Brasileirão 2013 – O plano para salvar o Fluminense

Fernando Jorge Almeida

Eu não sou torcedor fanático, nem desejo ver nenhum time carioca se ferrar. Mas numa análise bem fria, cheguei a seguinte conclusão sobre a armação para salvar o Fluminense:

1. Plano “A”: Bastava o Flu ganhar do Bahia e o Coritiba não bater o São Paulo.

2. Plano “B”: Se o Coritiba estiver batendo o São Paulo, escalar o jogador suspenso pelo STJD.

Senão, vejamos: O jogo da Portuguesa não valia para nada, portanto não havia a menor lógica em escalar um jogador irregular, aos 32 minutos do segundo tempo, que jogou menos de 95 minutos durante o campeonato inteiro.

Conclusão:

1. Acho que a Portuguesa não perde os pontos se o seu advogado apelar para a Constituição e o Código de Processo Civil, que afirma que toda decisão judicial só vale a partir do primeiro dia útil após a publicação. Uma regra do STJD não pode atropelar as leis maiores.

2. Se perder, além de recorrer, pode investigar passo a passo, o processo que levou o técnico a escalar o referido jogador. Nesse caso, uma investigação séria, pode jogar muita merda no ventilador.

(artigo enviado por Mário Assis)

Stédile se encontra com o Papa e defende novo modelo de reforma agrária

Vasconcelo Quadros
iG São Paulo

Após participar de encontro no Vaticano, o economista João Pedro Stédile, líder do MST atacou, em entrevista, o sistema capitalista e defendeu um novo modelo de reforma agrária que una ‘campo e cidade’

Principal dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Stédile voltou de uma audiência com o Papa Francisco, no Vaticano, disposto a dar uma guinada no modelo de reforma agrária clássica que o movimento pregou nos últimos 30 anos.

Stédile quer uma mudança de paradigma: “É preciso lutar por uma reforma agrária popular, que interesse a todo o povo e não apenas aos camponeses (…), uma aliança que junte os trabalhadores das cidades e do campo”, afirma o dirigente do MST numa entrevista gravada em vídeo e divulgada nesta terça-feira.

Segundo ele, o atual modelo, baseado na divisão de terras aos pequenos produtores, já se esgotou. Até na Venezuela, onde o ex-presidente Hugo Chávez formou um estoque de sete milhões de hectares, diz, faltam camponeses para assentar.
João Pedro Stédile diz que a reforma agrária tradicional foi “bloqueada e está parada” no Brasil e no mundo inteiro pelo sistema capitalista, que está promovendo uma verdadeira avalanche de capital para expandir o agronegócio baseado na monocultura.

PRIVATIZAR ATÉ O AR

“Eles (empresas multinacionais e bancos) vão aos países para privatizar a terra, a água, os recursos naturais das florestas. E agora estão tentando privatizar inclusive o ar com essa política de crédito de carbono”, afirma o economista. Stédile sustenta que as empresas usam GPS para mapear os níveis de oxigênio e fotossíntese das florestas, transformando esses recursos em títulos de valores fictícios que são vendidos nas bolsas europeias para compensar a emissão de gás carbônico produzido por esses mesmos grupos.

“É uma hipocrisia completa. O capitalista está ganhando dinheiro (com a poluição que produz) e se apropriando até do ar”, cutuca o dirigente do MST. O novo modelo de reforma agrária, segundo Stédile, deve ser o da agroecologia, com uma revolução nos métodos de produção, substituindo a monocultura pela diversificação, a destruição das matas pelo reflorestamento e as commodities agrícolas por alimentos.

“Tem de trocar a matriz tecnológica predadora – baseada no uso intensivo de máquinas e defensivos agrícolas – pela agroecologia e investir na produtividade em equilíbrio com a natureza”, afirma. Segundo ele, o novo modelo passa também pela democratização do conhecimento através de uma revolução educacional que alcance famílias de trabalhadores urbanos e camponeses.

UM NOVO MODELO

Stédile acha que embora o modelo atual de reforma agrária, iniciado no século 20, tenha sido suplantado pelo avanço do capitalismo, o novo modelo é possível. “Sou otimista. Ainda verei uma reforma agrária popular no mundo e o Papa Francisco vai nos ajudar”, disse o dirigente, que participava do Fórum Social Mundial e do encontro com o Papa Francisco, no último dia 7.

No vídeo, gravado no Teatro Valle Occupato, em Roma, Stédile fala também sobre o predomínio de multinacionais e bancos no controle da terra e dos sistemas de produção e critica o fracasso dos governos neoliberais e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO) na produção de alimentos e combate a fome.

Papa é chamado de marxista após lançar documento em que afirmou que o capitalismo seria ‘uma nova tirania’

Philip Pullella

Ag. Reuters

O papa Francisco, em resposta às críticas de conservadores de que suas ideias econômicas e sociais respingam no comunismo, disse para um jornal italiano neste domingo (15) que não é marxista, mas mesmo marxistas podem ser boas pessoas.

Francisco também negou que pretende nomear uma cardeal feminina, disse que está fazendo um bom progresso para sanear as finanças do Vaticano e confirmou que vai visitar Israel e a Palestina no ano que vem, segundo o La Stampa.

Mês passado, um programa de rádio ancorado por Rush Limbaugh, que tem muitos fãs nos Estados Unidos, criticou o papa por comentários sobre a economia mundial.

Limbaugh, que não é católico, disse que partes do documento eram “marxismo puro saindo da boca de um papa” e sugeriu que alguém escreveu o documento papal por ele. Também acusou o papa de passar dos limites do catolicismo e ser “puramente político”.

Em resposta às acusações, que iniciaram um debate na mídia e nos blogs mês passado, Francisco, membro da ordem dos jesuítas, associada a políticas sociais progressistas, disse que “a ideologia marxista é errada, mas, na minha vida, conheci muitos marxistas que são boas pessoas, então não me sinto ofendido”.

Ele também foi criticado por outros conservadores. No documento do mês passado, considerado uma plataforma do seu papado, Francisco atacou o capitalismo como “uma nova tirania” e disse que “a economia de exclusão e desigualdade” matou pessoas ao redor do mundo.

Na sua resposta aos críticos, Francisco disse que não estava falando como um “técnico, mas de acordo com a doutrina social da Igreja Católica Romana, e isso não o transforma em um marxista”. Ele disse que estava apenas tentando mostrar “um recorte do que estava acontecendo” no mundo.

Em outro documento semana passada, Francisco disse que salários enormes e bônus eram sinstomas de uma economia baseada na ganância e pediu que as nações diminuíssem a desigualdade econômica.

Preocupações conservadoras

Conservadores estão preocupados e decepcionados com pronunciamentos do papa, como quando ele disse que não estava em posição de julgar homossexuais, que são pessoas de bem, sinceramente procurando Deus.

Sobre as especulações de que estaria pensando em nomear uma cardeal feminina ano que vem, disse: “Eu não sei da onde essa ideia saiu. As mulheres na Igreja deveriam ser valorizadas, mas não virarem clérigos”.

Ele disse que as reformas financeiras estão “no caminho certo”, mas ainda não decidiu o que fazer com o Banco do Vaticano, envolto em escândalos nas últimas décadas. No passado, não descartou fechá-lo.

Francisco disse que está “ficando pronto” para visitar a Terra Sagrada ano que vem, no 50° aniversário de quando o papa Paulo VI se tornou o primeiro papa nos tempos modernos a visitar o local.

Ele foi convidado por Israel e pela Autoridade Palestina para fazer uma visita, que deve ser realizada em maio ou junho.

Haverá espaço no Brasil para o partido único?

Márcio Garcia Vilela

Dias desses, dei com um artigo que me chamou a atenção. Intitulado “A Estranha Democracia Brasileira”, pus-me a procurar informação a respeito do autor, de quem nunca ouvira falar. Algum preconceito? Acho que não. Tenho lido, ao longo da vida, textos de ótima qualidade, inobstante desconhecer quem os escreveu. Só mais tarde descubro o autor. Não cedo tempo a bobagens que pululam por aí, até porque ando sempre lerdo com minhas leituras. Publicações costumam chegar, ruins e boas, a mancheias, o atraso vai se avolumando, a ansiedade também pela falta de espaço, ao ponto de deixar de lado uma interessante orelha que, entediado, acabo não terminando.

Dessa vez, estranhamente, “uma estranha democracia brasileira” me deteve. Algum motivo particular? Havia. A matéria tratava de uma reflexão concisa a respeito dos muitos caminhos que está tomando, erraticamente, o Brasil e que sugerem também perigosa excitação maquiavélica. E as vacas estão tomando o rumo da horta. O querido leitor sabe o que acontece quando esses simpáticos animais conseguem derrubar a cerca e entram no milharal? O fazendeiro trata de defender o que é seu: surra nelas, até retirá-las.

Será que, como castigo, os cidadãos conscientes, convencidos de que “a democracia é o pior de todos os regimes políticos, salvo todos os demais outros”, apanham também? A história é o mais confiável testemunho. Fora da lei, sem instituições sólidas, maiorias despreparadas, inconscientes, incapazes de compreender a verdade e rechaçar a mentira, tudo pode acontecer. A ilusão, principalmente a que emerge do exercício da razão e as conclusões do refletir sem senso de responsabilidade são os piores inimigos do “zoon politikon”.

PAGAR O PREÇO

Se o eleitor não se dispõe a pagar esse preço, a sociedade não se sustenta e se desmorona com o impacto da leviandade. A minha geração já não dispõe mais de tempo. Inúmeras vezes a demagogia chegou na frente e nos furtou o que sobrou. Um dia, a brisa sobrou e restaurou a esperança. Será que tudo acabou? Certo é que, terminado o atual mandato presidencial, dona Dilma completará para o PT 12 anos na Presidência da República. Se fosse uma Margareth Thatcher, tudo bem: uma chefe de governo do seu nível merece permanecer com louvores o tempo em que governou o Reino Unido e até mais, liderando seu partido. Mas, a política é muito mais ingrata do que reconhecida: sua queda se deu por manobras do próprio Partido Conservador contra sua titularidade.

Incrível, mas é assim, principalmente numa democracia. Ora, reeleita a senhora Dilma e quiçá volte ao poder o senhor Lula, poderão somar para o PT mais tempo na Presidência que Vargas, incluído seu período constitucional. Logo, não cabem sequer comentários. Se tal absurdo ocorrer, seja com os atuais personagens, seja com outros que aparecerem, como estaria o país ao final desse ciclo de tragédia? Nem vale a pena especular. Mormente quando se trata de América Latina. Exceto o suicídio de Vargas, nada aqui choca. Porém, faz chorar, e não é o caso? (transcrito de O Tempo)

Presente de Natal: Aeronautas aprovam indicativo de greve para a próxima sexta-feira

Bruno Bocchini

São Paulo – Em assembleia nacional, os aeronautas (pilotos, copilotos e comissários de voo) decidiram aprovar um indicativo de paralisação para a próxima sexta-feira (20). A decisão final sobre o início de greve ou não dependerá de uma nova reunião com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), marcada para o dia 18.

“A categoria recusou a proposta das empresas aéreas, decidiu entrar em estado de greve, com indicação de paralisação do setor na próxima sexta-feira (20)”, disse em nota o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA). Entrar em estado de greve não significa que a categoria decidiu paralisar os trabalhos, apenas que está mobilizada para uma provável greve.

A proposta das empresas áreas prevê reajuste do piso salarial em 7%, aumento de 5,6 % dos salários até R$ 10 mil e, em valor fixo, elevação de R$ 560 dos salários acima de R$ 10 mil, além de aumento no vale-refeição de 8%. O reajuste proposto no valor do vale-alimentação e demais cláusulas econômicas  é 5,60%.

O Snea ressaltou que essa é a proposta final das empresas aéreas e que o sindicato dos trabalhadores está se aproveitando da proximidade do final do ano para pressionar com a possibilidade de greve, quando os aeroportos estão lotados.

A categoria, no entanto, pede 8% de reajuste nas cláusulas econômicas – a correção da inflação e mais 2,2%, a título da produtividade. Os aeronautas também querem avanços sociais, como aumento de folgas e a possibilidade de o tripulante se locomover em aeronaves de outras empresas.(da Agência Brasil)

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Todo final de ano, é a mesma coisa: os aeronautas ameaçam greve. Mas a paralisação dos profissionais das companhias aéreas não é a única preocupação com relação ao funcionamento dos aeroportos. O caos já vem acontecendo independentemente de haver greve ou não. Quando foi ministra do Turismo, Marta Suplicy recomendou aos passageiros que o melhor a fazer era “relaxar e gozar”, vejam só que demonstração de espírito público. Se houver greve este final de ano, não vai adiantar relaxar, porque ninguém conseguirá gozar. Só a Marta Suplicy, porque ela só pensa naquilo... (C.N.)

Racismo explícito: negras (in)confidências & rainha de Sabá

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Fátima Oliveira

“Negras (in)confidências – Bullying, não. Isto é racismo”, livro organizado por Benilda Brito e Valdecir Nascimento (Mazza Edições), é uma coletânea de depoimentos de mulheres negras sobreviventes do racismo nosso de cada dia na escola. Dói. Deveria ser lido por quem dá aulas porque é uma panorâmica de como as escolas permitem e reproduzem o racismo. São memórias dolorosas da meninice de mulheres negras sob a batuta do racismo.

É uma leitura imperdível e faz a gente evocar fatos que julgava perdidos ou inexistentes. Num papão animado com a Mazza e a Kia Lilly, peguei um gancho da Kia que indagou qual era a profissão da mamãe. Disse-lhe que era costureira e que fazia vestidos de fadas. E eu pude usar belos vestidos de organdi, pele de ovo, seda pura, broderie, chiffon e musseline, de algodão e de seda – tudo com muito frufru: rendas, fitas e paetês!

Mamãe e vovó, que dizia que na família dela mulher tinha que luxar, não mediam esforços para concretizar o lema. Quando eu voltava para a Casa do Estudante – havia a masculina e a feminina, anexos do Colégio Colinense –, levava, em média, 16 a 20 vestidos novos: um para cada domingo do semestre – jamais repetia um vestido na missa aos domingos! Sem falar que o Louro, sapateiro famoso de Graça Aranha, fazia meus sapatos pespontados à mão, de várias cores… Sempre que o encontrava (morreu há uns dois anos), dizia: “Essa doutora aqui, eu fazia os sapatos dela à mão, desde criança”.

COMO UMA RAINHA

Sempre que eu saía para a missa domingueira, dona Estela (a professora Estela Rosa e Silva), diretora da Casa do Estudante, que é negra, dizia: “Esse povo da Fátima faz dela uma rainha de Sabá”, que eu não sabia quem era, mas entendia que ela dizia que eu me vestia como uma rainha.

Era elogio ou crítica ferina? Mamãe achava o máximo! Era a constatação da perfeição de seu trabalho e o reconhecimento de que os vestidos que ela fazia para a filha eram de uma beleza incomum. No entanto, anos a fio ouvindo que eu era como a rainha de Sabá, incomodava. Hoje, entendo que meus belos vestidos despertavam inveja porque eu era uma menina negra vestida com esmero. Em suma, hoje sei que era uma crítica!

Basta lembrar que Brizola, um dia, muito emputecido com Benedita da Silva, não se conteve: “Como pode uma pessoa simples, humilde, muito querida como a Benedita, como vice-governadora, se comportar que nem a rainha de Sabá?” (…) Fiquei sem entender se Brizola criticou ou elogiou Benedita.

Belkis, a rainha de Sabá (atual Iêmen do Sul), era negra e rica. Contemporânea do rei Salomão, de quem se cogita que teve um filho (Menelik I, fundador da Monarquia etíope, 1.000 a. C.), viajou sete anos até Jerusalém com uma caravana enorme e abarrotada de especiarias, ouro e pedras preciosas para presentear Salomão.

Repito: era elogio ou crítica ferina? Eu era a única menina negra na Casa do Estudante. Minha família, de todas que mantinham filhas ali, de certeza, era a única negra e a de menos posses – nada que se comparasse com as filhas do Nilo Pacheco da Fortuna (rico afamado, ex-prefeito); Maria Inês do Buriti Bravo; a filha dos Borges de São Domingos; a Meirinha, filha de um Pacheco do Saco (fazenda nos arredores de Colinas), por aí… Os nomes se perderam no tempo, mas a branquitude e a riqueza do sertão estavam todas ali… Sobrevivi. A menina das roupas de rainha de Sabá teve a honra de cumprimentar Nelson Mandela com um aperto de mãos, em Durban, 2001. (transcrito de O Tempo)

O significado de Mandela para o futuro da humanidade

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Leonardo Boff]

Nelson Mandela, com sua morte, mergulhou no inconsciente coletivo da humanidade para nunca mais sair de lá, porque se transformou num arquétipo universal, do injustiçado que não guardou rancor, que soube perdoar, reconciliar polos antagônicos e nos transmitir uma inarredável esperança de que o ser humano ainda pode ter jeito. Depois de passar 27 anos de reclusão e eleito presidente da África do Sul em 1994, se propôs e realizou o grande desafio de transformar uma sociedade estruturada na suprema injustiça do Apartheid, que desumanizava as grandes maiorias negras do país, condenando-as a não pessoas, numa sociedade única, unida, sem discriminações, democrática e livre.

E o conseguiu ao escolher o caminho da virtude, do perdão e da reconciliação. Perdoar não é esquecer. As chagas estão aí, muitas delas ainda abertas. Perdoar é não permitir que a amargura e o espírito de vingança tenham a última palavra e determinem o rumo da vida. Perdoar é libertar as pessoas das amarras do passado, é virar a página e começar a escrever outra a quatro mãos, de negros e de brancos.

Uma solução dessas, seguramente originalíssima, pressupõe um conceito alheio à nossa cultura individualista: o ubuntu, que quer dizer “eu só posso ser eu através de você e com você”. Portanto, sem um laço permanente que liga todos com todos, a sociedade estará, como na nossa, sob risco de dilaceração e de conflitos sem fim.

Deverá figurar nos manuais escolares de todo mundo esta afirmação humaníssima de Mandela: “Eu lutei contra a dominação dos brancos e lutei contra a dominação dos negros. Eu cultivei a esperança do ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas e em harmonia e têm oportunidades iguais. É um ideal pelo qual eu espero viver e alcançar. Mas, se preciso for, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”.

Por que a vida e a saga de Mandela fundam uma esperança no futuro da humanidade e de nossa civilização? Porque chegamos ao núcleo central de uma conjunção de crises que pode ameaçar nosso futuro como espécie humana. Estamos em plena sexta grande extinção em massa.

PROCESSO DEVASTADOR

Cosmólogos e biólogos nos advertem que, a correrem as coisas como estão, chegaremos por volta do ano 2030 à culminância desse processo devastador. Estamos vivendo tempos de barbárie e sem esperança.

Mandela acreditava nos direitos humanos e na democracia como valores para equacionar o problema da violência entre os Estados e para uma convivência pacífica. Em sua última entrevista declarou: “Não saberia dizer como será o terceiro milênio. Minhas certezas caem e somente um enorme ponto de interrogação agita a minha cabeça: será o milênio da guerra de extermínio ou o da concórdia entre os seres humanos? Não tenho condições de responder a essa indagação”.

Face a esses cenários sombrios, Mandela responderia seguramente: sim, é possível que o ser humano se reconcilie consigo mesmo, que sobreponha sua dimensão de sapiens à aquela de demens e inaugure uma nova forma de estarem juntos na mesma Casa.

Talvez valham as palavras de seu grande amigo, o arcebispo Desmond Tutu: “Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo feito correções, viremos agora a página – não para esquecer esse passado, mas para não deixar que nos aprisione para sempre. Avancemos em direção a um futuro glorioso de uma nova sociedade em que as pessoas valham não em razão de irrelevâncias biológicas ou de outros estranhos atributos, mas porque são pessoas de valor infinito, criadas à imagem de Deus”.

Essa lição de esperança nos deixa Mandela: nós ainda viveremos, se sem discriminações concretizarmos de fato o ubuntu.

Violência financiada nos estádio

Carla Kreefft

A violência nos estádios de futebol provoca a indignação de todos, mas o fato que não é lembrado é a responsabilidade do poder público por essa barbárie.

Os clubes recebem verba do governo federal. O que se sabe é que o repasse não é um montante pequeno. Parte dos recursos arrecadados com as loterias e do chamado recolhimento social (impostos pagos pelas empresas empregadoras) é destinada ao esporte, contemplando, assim, os clubes de futebol. Mas como os clubes são entidades privadas, eles não explicam como usam as verbas públicas.

Do outro lado, é sabido que as torcidas organizadas recebem estímulos dos clubes. São ingressos, transporte (ônibus fretados), camisas, instrumentos musicais, lanches etc. Assim, não seria muito exagero afirmar que o dinheiro público também financia as torcidas organizadas. A pergunta que fica é o que os clubes e o poder público exigem de contrapartidas das torcidas.

O que se vê na mídia são sempre notícias das organizadas relacionadas à violência nos estádios, brigas com as rivais ou mesmo entre elas. Da parte dos clubes, que são os que recebem os recursos federais, não é possível identificar iniciativas positivas. Essas entidades poderiam desenvolver trabalhos com crianças carentes, ensinando futebol e, ao mesmo tempo, garantindo a elas uma boa formação escolar. Mas o caminho escolhido parece ser muito diferente. As crianças e adolescentes que são “adotados” pelos clubes são tão exigidos no esporte que, quase sempre, abandonam a escola formal. Meninos como Neymar, Pato e Ganso, que se tornaram grandes estrelas do futebol, tiveram condições de estudar? Quando abandonaram a escola? E onde estão os outros meninos que, ao contrário das estrelas, não mostraram excepcional talento? Eles estão levando uma vida digna após a passagem pelos clubes? São perguntas que não são respondidas, pelo menos, publicamente.

Governos federal e estaduais, clubes de futebol e torcidas organizadas não estão interessados em resolver a violência. Essa preocupação está restrita aos torcedores que vão ao estádio realmente para torcer. Esses são pacíficos, levam suas famílias para assistir aos jogos e esperam ter o direito de torcedor respeitado.

O futebol é o espetáculo preferido dos brasileiros, mas tem sido usado com objetivos muito pouco nobres. O esporte se mistura com a política no pior ponto de convergência: a corrupção. E aí o resultado não poderia ser nada diferente da violência e do desrespeito aos direitos do cidadão-torcedor.

O Estatuto do Torcedor é um avanço, mas não tem sido aplicado devidamente. A impressão que se tem é que a proteção existe apenas para as cúpulas que estão no comando. Quem enfrenta fila e paga ingresso está abandonado. (transcrito de O Tempo)

Julgamento do ex-governador Arruda em Brasília só depende de um voto

Ana Maria Campos e Helena Mader
Correio Braziliense

O julgamento do ex-governador José Roberto Arruda na 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do DF está parado quinta-feira por conta de um pedido de vista. Arruda e o ex-secretário de Obras Márcio Machado são acusados de dispensa indevida de licitação na reforma do Estádio Nilson Nelson em 2008. Eles foram condenados em primeira instância em abril deste ano, mas a defesa recorreu.

O relator do processo, desembargador Jesuíno Rissato, votou pela absolvição de Arruda e de Márcio Machado. “Houve tomada de preço entre cinco empresas idôneas. A primeira estimativa de preço foi de R$ 23 milhões mas a obra foi feita por R$ 9,9 milhões, o que denota que houve economia, e não prejuízo”, argumentou o magistrado.

Já o revisor, desembargador Humberto Ulhôa, manteve a condenação de Arruda e de Márcio Machado. Ele entendeu que os dois sabiam com antecedência que Brasília sediaria o Campeonato Mundial de Futsal, mas “provocaram uma situação emergencial não existente para justificar a dispensa de licitação”. O terceiro e último voto será do desembargador João Batista Teixeira, que pediu vista para analisar melhor o processo.

Advogado de Arruda, Nélio Machado acredita que a retomada do julgamento pode acontecer na próxima quinta-feira. “O voto do relator foi magnífico. Já o voto do revisor foi mais emocional do que racional, sem base na jurisprudência”, alegou Machado.

O advogado Edson Smaniotto, que defende Márcio Machado, disse que não houve prejuízos aos cofres públicos e que os acusados não tiveram nenhum benefício. “Ninguém levou vantagem, a não ser o Distrito Federal, que conseguiu se promover com o Campeonato de Futsal. Sem isso, Brasília jamais seria escolhida como sede da Copa das Confederações e da Copa do Mundo”, diz Smaniotto

 

A mulher, na visão genial de Adalgisa Nery

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery, definiu a “Mulher” através das características que a vida lhe impõe.
MULHER
Adalgisa Nery
Na face, a geografia da angústia,
Dos pânicos e das medrosas alegrias.
Cada ruga é um presságio.
E auréola da aflição constante
O esplendor dos cabelos brancos.

Uma só raiz para frutos diversos,
Uma só vida para destinos tão complexos,
Um só pranto para dores tão diversas.

O útero que gera o herói, o sábio, o poeta,
O santo, o miserável e o assassino.
Uma só raiz para frutos tão diversos!

O dom da paz em cada gesto
Cai como noites quietas
Sobre a alma em rancor,
Amor acima do amor.

           (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Tudo sob controle: para seis suspeitos de corrupção em São Paulo, crimes prescrevem em abril

Carlos Newton

Em ritmo de Martinho da Vila, devagar, devagarzinho, a Justiça brasileira demora tanto a ser feita (quando é feita), que muitos réus acabam se livrando pela prescrição dos crimes. No caso do inquérito da Alstom (metrô de São Paulo), por exemplo, para seis suspeitos logo, logo vai prescrever o crime investigado – de corrupção. Alguns já estão até prescritos.

Segundo a Folha de S. Paulo, o marco inicial da prescrição é 14 de abril de 1998, data do contrato de venda de equipamentos do grupo francês para estatal paulista EPTE, no valor de R$ 214 milhões, em valores atualizados. Segundo a PF, a Alstom pagou propina para obter esse contrato.

Mas está tudo sob controle, porque poderão ficar livres de ação criminal o vereador e ex-secretário estadual de Energia Andrea Matarazzo (PSDB) e o ex-presidente da estatal paulista EPTE Eduardo José Bernini. E em relação a outros sete investigados, o delito de corrupção até já prescreveu.

Entre os que já podem pedir à Justiça o reconhecimento da prescrição, estão o ex-diretor da CPTM João Roberto Zaniboni e os consultores Arthur Teixeira e Jorge Fagali Neto. Como eles já têm mais de 70 anos de idade, o prazo prescricional é contado pela metade, segundo a lei.

LAVAGEM DE DINHEIRO

A Folha ressalva que alguns suspeitos também poderão ser denunciados por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. No entanto, para definir a prescrição desses crimes, será preciso indicar quando o dinheiro ilícito deixou de circular, e isso ainda não está definido na investigação. Então, tudo dominado.

Os suspeitos, é claro, negam a prática dos crimes. E a confusão criada pelos aloprados do PT e pelo ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, como “fabricação” de denúncia, vai acabar beneficiando os suspeitos. Ou seja, tudo dominado.

Homem é preso no aeroporto de Brasília com US$ 280 mil escondidos na meia

 (Policia Federal/Divulgação)

Deu no Correio Braziliense

A Polícia Federal deteve na noite de sexta-feira (13/12), no Aeroporto Internacional de Brasília, um homem de 41 anos que levava em suas meias 280 mil dólares (o equivalente a 652 mil reais), além de R$ 13.950. As cédulas estavam escondidas em um meião de futebol.

De acordo com as primeiras informações, o suspeito, cuja identidade não foi revelada, embarcou em um voo que saiu de São Paulo com destino a Brasília. Tão logo desembarcou no saguão do aeroporto, o homem foi abordado por agentes da PF e preso.

O homem foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, no Setor Policial Sul. Ao ser interrogado, preferiu ficar em silêncio. Ele foi liberado, mas poderá responder a inquérito pelo crime de lavagem de dinheiro.

Conforme regras da Receita Federal, qualquer passageiro que pretenda viajar com dinheiro em espécie, em valores superiores a R$ 10 mil, tanto em moeda nacional quanto estrangeira, é obrigado a declarar a quantia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão foi informado a que partido o cidadão é filiado. Parece que não é do PT, porque, se fosse, o dinheiro viria na cueca, feito o assessor do irmão de Genoino, deputado José Nobre Guimarães (PT-CE), que foi mais modesto e só carregava 100 mil dólares. (C.N.)

Insistência do PT em defender mensaleiros constrange o Planalto

 (Luciano Freire/Futura Press)

Amanda Almeida e Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense
A contragosto do Palácio do Planalto e dos estrategistas da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff, o PT voltou  a dividir o debate sobre a renovação do partido com as homenagens aos petistas presos no processo do mensalão. Depois de constranger o governo ao exaltar os condenados diante de Dilma, que participava da abertura do evento na noite de quinta-feira, os militantes do partido fizeram na sexta-feira o ato oficial de desagravo ao ex-ministro José Dirceu, ao ex-tesoureiro Delúbio Soares, ao ex-deputado José Genoino e ao deputado João Paulo Cunha, colocando-os como “heróis da legenda”.

Com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à imprensa, os petistas voltaram a se colocar como injustiçados e vítimas de um processo político, mas em nenhum momento citaram que, dos 11 ministros do Supremo, oito foram nomeados por Dilma ou Luiz Inácio Lula da Silva. No ato, parentes dos três presos e o próprio Cunha foram saudados aos gritos de “Dirceu, guerreiro do povo brasileiro”, seguidos com a mesma frase, mas com o nome dos outros. Cunha foi o mais enfático no discurso. Disse que “alguns” querem afastar o tema das eleições, mas que é uma “besteira”. “Usaram em 2006, em 2008, em 2010, em 2012. Vão usar em 2014 e sempre. Mensalão virou como um produto na prateleira que, quando eles não tiverem mais nada para falar de nós, tiram da prateleira.”

A repetição do desagravo não agradou ao Planalto. O presidente do partido, Rui Falcão, tentou negar a saia justa. “Não vi nenhum constrangimento na presidente. Ela estava contente, tirando fotos. Ela não me mostrou o discurso dela nem eu o meu”, disse Falcão, que citou o mensalão em sua fala e criticou o STF, formado hoje por maioria indicada pelos governos petistas. Já Dilma se limitou a listar conquistas do PT nos últimos anos e fez cara séria enquanto o colega falava sobre a Ação Penal 470.

Três mensaleiros se livram da prisão e recebem penas de prestação se serviços sociais

André Richter

Brasília – O juiz Nelson Ferreira Júnior, da Vara de Execuções das Penas e Medidas Alternativas do Distrito Federal (Vepema), definiu hoje (13) como serão cumpridas as penas alternativas de três condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Por determinação do magistrado, Emerson Palmieri, Enivaldo Quadrado e José Borba apresentaram-se hoje ao órgão judicial para começar a cumprir as penas.

Palmieri, ex-tesoureiro informal do PTB, foi condenado a quatro anos de prisão; Borba, ex-deputado federal (PMDB-PR), a dois anos e seis meses; e Quadrado, ex-sócio da corretora Bônus-Banval, a três anos e seis meses. Todos tiveram as penas convertidas em pagamento de multa ou prestação de serviços porque foram condenados a menos de quatro anos de prisão.

De acordo com decisão do juiz, Borba terá que pagar multa de 300 salários mínimos para entidade pública, divididos em 30 meses, e não poderá exercer cargo ou função pública pelo período da condenação. Palmieri pagará 150 salários mínimos a entidade pública e também não poderá exercer função pública. Quadrado terá que cumprir 1.260 horas de prestação de serviços à comunidade, no prazo de três anos e seis meses, além do pagamento de multa de 300 salários mínimos. Os serviços serão prestados na cidade paulista de Assis.   (da Agência Brasil)

Jus sperniandi

Sylo Costa

Todo condenado, com ou sem razão, tem direito de espernear. Por isso, quando vi o mensaleiro José Genoino, com o braço levantado – gesto que poderia indicar uma furunculose no sovaco, mas que era apenas uma saudação à la Hitler –, entendi a provocação. Enrolado numa toalha suja de mesa de boteco, caminhando para a prisão, imaginei sua frustração, e não só a dele, mas também a dos outros mensaleiros condenados por um tribunal cujos membros, em sua maioria, atenderiam, presumivelmente, as conveniências da seita que os indicou. Podem ter imaginado que estaria tudo dominado. Engano, ledo engano. Também se presume que os ministros são cidadãos de reputação ilibada e de notável saber jurídico.

Acho os acontecimentos desse tempo até interessantes: parecem uma nova versão da história da revolta de Canudos, chefiada por Antônio Conselheiro, guerrilheiro e líder fanático que arrebanhou para seu bando terrorista um mundo de gente, entre ex-escravos, índios, desocupados e desorientados pela seca no sertão nordestino. Já naquele tempo (1830) se falava, como agora e sempre, “daselites”. Conselheiro e seus fanáticos asseclas foram derrotados pelo exército.

Antônio começou sua revolta quando flagrou sua esposa em traição conjugal com um sargento de polícia. Brasilina Laurentina era um tipo brejeiro, precursora das amantes e mulheres modernas que gostam de acompanhar seus maridos e amantes em suas inúmeras viagens ao exterior. Brasilina viajava pelas caatingas e pelos sertões bravios, uma vez que ainda não existia Brasília, e tinha parecença com Iracema, aquela cearense dos lábios de mel, de que fala o canto das sereias das praias de Fortaleza. Era amante à moda antiga, diferente das amantes dos líderes modernos, que também lideram os fanáticos para lutar contra “aselites” e detestam sertões, poeiras e pobres, além de usarem uma estrela vermelha no peito.

MOLE E DURO

Genoino, homem de coração mole e duro ao mesmo tempo, foi condenado, acho, porque caçava passarinhos no Araguaia com a um bando de desocupados que, à moda de Conselheiro, queriam a implantação de um sistema de governo que fosse fidelíssimo ao comunismo russo ou coreano do Norte. Um seu irmão, que hoje é deputado, líder do PT na Câmara, certa vez se rebelou contra o sistema bancário do país e passou a fazer suas transações financeiras por meio de um seu assessor que tinha a estranha mania de transportar dinheiro na cueca. Mas como? Cem mil reais na cueca? É… cada malandro tem suas tretas.

Genoino também é estranho, pois, apesar de sofrer de graves problemas cardíacos, superados graças aos recursos modernos da medicina, sobreviveu forte, pronto para gozar uma cadeia que pode ser no sistema meio aberto, igual ao do amigo de temporada Zé Dirceu, um dos maiores gerentes de hotéis da atualidade, também terrorista de bons costumes, que viveu casado 11 anos com uma mesma mulher sem que ela nem de longe soubesse que ele não era ele.

Bem, aquele amigo, amicíssimo, de Rosemary também…

Só faltam dois votos no Supremo para proibir doações de empresas para campanhas políticas

André Richter

Um pedido de vista do ministro Teori Zavascki suspendeu o julgamento sobre a proibição de doações de empresas privadas para campanhas políticas no Supremo Tribunal Federal (STF).  Na sessão de hoje (12), os ministros Dias Toffoli e Luis Roberto Barroso votaram a favor do fim das doações privadas para candidatos e partidos. Com o resultado parcial da sessão de ontem (11), o placar está em 4 votos a favor do fim das doações. Faltam os votos de sete ministros.

O Supremo julga a ação direta de inconstitucionalidade da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra as doações de empresas privadas a candidatos e a partidos políticos. A OAB contesta os artigos da Lei dos Partidos Políticos e da Lei das Eleições que autorizam a doação de recursos de pessoas físicas e jurídicas para campanhas de partidos e candidatos.

De acordo com a regra atual, as empresas podem doar até 2% do faturamento bruto obtido no ano anterior ao da eleição. As pessoas físicas podem doar quantias limitadas a 10% do rendimento bruto do ano anterior.

Toffoli e Barroso seguiram o voto do relator do processo, ministro Luiz Fux, e do presidente do STF, Joaquim Barbosa.  De acordo com o entendimento de Fux, formado na sessão de ontem (11), as únicas fontes legais de recursos dos partidos devem ser doações de pessoas físicas e repasses do Fundo Partidário.

Fux também definiu que o Congresso terá 24 meses para aprovar uma lei que crie normas uniformes para as doações de pessoas físicas e para recursos próprios dos candidatos. Se, em 18 meses, uma nova lei não for aprovada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderá criar uma norma temporária.

Segundo Dias Toffoli, não há justificativa constitucional para a participação de empresas no processo eleitoral brasileiro porque elas não podem receber votos e concorrer às eleições. “O financiamento público de campanha surge como a única alternativa de maior equilíbrio e lisura das eleições. Permitir que pessoas jurídicas participem do processo eleitoral é abrir um flanco para desequilíbrio da dicotomia público-privada. O voto não é exercido por pessoa jurídica. Ela não pode votar, não pode ser votada”, afirmou o ministro.

O ministro Luis Roberto Barroso também entendeu que as regras que permitem as doações para empresas são inconstitucionais por considerar o modelo antidemocrático. “O papel do direito é procurar minimizar o impacto do dinheiro na criação de desigualdade na sociedade e acho que temos uma fórmula que potencializa a desigualdade em vez de neutralizá-la”, disse Barroso. (da Agência Brasil)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPelo menos um voto será contra a extinção das doações.O ministro Gilmar Mendes acha o partido que estiver no governo vai ser beneficiado. Mas no final tudo se acerta, porque não existe lei nem tribunal que consiga extinguir o caixa 2. (C.N.)

Irena Sendler, um nome a ser eternamente lembrado

Celso Serra

Continua fazendo sucesso na internet a história de Irena Sendler, pedindo sua indicação ao Prêmio Nobel da Paz. É um equívoco, pois ela morreu em 2008.  Mas vale a pena lembrá-la sempre e reverenciar sua memória.

Hollywood já fez um filme em sua homenagem, mas ainda tem gente que não acredita que estes horríveis fatos aconteceram… Vamos reverenciar esta heroína repassando as informações sobre ela.

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O ANJO DO GUETO DE VARSÓVIA

Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações. Mas os seus planos iam mais além… Sabia quais eram os planos dos nazis relativamente aos judeus (sendo alemã!).

Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de sarapilheira na parte de trás da sua caminhonete (para crianças de maior tamanho).

Também levava na parte de trás da camioneta um cão, a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do Gueto. Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.
Enquanto pôde manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2.500 crianças.

Por fim os nazis apanharam-na. Souberam dessas atividades e em 20 de outubro de 1943 Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a infame prisão de Pawiak, onde foi brutalmente torturada. Num colchão de palha, encontrou uma pequena estampa de Jesus com a inscrição: “Jesus, em Vós confio”, e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II.

Ela, a única que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou trair seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Já recuperada foi, no entanto, condenada à morte.

Enquanto esperava pela execução, um soldado alemão levou-a para um “interrogatório adicional”. Ao sair, ele gritou-lhe em polaco: “Corra!”.

Esperando ser baleada pelas costas, Irena, contudo, correu por uma porta lateral e fugiu, escondendo-se nos becos cobertos de neve até ter certeza de que não fora seguida. No dia seguinte, já abrigada entre amigos, Irena encontrou seu nome na lista de polacos executados que os alemães publicavam nos jornais.

Os membros da organização Żegota (“Resgate”) tinham conseguido deter a execução de Irena, subornando os alemães, e ela continuou a trabalhar com uma identidade falsa.

Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, guardadas num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim.

Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir as famílias. A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais, ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.

Em 2006 foi proposta para receber o Prêmio Nobel da Paz… mas não foi selecionada. Quem o recebeu foi Al Gore por sua campanha sobre o Aquecimento Global.

Passaram já mais de 60 anos, desde que terminou a 2ª Guerra Mundial na Europa. Este e-mail será reenviado como uma cadeia comemorativa, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos (inclusive 1.900 sacerdotes católicos), 500 mil ciganos, centenas de milhares de socialistas, comunistas e democratas e milhares de deficientes físicos e mentais e que foram assassinados, massacrados, violados, mortos à fome e humilhados, com os povos do  mundo muitas vezes olhando para o outro lado…

Agora, mais do que nunca, com o recrudescimento do racismo, da discriminação e os massacres de milhões civis em conflitos e guerras sem fim em todos os continentes, é imperativo assegurar que o Mundo nunca esqueça.  Gente como Irena Sendler, que salvou milhares de vidas praticamente sozinha, é extremamente necessária.

“A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância.
Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade.” – Irena Sendler