Vamos falar a verdade sobre a Previdência, aposentados e pensionistas. E a verdade é bem dolorida, mesmo.

Wagner Pires

Dou toda a razão para o nobre deputado Arnaldo Faria de Sá e a bandeira que está levantando, em defesa dos aposentados e pensionistas. Ocorre, entretanto, que o sistema brasileiro de amparo à saúde, à assistência social e à previdência social, conhecido constitucionalmente como Seguridade Social, está deficitário, sim.

Não era o caso de algum tempo atrás, mas não posso deixar de falar a verdade aos leitores da Tribuna da Internet, uma gente que gosta de estar bem informada. Inclusive ontem saiu um artigo do deputado dizendo que a Previdência Social é superavitária em R$ 78 bilhões ou mais. Então fiz mais, colecionei um artigo de uma Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, o qual serviu de embasamento para as argumentações do citado deputado. Mas a verdade é a verdade, e temos de primar por ela.

E a verdade é que o sistema brasileiro da Seguridade Social está apresentando cada vez mais sucessivos déficits em decorrência da maior distribuição de benefícios à população.

É preciso saber que é do montante orçamentário destinado à seguridade social que saem os recursos para o Bolsa Família, para o Seguro Desemprego e para o programa instituído do LOAS/RMV, isto é, da Lei Orgânica da Assistência Social e para as Remunerações Mensais Vitalícias.

Acrescente-se aí os benefícios estendidos aos trabalhadores ruralistas que, ou não contribuíram para o sistema, ou contribuíram pouco.

Então, basicamente é isso. Os três últimos governos optaram pela forma assistencialista de governo, retirando recursos da Saúde, do Regime Geral da Previdência Social e da Assistência Social, cada vez mais incapazes de suportar o crescimento do assistencialismo e até populismo implantados e desenvolvidos por estes governos.

Então, se te perguntarem por que aos aposentados foram impostos os fatores de redução e a limitação de seus valores de remuneração e pensões, pode responder que foi para pagar o Bolsa Família, para suportar os desempregados segurados e para distribuir recursos com os necessitados especiais.

É isso. Ah, sim… o déficit de todo a seguridade social o ano passado foi de mais de R$ 90 bilhões. E em 2012, diferentemente do que afirmaram o deputado e a auditora da Receita Federal, que disseram que o superávit foi de R$78 bilhões, na verdade, foi um déficit de R$76 bilhões!

Paciência, mas, é a verdade!

Educação é o nosso calcanhar de Aquiles

PERGUNTA de Dorothy Lamour

Prezados Francisco Bendl, Virgilio Tamberlini e Carlos Newton,

Pelos belos textos e comentários, peço a opinião de vocês. Como explicar que países que até “ontem” fizeram parte da Cortina de Ferro, que foram arrasados durante a Segunda Guerra Mundial, que ficaram 45 longos anos fechados no comunismo, que não têm um imenso território ou os recursos naturais como o Brasil e hoje estão com IDH alto, qualidade de vida, sem violência, PIB considerável, etc. etc.

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RESPOSTA de Francisco Bendl

Hoje é Dia dos Avós, então estou acompanhado dos meus cinco netos que vieram visitar o avô e a avó. A festa foi grande, razão pela qual não dei a atenção que normalmente disponho ao blog.

Em princípio, minha cara, eu não seria a pessoa mais indicada para responder à tua pergunta, mas prometo que vou me esforçar. Rússia, Checoslováquia, Hungria, Polônia, os países Bálticos, que seriam a Lituânia, Letônia, Estônia… possuem melhor IDH que o nosso por uma única razão: Educação!

Antes da Revolução Russa de 1917 e da Segunda Guerra Mundial, esses países já detinham um nível cultural de séculos, tradição e costumes praticamente milenares. Havia base intelectual e governos voltados aos estudos, ao Ensino, diante da industrialização européia e necessidade de mão de obra qualificada à época.

Independente do regime comunista que impediu a liberdade de ir e vir, de se escolher os novos dirigentes políticos, o povo detinha consigo alto nível de aprendizado, e que não foi interrompido pelo sistema totalitário.

Por outro lado, após a Segunda Guerra, a Rússia e suas repúblicas trataram de se armar para enfrentar o Ocidente, ocasionando uma corrida industrial muito forte e enaltecendo mais ainda o Ensino em nível superior, diante da necessidade de engenheiros, cientistas, pesquisadores, descobertas e desenvolvimentos de tecnologias e métodos científicos avançados.

Portanto, a meu ver, a Educação, que tem sido desprezada pelos governos brasileiros e, principalmente pelo PT, que permitiu o avanço do analfabetismo depois de tanto tempo em baixa, é a causa principal que nos coloca muito aquém de um IDH que pudéssemos nos orgulhar e nos dar a certeza de que estaríamos sendo administrados corretamente.

Jamais estivemos sendo governados de forma que a Educação e Ensino fossem os objetivos fundamentais de nossos governantes nas últimas décadas, resultando que atualmente estejamos na dependência da exportação de commodities, no lugar de também podermos vender tecnologia ou produtos de ponta.

Assim, o Brasil limita em demasia seu próprio desenvolvimento e progresso da sociedade, carente sempre de mão de obra qualificada, mas empregando milhões de brasileiros na construção civil, que absorve o trabalhador menos preparado em termos de ensino.

Se tu lembrares, quando tivemos uma explosão na construção civil, nossos problemas foram encontrar engenheiros e mestres de obra, enquanto que pedreiros e serventes não eram dificuldades maiores.

Educação é o nosso calcanhar de Aquiles.

Denúncias de corrupção do deputado Rodrigo Bethlem abalam Prefeitura do Rio

Adriana Lorete
Agência O Globo

O prefeito Eduardo Paes anunciou, neste sábado, que fará uma auditoria especial para investigar todos os contratos em sua administração celebrados pelo deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ). As investigações não se limitarão à Secretaria municipal de Desenvolvimento Social, na qual o deputado admite, em gravações divulgadas pela revista “Época”, ter embolsado uma espécie de mesada da ONG Casa Espírito Tesloo. As despesas autorizadas por Bethlem nas secretarias de Ordem Público e de Governo também serão analisadas. Durante a gestão Paes, Bethlem ocupou cargos na prefeitura, com algumas interrupções, de 2009 até abril de 2014, quando se afastou para tentar a reeleição a deputado.

Paes se disse estarrecido com o que ouviu. Ele lembrou que o contrato mencionado por Bethlem tinha sido cancelado em 2012, após auditoria da Controladoria Geral do Município identificar falhas na prestação de contas. Ele, no entanto, disse que Bethlem permaneceu à frente da secretaria por não haver elementos que apontassem para um má conduta do então secretário.

“ESTARRECIDOS”

— Essa é uma notícia que deixa todos estarrecidos. Em cinco anos e sete meses, nunca tivemos um escândalo na administração municipal. As investigações vão ser feitas com absoluta transparência. Em suspeitas de desvio de conduta por corrupção, não há relação política pessoal ou ligação partidária com o prefeito quando se trata de mau uso do dinheiro público — comentou Paes ao afirmar que as investigações seriam aprofundadas.

Paes disse ainda que não conversou com Bethlem após as denúncias virem à tona. O prefeito, de forma genérica, afirmou que “independente de quem comete um ato de corrupção, tem que ir para a cadeia”. Ele acrescentou também que, se ficar comprovado que houve desvio de recursos para uma conta na Suíça, o município vai tentar todas as medidas para reaver o dinheiro. Por meio de nota divulgada na manhã deste sábado por sua assessoria de imprensa, Rodrigo Bethlem negou as acusações mostradas em gravações que teriam sido feitas por sua ex-mulher, Vanessa Felippe.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEssas denúncias abalam novamente o prefeito Eduardo Paes, cuja família já foi flagrada com contas em paraísos fiscais. Bethem, um dos políticos mais ligados a Paes, assumiu como secretário municipal e instituiu um tal Choque de Ordem na cidade, mas se limitava a perseguir pequenos comerciantes e miseráveis camelôs. Agora, Bethlem foi o primeiro a lançar uma campanha eleitoral milionária nas ruas, que estão percorridas por dezenas de grupos de jovens empunhando bandeiras com o nome dele. Paes e Bethlem, tudo a ver. Há muitas outras denúncias contra eles. Como se dizia antigamente, um pelo outro, eu não quero troca. Nenhum dos dois vale nada. (C.N.)

Lula comenta o caso do aeroporto da forma mais mineira possível

José Carlos Werneck

Numa tirada ao estilo de um José Maria Alkmin e de causar inveja às mais lendárias raposas do velho PSD mineiro, Lula defendeu Aécio Neves das acusações de construir um aeroporto na fazenda de seu tio, quando governador de Minas Gerais. Segundo o ex-presidente, é necessário investigar antes de condenar. “O PT, por exemplo, é sempre condenado, até antes de ser investigado”.

Segundo ele a questão de haver uma denúncia contra o senador mineiro “não significa que ele é culpado”.

“Um ministro que era do PMDB uma vez foi dito pela imprensa que ele tinha um envelope embaixo do braço. Isso já faz sete anos e esse rapaz nunca foi indiciado por ninguém, nunca ninguém conversou com ele, nunca ninguém perguntou se era verdade ou mentira e o cidadão está há sete anos esperando”.

“Eu não sou daqueles que, de forma leviana, condena as pessoas antes da investigação. Se tem uma denúncia contra o Aécio que se investigue corretamente, se apure com a maior seriedade possível e, se tiver procedência, que tomem as medidas cabíveis. Se não tiver, vamos punir quem denunciou, porque também nesse país qualquer cidadão pode encher a cara em um buteco, sair do buteco com vontade de denunciar alguém, denuncia, o Ministério Público vai apurar e depois ninguém pede desculpa a pessoa”.

AÉCIO EXPLICA

Aécio afirma que o aeroporto foi construído em área pública, já que o local foi desapropriado em favor do estado. Ele exibe documentação que comprova o que diz e garante que, à época, o governo respeitou integralmente o processo de licitação.

“O proprietário da área, meu tio-avô, argumentava e apresentou proposta para R$ 9 milhões, mas foi desapropriada com valor depositado de R$ 1 milhão. Se houve alguém favorecido nisso foi o estado e não o meu parente”. Aécio declarou que local só foi escolhido, porque “era  mais barato” e não precisava de grandes despesas com terraplenagem.  A Procuradoria-Geral da República irá investigar o caso.

Se eu fosse palestino

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Eduardo Galeano

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a escolher seus governantes.

Quando votam em quem “não devem votar”, são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou de forma limpa as eleições no ano de 2006. Algo parecido aconteceu em 1932, quando o Partido Comunista venceu as eleições em El Salvador.

Banhados em sangue, os salvadorenhos foram castigados por sua má conduta e, então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem. São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com péssima pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou.

E o desespero, a espera pela loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouco da Palestina. Pouco a pouco, Israel a está apagando do mapa. Os colonos invadem e depois deles os soldados vão restabelecendo a fronteira. As balas sacralizam a remoção, como legítima defesa.

Não existe guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo.

Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel engole outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam.

(artigo enviado por Mário Assis)

Por que a energia brasileira passou a ser uma das mais caras do mundo?

Welinton Naveira e Silva

Os projetos de construção das bem sucedidas usinas hidrelétricas, possuidoras de grandes reservatórios de água visando garantir a geração elétrica durante os períodos de estiagem, foram abandonados no governo FHC/PSDB, desmantelando nossa segura geração de energia elétrica, renovável, de tecnologia e engenharia brasileira conhecida e confiável. A partir daí, a construção de grandes usinas contendo reservatórios de água tornou-se quase impossível, enfrentando todo tipo de impedimentos, ditos ambientais.

Para inviabilizar a construção de usinas hidrelétricas, usaram pretextos ecológico-indigenistas. Entrou em campo Marina Silva (sonha chegar a presidente da República), mais incontáveis ONG’s estrangeiras em aberta “proteção da ecologia da Amazônia e dos índios”. Muitos desses índios, formados, fazendeiros, empresários, falando língua inglesa e fazendo uso de todo tipo de avançada tecnologia, ferramentas, celulares, computadores, automóveis, tratores, aviões etc.

Enquanto isso, FHC/PSDB dava início ao processo de montagem da chamada “matriz energética diversificada”, com importações e instalações de inúmeras usinas termelétricas, transformando a velha barata energia elétrica hidráulica estatal (antes das desastradas privatizações FHC/PSDB) em mercadoria.

GERAÇÃO TÉRMICA

Num fechado modelo, entrou em cena a crescente grande geração térmica, num sistema que antes das privatizações, praticamente só existia a geração hidráulica, com energia barata. Daí em diante, a energia elétrica passou a ser vendida como mercadorias ao sabor dos mercados, demandas e ofertas, entregues às ambições dos lucros, sem limites.

Nesse modelo, passamos a pagar uma das mais caras energias elétrica do Planeta. Só nessa última grande estiagem, atingiu valores nunca vistos nem nunca imaginados, freando nossa economia.

Enquanto isso, mais de 70% do potencial hidrelétrico do Brasil de energia renovável continuam aguardando ser explorados.

 

Na perseguição aos aposentados, FHC, Lula e Dilma são igualmente algozes

Arnaldo Faria de Sá

É preciso cobrar do presidente da Câmara a votação de um projeto extremamente importante, que diz respeito aos aposentados e pensionistas, o Projeto de Lei nº 4.434, que trata da recuperação das perdas dos aposentados e pensionistas, que alcançam em alguns casos mais de 90% do valor real do benefício.

Aposentados e pensionistas vivem numa miséria, numa situação escabrosa, e nós temos que dar alguma resposta.  E esse projeto não quebra a Previdência de jeito nenhum, com esse projeto passa-se a ter uma recuperação a partir da data da aprovação do projeto, sem retroatividade, sem nenhum atrasado, para não dizerem que queremos quebrar a Previdência.

Esse projeto já foi discutido na casa do presidente Henrique Eduardo Alves, junto com o ministro da Previdência, que depois quis ocultar que estava discutido isso, que não tinha o avulso respectivo, e nós já mandamos um novo avulso para que ele possa discutir essa questão. Os aposentados esperam que essa questão possa ser resolvida.

FATOR PREVIDENCIÁRIO

Outra questão, também, que interessa aos trabalhadores é o Projeto de Lei nº 3.299, que trata da modificação do fator previdenciário. Hoje em dia a pessoa que vai se aposentar perde cerca de 40%, depois de 35 anos de atividade, do seu benefício por causa desse maldito fator previdenciário. Isso se for homem, porque se for mulher, pela melhor expectativa de vida depois de 30 anos, o prejuízo pode chegar à casa dos 50%.

Não dá para explicar para um trabalhador, que depois de ter trabalhado tanto tempo, esse maldito fator previdenciário, no meio do caminho, muda as regras do jogo e vai roubar uma fatia tão grande do seu benefício. É inexplicável. É verdade que isso foi logo depois da Reforma da Previdência, feita por FHC como presidente da República.

Depois nós derrubamos na Câmara o fator previdenciário, mas o então presidente Lula vetou. Portanto, FHC é o pai, Lula é o padrasto, e a Dilma está sendo a madrasta, porque não deixa a gente mudar esse maldito fator previdenciário.

Houve uma alternativa proposta por um deputado do Rio Grande do Sul, que era ministro e que voltou à Câmara, e que agora a gente quer tentar mudar essa questão apresentada pelo Pepe Vargas, que é a fórmula 95/85, que não é a saída, mas é uma alternativa pelo menos. Quando a soma do tempo de contribuição da mulher mais a sua idade der 85, ela ficaria fora do fator; quando a soma do tempo de contribuição do homem der 95, ele ficaria de fora do fator.

Mas esses projeto jamais entram em pauta para votação.é

Arnaldo Faria de Sá é deputado federal (PTB-SP).
Artigo enviado por Ricardo Sales.

Lewandowsi nega pedido de Jaqueline Roriz

José Carlos Werneck

O presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, negou recurso da deputada federal Jaqueline Roriz, do PMN, para suspender a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal  que a condenou à perda dos direitos políticos. A decisão do ministro é liminar  e o pedido será analisado pelo plenário do STF.

A deputada pede que o Tribunal considere ilegal a suspensão dos direitos políticos como punição em uma ação cível. Em sua defesa ela sustenta que a retirada de seus direitos políticos fere a Convenção Americana de Direitos Humanos, assinada pelo Brasil em 1978.

A deputada e o ex-governador José Roberto Arruda foram condenados pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal por improbidade administrativa, com perda dos direitos políticos. O TJDFT entendeu que Jaqueline Roriz recebeu propina para apoiar a candidatura do ex-governador em 2006, no chamado  mensalão do DEM.

Jaqueline Roriz é candidata à reeleição e o Ministério Público do DF contestou a candidatura devido à condenação.

Para  o ministro Lewandowski, de plantão no Supremo, durante o recesso do Judiciário,  o argumento de Jaqueline Roriz não tem amparo legal, porque a Constituição prevê a suspensão de direitos políticos como punição por atos de improbidade.

Si vis pacem, para bellum (“Se queres a paz, prepara-te para a guerra”)

Sylo Costa

Sou um desconfiado e acho que começo a sentir cheiro de fumaça. Passei minha infância lá no Vale do Jequitinhonha, escutando, pelo rádio ligado em bateria de carro, notícias da guerra transmitidas pela Hora do Brasil.

Já falei, em livro, sobre esse tempo. O homem não sabe viver sem guerras, e elas movem o mundo, essa é a minha verdade. Por que brigavam os índios? Eles não têm ambições ou idiossincrasias nem são políticos.

Brigavam pelo comércio. Uns faziam arcos, flechas e tacapes, e outros caçavam e pescavam. Vêm as trocas, surge o comércio. Depois de algum tempo, todos estão abastecidos de carnes, peixes, arcos, flechas e tacapes. Aí começam as discórdias por divisas, ciúmes e falta do que fazer… E, assim, guerreiam para destruir tudo e começar de novo… É o círculo da vida.

Talvez, por estar aposentado, tenha todo o tempo para pensar, a única coisa que, hoje, é isenta de impostos. Paga-se para viver, mas o pensamento é um sentido oculto. Isso me faz lembrar que é preciso despertar a atenção dos candidatos à presidência da República para a necessidade de acabar com o imposto de renda dos que vivem de vencimentos.

SOBREVIVÊNCIA

Vencimento não é renda, é meio de sobrevivência. O cidadão trabalhou a vida inteira, viveu de vencimentos, quantia que mal dá para viver, morar e se alimentar sem luxos. Quando morre, a família tem de pagar imposto para transferir o pouco que deixou de herança, às vezes uma casa modesta que foi financiada. Paga-se para morrer…

Chega, cansei de viver neste mundo idiota. Não quero morrer sem ver árabes e judeus pulando fogueira de São João e virando compadres, tempo em que a história desse povo estará sendo contada junto com a do fim das guerras púnicas, entre Roma e Cartago, nos anos 200 a.C. pelo domínio do Mediterrâneo, e não existirão mais petistas e comunistas.

Para não deixar o mote das desgraças, no país que se acomoda como a floresta de Sherwood por ser governado exatamente por uma ex-terrorista que acha que é Robin Hood, é bom lembrar essa ridícula tramoia dos BRICS, reunião de pobres que querem fundar um banco para acudirem a si mesmos nas dificuldades…

A POBRE CHINA

A China, que é o segundo PIB do mundo, é, no meu entendimento, o mais pobre deles. Quanto dinheiro é necessário para sustentar um país que é o terceiro do mundo em extensão e possui mais de 1,5 bilhão de habitantes? Qual o custo social dessa responsabilidade? Como dizia um filósofo do cotidiano, lá de Salinas: se lugar for lugar, esse não é um lugar… O Brasil petista é um país encantado pelas extravagâncias e pelo atraso.

E para terminar, falo sobre a violação de nossa soberania, primeiramente quando o país foi entregue à Fifa, e agora, a Cuba, já que seu ditador vem aqui e exige segredo quanto à sua presença e hospedagem na Granja do Torto, residência exclusiva do presidente de nossa República. Gente, vamos abrir os olhos, pois estamos passando batido.

 

Estrago na campanha

Murilo Rocha

A campanha do ex-governador de Minas e senador Aécio Neves (PSDB) à Presidência recebeu um pesado petardo no fim de semana e, até agora, não conseguiu reagir bem. A denúncia do jornal “Folha de S.Paulo”, publicada no domingo, sobre a construção de um pequeno aeroporto no município de Cláudio durante o segundo mandato de Aécio em um terreno de um tio-avô do então governador – desapropriado em 2008 com o pagamento pelo Estado de R$ 1 milhão – joga por terra uma imagem construída e vendida pela equipe do tucano desde o seu primeiro mandato à frente do Executivo estadual: a de um gestor moderno, preocupado com o desperdício do dinheiro público e com a transparência de seus atos.

Talvez, ao pé da letra, como vem alegando o presidenciável desde a publicação da reportagem, não haja nenhuma ilegalidade no ato. Mas, em relação à moralidade exigida da administração pública, dificilmente o candidato irá conseguir escapar de um julgamento negativo do eleitorado.

Além da necessidade questionável do uso de recursos do Estado – R$ 13,9 milhões – para reformar uma pista de pouso de um município com cerca de 30 mil habitantes, sem grande relevância do ponto de vista econômico, e distante apenas 50 km de um aeroporto regional mais completo, no caso, o de Divinópolis, também pesa o fato de o favorecido pela desapropriação ser um parente do então governador.

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Junta-se aos argumentos acima o relato quase unânime dos moradores do município da baixíssima utilização do local por aeronaves. E, quando a pista é utilizada, na maioria das vezes, quem a frequenta é o próprio Aécio e seus familiares ou então motociclistas e aeromodelistas nos fins de semana. Um pouso fora dessa rotina, por exemplo, ocorreu em 11 de dezembro do ano passado e mereceu até uma reportagem na “Tribuna de Cláudio”. Na ocasião, a pista foi usada por um avião da Polícia Militar participante de uma operação de transplante de órgãos. Vale ainda lembrar: o aeroporto, desde a sua construção com dinheiro público, não está homologado pela Agência Nacional de Avião Civil (Anac) – em tese não poderia ser utilizado – e, segundo a “Folha de S.Paulo”, a chave do local ficaria com um parente de Aécio. Ele nega.

Por tudo isso, por mais documentos, assessores, propagandas, boas relações e discursos do presidenciável tucano, a suspeita de um ato, no mínimo, imoral irá acompanhá-lo de agora em diante. Seu peso na campanha presidencial será medido nas próximas pesquisas, mas, se não ganhou uma dimensão de escândalo, como reclamam apoiadores da campanha da presidente Dilma Rousseff, causou um estrago inesperado na caminhada de Aécio à Presidência, em especial na sua imagem de crítico de gestões perdulárias. “À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”. (transcrito de O Tempo)

A realidade sertaneja de Patativa do Assaré


Patativa do Assaré, nome artístico de Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), por ser natural da cidade de Assaré, no Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador, cordelista e poeta, conforme podemos perceber no poema “Poeta da Roça”,  musicado por Téo Azevedo, que retrata a realidade social à qual pertence.

POETA DA ROÇA

Téo Azevedo e Patativa do Assaré

Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestrê, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu seio o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo da roça e dos eito
E às vezes, recordando feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.

 (Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Pesquisa manda recado: “NÃO é a economia, estúpido!”

Rogério Jordão
Yahoo

“É a economia, estúpido!” foi uma frase famosa cunhada pelo estrategista de Bill Clinton na campanha americana de 1992, James Carville (foto). Naquele ano o presidente republicano George Bush (o pai) era considerado imbatível, vindo de vitoriosa guerra no Golfo Pérsico. Carville convenceu a campanha de Clinton a apontar para os problemas cotidianos da população, cunhando a famosa frase. Deu certo e Clinton foi eleito.

Divulgada na terça-feira, a última pesquisa do Ibope, que mostrou um quadro de estabilidade na corrida presidencial — Dilma com 38%, Aécio (22%) e Campos (8%) — talvez seja um indicativo aos estrategistas da oposição, que vem insistindo em que há um “mau humor” generalizado no Brasil ligado à situação econômica, que, na verdade, “NÃO é a economia, estúpido!”.

A despeito do desejo de mudança no modo de governar (70%) e da avaliação ruim do governo (33% de ruim/péssimo), a maioria dos eleitores está relativamente otimista com sua vida pessoal. 79% se declaram ao Ibope satisfeitos ou muito satisfeitos com a vida que levam. Outros 43% consideram sua situação econômica pessoal ótima ou boa e a maioria (52%) acredita que ela vai melhorar em 2015.

PODER DE COMPRA

O propalado “mau humor” generalizado evapora quando a pergunta é sobre o poder de compra nos últimos dois anos: 68% acham que este melhorou ou ficou igual. Para um em cada dois eleitores a “situação econômica do Brasil atual” é apenas regular, mas para o ano que vem 75% acreditam que estará melhor ou no mínimo igual.

Se a oposição insistir que tudo está ruim, pode dar com os burros na água. Lutar contra o otimismo é batalha perdida. O momento econômico é crítico porque não há crescimento. Transformar isto em teatro dos horrores é outra coisa.

Se a situação financeira na vida privada é vista com relativo otimismo, a visão sobre o que acontece na área pública, aí sim, aponta para um profundo mau humor. Os principais serviços públicos, como saúde, segurança e educação são todos mal avaliados. Tendo em vista os últimos dois anos, 61% acham que houve piora na saúde, 53% na segurança e 45% na educação.

OTIMISMO E PESSIMISMO

Munidos de pesquisas quantitativas e qualitativas, traduzidas em linguagem publicitária, as campanhas irão à TV a partir de 19 de agosto em busca deste eleitorado. Dilma tem contra si a avaliação ruim de governo; Aécio e Campos, a baixa inserção no eleitorado de menor renda (que é quem decide a eleição). Todos vão querer capturar este difuso desejo por mudança. Todos vão lidar com o otimismo e o pessimismo, tentando tirar para si as vantagens possíveis da ambiguidade.

Este quadro me lembrou a situação da Inglaterra depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O herói de guerra inglês, o primeiro-ministro Winston Churchill, do partido conservador, disputou, após o fim do conflito, uma eleição com os trabalhistas, da oposição. Tendo a difícil missão de enfrentar um inconteste herói de guerra, que derrotara Hitler mas dirigia um país em frangalhos econômicos e exausto da retórica bélica, os trabalhistas saíram-se com o seguinte mote: aplaudam Churchill, mas votem nos trabalhistas. Funcionou. O conservador perdeu, a Guerra virou história e a vida seguiu seu rumo.

Não temos nenhum Churchill por aqui, nem tampouco heróis de guerra nem guerra, a não ser a batalha do dia a dia. Mas fica a lembrança de que, diante de situações complexas, a estratégia política é fundamental. Logo mais veremos na TV como vão agir nossos candidatos, se como raposas, leões ou ambos.

O povo está cansado de políticos que agem como imperadores

Fátima Oliveira
Eu só vejo vantagens em eleições. Gosto da época do pleito desde criança. Cresci vendo a muvuca das eleições em minha casa, nos grotões do Maranhão, lá em Graça Aranha, onde papai foi vereador duas vezes. Já relatei como mamãe era terrível em dia de eleição! Relembrem:
“Mamãe recebia os caminhões, distribuía um papelzinho e levava o povo pra votar. Era o terror das seções eleitorais. Muito simpática, abordava mais mulheres, dizia: ‘Deixa ver se tá levando o papel certo’. Se não era dos candidatos dela, bradava: ‘Num é esse não! Pega o certo!’ E, de braço dado, ia com a pessoa até a entrada da seção. Boca de urna de 100%. Papai era dos mais votados.
“Ela sabia, certinho, os votos dele em cada urna! Dias antes, fazia serão escrevendo à mão os tais papeizinhos, acho que eram números, que no dia da eleição carregava dentro do sutiã. Ainda adora eleições, mas diz que hoje são sem graça. Tem razão. Impossível reproduzir a sua boca de urna. Adoro eleições porque insisto em sonhar”.
O período eleitoral é momento singular da luta por mais democracia e cidadania e também de muitas esperanças… As pessoas estão sempre a desejar mais e mais daquilo que signifique algum conforto adicional em suas vidas, a exemplo de transporte público de qualidade, boas escolas, bom atendimento na assistência à saúde e tudo o mais que torne a vida mais digna.
UM DIREITO
O dito “povão” não exige nada de mais da Presidência da República, de governos de Estado nem de prefeitos, apenas aquilo a que tem direito. O outro lado da questão em tela é que os candidatos em geral demonstram não saber qual a função deles, uma vez eleitos. Por que será, hein?
Imagino que numa sociedade mais evoluída serão abolidas as tais propostas de programa de governo. Não sei como, mas deve haver um jeito! Algo tipo uma consulta popular sobre as necessidades mais prementes da população, e o resultado seria elencado como o programa daquela cidade, daquele Estado ou país. Ou seja, bem diferente do que hoje que a candidatura diz: “vou fazer, isso, aquilo etc.”.
Caberia às candidaturas demonstrar quem é mais confiável para executá-lo. Cada pessoa votaria em quem a convenceu de que seria o melhor para materializar aquelas demandas… Ah, e o compromisso de finalizar todas as obras de seu antecessor! Porque é costume abandonar obras públicas tão somente porque terminá-las significa avalizar o trabalho iniciado por outrem…
Depois de muito pensar e pensar, avalio que seria a única maneira de enterrarmos a ideia de quem se elege para o Executivo (Presidência da República, governo de Estado e prefeitura) acreditar que foi ungido para receber um cheque em branco da população e, uma vez aboletado no poder, faz o que bem lhe aprouver, como acontece hoje em dia. É que eleitos para o Executivo tendem a achar que são imperadores e se danam a fazer o que lhes dá na telha! Agem como donos do lugar e como se tudo devesse obedecer aos seus desejos pessoais. Chega a ser acintoso!
Tenho a impressão de que o cansaço que as pessoas demonstram em época de pedição de voto tem a ver com o tradicional comportamento de dono de quem ocupa os postos máximos do Executivo. É tão forte que muita gente se irrita e diz: “Tanto faz votar em qualquer um, porque são todos iguais depois de eleitos!”. Quem duvidar faça a sua própria experiência, dando-se ao trabalho de andar de ônibus e/ou de táxi para sentir o pulsar das ruas nas eleições: é de descrença e desânimo. (transcrito de O Tempo)

Novas prisões de manifestantes, velho enredo

João Gualberto Jr.
A situação dos presos e procurados pela polícia por terem supostamente se envolvido em protestos violentos se tornou um roteiro previsível e, portanto, sem graça. Trama similar está em “Os Carbonários” ou “O que É Isso, Companheiro?”. Depois dos atos incendiários de militância, vêm a caça policial, a prisão e, por fim, até tentativa de exílio.
Esse filme, o Brasil já viu há quatro décadas. A ironia é ele ser reprisado tanto tempo depois, em um país dito democrático e presidido por uma mulher que viveu, literalmente na pele, quase todas aquelas fases.
É complicado para quem prima por andar na linha, mesmo mantendo aceso seu esboço de consciência crítica, compreender violência como performance para atingir fins políticos. Quebrar vidraças, destruir viaturas e arremessar pedras no batalhão de choque numa espécie de intifada ocidental-terceiro-mundista parece ser demais para quem aposta na evolução gradual do civismo e da democracia – até por não enxergar outra forma de isso se dar.
Por outro lado, não tem como não ver conotação política nas prisões desses vinte e tantos ativistas no Rio de Janeiro. Talvez existam mais em outros lugares, como um membro da tal Mídia Ninja que estava encarcerado em BH até outro dia. Da mesma forma, a acusação de associação a atos violentos coordenados soa fugaz e ressuscita o clima kafkiano da Lei de Segurança Nacional da década de 60.
ODORES SUSPEITOS
O fato de os mandados terem sido cumpridos no dia 12 de julho, no Rio, realça odores suspeitos. A “eficácia policial” contra os aparentes cabeças das manifestações fica como um dos legados mais evidentes da Copa da Fifa: na véspera da final, 19 presos. Entre os foragidos, uma advogada, que agora pede asilo político no Uruguai. Pontualmente, é o retorno a práticas, ambientes e sensações que se pensava terem ficado na história.
Mas foi a máquina de repressão o que levou os protestos a minguarem neste ano? Em julho de 2013, tão certo como a água corre para o mar era afirmar que as manifestações seriam, dali a 11 meses, tão ou mais grandiosas. O que causou o revés dessa previsão? Seria o fato de a Copa ser Copa, um circo imbatível que mina qualquer interesse político? Talvez, ainda que seja raso. Houve um ato na praça Sete agendado para acabar antes do horário das oitavas de final entre Brasil e Chile, no dia 28.
Não seria o crescimento da violência um fator mais razoável para a perda de força das ruas? As manifestações foram absorvendo cenas de batalha, também um batido elemento de enredo, protagonizadas tanto por parte da militância quanto pela PM. Convém não esquecer que, nesse um ano de distância, foi assassinado o cinegrafista Santiago, não à toa, no Rio.
Seria incorreto, portanto, deduzir que as manifestações definharam justamente com a ajuda dos manifestantes, em sua porção mais exaltada? Se a repressão policial é um legado da passagem da Fifa, com suas cenas e desdobramentos de outros tempos e outras militâncias, a beleza dos grandes atos de junho do ano passado, aquele germe cívico tão numeroso, talvez não renda frutos até outubro. (transcrito de O Tempo)

A nova CBF, de palavras ensaiadas

Chico Maia
No futebol, assim como há jogadas ensaiadas, há também entrevistas e palavras ensaiadas. A que reapresentou Dunga como técnico da seleção, na sede da CBF, foi um desses casos. Tudo arranjado, da posição onde cada ator se sentou até as palavras e frases usadas em cada resposta. O que mais me incomoda é a hipocrisia. Na maior cara de pau, Gilmar Rinaldi disse que estava com a vida resolvida, que iria morar no exterior, mas aceitou o cargo porque “não se rejeita convocação da CBF” e que ele vai é prestar um serviço ao futebol do país! E que o mesmo se aplica a Dunga! Discurso para causar inveja aos mais demagogos políticos do mundo.
Claro que a cartolagem é esperta, e entre os repórteres eles têm lá os seus “parceiros” prontos para fazerem perguntas sob encomenda e “quicadas de bola” para que um Marin da vida, Dunga ou Gilmar chute com bastante força. Uma turma que tem privilégios históricos na CBF desde antes de Ricardo Teixeira. Essas entrevistas coletivas são grandes farsas, que não servem para nada. Não informam nada novo e não esclarecem; muito pelo contrário, só confundem.
Ambiente certo
A confusão forma ambientes propícios para a ação entre amigos, daqueles que ocupam o poder para levar vantagens pessoais. Em 2010 foi a última vez em que participei desse circo, mas foi rápido. Em Johanesburgo, entre um coice e outro de Dunga nos companheiros, saí antes da metade e concluí que é pura perda de tempo.
Cumplicidade
A imprensa tem grande parte de culpa nisso. Há colegas que perguntam por perguntar, apenas para aparecer ou dizer que fez uma pergunta “exclusiva” ao entrevistado. Outros repetem perguntas que já foram feitas e respondidas. E, o mais terrível, há aqueles que fazem o jogo dos cartolas e jogadores, que fazem perguntas encomendadas por eles. O torcedor, ouvinte, leitor e telespectador estão em último plano.
Milhões e migalhas
Há os que defendem seus milhões e os que defendem as suas migalhas. O que importa ali é a defesa do interesse próprio, do comercial bem vendido e até passagens aéreas e hospedagens. Jogador usando boné com a própria marca; jogador que deixa a cueca aparecer; treinador que, estrategicamente, olha as horas no relógio de pulso para que os fotógrafos tirem muitas fotos e os programas de TV mostrem, e por aí vai.
Grana no bolso
O que importa é que o patrocinador fique satisfeito. Profissionais sérios da imprensa muitas vezes são obrigados a conviver com esse tipo de situação, por dever de ofício. Nessa coletiva da volta triunfal de Dunga, ele pôs uma pele de cordeiro, certamente bem orientado, para fazer as pazes com a imprensa. Claro que antes de ter seu nome oficializado Marin e cia. pediram bênção à Rede Globo, e ela disse sim, com a condição de que o velho/novo treinador baixasse a guarda.
Com data
Uma trégua, que durará até as primeiras vitórias da seleção da CBF, quando o velho/novo treinador subirá novamente no tamborete. Com os primeiros maus resultados da equipe, começará tudo de novo. E nesse retorno o papo foi o mesmo, antiquado, tipo: “As eliminatórias são sempre difíceis porque o Brasil é o único país que fala português”; “o que inclui um jogador é a fase dele no momento e não a idade”, e blá, blá, blá… (transcrito de O Tempo)

Foto aumenta suspeita de participação de Forças Armadas na morte de Zuzu Angel

Pedro Peduzzi
Agência Brasil 

Uma fotografia do local do acidente que, supostamente, resultou na morte da estilista Zuzu Angel, em abril de 1976, aumentou as suspeitas da Comissão Nacional da Verdade (CNV) do envolvimento das Forças Armadas no caso.

A foto, apresentada pelo ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) do Espírito Santo Cláudio Guerra, mostra o coronel do Exército Freddie Perdigão ao fundo, perto do veículo acidentado. Apontado como autor de torturas e assassinato de pessoas durante o regime militar, Perdigão morreu na década de 90.

Mãe de Stuart Angel, integrante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) que desapareceu em 1971, após ter feito críticas ao regime, Zuzu deu projeção internacional ao caso e passou a ser considerada “presença incômoda para o regime, que tinha todo interesse em seu desaparecimento”, disse o presidente da CNV, Pedro Dallari. Segundo ele, a foto deixa claro que houve algum tipo de participação das forças militares no acidente ocorrido no Rio de Janeiro.

JUNTO AO VEÍCULO…

“A grande revelação [obtida durante os depoimentos feitos nesta semana] veio a partir do depoimento de Cláudio Guerra, que apresentou uma fotografia na qual o oficial das Forças Armadas Freddie Perdigão aparece junto ao veículo acidentado. Isso estabelece um vínculo muito forte entre as Forças Armadas, já que Perdigão era notório operador em casos de violação de direitos humanos, como a morte de Zuzu Angel”, disse Dallari. “Trata-se de uma foto nova. Ela não estava nos autos do inquérito, e é uma revelação e documento muito importante”, acrescentou.

Dallari lembra que as Forças Armadas sempre negaram relação com o acidente que resultou na morte de Zuzu. “Há muitas semelhanças entre essa foto e outras usadas pela perícia na época do acidente. Todas tinham o mesmo padrão. É por isso acreditamos que ela tenha sido feita pelos peritos. Nossas suspeitas de envolvimento dos militares no caso foram reforçadas depois que o Cláudio nos contou que, ainda na década de 80, foi procurado por Perdigão, preocupado com a foto tirada”, informou o presidente da CNV.

Ainda segundo Dallari, Perdigão teria confessado a Cláudio Guerra participação no planejamento e na simulação do acidente de Zuzu Angel. “As investigações certamente, confirmarão essa hipótese”, completou.

O fim dos empresários no futebol

Deu na Folha de S. Paulo

Como parte do pacote de mudanças no futebol pós-Copa, o governo federal pretende acabar com os direitos econômicos de jogadores. Discutida em 2013, a proposta foi retomada pelo Ministério do Esporte, que quer colocá-la em prática o quanto antes. A medida mexe com a estrutura do futebol nacional: dá fim aos empresários que investem na compra e venda de atletas e faz com que apenas clubes possam ser donos dos jogadores.

Passo a passo

O plano do governo federal é, num primeiro momento, limitar a divisão dos direitos econômicos dos jogadores, deixando a maior parcela sempre com os clubes. E, posteriormente, acabar de vez com essa propriedade, deixando os clubes como os únicos detentores.

Modelo

O Ministério do Esporte está, inclusive, encomendando uma pesquisa para sustentar a aplicação da medida. O estudo, a ser produzido pela FGV, analisará os mercados da França, da Inglaterra e da Polônia, onde os direitos econômicos prevalecem nas mãos dos clubes –e não nas de empresários.

(Matéria enviada pelo comentarista Paulo Peres)