As lembranças de Geraldo Azevedo, Pippo Spera e Fausto Nilo

O arquiteto, poeta e compositor cearense Fausto Nilo Costa Júnior, compôs em parceria com Geraldo Azevedo e Pippo Spera, a música “Você se lembra”, que evoca imagens nordestinas e passagens musicais da canção As Time Goes by, do filme Casablanca. A música foi gravada no Álbum Focus: O Essencial de Geraldo Azevedo, em 1999, pela Sony.

VOCÊ SE LEMBRA
Geraldo Azevedo, Pippo Spera e Fausto Nilo

Entre as estrelas do meu drama
Você já foi meu anjo azul
Chegamos num final feliz
Na tela prateada da ilusão
Na realidade onde está você
Em que cidade você mora
Em que paisagem em que país
Me diz em que lugar, cadê você
Você se lembra
Torrentes de paixão
Ouvir nossa canção
Sonhar em Casablanca
E se perder no labirinto
De outra história
A caravana do deserto
Atravessou meu coração
E eu fui chorando por você
Até os sete mares do sertão
Você se lembra…

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Juiz diz que PF apreendeu com doleiro Youssef recibos de depósito em favor de Collor  

André Richter
Agência Brasil 

O juiz Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, informou  ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a Polícia Federal (PF) encontrou comprovantes de depósitos bancários em espécie em favor do senador Fernando Collor (PTB-AL). Segundo o juiz, os comprovantes estavam no escritório do doleiro Alberto Youssef, durante o cumprimento dos pedidos de busca e apreensão da Operação Lava Jato.

De acordo com relatório enviado pela Polícia Federal ao juiz, ocorreram oito depósitos fracionados em espécie de R$ 1,5 mil; R$ 9 mil; R$ 1,5 mil; R$ 9 mil; R$ 8 mil; R$ 9 mil; R$ 8 mil e R$ 4 mil em favor do senador. Segundo a PF, os depósitos ocorreram em fevereiro, março e maio do ano passado. Apesar dos achados da polícia, Moro afirma que o senador não é investigado na operação.

“Relativamente ao material apreendido, juntado ontem nos autos eletrônicos, foi este juízo alertado pela autoridade policial que nele constam oito comprovantes de depósitos bancários em espécie que teriam sido encontrados no escritório de Alberto Youssef e que teriam por beneficiário o senador da República Fernando Affonso Collor de Mello. Apesar disso, observo que não há qualquer indício do envolvimento do referido parlamentar nos crimes que já foram objeto das aludidas oito ações penais propostas”, informou o juiz.

O juiz ressalta no documento que não seria possível prever a apreensão de achados relacionados a um senador. “Tal prova e eventual relação entre o suposto doleiro e o referido senador era absolutamente desconhecida deste juízo, tendo sido encontrada fortuitamente durante a busca e apreensão. Inviável antes da busca, concluir pela presença de indícios de crimes praticados por parlamentar e pela competência do Supremo Tribunal Federal, já que surgiram somente após a diligência”, declarou.

VACCAREZZA

No ofício enviado ao ministro, Sergio Moro ainda afirma que não autorizou a Polícia Federal a fazer a diligência que encontrou conversas entre o deputado federal André Vargas (sem partido – PR) e Youssef, na qual teria sido marcada uma reunião na casa do deputado Cândido Vacarezza (PT-SP).

“Muito embora o relatório preparado pela Polícia Federal para a remessa do material do deputado federal André Vargas mencione o deputado federal Cândido Vaccarezza, observo que a menção diz respeito a suposta reunião dele com Alberto Youssef, sem que, em princípio, se possa inferir caráter criminoso do evento em questão. Apesar do agente policial sugerir, no relatório, a este juízo, que obtivesse confirmação de que determinado aparelho de Blackberry pertenceria ao referido deputado, observo que este juízo não autorizou essa diligência e a recomendação consta em relatório solicitado por este Juízo com o propósito específico de remessa do material ao Supremo Tribunal Federal”, disse Moro.

Sérgio Moro também afirmou que o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) não é investigado na Lava Jato, assim como o deputado André Vargas. Durante as investigações, a PF captou conversas entre os parlamentares e o doleiro que sugerem favorecimentos entre eles. “Apesar da remessa, observo que não há qualquer indício do envolvimento do parlamentar nos crimes que já foram objeto das aludidas oito ações penais propostas”, garantiu o juiz.

As informações foram produzidas pelo juiz ao enviar ao Supremo todas as ações penais oriundas das investigações da Operação Lava Jato, conforme decisão do ministro Teori Zavascki. O magistrado entendeu que as investigações deve ser suspensas devido à presença de parlamentares nos autos.

Procurada pela Agência Brasil, a assessoria do senador Fernando Collor disse que não tinha conhecimento do assunto.

Acordo com China sinaliza ‘guinada a leste’ da Rússia

Jonathan Marcus
Analista diplomático da BBC

A China é o parceiro comercial mais importante da Rússia: cerca de dois terços das importações chinesas do país são petróleo ou gás natural. Um novo acordo bilionário de exportação de petróleo e gás, selado nesta quarta-feira entre os dois países, reforça a importância desta relação.

É um acordo que vinha sendo forjado há muito tempo, com os chineses hesitantes sobre os custos. Mas os valores contam apenas parte da história. O acordo acontece em um momento em que as tensões entre a Rússia e o Ocidente aumentaram, principalmente por causa da crise na Ucrânia.

E o problema não é só a Ucrânia: há diferenças fundamentais entre os dois lados a respeito da Síria e sobre a direção para a qual o presidente Vladimir Putin está conduzindo o país. De fato, em alguns momentos Putin parece estar posicionando a Rússia como um polo alternativo em relação ao que ele parece considerar valores decadentes do Ocidente.

Portanto, o acordo entre a estatal russa Gazprom e a chinesa Corporação Nacional de Petróleo pode simbolizar um momento importante de transição, quando, tanto em termos econômicos quanto geopolíticos, o olhar da Rússia começa a se volTar mais para o Oriente do que para o Ocidente.

CHINA EM ASCENSÃO

Mas a “guinada oriental” da Rússia também tem seus problemas. Mesmo que o país se considere uma potência “eurasiática” em termos geográficos, Pequim é claramente o ator em ascensão.

O papel da Rússia é de um importante fornecedor de energia – o país também vende quantidades significativas de petróleo e gás para o Japão e a Coreia do Sul -, o que lhe permite uma participação importante na região. O acordo, entre a estatal russa Gazprom e a Corporação Nacional de Petróleo da China (CNPC, na sigla em inglês), foi negociado durante dez anos.

A Rússia vem tentando encontrar mercados alternativos para o seu gás natural, diante da possibilidade de sanções europeias por causa da crise na Ucrânia. O valor oficial do acordo não foi divulgado, mas acredita-se que seja de mais de US$ 400 bilhões (R$ 884 bilhões).

O novo contrato deve garantir o envio de cerca de 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano para a China, a partir de 2018.

Mas isso também pode ser encarado de maneira diferente: uma tendência que enfatiza o papel crucial das exportações energéticas nas finanças russas – uma dependência que pode facilmente se tornar tanto uma fraqueza quando uma força.

De fato, o tempo que foi necessário para que Moscou chegasse a esse acordo com Pequim pode mostrar com quem está o real poder de negociação.

Em nível estratégico, a Rússia parece estar reforçando seus laços militares com Pequim. Exercícios navais conjuntos estão sendo realizados neste mês.

Mas dada a miríade de tensões na região causadas pela escalada marítima da China e sua crescente disputa em questões regionais, uma aliança mais próxima com Pequim pode ser pouco interessante, já que pode dificultar o avanço nas relações com outros atores regionais, como o Japão.

SIGNIFICADO GEOPOLÍTICO

O momento em que esse acordo foi feito reforça inevitavelmente seu significado geopolítico, mas ainda é muito cedo para delinear as verdadeiras consequências da crise ucraniana. Para começar, não sabemos exatamente como ela vai terminar.

Moscou pode ter desistido de uma intervenção militar em grande escala, mas é difícil enxergar qualquer mudança na visão de longo prazo de Putin para uma Ucrânia enfraquecida como um Estado-tampão entre a Rússia e o Ocidente.

Diferentes afirmações estão sendo feitas no momento: que a era pós-Guerra Fria chegou ao fim; que os países europeus certamente tentarão reduzir significativamente a dependência da energia; que a missão principal da Otan foi reafirmada e que a aliança militar ocidental teve sua vida útil estendida. Uma mudança de foco da política russa em direção ao Oriente pode ser parte disso.

Todas essas afirmações podem ser verdadeiras, mas ainda é cedo para dizer. A Rússia continua sendo, em parte, uma potência europeia, ansiosa por salvaguardar os direitos das minorias em uma variedade de países na região que o país considerava seu “exterior próximo” ou seu quintal. Isso, também, não deverá mudar.

Mais uma piada do ano: Ministro diz que setor de saúde está preparado para a Copa

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Akemi Nitahara
Agência Brasil 

As 12 cidades-sede da Copa do Mundo estão preparadas para atender às demandas da área de saúde durante o evento, que começa no dia 12 de junho. A avaliação é do ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Questionado no Rio de Janeiro sobre as condições de atendimentos simultâneos a um grande número de pessoas, no Hospital do Andaraí, um dos escolhidos para ser referência na Copa,  Chioro afirmou que toda a rede de saúde foi estruturada e está pronta para o Mundial.

“Não existe um único hospital que é referência, existe toda uma rede que envolve Samu, UPA [Unidade de Pronto-Atendimento], hospitais de referência e que envolve inclusive redes privadas, porque a maior parte dos turistas, quando vem ao Brasil, vem com seguro ou alguma forma de cobertura e pouco utilizarão [a rede pública]”, acrescentou.

De acordo com o ministro, a experiência internacional mostra que menos de 1,5% das pessoas que participam de um evento como a Copa do Mundo requer  assistência à saúde.

“Normalmente são problemas muito simples, resolvidos muitas vezes no próprio estádio e que pouco forçam a rede de saúde. Se a gente for pensar na manifestação de rua, a população comemorando a vitória do Brasil, que a gente sabe que acontece, não é nem um pouco diferente de alguma coisa que o Rio há décadas está acostumado a fazer, que é atender durante o carnaval. Cidades como Rio, Salvador, Fortaleza, Recife têm uma expertise em atendimento às massas que é muito grande. Então nós estamos muito bem preparados”.

CARTILHAS PARA TURISTAS

O ministro informou que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) aprovou os preparativos da área de saúde para o evento, no fim de março, e que o Brasil lançou, nesta semana, um manual de orientação para os visitantes, na 67ª Assembleia Mundial de Saúde em Genebra, na Suíça.

“Nós lançamos lá em Genebra um manual do visitante, que aliás vai servir não apenas para a Copa do Mundo, mas para todos os grandes eventos e para o turismo no Brasil. Que é um manual que tem em espanhol, francês e inglês, com as principais orientações sobre como fazer no Brasil, que tipo de preocupação, que vacinas tomar, enfim, um conjunto de orientações”.

De acordo com o Ministério da Saúde, foram impressas 900 mil cartilhas, que serão distribuídas nas cidades-sedes da Copa . O guia está disponível na internet.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO ministro Arthur Chioro deve morar em outro país, tipo Inglaterra ou Suécia, onde o sistema público de saúde realmente funciona. Gostaria de saber se ele próprio tem coragem de recorrer ao SUS se sofrer alguma emergência. Claro que não. Vai para o Hospital Sírio e Libanês, onde as autoridades têm atendimento Padrão Fifa. Por conta da viúva, é claro. (C.N.)

Barbosa revoga trabalho externo de mais quatro condenados no mensalão, inclusive Costa Neto, que defende o “Volta Lula”

André Richter
Agência Brasil 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, revogou hoje (22) o benefício de trabalho externo de mais quatro condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão. O presidente cassou o benefício dos ex-deputados Valdemar Costa Neto, Bispo Rodrigues e Pedro Corrêa e do ex-tesoureiro do extinto PL Jacinto Lamas. Barbosa entendeu que eles não podem receber trabalhar fora do presídio por não terem cumprido um sexto da pena.

Com o mesmo argumento, Barbosa revogou os benefícios do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, do ex-deputado Romeu Queiroz, do ex-advogado de Marcos Valério, Rogério Tolentino, e do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que não chegou a receber autorização para trabalhar.

De acordo com a Lei de Execução Penal, a concessão do trabalho externo deve seguir requisitos objetivos e subjetivos. A parte objetiva da lei diz que o condenado deve cumprir um sexto da pena para ter direito ao benefício. “A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 [um sexto] da pena”, informa o Artigo 37.

Porém, a defesa dos condenados no processo do mensalão alega que o Artigo 35 do Código Penal não exige que o condenado a regime inicial semiaberto cumpra um sexto da pena para ter direito ao trabalho externo.

RECURSO AO PLENÁRIO

Desde 1999, após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), os juízes das varas de Execução Penal passaram a autorizar o trabalho externo ainda que os presos não cumpram o tempo mínimo de um sexto da pena para ter direito ao benefício. De acordo com a decisão, presentes os requisitos subjetivos, como disciplina e responsabilidade, o pedido de trabalho externo não pode ser rejeitado. No entanto, Joaquim Barbosa afirma que o entendimento do STJ não vale para condenações em regime inicial semiaberto. Para justificar a aplicação integral do Artigo 37, Barbosa cita decisões semelhantes aprovadas em 1995 e em 2006, no plenário da Corte.

A controvérsia será resolvida somente quando o plenário da Corte julgar o recurso impetrado pela defesa dos condenados. A data do julgamento depende da liberação do voto de Barbosa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO novo encarceramento de Valdemar Costa Neto prejudica Lula, porque na base aliada ele é um dos principais defensores da candidatura do ex-presidente no lugar de Dilma Rousseff. Seu trabalho externo era justamente este. (C.N.)

Servirá para alguma coisa


Heron Guimarães

Lembro-me da Copa de 1982 – a primeira que acompanhei com alguma consciência –, quando a rua sem asfalto em que morava era decorada com bandeirolas e pinturas dos postes com o verde e o amarelo. Tudo feito pelos próprios moradores, que ainda cortavam bambus para fazer portais, estouravam bombas dentro de latas de massa de tomate e aproveitavam o clima das vitórias do time de Telê Santana para fazer as típicas festas juninas.

Pela idade, não tinha a mínima noção da realidade brasileira, mas também isso não importava nem mesmo para os adultos da minha família. Era o clima frio, os ventos para soltar pipas e o time de Zico, Sócrates, Éder e Valdir Peres que encantavam a mim e a todos os familiares e vizinhos. Era um gostoso sentimento de alienação geral.

Dasayev, o goleiro soviético, que tomou dois gols do Brasil na fase classificatória, era quem me inspirava a ficar até tarde em amontoados de areia tentando defender “canhões” chutados por garotos maiores. Não sei por que o russo me chamava a atenção. Talvez por ser o arqueiro da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, uma “nação” que me enchia de dúvida, pois sempre ouvia falar de comunistas sem saber o que era isso.

O futebol era um alento aos problemas da família. Um tio, que sofria de um tipo de esquizofrenia, curava-se subitamente neste período. Minha família, alheia aos murmúrios políticos de João Figueiredo, não percebia o lado financista do evento.

CHORAMOS DE VERDADE

Nesse contexto, o Brasil acabou sendo eliminado prematuramente pela Itália do carrasco Paolo Rossi, mas fez bonito. A decepção pela derrota foi como uma facada no peito, uma injustiça com uma das melhores seleções de todos os tempos. Choramos de verdade.

A experiência de 1982 criou sensações fantásticas para as próximas Copas. Quatro anos demoravam muito para passar, e a expectativa crescia geometricamente com a aproximação da competição.

Em 1986, já com idade suficiente para entender algumas coisas, o país era outro. José Sarney já tinha feito seu plano cruzado e seus “fiscais” já estavam nas ruas controlando os preços, mas, no futebol, o aquecimento para a Copa ainda empolgava.

Eis que chegamos a 2014, com uma Copa no Brasil. Hoje, diferentemente dos anos 80 e 90, a população já não se empolga como antes, e as crianças, ao contrário das de minha infância, não saem mais para festejar nas ruas.

AGORA É DIFERENTE

O aquecimento para a Copa é outro, completamente diferente do que se imaginava quando Lula trouxe o campeonato da Fifa para cá. Servidores insatisfeitos, sem-teto, sem-casa, metalúrgicos preocupados em perder os empregos, professores desiludidos, estudantes revoltados, rodoviários intolerantes e PMs em greve são os personagens das ruas.

A expectativa de ver a seleção entrar em campo é menor do que aquela que pretende pagar para ver se o movimento Não Vai Ter Copa irá progredir.

O mundial virou pano de fundo. Tudo bem. Vai valer a pena. Minhas filhas, que hoje não se importam em saber o nome do goleiro da seleção, mas sabem explicar o que é black bloc, serão testemunhas de que a Copa de 2014, por um motivo ou por outro, serviu para alguma coisa. (transcrito de O Tempo)

 

Desculpe, foi engano: Ministro Zavascki vê ‘mal entendido’ ao libertar ex-diretor da Petrobras

Deu na Agência Estado

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (22), que houve “um grande mal entendido” em relação a sua decisão que resultou na libertação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ele foi um dos presos na Operação Lava Jato, que teve todos os procedimentos na Justiça Federal em Curitiba (PR) suspensos por determinação do ministro por causa da suspeita de envolvimento de deputados no caso.

“Houve um grande mal entendido da minha decisão, Eu decidi avocar esses processos porque é da competência do Supremo julgar processos em que estejam envolvidos parlamentares e liberar decretos de prisão em relação a quem estivesse preso por conta desses inquéritos”, afirmou o ministro, que participou de evento da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Ele se referia à decisão tomada no domingo, 18, ao analisar recurso da defesa de Costa, quando determinou que todos os 12 presos na operação fossem soltos e que os inquéritos e processos relativos à Lava Jato sejam remetidos ao Supremo.

EXPLICAÇÕES…

Na terça-feira, 20, Zavascki alterou sua decisão, mantendo solto apenas Paulo Roberto Costa, após o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, enviar ofício ao ministro informando haver envolvidos até com tráfico no caso e que haveria risco de fugas caso fossem postos em liberdade. “Eu não apontei nomes”, disse, em relação à liminar que suspendeu a tramitação dos processos. “E deixei expressamente dito na minha decisão que não ficaria liberado quem estivesse preso por outra razão”, acrescentou.

Teori Zavascki ressaltou ainda que a determinação é para que sejam enviados ao STF apenas os processos que envolvem parlamentares e que. “só em relação a esses é que se revogou prisão”. Mas ele avaliou que houve “uma dúvida de interpretação” por parte do juiz federal do Paraná e que, para esclarecer a questão, precisa “ter os autos”. “O que eu mandei: então me manda os autos para cá, do jeito que estão, no estado em que se encontram, sem modificar nada, que eu examino aqui”, concluiu. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão houve qualquer mal entendido. Pelo contrário, todas as pessoas de bem deste país entenderam perfeitamente o que fez o ministro Teori Zavascki. Que descansem em paz neste fim de semana, ele e sua consciência, se é que ainda tem. (C.N.)

Band denuncia que Petrobras pagou R$ 2,8 bilhões a mais ao comprar a Suzano Petroquímica

Ricardo Boechat na bancada do JORNAL DA BANDDeu no Jornal da Band

Um ano depois da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, a Petrobras fez outra aquisição polêmica. A estatal pagou por uma petroquímica três vezes mais do que a empresa valia no mercado. Uma corretora de valores do Uruguai foi investigada por suspeita de ter lucrado com informações privilegiadas envolvendo o negócio.

Por trás de mais este negócio bilionário da Petrobras, estava o ex-diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, um dos presos pela Polícia Federal na Operação Lava a Jato. Costa ocupou um cargo estratégico na Petrobras durante a administração de José Sérgio Gabrielli.

Com o aval do conselho de administração da estatal, então presidido por Dilma Rousseff, que era ministra chefe da Casa Civil de Lula, a Petrobras foi às compras. O primeiro alvo, em 2007, foi a Suzano Petroquímica.

Avaliada na bolsa de valores de São Paulo em R$ 1,2 bilhão, ela foi comprada pela Petrobras por R$ 2,7 bilhões. Deste total, R$ 2,1 bilhões foram para a família Feffer, capitaneada por Daniel. Os demais R$ 600 milhões foram para acionistas minoritários.

Além disso, a estatal assumiu uma dívida da Suzano de R$ 1,4 bilhão. O custo total foi de R$ 4,5 bilhões. Mais de R$ 2,8 bilhões de diferença entre o preço de mercado e o que a Petrobras desembolsou.

INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA

Na mesma época, outra movimentação no mercado acionário levantou suspeitas: a corretora uruguaia Vailly Sa, que nunca tinha negociado ações da Suzano, comprou papéis da companhia antes do fechamento do negócio bilionário. A corretora, ligada ao grupo Safra, foi investigada pelo Ministério Público e a Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, e para não ser processada, fez um acordo e pagou multa. Mas, até hoje, ninguém explicou como a Vailly teve acesso às informações privilegiadas do negócio.

Pouco tempo depois de ser comprada pela Petrobras, a Suzano Petroquímica foi incorporada pela Braskem, que hoje detém a maioria do mercado petroquímico do Brasil.

Em 2009, o senador Álvaro Dias, do PSDB do Paraná, pediu à Procuradoria Geral da República investigação para apurar possíveis irregularidades no negócio. Até hoje não recebeu resposta.

Em nota a Braskem informou que não teve qualquer participação na aquisição da Suzano pela Petrobras. Ela afirma, ainda, que a incorporação da empresa foi feita a preço justo, com base em avaliação de um banco independente sem, porém, informar os valores da transação.

A Petrobras, os grupos Suzano e Safra e Daniel Feffer foram procurados, mas não quiseram se pronunciar.

http://portogente.com.br/noticias-do-dia/petrobras-teria-pago-r-28-bilhoes-a-mais-que-valor-real-da-suzano-petroquimica-81872

(matéria enviada por Delmiro Gouveia)

PF liga compra de Pasadena a esquema da Lava Jato, diz deputado

Erich Decat
Agência Estado

Brasília – O líder do Solidariedade (SDD) na Câmara, Fernando Francischini (PR), apresentou em plenário um documento expedido por integrantes da Polícia Federal em que é pedido o cruzamento das investigações envolvendo a compra da refinaria de Pasadena (Texas) com a Operação Lava Jato. A suspeita é de que o negócio, que custou mais de US$ 1,2 bilhão à estatal brasileira, estaria ligada ao esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Youssef.

O documento é um ofício assinado no dia 22 de abril pelo delegado da Polícia Federal Cairo Costa Duarte e encaminhado ao juiz da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, Sérgio Fernando Moro, que acompanha o inquérito da Lava Jato. “O delegado-chefe da investigação de Pasadena pediu cópia da Operação Lava Jato, dizendo que descobriu que o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto (Costa) era conselheiro da refinaria e da trading na época da aquisição. E que todo o cruzamento dos dados mostra que o Paulo Roberto estava trazendo dinheiro de fora, via offshore, via Alberto Youssef”, afirmou Francischini ao Broadcast Político, serviço de notícias políticas em tempo real da Agência Estado.

QUADRILHA NA PETROBRAS?

No ofício, o delegado da Polícia Federal afirma está em investigação possível existência de uma organização criminosa no seio da Petrobrás. O grupo desviaria recursos da estatal e depois faria remessas de valores ao exterior, que retornariam ao País via empresas offshore. “No caso em tela, apurou-se possível participação do nacional Paulo Roberto Costa”, diz trecho do documento.

Duarte também diz no ofício que Costa, que foi diretor da área de refino e abastecimento da Petrobrás entre 2004 e 2012, foi o representante da estatal no comitê interno da refinaria de Pasadena no mesmo período em que seria sócio da Costa Global e conselheiro da PRSI Trading Company LP, empresas que atuariam na área de petróleo.

“Solicito com vistas à economia processual e celeridade da investigação, compartilhamento das provas já realizadas no citado procedimento, bem como daquelas que poderão vir a ser produzidas a partir de material apreendido”, diz trecho do documento.

O delegado afirma que a refinaria de Pasadena teria sido comprada por valores vultosos, “em dissonância com o mercado internacional”, o que reforçaria a possibilidade de desvio de parte dos recursos para pagamentos de propinas e abastecimento financeiro de grupos criminosos envolvidos no ramo do petróleo.

REMESSAS ILEGAIS

“Em linha gerais, adentrando no mérito do procedimento persecutório, a partir da compra de uma refinaria no Estado do Texas/EUA (Pasadena), por parte da Sociedade de Economia Mista Petrobrás, possíveis valores teriam sido enviados ou mantidos no exterior sem a respectiva declaração aos órgãos competentes”, diz o delegado.

Na parte final do documento, Duarte afirma que o compartilhamento dos dados será de grande valia para as investigações. “Tal demanda se faz necessária na medida em que a prova empestada será de grande valia para o presente apuratório, em andamento junto à Justiça Federal no Estado do Rio de Janeiro, bem como para outros procedimentos investigatórios que envolvam o desvio de recurso da empresa Petrobras S.A”, acrescenta.

A Operação Lava Jato foi deflagrada em março deste ano para desarticular organizações criminosas que tinham como finalidade a lavagem de dinheiro em diversos Estados. De acordo com as informações fornecidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Justiça, integrantes do esquema teriam movimentado até R$ 10 bilhões.

Bancos anunciam recurso contra decisão do STJ sobre juros de mora a poupadores

Kelly Oliveira
Agência Brasil 

Os bancos vão recorrer da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que decidiu que os juros de mora no pagamento a poupadores prejudicados por planos econômicos devem incidir a partir da citação em ação civil pública movida em 1993. No STJ, os bancos irão interpor embargos de declaração, recurso apresentado ao juiz ou tribunal que emitiu uma sentença sobre a qual restam dúvidas.

Segundo nota da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as instituições ainda avaliam a apresentação de recurso no Supremo Tribunal Federal (STF). Com a decisão de ontem, os juros de mora – ou seja, de atraso de pagamento – começam a ser contados desde a ação civil movida pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), ganha em 1993. Com a decisão, os bancos terão que calcular os juros de mora desde esse período.

Na nota, a Febraban também disse que “a constitucionalidade das normas que instituíram os planos econômicos depende de julgamento pelo STF e está confiante quanto ao mérito desta decisão”. O tribunal vai definir se os bancos têm de pagar a diferença das perdas no rendimento de cadernetas de poupança causadas pelos planos Cruzado (1986), Bresser (1998), Verão (1989); Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991).

PLANO VERÃO

Foram julgadas ações de dois poupadores que tiveram perdas no Plano Verão, de 1989, com base em decisões proferidas nas ações civis públicas movidas contra o Banco do Brasil e Banco Bamerindus (atual Banco HSBC). A decisão do STJ, tomada pela Corte Especial, colegiado máximo do tribunal, tem repercussão em ações movidas por outros poupadores em relação ao Plano Verão ou a outros planos econômicos, como os planos Collor e Bresser.

Os votos, ao longo do julgamento, se alternaram, deixando a decisão para o presidente Felix Fischer. O placar final foi de oito votos contra sete a favor dos poupadores. Os ministros que votaram a favor do entendimento dos bancos foram: Raul Araújo, Gilson Dipp, Laurita Vaz, João Otavio Noronha, Maria Thereza de Assis Moura, Napoleão Nunes Maia Filho e Felipe Salomão. Já ao encontro da tese dos poupadores, votaram: Sidnei Beneti, Ari Parglender, Nancy Andrighi, Arnaldo Esteves Lima, Antonio Herman Benjamin, Humberto Martins, Og Fernandes e o presidente do tribunal.

Os poupadores lesados pelo Plano Verão poderão entrar com uma ação pedindo a devolução do dinheiro com direito a contagem de juros de mora desde 1993. Eles, no entanto, têm um prazo para fazê-lo, uma vez que os efeitos da ação movida pelo Idec – que lhes dá garantia de recebimento desse dinheiro – são expiráveis. Poupadores que têm dinheiro a receber do Banco Bamerindus (atual HSBC) devem entrar com ação até agosto de 2014. Quem pretende entrar com ação contra o Banco do Brasil deve fazê-lo até outubro.

Ibope: Dilma cresce menos que opositores e chance de segundo turno aumenta

Todos os candidatos cresceram no levantamento Foto: Arte/O Globo
Deu em O Globo

SÃO PAULO – A presidente Dilma Rousseff (PT) subiu três pontos na pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira, mas os dois principais candidatos de oposição, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), cresceram 11 pontos juntos, fazendo aumentar a chance de segundo turno na disputa.

O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 19 de maio, depois da propaganda partidária do PT e do PSDB, e mostrou uma queda expressiva no índice de votos brancos e nulos, que passou de 24% para 14%. O percentual de eleitores que declaram não saber em que votar também caiu: de 13% para 10%.

No último levantamento, realizado em abril, Dilma tinha 13 pontos de vantagem sobre a soma dos seus adversários. Agora, esse índice é de apenas três pontos. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Para ser eleita no primeiro turno, é preciso ter a metade mais um dos votos válidos (descontados brancos e nulos).

A presidente tem 40% das intenções de voto contra 37% da pesquisa anterior. Aécio passou de 14% para 20%. Campos foi de 6% para 11%. Pastor Everaldo (PSC) soma 3%. Eduardo Jorge (PV) e José Maria (PSTU) têm 1% cada.

O Ibope mostra ainda uma estabilização da rejeição a Dilma em 33%. Já o total que declaram não votar de jeito nenhum em Aécio caiu de 25% para 20%. Campos teve a sua rejeição reduzida em um ponto, dentro de margem de erro, de 21% para 20%.

LULA É O CANDIDATO MAIS FORTE

A pesquisa foi encomendada pelo Ibope pelo G1, pela Globonews e pelo jornal “Estado de S.Paulo”. Foram ouvidos 2.002 eleitores em 140 municípios entre os últimos dias 15 e 19 de maio. O nível de confiança é de 95%. Isso quer dizer que o instituto tem 95% de certeza de que os resultados obtidos estão dentro da margem de erro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00120/2014.

O Ibope avaliou ainda a possibilidade de segundo turno. Entre Dilma e Aécio, a presidente teria 43%, enquanto o tucano teria 24%. O número de votos brancos e nulos ficaria em 24%. Se Dilma disputasse hoje a eleição com Campos, a presidente ganharia com 42%. Campos teria 22%. Os brancos e nulos seriam 25%.

Num cenário de 2º turno com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o petista venceria Aécio por 43% a 24%, e Campos por 50% a 16%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO Planalto respira, aliviado, mas ainda ameaçado. Faltam pouco mais de 30 dias para a Convenção do PT que confirmará Dilma Rousseff ou a substituirá por Lula. Detalhe: os dois principais adversários, Aécio Neves e Eduardo Campos, estão em viés de alta, aumentando a probabilidade do segundo turno. Depois vamos comentar por que Lula não está nada satisfeito com a estabilidade de Dilma, que na verdade não subiu, ficou na margem de erro. (C.N.)

Com mensaleiro tucano “ajudando” na campanha, Aécio Neves nem precisa de inimigos

Marcelo Portela
O Estado de S. Paulo

Belo Horizonte – O ex-deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), réu no processo do mensalão mineiro, disse nesta segunda-feira, 19, em Belo Horizonte, que pretende participar das futuras campanhas tucanas de Aécio Neves à Presidência e de Pimenta da Veiga para o governo de Minas. “Sou fundador do partido. Vou defender o Pimenta e o Aécio”, afirmou.

Ex-presidente nacional do PSDB, Azeredo dividiu com os correligionários o palco do evento no qual foram confirmados os nomes da futura chapa majoritária encabeçada por Pimenta – o candidato a vice será o presidente da Assembleia Legislativa de Minas, deputado estadual Dinis Pinheiro (PP), e o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) vai concorrer a uma vaga no Senado.

Azeredo renunciou ao cargo de deputado federal em fevereiro deste ano após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir sua condenação a 22 anos de prisão por envolvimento no mensalão mineiro – um esquema, conforme a acusação do Ministério Público Federal, que consistiu no desvio de recursos públicos para a campanha do tucano, então governador de Minas e candidato à reeleição, em 1998.

A ação estava pronta para ser julgada no Supremo, mas após a renúncia, foi encaminhada para a Justiça de Minas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO mensaleiro Azeredo vai demorar séculos para ser julgado em Minas, podendo depois recorrer ao Tribunal Regional Federal, Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal. Quando o processo terminar, ele já estará na terra dos pés juntos, como se diz. O mais incrível é ele pensar que pode ajudar Aécio Neves. Para o candidato tucano, Azeredo é o tipo da ausência que preenche uma lacuna. (C.N.)

Está ruim há muito tempo

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Tostão
O Tempo
Vários jogadores, veteranos e/ou experientes, estarão fora da Copa. Ronaldinho, Kaká e Robinho estão em nítido declínio técnico. Felipão fez bem em não convocá-los. O italiano Totti e os ingleses Terry e Andy Cole são outros ausentes. Terry deveria ir, pois é, ainda, o melhor zagueiro inglês. Já o veterano armador Lampard, decadente, está entre os 23 escolhidos.

O experiente Tévez é outro ausente. Ele seria reserva. Imagino que Sabella, assim como Felipão, não gosta de jogador muito famoso no banco, ainda mais Tévez.

Muitos acham que falta experiência na seleção brasileira. Não vejo assim. Quase todos atuam nas melhores equipes do mundo. Além disso, como disse Pedro Nava, “a experiência é como um farol de carro iluminando para trás”.

Sempre que uma grande equipe entra em declínio, pedem a aposentadoria dos veteranos, mesmo que eles joguem melhor que os mais jovens. Assim como todo time do Barcelona, Xavi esteve, nessa temporada, muito longe de seus melhores momentos. Porém, foi superior a Fábregas, sempre escalado pelo técnico. Se o veterano e excepcional Buffon engolir um frango, e a Itália perder, dirão que ele é um ex-jogador em atividade, mesmo sendo brilhante todo o ano.

Mudo de assunto. No sábado, veremos a final da Liga dos Campeões da Europa. O repertório do Real Madrid é muito maior, mas, às vezes, o time não usa todo o repertório. Já o Atlético de Madrid atua sempre no limite físico e técnico. É sua grande qualidade.

Pena que um time brasileiro não estará no Mundial, para enfrentar o Real ou o Atlético. Não é um mau momento das equipes brasileiras. Estão ruins há muito tempo, dentro e fora de campo, sob comando e cumplicidade da CBF. Para o serviçal Parreira, a CBF é o Brasil que deu certo. 

VOLTAS DA VIDA

Ganso tem jogado muito bem, não se limitando a um pequeno espaço pelo centro, onde é mais facilmente marcado. Deveríamos tratá-lo como um bom jogador do presente, que pode evoluir e se tornar, pós-Copa, titular da seleção, em vez de enxergá-lo como uma miragem, um supercraque, o que ele nunca foi, de um passado recente.

A trajetória de Ganso me faz lembrar a de um paciente, quando eu era médico, que passou grande parte da vida em depressão, mesmo sendo tratado por ótimos especialistas. Não estou dizendo que Ganso tem depressão. Um dia, a mulher que ele amava, cansada da tristeza do companheiro, foi embora. Ele entrou em pânico, decidiu mudar de vida, melhorou da depressão e ainda reconquistou a mulher.

Quem sabe o momento em que Ganso não viu seu nome na lista para a Copa, mesmo sabendo que não estaria, tenha sido o gatilho, o susto, o grito que precisava para reinventar sua carreira? Os seres humanos têm necessidade de algo simbólico, marcante, para internalizar e iniciar um novo ciclo.

DIFÍCIL MESMO

A imprensa tem enfatizado bastante os erros de Dedé. Concordo, em parte. Nos cruzamentos, os dois zagueiros ficam a uma distância de dois a três metros um do outro, já que, se ficarem muito próximos, deixam alguém livre. Quando a bola é cruzada, por cima de um dos defensores, e cai entre os dois, para o atacante fazer o gol, não é culpa do zagueiro. 

Algo parecido ocorre com os goleiros. Quando a bola é cruzada, de curva, forte, fugindo do goleiro, ele tenta sair, mas fica no meio do caminho, geralmente atrapalhado por um punhado de jogadores à sua frente. Aí, falam que o goleiro falhou. É difícil, mesmo para os melhores goleiros do mundo. 

Piada do ano: Governo diz que não vai tolerar greve de servidores durante a Copa

Karine Melo
Agência Brasil 

Diante da onda de greves que várias categorias ameaçam deflagrar durante a Copa do Mundo, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, adverte que no âmbito federal todas têm acordo estabelecendo reajustes salariais até 2015. “Essas categorias tem que fazer valer os acordos que fizeram [em 2012]”, advertiu.

Segundo Adams, não há descumprimento de acordo por parte do governo, e qualquer paralisação com este sentido “será considerada violação do acordo e, invariavelmente, uma greve ilegal nos termos da Lei de Greve, que é a lei que o governo entende aplicável ao setor publico”, disse.

Em relação à polícia, o advogado-geral da União disse que  “é vedada a realização de greve, não só da Polícia Militar ou do Exército, mas também da Polícia Civil. “É o entendimento reiterado no Judiciário. O ministro Gilmar Mendes tem essa posição e já expressou isso”, enfatizou.

Luís Inácio Adams lembrou o que ocorreu recentemente em Pernambuco, para onde foi enviada a Força Nacional de Segurança, em função de uma greve da Polícia Militar. Ele advertiu os funcionários públicos: sempre que o estado tiver que pagar para garantir a segurança nos estados em que a Polícia Militar fez greve, os promotores da paralisação serão responsabilizados financeiramente. “O estado não pode ser onerado pela prática de condutas ilegais”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Luís Adams não tem nenhum poder contra as greves. Seu raciocínio é meramente burocrático, enquanto as greves são movimentos emocionais.
O ilustre causídico deveria explicar o que significa “responsabilizar financeiramente” os promotores da paralisação. Adams é o tipo da autoridade que necessita de tradutor simultâneo. (C.N.)

 

A fábrica de poemas de Waly Salomão

O advogado e poeta baiano Waly Dias Salomão (1943-2003), nos versos de “A Fábrica do Poema”, apresenta um acontecimento dúbio, porque depende do momento em que o poeta criou essa explanação que, inclusive, pode ser uma mistura de fantasia com ideologia política.

A FÁBRICA DO POEMA
Waly Salomão

sonho o poema de arquitetura ideal
cuja própria nata de cimento encaixa palavra por
palavra,
tornei-me perito em extrair faíscas das britas
e leite das pedras.
acordo.
e o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.
acordo.
o prédio, pedra e cal, esvoaça
como um leve papel solto à mercê do vento
e evola-se, cinza de um corpo esvaído
de qualquer sentido.
acordo,
e o poema-miragem se desfaz
desconstruído como se nunca houvera sido.
acordo!
os olhos chumbados
pelo mingau das almas e os ouvidos moucos,
assim é que saio dos sucessivos sonos:
vão-se os anéis de fumo de ópio
e ficam-se os dedos estarrecidos.

sinédoques, catacreses,
metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros
sumidos no sorvedouro.
não deve adiantar grande coisa
permanecer à espreita no topo fantasma
da torre de vigia.
nem a simulação de se afundar no sono.
nem dormir deveras.
pois a questão-chave é:
sob que máscara retornará o recalcado?

(mas eu figuro meu vulto
caminhando até a escrivaninha
e abrindo o caderno de rascunho
onde já se encontra escrito
que a palavra “recalcado” é uma expressão
por demais definida, de sintomatologia cerrada:
assim numa operação de supressão mágica
vou rasurá-la daqui do poema)

pois a questão-chave é:
sob que máscara retornará?

         (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Ex-secretário de MT preso pela PF se envolveu em 4 escândalos políticos

Renê Dióz
Do G1 MT

Preso pela Polícia Federal (PF) durante a operação “Ararath”, que investiga crimes financeiros e contra a administração pública, o ex-secretário de Estado Éder Moraes Dias já teve envolvimento em pelo menos outros três dos principais escândalos políticos dos últimos anos em Mato Grosso. Após transitar pelo primeiro escalão nos governos de Blairo Maggi (PR) e Silval Barbosa (PMDB), nos últimos dias Éder vinha atuando como apresentador de um programa de televisão.

Tendo ocupado cargos estratégicos do poder Executivo estadual (como os de Secretário de Fazenda, da Casa Civil e da Copa), antes de ser preso na última terça-feira (20) e encaminhado à carceragem da PF em Brasília, Éder já acumulava processos nas esferas federal e estadual por envolvimento em escândalos que ficaram conhecidos como o “caso das Land Rovers”, o caso “Maquinários” e o caso das Cartas de Crédito, de forma que os crimes investigados no âmbito da operação Ararath consistiriam o quarto escândalo político com suspeita de sua participação.

Operação Ararath

Além de responder a outros seis processos cíveis na Justiça Estadual, os escândalos políticos levam Éder a figurar como réu em pelo menos quatro na Justiça Federal de Mato Grosso – e o último deles, na 5ª Vara, refere-se aos crimes de lavagem de dinheiro investigados na operação Ararath.

Land Rovers
Em 2011, Éder Moraes foi uma das principais figuras apontadas no escândalo gerado pela compra, sem licitação, de dez veículos Land Rover equipados pelo valor de R$ 14 milhões para patrulha da fronteira de Mato Grosso com a Bolívia durante a Copa do Mundo deste ano. À época da aquisição, Éder era diretor da extinta Agência Estadual de Execução das Obras da Copa (Agecopa) – a qual deu lugar à criação da Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa).

A revelação da aquisição dos equipamentos na Rússia com dispensa de processo licitatório gerou crise no poder Executivo estadual suficiente para provocar a rescisão do contrato com a empresa fornecedora e, em seguida, Éder e outros dois diretores foram condenados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) ao ressarcimento de R$ 3,1 milhões aos cofres públicos.

Maquinários
Considerado um dos principais episódios de corrupção em Mato Grosso, o caso dos “Maquinários” consistiu no superfaturamento de 705 caminhões e máquinas agrícolas adquiridos pelo governo estadual com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o programa “Mato Grosso 100% Equipado”, de 2009, época do governo de Blairo Maggi (PR).

A transação teria provocado um rombo de R$ 44 milhões aos cofres públicos de Mato Grosso, segundo apontou a Auditoria-Geral do Estado (AGE). Secretário estadual de Fazenda à época, Éder Moraes teria avalizado as aquisições das máquinas e, por isso, acabou na condição de réu em processo na Justiça Federal por peculato, formação de quadrilha e estelionato.

Além dele, figuravam como réus o ex-governador Blairo Maggi e os então titulares das secretarias de Infraestrutura e Administração, respectivamente Vilceu Marchetti e Geraldo de Vitto. Entretanto, Maggi e Éder Moraes foram absolvidos pela Justiça Federal em março deste ano.

Cartas de Crédito
Também na condição de secretário de Fazenda no período investigado, Éder teve envolvimento no escândalo das Cartas de Crédito em 2012, quando a Polícia Civil deflagrou a operação “Cartas Marcadas”.

Segundo o inquérito, durante sua gestão à frente da Secretaria de Fazenda, Éder teria avalizado a emissão fraudulenta de pelo menos R$ 488 milhões em certidões de crédito do governo para pagamento de indenização a servidores do fisco estadual devido a um acordo extrajudicial firmado após um longo processo por equiparação de carreiras. Éder sempre negou qualquer irregularidade na emissão dos papéis por parte da Sefaz, que teria agido com anuência da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), mas acabou indiciado por fraude na emissão dos títulos.