Idelli processa Bolsonaro, que ridiculariza os detratores

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) presidindo a sessão da Câmara

Bolsonaro diz que apenas replicou uma ofensa da deputada

Mariana Haubert e Márcio Falcão
Folha

O recém-criado Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) aciona a Procuradoria Geral da República contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) devido ao seu discurso, no plenário da Câmara na terça-feira (9), em que sfirmou que não estruparia a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela “não merece”.

Presidido pela ministra Ideli Salvatti (Secretaria de Direitos Humanos), o Conselho também entrará com uma representação junto à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara para pedir a cassação do mandato de Bolsonaro, reeleito para a próxima legislatura.

Bolsonaro atacou a petista ao rebater discurso feito por ela minutos antes, no qual defendeu a Comissão da Verdade e as investigações de crimes da ditadura militar.

A representação contra o deputado é o primeiro ato oficial do conselho. Seus membros tomaram posse na quarta-feira (10) durante a cerimônia de entrega do Prêmio Direitos Humanos 2014, no Itamaraty.

Na ocasião, Ideli classificou a atitude de Bolsonaro como gravíssima por ele ter ofendido Maria do Rosário da tribuna da Câmara. “Desta vez foi gravíssimo porque foi da tribuna. Outras vezes tinha sido no corredor, no plenário. Mas desta vez não. Ele estava no exercício indiscutível do seu mandato. Ele estava na tribuna incitando um crime hediondo”, disse a ministra.

Quatro partidos já entraram com pedidos de cassação contra o deputado no Conselho de Ética da Câmara. PT, PC do B, PSOL e PSB defendem a perda do mandato do congressista.

MAIS UMA

Bolsonaro voltou a polemizar nesta quinta durante um debate na Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Ironizando os participantes do debate sobre o relatório da Comissão da Verdade, ele afirmou que sua presença teria torturado um pouquinho o público, mas que não ouviu nenhum gemido. Estavam presentes familiares de mortos e desaparecidos e ex-presos políticos.

“Quero cumprimentar a urbanidade da comissão. Desta vez torturei alguns, mas não ouvi o gemido de ninguém”, disse.

A declaração foi uma resposta a um dos presentes, que gritou “cala a boca, cretino”. Logo antes, Bolsonaro havia defendido que, durante o regime militar, o estupro era prática constante na guerrilha do Araguaia para “saciar comandantes”.

No encontro, ele anunciou que protocolou um projeto pedindo a reabertura dos trabalhos da Comissão da Verdade para funcionar com os mesmos integrantes até 2017 para apurar crimes cometidos pela esquerda durante a ditadura.

Entre os objetos de investigação defendidos por ele, estão a plástica do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), que teria sido em Cuba, além da morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel.

“ESTRUPADOR”

O deputado voltou a comentar o episódio envolvendo Maria do Rosário. Segundo ele, a fala ocorreu porque depois de ser chamado de estuprador “não tinha melhor resposta para dar a ela do que aquela”.

O congressista afirmou que não teme o pedido de cassação apresentado por quatro partidos. O Conselho de Ética deve instaurar o processo na próxima terça-feira (16), mas o caso só deve ser discutido em 2015, se houver pedido de partidos políticos, porque o Congresso entra em recesso no dia 23.

Finalidade da Comissão da Verdade foi deturpada pelo governo

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Celso Serra

No último dia do governo Lula ele assinou o documento de boas vindas e permanência definitiva no Brasil ao assassino condenado à prisão perpétua na Itália Cesare Battisti, antigo membro dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo de extrema esquerda. Frise-se que este PAC é o de Battisti e não do de Lula e Dilma (a “mãe do PAC” do PT, como apelidou Lula).

Ocorreu que, em seu último mês de governo, Lula deixou uma “herança bendita” para Dilma, criando o “Programa Nacional de Direitos Humanos” (PNDH).

Entre as diversas medidas propostas pelo programa, as que causaram dores de cabeça para o governo foram aquelas relacionadas à criação de uma “Comissão da Verdade”, para investigar, de modo imparcial, a história recente do país.

Porém, devido ao comportamento dissimulado por parte das autoridades, a “Comissão da Verdade” sempre foi olhada com desconfiança por parte da sociedade brasileira. A impressão que passava é que seu objetivo oculto era revogar a Lei da Anistia.

O QUE DIZIA O PROGRAMA

De início, como consta em matéria publicada pela BBC, “em nenhum de seus trechos, o Programa Nacional de Direitos Humanos cita textualmente a revogação da Lei de Anistia, instituída em 1979 e que determinou a “anistia a todos quantos (…) cometeram crimes políticos ou conexos com estes entre 1961 e 1979.”

Essa afirmativa encontrava pleno respaldo, pois, ao enumerar as atribuições da Comissão da Verdade, o PNDH inclusive afirmava que o trabalho do grupo deveria observar as disposições da Lei Nº 6.683, de 28 de agosto de 1979 (Lei da Anistia), o que poderia ser interpretado como um reconhecimento da legitimidade da legislação.

Poderia, mas o tempo se encarregou de demolir o engodo, pois a Diretriz 25 do PNDH , que propôs a “revogação das leis remanescentes do período de 1964-1985 que sejam contrárias às garantias dos Direitos Humanos” , foi encarada com desconfiança por diversos críticos, que enxergam no trecho uma clara intenção de revogar a Anistia.

EXPLICAÇÃO OFICIAL

Levantado esse problema, a Secretaria Especial de Direitos Humanos – oficialmente – afirmou que o trecho não se referia à Lei de Anistia, mas a outras legislações do período, como a Lei de Imprensa e a Lei de Segurança Nacional.

O Tempo se encarregou de provar que os críticos do passado que tinham razão, pois dentre as 29 recomendações que constam de seu Relatório Final a “Comissão da Verdade” está propondo a responsabilização de torturadores e agentes públicos, o que é impedido pela Lei da Anistia, reforçada por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Tudo isso, após ter examinado, desde a sua instituição, apenas um lado das partes oponentes, fato que resultou na alcunha de “Comissão da Meia Verdade”.

A foto nos jornais em que Dilma aparece chorando contrasta com a foto que aparece sorrindo ao lado de Fidel Castro, um “humanista” que carrega em seu currículo dezenas de milhares de pessoas executadas e cerca de 2 milhões habitantes exilados (quase 20% da população de Cuba), incluindo sua filha Alina Fernandez, que se recusa a usar o sobrenome “Castro”.

Presidente corrupto de estatal é condenado à morte na China

Deu na France Presse

Um tribunal chinês condenou à pena de morte o diretor de uma empresa pública por corrupção em larga escala, depois da apropriação ilegal de quase 400 milhões de yuanes (64,8 milhões de dólares)

Na última quarta-feira, um tribunal do Cantão (sul da China) declarou Zhang Xinhua, ex-presidente-executivo do conglomerado Baiyun Industrial and Agricultural Corp., culpado por ter recebido subornos e desviado dinheiro público, noticiou a agência oficial chinesa Xinhua.

Desde 2003, Zhang desviava ativos do grupo em um montante de mais de 280 milhões de iuanes (36,8 milhões de euros), e teria embolsado subornos de 95 milhões de iuanes (12,5 milhões de euros) em troca de favores.

O caso do executivo foi agravado pelo fato de o acusado ter negado seus delitos, afirmou uma autoridade judicial à imprensa oficial chinesa.

ÚLTIMO RECURSO

O condenado recorreu à sentença, mas há poucas chances de reverter a decisão do sistema judicial, que se submete à vontade política do governo.

A campanha anti-corrupção empreendida pelo presidente chinês Xi Jinping para corrigir o aparato do Partido Comunista comprometeu os altos escalões do funcionalismo público e muitos funcionários.

Embora o país, segundo as ONGs, execute mais condenados do que o resto do mundo, é raro que os altos funcionários chineses corruptos sejam condenados à pena de morte.

A condenação à morte de Zhang Xinhua foi anunciada no mesmo dia em que ficou conhecida a decisão sobre Liu Tienan, ex-diretor da Comissão Nacional para a Reforma e o Desenvolvimento (NDRC).

Com o posto de vice-ministro (situado muito acima na hierarquia do que Zhang), Liu Tienan foi condenado à prisão perpétua por ter recebido ilegalmente o equivalente a 4,5 milhões de euros.

O eterno recomeçar de Gilberto Gil

O político, escritor, cantor e compositor baiano Gilberto Passos Gil Moreira, conhecido como Gilberto Gil, na letra de “Tempo Rei” faz um libelo de esperança diante do futuro. Segundo Gil, não há fim, mas a permanência por meio de metamorfoses e adaptações que, como um mutante, acredita no eterno retorno. Há uma certeza tranquila e serena de que aquilo que podemos tomar como sendo o fim, revelar-se-á apenas como mais um recomeço. Essa música foi lançada por Gilberto Gil no LP Raça humana, em 1984, pela WEA/EMI Odeon.

TEMPO REI
(Gilberto Gil)

Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole
Pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

Pensamento
Mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento
Para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo

Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei

   (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

PT indica Chinaglia para enfrentar Eduardo Cunha na Câmara

O PT demorou muito para indicar Chinaglia

Iolando Lourenço

Agência Brasil 

A bancada do PT na Câmara indicou o nome do deputado Arlindo Chinaglia (SP) como alternativa para disputar a presidência da Câmara no início de fevereiro do ano que vem. O líder do partido, deputado Vicentinho (SP), disse que o nome teve aprovação unânime da bancada. O líder informou que o nome de Chinaglia será apresentado para “uma reflexão” a outros partidos que estarão unidos na disputa.

Segundo Vicentinho, inicialmente o nome do atual primeiro-vice-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, será apresentado a partidos aliados como o PROS, PDT, PHS, PEN, PCdoB e outros que devem estar com o PT na disputa pela presidência da Câmara. O petista destacou que o nome que será apresentado não será decido apenas pelo PT, mas por vários partidos.

A decisão final do nome que disputará o comando da Câmara com líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), só será tomada depois das negociações envolvendo o PT e outras legendas. Vicentinho lembrou que muitos partidos ainda estão no processo de escolha de seus líderes, o que faz com que as conversas se prolonguem por alguns dias.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGChinaglia ficou como “um meio candidato”, a depender do entendimento com outras legendas. O PT demorou demais a se definir e permitiu o crescimento da candidatura de Eduardo Cunha. Chinaglia é um dos melhores nomes do PT, com trânsito em todos os partidos. Seu único defeito foi ter feito Antonio Palocci (que é médico como ele) entrar na política. (C.N.)

Executivos denunciados por lavagem de dinheiro e corrupção

Deu na Folha

Após meses de investigação, 36 pessoas, vinculadas a seis empreiteiras, foram denunciadas nesta quinta-feira (11) pelo Ministério Público Federal. É a primeira acusação contra executivos investigados pela Operação Lava Jato.

A partir de agora, executivos ligados às construtoras OAS, Camargo Corrêa, UTC, Mendes Júnior, Engevix e Galvão Engenharia estão acusados formalmente à Justiça, e devem responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Também foram denunciados o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, entre outros investigados. Dos 36 denunciados, 22 estão ligados às empreiteiras.

A procuradoria estima que R$ 286 milhões tenham sido movimentados pelo esquema nos casos analisados até aqui, e vai pedir o ressarcimento de quase R$ 1 bilhão aos denunciados (R$ 971,5 milhões, mais precisamente).

FORAM 259 CRIMES

Foram 154 atos de corrupção e 105 atos de lavagem de dinheiro contemplados na denúncia.

“Essas pessoas roubaram o orgulho dos brasileiros”, afirmou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que participou da entrevista coletiva em Curitiba.

“O Ministério Público Federal começa a romper com a impunidade de poderosos grupos que têm se articulado contra o interesse do país há muitos anos”, disse o procurador Deltan Dallagnol, que ainda sustentou que há indicativos de que o esquema atinge outras obras públicas.

As cinco denúncias apresentadas à Justiça dizem respeito aos contratos da área de abastecimento da Petrobras. Novas denúncias devem ser apresentadas nós próximos dias.

FRAUDES E DESVIOS

As empresas são investigadas sob suspeita de participarem de um esquema de fraudes à licitação e desvio de dinheiro público em obras da Petrobras. Porcentagens de 1% a 5% sobre o valor dos contratos seriam repassadas a diretores da estatal e a agentes políticos, com a intermediação de doleiros como Youssef.

Hoje, 11 executivos permanecem presos preventivamente na sede da carceragem da Polícia Federal em Curitiba, responsável pelas investigações. Eles só saem mediante decisão judicial favorável, o que até agora não conseguiram. A maioria deles está detida desde o dia 14 de novembro –quase um mês.

 

As denúncias do MPF foram protocoladas na sede da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, e devem ser apreciadas pelo juiz Sergio Moro, responsável pelo caso.

Caberá a Moro decidir se será aberta ação penal contra os acusados. Em caso de início do processo criminal, os suspeitos passarão à condição de réus.

VEJA A LISTA COMPLETA DOS DENUNCIADOS:

1) Os Executivos

OAS

Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor-presidente da área internacional de petróleo e gás (PRESO); Fernando Augusto Stremel Andrade, engenheiro; João Alberto Lazzari, engenheiro; José Aldemário Pinheiro Filho, presidente (PRESO); José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário (PRESO); Mateus Coutinho de Sá Oliveira, vice-presidente do conselho de administração (PRESO).

CAMARGO CORRÊA

Dalton Avancini, diretor-presidente;  Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente (PRESO);    João Ricardo Auler, presidente do conselho de administração.

UTC

João de Teive e Argollo, administrador; Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente (PRESO).

MENDES JUNIOR

Alberto Elísio Vilaça Gomes, representante da empresa nos contratos com a Petrobras;    Ângelo Alves Mendes, vice-presidente; José Humberto Cruvinel Resende, gerente de contratos; Rogério Cunha de Oliveira, diretor de Óleo e Gás; Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente-executivo (PRESO).

GALVÃO ENGENHARIA

Dario de Queiroz Galvão Filho, presidente; Eduardo de Queiroz Galvão, membro do conselho de administração; Erton Medeiros Fonseca, diretor-presidente da divisão de óleo e gás (PRESO); Jean Alberto Luscher Castro, diretor-presidente.

ENGEVIX

Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor técnico; Gerson de Mello Almada, vice-presidente (PRESO); Luiz Roberto Pereira, funcionário; Newton Prado Junior, diretor técnico.

SANKO SIDER

Marcio Andrade Bonilho, sócio.

OUTROS DENUNCIADOS

Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP);    Alberto Youssef, doleiro; Antonio Carlos Fioravante Brasil Pieruccini, advogado; Carlos Alberto Pereira da Costa, advogado; Enivaldo Quadrado, subordinado a Youssef; Jayme Alves de Oliveira Filho, agente da Polícia Federal; João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, subordinado a Youssef; Mário Lúcio de Oliveira, subordinado a Youssef; Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras; Sandra Raphael Guimarães, subordinada a Youssef; Waldomiro de Oliveira, subordinado a Youssef.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esta é apenas a primeira lista. Ainda falta denunciar muitos outros envolvidos. Vamos aguardar. (C.N.)

Justiça Eleitoral de São Paulo desaprova contas de Alckmin

Camila Maciel
Agência Brasil

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) desaprovou a prestação de contas do governador reeleito, Geraldo Alckmin Filho (PSDB), e de seu vice, Márcio Luiz França Gomes (PSB). No julgamento de ontem (10), foi apontado que Alckmin não informou a totalidade das doações recebidas nas duas prestações de contas parciais. Cabe recurso da decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A rejeição das contas não impede a diplomação dos eleitos.

Embora os valores doados tenham sido incluídos posteriormente, cinco dos seis juízes entenderam que a omissão é uma infração grave e, por isso, é passível de desaprovação das contas. De acordo com o TRE-SP, a defesa alegou que os valores não declarados foram recebidos na véspera da entrega das prestações de contas. Na primeira parcial, não foi informada a doação de R$ 900 mil e, na segunda, de R$ 8 milhões.

O juiz relator André Lemos Jorge e os magistrados Cauduro Padin, Diva Malerbi, Roberto Maia e Silmar Fernandes desaprovaram as contas. O juiz Alberto Toron votou pela aprovação com ressalvas, além do desembargador Mário Devienne, que presidiu a sessão.

Em nota, o PSDB estadual diz que “nenhuma despesa ou receita deixou de ser contabilizada ou declarada. E nenhum dado foi omitido, segundo atesta a própria assessoria técnica do Tribunal Regional Eleitoral”. “Trata-se de mera questão formal que já foi justificada, que será mais uma vez esclarecida em embargos de declaração a serem apresentados nos próximos dias.”

“Essas pessoas roubaram o orgulho dos brasileiros”, diz Janot

Deu no iG Brasília

Procurador Janot apresenta denúncia contra os primeiros 35 réus

O Ministério Público Federal anunciou a denúncia de 35 pessoas envolvidas em práticas criminosas investigadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A divulgação dos nomes foi feita durante coletiva de imprensa realizada na Procuradoria Geral da República do Paraná, na tarde desta quinta-feira (11).

Ao lado do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que voltou a ressaltar a gravidade dos crimes cometidos pelos investigados, o procurador Deltan Dallagnol, do MPF paranaense, anunciou os principais números que a Lava Jato computou até o momento em sua investigação – todos relativos à corrupção, lavagem de dinheiro e atuação em organização criminosa.

O valor total de corrupção identificado foi de R$ 300 milhões, sendo cerca de R$ 75 milhões desviados em contratos falsos. O MPF pede ressarcimento mínimo à União de R$ 1 bilhão, considerando as acusações com as quais os procuradores trabalham. No total, foram contabilizados 154 atos de corrupção e 105 de lavagem de dinheiro.

OUTROS ENVOLVIDOS

Ações de cartel e fraude em licitação não foram abordadas na coletiva, mas o MPF garantiu que, no momento certo, anunciará o nome dos envolvidos e os detalhes a respeito, a fim de não atrapalhar a investigação.

“Defendemos a prisão dos envolvidos como imprescindíveis. O ideal seria suspendermos de imediato todos os contratos com órgãos públicos no País, mas isso prejudicaria muito a população, pois vemos que ações criminosas como essas não se limitam à Petrobras. Então, a saída é a prisão de todos os envolvidos para evitarmos que o esquema se perpetue”, disse Dallagnol. “Além disso, muitos deles podem fugir do País, pois têm dinheiro no exterior.”

PENAS A DEFINIR

As penas de prisão dos denunciados, no entanto, não foram definidas. Entretanto, há a estimativa de que, em alguns casos, elas cheguem a 51 anos de encarceramento. Para se chegar ao número, o MPF somou os crimes usando o princípio de razoabilidade e proporcionalidade em relação à gravidade dos mesmos.

As empresas computadas pela investigação são OAS, Camargo Corrêa, Engevix, Galvão Engenharia, Mendes Jr, UTC e GFD.

“Essas pessoas, na verdade, roubaram o orgulho dos brasileiros. Seguiremos investigando e punindo de forma firme e contundente cada uma, responsabilizando os envolvidos por todos os atos que praticou”, resumiu Janot.

A possibilidade de mudança da Lei da Anistia

http://3.bp.blogspot.com/-ksrQhwRpyp4/U0HaK-PuheI/AAAAAAAAIXQ/cCNK6TN6V7k/s3200/lei-da-anistia-no-brasil.gifLuís Francisco Carvalho Filho
Folha

O relatório da Comissão Nacional da Verdade é capaz de alterar a posição do Supremo Tribunal Federal que reconheceu, em 2010, a anistia dos “crimes conexos” praticados pelos agentes da repressão? O documento acusa a “autoanistia” de ser um ilícito internacional, incompatível com o direito brasileiro e que perpetua a impunidade.

Ao julgar a arguição movida pela OAB, o STF afirmou que a interpretação de textos legais é variável no tempo e no espaço quando sua aplicabilidade é duradoura, generalista e abstrata, mas declarou que uma lei que disciplina determinados interesses imediatos e concretos, como a Lei 6.683/79, que fundamenta a anistia, deve ser interpretada a partir da realidade que motivou sua edição.

Uma comparação simplista para compreender o pensamento majoritário do STF: é natural a interpretação atualizada de regras que tratam da guarda de crianças por casais gays, mas o Judiciário não pode retroceder no tempo para reaver benefícios fiscais concedidos no passado a empresas que hoje (não na época) seriam consideradas inidôneas por atos de corrupção.

Inovações normativas como a “Convenção das Nações Unidas contra a Tortura”, em vigor desde 1987, ou a garantia constitucional de 88, que considera a tortura insuscetível de anistia, não fazem parte do momento histórico da “migração da ditadura para a democracia política”.

Segundo a maioria dos ministros, “nem mesmo o Supremo Tribunal Federal está autorizado a reescrever leis de anistia”.

O STF tem outra composição e o tema voltará ao plenário para o julgamento da arguição do PSOL, que tem o apoio do procurador da República. O Brasil está submetido à jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos que rejeitou, em 2010, decisões judiciais baseadas na lei de anistia contra violações de direitos humanos.

É um ingrediente novo, posterior à decisão do STF. Em tese, princípios podem ser revistos, mas também é papel do STF assegurar estabilidade, segurança. Os militantes da luta armada fizeram a autocrítica dos seus crimes.

As Forças Armadas não reconhecem que mecanismos de repressão adotados durante a ditadura são incompatíveis com a civilização e com a democracia. O silêncio em relação aos próprios pecados parece birra institucional e preserva um sentimento de desconfiança que já poderia estar sepultado.

A contabilidade criativa pode ser uma maneira de viver

Guy Franco
Yahoo

Para não ser punida pela Lei de Responsabilidade Fiscal, devido ao descumprimento da meta de superávit primário, a presidente Dilma quer baixar uma medida para que este e outros objetivos evaporem. A ideia é que se não tem como cumprir a meta, ora, que se mude as regras do jogo. Um truque contábil em que o endividamento, magicamente, se transforma em receita. E pronto, problema resolvido; podemos voltar à vida cotidiana e falar da aplicação de hidrogel nas pernas de Andressa Urach.

É como dizem: “Quebrar o termômetro para não mostrar a febre”, ou algo assim. Ou como eu digo: “Rebaixar Plutão à categoria de planeta-anão não o fez desaparecer do Sistema Solar”.

Eis a doutrina econômica desse governo: maquiar os dados para ver se cola que os problemas sumiram. Fica a ideia para os cursos de graduação em economia: incluir a matéria de Contabilidade Criativa I e II na grade curricular.

Ou mesmo como um programa de vida, já que os truques contábeis poderiam ter uma aplicação mais ampla: se o número de miseráveis de um país aumenta, por exemplo, pode-se mudar o conceito de miseráveis. Se o país está em recessão, por que não incluir o tráfico de drogas no PIB, como fez a Itália? Se a taxa de mortalidade infantil aumenta, considere estender a infância até os 15 anos de idade. Se você for careca, inclua os pelos dos membros inferiores no perfil do Tinder.

Agora, imagina se vira moda. Imagina se os alunos dos colégios públicos começam a reivindicar o direito de usar contabilidade criativa nas notas das provas também. Afinal, se tem a aprovação da presidente e dos parlamentares, por que não aplicar o método no ensino público? E, subitamente, as notas abaixo de 5, com o novo cálculo, deixariam de ser notas vermelhas. Ou então as notas vermelhas ganhariam uma nova perspectiva. E se, até hoje, tudo não passou de uma demonstração avulsa de preconceito contábil contra as notas abaixo de 5?

É justamente esse o ponto forte do malabarismo contábil: ele é condescendente, ele é inclusivo. Por que é que 9×9 precisa sempre dar 81? Que tédio, que falta de criatividade!

A PLN 36, que altera o cálculo do resultado primário, deixa o país a um passo de perder o grau de investimento conquistado nesses anos todos? Sim, é claro que deixa. Perdemos credibilidade no mercado internacional? Sem dúvida que perdemos. Mas, ei!, quem não tem a capacidade de gerenciamento e responsabilidade de uma Dinamarca, que se agarre a uma de Cristina Kirchner.

Os desafios de Dilma e seu isolamento

Gaudêncio Torquato

Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, tem assumido mais o papel de exorcista do que o de ex-seminarista ao fazer periódicas avaliações da presidente, que despacha a poucos metros dele, no Palácio do Planalto. O ministro acaba de “exorcizar” mais alguns demônios que perseguiram a mandatária nos últimos quatro anos, dentre eles “a falta de diálogo com os principais atores na economia e na política”, que teria gerado pouco avanço em demandas dos movimentos sociais.
A senadora Marta Suplicy também atirou no coração do governo, simbolizado pela área econômica, para a qual defende uma nova equipe capaz de resgatar “a confiança e a credibilidade” e comprometida com “a estabilidade e o crescimento”.

Causa perplexidade o fato de o canhonaço partir de integrantes do grupo comandado pela maior liderança do PT, o ex-presidente Luiz Inácio. Sobra a hipótese de um sinal amarelo aberto no semáforo lulista, espécie de aviso para que a presidente Dilma mude os rumos do governo, a partir de reforma profunda na economia e de maior envolvimento com a esfera política e a sociedade organizada. A mandatária precisa substituir as cartas de seu desgastado baralho.

CENTRALIZADORA

Tratando-se da presidente, pelo que se ouve e se sabe, emerge um perfil de forte personalidade, ciosa de seu mando, centralizadora, atenta aos detalhes, de reações ágeis, em quem os psicólogos poderiam enxergar traços temperamentais mais próximos aos tipos coléricos e sanguíneos e mais distantes dos melancólicos e fleumáticos. Mesmo assim, há de se apostar na hipótese de mudanças, e isso pressupõe alteração na forma de pensar e agir.

A presidente atravessou o primeiro mandato ensimesmada e desconfiada da política. Teve que abrir espaços para partidos e líderes, mas o fez sob o império de prementes conveniências, procurando manter, porém, certa distância dos políticos. Ocorre que, nas democracias representativas, os governos não sobrevivem sem as redes de comunicação com a sociedade. Alguns governantes soçobraram porque se isolaram em seus palácios. Lembre-se de Jânio e de Collor.

ISOLAMENTO

Nossa presidente não pode se ocultar na muralha do isolamento. Principalmente numa quadra em que deverá tomar decisões duras. Deve estar preparada para sentir o governo descer na avaliação popular, manter-se por um tempo nesse nível e, em seguida, recuperar os pontos perdidos. Essa tarefa carece de um duro programa de ajuste na economia, situação que obrigará a governante a evitar a deterioração de seu peso político. Urge ainda considerar que o Brasil passou a conviver com o ciclo das ruas, e é lógico que nessa quadra de ampla locução social os governantes de todas as instâncias não podem estar longe das massas.

Sob essa teia de alterações na fisionomia social e diante de pressões políticas que, a cada dia, se tornam mais agudas, não resta à presidente da República alternativa que não seja a de criar sintonia fina com o clamor das ruas e a “real politik”. (transcrito de O Tempo)

Loteamento de cargos entre os partidos segura a base aliada

Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

A declaração do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, em sessão da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito da Petrobras na última quarta-feira, de que “em todas as estatais, e não apenas na Petrobras, existe loteamento de cargos públicos entre partidos políticos”, não é mero exagero retórico. Os principais postos nas empresas públicas, autarquias e órgãos da administração pública federal estão divididos fraternalmente entre os aliados mais próximos do Palácio do Planalto, aponta levantamento feito pelo Correio.

Indicados pelo PT e pelo PMDB — sócios na coalizão governista — têm a preferência. Na principal holding do setor elétrico, a Eletrobras, a diretoria está dividida entre afilhados do senador José Sarney (PMDB-AP), que desistiu de concorrer a um novo mandato federal, mas não perderá influência na máquina estatal; um indicado pela presidente Dilma Rousseff; e um apoiado pelo ex-ministro do Turismo e da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula, Walfrido dos Mares Guias. O empresário mineiro, que já foi aliado dos tucanos, migrou para a aliança petista em 2003 e, em 2006, 2010 e 2014, coordenou as campanhas vitoriosas de Lula e Dilma Rousseff em Minas Gerais. Ganhou o direito de indicar o presidente da estatal.

A Eletronorte está fora da alçada de influência de Sarney, mas não do PMDB. A presidência e a diretoria financeira são ocupadas por indicados pelo senador Jader Barbalho (PA) — coincidentemente mais um que decidiu encerrar o mandato político ao término desta legislatura. Nos demais cargos, estão um afilhado da ex-governadora do Pará Ana Júlia Carepa, cuja administração estadual não deixou saudades entre os paraenses, e o diretor Adhemar Palocci, irmão do ex-ministro da Casa Civil de Dilma e do titular da Fazenda de Lula, Antonio Palocci.

ELETROSUL E ITAIPU

Na outra ponta do mapa, a Eletrosul também foi esquadrinhada por petistas, peemedebistas e um indicado pela presidente Dilma Rousseff. A Itaipu binacional tornou-se alvo de cobiça nesta troca do primeiro para o segundo mandato de Dilma. O nome mais cotado para tornar-se presidente da usina é o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que depois de 10 anos na Esplanada dos Ministérios demonstra desejo de voltar à sua terra natal, o Paraná. Com menos chances, aparece o ainda secretário do Tesouro, Arno Augustin.

Além de cotadíssimo para Itaipu, o petista Paulo Bernardo não pode reclamar, segundo fontes governistas, de desamparo em relação aos Correios, estatal ligada ao ministério ocupado por ele e que foi acusada, durante a corrida presidencial deste ano, de distribuir de maneira irregular propaganda eleitoral da presidente Dilma, ao mesmo tempo em que ignorou santinhos feitos pelo PSDB de Aécio Neves, sobretudo em Minas Gerais. Bernardo tem total ingerência na diretoria da empresa, que está na gênese do escândalo do mensalão, na época em que era ocupada por petebistas e peemedebistas.

TRANSPORTES

Subordinados ao Ministério dos Transportes, a estatal Valec — responsável pelas ferrovias brasileiras — e o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) têm suas estruturas divididas entre petistas e indicados pelo PR. Em 2011, quando a presidente Dilma Rousseff decidiu afastar dos Transportes o ministro Alfredo Nascimento, ela também promoveu uma faxina no Dnit e na Valec. Três anos depois, o loteamento voltou.

A Valec é presidida pelo PT e tem indicados ligados ao PR de Alfredo Nascimento e de Valdemar Costa Neto, condenado por envolvimento no escândalo do mensalão. A mesma estrutura se repete — só que de maneira inversa — no Dnit. O presidente da autarquia foi indicado pelo PR. Os representantes republicanos esperavam, após fechar apoio à reeleição de Dilma ainda no primeiro turno, que recebessem o órgão “de maneira fechada”. Mas as demais vagas estão nas mãos de petistas.

RAINHA DA INGLATERRA

A figura “rainha da Inglaterra” — expressão popular que significa que existe uma pessoa sentada na principal cadeira de uma estrutura hierárquica, mas com pouco poder de mando — que ocorre no Dnit e se repete na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O presidente da autarquia é indicado pela bancada do PTB da Câmara, que se manteve fiel a Dilma mesmo após a cúpula da legenda declarar apoio formal a Aécio. Mas os demais postos de comando e operacionais estão nas mãos do PMDB e do PT.

Até o Pros, partido criado em 2013, tem seu quinhão de influência federal. E não é pequeno. A legenda, que até a conclusão da reforma ministerial comanda o Ministério da Integração Nacional, detém o controle da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). Sinal de prestígio dos irmãos Ciro e Cid Gomes. Esse último é cotado para ser ministro da Educação no segundo mandato de Dilma, mas continua insistindo que prefere ser consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington.

A dança das cadeiras no xadrez das estatais é ágil e cruel. Antes todo-poderoso na Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), o PSB perdeu a diretoria inteira para o PT ainda em 2013, quando o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em agosto deste ano, resolveu abandonar o governo Dilma Rousseff para tornar-se candidato do PSB à Presidência da República.

Governo conseguiu institucionalizar a chantagem no Brasil

César Cavalcanti

Os jornais noticiaram que, depois de várias semanas de confrontos entre governo e oposição, o Congresso concluiu terça-feira a votação do projeto que permite ao governo federal fechar as contas deste ano, por meio de uma manobra fiscal. A medida impede que a presidente Dilma Rousseff eventualmente possa responder por crime de responsabilidade, como acusava a oposição, por descumprir a meta de superávit fiscal deste ano.

Todos sabem que não foi uma votação normal, porque a vitória do Planalto foi obtida mediante chantagem. Parece um absurdo, uma mentira, mas infelizmente é a verdade, porque o mais revoltante de tudo é que a presidente Dilma condicionou a aprovação desse projeto à liberação do pagamento das emendas individuais ao Orçamento, apresentadas por senadores e deputados.

Esta manobra antirrepublicana – deplorável, atentatória e, sobretudo, não ética – está materializada no vergonhoso Decreto nº 8.327, de 28 de novembro do ano em curso, que institucionaliza a chantagem oficial na administração pública brasileira.

CONGRESSO SE CURVOU

Foi mediante esse tipo de pressão que a chamada base aliada do governo, curvando-se ao desígnio imperial da presidente Dilma Rousseff, deu aval ao esdrúxulo projeto da mudança de critérios legais da Lei de Diretrizes Orçamentárias, e dessa forma cedeu à chantagem.

Esse repudiável episódio, em meio à corrupção desenfreada e ao avacalhamento dos métodos políticos, fez-me lembrar as palavras de Cícero, que se ajustam à atual realidade brasileira: “Oh, tempos, oh, costumes!”. De certo, diante da repulsa da opinião pública, dirão os senadores e os deputados da bancada “chapa branca” que não tiveram alternativa, pois agiram sob coerção do governo, já que, se não aprovassem o indecente projeto, suas emendas seriam desprezadas.

Por fim, seja como for, é digna de louvor a posição corajosa dos congressistas que votaram contra a barganha patrocinada pelo Palácio do Planalto. Pelo menos, ainda há alguns parlamentares que preservam a dignidade.

 

 

Deus criou o homem, mas parece que a criatura não deu certo

01

No meu artigo da semana passada, ao me referir à Polícia Federal, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário (do Paraná, onde trabalha o juiz Sergio Moro, embora não tenha especificado), como força de expressão, afirmei que essas instituições não pertencem ao Poder Executivo, representado pela presidente Dilma Rousseff. A primeira, porém, como observou o jornalista José de Castro, pertence ao Executivo, mas se trata de um órgão de Estado, não de governo, e, como tal, necessita de autonomia para investigar. Ao governo cabe, apenas, não atrapalhar.

Há alguns dias, na “Folha de S.Paulo”, em sua crônica semanal, o poeta e agora acadêmico Ferreira Gullar se ressentiu de ser forçado, em defesa da nossa cidadania, a escrever sobre política. Tenho sentido o mesmo desconforto do poeta. Tento me afastar do assunto hoje, mas não posso deixar de me referir à entrevista do presidente do Uruguai, José Mujica, à mesma “Folha de S.Paulo”, no dia 26.11.2014.

Mujica tratou de vários assuntos. A resposta que deu à pergunta do repórter sobre seu estilo simples de vida deveria ser o capítulo principal do “breviário do político brasileiro”: “Me entristece – desabafou ele – porque, nas repúblicas, em última instância, as decisões fundamentais são da maioria. Portanto, os governantes devem responder às maiorias, não às minorias. Se minha forma de vida for a dos círculos economicamente privilegiados de meu país, ela não estará de acordo com o que vive a maioria. Vivo como vive a imensa maioria do povo”.

UM FILME INDIANO

Depois disso, não teria nada tão importante para dizer, leitor, mas não me custa alongar um pouco mais estas linhas para me referir ao filme que recebi via internet e, ao mesmo tempo, justificar o título que dei a este artigo: numa roda de bate-papo, oportunidade ideal para se jogar conversa fora (há algo melhor do que isso?), após intensa discussão sobre corrupção de modo geral, com ênfase sobre o petrolão, disse que – não sempre, mas, às vezes – o ser humano nos dá a nítida impressão, senão a certeza, de que não deu certo. E não foi por culpa de Deus que não deu certo. Ou o livre arbítrio é conversa fiada pura?

Um dia depois de ter dito o que disse, exatamente numa segunda-feira, recebi, via internet, sob o título “Save Water”, excelente filme feito na Índia. O ator principal não é um homem, nem “o maior amigo do homem”. É um macaco. O filme trata do nosso maior tesouro: a água, cuja falta poderá provocar – conforme afirmou há anos o empresário Antônio Ermírio de Moraes, já falecido, que não era um pessimista, mas um otimista convicto – a terceira grande guerra mundial.

O MACACO E O HOMEM

Enfim, o filme: na Índia, numa cidade qualquer, numa praça qualquer, um chafariz, dotado de grande torneira, deixa correr o precioso líquido. Inúmeras pessoas passam por ele, mas nenhuma se preocupa com o que vê. De repente, um macaco rhesus, que habita as florestas da Índia, da China e do Afeganistão, se dirige calmamente ao bebedouro e, demonstrando muita sede, farta-se o quanto pode e, satisfeito, fecha a torneira. No final, para nossa enorme vergonha, uma pergunta, que é um verdadeiro bofetão em nossa cara, que assume, às vezes, uma fisionomia de idiota: “Se ele pode, por que não podemos?”
Já os malfeitores do petrolão, além das severas penas – imediata devolução do dinheiro, indenização e prisão –, deveriam ser condenados a copiar, enquanto viverem, a belíssima lição de Mujica. Será que aprenderiam? (transcrito de O Tempo)

Lobão diz que as passeatas viraram “arapucas de infiltrados”

Foto: Estadão Conteúdo

Lobão garante que o movimento vai aumentar

Claudio Tognolli
Reproduzido do Yahoo

Epígono máximo de todas as passeatas, o cantor e compositor Lobão falou com exclusividade ao blog do jornalista Claudio Tognolli. Lobão se confessa aliviado por Aécio Neves ter faltado ao evento, que o cantor denuncia uma “grande arapuca de infiltrados”. Confira:

Qual o balanço que faz das últimas manifestações?

As manifestações estão surtindo um efeito muito grande nas hostes governistas e na oposição e irão crescer a cada semana.O povo está cada vez mais indignado e se sentindo enganado.

Como interpreta a ausência de Aécio?

Foi crucial ele não ir. Nem ele nem a grande maioria dos parlamentares, pois era uma tremenda arapuca de infiltrados do PT, PC do B e do PDT no grupo intervencionista.A maior arma de ridicularização dos movimentos de rua é a pecha de golpe militar e é esse o foco principal dos infiltrados.

Qual foi sua impressão de tua ida ao Congresso, semana passada?

Que os parlamentares da oposição estão cada vez mais próximos e a sensação é de o movimento está ganhando proporções verdadeiramente capazes de fazer o governo cambalear e cair. Estou muito otimista. Sinto que eles (os parlamentares) estavam sentido falta da presença da população no seio do Congresso Nacional e esse fato mudará todo o cenário.

Como tem lidado com os que pedem a intervenção militar?

As pessoas estão com muito medo do que vem acontecendo dentro desse governo e a cada dia ocorre mais um fato sombrio. O espancamento de populares no Congresso Nacinal, a PLN 36 aprovada (mas não ainda promulgada) mais sujeiras asquerosas do Petrolão, a reunião em Quito organizando uma força militar conjunta para a Unasul. Tudo isso vem acirrando os ânimos e a cada dia a paciência de setores grandes da população se evapora.

E para confundir mais as coisas, sabemos que os grupos intervencionistas estão repletos de elementos infiltrados do PT,PC do B e do PDT produzindo severos golpes de desinformação. É extremamente necessário ficarmos todos alertas e solucionarmos com sabedoria todas essas arestas.

As lágrimas de Dilma não me convenceram…


A presidente Dilma Rousseff discursa na entrega do relatório final da CNV
Foto: Jorge William / Agência O Globo

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff chorou na cerimônia de entrega do relatório da Comissão Nacional da Verdade. Havia motivos para se emocionar, claro. Mas é preciso que se faça uma reflexão a respeito.

Não há dúvida de que era necessário criar a Comissão, para investigar e denunciar as barbaridades cometidas pela ditadura militar, embora tenha trazido poucas novidades, já que quase tudo já havia sido revelado nos trabalhos de organizações como a “Tortura, Nunca Mais” e da própria imprensa, com destaque para o recente esforço investigativo do excelente jornalista Chico Otávio, em O Globo, que revelou importantes informações que a própria Comissão da Verdade ainda não conseguira encontrar.

INVESTIGAÇÃO PELA METADE

Mas é lamentável que o governo tenha feito uma investigação pela metade, que deixou de fora os excessos e as atrocidades cometidas pelos integrantes da luta armada, que jamais lutaram pela redemocratização do país, mas apenas para implantar outro tipo de ditadura, no estilo cubano, com paredón e tudo o mais, e não me venham com chorumelas, porque eu estava nessa, sou testemunha ocular da história, tinha 20 anos na época e estudava/militava na Faculdade Nacional de Direito aqui no Rio, que era um dos focos da luta contra a ditadura. E podem pegar o histórico existente em meu nome nos arquivos da ditadura, registrando minhas atividades subversivas, por assim dizer. Sei que existe, mas nunca me interessei em ver nem aceitei a Bolsa Ditadura que me foi oferecida por um dos filhos de Nélson Rodrigues, que era presidente do Sindicato dos Jornalistas.

VERSÃO ALTAMENTE FANTASIOSA

Agora, num passe de mágica, a Comissão Nacional da Verdade quer alterar os fatos históricos para fazer acreditar que lutávamos pela retomada da democracia. Isso é ridículo. Nenhum dos sobreviventes de 1964, que tenha um mínimo de dignidade, pode aceitar esta versão fantasiosa e patética.

O relatório da Comissão quer derrubar a Lei e pretende alterar a posição do Supremo Tribunal Federal que reconheceu, em 2010, a anistia dos “crimes conexos” praticados pelos agentes da repressão. A justificativa é de que a Lei da Anistia foi um ilícito internacional que perpetua a impunidade.

Em 2010, ao julgar uma ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil, o Supremo afirmou que uma lei que disciplina determinados interesses imediatos e concretos, como a Lei 6.683/79, que fundamenta a anistia, deve ser interpretada a partir da realidade que motivou sua aprovação pelo Congresso. Simples assim.

PRENDER ALGUNS POBRES DIABOS…

Bem, se desta vez a Lei da Anistia for revogada ou houver entendimento de que não abrangeu todo tipo de crime, poderemos enfim prender alguns pobres diabos (merecem a denominação), desequilibrados caquéticos e totalmente desmoralizados, como o coronel Brilhante Ustra e outros meia dúzia, que já estão mais mortos do que vivos.

Será, enfim, feita justiça! Mas ficará faltando fazer justiça aos inocentes que pagaram com a vida pelos excessos cometidos pelos guerrilheiros da luta armada. Inclusive, alguns militantes injustamente justiçados, sem direito de defesa.

Por isso, não me convenceram nem me emocionaram as lágrimas de Dilma Rousseff, conhecida na luta armada pelos codinomes Estela, Wanda, Luíza e Patrícia. É exclusivamente dela a responsabilidade de nossa verdade estar sendo contada pela metade. Deveria chorar de vergonha.

Campanha do Desarmamento foi mais uma farsa do governo

Francisco Bendl

A tal Campanha do Desarmamento, que serviria para diminuir a violência, pois foi este o motivo alegado pelas “autoridades” à época, no primeiro governo Lula, na verdade deixou o cidadão de bem à mercê da bandidagem, de ladrões, assaltantes e criminosos em geral.

Não resolveu a violência. Ao contrário, a criminalidade aumentou por conta de a população estar absolutamente indefesa, sem meios de reagir, e a nossa polícia insuficiente para atender a demanda. Resultado: a situação ideal para bandidos, traficantes de drogas, pivetes, contrabandistas de armas…

O governo, como é de seu costume, jamais vai confessar as razões pelas quais tomou esta medida, mas todos nós temos conhecimento que desarmar o cidadão hoje faz parte da estratégia petista de impedir possíveis reações populares diante do assalto que comete contra o País, instituições, estatais, mensalão, e por aí vai o caminho do PT, um partido desonesto e corrupto.

OBRIGAÇÃO DO CONGRESSO

Devolver ao brasileiro o direito de se defender é obrigação desse Congresso vendido, inútil, incompetente. Se as Polícias Civis e Militares estão aquém de nossas necessidades, então que tenhamos a chance de amedrontar o bandido, pelo menos, com alguma arma dentro de casa.

E que sejam elas limitadas no calibre e na aquisição de munição, coisas simples, mediante um cartão eletrônico ou algo parecido, e com as balas devidamente identificadas para qual armamento e pessoa, através de chips, como tem sido proposto. Uma vez aprendido o projétil, se saberá a arma e seu dono. Consequentemente, o trabalho da investigação sobre o crime cometido será fácil.

O problema é que as autoridades do governo não pensam no povo, a não ser no interesse pessoal delas, em como roubar, enriquecer, desviar verbas de suas origens, comissões nos contratos…

NÃO GOVERNAM

A ânsia por dinheiro é tanta que não governam, não administram, tornam-se reféns deles mesmos pela quantidade de crimes que cometem, necessitando desviar a atenção dos fatos negativos que produzem em escala industrial.

Nessa situação de descontrole da criminalidade, o brasileiro precisa retomar o direito de possuir armas, mas que a responsabilidade desta concessão seja igualmente severa, sem chances de amenizar a pena do infrator.

Urge que esta nova lei seja aprovada e devolva ao cidadão brasileiro o direito à defesa, à vida, à proteção de sua família, e, na mesma medida, se ele for flagrado portando arma fora de casa, seu destino deve ser prisão em flagrante, aguardando detido o julgamento e condenação à cadeia.

Uma visão melancólica do mundo imaginário

O jornalista, professor e poeta mineiro Emílio Guimarães Moura (1902-1971) revela neste poema uma visão melancólica sobre o “Mundo Imaginário”.

MUNDO IMAGINÁRIO

Emílio Moura

Sob o olhar desta tarde,
quantas horas revivem
e morrem
de uma nova agonia? Velhas feridas se abrem,
de novo somos julgados, o que era tudo some-se
e num mundo fechado outras vigílias doem.

A noite se organiza e, no entanto, ainda restam
certas luzes ao longe. Ah, como encher com elas
este ser já não-ser que se dissolve e deixa
vagos traços na tarde?

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)