Na festa da democracia, é preciso ter cuidado com discursos mais exaltados

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Hélio Schwartsman
Folha

Em tempos mais normais, uma coluna a ser publicada sobre eleições gerais exaltaria a festa democrática. Como não vivemos tempos normais, vejo-me compelido a escrever sobre riscos institucionais. A crer nos discursos mais exaltados, depois de hoje estaremos reduzidos a escolher se enterraremos a democracia elegendo Bolsonaro ou nos tornaremos uma Venezuela optando por Haddad. Cuidado com os discursos mais exaltados.

Não se trata, é claro, de ignorar os alertas. Bolsonaro já deu inúmeras declarações que escancaram seu descompromisso para com a democracia e os direitos humanos. Não é absurdo, portanto, imaginar que, uma vez alçado ao poder, ele dê início a uma escalada autoritária.

DENTRO DAS REGRAS – Seu plano econômico é pouco consistente e Bolsonaro parece completamente despreparado para o cargo. Por mais que alguém odeie o PT, é preciso uma coragem meio suicida para apertar o número 17 na urna.

Só que não podemos tomar o que é uma possibilidade — a erosão da democracia sob seu governo — como uma certeza. Apesar do discurso radical e irresponsável, concretamente Bolsonaro nada fez que possa ser descrito como uma violação às regras democráticas. E, enquanto não fizer, precisa ser aceito como um participante legítimo do jogo.

JUS SPERNIANDI – Quanto a Haddad e o PT, se o passado vale alguma coisa, eles já foram aprovados no teste da democracia. O partido teve uma presidente destituída e seu líder máximo preso e em nenhum momento deixou de acatar as regras, ainda que fazendo uso liberal do “jus sperneandi”, o direito de espernear.

O problema com o PT é que ele parece invulnerável ao aprendizado econômico. Seu programa insiste em algumas das teses que, sob Dilma, produziram a megarrecessão. Nossa melhor esperança é que o programa não seja para valer. Haddad já deu alguns sinais de que, no poder, caminharia mais para o centro. É duro que tenhamos de torcer por mais um estelionato eleitoral.

Bolsonaro larga forte para segundo turno mas agora terá que se expor

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Jair Bolsonaro agora terá de detalhar seu programa

Paulo Celso Pereira
O Globo

O deputado Jair Bolsonaro chega ao segundo turno em situação numericamente muito semelhante à do ex-presidente Lula em 2006, quando, disputando a reeleição, teve 48,6% dos votos no primeiro turno. Há, no entanto, algumas diferenças. Ao contrário do que ocorria com o petista 12 anos atrás, a trajetória do candidato do PSL é claramente ascendente nas pesquisas, ainda que seus admiradores saiam frustrados por não terem conseguido encerrar a fatura neste domingo.

Por outro lado, ele terá agora que se expor e dizer claramente o que pretende fazer caso seja eleito, tarefa da qual foi dispensado no primeiro turno em função do pouco tempo de TV e do atentado que sofreu.

POLARIZAÇÃO – O segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad deve levar a uma polarização ainda maior da campanha eleitoral. As fake news divulgadas nas últimas semanas, e intensificadas neste domingo, são só o prenúncio do que pode se tornar a disputa presidencial deste ano.

A tendência é que os eleitores votem mais por rejeição a um dos nomes do que por alinhamento com o outro. Todas as pesquisas feitas nos últimos dias mostram que os índices de rejeição de ambos candidatos eram maiores do que seus apoios.

O PT, que temia uma onda de última hora de Ciro Gomes, respira aliviado e precisa se reorganizar para uma longa caminhada na nova etapa. De cara, a tendência é buscar o apoio de Ciro e de outros políticos relevantes, na tentativa de reduzir sua rejeição e se mostrar como um nome amplo.

ANTIPOLÍTICA – No campo oposto, é provável que Bolsonaro opte por seguir navegando onde é melhor: na antipolítica.

O resultado deste primeiro turno deixa claro que em nenhum momento se deu de fato uma onda relevante pró-Ciro Gomes ou em nome de outro candidato que quebrasse essa polarização. Geraldo Alckmin exibe o pior resultado da história do PSDB, o que obrigará a uma reorganização profunda do partido.

Por fim, é estarrecedor o resultado de Marina Silva. Após figurar com cerca de 20% dos votos por duas eleições seguidas, ficou atrás de nanicos João Amoêdo, Cabo Daciolo e Henrique Meirelles.

Novato, Witzel deixou salário de juiz (R$ 29 mil) para disputar eleição no RJ

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Witzel largou a carreira de juiz federal e se deu bem 

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Azarão na disputa pelo governo do Rio, o ex-juiz federal Wilson Witzel (PSC) deixou em março a magistratura e um salário bruto de R$ 29 mil para participar da disputa. Centrou sua campanha em dois pilares: o combate à corrupção e à criminalidade, temas caros aos fluminenses, que têm um ex-governador (Sérgio Cabral Filho, do MDB) preso e há décadas enfrentam a violência urbana.

Nas duas semanas antes da eleição, cumpriu compromissos eleitorais na Baixada Fluminense, com Flávio Bolsonaro, filho do presidenciável Jair Bolsonaro eleito senador no domingo.

SUA CARREIRA – Witzel é um servidor público com passagens pela Marinha, como oficial, pelo Instituto de Previdência do Município do Rio (Previ-Rio) e pela Defensoria Pública. É professor e ex-presidente da Associação dos Juízes Federais do Rio e do Espírito Santo, com carreira na Justiça Federal por 17 anos, tendo participado de casos de repercussão, como o do propinoduto

Apresentando-se como alguém que “deixou de ser excelência para se juntar ao povo”, o candidato do PSC defende a criação de uma força-tarefa contra o narcotráfico e as milícias, sob a lógica que norteou a Polícia Federal na Lava Jato, de rastreamento do dinheiro lavado e de monitoramento telefônico, além de um endurecimento contra traficantes.

Para ele, quem estiver portando fuzil num eventual governo seu será “abatido”, por representar um “risco iminente”. “A polícia não age porque não há cobertura jurídica”, declarou durante a campanha.

O ex-juiz federal mora no Grajaú, bairro de classe média na zona norte do Rio e durante toda a campanha pôde ser visto tomando café da manhã em uma das mesas simples da padaria Joia do Grajaú Esse foi o seu programa no domingo, depois de votar com a família no Grajaú Country Club, a poucos metros dali.

FOI SURPRESA – O primeiro turno para o governo do Rio teve um resultado inesperado, que as pesquisas não foram capazes de antecipar. Witzel, que começou a campanha como um desconhecido, mal pontuando nos levantamentos, alcançou 41,28% dos votos válidos após declarar apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro. Já o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (DEM), líder de todas as sondagens até a véspera, chegou em segundo lugar, com 19,56%.

Tarcísio Motta (PSOL) recebeu 10,72% dos votos e Romário (Podemos), 8,70%. A abstenção foi de 23,60%. Nulos somaram 12,72% e brancos, 5,70%. Os votos em Anthony Garotinho (PRP), que estava em segundo lugar nas pesquisas e teve a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não foram computados.

Witzel apresentou-se ao eleitor como um político não profissional, mas com experiência no combate à corrupção e à criminalidade. São dois temas centrais desta corrida ao Palácio Guanabara, por causa do escândalo de cobrança de propinas do ex-governador Sérgio Cabral Filho (MDB) – preso desde novembro de 2016 e condenado a mais de 100 anos de prisão – e da situação caótica da segurança, com números recordes de homicídios, até mesmo os cometidos pela polícia.

COM JUÍZO – Com o slogan “mudando o Rio com juízo”, o ex-juiz se beneficiou da condição de outsider, sem rejeição nem máculas na carreira. Ele tem 50 anos, é de Jundiaí (SP) e mora no Rio desde os 19 anos. Começou a campanha quase sem intenções de voto, chegou ao sexto lugar nas pesquisas duas semanas atrás, e na última sondagem, divulgada no sábado, alcançou o segundo lugar após declaração de voto em Bolsonaro.

No debate da TV Globo da última terça-feira, colocou-se não só como eleitor de Bolsonaro, mas seu “amigo pessoal”. “A minha ideologia sempre foi de direita. Não ia ser diferente na minha caminhada para governador.”

MAIS PREPARO – Em entrevista após o resultado, Witzel disse que está pronto para governar o Estado. “A população demonstrou que quer combater a insegurança, a corrupção, quer mais saúde”, afirmou. “No segundo turno vamos ter mais oportunidades. Os debates foram importantes para que a população identificasse quem tem mais preparo.”

Paes, que liderava as pesquisas, sofreu por sua aliança antiga com Cabral, que foi relembrada todo o tempo pelos rivais. Também foram aventados problemas em obras públicas em sua gestão na prefeitura.

Condenado no ano passado por abuso de poder econômico e político na eleição municipal de 2016, ele concorre graças a uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGWitzel é um homem de coragem e arriscou sua vitoriosa carreira de juiz federal. Caso perdesse a eleição, hipótese hoje bastante remota, ele iria começar tudo de novo, desta vez como advogado e já tinha até acertado ser sócio de uma banca de advogados no Centro do Rio, sediada na Avenida Nilo Peçanha. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Envolvidos na Lava-jato, Raupp, Jucá, Eunício e Lindbergh perdem a eleição

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Jucá perdeu por apenas 500 votos

Luciano Ferreira
O Globo

A maioria dos senadores que tentaram reeleição, como Cristovam Buarque (PPS-DF), perdeu a disputa. Dos nove senadores citados na Lava-Jato que tentaram a reeleição neste ano, três deles conseguiram a vaga. Ciro Nogueira (PP) e Humberto Costa (PT) lideraram as votações no Piauí e em Pernambuco, respectivamente, enquanto que Renan Calheiros (MDB) ficou com a segunda vaga em Alagoas.

Já Eunício Oliveira (MDB-CE) e Romero Jucá (MDB-RR) ficaram em terceiro em seus estados , perdendo, portanto, a vaga no senado. Ambos tiveram menos de 0,5% de diferença para os que conquistaram a segunda vaga, Eduardo Girão (PROS- CE) e Mecias de Jesus (PRB-RR), respectivamente. Garibaldi Alves Filho (MDB-RN), Lindbergh Farias ()PT-RJ) e Edison Lobão (MDB-MA) ocuparam a quarta posição em seus estados, enquanto Valdir Raupp (MDB-RO) ficou apenas em sexto.

Além destes, outros três citados na operação se candidataram à Câmara: Aécio Neves (PSDB), que foi o 19º mais votado e eleito em Minas Gerais; Gleisi Hoffmann (PT), terceiro mais votada e eleita pelo Paraná; e José Agripino Maia (DEM), que foi o décimo mais votado no Rio Grande do Norte, mas ficou de fora, pois apenas são oito eleitos no estado.

OS ELEITOS – Veja os senadores eleitos em todos os estados e no Distrito Federal.

Acre: Petecão (PSD) e Márcio Bittar (MDB); Alagoas: Rodrigo Cunha (PSDB) e Renan Calheiros (MDB); Amapá: Randolfe Rodrigues (REDE) e Lucas Barreto (PTB); Amazonas: Plinio Valério (PSDB) e Eduardo Braga (MDB); Bahia: Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD); Ceará: Cid Gomes (PDT) e Eduardo Girão (PROS); Distrito Federal: Leila do Vôlei (PSB) e Izalci (PSDB); Espírito Santo: Fabiano Contarato (REDE) e Marcos do Val (PPS); Goiás: Vanderlan (PP) e Jorge Kajuru (PRP); Maranhão: Weverton (PDT) e Eliziane Gama (PPS); Mato Grosso: Selma Arruda (PSL) e Jayme Campos (DEM); Mato Grosso do Sul: Nelsinho Trad (PTB) e Soraya Thronycke (PSL); Minas Gerais:  Rodrigo Pacheco (DEM) e Carlos Viana (PHS); Pará:  Jader Barbalho (MDB) e Zequinha Marinho (PSC); Paraíba: Veneziano (PSB) e Daniella Ribeiro (PP); Paraná:  Profº Oriovisto (PODE) e Flávio Arns (REDE); Pernambuco: Humberto Costa (PT) e Jarbas Vasconcelos (MDB); Piauí: Ciro Nogueira (PP-PI) e Marcelo Castro (MDB); Rio de Janeiro: Flávio Bolsonaro (PSL) e Arolde de Oliveira (PSD); Rio Grande do Norte: Capitão Styvenson (REDE) e Dra. Zenaide Maia (PHS); Rio Grande do Sul: Luiz Carlos Heinze (PP) e Paulo Paim (PT); Rondônia: Marcos Rogério (DEM) e Confúcio Moura (MDB); Roraima: Chico Rodrigues (DEM) e Mecias de Jesus (PRB); Santa Catarina: Espiridião Amin (PP) e Jorginho Mello (PR); São Paulo: Major Olimpio (PSL) e Mara Gabrilli (PSDB); Sergipe: Alessandro Vieira (REDE) e Rogério Santos (PT); Tocantins:  Eduardo Gomes (SD) e Irajá (PSD)

Ascensão de Bolsonaro cria um clima favorável a ele no segundo turno

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Fotocharge reproduzida do Arquivo Google

Merval Pereira
O Globo

A vitória de Jair Bolsonaro com uma grande distância para Fernando Haddad sinaliza que o candidato entrará no segundo turno em posição de vantagem, embora todos considerem essa uma nova eleição. Mas quando um candidato sai do primeiro turno em ascensão, o clima que se cria em torno dele é favorável a novas adesões, e as negociações políticas beneficiam o vencedor.

Por isso, nunca um candidato que entrou no segundo turno na dianteira da disputa presidencial deixou de se eleger. Foi assim com o ex-presidente Lula, que não ganhou eleições no primeiro turno – em 2006 chegou a ter 49% -, mas sempre saiu vencedor com cerca de 60% dos votos no segundo turno, contra candidatos do PSDB.

TAREFA DIFÍCIL – Desta vez, o candidato petista Fernando Haddad terá que reverter bem mais votos do que os adversários do PT nas vezes anteriores, uma tarefa mais difícil do que a do tucano Aécio Neves em 2018, por exemplo, que terminou o primeiro turno com 33,55%, contra 41,59% de Dilma, e conseguiu no segundo turno 48,36%, contra 51,64%, perdendo por pouco.  Haddad, hoje, termina com menos votos do que Aécio teve no primeiro turno em 2014, e Bolsonaro quase venceu agora.

A união dos opostos será feita neste segundo turno à força, pois no primeiro as legendas de esquerda e de centro se dispersaram entre várias candidaturas. A questão é saber quão unidos estarão neste segundo turno, e quem terá mais condições de atrair votos do centro político.

FALTA DE OPÇÕES – Haddad, pelas pesquisas, é capaz de levar a maioria dos votos de Ciro, Marina e Alckmin, mas não o bastante para se contrapor a Bolsonaro, que atrairá, até mesmo por falta de opções, o eleitorado de centro-direita espalhado entre candidaturas nanicas de Álvaro Dias, Meirelles, João Amoedo, além da parte minoritária de Alckmin e Ciro.

A impossibilidade de escolha, no entanto, pode gerar um índice maior de votos brancos, nulos e da abstenção neste segundo turno, o que facilitará a vida dos candidatos, especialmente do que está na frente, pois precisarão de menos votos válidos para se eleger.  

Sozinho na cela, Lula assistiu pela TV o desempenho de Fernando Haddad

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Charge do Jota A (O Dia/PI)

Ricardo Brandt

Curitiba, a capital da Operação Lava Jato desde 2014, foi transformada nessas eleições no centro de comando da campanha presidencial do PT. Preso há seis meses – completados ontem – após condenação em segundo grau por corrupção e lavagem de dinheiro, Luiz Inácio Lula da Silva comandou da cadeia a campanha de Fernando Haddad e foi fiador das alianças e do apoio petista ao candidato.

Sozinho, na cela especial preparada para ele na sede da Polícia Federal, o ex-presidente acompanhou neste domingo a votação e o desempenho de seu escolhido pelas notícias da TV.

SEM ISOLAMENTO – Transformada em comitê eleitoral, a cela de Lula na cobertura do prédio berço da Lava Jato – as investigações do escândalo Petrobrás começaram na PF de Curitiba em 2013 –  não foi suficiente para isolar o ex-presidente. Por meio de amigos, advogados e aliados políticos que o visitaram diariamente, o petista conduziu a estratégia de arrastar a candidatura presidencial do PT em seu nome até o prazo final dado pela Justiça Eleitoral, negociou alianças regionais nos estados e ditou as palavras e os passos de Haddad, que em mais de uma oportunidade assumiu o papel de “porta-voz”.

Na segunda-feira, dia 1º, quando o juiz federal Sérgio Moro tornou público o primeiro termo da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci, que compromete Lula e o PT, Haddad fez sua última visita antes da votação.

BILHETES E CARTAS – A aliados e apoiadores, Lula distribuiu mensagens e ordens em bilhetes e cartas manuscritos. No último, enviado aos apoiadores via cópia reproduzida em redes sociais, o ex-presidente usou “seu aniversário oficial” para pedir votos em Haddad – oficial porque o registro feito pelo pai no cartório data seu nascimento no dia 6, mas a mãe afirmava que ele nasceu no dia 27, data que ele considera. “Dia 6 de outubro é o meu aniversário oficial. Espero ganhar de presente no dia 7 de outubro o voto do povo brasileiro no Haddad”, escreveu o ex-presidente.

NOVA ROTINA – Os escritos são parte da rotina que Lula adotou, nesses 184 dias de cárcere. No acampamento de vigília dos petistas, uma placa registra os dias de prisão do petista – como as placas em empresas, que anotam quantos dias não ocorre um acidente de trabalho.

Com uma mesa colocada na cela, de cerca de 15 metros quadrados, Lula escreve, usa para leituras e para as reuniões diárias com seus advogados. O mais presente é o advogado Manoel Caetano Ferreira Filho, espécie de defensor, conselheiro e companhia. Toda manhã, depois do café com pão e manteiga e da caminhada na esteira autorizada pela Justiça, o ex-presidente conversa com “doutor Caetano”, como é conhecido.

MORAIS E MINO – Na quinta-feira, 4, dia das visitas da família – dois filhos estiveram com ele nessa semana – e dos amigos, Lula receberia seu biógrafo Fernando Morais e o jornalista Mino Carta, mas a Justiça proibiu o encontro. Os dois são jornalistas e entrevistas com o petista estão proibidas por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar de seu papel de liderança na disputa, Lula não pode concorrer, por estar inelegível, nem votar neste domingo. E a capital do Paraná amanheceu fria e chuvosa nesse domingo de eleições gerais, como se o inverno não tivesse acabado. O clima varreu dos arredores da PF, no bairro Santa Cândida, os apoiadores de Lula que estão acampados em vigília pela soltura do petista.

A VIGÍLIA – Antes formada por mais de 200 pessoas, a vigília foi reduzida há algumas dezenas de pessoas, que tem como pontos de concentração três imóveis alugados no bairro. Um deles, um terreno em frente ao prédio da polícia, abriga a estrutura de manifestações. Na manhã de ontem, só seguranças e alguns poucos apoiadores ocupavam o local.

Nesta segunda-feira, dia 8, a vigília, que atualmente é mais simbólica do que efetiva, volta a reunir uma multidão nas ruas do entorno da PF. Haddad chega pela manhã para sua primeira reunião de segundo turno com Lula, o coordenador da campanha, como a militância o trata abertamente no incansável ritual de saudação diário, em que gritam: “Bm dia, presidente Lula”, “Boa tarde, presidente Lula” e “Boa noite, presidente Lula”.

Desta vez, não foi a economia, estúpido!

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Charge do Oliveira (Humor Político)

Lauro Jardim
O Globo

Jair Bolsonaro capturou corações e mentes de 49 milhões brasileiros em um país enredado em violenta crise econômica, com 12,7 milhões de desempregados. O triunfo eleitoral do capitão, contudo, passou ao largo de propor soluções para a retomada do crescimento ou para o drama fiscal. Ou ainda para a urgente reforma da Previdência.

Apesar do desemprego nas alturas, pareceram importar muito mais ao eleitor a corrupção, a segurança pública e os valores familiares.

FIM DO MANTRA – Bolsonaro sepultou o mantra consagrado por James Carville, o estrategista de Bill Clinton, para quem o que define o voto nas democracias ocidentais é a situação econômica do país (“É a economia, estúpido”).

Sua campanha tornou hegemônicos outros temas. E surfou neles com inegável sucesso. O que esteve em jogo, ao menos até aqui, foram os valores que Jair Bolsonaro encarna — e foram eles os vencedores do primeiro turno.

São os princípios mais retrógrados na área da segurança pública (“bandido bom é bandido morto”). São também anacrônicos na esfera do comportamento e valores familiares. Mas foi a bordo dessa caravana de preconceitos e atrasos que Bolsonaro capturou o seu eleitor.

APOIO DO MERCADO – O Posto Ipiranga deu um lustro ao campo econômico do candidato. Paulo Guedes serviu para acalmar o mercado financeiro, ainda que seus agentes não tenham confiança absoluta na súbita conversão de Bolsonaro ao liberalismo. Não importa — a aversão ao PT é maior do que uma eventual dúvida sobre as reais intenções de Bolsonaro nesta seara.

A economia, contudo, nunca foi o que mais importou para a grande massa dos eleitores do capitão. A pauta econômica foi sequestrada pela ideia da pistola nas mãos do “cidadão de bem”, pela luta antiaborto e o combate ao kit gay, pela defesa do antipoliticamente correto e da “família tradicional”. E pelo antipetismo, claro. Bolsonaro é o pastor desses brasileiros.

Henrique Meirelles pensou que, por causa da economia, iriam chamá-lo. Só que o eleitor preferiu chamar o guarda.

“Os versos ficaram para trás, do outro lado do muro dos sonhos…”

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Site Poemas & Canções

O cantor e compositor paulista Luiz Carlos Barbosa, nome artístico Lula Barbosa, relembra em “Tempo de Fé” a herança de um tempo vivido na juventude que, infelizmente, não volta mais. A música foi gravada pelo próprio Lula Barbosa no Lp Os Tempos São Outros, em 1986, pela CBS.

TEMPO DE FÉ
Lula Barbosa

Tua herança será minha paixão
Pela liberdade
Cravada em passos lentos
E poços pregressos da alma
Pois não resta mais nada
A não se acreditar
Que minha infância termina
Onde o teu sonho ensina
Tua realidade morta
Já se iguala com o encanto
Onde a tua infâNcia morna
Fará parte do cortejo
E do túmulo inútil da falsidade
Irá renascer à mocidade
Um vento mais brando
Soprado de todos os cantos

Tempo em que os amigos de fé
Ao redor das fogueiras
Sentavam pra conversar
Viver era uma brincadeira
Gostosa de se brincar
Tempo em que se fazia de conta
E a alegria era tanta
Tanto que a vida
Era fácil de se levar
Tempo em que os violões
Despertavam paixões
Na voz do cantador
E os moços teciam versos
Palavras só de amor
Tempo passou tão depressa
Que os moços e os versos
Ficaram pra trás
Do outro lado do muro
Dos sonhos
E sabem que o tempo
Não volta jamais.

O confronto é entre duas seitas, lulistas e bolsonaristas, mas viva a democracia!

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Eliane Cantanhêde
Estadão

Jair Bolsonaro (PSL) virou onda sob os ventos conservadores que assolam o Brasil, mas a vitória em primeiro turno parecia improvável. A perspectiva era de um segundo turno entre duas seitas políticas, o bolsonarismo e o lulismo, alheias à crítica, à autocrítica e às divergências. A eleição passa, mas essa guerra vai continuar.

Fernando Henrique, em 1994, e Lula, em 2002, tinham uma certa lógica, até onde a política consegue ter alguma lógica. Mas 2018 lembra mais 1989, com o “caçador de marajás” Fernando Collor (seria cômico, não fosse trágico), e 2014, com a “gerentona” Dilma Rousseff (o que é só trágico).

ERA UM TEATRO – Collor crescendo, crescendo, e os brasileiros acreditando, festivamente, nos jargões, no teatro, sem refletir sobre o passado do candidato nem projetar o futuro presidente. Dilma liderou do início ao fim, sem que os eleitores, expostos a um marketing de muita qualidade técnica e pouca ética, enxergassem as pedaladas para driblar a realidade e cair no precipício logo ali.

Assim chegamos a este 7 de outubro com o País sem racionalidade, dividido entre antipetismo e antibolsonarismo. Os eleitores só veem, ouvem e sentem o que querem, sem a dúvida, os prós e contras. Se a seita PT obedece a tudo o que seu mestre Lula mandar, a seita bolsonarista bate continência a todas as ordens do capitão Bolsonaro.

Para o PT, estão errados a Justiça, o MP, a PF, a Receita e a mídia, só Lula está certo. Não interessa que ele tenha dividido o País em “nós e eles”, mergulhado alegremente nas benesses de empreiteiras e bancos, institucionalizado a propina e fatiado a Petrobrás. Só que ele usou os ventos internacionais para dar crédito, consumo e bolsas à vontade e é adorado por um terço da população.

CONTRA O PT – E por que Bolsonaro? “Porque sou contra o PT.” Sim, mas e o Bolsonaro? O que ele já fez, faz, é capaz de fazer? O que ele é, o que pensa? A equipe dele? O risco?

Aí, a resposta é um muxoxo, uma certa preguiça para pensar, admitir que o candidato foi péssimo militar, é péssimo político, meteu a família inteira na política, nunca administrou nem padaria. Um “defensor da família” que já se separou quantas vezes mesmo? Algumas, aliás, de forma bem tumultuada.

Na hora do “vamos ver”, quando passam a festa e a transição e o eleito senta na cadeira para governar, começam os problemas. Em meio à tempestade, com 13 milhões de desempregados, pior ainda. Há, porém, uma diferença clara entre o que poderá ser o início Bolsonaro e o início Haddad.

DOIS ESTILOS – O capitão vai meter o pé na porta, botar pra quebrar, como gostam seus apoiadores. Mas Haddad vai chegar com jeito de professor, fala mansa, agregador. Quando todo mundo se acostumar, quem sabe até gostar, aí é que o PT “toma o poder”. Está na alma do partido aparelhar o Estado: bancos públicos, empresas, instituições, até organismos internacionais.

Quando Bolsonaro vier com tudo, o PT será de grande utilidade. Quando o PT intervier no governo Haddad, se for ele o vitorioso, a militância de Bolsonaro, forjada em junho de 2013 e encorpada pelas redes sociais, estará a postos. O confronto entre governo e oposição é saudável, democrático, mas como não aprofundar a polarização e o ódio que vai se instalando, replicado até mesmo no próprio Supremo?

Tempos difíceis virão com um segundo turno entre candidatos com índices inéditos de rejeição e um governo, seja qual for, que assumirá com déficit monumental, falta de dinheiro para tudo, necessidades urgentes, reformas inadiáveis, empresas fechando, milhões de desempregados e… uma oposição armada até os dentes.

Mas tem boa notícia: quanto maior a ameaça do autoritarismo, mais os brasileiros se lembram do valor da democracia.

Quase vice de Bolsonaro, Magno Malta é derrotado para senador no ES

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Malta ficou em terceiro lugar na disputa do Senado

Eduardo Bresciani
O Globo

O senador Magno Malta (PR) foi derrotado na busca da reeleição. Aliado próximo de Jair Bolsonaro (PSL), ele chegou a ser convidado para ser vice na chapa presidencial, mas ficou de fora por decidir buscar mais um mandato. Foram eleitos no estado Fabiano Contarato (Rede) e Marcos do Val (PPS).

O partido de Magno acabou não coligando formalmente com o candidato do PSL por não haver concordância em coligações proporcionais. Mesmo assim, Malta contava que sua reeleição era certa e durante a campanha fez vários eventos fora do estado para alavancar a candidatura de Bolsonaro.

Outro senador capixaba também foi derrotado. Ricardo Ferraço (PSDB) ficou na quarta posição, atrás de Magno.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Magno Malta perdeu a reeleição para o Senado, mas não ficará ao relento. Se for eleito no segundo turno, como tudo indica, Bolsonaro certamente vai abrigar Magno Malta no guarda-chuva do primeiro ou segundo escalão do governo. Se for nomeado ministro, por exemplo, Magno estará caindo para cima, como se dizia antigamente. (C.N.)

Ex-ministro da Saúde compara a situação de Bolsonaro com a de Collor

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Novo presidente terá de negociar, diz Ricardo Barros

Julio Cesar Lima
Estadão

O ex-ministro da Saúde e deputado federal, Ricardo Barros (PP), disse que não havia como prever que o então deputado federal Jair Bolsonaro deixasse o Partido Progressista, em abril de 2015, para se tornar o favorito às eleições presidenciais. Enquanto acompanhava a esposa, governadora Cida Borghetti, e a sogra, Ires Anna, votarem em Curitiba (PR), Barros afirmou ao Estado que Bolsonaro representa um momento especial do País, mas que terá dificuldades, caso seja eleito, para governar.

“Collor representou um momento desse, o caçador de marajás, e acabou depois se mostrando incapacitado para formar governo, maioria, e manter relacionamento com as instituições do Brasil”, alertou.

SEM INTERESSE – Barros lembra que em 2015 o PP tinha situações parecidas entre Bolsonaro e Celso Russomanno. “Nós tínhamos dois problemas como esse, Celso Russomanno e Jair Bolsonaro, que eram lideranças nossas, deputados que gostariam de concorrer às eleições majoritárias, mas o comando estadual do partido não tinha interesse, gostaria de manter alianças com grupos que já estavam estabelecidos, então nesses dois casos, eu sou tesoureiro do diretório nacional, reunimos a Executiva e liberamos esses companheiros para que saíssem do partido sem nenhum ônus ou problema de fidelidade partidária para que eles pudessem seguir o seu destino e não ficarem presos a uma vontade da cúpula estadual do partido, que não se coadunava com suas pretensões”, afirmou.

O deputado federal também afirmou que o contexto era diferente. “Quando ele (Bolsanoro) saiu do partido, não existia esse momento; a origem de todas essas oportunidades é o descontentamento extremo com o governo com a ordem de 95% de reprovação do governo e aparecem alternativas que são mudança total do desejo do eleitor em votar quem representa nada com o governo e essas decisões de mudanças acabam, depois, sofrendo um outro tipo de avaliação quando efetivamente do exercício do poder”, analisou.

É A ECONOMIA! – Sobre o atual momento vivido pelo País, com ampla divisão e troca de ofensas, Barros afirmou que as pessoas são movidas pela economia. “A eleição é 100% emocional, e esse emocional é o que move as pessoas, é reflexo dessa indisposição com o atual governo, com a situação econômica do País. A economia é o que move as pessoas”, disse.

Independentemente de quem vencer o segundo turno, Barros disse que os vitoriosos terão que sentar à mesa e discutir o governo federal.

“Qualquer que seja o presidente terá que ter a maioria no Congresso. Construir a maioria é se adequar aos programas de cada partido e poder participar no processo de construção da governabilidade. Isso é uma questão diferente no Brasil. O partido que ganha tem um programa de governo, mas não pode governar sozinho, terá que dividir seu programa de governo e adaptá-lo ao que outros partidos têm em cada área de governança”, comentou.

GRANDE BANCADA – A seu ver, o PP deverá formar uma das maiores bancadas na Câmara. “Terminadas as eleições, nosso partido vai chegar com mais de 50 deputados federais; será um dos maiores partidos na Câmara dos Deputados, será convidado a formar base de governo. Vivemos em um presidencialismo de coalizão, nenhum dos presidentes eleitos terá mais de 50 deputados e será preciso 308 para fazer uma emenda constitucional, então, vai convidar todos os partidos e quem teve ao lado, durante a campanha, quem ganhou terá mais facilidade de participar em nome do partido na composição de governo”.

Sobre possíveis apoios às candidaturas no segundo turno, Barros disse que cada diretório terá livre escolha. “Nós temos o segundo turno e em cada Estado os colegas têm a liberdade de decidir quem apoia, tanto na eleição de governo quanto na eleição presidencial. O Partido Progressista não faz esse tipo de vinculação a partir da Executiva Nacional; permite ampla liberdade de cada Estado tomar sua decisão”, finalizou.

Fotos e vídeos de armas nas cabines de votação circulam em redes sociais

de votação Foto: Reprodução

Eleitor publicou a foto com arma de fogo na cabine

Louise Queiroga e Igor Siqueira
O Globo

A legislação eleitoral é clara: “Fica vedado portar aparelho de telefonia celular, máquinas fotográficas e filmadoras, dentro da cabina de votação”, mas alguns eleitores estão desrespeitando a regra e exibindo não apenas o voto, mas também armas. Num vídeo que está circulando nas redes sociais, um eleitor aparece apertando os botões “1”, “7” — do candidato pelo PSL, Jair Bolsonaro — e “Confirma” com uma pistola.

Uma das fotos identifica uma urna eletrônica de uma zona eleitoral na Escola Estadual Professor Mauricio Brum, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) tomou conhecimento do caso.

COM O JUIZ — “Eu tomei conhecimento, porque também recebi uma imagem dessa. Já foi identificada, pelo menos em uma delas, qual é a zona eleitoral. Isso está sendo repassado para o juiz, acredito que já tenha chegado ao conhecimento dele para ver que medidas adotará” — disse a diretora geral do TRE-RJ, Adriana Brandão.

Pela Constituição Federal, o voto é universal, direto e secreto. E para garantir a sua inviolabilidade, não é permitido que o eleitor registre o voto, pois a prática abre as portas para o voto de cabresto. O Código Eleitoral tipifica a violação do sigilo do voto como crime eleitoral, com pena de até dois anos de detenção. E pelo Estatuto do Desarmanento, o porte ilegal de armas é crime com multa e reclusão de dois a quatro anos.

Uma outra imagem mostra uma arma de fogo em cima de uma urna eletrônica, com a foto de Jair Bolsonaro. No perfil do Twitter do gaúcho Manoel Delci, de 42 anos, a imagem angariou mais de mil curtidas e 2 mil comentários. Muitos internautas marcaram os perfis do Ministério Público e da Polícia Federal, lembrando que a quebra do sigilo do voto é ilegal. Procurado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não soube informar onde a foto foi tirada, mas ressaltou que é vetado o uso de aparelho celular na cabine de votação.

Resultados em São Paulo, Rio e Minas desmoralizam  pesquisas eleitorais

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Dilma achou que já tinha vencido antes da votação

João Paulo Saconi, Matheus Maciel e Felipe Grinberg
O Globo

As pesquisas do Ibope divulgadas no sábado (6/10) não previram com exatidão os cenários para o segundo turno nas eleições para o governo de pelo menos três estados do Brasil. No caso dos primeiros colocados em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os resultados da boca de urna divulgados a partir das 17h deste domingo não confirmaram o que havia sido apontado anteriormente pelo instituto de pesquisa. Há ainda surpresas no Senado: apontados previamente como possíveis primeiros colocados, Eduardo Suplicy (PT-SP) e Dilma Rousseff (PT-MG) podem ficar de fora da casa legislativa segundo a pesquisa deste domingo.

Os dados da última semana apontavam que Márcio França (PSB-SP), Wilson Witsel (PSC-RJ) e Romeu Zema (Novo-MG) não figurariam na segunda etapa do processo eleitoral para o governo dos estados.

AS SURPRESAS -De acordo com as prévias, porém, são eles os mais cotados para concorrer pela preferência dos eleitores diante de João Dória (PSDB-RJ), Eduardo Paes (DEM-RJ) e Antonio Anastasia (PSDB-MG).

Candidato do PSB em São Paulo, Márcio França tinha, segundo a pesquisa de sábado, 18% dos votos válidos contra 32% de João Dória e 30% de Paulo Skaf (MDB-SP) . Na boca de urna, ele surpreendeu e empatou com Skaf: os dois tiveram 21% dos votos, segundo a pesquisa. Luiz Marinho (PT-SP) também deve ter tido mais votos do que o previsto: enquanto a última pesquisa indicava 8% da preferência dos eleitores, a boca de urna mostra 12%.

JUIZ DISPARA – No Rio, o ex-juiz federal Wilson Witzel (PSL) ocupava a quarta colocação com 7% das intenções de voto até a última quarta-feira, segundo o Ibope . No sábado, porém, pulou para o terceiro lugar, empatado com Indio da Costa (PSD-RJ), com 10%.

A boca de urna, porém, apontou o candidato na liderança com 39% dos votos, em direção a um segundo turno com Eduardo Paes (DEM-RJ), que teria 21% dos votos. Neste cenário, quem ficaria para trás seria Romário (PODE-RJ), apontado pelas pesquisas como provável segundo colocado com 20% no último sábado. Ao Globo, na manhã deste domingo, Witzel adiantou que a subida “não foi uma surpresa”.

No Rio, o estreante Wilson Witzel está dando um passeio para governador

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O juiz Wilson é a maior surpresa desta eleição

Deu no Globo

Uma pesquisa de boca de urna divulgada pelo Ibope neste domingo mostra que Wilson Witzel (PSC) disputará o segundo turno da eleição para governador do Rio com Eduardo Paes (DEM). O ex-juiz federal disparou no levantamento e obteve 39% dos votos válidos contra 21% do ex-prefeito da capital. Terceiro colocado, Tarcísio Motta (PSOL) aparece com 15% e Romário (Podemos), que esteve na segunda colocação das sondagens durante toda a campanha, teve 9%.

Segundo o Ibope, Indio da Costa (PSD) marcou 6%. Marcia Tiburi (PT) e Pedro Fernandes (PDT) obtiveram 4%. Marcelo Trindade (Novo) obteve 1%. Já André Monteiro (PRTB), Dayse Oliveira (PSTU) e Luiz Eugênio Honorato (PCO) não pontuaram.

MARGEM DE ERRO – A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa ouviu 2.600 eleitores neste domingo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08529/2018.

Confira o levantamento do Ibope deste domingo para o governo do Rio: Wilson Witzel (PSC) – 39%; Eduardo Paes (DEM) – 21%; Tarcísio Motta (PSOL) – 15%; Romário (Podemos) – 9%; Índio da Costa (PSD) – 6%; Marcia Tiburi (PT) – 4%; Pedro Fernandes (PDT) – 4%; Marcelo Trindade (Novo) – 1%; André Monteiro (PRTB) – 0%; Dayse Oliveira (PSTU) – 0%; Luiz Eugênio Honorato (PCO) – 0%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando começou a campanha e houve o primeiro debate na Band, escrevemos um artigo aqui elogiando o juiz federal Wilson Witzel, que consideramos o melhor candidato. Ao que parece, muita gente teve a mesma impressão. O editor da TI votou nele, prazerosamente. (C.N.)

Resultados sobre governadores e senadores saem antes do presidente

Imagem relacionadaDeu no UOL

Os primeiros números da eleição presidencial começarão a ser divulgados a partir das 19 horas deste domingo (dia 7). As parciais só podem ser divulgadas depois que todas as seções do território nacional são fechadas. Isso acontecerá às 19 horas de Brasília porque o Acre tem um fuso horário diferente e começa a votação duas horas depois do horário oficial da capital federal.

Já as parciais para as eleições de governadores, senadores e deputados federal e estadual começarão a ser divulgadas momentos após os fechamentos das seções às 17 horas, nos horários locais, segundo a Justiça Eleitoral.

 

69% dos brasileiros são a favor da preservação da democracia, diz Datafolha

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Charge do Thiago (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

Na eleição mais radicalizada dos anos recentes, pontuada por declarações de ambos os líderes das pesquisas que remetem a ameaças à democracia, esse regime político, que, na frase famosa de Churchill, é o pior deles com exceção de todos os outros, aparece fortalecido pelos brasileiros em pesquisa Datafolha.

Em votação recorde, a maior desde 1989 quando se disputava a primeira eleição direta depois do regime militar, a democracia recebeu nada menos que 69% de aprovação, índice crescente na preferência dos eleitores, ao mesmo tempo em que os partidos políticos, canais da sociedade com o poder político, perderam momentaneamente a influência pelo descrédito de suas atitudes.

OBJETIVOS – Segundo Max Weber, citado no Dicionário de Política de Norberto Bobbio e outros, o partido político é “uma associação que visa a um fim deliberado, seja ele objetivo, como a realização de um plano com intuitos materiais ou ideais, seja pessoal, destinado a obter benefícios, poder e, consequentemente, glória para os chefes e sequazes, ou então voltado para todos esses objetivos conjuntamente”.

No Brasil de 35 partidos, a maioria se enquadra na associação que “objetiva obter benefícios, poder e, consequentemente, glória para os chefes e sequazes”, mas alguns trabalham sobre “ideais”. A eleição de hoje é uma boa oportunidade para que se recomece a atividade política conspurcada pela corrupção generalizada, e o papel do vencedor será fundamental para essa retomada desejada pelos eleitores, que prezam a democracia e a consideram o melhor caminho para resolver seus problemas.

Ao contrário do que muitos apregoavam, apenas 12% consideraram que a ditadura é um regime melhor, e outros 13% mostraram-se indiferentes. É, pois, sob o signo da democracia que os eleitores vão às urnas hoje, e é preciso que os candidatos tenham isso em mente quando assumirem seus cargos, pois hoje ainda podemos ter a definição da escolha de vários governadores no primeiro turno e, quem sabe, até mesmo o do presidente da República.

SEGUNDO TURNO – Na última eleição presidencial que tivemos, a vencedora Dilma Rousseff não se referiu a seu adversário derrotado no discurso da vitória. Nesta eleição, mais do que atitudes protocolares, normais em sociedades civilizadas, exige-se dos candidatos compromissos com a democracia e o reconhecimento da derrota dentro da legalidade do Estado de Direito.

Se, como é mais provável, a eleição para presidente não terminar hoje, os dois candidatos que restaram terão 20 dias para fazer uma campanha eleitoral de confrontação de idéias e propostas, tempo suficiente para recuperarem-se de eventuais arroubos retóricos e posicionarem-se como democratas, esquecendo projetos extemporâneos como a convocação de uma nova Constituinte ou a não aceitação de princípios democráticos implícitos em comentários que trivializam a possibilidade de um golpe.

FUTURO DO PAÍS – Ao eleitor cabe pesar nas urnas a conseqüência de seu voto para o seu futuro e o do país, sem colocar interesses pessoais acima daqueles. A democracia é o regime em que o povo está representado pelos eleitos pelo voto direto, e a escolha dos membros do Congresso, por exemplo, é fundamental para que o futuro presidente possa governar.

Ao presidente eleito caberá necessariamente negociar com o Congresso e com os governos estaduais e municipais, principalmente num período em que reformas fundamentais precisam de apoio da população e dos políticos para serem aprovadas a tempo de permitir a recuperação econômica e social do país.

TEMER RESPONDE – Recebi do presidente Michel Temer uma mensagem sobre referência feita na coluna de ontem ao diálogo, que classifiquei de “nada republicano”, entre ele e o empresário Joesley Batista. Ele garante que é indevida a interpretação dada ao diálogo.

Se apega a uma troca de palavras no documento do Ministério Público para reafirmar sua tese, mas, no entanto, ouvindo a íntegra do áudio fica evidente, para mim, o caráter nada republicano da conversa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs 31% que não se manifestaram integralmente a favor da democracia dividem-se entre aqueles que, em certas circunstâncias, acham melhor uma ditadura do que a democracia (12%), e quem acredita que tanto faz a forma de governo (13%), além de 5% que não opinaram. (C.N.)

Toffoli quer amaciar a extrema direita com acenos conciliadores, diz Aarão Reis

O historiador Daniel Aarão Reis.

Citado por Toffoli, Aarão Reis explica sua colocação

Felipe Betim
El País

“Hoje, não me refiro nem mais a golpe nem a revolução. Me refiro a movimento de 1964”. A fala é do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, durante uma palestra na Faculdade de Direito da USP em homenagem aos 30 anos da Constituição Federal. Citando textos do historiador Daniel Aarão Reis, o ministro disse ainda que tanto a direita conservadora como a esquerda cometeram erros antes do golpe, mas preferiram não assumi-los, jogando a culpa nos militares.

Em entrevista ao EL PAÍS por e-mail, Aarão Reis rebate: “A interpretação é vesgamente enviesada, procura um ponto de equilíbrio que não existe em história e tem como resultado a absolvição histórica do golpe e dos golpistas. No limite, e este limite foi agora ultrapassado pelo Toffoli, preconizam deixar de se falar em ditadura”, explica.

Professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autor de livros como Luís Carlos Prestes – Um revolucionário entre dois mundos (Companhia das Letras, vencedor do prêmio Jabuti em 2015), A Revolução que Mudou o Mundo (Cia das Letras, 2017) ou Ditadura e Democracia no Brasil (Zahar), Aarão Reis não acredita que as falas do ministro foram um acaso: “Toffoli, como muitos outros, imagina “amaciar” a extrema direita com acenos conciliadores”, opina. E acrescenta: “Trata-se de um engano. A extrema direita, historicamente, avança sobre concessões inconsistentes e se fortalece com isto”.

O que de fato o senhor vem dizendo, supostamente levando o ministro a mudar sua interpretação sobre o regime militar?
O que tenho sustentado, em livros e artigos, desde o começo deste século, é que houve grande participação civil no golpe de 1964 e na construção da ditadura então instaurada. Inúmeros trabalhos, desde então, têm comprovado estas evidências.

De onde vem a interpretação de que tanto a direita conservadora quanto a esquerda não assumiram os erros que antecederam 64, passando a culpar militares?
A interpretação está ligada à chamada “teoria dos dois demônios”. Elaborada na Argentina, atribuiu a erros de direita e de esquerda a instauração da nefasta ditadura naquele país. Em larga medida, tal teoria já foi superada entre nuestros hermanos, mas ela acabou sendo importada para o Brasil pela [cientista política] Argelina Figueiredo, que, de fato, sustenta, com outros, que o golpe de 1964 foi suscitado pelos radicalismos de direita e de esquerda. Assim, os perpetradores do golpe são como que “absolvidos”, atribuindo-se o golpe a intransigências e a radicalismos de esquerda e de direita. A referência à conjuntura radical do pré-1964 é uma evidência incontornável. Mas é de uma vesguice sem tamanho igualar os que lutavam por reforma agrária (os camponeses) e os que a recusavam (os latifundiários). Os que desejavam democratização e justiça social (estudantes, operários, camponeses, graduados das forças armadas, etc.), de um lado; e os oligarcas que recusavam estes valores.

É correta ou coerente esta interpretação?
A interpretação dos “dois demônios” é vesgamente enviesada, procura um ponto de equilíbrio que não existe em história e tem como resultado a absolvição histórica do golpe e dos golpistas. No limite, e este limite foi agora ultrapassado pelo Toffoli, preconizam deixar de se falar em ditadura.

Chamar o golpe de “movimento de 64” é possível? O que significa?
Claro que houve um movimento, articulando setores diversos da sociedade, empresários, lideranças religiosas, políticas e militares, incluindo-se aí segmentos populares significativos. Mas isto não significa que este movimento não tenha protagonizado um golpe de estado, rasgando a Constituição e depondo um presidente legitimamente eleito. Nem que este golpe de estado não tenha se desdobrado numa ditadura aberta. Que um soi-disant [pretenso] jurista não veja isto é uma aberração sem tamanho.

Quais são as intenções de o ministro do Supremo ao adotar essa percepção? O que significa e quais são suas implicações? Toffoli, como muitos outros, imagina “amaciar” a extrema direita com acenos conciliadores. Segundo consta, nomeou inclusive como assessor pessoal um general [Fernando Azevedo e Silva] que participou do círculo que elaborou propostas para o Bolsonaro. Desde que entrou no STF, ele se aproximou muito e tem feito tabelinha com o Gilmar Mendes, que dispensa comentários. O que importa ressaltar, no entanto, é esta posição política geral, que não é só dele, Toffoli, a de amaciar a extrema direita com concessões cada vez mais importantes. Trata-se de um engano. A extrema direita, historicamente, avança sobre concessões inconsistentes e se fortalece com isto.

O que a história nos ensina sobre a postura do STF diante dos militares em 64?
Tristes histórias. O presidente do STF de então, Ribeiro da Costa, coonestou o golpe, sem sequer consultar seus colegas que também se calaram, imaginando escapar da tormenta. Mais tarde, o próprio Ribeiro da Costa entrou em repetidos conflitos com a ditadura, mas já era tarde. Quanto aos que se calaram, foram cassados ou obrigados a se aposentar.

Assim sendo, o fato de Toffoli ter indicado o general bolsonarista Fernando Azevedo e Silva como seu assessor e, agora, estar falando “movimento de 64” indica alguma coisa? Acredita que o Supremo está se blindando de uma eventual intervenção militar?
Já parcialmente respondida a pergunta, caberia aduzir que se houve ali desejo de blindar o STF, trata-se de uma ilusão pueril.

Além do Toffoli, Fux censurou o El País e a Folha ao proibir entrevista com Lula, Moro liberou a delação do Palocci, um juiz tentou atrapalhar a votação de domingo ordenando o recolhimento das urnas… Como avalia o comportamento recente dos atores do nosso Judiciário?
O Judiciário é uma instituição complexa, eivada de contradições. Não compartilho teorias conspiratórias que avaliam o Judiciário como uma máquina monolítica a favor destas ou daquelas tendências. Mas é fato que alguns juízes, como o Moro, entre outros, têm evidenciado viés político em suas atitudes o que faz duvidar de seu senso de Justiça.

No que se assemelha e no que se diferencia o contexto atual ao de 64?
Há profundas diferenças entre as duas conjunturas, embora muita gente esteja formulando aproximações, quando não, identidades entre estas temporalidades. As duas conjunturas distinguem-se pelo contexto internacional (Guerra Fria, radicalizada com a emergência da revolução cubana X Mundo multipolar atual); pelas disputas sociais (grandes movimentos sociais nos anos 1960, antes do golpe, com propósitos reformistas, hoje inexistentes); pela força do anticomunismo (embora importante, secundária hoje em dia). O que tem suscitado aproximações entre as duas conjunturas é a força emergente da extrema direita, com explicitação de nostalgias de um Governo forte, e mesmo ditatorial, como propõem alguns. Por outro lado, é notável como democratas de direita e liberais conservadores têm tratado com grande indulgência o fenômeno Bolsonaro, que é extremamente perigoso para a preservação da democracia. Às vésperas de 1964, muitos liberais imaginaram usar ou se servir dos militares para alcançar suas finalidades, afastando líderes populares que os assustavam. Os resultados foram desastrosos para esta gente —todos foram eliminados pelos militares ou tiveram que se conformar com posições secundárias de poder. Para todos estes, talvez valesse a pena visitar o passado para refletir melhor a respeito da maneira indulgente ou condescendente com que estão se comportando com propósitos ou lideranças de extrema direita.

Caso Bolsonaro vença as eleições, de quem terá sido a responsabilidade? Do PT, do PSDB, do sistema político como um todo, de parte da elite, chamada de “fascista” por Haddad? Poderemos, afinal, atribuir a culpa a algum ator específico ou aplicar, neste caso, a “teoria dos dois demônios”?
São muitos os condicionantes que explicam a força de Bolsonaro (não quero ainda acreditar que ele possa vencer as eleições). Ele extrai força da desmoralização do sistema político e da crise econômica. Também da desorganização dos movimentos populares brasileiros, sempre muito dependentes do Estado, o que se aprofundou nos governos petistas. Finalmente, caberia mencionar o autoritarismo visceral de nossas elites, de importantes segmentos das classes médias e, finalmente, mas não menos importante, das tradições autoritárias que vicejam também nas classes populares. Evidentemente, por isto tudo têm grande responsabilidade tucanos e petistas, afinal, eles governaram o país nos últimos 20 anos e polarizaram quase sempre as eleições. Mas o buraco é mais embaixo ainda —diz respeito a opções que a sociedade vem tomando nestas últimas décadas, opções que trataram com grande conciliação as desigualdades sociais e as tradições autoritárias, sempre muito pouco discutidas. É neste caldeirão, complexo, que medrou o Bolsonarismo. É preciso, primeiro, compreendê-lo. Depois, combatê-lo. Grande parte de seus adeptos poderão ser ganhos pela persuasão no contexto do jogo democrático. A ver se teremos tempo para isto.

Na véspera da eleição, 22% afirmavam que ainda poderiam mudar de voto

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Charge do Diogo (Arquivo Google)

José Marques
Folha

Às vésperas da eleição, mais de um quinto dos eleitores diziam que poderiam mudar de voto para presidente, aponta a pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (6). A resposta foi dada por 22% dos 19.552 entrevistados em 382 municípios entre esta sexta (5) e sábado.

Entre os eleitores que mais cogitavam a troca de candidato, 27% diziam que a chance é grande e 45% afirmavam que é média. Outros 28% estavam mais convictos e afirmavam ser pequena de a chance da troca de candidato.

POSSIBILIDADE – Entre os eleitores do candidato Jair Bolsonaro que cogitavam mudar, 20% diziam que a possibilidade era grande. Desses 22% que podiam mudar, as maiores porcentagens dos que diziam ser grande essa chance eram dos que votam em concorrentes que não têm pontuado bem nas pesquisas, como Cabo Daciolo (para 40% é grande a possibilidade de mudança), Alvaro Dias (39%), Marina Silva (38%) e Guilherme Boulos (36%).

A exceção nesse caso era do candidato do Novo, João Amoêdo (18%). Amoêdo tem 3% dos votos válidos. No entanto, era dele uma das parcelas mais fiéis de eleitores, mesmo entre os que pensam em troca de candidato, com 35% afirmando ser pequena —percentual que é menor apenas que a do nanico João Goulart Filho, do PPL, com 42%.

HADDAD – Já em relação aos que podem mudar de Fernando Haddad (PT), 21% diziam ser grande a chance de mudança, contra 30% que afirmavam ser pequena.

Na pesquisa Datafolha, Bolsonaro tem 40% das intenções de votos válidos (conta que exclui brancos, nulos e indecisos) e Haddad 25%. Em terceiro Lugar, Ciro está com 15%.

A margem de erro da pesquisa Datafolha é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. E o nível de confiança, que é a chance de o resultado retratar a realidade, é de 95%.

Bolsonaro volta a questionar urnas eletrônicas e diz que fará ‘apuração paralela’

Jair Bolsonaro (PSL) faz transmissão ao vivo ao lado do filho, Flávio Bolsonaro (PSL) Foto: Reprodução/Facebook

Bolsonaro pede que os eleitores fotografem os boletins

Deu em O Globo

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro ( PSL ) voltou a questionar a legitimidade das eleições e apelou a apoiadores que ajudem sua campanha a realizar uma “apuração paralela” dos votos após o pleito deste domingo. Em transmissão ao vivo no Facebook, na noite deste sábado, o deputado pediu que os eleitores baixassem o aplicativo “Fiscais do Jair”, fossem aos locais de votação às 17h, horário previsto para o encerramento da votação, e lhe enviassem fotos dos boletins das urnas eletrônicas. Pela manhã, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, reforçou a confiança no sistema eletrônico de voto.

– Quando encerrarem as votações, compareça ao local em que você votou. Cada boletim de urna é divulgado. Se mandarem duas ou três fotos, vamos fazer uma apuração paralela. É difícil você garantir a lisura (da votação), mas vamos em frente assim mesmo. Vamos votar usando a camisa nossa, é permitido. O TSE autorizou – destacou o candidato.

BOLETIM – Encerrada a votação, cada urna eletrônica tem impresso um boletim que revela o número de votos nela registrados durante o dia de votação. Antes do pleito, é impresso um documento semelhante que atesta não haver qualquer voto computado no equipamento.

Durante a campanha, Bolsonaro questionou reiteradas vezes a segurança das urnas e foi questionado por autoridades eleitores, que frisaram o histórico de 22 anos sem qualquer registro de fraude no sistema. Na transmissão ao vivo, o candidato ainda pediu votos para correligionários do PSL.

– Senão, nós podemos ficar na cláusula de barreira. Não adianta ter boa votação de legenda, fazer oito deputados e entrarem só cinco – ressaltou o deputado, que ainda elogiou o aliado Antonio Denarium, candidato ao governo de Roraima, estado o qual Bolsonaro chamou de sua “menina dos olhos”, e as lideranças evangélicas que o apoiaram.