No táxi com Mussa, viajando por Israel

 Jacques Gruman

O macaco volta à cena/E pergunta pro homem:
/Acha que valeu a pena ? (Millôr Fernandes)

Puxamos papo. O motorista de táxi portenho devolveu de bate-pronto e nos deu uma aula sobre a situação política e econômica da Argentina. De quebra, sugeriu uma sorveteria alternativa àquela para a qual nos dirigíamos. Mencionou um racha entre os sócios, que acabou parindo uma nova loja, “muito melhor do que essa outra”. Não era lorota. A tal dissidência era excelente e viajamos ao céu de Buenos Aires acompanhados de um precioso helado de dulce de leche.

Motoristas de táxi podem render ótimas histórias. Na recente viagem a Jerusalém, conheci Mussa. Íamos ao Museu de Israel e ele, falador, começou a fazer ofertas de tours que não nos interessaram. Apresentou-se como Moisés, mas, perguntado sobre o colar de contas que manuseava e o sotaque inconfundível, confirmou ser muçulmano. O Moisés era, na verdade, Mussa. Um pouco hipnotizados por sua lábia milenar, combinamos uma corrida para o dia seguinte, que nos levaria a Tel Aviv. Na hora marcada, lá estava ele. Pegou a estrada e, de repente, saiu dela, embrenhando-se numa via lateral. Sequer nos perguntou se estávamos com pressa, deve ter deduzido que o que tinha para nos mostrar valia a pena. A tal via, exclusiva para veículos israelenses e vedada a palestinos (Mussa é cidadão israelense), passava entre pequenas colinas, cidades e vilarejos palestinos. De repente, estávamos ladeados por cercas e muros nos separando daquelas construções e lavouras pobres.

Paramos num posto de controle israelense. Militares entediados fazem um gesto, o táxi para e abre a mala. Um ritual que Mussa está habituado a enfrentar, mas que não deixa de ser constrangedor para quem está ali de passagem. Mussa vai dizendo os nomes daqueles aglomerados humanos. Uma navalha de asfalto corta a comunicação entre eles e revela, silenciosamente, a face estúpida, humilhante e segregacionista da ocupação. Se teu veículo tem placa verde, que identifica a origem palestina, um percurso que poderia levar quinze minutos se a estrada principal tivesse livre acesso passa a consumir três vezes isso.

NÓS E ELES

No início, Mussa, carteira de identidade israelense, fala de Israel como “nós”. Aos poucos, entretanto, banhado naquela paisagem torturante, transita para um “eles” doloroso mas compreensível. No rádio, noticiário e música em árabe, ondas hertzianas geradas em Ramallah. A conversa continua. Sabem de uma coisa ?, papeava Mussa, nenhum palestino pode embarcar no aeroporto Ben Gurion (o maior de Israel, em Tel Aviv). Quando precisam viajar, são forçados a passar pela fronteira jordaniana e usar o aeroporto de Aman. Seu tom de voz não se altera, mesmo passando uma informação que desenha o inferno cotidiano de um povo asfixiado. Resignação ? Talvez. Ele diz que não votaria nas eleições municipais do dia seguinte. Não se sente representado. Os árabes israelenses que residem em Jerusalém costumam boicotar eleições. Lá, como de resto em outros lugares, há pouquíssima integração entre judeus e árabes. Jerusalém Oriental é tão maciçamente árabe e à parte que torna risível a reivindicada “reunificação” da cidade depois da guerra de 1967. Só a violência mantém a aparência de “unidade”.

Chegamos em Tel Aviv. Mesmo reclamando de dor nas costas, Mussa nos ajuda a desembarcar as malas. Abraça-nos com afeto, entra no táxi e volta para suas paisagens, suas histórias, para sua vida dura. De uma certa forma, que não percebi de imediato, inaugurou uma outra visita, que faríamos dias depois. Desta vez, rumo às colinas do Golã, território sírio ocupado por Israel em 1967.

Viajar ao Golã não é apenas uma aula prática de geopolítica. Depois de passar por casamatas e campos minados, chega-se ao cume, de onde, antes de 1967, os soldados sírios tinham uma visão privilegiada para atingir o outro lado da fronteira. Dali se descortina uma paisagem que, ao lado de um deslumbramento imediato, convida à revolta. Revolta pela estupidez humana. Eu, minúscula cabeça de um prego, via quatro países separados por marcos ilusórios, tênues linhas criadas pela intolerância e pela incapacidade de compartilhar. Fronteiras artificiais, monumento imoral a diferenças plantadas pela cobiça e pelo supremacismo.

DIFERENÇAS ABISSAIS

Enquanto meu olho esquerdo fotografava o mar da Galileia, a velha Tiberíades e o charco-que-chamam-de-rio Jordão, o direito afundava em terras sírias não cultivadas e na silhueta opaca de montanhas libanesas. Que diferenças tão abissais separam os que vivem ali ? O que impede um aldeão libanês de pegar a estrada e convidar um pastor sírio e um kibutznik israelense para um chá, um prato de hummus, uma rodada de críticas aos governos, quaisquer governos ? Tal como Mussa e o chofer portenho, não teriam histórias para compartilhar ? No discurso em que recebeu o prêmio Nobel de Literatura, o escritor turco Orhan Pamuk disse que escrever é “reconhecer as feridas secretas que carregamos, tão secretas que mal temos consciência delas, e explorá-las com paciência, conhecê-las melhor, iluminá-las, apoderar-nos dessas dores e feridas e transformá-las em parte consciente do nosso espírito e da nossa literatura”. Será que algum dia os povos daquela região se libertarão das monumentais camadas de lodo acumuladas pelas classes dominantes durante séculos e, de olhos abertos, iniciarão um processo de (re)conhecimento, armados apenas com a fome de viver, de descobrir, de iluminar ? Já fui arrogante o suficiente para responder categoricamente: claro que sim ! Hoje, não sei dizer.

Mexer na dor, no ódio, nas angústias, em sentimentos socialmente condenados, não é exercício banal. Visitei a sala das chamadas pinturas negras de Goya, no museu do Prado, em Madri. São cerca de duas dezenas de obras magistrais, livres das quadraturas clássicas e das amarras contratuais da nobreza. A história é a seguinte. Goya adquiriu uma propriedade nos arredores de Madri e lá ficou por algum tempo. Depois de sua morte, descobriram-se os quadros que hoje estão no Prado. Ele jamais os mostrou a ninguém.

São figuras e situações pintadas sem filtros embelezadores, hoje diríamos sem photoshop. Nada de poses artificiais, nada de rostos maquiados, nada de situações solenes. São velhos machucados pela vida, rituais satânicos a evocar a fragilidade humana, imagens assustadoras inspiradas na mitologia grega, rostos em transe. Parece que Goya resolveu fazer o movimento de introspecção sugerido por Pamuk. De suas entranhas expeliu demônios, terá ficado mais leve ? Pesada está a Europa, em seus flertes recorrentes com a xenofobia, que acaba de mandar lembranças para o Felipão. Matou no peito e distribuiu botinadas a rodo. O episódio Diego Costa, já fartamente comentado, é apenas sintoma do autoritarismo que habita a CBF. O técnico, que já foi flagrado ordenando que seus zagueiros batessem nas canelas dos adversários, ressuscita palavras de ordem da ditadura e antecipa o ufanismo programado para 2014. Jogadores de futebol são trabalhadores, com direito de buscar melhores condições de trabalho em qualquer parte do mundo. Camisa da seleção brasileira não é uniforme militar. Chuteira não é coturno.

Câmara é notificada pelo SUPREMO e iniciará processo de cassação de Genoino

Da Agência Brasil

Brasília – A Câmara dos Deputados foi notificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as prisões decretadas na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Com a decisão, a Mesa Diretora da Casa dará andamento a partir de amanhã (21) ao processo de cassação do deputado federal José Genoino (PT-SP), único parlamentar entre os 11 condenados que estão presos na Penitenciária da Papuda, em Brasília.

De acordo com a decisão do STF, Genoino deve perder o mandato automaticamente por ter sido condenado no processo. No entanto, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse hoje (20) que o processo seguirá a mesma tramitação ocorrida no caso do deputado Natan Donadon (sem-partido-RO). A Mesa dará início ao processo, que seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Uma vez aprovado, o processo será deliberado pelo plenário da Casa.

Após o STF ter condenado Donadon a 13 anos de prisão por peculato e formação de quadrilha, o plenário da Câmara, em votação secreta, absolveu o deputado no processo de cassação de mandato. Foram 233 votos favoráveis ao parlamentar, 131 votos contrários e 41 abstenções. Ele também está preso na Papuda.

O PENSAMENTO (MUITO) VIVO DE EIKE BATISTA

Augusto Nunes
(Site da Veja)

1… “Minha missão é ajudar o Rio e o Brasil”.

2… “Criei uma sigla que resume um dos um mandamentos para gerir bem uma empresa. É o PPI, ou Projeto à Prova de Idiota. Toda empresa, em algum momento, será comandada por um idiota, nem que seja por pouco tempo. Sabendo disso, nós montamos empresas que possam sobreviver aos idiotas. Meus ativos são à prova de idiotas”.

3… “Meu destino é lapidar diamantes brutos”.

4… “Por que só jogador de futebol e dupla sertaneja podem aparecer? Sou empresário transparente, tenho que me mostrar mesmo”.

5… “Deus deixou o item ‘saber fazer dinheiro’ para o meu pote”.

6… “Tenho que concorrer com o senhor Slim (Carlos Slim, bilionário mexicano). Não sei se vou passá-lo pela esquerda ou pela direita, mas vou ultrapassá-lo”.

7… “Tenho um pacto com a Mãe Natureza. Eu perfuro e acho coisas”.

8… “Uma companhia precisa de movimento. Calmaria é bom para quem não quer sair do lugar” ..

9… “Um sonho é um sonho até que se acorde”.

10… “Eu, como brasileiro desta geração, digo com orgulho que o sucesso das minhas empresas não seria possível sem esse Brasil novo criado pelo presidente Lula”.

(artigo enviado por Mário Assis)

A importância do 5 de abril no futuro de Joaquim Barbosa. A exibição, a obsessão e a ambição, tudo que contaminou ou compartilhou o processo do mensalão. A prisão no Dia da República, premeditada? Hoje, Dia da “Consciência Negra”, escuridão total


Helio Fernandes

Parece que não existe outro assunto. Esse processo que começou estridente como mensalão e vai caminhando carinhosa, curiosa e contraditoriamente como “Ação 470”, é realmente muito importante. Mas não a ponto de ser tratado como fato único e intransferível. “Existem muito mais coisas entre o céu e a terra do que imagina a nossa vã filosofia”.

Apesar do embalo (provocado) das condenações, das prisões, das execuções, tudo isso está longe de ter chegado ao fim. E ainda estamos distantes do fim verdadeiro. Mais longe das modificações colaterais, que existirão, analisemos não o processo e sua quase conclusão (e também premeditação) . E sim aquele que surgindo do nada, se transformou (por premeditação?) no mais excepcional personagem individual destes 124 anos da República, que não é a dos nossos sonhos.

O ESTRATEGISTA DE NOSSA SENHORA

Em vez de mensalão, Ação 470, o maior julgamento de corrupção da História só deveria ter uma identificação: processo Joaquim Barbosa. Enquanto era apenas relator, foi conduzindo a tramitação com a importância relativa do cargo e os privilégios e superioridades que recebia. Mas com data marcada, assumida e consolidada: a posse como presidente do Tribunal, acumulando com a condição de relator.

Como os ministros (e todos os outros funcionários de qualquer nível) aos 70 anos têm que sofrer o que se chama de “expulsória”, Ayres Brito, presidente, tinha data para sair. E Joaquim Barbosa, vice, com a mesma data para entrar, pois a presidência é exercida por rodízio. Essa data e essa presidência-cumulativa, importantíssimas para Barbosa.

Não pela visibilidade que o exercício dos dois cargos proporciona, mas por tudo o mais que é alavancado pela exposição em todo tipo de mídia, a claridade que o holofote projeta sobre qualquer cidadão. Ainda mais, um cidadão que, além de relator do mais volumoso processo da História, preside e decide sobre o que ele mesmo relata. E pode comandar a estratégia capaz de levá-lo e elevá-lo ao único cargo mais importante do que o do presidente do Supremo Tribunal Federal.

JOAQUIM: O INVENTOR DE PALAVRAS

Assim que foi sorteado relator do mensalão (isso lá longe), Joaquim Barbosa começou a ser identificado, mas não desvendado. Suas principais referências ditatoriais começaram com a “invenção” (vá lá, popularização) de palavras que existiam, mas eram desconhecidas e ignoradas pela não utilização.

O plenário (e a comunidade de favelados jurídicos) levou um choque quando ouviu Joaquim Barbosa, sem consultar ninguém, dizer que o processo seria F-A-T-I-A-D-O. Foi  motivo de gozação. Os outros ministros não perceberam que era um golpe de mestre, como aconteceu no excelente filme com Paul Newman, com o mesmo título. Demoraram a entender, Joaquim Barbosa já empolgara o país todo com a popularização de outra palavra, retirada dos escombros do vernáculo: D-O-S-I-M-E-T-R-I-A.

(Até muitos sábios em Direito da Fundação Getulio Vargas, que dominaram as análises quase sempre pretensiosas a respeito do processo, ficaram desconcertados. Já estavam desconcertados em “ensinar” legitimidade, legalidade, credibilidade, humanidade, e condenar irregularidade, trabalhando numa instituição que carrega o nome do mais duradouro ditador individual da nossa História.)

Ainda antes da presidência sem obstáculos e apenas com objetivos, Barbosa fulminou a todos e mostrou suas intenções, com uma frase: “Vou dividir o julgamento em sete itens, para facilitar”. Ninguém divergiu. A impressão é que os ministros não tinham cacife, a não ser para concordar. E concordaram, com as exceções previsíveis e confirmadas.

“GENIAL”: AS PRISÕES NUM 15 DE NOVEMBRO,
APROVEITANDO O FERIADÃO DA REPÚBLICA

Como já deixei bem claro que só quero examinar o personagem principal, seu futuro e a consequente ou inconsequente repercussão para o país, essas decisões são mais importantes. E posso até chamar de “GENIAL” a desumanidade de encaixar os condenados nesse 15 de novembro, que para efeito de crueldade, durou 5 dias.

Começou no julgamento de quarta-feira passada, atravessou a quinta, sexta, sábado e domingo, todos sabem que depois do feriadão, o país só tem vida na segunda. E se essa ou essas vidas fossem colocadas em perigo, afinal, nada é eterno, pode acontecer até mesmo a tão apregoada, desejada e proveitosa R-E-N-O-V-O-L-U-Ç-Ã-O.

O próprio Joaquim Barbosa comunicou a ministros da sua maior intimidade ou predileção: “Estou trabalhando intensamente, dia e noite, para a execução das penas”. Nada disso, “menos” verdade de Sua Excelência. Era facílimo decidir. Quem foi condenado de 4 a 8 anos, regime semiaberto. Passando de 8, fechado. Menos de 4, domiciliar ou alternativo. Qual a dificuldade?

Falou também: “Tenho que examinar o que fazer com os condenados que só tiveram dois votos e entraram com embargos infringentes”. Ora, Barbosa se diz inflexível. Então, como o regimento interno do próprio Supremo é bem claro, nenhum problema, a decisão é automática.

BARBOSA NÃO FICOU EM BRASÍLIA,
FOI PARA O RIO, DOMICÍLIO ELEITORAL

Na quinta-feira pela manhã, véspera do “feriadão”, o presidente do Supremo veio para o Rio. Ele mora e trabalha em Brasília, mas vota e pode ser votado, se for o caso, no Estado do Rio. Em Brasília, sua repercussão e “presença” na mídia vista, lida e ouvida, estava garantida. Tratou de cuidar que se estendesse até o Rio.

Andou por lugares nunca dantes navegados, passeou pelo famoso Jardim de Alah, de “bermudão”, acenava para as pessoas, que retribuíam. Embora, reconheçamos, muitos iniciavam o cumprimento. Andou em locais tidos como populares, com um boné esportivo, só não teve coragem de usá-lo ao contrário, como fazem os mais jovens.

Foi almoçar num clube dos mais reacionários e racistas do Rio, sempre sozinho, não quer dividir o foco e a foto com ninguém. Não é sócio, não deixaram que pagasse. É aquele clube que só permite a entrada de babás se estiverem uniformizadas. Saiu satisfeitíssimo, jantou no restaurante mais caro do país, teve que pagar, não se incomodou. Seus problemas não começam nem terminam aí.

(Enquanto fazia turismo na antiga capital, as irregularidades se acumulavam. Mesmo distante, sabia de tudo, deixou que o Supremo fosse atingido. E os presos, também, pois foram aprisionados mais duramente. Foi Barbosa que alavancou os protestos dos presos e seus advogados. Nem falo de Genoino, operado há poucos meses, que está em riscos graves. No Brasil não existe PENA PERPÉTUA. Joaquim, por conta própria, instituiu a PENA DE MORTE. Na História do mundo, mortes suspeitas ou inesperadas têm criado enormes problemas. Sem condenação ou absolvição, essas ficam para os presos julgados: tudo o que está acontecendo, até a fuga do Pizzolato, coloquem na conta de Joaquim.)

OS MENSALEIROS ESTÃO NA CADEIA.
BARBOSA, PRESO AO 5 DE ABRIL DE 2014

Já disse, não quero examinar o mérito da Ação 470, que já foi mensalão. Escrevi muito, examinei demoradamente, analisei profundamente. E ainda sobrará bastante tempo. Nem a competência do Dr. Béja pode indicar ou assinalar o fim de tudo isso. As coisas estão muito complicadas, cada um pode expor suas ideias, menos prever ou adivinhar.

E essa incerteza pode facilitar qualquer conclusão, para um lado ou para outro. Esclarecendo, sem provocação, comprovação ou contradição, Joaquim Barbosa tem a oportunidade e a possibilidade de não terminar a carreira como magistrado. Ou como Rui Barbosa definia o presidente do país: “É o Primeiro Magistrado do Brasil”.

Não depende só dele. Precisa pertencer a um partido. Qual? Sua atuação a partir do mensalão não permite dúvidas: ele é contra todos, mas tem que ressalvar pelo menos um, para a filiação. E será convidado ou se convidará? Impossível dizer.

Se precisar, tem o PSD à disposição. Quando Kassab afundou o partido, explicou publicamente: “Não somos de esquerda, de centro ou da direita”. Puxa, é o partido do Joaquim.

A OPÇÃO DE JOAQUIM,
SEM INDECISÃO, SÓ DURAÇÃO

A partir de agora, não levem em consideração qualquer coisa que for afirmada ou negada, tem que ser confirmada. Isso leva tempo, de hoje ao terceiro mês de 2014. As vantagens de uma candidatura presidencial de Joaquim, muito grandes. Não falo nem calculo vitória, mas sim competição. Tudo leva à confirmação da tentativa da mudança de endereço, de dia no Planalto, de noite no Alvorada.

Se decidir disputar, tudo pode se realizar. Se não concorrer, seu período na presidência do Supremo terminará em novembro de 2014, exatamente com outra eleição ou até reeleição. Sem ele? Derrotado para presidente da República, terá ainda um resquício de prestígio. Se passar a presidência a Lewandowski, e com a relatoria terminada, restará o desperdício de um futuro que poderia ser outro. Ele mesmo pensará assim.

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PS – Não é escolha ou opção, apenas destino. Antes dos 60 anos, terá desperdiçado o suposto futuro como presidente da República. Sem a presidência da República e sem o mensalão,  restará apenas o ostracismo. E não saberá se é um ostracismo aberto ou semiaberto.

PS2 – Na certa, será um isolamento e um ostracismo fechado, ninguém o verá. Existe segundo turno de OSTRACISMO?

Gastos públicos e eleições

Luiz Tito

As últimas semanas têm trazido com destaque a encruzilhada em que se acha o governo Dilma e a preocupação dos setores mais representativos da economia em relação aos frustrantes resultados que se desenham do déficit fiscal em 2013. O governo federal abriu descontroladamente a torneira das benesses, sem o necessário cuidado com a geração de recursos para provê-los, e agora se vê oprimido para decidir no que cortar, sem os riscos que ameacem o apoio popular que busca nas próximas eleições. Na realidade, não há mais o que se oferecer sem grave repercussão e comprometimento dos já escassos recursos de caixa e o que está feito não se mostra suficiente para viabilizar sem dúvidas a reeleição da presidente Dilma e de sua base de sustentação.

O ministro Mantega, um técnico que nunca demonstrou força política suficiente para conter o festival de ofertas da agenda eleitoral dos partidos da base de apoio, colocou na mesa os meios de que dispõe: imediato endurecimento dos critérios de pagamento do seguro desemprego e do abono salarial e programas que custarão neste ano fiscal o valor de R$ 45 bilhões, quase 16% superior ao do ano de 2012.

A revisão do programa de renúncia fiscal certamente afetará as vendas da indústria automotiva e dos produtos da linha branca. Há uma unanimidade no entendimento de que é necessária a revisão e endurecimento do programa de seguro desemprego, especialmente para se conter a fraude comum no seu recebimento. Milhares são os que simulam a situação própria para embolsá-lo e são esses que o programa quer brecar.

Além dessas medidas, Mantega quer também que o governo dificulte a ampliação dos custos da folha de salários, cujo crescimento não corresponde à melhoria dos serviços e à presença do próprio Estado onde sua atividade é genuína e gritantemente reclamada pela população.

MAIS MÉDICOS

O programa Mais Médicos, tirado da cartola para responder aos protestos das ruas que tumultuaram o país desde junho, contabiliza uma grande decepção, especialmente porque se importou de Cuba e de outros países uma produção, quando não de profissionais de baixa qualidade, que padece de longa e demorada adaptação para atendimento das demandas brasileiras. Mais médicos e mais problemas, quando nossas carências vão muito além: está mais reafirmado que precisamos de recursos bem aplicados e de rigorosa gestão dos mesmos.

O mesmo resultado está na educação e na segurança, demandas pouco afetadas com a engorda da folha de salários. Continuamos com o mesmo nível de carências e desatenção por parte das políticas públicas. Não se fala em se conter o desperdício, em se coibir e punir a corrupção descarada, a perda de tempo e a ineficiência.

Nosso improviso e a falta de planejamento estão claramente demonstrados pela preocupação do ministro Mantega que só agora, no penúltimo mês do exercício fiscal, manifesta-se incomodado com o descontrole das contas públicas. No Brasil nunca se conseguiu construir caminhos diferentes para fazer conviverem o rigor da gestão pública e a batalha eleitoral. De começo, banir a reeleição certamente já seria uma boa meta. (transcrito de O Tempo)

No Facebook, o humorista Danilo Gentili soltou o verbo sobre a corrupção do PT

Mário Assis

Danilo Gentili Júnior é um humorista, escritor, cartunista, repórter, empresário e apresentador brasileiro.

Gentili faz parte da nova geração de humor, a da stand-up comedy. Vale a pena ler seu desabafo político, feito através do Facebook e que está fazendo muito sucesso na internet.

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VOCÊ VAI ENGOLIR ISSO???

Danilo Gentili

Se o texto fica extenso no Facebook é chato pra ler. Então serei bem objetivo, OK? Tem hora que você precisa chamar as coisas pelo nome.

1) Quando ficou comprovado todo esquema de corrupção, o PT, diferente de outros partidos, não expulsou Genoíno, Zé Dirceu, Paulo Cunha, Delúbio e cia. Ao contrário. Abraçou-os ainda mais. Se esses caras são criminosos condenados pela Justiça e ainda são membros do PT, significa que o PT concorda com os crimes desses caras, admite criminosos entre seus membros e portanto é uma instituição criminosa. A juventude do PT fez um jantar para arrecadar fundos para os mensaleiros. Eles amam ou não esse caras que cometeram crimes contra você? Após a prisão, o próprio Lula ligou pros caras e disse: “Estamos Juntos”. Ele é ou não um comparsa? Você vai engolir isso?

2) O sentimento de vergonha alheia ao ver Dirceu com sorriso amarelo e Genoino quase se cagando tentando manter a dignidade (coisa que não conseguiu) ao fazer aquele gestinho comunista patético, foi diametralmente substituído por enorme regozijo ao constatar que todo mundo cagou para a tentativa de imprimirem alguma pose heróica ao serem presos. Os caras fizeram o gesto “sagrado” entre assassinos e genocidas do nacional e do internacional socialismo. E esse gesto “sagrado” está, até agora, sendo amplamente profanado e ridicularizado pela internet, ultrapassando em milhas e milhas qualquer mensagem de apoio aos mesmos. Isso deixa claro que num ambiente realmente livre esses caras não são respeitados, suas ideologias são abominadas e a rejeição ao que eles planejam é gigantesca. Na internet, um ambiente que respira liberdade, fica nítido que esses caras são ridículos e não merecem respeito. Por isso, eles estão desesperados para criar o tal Marco Civil da Internet e acabar com esse ambiente 100% livre. Eles precisam urgentemente controlar o que você faz, lê e fala por aqui para evitar esse tipo de coisa futuramente. Você vai engolir isso?

3) Petistas, blogueiros e twitteiros (alguns pagos inclusive com o seu dinheiro) continuam chamando Joaquim Barbosa de Macaco e Capitão do Mato pela internet. Uma rápida pesquisa e você encontrará até montagens gráficas colocando o Juiz nessas imagens. Nenhum militante de minorias ou patrulheiro do politicamente correto parece se importar com isso no momento. Justo eles que são tão atentos as minhas piadas, por exemplo. Preciso de mais provas que esse discurso de minorias é monopólio dos esquerdistas que por sua vez escolhem a dedo o que é racismo e o que não é para tentar calar ou rebaixar alguém que os incomoda? O que é racismo? Homofobia? Machismo? Se for de um esquerdista é um detalhe a ser ignorado. Se for de um opositor é um crime. Se você for do lado deles pode ser racista, criminoso e até mesmo matar (aliás, eles imprimem fotos de genocidas e usam na camiseta. Adoram isso). Pesquise na internet e comprove que o mesmo tipo de gente, os mesmos perfils fakes e reais no twitter e facebook e os mesmos blogueiros pagos por banners estatais que enchem o saco de comediante ou jornalista opositor dizendo que estão numa cruzada contra o racismo são os mesmos que no momento defendem os corruptos e estão, não com piadas, mas de forma séria e agressiva, chamando um honrado homem que cumpriu seu dever de macaco. Você vai engolir isso?

4) A tentativa de tentar passar por nossa goela que Dirceu e Genoino são “presos políticos” consegue ser mais patética ainda do que aquele gestinho de punho cerrado que ambos fizeram quase se cagando nas calças e convulsionando em chiliquinhos risíveis. Como pode dois caras do partido de situação, do alto escalão do atual governo, da alta cúpula do PT, serem presos por perseguição política dentro do País que o seu governo comanda há 11 anos? Aliás, onze pessoas do esquema de corrupção foram presas. Mas somente os dois mais “famosinhos” e do alto escalão do PT são presos “políticos”. Você vai engolir isso?

5) Por serem do partido dominante e da alta cúpula do governo não resta dúvidas que esses caras serão soltos logo. Ou cumprirão a pena com inúmeras regalias que você jamais terá direito caso um dia vá preso. E olhando para a Venezuela, aliada de longa data do PT na América Latina, ser preso em breve pode significar apenas “Não concordar com o governo”. Separe então esse momento que você viu alguns sociopatas serem presos, não para celebrar o fim da impunidade, pois ela está longe de acontecer. Separe esse momento para identificar os que estão contra você. Se informe sobre todos artistas, intelectuais, jornalistas, revistas, blogueiros, militantes e políticos que estão nesse exato momento defendendo esses criminosos e mandando mensagem de apoio pra eles – guarde esses nomes. Não confie neles. Todos aqueles que estão a favor de Genoino, Dirceu e mensaleiros são exatamente os mesmos que estão contra você. Não engula isso.

País das patotas

01
Tostão (O Tempo)

O Bom Senso FC tem tido a firmeza de cobrar mudanças no calendário a partir de 2015 e o bom senso de saber que 2014 é o ano da Copa. Ao mesmo tempo em que o Bom Senso traz grandes esperanças, vem aí mais um escândalo, a anistia, pelo governo, das dívidas dos clubes, no valor de R$ 4 bilhões. Com medo de manifestações, a anistia não será mais total, mas muito próxima disso. O autor do projeto, o deputado Vicente Cândido (PT-SP), é vice-presidente da Federação Paulista de Futebol e amigo do presidente Marco Polo del Nero, que é também vice-presidente da CBF, amigo de Marín e candidato à presidência da entidade. É o país das patotas.

LEMBRANÇAS

As notícias da exumação do corpo de João Goulart me trazem duas lembranças relacionadas ao futebol. A primeira, do dia em que o presidente foi deposto, em 1964. Eu e alguns jovens discutíamos sua saída, todos contra, quando surgiu um senhor, apaixonado pelo Cruzeiro. Ao escutar que derrubaram o presidente, chorou, pensando que era Felício Brandi, presidente do clube. Conheci João Goulart em Montevidéu. A seleção jogava lá, em 1967 ou em 1968, e o ex-presidente, exilado no Uruguai, foi ao nosso hotel. Eu e alguns jogadores, não me lembro quais, o recebemos. Foi um papo bem descontraído, principalmente sobre futebol.

NOVO TÉCNICO

O Palmeiras, ou qualquer clube brasileiro, não deveria pagar uma fortuna para contratar um treinador, do Brasil ou de fora, mas o clube foi transparente e profissional, ao comunicar a Gilson Kleina que faria uma proposta a Bielsa e que, se ele não aceitasse, como ocorreu, Kleina seria o preferido entre os treinadores brasileiros. Discordo das milhares de críticas sobre desrespeito ao treinador. Kleina deveria ter orgulho de ser o escolhido.

EMOÇÃO OU RAZÃO

Felipão disse que o Brasil vai ganhar a Copa. Foi uma declaração espontânea, um desabafo, o que é frequente nele, ou foi planejada, atitude também comum, com a intenção de aumentar o otimismo e o entusiasmo nacional? Outros técnicos, racionais e prevenidos, valorizariam os adversários e posariam de humildes. Felipão, com seu estilo de marqueteiro emotivo, costuma acertar no alvo.

COPA DO BRASIL

A história da segunda partida, a do título, depende de hoje. O técnico Vágner Mancini sabe da importância de conseguir uma vantagem. O time paranaense vai pressionar com bolas longas e muitos passes e cruzamentos das laterais. O Flamengo vai se preparar para anular essa jogada e contra-atacar, pois tem jogadores velozes para isso.

PROJETO

O Cruzeiro não foi campeão brasileiro porque fez um grande projeto, como ouço todos os dias. Não houve também nenhum segredo. Além da competência do técnico, dos dirigentes e dos jogadores, as coisas aconteceram naturalmente e surpreendentemente. Muitas vezes, tudo é feito certo e dá errado, ou o contrário. Jogadores de prestígio contratados decepcionam, e outros, desconhecidos, se destacam.

BURACOS

Na semana passada, pisei em um buraco e torci o pé quando fazia caminhada. Já estou bom, até acontecer novamente, por causa do grande número de buracos nas calçadas. A prefeitura gasta com tantos supérfluos, mas não tem para tapar os buracos de bairros mais pobres e mais ricos.

Na sucessão presidencial, o PDT fica em cima do muro

Deu na Folha

FolhaEstava pensando aqui nas suas últimas respostas sobre 2014. O senhor falando das perspectivas, senti realmente que há uma simpatia maior em relação a Eduardo Campos e não tanto, embora o senhor se de bem, com Aécio Neves. Estou sentindo que tem, enfim, que tem conversas em andamento aí. É isso mesmo?

Lupi – Conversa tem permanente, amigo. Porque se a política não for conversa vai ser o quê? O campo da política é conversa permanente. Você tem que conversar com o eleitor, você tem que conversar com o companheiro, você tem que conversar com quem te odeia, você tem que conversar com quem te adora. É parte do processo da vida.

E o senhor acha que a decisão definitiva do PDT sobre apoio a uma candidatura presidencial só vai ser realmente na convenção em junho, ou pode ser naquela outra marca, março, abril?

– Eu acho que é mais para março, abril, porque a gente também está fazendo consultas. Estou viajando o Brasil todo. Você tem essas alianças regionais. Tem uma série de encaixes na política que somam para chegar à nação. Mas a tendência natural é o apoio à presidente Dilma. E posso dizer que é março, abril, a decisão, possivelmente.

O viés, ou a tendência é a presidente Dilma e que há possibilidade, que é considerada também, não descartada, é Eduardo Campos, a depender do programa. É isso?

– É isso mesmo. Esse é o caminho.

(matéria enviada por Mário Assis)

O genial caçador de mim, na visão de Luiz Carlos Sá e Sérgio Magrão

O advogado, cantor e compositor carioca Luiz Carlos Pereira de Sá, o Sá do trio Sá, Rodrix e Guarabira, com seu parceiro Sergio Magrão, fala na letra de “Caçador de Mim” sobre os pólos da vida: momentos de doçura, bondade, ferocidade e agressividade.

Portanto, a vida tornou o eu lírico do compositor um “buscador” de si mesmo, à procura daquilo que, realmente,  faz-lhe sentir-se em paz e harmonia consigo mesmo.

A música “Caçador de Mim” transformou-se em um grande sucesso, gravada por Milton Nascimento, em 1981, no LP Caçador de Mim, pela Ariola.

CAÇADOR DE MIM

 Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá

Por tanto amor, por tanta emoção

A vida me fez assim

Doce ou atroz, manso ou feroz

Eu caçador de mim

Preso a canções, entregue a paixões

Que nunca tiveram fim

Vou me encontrar longe do meu lugar

Eu caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta

Nada a fazer senão esquecer o medo

Abrir o peito à força numa procura

Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai sonhando demais

Mas onde se chega assim

Vou descobrir o que me faz sentir

Eu caçador de mim.

(Colaboração de Paulo Peres, do site Poemas & Canções)

Espertamente, Pizzolato pode escapar da pena do Supremo no julgamento do mensalão

Cristina Indio do Brasil
Agência Brasil

Rio de Janeiro – O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, pode escapar de cumprir pena no Brasil se permanecer na Itália pelo tempo correspondente à condenação estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e com isso conseguir a prescrição da pena. A conclusão é do presidente da Sociedade Brasileira de Direito Internacional e professor de Relações Internacionais, Antônio Celso Alves Pereira. “Contando o tempo da prescrição, passou o tempo e ele está livre. O Brasil não pode prendê-lo mais e ele pode voltar ao país”, explicou.

Antônio Celso disse que o Tratado de Extradição assinado entre o Brasil e a Itália, em outubro de 1989 e publicado no Diário Oficial União em julho de 1993, no Artigo 7º diz que os dois países só extraditarão os seus cidadãos se assim quiserem e, portanto, não têm obrigação de fazê-lo.

O professor lembrou que esta não foi a primeira vez que o país europeu tornou-se destino de um condenado no Brasil. O ex-dono do Banco Marka, Salvatore Cacciola, processado por crimes contra o sistema financeiro brasileiro fugiu, em 2000, depois de ter conseguido um habeas corpus. O governo brasileiro tentou a extradição, negada pela Itália. Cacciola viveu lá por sete anos e só foi preso pela Interpol, porque viajou para Mônaco. Depois de entendimentos entre o principado e o Brasil ele retornou ao país para cumprir pena de 13 anos de prisão decretada pela Justiça brasileira.

“O caso é semelhante. Ele ficou na Itália mas, talvez acreditando piamente na impunidade, saiu e foi para Mônaco. Ao chegar lá, tinha uma ordem de prisão da Interpol, igual a que já tem para o Pizzolato, e ele foi preso”, esclareceu o professor.

DUPLA CIDADANIA

O ex-diretor do Banco do Brasil, que tem dupla cidadania, foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Segundo revelou em uma carta pública, a fuga para a Itália tem por objetivo buscar um novo julgamento em território italiano. Mas para o professor Antônio Celso, como Pizzolato já foi julgado no Brasil, não cabe um novo processo na Justiça italiana.

“Ele já foi julgado. Não acredito que seja julgado lá. Acho difícil. O que vai acontecer é que o Brasil vai insistir e tentar trazê-lo para o país. A Itália não está errada porque está de acordo com o Direito Internacional, ou seja com o Tratado que está em vigor”, disse.

A página da Interpol na internet já publicou a foto de Henrique Pizzolato como procurado pela Polícia Internacional. As informações sobre ele mostram que tem 61 anos e cidadanias brasileira e italiana.

Família de mensaleiros tem que pegar fila como pegamos, diz mulher de preso

André de Souza
(O Globo)

Mulheres de presos do Complexo Penitenciário da Papuda reclamaram nesta terça-feira da visita da mulher do ex-presidente do PT José Genoino, que pode encontrá-lo fora do período determinado graças à intervenção de parlamentares. Os dias de visitação na Papuda são quarta e quinta-feira, mas hoje algumas mulheres já estão acampadas para poder pegar as primeiras senhas. Se chegarem apenas amanhã cedo, elas correm o risco de ficar pouco tempo com seus parentes.

Os mensaleiros receberam amigos e parentes ontem e hoje, mesmo não sendo dia de visitas. Na tarde desta terça-feira, entrou no presídio uma van com vários deputados, entre eles Benedita Silva (PT- RJ) e Amauri Teixeira (PT-BA). Eles ficaram cerca de uma hora na Papuda, por volta das 17h40 até as 18h40. Eles não pararam para falar com jornalistas nem na saída nem na entrada. Como o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) tem prerrogativa de entrar no local, ele levou a família de Genoino ontem para visita. Hoje, houve outro encontro da família com o deputado petista. O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares também recebeu familiares. A regalia enfureceu parentes de presos que aguardavam na fila pela visita de amanhã.

– Errado isso. Ela (mulher de Genoino) tem que pegar fila como todos pegamos. Tem que passar pelas mesmas coisas que a gente passa. Pode ser até mulher do presidente, mas tem que passar pelo que a gente passa – disse Patrícia, que não quis revelar o sobrenome.

Patrícia vai passar a noite em uma barraca montada na entrada da Papuda. Ela será uma das primeiras a pegar senha que será distribuída a partir das 9h de quarta-feira. O horário de visita vai até 15h. Uma parte dos detentos recebe visita na quarta e outra na quinta-feira.

– Tem que ter condições iguais, a gente enfrenta sol e chuva. Eles chegaram e já podem visitar, deveriam entrar na fila e pegar senha- disse Mariana Gomes, mulher de um preso no regime fechado.

REVOLTA

– A gente se sente injustiçado, revoltado. A moça vem, visita o marido dela dois dias seguidos, enquanto a gente tem que estar aqui várias horas antes para conseguir entrar cedo e visitar nossos maridos – disse outra mulher, que não quis se identificar, acrescentando: – Elas não são melhores do que a gente por ter poder aquisitivo maior.

Segundo Mariana, cada família pode levar aos detentos 500 gramas de biscoito, que não pode ser recheado, seis frutas, dois rolos de papel higiênico, dois sabonetes, um desodorante roll-on, uma barra de sabão de coco e 500 gramas de sabão em pó. Elas passam o tempo conversando e fazendo as unhas. Às 18h é realizado um culto religioso. As mulheres dizem que, a cada seis meses, podem levar roupas novas aos detentos, limitadas a duas blusas, duas bermudas, seis cuecas, dois pares de meia, uma blusa de frio, uma calça, um par de tênis, uma toalha, um lençol e um cobertor.

PT SABIA E ATÉ TERIA AJUDADO NA FUGA DE PIZZOLATO

Cláudio Humberto

A família e até o advogado de Henrique Pizzolato podem ter sido surpreendidos com sua fuga para a Itália, mas não a cúpula do Partido dos Trabalhadores. Dirigentes petistas não apenas sabiam como teriam ajudado na fuga, segundo alta fonte do próprio PT. O foragido ex-diretor do Banco do Brasil seria depositário de segredos caros a líderes do PT e os teria pressionado a ajudá-lo em troca do seu silêncio.

EXÍLIO DOURADO

Primeiro, Pizzolato pressionou o PT a livrá-lo da cadeia, ameaçando abrir o bico. Depois, negociou os termos de um “exílio” dourado.

ARAPONGAGEM

A área de Inteligência do governo federal também estava informada dos passos de Henrique Pizzolato, e informou o Palácio do Planalto.

A GENTE AVISOU

Pizzolato planejou sua fuga sem pressa, desde que obteve a cidadania italiana. Esta coluna, na época, alertou para a possibilidade de fuga.

O MALUF DO PT

Henrique Pizzolato é como Paulo Maluf: procurados pela Interpol, não podem deixar o País. Maluf por brasileiro, ele por ser ítalo-brasileiro.”

(enviado por Celso Serra)

Joaquim Barbosa determina penas alternativas à três condenados no mensalão


Agência Brasil

Brasília – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, determinou hoje (19) a execução das penas de três condenados a penas alternativas na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Emerson Palmieri, ex-tesoureiro informal do PTB; Enivaldo Quadrado, ex-sócio da corretora Bônus-Banval e José Borba, ex-deputado federal (PMDB-PR) deverão pagar de multa e prestar serviços comunitários por terem sido condenados a pena abaixo ou igual a quatro anos.

Palmieri cumprirá pena de quatro anos; Borba, dois anos e seis meses e Quadrado, três anos e seis meses. Barbosa determinou também a expedição das cartas de sentença ao juiz de Direito da Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas do Distrito Federal, Nelson Ferreira Júnior. O documento informa o regime de pena, o valor da multa e o tipo de serviço que será cumprido.

Vida boa na Itália: Aposentadoria de Pizzolato renderá cerca de € 8 mil ao mês

Deu no Estadão
(Murilo Rodrigues Alves e Andreza Matais)

Ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato recebe aposentadoria mensal de cerca de R$ 25 mil. Esse valor, convertido para a moeda utilizada na Itália, onde está foragido, chega a € 8 mil. Bem acima da média salarial daquele país, de 815 euros, o que irá lhe garantir uma vida bem acima dos padrões europeus, após a crise financeira internacional, segundo pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgada no ano passado.

A assessoria de imprensa da Previ, fundo de pensão dos funcionários do BB, informou que a instituição continuará creditando a aposentadoria na conta pessoal de Pizzolato e não a transferirá para outra instituição financeira em outro país, a não ser que haja determinação judicial para isso. No entendimento do Ministério Público, não é possível cassar o benefício do ex-servidor por ser de caráter privado. O que pode ocorrer é indisponibilidade dos bens para garantir o pagamento da multa aplicada juntamente com a restrição à liberdade.

O ex-diretor do BB foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão no processo do mensalão por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os ministros STF também estipularam o pagamento de multa de R$ 1,272 milhão. Amigos do ex-diretor do BB têm afirmado que ele enfrenta problemas financeiros devido aos altos custos dos advogados. Na carta divulgada após a fuga, o ex-diretor disse que tem uma vida “moldada pelo princípio da solidariedade que aprendi muito jovem quando convivi com os franciscanos”.

Pizzolato conseguiu se aposentar em 2005, após trabalhar mais de 30 anos no banco, no auge das denúncias do mensalão com o salário de diretor, na época de quase R$ 19 mil – o valor foi ajustado pela inflação.

(enviado por Mário Assis)

Agora é pra valer?

Tereza Cruvinel
(Correio Braziliense)
As manchetes dos jornais gargalham com as primeiras prisões dos condenados do mensalão. Proclama-se um momento histórico para a Justiça brasileira, que estaria deixando de ser seletiva, tendo olhos só para os fracos e pobres. Mas, depois de longo descrédito, o Judiciário terá que dar outras provas do fim da impunidade. Casos pendentes envolvendo poderosos não faltam.
O banqueiro Ângelo Calmon de Sá vai cumprir a pena de quatro anos e dois meses de prisão, depois que o STJ revogou, este ano, a prescrição decidida em primeira instância? Foi condenado por gestão fraudulenta, como Kátia Rabello, do Banco Rural, no escândalo da Pasta Rosa. Quem se lembra? Nela, havia o nome de dezenas de políticos que receberam recursos ilegalmente, como os chamados “mensaleiros”.
O também banqueiro Marcos Magalhães Pinto, sentenciado em fevereiro a mais de 12 anos de prisão, continua solto. Ele e os executivos do finado Banco Nacional, também condenados. O especulador Naji Nahas foi condenado a 24 anos de prisão, na década de 1990 e conseguiu ser inocentado depois. Daniel Dantas foi condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa e outros crimes, mas o STJ anulou as provas obtidas pela Operação Satiagraha.
Diante desses casos, nem tem graça falar no mensalão do PSDB mineiro, sem data para ser julgado. Por ora, o STF está mandando para a cadeia petistas e aliados que, ao fazer o que os outros fazem, deixaram–se apanhar. Um STF precisando se afirmar, sob a presidência de um justiceiro, garantiu o rigor da lei que agora precisa valer para todos.

AFINAL, QUE OAB É ESSA?

Fernando Orotavo Neto

Historicamente, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sempre defendeu a liberdade (usada a palavra na sua acepção mais ampla) e lutou pela implementação do Estado Democrático de Direito. Debelou-se contra todas as formas de autoritarismo, possíveis e imagináveis. Travou inúmeros embates com o regime militar. Sua sede foi até mesmo bombardeada, em 27 de agosto de 1980, no episódio que resultou na morte de Lyda Monteiro da Silva, secretária do então Presidente do Conselho Federal, Eduardo Seabra Fagundes, um defensor intransigente dos direitos da pessoa humana. A OAB nunca se curvou ao arbítrio ou à violência.

A OAB também foi incansável na luta pela ética na política. Juntamente com a ABI, propôs o impeachment do então Presidente Fernando Collor de Mello. Repudiou a chacina da Candelária, e exigiu que as autoridades constituídas apurassem os fatos e buscassem a punição dos culpados. A OAB nunca se vergou perante os governantes e poderosos.

A OAB apoiou o ideal democrático de eleger direta e livremente o Presidente da República, participando ativamente do movimento “Diretas Já”; reivindicou, por diversas vezes, a instalação de uma Assembléia Nacional Constituinte; e, acompanhou de perto a promulgação da Constituição da República de 1988, conseguindo, inclusive, inserir no seu texto uma notável gama de normas garantidoras de direitos individuais, sociais e coletivos, benéficas aos cidadãos. Igualmente, nunca se furtou a apoiar os movimentos criados em prol de uma sociedade mais justa, solidária e digna, como é exemplo disto sua participação ativa na “ação da cidadania, contra a fome, a miséria e pela vida”, concebida pelo saudoso Betinho. A OAB sempre serviu à sociedade e defendeu os interesses da sociedade; ao invés de se servir da sociedade, em defesa dos interesses privados e egoísticos de seus dirigentes.

SEMPRE FOI LIVRE

Os inúmeros exemplos da atuação direta empreendida pela OAB, desde o seu nascimento até os dias de hoje, em proveito do fortalecimento da democracia, não cabem neste pequeno artigo de opinião. E, por isto mesmo, sem favor algum, a sociedade civil reconhece sua autorizada voz. No entanto, só foi possível à OAB chegar até aqui, porque ela sempre foi livre, independente e apartidária. A OAB nunca foi títere de qualquer político ou partido político. Exatamente por que nunca se deixou controlar pelos governantes e mandatários de ocasião é que a OAB jamais se tornou refém do status quo. A OAB sempre defendeu ideias, valores sociais, princípios democráticos. Sua grandeza decorre da sua liberdade e da sua independência; de nunca se ter deixado pautar ou seduzir pelos interesses políticos individuais do partido “a” ou “b”.

Ruy Barbosa, Sobral Pinto, Evandro Lins e Silva, Raymundo Faoro e Miguel Seabra Fagundes (homens políticos, sem dúvida alguma) foram exemplos de grandes advogados – e muito contribuíram para tornar a nossa OAB grande – porque, a despeito de suas preferências político-partidárias (é por demais óbvio que as tinham), nunca levaram a política partidária para dentro da OAB. Esses homens, pois, prezavam a independência e a integridade da Casa do Advogado, acima de tudo e de todos. Esses homens jamais se serviram da OAB. Ao contrário, serviram a ela e a toda a classe dos advogados, com seus exemplos de sabedoria, coragem e ética.

Uma coisa é ter preferências políticas ou ser afiliado a determinado partido político. Natural. Justo. Outra, bem diferente, é associar o nome da OAB ao de centrais sindicais, permitindo que ela seja utilizada como difusora de marketing político-partidário. Em suma e em síntese, abrir escancaradamente suas portas para que ela seja usada como instrumento de controle externo e/ou ideológico do Estado.

NOJO E INDIGNAÇÃO

É bem verdade que “uma imagem vale mais do que mil palavras” – já dizia Confúcio, por volta de 470 antes de Cristo. Mas quando eu vejo faixas da CUT e do SINDIPETRO dentro da sala da OAB-Macaé, decorando a solenidade de entrega das carteiras profissionais aos novos advogados, além da chocante imagem, ainda preciso de duas palavras para expressar meus sentimentos: nojo e indignação. E não é porque a CUT e o SINDIPETRO são ligados ao PT. Nada disso. Se fosse ao PMDB, PDT, DEM ou PSDB, meus sentimentos seriam os mesmos, por que o que não posso conceber é uma OAB partidária, comprometida e dependente, de políticos ou de partidos políticos, andando na contramão da sua própria história.

Não é preciso ser muito esperto para entender o que faz um ex-presidente da OAB-RJ, hoje Conselheiro Federal e candidato declarado a Deputado Federal, que a todo momento se pronuncia a favor dos condenados José Genoíno e José Dirceu, presidir a solenidade de entrega das carteiras de identidade aos novos advogados da subseção da OAB-RJ em Macaé, já que político, se tiver oportunidade, inaugura até privada nova de banheiro público, para dar um recadinho aqui e caçar um votinho ali. Mas como explicar as faixas da CUT e do SINDIPETRO serem usadas pela OAB como pano de fundo da sagrada (tem juramento e tudo) solenidade de entrega das carteiras de identidade dos advogados?

Se RUY BARBOSA fosse vivo, possivelmente, a esta hora, já tinha abdicado de sua conhecida verve e do seu vocabulário rebuscado, bem como deixado Cícero de lado (O tempora, O mores!), para, estupefato, atônito e incrédulo, perguntar de solavanco: AFINAL, QUE OAB É ESSA?

Portinari de tirar o fôlego

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Júlio Assis

O primeiro impacto de visualização cara a cara dos painéis “Guerra” e “Paz”, de Candido Portinari, que encerra nesses dias sua histórica passagem por Belo Horizonte, é meio de tirar o fôlego. Pelos detalhes da pintura em si e por sua grandiosidade que, ao se chegar muito próximo, exige tal exercício de flexão do pescoço para olhar para cima que aos desavisados pode mesmo trazer a sensação de travar o fôlego.

Daí a sugestão é dar alguns passos para trás, respirar devagar e recuperar o prumo para que seus olhos percorram sem pressa os painéis que têm, cada um, 14 por 10 metros. Tal imponência e representatividade no cenário da arte brasileira casa muito bem à relevância em termos de volta o Cine Theatro Brasil, um espaço tão caro à memória belo-horizontina, agora como centro cultural.

Pelo caminho que tomei após subir a rampa do Grande Teatro para chegar aos painéis, me deparei diante de dois pés que ficam no canto final da tela “Guerra”. Na escala humana diante do mural, olhar apenas para a frente é visualizar essa parte de baixo dos painéis. São duas plantas de pés inteiras de uma mulher de costas, ajoelhada e com os braços levantados para cima. Nas plantas dos pés, os mínimos detalhes de rachaduras advindas de uma vida rude, signo em miniatura da arte de Portinari que tanto se voltou àqueles brasileiros que, descalços, pisam a terra e caminham para a sobrevivência na rotina árdua.

Esse lado sofrido diante da realidade está presente em todo o painel “Guerra”, em que predomina o tom azul escuro, mas ele todo está construído numa visão muito particular do artista em que não aparecem tanques de guerra, armas ou o vermelho do sangue. As expressões são de pavor, condenação aos conflitos e súplica.

IMAGENS LÚDICAS

Ao lado, o painel “Paz” traz cores vivas, imagens lúdicas de uma festa permanente unida a cenas cotidianas da vida popular brasileira. Pintando um conjunto de epifania coletiva, Portinari traduziu plasticamente em 1956 o que ele havia escrito em 1949, alertando que a militância pela paz exige “determinação e coragem. Devemos organizar a luta pela paz, ampliar cada vez mais a nossa frente antiguerreira, trazendo para ela todos os homens de boa vontade, sem distinção de crenças ou de raças, (…) não somente com palavras mas com ações.”

Como se sabe, ao aceitar em 1952 o convite para criar os painéis que o governo brasileiro daria de presente para a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, Candido Portinari (1903-1962 ), o paulista de Brodowski que consolidou sua carreira no Rio de Janeiro, já havia sido alertado pelos médicos de que deveria parar de pintar em razão de um processo de envenenamento pelas tintas. Mas ainda assim dedicou-se ao trabalho por quatro anos em galpões da TV Tupi, no Rio de Janeiro. E não pôde participar da inauguração, em Nova York, por não aceitar a exigência do governo norte-americano: declarar o pintor que não mais pertencia ao Partido Comunista.

Esta é a última semana para ver em Belo Horizonte e no Brasil, os painéis que retornam à sede da ONU no ano que vem, depois de uma última escala para exposição em Paris. Nos demais andares do Cine Theatro Brasil estão também expostos, estudos preparatórios de Portinari para “Guerra” e “Paz”, outras obras, objetos pessoais do pintor, documentos, correspondências, fotografias recortes de jornais da época, além de filmes e reinterpretações do trabalho do artista em instalação do escultor Sérgio Campos e ainda em bordados de artesãos de Pirapora.

Entre outras obras que podem ser vistas de Portinari, confira a graça especial de um pequeno desenho a pastel sobre cartão, “Menina com Trança”, de 1955, um rosto de menina disforme, cabelo espetado, esboço que ele viria a burilar depois, cara de um momento de leveza, descontração e liberdade de um artista imbuído da vida brasileira. (transcrito de O Tempo)

País sangrado

Vittorio Medioli

Os presos depois de condenados na Ação Penal 470 do STF, processo do mensalão, aparecem na moldura mais humilhante, passando por grades e delegacias a caminho da prisão. Tem quem aplauda a primeira real condenação por corrupção que acontece neste país, até então considerado ilha de preservação e reprodução de corruptos, mas tem quem aclame os detentos como heróis da causa petista e brasileira.

Entre tanta diferença de avaliação, esse episódio dá luz à incongruência do nosso jovem sistema democrático, ainda aos disparates que ocorrem com o aval das leis. Ouve-se que roubar compensa, e realmente compensa muito roubar de cofres públicos quando deles se deveria tomar conta com austeridade e honestidade. A consideração das leis com os infratores e criminosos é, de certa forma, incentivo à delinquência já que o risco de ser preso é na prática nulo, e de devolver quanto se desviou, ainda menor.

O empresário, seja grande ou pequeno, o profissional liberal e o cidadão como entidade econômica são expostos ao rigor de penas severas em caso de não recolhimento de impostos e sonegação. Quando autuado por falta de pagamento, deverá fazê-lo em dobro, com juros e correção monetária mais mora, multas e etc., independentemente do ônus penal. Fica impedido de manter atividades econômicas e a possibilidade de operar às claras lhe é cassada.

E O DINHEIRO PÚBLICO?

Ir para a cadeia em regime semiaberto e escapar de uma devassa fiscal cumprindo um terço de pena são o que acontece agora, primeira vez neste país, depois de séculos de assaltos ao bem público. Quem se apossou do dinheiro público não foi condenado a devolver em dobro, pode apenas acontecer que depósitos bancários sejam bloqueados e reintegrados ao patrimônio público. Choram hoje os condenados pela falta de provas, entretanto, eles com as rédeas do poder nas mãos nunca sofreram uma busca, uma devassa, uma investigação que pudesse se dizer séria. Centenas de investigações mofam em gavetas, delegados são tirados das apurações.

Operações como a Esopo da PF que apontam bilhões desviados do FAT, propinas pagas na “venda” de 1.500 cartas sindicais, pararam pelo veto do Poder que emana do alto da União. Centenas, talvez milhares de casos aguardam desidratar, avançam apenas os que são de interesse da nomenclatura palaciana. O Brasil assim é aberto à ação predatória. Até parece que o sistema institucional brasileiro incentiva abertamente o peculato. Hoje o cidadão se queixa da corrupção que toma conta como mancha de óleo na superfície de águas outrora transparentes.

As multas aplicadas pelo STF aos mensaleiros não chegam a uma centésima, talvez milésima parte do quanto foi subtraído. Apenas no caso Visanet do Banco do Brasil, uma única operação de R$ 35 milhões passou pelo Valerioduto. Tem muito mais que desapareceu, e a penalidade financeira aplicada é irrisória. Surge aí que também se deu um “tucanoduto”. E daí? Um roubo não justifica outro, e os dois são condenáveis da mesma forma. O cidadão não pode admitir que o fruto de seu esforço para pagar impostos se perca nos ralos da corrupção.

E A RECEITA FEDERAL?

Onde atuou a prestimosa Receita Federal sobre os mensaleiros? Mais de 100 milhões foram detectados, apesar de se tratarem da ponta do iceberg do mensalão ocorrido no governo Lula – deveriam corresponder a uma atuação de mais de R$ 300 milhões. E o esforço para recuperar essa “suada arrecadação”? Na prática, nada. É aí que o Brasil é uma ilha sem lei, um paraíso ao peculato. O risco é baixo, e ainda a ideologização perversa do crime apresentado por políticos que comandam o esquema resvala na marota explicação: “para financiar campanhas”. Tentam confundir aos olhos dos desprevenidos que grande massa de dinheiro foi tirada da merenda escolar, do remédio, da assistência, dos investimentos públicos para financiar bandidos a continuar a abandalhar o país.

Afinal, a condenação à prisão não é o pior nem consegue se caracterizar como a pior das penas, ou algo que desestimule. O lojista que não recolhe o INSS de seu empregado é condenado a pagar em dobro, mais mora, mais multas, mais correção. A condenação pecuniária de todos os mensaleiros não cobre nem a metade de uma única operação de desvio de R$ 35 milhões.

Existe um Coaf – órgão obscuro e político na mão desse governo – que detectou como operação irregular (o que era regular) R$ 25 mil do caseiro de Palocci, mas não se apercebeu da lavanderia do mensalão escondendo centenas de milhões. O que faz esse órgão além de intrigas quando precisa defender um interesse político?

Hoje as empresas são ferrenhamente fiscalizadas, e os métodos de cobrança autorizam a se adotarem a presunção e mil interpretações casuísticas e frívolas, mas não se sabe de parlamentares e seus parentes incomodados pela Receita Federal. Esses condenados foram fiscalizados? E no que deu a fiscalização deles?

Inicialmente, quem trata de recursos públicos e seus familiares deveriam perder o sigilo bancário ao tomar posse e mantê-lo à luz do dia, ainda seu teor de vida medido por um órgão dedicado, e a cada ano 10% dos ocupantes de cargos públicos serem sorteados para uma rígida fiscalização.

VETO DE LULA

Ideias como essa existem há muito tempo, como existiu um projeto de lei aprovado que rende as entidades sindicais sujeitas ao controle do TCU, medida essa prontamente vetada por Luiz Inácio Lula da Silva. É muito mais fácil do que se pensa estancar desvios que, ao que calculam entidades balizadas, podem passar de uma centena de bilhões a cada ano e que nos últimos dez anos passariam de 1 trilhão. Essa é uma massa de dinheiro que só fica debaixo do tapete do Coaf, e de nenhum outro.

É de dar risada (ou chorar) os R$ 360 mil aplicados de multa a um dos mensaleiros, diminuindo R$ 1 milhão que lhe se aplicaram inicialmente. Evidentemente, o famoso ditado segundo o qual no Brasil roubar compensa é lei que rege nosso sistema, atrai, fomenta, estimula meliantes para a vida pública, canal mais rápido de se chegar à condição privilegiada neste sangrado país. (transcrito de O Tempo)