Por que o neoliberalismo é prejudicial aos BRICS?

Flávio José Bortolotto

Embora a prática seja um tanto diferente da teoria, e na prática nada seja “puro”, a teoria econômica do liberalismo laissez-faire vigorou de Adam Smith (1776) até a megacrise financeira de 1929. Simplificadamente, isso significava Estado federal pequeno, limitado à suas tarefas essenciais (Segurança – Saúde – Educação), o que implica pequena carga tributária. Liberdade de comércio (câmbio livre) e liberdade de fluxos de capitais). Proibida qualquer interferência do governo no funcionamento dos mercados.

Os países inteligentes (Inglaterra – EUA – Países Baixos – Alemanha – França – Suíça… ) aplicaram o Liberalismo Econômico dentro de suas fronteiras e não para fora. Tiveram grande sucesso. Os países tolos o praticaram dentro e fora de suas fronteiras e tiveram decepção, Brasil incluso.

Com a megacrise financeira de 1929, após mais de 4 anos de tentativas sem solução via teoria liberal laissez-faire, o mundo partiu para um liberalismo intervencionista ( baseado nas ideias de Lord Keynes). Basicamente dizia que o governo federal devia ativar a demanda, via déficit fiscal, até atingir o pleno emprego e mantê-lo, criando o Welfare State (Estado do Bem-Estar Social). O Estado deveria intervir nos mercados quando fosse necessário, fomentar o sindicalismo, regular quase tudo.

E da Segunda Guerra Mundial, até 1980, a economia sob o liberalismo intervencionista funcionou muito bem. Crescimento econômico com distribuição de renda e diminuição da pobreza.

Mas acabou a era da carga tributária baixa e o Welfare State não parava de crescer, até que a economia entrou em estagflação (estagnação com inflação). O modelo chegou a um ponto onde se consumia mais do que se Produzia. Se exauriu.

Foi então que na Inglaterra, Margaret Thatcher, e logo em seguida nos EUA, Ronald Reagan, começaram a implantar uma política econômica que os jornalistas chamaram de neoliberalismo (Supply-Side Economics), que atuava pelo lado da oferta, já que o keynesianismo, que atuava do lado da demanda, estava exaurido.

Daí não tem novidade nenhuma, Reduzir o tamanho do Estado e consequentemente a carga tributária, desregular muitos mercados, como o de trabalho etc., reduzir o poder dos sindicatos, diminuir alguns direitos do Welfare State, etc., tudo para ativar a produção.

A economia voltou a crescer e o desemprego diminuiu. Novamente, os países inteligentes aplicaram o neoliberalismo dentro de suas fronteiras, mas não para fora, e os tolos, por dentro e por fora, Brasil incluso. Os que aplicaram o neoliberalismo por dentro e por fora, não defendendo os seus mercados, não controlando os fluxos de capital, não se desenvolvendo de forma autônoma, como o Brasil, entre outros, tiveram uma largada boa, mas depois estagnaram de novo no crescimento de seu padrão de vida.

Para mim, os BRICS não devem se preocupar muito com neoliberalismo etc., mas tratar de desenvolver suas economias de forma o mais autônoma possível, defendendo rigorosamente seus mercados, e controlando mais rigorosamente ainda os fluxos de capital.

Uma economia nacional só se capitalizará, se for baseada na empresa nacional com matriz no País. Ela é que gera tecnologia nacional e grande aumento do padrão de vida, independente de liberalismo intervencionista, neoliberalismo etc.

A hora é de as elites assumirem suas responsabilidades com o país

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Murillo de Aragão

Uma avaliação sobre as elites no Brasil deve partir do pressuposto básico de que existem várias elites, ao contrário do que o pensamento da esquerda tacanha – que se distingue da esquerda esclarecida – tenta fazer crer. A direita, por se considerar parte da elite, não faz grandes reflexões sobre o tema. Pensa que existem dois lados: o de cá e o de lá. É igualmente idiota.

Voltando ao ponto, existem várias elites, que, por delegação, oportunismo ou usurpação, assumem esse papel. Por exemplo, os banqueiros são uma elite, e isso qualquer asno sabe. Os líderes sindicais, que podem ser líderes sem trabalhar, mas mantendo o salário, também são uma elite.

O que faz alguém ser da elite – ou melhor, de uma das elites – é a capacidade de influenciar o destino de seu grupo e, de certa forma, o da nação. Os líderes sindicais do Brasil influenciam as políticas industriais, que mantêm parcos benefícios para a venda de veículos no país.

Como diria Bruce Hornsby, “that’s the way it is”. Elites são elites, e são elas que conduzem o país. Idealmente, dentro dos marcos democráticos que, lentamente, estamos construindo. Quando as elites perdem o controle, novas elites aparecem. Quando funcionam mal, os problemas ficam mais evidentes.

INTERESSES ELITISTAS

O fenômeno “lulista” foi marcado por uma ampla coalizão de interesses elitistas, o que não significa que isso seja, necessariamente, um mal. Lula, por conta de sua imensa habilidade, conseguiu colocar a seu lado todas as elites relevantes para poder comandar o país. Todas. Inclusive a mídia, que, no limite, o poupou no auge do mensalão.

A coalizão das elites elegeu a presidente Dilma Rousseff, que, no início de sua gestão, teve o maior índice de confiança que um chefe de Estado obteve no Trust Barometer da Edelman: mais de 80%. Em sua 14ª edição, o Trust Barometer mediu a confiança de 33 mil brasileiros nas instituições. De lá para cá, por conta de um saco de erros e confusões, a confiança despencou para menos de 35%. Com as elites rachadas, a situação do governo é difícil. Só não é pior porque a oposição é lenta para reagir e pouco criativa ao tentar gerar problemas para o governo.

Na falta de uma oposição mais imaginativa, o governo se encarrega de atirar no próprio pé. Assim, nenhum dos problemas graves da gestão Dilma Rousseff foi causado pela oposição. Nenhum. Chegamos a 2014 com as elites divididas. Assim como os adversários do governo, que irão para a disputa eleitoral com duas candidaturas: Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). O empresariado, com imensa má vontade em relação ao governo, e o mercado financeiro também.

SINDICALISTAS

As confederações sindicais estão divididas. Os movimentos sociais estão funcionando com agendas próprias. O funcionalismo público está voltado para o próprio umbigo e as próprias reivindicações. A desordem que campeia por conta de manifestações de grupelhos deve ter respostas objetivas e uniformes das elites brasileiras. O povo, ao responder que não apoia a violência e as manifestações violentas, já deu sua mensagem.

É hora de as elites sindicais, políticas, econômicas e sociais e o governo darem uma resposta clara em favor da ordem. Nossas lideranças políticas devem dialogar, ao largo da questão eleitoral, em favor da ordem e da democracia. Custou-nos muito chegar aqui. Não é hora de permitir o retrocesso. Qualquer solução fora do campo democrático não interessa. Em especial, ao mais humilde dos brasileiros.

 

Breve reflexão sobre o ensino da História

Pedro Beja Aguiar

Se o Brasil é o único país sul-americano com maior percentagem de negros na população logo após o continente africano, por que, então, nossa cultura e nossa educação ainda necessitam de mecanismos governamentais de inclusão e de facilitação do acesso de afrodescendentes nas escolas e nos empregos?

O significado da nossa luta, não é só em relação ao colonialismo, é também em relação a nós mesmos. Unidade e luta. Unidade para lutarmos contra o colonialista e luta para realizarmos a nossa unidade […]”.A frase de Amilcar Cabral, político guineense que lutou pela libertação de Cabo Verde e Guiné-Bissau do colonialismo português, tem por objetivo destacar duas ideias fundamentais e importantes para a história afro-brasileira e indígena. Ambas necessitam de uma unidade própria nos currículos nacionais de ensino das disciplinas de Ciências Humanas, como também, e principalmente, a História do Brasil necessita de estudos mais profundos sobre as lutas por liberdade e justiça de dois grupos nacionais que o país sempre subjugou à  nota de rodapé nos livros.

AS PRÓPRIAS HISTÓRIAS

A partir da Lei 10.639/03, foi implementada na LDB (Leis de Diretrizes e Bases da Educação) a obrigatoriedade do ensino de estudos afro-brasileiros e africanos nas escolas e academias de ensino. Cinco anos depois, a Lei Nº 11.645/08 tornou obrigatório o ensino de história dos povos indígenas (ou melhor, aborígenes) nas escolas e universidades. Estas leis demonstram a necessidade veemente de tornar público e fundamental, principalmente ao povo brasileiro,  a história não apenas de seus antepassados, como também suas próprias histórias.

Imaginar o índio como um “bom selvagem” rousseauniano ou olhar para o negro africano e imaginá-lo como mais resistente e apto ao trabalho escravo é cometer uma leitura ignorante e antiga que os historiadores e formadores da identidade brasileira cometiam quando do seu tempo, influenciados pelo espaço e época que viveram na história.

ATIVISMO NEGRO

Você pode me inscrever na história/ Com as mentiras amargas que contar/ Você pode me arrastar no pó,/ Ainda assim, como pó, vou me levantar/”. Este pequeno trecho do poema “Ainda assim, Eu me Levanto”, da poetisa e ativista Maya Angelou, publicado no dia 29 de maio na Folha de SP por conta do falecimento dela, ilustra a persistência por uma história contada a partir das lutas negras, não apenas nos EUA, como também no Brasil. História esta que permeia todo o processo de constituição da narrativa nacional brasileira, tanto a partir dos movimentos negros que buscavam uma maior representatividade na política ou na sociedade, como também a atuação dos escravos na composição cultural.

O professor da Faculdade de Educação da UFRJ, Amilcar Pereira, em seu livro “Mundo Negro”, chama atenção para os movimentos negros que desempenharam lutas políticas e repercutiram em diversos jornais estadunidenses, antes da explosão de figuras como Martin Luther King Jr. e Malcom X. E realça a inexistência, ou a pequena menção, da história dos movimentos negros na História do Brasil, não como um apêndice nos livros, mas como parte fundamental e estruturante da História.

“OS PERIGOS DE UMA HISTÓRIA ÚNICA”

Também, da mesma forma como Chimamanda Adichia nomeou sua palestra no programa TED, em 2011, a história de qualquer nação não deve ser contada apenas pela perspectiva de um único ator social, mas de um conjunto amplo de personagens envolvidas e de diferentes camadas sociais. A História do Brasil, bem como a história de qualquer povo ou sociedade, deve ser tecida por uma amálgama de narrativas que coincidem ou não, mas que devem contribuir para um conjunto processual.

As dúvidas que vivemos hoje, as mazelas sociais que identificamos a todo o momento, correspondem ao trato dado ao longo dos tempos. As exclusões sociais existem não apenas no corpo social físico, mas no simbólico, nas narrativas de origem e de história.

 

Ingerências de Lula são nocivas para a democracia e para o país

Valmor Stédile

Quanto à possibilidade de retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à cancha presidencial como candidato do Partido dos Trabalhadores, tenho batido na mesma tecla, questionando o que será pior para o país: o Palácio do Planalto reagir com vazamento de informações contra o assombroso “Volta Lula”, ou o ex-presidente negar de mãos juntas que pretenda ser candidato enquanto alimenta o golpismo por baixo dos panos?

E também não me canso de afirmar que, sendo candidata pelo PT, a presidente Dilma Rousseff poderá surpreender na campanha, porque terá que defender os atos de seu governo em campo aberto, devendo passar por situações em que precisará se diferenciar do antecessor. Isto porque acredita-se que ela enfrentará uma disputa bem mais difícil do que enfrentaria o ex-presidente, contra pelo menos dois outros candidatos com potencial equivalente.

Se Lula entrar no páreo no lugar da atual presidente, por outro lado, é possível que nem disputa tenhamos por artificialismos midiáticos e de marketing ou porque tanto Aécio Neves (PSDB) quanto Eduardo Campos (PSB) foram diretamente beneficiados por ele em eleições anteriores. No estado de Minas Gerais até “aliança branca” ocorreu, os tucanos afrouxaram na eleição presidencial e lulistas praticaram uma oposição consentida.

ENTREGUISMO

O Brasil caminhou entregando de tudo nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva, um governante sucedeu o outro, mas nada reparou e continuou o entreguismo. Dilma começou bem, destoando do antecessor no início do governo com aquela operação Faxina, mas depois foi enquadrada e as coisas vieram mais ou menos como antes. Quem sabe tenham faltado condições objetivas ou coragem a ela para se insurgir naquele momento.

As cúpulas dirigentes do PSDB acharam pouco o governo petista privatizar 51% dos aeroportos e o alto comando do PT não fez nada contra o governo tucano haver privatizado a Companhia Vale do Rio Doce. E por aí vai… No poder, o presidente Lula abriu a Amazônia para grupos estrangeiros e até autorizou o Celso Amorim a subscrever na ONU resolução que confere autonomia e possibilidade de autodeterminação às nações indígenas.

A diferença de resultados das ações deles, no exercício do poder, está apenas no tempo. Se um (o petista) tivesse assumido a Presidência antes, faria a obra do outro (o tucano)… FHLula, FHC e Lula, Lula e FHC andam à beirada do amor mútuo e nem é preciso conhecer o que cada um fez e deixou de fazer ou, afinal, como se entrelaçam nos bastidores, basta acessar o texto de Paulo Ghiraldelli, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ.

Acessem e tirem suas próprias conclusões:

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2013-11-09/fhc-e-lula-lula-e-fhc–na-beirada-do-amor-mutuo.html

Cenas de ciúme do sambista Geraldo Pereira

O compositor mineiro Geraldo Theodoro Pereira (1938-1954), na letra de “Sem Compromisso”, em parceria com Nelson Trigueiro, retrata cenas de ciúme no salão.  Esse samba faz parte do LP Sinal Fechado gravado por Chico Buarque, em 1974, pela Philips.
SEM COMPROMISSO
Nelson Trigueiro e Geraldo Pereira

Você só dança com ele
E diz que é sem compromisso
É bom acabar com isso
Não sou nenhum Pai-João
Quem trouxe você fui eu
Não faça papel de louca
Prá não haver bate-boca dentro do salão

Quando toca um samba
E eu lhe tiro pra dançar
Você me diz: Não, eu agora tenho par
E sai dançando com ele, alegre e feliz
Quando pára o samba
Bate palma e pede bis

Você só dança com ele
E diz que é sem compromisso
É bom acabar com isso
Não sou nenhum Pai-João
Quem trouxe você fui eu
Não faça papel de louca
Prá não haver bate-boca dentro do salão

Quando toca um samba
E eu lhe tiro pra dançar
Você me diz: Não, eu agora tenho par
E sai dançando com ele, alegre e feliz
Quando pára o samba
Bate palma e pede bis

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Dias Toffoli arquiva no Supremo um inquérito contra José Sarney

Deu em O Tempo

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli acolheu um parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e arquivou um inquérito que investigava o senador José Sarney (PMDB-AP) numa suposta irregularidade envolvendo o Banco Santos.

Sarney era investigado por ter ligações pessoais com o controlador do Banco Santos, Edmar Cid Ferreira, e ter feito um saque de mais de R$ 2 milhões um dia antes do Banco Central decretar intervenção na instituição. Devido a isso, o Ministério Público em São Paulo viu indícios de uso de informações privilegiadas e crime contra o sistema financeiro.

Apesar da posição do Ministério Público em São Paulo, Janot, ao analisar o material, redigiu um parecer pelo arquivamento por entender que Sarney não teria sido enquadrado corretamente em crime.

Além disso, mesmo se fosse punido, os supostos crimes contra o sistema financeiro já estariam prescritos, pois o caso aconteceu em 2004 e Sarney já tem mais de 70 anos -o que reduz os prazos prescricionais pela metade.

Toffoli concordou com Janot e determinou o arquivamento do inquérito.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGE ainda chamam isso de Justiça… A existência de crimes que prescrevem (não são punidos) por decurso de prazo significa a total desmoralização da Justiça. Tenho vergonha desse estado de coisas. Um país onde não se pode confiar na Justiça não merece ser considerado uma nação, se é que vocês me entendem, como dizia meu genial amigo Maneco Muller, Jacinto de Thormes. (C.N.)

 

Que tal debater o que é direita, esquerda e centro na política de hoje?

Antonio Fallavena

Um oportuno comentário de Caio Efrom abre as portas para retomarmos, aqui mesmo na Tribuna da Internet, um debate sério e profícuo sobre definições e práticas do que seja “direita, centro, esquerda” e outros rótulos.

Não fiquemos surpresos quando surgirem as definições “criadas” por alguns que pensam deter conhecimentos sobre o tema. Vamos abrir esta caixa “fétida da política nacional”. Veremos que alguns partidos sumirão, como que por encanto, instantaneamente. Outros lembrariam o famoso “leite Glória”- aquele que desmanchava sem bater. Infelizmente, conhecimento não é vendido como figurinhas da Copa.

Gostaria muito que meu país tivesse um povo que cuidasse do nacionalismo, da ética e soubesse escolher melhor seus dirigentes. Alguma dúvida de que todos os partidos cheiram mal? Alguma dúvida de que os últimos governos – pelo menos nos últimos 30 anos, cometeram erros e aprofundaram a corrupção no País?

POLÍTICOS SEM CARÁTER

Jamais defendi ou defenderei políticos sem caráter, patifes, cafajestes ou corruptos. As acusações que pairam sobre os dois governos petistas, por exemplo, não foram desmentidas. Os malfeitos de Lula/Dilma continuam debaixo dos tapetes. Até podem continuar lá.

Pergunto – por que os dois, que são acusados, insultados, vaiados e em cujas honras são lançadas dúvidas, seriíssimas dúvidas, não processam seus acusadores? No fundo, falta caráter aos dois. Lula mente faz muito tempo. Dilma não precisa mentir – ela acredita no que diz!

A política foi criada para ajudar o povo a administrar suas coisas e ser feliz. Transformou-se em lixo pelo conjunto dos políticos e da sociedade. Quero e espero assistir a todos serem julgados e os inocentes, preservados.

Se alguém quer pôr a mão no fogo pelos políticos, não sou eu!

CUT e PT perdem eleição nos fundos bilionários Previ e Funcef

Deu no Estadão

O governo sofreu esta semana a segunda derrota significativa em um fundo de pensão desde que o PT chegou à Presidência da República em 2002. Por cerca de 9 mil votos, a chapa apoiada pelo Planalto perdeu a eleição na Fundação dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), maior fundo do País, com um patrimônio de R$ 170 bilhões.

Na semana passada, uma chapa formada por auditores da Caixa Econômica Federal já havia vencido a disputa para representantes eleitos do Fundo de pensão do órgão, a Funcef, o terceiro maior do Brasil. O grupo levou a melhor frente a representantes mais tradicionais no cenário político dos fundos de pensão.

Para um ex-executivo da Previ, o resultado dessas eleições mostra um esgotamento do modelo de gestão do PT e uma insatisfação muito grande com o posicionamento dos sindicatos nos últimos anos. “Houve uma grande rejeição aos sindicatos, especialmente nos votos dos aposentados”, disse.

A chapa apoiada pelo governo na Previ tinha como base nomes ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).

(texto enviado por Celso Serra)

Procuradoria acusa por improbidade o ex-senador Gilberto Miranda e o ex-número 2 da AGU, Weber Holanda, mas Rose escapou desta…

Fausto Macedo
Estadão

A Procuradoria da República em São Paulo ingressou na Justiça Federal com ação civil pública de improbidade contra o ex-senador Gilberto Miranda, o ex-número 2 da Advocacia Geral da União (AGU, José Weber Holanda Alves, e mais 4 acusados, todos servidores públicos, de irregularidades envolvendo a concessão para uso da Ilha das Cabras, imóvel público federal no município de Ilhabela, litoral norte de do Estado.

Esta é a segunda ação por improbidade no âmbito da Operação Porto Seguro, investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Deflagrada em novembro de 2012, a Porto Seguro tem como alvo principal a ex-chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, que assumira o cargo em 2003 por indicação do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Rose já é ré em ação criminal na 5.ª Vara Federal, acusada formalmente por quadrilha, tráfico de influência e corrupção passiva. Ela teria atuado decisivamente em favor de uma organização criminosa que negociava documentos de repartições da União para favorecer empresários, entre eles o ex-senador Gilberto Miranda. Nesta ação por improbidade ela não é citada, mas o ex-senador está denunciado.

PERDA DOS BENS

O Ministério Público Federal pede que todos sejam condenados à perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio; ao ressarcimento integral do dano, acrescido de juros e correção monetária; à perda da função pública; à suspensão dos direitos políticos por até dez anos; ao pagamento de multa de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial; à proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. O valor atribuído à causa é de R$ 16,8 milhões.

Além do ex-senador e de Weber Holanda são acusados os servidores da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) Evangelina de Almeida Pinho e Mauro Henrique Costa Souza e os irmãos Paulo Rodrigues Vieira e Rubens Carlos Vieira, ocupantes de cargos de direção respectivamente na Agência Nacional de Águas (ANA) e na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Segundo a Procuradoria da República, a nova ação revela atos praticados por um grupo de servidores públicos federais para favorecer Miranda e sua empresa, a Bourgainville Participações e Representações Ltda. “Ele (Miranda) teve garantido, de forma indevida, o direito de utilizar para fins particulares a Ilha das Cabras”, sustenta a Procuradoria. Em 2009, o valor da ilha era de R$ 1,2 milhão.

ATORES CENTRAIS

São apontados como “atores centrais” dos atos de improbidade que visavam o favorecimento particular do ex-senador e sua empresa o então adjunto do advogado-geral da União José Weber Holanda Alves e os demais servidores. São citados também  os advogados Marco Antônio Negrão Martorelli e Patrícia Santos Maciel de Oliveira

A Procuradoria indica que o grupo atuou em duas frentes para defender os interesses particulares do ex-senador na Secretaria do Patrimônio da União e na AGU. O plano era assegurar a Gilberto Miranda o aforamento gratuito da Ilha das Cabras e garantir o ingresso da União em um processo movido contra o ex-senador, em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

O enriquecimento ilícito de todos os réus ainda está sendo apurado, em diversos processos administrativos e judiciais.

Com a saída de Barbosa, PT está confiante na autorização de trabalho para Dirceu, Delúbio etc

Deu na Agência Estado

O presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP), disse nesta sexta-feira  acreditar que o ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado José Dirceu (PT-SP) terá mais chance de conseguir autorização para trabalhar após a saída do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa. “Embora o ministro Marco Aurélio (Mello) tenha recusado, liminarmente, eu acredito que pode predominar no Supremo a orientação que vigora há muitos anos de que aqueles que são condenados ao regime semiaberto têm o direito de trabalhar”, disse Falcão.

Na terça-feira (27), Mello rejeitou ação na qual o partido pedia ao STF que reconhecesse o direito ao trabalho de presos do sistema semiaberto, independentemente do tempo de pena cumprido. Em decisão anterior, Barbosa havia negado a Dirceu a autorização de trabalhar, com base no artigo 37 da Lei de Execuções Penais, que dá permissão para a atividade externa apenas a partir de cumprimento mínimo de um sexto da pena.

“Nós fizemos, através do advogado em Brasília, uma consulta ao Supremo sobre a validade ou não do artigo 37”, afirmou o presidente nacional do PT e deputado estadual por São Paulo, dizendo que ainda espera resultado dessa consulta. Sobre uma possível decisão favorável ao direito de Dirceu trabalhar fora da prisão, disse: “Seria uma situação que tem prevalecido no Judiciário brasileiro e, estranhamente, foi modificada agora com o despacho monocrático do ministro Joaquim Barbosa.”

VAI PARA O EXTERIOR…

Falcão não quis avaliar a atuação do presidente do STF, mas comentou as especulações em torno dos próximos passos dele. “Li nos jornais que ele pretende ver a Copa e ir para o exterior depois, não participando do processo político nacional.”

Se isso seria uma boa notícia para a legenda, evitando a aproximação da figura de Barbosa a candidatos de oposição à presidente Dilma Rousseff (PT), pré-candidata à Creeleição, respondeu: “Isso não é nem positivo nem negativo. É um direito dele ter posições políticas, fazer o que ele bem entender”. Falcão foi questionado em tom de brincadeira, se aceitaria uma filiação de Barbosa ao PT. “Eu só respondo essa questão se houver um pedido de filiação o que até o momento não ocorreu. As pessoas que queiram aceitar o programa do PT podem se filiar livremente.”

Maluf chama Lula de “grande estadista” e diz que Dilma vence no primeiro turno

Paulo Maluf celebra a união com o candidato do PT em São Paulo, Alexandre Padilha Foto: Michel Filho / O Globo

Tatiana Farrah
O Globo

Chamando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “grande estadista” e afirmando que a presidente Dilma Rousseff será reeleita no primeiro turno, o deputado Paulo Maluf selou nesta sexta-feira a aliança do PP com o petista Alexandre Padilha, que concorrerá ao governo paulista. Petistas e Maluf posaram para fotos sem constrangimentos na Assembleia Legislativa, repetindo as cenas polêmicas da eleição municipal, quando Maluf recebeu em sua casa Lula e o então candidato Fernando Haddad. Dessa vez, o ex-presidente Lula não participou da foto.

O acordo deve render 1min15 a mais para o programa de TV de Padilha. A expectativa é que o petista tenha mais tempo de televisão do que Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição. A estratégia é importante para fazer com que o ex-ministro seja mais conhecido pelo eleitorado de São Paulo.

Para Padilha, a aliança seria alvo de críticas de quem, “até quatro dias atrás”, esperava uma aliança com o PP. O petista se referia à participação do partido de Maluf no governo de Geraldo Alckmin, candidato à reeleição pelo PSDB. Ontem, correligionários de Maluf deixaram o governo tucano. O deputado, que responde a processos por corrupção e crimes financeiros, “rifou” rapidamente os ex-aliados tucanos, criticando a segurança pública e a falta de investimentos no sistema de abastecimento de água. Aplaudido pelos petistas, Maluf disse que Dilma será reeleita no primeiro turno.

FALCÃO SEM CONSTRANGIMENTO

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse que não há constrangimento em aparecer em fotos ao lado de Maluf, que já foi um dos maiores adversários dos petistas. Segundo ele, fotos são feitas todos os dias, “com selfies em celulares”. Falcão também corrigiu a afirmação de Maluf de que Dilma teria 14 minutos de TV. Pelas contas do PT, se o PR confirmar a aliança, o PT terá 12 minutos.

Participaram do evento desta sexta-feira, além de Maluf, Ciro Nogueira, Padilha e Falcão, o ex-ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, do PP, o ministro Ricardo Berzoini, de Relações Institucionais, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), que participará da coordenação da campanha de Dilma, e Emídio de Souza, presidente estadual petista.

O PP de Maluf havia apoiado o PT nas eleições municipais, em 2012, quando Fernando Haddad foi eleito. Na ocasião, Haddad e o então presidente Luíz Inácio Lula da Silva tiveram que ir até a casa de Maluf, nos Jardins, bairro nobre na zona sul da capital paulista, onde foram fotografados juntos, para fechar a aliança.

O episódio gerou descontentamento de parte da militância petista, que sempre viu Maluf como adversário. Depois do aperto de mão, Maluf só voltaria a aparecer publicamente ao lado de Haddad na festa da vitória.

Em contrapartida pelo apoio, o prefeito aceitou a indicação do PP para a Secretaria de Habitação, comandada pelo empresário José Floriano de Azevedo Marques Neto. A área tem sido alvo de protestos constantes de movimentos de moradia.

O petróleo tem de continuar sendo nosso

Sandra Starling

Acompanho os anúncios dessa novela chamada “CPI da Petrobras”. Quantos capítulos terá? Qual será, afinal, o enredo? Quem é o vilão? Conseguirá chegar ao fim depois de uma Copa do Mundo e da campanha eleitoral? Não sei.

É difícil imaginar que numa empresa como a Petrobras não possam ocorrer irregularidades, que não haja traços de tráfico de influência em suas rotinas, uma vez que interesses políticos motivam as indicações de seus diretores. Quem não se lembra das dificuldades de FHC em afastar Joel Rennó de sua Presidência por conta das resistências do PFL? Será que já nos esquecemos do ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti, reivindicando o direito de apontar o responsável por aquela diretoria “que fura poço”?
O que mais me irrita é que toda essa trapalhada dos governos Lula e Dilma em torno da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, sirva para alimentar os interesses dos oligopólios internacionais, como sói acontecer.

A capacidade de essas petroleiras se imporem não pode ser desprezada. João Goulart disse, à beira do túmulo de Getúlio Vargas, em agosto de 1954, que dirigentes de petroleiras internacionais tinham as mãos sujas de sangue porque, menos de um ano antes de seu suicídio, o presidente da República instituíra o monopólio estatal da exploração das jazidas existentes no território nacional. O próprio Jango seria deposto, em 1964, pouco mais de três meses após estender o monopólio estatal para a importação e exportação de petróleo e derivados.

AS SETE IRMÃS

Desde a década de 1920, Standard Oil, Shell, Texaco e Atlantic criavam todos os tipos de dificuldade ao domínio do ciclo do petróleo pelos brasileiros. Mesmo com a vaga nacionalista dos anos 30, Getúlio Vargas se ajustava aos interesses das grandes irmãs. Basta lembrar que, desde 1938, o general Horta Barbosa, presidente do Conselho Nacional do Petróleo, insistia na adoção do monopólio estatal de exploração, aos moldes do que vira na Argentina e no México, mas isso só viria a ocorrer com a sanção da Lei 2.004, de 3 de outubro de 1953, após fabulosa campanha popular.

Tudo isso posto, creio que as multidões que tomaram gosto por ir às ruas deveriam pautar a defesa de uma Petrobras genuinamente voltada para os interesses de nosso povo. Tenho dúvidas se o acerto entre nossa estatal, os chineses e duas petroleiras ocidentais para a exploração do pré-sal, como vimos no primeiro leilão sob regime de partilha, nos proporcionará os melhores resultados. Mas é melhor do que a concessão pura e simples.

Enfim: que possa o povo se articular novamente em comitês populares na defesa do petróleo e ir maciçamente às ruas para proteger a Petrobras da cobiça externa e de políticos inescrupulosos. Como foi feito na memorável jornada “O petróleo é nosso”, de que apenas ficou, como registro – lamentável – a perseguição sofrida pelo comitê mineiro, quando à época governava Minas Gerais Juscelino Kubitschek! Que ninguém se esqueça de nossa história. (transcrito de O Tempo)

 

Por que ninguém busca a verdade dos falsos guerrilheiros cooptados ou infiltrados pelos militares

Antonio Santos Aquino

Por mais fechado que seja um regime, sempre escapa alguma coisa revelada pelos próprios atores das atrocidades, sejam militares ou não. Cabe a quem sabe ou ouve por interpostas pessoas e se interessa, como é meu caso, ficar atento para no decorrer do tempo formar um juízo dos acontecimentos, que, se bem aproveitados, podem chegar a uma conclusão muito próxima da verdade.

Documentos, fotografias, gravações, eu não tenho. Acreditar ou não no que escrevo, para mim não faz diferença. Eu não invento nada. Posso até pintar o pavão com cores diferentes, mas o pavão existe. Quanto aos guerrilheiros, tenho muito mais conhecimento dos “falsos guerrilheiros” que desfilam na passarela da fama política. Estão aí falando coisas que nunca fizeram. Quase todos cooptados (comprados) pelos militares.

Uma perguntinha ingênua: Você acredita que Dirceu foi guerrilheiro? Cláudio Fonteles, insuspeito diz: Dos 26 guerrilheiros que voltaram de Cuba 23 foram mortos pelos militares. Sem dúvida, tinha entre eles um delator. Dirceu esteve em Cuba e não foi morto. É chato falar isso, não é? Mas é a pura verdade.

COOPTAÇÃO

Os militares podem ter sido tudo, menos burros. Todos os movimentos guerrilheiros ou de contestação ao regime, tanto no Brasil como no exterior, foram infiltrados por gente cooptada. Tenho 82 anos, o suficiente para saber de muita coisa acontecida no “período revolucionário de 1964″ que até hoje nunca foi falada ou ventilada por ninguém.

Quase sempre as pessoas que se prestam para o infame papel de torturadores, são psicopatas e se vangloriam, exagerando e fantasiando o que fizeram. É sabido, porém, que o DOI-CODI, CENIMAR e CISA, convocaram delegados, PMs e Bombeiros de diversas patentes e graduações, para o infame papel de interrogadores, carrascos e outros serviços sujos, como ocultação de cadáveres.

Vejam o caso Rubem Paiva, que está há muito tempo na mídia, e agora são denunciados cinco oficiais como seus torturadores e assassinos. Não tenho como acreditar que esses militares tenham chegado a torturar Rubem Paiva. Rubem foi entregue no DOI-CODI agonizante, tinha sido barbaramente espancado pelo brigadeiro Burnier na 3ª Zona Aérea. Tanto é assim que noticiaram a farsa que Rubem tinha sido sequestrado. Aparece muitos anos depois um oficial dizendo que foi no Alto da Boa Vista, o que não deixa de ser uma bruta mentira. O Alto da Boa Vista fica a um quilometro e meio do DOI-CODI da Barão de Mesquita. Obrigatoriamente, teriam que passar primeiro no DOI-CODI.

DELEGACIA DO ALTO DA BOA VISTA

Sem esquecermos que no Alto da Boa Vista tinha a “famosa” Delegacia que servia de prisão para acusados de subversão. Só como exemplo: Lá ficou até “fugir” o tristemente famoso “cabo Anselmo”. Ali no Alto da Boa Vista é que foi entregue o cadáver de Rubem Paiva para ser ocultado.

Eu escrevi para um senador dando o nome do delegado que comandava aquela delegacia, dizendo que bem interrogado poderia esclarecer o destino do cadáver de Rubem. O senador retornou dizendo mandara minha carta para Polícia Federal. Escrevi porque ele em entrevista dissera que tinha interesse em descobrir o destino do corpo de Rubens. Depois disso, escrevi para Cládio Fonteles, que não demorou saiu da presidência da Comissão da Verdade.

Não me propus a prestar depoimento e nem dei informação ou informe. Relatei como cheguei a entender de que o sendero que poderia chegar ao cadáver de Rubens poderia começar no delegado que chefiava a delegacia do Alto da Boa Vista. Fiquei quinze anos hesitando em escrever pensando em minha segurança e de minha família. É uma situação muito problemática, mas agora está feito. Mesmo que a Comissão chegue a outra conclusão, eu particularmente acho que é uma farsa.

À sombra das chuteiras milionárias

Jacques Gruman

Paixão gruda feito asfalto quente. Quem experimentou, sabe como é difícil largar uma. Passa o tempo e estilhaços grudados, persistentes, teimam em marcar presença. Como disse o Mário Quintana: Eu, agora – que desfecho !/Já nem penso mais em ti …/Mas será que nunca deixo/De lembrar que te esqueci ? Boleiros sabem do que estou falando. Apesar da mercantilização do futebol, é praticamente impossível ignorar o clube ao qual nos ligamos na infância. A razão mostra um mundo de cifrões e lógica empresarial, camisa transformada em adereço de aluguel. A fibra cardíaca, no entanto, é cega e onírica. Prefere evocar tempos que já passaram. O Menino ia ao Maracanã sem medo, não precisava olhar para os lados, temer arrastões. Via Almir Pernambuquinho enfiar a cara na lama para marcar um gol (http://www.youtube.com/watch?v=rDSPizjECuQ), Carlos Alberto esquecer uma contusão grave na perna e dar um drible da vaca no adversário. A camisa tinha peso e criava vínculo com a torcida. Alguém apostaria hoje na renovação desta relação afetiva, que transbordava para a seleção brasileira ?

Piso em terreno minado. Falar de Copa do Mundo, por incrível que pareça, já saturou meio mundo. Já houve época em que os preparativos da seleção para uma Copa eram acompanhados de perto pela torcida. Os jogadores se concentravam numa estação de águas em Minas ou em alguma cidade da região serrana do Rio. Vinham todos de clubes brasileiros, o que, se por um lado acirrava bairrismos, por outro davam uma cara familiar ao selecionado. Era comum baterem papo com torcedores, sem pressa ou receio. Vejam as fotos de então. Todos pareciam descontraídos, sem o peso de contratos leoninos por baixo do uniforme. Agora, olhem para a Granja Comary. Parece um bunker com requintados recursos tecnológicos.

O esquema de segurança conta com homens do Exército (!), Polícia Federal, Abin (!) e Polícia Militar, além de seguranças privados contratados pela CBF. São cem ao todo, apenas um pouco menos do que o efetivo da UPP do morro Dona Marta, em Botafogo, que tem 60 mil moradores. Barreiras isolam a granja e tudo que esteja num perímetro de 500 metros da porta de entrada estará sujeito a revista. Nenhum torcedor poderá se aproximar das nossas celebridades, quero dizer, dos milionários jogadores, que casualmente falam português. É um mistério, que a paixão explica mas não justifica, ainda haver gente que se sinta representada por esse exército blindado contra o povo.

SEM MOTIVAÇÃO

As ruas estão carecas, sem enfeites. Faltando pouco para o torneio, material ligado à Copa encalha nas lojas, pouquíssima gente discute escalações, há um clima de apatia no ar. Em Teresópolis, uma réplica da Taça Fifa (será que vou ser processado por quebra de copyright ?) foi queimada. Tudo parece organizado em outra esfera planetária. A Fifa é a grande beneficiária da farra. Envolvida em grandes escândalos de corrupção, garante lucros milionários para seus poderosos patrocinadores. Transformou a Copa no Brasil no que um estudioso classificou como evento essencialmente corporativo.

Nossas autoridades, pateticamente, gritam que esta será a Copa das Copas (sic), sem indicar o que isso significa. A qual padrão se referem ? Será ao inchaço do número de sedes, que nos legará uma coleção dispendiosa de elefantes brancos ? Será à melhoria dos serviços urbanos, prometida e jamais cumprida ? Lembrai-vos dos Jogos Panamericanos de 2007, que deixou ruínas e instalações abandonadas. Sem luta popular, nossas autoridades teriam beijado a bainha da calça de dona Fifa e destruído, no Rio, o Museu do Índio, o Parque Aquático Júlio de Lamare e uma escola municipal, para construir …. um estacionamento!

MARACANÃ

A decisão de construir um estádio municipal no Rio para a Copa de 1950 não foi um edito imperial. Passou por um amplo debate na imprensa, com destaque para o Jornal dos Sports e o jornalista Mário Filho, e na Câmara dos Vereadores. A ideia, que se materializou em seguida, era facilitar o acesso da massa ao futebol, que crescia em popularidade. Durante décadas, ir ao Maraca não foi privilégio das elites. Até o Menino, filho da classe média baixa, podia sentar numa arquibancada sem sangrar o orçamento da família.

Depois de duas reformas saudadas por grandes empreiteiras, em 2007 e agora, o velho estádio teve sua capacidade reduzida em mais de 60% e os ingressos majorados para valores astronômicos. Falta colocar um tapete vermelho ao lado da estátua do Belini. Na inauguração do Itaquerão, em São Paulo, os ingressos populares (sic) custaram R$ 50. A conta é simples: um pai e um filho assistiram a partida Corinthians e Figueirense pela mixaria de uns R$ 120 (considerando transporte e um mate per capita). Clássicos do campeonato nacional têm tido público ridículo. Talvez este seja um dos grandes legados da Copa: elitização de um esporte que, no Brasil, sempre teve cara de povão.

O oportunismo político-eleitoral quer mascarar um dos maiores descalabros da Copa das Copas: a construção de estádios em cidades sem qualquer tradição futebolística. O exemplo mais constrangedor é Manaus. Merece o rótulo de “babaquice”, que Lula usou em outras circunstâncias (para ridicularizar o desejo de mais conforto no transporte metroviário). A Arena da Amazônia tem mais de 40 mil lugares. O campeonato amazonense tem média de público inferior a mil torcedores. Juntando todas as partidas do campeonato de 2013, mal se ultrapassou a capacidade da tal Arena. Um monumento indecente ao desperdício.

O custo de manutenção do estádio equivale ao do Engenhão, no Rio. Isso num estado pobre, assolado por carências de todo tipo. O ministro Aldo Rebelo publicou documento consternador, “justificando” a construção da Arena como meio para dar mais visibilidade à Amazônia e suas peculiaridades, entre elas a gastronomia. O oficialismo cobra seu preço em déficit neuronal.

LEMBRANDO NELSON

A cereja deste bolo indigesto foi a exumação de Nelson Rodrigues para enfunar as velas do barco patrioteiro. Com forte aroma de Brasil Grande e uniforme verde-oliva, o cronista que deu um banho de loja no ditador Médici e na ditadura, que, entre outros crimes, massacrou militantes e dirigentes do PCdoB no Araguaia e no bairro paulista da Lapa, retorna como chefe de torcida. O dramaturgo que inovou o teatro brasileiro tinha gosto especial pelas hipérboles e por frases de efeito. Faço um pequeno apanhado de algumas delas, autoexplicativas:

“Foi a vitória do homem brasileiro, ele sim, o maior homem do mundo” (sobre a conquista do bicampeonato mundial, no Chile; O Globo, 18/6/1962).

”O craque brasileiro é muito mais doce, mais educado, mais cavalheiresco do que o europeu” (18/10/1967)

“Eu acho que, até 2000, o Brasil será o que são hoje os Estados Unidos e a Rússia” (O Globo, 31/5/1975)

“”Sou um dos poucos cronistas que aceitam a patriotada com a maior satisfação” (O Globo, 23/7/1977)

“Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer” (s/d)

É neste clima pré-histérico e amnésico que os de cima querem que entremos. Que nos transformemos, à moda do Nelson, em lorpas e pascácios. Sei muito bem que algumas vitórias da seleção e o vértice da bipolaridade vai pra cima. Se for campeã, virão os engenheiros de obras prontas, apontarão o dedo e gritarão: Xô, pessimistas ! Nós é que estávamos certos.

Esta é uma das grandes tragédias nacionais: a memória curta. O que comentei independe do que vai acontecer durante a Copa. Em nome de um nacionalismo maroto e em grande parte sem sentido, somos catequizados para participar de um ritual liderado por ratazanas gulosas e esvaziado. Melhor dizendo: que só a paixão consegue manter em pé. Quanto tempo durará?

(artigo enviado por Mário Assis)

O amor simples e poético de Adélia Prado

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “Simplesmente Amor”, afirma que amor é o seu maior desejo na vida.

SIMPLESMENTE AMOR
Adélia Prado

Amor é a coisa mais alegre
Amor é a coisa mais triste
Amor é a coisa que mais quero
Por causa dele falo palavras como lanças

Amor é a coisa mais alegre
Amor é a coisa mais triste
Amor é a coisa que mais quero
Por causa dele podem entalhar-me:
Sou de pedra sabão.

Alegre ou triste
Amor é a coisa que mais quero.

    (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

 

Dilma poderá ter 12 minutos no horário eleitoral

Com a confirmação de que o PP vai apoiar sua candidatura à reeleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) contará com tempo recorde de seu partido na propaganda no rádio e na TV. Se os apoios à petista anunciados até então permanecerem durante as convenções partidárias, Dilma levará ao ar um programa de 12 minutos e três segundos, praticamente três vezes maior do que o de seu adversário Aécio Neves (PSDB). O tucano conta, até agora, com quatro minutos e 19 segundos.

O presidenciável tucano tenta agir em duas frentes para diminuir essa disparidade quando a campanha começar nos horários nobres da TV e do rádio. A primeira delas é convencer o PSD a apoiá-lo formalmente – ou, no mínimo, se declarar neutro e não aderir à coligação da petista.

Para isso, Aécio conversa com o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, filiado ao PSD, para que ele ocupe a vaga de vice em sua chapa. Caso o tucano seduza o partido do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, tiraria de Dilma um minuto e 27 segundos na TV – ou seja, a diferença cairia de oito para cinco minutos. O PP era outro alvo do PSDB até ontem, quando anunciou apoio à reeleição de Dilma.

A outra estratégia do senador é atrair seis partidos “nanicos” para engordar sua aliança. Somados, PTN, PTC, PTdoB, PMN, PSL e PEN poderiam dar, juntos, cerca de 20 segundos a mais ao tucano.

MAIS TEMPO

Com apoio de outras nove legendas (o mesmo número que em 2010), a tendência é que Dilma amplie sua exposição durante a propaganda eleitoral, em comparação com as últimas eleições. Em 2010, ela tinha direito a dez minutos e 38 segundos, e seu adversário José Serra (PSDB), que contava com outros cinco partidos em sua coligação, conseguiu sete minutos e 18 segundos.

O presidenciável do PSB, Eduardo Campos, conseguiu, até o momento, angariar o apoio do PPS, PRP e PHS, o que lhe renderia um minuto e 49 segundos. No entanto, o socialista encontra dificuldades de obter apoio de outras siglas. Se esse quadro for confirmado, Campos terá menos da metade do tempo de Aécio e cerca de um sexto da propaganda de Dilma.

A disparidade entre as três candidaturas é medida pelo peso dos partidos que compõem cada uma das coligações na Câmara dos Deputados. A de Dilma (formada por PT, PMDB, PCdoB, PROS, PTB, PP, PSD, PR, PRB e PDT) conta com 357 dos 513 deputados federais. Já na de Aécio, são 99 os parlamentares do PSDB, DEM e Solidariedade. Campos possui uma base de 33 deputados.

DIVISÃO DO TEMPO

 A propaganda para presidente é dividida em dois blocos diários de 25 minutos cada. Um terço desse tempo, ou seja, oito minutos e 20 segundos, é dividido igualmente entre todos os candidatos. Hoje, são 11 os que pretendem disputar o cargo. 

O restante do tempo da propaganda eleitoral, 16 minutos e 40 segundos, é divido conforme o tamanho da bancada de cada partido que compõe cada coligação na Câmara.

O Tribunal Superior Eleitoral realiza sorteio para definir a ordem em que cada candidato aparece no programa eleitoral.