Como o Brasil está sendo visto no exterior quanto à economia e à corrupção

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Fábio Medina Osório
Folha

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é uma importante organização internacional. Na apresentação do relatório de 2018 sobre o Brasil, a instituição reconheceu uma evolução no tocante à velocidade da economia, que emergiu de uma recessão nos últimos anos.

No entanto, recomendou ao Brasil que melhorasse a eficiência dos gastos públicos, chamando atenção para o fato de que “uma grande e crescente parte dos benefícios sociais é paga a famílias que não são pobres, reduzindo o impacto sobre a desigualdade e a pobreza”. Esse alerta revela o problema crônico da ineficiência da máquina pública no Brasil.

DESPERDÍCIO – O desgoverno, o descontrole das estatais, a falta de transparência, o gargalo dos erros grosseiros ou culpa grave na gestão pública constituem grandes fontes de desperdícios de recursos. Talvez a falta de meritocracia no serviço público também explique a ausência de estímulos à produtividade em muitos setores.

O relatório apontou, é verdade, o excelente trabalho que tem sido realizado por instituições fiscalizadoras, como o Ministério Público e a Magistratura, embora saibamos que não são apenas estas que alicerçam atualmente essa autêntica transformação nos costumes por meio da operação Lava Jato.

Um aspecto que foi objeto de atenção da OCDE: “A governabilidade exigiu muitos gastos ineficientes, sem auditorias sistemáticas, e reduziu a eficácia do setor público”, o que foi crucial para impedir reformas necessárias ao país.

ALTO RISCO – Outro ponto relevante do diagnóstico da OCDE foi quanto ao ambiente de negócios no Brasil, com cenários de alto risco, concorrência fraca, altos custos administrativos, fiscais e de capital. Essas dificuldades, somadas à ineficiência endêmica, proporcionam ambiente fértil à corrupção. Por isso mesmo, uma das recomendações é que se aprimore a governança e se reduza a corrupção, para aumentar o desenvolvimento.

Assinalou-se no relatório que a Lava Jato foi crucial para revelar práticas de corrupção e propina:

“As evidências surgiram principalmente no contexto das contratações públicas, inclusive por empresas estatais, do crédito subsidiado e dos incentivos fiscais para empresas e setores específicos. As concessões de infraestrutura também são vulneráveis ao conluio entre licitantes e à corrupção, pois as estimativas sugerem que as doações de campanha de empresas fizeram com que aumentasse significativamente a probabilidade de essas empresas ganharem contratações públicas”.

CAIXA DOIS – Cumpre salientar que a mera supressão das doações eleitorais por pessoas jurídicas não deve eliminar o problema dos potenciais conflitos de interesses, podendo, inclusive, agravá-los, a meu ver, estimulando outras fórmulas de participações espúrias.

O problema das competências sobrepostas das múltiplas instituições fiscalizadoras também é diagnosticado pela OCDE, tema sobre o qual é necessário refletir mais profundamente. A entidade preocupa-se com a proteção dos denunciantes, mas também há que se ressaltar a própria racionalidade do sistema punitivo e sua credibilidade. É necessário aperfeiçoar os mecanismos de prevenção e repressão.

DEMOCRACIA – O objeto desse relatório foi bem mais amplo, mas busquei aqui circunscrever um ponto relevante: a conexão entre uma agenda econômica e a redução dos índices de corrupção e de improbidade do país.

Isso porque, não obstante a escassez de estudos científicos, é notório que práticas corruptas e ineficientes afetam em larga escala direitos fundamentais e a própria essência das democracias contemporâneas, inviabilizando políticas públicas que se destinariam a salvaguardar direito à saúde, ao meio ambiente, à vida, à erradicação da pobreza, à segurança e tantos outros.

Toda eleição é a mesma coisa: o dólar sobe e a Bolsa de Valores despenca

Resultado de imagem para dolar e real chargesAltamiro Silva Junior e Bárbara Nascimento
Estadão

As incertezas eleitorais colocaram os investidores na defensiva nesta quinta-feira, 13. Com isso, o dólar voltou a subir e a Bolsa a cair.  O dólar à vista fechou o dia em R$ 4,1998 – alta de 1,17% –, em meio a preocupações com o cenário eleitoral e a situação na Argentina, de acordo com operadores de câmbio.

A moeda americana, assim, alcançou a maior cotação de fechamento desde a criação do Plano Real. Antes disso, o maior valor nominal havia sido atingido em 21 de janeiro de 2016, quando o dólar terminou o dia vendido a R$ 4,1720. Ainda assim, em termos reais, o dólar está longe do patamar de 2002, quando chegou a ser negociado na casa dos R$ 7, valor corrigido pela inflação brasileira e americana do período.

BRASIL E ARGENTINA – O dólar continua disparando no país vizinho e é negociado perto dos 40 pesos, em alta de 3,67%. O peso e o real estão entre as únicas moedas descoladas do comportamento de emergentes hoje ante a moeda norte-americana, que recua entre vários destes mercados.

No cenário político, os profissionais destacam que o clima é de cautela, com os investidores aguardando a nova pesquisa do Datafolha, que sai nesta sexta-feira, e monitorando os rumos da campanha de Jair Bolsonaro (PSL). O mercado segue monitorando o quadro médico do candidato do PSL à Presidência, Jair Messias Bolsonaro, líder na corrida para o Planalto.

O Ibovespa, que chegou a tocar o cenário positivo no início da tarde, consolidou queda e fechou o dia com queda de 0,63%, a 74.653 pontos. Fibria e Suzano, que chegaram a cair quase 2% hoje, reduziram o ritmo de recuo após notícia de que acionistas da empresa aprovaram em assembleia a operação de incorporação da Fibria pela Suzano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É sempre a mesma coisa. O editor está cansado de saber que, em toda eleição, o dólar sempre dispara e a Bolsa cai, sem nenhum motivo, movidos pelos espertinhos de sempre. Mesmo assim, o editor da Tribuna bobeia e esquece de comprar dólares antes do período eleitoral, para ganhar dinheiro dos otários de sempre. Em matéria de finanças, o editor é um tremendo otário. (C.N.)

Nos discursos, o candidato petista Haddad cita Lula a cada 22 segundos

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Pela primeira vez, Haddad sai às ruas como candidato

Sérgio Roxo
O Globo

Em seu primeiro corpo-a-copo na rua com eleitores depois de ser oficializado como candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad citou nesta quinta-feira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma vez a cada 22 segundos em três discursos. Num total de pouco mais de 11 minutos de falas a simpatizantes, o ex-prefeito mencionou nominalmente o padrinho político 31 vezes, sem contar referências como “presidente” e “ele”.

Vestido com uma camiseta vermelha estampada com uma foto e com o nome do líder petista, o presidenciável foi chamado ao microfone durante caminhada na cidade de Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, de “Fernando Lula Haddad” e de “Luiz Fernando Lula Haddad”.

APÓS 17 RECURSOS – Haddad foi anunciado como candidato na terça-feira em um ato na frente da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, onde Lula cumpre pena desde o dia 7 de abril por corrupção e lavagem de dinheiro. O ex-prefeito foi indicado depois de o PT apresentar 17 recursos para manter a candidatura do ex-presidente, que foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa

Logo no início da caminhada desta quinta-feira, Haddad fez uma rápida fala de dois minutos e meio em que mencionou o nome de Lula nove vezes. O candidato a presidente disse que o ex-presidente ganharia as eleições no primeiro turno se não fosse impedido pelas autoridades brasileiras de concorrer. Destacou também que o ex-presidente deixou um “plano de governo pronto”, e que nos tempos do governo do líder petista a cidade foi beneficiada com convênios para construir 12 creches.

– Nós vamos ganhar essa eleição e vamos botar esse povo para correr – disse Haddad, em seu discurso.

MINISTRO DE LULA – Antes de deixar o município, o presidenciável fez um novo discurso de 4 minutos e 50 segundos, com 12 citações a Lula. Desta vez, Haddad disse que teve a honra de “ser ministro da Educação do Lula” por seis anos.

– Nunca ninguém superou o que o Lula fez ao povo brasileiro – afirmou.

Em seguida, em Osasco, também na região metropolitana de São Paulo, o candidato participou de uma nova caminhada. Durante o percurso, parou para comer um cachorro-quente numa barraca de rua. Ao final, num novo discurso, Haddad disse que o plano de governo de sua candidatura chama “plano Lula de governo”. Lula foi mencionado 10 vezes em quatro minutos de fala.

PROMOTORES – Em entrevista, o candidato celebrou a decisão do Conselho Nacional de Ministério Público (CNMP) de investigar a conduta dos promotores Marcelo Mendroni e Wilson Tafner, que propuseram ações contra ele nas últimas semanas por causa da delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC. Pessoa disse que pagou dívidas da campanha de Haddad a prefeito de São Paulo em 2012.

– Entendo que isso depura o Ministério Público. Ele se chama promotor de Justiça, então tem que buscar a verdade. Não pode fazer política

Indagado sobre a declaração do candidato do PDT, Ciro Gomes, que, em sabatina promovida na quarta-feira pelo Globo e pela revista “Época”, disse que o Brasil não aguentaria uma nova Dilma Rousseff, o petista reafirmou que não entrará em confronto com adversários:

PROPOSTAS – Adotamos uma estratégia até o final da campanha de só falar de propostas. Se tiver alguma proposta dele que vocês (jornalistas) quiserem que eu comente, eu comento. Mas esse tipo de ataque, nós não vamos responder.

Apesar de estar numericamente atrás dos seus adversários em quinto lugar (mas empatado dentro da margem de erro), Haddad já deixou escapar que cogita disputar a reeleição. Perguntado se a vice Manuela D´Ávila, que participou da agenda. continuará a fazer acampanha ao seu lado, o petista respondeu:

– Lado a lado, nós vamos estar pelos próximos cinco anos, talvez oito anos.

Bolsonaro não pode receber visitas nem falar, e se alimenta com soro na veia

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Bolsonaro vai continuar na UTI

Jussara Soares e Tiago Aguiar
O Globo

Os desdobramentos de duas cirurgias a que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) foi submetido depois de ter sido ferido à faca quando fazia campanha, semana passada, em Juiz de Fora, levaram o comando de sua candidatura a redefinir, mais uma vez, a estratégia política até a eleição. Embora apresente evolução clínica e nenhum sinal de infecção, Bolsonaro voltou para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), após procedimento de desobstrução intestinal.

Diante do quadro, familiares e aliados avaliam que o candidato ficará impossibilitado de atuar diretamente na campanha, e não poderá até mesmo gravar vídeos, justamente uma das iniciativas que serviriam para abastecer os canais de comunicação do candidato.

VÍDEOS ANTIGOS – Para manter a candidatura em evidência, uma das alternativas é que dirigentes se dividam em compromissos da campanha. Também reforçarão, nas plataformas digitais, o discurso de que Bolsonaro terá condições de retomar as atividades num eventual segundo turno. Além disso, a campanha pretende utilizar vídeos previamente gravados antes da hospitalização. Nas imagens, Bolsonaro apresentará propostas e rebaterá críticas de adversários.

De acordo com um interlocutor do partido, existe material inédito para ser usado até as eleições. Antes da realização do segunda cirurgia, uma gravação estava prevista para domingo, ainda no leito do hospital. Com a alteração de seu quadro de saúde, a captação de imagens não deve se realizar.

NÃO PODE FALAR – Nesta quinta-feira, um dos filhos do candidato, Flávio Bolsonaro, em entrevista à rádio 97,1 FM, do Rio de Janeiro, fez um desabafo sobre a situação clínica do pai, e disse que a orientação médica é a de que ele evite falar.

– Ele não está conseguindo nem falar direito, então não pode ir para a internet para fazer transmissão ao vivo, conversar com todo mundo. A orientação médica é que nem fale, porque quando fala acumula gases e pode ocasionar mais dor ainda – explicou o filho.

Um dos principais aliados de Bolsonaro, o presidente do PSL de São Paulo, Major Olímpio, verbalizou as dificuldades da campanha. Ele acredita que a ausência de Bolsonaro, principalmente em agendas públicas, deve fazer com que diminua o número de simpatizantes nas ruas.

SEM RUAS – “Não temos (integrantes do comando de campanha) essa capacidade de levar milhares de pessoas às ruas, como é uma característica e uma força do Jair Bolsonaro. Mas vamos levar a mensagem” — disse Olímpio.

Antes do atentado, as decisões da campanha do PSL eram muito concentradas no próprio Bolsonaro. Agora, diante da internação, a campanha não só procura alternativas para manter o candidato em evidência, como ainda sofre com as divergências internas.

Na véspera da cirurgia, a decisão do PRTB de consultar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de o vice na chapa, o general da reserva Antonio Hamilton Mourão, substituir Bolsonaro em debates na TV irritou a cúpula da sigla. O presidente do PSL, Gustavo Bebianno chegou a desautorizar o partido do vice, alegando que o partido de Mourão não tinha legitimidade jurídica para fazer esse questionamento.

DIVISÃO – A campanha usou ontem as redes sociais para falar a seus eleitores. “Muita coisa vem sendo falada na tentativa de nos dividir e consequentemente nos enfraquecer. Não caiam nessa! Desde o início sabíamos que a caminhada não seria fácil, por isso formamos um time sólido e preparado para a missão de mudar o Brasil! Não há divisão!”, dizia mensagem publicada ontem à noite na conta oficial do presidenciável no Twitter.

Ainda em relação ao estado de saúde do candidato, o hospital informou que ele está recebendo analgésicos para controle de dor e não apresentou sangramentos ou outras complicações nas últimas horas. “Em razão do procedimento cirúrgico, o ex-capitão do exército se mantém em jejum e recebe alimentação por via endovenosa”, informaram os médicos.

SEM VISITAS – O Globo ouviu médicos especialistas em cirurgia no aparelho digestivo. Eles estimam que uma segunda operação no aparelho digestivo, como a que Bolsonaro foi submetido, obriga o paciente a ficar no mínimo entre 10 a 15 dias no hospital. Também afirmam que tudo depende da reação do organismo ao tratamento e à reintrodução de alimentação oral.

Uma das orientações da equipe médica que acompanha Bolsonaro no Hospital Albert Einstein é que se diminua o número de visitas. Desde que foi internado, o candidato resolveu visita de familiares, aliados e até artistas que foram prestar solidariedade. Alguns gravaram vídeo e fizeram foto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Bolsonaro não vai mais participar da campanha, nem mesmo no segundo turno. Seu estado de saúde é delicadíssimo. Não pode receber visitas, falar nem se alimentar direito, recebendo soro permanentemente. Está cada vez mais fraco, a recuperação é penosa e comemora-se cada dia vencido, até conseguir se alimentar de novo, com papinhas, vitaminas de frutos e sorvete. É preciso liberar Mourão para participar dos debates. O general não tem nada de bobo. Há cinco anos, em pleno governo Dilma, assisti a uma palestra dele em Brasília na qual deu pancada na gestão do PT no início, no meio e no fim, dizendo que o Brasil não tinha planejamento nem governo. Deixem o general falar, que ele saberá dar o recado. (C.N.)       

Na era da escravatura, o que mais brilhava era a escuridão, dizia Castro Alves

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Site Poemas & Canções

O poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) é símbolo da nossa literatura abolicionista, motivo pelo qual é conhecido como “Poeta dos Escravos”. No poema “Antítese”, justifica o emprego do título pela descrição oposta, contrária entre homem branco (livre) e o negro (escravo).

ANTÍTESE
Castro Alves

Cintila a festa nas salas!
Das serpentinas de prata
Jorram luzes em cascata
Sobre sedas e rubins.
Soa a orquestra … Como silfos
Na valsa os pares perpassam,
Sobre as flores, que se enlaçam
Dos tapetes nos coxins.

Entanto a névoa da noite
No átrio, na vasta rua,
Como um sudário flutua
Nos ombros da solidão.
E as ventanias errantes,
Pelos ermos perpassando,
Vão se ocultar soluçando
Nos antros da escuridão.

Tudo é deserto. . . somente
À praça em meio se agita
Dúbia forma que palpita,
Se estorce em rouco estertor.

— Espécie de cão sem dono
Desprezado na agonia,
Larva da noite sombria,
Mescla de trevas e horror.

É ele o escravo maldito,
O velho desamparado,
Bem como o cedro lascado,
Bem como o cedro no chão.
Tem por leito de agonias
As lájeas do pavimento,
E como único lamento
Passa rugindo o tufão.

Chorai, orvalhos da noite,
Soluçai, ventos errantes.
Astros da noite brilhantes
Sede os círios do infeliz!
Que o cadáver insepulto,
Nas praças abandonado,
É um verbo de luz, um brado
Que a liberdade prediz.

Ciro Gomes e Marina Silva tentam adotar os órfãos do lulismo

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Ciro sobe, Marina cai, mas o quadro está indefinido

Bernardo Mello Franco
O Globo

O impedimento de Lula vai obrigar quatro em cada dez eleitores a escolher outro candidato. Ciro Gomes sabe disso, e precisa evitar que Fernando Haddad leve todos os votos que ficaram sem dono. É uma missão complicada, porque o ex-presidente deixou cartas e vídeos para turbinar o herdeiro.

Ciro quer desgastar Haddad sem melindrar os órfãos do lulismo. Foi o que ele tentou fazer ontem em sabatina no Globo. O pedetista bateu no candidato do PT, mas poupou quem o escolheu. Ele adotou a tática de comparar o rival a Dilma Rousseff, a quem acusou de ter feito um “governo desastrado”. “O Brasil não precisa de um presidente por procuração. O Brasil não aguenta uma outra Dilma”, disse. “O Haddad não conhece o Brasil. Não tem experiência”, prosseguiu.

BANDEIRA BRANCA – Na mesma entrevista, Ciro estendeu a bandeira branca a Lula, a quem definiu como amigo de longa data. “Eu o apoiei em todos os momentos desses últimos 16 anos”, afirmou. O pedetista disse que é preciso “relativizar” os erros do ex-presidente, que estaria isolado na cadeia e “cercado de puxa-sacos”. “Se ele estivesse solto, não teria permitido uma série de desatinos que estão sendo promovidos”, argumentou.

Na terça-feira, Marina Silva preferiu atacar Lula. Ela defendeu a condenação do ex-presidente, que a nomeou ministra do Meio Ambiente em 2003. “Ele está sendo punido por graves crimes de corrupção”, sentenciou. A candidata da Rede também disse que não se arrepende do apoio ao processo que alçou Michel Temer ao poder. “Apoiei o impeachment por convicção. Houve crime de responsabilidade”, afirmou.

CAIXA DOIS – A ex-senadora repetiu o discurso de que a reeleição de Dilma teria sido uma “fraude” por causa do uso de caixa dois. Não mencionou as delações da Odebrecht que também ligaram a prática à campanha de Eduardo Campos, de quem foi vice até o acidente aéreo de 2014.

Em queda nas pesquisas, Marina indicou que não está disposta a cortejar o eleitorado lulista para permanecer viva na disputa. Ninguém pode alegar surpresa. Ela já havia escolhido este caminho há quatro anos, quando apoiou Aécio Neves no segundo turno da eleição.

Cuba dá calote no Brasil, que continua pagando o programa “Mais Médicos”

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Coutinho financiou o porto cubano sem garantias

Mário Assis Causanilhas

A Folha de S. Paulo denuncia que o governo de Cuba está dando um calote no Brasil pelo financiamento da obra do superporto de Mariel. Segundo o jornal paulista, o  governo cubano deixou de pagar US$ 20 milhões ao BNDES nos últimos três meses e corre o risco de ser levado a calote.
“Pagamentos ao Banco do Brasil, no programa de apoio à exportação de alimentos, também estão falhando, e a conta em aberto já soma € US$ 30 milhões”, diz a Folha, acrescentando: “No caso do BNDES, a maior parte da dívida se refere ao financiamento da obra do Porto de Mariel, conduzida pela Odebrecht durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.”
 
Lula já está na cadeia. Agora falta Dilma Rousseff.

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E A PERMUTA COM O PROGRAMA MAIS MÉDICOS?
Carlos Newton

Este calote desde sempre já esperado. Cansamos de denunciar aqui a conduta do então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que teve a desfaçatez de mentir acintosamente ao prestar depoimento no Congresso, quando afirmou aos parlamentares que o financiamento de Mariel tinha garantia da Odebrecht.

Indagada a respeito, a empreiteira baiana negou a informação. Disse ter sido contratada para construir o mais moderno porto da América Latina, mas nada tinha a ver com o financiamento do BNDES.

A Tribuna da Internet caiu em cima e o BNDES teve de admitir que a garantia fora dada pelo governo brasileiro, através do Fundo de Apoio à Exportação, gerido pelo Ministério da Fazenda.

LUCIANO FICOU – Mesmo assim, Luciano Coutinho não foi demitido e continuou gerindo o BNDES como se fosse sua propriedade. Aqui na Tribuna da Internet seguimos apurando o assunto e descobrimos que o pagamento estava em dia, porque o governo cubano pagava o financiamento do porto usando parte das verbas do programa “Mais Médicos”, e ainda sobrava dinheiro para remeter a Havana.

Agora, a situação apertou, Cuba não tem o que vender e precisa importar quase tudo, com a Venezuela sob falência. A solução é dar o calote no Brasil.

“Lula já está na cadeia. Agora falta Dilma Rousseff”, afirma Mário Assis Causanilhas. E a gente completa: falta também Luciano Coutinho, um brasileiro de “b” minúsculo, como diria Carlos Lessa, que fez a melhor gestão da história do BNDES e jamais assinaria um contrato desse tipo.

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P.S. – Brasil precisa de um porto moderno, mas ele fica localizado em Cuba. Para sair do prejuízo, é só o governo brasileiro não pagar mais a parte do governo cubano no programa Mais Médico. Devemos pagar diretamente aos médicos, e cést fini. (C.N.)

“Quem vota no Bolsonaro abre caminho para volta do PT”, afirma Alckmin

Alckmin deu entrevista na luxuosa redação de O Globo

Bernardo Mello Franco, Fernanda Krakovics e Jeferson Ribeiro
O Globo

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, participou nesta quinta-feira de sabatina promovida pelos jornais O Globo, Valor Econômico e pela revista Época. Logo no início da entrevista, o tucano foi questionado sobre as últimas ações da Polícia Federal contra o ex-governador do Paraná e o atual do Mato Grosso do Sul, Beto Richa e Reinaldo Azambuja, respectivamente, nesta semana. “Não passamos a mão na cabeça de ninguém”, disse ao tentar se desvincular de políticos do seu partido envolvidos em esquemas de corrupção. “É claro que foi uma grande surpresa. Vamos aguardar as investigações.”

Ele também é acusado de receber caixa dois da Odebrecht. Para mudar de assunto, resolveu atacar o PT e fez, ao final da sabatina, uma alusão à volta do partido de Lula ao poder, caso Jair Bolsonaro (PSL) seja eleito. Ele tentou também se descolar do apoio que seu partido deu ao governo do presidente Michel Temer.

TONS DE PT – “Tem vários tons de PT, como disse o (Guilherme) Boulos (PSOL). O PT e os adoradores do Lula. Tem o Ciro, a Marina, o Boulos e o Meirelles, que foi presidente do Banco Central (na gestão Lula). Nós sempre fomos oposição” – disse, ao se referir ao projeto de outras correntes nas eleições.

“O projeto do PT não é o Brasil. É o Lula” – afirmou ao tentar colar os candidatos do PDT, da Rede e PT. Os três e o petista Fernando Haddad estão empatados tecnicamente nas pesquisas.

“Tem de um lado uns vários tons de vermelho, o Haddad, o Ciro, a Marina, o Boulos. De outro lado você tem um radicalismo caricato. E quem vota no Bolsonaro não sabe que está abrindo caminho para a volta do PT”, acentua.

CONTRA A ESQUERDA – Ao final da entrevista, Alckmin voltou a criticar os partidos de esquerda. E Reafirmou que quem vota no Bolsonaro, não sabe que está ‘votando’ no PT.

Na reta final da campanha, a tese do tucano é de que oseleitores que hoje indicam votar em candidatos mais mal posicionados no campo da direita, como Henrique Meirelles (MDB), Alvaro Dias (Podemos) e João Amoêdo (Novo), vão migrar para o voto útil para evitar a subida do PT. Essa é, pelo menos, a aposta de Alckmin.

– Muita gente que está votando no Bolsonaro não sabe que está elegendo o PT. Muita gente está votando no Bolsonaro e dando passaporte para volta do PT, e o que eu puder fazer para evitar isso, certamente vou fazer. Acho que vai ter mais voto útil, à medida que vai avançando a campanha – disse.

O chamado voto de qualidade pode definir esta sucessão presidencial

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Charge do Thiago (Arquivo Google)

Merval Pereira

Com a tendência de Bolsonaro garantir um lugar no segundo turno, e possivelmente em primeiro lugar, a campanha eleitoral em seus derradeiros vinte e poucos dias vai tomar um caminho semelhante à de 2014, quando o voto útil levou o candidato tucano Aécio Neves ao segundo turno quando perdia para Marina até dois dias antes.

Desta vez, a disputa pela segunda vaga está mais acirrada. Até agora, quatro candidatos têm condições de chegar ao segundo turno, mas um deles, Geraldo Alckmin, apresenta dificuldades para avançar. Ele, que em 2014 deu ao mineiro Aécio sete milhões de votos na frente em São Paulo, não consegue superar Bolsonaro em seu próprio território político.

CIRO E MARINA – Não à toa os dois candidatos que aparentemente disputarão a vaga com Fernando Haddad, do PT, são Ciro Gomes, do PDT, e Marina Silva, da Rede. São os únicos que não têm envolvimento com denúncias de corrupção, especialmente Marina, pois, se Ciro não tem denúncia pessoal contra ele, o trabalhismo a que está filiado é envolto em denúncias de corrupção nos ministérios por que passou.

Eles disputarão os votos de Alckmin e Haddad. Ciro, que se diz mais amplo politicamente que Haddad, e abre sua candidatura à centro direita. E Marina, que já vem refazendo seu caminho desde que saiu do PT, e conseguiu livrar-se da tutela, até psicológica, de Lula.

Os dois são figuras políticas distintas, mas têm pontos em comum. Marina, que foi analfabeta até os 16 anos, é historiadora com especialização em psicopedagogia.

LIBERTOU-SE – Na atual campanha, Marina “matou o pai” no sentido freudiano, isto é, libertou-se da submissão a Lula, da sua autoridade, e principalmente da dependência que tinha dele. Já havia começado esse processo desde que saiu do governo depois de sete anos como ministra do Meio Ambiente, mas só agora se libertou de seu mentor político, a ponto de poder afirmar com convicção que considera Lula um corrupto, que está preso com justiça.

Na sabatina do Globo, ela, além de usar termos regionais como “bicho de ruma”, para definir os políticos que são uma praga para o Estado brasileiro, e “farinha do mesmo saco, angu do mesmo caroço”, para falar dos políticos que negociam seus mandatos em diversas legendas, é capaz de citar Lacan para exemplificar por que age em busca de um presidencialismo de proposição, em contraposição ao presidencialismo de coalizão, figura criada pelo cientista político Sérgio Abranches que vem sendo deturpada pelo “toma lá dá cá” que prevalece na política brasileira.

CITANDO LACAN – Marina saiu-se com essa na sabatina: “Como diz Lacan, o sentido só aparece depois”, para dizer que a conduta correta ao formar o governo terá consequências benéficas para a democracia, assim como as alianças espúrias só fazem corrompê-la.

Ciro Gomes, por sua vez, gosta de se apresentar como “um velho professor de Direito” ou “constitucionalista”, e ressalta a temporada que passou estudando em Harvard. Ontem, além de chamar o general Mourão, vice de Bolsonaro, de “burro de carga”, ou os militares que supostamente estariam insuflando uma intervenção militar de “cadelas no cio”, explica que tem uma linguagem para cada público.

Por isso, falou em colocar cada poder “em sua caixinha”, frase que produziu a impressão, que ele diz falsa, de que pretende controlar a Operação Lava-Jato. Segundo ele, estava simplesmente traduzindo para o popular a teoria de equilíbrio dos poderes no Estado, de Montesquieu, e citou em francês o livro “L’esprit des lois” que diz que “o Poder controla o Poder” para que não se abuse do poder.

ESPÓLIO DE LULA – Os dois estarão disputando os votos com Fernando Haddad, outro intelectual, professor da Universidade de São Paulo, que tem a vantagem de ter Lula como cabo eleitoral, mas a dificuldade de ter uma legenda manchada pela série de denúncias de corrupção.

Ciro começou a bater duro no PT e em Haddad, mas livrando Lula. Sabe que no segundo turno os votos lulistas serão dele se Haddad lá não estiver. Marina critica a polarização entre PT e PSDB, e se propõe como alternativa, dando “umas férias” aos dois partidos hegemônicos na política brasileira nos últimos 25 anos. E disputa os votos de centro esquerda, que pegam desde tucanos desiludidos a petistas desencantados.

Os dois criticam a falta de experiência de Haddad, que seria um novo poste de Lula assim como Dilma foi. E experiência, ao contrário do que se supunha, é um requisito da maioria do eleitorado.

Para defender voto útil antiBolsonaro, Alckmin torce para Haddad decolar

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Charge do Sid (Charge Online)

Daniela Lima
Folha

Tal é a confusão na eleição que, neste momento, não há exagero em dizer que o PSDB de Geraldo Alckmin torce por uma rápida ascensão de Fernando Haddad (PT), o herdeiro de Lula, nas pesquisas sobre a disputa presidencial. Só esse movimento, avalia a cúpula da campanha tucana, abrirá caminho para que se possa iniciar a pregação pelo voto útil contra Jair Bolsonaro (PSL), o líder das pesquisas.

O entrave para o cenário dos sonhos de tucanos e petistas, que, por óbvio, também torcem pelo crescimento de seu neocandidato, tem nome e sobrenome: Ciro Gomes (PDT). Enquanto o PT encenava uma batalha que sabia perdida nos tribunais pela candidatura de Lula, o pedetista se apresentou ao eleitor e ganhou musculatura em ala da esquerda que desconfiava da estratégia kamikaze arquitetada pelo ex-presidente.

BOLA DA VEZ – Ciro sabe que, agora, é ele a bola da vez, mas tentará conter a ofensiva que se avizinha nos campos onde conseguiu fincar estacas. Vai exibir o Nordeste em sua propaganda eleitoral, apresentar-se como o filho legítimo da região, tratar Haddad como uma Dilma Rousseff (PT) de calças. Vai semear a desconfiança para segurar o eleitor que, neste momento, não vê viabilidade no projeto de Lula e aderiu ao do PDT.

Não será tarefa fácil. Haddad ainda não despontou nas pesquisas, mas mesmo sendo apresentado de maneira mambembe no horário eleitoral, avançou de 4% para 9%, segundo o último Datafolha. E é só agora, com a pista liberada pelo ex-presidente, que a máquina petista vai entrar em cena.

Quem aposta nas brigas internas do PT e na falta de interlocução do escolhido de Lula com setores importantes do partido deve lembrar o que está em jogo nesta eleição na cabeça dos petistas: a chance de pôr em xeque a narrativa gestada sob o manto da Lava Jato há quatro anos e cujo ponto alto foi a prisão de seu líder máximo. Não se engane: o PT vai para a guerra.

AMARGURA – E se, por um lado, a demora do partido em vestir Haddad de candidato deu tempo para Ciro mostrar suas garras, por outro, o intervalo serviu para que Lula resgatasse seu afilhado de um profundo desencanto com o sistema político e com o próprio partido.

O Haddad que deixou a Prefeitura de São Paulo em 2016, derrotado no primeiro turno por João Doria (PSDB), era um homem amargurado, impaciente, descrente e incapaz de qualquer autocrítica.  Profundamente questionado pelos companheiros de partido no estado, pensou em deixar o PT —embora negue.

Haddad culpava Dilma pelas mazelas de sua gestão, pela falta de dinheiro, pela impopularidade. Sentia-se contaminado pelos erros da petista, em especial na política de preços dos combustíveis que, avaliava, desaguou nos protestos de junho de 2013, dos quais ele foi o primeiro alvo, levando pancada da qual não conseguiu se recuperar.

OUTRO HADDAD – O homem que se apresenta para a disputa hoje é outro e está em boa fase. Lula reaproximou Haddad do partido entregando a ele, de dentro da prisão em Curitiba, a missão de formular o plano de governo do PT. Haddad adora teorizar. Foi fisgado. E então Lula cercou sua criatura com tutores de sua confiança —Ricardo Berzoini e Sérgio Gabrielli, para ficar em dois exemplos.

Esses, por sua vez, abriram espaço a Haddad dentro do PT e, talvez a contragosto, fizeram o partido engolir o afilhado rebelde de Lula. O candidato que se posta agora diante do eleitor petista prega o resgate de uma política que outrora ele mesmo havia descartado.

Aliados de Ciro acham que os lulistas não vão engolir a troca tão fácil. Haddad não é Lula, eles dizem, não soa como Lula, não pensa como Lula. Creem que o eleitor vai sentir a diferença de olhos fechados. Vai?

Estado de Bolsonaro é grave e ele está se alimentando por via venosa

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Bolsonaro, já enfraquecido, foi operado de novo

Carlos Newton

Como se sabe, os boletins médicos estão sob censura e necessitam de tradução simultânea. O hospital informou na noite de quarta-feira que Bolsonaro teve “distensão abdominal progressiva e náuseas”, que poderia ser causado por gases, e precisou passar por uma tomografia no abdômen. O exame identificou presença de aderência obstruindo o intestino delgado. Segundo o hospital, a solução do problema era cirúrgica. O boletim informou que, em uma das três perfurações sofridas no intestino delgado, formou-se uma fístula, um pequeno orifício, que provocou inflamação e gerou o quadro de aderência, que é uma obstrução intestinal.

A aderência (ou a união de dois tecidos do corpo) ocorre em decorrência da cicatrização interna em áreas que sofreram incisão cirúrgica, no caso, a realizada após a facada.

INFLAMAÇÃO – A aderência foi causada pela inflamação decorrente do trauma e dificultou a passagem de alimentos pelo intestino. Na cirurgia, as fístulas foram suturadas e as aderências foram liberadas.

“Além disso, constatou-se um extravasamento de secreção entérica (secreção intestinal) a montante do ponto de obstrução em uma das suturas realizadas anteriormente para correção dos ferimentos intestinais. Em grandes traumas abdominais esta complicação é mais frequente do que em cirurgias programadas”, diz o boletim da manhã desta terça. “A limpeza abdominal foi realizada como feito rotineiramente.”

Todos os pontos de possível obstrução foram tratados para reduzir a chance de novos problemas na região.

ELE PASSA BEM – O procedimento durou duas horas e terminou por volta das 23h30. Segundo os médicos, a nova intervenção foi bem-sucedida e o candidato passa bem. O boletim informa que ele não sentiu dores nem teve náusea durante a madrugada, mas nem poderia, por estar sob anestesia completa.

Os boletins médicos são controlados pela família. Na verdade, a situação de Bolsonaro é muito preocupante, porque ele voltou à estaca zero, mas agora está com o organismo combalido. O maior risco que vinha correndo desde a agressão era ocorrer infecção, devido a passagem de fezes para o interior do abdômen.

A nova operação também foi altamente traumática. A vida de Bolsonaro está em risco, mas ele precisa reagir e se recuperar, na graça de Deus. A política não pode se travar na ponta de uma peixeira.

 

Manobras da defesa de Lula acabaram atrasando a campanha de Haddad

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Charge do Sinfrônio (Arquivo Google)

José Carlos Werneck

Agora que Fernando Haddad é o candidato do PT à Presidência da República e praticamente chegaram ao fim as intermináveis, ridículas e monótonas manobras dos advogados de Lula, a disputa da sucesso assume seus contornos reais. Ao insistir que o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas voltou a recomendar que o ex-presidente Lula seja liberado para concorrer nestas eleições, a equipe de defensores de Lula fez um papel totalmente patético, porque essa alegação é uma inutilidade sob o ponto de vista legal, não ajudou em nada o ex-presidente.

Ao contrário, fez com que o argumento caísse cada vez mais na descrença de quem entende minimamente do assunto.

SOBERANIA – Existe um princípio consagrado em Direito, que é o respeito a autodeterminação dos povos, que nada mais é do que o princípio que garante a todo povo de um país o direito de se autogovernar, realizar suas escolhas sem intervenção externa, exercendo soberanamente o direito de determinar o próprio estatuto político.

Segundo um ridículo e risível comunicado dos advogados de Lula, o Comitê da ONU, em resposta a mais um pedido da defesa, reforçou a decisão em caráter liminar, destacando que os Três Poderes devem respeitar acordos internacionais e dar cumprimento à medida.

O advogado Cristiano Zanin Martins, quando afirmou que o novo comunicado do comitê foi anexado a recursos que correm contra o indeferimento da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral e no Supremo Tribunal Federal, parece que pensou que não encontraria vozes abalizadas que reagissem a essa bobagem.

COMUNICADO – Segundo ele, o órgão da ONU afirmou que “todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), além das mais altas autoridades públicas ou governamentais, e qualquer nível, nacional, regional ou local , estão em posição de absorver a responsabilidade do Estado-parte”.

O documento foi assinado por dois peritos plantonistas da entidade, que responderam aos advogados de Lula sobre a decisão do TSE de impedi-lo de continuar na disputa eleitoral, por que se   encontra-se preso desde o dia 7 de abril, depois de ser condenado a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Lula foi impedido de concorrer por estar incurso de corpo e alma na Lei da Ficha Limpa, que veda o registro de candidatura de pessoas condenadas em Segunda Instância.

PEDIDO NEGADO – Em resposta, o TSE emitiu duas novas decisões contrárias à sua candidatura e a presidente do tribunal, ministra Rosa Weber, negou pedido da defesa para estender o prazo do PT para apresentar um novo candidato.

A data-limite foi mantida e o vice-presidente Luís Roberto Barroso alertou o partido de que as campanhas seriam suspensas caso Lula continuasse aparecendo de forma dúbia, levando o eleitor a acreditar que o ex-presidente era candidato.

Ainda bem que integrantes mais lúcidos do Partido dos Trabalhadores entenderam que estas manobras meramente procrastinatórias dos advogados de Lula eram inúteis e o convenceram a colocar o nome de Fernando Haddad em seu lugar e assim evitaram a interdição da campanha, que só prejudicaria o PT.

Bolsonaro evolui bem após cirurgia no intestino, diz boletim médico

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Segunda cirurgia de emegência durou duas horas

Por G1 SP

O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, evolui bem após passar por cirurgia de emergência para desobstruir o intestino na noite de quarta-feira (12), informou boletim médico divulgado na manhã desta quinta-feira (13) pelo Hospital Albert Einstein. O candidato está internado desde sexta-feira (7) no hospital da Zona Sul de São Paulo, após ser vítima de uma facada durante ato de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais.

O procedimento durou duas horas e terminou por volta das 23h30. Segundo os médicos, a nova intervenção foi bem-sucedida e o candidato passa bem. Ele não sentiu dores nem teve náusea durante a madrugada. Bolsonaro foi levado para o mesmo leito onde estava antes da cirurgia, e voltou a ter o protocolo de cuidados de UTI.

NOVA CIRURGIA – Na noite de quarta, o hospital informou que Bolsonaro teve “distensão abdominal progressiva e náuseas”, e precisou passar por uma tomografia no abdômen. O exame identificou presença de aderência obstruindo o intestino delgado. Segundo o hospital, a solução do problema era cirúrgica.

Em uma das três perfurações sofridas no intestino delgado, formou-se uma fístula, um pequeno orifício, que provocou inflamação e gerou o quadro de aderência, que é uma obstrução intestinal.

De acordo com médicos especialistas, a aderência (ou a união de dois tecidos do corpo) ocorreu em decorrência da cicatrização interna em áreas que sofreram incisão cirúrgica, no caso, a realizada após a facada.

OS PROBLEMAS – A aderência foi causada pela inflamação decorrente do trauma e dificultou a passagem de alimentos pelo intestino. Na cirurgia, as fístulas foram suturadas e as aderências foram liberadas.

“Além disso, constatou-se um extravasamento de secreção entérica (secreção intestinal) a montante do ponto de obstrução em uma das suturas realizadas anteriormente para correção dos ferimentos intestinais. Em grandes traumas abdominais esta complicação é mais frequente do que em cirurgias programadas”, diz o boletim da manhã desta terça (leia a íntegra acima). “A limpeza abdominal foi realizada como feito rotineiramente.”

Todos os pontos de possível obstrução foram tratados para reduzir a chance de novos problemas na região.

A alimentação voltou a ser parenteral (endovenosa) desde a tarde de quarta-feira. A dieta será liberada quando se reestabelecer o trânsito gástrico. O tipo de dieta será decidido após a liberação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se sabe, os boletins médicos estão sob censura e necessitam de tradução simultânea. Daqui  pouco a gente volta, com novas informações. (C.N.)

Crise no PSL, que não aceita substituir Bolsonaro por Mourão nos debates

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General Mourão está aguardando resposta do TSE

Jussara Soares, Marco Grillo e Eduardo Bresciani
O Globo

A decisão do PRTB de fazer uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de o general da reserva Antônio Hamilton Mourão substituir Jair Bolsonaro em debates na televisão ampliou a divisão na campanha do PSL. O movimento irritou a cúpula da sigla e um dos filhos do presidenciável, Flávio, afirmou que qualquer atitude sobre esse tema precisa passar pelo candidato, que está hospitalizado em São Paulo após ter sofrido um atentado há uma semana em Juiz de Fora (MG).

— O momento é de ter calma, não pode se afobar. Meu pai está se recuperando ainda. A prioridade é essa. É uma decisão (sobre o debate) que cabe exclusivamente a ele (Bolsonaro). Qualquer decisão importante como essa tem que passar pelo Jair. Ele é o capitão e todos nós temos que seguir. Se ele entender que vai o Mourão, vai o Mourão; se entender que eu vou, eu vou; se ele entender que ninguém vai, ninguém vai. Mas não é o momento disso ainda — disse Flávio ao GLOBO.

SEM LEGITIMIDADE – Na terça-feira, o general Mourão disse que seu partido vai consultar o TSE sobre a possibilidade de que ele, como vice, represente o cabeça da chapa nesse tipo de evento.

Mas o presidente do PSL Gustavo Bebiano,  principal articulador da campanha, também rechaçou a iniciativa do partido coligado. Ele afirmou que o PRTB não tem legitimidade para consultar o TSE sobre essa possibilidade. Bebianno enfatizou que Bolsonaro, hospitalizado há uma semana após levar uma facada, segue vivo e no comando da campanha.

– Qualquer coisa neste sentido (de substituição de Bolsonaro nos debates) deve ser conversado primeiro pelo PSL. Quem dá a palavra final chama-se Jair Bolsonaro, afinal de contas está vivo e é o nosso chefe, nosso líder – afirmou Bebianno ao Globo.

NOVA OPERAÇÃO – Bolsonaro sofreu nova operação no Hospital Albert Einstein, nesta quarta-feira e não tem previsão de alta. Desde de o ataque a Bolsonaro, há uma disputa interna entre militares e políticos aliados do presidenciável sobre os rumos da campanha. Enquanto o primeiro grupo defende que o general Mourão assuma os compromissos do cabeça da chapa, o segundo quer que o vice siga apenas participando de encontros com empresários, produtores rurais e pequenos grupos de eleitores, como ele já vinha fazendo.

O entendimento é que Bolsonaro é “insubstituível” e deverá fazer campanha de dentro do hospital, gravando vídeos aos eleitores assim que o seu quadro de saúde permitir.

– O PRTB não tem legitimidade jurídica para fazer esse questionamento – reafirmou Bebianno.

CONSULTA AO TSE – Em nota enviada à imprensa na tarde desta quarta-feira, o PRTB reafirmou que fará a consulta ao TSE e que a informação poderia ser solicitada por qualquer cidadão. Porém, disse que a decisão final será tomada “em conjunto pela coligação PRTB/PSL.”

Nesta quarta-feira, Mourão chegou ao Paraná para cumprir uma série de compromissos deste tipo em cidades como Cascavel e Londrina. Na sexta, o militar viaja para Manaus, no Amazonas.

– Tenho o maior apreço, o maior respeito pelo general Mourão. Identifico nele uma liderança de nível nacional e ele pode contar comigo como um soldado para qualquer missão. Tenho certeza que essa suposta iniciativa, em fazer essa consulta (para participar dos debates), não parte do general Mourão – minimizou Bebianno.

PANCADA EM CIRO – O presidente do PSL também respondeu às declarações do candidato Ciro Gomes (PDT) sobre Bolsonaro, a sabatina promovida pelos jornais O Globo, “Valor Econômico” e a revista “Época.” Na entrevista, Ciro afirmou que “Bolsonaro nunca administrou uma mercearia” e que, caso o adversário seja eleito, deixará a política.

– Ciro Gomes é um frouxo, um fanfarrão, que enche a boca para falar dos outros pelas costas e não tem nem 1% da estatura de Jair Bolsonaro. Para abrir a boca para falar de Jair Bolsonaro ele tem que se colocar de joelhos e se reduzir à insignificância dele.

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NOTA DA DECISÃO DO BLOG
A decisão de descartar Mourão é insensata. O PSL também não tem legitimidade para evitar que o vice substitua o titular impedido por força maior. O TSE vai decidir e Mourão poderá participar dos debates, como já antecipou aqui na Tribuna o jurista Jorge Béja. (C.N.)

Na contramão do mundo, o Brasil se endivida para ampliar sua crise

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Charge do Baldinger (Arquivo Google)

Fernando Canzian
Folha

Na sequência da quebra do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, estava em Nova York para acompanhar os efeitos da maior falência corporativa dos EUA, que pulverizou o banco com 158 anos e 25 mil funcionários. Logo estaria claro que a crise, chamada depois de Grande Recessão, duraria anos. Na chegada, olhava para cima, via os prédios de Citibank, Merrill Lynch e Bank of America e pensava: “Quebrados”.

Em questão de dias, a crise iria de Wall Street para a Main Street (a rua principal, da economia real) e arrastaria gigantes como General Motors, Ford, General Electric e centenas de empresas. O trabalho nos EUA duraria quase dois anos, e a crise, mais uns três para arrefecer. Antes, ela varreria boa parte da Europa, sobretudo os países do Sul, como Portugal, Espanha, Itália e Grécia.

ALÉM DAS POSSIBILIDADES – Com a chegada do euro em janeiro de 2002, essas economias se endividaram para valer com a garantia do Banco Central Europeu e viveram, assim como os americanos faziam há muito tempo, além de suas possibilidades.

Antes da crise, enquanto nos EUA comprava-se imóveis financiados sem parar e empacotava-se essas dívidas em produtos financeiros vendidos ao redor do mundo (tendo como garantia o pagamentos dos empréstimos), os europeus se endividaram para ampliar suas empresas e infraestrutura. E as famílias, para aumentar seu padrão de vida em velocidade alucinante.

A crise de 2008, que agora completa dez anos, foi, portanto, uma crise relativamente simples de entender. Apesar de cifras nos trilhões e de siglas e nomes complicados como Tarp, CPP, CDO e “subprime”, ela pode ser resumida em uma palavra: endividamento.

SOS DÍVIDAS – Bancos, empresas e famílias estavam extremamente endividados até 2008 e demandariam a maior operação conjunta da história dos principais bancos centrais do mundo (Federal Reserve e Banco Central Europeu à frente) para salvá-los.

Eles não só baixaram suas taxas de juros a níveis negativos (abaixo da inflação) como injetaram trilhões de dólares nos mercados comprando títulos de empresas e governos em dificuldades.

Foi isso o que salvou o mundo de uma depressão: os governos se endividaram para socorrer empresas e bancos.

EMPREGOS E IMPOSTOS – Já as famílias tiveram o efeito colateral positivo de não perderem mais empregos do que já vinham perdendo. E o negativo de, ao longo dos próximos muitos anos, terem de sustentar esse endividamento público com seus impostos.

Dez anos depois do início daquele desastre global, o mundo cresce de novo e, nos EUA, a discussão agora é se a economia não está quente demais. A ponto de engendrar uma nova crise a partir de mais endividamento de empresas e famílias.

Em tese, esse não é um problema difícil de resolver. E os bancos centrais de EUA e União Europeia já estão preparados para elevar os juros mais rapidamente e esfriar um pouco as coisas, antes que uma nova bolha de consumo e dívidas se forme.

MOMENTO RUIM – Infelizmente para o Brasil, esse processo se dá em um momento muito ruim, quando constatamos que perdemos mais uma década em meio a crises e baixo crescimento. E que temos pela frente uma série de ajustes a serem feitos justamente quando os países ricos precisarão esfriar um pouco, dificultando nossa vida.

Assim como ocorreu no mundo desenvolvido, nossa crise atual também é de endividamento, mas público. Hoje, o Brasil opera com um déficit fiscal de cerca de 8,5% e uma dívida de 77% como proporção do PIB.

Nosso endividamento se aproxima rapidamente da média dos países europeus. Mas, ao contrário do Brasil, eles não só já deixaram a crise para trás como têm hoje superavit em suas contas (casos de Espanha, Portugal e Itália). Pior: no Brasil, boa parte do aumento da dívida e do déficit não ocorre para nos livrar de uma crise. Mas para nos afundar ainda mais nela, pagando salários altos a algumas castas de servidores e cobrindo um sistema previdenciário em que as contas já não fecham mais.

Extratos bancários de Adélio indicam que o esfaqueador teve um mandante

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Adelio Bispo continua dizendo que agiu sozinho

Luiz Ribeiro
Estado de Minas

A Policia Federal pretende abrir uma nova frente de investigação sobre as circunstâncias em que ocorreu o atentado contra o candidato a presidente da República Jair Bolsonaro, que foi esfaqueado quinta-feira (6/7), durante um ato de campanha, em Juiz de Fora (Zona da Mata). Conforme revelou o Jornal O Globo, a nova linha de investigação tem como subsídios a localização pela PF de cartão de crédito internacional e extratos de contas bancárias de Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos, autor confesso do atentado contra o presidenciável do PSL e que está preso preventivamente em um presídio federal no Mato Grosso do Sul.

Foram encontrados pela PF em um quarto de uma pensão onde Adelio estava hospedado em Juiz de Fora, um cartão de crédito internacional do Banco Itaú e dois cartões da Caixa Econômica Federal, sendo um de conta corrente e de outro de conta-poupança. Foram recolhidos extratos dos dois bancos em nome de Adelio. Também foi apreendido um recibo no valor de R$ 430 em nome dele. 

QUEBRA DO SIGILO – A apreensão do material foi revelada pela revista Crusoé e confirmada ao jornal Estado de Minas, do mesmo grupo de comunicação do Correio, por fonte de Juiz de Fora nesta quarta-feira. De acordo com O Globo, o registro do material também consta em um auto de apreensão das buscas no quarto onde o esfaqueador vivia.

Com a apreensão, a PF deverá pedir a quebra de sigilo bancário das contas de Adelio. O objetivo da nova frente de investigação é descobrir de onde vinha o dinheiro que abastecia as contas e manter o cartão de crédito internacional do agressor de Bolsonaro. Adelio passou por 12 empregos nos últimos sete anos e em nenhum deles permaneceu mais do que três meses. Ele estava desempregado quando cometeu o atentado a Bolsonaro.

Adelio Bispo de Oliveira é integrante de família pobre de Montes Claros (Norte de  Minas). Ele vivia a maior parte do tempo fora da cidade e esteve na cidade natal pela última vez há um ano e seis meses. Os quatro advogados que defendem o agressor de Bolsonaro disseram que foram contratados por igrejas evangélicas de Montes Claros ou pessoas ligadas a elas.

TODOS NEGAM – Mas, as igrejas as quais teriam sido frequentadas por Adelio e citadas pelos advogados negaram ligação com a contratação dos defensores dele, desmentindo também pagamento das custas processuais. Assim, surgiram outros questionamentos: sobre quem está pagando os advogados ou se eles apenas decidiram defender Adelio gratuitamente, para aparecer na mídia.

A Polícia Federal  apreendeu em uma lan house em Juiz de Fora seis unidades de disco rígido de computadores que foram usados por Adelio Bispo de Oliveira. Foi o próprio dono do estabelecimento que reconheceu o agressor de Bolsonaro na televisão e chamou a PF. Ele relatou que Adelio usou os computadores de 29 de agosto a 6 de setembro, duas vezes por dia, sempre pela manhã e pela tarde. Ele ficava cerca de uma hora no local e apresentava comportamento “aparentemente normal”, revelou a fonte.

Os laudos periciais emitidos até agora indicam que Adelio teria agido sozinho ao cometer o ataque contra Bolsonaro. O homem sustenta que agiu sozinho.

Bolsonaro é operado de novo e os filhos censuram os boletins médicos

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O estado de Bolsonaro é grave e ele corre riscos

Jussara Soares e Gustavo Schmitt
O Globo

O candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) passou na noite desta quarta-feira por uma cirurgia de emergência no hospital Albert Einstein, na Zona Sul da capital paulista. O procedimento começou a ser realizado por volta das 22h em razão de um problema intestinal e terminou por volta das 23h40. Segundo os médicos, a cirurgia foi bem-sucedida, e o candidato passa bem.

Em nota, o hospital informou que Bolsonaro foi acometido por uma distensão abdominal progressiva e náuseas e teve que ser submetido a uma tomografia de abdômen. O exame identificou uma aderência obstruindo o intestino delgado e foi necessário tratamento cirúrgico.

O deputado está internado no Hospital Israelita Albert Einstein desde sexta-feira, um dia após ter sido esfaqueado durante caminhada em Juiz de Fora (MG). Nesta quarta-feira, ele tinha deixado a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a unidade de cuidados semi-intensivos.

DISTENSÃO ABDOMINAL – No boletim divulgado pela manhã, o hospital informara que Bolsonaro teve a alimentação oral suspensa. Na terça-feira, os médicos haviam iniciado uma dieta leve, a que Bolsonaro teve boa tolerância. Mais tarde, no entanto, surgiu uma distensão abdominal, e os médicos decidiram continuar com a alimentação endovenosa.

Os relatórios médicos de Bolsonaro só são publicados após aprovação da família. Desde a última sexta-feira, eles são assinados pela equipe médica responsável pelo candidato (o cirurgião Antônio Luiz Macedo e o cardiologista Leandro Santini Echenique) e Miguel Cendoroglo, diretor superintendente do hospital.

O ministro do Gabinete da Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, visitou hoje Bolsonaro no hospital. A visita foi um pedido do presidente Michel Temer que, segundo a assessoria, gostaria de “levar uma mensagem desejando pronta recuperação ao Bolsonaro”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Quando surgiu a notícia de que a alimentação fora suspensa por “distensão abdominal”, comentamos aqui que o boletim médico estava sendo controlado pela família, por isso não se sabia ao certo o estado de Bolsonaro. E acrescentamos que somente o fato de estar sem febre e sem sinais de infecção já era bastante animador. Para não ficar especulando, deixamos de dizer que “distensão abdominal” também é sinônimo de “abdômen cirúrgico”, e o médico tem de fazer nova cirurgia de emergência para ver o que está acontecendo. Quanto à infecção, que é outro perigo,o exame de sangue indica na hora. Em tradução simultânea, o estado de Bolsonaro inspira cuidados, para dizer o mínimo, porque o boletim está sendo censurado. (C.N.)

Ciro diz que, em seu governo, o general Villas Bôas já estaria demitido

Ciro Gomes

Se Bolsonaro ganhar, Ciro abandonará a política

Roberta Pennafort
Estadão

O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, disse nesta quarta-feira, dia 12, em sabatina no jornal O Globo, que em seu governo o general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, teria sido demitido por sua fala pública sobre a instabilidade política no Brasil, e “provavelmente pegaria uma cana”. Villas Bôas afirmou, em entrevista ao Estado, que “a legitimidade do novo governo pode até ser questionada” e que o ataque ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na quinta-feira, 6, “materializa” seu temor de que a intolerância e a polarização na sociedade afetem a governabilidade.

“No meu governo, militar não fala em política. Ele estaria demitido e provavelmente pegaria uma cana. Eu conheço bem o general Villas Bôas. Ele está fazendo isso para tentar calar as vozes das cadelas no cio que estão se animando, o lado fascista da sociedade brasileira”, afirmou Ciro.

UM JUMENTO – “O general Mourão (vice de Bolsonaro) é um jumento de carga, que tem entrada no Exército. Quem manda nesse País é nosso povo. Tutela, sargentão dizendo que vai fazer isso e aquilo, comigo não acontecerá. Sob a ordem da Constituição, eu mando e eles obedecem. Quero as Forças Armadas poderosas, modernas, altivas. Não quero envolvidas no enfrentamento do narcotráfico, isso é papo de americano”

Mais tarde, em viagem ao Paraná, Mourão rebateu a declaração dizendo que não se envolveria em “disputas de retórica de baixo nível”.

O candidato do PDT criticou o acordo entre a Embraer e a norte-americana Boeing para a criação de uma empresa para tocar a aviação comercial da companhia brasileira. Ele considera o acerto “clandestino”, e disse que a reversão não seria uma quebra de contrato. “Nem a pau, Juvenal”, disse.

TETO DE GASTOS – Ciro reafirmou ser preciso revogar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto de gastos para que se possa investir em saúde e na educação. Ele pontuou que “outros candidatos” querem entregar a saúde pública à iniciativa privada, privilegiando ricos em detrimento de pobres.

Ao falar sobre a crise fiscal nos Estados, citou Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais e propôs um “redesenho do pacto federativo”, uma “grande negociação no atacado”. “O centro de gravidade da política brasileira não é Brasília, é a federação, Estados e prefeitos”.

Ciro criticou a desindustrialização do Brasil, e defendeu a proteção de setores da indústria. Citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por seu protecionismo antiimportações: “Trump está errado e nós, brasileiros, estamos certos?”

AGÊNCIAS SETORIAIS – Ele defendeu “desratização” do Brasil ao falar das agências do governo aparelhadas politicamente. “As agências serão passadas pelo pente fino. Quem não for salvável, será fechada. Eu falo com o Congresso.”

Ciro também disse que Fernando Haddad, se eleito, será “presidente por procuração de Lula”, comparando-a à ex-presidente Dilma Rousseff em termos de “inexperiência” para ocupar o Palácio do Planalto. Ciro criticou o PT por só ter anunciado Haddad no lugar do ex-presidente Lula na terça-feira, 11, e afirmou que o partido “só pensa em si”, não no Brasil”.

Ao comentar o convite que recebeu do PT para ser vice de Lula quando a candidatura do petista foi posta em xeque pela Lei de Ficha Limpa, disse: “Veio Dilma, Roberto Requião intermediando essa conversa. O Brasil não precisa de presidente por procuração. Sou amigo de 30 anos do Lula, estive na luta contra o impeachment, 2/3 dos votos do Ceará foram contra, fui ministro dele. Mas o Brasil não aguenta outra Dilma.”

SEM EXPERIÊNCIA – Sem atacar Haddad, ele disse que o candidato não tem estofo para ocupar o Planalto por não conhecer o Brasil. “Haddad, não por demérito dele… Ele não conhece o Brasil, não tem experiência, até ele saber onde fica a Cabeça do Cachorro, o Vale do Jequitinhonha, o Alto Solimões… Fica difícil. Minha crítica é a essa dinâmica, que se aproveita dessa generosa gratidão pela obra do Lula que o povo tem, de repente você agora nomear uma pessoa. A gente já viu esse filme”.

Para Ciro, o PT põe seus interesses acima das demandas nacionais. “O brasileiro tem que separar o justo interesse do PT e o interesse nacional, visto pelo ângulo mais progressista, solidário ao pobre, (que pensa nas) questões do petróleo, Eletrobrás, que estarão em jogo no voto agora. O PT muitas vezes dá demonstração de que só pensa em si. Neste casso, é flagrante isso. Todos eles sabiam que Lula não poderia ser presidente, em vez de respeitar a inteligência do povo, manipularam.”

SAI DA POLÍTICA – Ciro Gomes disse que, em caso de eleição de Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de votos, ele   confiança. Se nosso povo por maioria não corresponder, vou chorar”.

Ele comentou ainda que o eleitor que “vota em (Jair) Bolsonaro quer matar” o Brasil. Ele criticou afirmações feitas por aliados do candidato do PSL após o grave ataque a faca que ele sofreu em Juiz de Fora na semana passada. “Bolsonaro, uma aberração, sofre um atentado. Aí vai o Magno Malta, o Silas Malafaia… O filho dele diz ‘vamos ganhar essa bagaça no primeiro turno’. Estão insultando a inteligência da população. Estou tentando propor um caminho mais racional”.

Ao falar de sua vice, Kátia Abreu, afirmou que não aceitou convite para ir durante a campanha à Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), da qual ela foi presidente, por ter a entidade uma “posição muito retrógrada, bolsonarista. Uma pessoa que vota no Bolsonaro quer matar meu País, me tem como inimigo”.

DIFERENTES – Sobre Kátia, explicou: “Eu convidei porque ela me completa, porque somos diferentes. No pensamento mais conversador, sou visto como uma pessoa mais de esquerda, mesmo procurando ser moderado, equilibrado, que gosta de produzir resultados. Kátia presidiu a CNA, teve tarefa extraordinária, por isso é uma pessoa proscrita lá”.

“Vai ser uma intrigalhada infernal para o eleitor do campo da esquerda se decidir. Aparentemente, é um eleitorado à esquerda, ao centro, pessoas que têm simpatia pelo Lula. Mas vou evitar essa intriga. Eu acho que sou um pouco mais largo que ele (Haddad). A proposta que eu tenho fala para a centro-esquerda, inclusive negando o PT. Quero que o Brasil saia dessa contradição que já está descambando para a violência, com amigos desfazendo a amizade. O Brasil não cabe nessa miudice de coxinhas contra mortadelas”.

LULA PRESO – Para ele, o posicionamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com relação à definição da candidatura petista deve ser relativizado por sua condição de preso. Ele chamou de “desatino” a escolha de Haddad, mas eximiu Lula (preso pela Lava Jato após condenação em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro).

“O Lula a gente tem que relativizar, ele está isolado, é muito doído. Somos amigos, já brigamos, eu o apoiei em todos os momentos dos últimos 16 anos, abri mão de ser candidato (a presidente). Eu aguentei em nome do Brasil. Agora, o Lula perdeu os grandes amigos, Márcio Thomaz Bastos, Luiz Gushiken morreu, o (Antonio) Palocci está preso, o José Dirceu sofreu esse constrangimento, ele perdeu Dona Marisa. Hoje, está cercado de puxa-saco, perdeu a percepção genial da realidade. Se não estivesse, ele não estaria permitindo tantos desatinos”.

UM INSULTO – A única vez em que sua ida foi cogitada pelo PT foi quando das conversas para que ele compusesse a chapa de Lula como vice. “Achei isso um insulto. Eu iria por razão pessoal, humanitária, não política. O Lula não é o satanás para mim, nem um deus. É um presidente que foi muito bom para o povo brasileiro e que merecidamente tem desse povo gratidão”, explicou.

“Mas isso não deveria obrigar nenhum de nós a achar que Lula é infalível. Ele indicou Dilma, ele escolheu Temer, escolheu Haddad para ser prefeito de São Paulo e ele perdeu no primeiro turno na reeleição. É para a gente pensar. O Lula é uma pessoa boa, mas suas escolhas podem ser erradas”.

Viajam as palavras, no trem de ferro poético de Cassiano Ricardo

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Site Poemas & Canções

O jornalista, ensaísta e poeta paulista Cassiano Ricardo (1895-1974) diz no poema “Viajam as Palavras” que a trepidação do trem de ferro modifica o sentido de tudo, inclusive, das palavras.

VIAJAM AS PALAVRAS
Cassiano Ricardo

Passageiros, formo como que um diagrama
entre o céu tremido e o jornal que a trepidação
do trem sacode em minhas mãos.

A paisagem me vem oferecer seus buquês
roxos e cor de ouro
mas foge, arrependida.

Vistos, de longe, de passagem,
todos os rostos são amigos, são iguais.

Só que depois, em minha memória,
que estará rolando ainda esta paisagem
impressa em mim, à minha saudade
como um quadro à parede.

O possível desastre
faz cantar, como uma carretilha ao meu ouvido,
o pássaro do adeus.
O trem de ferro desloca o sentido das coisas.
Viajam as palavras.