Balanço dos manifestantes detidos nos protestos contra a Copa: 161, dos quais 146 em São Paulo

Deu no Yahoo

Pelo menos 161 pessoas foram detidas neste sábado acusadas de participar de distúrbios ocorridos nas manifestações que aconteceram em diferentes cidades em protesto contra a organização da Copa do Mundo.

Em São Paulo, 146 pessoas foram detidas,  após as manifestações registradas na capital paulista, e que terminaram com confrontos entre a Polícia e os manifestantes, informou a Polícia Militar (PM) através de sua conta no Twitter. E todos já foram soltos.

Em Natal, 15 pessoas foram aprisionadas pelos protestos registrados em frente do estádio Arena das Dunas, inaugurado na quarta-feira passada pela presidente Dilma Rousseff.

Um grupo de manifestantes tentou invadir o estádio, danificou uma arquibancada de acesso ao local e ateou fogo em uma loja utilizada pelos trabalhadores da recém inaugurada obra, informou a “Folha de São Paulo”. De acordo com as autoridades, 15 pessoas foram detidas por tal ação.

As manifestações começaram de forma pacífica na maior parte das cidades, embora tenham terminado com alguns focos de violência em algumas delas.

Dilma saiu pelos fundos do hotel em Lisboa, para escapar da imprensa

Fag Souza

A presidente Dilma Rousseff e sua grande comitiva pararam em Lisboa, para um suposta escala técnica, depois do evento em Davos, na Suíça. Mas tentaram manter em segredo tal parada. Até porque não foi bem uma escala técnica, afinal ocuparam – por uma noite – uns 45 apartamentos de 2 luxuosos hotéis de Lisboa. Inclusive Dilma ficou numa caríssima suíte presidencial.

E hoje fico sabendo que a “turma toda” resolveu – agora de manhã – ir embora pelas portas dos fundos dos hotéis, para evitar a imprensa, usando de um discreto e eficiente aparato de segurança.

Governante que vai à Suíça tentar aumentar a credibilidade internacional do Brasil, não acaba perdendo um pouco de sua credibilidade, ao fugir da imprensa, dessa maneira, pelos fundos???

Quem se importa?

Agostinho Vieira
(Blog ecoverde)

Da esquina já dava para ver uma fila na porta. Umas doze pessoas, pelo menos três com mais de sessenta ou setenta anos. Espera de meia hora, avisou o último. Não era uma repartição pública, uma agência do INSS, mas uma loja da Light, empresa privada que declara ter a missão de “prover energia e serviços com excelência e de forma sustentável, contribuindo para o bem-estar e o desenvolvimento da sociedade”.

Do lado de dentro, a menos de dois metros do primeiro da fila, duas fileiras de cadeiras azuis, parecendo novas, permaneciam vazias. Por que não estão todos esperando sentados, como sugere o ditado? Não dá. É preciso passar por uma triagem. Dois funcionários educados e sonolentos decidem o que será feito da sua vida. E os velhinhos? Também aguardam em pé. Assim como as cadeiras, tudo parecia novo e funcionando. O ar-condicionado, os computadores, os uniformes, o discurso. Organizadamente indiferente, insensível. Quem se importa?

Muito já se escreveu sobre a baixa qualidade dos serviços no Brasil, de um modo geral, e do Rio, em particular. Dizem que será a nossa grande vergonha durante a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Não estamos preparados. Há quem resuma tudo a um problema de governo, dos órgãos e dos funcionários públicos. Eles seriam mal pagos, preguiçosos e teriam a sua ineficiência protegida pela estabilidade. Uma mistura de clichês, generalizações e algumas verdades. Não é tão simples assim.

E A GENTILEZA?

Se tudo ou quase tudo funcionava na privatizada e terceirizada loja da Light, por que ninguém pensou em incluir um sorriso no rosto dos funcionários? Por que ninguém tomou a iniciativa de romper com o regulamento, ser gentil com os clientes e deixá-los sentar? Talvez porque exista um sentimento generalizado de que está tudo uma droga. Nada funciona, ninguém liga, não aconteceu no meu horário, não é comigo. Uma espécie de síndrome da hiena Hardy do desenho animado: “Oh vida! Oh azar! Isso não vai dar certo”. Assim, vale a lei de murici e cada um que trate de si.

O motorista que dirige pelo acostamento para chegar antes, o que fecha o cruzamento para avançar 52 centímetros e atrapalha a vida de todos, os que usam a buzina como acelerador. Não faltam exemplos. Se cada um pensar um pouco terá logo uma lista de dez práticas que mostram o egoísmo, a falta de educação e de civilidade dos outros. Nunca as nossas, é claro. Se o mundo fosse governado por nós e por alguns dos nossos amigos, não todos, ele seria perfeito.

Por que recolher o lixo que levo para a praia se mais ninguém faz isso? Não dá para carregar barraca, toalha, cadeira, fugir da areia quente e ainda levar as garrafas vazias e os restos de comida. Mas, em um dia foram 40 toneladas de sujeira, uma montanha. Viu? Vi. Esse pessoal é muito porco mesmo. Tem também os limpinhos. Aqueles que lavam a calçada com a mangueira, os que tomam banho de 40 minutos. Se faltar água não é por minha culpa. Esse governo é muito incompetente.

TODOS IGUAIS

A questão é que os governos incompetentes, os políticos corruptos e os maus empresários vieram todos da mesma sociedade, com as mesmas regras de convivência, mesmo erros, acertos e indiferenças. Talvez tenham visto seus pais mentirem, serem imprudentes no trânsito e desperdiçarem água e energia. Podem ter tido um professor que depois da aula de geografia jogou o cigarro aceso no chão.

Quem não assina a carteira da emprega doméstica hoje, talvez amanhã não veja problema em ter uma empresa que explora o trabalho infantil. Os que molham a mão do guarda pela manhã, não terão escrúpulos em sonegar impostos à tarde. O mesmo vale para o empregado que rouba comida do restaurante, “esquece” um produto da loja na bolsa ou coisa parecida. Em um mundo de hipocrisia, vale tudo.

Como não é possível exigir um recall da humanidade, apesar de vários exemplares apresentarem defeito, precisamos encontrar uma maneira mais civilizada de seguir em frente. Um documentário da diretora Mara Mourão, que recebeu exatamente o nome de “Quem se importa”, pode servir de inspiração. Ele apresenta as histórias de 18 empreendedores sociais que resolveram dedicar suas vidas aos outros.

Exemplos como o do Nobel da Paz Muhammad Yunus, criador do Grameen Bank, que oferece microcrédito para milhões de famílias pobres, especialmente mulheres, sem exigir garantias. Loucura? A taxa de recuperação dos empréstimos é de 98,85%. Infelizmente, casos como o de Yunus e muitos outros continuam representando uma minoria. Palavras como solidariedade, bondade, confiança, honestidade e fé andam muito fora de moda.

(artigo enviado por Mário Assis)

De rolezinhos a rolexzinhos

Mauro Santayana
(Carta Maior)
O setor de shoppings centers se encontra acuado, nas grandes cidades brasileiras, pelo fenômeno do “rolezinho”. A situação chegou a tal ponto, que, contrariando o direito de livre expressão, já há centros comerciais pedindo ao Facebook que retire do ar páginas que envolvam esse tipo de encontro, que convoca, pela internet, centenas de jovens a comparecer, em data e horário específicos, a endereços-alvo previamente determinados.
A justiça tem concedido liminares que permitem aos shoppings barrar a entrada desses jovens e impedir que os encontros se realizem em suas dependências.
Movimentos sociais de diferentes tendências, alguns mais tradicionais, e outros surgidos, como os Black Blocks, nas manifestações de junho, tacham as medidas adotadas pelos shoppings de racismo e exclusão e ameaçam convocar “rolezões sociais”, já neste fim de semana, para reagir às medidas.Em junho de 2013, estabeleceu-se, nas ruas e redes sociais improvável aliança entre “rolexzinhos”, que gravavam suas mensagens contra o governo e a Copa do Mundo usando como cenário a praça de alimentação de shoppings, e futuros “rolezinhos” da “periferia”.

A periferia pode frequentar shopping, desde que seja identificada tão logo entre, e fique permanente sob o olhar de vigias, e em conveniente minoria. E continue gastando como tem gasto a classe C nos últimos anos, responsável pela explosão do faturamento do comércio de móveis, informática e eletrônicos, por exemplo.

QUEREM ZOARO problema é que os “rolezinhos” não estão satisfeitos com isso. Eles querem “zoar”, termo que antes estava ligado a ridicularizar, brincar com o outro, e que hoje está sendo substituído, cada vez mais, pelo sentido de “incomodar”.

Os “rolézinhos” não querem apenas “dar um rolé”, expressão que deu origem ao termo, ou se encontrar, conversar, namorar. Eles querem assustar, pressionar, chocar, o pacato cidadão que frequenta shopping, em busca de sua quota cotidiana ou semanal de lazer, consumo, praça de alimentação e ar condicionado. Querem querem ocupar física e maciçamente todos os espaços, dizer aos frequentadores comuns, e aos rolexzinhos – “olha, nós somos mais fortes, mais numerosos e queremos ter as mesmas coisas, e fazer as mesmas coisas, que vocês”.

Há que se ver como alguns auto-designados representantes da “classe média” – que às vezes nem toma conhecimento de sua existência – irão se manifestar, na internet, com relação ao assunto. A direita terá coragem de defender, abertamente, a invasão dos shoppings centers pela periferia? Ou vai torcer, secretamente, para que esses encontros, e a polêmica em torno deles, dê origem a nova onda de protestos?

Já se identifica, entre os “rolezinhos”, a infiltração de indivíduos cujo interesse vai além da reivindicação social, coisa fácil de ocorrer, nesse tipo de reuniões, maciça e, às vezes, anonimamente convocadas por meio de redes sociais.

OUTRA PERSPECTIVAA ABRASCE, que reúne os shoppings centers, precisa começar a entender os “rolezinhos”, a partir de outra perspectiva, que não seja a mera repressão, o apelo à polícia e ao judiciário. Se cada shopping tratasse todos os frequentadores da mesma forma, independente de sua cor ou vestimenta, e tivesse uma estrutura de lazer ou de cultura na periferia, para sinalizar às comunidades de menor renda que o setor reconhece sua existência e direito à dignidade, em um contexto social tradicionalmente desigual, talvez se pudesse estabelecer um patamar maior de respeito e de autoestima para esses cidadãos.

É uma pena, no entanto, que o elemento que detonou todo esse processo tenha sido, primeiramente, o consumo.

Se extrairmos da multidão um ou outro líder, e os “movimentos” sociais “organizados”, que, muitas vezes, são apenas grupos de ação, momentaneamente reunidos pela internet, veremos que há muito em comum entre os “rolezinhos” e “rolexzinhos”.

Não existe diferença entre a conversa estéril e esnobe dos “rolexzinhos”, em volta de seus copos de uísque, na happy hour na Avenida Paulista e as letras de funk ostentação que embalam os “roleézinhos” nos bares e bailes da periferia.

MESMA MOEDASão dois lados da mesma moeda, dois extremos de uma sociedade na qual um par de tênis pode custar mais que dez ou quinze livros novos, marcas de carros são cantadas em prosa e verso, e a maior parte das pessoas desperdiça seu tempo correndo atrás do fugaz e do vulgar, sem conseguir deixar sua marca no mundo, ou ter tido, muitas vezes, a menor consciência política ou espiritual do que representa estar aqui.

Conquistará o futuro quem souber unir rolexzinhos e rolezinhos em um projeto comum de nação, e isso só ocorrerá com a redução da desigualdade e a melhora da educação. Quem sabe, quando contarmos, no Brasil, com um número equivalente de excelentes universidades e centros de pesquisa, ao que temos, agora, de grandes centros comerciais – cerca de 500 – com o mesmo volume de investimentos e a mesma eficiência e garra, na busca e transmissão do conhecimento, com que hoje se persegue o lucro nesses palácios de aço e cristal.

A sociedade brasileira, com seus “rolezinhos” e “rolexzinhos”, precisa entender que o Brasil necessita mais de Sapiens Centers, que de Shopping Centers, para poder avançar.

A música engajada de Sérgio Ricardo

O cineasta, artista plástico, instrumentista, cantor e compositor paulista João Lutfi, que adotou o pseudônimo de Sérgio Ricardo, afirma que a letra da música  ”Zelão”  já apresentava uma ruptura com a temática da bossa nova, pois saiu do perímetro da classe média para atingir a favela. “Zelão” ajudou a abrir as consciências de seu tempo, em torno do engajamento da arte com a justiça social. A música faz parte do LP A Bossa Romântica de Sérgio Ricardo, lançado em 1960 pela Odeon.

ZELÃO
Sérgio Ricardo
Todo morro entendeu
Quando o Zelão chorou
Ninguém riu nem brincou
E era carnaval

No fogo de um barracão
Só se cozinha ilusão
Restos que a feira deixou
E ainda é pouco só

Mas assim mesmo Zelão
Dizia sempre a sorrir
Que um pobre ajuda outro pobre
Até melhorar

Choveu, choveu
A chuva jogou seu barraco no chão
Nem foi possível salvar violão
Que acompanhou morro abaixo a canção
Das coisas todas que a chuva levou
Pedaços tristes do seu coração

Todo morro entendeu
Quando o Zelão chorou
Ninguém riu nem brincou
E era carnaval

         (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Mensalão do PSDB avança no Supremo, mas se arrasta em Minas

Wilson Lima
iG São Paulo

Embora o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, tenha acelerado a tramitação da ação penal 536, o chamado “mensalão mineiro”, o restante do processo, que corre na Justiça de Minas Gerais, ainda está em fase de instrução. Numa estimativa otimista, o provável é que essa parte do processo seja julgada apenas no primeiro semestre de 2015.

O mensalão mineiro foi um esquema de desvios de recursos públicos semelhante ao que beneficiou o PT, supostamente comandado pelo publicitário Marcos Valério durante a campanha ao governo de Minas Gerais em 1998. Doze pessoas foram indiciadas. No Supremo, a ação penal foi impetrada contra o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG). Os dois são acusados de terem se beneficiado de um esquema montado por Valério e respondem pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.
Como o processo foi desmembrado em 2010 entre aqueles com foro e sem foro privilegiado, dez réus respondiam pelo caso na Justiça mineira. Mas somente oito devem ir a julgamento.
PRESCRIÇÃO
Semana passada, a Justiça mineira confirmou a prescrição dos crimes de peculato e formação de quadrilha para o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia já que ele completou 70 anos no ano passado. Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha do PSDB ao governo de Minas em 1998, completa 70 anos em abril e também deve ter sua pena extinta mesmo antes de ser julgado.Na semana passada, o ministro Barroso, relator do mensalão mineiro no STF, determinou prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentasse as alegações finais do processo. Depois, serão mais 15 dias para que os advogados dos dois réus também apresentem suas defesas e, por fim, o caso já pode ser encaminhado para o revisor da ação, o ministro Celso de Mello.

A expectativa é que o mensalão mineiro, no Supremo, seja julgado no início do primeiro semestre ou no início do segundo semestre deste ano. Desde que assumiu o caso, em junho do ano passado, Barroso tentou acelerar o processo ao máximo para julgá-lo o quanto antes.

Na 9ª Vara Criminal de Minas, entretanto, não há expectativas ainda para que o caso seja julgado. O promotor João Medeiros, responsável pela acusação, acredita que em uma estimativa “conservadora, mas otimista”, a ação seja julgada no primeiro semestre do ano que vem.

“O caso até que tramita em uma velocidade aceitável. Agora, é uma ação como qualquer outra. Ela não pode ser tratada como prioridade, nem deve”, disse Medeiros. Outras pessoas que atuam no processo ouvidas pelo iGacreditam que o caso, de fato, somente será julgado no segundo semestre do ano que vem. A juíza da 9ª Vara Criminal, Neide da Silva Martins, evitou dar prognósticos sobre quando o caso deve ir a julgamento.

TESTEMUNHAS

Atualmente, em Minas, o mensalão mineiro ainda precisa ouvir seis testemunhas, além dos nove réus que ainda respondem pela ação. Somente depois disso é que o Ministério Público será intimado a apresentar suas alegações finais para que o caso venha a julgamento. Além disso, como a ação tramita em primeira instância, há possibilidade de recursos no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e até no Supremo, de onde a ação partiu originalmente.

Assim, um desfecho completo do mensalão mineiro para os réus sem foro privilegiado demoraria pelo menos mais uns seis ou sete anos, conforme advogados especialistas em direito criminal ouvidos pelo iG. O caso começou a tramitar na Justiça Estadual de Minas em 2010, após uma indefinição se a competência sobre essa ação seria da Justiça Federal ou Estadual, depois do desmembramento do processo no Supremo.

Apesar de não ser tão volumoso quando o mensalão do PT, o mensalão mineiro impressiona pelos números. O processo tem aproximadamente 50 volumes e cerca de 50 apensos (anexos processuais). São mais de 10 mil páginas de processo e mais de 100 testemunhas ouvidas. O mensalão do PT, por exemplo, tinha 147 volumes e 173 apensos e quase 50 mil páginas.

CRIMES SÃO DE 1998

Conforme a denúncia feita pela PGR, os crimes relacionados ao mensalão mineiro supostamente ocorreram durante a campanha de reeleição de Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998, cujo vice na sua chapa era Clésio Andrade. O esquema teria desviado aproximadamente R$ 3,5 milhões dos cofres públicos de Minas, principalmente da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), da Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) e do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge).

“A partir da definição da chapa que concorreria ao cargo de governador do Estado de Minas Gerais, composta por Eduardo Azeredo, integrante do Partido da Social Democracia – PSDB, e Clésio Andrade, filiado ao Partido da Frente Liberal, atual Democratas, teve início a operação para desviar recursos públicos da Copasa, da Comig e do Bemge em benefício pessoal dos postulantes aos cargos de governador e vice, respectivamente”, descreve a PGR na denúncia.

Na Botucúndia, nem Galileo escapa da desmoralização

Alberto Dines
Observatório da Imprensa

A grande mídia tem muito a ver com a débâcle da Universidade Gama Filho e da UniverCidade, no Rio. O ensino superior privado é um fabuloso negócio. Prova disso é o tamanho da dívida do Grupo Galileo, mantenedor de ambas: 900 milhões de reais. Cerca de 400 milhões de dólares – padrão Fifa, coisa de gente grande.

Quantas advertências e denúncias contra arapucas universitárias apareceram em nossa imprensa ultimamente? No País dos Bacharéis é temerário colocar sob suspeita a fabricação de doutores. Grande parte dos ministros do STF ganha ricos pro-labores para dar aulas-magnas e conferências. A ninguém incomoda este ostensivo conflito de interesses.

Em suas edições da segunda-feira (20/1), dia normalmente fraco em publicidade, os dois jornalões paulistanos não tinham de que se queixar. Na Folha S.Paulo a Universidade Nove de Julho (Uninove, Sempre 10!), a FMU e a Faculdade Impacto compraram respectivamente uma página, meia página e um quarto de página para vender seus produtos no segmento de pós-graduação. Nesse mesmo dia, no Estado de S.Paulo, a Uninove comprou um grande rodapé na capa e uma página inteira no primeiro caderno, ambos dirigidos ao mesmo mercado.

INDÚSTRIA DO DIPLOMA

O lobby do ensino superior privado foi sempre um bom freguês dos “cadernos de serviço”, “informes publicitários” e matérias pagas disfarçadas exaltando a qualidade da nascente indústria do diploma.

A mídia brasileira é unânime ao proclamar a necessidade de uma revolução em nossas universidades – cruzada legítima, vital para implementar nossos padrões de competitividade. Porém, à sombra das boas causas sempre viceja algum tipo de gangsterismo. Aqui, os pactos corporativos não permitem a separar o joio do trigo, se um jornal flagra as trapaças de uma universidade privada o segmento inteiro o boicota. O jornalista que ousa devassar as espúrias conexões entre políticos, acadêmicos e fabricantes de diplomas está ferrado. Tem peixe muito graúdo nesse balaio. O credenciamento de universidades sempre rendeu fabulosas propinas.

FUNDOS DE PENSÃO

A história desta aberração gramatical e educacional chamada UniverCidade começou com o “buraco da Delfin”, em 1983, nos estertores da ditadura, o primeiro grande escândalo financeiro da era moderna no Brasil. Ronald Levinsohn, o dono da financeira, não perdeu um tostão: manteve a sua magnífica cobertura em frente ao Central Park em Nova York e, para branquear seu currículo, comprou a Faculdade da Cidade e a transformou na UniverCidade (neste Observatório alcunhada de Univer$idade), onde desenvolvia sem fiscalização os delírios tirânicos e idiossincrasias fascistóides (ver “UniverCidade ou Univer$idade”).

Passou o abacaxi ao Grupo Galileo, que já estava com outro, mais apetitoso, a Universidade Gama Filho, com 70 anos de vida, antigo Colégio Piedade, um dos melhores da antiga Capital Federal – quase 30 mil alunos pagando religiosamente suas mensalidades. A meta no curto prazo era comprar outros abacaxis e alcançar um universo de 100 mil alunos.

O acionista majoritário do Grupo Galileo Educacional é o pastor Adenor Gonçalves dos Santos. Artífice da montagem do conglomerado, o advogado Márcio André Mendes Costa ficou com a presidência e convocou a TOTVS, especializada em soluções de informática e gestão de empresas de ensino superior, para montar a operação, apresentada em seu porfólio como um dos seus cases de sucesso.

NEGÓCIOS SUSPEITOS

Não foi fácil: as duas universidades são entidades sem fins lucrativos, os antigos mantenedores precisavam ser reembolsados, os 100 milhões de reais em debêntures subscritos pelos fundos de pensão Petros (da Petrobras) e Postalis (Correios) destinados a sanear a Gama Filho foram utilizados para pagar a compra da UniverCidade, a patranha logo seria descoberta.

E foi: a CPI do Ensino Superior criada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio denunciou o grupo, os responsáveis foram acusado de um monte de malfeitorias, inclusive lavagem de dinheiro. O noticiário não teve destaque, a greve dos professores e funcionários não repercutiu, nem os sucessivos protestos dos alunos. A ninguém interessava criar um caso nacional. Sobretudo aos lobistas do ensino superior que ganham comissões, escrevem nos jornais e não querem que o seu negócio fique sob suspeita.

Pobre Galileo Galilei: na Itália, o astrônomo foi condenado pela ignorância e pela Inquisição; no Brasil, denunciado por formação de quadrilha.

(artigo enviado por Mário Assis)

A coerência da presidente

Ives Gandra da Silva Martins
O Estado de S.Paulo

Numa real democracia, o respeito às opiniões divergentes é um direito fundamental, pois, no dizer de John Rawls, “teorias não abrangentes” podem conviver, apesar de suas diferenças, o que não ocorre com as “teorias abrangentes” próprias das ditaduras, em que se impõe uma única visão política a ser seguida por todos. Não no seu mais conhecido livro (Uma Teoria da Justiça), mas na obra Direito e Democracia, desenvolveu o tema de que todas as teorias impositivas que não permitem diálogo conformam ideologias totalitárias, não são democráticas.

Respeito, como eleitor e cidadão, as posições da presidente, que na juventude foi guerrilheira na companhia de muitos outros, alguns treinados em Cuba, e mesmo terroristas, pois lançaram bombas em shoppings, matando inocentes. Um de seus amigos mais íntimos e meu amigo, apesar de nossas inconciliáveis divergências, José Dirceu declarou certa vez que se sentia mais cubano que brasileiro. Seu apoio permanente à ditadura cubana é, portanto, coerente com seu passado de lutas políticas, como o fez com relação às semiditaduras da Venezuela e da Bolívia.

O caso de Cuba, todavia, tem conotações extremamente preocupantes, na medida em que o governo brasileiro financia, por meio da campanha Mais Médicos – que poderia também ser intitulada “Mais Médicos Cubanos” -, uma ditadura longeva, que se alicerçou num rio de sangue quando Fidel Castro assassinou, sem julgamento e sem defesa, em seus paredóns, milhares de cidadãos da ilha para instalar sua ditadura. Chegou a ser chamado por estudantes da Faculdade de Direito da USP de “Fidel Paredón Castro”. Até hoje seus habitantes não têm direito a circular livremente pelo país e quando conseguem autorização para viajar ao exterior seus familiares permanecem como “reféns” para garantia de seu retorno. E a pretendida abertura econômica para comprar carros comuns por US$ 250 mil é risível para um povo que ganha – mesmo os profissionais habilitados – em média de US$ 20 a US$ 50 por mês. É o país mais atrasado economicamente das Américas.

10 MIL MÉDICOS

O Estado de S. Paulo (11/1, A3) noticiou que o referido programa prevê a “importação” de 10 mil médicos de Cuba – ante pouco mais de 500 de outros países -, os quais ganharão menos que os demais estrangeiros, pois o governo brasileiro paga seu salários diretamente a Cuba, que lhes devolve “alguns tostões”, apropriando-se do resto. Impressiona-me que o Ministério Público do Trabalho não tenha tomado, junto aos tribunais superiores, medida para equiparar o pagamento, no Brasil, desses cidadãos cubanos, que atuam rigorosamente da mesma forma que seus colegas de outros países, ganhando incomensuravelmente menos.

Causa-me também espanto que uma pequena ilha possa enviar médicos em profusão. Talvez aí esteja a razão para que o governo brasileiro não aceite o Revalida para tais profissionais, deixando fundadas suspeitas de que tema sua reprovação, por não serem tão competentes quanto os médicos brasileiros obrigados a se submeter a esse exame para a avaliação de sua competência.

O que mais me preocupa, contudo, é que, enquanto, para meros efeitos eleitorais, o governo brande a bandeira de “Mais Médicos cubanos” financiadores da ditadura do Caribe, o SUS não é reatualizado há mais de 15 anos. Os médicos brasileiros que atendem a população nesse sistema recebem uma miséria como pagamento por consultas e cirurgias, assim como os hospitais conveniados. A não atualização dos valores pagos pelo SUS, em nível de inflação, por tão longo período tem descompensado as finanças de inúmeras instituições hospitalares privadas vinculadas a seu atendimento.

FINANCIAMENTO A CUBA

De tudo, porém, o que me parece mais absurdo é que o financiamento à ditadura cubana, calculado pelo Estado, supera US$ 500 milhões, estando a fortalecer um regime que há muito deveria ter sido combatido por todos os países da América, para que lá se implantasse a democracia. Tal amor à ditadura caribenha demonstra a monumental hipocrisia dos ataques ao Paraguai e a Honduras por terem, constitucional e democraticamente, afastado presidentes incompetentes ou violadores da ordem jurídica dominante. Assim é que o artigo 225 da Constituição paraguaia permite o impeachment por mau desempenho, como nos governos parlamentares, e o artigo 239 da Constituição hondurenha determina a cassação do presidente que pretender defender a reeleição. É que a forma como foram afastados estava prevista no texto constitucional aprovado, nessas nações, democraticamente.

Como presidente do País, Dilma Rousseff merece respeito. Dela divirjo, entretanto, desde sua luta guerrilheira, que atrasou a redemocratização do Brasil, obtida, por nós, advogados, com a melhor das armas, que é a palavra. E considero que seu permanente fascínio pelas ditaduras ou semiditaduras, como as de Cuba, Venezuela e Bolívia, é perigoso para o Brasil, principalmente quando leva à adoção de medidas como a “operação de mais médicos cubanos”, pois fora de nossas tradições democráticas.

Valeria a pena a presidente refletir se tais medidas, de nítido objetivo eleitoreiro, não poderão transformar-se ao longo da campanha em arma contra o próprio governo, mormente se os candidatos de oposição se dedicarem a explorar o fato de que o que se objetiva mesmo é financiar aquele regime totalitário. A campanha Mais Médicos poderá tornar-se o mote “mais dinheiro para a ditadura cubana”, pondo em evidência não o interesse público do povo brasileiro, mas a coerência da presidente com seu passado guerrilheiro, gerando dúvidas sobre seu apreço aos ideais democráticos.

Três mil médicos e paramédicos cubanos “desertaram” da Venezuela no último ano

Deu no El Universal   

Três mil cubanos, na sua maioria médicos, saíram da Venezuela nos últimos 12 meses, onde estavam ao abrigo dos acordos de cooperação entre Havana e Caracas, segundo dados revelados pela imprensa venezuelana.

“No último ano, cerca de três mil cubanos, na sua maioria médicos, chegaram aos Estados Unidos, desertando dos vários programas sociais que executam na Venezuela, o que representa um aumento de 60% com relação a 2012”, publicou o El Universal.

Segundo o diário de Caracas, “em território norte-americano, até ao ano passado, havia cerca de cinco mil médicos e enfermeiros cubanos, refugiados de todo o mundo. Até ao início de dezembro de 2013 este número atingiu os oito mil, 98% deles provenientes da Venezuela”.

Segundo o El Universal, as informações são do doutor Júlio César Alfonso, presidente de Solidariedade Sem Fronteiras (SSF), uma organização sediada em Miami, centrada em “ajudar os médicos cubanos que querem desertar dos programas sociais que Havana vende como economia de serviços por todo o mundo”.

ACORDO DE COOPERAÇÃO

“Na Venezuela está o maior contingente de profissionais de medicina cubana prestando serviço, graças ao acordo de cooperação assinado entre Caracas e Havana em 2003″, sublinha o jornal, precisando que, até 2012, “44.804 cubanos prestavam serviços nas sete missões (programas governamentais) sociais que começaram em 2003”.

“Em 2012 tínhamos cinco mil profissionais da medicina refugiados nos EUA, com ajuda federal, mas o número aumentou em 2013, chegando aos 8.000 médicos. 98% deles fugiram da Venezuela porque as condições são cada vez piores nesse país”, explica Júlio César Alfonso.

Segundo o presidente da SSF, “a maioria dos cubanos saíram devido aos baixos salários que recebem, porque o pagamento não chega a tempo e também porque aumentou a carga de trabalho nos distintos módulos de Bairro Dentro (programa venezuelano de assistência médica nas zonas populares) e nos Centros de Diagnóstico Integral de todo o país, o que muitos denunciam como um sistema de escravidão moderna”.

“Pagam aos médicos uns 300 dólares, diretamente, mas ao Estado cubano a Venezuela paga em média 6.000 dólares por cada profissional, ou seja, eles não recebem nem 10% dos benefícios económicos”, sublinha aquele responsável.

VISTO PARA OS EUA

Segundo o El Universal, todos os profissionais cubanos que prestam serviço no estrangeiro podem pedir um visto aos EUA no âmbito do programa Parole para Profissionais Médicos Cubanos (CMPP) criado em 2006.

“Depois de pedirem assistência à embaixada dos EUA em Caracas, o maior ponto de saída de cubanos continuar a ser pela Colômbia, rumo aos Estados Unidos, ainda que o Brasil se esteja convertendo numa outra rota de trânsito para a libertação destas pessoas”, afirma.

(reportagem enviada por Celso Serra)

As águas vão rolar

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Gaudêncio Torquato

Há 25 anos, um caudaloso rio se formava nas alturas do Planalto Central, passando a despejar seu volume nas cidades e nos campos. A Constituição de 1988 reveste-se da imagem desse rio, formado pela confluência de correntes dos mais variados espaços: mulheres, indígenas, militares etc. Duas décadas e meia passadas, as águas do rio ainda se esparramam em direção ao oceano, desviando de barreiras para dar vazão a seu curso. Afinal, a obra de um rio se completa quando suas águas abraçam o mar. Se não houver espaço por onde fluir, a inundação pode ocasionar desastres.
O retrato que flagra a vida social do país nos últimos tempos deixa ver no fundo da paisagem sombras e vultos que se fizeram presentes na modelagem da Lei Maior do país. A movimentação social que se viu nas praças e ruas das grandes cidades em meados do ano passado, ou os “rolezinhos” de jovens em shopping centers, como se veem hoje, são fenômenos com origem nas mesmas torrentes que fecundaram essas plagas. Sob ares democráticos, grupamentos que formam a comunidade nacional, cada um a seu modo, procuram meios e formas para expressar sua identidade e suas demandas.

Abramos a análise com a pergunta: por que os jovens surfam na onda do “rolezinho”? Os jovens constituem o segmento mais distanciado da esfera político-institucional. Diferentemente de pais e avós, que atravessaram os túneis escuros da ditadura de 1964, os jovens de hoje nasceram e cresceram sob o limbo de uma locução amorfa e despolitizada. Nos idos da redemocratização (1985/1986), abriu-se por completo a locução, resgataram-se as liberdades, rompeu-se o elo do medo. Hoje, nem a juventude madura consegue inserir na cachola a tal Constituição Cidadã de 1988.

CONSUMISMO

Mergulharam as turbas jovens nas águas do consumismo desvairado. O hedonismo, a intensa busca do prazer, a necessidade de autoafirmação, a busca de identidade, sob a moldura das enormes carências em periferias superpovoadas, fecham o circuito indutivo. O todo só existe porque a parte, ele, ali está, visível, onipresente. A degradação dos serviços públicos, a desastrada infraestrutura de lazer nas cidades, a falta de praças e até de bancos para sentar incitam a criação de ações e pequenas mobilizações, que, de maneira surpreendente, acabam gerando efeitos estrondosos por se impregnarem do espírito do tempo.

Contingentes desfilando com bandeiras reivindicatórias são extensões dos braços de uma democracia em processo de consolidação. Simbolizam a vontade social de maior inserção no processo democrático.

Convém registrar, por último, a forma como governantes e proprietários têm considerado os ajuntamentos em shopping centers. Tratam o caso como questão policial, e não como fenômeno social. Não se pode proibir o ingresso de um jovem nesse ambiente olhando para a cara ou a roupa. É claro que a propriedade particular deve ser preservada de baderna. O bom senso deve guiar os ânimos.

No mais, é esperar. O Carnaval vem aí, e as águas vão rolar. (transcrito de O Tempo)

Luz e trevas na política (e o engajamento partidário de jornalistas)

Gaudêncio Torquato

“No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas. Disse Deus: haja luz. E houve luz. Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas” (Gênesis 1).

No princípio, em 10 de fevereiro de 1980, criou Luiz Inácio Lula da Silva o PT, sob a promessa de implantar na seara política a semente do socialismo democrático, desenvolver um empreendimento trabalhista livre da tutela do Estado e resgatar a esperança do povo na representação política. Disseram eles: haja luz. Transformaram o PT em luz.

No princípio, em 25 de junho de 1988, criou um grupo de dissidentes do PMDB o PSDB, sob a intenção de semear o terreno árido da política com a viçosa semente do socialismo democrático e desenvolver um projeto “livre das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas para fazer germinar novamente a esperança”. Proclamaram: haja luz. Transformaram o PSDB em luz.

Pois bem, esses dois entes, cuja criação aponta para semelhanças, passaram anos e anos radicalizando posições e mobilizando alas e exércitos de filiados. Nunca se viu na contemporaneidade discurso tão agressivo quanto o que se lê e se ouve em diferentes foros de debate, a partir das próprias redes sociais.

É compreensível a propagação da luta de heróis contra bandidos, na esteira da concepção da eterna luta do bem contra o mal. Puxar, porém, tal acervo para a esfera da política, principalmente num país que exibe 32 siglas partidárias em funcionamento, é uma incongruência.

Pior é ver o engajamento partidário de jornalistas. Servir de bastião de partidos, em evidente luta partidária, é transgredir a missão.

NÓS E ELES

É inimaginável dividir o país em duas bandas, “nós e eles”. Por que isso ocorre numa nação na qual se consagram os valores da pluralidade, do debate, das liberdades? Primeiro, a recorrente pregação do PT, mesmo sob o signo do mensalão, de que é o partido da ética. Segundo, o acirramento da competição política. Os 20 anos de poder tucano no Estado mais poderoso do país animam o PT a enxergar a possibilidade de realizar o “sonho dos sonhos do comandante Lula”: governar São Paulo. E 12 anos de poder petista no comando da nação incentivam tucanos a retomar o controle perdido para o PT.

Ademais, as visões particularistas desses entes consideram outros protagonistas massa de manobra. Basta ler que o governador Eduardo Campos (PSB), até então considerado amigo leal do presidente Lula, acaba de levar a pecha de traidor.

A paisagem social é um desenho multiforme e policromático. É insustentável a tese de que um partido simboliza a luz e outro, as trevas. Até porque os partidos, a começar por PT e PSDB, padecem sob uma enxurrada de denúncias.

Não há entre nós, infelizmente, nenhum são Jorge partidário lutando contra o dragão da maldade. Quem assim se fizer cairá do cavalo. (transcrito de O Tempo)

Manifestantes preparam primeira rodada de protestos pelo País no ano da Copa

Deu no IG

Uma série de protestos contra a Copa do Mundo promete mobilizar milhares de manifestantes em todo o País neste sábado (25) por meio de convocações pelas redes sociais sob o mote “Não Vai Ter Copa”. Foram convocados participantes nas principais capitais e em cidades do interior para o que será o primeiro teste do poder de mobilização dos movimentos que ganharam força em junho do ano passado durante a Copa das Confederações.

Manifesto divulgado nas redes anuncia que “o intuito dos protestos contra a Copa 2014 é lutar pelos interesses do povo e de qualquer pessoa que deseje um país mais justo e menos desigual. Instruir o povo, cada vez mais, a uma democracia de verdade, participativa, cujo mesmo também governa, e não onde é governado por supostos representantes.”

TESTE DE FORÇA

A série de eventos deste sábado testará também a reação dos governantes à agitação nas ruas.

Em São Paulo, cerca de 3 mil participantes planejam se concentrar a partir das 17h no vão do Masp, para sair em marcha pela avenida Paulista. No Rio de Janeiro, o ponto de encontro será na frente do hotel Copacabana Palace.

As duas maiores capitais do Brasil, assim como Belo Horizonte e Porto Alegre, estão entre as cidades onde onde o “Não Vai Ter Copa” começou a tomar corpo já no início do mês, nas manifestações desencadeadas após a repressão policial ao rolezinho do Shopping Itaquera, na zona leste de capital paulista e a decisões judiciais que impediram a realização do encontro em outros centros comerciais.

O apoio às reuniões de adolescentes mobilizou integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e da Uneafro em São Paulo e atraiu dezenas de ativistas que promoveram um baile funk com churrasquinho em frente ao shopping Leblon, um dos mais sofisticados do Rio.

Planalto conta com base cada vez menos aliada na Câmara

Lucas Pavanelli
O Tempo

Dos 34 deputados mineiros que compõem hoje a base da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara, apenas um terço pertence ao núcleo duro de apoio, ou seja, votam de acordo com os interesses do governo em pelo menos 90% dos projetos de interesse.

Do primeiro ano de mandato para 2013, Dilma perdeu o apoio maciço de 23 parlamentares mineiros e de nove partidos. Se, no ano passado, somente PT, PCdoB e PROS votaram com o governo em nove de cada dez propostas. Em 2011, eram 12 as legendas consideradas fiéis.

A adesão dos parlamentares do PSB, que rompeu oficialmente o governo no ano passado, passou de 92% para 67% no período. Outras siglas, que permanecem na base, no entanto, também afrouxaram na aliança. Caso do PSD, que teve seu apoio reduzido de 97% para 77%, ou do PDT, de 93% para 61%.

O único deputado federal pedetista de Minas, Mário Heringer, o mais infiel entre os aliados, diz que seu voto varia de acordo com o projeto. “E 61% é pouco?”, questionou. “Especialmente nesse período (2013), teve matérias de que, do ponto de vista técnico, eu discordava”, afirmou, citando as MPs dos Portos e a do Mais Médicos.

BASÔMETRO

O levantamento é feito a partir do Basômetro, ferramenta online de “O Estado de S. Paulo” que contabiliza os votos de cada parlamentar no Congresso.

Como era de se esperar, os correligionários de Dilma dominam o ranking dos mais fiéis (veja arte ao lado). Os nove parlamentares do PT nesta legislatura aparecem nas nove primeiras posições. O primeiro é o novato Gabriel Guimarães, que, de 137 votações em que estava presente, posicionou-se contra o governo em apenas uma. Nilmário Miranda, que voltou à Câmara no início de 2013, votou 78 vezes a favor de projetos de interesse da Presidência e, em apenas duas vezes apresentou voto contrário. Sua taxa de fidelidade foi de 98%.

Um poema sutilmente erótico de Castro Alves

O poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), símbolo da nossa literatura abolicionista, motivo pelo qual é conhecido como “Poeta dos Escravos”, era um revolucionário também no amor. Em meados do século 19, mostrando ousadia para à época, escreveu “Boa-Noite”, para a mulher por quem estava apaixonado, um poema sutilmente erótico.
BOA-NOITE
Castro Alves

Boa-noite, Maria! Eu vou-me embora.
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa-noite, Maria! É tarde…é tarde…
Não me apertes assim contra teu seio.

Boa-noite!…E tu dizes – Boa-noite.
Mas não digas assim por entre beijos…
Mas não mo digas descobrindo o peito,
– Mar de amor onde vagam meus desejos.

Julieta do céu! Ouve…a Calhandra
Já rumoreja o canto da matina.
Tu dizes que eu menti?…pois foi mentira…
…Quem cantou foi teu hálito, divina!

Se a estrela d’alva os derradeiros raios
Derrama nos jardins do Capuleto,
Eu direi, me esquecendo d’alvorada:
“É noite ainda em teu cabelo preto…”

É noite ainda! Brilha na cambraia
– Desmanchado o roupão, a espádua nua –
O globo de teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua…

É noite, pois! Durmamos, Julieta!
Recende a alcova ao trescalar das flores,
Fechemos sobre nós estas cortinas…
– São as asas do arcanjo dos amores.

A frouxa luz da alabastrina lâmpada
Lambe voluptuosa os teus contornos…
Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos
Ao doudo afago de meus lábios mornos.

Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!

Ai! Canta a cavatina do delírio,
Ri, suspira, soluça, anseia e chora…
Marion! Marion!…É noite ainda.
Que importa os raios de uma nova aurora?!…

Como um negro e sombrio firmamento,
Sobre mim desenrola teu cabelo…
E deixa-me dormir balbuciando:
– Boa-noite! – formosa Consuelo!…

     (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Irã vai revelar provas de patrocinadores do terrorismo no Oriente Médio

Deu no Irã News
(e na Hispan TV)

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, anunciou que a República Islâmica do Irã tem “provas solidas” em que mostrar o papel devastador que desempenham os patrocinadores de grupos terroristas no Oriente Médio.

“O Irã vai apresentar documentos específicos ante as organizações internacionais para demonstrar o papel perigoso de patrocinadores de grupos terroristas que operam no Iraque, Iêmen, Líbano, Síria e outros países da região”, afirmou Zarif em uma mensagem postada em sua conta Facebook.

Segundo o chefe da diplomacia iraniana, líderes de grupos extremistas e terroristas têm preconizado cenas atrozes de violência, assassinato e massacre, iludindo a opinião pública internacional.

O chefe da diplomacia iraniana também enfatizou que tais atos criminosos violam o espírito pacífico do Islã e despertam o ressentimento e a raiva entre os povos muçulmanos.

O diplomata iraniano disse também que sua recente viagem pelo Líbano, Iraque, Jordânia, Síria e Rússia, manifestou a disposição de Teerã para o diálogo e cooperação com todos os países do Oriente Médio e do mundo para erradicar o terrorismo e o extremismo.

O ministro expressou sua esperança de que o “pequeno grupo” que apoia o extremismo e o sectarismo na região, com uma abordagem ilógica e irracional, venha renunciar a sua postura e escolher o caminho do diálogo e do entendimento.

(texto enviado por Sérgio Caldieri)

No Dia do Aposentado, pensionistas da Varig fazem protesto contra a Justiça e o governo

Rio de Janeiro - Ex-funcionários das empresas aéreas Varig, Vasp e Transbrasil fizeram uma passeata para cobrar uma posição do governo sobre o Fundo de Pensão Aerus (Tomaz Silva/Agência Brasil)Akemi Nitahara
Agência Brasil

Para marcar o Dia Nacional do Aposentado, comemorado hoje (24), ex-funcionários das empresas aéreas Varig, Vasp e Transbrasil fizeram uma passeata pelo centro do Rio para cobrar uma posição do governo sobre o Fundo de Pensão Aerus. Os pagamentos estão suspensos ou parciais desde 2006, quando a Varig encerrou as atividades.

A ex-comissária de bordo Dayse Amorim Matos diz que a situação dos aposentados, de forma geral, está difícil no país e que o reajuste concedido a eles ficou abaixo do aumento do salário-mínimo. “O Brasil está vivendo uma realidade surreal com relação ao dinheiro e, além do achatamento que o aposentado vem sofrendo, a gente tem problemas sérios com a nossa previdência privada, que é o Aerus. Estava na mão do STF, já estava parado lá há muitos anos, a presidenta Dilma sinalizou que poderia vir uma proposta. Então a gente está aguardando a posição do governo”.

Dayse diz que contribuiu para o Aerus por 19 anos e agora não tem acesso ao dinheiro. “Eu não sou aposentada pelo Aerus, eu sou aposentada pelo INSS, porém eu tenho todo o dinheiro que eu paguei por 19 anos na previdência privada, mensalmente. Então eu tenho lá o meu valor, é uma poupança que você vai colocando. O Aerus está sob intervenção e a gente está aqui na esperança”.

O ex-comandante Zoroastro Ferreira Lima Filho, diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, explica que a proposta de acordo com o governo surgiu depois das duas ocupações que um grupo de aposentados fez no ano passado, uma de 26 dias na sede do Instituto Aerus, entre junho e julho, e outra de oito dias no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em agosto. De acordo com ele, em reunião com a Advocacia-Geral da União em novembro, foi informado que a proposta de acordo havia sido entregue à presidenta Dilma.

“Está nas mãos dela o processo. Eles vão analisar três propostas que entregamos e dessa análise vai vir uma resposta da presidenta dando ciência e dizendo se concorda ou não com esse acordo. Se concordar, nós iniciamos a fase final, que seriam as nossas pretensões”.

Lima Filho lembra a urgência de se resolver o caso, pois se trata de pessoas idosas. “Nós não podemos ficar mais esperando, quase todo dia está morrendo uma pessoa, porque a idade média do nosso pessoal é 75 anos, então nós não temos mais condições. O dinheiro que o pessoal está recebendo é 8% [do que deveria receber] e não está dando para nada. Tem gente precisando de internação, tem outros que não tem mais dinheiro para comer, está uma calamidade”.

De acordo com a Casa Civil da Presidência da República, a questão do Aerus foi discutida em uma reunião em agosto do ano passado, mas não há nenhuma decisão a respeito.

PMDB se movimenta para ampliar seu poder na reforma ministerial

Murillo de Aragão

Prevista para o fim deste mês, a reforma ministerial da presidente Dilma Rousseff está provocando uma intensa movimentação no PMDB, principal aliado do governo em Brasília. Na semana passada, após Dilma ter dito ao vice-presidente da República, Michel Temer, que o PMDB não teria seu espaço ampliado na Esplanada dos Ministérios (de cinco para seis pastas), houve reação por parte dos peemedebistas.

Líderes do PMDB, além de ameaçarem antecipar de junho para abril a convenção nacional do partido, que tem o poder de deliberar sobre o destino da legenda nas eleições, chegaram a falar na possibilidade de romper com o governo, hipótese praticamente impossível de ocorrer, dado o favoritismo da presidente na corrida eleitoral deste ano para a Presidência da República.

A resistência de Dilma em ceder mais uma pasta ao PMDB decorre da necessidade de acomodar outras legendas, como PTB, PROS e PSD, visando à ampliação de seu tempo de TV no horário eleitoral gratuito. Além disso, ao aumentar o poder desses partidos na Esplanada, Dilma os afasta cada vez mais de seus principais adversários na disputa.

Mesmo diante desse cenário, o PMDB quer expandir seu espaço no governo. O grande alvo peemedebista é o Ministério da Integração Nacional. O desejo do partido é a indicação do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) para o comando da pasta. No entanto, como os irmãos Gomes (Cid e Ciro) deixaram o PSB e ingressaram no PROS para dar o palanque a Dilma no Ceará, a tendência é que a Integração Nacional seja dada ao PROS, como forma de compensar o movimento feito pela família Gomes.

OUTRAS PASTAS

O PMDB direciona suas atenções para a cobiçada Secretaria de Portos. Como o Ministério do Turismo pode ser entregue ao PTB, em troca do apoio desse partido à reeleição de Dilma, o PMDB pode ser contemplado com a Secretaria de Portos em troca da entrega do Turismo ao PTB. Mesmo que numericamente isso não aumente a representação do PMDB na Esplanada, o partido passaria a ter mais poder, já que Portos possui muito mais recursos financeiros e influência política que Turismo.

No entanto, não pode ser descartada a possibilidade de a Secretaria de Portos ir para o PSD, já que, no entendimento do governo, esse partido estaria sub-representado. Vale destacar que o PSD é importante para o PT, principalmente em São Paulo, onde a eventual candidatura a governador do ex-prefeito Gilberto Kassab é fundamental para aumentar as chances de um segundo turno. Porém, vale destacar que, caso a Secretaria de Portos seja dada ao PSD, dificilmente o PMDB abriria mão do Turismo para o PTB.

Outra pasta de destaque é o Ministério das Cidades. Apesar de o PMDB ter mencionado interesse nela, a tendência é que ela continue sendo comandada pelo PP. O nome mais cotado para assumir o cargo é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional de seu partido.

Apesar dos interesses opostos entre governo e PMDB na reforma ministerial, a decisão da presidente Dilma Rousseff de adiar para o dia 29 de janeiro a resposta ao pleito do partido de aumentar sua presença na Esplanada dos Ministérios acalmou os ânimos no PMDB. Ainda que o partido não tenha sua demanda atendida, a insatisfação demonstrada pelo PMDB pode aumentar seu poder no governo (mediante a possível troca do Ministério do Turismo pela Secretaria de Portos) ou então levar o PT a apoiar os candidatos a governador do PMDB em Estados onde os dois partidos até agora não se acertaram. (transcrito de O Tempo)

Shopping se prepara para rolezinho no DF (ou seja, vai fechar as portas)

http://blogs.d24am.com/jrlima/files/2014/01/rolezinho-2-charge-sabado.jpg

Julia Chaib
Correio Braziliense

A repressão aos estudantes da Gama Filho em Brasília no fim da noite de segunda-feira em frente ao Congresso ocorre no momento em que o país volta os olhos para um recente fenômeno da juventude: os rolezinhos.

Depois de shoppings no Rio de Janeiro e em São Paulo conseguirem liminares na Justiça e fecharem as portas para evitar os encontros, os centros de compras do Distrito Federal também se preparam. O primeiro evento está marcado para sábado no Iguatemi Brasília e, segundo lojistas, a previsão era de que o shopping funcionasse normalmente, mas informalmente há uma recomendação para que lojistas que se sentirem acuados fechem as lojas.

Em nota oficial, o estabelecimento afirma “que serão tomadas todas as medidas preventivas para garantir a segurança e a tranquilidade de todos os clientes, lojistas e colaboradores”.

Paralelamente às providências internas do estabelecimento, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal elabora um plano operacional para o rolezinho de sábado, o que inclui um reforço no policiamento na área próxima ao shopping.

AJUDA FEDERAL

Diante de recentes tentativas policiais e de centros comerciais para coibir o fenômeno, os encontros se espalharam pelo Brasil e levaram a Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop) a pedir uma reunião com a presidente Dilma Rousseff para tratar do assunto.

A Alshop já enviou um ofício à Presidência da República e à Casa Civil pedindo auxílio federal. “Esperamos nos reunir com algum órgão competente do governo para que possamos expor o que tem acontecido em São Paulo e pensar em uma estratégia para que as duas partes (shopping e consumidor) possam ter suas regalias, seus direitos defendidos”, diz o diretor de Relações Institucionais, Luis Augusto Ildefonso da Silva.

De acordo com Ildefonso, comerciantes relataram ter perdido de 10% a 20% das vendas, desde que os rolezinhos começaram.