Piada do Dia: Eduardo Cunha diz que não apoia impeachment

Eduardo Cunha só vai apoiar o impeachment na hora certa

Deu na Folha

Responsável por avaliar se um pedido de impeachment de um presidente da República é arquivado ou encaminhado aos parlamentares, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta quarta-feira (11) que “não há espaço” para discutir a saída de Dilma Rousseff.

“Eu sempre fui muito claro em relação a esse assunto [pedido de impeachment de Dilma] e vou continuar sendo. Não vejo espaço para isso. Não concordo com esse tipo de discussão e não terá meu apoiamento”, afirmou o peemedebista.

Cunha, um dos principais líderes do PMDB que tem o vice-presidente, Michel Temer, defendeu a legitimidade do governo da petista. Ele afirmou que dificuldades iniciais de um mandato não podem justificar uma saída pelo comando do país.

“Existe diferença muito grande de você ter qualquer tipo de divergência ou forma de atuar com independência. O governo está legitimamente eleito. Não dá para você no início do mandato ter esse tipo de tratamento desse processo”, afirmou.

TRÂMITE

Para ser aprovado na Câmara, um pedido de impeachment tem que passar por comissão e ainda receber o apoio de 342 dos 513 deputados.

Na sequência, o processo segue para o Senado, onde precisará de apoio de 54 dos 81 senadores. Após chegar ao Senado, o pedido precisa ocorrer em até 180 dias, período pelo qual o presidente fica afastado do cargo.

PROTESTOS DIA 15

Deputados e senadores da oposição vão participar de protestos de 15 de março pedindo o impeachment de Dilma.

Nos últimos dias, líderes oposicionistas têm defendido que as medidas impopulares adotadas pela petista -como aumento da gasolina e a alterações em direitos trabalhistas e previdenciários-, o escândalo de corrupção na Petrobras e a queda significativa da popularidade da presidente, registrada pela Datafolha no fim de semana, justificam o debate sobre o impeachment.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Esta entrevista é candidata ao troféu Piada do Ano. É claro, lógico e evidente que Cunha jamais diria que apoia o impeachment de Dilma. Ele é um dos principais beneficiários do impeachment, que ainda está em início de gestação. (C.N.)

Sobe para 13 o número de envolvidos com delação premiada

Mario Cesar Carvalho
Folha

O empresário Shinko Nakandakari, investigado na Operação Lava Jato sob suspeita de intermediar o repasse de propina de empreiteiras em obras da Petrobras, fechou um acordo de delação premiada com procuradores que atuam no caso, segundo a Folha apurou.

É o 13º suspeito que decide colaborar com a investigação, revelando o que sabe sobre os subornos, em troca de uma pena menor –o princípio básico dos acordos de delação.

Ele é suspeito de ter intermediado R$ 57,7 milhões em propina, em valores atualizados, segundo outro delator da Lava Jato, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco.

A participação de Shinko no esquema de desvios e subornos da Petrobras foi apontado por um alto executivo da Galvão Engenharia, Erton Fonseca, que disse ter pago R$ 5 milhões a ele, conforme a Folha revelou em novembro.

REPASSANDO A PROPINA

Ainda segundo o executivo, que preside a divisão industrial da Galvão, o valor foi pedido por Pedro Barusco, que era gerente da diretoria de Serviços da Petrobras, ocupada à época por Renato Duque.

De acordo com o executivo da Galvão, Shinko desempenharia um papel similar ao do doleiro Alberto Youssef no repasse de suborno.

Os advogados da Galvão Engenharia, liderados por José Luis de Oliveira Lima, defendem que a empresa foi vítima de extorsão de funcionários da Petrobras. Se a empresa não pagasse os valores pedidos, segundo Oliveira Lima, estava fora das obras da Petrobras.

NA PLANILHA DE BARUSCO

Shinko é citado nove vezes como intermediador de propina em uma planilha preparada por Barusco, com os 89 maiores contratos da Petrobras. A tabela traz também o valor da propina, como ela foi dividida entre executivos da Petrobras e o PT.

Foi por meio da tabela de Barusco que a reportagem da Folha chegou ao valor do suborno que Shinko teria intermediado, de R$ 57,7 milhões.

Barusco cita na tabela que o contato de Shinko na Galvão era Erton Fonseca.

A planilha faz parte dos depoimentos que Barusco prestou no âmbito dos acordos de delação premiada em novembro, mas que se tornaram públicos na última semana. Segundo Barusco, o PT ficava com um percentual que variava de 1% a 2% dos valores dos contratos da diretoria de Serviços. O total arrecadado pelo partido, de acordo com ele, seria de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões entre 2003 e 2011.

INDICADO PELO PT

Os investigadores da Lava Jato dizem que Duque foi indicado ao cargo de diretor de Serviços pelo PT, o que seus advogados negam enfaticamente. A defesa de Duque também refuta que ele tenha recebido propina.

Shinko foi também executivo da CBPO e da Odebrecht e já havia sido investigado na CPI do caos aéreo, em 2007. A CPI concluiu que uma empresa de Shinko recebeu por serviços não prestados.

Afinal, por que Vaccari se reunia com Duque em hotéis?

Vaccari diz que se encontrava com Duque, mas não eram amigos

Andréia Sadi
Folha

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi questionado pela Polícia Federal sobre se encontrou com Renato Duque no hotel Windsor de Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele confirmou o encontro com o ex-diretor da Petrobras neste hotel algumas vezes. Perguntado o motivo, ele informou que foram conversas sociais.

A Folha obteve o relato do depoimento de petistas que compareceram ao encontro do partido nesta sexta-feira. Vaccari leu o documento nesta sexta-feira (6) a um grupo restrito de amigos.

Segundo petistas, os delegados não perguntaram a Vaccari quando esse encontro ocorreu, sem mencionar ano ou mês.

Em depoimento concedido em acordo de delação premiada, Pedro José Barusco Filho, ex-gerente de engenharia da Petrobras, estima que o PT tenha recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões entre 2003 e 2013.

NO RIO E EM SANTOS

Foi Barusco quem relatou que Vaccari e Duque se encontravam no hotel Windsor do Rio –informação confirmada pelo tesoureiro– e no hotel Meliá, em Santos.

Barusco foi gerente da diretoria de Duque, a quem também acusa de receber propina. Barusco afirma que Vaccari Neto teve “participação” no recebimento desse suborno. O tesoureiro e o PT negam as acusações.

Petistas se diziam tranquilos porque o depoimento de Pedro Barusco não afirma que ele deu dinheiro ao tesoureiro. E que as perguntas do delegado iam nessa direção, de esclarecer o que o ex-gerente da Petrobras não deixou claro.

CONHECIA OS EMPRESÁRIOS

Vaccari foi perguntado se conhecia empresários como Léo Pinheiro (OAS) e Ricardo Pessoa (UTC) e respondeu afirmativamente. E que, como responsável pelas finanças do PT, procura empresários para solicitar doações legais.

À Folha, Vaccari confirmou ter comparecido à festa de uma filha de Duque. Segundo ele, uma festa para 500 pessoas, o que é, segundo ele, coerente com o fato de ter mantido relações sociais com ele.

A reportagem questionou se ele não era amigo de Duque. “Relações sociais não significam uma amizade próxima, como dizer que é amigo sugere”.

Sobre Barusco, Vaccari afirmou: “O cara ficou lá 16 anos e só fala de mim, do PT?”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Se Vaccari se encontrava com Duque em hotéis de luxo não somente no Rio, mas também em Santos, e não eram amigos, qual seria a relação entre os dois? Quando duas pessoas estão juntas num hotel e não são amigas, são o quê? (C.N.)

EUA começam a perder apoio para enviar armas à Ucrânia

Tyler Durden
Zero Hedge

Depois da imensa farsa em que se converteram as conversações “de paz” da Cúpula Minsk/Ucrânia, as várias partes envolvidas parecem estar-se separando, ainda mais rapidamente fraturadas. As manchetes sucedem-se rápidas e gordas, mas a informação mais acertada parece ser: “Apesar de John Kerry persistir em surto de negação de qualquer separação entre Alemanha e EUA sobre os EUA fornecerem armas à Ucrânia, o ministro alemão de Relações Exteriores Steinmeier denunciou a estratégia de Washington como não apenas temerária, mas também contraproducente.”

Ainda mais significativo parece ser o continuado pivoteamento da França na direção dos russos… Depois de François Hollande ter exigido maior autonomia para o leste da Ucrânia, também o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy veio a público em declarado apoio à Rússia (e especificamente contra os EUA): “Somos parte de uma civilização comum com a Rússia” – disse e acrescentou que “os interesses dos norte-americanos com os russos não são os interesses de Europa e Rússia.

Até a OTAN parece ter desistido de qualquer esperança; as declarações de Stoltenberg (secretário da OTAN e primeiro-ministro da Noruega) mostram pouco otimismo; e a decisão de Chipre, de autorizar a Rússia a usar o solo cipriota para instalação de bases militares, sugere que as coisas absolutamente não vão bem na ‘União’ Europeia.

O ministro alemão de Relações Exteriores reforçou sobre a posição alemã de rejeitar entregas de armas à Ucrânia e há outras matérias a respeito:

1) Lavrov(chanceler russo): ”A Europa vê como má ideia a entrega de armas à Ucrânia”.

2) Considero a ideia não apenas temerária, mas também contraproducente” – disse o ministro Steinmeier na Conferência de Segurança de Munique. Steinmeier também reagiu contra as críticas de senadores e outras autoridades norte-americanas, no domingo, à posição da Alemanha sobre fornecimento de armas. A Casa Branca continua a falar sobre entregar armas à Ucrânia, em apoio ao governo de Kiev, no leste do país.

3) “É possível que insistamos tanto porque conhecemos bem a região”, disse Steinmeier.

EUA FINGEM NÃO VER

Mas para John Kerry… nada disso! Tudo vai esplendorosamente bem… E ele nega qualquer divergência entre Europa e EUA na política para a Rússia.

“O secretário de estado John Kerry negou, nesse domingo, qualquer divisão entre EUA e Europa sobre como lidar com a Rússia, no momento em que a Alemanha anunciava outra reunião de alto nível organizada para controlar a crise na Ucrânia.

Kerry disse em conferência de segurança a Munique que “posso assegurar a todos que não há qualquer divisão, não há ruptura alguma” entre Washington e seus aliados europeus, em torno da crise na Ucrânia.

“Estamos unidos, estamos trabalhando em íntima união” – disse Kerry à conferência, depois de reuniões com seus contrapartes francês e alemão. “Todos concordamos com que esse desafio não terminará pelo uso de força militar. Estamos unidos em nossa diplomacia.”

FRANÇA APOIANDO A RÚSSIA?

Mas talvez mais significativo seja o visível continuado pivoteamento da França na direção da Rússia… Depois de François Hollande ter exigido maior autonomia para o leste da Ucrânia, o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy saiu também em aparente apoio à Rússia (e especificamente contra os EUA).

“Somos parte de uma civilização comum com a Rússia,” disse Sarkozy, falando no sábado num congresso da União para um Partido do Movimento Popular (UMP), presidido pelo ex-presidente da França.

“Os interesses dos norte-americanos com os russos não são os interesses de Europa e Rússia”, disse Sarkozy, acrescentando que “não queremos o renascimento de uma Guerra Fria entre Europa e Rússia.”

“A Crimeia escolheu a Rússia e não há por que culpá-la por isso” – disse Sarkozy, destacando que “temos de encontrar os meios para criar uma força de manutenção da paz que proteja os falantes de russo dentro da Ucrânia.”

CHIPRE OFERECE BASES A MOSCOU

E como se não bastasse, Chipre se une ao bloco da separação, oferecendo-se para assinar, dia 25/2/2015, um acordo de cooperação militar que dará à Rússia o direito de usar bases militares implantadas em solo cipriota.

A base aérea que os aviões russos usarão localiza-se a cerca de 40km de distância da base aérea militar britânica soberana em Akrotiri, no litoral sul de Chipre, e que dá suporte a operações da OTAN nas regiões do Oriente Próximo e Oriente Médio.

Parece que até a OTAN já sabe que não haverá “acordo de paz”…

Stoltenberg: “Impossível garantir” que sairá de Minsk algum cessar-fogo”.

Mas ainda há esperanças… como espera o vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel, que se diz ‘cautelosamente otimista’ sobre a cúpula de Minsk, afirma que Putin tem de aceitar a “mão estendida” da União Europeia, mas em seguida afina, dizendo que a União Europeia busca renovada parceria pós-crise com a Rússia.

Logo todos veremos no que dará tudo isso.

Direção da Petrobras vazava dados para facilitar o cartel

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/files/2014/04/a-charge-01.jpgWilson Lima
iG Brasília

O ex-gerente de serviços da Petrobras Pedro Barusco revelou em delação premiada que 14 empresas integrantes do cartel que tocava as obras da estatal tinham acesso a informações estratégicas e sigilosas da Petrobras. O acesso às informações privilegiadas permitia a estas empresas escolher quais seriam responsáveis pelas obras da Petrobras e quanto cada uma receberia por obra.

Na quarta-feira, o iG publicou que documentos e planilhas apreendidos pela Polícia Federal (PF) mostravam que as empresas dividiam a execução de cada empreendimento ainda na fase de projeto. Esta definição prévia da destinação de cada obra na Petrobras ocorria até um ano antes do lançamento oficial do empreendimento. A divulgação do depoimento de Pedro Barusco reforça a tese da Procuradoria e da PF de que as empresas tinham a vida facilitada por membros da própria Petrobras, após pagamento de propina a ex-executivos da estatal.

Segundo depoimento de Pedro Barusco, havia na Petrobras um esquema de direcionamento de licitações especificamente para as 14 empresas envolvidas no quartel, entre as quais estavam a Camargo Corrêa, a Andrade Gutierrez, a Odebrecht, a Metal/SOG, a OAS, a UTC, a Skanska, Promon Engenharia, a Techint, a Queiroz Galvão, a Engevix, a Mendes Júnior, a Schain e a MPE. Além do direcionamento de licitações, as empresas também tentavam estipular preços para as obras por valores “muito além” do mercado, conforme Barusco. As companhias negaram participação no esquema citado por Barusco.

LISTA INDICATIVA

O ex-gerente afirmou que não participou de reuniões com o clube de empresas do cartel, mas chegou a receber uma lista de um funcionário da Odebrecht de quais empresas deveriam participar de um procedimento licitatório da refinaria Abreu e Lima, em abril ou maio de 2008. “Rogério (funcionário da empreiteira) disse na ocasião que já havia acertado como Paulo Roberto Costa, à época diretor de abastecimento, a lista de empresas que iria participar”, disse Barusco, pontuando que “achou absurda” a situação. Foram exatamente as empresas da lista que participaram deste procedimento licitatório referente à Abreu e Lima.

O ex-gerente de serviços da Petrobras também disse que, para viabilizar algumas obras em favor do clube de empresas, ele “vazava” informações estratégicas de forma antecipada às integrantes do cartel. “Por ter acesso ao Documento Interno do Sistema Petrobras – DIP, no qual constava a lista das empresas que seriam convidadas, eu ‘vazava’ esta lista a pedido dos representantes de cada empresa do cartel”, informou Barusco aos policiais federais. “O conhecimento da mesma era fundamental para que organizassem entre si quais os pacotes de obras que ficaria para cada um”, complementou.

“Eu nunca fornecia cópia do DIP por se tratar de documento sigiloso interno da Petrobras, mas eu ou copiava a lista das empresas em um documento de word sem qualquer tipo de identificação da Petrobras ou anotava em uma lista à caneta, de próprio punho”, afirmou.

AS PROPINAS DO PT

Além disso, Barusco revelou que o PT teria recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em propina entre 2003 e 2013. As declarações do ex-gerente colocam novamente o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, no centro das investigações, ao apontarem que o petista participava do esquema de pagamento de propina na estatal. O dinheiro usado nos pagamentos, segundo o delator, teria saído de 90 contratos da estatal.

Em outro trecho de seu depoimento, Barusco afirmou também que os contratos de construção de sondas da Petrobras, no valor de U$$ 22 bilhões, renderam 1% de propina em uma operação que envolveu diretamente Vaccari Neto. Somente no processo de construção de sondas de exploração de petróleo em alto mar, foram geradas propinadas da ordem de U$$ 220 milhões, que teriam sido divididos entre Vaccari e demais operadores do esquema.

Tribunal suspende de nova a ação contra Yeda Crusius

Yeda Crusius diz que o Ministério Público já a inocentou

Jussara Martins

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região suspendeu, mais uma vez, a ação de improbidade administrativa apresentada em agosto de 2009 contra a ex-governadora Yeda Crusius (PSDB) para apurar se houve envolvimento da ex-governadora gaúcha em fraudes licitatórias perpetradas no Detran estadual entre 2003 e 2007. Até hoje, esta ação ainda não foi recebida pelo Judiciário.

Em março de 2014, uma investigação criminal realizada pelo Ministério Público Federal já havia concluído pela inexistência de qualquer indício de participação de Yeda Crusius nas fraudes. Agora, a decisão do TRF4 atendeu a recurso (agravo de instrumento) apresentado pela defesa para anular a decisão do juiz federal Loraci Flores de Lima, da 3ª Vara Federal de Santa Maria/RS, que entendera existirem elementos de acusação suficientes para dar início à ação de improbidade contra Yeda Crusius. Desse modo, a ação em Santa Maria ficará suspensa, ao menos até que o Tribunal decida se anula ou reforma a decisão que deu início ao processo.

Nesta decisão liminar, o TRF4 reconhece a complexidade da causa e a necessidade de análise pormenorizada da situação, além de avaliar o risco de Yeda Crusius ter de se defender desnecessariamente de uma ação que pode vir a não ser recebida. Com tais ponderações, a Justiça suspendeu a ação até o julgamento final do recurso da defesa. A decisão segue em anexo.

CALÚNIA INSTITUCIONALIZADA

Segundo o advogado Fábio Medina Osório, que defende Yeda Crusius, a ação “foi uma das maiores calúnias institucionalizadas da história do Judiciário, uma falácia sem precedentes, uma demanda destituída de qualquer base empírica ou probatória, uma invenção dos acusadores”. Por isso, disse acreditar no TRF4: “Ao julgar o mérito do recurso, o tribunal deve fulminar definitivamente este abuso de poder nesta ação de improbidade lançada politicamente contra Yeda Crusius e que tantos prejuízos lhe trouxe à imagem e ao patrimônio moral”.

Para Medina Osório, a ação de improbidade, que tramita desde 2009, é o exemplo de como não se deve trabalhar estas questões. “Não se pode usar o processo judicial para humilhar um dirigente político, amassar sua honra, até porque as ações de improbidade permitem que o julgador, logo ao início, realize um filtro e verifique se a pretensão punitiva é razoável, plausível, ou não”.

“No caso desta ação contra Yeda, o julgador que se debruçar sobre as provas – e todas já foram colhidas – verá que se trata de puro desvio de finalidade e abuso de poder acusatório”, assevera.

Supremo autoriza novos depoimentos da Lava Jato

Zavascki manda que investigações sejam completadas

Deu na Agência Brasil

O doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa vão prestar novos depoimentos sobre o envolvimento de parlamentares e demais autoridades com foro privilegiado na Operação Lava Jato. As medida foi autorizada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos processos oriundos da investigação na Corte.
Os novos esclarecimentos foram requeridos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chefe da força-tarefa de procuradores que atuam nas investigações sobre desvios de recursos da Petrobras.

Após as oitivas, Janot deve denunciar ao STF as autoridades com prerrogativa de foro, como parlamentares. Segundo o procurador, as denúncias devem ser remetidas até o final deste mês. Os investigados que não se reelegeram serão julgados pelo juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal em Curitiba, para onde serão encaminhados os respectivos inquéritos.

Itália julga recurso brasileiro para extraditar Pizzolato

Deu no Correio Braziliense

Um novo pedido do governo brasileiro de extradição do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato deve ser julgado, nesta quarta-feira (11/2), pela Corte de Cassação de Roma. Pizzolato foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2013 no julgamento da Ação Penal 470, o mensalão. A Justiça italiana deve analisar recurso contra decisão proferida pela Corte de Apelação de Bolonha em outubro de 2014, quando a extradição foi negada.

Com cidadania italiana, o ex-diretor fugiu para a Itália em setembro de 2013, mas foi preso em Maranello em fevereiro de 2014, portando documento falso. Ele foi solto em 28 de outubro, depois que a Corte de Bolonha negou sua extradição e permitiu que ele respondesse em liberdade. No mês seguinte, a Advocacia-Geral da União (AGU) do Brasil apresentou o recurso contra a decisão.

A Polícia Federal indiciou Pizzolato por nove crimes referentes ao passo a passo de sua fuga para a Itália. A investigação sobre o caso foi concluída em 1° de novembro do ano passado. Entres os crimes estão falsidade ideológica por ter requerido documentos falsos em nome de seu irmão, Celso Pizzolato, falecido em 1978, e uso de documento falso para votar em nome do familiar. De acordo com a PF, a pena de cada um dos crimes apurados pode variar de um a cinco anos de reclusão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA defesa de Pizzolato tem um argumento sólido para evitar a extradição: o caso do italiano Cesare Battisti, que o governo Lula abrigou no país. Como aconteceu com Pizzolato, muitos envolvidos na Operação Lava Jato podem fugir do país, porque não lhes faltam recursos depositados no exterior. O pior é saber que no Supremo os processos podem até ser anulados, por uma ou outra falha técnica. Temos uma Justiça realmente podre.(C.N.)

Força-tarefa começa a fechar o cerco em torno da Odebrecht

Mario Cesar Carvalho
Folha

A Odebrecht contratou advogados na Suíça para tentar bloquear a remessa de documentos daquele país que possam incriminar a empreiteira nas investigações da Operação Lava Jato. Maior empreiteira do país, a Odebrecht foi citada por dois delatores como integrante do grupo de empresas que pagava propina a executivos da estatal para obter contratos: o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e o ex-gerente Pedro Barusco.

Costa disse aos procuradores que recebeu US$ 23 milhões (R$ 64 milhões hoje) da empreiteira, em contas que abriu na Suíça. O relato consta dos depoimentos feitos após acordo de delação premiada. O dinheiro que está na Suíça foi incluído no pacote de R$ 80 milhões que Costa se comprometeu a devolver. A Odebrecht nega que tenha pago suborno e que tente obstruir a vinda de documentos.

Os procuradores aguardam a vinda dessa documentação da Suíça para pedir à Justiça medidas contra a empresa.

FORÇA-TAREFA  

Os integrantes da força- tarefa que atuam na Lava Jato priorizaram a investigação em torno da Odebrecht depois que ganharam força rumores de que a empreiteira estava sendo poupada por pressões políticas. A operação foi desencadeada em março do ano passado, mas até agora não houve buscas nem prisões de diretores da empresa.

Medidas como essa, segundo a Folha apurou, dependem do envio da documentação suíça. A papelada deve mostrar o caminho que o dinheiro percorreu até chegar às contas de Costa naquele país.

Segundo ele, foi um diretor da Odebrecht Plantas Industriais chamado Rogério Araújo quem orientou-o a abrir as contas naquele país. As transferências ocorreram entre 2008 e 2009, ainda de acordo com Costa.

O ex-gerente Pedro Barusco citou a Odebrecht e o diretor Rogério Araújo em sua delação e detalhou em uma planilha em quais obras da Petrobras a empreiteira teria pago suborno. Numa lista dos 89 dos maiores contratos da Petrobras em que houve pagamento de suborno, a Odebrecht aparece em 11 obras, sozinha ou em consórcio.

PROPINA DE R$ 50 MILHÕES

Só num dos contratos da Odebrechet, na refinaria Abreu e Lima (PE), Barusco cita uma propina de R$ 50 milhões, em valores atualizados. A obra foi feita em consórcio com a UTC e OAS. Barusco também contou ter recebido cerca de US$ 1 milhão da empreiteira no Panamá.

A estratégia de tentar brecar o envio de documentos suíços já foi usada pelo tucano Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas paulista acusado de ter recebido suborno da Alstom. A medida retardou o envio de provas por três anos. Como o Brasil tem um tratado de cooperação com a Suíça, os papéis chegariam em 60 dias se não houvesse contestação.

Juiz da Lava Jato desmonta tese da defesa das empreiteiras

Moro: “Não há diferença entre corrupto e corruptor”

Deu na Folha

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, esclareceu  que agentes públicos e privados são “igualmente culpados” pelos esquemas de corrupção. Moro entende que há uma “simbiose ilícita entre corrupto e corruptor”.

O entendimento do juiz está em despacho no qual ele refutou as alegações de falta de provas e ilegalidades na ação penal aberta para investigar os executivos da empreiteira Mendes Júnior.

NÃO ERA CHANTAGEM

A argumentação do juiz derruba as alegações de parte dos executivos, que afirmaram ter sido obrigados pelos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque a pagar propina para obter contratos com a estatal.

Segundo as empresas, se os valores indevidos não fossem pagos, seriam colocadas barreiras para impedir pagamentos e novas chamadas para participação nas obras da empresa.

“A tese da denúncia é que se trata de crime de corrupção, no qual ambos, corruptor e corrupto, são igualmente culpados. Na corrupção, há uma simbiose ilícita entre corrupto e corruptor. Na corrupção, não há como transferir a culpa de um para o outro. Não se trata de demonizar o setor privado ou o setor público. Em ambos os lados, há responsáveis”, disse o juiz.Parte superior do formulário

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Cunha humilha o governo e vai convocar os 39 ministros

Se os ministros faltarem, poderão ser convocados, diz Cunha

Márcio Falcão e Ranier Bragon
Folha

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), prepara um convite global para que os 39 ministros da presidente Dilma Rousseff prestem esclarecimentos e debatam temas de suas pastas com deputados. A ideia é seja estabelecido um calendário para que um ministro, a cada semana, compareça à Câmara numa comissão geral, quando todos os trabalhos da Casa são interrompidos para a realização de um debate em plenário. Preferencialmente, esses encontros acontecerão às quintas-feiras.

Cunha acertou a interação com os ministros durante a reunião de líderes da Casa. Pelas regras da Câmara, quando um ministro é convidado, ele não é obrigado a comparecer. O peemedebista, porém, não descartou que sejam aprovadas convocações, em casos de recusa, o que torna a presença obrigatória.

“Vamos aprovar um convite global, fazer um calendário para o ano inteiro. Se eventualmente, alguém que for convidado, sem motivação de força maior se recusar a comparecer, pode ser que o plenário entenda depois convocar”, afirmou.

Questionado se a medida é uma reação à pressão dos parlamentares contra restabelecer sessões de votações nas quintas-feiras, ele negou.

“Não tem reação nenhuma. É simplesmente fazer o que o Parlamento tem que fazer: que é debater. É fazer com que os ministros possam num dia debater assuntos de suas pastas com o Parlamento”, afirmou.

AS VOTAÇÕES

O presidente da Câmara reconheceu que há um movimento para jogar votações para as noites de segundas-feiras.

Atualmente, as votações ocorrem apenas às terças e às quartas. Às quintas são discutidas matérias de consenso, como acordos internacionais, e geralmente é mantido o registro de presença do dia anterior para garantir o quórum.

No lugar de promessas de ampliação de benefícios, agora o presidente da Câmara fala em cortar o salário de quem não comparecer às sessões de quinta. Para as ausências, serão aceitas justificativas de viagem em missão oficial ou de licenças médicas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Cunha continua humilhando o governo, colocando-o em seu devido lugar. Depois de fazer com que o PT ficasse fora da Mesa Diretora da Câmara e do comando das principais comissões, inclusive da CPI da Petrobras e da Comissão da Reforma Política, Cunha também vai colocar os ministros contra a parede. O PT e o governo estão desarvorados, não sabem o que fazer e não tem Lula ou marqueteiro que dê jeito nisso. (C.N.)

Com João Nogueira e Nei Lopes, na gafieira Elite

Nei Lopes, parceiro de João Nogueira

O advogado, escritor, cantor e compositor carioca Nei Brás Lopes e seu parceiro João Nogueira sonharam ter ido a um “Baile no Elite”, tradicional gafieira da Cidade do Rio de Janeiro, onde se apresentava a Orquestra Tabajara. O samba foi gravado por João Nogueira no LP Vida Boêmia, pela Odeon, em 1978.

BAILE NO ELITE

João Nogueira e Nei Lopes

Fui a um baile no Elite, atendendo a um convite
Do Manoel Garçon (Meu Deus do Céu, que baile bom!)
Que coisa bacana, já do Campo de Santana
Ouvir o velho e bom som: trombone, sax e pistom.
O traje era esporte que o calor estava forte
Mas eu fui de jaquetão, pra causar boa impressão
Naquele tempo era o requinte o linho S-120
E eu não gostava de blusão (É uma questão de opinião!)

Passei pela portaria, subi a velha escadaria
E penetrei no salão. Quase morri do coração
Quando dei de cara com a Orquestra Tabajara
E o popular Jamelão, cantando só samba-canção.
Norato e Norega, Macaxeira e Zé Bodega
Nas palhetas e metais (E tinha outros muitos mais)
No clarinete o Severino solava um choro tão divino
Desses que já não tem mais (E ele era ainda bem rapaz!)

Refeito dessa surpresa, me aboletei na mesa
Que eu tinha reservado (Até paguei adiantado)
Manoel, que é dos nossos, trouxe um pires de tremoços
Uma cerveja e um traçado (Pra eu não pegar um resfriado)
Tomei minha Brahma, levantei, tirei a dama
E iniciei meu bailado (No puladinho e no cruzado)
Até Trajano e Mário Jorge que são caras que não fogem
Foram se embora humilhados (Eu estava mesmo endiabrado!)

Quando o astro-rei já raiava e a Tabajara caprichava
Seus acordes finais (Para tristeza dos casais)
Toquei a pequena, feito artista de cinema
Em cenas sentimentais (à luz de um abajur lilás).
Num quarto sem forro, perto do pronto-socorro
Uma sirene me acordou (em estado desesperador)
Me levantei, lavei o rosto, quase morto de desgosto
Pois foi um sonho e se acabou
(O papo é pop e o hip-hop
A Tabajara é muito cara
e o velho tempo já passou!) 

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Receita para acabar com a rejeição

Carlos Chagas

É comum transformar-se a Astronomia em Astrologia, assim como a Medicina em magia e até a História em lenda. Não dá para aceitar, porém, que se pretenda trocar rejeição por alta exposição. Impopularidade por viagens aos estados. Essa parece a estratégia da presidente Dilma para enfrentar os péssimos resultados de recente pesquisa que revelou ampla rejeição nacional ao seu governo. Madame decidiu que viajará pelo país, mostrando-se. Admitiu, até, dar entrevistas aos meios de comunicação.

O problema está em que se não apresentar fundamental mudança de objetivos em seu governo, não vai adiantar nada. Poderá desfilar em carro aberto, abanar as mãos para os transeuntes e até ser aplaudida por claques adredemente contratadas, mas continuará rejeitada pela nação caso não leve na bagagem mensagem diversa da que adotou depois de sua reeleição. Fracassará na tentativa de recuperação se permanecer patrocinando aumento de impostos, suprimindo direitos trabalhistas e permitindo “ajustes” ditados pelo anacronismo de economistas que servem às elites.

Só com um pacote de profundas iniciativas sociais, econômicas e políticas a presidente assistirá mudarem os índices negativos que vem colhendo. Precisará, é claro, enfrentar a corrente reacionária responsável por havê-la convencido a enviar a fatura da crise para os mesmos de sempre, ou seja, as massas e a classe média.

Perguntarão alguns ingênuos e muitos pascácios sobre que tipo de reformas poderiam ser implantadas, e com que dinheiro. Será fácil replicar que dinheiro há, bastando procurá-lo nos privilégios das elites, no acúmulo das grandes fortunas, nos lucros abusivos do sistema financeiro nacional e do estrangeiro aqui sediado, nas vultosas remessas para o exterior e, obviamente também, batendo firme na corrupção.

Que reformas? A garantia do trabalho por meio do retorno à estabilidade no emprego; a participação dos empregados no lucro das empresas; a cogestão; a multiplicação do salário mínimo; a taxação das grandes fortunas; o estabelecimento do imposto sobre herança; a obrigação de ser reinvestida no país a maior parte do lucro das multinacionais; a nacionalização de atividades ligadas à soberania nacional; a atualização do salário-família. E muitas alterações a mais no plano sócio-econômico, mantendo ainda por algum tempo o assistencialismo do bolsa-família e seus congêneres, mas a médio prazo trocando esmolas por direitos. Quanto ao plano político, que o Congresso cuide dele, sob sua vigilância.

Alguém espera que a presidente Dilma possa levar na mala reformas efetivamente de vulto e expressão, como algumas acima referidas? Só no dia em que o sargento Garcia prender o Zorro. Sendo assim, a impopularidade só aumentará, transformando-se em rejeição permanente. E em…(cala-te, boca).

Desventuras em série, com o Planalto jogando mal

João Gualberto Jr.

Por mais que se vasculhe e se informe, é difícil precisar todas as costuras nos gabinetes de Brasília. Ainda assim, a respeito da eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, dá para afirmar, sem medo de errar, que o Planalto jogou mal. Se tivesse jogado bem, teria vencido a peleja, pois não há jogador mais poderoso do que o governo.

Cunha é político do tipo tinhoso, contumaz, parlamentar ferrinho de dentista. Seu adesismo palaciano, como aponta o Basômetro do “Estadão”, caiu de 94%, em 2011, para 69% em 2014. O que quer dizer o seguinte: no primeiro ano da gestão Dilma, ele votava quase sempre de acordo com os interesses dela, e, no último ano da primeira gestão, nem sete de cada dez propostas preferenciais do governo tiveram a adesão dele. Detalhe: o deputado fluminense era o líder da bancada do PMDB, o maior aliado do PT.

Alguém deveria ter mobilizado esforços ainda no alvorecer dos primeiros raios do desejo. Homens com as características de Cunha não costumam ser discretos, antes, expressam o que pensam, dizem o que realmente querem e, normalmente, conseguem. Michel Temer, o único com alguma capacidade de pôr ordem no balaio do grande irmão, buscou diálogo com Cunha, deve ter tentado demovê-lo da ideia. Mas será que tentou com vontade?

Sendo obstinado, o deputado perseverou. O que fez o governo? Em vez de tentar seduzir Cunha, o mais opositor dentre os aliados, com chamegos políticos (entenda-se: cargo, orçamento e poder), lançou um candidato de casa para enfrentá-lo (entenda-se: partiu pro pau). O petista Chinaglia, ex-presidente da Câmara, perdeu, e no primeiro turno. Perdeu ele, e perdeu o governo.

POLÍTICO POLEMISTA

Já o Brasil ganha para o comando da “Casa de seu povo” um político polemista, defensor de temas pouco progressistas, como é do perfil dos representantes evangélicos, e que transita com muito boa desenvoltura entre o baixo clero e o subsolo do Parlamento. Cunha é obstinado, mas também obscuro.

Agora, o governo quer e precisa tentar burilar essa tora de jacarandá que tem nas mãos. Crises há para todos os gostos: hídrica, energética e econômica. Sem aliados poderosos no Congresso, homens capazes de conduzir as matérias oportunas de acordo com suas diretrizes, o governo pode vir a boiar. Que boa vontade terá Cunha em acelerar a tramitação de projetos necessários para a correção de rumos e para a contenção das crises?

A LISTA DOS POLÍTICOS…

Mas, sim, o pior está por vir. A qualquer momento, o procurador geral da República vai apresentar sua lista do purgatório, as autoridades que receberam, ou de cujas campanhas se beneficiaram, do esquema da Lava Jato. Da lista de Rodrigo Janot virá o carimbo para toda uma legislatura, que acaba de ser inaugurada.

É possível que os nomes abranjam de A a Z o aspecto partidário. Será surpreendente se o PMDB de Cunha, o partido que é legião, porque são muitos, for o mais impactado na denúncia e se, proporcionalmente menos vulnerável, o PT de Dilma avançar sobre os aliados. Nesse caso, a melhor escolha para o novo presidente da Câmara necessariamente seria voltar ao “sim, senhora”.

Agora, a esperança de Dilma é a volta de seu marqueteiro

Encurralada, Dilma depende novamente do marqueteiro Santana

Paulo de Tarso Lyra e Julia Chaib
Correio Braziliense

Abalada pela abrupta queda na popularidade, somada aos demais problemas enfrentados neste início de segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff convocou uma nova reunião do Conselho Político do governo — a terceira nos últimos cinco dias, a segunda em caráter emergencial. Dilma e os ministros mais próximos estão preocupados com os desdobramentos da crise política, o avanço das investigações da Operação Lava-Jato e a falta de interlocução com a base aliada, o que abre espaço para traições em futuras votações que interessam ao governo e aumenta os riscos de perda do controle nas CPIs sobre a Petrobras — a primeira, já instalada na Câmara e outra em vias de ser criada por senadores.

A desgastada relação, justamente com aqueles escolhidos para dar apoio no Congresso, tira o sono do núcleo político palaciano. “Todas as pedradas que o governo tem tomado vêm de dentro (da própria base). A oposição está tomando sol, sem protetor solar, na praia, rindo da nossa crise”, ironizou uma pessoa próxima da presidente.

Internamente, há quem defenda uma reação mais incisiva para que o governo saia das cordas. Não está descartada a possibilidade de um pronunciamento em cadeia de rádio e televisão após o carnaval, embora, oficialmente, o Palácio do Planalto negue a informação. Como as demais decisões tomadas no governo, as informações conflitantes vindas do próprio núcleo duro governista provoca uma paralisia de ações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O constrangimento é total nessas reuniões improfícuas, porque ninguém sabe o que dizer e Dilma Rousseff exibe toda a sua impaciência/arrogância/grosseria. A verdade é que a crise não tem solução a curto prazo. Pelo contrário, vai se agravar cada vez mais, com a evolução do novo pedido de impeachment, que fatalmente será apresentado, com base na fundamentação jurídica de Ives Gandra Martins e também na tese de Jorge Béja, já explicitada aqui na Tribuna da Internet. A última esperança do Planalto é a volta do marqueteiro João Santana, que vai estar com Dilma na Brasília sexta-feira. Mas acontece que Dilma não está mais em campanha. E Santana é apenas um publicitário, longe de ser milagreiro. (C.N.)

PT perde mais uma, e oposição comandará reforma política

Ranier Bragon e Márcio Falcão
Folha

Depois de ficar fora da Mesa Diretora da Câmara e do comando das principais comissões da Casa, o PT também não terá papel de destaque na comissão de reforma política foi instalada na tarde desta terça-feira (10) na Câmara dos Deputados.

Em acordo com o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi eleito para o comando da comissão o deputado Rodrigo Maia (RJ), ex-líder do DEM na Câmara e ferrenho opositor das gestões do PT no governo federal.

A relatoria da comissão ficou com o deputado Marcelo de Castro (PMDB-PI). O PT ficou apenas com a primeira vice-presidência.

Cunha afirmou que o acordo para que o DEM comande a comissão parte do pressuposto de que é preciso que a oposição tenha papel de destaque nas discussões para que não tente inviabilizá-la.

“Se você quer ter um planejamento para votar, você não pode restringir a comissão à maioria. Você não ache que vamos começar um processo delicado desse com obstrução [da oposição] por ser uma comissão constituída apenas da base governista”, afirmou o presidente da Câmara.

ATÉ SETEMBRO

Na sessão de instalação, Cunha voltou a defender que as modificações no sistema políticos sejam aprovadas e promulgadas até setembro com o objetivo de já valer para as eleições municipais de 2016.

A derrota do PT é mais uma sofrida na composição dos postos-chave da Câmara na gestão de Cunha. Aliado visto como pouco confiável pelo Palácio do Planalto, o peemedebista foi eleito para o comando da Câmara no dia 1º derrotando o PT e o governo.

Logo de início, elegeu a reforma política como prioridade. Entre outros pontos, o PMDB irá defender mudanças na forma como são eleitos os deputados federais. Hoje isso ocorre por meio de uma fórmula que leva em conta a votação de todos os candidatos do partido e da coligação, além do voto na legenda. O PMDB quer mudar o sistema para o chamado “distritão”, em que são eleitos os mais votados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Eduardo Cunha continua humilhando o governo, que está praticamente sem liderança na Câmara. O líder escolhido por Dilma, Mercadante e Pepe Vargas é José Guimarães (PT-CE), que é conhecido com o deputado dos dólares na cueca, e o líder do PT é Sibá Machado, um parlamentar limitado e sem carisma. Resultado: Eduardo Cunha inverteu o polo do poder, formou seu próprio bloco, com 227 deputados e liderado pelo PMDB, isolou o PT com a maior facilidade e agora está nadando de braçada, enquanto o governo vai se afogando. Esta é a realidade. (C.N.)

Cunha, cada vez mais forte; e o governo, cada vez mais fraco

Cunha diz que cumpriu a promessa da campanha

João Bosco Lacerda
Correio Braziliense

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou nesta terça-feira que os deputados e senadores eleitos em 2014 terão direito a emendas individuais de R$ 10 milhões ainda no orçamento deste ano. A medida foi uma promessa de campanha do peemedebista durante a disputa pelo comando da Casa.

Inicialmente, os parlamentares que tomaram posse em 2015 não teriam direito a destinar esses recursos, uma vez que o prazo para apresentação de emendas à Lei Orçamentária deste ano se encerrou em dezembro. Mas, segundo Cunha, houve um acordo com o relator do orçamento, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), para que seja feita uma emenda que inclua os novos senadores e deputados na divisão dos valores individuais. A soma máxima destinada aos parlamentares estreantes, no entanto, será de R$ 10 milhões, e não R$ 16 milhões, como ocorre com aqueles que já faziam parte da casa.

Os parlamentares terão que gastar metade deste valor com investimentos em saúde. A outra metade poderá ser gasta livremente em seus estados. Como foram eleitos 233 novos deputados e 22 novos senadores nas eleições do ano passado, o custo das emendas será de R$ 2,4 bilhões caso sejam cumpridas integralmente.

CONTINGENCIAMENTO

O valor, no entanto, não estará incluso na norma que torna obrigatório o pagamento das emendas até 1,2% da receita líquida da União no ano anterior, benefício exclusivo dos parlamentares antigos. “Por conta disso, o governo pode contingenciar parte ou todo o valor”, explicou o consultor de orçamento da Câmara, Ricardo Volpe.

Para que pelo menos parte da verba esteja disponível aos novos parlamentares, o Orçamento deve ser adaptado. Algumas dotações orçamentárias devem ser canceladas para que haja maior folga nas contas da União. Cunha, no entanto, garante que as emendas dos políticos que não se reelegeram nas últimas eleições, mas tiveram seus projetos inscritos na previsão orçamentária, não serão extintas no novo acordo.

“Vai haver cancelamento em dotações do orçamento, mas não na dos parlamentares antigos. No entanto, é esperado que o Executivo contigencie parte das verbas de quem não foi reeleito”, completou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Com essa jogada, Cunha se fortaleceu ainda mais na Câmara e está colocando o governo de joelhos. Para aprovar qualquer projeto, a ainda presidente Dilma terá de se humilhar e pedir apoio a ele. (C.N.)