Rodrigo Maia ironiza e diz que “apanha forte dos bolsominions” nas redes sociais

Maia diz que ataques se intensificam quando critica Weintraub

Pedro Capetti
O Globo

 O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta segunda-feira, dia 10, que tem “apanhado forte” nas redes sociais dos seguidores e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, a quem chamou de “bolsominions”. Maia disse que os ataques são mais frequentes quando critica o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

“Eu apanho forte dos bolsominions nas redes sociais. Quando eu ‘elogio’ o ministro da Educação, aí é que apanho mesmo e falo ainda mais”,  disse Maia, arrancando risadas de uma plateia formada por empresários, durante almoço na Associação Comercial do Rio (ACRJ).

PIVÔ DA CRISE – Em sua palestra, Maia foi questionado sobre o fato de Bolsonaro ter o colocado como um dos pivôs da crise sobre a possível separação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Sergio Moro, em duas pastas, como foi na gestão Michel Temer.

Enquanto explicava que ele apenas expressou a Bolsonaro que o tema da segurança pública é caro ao eleitorado do presidente e que precisaria de mais atenção, o presidente da Câmara interrompeu a fala para comentar as críticas que recebe nas redes sociais.

CONTAMINAÇÃO – Mais tarde, quando questionado por jornalistas se as críticas nas redes sociais poderiam contaminar o ambiente legislativo, Maia negou e disse que “faz parte da vida”. “Apanho de quem eu sei que não vai pensar como eu penso”,  afirmou.

Sobre Weintraub, o presidente da Câmara disse que tem feito críticas, pois não poderia concordar ou ficar em silêncio “sobre essas pessoas”. Em entrevista na semana passada, Maia já havia dito que o chefe da pasta da educação estimula o ódio.

“É claro que não vou elogiar nunca o ministro da Educação (Weintraub). Desses vou apanhar a vida inteira, não posso concordar com eles”, disse.

Aras alega que Cabral não apresenta ‘fatos novos’ e quer anular a delação premiada

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Procurador-geral é contra a delação premiada de Cabral

Rafael Moraes Moura
Estadão

O procurador-geral da República, Augusto Aras, entrou nesta terça-feira, dia 11, com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a homologação da delação premiada do ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Para a PGR, Cabral não apresentou fatos novos e se comprometeu a devolver valores que já estão bloqueados pela Justiça.

O assunto foi discutido na noite da última segunda-feira, dia 10, em uma audiência reservada de Aras com o relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin.

INDECISÃO – Segundo o Estado apurou, Fachin está avaliando se submete a análise do recurso para a Segunda Turma ou o plenário.

Aras quer que as prisões preventivas contra Cabral sejam mantidas mesmo que o acordo fique de pé. O procurador também apontou que há “fundadas suspeitas” de que o ex-governador segue ocultando dinheiro ilícito que recebeu do esquema criminoso.

Na semana passada, Fachin decidiu homologar o acordo de Cabral com a Polícia Federal. O acordo foi homologado pelo Supremo por envolver autoridades com prerrogativa de foro privilegiado, como ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e políticos.

R$ 380 MILHÕES – Na delação, que segue mantida sob sigilo, Cabral se comprometeu a devolver aos cofres públicos R$ 380 milhões recebidos como propina enquanto foi governador. Diferentemente de delações fechadas pela PGR, a PF não estabeleceu previamente os prêmios a serem concedidos ao colaborador, como redução de pena, por exemplo.

Condenado 13 vezes no âmbito da Operação Lava Jato – com penas que ultrapassam 280 anos – e preso desde novembro de 2016, Cabral assinou em novembro um acordo de colaboração premiada com a PF em que implica integrantes do Judiciário. Aras posicionou contra a homologação da delação.

Entre os elementos trazidos por Cabral no acordo, estão citações a dezenas de autoridades do mundo da política e do Judiciário. Segundo uma fonte que teve acesso ao teor da colaboração, o ex-governador do Rio aborda a indicação de magistrados a tribunais.

”É UM VÍCIO” – As primeiras tratativas entre Cabral e a Polícia Federal começaram no início de 2019, na época em que Cabral confessou pela primeira vez os crimes cometidos. “Meu apego a poder e dinheiro é um vício”, disse o ex-governador, em fevereiro do ano passado.

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro foi contra firmar colaboração premiada. A mesma posição foi adotada pelo procurador-geral da República.

Em 2018, o STF decidiu que delegados de polícia – tanto da Federal como da Civil – podem fechar acordos de delação premiada. Por maioria, os ministros também firmaram o entendimento de que não é obrigatório que o Ministério Público dê um aval à colaboração feita com a polícia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A posição mais correta seria deixar o ex-governador dizer o que sabe e depois avaliar se a delação é válida ou não. O que está parecendo é que muita gente está querendo calar Cabral, por motivos óbvios. (C.N.)

Denúncia é aceita e o ex-procurador-geral Cláudio Lopes vira réu junto com Cabral

Sérgio Cabral (à esquerda), com o ex-procurador Cláudio Lopes Foto: Marcos Tristão

Sérgio Cabral e Cláudio Lopes conseguiram enriquecer juntos

Juliana Castro
O Globo

O Órgão Especial do Tribunal de Justiçado Rio aceitou, por unanimidade, nesta segunda-feira a denúncia contra o ex-procurador-geral de Justiça do Rio Claudio Lopes, acusado de corrupção passiva, quadrilha e violação de sigilo funcional. Assim como ele, vão responder ao processo o ex-governador do Rio Sérgio Cabral; o ex-secretário de Governo Wilson Carlos; e Sérgio de Castro Oliveira, o Serjão, um dos operadores do ex-governador.

O Ministério Público do Rio apresentou a denúncia em outubro de 2018 em que acusa Cláudio Lopes de receber R$ 7,2 milhões em propina.

PROVAS SUFICIENTES – O objetivo seria “blindar” a organização criminosa de Cabral, que não era investigada pelo órgão comandado por Cláudio Lopes. Os desembargadores entenderam que havia a narrativa de ilícito penal, com a apresentação de provas suficientes para confirmar os termos da acusação.

Os magistrados analisaram o mérito do pedido de revogação de prisão de Lopes e afirmaram que não houve alteração fática desde a última decisão do órgão de novembro de 2018. O ex-procurador-geral foi solto em dezembro de 2018 por decisão do ministro Sebastião Reis, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os desembargadores retiraram o segredo de Justiça da ação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A maior prova foi a mudança de status. De repente, o procurador ficou milionário e comprou uma mansão em Mangaratiba, tornando-se vizinho de Cabral, que também enriqueceu de uma hora para outra. (C.N.)

Miliciano morto em fazenda na Bahia soube de operação para capturá-lo na véspera

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Vereador afirma que o miliciano Adriano “invadiu” o sítio

Rafael Soares e Vera Araújo
Jornal Extra

Um dia antes de ser morto por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Bahia, o ex-capitão do Bope do Rio Adriano Magalhães da Nóbrega soube que a polícia preparava uma operação para prendê-lo em Esplanada, a 170km de Salvador. A revelação foi feita à Polícia Civil da Bahia por um fazendeiro que abrigou Adriano durante cinco dias. Leandro Abreu Guimarães, preso na ação, alegou que, no dia anterior à prisão, Adriano estava apreensivo e deu uma ordem para que ele o levasse a outro esconderijo.

Autoridades que trabalhavam para localizar Adriano, apontado como chefe de um grupo de matadores de aluguel chamado Escritório do Crime, estão convencidas de que ele recebia informações privilegiadas da polícia do Rio e que foi avisado sobre a operação. Por isso, na noite anterior à ação, por volta das 21h, Adriano deixou às pressas a fazenda de Leandro para se esconder em outra propriedade próxima.

DEPOIMENTO – O fazendeiro, que foi preso porque policiais encontraram armas em sua propriedade, alegou ter sido obrigado a levá-lo para o sítio onde acabou sendo morto pelo Bope baiano. Segundo seu relato à Polícia Civil, no sábado, Guimarães viu Adriano “teclando no aparelho celular (…) bastante nervoso”. Em seguida, o ex-capitão mandou que ele o levasse para outro esconderijo: “Adriano exigiu sob ameaça de morte que o levasse a um dos sítios que o mesmo tinha visitado, tendo o interrogado atendido aquele, deixando-o no sítio, onde aquele reiterou as ameaças para que não declarasse a localização do mesmo para ninguém”.

De acordo com o depoimento de Leandro, os dois já se conheciam anteriormente por conta de eventos, como vaquejadas, organizados pelo fazendeiro na região. Ele afirmou que não sabia que Adriano Nóbrega era matador de aluguel ou miliciano: “Sempre o tratei como criador de cavalos”, disse à polícia.

ESTAVA DE FÉRIAS – O fazendeiro Leandro Guimarães também afirmou que, quando foi procurado pelo ex-capitão, depois de ele fugir de uma ação anterior da PM numa mansão na Costa do Sauípe, no litoral da Bahia, há duas semanas, Adriano disse que estava de férias e “procurava terras para comprar na região”.

O sítio para onde Leandro levou Adriano na noite de sábado pertence ao vereador Gilson Dedé, do PSL, que afirma nunca ter visto Adriano e alega que o imóvel foi invadido pelo criminoso.

Bolsonaro é o terceiro político mais popular do mundo nas redes sociais, aponta índice

Bolsonaro atingiu o 1º lugar durante confusão com Macron

Vinícius Passarelli
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro é o terceiro chefe de governo mais popular do mundo nas redes sociais. O mandatário brasileiro fica atrás apenas de Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, e do presidente dos EUA, Donald Trump. É o que aponta o Índice de Popularidade Digital (IPD), elaborado pela consultoria Quaest a pedido do Estado.

A exemplo do presidente norte-americano, Bolsonaro utiliza as redes sociais para comunicar atos de governo, atacar adversários e criticar a imprensa. O índice foi calculado para uma amostra selecionada de 18 líderes mundiais a partir da coleta de métricas de uso das redes sociais Facebook, Instagram e Twitter.

POPULARIDADE – Como resultado, foi dimensionado para cada líder um índice mensal, entre janeiro de 2019 e janeiro de 2020, além do índice médio no período. O IPD tem uma escala que varia de 0 a 100, indicando a popularidade mínima e máxima possíveis, respectivamente.

O índice médio no período analisado traz Narendra Modi em primeiro lugar, com 63,25 (de 100) pontos, Donald Trump em segundo, com 62,27, e Jair Bolsonaro na terceira colocação, com um IPD de 52,75. Na sequência, entre atuais líderes de governo, aparecem Recep Erdoğan, presidente da Turquia, Luis Lacalle Pou, presidente eleito do Uruguai, e Alberto Fernández, mandatário argentino que derrotou Mauricio Macri no último pleito do país vizinho. 

Os três melhores colocados se alternaram na liderança global do índice no período analisado. No início de 2019, Trump aparecia consolidado na primeira colocação até o crescimento de Narendra Modi Foto: Reprodução/consultoria Quaest

AVALIAÇÃO – O IPD avalia a popularidade de políticos e marcas nas redes sociais. São processados dados usando um algoritmo de inteligência artificial que determina a força de determinado perfil no ambiente digital.

O índice leva em consideração em 40 variáveis de redes, divididas em cinco dimensões: presença digital (perfis ativos nas redes sociais); fama (número de seguidores); engajamento (interação, comentários e curtidas, por postagens); mobilização (compartilhamento das postagens) e valência (proporção de reações positivas por reações negativas).

POPULARIDADE – O cientista político e diretor da consultoria Quaest, Felipe Nunes, explica que o tamanho da população, o idioma e o tempo de permanência no cargo são levados em conta no cálculo. “O fato de Trump e Modi postarem em inglês pode explicar em alguma medida essa popularidade, uma vez que isso possibilita atingir mais gente e atrair mais seguidores ao redor do mundo”, disse.

Ele ressalva que o tamanho da população da Índia – cerca de 1,3 bilhão de pessoas – influencia em parte no “sucesso” de Modi, mas não é determinante. O algoritmo leva em consideração a população e faz os cálculos sempre per capita nas métricas consideradas qualitativas.

“Mas não dá para descartar a influência do tamanho da população, principalmente na dimensão fama, que leva em conta o número de seguidores. O líder da China, país mais populoso do mundo, Xi Jinping, não entrou na relação por não possuir uma conta oficial nas redes sociais.

POSIÇÕES OCUPADAS – O levantamento indica a preponderância de três líderes: Modi, Trump e Bolsonaro, os únicos a conseguirem, ao menos por um mês, a primeira posição nos rankings mensais. “Junto de Erdogan, quarto colocado, esse grupo compõe uma linha de frente nas redes de políticos considerados como populistas ou ultradireita”, destaca o relatório do estudo.

Para o professor da pós-graduação em marketing político da ECA/USP, Kléber Carrilho, o mundo vive um momento de em que os líderes são maiores que as ideias e as redes sociais são um campo fértil para os políticos desta “linhagem”. “As explicações sobre o futuro do mundo estão muito mais presentes da personificação das lideranças do que a gente pode chamar classicamente de ideologia, ou seja, conjunto de ideias”, disse.

CULTO DO ÍCONE – Esses personagens encontram nas redes sociais um ambiente propício para o desenvolvimento de um culto a suas figuras, explica Carrilho. “Isso faz com que quem tem uma comunicação organizada a partir da ideia do culto do ícone, do personagem central, consiga desenvolver uma imagem pública, como a gente tem visto nesses três exemplos principalmente, mas em grande parte daqueles que estão nos primeiros lugares”, analisou o professor.

No período analisado, Bolsonaro chegou a atingir o primeiro lugar da lista uma única vez: em agosto do ano passado, mês em que entrou em atrito pelo redes sociais com o presidente francês Emmanuel Macron. O embate se durante a reunião do G7, na qual Macron se colocou como uma das vozes mais críticas à política ambiental brasileiro, que à época enfrentava uma crise das queimadas na Amazônia, fato que chamou a atenção da comunidade internacional.

PIADA INFELIZ – Em meio à “troca de rusgas” com o francês, Bolsonaro chegou a fazer piada com a aparência física da primeira-dama do país europeu, Brigitte Macron.

“Essa confusão internacional causada por Bolsonaro nas redes sociais envolvendo Macron explica o fato dele ter alcançado a primeira colocação em agosto”, explicou Felipe Nunes. O episódio também levou o mandatário francês a atingir sua melhor colocação no período – oitavo lugar. Na média geral, ele fica na décima posição.  

NARENDRA MODI – O Partido do Povo Indiano (PJP), do qual faz parte o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, líder do ranking de popularidade nas redes, é uma sigla de direita nacionalista hinduísta, explica o diplomata Fausto Godoy, ex-cônsul geral do Brasil em Mumbai e ex-secretário de embaixada em Nova Délhi. O hindu é a principal religião da Índia, professada por quase 80% da população, seguida pelo islamismo e o cristianismo.

“Modi foi avançando nessa agenda hinduísta aos poucos e se tornando cada vez mais popular junto à população hindu, que representa mais ou menos 85% da Índia”, disse Godoy, que explica essa política nacionalista tem gerado controvérsia entre os muçulmanos do país e causado insatisfação na elite intelectual da Índia.

CONTROVERSO – Godoy diz que o primeiro-ministro é muito popular, mas é uma popularidade contestada por certos setores. “O tema que ele usa muito é a questão do nacionalismo hindu e como a população hindu é muito grande, seu governo é popular. Modi é um governante extremamente controverso e usa muito os mídias sociais para tentar se preservar como tal”, afirmou.

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RANKING DE POLÍTICOS MAIS POPULARES NAS REDES (IPD DE 0 A 100) ENTRE JANEIRO DE 2019 E JANEIRO DE 2020 :

Narendra Modi – 63.25
Donald Trump – 62.27
Jair Bolsonaro – 52.75
Recep Tayyip Erdogan – 44.65
Cristina Kirchner – 32.48
Luis Lacalle Pou – 27.2
Alberto Fernández – 19.67
Matteo Salvini – 19.35
Evo Morales – 18.75
Emmanuel Macron – 18.37
Nicolás Maduro – 18.2
Iván Duque – 18.14
Benjamin Netanyahu – 17.85
Justin Trudeau – 17.52
Sebastián Piñera – 17.26
Rody Duterte – 16.58
Boris Johnson – 15.81
Orbán Viktor – 15.61

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
–  A classe política já percebeu que a presença nas redes sociais tem sido fundamental para o diálogo com os eleitores. A questão é que muitos, sabidamente, também a usam para disseminar “desinformação”, as conhecidas fake news, para desestabilizar os opositores. E como a internet se caracteriza pela agilidade e a descentralização, o estrago tem uma repercussão enorme e nem sempre revela os autores da propagação. Por aqui, o que não faltam são exemplos. (Marcelo Copelli)

Não é do porteiro que citou Bolsonaro a voz que liberou entrada de acusado de matar Marielle

Laudo aponta que áudio não sofreu qualquer edição

Vera Araújo
O Globo

Laudo da Polícia Civil obtido pelo O Globo concluiu que a voz do porteiro que efetivamente liberou a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz no condomínio Vivendas da Barra, no dia do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, não é a do funcionário que mencionou o presidente Jair Bolsonaro aos investigadores da Delegacia de Homicídios (DH).

O documento, assinado por seis peritos, também atesta que o áudio da portaria não sofreu qualquer tipo de edição e que a pessoa que autorizou a entrada de Élcio no condomínio foi o policial reformado Ronnie Lessa. Tanto Élcio quanto Lessa estão presos sob a acusação de terem cometido o crime.

OUTRO PORTEIRO – Em depoimento, no ano passado, um dos porteiros disse que Bolsonaro havia liberado a entrada de Élcio no condomínio. Depois, ele voltou atrás. Agora, a perícia no áudio da portaria, iniciada em 13 de janeiro deste ano, confirmou que foi um outro funcionário que interfonou para Lessa, morador do condomínio e vizinho de Bolsonaro.

O crime aconteceu em 14 de março de 2018, por volta das 21h15. A gravação foi feita no mesmo dia, às 17h07m42s, portanto, quatro horas antes da execução. Nos depoimentos que prestou nos dias 7 e 9 de outubro do ano passado, o porteiro pivô do caso relatou que “Seu Jair”, referindo-se a Bolsonaro, havia autorizado a entrada de Élcio no dia do assassinato.

Ele também contou à polícia que o ex-PM havia pedido para ir à casa número 58, onde vivia o então deputado federal e atual presidente da República. Bolsonaro, no entanto, se encontrava em Brasília no dia, como mostrou a TV Globo.

ANÁLISE DO MP –  Antes de o laudo da Polícia Civil ser produzido, o Ministério Público (MP) do Rio, num exame na gravação feito pelo próprio órgão, no dia 30 de outubro, já afirmava que a autorização para a entrada de Élcio no Vivendas da Barra fora dada por Lessa, e não por Bolsonaro.

Em 4 de novembro, o colunista Lauro Jardim publicou que a Polícia Civil já sabia que o porteiro que prestara depoimento não era o mesmo que liberara a entrada de Élcio. Isso agora foi confirmado pela perícia.

Há outra diferença importante entre os dois exames técnicos. A gravação do sistema de comunicação do Vivendas da Barra analisada pelo MP foi cedida pelo síndico. Já a análise da Polícia Civil se deu sobre material apreendido na portaria do local pelos agentes após o caso vir à tona.

RECUO – O porteiro pivô do caso já havia recuado, após a divulgação da análise do MP. Em depoimento à Polícia Federal, em 19 de novembro, ele disse que cometeu um erro ao anotar na planilha do condomínio que Élcio pretendia visitar a casa 58, número da residência de Bolsonaro, em vez de casa 65, onde Lessa vivia.

O porteiro alegou que se equivocou. O resultado do laudo reforça suspeitas de investigadores de que o porteiro que citou Bolsonaro pode ter agido a mando de terceiros. O laudo da Polícia Civil, obtido pelo O Globo, foi anexado na última sexta-feira ao processo do duplo homicídio.

PERÍCIA –  Os peritos analisaram cópias dos cinco HDs (discos rígidos) dos computadores utilizados pela administração do condomínio, apreendidos por agentes da DH no dia 7 de novembro. Para isso, usaram um equipamento do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) dotado de bloqueador de escrita, função que impede que qualquer dado do disco original seja apagado.

De acordo com o laudo, não foram encontrados “indícios sugestivos de edição fraudulenta do disco analisado, correspondente ao sistema de gravação do interfone”. No arquivo analisado, do dia 14 de março de 2018, às 17h07m42s, o áudio da portaria capta inclusive o som da discagem das teclas 6 e 5 feita pelo porteiro, números que correspondem à casa de Ronnie Lessa.

PLANTÃO -Quando a gravação foi feita, havia quatro porteiros de serviço no turno da tarde no condomínio, inclusive o que citou Bolsonaro. As vozes dos quatro foram comparadas com o áudio analisado pela perícia do ICCE. O ponto crucial da perícia se dá em uma conversa rápida, de poucos segundos, entre os interlocutores identificados como VM1 (voz masculina 1) e VM2 (voz masculina 2).

Os peritos apontam “limitações na quantidade de material examinado”, mas afirmam que, a partir de análises acústica e biométrica, qualidades que são observadas para identificar as vozes durante o exame, o áudio questionado “possui características convergentes com a fala padrão coletada pelo porteiro Z, mais do que qualquer dos outros porteiros analisados”. Trata-se de outro porteiro de plantão e não aquele que mencionou o presidente em depoimento.

“BOA ARTICULAÇÃO” – Para chegar à conclusão de que a voz era do porteiro Z, os peritos perceberam que ele era o único que apresentava “boa articulação com emissão sonora de grande energia, transparecendo jovialidade na fala, sob o aspecto línguístico”. O porteiro que citou Bolsonaro tem mais de 50 anos.

O laudo explica que é possível perceber que Z alonga a vogal “a” do ditongo da palavra “portaria”. Esta palavra é dita a todo momento por todos os porteiros. Apenas Z, dos quatro porteiros do dia da gravação, pronuncia “portaria” com essa peculiaridade.

CONVERGÊNCIAS – Peritos em fonética forense consultados pelo O Globo dizem que quando um laudo indica que “é possível afirmar que existem convergências”, isso significa que o resultado é positivo. E que o mais importante é como se chegou a tal conclusão. Também dizem que é recomendado haver mais de dois peritos na produção de um laudo complexo como esse. No caso do Vivendas da Barra, houve seis peritos envolvidos.

A fala do porteiro que liberou a entrada de Élcio no condomínio dura seis segundos. De acordo com a transcrição da gravação, a pessoa que fala com Lessa segue o procedimento estabelecido pelas normas do condomínio para o acesso de visitantes. O porteiro (identificado como VM1) disca para a casa do morador — no caso, Lessa —, que atende:

VM2 (voz masculina 2): “Pronto.”

VM1 (voz masculina 1): “Portaria, boa-tarde.”

VM2: “Boa-tarde.”

VM1: “É o senhor Elson (Élcio).”

VM2: “Tá, pode liberar aí.”

VM1: “Tá okay.”

VM2: “Valeu”.

TOM RÍSPIDO – O laudo explica que o dono da voz masculina 2, Lessa, não se identifica. No entanto, os peritos analisam que, quando ele fala a expressão “pronto”, percebe-se rispidez no trato com o porteiro. O tempo da fala do acusado do assassinato de Marielle dura apenas três segundos e, segundo o exame, “não permite uma avaliação mais abrangente de suas características fonológicas e linguísticas”, como é feita com a voz do porteiro.

Mesmo assim, a partir da comparação das 13 ligações atendidas na casa 65 pela voz masculina do adulto que vive no imóvel, foi possível dizer que se trata de Lessa. Em 12 delas, ele utiliza a palavra “pronto” da mesma forma: “rispidamente”. Em quatro vezes, essa voz é chamada pelo nome de Ronnie pelos porteiros que fazem a ligação para a casa dele, segundo a análise dos peritos.

OCULTAÇÃO – Na casa, moram a mulher dele, Elaine Figueiredo Lessa, que está presa por obstrução à Justiça, e dois filhos jovens. Ela é acusada de ocultar armas de Lessa. Inclusive há a suspeita de que a submetralhadora HK-MP5 usada no crime de Marielle seja uma das armas que foram descartadas pela quadrilha de Lessa.

Das 1.938 ligações para o imóvel 65, no primeiro trimestre de 2018, foram examinadas 1.317 ligações. Deste total, segundo o laudo, apenas 13 são atendidas por Lessa.

Procuradoria denuncia senador Ciro Nogueira por corrupção e lavagem de dinheiro

PGR viu indícios de que o parlamentar praticou os atos

Mariana Oliveira
G1 / TV Globo

A Procuradoria Geral da República (PGR) denunciou nesta segunda-feira, dia 10, o senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na denúncia, a PGR pede ao STF que torne Ciro Nogueira réu pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por supostamente ter recebido repasses da construtora Odebrecht.

Desde que as investigações começaram, o senador nega irregularidades. Nesta segunda-feira o advogado de Ciro Nogueira, Antonio Carlos de Almeida Castro, divulgou uma nota na qual afirmou estranhar a denúncia, “pois a base do inquérito é unicamente as delações premiadas da Odebrecht”.

INDÍCIOS – Ciro Nogueira é investigado desde abril de 2017, quando executivos e ex-executivos da Odebrecht fecharam acordo de delação premiada. Após as investigações, realizadas pela Polícia Federal, a PGR viu indícios suficientes de que o parlamentar praticou os atos e que deve responder a uma ação penal.

Caberá ao ministro Luiz Edson Fachin analisar o caso. Fachin deverá notificar a defesa, para que os advogados possam rebater as acusações. Depois, Fachin terá que levar o caso para a Segunda Turma do STF decidir se aceita ou não a denúncia.

Se o STF aceitar a denúncia, Ciro Nogueira se tornará réu e passará a responder a uma ação penal. Uma eventual aceitação da denúncia não representará a condenação do senador. Ao final do processo, se a denúncia for aceita, Ciro Nogueira será julgado, podendo ser absolvido ou condenado.

O CASO –  Ciro Nogueira é acusado de ter pedido ajuda aos executivos da Odebrecht entre 2010 e 2014 para a campanha dela e para o Progressistas (ex-PP).

Em 2010, segundo o processo, o senador teria recebido R$ 300 mil. O valor teria sido registrado no sistema Drousys, no qual a Odebrecht controlava os supostos pagamentos de propina. O nome registrado do repasse foi “Cerrado” naquele ano. Em 2014, o parlamentar teria recebido R$ 1,3 milhão em duas vezes.

ENTREGAS POR DOLEIROS – Além disso, ainda de acordo com o processo, Ciro Nogueira teria recebido outros R$ 6 milhões, omitidos por um dos delatores, Cláudio Melo Filho, amigo do senador. Relatório da PF sobre a investigação afirmou que, a partir dos relatos dos delatores, foi possível comprovar algumas entregas por meio de doleiros e empresas de valores, além de confirmação de viagens e encontros.

Conforme a PF, “esse conjunto de dados e evidências ostentam significativas convergências a apontar “que o Senador Ciro Nogueira, em comunhão de desígnios com empresários, doleiros e assessores, praticou crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa”.

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ÍNTEGRA DA NOTA DA DEFESA DE CIRO NOGUEIRA

A defesa estranha a apresentação desta Denúncia pois a base do inquérito é unicamente as delações premiadas da Odebrecht.

Todas as delações deverão ser analisadas em momento oportuno pelo Supremo Tribunal Federal que irá decidir sobre a validade ou não de algumas delações.

Ademais o próprio Supremo não admite sequer abrir Ação Penal com base somente na palavra dos delatores.

Antonio Carlos de Almeida Castro – Kakay

Por que Rondônia censurou Machado de Assis? Há cinco explicações possíveis…

Uma das hipóteses é que seria apenas um balão de ensaio

José Ribamar Bessa Freire
Blog Taquiprati

Afinal, por que Rondônia, sob o governo do coronel Marcos Rocha (PSL, vixe vixe) mandou recolher das escolas obras de escritores consagrados, inclusive Machado de Assis. Por que proibi-los? Eis cinco possíveis explicações. Uma delas é: se colar, colou. Ou seja, a primeira suspeita é que se trata de um dos tantos balões de ensaio soprados com o ar dos pulmões do capitão Jair Bolsonaro para sondar as reações dos eleitores.

Foi assim quando Flávio Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes defenderam um novo AI-5, responsável por amordaçar a mídia, a música, o teatro, o cinema, a escola. Outro balão foi a performance do Roberto Alvim, Secretário de Cultura, que defendeu o nazismo com palavras de Goebbels, na base do “se colar, colou”. Não colou. A reação vigorosa de setores esclarecidos da sociedade e de suas instituições fez com que ambos os balões murchassem e foi melhor já ir saindo de fininho.

MÃOS AO ALTO – A segunda explicação se relaciona à suposta denúncia de um pai de família. O secretário de educação de Rondônia, Suamy Vivecananda, assumiu a denúncia de que “os livros continham palavrões”. Apontou, então, as armas para Machado, Euclides da Cunha, Mário de Andrade, Nelson Rodrigues et alii e gritou: “Mãos ao alto”.

Criminalizou o melhor da literatura, uma das áreas mais importantes de nossa identidade cultural, para puxar o saco do coronel Rocha, que serviu na Academia Militar das Agulhas Negras e é filiado ao PSL. Essa teria sido a forma de Rondônia se weintraubizar, alinhando-se à política educacional do governo.

FOBIA ÀS LETRAS – A terceira hipótese está relacionada às diretrizes do Planalto. O capitão já havia criticado os livros didáticos dizendo que são um “amontoado de muita coisa escrita” e prometeu “suavizar o conteúdo”.

O ministro Weintraub declarou depois que “muita porcaria” foi excluída com “limpeza boa” feita no material didático. O secretário checou o número de páginas: havia mesmo “muita coisa escrita”. Proibiu seu uso nas escolas.

O Sindicato dos Trabalhadores na Educação (Sintero), porém, botou a boca no trombone: “a leitura dessas publicações deve ser incentivada e não censurada”. Diante da repercussão nacional, o governo de Rondônia recuou.

SABOTAGEM DO PT – Pode ter sido “çabotagem”, seguindo o modelo Weintraub no caso do ENEM. O secretário de Rondônia jurou inicialmente que era tudo “fake”, depois diante das evidências admitiu que eram apenas “rascunhos”.

No entanto, o jornal Rondônia Dinâmica registra que “ele mentiu”. Em dois áudios, a gerente de Educação Básica de Rondônia, Rosane Magalhães, afirma que o secretário deu ordem para censurar as 43 obras, além de todos os livros de Rubem Alves.

Vai ver que ela é uma petista infiltrada, embora tenha sido nomeada por ele. De qualquer forma, para evitar bisbilhoteiros, o memorando passou a ser qualificado como “sigiloso”.

EFEITO CONSOLATA – A Academia Brasileira de Letras considerou “ato deplorável” a censura a seu fundador e aos demais escritores. Mas as investigações do MPF podem confirmar a quinta hipótese: o aceno ao fruto proibido foi estratégia inteligente para incentivar a leitura dos clássicos da nossa literatura.

Tal hipótese é menos absurda do que aceitar que o Brasil tenha caído num nível de barbárie tão degradante, com um secretário de educação tentando impedir o acesso ao maior escritor brasileiro de todos os tempos.

Ou será que o Index Librorum Prohibitorum Bolsonorum comprova que os vermes continuam a roer cadáveres? Nem os mortos estão salvos.

Piada do Ano! Governo lança “cartilha ética” que deixa mal o secretário Wajngarten

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A nova Cartilha de Ética foi elaborada por várias instituições

Fábio Fabrini e Julio Wiziack
Folha

Dias antes de sair em defesa do chefe da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), Fabio Wajngarten, o governo federal divulgou, em parceria com outros órgãos, uma cartilha em que define como conflito de interesses as situações semelhantes à dele.

Reportagens da Folha, publicadas desde 15 de janeiro, mostraram que Wajngarten é sócio, com 95% das cotas, da FW Comunicação, que recebe dinheiro de TVs (como Record e Band) e agências de publicidade contratadas pelo próprio órgão que ele comanda, ministérios e estatais do governo Jair Bolsonaro.

A CARTILHA – O livreto “Integridade nas Compras Públicas” é uma iniciativa da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (Enccla), rede criada pelo Ministério da Justiça e que articula vários órgãos empenhados no enfrentamento a esses crimes.

As 18 páginas foram escritas a várias mãos, com a colaboração da pasta comandada por Sergio Moro, do Ministério da Defesa, da Polícia Federal, da CGU (Controladoria-Geral da União) e da AGU (Advocacia-Geral da União), que assumiu a defesa de Wajngarten em ação popular ajuizada contra ele pelo PSOL na Justiça Federal.  Em manifestação de 31 de janeiro sobre o caso no âmbito do processo, a AGU sustenta que não há conflito no caso do secretário.

Em 20 de janeiro, cinco dias após a primeira reportagem sobre o chefe da Secom, o Ministério da Justiça divulgou em seu site a cartilha.

CONFLITOS DE INTERESSES – No item “Como analisar situações de conflitos de interesses”, a cartilha ensina, com base na lei 12.813/2013, que se trata da “situação gerada pelo confronto entre o interesse público e o privado que possa comprometer o interesse coletivo ou influenciar, de maneira imprópria, o desempenho da função pública”.

E exemplifica as seguintes irregularidades, vedadas a autoridades e servidores do governo:

1) manter relação de negócio com pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão do órgão público;
2) prestar serviços a empresa que esteja sob regulação do órgão em que o agente público trabalha;
3) praticar ato em benefício de pessoa jurídica de que participe o servidor ou parente;
4) exercer atividade privada incompatível com o cargo público.

Neste último caso, a lei classifica como incompatível a função privada em área correlata à pública.

CRIVO DA SECOM – O rateio de recursos para campanhas publicitárias na Secom passa pelo crivo de Wajngarten e sua equipe. Cabe a eles também fiscalizar e definir diretrizes para a área de comunicação em toda a administração federal. Na gestão do secretário, as clientes da FW passaram a receber percentuais maiores da verba de propaganda.

Além dele, a mãe, Clara Wajngarten, é sócia da FW. A mulher, Sophie Wajngarten, tem participações em duas empresas do setor de publicidade, incluindo uma agência.

Apesar das restrições descritas no material da Enccla, a AGU não viu irregularidade no caso específico do secretário.

AGU OMITE FATOS – Na defesa apresentada à Justiça Federal, a AGU diz, com base em informações fornecidas pela Secom, que não foi detectado conflito que impedisse a nomeação dele. No documento, não discorre, por exemplo, sobre o fato de as clientes da FW serem fornecedoras de serviços para a própria Secom.

A AGU elenca argumentos de outra ordem. Diz que Wajngarten deixou de ser administrador da empresa, afastando-se de funções gerenciais —embora permaneça como sócio majoritário e beneficiário dos lucros da FW.

Além disso, afirma que a FW só presta serviços relacionados a publicidade mercadológica, pois oferece aos clientes uma ferramenta de pesquisa sobre anunciantes e suas campanhas publicitárias veiculadas nos principais meios de comunicação. “Assim, o serviço oferecido pela empresa da qual o secretário é sócio não seria compatível com as espécies de publicidade contratadas pela Secom (institucional, de utilidade pública e legal). Não há, portanto, contratos do poder público com a sociedade empresarial.”

AS INVESTIGAÇÕES – A Justiça ainda não deliberou sobre o caso. Na ação popular, o PSOL pede que Wajngarten e seu secretário-adjunto, Samy Liberman, sejam afastados dos cargos.

Em outra frente, a Polícia Federal abriu inquérito, a pedido do Ministério Público Federal, para investigar Wajngarten por supostas práticas de corrupção passiva, peculato (desvio de recursos por agente público) e advocacia administrativa (patrocínio de interesses privados na administração pública).

Além disso, o TCU (Tribunal de Contas da União) apura se ele usou o cargo de forma política ao destinar mais recursos da Secom a emissoras aliadas ao governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em resumo: um importante assessor da Presidência da República mente ao preencher o questionário obrigatório para ingresso no serviço público, o governo lança uma cartilha de ética que aponta as irregularidades por ele cometidas e nada acontece ao infrator. É o país da piada pronta. (C.N.)

Governo e Congresso articulam acordo sobre vetos de Bolsonaro em projeto sobre Orçamento

Charge do Aroeira (Arquivo do Google)

Naira Trindade
O Globo

O governo e o Congresso costuram um acordo para evitar a derrubada de todos os vetos feitos pelo presidente Jair Bolsonaro em um projeto que mudou regras para a execução do Orçamento de 2020.

O Executivo estaria disposto a ceder a deputados e senadores o direito de indicar a prioridade para a execução das emendas, mas quer evitar que tenha um prazo de 90 dias para cumprir a ordem e que o gestor seja punido nesse caso.

REUNIÃO – No domingo, Bolsonaro reuniu-se com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no Palácio da Alvorada. O tema foi tratado também pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), com o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) em outra reunião.

A equipe econômica participa dos debates, por meio do assessor especial do ministro Paulo Guedes (Economia), Esteves Colnago, e do secretário do Tesouro, Mansueto Almeida.

Um dos trechos vetados por Bolsonaro dá poder a deputados e senadores sobre a ordem em que serão executadas as emendas. Domingos Neto (PSD-CE), por exemplo, controlaria sozinho R$ 31 bilhões — total destinado às emendas de relator no Orçamento.

DEMANDAS –  Ciente que teria dificuldades de manter este veto, o governo passou a aceitar que o Congresso tenha direito à prioridade, mas quer evitar que tenha 90 dias para sua execução e que o gestor seja punido caso não cumpra esse prazo.

Também está em análise uma forma de deixar as emendas que tratem de custeio para definição exclusiva do governo. Alcolumbre está coordenando a negociação no Congresso e ainda busca aval dos partidos para fechar o acordo.

MEDIDA PROVISÓRIA – Bolsonaro e Maia trataram também de uma medida provisória que estabelece regras sobre crédito e financiamento de dívidas de produtores rurais, que perderá a eficácia em 10 de março, caso o Congresso não aprove a medida. Foram feitas alterações na comissão mista, dando mais benefícios aos produtores. Agora a MP trava a pauta da Câmara e pode ser analisada nesta semana.

Aliança tenta realinhar tropa bolsonarista em SP e cobra militância por desencontros na mobilização

Charge do Dorinho (Arquivo do Google)

Guilherme Caetano
O Globo

Numa tentativa de realinhar a tropa bolsonarista no estado de São Paulo, o Aliança pelo Brasil realizou um evento na noite do último sábado na capital paulista. Embalada pela deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que aproveitou o momento para dar um puxão de orelha nos apoiadores paulistas pelos desencontros na mobilização, a reunião teve coro contra “traidores”, como Júnior Bozzella, Joice Hasselmann e Alexandre Frota, e promessa de maior alinhamento para evitar um “novo PSL”.

Bozzella e Hasselmann romperam com o governo Jair Bolsonaro em outubro, quando resolveram ficar ao lado do presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, na briga com Bolsonaro. Frota, por sua vez, foi expulso da sigla bem antes e migrou para o PSDB. Desde então, ele tem feito das críticas ao governo seu passatempo preferido.

COLETA DE ASSINATURAS – A advogada do novo partido de Jair Bolsonaro, Karina Kufa, usou boa parte de sua fala para esclarecer dúvidas dos apoiadores sobre a coleta das assinaturas para a criação da sigla e deu um prognóstico. Para ela, o Aliança tem 50% de chance de se viabilizar a tempo das eleições municipais.

O evento, chamado 1º Encontro de Lideranças em São Paulo, foi convocado por apoiadores e lideranças de direita do estado e contou com a presença dos deputados federais Guiga Peixoto (PSL-SP), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) e Aline Sleutjes (PSL-PR), além de Zambelli e Kufa.

“CARONAVÍRUS” –  Cobrados pela militância, os parlamentares afirmaram que o Aliança terá uma espécie de filtro na filiação para barrar novos “caronavírus”, como chamaram supostos candidatos que usam da popularidade de Bolsonaro para se promover. Carla Zambelli disse que eventuais interessados em se filiar à sigla que tenham demonstrado apoio a esses políticos serão barrados.

“O racha foi no ano passado. Então se a gente descobrir que esse cara falou bem do Bozzella depois disso, por exemplo, não vai passar no filtro”, declarou Zambelli. Outro a entrar na rota da ira dos bolsonaristas foi Major Olimpio.

Os deputados foram interpelados pela plateia sobre a situação do senador em relação à fidelidade a Bolsonaro. Queriam saber, basicamente, de que lado o parlamentar estava naquela guerra.

DESALINHAMENTO – “Ele vota com o governo, mas tá com o PSL. É outro caronavírus”, respondeu Zambelli, levando o público a xingar Olimpio. Zambelli também afirmou que já é possível identificar pessoas que se aproximaram do projeto do novo partido de Bolsonaro “apenas para se promover” e que fará o possível para impedir que aconteça o desalinhamento que causou a ruptura com o PSL.

Para Orleans e Bragança, um dos responsáveis pela formulação do estatuto da nova legenda, os futuros filiados precisarão ter uma espécie de “ficha direita”: não ter sido filiado a nenhum partido de esquerda e ter a ficha limpa. O deputado disse, no entanto, que cada caso terá de ser analisado individualmente, a depender do tempo que a pessoa levou para “se arrepender” de ter integrado uma sigla de esquerda.

MOBILIZAÇÃO – Ao fim do evento, os militantes deixaram o Novotel Center Norte, na capital paulista, com uma data agendada para uma mobilização nas ruas. Zambelli convocou os bolsonaristas a se reunirem na Avenida Paulista em 15 de março, com o pretexto de defender a prisão em segunda instância, mas com foco na coleta de assinaturas do Aliança pelo Brasil.

Para ter seu registro analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os dirigentes precisam juntar 492 mil assinaturas e cumprir uma série de requisitos. Segundo Karina Kufa, a manifestação prevista para o mês que vem terá uma coordenação com cartórios da cidade, que deverão se deslocar até o local do ato para reconhecer firma das fichas dos apoiadores. A advogada afirmou que essa ação está prevista no artigo 4º da Lei 8.935/94, que autorizaria o trabalho in loco das repartições.

Por ter sido chamado de “bandido”, Dallagnol processa José de Abreu por ofensas nas redes sociais

Deltan diz que Abreu vem se aproveitando de sua notoriedade 

Pepita Ortega
Fausto Macedo
Ricardo Brandt
Estadão

O procurador da República Deltan Dallagnol entrou com ação indenizatória de danos morais contra o ator Zé de Abreu, por “constantemente ofender a honra e dignidade”. A ação pede indenização de R$ 41,8 mil. Em dezembro, o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, entrou com mesmo tipo de ação contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na ação movida, o advogado de Deltan afirma que o autor do pedido é conhecida coordenador da Lava Jato, “cuja operação é reconhecidamente a maior já existente de combate à corrupção e lavagem de dinheiro da história do Brasil”. E que isso traz reconhecimento por maioria da população, mas também ataques.

ATAQUES – “Ao combater o estado de coisas que imperava no País, o autor também passou a ser atacado por pessoas que de alguma forma se sentiram atingidas pelas iniciativas do MPF, como é o caso, lamentavelmente, do réu Zé de Abreu, conhecido artista de televisão da Rede Globo, que vem se aproveitando de sua notoriedade para constantemente ofender a honra e dignidade do autor.”

Os ataques, segundo a ação, são feitos principalmente na internet por meio da conta do ator no Twitter, que tem 421 mil seguidores. No pedido de indenização, Deltan registra que “defende a validade do debate público, a necessidade de críticas contra quem quer que seja, o direito que todo o cidadão tem de expressar sua opinião”.

“BANDIDO, CANALHA” – “Mas não pode mais ficar passivo diante do ataque maciço contra sua honra e dignidade que vem recebendo constantemente” de Zé de Abreu, nome artístico de José Pereira de Abreu Júnior. “Ao chamar o Autor de bandido, canalha, bandido sem caráter, vagabundo, verme, bandido da pior espécie, rato, idiota, imbecil, além ainda de associá-lo como membro de um orgcrim (organização criminosa) e dizer canalha, vai para a cadeia, é evidente que o réu (José de Abreu) não exerceu qualquer direito de expressão ou de crítica, mas partiu para deliberado ataque à honra e dignidade do autor, provando ser pessoa que não convive com opiniões diversas, que desrespeita a vida alheia e debocha dos estatutos legais e institucionais do Brasil. Os valores, se recebidos, serão destinados à uma instituição de caridade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Após ser processado por Dallagnol, o ator José de Abreu não se conteve e logo jogou no ventilador das redes sociais. (Marcelo Copelli)

Adriana Ancelmo “sabia do caixa paralelo” e ajudou na lavagem de dinheiro, admite Cabral

Cabral foi ouvido como delator e não será mais filmado ao depor

Italo Nogueira
Folha

O ex-governador Sérgio Cabral afirmou nesta segunda-feira, dia 10, pela primeira vez, que a sua mulher Adriana Ancelmo o ajudou na lavagem de dinheiro de propina recebida por fornecedores do estado. Ele disse também que a ex-primeira-dama tinha conhecimento de seu “caixa paralelo”, se referindo aos recursos obtidos com propina.

Este foi o primeiro interrogatório do ex-governador após ter o acordo de colaboração com a Polícia Federal homologado pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal).

DESCONFIANÇA – O processo ganhou relevância porque os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro desconfiavam que o agora delator omitiu crimes cometidos pela ex-primeira-dama mesmo após passar a confessar seus delitos.

Cabral foi ouvido pelo juiz Marcelo Bretas sobre a acusação de ter lavado R$ 3,1 milhões da propina obtida junto a fornecedores do estado por meio da rede de restaurantes de comida japonesa Manekineko e o escritório da ex-primeira-dama.

INTERMEDIAÇÃO – Segundo o ex-governador, foi Adriana Ancelmo quem apresentou a rede de restaurantes como uma forma de lavar dinheiro. “Confirmo a emissão de notas fiscais do escritório da minha mulher para atender uma demanda dessa empresa, Manekineko, para lavar recursos ilegais. Foi trazido o pleito pela Adriana, e combinei entrega de dinheiro na casa de Thiago Aragão [sócio da ex-primeira-dama]”, disse Cabral.

De acordo com o Ministério Público Federal, o dinheiro vivo obtido como suborno do ex-governador era usado para remunerar funcionários dos restaurantes. Em contrapartida, o Manekineko fazia transações bancárias de mesmo valor para o escritório de Adriana, que por sua vez emitia notas fiscais para simular serviços advocatícios não prestados à empresa.

SOLUÇÃO CONJUNTA – A dinâmica solucionava um problema para os dois lados. Cabral conseguia dar aparência legal, por meio do escritório da mulher, aos valores que recebeu ilegalmente. A empresa, por sua vez, pagava seus funcionários por fora do registro em carteira, o que reduzia custo de encargos e eventuais ações trabalhistas futuras –que usam como base de condenação o valor do salário oficial.

“O escritório tinha clientes que, de fato, contratavam e havia trabalho. Nesse caso, efetivamente, foi lavagem de dinheiro”, afirmou ele. Segundo Cabral, a ex-primeira-dama sabia que ele mantinha um “caixa paralelo”.

“Ela não sabia das contas no exterior, como funcionava. Mas sabia que meus gastos não eram compatíveis com o que recebia”, disse o ex-governador. É a primeira vez que ele envolve diretamente a mulher. Em interrogatórios anteriores, quando já confessava seus crimes, ele buscou eximir Adriana de culpa.

CONTAMINAÇÃO – “A Adriana tinha o escritório dela e eu contaminei esse escritório quando eu pedi o repasse de caixa dois, que ela não sabia, para o dono da Rica [empresário Alexandre Igayara]. Eu contaminei. Ela insistiu comigo e questionou para saber por que estava sendo utilizado. Eu enganei e a prejudiquei. E ela entrou como orcrim [organização criminosa] de uma maneira que me dói o coração”, afirmou o emedebista em fevereiro, quando confessou pela primeira vez.

Em seu interrogatório, Adriana pediu para não responder as perguntas. Fez apenas referência a depoimento de outro processo em que negou o crime. Sua defesa afirmou, em nota, que ela “jamais participou de qualquer ilícito porventura praticado por terceiros envolvendo o restaurante Manekineko”.

“Não vejo como possível levar a sério esse novo depoimento de Sérgio Cabral. Se ele sequer mencionou o fato à Polícia Federal, ao que se sabe, em sua delação, passa-se a ideia de que o ex-governador quer se posicionar como um colaborador da Justiça, confessando tudo o que lhe for perguntado, a fim de auferir benefícios que nem mesmo o Supremo Tribunal Federal concedeu. Parece desespero pelos quase 300 anos de pena já impingida” disse o advogado Alexandre Lopes.

TORNOZELEIRA – Adriana já foi condenada em quatro ações penais e já soma 36 anos e um mês de pena. Ela está em liberdade, usando tornozeleira eletrônica, após ter passado um período presa. A ex-primeira-dama também responde pela lavagem de dinheiro por meio da compra de joias.

Cabral, por sua vez, já foi condenado em 13 processos e soma mais de 282 anos de prisão. Preso há mais de três anos, ele espera conseguir a liberdade usando o selo de colaborador da Justiça para derrubar os quatro mandados de prisão que tem contra si.

TEMOR – A expectativa da defesa de Cabral —e temor dos procuradores fluminenses— é a de que, ao se tornar colaborador, não há mais razão para mantê-lo preso preventivamente, sob risco de interferir na investigação ou permanecer cometendo crimes.

Após serem chamados de “parasitas”, servidores preparam contra-ataque na Justiça contra Guedes

Charge é do Marcos Venícius (Arquivo do Google)

Vera Batista
Augusto Fernandes
Correio Braziliense

Os servidores já foram chamados de marajás, preguiçosos, incompetentes, improdutivos, elites, corporativistas, sangues-azuis e, agora, de “parasitas”. Todos os termos causaram indignação e revolta. Mas o último qualificativo, além do repúdio generalizado, teve o poder de aglutinar as diferentes categorias do serviço público que estavam, aparentemente, sem projeto definido para enfrentar o ímpeto governista na reforma administrativa.

De acordo com técnicos do próprio governo, Paulo Guedes, ao ofender o funcionalismo e criticar com veemência reajuste anual de salários, privilégios e aposentadorias generosas, criou um clima de terra arrasada e derrubou todo o trabalho de divulgação que vem sendo levado a cabo. O governo já estava com uma campanha publicitária praticamente pronta para vender de forma efusiva a reforma na administração pública.

MENSAGEM CUIDADOSA – A propaganda iria justamente abordar pontos como a dificuldade do governo em investir em áreas prioritárias, a exemplo da saúde, educação e segurança, porque a maioria dos recursos públicos está comprometida com pessoal e custeio. Mas a mensagem seria divulgada de forma cuidadosa, com um inteligente encadeamento.

A ideia era argumentar que o servidor custa na entrada e na saída, porque se aposenta e continua bancado pelo contribuinte por mais 20 ou 30 anos. Mas essa despesa obrigatória existe somente porque a lei permite. É legal, mas é imoral. Portanto, a sociedade precisa ajudar, com urgência, diante da necessidade de ajuste fiscal, a mudar a lei — com as reformas — para acabar com a farra de pessoas que trabalham pouco e dão quase nenhum retorno à população.

DISCURSO DE CAMPANHA – “Esse discurso vem desde a campanha presidencial. Foi sendo consolidado, com o apoio da população, de forma coordenada, por vários ocupantes de cargos relevantes. Nada foi por acaso. Assim como na reforma da Previdência, a retórica foi ganhando corações e mentes. Os servidores, tenho certeza, já estavam quase absorvendo a possível derrota. Mas, agora, estragou tudo”, lamentou um técnico do governo.

Na sexta-feira, poucas horas após a palestra de Paulo Guedes, na Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio, uma enxurrada de notas de repúdio de entidades sindicais tomou conta do país.

CONTROVÉRSIAS – Apesar da interpretação pessimista dos auxiliares próximos a Paulo Guedes, há controvérsias sobre os possíveis efeitos negativos da provocação. Pode parecer gratuita, mas não é. “Lembrei de Fernando Henrique Cardoso, quando chamou os aposentados de `vagabundos´. Ambos (FHC e Guedes) foram grosseiros na tentativa de chamar a atenção da sociedade para privilégios de determinados setores do funcionalismo público”, recordou o economista e especialista em contas públicas Gil Castello Branco, secretário-geral da Associação Contas Abertas.

Ele acha difícil cravar, em tão pouco tempo, o que vai acontecer. “Creio que o governo acha, sim, que esses termos fortes auxiliam. Assim como os servidores se preparam para pressionar os parlamentares, em ano de eleição, a sociedade pode despertar e começar a fazer o mesmo”, avaliou.

GENERALIZAÇÃO DESCABIDA – “A generalização, em ambos os casos (Guedes e FHC), é totalmente descabida. Há ilhas de excelência na administração pública. Tirando meia dúzia de servidores que o ministro trouxe da iniciativa privada, os principais assessores de Guedes são servidores públicos de carreira, altamente capacitados”, justificou.

A reação dos servidores, no entanto, foi maior que a esperada, disse Castello Branco. Tanto o Fórum Nacional das Carreiras de Estado (Fonacate), que representa os funcionários públicos do topo da pirâmide remuneratória, quanto a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), com 80% dos servidores da base associados, consultaram seus departamentos jurídicos e ameaçam entrar com ações na Justiça ou acionar a Comissão de Ética no serviço público.

RECLAMAÇÕES –  A tônica das notas de repúdio deixa claro que os protestos vão crescer. “A mobilização dos servidores deve ganhar força com o lançamento da campanha salarial unificada, no dia 11. Um ato em frente ao Ministério da Economia marca a entrega oficial da pauta de reivindicações dos federais das três esferas. As entidades reunidas nos fóruns conjuntos enviaram um pedido de audiência ao ministro Paulo Guedes que nunca recebeu oficialmente as categorias. No dia 12, a Condsef/Fenadsef participa de debate convocado pela Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Serviços Públicos, na Câmara. Uma plenária nacional dos federais também vai avaliar o cenário e definir novas ações”, dizem as entidades.

Vladimir Nepomuceno, ex-diretor de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento e consultor de entidades sindicais, conta que as estratégias dos servidores estão se consolidando. O lema da campanha para enfrentar a propaganda oficial é “Eu perco meu emprego, você perde o serviço público gratuito”.

DIÁLOGO – Segundo ele, para chegar à população, não adianta defender carreiras isoladas. “Temos que focar em quem precisa. Falar com o usuário que essa política que aí está não pensa em melhorar o serviço público e, sim, em acabar. Ele vai ficar sem hospitais, escolas e segurança. É bom lembrar que as vacinas e as campanhas de medicamentos são desenvolvidas e distribuídas por servidores. Só há uma saída: investir no serviço público”, defende Nepomuceno.

No país, há 12 milhões de servidores (estaduais, municipais e federais) e há leis que permitem a dispensa deles, reitera Nepomuceno. “Quase 60% da população não tem nem sequer o ensino médio, muito menos dinheiro para pagar plano de saúde. A nossa proposta não é somente sentar e conversar. É ir a feiras, lideranças comunitárias, postos de saúde, pontos de ônibus, hospitais e conscientizar os desempregados, sem deixar de pedir ajuda à classe média, aos formadores de opinião”, reforça o assessor.

MISSÃO DIFÍCIL – Mauro Silva, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco Nacional), admite que a missão vai ser difícil.

“No passado, as campanhas dos nazistas também demonizavam os judeus. Não é novidade. A estratégia está sendo copiada”, afirma. Para ele, o clima de ódio no Brasil não deixa dúvidas de que o país “está sobre um barril de pólvora; a dúvida é quem vai incendiar primeiro”.

POLARIZAÇÃO – “Hoje, vivemos um ambiente dominado por forças que tendem para os extremos”, observa. “Há uma dificuldade real em abrir esses olhos. Quem sabe se, em 18 de março (Dia Nacional de Paralisação), a gente não consiga encher a Esplanada?”, espera o dirigente.

Rudinei Marques, presidente do Fonacate, conta que a intenção é continuar com a estratégia de apresentar estudos técnicos. Um deles já foi divulgado, e tratava das especificidades dos serviços federais. E outro será apresentado na semana que vem, com detalhes sobre estados e municípios.

“São dados que vão servir de contraponto ao discurso oficial raivoso, ofensivo e equivocado”, afirmou. Um dos focos é o combate à ideia do governo de cortar 25% da jornada e da remuneração. “Vamos perder um quarto do tempo e da mão de obra. Isso tem que ficar claro já que não temos os R$ 200 milhões que o Executivo, desde a gestão de Michel Temer, gastou em propaganda”, diz Marques.

PF ADERE PROTESTOS –  A diretoria da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) engrossou neste sábado, dia 8, as manifestações contra as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que comparou funcionários públicos a parasitas ao ressaltar o alto peso da folha de pagamento do funcionalismo no orçamento.

Nota da entidade sustenta que “as afirmações de Guedes consagram um discurso perigoso e generalizante, que em nada contribui para o fortalecimento de uma nação e sua economia, como ele mesmo anuncia em suas propostas”.

VISÃO SIMPLISTA – “Os atuais servidores da Polícia Federal escolheram sua carreira conforme regras e princípios constitucionais vigentes e culpá-los diretamente por qualquer dificuldade econômica por que passe o país demonstra uma visão simplista e injusta, o que cremos não fazer parte de nenhum plano de governo que vise ao bem-estar do seu povo”, disse a entidade.

A federação ainda destaca que “não há crescimento do país sem a dedicação dos seus servidores públicos” e “não há enxugamento do Estado que se inicie pelo ressecamento moral e do orgulho dos brasileiros que escolheram funções públicas como horizonte profissional”.

LAVA-JATO –  De acordo com a entidade, “os trabalhos na Operação Lava-Jato têm demonstrado a nossa força e a nossa coragem de enfrentar o poder atrelado à corrupção”. “(Os trabalhos) reafirmaram o nosso compromisso com um Brasil melhor, livre desse câncer que insiste em assolar a nossa pátria”, frisou a Fenapef.

O Sindicato Nacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Assibge) também repudiou a fala de Guedes. Além de criticar a comparação feita pelo ministro da Economia, a entidade o criticou pelos cortes das verbas para a realização do Censo Demográfico 2020. “Irresponsáveis, incompetentes e parasitas são os que teimam em colocar um censo demográfico em campo sem os recursos necessários, que garantiriam uma operação de qualidade, com pessoal e a estrutura cabível”, protestou o sindicato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com a declaração, possivelmente Guedes terá que sair de cena na negociação da reforma administrativa. O episódio causou constrangimentos para os líderes governistas e, ao mesmo tempo, deu munição para os opositores que abriram amplo apoio ao servidores. Aliás, a vitória do filme “Parasita” no Oscar deve ter sido homenagem a Guedes… (Marcelo Copelli)

Ministério da Cidadania fecha contratos milionários com firmas de tecnologia sem licitação

Ministério de Osmar Terra contratou empresa alvo da Gaveteiro

Patrik Camporez
Estadão

 Alvo de uma reestruturação interna por causa de suspeitas de irregularidades em contratos na área de Tecnologia da Informação, o Ministério da Cidadania firmou negócios em série e sem licitação, em 2019, para contratação de serviços e soluções na área de computação.

Como mostrou o Estado no último sábado, o Ministério da Cidadania, comandado por Osmar Terra, contratou uma empresa de informática que, segundo a Polícia Federal, foi usada para desviar R$ 50 milhões dos cofres públicos entre 2016 e 2018.

FECHOU NEGÓCIO – A Business to Technology (B2T) foi alvo na semana passada da Operação Gaveteiro. O foco são contratos da gestão Michel Temer, mas a empresa conseguiu fechar negócio no governo de Jair Bolsonaro. A B2T não foi localizada no endereço que consta do contrato com a pasta.

Em um intervalo de pouco mais de seis meses, entre junho de 2019 e janeiro de 2020, a pasta comandada pelo ministro Osmar Terra contratou pelo menos oito empresas da área de TI, a um custo total de R$ 36 milhões. Pelo menos cinco contratos foram fechados sem licitação, por R$ 25 milhões. Por meio de assessoria, a pasta informou que “está sendo feita uma avaliação dos contratos de TI deste ministério”.

EXONERAÇÕES – No mês passado, toda a equipe que chefiava o setor de TI do ministério foi exonerada, depois que começaram a surgir suspeitas sobre os contratos firmados na atual gestão. Um dos demitidos foi o subsecretário de TI da pasta Júlio César Lyra.

O primeiro contrato de TI fechado na gestão Osmar Terra foi com a TRDT Brasil, pelo valor de R$ 8,7 milhões, para prestação de serviços de suporte técnico e atualização de versões de sistemas. Foi assinado pelo subsecretário de Assuntos Administrativos da pasta, Paulo Roberto de Mendonça e Paula, em 7 de junho de 2019. A negociação, assim como no caso da B2T, foi feita sem licitação.

SEM PREGÃO – Outro contrato assinado sem licitação pelo subsecretário – aliado de Terra – foi com a Niva Tecnologia. O que chamou atenção, neste caso, é que o ministério foi atrás de uma ata do Serviço Florestal Brasileiro para conseguir contratar o trabalho sem a necessidade de um pregão. Órgãos públicos costumam “reaproveitar” atas de outras instituições para encurtar o caminho das contratações.

No caso da Niva, a “carona” foi pega em órgão com atribuições totalmente diferentes das da pasta da Cidadania, já que o Serviço Florestal Brasileiro tem a missão de promover o uso sustentável e a ampliação da cobertura florestal do País. A adesão à ata custou R$ 7,4 milhões ao ministério. O objetivo do contrato, assinado em 6 de julho de 2019, é a compra de solução de TI destinada ao tratamento e entrega de dados.

O Estado questionou o Ministério da Cidadania se é comum a realização de diversas contratações em um curto período e se empresas públicas do próprio governo não poderiam prestar os serviços. A pasta disse que iria responder a todos os questionamentos, mas não se manifestou até a conclusão desta edição. O ministério também não informou se os funcionários demitidos responderão a alguma sindicância.

OPERAÇÃO –  A Operação Gaveteiro, da PF, mira desvios de mais de R$ 50 milhões no extinto Ministério do Trabalho. Houve buscas contra o ex-deputado Jovair Arantes (PTB-GO), o ex-assessor da Casa Civil (governo Bolsonaro) Pablo Tatin e o ex-ministro do Trabalho (governo Temer) e atual presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Ronaldo Nogueira.

Após a morte do miliciano, Bolsonaro evita dar entrevista e põe a culpa na imprensa

Resultado de imagem para bolsonaro no alvoradaIngrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar a imprensa, na manhã desta segunda-feira (10/2), na saída do Palácio da Alvorada e afirmou que a mídia deturpa as declarações que ele concede. “Tem uma série de problemas no Brasil, gostaria de compartilhar com vocês, mas como será deturpado, isso acabará dificultando a solução. Então, lamento. Mas não vou conversar nada com vocês, tá ok? O dia em que vocês, com todo o respeito, transmitirem a verdade, será muito salutar eu conversar meia hora com vocês, problemas dos mais variados possíveis, dá para resolver, gostaria de compartilhar, repito, não o faço por quê? Ao haver deturpação a solução ficará mais difícil, talvez impossível. Então lamento não poder conversar com vocês”, apontou.

Também no último sábado (8/2), o chefe do Executivo demonstrou sua insatisfação com a imprensa e criticou a cobertura dos jornais sobre o seu posicionamento quanto aos custos que um portador do vírus HIV trazem para o Brasil.

AIDÉTICO CUSTOSO – Bolsonaro reforçou o entendimento de que “qualquer pessoa com HIV é custoso para o mundo” e, em determinado momento, usou os braços para dar uma “banana” aos jornalistas que o esperavam na saída da residência oficial.

Na última quarta-feira (5/2), ao comentar a campanha de abstinência sexual da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, Bolsonaro afirmou que “uma pessoa com HIV, além de ser um problema sério para ela (si própria), é uma despesa para todos aqui no Brasil”.  O chefe do Executivo falava sobre o caso de uma jovem que supostamente teve o segundo filho aos 15 anos e que contraiu HIV na terceira gravidez.

“Na semana passada, falei de uma menina que deu à luz pela terceira vez aos 16 anos de idade sendo aidética. Isso que eu falei. O que faltou? Faltou uma mãe, uma avó, pra não começar a fazer sexo tão cedo. Qualquer pessoa com HIV, além do problema de saúde dela gravíssimo, que nós temos pena, é custoso para todo mundo. Vocês focaram no que o aidético é oneroso no Brasil”, apontou o presidente ainda no sábado.

LEVANDO PORRADA – Para Bolsonaro, ao agir dessa maneira, a imprensa “só faz fofocas”. O presidente também alegou estar sendo manchado pelos jornalistas e que está “levando porrada de tudo quanto é grupo de pessoas que tem esse problema, lamentavelmente”.

Bolsonaro assina MP e libera R$ 11,2 milhões para combate a coronavírus

Grupo oriundo de Wuhan chegou à base aérea de Anápolis no domingo

Guilherme Mazui
G1

O presidente Jair Bolsonaro assinou medida provisória (MP) que destina crédito extraordinário de R$ 11.287.803,00 ao Ministério da Defesa. Segundo o texto, o repasse é para custear ações de enfrentamento de “emergência de saúde pública de importância internacional” provocada pelo coronavírus.

A MP foi publicada na edição desta segunda-feira, dia 10, do “Diário Oficial da União” (DOU) e, portanto, está em vigor. O dinheiro foi redirecionado de uma “reserva de contingência” que consta no orçamento.

DESTINAÇÃO – O G1 questionou o Ministério da Defesa e o Palácio do Planalto se os recursos serão utilizados na repatriação e quarentena dos brasileiros, ou se o dinheiro será usado em outras ações. Não houve resposta até a última atualização desta reportagem.

O Brasil não tem casos confirmados da doença, porém optou por reconhecer a emergência para facilitar a adoção de medidas, entre as quais, a busca de brasileiros que estavam em Wuhan, cidade chinesa epicentro do surto de coronavírus.

PROJETO DE LEI – O governo também enviou na semana passada um projeto de lei, aprovado por Câmara e Senado e sancionado por Bolsonaro, com regras sobre quarentena e medidas contra o coronavírus.

No domingo, dia 9, um grupo de 58 pessoas (34 repatriados e 24 tripulantes) oriundas de Wuhan chegou à base aérea de Anápolis (GO), onde cumpre o período de 18 dias de quarentena. No mesmo dia, o Ministério da Defesa divulgou boletim informando que os brasileiros repatriados continuavam sem qualquer sintoma da doença.

Paulo Guedes fala asneiras e depois alega que suas frases estão “fora de contexto”

Charge de André (O Imparcial)

Roberto Nascimento

Paulo Guedes, o ministro posto Ipiranga, chamou os funcionários públicos de parasitas e hospedeiros da nação, comparando-os com plantas trepadeiras que abraçam os troncos das árvores, sugam seus nutrientes até matá-los e morrerem juntos. E disse que o dinheiro não chega ao povo, por causa dos parasitas.

Mas o pior de sua palestra foi escondida pela mídia, inclusive a Globo, pois disse o seguinte: “Eu, que já fui revolucionário, hoje sou freira de convento (na comparação com os atuais parlamentares). Eles (políticos) chegam e dizem, ‘o senhor tem que desindexar, desobrigar, tem que descarimbar o dinheiro’.

À DIREITA DO MINISTRO – Então, se conclui que esse é um Congresso que está à direita do ministro. E o orador só faltou lembrar Ulysses Guimarães, o Sr. Diretas, que dizia: “Se vocês acham esse Congresso ruim, esperem o próximo”.

Guedes e a equipe econômica não conhecem a realidade do funcionalismo público, cuja maioria não recebe mais do que R$ 2,5 mil. Nada que se compare aos altos salários da elite, especialmente do Judiciário e do Congresso.

Esse ataque aos servidores, raso e generalizado, representa um despautério e um gigantesco absurdo. Foi uma descortesia inaceitável de Guedes, que deveria pedir desculpas ao funcionalismo.

Aliás, quando a repercussão de seus pronunciamentos em fóruns econômicos se torna muito nagativa nas redes sociais, ele sempre se justifica dizendo que as frases foram tiradas de contexto.

POBRES DESMATADORES – O ministro diz uma barbaridade atrás da outra. Por exemplo, foi uma incomensurável mentira dizer que a culpa pelos desmatamento é dos pobres. Logo depois ele se desmentiu, mas passou a defender o aumento do uso de defensivos agrícolas, que poluem os rios.

Todos sabem que são os agricultores (agronegócio), que desmatam para criar a monocultura da soja e para implantação de pastos, ou as madeireiras, para vender as toras que a natureza criou.

O que Guedes parece desejar é acabar com os pobres, mas, com suas medidas ultraliberais, a pobreza no Brasil só vem aumentando.

OBSCURANTISMO – A verdade é que estamos atravessando um momento de tristeza e obscurantismo jamais visto nesse país na História Contemporânea. E o povo inerte, calado e esperando o massacre diário.

Como se sabe, a empolgação e o populismo são péssimos conselheiros. Em agindo assim, irrefletidamente, Guedes vem tirando votos importantes do presidente, rumo a reeleição em 2022.

Interrogatório sobre negócios de Adriana Ancelmo é o primeiro teste de Cabral como delator

MPF suspeitava que Sérgio Cabral buscava proteger a mulher

Italo Nogueira
Folha

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral terá nesta segunda-feira, dia 10, o seu primeiro teste como colaborador da Justiça ao depor sobre acusações contra sua mulher, Adriana Ancelmo, pela suposta lavagem de dinheiro por meio do escritório de advocacia dela.

Este será o primeiro interrogatório do ex-governador após ter o acordo de colaboração com a Polícia Federal homologado pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal). O processo ganha relevância porque os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro desconfiam que o agora delator omitiu crimes cometidos pela ex-primeira-dama mesmo após passar a confessar seus delitos.

LAVAGEM DE PROPINA –  A defesa do ex-governador chegou a tentar adiar o depoimento. Mas ele foi mantido pelo magistrado. Cabral será ouvido pelo juiz Marcelo Bretas sobre a acusação de ter lavado R$ 3,1 milhões da propina obtida junto a fornecedores do estado por meio da rede de restaurantes de comida japonesa Manekineko e o escritório da ex-primeira-dama.

De acordo com o Ministério Público Federal, o dinheiro vivo obtido como suborno do ex-governador era usado para remunerar funcionários dos restaurantes. Em contrapartida, o Manekineko fazia transações bancárias de mesmo valor para o escritório de Adriana, que por sua vez emitia notas fiscais para simular serviços advocatícios não prestados à empresa.

“PROBLEMAS” RESOLVIDOS – A dinâmica solucionava um problema para os dois lados. Cabral conseguia dar aparência legal, por meio do escritório da mulher, aos valores que recebeu ilegalmente. A empresa, por sua vez, pagava seus funcionários por fora do registro em carteira, o que reduzia custo de encargos e eventuais ações trabalhistas futuras –que usam como base de condenação o valor do salário oficial.

O esquema da lavagem foi detalhada pelo dono do Manekineko, o empresário Ítalo Garritano. Ele firmou acordo de delação premiada após a Folha revelar as suspeitas sobre a rede de restaurantes. Garritano era cunhado do advogado Thiago Aragão, sócio de Adriana Ancelmo. Os três também vão depor nesta segunda-feira.

PROTEÇÃO – O depoimento é esperado com expectativa por procuradores fluminenses. Um dos pontos de resistência à delação de Cabral no Ministério Público Federal era a suspeita de que ele buscava proteger a mulher. Foi o que ele fez em seu primeiro depoimento a Bretas em que confessou os crimes que lhe eram imputados.

Cabral disse que enganou a mulher ao pedir que dinheiro de propina fosse repassado ao seu escritório. Na ocasião, ele se referia aos repasses da Reginaves, empresa também conhecida como Frangos Rica.

CONTAMINAÇÃO – “A Adriana tinha o escritório dela e eu contaminei esse escritório quando eu pedi o repasse de caixa dois, que ela não sabia, para o dono da Rica [empresário Alexandre Igayara]. Eu contaminei. Ela insistiu comigo e questionou para saber por que estava sendo utilizado. Eu enganei e a prejudiquei. E ela entrou como orcrim [organização criminosa] de uma maneira que me dói o coração”, afirmou o emedebista.

A versão parece inverossímil para os investigadores. Cabral ainda não explicou como ela permitiu a entrada de recursos sem a prestação de serviço correspondente. O casal, inclusive, já foi condenado por lavagem por meio do Manekineko. A ação penal da Operação Calicute, a primeira contra o ex-governador, já relatava a lavagem de R$ 990 mil dessa mesma forma.

TORNOZELEIRA – Adriana já foi condenada em quatro ações penais e já soma 36 anos e 1 mês de pena. Ela está em liberdade, usando tornozeleira eletrônica, após ter passado um período presa. A ex-primeira-dama também responde pela lavagem de dinheiro por meio da compra de joias.

Cabral, por sua vez, já foi condenado em 13 processos e soma mais de 282 anos de prisão. Preso há mais de três anos, ele espera conseguir a liberdade usando o selo de colaborador da Justiça para derrubar os quatro mandados de prisão que tem contra si.

RISCO – A expectativa da defesa de Cabral —e temor dos procuradores fluminenses— é a de que, ao se tornar colaborador, não há mais razão para mantê-lo preso preventivamente, sob risco de interferir na investigação ou permanecer cometendo crimes.

O advogado Alexandre Lopes, que defende a ex-primeira-dama, afirmou que ela “jamais participou de qualquer ilícito porventura praticado por terceiros envolvendo o restaurante Manekineko”.

“O referido restaurante contratou o escritório Ancelmo Advogados para a prestação de serviços jurídicos, que efetivamente foram realizados. A denúncia formulada pelo Ministério Público Federal não possui base real”, disse o advogado. A defesa de Cabral não se manifestou.