Atentado em Paris, manipulação e islamofobia

Maximiliano Sbarbi Osuna

Nada justifica a barbárie cometida em Paris. Nem as charges zombando Maomé publicadas pela revista Charlie Hebdo, nem as missões de ocupação e bombardeio realizadas pela França actualmente contra três países muçulmanos. A morte de civis não tem explicação racional.

Mas a forma como a mídia e os formadores de opinião tratam o assunto, revela o preconceito social e a manipulação de ideias sobre o que é o mundo muçulmano, o terrorismo em todas as suas formas e até o papel do Ocidente no mundo.

Em primeiro lugar, a grande maioria das vítimas do terrorismo islâmico são muçulmanos. Isso geralmente não é publicado ou conhecido pelas pessoas comuns, que submetidas à manipulação de informações acredita que o mundo muçulmano é contra a Europa livre e cristã.

Os muçulmanos do Oriente Médio morrem por causa do extremismo, cuja origem é muito variada. Uma origem clara é a deturpação da religião feita por parte de grupos que buscam dominar as massas, com a ajuda de alguns governos, principalmente as monarquias árabes e seus aliados ocidentais, incluindo a França.

SIMPLIFICAÇÃO

Que aconteçam ataques terroristas não significa que o mundo muçulmano e o Ocidente estão enfrentados. Isso é uma simplificação falsa e etnocêntrica, que coloca a Europa cristã e os Estados Unidos no papel de fiscal e juiz universal.

Por outro lado, coloca os muçulmanos em uma posição de incivilizados como se a maioria apoiasse o que aconteceu ontem, em Paris. Nada está mais longe da realidade, uma vez que todos os dias no Iraque, Líbia, Síria e Iêmen eles mesmos sofrem as conseqüências do fundamentalismo.

Além disso, a opinião pública ocidental ficou chocada com o ataque atroz de ontem, mas é surda ao massacre de muçulmanos no Oriente Médio, muitas vezes perpetrada por grupos armados e treinados pela OTAN.

Ou seja, se o ataque acontece no Iêmen – há poucos dias houve um com 30 mortos -, nada acontece porque “os muçulmanos são bárbaros e gostam de matar uns aos outros”. Mas quando o ataque acontece em Paris, o ódio contra tudo o que seja estrangeiro floresce como na década de 30 nos países do Eixo. Se a isto se acrescenta uma Europa em crise, a combinação é extremamente preocupante.

QUEM SE BENEFICIA?

Para entender o que aconteceu devemos analisar quem ganha com a matança de civis.

A extrema direita leva água ao seu moinho, uma vez que a islamofobia está crescendo na França, Alemanha, Suécia e Grã-Bretanha e os seus princípios se veem reafirmados com os assassinatos.

A Frente Nacional de Le Pen, que ganhou as eleições do ano passado, no Parlamento Europeu, superando o resto dos partidos franceses, é grandemente beneficiada.

A França atua militarmente em três países muçulmanos: Mali, República Centro Africana e o Iraque. Tem mais de três mil soldados nestes três países e luta contra os islamitas. No Iraque, a França luta contra o Estado Islâmico, apoiando o Curdistão iraquiano para que consiga uma maior autonomia em relação a Bagdá e possa ser um fornecedor de gás e petróleo para a Europa, uma alternativa aos produtos russos.

No entanto, o governo francês não luta, mas apoia o Estado islâmico do outro lado da fronteira da Síria, juntamente com a Turquia e Qatar.

DUPLA ESTRATÉGIA

Esta dupla estratégia não é popular entre os cidadãos franceses que percebem que os muçulmanos “invadem” as suas cidades, quando na verdade as mulheres que professam esta fé são atacadas apenas por fazê-lo. Assim, toda a comunidade é estigmatizada.

O ataque em Paris será explorado pelo governo de Hollande, pela Frente Nacional e até mesmo por Nicolas Sarkozy, que em 2011 ajudou a levar ao poder os radicais islâmicos que derrubaram Gaddafi na Líbia. Por conseguinte, em toda a Europa vão crescer o etnocentrismo, a xenofobia e a simplificação.

O terrorismo islâmico é uma realidade, mais cruel no Oriente Médio do que na Europa, mas não é a única forma de terrorismo. O financiamento de grupos armados, a intervenção direta em países estrangeiros feita pela França, e a pilhagem dos recursos no Iraque e as ex-colônias francesas na África também são terrorismo, que com ataques como o de Paris, parecem cada vez mais justificados pela opinião pública e os grandes meios de manipulação de massa.

(artigo enviado por Sergio Caldeiri)

Governo e Petrobras encenam uma tragédia de erros

Murillo de Aragão

Temos algumas opções para avaliar as reações do governo em torno dos escândalos de corrupção na Petrobras. A primeira é a de que o governo tenta empurrar o problema com a barriga, na esperança de que o tema faça parte da paisagem e todos se acostumem.

A segunda hipótese é a de que o governo não sabe o que fazer, por isso teme dar um passo adiante e piorar tudo. Além disso, teme que um simples mexer nas peças do tabuleiro possa desencadear novas investigações. Como se, ao abrirmos o armário, caíssem dezenas de esqueletos.

A terceira hipótese é a de que o governo está dividido sobre o que fazer. Caso se leve ao pé da letra o que a presidente Dilma Rousseff disse em sua posse sobre o combate à corrupção, não ficará pedra sobre pedra, e o PT, entre outros partidos, vai sangrar muito. Haverá também gente muito importante sangrando.

Considerando o governo, sua competência política e sua estratégica e, ainda, a fratura em sua base política, onde se inclui o próprio PT, a hipótese mais provável é uma quarta que junta todas as três anteriores.

Vamos à quarta: o governo espera que o tema deixe as páginas principais dos jornais ou seja relegado a espaços menos nobres. Até lá, confia em conseguir juntar sua base política para impor uma estratégia que reduza os danos causados pelos escândalos. Porém, não sabe como fazer isso e tampouco tem competência para tal.

Além do mais, está dividido sobre o que fazer. Teme que mais ex-diretores da Petrobras resolvam confessar outros crimes; assim como teme os acordos de delação premiada e os acordos de leniência que estão a caminho.

GRAÇA DESMORALIZADA

Dilma insiste em manter como presidente da empresa Graça Foster, que está completamente desmoralizada. Sobretudo após a acusação do Tribunal de Contas da União de que a estatal criou empresas de fachada com laranjas para operar a construção de gasodutos no Nordeste.

Considerando as opções mencionadas, a reação do governo é equivocada. O certo, neste momento, é demitir toda a diretoria, profissionalizar a escolha e empreender uma ampla limpeza na empresa. O governo comete um grave erro, pois demonstra ser conivente com os malfeitos que ocorreram no interior da maior empresa da América Latina. O entorno político do governo se fecha para ver se o tsunami passa. Mas não vai passar.

O potencial destruidor do caso Petrobras é monumental. E não apenas em nível nacional. Internacionalmente, o tema já está fora de controle. Existe quase uma dezena de ações contra a empresa, além das investigações que correm na Securities and Exchange Commission (SEC) e no Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

DILMA SERÁ INVESTIGADA?

Todos os conselheiros da Petrobras, inclusive Dilma Rousseff, podem ser investigados e, eventualmente, punidos criminalmente pelo ocorrido. Tempos atrás, quando ainda era ministra da Casa Civil, Dilma disse, em uma declaração à televisão (que circula na internet), que a empresa seguia padrões SOX de legislação anticorrupção.

Fica patente que ela tinha completa noção das consequências de eventuais malfeitos na empresa. Portanto, salvo a proteção diplomática de ser presidente da República do Brasil, tudo conspira a favor de uma punição exemplar para diretores e conselheiros. Imaginem o vexame para o país.

Sem uma reação digna e corajosa, a tragédia de erros vai continuar e pode levar o governo para um beco sem saída. (transcrito de O Tempo)

BTG vira alvo da Lava Jato por compra de ativos da Petrobras na África

Leonardo Souza
Folha

Em 2013, o BTG comprou 50% dos ativos da Petrobras na África, por US$ 1,5 bilhão. Conforme a Folha publicou no ano passado, a transação se mostrou um ótimo negócio para o banco.

Oito meses depois, a Petrobras Oil & Gas, que controla as operações da estatal naquele continente, pagou dividendos, pela primeira vez em sua história, no valor de US$ 300 milhões. Em menos de um ano, o BTG obteve um retorno de 10% sobre o investimento.

A venda para o BTG começou a ser desenhada e se concretizou na gestão da atual presidente da estatal, Graça Foster, que assumiu a companhia no início de 2012.

Até então, a área internacional da Petrobras era dirigida por Jorge Zelada, afilhado do PMDB. Logo após assumir a presidência da estatal, Graça tirou Zelada, e ela própria passou a acumular os negócios na área internacional, como a venda dos ativos na África.

MENOS DA METADE

A equipe de Zelada já estudava se desfazer de parte dos poços no continente africano. Os técnicos chegaram a realizar uma avaliação pela qual seria possível captar US$ 3,5 bilhões com a venda de apenas 25% dos ativos. Em 2013, o BTG comprou 50% dos ativos por US$ 1,5 bilhão. Ou seja, levou o dobro pagando menos da metade.

Essa transação entrou no radar dos investigadores da Lava Jato. Como a Petrobras é controlada pelo governo, a Controladoria Geral da União também tem o dever de apurar se o patrimônio público foi lesado de alguma forma nessa operação.

Ainda como ministro da CGU, Jorge Hage confirmou à coluna, no final do mês passado, que a controladoria recebeu material dos investigadores da Lava Jato e que também já abriu sua própria investigação.

“Embora o trabalho esteja num estágio mais inicial do que esses últimos que temos divulgado, tem esse da África. Está num estado mais inicial [do que as demais frentes relacionadas à Petrobras] porque não temos condição de fazer tudo ao mesmo tempo”, disse Hage.

SUSPEITAS REFORÇADAS

As suspeitas de que a transação beneficiou o BTG foram reforçadas no início do ano passado. Um funcionário de carreira com mais de 30 anos na Petrobras passou a colaborar com os investigadores da Lava Jato. Sem ter seu nome identificado até aqui nos inquéritos policiais, ele colocou em dúvida a idoneidade de dois funcionários destacados por Graça Foster para tocar a venda dos ativos na África.

Num depoimento prestado à Polícia Federal no Rio de Janeiro, em abril do ano passado, o informante afirmou que o negócio foi ruim para a Petrobras. Conforme revelou a Folha no ano passado, Ele disse que o valor real do quinhão abocanhado pelo BTG seria de US$ 3,5 bilhões, do mesmo modo que apontavam as avaliações até 2012.

De abril do ano passado para cá, os investigadores reuniram mais elementos sobre a venda de ativos da Petrobras na África. Foi esse o material encaminhado para a CGU.

Se a CGU ainda está no começo, não se sabe aonde a PF já chegou até aqui. E essa não é a única preocupação de André Esteves, do BTG, com os desdobramentos da Lava Jato.

INVESTINDO EM TUDO…

O banco BTG Pactual se notabilizou nos últimos anos por uma estratégia agressiva de crescimento. Além de fazer um bom caixa com operações de tesouraria no mercado financeiro, o banco investiu mais de R$ 30 bilhões em setores tão díspares quanto farmácias e exploração de petróleo. Parte desse investimento foi feito com capital do próprio banco, e outra parte, com recursos de clientes.

Muitos de seus negócios foram impulsionados com dinheiro dos fundos de pensão de companhias estatais, entre os quais a Petros, dos funcionários da Petrobras. BTG, Petros e outros fundos de pensão uniram seus recursos, por exemplo, na Sete Brasil, que fornece sondas de perfuração para a Petrobras.

O BTG é o maior acionista individual da Sete Brasil. Entre 2011 e 2013, Pedro Barusco foi o diretor de Operações da Sete Brasil. Até 2010, Barusco era gerente-executivo da Diretoria de Serviços da Petrobras, comandada por Renato Duque, preso na Operação Lava Jato. Para não ser preso, Barusco fechou acordo de delação premiada e prestou depoimento à Polícia Federal. Confessou que, juntamente com Duque, participava de um esquema para favorecer um cartel de empreiteiras que recorrentemente fraudavam licitações da Petrobras.

Admitiu ter recebido propina relacionada a mais de 60 contratos. Prontificou-se a devolver aos cofres públicos US$ 97 milhões do dinheiro sujo que embolsou. Barusco citou nominalmente diversas empreiteiras que faziam parte do esquema. Será que ele tem algo a dizer também sobre a relação da Sete Brasil com a Petrobras? A Sete Brasil é a maior fornecedora de sondas de perfuração da Petrobras para os campos do pré-sal.

Procurado pela coluna, o BTG informou por meio de sua assessoria que não se manifestaria sobre o assunto.

Patrus e Kátia Abreu têm uma Constituição a cumprir, diz Rossetto

Patrus Ananias e Kátia Abreu, desde o início, em rota de colisão

Luciana Lima
iG Brasília

O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, minimizou as divergências existentes entre a ministra da Agricultura Kátia Abreu, e o ministro do Desenvolvimento Agrário Patrus Ananias e disse que os dois ministros tem a Constituição a cumprir.

Em café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto, Rossetto disse que nenhum dos dois ministros mostrou posição contrária ao cumprimento da lei, embora tivessem declarado posições antagônicas em relação ao tratamento a ser dados aos grandes e pequenos produtores.

“Nem a ministra Kátia manifestou posição contrária à exigência de função social da grande propriedade, nem o ministro Patrus mostrou posição contrária ao direito à propriedade. Os ministros respondem a uma Constituição. Esta constituição fala da exigência de uma função social, claramente. Isto é assim desde 1988. Cabe à autoridade política cumprir e é isso que estamos fazemos”, disse Rossetto.

ANTAGONISMOS

As cerimônias de transmissão de posse nas duas pastas tornaram explícitos os antagonismos de pensamentos entre Patrus e Kátia. Dilma terá a função de ponderar os diferentes posicionamentos ditando a posição do governo. Isso deve ocorrer na primeira reunião ministerial marcada para o próximo dia 27 de janeiro.

Para Rossetto, que tem a função de estabelecer a relação do governo com os movimentos sociais, Dilma já deu o tom do governo ao longo do primeiro mandato. “A presidente Dilma já deu este tom no primeiro mandato. A reforma agrária faz parte do programa de governo. A preocupação da presidenta é com uma reforma agrária cada vez mais sustentável e qualificada. Esta é uma posição de governo, por isso os programas em andamento. que busquem fazer das áreas reformas, áreas com qualidade social”, disse o ministro.

Já o MST critica a política de Dilma para o campo e acusa seu governo de frear o ritmo dos assentamentos.

Sem limites para alcançar a excelência

Miles Teller brilha como personagem principal de Whiplash

Júlia de Aquino
LED UERJ 

No lugar de créditos e trilha sonora, sons de tambores e pratos: é assim que tem início Whiplash – Em Busca da Perfeição, uma experiência musical que merece ser conhecida por todos. O filme vencedor de dois prêmios no Festival de Sundance em 2014, e presente em muitos outros, como Cannes e Toronto, traz a história de Andrew, um adolescente que almeja se tornar o maior baterista de jazz de sua geração. Para isso, no entanto, ele deve suportar o rígido e impiedoso professor Terence Fletcher, cujos métodos beiram o cruel.

O roteiro e a direção ficam por conta de Damien Chazelle (Toque de Mestre), que resume no longa diversos sentimentos familiares àqueles que sonham em ser profissionais da música. Escolhas difíceis, ceticismo por parte dos que estão ao redor, concessões e comportamentos implacáveis inundam a história e transmitem ao espectador toda a tensão vivida por Andrew.

Miles Teller (Divergente) é o protagonista da trama, e sua performance justifica o sucesso do ator, que já está confirmado para O Quarteto Fantástico (2015). Ao mesmo tempo em que demonstra insegurança – seu personagem tem apenas 19 anos –, Andrew é extremamente esforçado, e as expressões de Teller demonstram todo o sacrifício e o esforço para ser o melhor.

TORMENTO PSICOLÓGICO

O ator J.K. Simmons, o J. Jonah Jameson da trilogia Spider Man, interpreta com maestria o intransigente Fletcher, e transforma a busca pela perfeição num tormento psicológico – tanto para seu aluno, no filme, como para quem assiste. A atuação de Simmons beira o desconcertante e o relacionamento conflituoso entre professor e aluno atingem o espectador de maneira envolvente e perturbadora.

Toda essa explosão de talento, contudo, não seria possível sem instrumentos como trompete, saxofone, piano e bateria em primeiríssimo plano, ou os detalhes captados pelas câmeras. Chazelle concede ao público maravilhosas tomadas, cuja velocidade e ritmo coincidem com o som ao fundo, seja ele em ritmo lento ou composto por batidas agitadas e rápidas.

Whiplash – Em Busca da Perfeição é maravilhoso. Uma obra que vai mexer com todos aqueles que tiverem o prazer de assisti-la. Uma viagem sonora com direito a uma mistura de emoções.

Sejamos revolucionários, como recomenda o Papa

Luiz Tito

Depois dessa tragédia que se abateu sobre a liberdade nessa última semana, em Paris, com o assassinato de pessoas que nenhuma relação ou referência tinham com as justificativas dos terroristas islâmicos que covardemente invadiram a revista “Charlie Hebdo” e um mercado de produtos judaicos, até os escândalos brasileiros cederam lugar nas páginas e nos noticiários das TVs para colocar em destaque a solidariedade dos líderes de toda Europa com o governo e o povo francês nesse momento de preocupação, perdas e dor.

Nada com esse viés e resultados se justifica e lamentavelmente estamos longe de enxergar o fim dessas ações, que agora passou a envolver até crianças como instrumento de sua brutalidade; crianças-bomba. Nesse fim de semana também a sede do jornal alemão Hamburger Morgempost foi incendiada, por haver republicado as charges que motivaram o atentado ao diário francês.

Os atentados praticados em Paris levaram às ruas de todo país milhões de pessoas que se juntaram aos maiores líderes políticos de toda Europa para dizerem que a França está de pé e vigilante na preservação de seus mais caros princípios e conquistas democráticas e não admitirá que o terror a coloque de joelhos diante do ódio.

AUTORIDADE

A liderança do governo de François Hollande deu ao mundo a dimensão de sua autoridade e é isso que realmente se destaca quando um país está nesse momento em que se encontra a França: o mundo que pensa, que tem sensibilidade, que tem importância política no concerto das nações evoluídas, o mundo que se ergueu tendo valores e princípios como suporte do patrimônio histórico em que se constituem suas relações internas e com outros povos.

O mundo onde a lei como referência é a proteção universal do cidadão, dos direitos, do patrimônio, e que garante o respeito ao trabalho, o acesso à saúde, à educação, à mobilidade social, enfim, à vida digna e honrada que toda pessoa de bem aspira e persegue.

ATRASO POLÍTICO E CULTURAL

Vendo ontem as manifestações populares e dos líderes políticos europeus em Paris, de repúdio ao terrorismo, como foi organizada e se desenvolveu pelas ruas da cidade, ficou ainda mais evidente como estamos atrasados política e culturalmente. Em Paris, estavam nas ruas, abrindo uma passeata de um milhão de pessoas, mandatários de países que decidem o amanhã de quase todo mundo.

O que se viu foi civilidade. Precisamos mobilizar com os instrumentos de nossa crítica o nosso repúdio, a nossa resistência sem qualquer tolerância aos agentes, aos métodos, aos grupos que se servem dessa indigência de princípios e de grandeza que estão na nossa ordem do dia. Se não revermos a consciência de nossos direitos e deveres, mudarmos dessa simplicidade irresponsável com a qual elegemos nossos representantes nas Câmaras municipais, no Congresso Nacional e os nossos governantes seremos vítimas permanentes do terrorismo que representa a ignorância, gerada pelo nosso crescente analfabetismo político.

Sejamos revolucionários, como nos recomendou o papa Francisco. E mudemos nossos rumos. Como estamos, nosso destino é o abismo, a barbárie política. (transcrito de O Tempo)

New York Times ironiza outro escândalo: a Transnordestina

http://jc3.uol.com.br/blogs/repositorio/HS030309402.JPG

Por enquanto, somente cabritos são transportados na nova “ferrovia”

Branca Nunes

“Os trilhos da ferrovia Transnordestina abrem passagem para um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social na região nordeste”, orgulha-se a voz em off logo na abertura do vídeo institucional sobre os 1.728 quilômetros de trilhos projetados para ligar o Porto de Pecém, no Ceará, o Porto de Suape, em Pernambuco, e o município de Eliseu Martins, no Piauí. “Do início da operação, em dezembro de 2009, a dezembro de 2011, mais de 15 mil pessoas foram contratadas”.

A narrativa ufanista segue evocando números de matar de inveja noruegueses, suecos e alemães. “Foram realizados mais de 34 milhões de metros cúbicos de terraplanagem, construídos mais de 24 mil metros cúbicos de bueiros, 30 obras de arte especiais, entre pontes e viadutos, já estão concluídas, 280 mil metros cúbicos de concreto estrutural executados, foram adquiridas 170 mil toneladas de trilhos, mais de 200 milhões de reais investidos na compra de seis locomotivas e 480 vagões”.

Gravado em 2012, o vídeo garante que a obra descerá do palanque no máximo em dezembro de 2014 – segundo o cronograma original, a ferrovia seria inaugurada ainda no governo Lula. Em março de 2013, a conclusão dos trabalhos foi empurrada para 2016 e os preços subiram: só a gastança com a construção começou em R$ 5,4 bilhões, saltou para R$ 6,72 bilhões e acabou de chegar a R$ 7,5 bilhões. A conta não inclui os gastos com vagões e locomotivas, orçados (por enquanto) em R$ 1,5 bilhão. Nem as despesas com oficinas e portos.

UM PROJETO ABANDONADO

Neste fim de semana, The New York Times descobriu que o colosso ferroviário só esbanja saúde no Brasil Maravilha registrado em cartório, e que os trens nunca apitaram fora dos vídeos institucionais. “A mais de mil milhas ao norte das praias do Rio e dos arranha-céus de São Paulo está a multimilionária Ferrovia Transnordestina”, informa o jornalista Simon Romero na vídeoreportagem. “A longa e sinuosa estrada de ferro deveria transportar grãos de soja do empobrecido interior do Brasil para os locais de exportação. Há 18 anos em construção, é uma sequência de estradas de terra e pontes abandonadas – um dos muitos grandes projetos que foram abandonados com a desaceleração da economia brasileira”.

Depoimentos de moradores da região confirmam as desoladoras constatações feitas pelo jornal mais influente do mundo. “Juscélia e José Luiz são lavradores em Contente, uma remota cidade cortada pela rodovia”, exemplifica Romero. “Em nome do que chamaram de progresso, eles tiveram sacrificados seus campos, suas vilas e seu modo de viver”. Outros trechos expõem a incompetência do governo. “Ninguém em Contente foi indenizado pelas terras destruídas”, denuncia Romero. “O campo era a principal fonte de frutas frescas e vegetais. Agora, está seco e se tornou inútil”.

Depois de enfatizar que ninguém sabe se e quando a obra será concluída, o correspondente do NYT desmonta as fantasias do vídeo institucional de 2012: “Cruzando as terras dos sertões ao litoral, a locomotiva do futuro vai transportar riquezas e criar novos sonhos para uma gente ansiosa em ser protagonista de uma nova história”. Pelo andar das obras, essa gente ansiosa em ser protagonista será novamente coadjuvante de mais um fiasco nascido da aliança entre a inépcia administrativa e a corrupção política.

Clique na imagem para assistir ao vídeo do The New York Times:

http://www.nytimes.com/video/world/americas/100000002735915/brazil-tracks-from-boom-to-rust.html

(enviado por Mário Assis)

A dor do mundo, retratada pelo poeta Jorge de Lima

O político, médico, pintor, tradutor, biógrafo, ensaísta, romancista e poeta alagoano Jorge Mateus de Lima (1893-1953), no soneto “Dor do Mundo”, explica que embora não goste, aceita a provação de suas dores.

DOR DO MUNDO
Jorge de Lima

Apenas eu te aceito, não te quero
nem te amo, dor do mundo. Há honraria
que nos abate como um punho fero
mas aceitamos com sobrançaria.

A um vate grego certo rei severo
vazou-lhe os olhos para não fugir.
Ó dor do mundo, eu vivo como Homero,
aceito a provação que me surgir.

Homero a tua história sinto-a; e urdo
o teu destino, o meu e o de teu rei.
Mas só teus olhos nossos passos guiam,

e inda tens vozes para o mundo surdo,
e luz para os outros cegos, luz que herdei
com a aceitação dos olhos que não viam.

      (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções

Delegados e procuradores não temem anulação da Lava Jato

Vasconcelo Quadros
iG São Paulo

“O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça estão pasmos com o volume desviado”, diz o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Marcos Leôncio Ribeiro. O esquema operado na Petrobras é responsável pelo desvio de R$ 10 bilhões, montante que levou o ministro Gilmar Mendes, do STF, a afirmar que diante da Lava Jato, o mensalão deveria ser tratado pelo juizado de pequenas causas.

Esta declaração de Mendes foi incorporada ao parecer do procurador Manoel Peçanha, que defendeu a prisão preventiva do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UCT e apontado como o número 1 do cartel que dominou os contratos bilionários com a Petrobras, O argumento do procurador foi de que a prisão preventiva serviria de estratégia para forçar novos acordos de delação premiada.

O delegado Marcos Leôncio Ribeiro afirma que a defesa está atarantada também porque as instituições de combate aos crimes econômicos e financeiros amadureceram. “Nós aprendemos com as outras operações e agora tem um juiz que conhece profundamente como funciona a corrupção. Sergio Moro dá segurança à operação”, afirma, não vendo possibilidade de dar certo a estratégia da defesa, que vai pedir a anulação da operação Lava Jato.

CASTELO DE AREIA

O representante dos delegados federais diz que a defesa tem tentado adotar a mesma estratégia aplicada para anular a Operação Castelo de Areia, um esquema que envolvia empreiteiras que aparecem agora também, mas não tem conseguido porque a força tarefa da Lava Jato age com cautela e técnica para robustecer as provas. “É um jogo que não tem mais surpresas. A gente aprendeu. Não somos ingênuos e a população está acompanhando”, afirma.

Na mesma linha, o procurador Alexandre Camanho de Assis, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), sustenta que as provas indicam que não há chances de anulação. Lembra que todos os atos foram autorizados pelo judiciário dentro da legalidade. “As alegações da defesa fazem parte do jogo. São artifícios estratégicos. As provas são robustas e a investigação está impecável. O esquema criminoso está cercado”, diz ele.

DELAÇÃO PREMIADA

Entre os especialistas, o dado novo, com o qual defesa e acusados não contavam e nem estavam preparados para enfrentar, é o efeito devastador da delação premiada no caso Petrobras e sua perspectiva para um ajuste de contas com a corrupção sistêmica no aparelho estatal.

“A delação é o paradigma de uma nova cultura jurídica. Substituirá um sistema de conflito pelo de consenso, de negociação entre advocacia e a justiça. A decisão de Paulo Roberto Costa deve se tornar viral e, assim, pode ajudar o estado a recuperar os recursos públicos desviados”, avalia Luiz Flávio Gomes.

Estimativas modestas, segundo ele, apontam que anualmente escorre pelos ralos da corrupção o equivalente a 1,5% do PIB brasileiro, uma montanha de recursos ilícitos que tanto alimenta a corrupção no varejo da política quanto o fragilizado modelo republicano brasileiro.

Executivo entrega Fernando Baiano e pede perdão judicial

Foto: Geraldo Bubniak/ AE

Baiano levou R$ 30 milhões para “distribuir”

Deu na Ag. Brasil

A defesa de um dos delatores do esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato pediu à Justiça Federal perdão judicial. Os advogados de Júlio Gerin de Almeida Camargo, ex-consultor da empresa Toyo Setal, alegam que o acusado merece o benefício por ter ajudado a identificar pessoas e detalhes sobre os desvios de recursos na Petrobras.Em resposta à abertura da ação penal contra Camargo, ocorrida em dezembro passado, a defesa reafirmou todas as declarações dele em depoimento de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal (MPF). O executivo confirmou pagamento de US$ 30 milhões ao empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, para intermediar a compra de sondas de perfuração para a Petrobras.

“Desta forma, procedem por completo os fatos narrados na denúncia oferecida nos presentes autos, por serem absolutamente fiéis às declarações prestadas por Júlio Gerin de Almeida Camargo em colaboração premiada e, ainda, aos documentos por ele apresentados”, declarou a defesa.

No termo de delação, Camargo afirmou que em 2005 atuou como agente da empresa Samsung para vender para a Petrobras duas sondas de perfuração de águas profundas na África e no Golfo do México. Para fechar o negócio, o delator disse que procurou Soares “pelo sabido bom relacionamento” dele na Área Internacional e de Abastecimento da empresa, dirigidas à época por Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, respetivamente.

Na mesma ação penal são réus Nestor Cerveró, o empresário Fernando Baiano e o doleiro Alberto Youssef. O prazo para que os advogados dos demais acusados apresentem resposta às acusações vence na semana que vem.

Advogados armam plano para anular Operação Lava Jato

Vasconcelo Quadros
iG São Paulo

Em uma ação jurídica articulada, os advogados que defendem os acusados pelos desvios na Petrobras vão tentar anular a Operação Lava Jato nos tribunais superiores questionando pontos que consideram frágeis na investigação. No foco central está uma decisão do procurador Manoel Peçanha, que defendeu, em parecer, a prisão preventiva do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UCT e apontado como o número 1 do cartel que dominou os contratos bilionários com a Petrobras, como estratégia para forçar novos acordos de delação premiada.

Em investigações anteriores, cumprido o prazo da prisão temporária, corruptos e corruptores de colarinho branco eram colocados na rua, jogando a possibilidade de prisão para o final do processo, o que tornava a medida improvável em decorrência da prescrição facilitada pela lentidão da Justiça.

Coação – esta será a palavra de ordem da defesa, um forte argumento jurídico e a grande polêmica que decidirá o destino da operação”, avalia o ex-juiz e jurista Luiz Flávio Gomes. Ele prevê uma batalha sem precedente nas duas últimas instâncias do judiciário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF).

A disputa, segundo ele, decidirá se a Lava Jato será mesmo um divisor de águas na política e no combate à corrupção ou se cairá – como as últimas duas grandes ofensivas contra os desvios de dinheiro público, a Satiagraha e a Castelo de Areia, que ruíram por erros na investigação. A primeira foi anulada pelo uso indevido da Abin para prender o banqueiro Daniel Dantas e a segunda por amparar os grampos contra empreiteiros em denúncias anônimas.

PRISÃO PREVENTIVA

No parecer em que defende a prisão de Pessoa, Peçanha escreve com todas as letras que a preventiva, remédio amargo e excepcional – que pode se estender por tempo indeterminado enquanto as investigações estiverem em andamento – se justifica não apenas para garantir a instrução do processo, “mas também na possibilidade de a segregação influenciá-lo na vontade de colaborar na apuração de responsabilidades, o que tem se mostrado bastante fértil nos últimos tempos”.

Não há sinais de que Pessoa esteja disposto a se render ao assédio. Ao contrário, tem demonstrado que sabe bem mais do que se disse até agora sobre a Petrobras e, como suposto coordenador do cartel, tem os detalhes que podem ligar o esquema de propina aos partidos e autoridades. O empreiteiro baiano é uma das apostas de revelação da oposição na provável CPI que deve ser ressuscitada em fevereiro. O longo tempo na cadeia pode tornar o depoimento explosivo.

Polêmico, o argumento de forçá-lo a abrir o jogo com a manutenção da prisão preventiva não é comum nos embates jurídicos e, por essa razão, será usado pela defesa para acusar o Ministério Público Federal de coação. “É um absurdo que se aproxima da tortura psicológica. Prender para fazer falar é ilegal”, afirma o advogado Alberto Zacharias Toron, que defende Ricardo Pessoa. Segundo ele, as demais alegações utilizadas para converter a prisão temporária em preventiva não se sustentam porque seu cliente não pressionou autoridades, tem endereço fixo, não deixaria de atender a Justiça e nem fugiria do país.

RISCO CALCULADO

Para o juiz Luiz Flávio Gomes, a prisão de Pessoa e de outros dez executivos se estendeu além do usual em casos do gênero. “Fora a coação, não há argumento jurídico para mantê-los presos. Existem alternativas, como arbitrar uma fiança alta ou a prisão domiciliar. Creio que o juiz (Sérgio Moro) age dentro de um risco calculado, testando os limites do sistema”, observa.

A defesa dos empreiteiros é formada pelos advogados mais requisitados do Brasil para casos envolvendo corrupção e política. Com a morte do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, a coordenação foi assumida pelo também ex-ministro (da Justiça e do STF) Nelson Jobim, que defende os executivos da OAS, mas tem também os ouvidos voltados para a repercussão do caso na política. Na avaliação de especialistas, a Lava Jato tem potencial para abalar o sistema, o que explicaria a organização do mutirão jurídico para tentar matá-la no judiciário.

Independente do fim do recesso e da possibilidade de instalação de uma nova CPI sobre os desvios na Petrobras, a batalha jurídica antecederá os possíveis reflexos na política. Governo e partidos torcem por uma virada de jogo nos tribunais favorecendo a defesa: uma eventual anulação da operação pouparia a deflagração de uma crise de consequências imprevisíveis.

A estratégia dos advogados é identificar os pontos frágeis da investigação da Lava Jato para levá-los aos tribunais superiores. Os advogados farão um pente fino nas decisões do juiz Sérgio Moro. Uma das estratégias é demonstrar que elas extrapolaram a jurisdição do Paraná, o que, se emplacada, poderia estabelecer um conflito de competência. Outro questionamento será feito em torno do fatiamento das investigações, que separou suspeitos comuns e políticos com foro privilegiado, para evitar que o caso saísse do Paraná.

Uma terceira estratégia da defesa é uma suspeita que pode dar o combustível mais inflamável para a batalha: os advogados acham que num sistema jurídico em que a lei determina que polícia, procurador e juiz exerçam papéis distintos, Sérgio Moro coordenou, na prática, uma espécie de juizado de instrução, comum em sistemas como os da Itália e da França, mas sem precedência no Brasil – o que tornaria questionável o comportamento do juiz.

Toron reconhece que Moro, um dos maiores especialistas em combate a corrupção, é sério e inteligente, mas afirma que ele conduziu como bem entendeu todas as etapas da investigação, conectando ações da polícia e do MP às suas decisões num suposto acordo informal.

“O procedimento dele foge da moldura do juiz imparcial”, cutuca Toron. Segundo o advogado, Moro agiu com rispidez para evitar que políticos fossem citados em depoimentos fora das delações mantidas em sigilo – o que levaria a operação toda para o STF –, tem adotado procedimentos parciais, ignorando os argumentos da defesa e tornando a disputa um jogo de cartas marcadas. “É um déspota esclarecido”, acusa o advogado do dono da UTC, reclamando que as instâncias superiores da justiça, que respaldaram a operação, têm feito ouvidos de mercador aos argumentos da defesa.

Estado Islâmico invade twitter de Comando Militar dos EUA

Reprodução/@CENTCOM

Deu em O Tempo

Um grupo que se intitula CyberCalifado, simpatizante da ideologia do Estado Islâmico, invadiram o twitter e o canal do youtube do Comando Militar dos EUA no Oriente Médio, nesta segunda-feira. Os hackers postaram supostos documentos estratégicos do governo americano, sobre a China e a Coreia do Norte, com informações sobre instalações nucleares e militares.

Neste domingo, o governo EUA realizou uma série de ações na Síria, onde houve 11 ataques aéreos, e no Iraque, aonde outros 16 bombardeios, destruíram cinco edifícios e diversos veículos. A ação foi uma forma de enfraquecer o Estado Islâmico.

HACKERS FAZEM AMEAÇAS

Os invasores fizeram ameaças afirmando que “não vão parar” e que sabem tudo sobre os soldados e suas famílias. No canal do youtube, foram publicados dois vídeos com imagens e mensagens de ataques as tropas americanas. Os terroristas ainda decretaram a CiberJihad, uma espécie de guerra santa cibernética.

Marta Suplicy denuncia desmandos de Juca Ferreira à CGU

Juca Ferreira só tomou posse hoje

Deu no Estadão

A ex-ministra da Cultura Marta Suplicy (PT-SP) enviou documentos para a CGU (Controladoria-Geral da União) que apontam suposta parceria irregular entre a Cinemateca Brasileira, instituição responsável por preservar o cinema brasileiro, e a entidade SAC (Sociedade de Amigos da Cinemateca).

A informação foi publicada pelo jornal “O Estado de S.Paulo” nesta segunda. Segundo o diário, as parcerias – no valor de R$ 105 milhões – foram firmadas durante a primeira gestão de Juca Ferreira à frente do MinC. O sociólogo baiano retorna à pasta neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff e reassume o posto nesta segunda (12).

R$ 11 MILHÕES SOB SUSPEITA

A denúncia seria um dos “desmandos” apontados pela senadora ao criticar a escolha do novo ministro. Após o anúncio, no final de dezembro, Marta escreveu no Facebook que a “população brasileira não faz ideia dos desmandos que este senhor promoveu à frente da Cultura brasileira”.

Ainda segundo o jornal, auditorias da CGU apontam que a SAC recebeu R$ 111 milhões do MinC entre 1995 e 2010. Deste total, 94% referem-se a um termo de parceria realizado na gestão de Juca. A parceria começou a ser investigada pela Controladoria-Geral da União em fevereiro de 2013, conforme noticiou a Folha de S.Paulo em maio daquele ano.

Um dos relatórios da controladoria indicam que a entidade foi escolhida sem consulta a outros interessados e que projetos foram aprovados sem avaliação adequada dos custos. A SAC também dispensava licitações irregularmente para compra de materiais e contratação de serviços, o que prejudicava a avaliação de eventuais superfaturamentos. Consta também no relatório a cobrança de uma taxa, por parte da SAC, para cobrir despesas com a administração de projeto. Para a CGU, que determinou o ressarcimento dos valores, a cobrança seria irregular, além de detectar favorecimento de funcionários da Cinemateca na execução de projetos.

Talibãs de Paquistão e Afeganistão reforçam o Estado Islâmico

Deu na France Presse

Dez ex-comandantes talibãs do Paquistão e do Afeganistão juraram lealdade coletiva ao grupo Estado Islâmico (EI), de acordo com um vídeo divulgado neste fim de semana em fóruns jihadistas on-line.

Alguns panfletos convocando a adesão ao EI aparecerem nestes últimos meses no nordeste do Paquistão e no sul do Afeganistão. Pelo menos cinco ex-combatentes talibãs paquistaneses e três ex-comandantes afegãos de média, ou baixa patente, já anunciaram seu apoio.

Nesse vídeo publicado no sábado e dirigido ao grupo jihadista, os quase dez ex-comandantes talibãs juram “coletivamente” lealdade ao EI – que proclamou um califado nas zonas sob seu controle na Síria e no Iraque – e ao líder do grupo, Abu Bakr al-Bagdadi.

DEZ EMIRES

A maioria desses ex-comandantes talibãs já havia mostrado seu apoio ao EI, individualmente, mas, desta vez, anunciou um comando central no coração de sua nova associação. Os jihadistas afirmam estar dirigidos localmente por Saed Khan, um combatente da zona tribal de Orakzai, no noroeste paquistanês.

“Reunimos os emires de dez grupos que desejam jurar lealdade” a Bagdadi, afirma neste vídeo Shahidulah Shahid, ex-porta-voz do Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP, na sigla em inglês), acrescentando que nomearam Khan como “emir” local.

Os talibãs do Paquistão e do Afeganistão consideram o chefe dos talibãs afegãos, o mulá Omar, como o “emir” de um eventual califado.

Nos últimos meses, as autoridades afegãs e paquistanesas temem a presença do EI na região em um contexto de incerteza, após o final da missão de combate da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), no Afeganistão.

No fim do vídeo de 16 minutos, filmado em uma região montanhosa não identificada, um homem, apresentado como um soldado do Exército paquistanês, é decapitado.

Rússia volta a se aproximar da União Europeia

Deu na Pátria Latina

Lenta mas ininterruptamente, a Europa vai-se apercebendo de que o principal resultado do bloqueio econômico e financeiro do Ocidente contra a Rússia é que a própria Europa é quem mais sofre. Se a Alemanha foi a primeira a reconhecer o fato em 2014, quando a economia por lá desabou e vive hoje à beira de uma recessão, agora já há outros que também estão caindo na real.

Caso em tela, atual: o ex-presidente da Comissão Europeia e ex-primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, disse ao jornal Il Messaggero que “quanto mais fraca a economia russa, tanto menores os lucros na Itália”.

Outros detalhes do que disse Prodi: “Preços rebaixados nos mercados internacionais de energia têm aspectos positivos para os consumidores italianos, que pagam menos pelo combustível, mas é efeito só de curto prazo. No longo prazo, a economia em situação cada dia mais fraca nos países que produzem recursos de energia, por causa dos preços rebaixados de petróleo e gás, principalmente na Rússia, é extremamente não lucrativa para a Itália” – disse ele.

“O rebaixamento dos preços do petróleo e do gás, combinado com as sanções geradas pela crise ucraniana, farão cair o PIB russo em cerca de 5% ao ano, o que acabará por cortar cerca de 50% das exportações italianas” – Prodi continuou.

SANÇÕES INÚTEIS

Deixando de lado que as sanções são inúteis, deve-se destacar uma tendência bem clara: independente do que valha o rublo em relação ao dólar, que já está quase pela metade, as exportações dos EUA para a Rússia estão aumentando, enquanto as exportações da Europa definham.

Em outras palavras, ainda bem lentamente, fato é que o mundo está começando a perceber o que se passa: não é qualquer calote que a Rússia venha a dar, nem alguma ameaça de contágio, se a Rússia entrar em grande recessão, ou pior que isso. A coisa é muito mais simples, e levará a dano gravíssimo aos países europeus: é que a atividade comercial está estagnada.

Porque os bancos centrais podem monetizar qualquer coisa, levando a uma bolha sem precedentes que, pelo menos por enquanto, está ainda inflando a confiança de ambos, investidor e consumidor, mas eles não podem imprimir atividade comercial, não podem imprimir comércio – esse absolutamente importante gerador de crescimento num mundo globalizado, desde muito antes que os bancos centrais se pusessem a monetarizar mais de US$1 trilhão em papeis cada um e todos os anos, para mascarar o fato de que o mundo está profundamente afundado numa recessão global.

PROPOSTA DA RÚSSIA

Essa é a razão pela qual se deve ler com máximo interesse o relatório publicado ontem no Deutsche Wirtschafts Nachrichten, porque vai direto à conclusão da coisa toda. Lá, a Rússia apresenta proposta nada modesta à Europa: abandonem o comércio com os EUA, cujo ataque aos “custos” russos custou a vocês, europeus, mais um ano de crescimento econômico decrescente e, em vez deles, unam-se à recém-criada União Econômica Eurasiana. O tratado que criou a União Eurasiana entrou em vigência no dia 1º de janeiro. Inclui Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão e Rússia; e o Quirguistão será integrado em maio.

Claro que faz muito mais sentido uma zona de livre comércio com países vizinhos, que o tal “acordo” com os EUA, do outro lado do mundo.

Vladimir Chizhov, embaixador russo na União Europeia, disse ao EUobserver: “Nossa ideia é iniciar contatos oficiais entre a União Europeia e a União Econômica Eurasiana, o mais rapidamente possível. A chanceler alemã Angela Merkel falou sobre isso há bem pouco tempo. As sanções da União Europeia contra a Rússia não são obstáculo”.

“Entendo que o senso comum nos aconselha a explorar a possibilidade de estabelecer um espaço comum econômico na região da Eurásia, incluindo os países foco da Parceria Oriental [política da UE de laços próximos com Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Moldávia e Ucrânia]”.

“Devemos pensar numa zona de livre comércio que una todos os interessados eurasianos”, assinalou o embaixador russo.

A depressão causada pelo futuro incerto desta cleptocracia

Vittorio Medioli
O Tempo

Recebi coincidentemente três mensagens nos últimos dias de pessoas que declaram não ter comemorado tradicionalmente a passagem de ano. Não encontraram motivos de alegria para prolongar a noitada. Sentimento de melancólica tristeza, apreensão e incerteza. São eles uma parte deste mundo verde-amarelo, captando as radiações do momento nacional. Que motivo têm de ter orgulho nacional? Quebra de autoestima brota das circunstâncias reais.

Confesso que, pela primeira vez na vida, eu também, um otimista contumaz, um desabrido enfrentador de dificuldades, não comemorei como de costume a passagem de ano. Arrumei um jeito de ficar sozinho, olhando da varanda para o céu, rezando. Sem copo e sem champanhe. Rezando para este mundo de jovens que vem aí. Rezando para que aconteça algo que alimente a esperança, a última a morrer.

Não tenho o que reclamar para mim, nada me falta, minhas exigências pessoais vão se encolhendo a cada ano, assim como se afunila o horizonte de vida. Peço a Deus que me evite a dor, mantenha minha mente lúcida e a vista suficiente para ler e aprender. Que mantenha o cálice amargo afastado, o resto é prêmio.

RESPONSABILIDADE

Mas no papel de pai, de condutor de empreendimentos, como gerador de empregos que envolvem famílias, feitas de gente, me assombro com tantas dificuldades. Uma situação a cada dia mais complexa, ninguém neste país fala de descomplicar, leis enganosas para sugar de quem trabalha e transferir para encastelados e corruptos instalados no topo da pirâmide do poder.

Já surge em muitos o sentimento da greve civil, deixar de pagar impostos para emparedar os governantes à moralidade. Mas isso também é ilusório e complicado. Entretanto, a não violência e a desobediência aos tiranos fizeram de Gandhi o maior político de todos os tempos.

Eu sou da geração que vestiu a camisa com flores, os jeans coloridos, usou cabelos compridos, adorava Bob Dylan, viajava de moto e dormia em qualquer lugar sem sentir desconforto. Um dos tantos que tinham no orientalismo uma referência. Quer saber como? Leia a biografia de Steve Jobs nas “loucuras juvenis”, que fizeram dele uma personalidade valiosa para este planeta.

ADEUS ÀS ILUSÕES

Eu posso me dar luxos que já não me interessam, me sinto um Qoelet, me espelho no Eclesiastes, perdi as ilusões dos brilhos efêmeros do meio-dia. Prefiro as cores tênues do pouso do sol, aquelas que permitem ver com suavidade. Eu vou à praia quando os outros voltam e fico até o sol cair, sentindo a brisa sem protetor solar.

Prefiro de um Fiatzinho assistir ao desfile de carrões e me sentir seguro de não ser assaltado.

Felicidade não se mede em Ferraris na garagem ou no salão de casa, felicidade é não sentir falta de algo que não temos.

“Per aspera ad astra”, como sustentou Pietro Ubaldi, o caminho do sofrimento é o mais curto. Impérios se ergueram na capacidade de sacrifício, na seriedade e duraram até o momento em que os princípios éticos predominaram na condução do destino de uma sociedade.

NUMA CLEPTOCRACIA

Nada disso enxergamos hoje por perto, menos ainda no horizonte. Daí quem tem percepção costuma se encolher e ficar espectador do inevitável.

O Brasil está corroído pelo “bizantinismo burocrático”, que vem sempre associado ao imperar da corrupção. Democracia se transforma em cleptocracia. De um mensalão que desviou R$ 300 milhões se passa a um petrolão que amealhou R$ 21 bilhões. Se a progressão é essa, e a sociedade não tem como conter o avanço da imoralidade, pode-se prever que Sodoma e Gomorra serão incineradas muito em breve.

Tem esperança de evitar uma catástrofe? Gostaria sinceramente de enxergá-la.

América Latina, um negócio da China

Marcos Troyjo

A história e a geografia conferiram a impressão de que Brasil e EUA sempre gozariam de enorme liderança e influência sobre a América Latina.

O Brasil permaneceu política e territorialmente “uno” após a independência. O legado colonial espanhol estilhaçou-se em várias repúblicas. A escala da economia brasileira comparada à dos vizinhos, bem como sua enorme área e população, também convidam à ideia de uma liderança “natural”.

Já os EUA, com sua dramática ascensão econômica ao longo dos século 19 e 20 e a elevação ao status de superpotência com o fim da Segunda Guerra Mundial, tinham na América Latina seu “hemisfério”. Quantas vezes se ouviu que a região era “quintal” de Washington?

Nesta semana, contudo, o Fórum China-Celac formaliza em Pequim a progressiva diminuição da importância relativa de Brasil e EUA para a América Latina.

A China emerge como principal referência geoeconômica de países –como Argentina, Venezuela e Equador– que Brasil e EUA acreditavam compor sua preponderante esfera de projeção de negócios.

Xi Jinping acena com investimentos de US$ 250 bilhões para a região nos próximos dez anos. Sugere que seu comércio com a América Latina alcançará US$ 500 bilhões em 2025.

Nicolás Maduro, em meio à pindaíba venezuelana, sai de Pequim com cheques que somam US$ 20 bilhões. Rafael Correa volta a Quito trazendo no bolso US$ 7,5 bilhões em empréstimos e linhas de crédito.

IMPORTÂNCIA GEOESTRATÉGICA

Ademais, o presidente equatoriano asseverou no fórum, para regozijo de representantes dos 33 países da Celac e anfitriões, que a equação financiamento chinês x commodities latino-americanas é de “importância geoestratégica”.

Mesmo que os EUA quisessem, hoje é inimaginável competir com a irrefletida fascinação que a América Latina nutre pela China.

Além disso, a atual governança nos EUA impede reeditar empréstimos ou outros compromissos governo a governo comuns durante a excepcionalidade da Guerra Fria.

Mas o maior símbolo de “satelitização” de um país latino-americano à China se dá agora com aquele sempre considerado pelo Brasil como grande ponto focal de sua política externa: a Argentina.

A ARGENTINA CAI NA REDE

No apagar das luzes de 2014 –e, segundo o chanceler argentino, Héctor Timerman, para não chegar de mãos abanando ao encontro da Celac na China–, o Senado do país aprovou na última sessão do ano ambicioso tratado sobre investimentos industriais e infraestrutura. O acordo oferece a Pequim acesso prioritário a energia, mineração, transporte, agropecuária e outros setores-chave na Argentina.

Muitos desses negócios serão fechados na visita de Estado de Cristina Kirchner a Pequim, em março. Isso se dá sem nenhuma coordenação com Brasília e em detrimento do interesse de empresas do Brasil.

Ao contrário do que o Brasil elege como estratégia econômica externa –negociação a partir do Mercosul e tolerância a melindres argentinos–, Buenos Aires alça seu voo solo com os chineses. Com isso, dilapida ainda mais o sonho brasileiro de liderança regional.

Petrobras enfim acusa ex-diretores pelas irregularidades

Petrobras enfim descobriu que Duque e Costa são corruptos

Deu em O Tempo

A Petrobras confirmou o envolvimento de dois de seus ex-diretores em irregularidades nos processos de contratação de obras referentes ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Em ofício encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a estatal apontou que suas auditorias internas confirmaram as responsabilidades dos ex-diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e Renato Duque (Serviços).

O comunicado é uma resposta da estatal a questionamentos feitos pela CVM em relação ao envolvimento de executivos da Petrobras no esquema de corrupção revelado pela operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF).

“Cabe esclarecer que, em relação aos dirigentes da companhia, o relatório da comissão aponta especificamente responsabilidades dos ex-diretores de Abastecimento e de Serviços”, informou o comunicado. O jornal “O Estado de S. Paulo” já havia noticiado, no dia 17 de novembro, que diretores da companhia tinham sido responsabilizados pelas irregularidades no Comperj e também na aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas.

COMISSÃO INTERNA

Segundo a Petrobras, foi instaurada uma Comissão Interna de Apuração (CIA) no dia 25 de abril de 2014 para “avaliar os procedimentos de contratação para implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj)”.

“Os resultados da auditoria foram encaminhados, em novembro, para a PF do Paraná, o Ministério Público Federal do Estado, a Controladoria Geral da União (CGU) e a CVM”, informa o comunicado.

Paulo Roberto Costa foi preso em março, na primeira etapa da operação Lava Jato. Em outubro, após acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), o ex-diretor de Abastecimento recebeu o benefício de prisão domiciliar. Costa denunciou a existência de um suposto cartel de empresas construtoras nos contratos da Petrobras, além de repasses de propinas a ex-diretores e políticos.

Paulo Roberto Costa também apontou que seu colega na diretoria da Petrobras Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal, participava de esquemas de cobrança de propina às empreiteiras.

Duque foi preso pela Polícia Federal do Paraná na sétima etapa da operação Lava Jato, em novembro, mas foi solto após obter um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, em dezembro. A defesa do ex-diretor nega as acusações.

PASADENA

Em resposta ao Tribunal de Contas da União (TCU) nesta quinta, o ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Valdir Simão, decidiu manter os cálculos referentes ao prejuízo ocorrido na Petrobras pela compra da refinaria de Pasadena, Texas (EUA). Segundo a CGU, a compra gerou um custo extra de US$ 659,4 milhões.

Um ofício também foi encaminhado nesta sexta à estatal pela CGU, reforçando que todas as medidas devem ser adotadas com vistas ao ressarcimento do prejuízo.