Pesquisa CNT/MDA confirma segundo turno com vitória de Marina Silva

Deu no iG São Paulo

Se as eleições fossem hoje, a candidata à Presidência Marina Silva (PSB) teria 28,2% das intenções de voto, ficando seis pontos percentuais atrás da atual presidente e candidata a reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, que tem 34,2% das intenções de voto. O ex-senador Aécio Neves aparece em terceiro com 16% dos votos. Os dados fazem parte da pesquisa CNT/MDA divulgada nesta quarta-feira (27).

Segundo a pesquisa, Pastor Everaldo (PSC) tem 1,3% das intenções de voto e os demais candidatos não somam 1%. Brancos e nulos somam 8,7% e o índice de pessoas que não sabem ou não responderam chega a 10,4%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Em um eventual segundo turno, Marina Silva ganharia de seus dois principais adversários. Contra a petista, ela teria 43,7% dos votos e Dilma somaria 37,8%. Se a disputa fosse entre Marina e Aécio, a ex-ministra também venceria, com 48,9% dos votos, contra 25,2% do adversário.

Em uma disputa entre Dilma e Aécio, a atual presidente teria 43% e o tucano, 33,3%.

Ainda de acordo com o levantamento, entre os três mais bem colocados, Marina é a que tem menor índice de rejeição, com 29,3%.  O número de eleitores que não votaria em Aécio Neves de jeito nenhum é de 40,4% e 45,5% dos entrevistados disseram que não votam em Dilma Rousseff.

AVALIAÇÃO DO GOVERNO

O instituto também questionou os eleitores sobre a avaliação do atual governo. Segundo o levantamento, 33,1% consideram o governo Dilma Rousseff bom ou ótimo, 37,4% disseram regular e 28,8% classificaram como ruim ou péssimo.

A aprovação e a desaprovação ao desempenho pessoal da atual presidente estão empatadas em 47,4%. Outros 5,2% eleitores não souberam responder.

QUEREM MUDANÇAS

A pesquisa também indicou que a maior parte dos entrevistados quer mudanças. Para 35,2% dos eleitores, o próximo presidente da República deve mudar “totalmente a forma atual de governar”, 34,7% querem que “mude a maioria das ações” e 23,5% querem que “mantenha a maioria das ações”. Apenas 5,6% dizem que o próximo presidente deve “manter a forma atual de governar” e 1% não sabe ou não respondeu.

A CNT/MDA ouviu  2.002 pessoas, em 137 municípios de 24 unidades federativas das cinco regiões, entre os dias 21 e 24 de agosto de 2014.

Ministra Cármen Lúcia ataca foro privilegiado e propõe debate amplo sobre o Supremo

Fausto Macedo
Estadão

Em São Paulo, onde participou de debate sobre foro privilegiado, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo, criticou o foro privilegiado para governantes e autoridades, dizendo que ‘privilégios existem na monarquia, não na República’.

Ao abordar a “avalanche de processos” nos tribunais ela disse: “Muitas vezes, especialmente na parte administrativa, eu acho que estou maquiando cadáver. Esse Estado brasileiro, como está estruturado e como a Constituição previu há 25 anos, não atende mais a sociedade. O que era esperança, na década de 1980, pode se transformar em frustração. A tendência de uma frustração, o risco social é se transformar em fúria. E, quando a fúria ganha as ruas, nenhuma ideia de Justiça prevalece.”

Cármen Lúcia participou de um debate sobre foro privilegiado, promovido pela Associação dos Advogados de São Paulo, ao lado do ex-presidente do Supremo, Antonio Cezar Peluso, e do criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira – aquele defendeu o foro especial, este condenou com veemência.

“O Supremo é tribunal, não é corte. E o que não é explicável significa que tem na sua base uma concepção que está socialmente errada. Eu não vejo como se garantir materialmente o princípio da igualdade, preservando os que são sim privilegiados.”

ATÉ PROCURADOR…

Cármen Lúcia advertiu para a extensão da prerrogativa de foro por função. “Basta ver que as Constituições estaduais fizeram mais. Procurador geral do Estado amigo do governador deu um jeitinho de ser incluído também no rol daqueles que somente seriam julgados pelo Tribunal de Justiça. Então, não vejo como se afirmar que o princípio da igualdade esteja sendo rigorosamente cumprido.”

Ela abriu uma exceção, para presidente da República, assim como Mariz de Oliveira. “Pelo que ele (presidente) simboliza e pela dimensão de dados que tem na sua mão, levar o caso para o juiz de primeiro grau compromete tanto a prestação eficiente, quanto a Justiça dessa prestação. Daí porque concordo que quanto ao presidente a ação se mantenha no Supremo. Faço exceção, sim, ao presidente da República. Acho que presidente da República é muito mais vulnerável também a injunções perversas.Mas, no geral, não há razão para isso (foro privilegiado), nenhuma razão.”

Para a ministra do Supremo não há motivo para “distinguir entre o cidadão que exerce a função de pedreiro, que é uma função honrosa, e o que exerce uma função pública, um cargo público”.

“O que eu quero é um Brasil que seja justo para todo mundo, muito mais igual, sem privilégios”, declarou. “Qualquer privilégio, quando não atende o princípio da igualdade material, não tem razão de existir, nem sustentação.”

GRANDE DEBATE

“Um País que tem, segundo dados, não sei se são corretos, mais de 80 milhões de processos, considerando que somos 200 milhões de pessoas, há que se convir que há alguma coisa muitíssimo errada no País ou na sociedade. Por isso mesmo (o sistema) precisa ser repensado como um todo. Que Supremo Tribunal Federal querem, qual o Supremo que nós temos e qual o que nós queremos ter.”

Cármen Lúcia falou sobre “o jogo dos recursos” que fazem arrastar as ações indefinidamente. “Aí precisamos pensar, a comunidade jurídica como um todo, o processo como um todo. O processo tem atuado como um jogo, quem está ganhando quer que acabe depressa, quem está perdendo não quer que acabe e ele vai com outro (recurso) e com outro”.

“A primeira conferência que assisti, como aluna, em 1974, foi do ministro Aliomar Baleeiro, em 1974. Ele tinha sido ministro do Supremo e falou sobre a morosidade da Justiça. Quarenta anos depois estou eu como ministra do Supremo falando sobre morosidade da Justiça. A pergunta é: a quem interessa? Ao juiz interessa a celeridade. Mas alguém está interessado em manter a morosidade. Não vamos ser bobos. É preciso discutir isso.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPodemos começar o debate falando sobre a escala de trabalho dos magistrados, que segue igualzinho o Supremo, onde os ministros geralmente só trabalham de terça a quinta, sem falar nas férias, recessos, feriados prolongados e tudo o mais. Na semana do Carnaval não há julgamentos, na Semana Santa, também, é uma maravilha ser magistrado. Se os magistrados honrassem a toga e trabalhassem como qualquer pessoa comum, o Judiciário melhoraria bastante. Mas quem se interessa? (C.N.)

Derrotado no TSE, salvação de Arruda é recorrer ao Supremo

José Carlos Werneck

O Tribunal Superior Eleitoral indeferiu, na noite de terça-feira, o pedido do candidato do PR José Roberto Arruda,negando seu direito de candidatar-se ao Governo do Distrito Federal, nas eleições de outubro próximo.

A impugnação de Arruda ao cargo de governador foi requerida por Antônio Carlos de Andrade e Aldemário Araújo Castro, candidatos aos cargos de governador e senador pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSol). Também foram partes na ação os candidatos a deputado federal, Raphael Daher Curado, e a deputado distrital, Ricardo Lopes Burity .

Eles pretendiam a suspensão dos direitos políticos de Arruda por ato doloso de improbidade administrativa, lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito.

A defesa de José Roberto Arruda defendeu a tese de que a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, que confirmou a suspensão de seus direitos políticos por oito anos , é posterior ao pedido de registro da candidatura, portanto não poderia surtir efeitos. Ele requereu seu registro em 4 de julho passado e a decisão do TJDFT foi de 9 de julho.

Seus advogados argumentaram que as condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade são aferidas no momento em que registro da candidatura é requerido. “A jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, em diversos julgados relativos às eleições de 2012, portanto, sob a égide da Lei da Ficha Limpa, reconheceu que fato superveniente não poderá ser discutido em sede de registro”. Eles afirmaram que o TRE-DF mudou essa jurisprudência justamente para impedir a candidatura do ex-governador.

Agora, certamente, José Roberto Arruda recorrerá da decisão do TSE ao Supremo Tribunal Federal, a última Instância a que ainda poderá apelar.

 

Ademir da Guia, o Divino

 

Tostão
O Tempo

Uma das razões de algumas boas partidas no Brasileirão é a boa qualidade dos gramados. A CBF, a partir de 2015, deveria, com rigor, aprovar somente estádios com excelentes gramados. Isso é básico. O do Serra Dourada, em Goiânia, que já foi o melhor do Brasil, está ruim. Mesmo assim, Everton Ribeiro deu um ótimo passe para Marcelo Moreno fazer o gol da vitória do Cruzeiro, por 1 a 0, sobre o Goiás.

Enfim, Muricy definiu a maneira de jogar do São Paulo. Quando a equipe perde a bola, Kaká, pela esquerda, e Ganso, pela direita, voltam para marcar e formam, com os dois volantes, uma linha de quatro. O Cruzeiro faz o mesmo, com Everton Ribeiro e Willian. A defesa fica mais protegida.

Quando recuperam a bola, os meias avançam, sem posições fixas. Ganso nunca atuou em um espaço tão grande. Uma semelhança, hoje, entre várias grandes equipes é a de que não há mais um típico camisa 10, de quem os nostálgicos brasileiros tanto gostam, que joga em um pequeno espaço, que não participa da marcação e que espera a bola no pé, para dar um passe ou tentar o gol. Ganso percebeu isso, com a ajuda de Muricy, o que faz dele um meia muito mais completo e melhor.

Everton Ribeiro e Ganso me fazem lembrar Ademir da Guia, o Divino. Joguei várias vezes contra ele. Foi o melhor jogador que vi atuar pelo Palmeiras. O Cruzeiro era mais veloz, por causa de Dirceu Lopes, e o Palmeiras trocava mais passes curtos, por causa de Ademir, dois camisas 10 excepcionais.

Por que não há hoje, na seleção brasileira, um único armador fora de série? Quando houve a ruptura? Penso que foi na divisão do meio-campo, entre os volantes e os meias ofensivos. Desapareceram os meio-campistas, que atuavam de uma área à outra, como Ademir e Dirceu. Há vários deles na Europa, o que mostra que não foi o futebol moderno que fez sumir esse jogador no Brasil. Foi a escolha dos técnicos.

Ademir da Guia parecia um cisne branco, deslizando pelo gramado, alto, elegante, com passadas largas e com a bola colada aos pés. Raramente, errava um passe. Diziam que Ademir era um falso lento. Essa dicotomia entre falso e verdadeiro, falso lento, falso nove e outros falsos por aí sempre esteve presente no imaginário das pessoas. Hoje, na sociedade do espetáculo, cada vez é mais difícil separar o que parece e o que é. Algumas vezes, quem é não parece ser, e o que parece não é. “Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou” (Fernando Pessoa).

CONTAS BLOQUEADAS

Martín Fernandez, jornalista do Globoesporte.com, mostrou que, há pelo menos 11 anos, a Federação Mineira de Futebol (FMF) não pode movimentar contas em banco, bloqueadas pela Justiça, por causa de dívidas com o governo federal. Todo o dinheiro fica em uma empresa de segurança, e a FMF vai tirando aos poucos, para pagar funcionários e fornecedores. Já foi roubado, de um carro-forte, R$ 1 milhão. A

nova diretoria da FMF, eleita em junho, já conseguiu incluir a entidade no Refis (Programa de Recuperação Fiscal do Governo Federal) e tem esperança de, em breve, poder movimentar contas em banco. É inacreditável essa situação. Retrata muito bem a desorganização do nosso futebol, dos clubes e das federações.

Uma canção de protesto de Sérgio Ricardo

O cineasta, artista plástico, instrumentista, cantor e compositor paulista João Lutfi, que adotou o pseudônimo de Sérgio Ricardo, afirma que a letra de “Calabouço” foi inspirada em Edson Luis, estudante assassinado por militares no Restaurante Calabouço, em 1968, no Rio de Janeiro, durante a ditadura militar que vigorava no Brasil. A música foi gravada no LP Sérgio Ricardo, em 1973, pela Continental.

CALABOUÇO

Sérgio Ricardo

Olho aberto ouvido atento
E a cabeça no lugar
Cala a boca moço, cala a boca moço
Do canto da boca escorre
Metade do meu cantar
Cala a boca moço, cala a boca moço
Eis o lixo do meu canto
Que é permitido escutar
Cala a boca moço. Fala!

Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia

Cerradas portas do mundo
Cala a boca moço
E decepada a canção
Cala a boca moço
Metade com sete chaves
Cala a boca moço
Nas grades do meu porão
Cala a boca moço
A outra se gangrenando
Cala a boca moço
Na chaga do meu refrão
Cala a boca moço
Cala o peito, cala o beiço
Calabouço, calabouço

Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia

Mulata mula mulambo
Milícia morte e mourão
Cala a boca moço, cala a boca moço
Onde amarro a meia espera
Cercada de assombração
Cala a boca moço, cala a boca moço
Seu meio corpo apoiado
Na muleta da canção
Cala a boca moço. Fala!

Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia

Meia dor, meia alegria
Cala a boca moço
Nem rosa nem flor, botão
Cala a boca moço
Meio pavor, meia euforia
Cala a boca moço
Meia cama, meio caixão
Cala a boca moço
Da cana caiana eu canto
Cala a boca moço
Só o bagaço da canção
Cala a boca moço
Cala o peito, cala o beiço
Calabouço, calabouço

Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia

As paredes de um inseto
Me vestem como a um cabide
Cala a boca moço, cala a boca moço
E na lama de seu corpo
Vou por onde ele decide
Cala a boca moço, cala a boca moço
Metade se esverdeando
No limbo do meu revide
Cala o boca moço. Fala!

Olha o vazio nas almas
Olha um violeiro de alma vazia

Quem canta traz um motivo
Cala a boca moço
Que se explica no cantar
Cala a boca moço
Meu canto é filho de Aquiles
Cala a boca moço
Também tem seu calcanhar
Cala a boca moço
Por isso o verso é a bílis
Cala a boca moço
Do que eu queria explicar
Cala a boca moço
Cala o peito, cala o beiço
Calabouço, calabouço

Olha o vazio nas almas
Olha um brasileiro de alma vazia.

            (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Natal antecipado: Fundo de Pensão do Banco do Brasil dá R$ 500 mil para cada diretor

Márcio Gomes
Os participantes da Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, foram surpreendidos com a recente informação de que os membros de sua diretoria se concederam uma participação de, aproximadamente, R$ 500 mil para cada um, a pretexto de “remuneração variável”.
Diante da repercussão negativa do caso, o presidente da Previ, Dan Conrado, encaminhou e-mail explicativo a todos os participantes, explicando: “A mais recente reunião deste Conselho, realizada em 31/07/2014, não discutiu o direito à remuneração variável da Diretoria Executiva, e não fixou o valor desta remuneração, porque são equivalentes aos vigentes no Banco do Brasil, conforme determinam o contrato de cessão de 2005 e a Política de Gestão de Pessoas da PREVI de 2008. O que o Conselho Deliberativo definiu nessa reunião foi o critério pelo qual o pagamento da remuneração variável é acionado. Trata-se da definição de indicadores de gestão ligados à atividade de um fundo de pensão, e cujos valores estavam previstos no orçamento de despesas administrativas.”
 
Informou, ainda, que “a Previ é uma entidade sem fins lucrativos que tem por missão pagar benefícios aos seus associados. Portanto, não cabe falar em bônus, nem em participação nos lucros. Trata-se de remuneração variável”.
E eu que pensava que quem tinha problema com o nome das coisas eram os tucanos…
METAS SECRETÍSSIMAS…
Pois a tal “remuneração variável” retrocedeu a 2011 e atingiu, inclusive, ex-diretores. O conselho diretor, que tinha em sua composição dois sindicalistas petistas, teria anteriormente definido metas e, recentemente, reuniu-se e decidiu que atingiu tais metas, e pronto, teve direito a uma “remuneração variável”.
As metas são secretíssimas, pois não foram reveladas no e-mail de Dan Conrado e não se sabe onde é possível verificá-las, mas é estranho que um fundo de pensão fechado, que por isso mesmo não disputa mercado, encontre alguma dificuldade para mensurar metas.
Deve-se considerar que os diretores da Previ já tem um complemento de renda maravilhoso, com as vagas de conselheiros nas empresas que a Previ tem assento de acionista. Na verdade são prepostos, mas recebem como conselheiros.
OUTROS FUNDOS…
Diante das notícias de que o fundo de pensão Postalis, dos Correios, opera com déficit e teve enorme prejuízo com operação financeira junto ao banco americano NY Mellon, e de que o Petros, da Petrobrás, aparece nos malfeitos do ex-diretor preso Paulo Roberto Costa e de que a Previ achou por bem pagar aposentadorias superiores a R$ 45 mil para a cúpula do BB, o que esperar para o futuro desses e de outros fundos de pensão?
As entidades sindicais e os diretores sindicalistas eleitos da Previ não se manifestaram sobre a questão. Tomaram o troco na eleição de maio/2014, em que foram derrotados, e olha que a notícia ainda nem tinha chegado, mas se quiserem, ainda é tempo de esclarecer.

Se houvesse debate todo dia, Aécio Neves e Marina Silva passariam para o segundo turno facilmente

Carlos Newton

O debate dos presidenciáveis na Band, que o jornalista Ricardo Boechat conduziu com a categoria de sempre, foi muito importante para quem está indeciso, sem saber em que votar. Sete candidatos à Presidência da República participaram. Além da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), o confronto contou também com a presença de Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB) Pastor Everaldo (PSC), Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB).

No primeiro bloco, todos os candidatos responderam à mesma pergunta. O debate só esquentou a partir do segundo bloco, quando os participantes fizeram perguntas entre si, com livre escolha. É claro que Dilma Rousseff, Aécio Neves e Marina Silva tinham de ser os mais assediados. E nesse entrechoque de opiniões, com direito a réplica e tréplica, Dilma Rousseff somente se saiu bem ao fazer suas duas perguntas, porque as trouxera escritas… Quando teve que falar de improviso, era aquela tragédia. Muito nervosa, acabava se atrapalhando.

Correndo atrás do prejuízo nas pesquisas, Aécio Neves estava seguro e agressivo. Fez sua primeira pergunta a Marina Silva e não a poupou, batendo pesado na crítica às posturas da adversária, que ficou nervosa e se atrapalhou um pouco. Esse segundo bloco foi dominado por Aécio, o único que conseguiu conciliar agressividade e humor.

Detalhe importante: Levy Fidelix, Luciana  Genro, Pastor Everaldo e Eduardo Jorge estavam bem no debate e como participavam sempre vergastando o governo do PT, deixavam Dilma Rousseff em dificuldades. E a candidata do PT saía-se mal nas respostas, sempre atrapalhadas, no seu estilo personalíssimo. Saiu-se muito mal, por exemplo, quando perguntada pelo Pastor Everaldo Fidelix sobre o financiamento ao moderníssimo porto de Mariel em Cuba, enquanto os portos do Brasil estão obsoletos.

AÉCIO E DILMA

No terceiro bloco, houve perguntas de jornalistas da Band, com réplica e tréplica dos candidatos, e Marina Silva se saiu um pouco melhor, mas Aécio Neves continua tendo a melhor atuação, mostrando estar realmente preparado para a candidatura.  E citava sua experiência no governo de Minas. Num confronto com um dos candidatos, que tentou ironizar a situação dos professores do Vale do Jequitinhonha, Aécio deu-lhe um baile. Foi patético.

Pressionado por Eduardo Jorge, de quem é amigo pessoal, Aécio saiu-se bem respondendo porque é contra o aborto.

O quarto bloco foi semelhante ao segundo, com os candidatos fazendo perguntas entre si. Aécio Neves deixou a educação em casa e bateu pesado em Dilma, exigindo que ela pedisse desculpas ao povo pela situação em que está a Petrobras, porque a empresa passou a frequentar mais as páginas policiais do que as páginas econômicas dos jornais. Ela respondeu que as acusações contra a Petrobras eram uma leviandade, fez um pronunciamento tentando passar um quadro otimista da estatal, citando números que levara numa pasta, mas na réplica Aécio voltou a vergastá-la, exigindo novamente que ela pedisse desculpas.

Marina Silva também se saiu bem neste bloco, em diálogos com o candidato verde Eduardo Jorge sobre reforma política e reforma tributária. Em suas participações, ela fazia questão de se livrar de qualquer radicalismo contra bancos, empresários e produtores rurais, enquanto Luciana Genro e Levy Fidelix aproveitavam para bater para valer nos bancos, firmando posição.

Nessa fase do debate, Dilma teve a ousadia de dizer que o Brasil jamais deveu tão pouco, e sua tese foi desmontada por Fidelix, que sabia de cor os números assustadores da dívida pública. E Marina deu show ao responder por que o Brasil não precisa de “gerentona”, mas de um presidente que conheça “estratégia política”. Só ficou mal no caso da independência do Banco Central e suas ligações com Neca Setubal e Guilherme Leal, também exploradas por Fidelix.

MAIS MÉDICOS

No quinto bloco, os jornalistas voltaram a fazer perguntas. E Dilma foi indagada sobre o programa Mais Médicos. Deu as explicações de sempre e repetiu uma afirmação estarrecedora, dizendo que graças ao Mais Médicos “50 milhões de brasileiros passaram a ter assistência médica”. Ora, 50 milhões representam um quarto da população brasileira, e o programa Mais Médicos tem menos de 15 mil médicos. Como poderiam estar cuidando de 50 milhões de pacientes? É um número alucinado…

Dilma teve de responder sobre os conselhos populares e também sobre a pretendida regulamentação da mídia. Ficou mal ao tentar se explicar, porque no sorteio Aécio estava como comentarista do tema e ele teve condições de bater novamente nela.

Na rodada final, com cada um falando livremente, eles deram seu recado e o destaque foi o Eduardo Jorge, que aproveitou para fazer uma bem sustentada defesa da importância dos Partidos Verdes no Brasil e no mundo. É um grande político, deveria ser candidato ao Congresso, onde faz muita falta.

Traduzindo tudo isso: se a eleição dependesse só dos debates, Aécio e Marina iriam fácil para o segundo turno. Quanto a Dilma, francamente… A mãe do PAC, o programa das obras inacabadas, da superusina de energia eólica sem linha de transmissão.

Regulamentação do uso da maconha divide opiniões em comissão do Senado

Karine Melo
Agência Brasil 

A possibilidade de regulamentação da produção, comércio e uso da maconha voltará a ser debatida pela Comissão de Direitos Humanos do Senado. A discussão fez parte da segunda rodada de uma série de audiências públicas promovidas pela comissão para decidir, com base em relatório que será elaborado pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), se o tema será alvo de projeto de lei.

“Eu não tenho uma posição. Não estou convencido de nada”, afirmou o senador do Distrito Federal. Para ele, o Brasil está perdendo a guerra contra as drogas, o que mostra que a proibição não está dando certo, da maneira que feita hoje.

“É preciso que a proibição seja o caminho, mas que seja diferente. Temos que procurar outro caminho para enfrentar: ou regulamentando, não para permitir o uso, mas para resolver o problema, ou criando novos mecanismos que, sem regulamentar, façam com que a gente consiga ganhar a guerra.”

“Não queremos a maconha legalizada em nosso país; não queremos o argumento de que ela é benéfica para a saúde como medicamento, porque, se fosse esse o argumento, não seria pelo fumo, seria pela transformação dos componentes medicinais dela em comprimidos, em cápsulas, em qualquer tipo de medicamento. Mesmo assim, não é unanimidade na medicina internacional que a maconha é benéfica para a saúde”, disse o analista de sistemas Alamar de Carvalho.

EDUCAÇÃO EM SEGUNDO PLANO

A relação entre drogas e violência também foi abordada na reunião da Comissão. Para o representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime , Nivio Nascimento, a educação foi deixada em segundo plano. Segundo Nascimento, não há comprovação de efeitos da regulamentação da maconha, seja no nível de consumo ou na redução da violência.

“Durante muitos anos, as políticas de drogas centraram-se na redução da oferta por meio de ações de repressão ao uso, porte e tráfico de entorpecentes. Erros ocorreram, mas também acertos. O fato é que ficou em segundo plano a redução da demanda, que se traduz em ações destinadas à educação, ao tratamento e à reintegração social de usuários e dependentes”, disse Nascimento.

“Se o governo legaliza, qual é a moral, qual é a situação em que o pai que está tentando conversar, manter um diálogo com seus filhos? Vai dizer para ele: ‘não faça isso, não use maconha, porque ela causa isso, isso, isso, uma série de problemas para a saúde.’ Qual é a moral que ele vai ter, se a criança ou adolescente vai dizer: “Olha, o Estado brasileiro autorizou! Papai, deixe de ser careta! Que bobagem é essa que o senhor está falando aqui? O Brasil autoriza”, questionou um dos participantes da audiência pública, que não se identificou.

INTERESSE MEDICINAL

Na reunião, também se manifestaram pessoas favoráveis à regulamentação. Um deles, o estudante de ciência política Victor Dittz, disse que a política atual “é ineficaz e que existem inúmeros pontos para refutar qualquer argumento proibicionista, seja a anticonstitucionalidade da Lei de Drogas, seja o cerceamento de direitos individuais, seja o interesse medicinal”.

Na mesma linha, o também estudante da Universidade de Brasília (UnB) Filipe Marques pediu mudanças na lei. “Não se trata de legalizar. Já está legalizado. As pessoas consomem independentemente  de ser proibido, ou não. Quando se legaliza, dá-se a chance ao Estado de pelo menos acolher essas pessoas [consumidores]” , destacou.

Cristovam Buarque também leu a carta de Maria Aparecida Carvalho, mãe de Clárian, de 11 anos. Ainda bebê, a menina foi diagnosticada com Síndrome de Dravet, descrita pela mãe como “uma forma rara e catastrófica de epilepsia mioclônica na infância, que pode ser fatal, além de gerar atrasos no desenvolvimento cognitivo, distúrbios sensoriais e problemas de equilíbrio”. De acordo com Aparecida, foi só a partir do uso do CBD, óleo extraído da maconha, que a menina teve uma melhora considerável e passou a ganhar qualidade de vida.

 

CPI da Petrobras transfere para a semana a nova convocação do homem-bomba da estatal

Naira Trindade
Correio Braziliense
Parlamentares da CPI mista da Petrobras adiaram para a primeira semana de setembro a reunião que apreciaria o requerimento de convocação do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. A alteração, após revelada a negociação da delação premiada do engenheiro com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, irritou a oposição. “É evidente que a anunciada delação premiada provocou esse adiamento”, criticou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR). “É lamentável porque vai atrasar toda a agenda de depoimentos da investigação”, frisou Bueno.
Líder do PSDB na Câmara, o deputado federal Antônio Imbassahy (BA) alegou entender a justificativa de baixo quórum apresentada para remarcar a sessão para a semana que vem, mas defendeu a necessidade de o Congresso ouvir o engenheiro envolvido no escândalo da Petrobras. “A desculpa de falta de quórum para a aprovação do requerimento é até razoável, mas dá margem para entender que é medida protelatória”, ponderou. “Para a oposição, quanto antes se esclarecer essa história, melhor.”

Fontes da Polícia Federal confirmam que o ex-diretor Paulo Roberto Costa já prestou o primeiro depoimento da delação premiada à Polícia Federal. A oitiva teria acontecido na sede da PF em Curitiba, com a presença do juiz responsável pela investigação, Sérgio Moro. Agora, o Ministério Público Federal precisa se manifestar sobre o acolhimento da delação premiada, apesar de a decisão final caber ao juiz.

REDUÇÃO DE PENA

A depender da informação que o engenheiro tem a oferecer, Paulo Roberto Costa terá de devolver um valor ainda a ser estipulado ao erário público, além de ter a pena reduzida ou até o perdão judicial. Especialistas ouvidos pelo Correio alertam, porém, que o acordo de delação do ex-diretor não beneficia os parentes deles. “É possível que haja um acordo de delação coletiva e que os filhos e parentes também contem o que sabem da lavagem de dinheiro”, ressaltou um criminalista que preferiu manter o anonimato.

Hamas e Israel acertam cessar-fogo sem limite de tempo

Deu na Folha

Um acordo para um novo cessar-fogo na faixa de Gaza foi alcançado entre o movimento islâmico Hamas e Israel, anunciaram autoridades palestinas e israelenses nesta terça-feira (26). O cessar-fogo não tem limite de tempo e entrou em vigor às 19h (13h em Brasília).

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, confirmou oficialmente a trégua. Segundo um comunicado do ministério das Relações Exteriores egípcio, Israel concordou com a entrada de ajuda humanitária e material de construção em Gaza.

Segundo os palestinos, a trégua proposta pelo Egito prevê o fim do bloqueio à faixa de Gaza, com a abertura das passagens ao território, controladas por Israel e pelo Egito, além de uma ampliação da zona de pesca palestina no Mediterrâneo.

Numa segunda fase, que começaria um mês mais tarde, Israel e os palestinos deveriam discutir a construção de um porto de mar de Gaza e a libertação de membros do Hamas presos por Israel na Cisjordânia.

Israel e Egito veem o Hamas, grupo radical que controla a faixa de Gaza, como uma ameaça à segurança e querem garantias de que armas não entrem em seu território.

O último cessar-fogo entrou em vigor no dia 11 de agosto e foi respeitado durante nove dias. Neste período de tempo, os egípcios tentaram convencer os dois lados a aceitar uma trégua prolongada.

PRÉDIOS ATINGIDOS

No sábado, o exercito israelense havia destruído outro edifício residencial de 13 andares na Cidade de Gaza e um centro comercial na cidade de Rafah, na fronteira com o Egito.

Houve apenas feridos, já que as forças israelenses alertaram os moradores sobre o bombardeio nos locais.De acordo com uma fonte militar, a Força Aérea de Israel realizou 15 ataques contra Gaza desde meia-noite, ao mesmo tempo que vários foguetes foram lançados contra o território israelense.

Dois palestinos morreram nesta terça-feira em um dos ataques, anunciaram os serviços de emergência do território.

Agora são mais de 2.100 o número de palestinos mortos desde 8 de julho, quando começou a ofensiva israelense Margem Protetora.

Do lado israelense morreram 64 soldados israelenses e quatro civis, sendo uma criança.

De acordo com números da ONU, mais de 450 mil pessoas deixaram suas casas e se tornaram deslocados internos, número que representa um quarto da população da faixa de Gaza.

BOMBARDEIOS

Disparos de foguetes palestinos danificaram uma casa na cidade de Ashkelon, no sul de Israel, ferindo levemente 10 pessoas segundo a polícia.

Um outro foguete lançado de Gaza foi destruído pelo Domo de Ferro na região de Tel Aviv.

As Brigadas Ezedin al-Qasam, braço militar do Hamas, anunciaram o lançamento de um foguete contra Haifa (norte de Israel) e de quatro contra a região de Tel Aviv.

Além disso, dois foguetes lançados a partir do Líbano atingiram o norte de Israel.

O Exército israelense respondeu com tiros em direção ao setor libanês de onde foram disparados os foguetes, que não provocaram vítimas.

Este é o terceiro dia consecutivo em que Israel é alvo de foguetes lançados do Líbano ou Síria.e está acontecendo em Israel?

Confirmado: Marina abre 10 pontos sobre Aécio e venceria Dilma no 2º turno

José Roberto de Toledo e Daniel Bramatti
Estadão

Como substituta de Eduardo Campos na candidatura a presidente pelo PSB, Marina Silva chegou a 29%, segundo nova pesquisa Ibope encomendada pelo Estado e pela Rede Globo. A ex-ministra se isolou na segunda colocação e ficou a cinco pontos porcentuais atrás da presidente Dilma Rousseff (PT), que ainda lidera sozinha, com 34%. Aécio Neves (PSDB) está com 19%, em terceiro lugar. Em um segundo turno, se a eleição fosse hoje, Marina seria a vencedora.

A margem de erro máxima da pesquisa é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos. Não há empate técnico no primeiro turno, porque Marina poderia ter no máximo 31% e Dilma, no mínimo 32%. Nem Aécio poderia estar em segundo lugar, porque chegaria no limite da margem a 21%, enquanto Marina teria ao menos 27%.

O Pastor Everaldo (PSC) marcou 1% das intenções de voto estimuladas, o mesmo porcentual de Luciana Genro (PSOL). Os outros candidatos não chegaram individualmente a 1%, mas juntos somam 1%. Há ainda 7% de eleitores que pretendem anular ou votar em branco, e outros 8% que estão indecisos. A soma dos adversários de Dilma dá 51%, 17 pontos a mais do que os 34% da presidente.

SEGUNDO TURNO

Na simulação de segundo turno, Marina seria eleita com 45%, contra 36% da petista. Há, porém, ainda 11% de indecisos e outros 9% que anulariam. Contra Aécio, Dilma ainda seria reeleita: 41% a 35%. Nesse cenário, há mais indecisos e eleitores que anulariam: 12% em cada grupo.

Embora o cenário de primeiro turno testado pelo Ibope seja diferente do da pesquisa anterior – pois aquela ainda media as intenções de voto em Eduardo Campos (PSB) -, percebe-se que Marina, ao entrar na disputa, tirou eleitores de tudo e de todos: Dilma e Aécio perderam 4 pontos cada um; os nanicos perderam 3 pontos; a taxa dos que anulariam ou votariam em branco está 6 pontos menor; e há 3 pontos a menos de indecisos.

Na pesquisa espontânea – pergunta-se a intenção de voto do eleitor sem mostrar para ele a cartela circular com os nomes dos candidatos -, Dilma segue na liderança, com 27%. Marina chega a 18%, e Aécio tem 12%. O número de eleitores indecisos na espontânea despencou de 43% para 28%, em relação à pesquisa anterior do Ibope, de 6 de agosto.

Dos três primeiros colocados, Marina tem a menor rejeição. Apenas 10% dizem que não votariam nela de jeito nenhum, contra 36% que não votariam em Dilma, e 18% que rejeitam Aécio. Destacam-se ainda a rejeição ao Pastor Everaldo (14%) e a Zé Maria (PSTU), que tem 11%. Os demais candidatos têm menos de 10% de rejeição.

Na Europa, atos antissemitas contra judeus

João Pereira Coutinho
Folha

A loucura não chegou a Londres. Pelos menos, eu não reparei em nada. Mas leio nos jornais que chegou a França, Itália e até na Alemanha. Falo dos atos antissemitas contra judeus – violência, queima de sinagogas etc. – porque a guerra entre Israel e o Hamas continua no Oriente Médio.

Sobre o caso francês, nada a declarar: como escrevi nesta Folha, 50% dos crimes racistas em França são contra judeus. Já na Itália e na Alemanha, o caso tem mais piada: 70 anos depois, esses dois países, que têm a mancha do antissemitismo gravada nos ossos, são como os antigos Bourbons. Não aprenderam nada nem esqueceram nada.

Porque falamos de antissemitismo e não, como se pensa, de antissionismo. Quando, em finais do século 19, um certo jornalista húngaro escrevia em Paris sobre o “Caso Dreyfus” (um oficial francês, de origem judaica, era acusado de passar segredos militares à Alemanha), o que espantou Theodor Herzl (1860 – 1904) não foi o irracionalismo do julgamento.

Foi ver, na porta do tribunal, cartazes onde se lia: “Morte aos judeus!”. Atenção às palavras: não era “Morte a Dreyfus!”. Era “Morte aos judeus!”, como se todos eles fossem igualmente culpados por um crime falso.

O raciocínio de Herzl, que nunca verdadeiramente tinha pensado na “questão judaica” (ele, apesar de judeu, era um caso de integração exemplar), foi imediato: se os judeus não estavam em segurança no país mais avançado do Ocidente, onde poderiam encontrar essa segurança? A Palestina otomana (sublinhemos o “otomana”, por favor) era a opção historicamente mais lógica.

Herzl não inventou o “sionismo”. Mas, com ele, emergiu um sionismo político moderno, baseado na compra e no trabalho da terra (sublinhemos as palavras “compra” e “trabalho” da terra).

NADA MUDOU

Passou em século. E voltamos a ver os mesmos cartazes – “Morte aos judeus!” – pelas ruas da Europa. Repito: não é “Morte a Netanyahu!” ou “Morte a Israel!” ou “Morte aos soldados israelenses!”. É “Morte aos judeus!”, todos eles, começando no soldado que invade Gaza e terminando no anônimo vendedor de livros junto ao rio Sena, que nem sequer sabe onde fica Israel no mapa.

Quem disse que não era possível escrever poesia depois de Auschwitz, esqueceu-se de incluir a farsa.

Ainda sobre Israel: o meu último texto para a Folha mereceu incontáveis mensagens. De apoio e repúdio.

Lamento. No texto, limitei-me a relembrar fatos. A começar pelo facto singelo de o Hamas ser uma organização terrorista e jihadista que nem sequer aceita a existência de Israel. A exigência do “fim do bloqueio” a Gaza é conversa para otários.

Mas uma acusação não deixou de cintilar no meu email: eu, na minha condenação do Hamas, era insensível aos civis mortos (e às crianças mortas!) que o exército de Israel provocava no território. Confrontado com imagens do horror, o mais certo era eu dançar de alegria, agradecendo a Herodes a matança dos inocentes.

CABEÇAS DOENTES

Não vale a pena perder tempo com cabeças doentes. Nem sequer para recordar o óbvio: o Hamas persiste em usar civis como escudos humanos, armazenando o seu arsenal bélico em escolas ou hospitais – e até impedindo a saída dos civis de áreas que o próprio exército de Israel avisa antecipadamente que serão atacadas. Quem começa por matar os palestinos são os próprios terroristas palestinos.

De resto, e depois de anos a ler e a ensinar sobre o conflito, começo a chegar à triste conclusão que o melhor mesmo seria Israel conceder independência total a Gaza e à Cisjordânia. Isso teria dois efeitos.

O primeiro, previsível, seria uma guerra civil entre os próprios palestinos, que obviamente olham para Israel de formas distintas: a Autoridade Palestina (na Cisjordânia) como um vizinho possível; o Hamas (em Gaza) como um câncer que é preciso extirpar.

Depois, se houvesse lançamento de foguetes, Israel poderia defender-se como qualquer estado soberano quando atacado por outro estado soberano.

Não que isso convencesse a “comunidade internacional” da justeza israelense – falo sobretudo da comunidade europeia, que gosta de transformar os israelenses em novos nazistas por óbvios sentimentos de culpa. Mas seria mais difícil sustentar que um país, ao ser atacado por outro, deveria receber os mísseis de braços abertos.

Candidatura de José Roberto Arruda será julgada hoje pelo TSE

José Carlos Werneck

O Tribunal Superior Eleitoral  deve julgar, na noite de hoje, o registro da candidatura de José Roberto Arruda (PR) para o governo do Distrito Federal. Sua defesa apresentou recurso contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral, que considerou que o ex-governador não pode participar da disputa por haver cometido crimes previstos na chamada Lei da Ficha Limpa.  O ministro Henrique Neves, relator do processo, concluiu seu parecer . Ontem, o ministro Dias Toffoli, presidente do Tribunal incluiu o recurso na pauta da sessão de hoje.

Em seu parecer,  o Ministério Público entende que todos os requisitos necessários para impedir a candidatura de Arruda se fazem presentes no processo. O candidato teve seus direitos políticos suspensos, por decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, por improbidade administrativa.

Arruda teve seu pedido de registro contestado pela Procuradoria Regional Eleitoral  e pelo candidato do PSol, que usou parte do tempo em debate de ontem para atacar o ex-governador. Quando julgou o recurso de Arruda, o TRE decidiu que ele não poderia disputar às eleições de outubro por haver sido condenado por órgão colegiado (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios), mas ele recorreu ao TSE.

Os advogados do ex-governador fundamentam sua defesa quanto ao momento em  que o registro da candidatura poderia ser objeto de impugnação, e para isso tomam por base a jurisprudência do próprio TSE.

 

Supremo adia novamente o julgamento da desaposentadoria

Caio Prates
PrevTotal

O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou um dos processos que discute a desaposentadoria. O julgamento estava na pauta, mas, segundo informações do jornal Valor Econômico, a Corte Superior pretende retomar a análise do tema a partir de outro processo com repercussão geral, em setembro. A ideia dos ministros é a de fazer um julgamento único para todos os casos em tramitação no Judiciário.

Chamada na Justiça de desaposentação, a troca é a possibilidade de o aposentado que continua trabalhando conseguir um novo benefício, que inclua as contribuições feitas depois da primeira aposentadoria. O julgamento pelo STF pacificará (ou não) o direito à desaposentação. O processo que seria julgado ontem não tinha repercussão geral e, por isso, se fosse chamado à votação no plenário, haveria pedido de vista do ministro Luís Roberto Barroso. Ele é o relator do processo que dará repercussão para os demais que tratam do assunto.

“A decisão desse recurso só produziria efeitos nesse caso”, disse, referindo-se ao processo na pauta de ontem. Barroso pretende levar o seu voto sobre a desaposentação em setembro. “O caso não é simples e apenas no meu processo há diversas decisões a respeito”, afirmou o ministro.

RECURSO

Está na pauta do STF, o Recurso Extraordinário 381367, que está na Corte desde 2003 e foi apresentado para tentar reverter decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que negou o pedido de troca de aposentadoria um aposentado que continuou trabalhando. O julgamento começou em 2010, mas foi paralisado após o pedido de vistas do ministro Dias Toffoli.

A desaposentação não possui lei que a regule e foi uma tese criada a partir de um entendimento de juristas. A sua aplicação prática vem sendo consolidada por algumas decisões de tribunais federais e cortes superiores brasileiras. O Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, confirmou o direito do aposentado de renunciar ao benefício para requerer uma nova aposentadoria sem devolver o dinheiro que recebeu da Previdência Social. Porém, esse entendimento não é vinculante, ou seja, apenas orienta os tribunais a julgarem dessa forma. Por esse motivo, milhares de segurados que possuem casos tramitando na Justiça aguardam uma decisão do Superior Tribunal de Justiça.

O que está em discussão é a inconstitucionalidade do artigo 18, parágrafo 2 da Lei da Previdência Social , que prevê ser apenas devido salário-família e reabilitação profissional ao segurado aposentado que volta a contribuir.

O Poder Executivo se preocupa com o assunto. Teme o impacto da medida nas contas da Previdência Social. A alegação é que permitir a desaposentadoria causaria um rombo de R$ 70 bilhões, em 20 anos, nos cofres da União

O Poder Executivo se preocupa com o assunto. Teme o impacto da medida nas contas da Previdência Social. A alegação é que permitir a desaposentadoria causaria um rombo de R$ 70 bilhões, em 20 anos, nos cofres da União

Ibope confirma que Marina continua subindo no primeiro turno e a ultrapassa Dilma no final

Talita Abrantes
Exame

De acordo com o colunista Lauro Jardim, de Veja, a candidata do PSB Marina Silva alcançou Dilma Rousseff (PT) nos resultados da pesquisa Ibope que serão divulgados no final da tarde de hoje. 

Dilma tem entre 31% e 32% das intenções de voto enquanto a ex-senadora aparece com 27% e 28%, segundo o colunista. Aécio Neves (PSDB) está em terceiro com 18% a 20% das intenções de voto.

Em um eventual segundo turno, Marina aparece dois dígitos à frente da candidata petista, segundo a coluna Radar online.

Esta é a segunda pesquisa eleitoral após a morte de Eduardo Campos, que concorria ao Planalto pelo PSB. O Ibope, no entanto, não confirma os dados. Segundo a assessoria de imprensa do instituto, o levantamento ainda não foi finalizado.

Na levantamento divulgado pelo Datafolha na semana passada, Marina e Neves amargavam um empate técnico: ela com 21% das intenções de voto e ele com 20%.

Dilma largava na frente com 36% das intenções de voto. No entanto, em um eventual segundo turno com Marina, a atual presidente ficaria com 43% das intenções de voto e a candidata do PSB, com 47%  – o que configura um empate técnico, segundo o Datafolha.

Enxugando gelo

Luiz Tito

A quarenta dias das próximas eleições, através das quais o Brasil deveria caminhar para o encontro de propostas e soluções reclamadas como essenciais para a construção de uma nova realidade nacional, as campanhas eleitorais e seus candidatos ainda não conseguiram sensibilizar o eleitorado para a importância histórica desse momento.

O eleitor transita entre o Estado de total desencanto e incredulidade para uma outra ponta, na qual ele chega a reagir agressivamente à eventual abordagem que lhe fazem para tomar seu voto.

Acham-se represadas decisões inadiáveis e prioritárias no plano econômico, que comprometem a operação da indústria, do comércio, do agronegócio, do setor financeiro, dos investimentos, do fomento. Está engessado o planejamento, com todas as consequências da sua falta.
DEMANDAS 
No cenário institucional o Brasil tem demandas fundamentais, algumas já inscritas com marcas de fogo no elenco de reformas que as ruas reclamam através de protestos, de paralisações, ou estão demonstradas no desmando, na corrupção, no desperdício, na falta de gestão e na violência.
Todos os dias a imprensa ecoa o debate sobre o financiamento público das campanhas eleitorais e na mesma página lista o rol das empreiteiras, dos bancos, dos frigoríficos, enfim, dos grandes grupos econômicos que colocam suas fichas nas candidaturas que melhor representarão seus interesses particulares. Suas fichas e muito dinheiro.
Os candidatos, não importa de que partidos ou coligações, passam ao largo dessa realidade, com seus equívocos, com suas mentiras, sua superficialidade e seu descaso.
Há dez dias que no Brasil só se discute a morte do ex-governador e candidato Eduardo Campos. Se o avião era dele, do sócio, se foi fruto de sabotagem a queda da aeronave, porque Marina não embarcou, como ficará o PSB no governo que ainda não ganhou, se a morte de Campos afeta Dilma ou Aécio. Marina virou o estandarte da renovação, ainda que a ex-prefeita Erundina seja sua referência no PSB que lhe alugou uma janela. Renovação de que, porque e quando ninguém sabe.

Até porque ela mesma, Marina, não diz. Ela chegou agora, era vice e vice é apenas coadjuvante. Tudo que estava na roda para ser discutido tinha sido colocado pelo programa assinado por Eduardo Campos, com o qual lhe coube apenas concordar.

SEM PROGRAMAS
Ao candidato Aécio Neves deram uma trégua com a questão do aeroporto de Cláudio; em compensação, o passaram para o andar de baixo na disputa, já que Marina, a novidade (?), tomou-lhe o segundo lugar.
Os dois nomes de maior expressão na oposição à reeleição da presidente Dilma ainda não apresentaram seus programas, como os executarão, que país receberão e devolverão, nos prazos próprios de todo governo. Mas prometem muito.
A presidente Dilma dá expediente no Palácio do Planalto e na campanha eleitoral. Muitas vezes confunde os espaços, governa onde tem que pedir votos e vice-versa. Depende de Dilma majorar a gasolina para salvar a Petrobras e os usineiros de álcool; majorar a conta de luz para salvar as empresas do setor elétrico. De mexer no câmbio para fortalecer as exportações, de subir os juros para conter a inflação e de conter a inflação para salvar o povo. Sobre sua cabeça está a espada empunhada pelos eleitores que a reelegerão, especialmente se ela nada fizer do que o Brasil precisa urgentemente para continuar de pé. (transcrito de O Tempo)

Ex-diretor da Petrobras fará a delação premiada e terá de falar sobre políticos

O Ministério Público Federal já decidiu quais são as informações prioritárias que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa terá de revelar no acordo de delação premiada que ele fechou na última sexta-feira (22): os procuradores da Operação Lava Jato querem saber como os contratos da Petrobras eram superfaturados e como o valor a mais retornava para os políticos.

Delação premiada é a figura jurídica na qual um réu conta o que sabe à Justiça em troca de redução de pena. Costa foi preso pela segunda vez em junho, depois que a Suíça informou as autoridades brasileiras de que ele tinha US$ 23 milhões em contas secretas naquele país.

A escolha dos contratos superfaturados e do caminho pelo qual a propina chega aos partidos têm uma razão prática: são esses pontos sobre os quais os procuradores têm menos provas para usar nas ações penais.

Um exemplo dos indícios de que Costa cuidava da distribuição de recursos a partidos: a Polícia Federal apreendeu uma caderneta do ex-diretor da Petrobras com anotações de doação de R$ 28,5 milhões em 2010 para o PP.

Os procuradores dizem nas ações que os recursos saíram de contratos superfaturados da Petrobras, principalmente na construção da refinaria Abreu e Lima, da qual Costa era um dos responsáveis.

Há lacunas, no entanto, sobre como o valor supostamente superfaturado foi distribuído para os políticos.

Costa foi indicado pelo PP para a diretoria de distribuição da Petrobras em 2004, ficou no cargo até 2012 e conseguiu apoios no PT e PMDB.

Ele decidiu fazer um acordo de delação premiada como os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato depois que a Polícia Federal fez buscas e apreensões em 13 empresas que pertencem a sua filha, sua mulher, seu genro e um amigo dele.

A maioria das empresas em que a PF fez buscas na última sexta-feira não tinha atividade nem funcionários e serviam para receber propina de fornecedores da Petrobras por meio de contratos falsos de consultoria, segundo os procuradores da força-tarefa.

PREOCUPAÇÃO COM A FILHA

Costa ficou extremamente preocupado com documentos encontrados no escritório de uma empresa da filha dele, segundo a Folha apurou.

O ex-diretor da Petrobras também ficou com o temor de não ter o que contar depois que outros cinco réus resolveram fazer acordo de delação premiada com os procuradores da Operação Lava Jato, entre os quais uma contadora e um advogado do doleiro Alberto Youssef.

A família de Costa pressionou-o para fazer a delação por não ver saída jurídica para o caso. Na última quinta-feira (21), véspera da decisão, o ex-diretor da Petrobras havia perdido mais um recurso no Supremo, uma reclamação impetrada pelo advogada Nelio Machado com a alegação de que o caso de Costa não deveria continuar na Justiça federal do Paraná já que a Petrobras fica no Rio.

Com a derrota no Supremo, a mulher de Costa, Marici, enviou uma advogada especializada em delação premiada para Curitiba, Beatriz Catta Preta, para fazer o acordo com os procuradores.

A advogada de Costa repete desde sexta-feira que o acordo de delação ainda não existe, que depende de “uma decisão pessoal” de Costa.

A Folha apurou, no entanto, que as declarações da advogada fazem parte de uma estratégia para evitar que a delação seja anulada posteriormente na Justiça porque esse tipo de negociação exige sigilo absoluto de todas as partes envolvidas.

 

Quando os dois têm razão e ambos perdem…

Carla Kreefft

O luto do PSB e da Rede Sustentabilidade durou uma semana. A morte do presidenciável Eduardo Campos ocorreu em 13 de agosto. Uma semana depois, as lideranças políticas do partido, incluindo a própria substituta de Campos na chapa, a ex-senadora Marina Silva, já estavam em guerra. E qual o motivo dessa guerra? O mesmo de qualquer conflito: a disputa de poder. É assim que as coisas acontecem em qualquer setor da vida humana, mas na política o poder é determinante. Dele não se abre mão, em situação alguma.

Carlos Siqueira, que tinha o controle da campanha de Eduardo Campos, não aceitou as condições – para alguns, imposições – colocadas por Marina Silva. Siqueira lembrou de forma enfática que ele é parte integrante e importante do partido, muito antes de ela estar presente na legenda. Aliás, ele classificou a presença de Marina no PSB: “Ela é hospedeira”. Do outro lado, a ex-senadora refrescou a memória dos pessebistas, lembrando que é ela a dona da viabilidade eleitoral.

É bem provável que ambos tenham razão. Marina tem potencial grande de votação. Siqueira é uma liderança reconhecida e influente dentro do PSB. A questão é que os dois fatos são verdadeiros e importantes para a eleição. Marina, certamente, vai precisar de um partido estruturado para fazer uma boa campanha. Já o PSB não pode prescindir da ex-senadora porque não possui uma liderança capaz de ocupar a vaga de Eduardo Campos.

GUERRA INTERNA

A guerra interna não é boa para a candidatura do PSB e da Rede. Ela somente favorece os adversários que, certamente, estão se aproveitando desse tempo de luto seguido por rachas.

A solução que será dada para essa situação poderá levantar ou afundar a candidatura de Marina Silva. O tempo que o PSB e a Rede vão gastar nesse entrave também é fundamental para o sucesso da campanha. Mas seja qual for a resposta dada ao problema, já há aí alguns indicativos para o eleitor. O primeiro deles é a dificuldade em se obter unidade nessa junção que Eduardo Campos tratou de construir. De forma rasteira, é possível pensar que quem não consegue unir seu partido também não vai conseguir ter uma base de sustentação unida no Congresso Nacional.

Ainda há outra questão para se pensar. As diferenças ideológicas entre Rede e PSB mostram que essa associação é tão oportunista como tantas outras, incluindo aquelas que Marina Silva sempre criticou. Afinal, a ex-senadora tem um discurso muito insistente em torno da necessidade de as alianças acontecerem de forma programática, e não eleitoreira.

Seria importante que a campanha de Marina conseguisse mostrar ao eleitor alguns pontos em que o PSB e Rede se encontram, caso eles existam. Do contrário, a ideia de oportunismo vai vencer a tese da união programática. (transcrito de O Tempo)

 

Começa o fim da guerra na Ucrânia

MK Bhadrakumar
Indian Punchline

Quando escrevi, domingo passado, que Rússia e União Europeia estão trocando olhares, não supunha, sinceramente, que a coisa pudesse evoluir muito rapidamente. Mas a esperada reunião em Minsk, que acontecerá esta terça-feira, dos presidentes da Rússia e Ucrãnia, Vladimir Putin e Petro Poroshenko, com a chefe da política exterior da União Europeia,  Catherine Ashton, significa que já há tração suficiente para começar a construir a paz na Ucrânia.

Antes, os ministros de Relações Exteriores da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia já se haviam reunido em Berlin há uma semana, e claro que o esqueleto de sustentação de tudo isso foram as conversas a dois entre Putin e a chanceler alemã Angela Merkel.

Recapitulando: o Independent britânico publicou matéria exclusiva, dia 31/7/2014, sobre acerto russo-alemão, pelo qual haveria um “plano secreto”, que fora congelado por causa do tsunami de boatos em torno da (ainda misteriosa) derrubada/queda do avião malaio sobre o leste da Ucrânia; toda essa conversa, pois, parece ter base sólida.

É razoável supor que, agora que a propaganda anti-Rússia relacionada à tragédia do avião malaio já se esvaziou, Moscou e Berlin estejam retornando, pé ante pé, para a lousa da sala de planejamento.

MERKEL EXIGE EQUILÍBRIO

Merkel fez importante discurso em Riga dia 18/8/2014, no qual, na essência, exigiu um equilibrio dos interesses de Ocidente e Rússia em torno da Ucrânia; e descartou completamente a ideia de presença permanente da OTAN em área próxima às fronteiras russas. Essas são as duas questões centrais das preocupações russas no tabuleiro de xadrez ucraniano – que o ocidente até agora tem feito de tudo para não reconhecer e insiste em fingir que não vê.

No sábado, Merkel estará viajando para Kiev (data que, por estranha coincidência, marca os 75 anos do famoso pacto de não agressão Molotov-Ribbentrop, assinado dia 23/8/1939). Talvez haja algum simbolismo político nessas datas.

O que ainda não se sabe com certeza é se Merkel está pilotando uma iniciativa alemã (na melhor das hipóteses, franco-alemã) para resolver a questão da Ucrânia, ou se teria o apoio tácito do governo Obama. Verdade é que a direita norte-americana parece estar muito incomodada com Merkel.

Agência Associated Press anota, em tom cáustico, que os esforços de Merkel para resolver a crise ucraniana (…) chamam a atenção para a crescente ambição alemã de se autoconverter, de potência econômica, em peso-pesado diplomático (…) enquanto tantas nações europeias [leia-se: a Grã-Bretanha] estão focadas em questões domésticas, e os EUA estão envolvidos em crises em outros pontos do mundo.

O ASSASSINATO DO FOTÓGRAFO

Pode-se dizer que a nova preocupação dos EUA no Oriente Médio (depois do assassinato do repórter fotográfico norte-americano James Foley pelo ISIL) significaria que a Ucrânia – como a estratégia dos EUA de pivotear-se para a Ásia — estaria superada entre as prioridades da política externa do governo Obama. Talvez sim, porque sou incorrigível otimista; talvez não. Seja como for, neoconservadores da direita estão clamando por intervenção de corpo inteiro, pelos EUA, no Iraque e na Síria.

Ou então, assumindo que Obama não caia nessa armadilha dos neoconservadores, ele pode ter começado a sentir que, em breve, ou pelo menos em prazo bem curto, será preciso consertar os laços entre EUA e Rússia, porque ele terá de contar com a cooperação de Moscou para sua neo-guerra ao terror – que sem dúvida implicará grandes perigos para a “segurança da pátria” dos EUA – a ser guerreada contra o ISIL (que o próprio Obama descreveu como “um câncer” a ameaçar todo o Oriente Médio e que não tem lugar no século XXI).

Assim sendo, o que pode estar em preparação para a Ucrânia? Parece perfeitamente razoável que a Rússia deseje fim imediato do ataque militar contra os “separatistas” no leste da Ucrânia. E Washington não tem feito outra coisa além de ordenar que Kiev ataque sem descanso. Mas isso pode estar começando a mudar.

NA TRILHA DA PAZ

 Se acontecer, Rússia e Alemanha ganharão espaço para respirar e enfiar por aquele território uma trilha de paz, que Putin e Merkel podem estar refinando lá entre os dois. Até aqui, Washington não faz outra coisa além de minar qualquer tentativa nascente de diálogo. Mas esse tipo de estratégia pode também já não ser sustentável, se a Alemanha decidir jogar todo seu peso a favor do processo que leve ao diálogo.

Em resumo, se estamos interpretando corretamente os sinais, é possível que já se ouçam os primeiros tambores da retirada do Tio Sam.

O conhecido estrategista russo Boris Kagarlitsky publicou coluna, em seu estilo caracteristicamente de provocação, em que dá várias pistas sobre a trama inacreditavelmente complexa das manobras em curso no leste da Ucrânia.

Seja como for, o Kremlin ainda não precisou jogar todos os seus trunfos.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)