O gato e a lebre (ou o México é um país pobre e desigual)

Mauro Santayana 

(JB) – A OCDE – Organização para o Comércio e o Desenvolvimento Econômico, divulgou um relatório, na última terça-feira, classificando o México e o Chile, ambos formalmente sócios da “Aliança do Pacífico”, como os dois países com maior desigualdade do grupo.
Até aí, nada a estranhar, a OCDE reúne países teoricamente desenvolvidos, que exibem dados sociais – remanescentes do período anterior à crise economia – melhores do que a da maioria dos países latino-americanos, mas eles tem se deteriorado rapidamente nos últimos anos.
A dívida explodiu entre os 34 membros da OCDE, principalmente os PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda e Espanha). E o desemprego aumentou para um total de 48 milhões de pessoas, 15 milhões a mais do que em 2007, alcançando em alguns lugares, como a própria Espanha, taxas próximas a 30%.
O Chile – costumeiramente apresentado como um “milagre” latino-americano, que muitos atribuem a Pinochet – consegue ser ainda mais desigual que o México.
Mas o México perde para o Chile em renda. A sua é a menor da OCDE, e uma das mais baixas entre os países latino-americanos.
O país de Zapata, também cantado pela mídia como “exemplo” para o continente, tem, segundo estatística do FMI de 2012,  renda menor que a do Chile, Uruguai, Brasil, Argentina e Venezuela.
E o pior, no lugar de crescer, ela tem diminuído nos últimos três anos. Isso, considerando-se que o México não conta com uma legislação trabalhista ou uma rede de proteção social, ou programas de renda mínima, que possam garantir um mínimo de dignidade para a população.
SEM SEGURO-DESEMPREGO
Na nação dos tacos e da tequila – o que explica parte de seu “sucesso” manufatureiro na montagem e maquiagem, com peças de terceiros, de produtos destinados aos Estados Unidos – sequer existe seguro-desemprego.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho, quase 60% dos empregos no México são informais, contra 28% na Argentina, 34% no Brasil, 45% na Colômbia, e 45% no Peru. E quatro em cada dez cidadãos mexicanos não conseguem dinheiro para pagar uma cesta básica a cada 30 dias.
Como faziam os meios de comunicação espanhóis, que achavam que a Espanha estava uma maravilha, quando na verdade, já estava sendo engolida pela crise, os jornais mexicanos se gabam do país ter entrado para o NAFTA, o acordo que os uniu, economicamente, ao Canadá e aos Estados Unidos, e de terem assinado, com outros países,  dezenas de acordos bilaterais de livre comércio.
Mas não falam dos déficits históricos em sua balança comercial, que sua renda per capita está praticamente estagnada há mais de duas décadas, e que seu poder de compra tem caído, no lugar de aumentar,   nos últimos anos.
O problema da fome, do abastecimento e da inflação de alimentos também é muito grave no membro mais pobre do NAFTA.
FRANGO BRASILEIRO
Muita gente acha que o Brasil tem que parar de mandar alimentos para a Venezuela, mas não sabe que o governo mexicano está ultimando a compra, em nosso país, em caráter emergencial, de 300 mil toneladas de frango, para impedir que o preço das proteínas exploda, e que falte comida nos supermercados.
Muitos mexicanos também acreditam na balela de que o México é grande exportador de manufaturas, enquanto o  Brasil só exporta commodities – esquecendo-se que somos o terceiro maior fabricante e vendedor global de aviões.
O fato de que sejamos o maior exportador mundial de suco de laranja, café, açúcar, carnes, – além de primeiro em minério de ferro e o segundo em etanol – e de que tenhamos triplicado nossa safra de grãos nos últimos 12 anos e estejamos a ponto de ultrapassar os EUA como o maior exportador de soja do mundo, só quer dizer uma coisa: soubemos dar mais valor à segurança alimentar do que outros países latino-americanos, e hoje temos comida para abastecer nossa mesa, e para vender para o resto do mundo.
Na hora de ler os jornais, ouvir o rádio, ou ver os noticiários de televisão, ao ouvir falar das ”reformas” e de supostos avanços mexicanos com relação ao Brasil – quando eles cresceram a metade do nosso PIB no último ano – é bom ficar com o pé atrás e colocar as barbas de molho.
Não podemos comer gato por lebre, e seguir os passos dos mexicanos, que venderam a alma ao diabo, ao se agregar – como pouco mais que escravos e camareiros – ao sistema econômico norte-americano.
Ao nos oferecer acordos semelhantes, como a UE está fazendo agora – e os EUA tentarão fazer logo em seguida – os países “ocidentais” não vão abrir seus mercados para nossas manufaturas – pelo contrário, eles têm reduzido suas compras e aumentado as vendas para cá nos últimos anos. Irão apenas tomar, implacavelmente, das nossas indústrias, o mercado sul-americano.

 

Aprovação de cotas para negros em concursos públicos abre nova polêmica racial

José Carlos Werneck

Por 314 votos a favor,36 contrários e 6 abstenções a Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira  projeto que reserva 20% das vagas em concursos públicos na administração direta e indireta da União a candidatos negros . A proposta será encaminhada, agora ao Senado

A reserva  será aplicada sempre que o número de vagas oferecidas no concurso for igual  ou superior a três. Segundo a proposição, a reserva de vagas a candidatos negros deverá constar expressamente dos editais dos concursos, que terão de especificar o total de vagas correspondentes à reserva para cada cargo oferecido. Poderão concorrer às vagas reservadas a candidatos negros aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso público, conforme o quesito cor ou raça utilizado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Durante o debate da matéria, chegou a ser discutida a possibilidade de estender o mesmo percentual para os cargos comissionados do Executivo. A proposta não logrou êxito e foi rejeitada.

A discussão teve momentos polêmicos, em que parlamentares contrários e favoráveis à proposição se alternaram nos microfones. “São hipócritas, demagogos, quem defende o projeto”, declarou Jair Bolsonaro, do PP do Rio de Janeiro. Silvio Costa, do PSC pernambucano, afirmou: “Como é que a gente pode qualificar este País tendo a cor como bandeira? Isso é demagogia pura.”

Benedita da Silva, do PT carioca, enfatizou:”As cotas dos não negros, nós, negros, sempre, convivemos com elas, porque nossos filhos não foram para a escola, para a universidade. Eles não tiveram nenhum cargo que nós pudéssemos achar que era digno do seu conhecimento. Essa é a cota com a qual nós convivemos”.

Jandira Feghali, doPcdoB, do Rio de Janeiro acrescentou:”Nós vivemos num país onde a cor da pele discrimina, sim. Nós vivemos num país onde a grande maioria da população pobre é negra, onde as chances de disputa são menores, as chances de igualdade são menores”.

Calmaria e perigo, no mar de Sueli Costa e Cacaso

 
O professor, poeta e letrista mineiro Antônio Carlos de Brito (1944-1987), conhecido como Cacaso, nos versos de “Amor, Amor”, em parceria com Sueli Costa, explica que calmaria e perigo são condições contraditórias existentes no mar e no amor.
AMOR, AMOR
Sueli Costa e Cacaso

Quando o mar
quando o mar tem mais segredo
não é quando ele se agita
nem é quando é tempestade
nem é quando é ventania
quando o mar tem mais segredo
é quando é calmaria

quando o amor
quando o amor tem mais perigo
não é quando ele se arrisca
nem é quando ele se ausenta
nem quando eu me desespero
quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero

           (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Graça Foster, presidente da Petrobras, repete Lula e Dilma, dizendo que não sabia de nada

Luana Pavani
Agência Estado

SÃO PAULO – A presidente da Petrobrás, Graça Foster, afirmou que na segunda-feira, 24, tomou a decisão de abrir uma comissão interna para investigar a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.

Em entrevista ao jornal O Globo, a presidente da Petrobrás afirmou que o caso não vai ficar “pedra sobre pedra”.

Graça revelou que havia, na época da aquisição, um comitê de proprietários de Pasadena no qual o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa era representante da Petrobrás.

Irritada, Graça reclamou que desconhecia a existência do comitê – que atuava acima do Conselho de Administração da estatal. Após processo arbitral da estatal brasileira com os sócios belgas na refinaria, em 2008, o comitê deixou de existir.

Segundo ela, no entanto, ainda não foram encontradas irregularidades na atuação do comitê no caso de Pasadena.

Graça também mostrou indignação com a possibilidade não saber tudo que deveria sobre Pasadena: “eu não posso não saber de alguma coisa neste momento em relação à Pasadena. Eu não aceito. E daí vem minha indignação”, afirmou, na entrevista ao Globo.

De acordo com Graça Foster, a companhia terá até 45 dias para se manifestar “sobre uma série de processos que já estavam em avaliação de forma administrativa”.

Ainda na entrevista, a presidente da Petrobrás evitou comentar se as denúncias têm cunho político e admitiu que não foi feita auditoria na refinaria Abreu e Lima, envolvida em suspeitas de superfaturamento. “Não há materialidade hoje que justifique isso”.

Em 2005, a empresa belga Astra Oil comprou a refinaria de Pasadena por US$ 42,5 milhões. No ano seguinte, a Petrobrás adquiriu 50% do ativo por US$ 360 milhões. Em 2012, após disputa judicial, a companhia teve de comprar o restante da refinaria, num desembolso total de US$ 1,18 bilhão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA situação está ficando cada vez mais comprometedora. Um conselho de administração (presidido por Dilma Rousseff) que aprova um negócio de 360 milhões de dólares sem se preocupar com as cláusula do contrato. Um presidente da Petrobras (Sergio Gabrielli) que o assina o contrato, também sem se preocupar com as cláusulas, e depois contrata o primo (?) para resolver o gravíssimo problema nos EUA. E agora surge uma presidente da estatal (Graça Foster) que não sabia da existência de um comitê de “proprietários” da refinaria de Pasadena, integrado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, um dos integrantes da quadrilha que lesou a companhia. Sinceramente, é muita irresponsabilidade… (C.N.)

Na Era das UPPs, aumenta o número de homicídios dolosos e de autos de resistência no Rio

Vladimir Platonow
Agência Brasil 

O número de homicídios dolosos no estado do Rio de Janeiro aumentou 18,1% em janeiro deste ano em comparação com o mesmo perído do ano passado. No primeiro mês deste ano, houve 469 homicídios dolosos no estado, contra 397 em janeiro de 2013. Os autos de resistência, quando há mortes em confronto com a polícia, também aumentaram; foram 29 casos em janeiro de 2013 e 49 no primeiro mês deste ano, informou o Instituto de Segurança Pública (ISP), ligado à Secretaria de Estado de Segurança Pública.

De acordo com os números divulgados hoje (26) pelo instituto, também cresceu o número de latrocínios, que são os roubos seguidos de morte: passaram de 11 casos em janeiro de 2013 para 15 ocorrências em janeiro de 2014.

Os casos de estelionato, porém, caíram de 3.328 casos no ano passado, para 3.046 este ano. Os roubos a residências também tiveram pequena queda, de 125, nos primeiros 30 dias de 2013, para 123 casos em janeiro deste ano.

A produtividade da polícia teve aumento considerável em janeiro deste ano, contra o mesmo mês do ano passado. A apreensão de drogas aumentou 31% (2.025 casos em 2013 e 2.653 em 2014) e o número de armas apreendidas cresceu 13,2% (615 em 2013 e 696 em 2014).

O número de prisões cresceu 26,5% (2.120 em 2013 e 2.682 em 2014). As informações completas do relatório mensal do ISP podem ser acessadas na página da instituição na internet.

O rancor da perda

Carla Kreefft

O Brasil vive um momento de reorganização social. A classe média cresce como resultado de uma mobilidade induzida por políticas sociais compensatórias, criação de empregos e manutenção da estabilidade econômica. A notícia é velha, mas boa.

Com a ampliação da classe média, o consumo do varejo aumenta, o dinheiro circula mais, a venda de imóveis, veículos e bens duráveis sobe. Em resumo, parece ser bom para todo mundo. Mas só parece. Tem aí um segmento que está muito incomodado. Trata-se da velha classe média – aquela que já era classe média desde o período da ditadura.

Para identificar essa classe social não é difícil. Na década de 70, esse segmento social já tinha casa própria, o que era uma raridade, já que o financiamento público era muito restrito e somente quem tinha uma renda razoável tinha condição de acesso. Os filhos dessa classe estudavam em escolas públicas. A educação pública era de boa qualidade, mas só atendia quem passava em exames de seleção, ou seja, quem tinha condições financeiras de estudar (comprar livros, uniformes, custear um curso de inglês etc). Os pobres ficavam fora da escola, e os ricos estudavam em escolas particulares. Essa família tinha um carro e, nos fins de semana, frequentava clubes de lazer e podia ir ao cinema. Essas famílias também tinham telefone – que era muito caro na época.

De lá para cá, com a redemocratização do país, essa classe viu o ensino público ser universalizado e perder qualidade, o que a obrigou transferir seus filhos para a rede particular. Também presenciou a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o que retirou dos trabalhadores com carteira assinada a exclusividade do atendimento médico público. Em outras palavras, todo e qualquer cidadão passou a ter direito à saúde pública – mesmo sendo de qualidade questionável.

Mais recentemente, a estabilidade econômica desencadeou estratégias governamentais que expandiram a telefonia fixa e a móvel, permitiram financiamentos da casa própria e para compra de automóvel mais acessíveis. Além de tudo isso, a classe mais carente teve sua renda ampliada com a criação de mais empregos formais.

SEM PRIVILÉGIOS

A velha classe média perdeu seus privilégios e, por outro lado, não conseguiu a mesma mobilidade que os mais pobres obtiveram. Ela não se transformou em rica e viu os pobres se aproximarem. A empregada doméstica, que antes era marca da classe média, virou diarista ou conseguiu um emprego melhor e, agora, tem celular e uma TV de 42” em casa – os mesmo aparelhos que sua patroa. Ela também pode comprar uma passagem aérea e pagar em dez vezes.

O que restou para a velha classe média? Fazer uma marcha pela família e saudar a ditadura. Ela se agarra ao passado, desconhece a democracia, pisa nos valores que adquiriu na universidade pública, portanto paga por toda a sociedade.

A velha classe média se incomoda com um homem de bermuda em um aeroporto, com os negros nas escolas e universidades e em postos profissionais de destaque. Ela perdeu os anéis e não se contenta com os dedos. Ela está desesperada. É assim que pretende ir às urnas, em outubro deste ano, com o rancor do poder perdido.

PSB anuncia apoio e CPI da Petrobrás deve ter assinaturas suficientes no Senado

Ricardo Brito e Daiene Cardoso
Agência Estado

Brasília – O líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), anunciou nesta quarta-feira, 26, que a bancada do partido na Casa vai apoiar a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás. Com esse apoio, já haveria assinaturas suficientes para criar a CPI. No momento, foram recolhidas 25 assinaturas, mas o total deve subir para 27 com os apoios dos socialistas Antonio Carlos Valadares (SE) e João Capiberibe (AP). Esse é o número mínimo necessário para instalar a investigação no Senado.

Nesta noite, o vice-líder do PSDB na Casa, Alvaro Dias (PR), disse que vai protocolar ainda nesta quarta um pedido concomitante de CPI no Senado com 29 nomes. Eles receberam apoios desde terça de integrantes da base aliada: Clésio Andrade (PMDB-MG), Eduardo Amorim (PSC-SE) e Sérgio Petecão (PSD-AC).

A proposta de se fazer uma CPI sobre a estatal ganhou força depois que o Estado revelou, na semana passada, que a presidente Dilma Rousseff (PT), quando presidia o Conselho de Administração da Petrobrás, votou a favor da compra de parte da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), com base em um resumo juridicamente “falho”. Dois anos atrás, a estatal concluiu a compra da refinaria e pagou ao todo US$ 1,18 bilhão por Pasadena, que, sete anos antes, havia sido negociada por US$ 42,5 milhões à ex-sócia belga.

ACORDO COM AÉCIO

Conforme revelou o Estado, o PSB, do pré-candidato à Presidência e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, firmou um acordo com o senador Aécio Neves (MG), pré-candidato do PSDB, para propor uma investigação parlamentar sobre os negócios da estatal.

Ao defender a posição do partido, o líder do PSB disse que é preciso “jogar luz” e buscar a “transparência total” em todos os processos que envolvem a estatal. Para o socialista, as audiências públicas do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e da presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, apenas em abril, revelam que o governo não quer explicar logo o assunto. “Não há da parte do governo pressa em esclarecer esses episódios”, criticou.

A estratégia da oposição é apresentar um pedido de CPI no Senado e ao mesmo tempo continuar a colheita de assinaturas para realizar uma CPI mista (composta por deputados e senadores). Na Câmara, até o momento, conseguiram 143 assinaturas, sendo que o mínimo na Casa é de 171 nomes. Se conseguirem o apoio na Câmara, vão retirar o requerimento para se fazer uma investigação exclusiva no Senado, e farão uma conjunta das duas Casas Legislativas.

Após apresentado o requerimento da CPI do Senado, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), terá de lê-lo em plenário. Aqueles que assinaram terão até a meia noite do dia da leitura para eventualmente retirar os apoios.

Os ensinamentos de Sócrates continuam eternamente válidos

Francisco Bendl

Supostamente, o pensamento cínico teve origem numa passagem da vida de Sócrates quando ao passar pelo mercado de Atenas, teria exarado o comentário: “Vejam de quantas coisas precisa o ateniense para viver”.

Ao mesmo tempo, demonstrava que de nada daquilo dependia. De fato, o que o filósofo propunha era a busca interna da felicidade, que não tem causas externas — aspecto o qual os cínicos passaram a defender, não somente com palavras, mas pelo modo de vida adotado.

Sócrates tornou-se renomado por sua contribuição no campo da ética, e é este Sócrates platônico que legou seu nome a conceitos como a ironia socrática e o método socrático (elenchus). Este permanece até hoje a ser uma ferramenta comumente utilizada numa ampla gama de discussões, e consiste de um tipo peculiar de pedagogia no qual uma série de questões são feitas, não apenas para obter respostas específicas, mas para encorajar também uma compreensão clara e fundamental do assunto discutido.

UMA RUPTURA

Sócrates provocou uma ruptura sem precedentes na história da Filosofia grega, por isso ela passou a considerar os filósofos entre pré-socráticos e pós-socráticos. Enquanto os filósofos pré-socráticos, chamados de naturalistas, procuravam responder a questões do tipo: “O que é a natureza ou o fundamento último das coisas?” Sócrates, por sua vez, procurava responder à questão: “O que é a natureza ou a realidade última do homem?”

Os sofistas, grupo de filósofos (título negado por Platão) originários de várias cidades, viajavam pelas pólis, onde discursavam em público e ensinavam suas artes, como a retórica, em troca de pagamento. Sócrates se assemelhava exteriormente a eles, exceto no pensamento.

Platão afirma que Sócrates não recebia pagamento por suas aulas. Sua pobreza era prova de que não era um sofista. Para os sofistas tudo deveria ser avaliado segundo os interesses do homem e da forma como este vê a realidade social (subjetividade), segundo a máxima de Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”.

Isso significa que, segundo essa corrente de pensamento, as regras morais, as posições políticas e os relacionamentos sociais deveriam ser guiados conforme a conveniência individual. Para este fim qualquer pessoa poderia se valer de um discurso convincente, mesmo que falso ou sem conteúdo. Os sofistas usavam, de fato, complicados jogos de palavras, no discurso para demonstrar a verdade daquilo que se pretendia alcançar. Este tipo de argumento ganhou o nome de sofisma.

TUDO RELATIVO?

Em resumo, a sofística destruía os fundamentos do conhecimento,  já que tudo seria relativo (relativismo) e os valores seriam subjetivos, assim como impedia o estabelecimento de um conjunto de normas de comportamento que garantissem os mesmos direitos para todos os cidadãos da pólis.

Tanto quanto os sofistas, Sócrates abandonou a preocupação em explicar e se concentrou no problema do homem. No entanto, travou uma polêmica profunda com os sofistas, porque Sócrates procurava um fundamento último para as interrogações humanas (“O que é o bem?” “O que é a virtude? “O que é a justiça?), enquanto os sofistas situavam as suas reflexões a partir dos dados empíricos, o sensório imediato, sem se preocupar com a investigação de uma essência da virtude, da justiça do bem etc., a partir da qual a própria realidade empírica pudesse ser avaliada.

CONHECER DEUS

Sócrates contribuiu para que as pessoas se apercebessem da descoberta da evidência que é a manifestação do mestre interior à alma. Conhecer-se a si mesmo seria conhecer Deus em si.

Aquilo que colocou Sócrates em destaque foi o seu método, e não tanto as suas doutrinas. Sócrates baseava-se na argumentação, insistindo que só se descobre a verdade pelo uso da razão. O seu legado reside sobretudo na sua convicção inabalável de que mesmo as questões mais abstratas admitem uma análise racional.

O Sol também pode ser entendido como a Sabedoria ou a fonte do Conhecimento. Platão usou a metáfora do sol em seu mito da caverna, significando a presença do Conhecimento e da Verdade que ilumina. Assim, Diógenes, quando pede para Alexandre Magno não se interpor entre ele e o Sol, aponta para o fato de que o Filósofo não necessita de nenhum poder situado entre ele e o Conhecimento.

Da mesma forma, a preocupação com o próprio sofrimento, a saúde, a morte e o sofrimento dos outros também era algo do qual os cínicos desejavam libertar-se. Foi por isso que a palavra cinismo adquiriu a conotação que tem hoje em dia, de indiferença e insensibilidade ao sentir e ao sofrer dos outros.

Trata-se de um sofisma, que pode ser contestado amplamente a partir de uma simples pergunta: Se um filho ou parente ou amigo estiver sofrendo, devemos deixar que padeça ou vamos imprimir esforços no sentido que a sua dor seja minimizada?

Deputado Asdrúbal Bentes escapa da prisão, mas confirma renúncia ao mandato

Brasília - Deputado Asdrúbal Bentes (PMDB) informou que só vai decidir se renuncia ou não ao mandato amanhã (26) após com o líder do partido, e com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves(José Cruz/Agência Brasil)Iolando LourençoAgência Brasil

O deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) entregou nesta tarde ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a carta em que renuncia ao mandato parlamentar.

Bentes disse que tomou a  decisão, que considera “a melhor saída, após conversar com a família e com a direção nacional do partido.  Com isso,  oficializa-se a renúncia e o suplente, Luiz Otávio (PMDB-PA), será chamado para assumir a vaga.

Asdrúbal Bentes informou também que pedirá para cumprir a pena a que foi condenado em Marabá, no Pará, e não no Distrito Federal. Ele justificou o pedido dizendo que tem domicílio eleitoral e escritório de advocacia na cidade e que pretende voltar a exercer esta atividade profissional. Em Brasília não há albergue judicial, onde ele teria de dormir, por isso ganhou direito à prisão domiciliar.

Acusado de ter oferecido cirurgias de esterilização a mulheres em troca de votos, quando disputava a prefeitura de Marabá, o parlamentar foi condenado a, três anos, um mês e dez dias de prisão. Ao anunciar, nesta quarta-feira (26), a renúncia, ele voltou a negar a acusação.

Câmara vai ouvir autoridades sobre Pasadena e convoca também o presidente do BNDES para explicar empréstimo à Cuba

Carolina Gonçalves 

Agência Brasil 

Deputados se dedicaram, na manhã de hoje (26), a votar nova série de convites a autoridades do governo. As recentes denúncias envolvendo a Petrobras e o repasse de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Econômica Federal (CEF) para o Congresso Nacional do Movimento dos Sem Terra dominaram os requerimentos que estavam concentrados, principalmente, na pauta da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC).

Depois de aprovar convites ao ministro Guido Mantega (Fazenda) e ao ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, o colegiado decidiu retirar o requerimento para ouvir o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Ainda assim, os parlamentares decidiram que vão pedir ao ministério informações sobre os sócios belgas da estatal que participaram da aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas.

Partindo para a apuração de informações de outras áreas, a comissão também aprovou convite ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho. A ideia é questionar Coutinho sobre negócios do banco, como o repasse de dinheiro para o MST e o empréstimo concedido à construtora Odebrecht para obras do Porto Mariel, em Cuba.

A ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, também foi incluída no rol dos que vão falar sobre obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Mantega e Cerveró também estavam na lista de outras comissões. A de Relações Exteriores decidiu suspender a sessão em que o ex-diretor iria comparecer, enquanto a Comissão de Agricultura retirou o requerimento para o ministro explicar o dinheiro repassado para o evento do MST em Brasília.

Na Comissão de Minas e Energia, os deputados não conseguiram votar o item que previa um convite ao ex-diretor da Petrobras e retiraram o requerimento para solicitar audiência sobre as operações, negociações e contratos assinados entre a Petrobras e a empresa SBM Offshore.

Os parlamentares que cuidam da área energética limitaram-se a formular convites para que o presidente da Eletrobrás, José da Costa Carvalho Neto, e representantes da estatal e de outras empresas do setor comparecessem para explicar o cancelamento de convênios relacionados ao Programa Luz Para Todos.

 

A voracidade do lucro sem limites

Wagner Pires

O liberalismo é autofágico e se exprime na voracidade do lucro sem limites. Começa por eliminar a concorrência, depois o consumidor e, por fim a si próprio.

O Estado tem de entrar para controlar e limitar o processo de acumulação de riquezas, tomando-a de volta no círculo de rendas mediante a aplicação de tributos que respeitem a capacidade contributiva e redistribuindo à sociedade a riqueza que ela mesma gerou.

É como se fosse a participação do lucro total gerado por toda a sociedade que deve usufruir de bens públicos, serviços prestados pelo Estado ou mesmo servindo-se da transferência de rendas; tudo conforme o grau de necessidade. num sistema que combine a iniciativa privada e a intervenção estatal para a promoção do equilíbrio material.

É na justiça social promovida pelo Estado que se corrigem as falhas do sistema dito meritocrático. E assim todo mundo lucra.

Por outro lado, o Estado é chamado a participar, também, na economia como produtor – através das empresas públicas ou sociedades de economia mista – com o fim de suprir a carência mercadológica na produção de determinado bem, ou por qualquer outra estratégia econômica que garanta o fornecimento de determinado bem ou serviço atendendo aos critérios da necessidade e do custo versus benefício da população.

INDÚSTRIA

O emprego na indústria teve variação zero, segundo o IBGE. Em doze meses, retração de  – 1,2%. Não é falta de demanda, haja vista que no Brasil ela continuou alta e a população consumiu mais do que os setores econômicos produziram em 2013.

É verdade: enquanto a oferta no PIB atingiu R$ 4,838 trilhões, o consumo atingiu R$ 4,976 trilhões. Ou seja, R$138,0 bilhões a mais: R$ 121,0 bilhões supridos com importação e R$ 17,0 bilhões com a redução dos estoques formados no período anterior.

O que falta à nossa indústria é competitividade. Porém, surgiu um motivo a mais para incentivá-la. O câmbio se desvalorizou e o dólar ficou mais caro em cerca de 15% , tornando as importações de produtos concorrentes mais caras, também. De modo que a falta de competitividade nacional foi atenuada pela desvalorização.

O Brasil precisa realizar um pacto federativo amplo, geral e irrestrito em torno da reforma tributária de maneira urgente. Além de acelerar os investimentos em infraestrutura. Tudo isso com o objetivo de reduzir o Custo Brasil e tornar nossa indústria mais competitiva e menos dependente da proteção cambial.

Anestesia geral

Luiz Tito

 Os problemas que a sociedade brasileira registra e deles sofre, sem alternativas, infelizmente seguem-se os mesmos. Não há fatos novos acendendo reações inéditas. O que se vê é a mesma corrupção deslavada, a insegurança que tem tornado a vida do cidadão comum uma aventura diária, a educação e a saúde sucateadas mas mascaradas por campanhas estelionatárias. A vida do brasileiro foi transformada em um cipoal de problemas sem solução. Há duas semanas que a imprensa denuncia o assalto a mão armada que foi a compra de usinas pela Petrobrás, mundo afora, pagas com reservas que a maior empresa brasileira acumulara graças aos aportes de dinheiro público em seu capital.

Dinheiro público associado a um monopólio em cujo nome construíram-se fartos privilégios e equívocos criminosos, como as operações agora conhecidas. O assunto veio a rua trazido pelo que a linguagem policial trata como uma briga de quadrilha, já que seu denunciante fora o grupo liderado pelo deputado Eduardo Cunha, que em Furnas deixou suas digitais em negócios de interesses duvidosos. Esse grupo que Cunha lidera é insaciável, sem medidas em seu apetite e não é novidade. É gente metida nas entranhas do poder, sempre aplicado em desenhar as decisões que lhe convêm. Soltos, seus membros são um perigo para o erário. Vale apurar.

A vacina anti-HPV ministrada em crianças de 11 a 13 anos, resultado de um acordo do governo federal com um laboratório americano, se tiver seus custos investigados também vai gerar matéria para CPI. Nos EUA essa vacina, quadrivalente, custa US$ 80 a dose, no varejo. Aqui foi negociada por R$ 330,00 a dose. Mas há outras mutretas na fila, com riscos de prescrição.

Na semana passada esse jornal divulgou estatísticas sobre a insegurança em Minas, que não é diferente do resto do país. Toda família brasileira tem uma marca de violência, vítima ou agente dela, como a apurada pela polícia mineira de que dois assassinatos ocorridos em BH há dias foram praticados por dois irmãos, em ocasiões e locais diferentes mas da mesma forma: assalto a mão armada. Dois jovens estão mortos e seus assassinos presos e mantidos a custa do Estado, sem qualquer perspectiva de mudança da vida em sociedade. A população carcerária multiplica-se no percentual da insegurança pública e tudo permanece no mesmo lugar. Se é menor, pode ficar até 3 anos preso, ainda que tenha 17 anos e 364 dias. Se assassino bárbaro ou ladrão de galinha, dá no mesmo.

VOTO NULO E EM BRANCO

Chegamos ao topo da miséria social e também política. Dados revelados de pesquisas feitas por institutos idôneos mostram que as manifestações de junho de 2013 fizeram elevar para 18% o coeficiente de eleitores que hoje optariam pelo voto nulo ou em branco. Legalmente, isso reduz o total de votos válidos, fazendo com que a próxima eleição, para a Presidência da República, seja decidida pela inércia e não pela escolha. A oposição que se confronta com Dilma não conseguiu evoluir, não agregou nada que pudesse fazer a sociedade engajar-se no processo eleitoral, pela mesmice das propostas ou pelo descrédito dos postulantes.

Ou pelas duas coisas associadas. Vamos eleger o presidente da República, 57 senadores, um batalhão de deputados federais e estaduais. De novo, teremos aquela realidade um dia dita por Ulisses Guimarães: “o Congresso Nacional de hoje é pior do que o da legislatura passada mas certamente melhor do que o da próxima legislatura. A história nos ensina que levar as mãos, infelizmente, não é o melhor caminho. E nós, brasileiros, anestesiados. (transcrito de O Tempo)

Ocupação das favela no Rio é só para inglês ver

Francisco Vieira

Esta tropa federal que ocupa o Complexo da Maré, no Rio, não servirá de nada! Será para inglês ver… Ou melhor, servirá apenas para dizer que os policiais não morreram em vão. E, mais uma vez, a solução do problema será adiada…

Conforme foi publicado pela imprensa, o governador Sergio Cabral dá gratificação pela diminuição de confrontos entre polícia e traficantes com vítima fatal. Em outras palavras, o governo estadual protege a vida dos bandidos, ao incentivar a não-reação da polícia, coisa que não ocorre em nenhum lugar do mundo. Desconheço o país em que um bandido pode apontar a arma para um policial e o policial é incentivado pelo Estado a poupar a vida do facínora. O policial não mata o assaltante, deixando-o vivo para matar o cidadão…

O que fará essa tropa, sem poder entrar em confronto? Teria poderes mágicos para descobrir em qual barraco estarão escondidos os traficantes?

Senhores, a população das favelas está refém dos traficantes. A cada investida da polícia, um refém é executado  para inibir incursões posteriores e depois os próprios membros da quadrilha fazem baderna nas ruas!

Podem prestar atenção que, ao acontecer um confronto com morte de um morador, nunca ninguém queima ônibus ou fecha rua para protestar contra a resistência dos traficantes à prisão. Sempre protestam contra o dever legal da polícia de agir sempre que acontecer um crime. Contra o dever legal de fazer ronda ostensivamente em qualquer rua da cidade! Ora, se os traficantes não reagirem, não haverá tiroteio.

Outra coisa: meter um punhado de soldados em contêineres, feitos carga de navio, jogar esses caixotes no meio de uma favela e depois chamar esses monte de latas de Unidade Policial Pacificadora é uma piada! E ainda mais se achar que isso adiantará alguma coisa contra a criminalidade!

 

Para não falar da marcha

João Gualberto Jr.

A realização de uma nova Marcha da Família com Deus, no sábado passado, não merece ser tratada num espaço como este. Motivos transbordam para deixar esse episódio de lado. Como fato noticiável, até que houve atrativo em função do inusitado da situação. Já do ponto de vista da adesão, foi um fiasco. Deparar-se com meia dúzia de gatos pingados com cartazes e bandeiras do Brasil é algo que brocha qualquer repórter.

Mas não é por ter sido fracassado que se deve desconsiderar o evento. É justo celebrar uma data histórica, como 7 de setembro, 21 de abril ou 13 de maio, mas defender a reedição da história é querer voltar no tempo, e o tempo não retrocede. A julgar pelas imagens, os grupos minguados que se juntaram eram majoritariamente de faixa etária avançada, mas saudade, ainda que coletiva e para quem sente, não deve ser confundida com reivindicação política.

Além disso, falar em ameaça de comunismo no Brasil a esta altura? Que bobagem! Nossas instituições nos colocam mais próximos dos Estados Unidos ou da Coreia do Norte? Aqui, pelo menos legalmente, os cidadãos têm direitos individuais garantidos, os partidos políticos são 30 ou mais, e qualquer um pode se juntar para falar mal da presidente da República e tornar suas opiniões públicas. No campo econômico, os bancos, o agronegócio, as empreiteiras, são todas instituições lucrativas (e como), e a maioria, privada. Golpe é coisa tão ilógica como uma nova intervenção militar. Ora, as Forças Armadas não são as mesmas de 50 anos atrás, possui hoje uma composição mais heterogênea e uma relação diferente com a sociedade civil.

Assim, é perda de espaço, de tempo, de tinta e saliva ficar discutindo essas hipóteses. Parece tarefa tão vazia de sentido como a de defender um regime autoritário diretamente responsável pela cassação de direitos civis e políticos e por exterminar e fazer desaparecer pelo menos 500 pessoas. Os métodos de repressão, admitidos por reservistas ainda hoje, chocam, principalmente tomando-os como praxe estatal. É sandice ou ignorância reivindicar o retorno daquele tipo de Estado. E para os loucos e os ignorantes não há argumento melhor do que o silêncio.

Ainda assim, tem capacidade de rechaçar um dado momento social e político quem não o viveu por não ter idade? Claro que não, afinal de contas, a história contada e ensinada é permeada pela ideologia hegemônica, no caso, a civil e democrática. Seria correto, portanto, considerar a viabilidade do retorno das instituições escravocratas no Brasil? E é preciso ser judeu para repelir o nazismo?

Bem, são tantas e tantas outras as razões para ignorar a tal marcha “reloaded” que, ao descrever esses porquês, a gente acaba por tratar dela. Mas tudo bem. Qualquer cidadão tem o direito de se associar a outros e se expressar nas ruas para merecer alguma atenção dos contemporâneos. (transcrito de O Tempo)

 

O feitiço das palavras de Manoel de Barros

O advogado e poeta matogrossense Manoel Wenceslau Leite de Barros, no poema “Deus Disse”, menciona os seus desejos depois que recebeu um dom Divino.
DEUS DISSE
Manoel de Barros

Deus disse: Vou ajeitar a você um dom:
Vou pertencer você para uma árvore.
E pertenceu-me.
Escuto o perfume dos rios.
Sei que a voz das águas tem sotaque azul.
Sei botar cílio nos silêncios.
Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.
Não quero a boa razão das coisas.
Quero o feitiço das palavras.

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

 

Brizola, único político brasileiro com dois atestados de honestidade

Nélio Jacob

Leonel Brizola, foi o único político brasileiro a ganhar dois atestados de honestidade: um dado pela ditadura, que o condenou a centenas de anos por subversão (contra o regime), mas não houve condenação por corrupção, o outro atestado de honestidade foi dado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Marcelo Alencar, quando Governador, tentou cassar os direitos políticos por 8 anos de Leonel Brizola a pretexto de corrupção. O Brizola saiu vencedor, inclusive com voto de um adversário político, o deputado Sivuca, que ao votar disse: “Um político que teve a vida toda vasculhada pela ditadura, durante trinta anos e não encontraram um ato de corrupção,
não posso votar contra ele”.

Os CIEPs foi sem dúvida o maior projeto de nação, para o futuro do país, além de combater diversos males do presente que castigam a infância brasileira, vitimas inocentes.

Era só o que faltava: Conselho presidido por Dilma elogiou em ata o diretor que deu o golpe da refinaria em Pasadena

Murilo Rodrigues Alves
Estadão

Brasília – Presidido pela então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, o Conselho de Administração da Petrobrás fez elogios à atuação de Nestor Cerveró à frente da Diretoria Internacional da empresa estatal no dia 3 de março de 2008. A ata da reunião naquela data informa que, “sob a presidência da presidente Dilma Vana Rousseff”, o conselho registrava os “agradecimentos do colegiado” ao diretor e ressaltava “sua competência técnica e o elevado grau de profissionalismo e dedicação demonstrados no exercício do cargo”.

Três meses depois, no dia 20 de junho de 2008, o Conselho de Administração passou a questionar internamente o negócio da compra da refinaria de Pasadena, defendida por Cerveró. Segundo o Planalto, foi quando Dilma e o conselho descobriram que, quando aprovaram a compra de 50% da refinaria em 2006, não tiveram acesso a cláusulas importantes do contrato. Dilma classificou, em nota enviada ao Estado na semana passada, o documento que embasou sua decisão de 2006 como “falho” e “incompleto”. Em meio à crise, Cerveró, que escreveu o “resumo técnico”, foi demitido de seu cargo na BR Distribuidora.

NO DIÁRIO OFICIAL

Os elogios foram registrados na ata 1301 no seu item 13 publicada no Diário Oficial do Rio de Janeiro, conforme revelou o blog do jornalista Gerson Camarotti, no portal G1. As citações honrosas a Cerveró o ajudaram a ser indicado posteriormente para a diretoria financeira da BR Distribuidora. No seu lugar na Petrobrás assumiu Jorge Luiz Zelada, depois limado pela atual presidente da empresa, Graça Foster, que acumula atualmente a presidência da companhia com o cargo de diretora internacional.

O Congresso tenta ouvir Cerveró sobre a compra de Pasadena. O Estado revelou, em julho de 2012, que a refinaria foi comprada pela Petrobrás por US$ 42 milhões pelo grupo belga Astra Oil e depois vendida pelos belgas para a estatal brasileira por US$ 1,2 bilhão.

A indicação de Cerveró para a diretoria internacional gerou uma crise no Congresso entre os partidos da base aliada que não quiseram assumir publicamente a responsabilidade pela sugestão do nome ao Palácio do Planalto. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o senador Delcídio Amaral (PMDB-MS), que foi diretor da BR Distribuidora, trocaram farpas públicas se acusando pela nomeação. Cerveró mandou recados para parlamentares na Câmara de que está disposto a dar sua versão sobre o caso Pasadena.

Além de Dilma, assinaram os elogios a Cerveró os conselheiros Arthur Antonio Sendas, Francisco Roberto de Albuquerque, Guido Mantega, José Sérgio Gabrielli e Silas Rondeau.

Destroçando o destroçado canalha, covarde, crápula do Carlos Heitor Cony

Helio Fernandes
Tribuna da Imprensa Online

Vou responder a esse mau caráter. Quem passou, combateu e resistiu a tudo que resisti, antes, durante e depois do golpe, não pode dar a impressão de estar com medo. Isso eu tive nas várias vezes em que ia para o Doi-Codi, nas prisões e nos confinamentos.
Já confessei: “Nessas oportunidades tive medo, da mesma forma que tive, quando sendo levado para Fernando de Noronha, meu “aviãozinho” entrou naquela “zona de morte”, onde “caiu” aquele avião da Air France, matando centenas de pessoas”. Quem diz que não tem medo de nada é um covarde, mentiroso, farsante, o Cony reúne as três coisas.
1963, o ano mais tenebroso da história
Era terrível. Os dois grupos que tentavam se aproveitar do golpe eram João Goulart e os generais. Conspiravam diariamente, queriam o poder de qualquer maneira. Os analistas mais competentes e bem informados colocavam o presidente como grande articulador da permanência no Poder. O que ele mesmo confirmou nos comícios de 13 e 28 de Março já de 64. (E vastamente analisado aqui mesmo antes e depois da sua derrubada).
Seis governadores, presidenciáveis em 1965, resistiram de todas as maneiras
Pela própria condição de candidatos, queriam eleição. E nenhum deles estava a favor de Jango. Depois de duas tentativas de intervenção na Guanabara, frustradas e recusadas pelos dois grandes partidos que o apoiavam, PSD-PTB, Jango se voltou contra este repórter.
Minha prisão em 63: planejada, executada de forma golpista
Eu combatia como sempre, denunciava as “maquinações” do vice presidente que assumira com as maluquices de Jânio Quadros. Quando em 21 de Julho desse ano, publiquei uma circular “sigilosa e confidencial” do Ministro da Guerra, Jango chamou-o, mandou que me prendesse e me processasse. Era uma ordem.
Mesmo com prisão de Jango, fui absolvido
Premeditado, o Ministro da Guerra, intimado pelo Presidente do Supremo a dizer quem me prendera, poderia ter respondido simplesmente “que não sabia, ou que eu estava respondendo a um IPM (Inquérito Policial Militar)”. Aí o Supremo não poderia efetuar o julgamento.
Mas o presidente queria o julgamento pelo Supremo. Mandara fazer um levantamento, garantiram que eu seria condenado por 6 a 2. Era o suficiente.
“Basta” e “Fora”
Dois editoriais históricos do Correio da Manhã, um dos mais importantes jornais da época, no qual trabalhava esse covarde do Cony. Eu não cheguei tão longe quanto o Correio da Manhã. A confusão era total, difícil de entender o que acontecia e iria acontecer.
Cony escreve alguns artigos sobre o golpe
Começou no seu estilo fofo, intrigante, falacioso, dava a impressão de que combatia o golpe. Era difícil desvendar o que escrevia. Mas acreditemos que era contra, adulterava sua própria atuação de canalha, fingia que era mesmo combatente.
Nem preso, cassado ou perseguido
Os militares no Poder não se preocupavam com o Cony, o que ele fingia escrever não os atingia. Mas insistia, um dia foi chamado a uma delegacia que ficava perto do jornal. Disseram a ele coisas que o assustaram.
Inesperadamente (para alguns desinformados) parou de escrever. Ficou refugiado no belo prédio da Manchete, (projeto de Oscar Niemeyer) escrevendo artigos para o dono da revista “assinar”. Não foi o único que se escondeu lá. O Correio da Manhã, meses depois, na oposição verdadeira, com Cony já demitido da redação, por irresponsabilidade e conivência acabou fechado.
Sem ser preso ou cassado, recebe alta indenização
Foi dos primeiros a requerer a chamada “indenização-salarial-individual”. O que é isso? A compensação pela cassação, e impedimento de trabalhar e com isso a perda de salários. O calhorda, mau caráter, mentiroso e covarde do Cony não foi cassado, continuou trabalhando altamente remunerado, “ganhou” a mais alta indenização.
Minha participação em 64
Não apoiei e nem combati o golpe nos primeiros 3 ou 4 meses. Pratiquei represália contra aqueles que me prenderam, me julgaram e pediram ao Supremo a minha condenação a 15 anos de prisão. (Enquadrado na Lei de Segurança). Mas fui o único a noticiar diariamente o que acontecia com o general Castelo Branco, indo “tentar, seduzir ou intimidar JK”, na casa do deputado Joaquim Ramos. (Excelente deputado, irmão de Nereu).
Castelo-Juscelino
Primeiro, Castelo foi com o embaixador Negrão de Lima à casa de Joaquim Ramos. Pediu um encontro com Juscelino. O segundo encontro com Amaral Peixoto, presidente do PSD, “que não queria briga com ninguém”, conversou com o futuro “presidente”.
Juscelino e Castelo se encontram
Finalmente, pressionado, JK foi conversar com Castelo, levou o Ministro da Fazenda do seu governo, José Maria Alckmin. Textual de Castelo: “Presidente, não preciso do seu apoio para ser presidente, mas não quero assumir como Chefe do governo Provisório. Pretendo o seu apoio para ser presidente de verdade, meu único objetivo é garantir a eleição de 1965. E o senhor é o maior interessado, é candidato desde que passou a presidência ao senhor Jânio Quadros”.
As dúvidas de Juscelino
O ex-presidente não sabia o que responder, Castelo Branco acrescentou: “Para mostrar minha sinceridade, estou convidando neste momento seu amigo José Maria Alckmin, para ser vice na minha chapa”.
Aceitou, Castelo teve que fazer uma viagem de 72 horas, Alckmin foi dormir num motel no Paraguai, não podia assumir.
Critiquei tudo, Cony, o bravateiro da bravata, altamente remunerado na revista Manchete, num silêncio total. Como sempre.
A Frente Ampla lançada na minha casa
Foram duas reuniões. Nas duas: o ex-ministro da Saúde de Jango, coronel da Aeronáutica, Wilson Fadul, preso e barbaramente torturado. Enio da Silveira, grande figura e tão comunista que colocou no primeiro filho o nome de Miguel Arraes da Silveira. O Brigadeiro Teixeira, líder de maior prestígio na FAB. Flávio Rangel, que saudade, morreu moço, realizou com o Millôr, o espetáculo de maior repercussão daquela época, “Liberdade. Liberdade”.
E Carlos Lacerda, que jamais falara com alguns dos outros, e eles também não. 3 ou 4 horas de conversa admirável e cordialíssima. Depois as reuniões passaram a ser na casa do empresário Alberto Lee, a mais bonita do Rio.
O Manifesto da Frente Ampla
Decidido e redigido, foi lido na redação da Tribuna da Imprensa. Presentes lá em cima e na rua, mais de 200 Jornalistas. Tiramos tudo da redação, ficou um espaço enorme, Carlos Lacerda leu o Manifesto. E começou os encontros com JK e Jango.
Lacerda-Jango em Montevidéu
Eu ia com Lacerda, não tive autorização para sair do Brasil. Não tinha ressentimento nem constrangimento em conversar com quem mandara me prender. Logo que apertou a mão de Lacerda, Jango perguntou: “O Jornalista Helio Fernandes não vinha também?”.
Lacerda explicou, Jango respondeu: “Somos mais de 60 aqui em Montevidéu. Nossa alegria é quando chega a Tribuna da Imprensa, ficamos satisfeitos com a coragem do jornalista, combate duramente a ditadura, e continua no país”.
A prorrogação do mandato
Ainda em 64 e no início de 65, Golbery, já brigadíssimo com Lacerda, começou a articular a prorrogação do tempo de Castelo. Fiquei contra desde o início, escrevi artigos duríssimos contra Castelo. (O de 1967, sem qualquer importância comparados com os que escrevi com ele o mais poderoso presidente. Naturalmente “presidente”). Nenhuma concessão, só não consegui convencer Lacerda que a prorrogação era o fim da eleição de 1965.
1965: a eleição que não houve
Insisti muito com o ainda governador, o doutor Julio Mesquita convencia Lacerda do contrário. Ele tinha mais influência sobre o governador do que eu. Mas escrevi dois artigos que Lacerda comentou, depois que se confirmaram: “O Helio Fernandes adivinha”.
Vou parar por aqui, apenas mostrar como o calhorda, canalha, covarde, bravateiro e mentiroso Cony, é totalmente desinformado.
PS – Além de tudo, Cony não sabia nem sabe de nada. Afirmou que eu fui candidato a senador depois do AI-5 de 1968, pela UDN. Ora, os partidos, incluindo a UDN, foram logo extintos a partir do golpe, criados o MDB e a Arena.
PS2 – Fui candidato a deputado federal pelo MDB, em 1966, tido e havido como o mais votado.
PS3 – A eleição no dia 15 de novembro, fui cassado no dia 12, três dias antes da eleição. Mario Martins, candidato a senador me pediu para participar do comício de encerramento da campanha, no dia seguinte, na PUC.
PS4 – Concordei, cheguei na PUC, o Reitor, Padre Laércio, me esperava na porta. Me disse: “Jornalista, na minha sala estão dois coronéis fardados que dizem que o senhor não pode falar, está cassado”.
PS5 – “Telefonei para meus superiores, que disseram: O senhor não recebe ordens do Exército e sim da Igreja. Se o senhor quiser falar depende do senhor”.
PS6 – “Padre Laércio, se o senhor autoriza já devíamos estar no palanque”. Fiz o discurso mais violento da minha vida.
PS7 – “Fui preso, o único cassado proibido de escrever, dirigir jornal, fiquei três meses longe de tudo”.
PS8 – Quando saí, entrei com Ação na Justiça para recuperar meu direito e minha obrigação de escrever.
PS9 – Por sorte a Ação caiu com o juiz Hamilton Leal, presidente da LEC (Liga Eleitoral Católica), que determinou que eu voltasse a escrever.
PS10 – Como a ditadura estava sendo muito contestada pela Igreja, não quiseram brigar mais, passei a escrever com meu nome. E artigos duros, violentos, incontestáveis.
PS11 – Mais tarde, o Jornalista Antônio Callado, intelectual progressista mas não ativista, foi cassado e também proibido de escrever.
PS12 – Surpresa total no Jornal do Brasil. Já preparavam passaporte, Callado iria para Paris, mandaria material sem assinatura.
PS13 – Logo, logo, Costa e Silva publicou nota oficial: “O jornalista Antônio Callado continua cassado, mas pode escrever”. Apresentei Callado ao famoso e combativo “Capitão Macaco”, ficaram amicíssimos.
PS14 – Me perseguiram e ao jornal de todas as formas que o calhorda do Cony não conhece. Até o fim da ditadura ficou na Manchete, que conseguiu fechar com os outros companheiros de “luxo e grandeza”. Fingindo de herói da Liberdade.
PS15 – Como o mentiroso, farsante e canalha do Cony só “combate” na lama ou debaixo do tapete, é a última vez que escrevo o seu nome. Haja o que houver, deixarei o Cony no subterrâneo do lamaçal, combaterei para cima.
 
PS16 – Bem para cima e para o alto, lembrando o que já escrevi sobre jornal que “ensandeceu”.