministro Gilmar Mendes, decidir se arquiva o caso ou se concede mais prezo.

JUSTIFICATIVA – O pagamento de R$ 1,8 milhão teria sido combinado diretamente com o executivo Benedicto Junior, outro executivo da empresa. Segundo Sérgio Neves, o gasto seria justificado com um contrato fictício com Paulo Vasconcelos do Rosário para um plano estratégico de comunicação para a Odebrecht. O contrato era de 12 parcelas de R$ 150 mil.

Os valores começaram a ser pagos em julho de 2009 e concluíram até julho de 2010.“Foram pagos integralmente, sem que nenhum serviço tivesse sido prestado”, declarou o delator.

Em nota, a defesa de Aécio afirma que “depoimento do próprio delator e documentos anexados comprovam que o serviço de publicidade mencionado foi devidamente prestado”. E que “nenhum delator fez qualquer acusação referente a existência de contrapartida por parte do senador Aécio Neves, que na época não ocupava nenhum cargo público”. Também em nota, a defesa de Anastasia declarou que “nunca tratou de qualquer assunto ilícito com ninguém”.

As mãos do pai de Mário Quintana tinham grossas veias como cordas azuis

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Quintana deixou uma poética lição de vida

Carlos Newton

Para comemorar o Dia dos Pais, uma data que precisa ser alegre, embora em muitos casos possa ser triste, selecionamos hoje dois poemas relativos ao tema. Um deles, do gaúcho Mário Quintana, e o outro, do carioca Paulo Peres, que, ao trabalhar com  o jornalista, cronista e poeta Rubem Braga, com ele aprendeu que a poesia é necessária.

AS MÃOS DO MEU PAI
Mario Quintana

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos…

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas…
essa chama de vida — que transcende a própria vida…
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma…

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DIA DOS PAIS
Paulo Peres

Festejai, pai material,
Este dia especial.
Receba o carinho celestial
– Família, luz e amor –
Através à bênção do Pai Maior,
O Nosso Deus-Pai Espiritual

Agora iniciam-se as pesquisas para assinalar as impressões iniciais do eleitor

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro Coutto

Patricia Kogut, edição de ontem de O Globo, revelou que a audiência da Bandeirantes no debate entre os candidatos a presidência da República alcançou 6,2% enquanto o Estado de São Paulo, também ontem e com base no Ibope, apontou uma audiência de 8,5% na Região Metropolitana liderada pela capital do estado. Em matéria de audiência da TV tem que se considerar que o índice médio pode acentuar uma questão importante em matéria de conhecimento público em torno de qualquer evento. Porque na TV existe alternância de índice de audiência, o que entretanto pode deixar escapar uma maior ou menor preferência ao longo dos programas de longa duração como foi o caso, por exemplo da noite de quinta-feira.

Vou colocar uma hipótese que acredito estar bem perto da verdade. Alguém está assistindo um programa. Se este vai dormir e alguém chega em casa e liga a TV no mesmo programa o índice de telespectadores fica o mesmo. No entanto duas pessoas terão assistido o programa em partes iguais.

ALGUM EFEITO – O debate durou três horas e muitos não resistiram ao sono. É natural. Mas algum efeito as imagens percebidas terão sido causado na população, na parte dos que acompanharam o desempenho dos candidatos.

Por isso, uma pesquisa interessante será de auferir as tendências de voto, comparando-as em duas fases distintas. Antes do programa da Band, e a outra depois do programa. Aí pode se fazer o confronto entre os dados colhidos. Se não houver alteração alguma, então teremos de esperar os próximos desempenhos, incluindo o dos candidatos nas redes sociais da internet. E poderemos aferir também o grau do reflexo nas redes eletrônicas em comparação com os graus de reflexo nas emissoras de televisão. É uma pesquisa interessante para ser feita, se é que os Institutos ainda não se debruçaram sobre este aspecto.

NOVAS PESQUISAS – Escrevi este artigo na tarde de ontem, portanto, antes das edições de domingo dos jornais. Assim, pode acontecer que pesquisas tenham sido publicadas neste domingo. Mas não se pode prever se foram feitas e, mais ainda, se saíram publicadas hoje. Mas a questão de tempo não invalida a lógica do raciocínio.

Se os números não surgirem hoje, seguramente vão emergir nos próximos dias. Até porque nos próximos dias o PT, superado o registro do ex-presidente Lula terá que apresentar uma candidatura a presidência da República até o dia 15. É uma probabilidade grande de o escolhido ser Fernando Haddad, com Manuela D’Avila de vice. O que não é possível é a perspectiva da legenda concorrer com dois candidatos a vice-presidente. Terá que haver uma definição.

A partir daí, incluindo o nome de Haddad, tendo este recebido o apoio de Lula, será mais visível o quadro que reúne os principais candidatos às eleições de outubro.

CLASSES SOCIAIS – Pesquisas foram feitas para serem interpretadas, uma vez que as tendências de voto baseiam-se na divisão por classe sociais.

Um quadro mais provável será aquele a ser dividido por Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Marina Silva e Ciro Gomes. Aí sim os números terão grande influência no rumo do eleitorado. 

Os demais candidatos não têm a menor possibilidade, como é o caso de Henrique Meirelles.

Assunto no debate da Band, Ursal vira alvo de brincadeiras nas redes sociais

Reprodução Facebook

Reprodução do Arquivo Google

Deu em O Tempo

Depois de ocupar o primeiro lugar dos assuntos mais comentados no Twitter, a Ursal, ou União das Repúblicas Socialistas da América Latina, citada por Cabo Daciolo ao questionar Ciro Gomes durante o debate dos presidenciáveis na última quinta-feira, virou alvo de brincadeiras e piadas no Facebook.

Comentários de todos os tipos, sejam críticos, irônicos ou debochados, se espalharam pelas redes sociais nos últimos dias. Teve quem criasse até um hino para a Ursal e frases como: “Cansado de ser um boçal? Venha para a Ursal!”.

CABO DACIOLO – Durante o debate realizado pela TV Bandeirantes, o Cabo Daciolo, candidato do Patriota, questionou Ciro Gomes, presidenciável do PDT, sobre o Foro de São Paulo, promovido pelo PT em 1990, quando se teria falado sobre a criação da Ursal. O pedetista disse que desconhecia o assunto e não iria responder o adversário.

As redes sociais, no entanto, não perderam a oportunidade para brincar com o tema. No Facebook, um internauta postou vários ursinhos de mãos dadas e fez a convocação: “Membros do Foro de São Paulo já estão reunidos para debater o vazamento do plano URSAL. Apenas aguardam a chegada do seu fundador, Ciro Gomes, para iniciar a plenária que decidirá se o plano será abortado ou executado. Também será votado a abertura de uma sindicância para apurar quem é o cagueta da URSAL. Dia movimentado para os illuminatis comunistas”.

MOTIVOS… – Alguns listam motivos para defender a criação da Ursal, como se tornar eneacampeão da Copa do Mundo, possuir grande variedade musical e até: “Os habitantes da U.R.S.A.L poderão passar suas férias nas belíssimas praias do Atlântico e do Pacífico e também poderão se divertir na neve de Argentina e Chile. E sendo uma nação socialista, todos os trabalhadores poderão ir!”

As brincadeiras não param. Foi assim também no Twitter, quando o assunto assumiu o topo do trending topics, permanecendo até o início da tarde de sexta-feira.

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Daciolo deu um toque surrealista ao debate

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGE assim o folclórico Cabo Daciolo conseguiu ganhar seus 15 minutos de fama, dando um toque de humor e surrealismo numa campanha presidencial que se caracteriza pela esculhambação, em que o candidato favorito está preso, mas consegue controlar seu partido, dando ordens de dentro da prisão, como se fosse um dos líderes das facções criminosas que hoje dominam os presídios deste estranho país tropical(C.N.)

Área técnica da CVM quer condenar Dilma Rousseff pela compra de Pasadena

Devido à ferrugem, a refinaria foi apelidada de “Ruivinha”

Renann Setti e Ramona Ordoñez
O Globo

O corpo técnico da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pediu a condenação da ex-presidente Dilma Rousseff e de outros ex-administradores da Petrobras em processo que investiga a compra da refinaria americana de Pasadena, em 2006. De acordo com inquérito ao qual O Globo teve acesso, Dilma e outros conselheiros são acusados de terem faltado com dever de diligência (não agir de forma adequada) na aprovação do negócio — que, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), causou prejuízo de mais de US$ 580 milhões à estatal.

O processo, aberto em 2014 e cuja existência foi revelada em junho, aguarda a defesa dos acusados e ainda não tem data para ir a julgamento pelo colegiado da CVM.

ACUSADOS – Dilma é acusada ao lado de outros ex-administradores da Petrobras, como Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró — os três foram presos na Lava-Jato. Também são acusados o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci; o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli; os ex-diretores da estatal Almir Barbassa (Financeiro), Guilherme Estrella (Exploração e Produção) e Ildo Sauer (Gás e Energia); e ex-conselheiros da companhia.

No caso do conselho, integrado por Dilma à época, o inquérito acusa seus membros de não terem tomado “decisão informada e refletida” sobre a compra da refinaria. Segundo a apuração, os conselheiros receberam a documentação referente ao negócio “no dia da reunião, não obstante seu regimento interno estipular o prazo mínimo de uma semana, de modo a permitir sua leitura prévia e devida preparação do conselheiro”.

Os conselheiros também não solicitaram, segundo a CVM, qualquer avaliação financeira do negócio, que permitiria analisar potencial sobrepreço. Em vez disso, se apoiaram apenas em uma fairness opinion (espécie de parecer), elaborada pelo Citigroup, “somente porque esta citava que o valor encontrava-se dentro das faixas de mercado”, além de um resumo executivo, uma apresentação em Power Point e um parecer jurídico.

INDULGENTES – “Caso tivessem exercido o mínimo de diligência na questão, os conselheiros deparar-se-iam com uma situação em que havia fortes indicações de que a Petrobras estaria pagando mais por menos”, escreveu a área técnica da CVM.

Pasadena foi comprada em duas etapas. Na primeira, em 2006, a Petrobras pagou US$ 359,2 milhões à belga Astra Oil por metade dos ativos. Um ano antes, a Astra havia desembolsado apenas US$ 42,5 milhões pela unidade.

Dilma e outros conselheiros chegaram a ser investigados pelo TCU a respeito da compra de Pasadena, mas todos foram inocentados pelo tribunal.

Mônica Moura confirma que negociou caixa 2 com Dilma na campanha de 2014

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Mônica Moura prestou novo depoimento ao juiz Moro

Por G1 PR, Curitiba

A marqueteira Mônica Moura voltou a afirmar em depoimento ao juiz Sérgio Moro, nesta sexta-feira (10), que negociou valores para campanha de 2014 diretamente com Dilma Rousseff. A ex-presidente nega. “Pela primeira vez na vida eu negociei diretamente com uma presidente e com candidato, valores. E depois ela me encaminhou a Guido [Mantega, ministro da Fazenda à época] para que eu resolvesse a parte por fora. A parte por dentro, não, foi toda negociada com ela o valor, mas o partido pagou, nota fiscal, o tesoureiro da campanha”, disse a marqueteira.

A empresária relatou que encontrou-se três ou quatro vezes com Guido Mantega, na casa dele, em Brasília, para acertar os pagamentos “por fora” negociados com Dilma. Em um dos encontros, disse ter questionado sobre a origem dos valores.

TRATO FEITO – “Cheguei lá [no Guido] com a negociação fechada e disse: ‘Acertei isso com a presidente e ela me disse que o senhor vai dizer como é que vamos fazer’. Aí, mais uma vez: ‘Vai ser a Odebrecht'”, disse a empresária.

No depoimento, Mônica também citou pagamentos via caixa 2 feitos pela Odebrecht nas campanhas de Fernando Haddad e Patrus Ananias, para prefeito, em 2012, além de campanhas no exterior. Haddad também nega a versão.

A ação em que Mônica foi ouvida é sobre pagamentos não contabilizados da Odebrecht para o casal de marqueteiros, feitos no Brasil e no exterior.

MARQUETEIROS – Mônica Moura e o marido, João Santana, foram responsáveis pelas últimas três campanhas do PT à Presidência da República e são acusados pelos procuradores da Lava Jato de receber dinheiro ilegal do setor de propinas da Odebrecht. O Ministério Público diz ter identificado nas planilhas da Odebrecht repasses que somam R$ 23,5 milhões, entre 2014 e 2015, quando a Operação Lava Jato já estava em andamento. Mônica e João alegam que receberam apenas parte do valor.

O Partidos dos Trabalhadores afirmou que que a Lava Jato arma espetáculos de olho nas eleições e que, desta vez, foi para criar notícias falsas contra o partido às vesperas do registro oficial da chapa de Lula e Haddad à Presidência da República.

A assessoria de Dilma Rousseff afirmou que as declarações de Mônica Moura são mentirosas e descabidas. A assessoria de Haddad repetiu as declarações do PT, e o deputado Patrus Ananias declarou que o PT foi responsável pela parte financeira da campanha dele em 2012 e que não teve nenhum envolvimento com a captação de recursos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo já se sabia, Dilma Rousseff se comportava como a Soninha Toda Pura, mas nos bastidores ela botava para quebrar. O novo depoimento de Mônica Moura apenas confirma o que já era de conhecimento público. (C.N.) 

Cármen Lúcia defende que os penduricalhos salariais precisam acabar

Ministra critica a omissão estatal na educação e saúde

Ruth de Aquino
O Globo

Cármen Lúcia tem pressa. Está maquiada, de terno preto e salto alto. Os 40 quilos denunciam falta de tempo para comer. Ou dormir. A presidente do Supremo Tribunal Federal vai a Belo Horizonte visitar um instituto de meninos em conflito com a lei. Está em uma cruzada quase pessoal: criar um cadastro nacional de menores detidos, para desenhar políticas públicas de proteção à infância e juventude. Cármen, que será substituída em setembro pelo ministro Dias Toffoli, acaba de ser derrotada em sua posição de adiar o aumento de 16,3% dos juízes e magistrados. “Se o sacrifício é de todos, deveria ser nosso também. Há 13 milhões de desempregados no Brasil e eles estão indignados”.

Seu último ato no comando talvez seja o julgamento do auxílio-moradia para juízes, que pautou para o fim deste mês. “Penduricalhos precisam acabar”, diz ela.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos comemora 70 anos agora em 2018. O Brasil é um violador de direitos humanos?
O Brasil viola direitos fundamentais de educação e saúde, principalmente. Por mais que testemunhemos crimes diariamente, a violência institucional em nosso país é mais grave do que a violência individual.

Uma boa parcela da população e também de políticos defende a redução da maioridade penal para 16 anos, como forma de combater a impunidade em crimes hediondos e desestimular o delito precoce.
O Estado que coloca uma criança em situação inconstitucional, não dando a sua família oferta mínima de saúde e educação, deixa a criança em vulnerabilidade perante o tráfico que passa a usá-la como aviãozinho. Se, além de tudo, depois pune, colocando o menor em situação inadequada e perversa, então esse Estado é violador dos direitos humanos. A sociedade assim nunca vai parar de construir penitenciárias e elas nunca serão em número suficiente para todos os infratores. Educação é um direito previsto na Constituição. Para todos. Mais que isso, a Educação é um fator de libertação e não apenas de liberdade.

O Estado brasileiro é cúmplice dos crimes desses menores?
O Estado se torna o autor da infração, não somente um cúmplice.

A sociedade brasileira é insensível com os presos?
Mais que insensível. É preconceituosa. Há um lema que diz: todo ser humano é maior do que seu erro. É preciso que a sociedade saiba que aquele que errou pode refazer sua vida. A sociedade brasileira tem uma sensibilidade exacerbada, mas no sentido inverso. Não dá oportunidade para quem já pagou pelo erro.

Vimos muitos casos recentes de feminicídios. Uma de suas prioridades era atacar a violência contra mulheres, que era muito silenciosa.
Em dois anos, tornou-se muito visível. Nesse item caminhamos bem na Justiça. Chegamos a ter 995 júris de violência contra a mulher só nas onze semanas da campanha Justiça pela Paz em Casa. A Lei Maria da Penha completou 12 anos. Temos hoje um número altíssimo de sentenças.

Por que existe a impressão de que a violência contra a mulher não foi reduzida?
A violência geral na sociedade é talvez maior hoje. É patente o nível de intolerância, contra a mulher também. O que era um preconceito incubado se revela mais quando a mulher comparece, trabalha, disputa e concorre em espaço. A violência aumenta e o nível de notificações também. A mulher deixou de ficar em silêncio.

A senhora foi voto vencido no aumento dos salários dos juízes. Por que foi contra, se os magistrados não recebem aumento desde 2015?
A demanda é legitima pelos salários defasados. Porém, eu fui contra devido ao momento do Brasil. Grave do ponto de vista econômico e fiscal, com uma sociedade que está penando muito pelas condições que estamos vivendo, com mais de 13 milhões de desempregados. Então eu acho que, se o sacrifício é de todo mundo, tem de ser nosso também.

Como os brasileiros desempregados se sentem diante dos 16,3% aprovados no Supremo?
Acho que eles ficam todos muito indignados. Porque eles compreendem que, mesmo havendo a defasagem dos juízes, eles não têm o mínimo, que é o emprego. Neste quadro socioeconômico, a gente deveria dar nossa contribuição. Eu me preocupo muito também com a situação dos estados, com o efeito cascata desse aumento. Há quase dois anos atrasam salários, fecham hospitais, postos de saúde. Aposentados recebendo em duas ou três parcelas. Se houver aumento de todos, juízes, desembargadores, teremos também um ônus para os estados.

Como justificar benefícios como auxílio-moradia para juízes que já têm até casa própria?
Benefícios são algo grave e sério, que precisa ser resolvido. Não pode continuar a haver penduricalhos mesmo, é preciso restabelecer a verdade remuneratória. Por isso mesmo, eu pautei para este mês agora, para a última semana, ou no máximo para a primeira semana de setembro, o julgamento do auxílio-moradia. Ou é legal e nós vamos julgar. Ou é ilegal e nós vamos julgar. Os juízes estão recebendo auxílio-moradia com base numa decisão liminar de um ministro, Fux, na gestão anterior à minha. São benefícios indevidos, do ponto de vista da igualdade com outras categorias.

Temos hoje eleições imprevisíveis. Tanto para presidente quanto para governadores. O desalento se cristalizou e é péssimo conselheiro para o voto?
O cidadão brasileiro vai definir seu futuro. Antes havia quase uma escolha de caminhos pré-definidos. Agora o eleitor brasileiro vai fazer seu caminho. Em vez de ter dois caminhos a seguir, ele fará sua trilha. Eu acho que isso é um processo de amadurecimento. Hoje temos maioria de mulheres entre eleitores e há uma grande indecisão. Por cautela e expectativa de se informar e se formar. Colocam essa indecisão como ruim, mas pode ser positiva. As pessoas estão tentando saber que Brasil elas querem daqui para a frente. Eu acredito muito no cidadão e na força do povo. A crise coloca o povo numa posição de protagonismo e responsabilidade.

“Pai Ciro Gomes não traz mulher amada, mas ajuda a tirar teu nome do SPC”

Ciro Gomes faz campanha bem-humorada no Facebook

Ruan de Sousa Gabriel
O Globo

Numa transmissão ao vivo pelo Facebook na manhã deste sábado (11), o candidato à Ciro Gomes (PDT) reafirmou sua promessa de limpar o nome dos 63 milhões de brasileiros arrolados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), mas não deu detalhes de como fará isso, se eleito.

– Eu preparei um projeto para limpar o nome das pessoas. Tudo o que eu falo agora, os meus adversários estão copiando, está ficando engraçado – disse Ciro, que complementou: – Vou fazer um suspense.

NO FACEBOOK– A entrevista foi transmitida pela página oficial do candidato no Facebook, começou por volta das 11h15 e durou quase duas horas. A audiência oscilou em torno dos 2 mil espectadores.

Ciro foi entrevistado por seis companheiros do PDT. Cinco dos entrevistadores são candidatos em São Paulo: Marcelo Cândido (governador), Gleides Sodré (vice-governadora), Antonio Neto (senador), Tabata Amaral (deputada federal) e Gabriel Cassiano (deputado estadual). O sexto entrevistador era Túlio Gadêlha, candidato a deputado federal por Pernambuco e namorado da apresentadora Fátima Bernardes.

Ciro aproveitou para fazer propaganda dos candidatos paulistas, ainda bastante desconhecidos do eleitorado. Depois da decisão do PSB de se manter neutro na disputa presidencial, o PDT decidiu impulsionar candidaturas nos estados.

MESMA TURMA – Ciro aproveitou para alfinetar antigos aliados: “São Paulo precisa de mudança. Há 24 anos é governado pela mesma turma. Desse mato não vai mais sair coelho” – disse o presidenciável, que tem um fraco por ditados populares.

“O Márcio França perdeu uma oportunidade de ouro de apostar numa coisa nova, mas ficou com o Alckmin, com essa turma velha toda”. Sobrou também para o deputado Paulinho da Força (SD-SP):”

– Paulinho é outro que perdeu uma oportunidade de ouro. Paulinho, você está do lado de quem quer quebrar seu sindicato! Mas tudo bem, a gente se encontra lá na frente.

De olho no eleitor paulista e com elogios à economia diversificada do estado, Ciro apresentou quatro pontos de seu projeto econômico: impulsionar o consumo das famílias (e aqui vem o plano de limpar o nome dos devedores); baixar os juros para incentivar o investimento; retomar obras públicas para gerar empregos na construção e implementar uma política industrial com foco no comércio exterior.

LIMPAR OS NOMES – Cassiano pediu a Ciro que detalhasse um pouco como vai limpar o nome dos brasileiros. Ciro evitou dar detalhes, mas disse que seu governo vai renegociar as dívidas e transformar os bancos públicos em credores.

– Ainda não vou entregar o ouro. Não vou entregar. Pai Ciro não traz a mulher amada, mas vai ajudar você a tirar o nome do SPC. Manda mais meme, mais meme! – disse, arrancando risadas dos entrevistadores.

– Bota defeito, negada, que vocês vão engolir a isca com anzol e tudo! – Disse Ciro, afirmndo também que vai rever a Reforma Trabalhista aprovada pelo governo Michel Temer, mas reconheceu que a legislação trabalhista brasileira precisava ser modernizada. Criticou com vigor a regulamentação do trabalho intermitente e aprovação do trabalho de gestantes e lactantes em condições insalubres.

NOVA REFORMA – “Uma vez eleito, eu vou chamar os sindicatos, os trabalhadores, os empresários, a universidade e especialistas internacionais para montar uma lei trabalhista moderna. Uma lei moderna que vem para proteger o lado mais fraco, que é o trabalho contra o capital “– disse, acrescentando:

– Deixar trabalhador e patrão negociar livremente é botar uma galinha para negociar com uma raposa. Cerca e diz: “negocie livremente”. Meu irmão, não sobra uma pena! Ele não esqueceu de citar que seus adversários apoiaram as reformas de Temer.

– Aí vem o meu estimado amigo Geraldo Alckmin, meu opositor, e diz: “Ops! Erramos…”. Peraí! – zombou – O PSBD e PMDB são os dois partidos que sustentaram o golpe e votaram todas essas reformas antipobre e antinacional. E ainda vão dizer que são a mudança. Quem diz que é a mudança e sustenta Temer insulta o povo.

CENTRO-ESQUERDA – Também sobraram farpas para a centro-esquerda. Em especial, para o PT e defensores da candidatura do ex-presidente Lula, preso em Curitiba desde abril.

– Eu proponho um projeto nacional que não fique dependendo de Lula ou de Ciro. Isso é doentio. Deus o livre, mas e se morre… É preciso que se produzam mil Lulas, 2 mil Ciros! A gente não depende de líderes carismáticos.

Quando Cassiano lembrou que 11 de agosto é Dia do Advogado, Ciro recitou seu número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse que mantém a anuidade em dia e fez piada: “Se alguém aí precisar de um advogado na luta pela eleição, conta comigo”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSe abandonar mesmo a porrada e entrar no bom-humor, Ciro Gomes vai ganhar muitos eleitores e pode passar para o segundo turno. Acredite se quiser. (C.N.)

Procuradores seguem STF e também aprovam aumento salarial de 16,38%

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Raquel “inventa” que o custo do aumento será zero

Jailton de Carvalho
O Globo

Na trilha da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), proposta de orçamento do Ministério Público Federal (MPF) prevê aumento salarial de 16,38% para todos os procuradores da República a partir de 2019. A previsão orçamentária foi aprovada nesta sexta-feira na reunião do Conselho Superior do Ministério Público, presidido pela procuradora-geral Raquel Dodge.

Se aprovado pelo Congresso Nacional, só o reajuste dos ministros, que será replicado para todos os juízes do país, deve ter um impacto de quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos. A autoconcessão de aumentos salariais de ministros e procuradores deverá aumentar a pressão por realinhamento de salários em todo o serviço público.

R$ 40 MIL – Com o reajuste, o salário de um subprocurador-geral sobe para quase R$ 40 mil mensais. Isso sem contar o auxílio-moradia de R$ 4,3, pendurado numa liminar concedida pelo ministro Luiz Fux, do STF. Raquel Dodge alega que o reajuste salarial não resultará em aumento do orçamento do Ministério Público.

Isto porque, para acomodar a autoconcessão de aumento nos salários, o orçamento prevê corte de despesas de outras áreas da instituição.

— O aumento de despesas no Orçamento da União é zero. O secretário-geral (do MPF) me comunicou que a economia será de R$ 5 milhões — afirmou.

DELÍRIO?– O Conselho Superior é formado por nove subprocuradores-gerais e a procuradora-geral. Quatro conselheiros já votaram pela aprovação da proposta.

O subprocurador-geral José Flaubert Machado Araujo também defendeu o reajuste e até criticou a imprensa por vincular a questão a aumento de despesas com dinheiro público.

— O que eu vejo aí (no noticiário) é um delírio — afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMais uma Piada do Ano. A procuradora Raquel Dodge afirma que o aumento salarial do Ministério Público Federal terá “custo zero”. A afirmação mostra que o pessoal da Procuradoria é bom de Direito, mas não conhece nada em Matemática. É impressionante a desfaçatez desse povo. (C.N.)

Moro diz ser ‘inviável’ comentar o convite de Álvaro Dias para ser ministro

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Sérgio Moro obedece à lei e não se mete em política

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

O juiz federal Sérgio Moro evitou nesta sexta-feira (10/8), se posicionar sobre um suposto convite do senador e candidato à Presidência da República, Álvaro Dias (Podemos), para assumir o Ministério da Justiça, caso seja eleito. O magistrado declarou, em nota pública, “que a recusa ou a aceitação poderiam ser interpretadas como indicação de preferências políticas partidárias, o que é vedado para juízes”.

Em debate na noite desta quinta-feira (9/8), na TV Bandeirantes, Álvaro Dias afirmou: “Nós queremos institucionalizar a Operação Lava Jato como uma espécie de nossa tropa de elite no combate à corrupção. Cabo eleitoral dos investimentos, da geração de emprego, porque certamente nós enviaremos ao mundo uma outra imagem. A imagem de seriedade. O Brasil voltará a ser sério.”

O senador disse ainda: “Vou continuar combatendo os privilégios e combatendo a corrupção, por isso eu já convidei publicamente o juiz Sergio Moro.”

NOTA DE MORO – Eis a nota do juiz Sérgio Moro, na íntegra:

“Fui contatado por diversos jornalistas para comentar a respeito das afirmações públicas do Exmo Sr. Senador Álvaro Dias, candidato a Presidente da República, de que me convidará para ocupar o cargo de Ministro da Justiça caso seja eleito. Informo aos jornalistas e publicamente que reputo inviável no momento manifestar-me, de qualquer forma e em um sentido ou no outro, sobre essa questão, uma vez que a recusa ou a aceitação poderiam ser interpretadas como indicação de preferências políticas partidárias, o que é vedado para juízes.”

Mudança de rumo no PT – ordem de Lula é levar Haddad e Manuela às ruas

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Manuela e Haddad ficam esperando as ordens de Lula

Daniela Lima
Folha/Painel

Ao sair da Polícia Federal nesta sexta-feira (10) anunciando que, a partir de agora, o PT vai usar todos os instrumentos para colocar Fernando Haddad em debates e sabatinas no lugar de Lula, Gleisi Hoffmann verbalizou determinação passada pelo próprio ex-presidente ao longo de quase quatro horas de conversa. O petista atuou para conter ala que, para preservá-lo, queria esconder Haddad. Pragmático, disse que é hora de levar o bloco da campanha às ruas, com o ex-prefeito de São Paulo e a vice reserva Manuela d’Ávila.

A manutenção da unidade dentro do PT se tornou um desafio constante desde a prisão de Lula, em abril. O ex-presidente tem atuado de dentro da carceragem para dirimir as principais divergências da sigla. A posição de Haddad como vice provisório na chapa do petista é uma dessas questões.

NÃO SE IRRITE – Na esperança de que o STF ainda dê uma decisão favorável a Lula e o tire da prisão, o PT desistiu de fazer ato em frente à corte na quarta-feira (dia 15), quando levará a militância a marchar para registrar a candidatura do petista no Tribunal Superior Eleitoral.

Pelo cronograma inicial, os militantes caminhariam pela Esplanada dos Ministérios e parariam no Supremo para um ato. Agora, a marcha seguirá direto para o prédio do TSE. Os petistas não querem provocar o STF.

ALCKMIN – Atacado no primeiro debate da disputa presidencial, Geraldo Alckmin (PSDB) não saiu descontente. Apontado por rivais como nome da velha política e criticado pela aliança que firmou com o centrão, cravou ao sair do estúdio: “Achei ótimo”.

O ex-governador de São Paulo disse a interlocutores que a posição dos adversários revelou o incômodo deles com a coligação que conseguiu montar. O acerto partidário garantiu a Alckmin cerca de metade de toda a propaganda eleitoral. “Mudou o patamar da campanha.”

ALVARO DIAS – Aliados do tucano criticaram o desempenho de Alvaro Dias (Podemos-PR), que abocanha eleitor que já foi simpático ao PSDB na região Sul. “Não queriam o novo? O novo é isso aí.”

Dirigentes do centrão se irritaram com Dias. Ele atacou a presença de partidos investigados na Lava Jato no palanque de Alckmin. Caciques do PR que assistiram ao debate disseram que ele só esqueceu de contar que esteve mais de dez vezes com integrantes da sigla tentando levá-la para a própria campanha.

Lava-Jato denuncia Mantega e Palocci por corrupção e lavagem de dinheiro

“Italiano” e “Pós-Itália” dirigiam a corrupção no PT

Cleide Carvalho e Thiago Herdy
O Globo

 A força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba apresentou denúncia contra os ex-ministros da Fazenda Guido Mantega e Antonio Palocci pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na edição das medidas provisórias 470 e 472, conhecidas como MP da Crise. Ex-executivos da Odebrecht que não fizeram delação – Newton de Souza e Maurício Ferro – também foram denunciados, graças a informações levadas à Lava-Jato por Marcelo Odebrecht.

Segundo os procuradores do Ministério Público Federal em Curitiba, as medidas beneficiaram diretamente empresas do Grupo Odebrecht, como a Braskem, do setor petroquímico. Foram denunciados também o casal de publicitários João Santana e Mônica Moura, além de André Santana, filho do marqueteiro do PT.

R$ 50 MILHÕES – Segundo a denúncia, a Odebrecht prometeu propina de R$ 50 milhões a Mantega, então ministro da Fazenda, e a quantia ficou à disposição dele numa conta mantida pelo setor de propina da empreiteira. O ex-ministro era o administrador do dinheiro e teria determinado que fossem feitos pagamentos aos marqueteiros do PT na campanha eleitoral de 2014.

Esta é a primeira denúncia feita contra ele pela força-tarefa de Curitiba. Os procuradores dizem que é inverossímil a explicação dada por Mantega para os valores mantidos em conta na Suíça. O saldo de uma das duas contas é de US$ 1,777 milhão e, em 2017, ele tentou repatriar parte da quantia, justificada por meio de permuta imobiliária.

Para os procuradores, a origem do dinheiro é ilícita. Eles argumentam que o valor do imóvel permutado — R$ 1,198 milhão — era inferior à quantia transferida a Mantega no exterior. “(…) valor recebido por Guido Mantega no exterior corresponde a quase três vezes o valor declarado do imóvel”, afirmam os procuradores. A segunda conta de Mantega tem saldo de US$ 143 mil.

“PÓS-ITÁLIA” – Segundo a força-tarefa, a conta “Pós-Itália” movimentou pelo menos R$ 143,999 milhões, entre 2013 e outubro de 2014, mas o processo inclui apenas o valor repassado para os marqueteiros petistas, que teriam recebido R$ 15,1 milhões em 26 entregas, parte em dinheiro e feita no Brasil e outra depositada em contas mantidas em paraísos fiscais. André Santana teria participado do recebimento dos valores.

O advogado de Guido Mantega, Fábio Tofic, informou que só vai se manifestar sobre a nova denúncia “quando tiver conhecimento oficial” do documento, o que não havia ocorrido até a noite desta sexta-feira. Os ex-executivos da Odebrecht citados na denúncia não foram localizados na noite desta sexta.

Os investigadores dizem que entre 2008 e 2010 houve intensa negociação do empresário Marcelo Odebrecht com Palocci e Mantega para solucionar questões tributárias do grupo. O objetivo foi permitir o pagamento dos tributos devidos ao governo federal, com redução da multa e compensação com prejuízos fiscais.

NA PLANILHA – A Braskem teria usado recursos mantidos ilegalmente no exterior, gerenciados pelo departamento de propina da empresa, para alocar valores nas chamadas planilha “Italiano”, gerenciada por Palocci, e “Pós-Itália”, assumida por Guido Mantega depois que Palocci saiu do governo.

A denúncia afirma que Palocci favoreceu a Odebrecht enquanto se manteve no governo, até o início de 2011, e mesmo depois que deixou o cargo de ministro da Casa Civil. Ele teria ainda, segundo o empresário Marcelo Odebrecht contou em delação, feito a aproximação da Odebrecht com Guido Mantega, para inseri-lo no esquema e, depois, continuou acompanhando os atos que eram concretizados ilicitamente.

Pela Odebrecht, foram denunciados Marcelo Odebrecht, Maurício Ferro, Bernardo Gradin, Fernando Migliaccio, Hilberto Silva e Newton de Souza. Três deles – Ferro, Souza e Gradin – não integram o grupo de 77 delatores que fizeram acordo com o MPF.

SEM DELAÇÃO – Isso significa que, ao contrário de outros executivos da empresa denunciados, como Marcelo Odebrecht e Hilberto Silva, o trio não terá direito a benefícios da colaboração premiada.

Para o MPF, Newton, Ferro e Gradin tiveram o mesmo papel de Marcelo Odebrecht, ao oferecer a Guido Mantega e Antônio Palocci “vantagem indevida para determiná-los a interferir nas decisões da alta administração federal e no processo legislativo”.

Todos eram destinatários de mensagens de Marcelo Odebrecht que tratavam de “tratativas e da estratégia ilícita” adotada pela empresa para obter os benefícios no governo.

MARCELO FERRO – Ferro e Souza sempre alegaram que tinham conhecimento do interesse da empresa em aprovar as medidas, mas não sabiam de tratativas ilícitas para obtenção de vantagem. Por isso, não integraram a lista de delatores da empresa.

Desde que saiu da prisão no fim do ano passado, Marcelo Odebrecht contesta essa versão. Ele apresentou ao MPF elementos que ele entendeu serem importantes para a compreensão de que Ferro – que é seu cunhado -, Newton de Souza e Gradin tiveram participação nos crimes agora denunciados pelo MPF.

“BENEFÍCIOS” – Em uma das mensagens destacadas pelo MPF, Marcelo anuncia aos executivos que procuraria Palocci “para assegurar os benefícios pretendidos” pela empresa, de acordo com os procuradores.

Ferro e Souza “foram também destinatários das mensagens eletrônicas que continuavam a discutir as providências adotadas para se obter a Medida Provisória e de cópia da mensagem que havia sido encaminhada por Marcelo a Antonio Palocci, por intermédio de seu assessor Branislav Kontic” escreve o MPF, mencionando o assessor do ex-ministro petista que cuidava de propina endereçada ao petista e ao partido, segundo investigações da Lava-Jato.

Mensagens anexadas à denúncia apontam que Newton e Ferro participam de debates em torno da aprovação das medidas provisórias, inclusive tratando Palocci como “italiano”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! Enquanto não incriminou o cunhado Mauricio Ferro, o delator Marcelo Odebrecht não sossegou. Desde que saiu da prisão,Marcelo não fala com o pai nem com a irmã, praticamente destruiu a família. Ou famiglia, a gente não sabe bem como qualificar. (C.N.)

Novas pesquisas eleitorais têm de incluir o nome de Lula e esquecer Haddad

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Charge do Milton Cesar (Arquivo Google)

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O mundo político já dá como certa a substituição de Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, por Fernando Haddad como candidato do PT à Presidência. Mas, enquanto este “plano B” não for oficializado, é possível que só grandes bancos e empresas tenham informações precisas sobre quem lidera a corrida eleitoral.

Conforme revelou anteontem o Estadão/Broadcast, especialistas apostam que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não permitirá a divulgação de pesquisas eleitorais em que Haddad figure como candidato do PT, se o ex-presidente, para efeitos legais, estiver ocupando essa vaga. Ou seja, as pesquisas devidamente registradas no TSE e divulgadas pelos meios de comunicação só poderiam testar um único cenário, o oficial, com Lula candidato – embora este seja o mais improvável.

RESTRIÇÃO – Mas essa mesma restrição não valerá para os bancos que encomendam pesquisas como forma de se antecipar a movimentos do mercado financeiro provocados pela ascensão ou queda de determinado concorrente. Levantamentos para consumo interno, sem divulgação na mídia, poderão testar cenários com e sem Lula e Haddad na cabeça da chapa petista.

É inédita essa situação em que o público pode ser privado de informações adequadas sobre as chances de cada candidato, conforme sondagens eleitorais.

“Temos dúvidas sobre a possibilidade de medir o apoio a alguém que não é formalmente candidato”, disse ao Estado Marcia Cavallari, diretora executiva do Ibope Inteligência. “A legislação não prevê essa possibilidade.”

DEFINIÇÃO – Mauro Paulino, diretor do Datafolha, também manifestou incerteza sobre o quadro. “O TSE deveria ter uma definição clara e flexível, o mais rápido possível, pelo bem da informação”, disse.

A resolução do TSE sobre pesquisas diz que “a partir das publicações dos editais de registro de candidatos, os nomes de todos os candidatos cujo registro tenha sido requerido deverão constar da lista apresentada aos entrevistados durante a realização das pesquisas”. A lei não proíbe a inclusão de nomes que não são candidatos, mas obriga a presença de todos os registrados no TSE.

IMPUGNAÇÃO – O Ministério Público, candidatos, partidos e coligações podem entrar com processo de impugnação da divulgação das pesquisas após o registro dos levantamentos. No registro, é possível ter acesso aos questionários das entrevistas e antecipar quais nomes estarão nos cenários considerados.

“Não tenho a menor dúvida de que, se colocarem uma pergunta com o nome de Lula e outra com o de Haddad, haverá impugnação da pesquisa”, comentou Daniel Falcão, professor de Direito Constitucional da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Direito Público (IDP).

Em resposta ao Estadão/Broadcast, o TSE informou que só pode se manifestar sobre situações não esclarecidas nas normas, como a inclusão de nomes que não são oficialmente candidatos em pesquisas, se a situação for questionada no âmbito judicial.

Brasil já gasta mais com seu Poder Judiciário do que os países ricos

Resultado de imagem para justiça chargesAndré Shalders
BBC Brasil

Os dados mais recentes da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça (Cepej) mostram que o Brasil não só paga a seus juízes mais que países europeus, mas o poder judiciário brasileiro também é mais caro que o destes países, considerando o tamanho das respectivas economias. De acordo com um levantamento de 2017 da entidade, em nenhum país europeu o gasto com o judiciário ultrapassou 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2015.

No Brasil, o relatório Justiça em Números informa que, em 2016, o Judiciário consumiu o equivalente a 1,4% do PIB do país – ou R$ 84,8 bilhões, em valores da época.

PESSOAL – Desses R$ 84 bilhões, quase tudo (89%) foi de gastos com pessoal, inclusive pensões e aposentadorias. Em termos de custo por pessoa, os magistrados mais caros são os da Justiça Federal, com um custo de R$ 50,8 mil por mês.

“Para várias carreiras, o teto virou quase que o piso. Haverá efeito cascata no judiciário estadual, em carreiras do Executivo, e tudo isso deverá ser levado em consideração na peça orçamentária. Há que se lembrar que o país está acumulando déficits e aumentando sua dívida há cinco anos”, diz à BBC News Brasil deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), que será o relator da área de Judiciário no Orçamento de 2019.

SEM MÁGICAS – O professor da UnB e especialista em administração pública José Matias-Pereira lembra que não há mágica no Orçamento. “Para conceder aumentos ou reajustes de salários, é preciso encontrar recursos para garantir esse reajuste. E na verdade há dois caminhos (se não houver como remanejar dentro do próprio órgão): ou retira-se dinheiro dos investimentos e de outras áreas, ou aumenta-se imposto”, diz ele.

“O que causa preocupação é que estamos em ano eleitoral. O próximo presidente vai encontrar um cenário fiscal difícil, que exigirá num primeiro momento medidas de austeridade. Veremos o governo, ao mesmo em que exige que a sociedade aperte o cinto de um lado, concedendo reajuste para servidores do outro”, diz ele.

O orçamento de 2019 será feito segundo a regra estabelecida pela chamada PEC do Teto – ou seja, as despesas não podem crescer mais que a inflação do ano anterior. No caso do STF, estima-se que os R$ 2,7 milhões a mais gastos com salários poderão ser cortados de outras áreas – como a TV Justiça, por exemplo. Mas ninguém sabe se o mesmo poderá ser feito nos demais tribunais.