Tesoureito do PT fez troca-troca de ‘crédito’ de propina

Ricardo Brandt e Fausto Macedo
Estadão

O ex-gerente executivo de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco Filho disse em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato que fez uma “troca de propinas” com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto.

Barusco afirmou que possuía um “crédito” da empreiteira Schahin Engenharia, gigante que atua também nas áreas de petróleo e gás, mas estava encontrando dificuldades em receber o dinheiro, segundo ele, relativo ao empreendimento de reforma e ampliação do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), no Rio de Janeiro, complexo de laboratórios na Ilha do Fundão.

O ex-gerente disse que procurou Vaccari porque, conforme diz, o petista “tem uma boa relação com a Schahin”. A diretoria de Serviços da Petrobrás, unidade estratégica da estatal, era cota do PT. Por ela passam todos os procedimentos de licitações e contratação da estatal.

Vaccari, segundo afirmou Barusco, também era credor de uma propina de uma outra empresa, que atua no ramo de óleo e gás , de módulos para o Pré- Sal. e que participou da montagem de Angra I e Angra II. O delator não citou valores.

Barusco e o tesoureiro do partido teriam feito, então, uma permuta. Segundo o ex-gerente, Vaccari também era credor de uma outra empresa. No cruzamento de propinas, o “crédito” do petista ficou para Barusco e Vaccari “herdou” a propina da Schahin.

VAI DEVOLVER US$ 100 MILHÕES

A delação de Barusco foi homologada pela Justiça Federal no Paraná há uma semana. Em uma cláusula do contrato que firmou com a força tarefa do Ministério Público Federal, o ex-gerente comprometeu-se a devolver ao Tesouro US$ 97 milhões que mantêm no exterior e mais R$ 6 milhões no Brasil. Ele confessou que essa fortuna teve origem em atos “ilícitos”.

O grau de colaboração do ex-gerente impressiona os investigadores. Ele demonstrou grande senso de organização e disciplina ao fazer uma metódica contabilidade dos repasses de propinas, apontando todos os negócios onde correu dinheiro por fora. Tudo registrava em um arquivo pessoal.

Barusco passou números de contas bancárias e nomes de beneficiários de comissões. Afirmou que ele e Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal petrolífera, dividiram propinas em “mais de 70 contratos” da Petrobrás entre 2005 e 201o.

Ele declarou que fornecedores e empreiteiros não desembolsavam recursos por “exigência”, mas porque o pagamento de propinas na Petrobrás era “algo endêmico, institucionalizado”.

Antes de atuar na gerência, subordinado a Duque, ele ocupou os cargos de gerente de tecnologia na Diretoria de Exploração e Produção e de diretor de Operações da empresa Sete Brasil, que tem na Petrobrás um de seus investidores.

DUQUE TINHA A MAIOR PARTE

Pedro Barusco afirmou que “na divisão de propinas” Duque ficava “com a maior parte”, na margem de 60% para o ex-diretor de Serviços e de 40% para ele.

Entregou uma planilha de contratos onde teria corrido suborno e os valores que o esquema girou. Os contratos são de praticamente todas as áreas estratégicas da Petrobrás. Ele citou Gás e Energia, Exploração e Produção e Serviços. Revelou outros operadores da trama de corrupção na Petrobrás. Além do doleiro Alberto Youssef e do lobista do PMDB, Fernando Soares, o Fernando Baiano, Barusco apontou outros nomes.

Falou sobre o suposto pagamento de propinas envolvendo a Schahin no âmbito do Cenps/RJ e a troca que teria realizado com o tesoureiro do PT.

A Schahin não está entre as empreiteiras acusadas no primeiro lote de denúncias que o Ministério Público Federal apresentou à Justiça Federal na semana passada.

Mas a Schahin já havia sido citada em interceptações telefônicas da Polícia Federal. A máquina de grampos da Operação Lava Jato interceptou telefonemas do doleiro Youssef em que ele e um empresário que fornece materiais para a Petrobrás conversam sobre quem “pagou em dia” e “quem estava atrasado” no repasse de dinheiro.

 

Bolha imobiliária: encalhe de imóveis em SP bate recorde

Douglas Gavras
Folha

Como reflexo da queda nas vendas em São Paulo, o estoque de imóveis residenciais também aumentou. Em outubro, segundo o Secovi-SP (sindicato do mercado imobiliário), havia 23.652 unidades lançadas e não vendidas. Este é o maior número registrado desde o início da série, em 2004.

É considerado estoque o que não é vendido em um período de até três anos após o lançamento. Até a semana passada, a expectativa de venda de imóveis novos em 2014 em São Paulo era de 24 mil. Agora, esse número está entre 20 mil e 22 mil, segundo o Secovi.

Em outubro, foram negociadas 963 unidades na capital paulista, queda de 65,4% ante setembro. Considerando a média vendida no ano, 1.534 unidades, o estoque equivale a 15 meses de vendas.

“Apesar de essa equivalência ter sido de seis meses no ano passado, o alto estoque de 2014 ainda não assusta”, diz Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP.

DEPENDE DA EQUIPE ECONÔMICA?

Para o presidente do Sinduscon (que reúne a indústria da construção civil), José Romeu Ferraz Neto, um estoque que demande 15 meses para vendas é alto, mas pode ser absorvido pelo mercado.

“O desempenho no setor em 2015 dependerá dessas respostas da equipe econômica. A demanda por imóveis existe, mas é preciso que as pessoas se sintam seguras para investir”, acredita Neto.

Das 23 mil unidades ainda à venda, a maior parte nem começou a ser construída, pois foi lançada nos últimos seis meses. O Secovi estima que a parcela de apartamentos prontos equivaleria a 10% desse total.

Na opinião de João da Rocha Lima Jr., professor da Escola Politécnica da USP, se o imóvel na planta leva mais tempo para ser vendido, não é tão grave. “Mas as construtoras devem pensar duas vezes antes de lançar empreendimentos em 2015.”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNo Rio de Janeiro, a situação também é sinistra, ninguém vende nada. Há três semana a Organização Globo bolou uma megafeira, com as 12 maiores imobiliárias oferecendo 5 mil imóveis novos encalhados. Anúncios para valer no jornal e na TV. O resultado foi tão negativo que o jornal teve vergonha de revelar quantos imóveis foram vendidos. A bolha continua aumentando, mas não vai estourar, apenas esvaziará, e os preços serão reduzidos pela metade. (C.N.)

 

Tribunal arquiva processo do Supremo contra juiz Sérgio Moro

Juiz Sérgio Moro estava sendo processado sigilosamente

Deu no Blog de
Frederico Vasconcelos

O desembargador Celso Kipper, Vice-Corregedor Regional da Justiça Federal da 4ª Região, arquivou –no último dia 1º– procedimento preliminar sigiloso para averiguar se o juiz Sergio Fernando Moro cometeu infração disciplinar no processo em que condenou o doleiro Rubens Catenacci a nove anos de prisão no caso Banestado.

Os mesmos fatos já haviam sido examinados em 2007 pela corregedoria do TRF-4, que determinara o arquivamento, decisão mantida pelo Conselho Nacional de Justiça.

O reexame foi feito para atender determinação da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, que acompanhou voto do ministro Gilmar Mendes, ao julgar –em maio de 2013– o Habeas Corpus 95.518, impetrado pelo doleiro no Supremo em 2008.

Catenacci lesou os cofres públicos em meio bilhão de reais por meio de remessa ilegal de divisas ao exterior e pretendia afastar o juiz, alegando parcialidade.

“Os fatos são rigorosamente os mesmos”, afirmou Celso Kipper em sua decisão. O corregedor considerou “absolutamente relevante” registrar que nem mesmo o julgamento do habeas corpus junto ao STF, “com toda a série de considerações vertida nos debates, trouxe qualquer elemento novo”.

“Quer-me parecer que o Pretório Excelso partiu do pressuposto de que tais acontecimentos não haviam sido analisados no âmbito desta Corregedoria Regional, o que não corresponde à realidade”, afirmou.

Ministro “impressionado”

Em 2010, o relator do habeas corpus do doleiro, ministro Eros Grau, não vislumbrou nenhuma hipótese de impedimento. Gilmar Mendes pediu vista. Disse ter ficado “impressionado” com os vários incidentes, e “repetidos decretos de prisão”, mesmo admitindo que “todos os decretos de prisão estão fundamentados”.

“Conquanto censuráveis os excessos cometidos pelo magistrado, não vislumbro, propriamente, causa de impedimento ou suspeição”, votou Gilmar Mendes. Mas sugeriu –e os membros da Segunda Turma aprovaram– que os autos fossem encaminhados ao Conselho Nacional de Justiça e à corregedoria regional do TRF-4. Celso de Mello foi voto vencido, pois entendia que o processo deveria ser invalidado.

Constou da ementa: “São inaceitáveis os comportamentos em que se vislumbra resistência ou inconformismo do magistrado, quando contrariado por decisão de instância superior. Atua com inequívoco desserviço e desrespeito ao sistema jurisdicional e ao Estado de Direito o juiz que se irroga de autoridade ímpar, absolutista, acima da própria Justiça, conduzindo o processo ao seu livre arbítrio, bradando sua independência funcional”.

Sobre impropriedades atribuídas a Moro na condução de ação cautelar de sequestro de bens e de nova segregação do doleiro –pelos mesmos fundamentos de prisões decretadas anteriormente–, o corregedor Celso Kipper entendeu que “são questões evidentemente jurisdicionais, não se afigurando, sequer em tese e sob qualquer aspecto, infração disciplinar”.

Após várias diligências, a Corregedoria do TRF-4 avaliou que não havia necessidade de instaurar procedimento administrativo para averiguar possível infração cometida por Sergio Moro, tendo enviado cópia da decisão ao CNJ.

Sigilo e interesse público

O procedimento preliminar no TRF-4 foi instaurado e concluído sob sigilo. Na última quinta-feira (11), o corregedor deferiu pedido formulado pelo editor deste Blog e determinou o fornecimento de cópia da decisão de arquivamento.

Kipper considerou que a publicidade das decisões administrativas é a regra, e que “há evidente interesse público” no conhecimento dos motivos que o levaram a arquivar o procedimento, deflagrado por provocação pública do Supremo (o teor dos votos e dos debates estão acessíveis no site do tribunal).

“Não há, na decisão em questão, qualquer referência que possa, ainda que em tese, atentar contra a intimidade do Juiz Federal Sergio Fernando Moro. Ao revés: é o segredo, o mistério a respeito dos motivos do arquivamento que poderão dar azo, eventualmente, a toda sorte de ilações, podendo prejudicar, aí sim, a imagem do Magistrado”, registrou o corregedor.

Planilha relaciona obras a doações feitas aos partidos

Rubens Valente e Gabriel Mascarenhas
Folha

Planilhas apreendidas pela Polícia Federal na sede da empreiteira Queiroz Galvão, em São Paulo, indicam que a empresa vincula valores recebidos por obras públicas a doações eleitorais para partidos e candidatos.

O material foi recolhido em 14 de novembro passado, durante a sétima fase da Operação Lava Jato, denominada Juízo Final, que investiga o suposto desvio de recursos de obras da Petrobras.

Procurada pela Folha, a Queiroz Galvão confirmou que a planilha “representa estudos preliminares de disponibilidade de recursos em cada obra […] e que poderiam ser utilizados para doações, segundo avaliações ainda a serem realizadas”.

A empreiteira informou que os números “não necessariamente se converteram em doações” e que todas as doações realizadas “atenderam, estritamente, aos limites permitidos pela Lei”.

PERCENTAGEM

De acordo com a planilha, datada de 2014, para chegar ao valor da doação ao político a empreiteira fazia um cálculo sobre o valor recebido por determinada obra.

No caso do “VLT”, uma provável referência ao Veículo Leve sobre Trilhos da Baixada Santista, obra realizada pelo Governo de São Paulo por meio da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), foi aplicada uma fórmula sobre o “recebimento acumulado até med [medição]” de junho de 2014.

Após descontos, o valor chegava a “117.500”, possivelmente R$ 117,5 milhões, sobre o qual incidia o cálculo de “1,5%” vezes “66%”, resultando numa doação de R$ 1,16 milhão. Esse valor constituía uma “ProfPart”, que a Queiroz Galvão reconheceu ser uma “Provisão Financeira para o PSDB”, partido do governador Geraldo Alckmin.

Assim, segundo o cálculo, dois terços do valor destinado a doações (1,5% do recebido líquido) foi para o PSDB.

PSDB NACIONAL

Em outra planilha apreendida ao lado da primeira, esse exato valor é atribuído ao “PSDB Nac. [nacional]”. Outros políticos destinatários de possíveis doações aparecem na planilha, com iniciais.

Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a empreiteira doou R$ 3,7 milhões ao diretório nacional do PSDB nas eleições de 2014.

Outro valor anotado na planilha, associado à obra “LV1”, uma possível referência a obras do Metrô, associa R$ 2,75 milhões em doações a “GOR”. Indagada pela Folha, a Queiroz disse que se trata de referência ao candidato do PT ao governo de São Paulo Alexandre Padilha.

A Queiroz Galvão doou R$ 3,5 milhões à campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2014 mais R$ 11,1 milhões ao diretório nacional do PT, segundo os dados registros na Justiça Eleitoral.

A Queiroz Galvão explicou outras iniciais na planilha: “J.S.” é o senador eleito José Serra (PSDB-SP), “P.S.” é o candidato do PMDB ao governo Paulo Skaf e “E.A.” é o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

OUTRAS OBRAS

Há outros valores associados a outras obras realizadas em São Paulo, como o CSS (Contorno de São Sebastião) e CEML (Consórcio Monotrilho Leste), realizados pelo governo de São Paulo, e a ETGUA, uma referência à Estação de Tratamento de Água de Guarulhos, na Grande São Paulo, esta executada pela Prefeitura de Guarulhos.

Procurado no início da noite de sexta-feira (12) para comentar o assunto, o governo de São Paulo não havia se manifestado até a conclusão desta edição. A assessoria da prefeitura de Guarulhos não foi localizada.

Em nota, a Queiroz Galvão ressaltou ainda que “todos os anos a construtora recebe diversas solicitações originárias de vários departamentos da empresa para diferentes partidos e candidatos. As solicitações são avaliadas, não sendo aprovadas até decisão final da companhia”.

Quando se perde totalmente a respeitabilidade

[pt-sarney_che_guevara.jpg]

Sandra Starling

“Essa obstrução é única nos 190 anos de história desta Casa (o Congresso). Vinte e seis assalariados suspenderam a sessão de votação” (Renan Calheiros, presidente do Congresso na sessão de 2 de dezembro).

Nunca fiz nenhum levantamento sobre situações de obstrução no Congresso – portanto, não posso dizer que aquilo a que assisti na semana que passou, pela TV, tenha sido algo inédito em 190 anos. Posso afirmar, isso sim, que nunca vi um presidente tão sem iniciativa (não sei se propositalmente ou por acaso) e tampouco jamais imaginei que alguém do PCdoB agiria como agiu a minha ex-colega deputada Jandira Feghali. Ela pediu o esvaziamento das galerias porque sua colega e líder no Senado, Vanessa Grazotin, teria sido xingada de “vagabunda” pelos que ocupavam o espaço.

Em primeiro lugar, porque há dúvidas sobre o tal xingamento à senadora: dizem uns que a galeria a teria chamado de “vagabunda”, outros que a galeria dissera “vai pra Cuba”. Mas isso não é o mais importante: mais importante é alguém de um partido que se diz de esquerda não saber que ocupar um posto público é assumir o risco de ser vaiado, xingado ou aplaudido pelos que ocupam as galerias da casa do povo.

CASTA INTOCÁVEL

Parece até que, ao ser eleito, qualquer parlamentar deixa de lado o fato de ser representante do povo e passa a pertencer a uma casta intocável, diante de quem todos devem – quem sabe – se ajoelhar.

Lembro-me de cena que invoquei na Constituinte mineira nos anos 1987/1988, quando fui defender emenda de minha autoria sobre a “livre manifestação das galerias”. Fui contestada por integrante do então PDS, o deputado José Bonifácio Andrada, ilustre representante de família que ocupou cargos de relevância desde o Brasil imperial. Saquei da pasta um trecho de seu antepassado, Antônio Carlos Andrada, que, na Constituinte de 1823, clamava para que o povo defendesse os parlamentares, ocupando não as galerias, mas que adentrassem o plenário para impedir que o imperador fechasse a Assembleia.

COMO MUDOU O PT

Agora, na sessão do dia seguinte, 3 de dezembro, que se arrastou por todo o dia, com galerias fechadas, presencio o atual líder da bancada do PT na Câmara, deputado Vicentinho, afirmar que nunca alguém do PT compactuara com atitudes violentas no interior daquelas Casas. Desminto você, Vicentinho.

Eu era líder, como você hoje é, e comandei uma fileira de bravas deputadas – dentre as quais Jandira Feghali e Maria da Conceição Tavares –, que, de mãos dadas, impedimos que os deputados da situação (governo FHC) fechassem a sala da Comissão de Constituição e Justiça, para evitar a presença ali dos sindicalistas opositores da reforma da Previdência. Houve um tremendo sururu, e os sindicalistas invadiram a sala; nós os deixamos passar, e eles atropelaram tudo e todos, até se acomodarem no lugar que lhes pertencia.

Como mudou o PT, Vicentinho: como vocês hoje temem a manifestação do povo! Voltem a ser o que éramos. Esse é o dever do Partido dos Trabalhadores.

Preços do petróleo, carvão e minério de ferro despencam

https://economiaclara.files.wordpress.com/2010/02/charge-crise.jpg

Deu na Reuters

Os preços do minério de ferro, do petróleo e carvão voltaram aos níveis vistos pela última vez durante ou antes da crise financeira de 2008/2009, sinalizando não só o impacto de uma oferta abundante, mas também uma acentuada fraqueza em partes da economia global, disseram analistas.

As matérias-primas estão entre as mais sensíveis à saúde econômica, uma vez que o petróleo e o carvão são as duas mais importantes fontes de energia no mundo, enquanto o minério de ferro é usado para a fabricação de aço.

O preço do petróleo Brent caiu quase pela metade desde junho, operando um pouco acima de 60 dólares o barril, nível visto pela última vez no início de 2009, durante a crise financeira.

MERCADO FUTURO

No mercado de carvão, o contrato futuro de referência europeu caiu para menos de 70 dólares por tonelada, nível comparável antes do boom e do colapso de 2007-2009.

O minério de ferro cai pela metade a menos de 69 dólares por tonelada, com a redução do crescimento da demanda do maior mercado do mundo, a China.

Analistas inicialmente apontaram para o aumento da produção de petróleo e da mineração, bem como a eficiência energética e fontes alternativas, como as energias renováveis, como os principais fatores por trás da queda.

Mas sem um fim à vista para a queda dos preços, tornou-se evidente que um resfriamento significativo das economias emergentes, bem como problemas em mercados desenvolvidos, como Europa e Japão, também fazem parte do jogo, especialmente depois de o grupo produtor de petróleo Opep dizer que não iria cortar a produção para sustentar os preços.

DEMANDA EM QUEDA

“Uma demanda global mais suave e o crescimento sem precedentes da oferta estão pesando sobre os índices mundiais de petróleo, com os preços caindo para níveis não vistos desde a crise financeira global”, disse o National Australia Bank na segunda-feira.

“Ventos contrários ao crescimento global devem vir da fraqueza do Japão, da zona do euro e da América Latina”, acrescentou.

O Morgan Stanley também apontou a China como uma explicação para a queda dos preços: “Nossa equipe econômica reduziu as estimativas de crescimento chinês e global… isso também nos levou para reduzir nossa perspectiva de demanda”, disse o banco.

Enquanto a queda nos mercados de petróleo é relativamente recente –com o aumento da produção do petróleo da América do Norte ajudando a oferta a superar a demanda em momento de crescimento opaco da economia global– os preços do carvão e minério de ferro estão em tendência decrescente desde 2011.

MERCADOS EMERGENTES

Mas foi no início deste ano que os analistas apontaram pela primeira vez para a fraqueza nos mercados emergentes, bem como aumento da produção de minério.

O carvão está intimamente ligado à industrialização das economias emergentes, sendo o combustível mais barato para a eletricidade, e o crescimento dos mercados emergentes tem ficado mais lento desde 2013.

O minério de ferro é visto como um indicador chave da economia chinesa, que é de longe o maior produtor de aço do mundo.

Além dos fundamentos, analistas dizem que a perspectiva técnica para o petróleo e o carvão também é fraca, especialmente se as barreiras de 60 dólares o barril e de 70 dólares a tonelada forem rompidas, o que já está acontecendo.

Supremo vai julgar reclamações contra o Juiz Sérgio Moro

Frederico Vasconcelos
Folha

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal deve analisar na sessão da próxima terça-feira (16) duas Reclamações ajuizadas na Corte por investigados na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, contra o juiz Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR).

O relator das reclamações, que tramitam em segredo de justiça, é o ministro Teori Zavascki. Ele preside a Segunda Turma, da qual participam os ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia.

A Lava-Jato investiga suposto esquema de corrupção na Petrobras, com a suspeita de formação de cartel por empreiteiras, fraude à licitação, corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsificação de documentos, entre outros crimes.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Do jeito que a Justiça brasileira é podre, quem acaba sendo condenado é o juiz Sergio Moro. Podem fazer com ele o mesmo que fizeram com o delegado Protógenes Queiroz, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas e acabou condenado à prisão, com multa, demissão da Polícia Federal e perda do mandato de deputado federal, num dos julgamentos mais desonestos e sinistros da história da Justiça brasileira. (C.N)

Graça Foster mentiu na CPI e precisa se explicar

Bernardo Mello Franco
Folha

As revelações de Venina Velosa, a nova mulher-bomba da Petrobras, mostram que a esperteza às vezes tem vida curta. Na quarta-feira, o governo comemorava o sepultamento de uma CPI que, em vez de investigar, fez vista grossa para a corrupção na estatal. Na sexta, a aparição da geóloga transformou a manobra em pó. A petroleira e sua presidente, Graça Foster, nunca estiveram tão na berlinda.

Os e-mails revelados pelo jornal “Valor Econômico” são claros: Graça foi avisada de desvios muito antes da Operação Lava Jato. Recebeu a primeira mensagem em abril de 2009, quando ainda ocupava o cargo de diretora. Continuou a ser informada depois de 2012, quando assumiu a presidência da companhia.

As denúncias também chegaram ao atual diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza. Convocados pela CPI chapa-branca, ele e Graça disseram que nada sabiam das irregularidades. Como a Petrobras não negou o teor das mensagens, a conclusão lógica é que seus dirigentes mentiram ao Congresso.

A resposta ao “Valor” passou longe de esclarecer o caso. A petroleira diz que adotou as “providências cabíveis”, mas não explica quais foram. Afirma que notificou as “autoridades competentes”, mas não consegue nomeá-las. Por fim, diz que demitiu um diretor em 2009, mas ele ficou no cargo por mais quatro anos graças a uma licença. É difícil imaginar outra empresa tão generosa com um funcionário pego em flagrante.

CHANTAGEM?

Acuada, a Petrobras passou a atacar a denunciante. Na noite de sexta-feira, divulgou outra nota, acusando-a de chantagem. Ao contrário dela, não apresentou provas. Graça permaneceu em silêncio, enquanto as ações da estatal na Bolsa desabavam pelo quinto dia seguido.

A estratégia de se esconder atrás de notas não funciona mais. Se não entregar o cargo nas próximas horas, Graça precisa vir a público logo e dar respostas convincentes às acusações da ex-subordinada.

Petrobras assinou contrato em branco com empresa holandesa

 

Lula e Cabral fazem a festa na entrega da P-57

Deu em O Globo

Auditores e advogados do Tribunal de Contas da União, da Receita Federal e do Banco Central, que analisaram para o Congresso a documentação dos negócios da Petrobras com a empresa holandesa SBM, comprovaram que a diretoria da estatal subscreveu um contrato em branco para a construção do navio-plataforma P-57. Isso aconteceu na sexta-feira 1º de janeiro de 2008.

O contrato de construção da P-57 (nº 0801.0000032.07.2), que chegou à CPMI, não contém “informação expressa sobre seu valor”, relataram os técnicos, por escrito, à Comissão Parlamentar de Inquérito.

Somente 207 dias depois — ou seja, passados sete meses — é que “esses valores foram ‘preenchidos’”, registraram os assessores da CPMI.

O “Aditivo nº 1” foi assinado na terça-feira 26 de agosto de 2008, mas ainda sem especificar os valores completos dos serviços nacionais e estrangeiros.

A plataforma P-57 foi vendida por US$ 1,2 bilhão à Petrobras. Por esse negócio, a SBM pagou US$ 36,3 milhões em propinas — o maior valor entre seus casos de corrupção no Brasil, como admitiu, em acordo de leniência com a promotoria da Holanda e o Departamento de Justiça dos EUA.

A empresa holandesa confessou ter distribuído US$ 102,2 milhões em subornos a dirigentes da Petrobras, entre 2005 e 2011. Assim, obteve 13 contratos de fornecimento de sistemas e serviços à estatal. Foram suas operações mais relevantes no país, durante os últimos cinco anos da administração Lula e no primeiro ano do governo Dilma Rousseff.

TUDO COMPROVADO

As propinas foram “para funcionários do governo brasileiro”, constataram a Receita e o Ministério Público da Holanda. Os pagamentos, segundo eles, fluíram a partir de empresas criadas pelo agente da SBM no Rio, Julio Faerman, no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Faerman controlava três (Jandell Investiments Ltd., Journey Advisors Co. Ltd. e Bien Faire Inc.) e partilhava outra (Hades Production Inc.) com o sócio carioca Luis Eduardo Barbosa da Silva.

Quem assinou o contrato da P-57 foi Pedro José Barusco Filho, que, na época, era gerente executivo da Diretoria de Engenharia e Serviços, comandada por Renato de Souza Duque.

No mês passado, Barusco se apresentou à procuradoria federal. Entregou arquivos, contas bancárias e se comprometeu a fazer uma confissão completa em troca da atenuação de penalidades. Informou possuir US$ 97 milhões guardados no exterior, dos quais US$ 20 milhões na Suíça já estão bloqueados. Duque foi preso e depois liberado. Agora, enfrenta acusações de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência com políticos do Partido dos Trabalhadores. Ele nega tudo.

A comissão parlamentar de inquérito identificou outros sete funcionários da Petrobras envolvidos no processo de compra da P-57. Eles são: Márcio Félix Carvalho de Bezerra; Luiz Robério Silva Ramos; Cornelius Franciscus Jozef Looman; Samir Passos Awad; Roberto Moro; José Luiz Marcusso e Osvaldo Kawakami.

PROPAGANDA ELEITORAL

Um ano depois da assinatura do contrato, a P-57 entrou no projeto de propaganda eleitoral do governo. Foi em outubro de 2009, quando Lula preparava Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, para disputar a eleição presidencial de 2010.

O então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que é filiado ao PT, formatou um calendário de eventos. Escolheu o período entre o primeiro e o segundo turnos, em outubro de 2010, para o “batismo” da plataforma, sob a justificativa do 57º aniversário da estatal.

Era preciso, no entanto, garantir a entrega antecipada do equipamento. O diretor Duque e seu gerente Barusco recorreram ao agente da SBM no Rio. Faerman informou ser possível, mas a custos extras. Seguiu-se uma negociação com os funcionários Mario Nigri Klein, Ricardo Amador Serro, Antonio Francisco Fernandes Filho e Carlos José do Nascimento Travassos.

Em abril de 2010, Duque aprovou a despesa extraordinária pela antecipação da entrega da plataforma, apoiado por Barusco e outro gerente, José Antônio de Figueiredo.

Lula comandou o “batismo” da plataforma em comício em Angra dos Reis (RJ), na quinta-feira 7 de outubro. A antecipação da entrega para o evento, em meio à disputa presidencial, custou à Petrobras um extra de US$ 25 milhões. A SBM enviou US$ 750 mil líquidos para empresas de Faerman nas Ilhas Virgens Britânicas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGContrato em branco? Nunca antes, na História deste país, se viu nada igual. (C.N.)

Lula quer demitir Graça Foster e mudar a direção do PT

Clarissa Oliveira
IG Brasília

Preocupado com os desdobramentos da crise na Petrobras, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a discutir a possibilidade de fazer mudanças no alto comando do partido.

A atual direção petista inclui o tesoureiro João Vaccari Neto, apontado pelos delatores na investigação da Operação Lava Jato como um dos elos do esquema de pagamento de propina na Petrobras.

Interlocutores de Lula negam, entretanto, que o plano seja tirar Vaccari do posto. Dizem que o ex-presidente acredita que o partido está frágil demais e precisa de quadros políticos mais fortes para dar suporte ao presidente, Rui Falcão.

A atual direção foi escolhida no fim de 2013 na eleição interna do partido. Em tese, o comando  petista tem mandato de quatro anos. Lula já falou em aprovar, no Congresso do partido, marcado para junho do ano que vem, uma mudança no estatuto para facilitar as trocas na direção.

Até lá, o PT poderia criar uma espécie de comissão que, oficialmente, seria encarregada de preparar o Congresso do PT. Na prática, esse grupo já abrigaria os futuros dirigentes, que teriam uma atuação mais próxima das decisões estratégicas do partido. Um nome tido como reforço praticamente certo é Gilberto Carvalho, que deixa o governo na virada para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lula tenta salvar o PT, porque o escândalo da Petrobras é muito pior do que o mensalão. Já pediu que a presidente Dilma Rousseff demita a direção da Petrobras e agora quer mudanças no partido, para colocar Gilberto Carvalho na presidência, no lugar de Rui Falcão.

Lula sabe que, dependendo do envolvimento do Tesoureiro do PT, o escândalo pode até provocar o impeachment de Dilma Rousseff. Para haver impeachment, na forma da lei, é preciso aprovação de 2/3 dos deputados para abrir o processo, e o Senado é que faz o julgamento, por 2/3 também, o que fica fácil conseguir com apoio do PMDB, que subirá ao poder, e de outros partidos da base aliada, que vivem às custas do poder. (C.N.)

 

Um poema de Ferreira Gullar, quando conhecia tudo e nada

O jornalista, crítico de arte, teatrólogo, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta maranhense José Ribamar Ferreira, o famoso Ferreira Gullar, no poema “Menos a Mim”, confessa que conhecia tudo, menos ele próprio. Todavia, depois que encontrou uma mulher muito especial, descobriu que nada conhecia.

MENOS A MIM
Ferreira Gullar

Conheço a aurora com seu desatino
Conheço o amanhecer com o seu tesouro
Conheço as andorinhas sem destino
Conheço rios sem desaguadouros
Conheço o medo do princípio ao fim
Conheço tudo, conheço tudo
Menos a mim.

Conheço o ódio e seus argumentos
Conheço o mar e suas ventanias
Conheço a esperança e seus tormentos
Conheço o inferno e suas alegrias
Conheço a perda do princípio ao fim
Conheço tudo, conheço tudo
Menos a mim.

Mas depois que chegaste de algum céu
Com teu corpo de sonho e margarida
Pra afinal revelar-me quem sou eu
Posso afirmar enfim
Que não conheço nada desta vida
Que não conheço nada, nada, nada
Nem mesmo a mim.

                (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

 

 

PT destruiu a Petrobras e Dilma deveria renunciar logo

Francisco Bendl

Se o mundo se movimenta por causa do petróleo, é natural que uma empresa do porte da Petrobrás seja alvo de concorrentes para que diminua sua importância, que seja minada, que não tenha a influência que a estatal brasileira conseguiu ao longo dos anos.

Isto se chama mercado capitalista, haver concorrentes que tentam se sobrepor aos que impedem que eles façam maiores negócios, porque não possuem a competência ou especialidade, na tal livre concorrência.

A Petrobrás se especializou em prospectar petróleo a grandes profundidades, e se tornou a melhor do mundo neste particular. Cresceu, agigantou-se, chegou a ser também uma das maiores do planeta.

Olhos do mundo inteiro a cobiçaram e invejaram pelo padrão de excelência da sua tecnologia e mão de obra primorosa, afora as suas pesquisas, a geologia empregada e os profissionais altamente capazes e competentes.

Ser parte desta empresa é sonho de todo o brasileiro; pertencer ao seu quadro de funcionários, um orgulho incomparável; vestir o seu uniforme de trabalho é como se este fosse um manto real.

INDEPENDÊNCIA

O gigantismo da Petrobrás trouxe para os governos corruptos e desonestos brasileiros um sério entrave às suas intenções. A empresa, cujo Estado detém a maioria das ações, era muito independente para suas malévolas intenções.

Ela mesma se administrava, se projetava, planejava, buscava objetivos e meios para se desenvolver, era um organismo, com vitalidade e disposição, independência e criatividade, que sobrepujava os governos. Tal condição de exercer um trabalho honesto e à altura dos anseios do povo com olhos para o futuro desagradava Legislativo e Executivo, que sempre quiseram o domínio completo do Brasil em todos os seus segmentos.

A Petrobrás começou a ser combatida dentro do Brasil. Espiões e sabotadores foram indicados para as diretorias da empresa, cuja missão precípua era descobrirem os pontos fracos da gigante e explorá-los.

FHC possivelmente não tenha tido esta coragem, a ponto de ter pensado que seria melhor privatizá-la que traí-la desta forma abjeta, de implodir a sua expansão econômica, social e, em consequência, a sua importância política.

NAS MÃOS DO PT

Eis que o PT, apátrida, sequioso por dominar e subjugar o País e o povo, teve finalmente a empresa grandiosa em suas mãos, uma mina de ouro à disposição, com milhares de cargos que poderiam ser distribuídos aos apaniguados, que colaborariam com a derrubada desta outrora poderosa estatal do petróleo.

O trabalho seria hercúleo para vencê-la. Seria necessário atacá-la em várias frentes, desde a sua desvalorização, culminando com as ações valendo menos, até o lucro que obtinha ser diminuído pelo seu alto custo administrativo e, finalmente, roubá-la, arquitetando prejuízos em suas aquisições, manchando a sua reputação internacional, fazendo-a perder as suas forças, que possibilitariam que nossa Petrobrás despencasse como grande empresa que fora em passado recente!

BRASIL IMPERIALISTA

Para os planos petistas, de traição e entreguismo de nossa economia, a razão era muito simples: a gigante brasileira nos diferenciava e muito de Cuba, Argentina, Bolívia, pelo fato de que era vista como pertencente a um Brasil Imperialista, então o PT tinha como obrigação acabar com a Petrobrás!

E só havia uma maneira – dilapidando seu patrimônio, roubando, mal administrando, convocando pessoas com o propósito de arruiná-la! E o PT logrou êxito em sua função. O PT é culpado pela decadência da empresa, e não os americanos, ingleses, alemães, russos, italianos, franceses… Foram os petistas que arrasaram nossa estatal para que ficássemos iguais aos países que adotam um socialismo falso e enganador, que não possuem empresas como a Petrobrás, que nos diferenciava de suas estatais medianas ou falidas!

As demais empresas estrangeiras que concorrem com a combalida Petrobrás, apenas agradecem ao PT ter cooperado para que agora ocupem o lugar que antes era nosso, porque os petistas, inimigos do povo e do Brasil, já fizeram o serviço sujo.

ESPEREMOS A JUSTIÇA

Se ainda restar algum resquício de dignidade à Justiça brasileira, esses criminosos e traidores da Pátria deverão ser punidos com extremo rigor, sem piedade, sem qualquer consideração. E o governo, se não for cúmplice, é, no mínimo, negligente, irresponsável, incompetente, pois seus pensamentos são os do partido, evidentemente facilitando esta intenção de seus espiões e sabotadores em acabar com a Petrobrás.

Dilma deve renunciar, porque não tem mais moral para nos governar. Sua administração será conhecida na História como a mais traidora desta República, aquela que impediu o crescimento do Brasil e de seu povo, porque era mais importante o partidarismo que o patriotismo, e muito mais significante a ideologia que os ideais de um povo que um dia havia sonhado em ser do tamanho da Petrobrás.

Obras de arte apreendidas na Lava Jato serão expostas

Mirelle Pinheiro
Correio Braziliense

Em Curitiba, longe do escândalo de corrupção da Petrobras, 16 obras de renomados artistas brasileiros e estrangeiros serão expostas em uma nova ala do Museu Oscar Niemeyer (MON). A exposição será em 2015, mas a data ainda não foi divulgada. Os quadros foram apreendidos na Operação Lava Jato, realizada pela Polícia Federal. Há indícios de que as telas tenham sido compradas por doleiros para lavar dinheiro de origem ilícita.

Ministério Público denuncia 36 pessoas envolvidas na Operação Lava-Jato Receita fiscaliza empreiteiras e mais 194 contribuintes por Lava-Jato Juiz dá 15 dias para PF terminar inquérito da Operação Lava-Jato Operação Lava-Jato: suborno tirava metade do lucro das empreiteiras Propinas eram cobradas sobre aditivos, diz delator da Lava-Jato Justiça aceita denúncia do MPF contra nove envolvidos na Lava-Jato

A Secretaria de Cultura do Paraná recebeu os quadros em maio. Posteriormente as obras foram realocadas no MON, que ficou responsável pelo patrimônio artístico. As telas são assinadas por artistas como Aldemir Martins, Cícero Dias, Claudio Tozzi, Di Cavalcanti, Gomide, Iberê Camargo, Gerardenghi, Heitor dos Prazeres, Mario Gruber, Orlando Teruz, Tony Koegl, além do impressionista francês Pierre Auguste Renoir. O valor das obras, no entanto, ainda não foi divulgado.

As obras receberam cuidados especiais – passaram por um processo de higienização, conservação e pesquisa par atestar a autenticidade de cada quadro. Por recomendação do coordenador da Operação Lava Jato, delegado Márcio Adriano Anselmo, antes das telas serem expostas ao público, elas passaram por uma quarentena, para avaliar a presença de cupins e fungos, que poderiam colocar em risco outras

Brasil tem a maior frota de carros blindados do mundo

Francisco Vieira      

Já temos a maior frota de carros blindados do mundo, saltando de 20 mil para aproximadamente 118 mil carros nos últimos dez anos, o que representa um aumento de 490%. Esses números colocam o Brasil na liderança do ranking dos países com maior frota de blindados do mundo, passando a Colômbia e se mantendo bem à frente de Rússia, México, África do Sul e Índia.

Pois enquanto nos países sérios os jovens sonham em poder comprar um bom carro conversível para desfilar com a namorada e parar em alguma lanchonete com os amigos e com o som ligado, por aqui se sonha em comprar um carro blindado com película fumê!

Existem 270 milhões de armas de fogo em mãos de civis nos EUA. Com esse número astronômico, o país é o primeiro colocado em armas de fogo em todo o mundo. Porém, no último ano, houve 9.146 mil homicídios com armas de fogo nesse país, isto é, 2,97 por 100 mil habitantes.

A Suíça ocupa a terceira colocação em posse de armas por civis: tem 3,4 milhões. Em cada 100 pessoas, 45,7 possuem armas, praticamente a metade da população. No último ano houve 57 homicídios com armas de fogo no país. Isto é, 0,77 por 100 mil habitantes. Logo, não há nenhuma relação entre o número de armas de fogo em posse dos civis e homicídios.

BANDIDOS ARMADOS

O Brasil tem 14 milhões de armas de fogo em mãos civis. Em cada 100 pessoas, apenas 8 possuem armas. No entanto, o alto índice de homicídios por armas de fogo – 34.678 no último ano, ou 18,1 por 100 mil habitantes – desqualifica a tese segundo a qual “poucas armas, menos homicídios”.

Do mesmo modo, os índices dos EUA refutam a tese de país belicista e violento. Se alguma inferência pode ser feita, é a seguinte: quanto mais armas, menos homicídios. No Brasil, as armas estão em poder dos bandidos – sem nenhum controle do Estado!

Como se não bastasse a violência na rua, agora ela nos ameaça na nossa própria casa. O povo está sendo caçado feito bicho e arrancado de casa feito tatu do buraco: é por isso que cachorro, quando está como medo, anda com o rabo entre as pernas: para não ser puxado por ele!

Nunca antes neste país foi tão comum bandido invadir residências. Antigamente eles tinham medo de dar de cara com um 38; hoje sabe que as galinhas estão com os bicos cortados.

É desanimador viver assim, mas essa é a sina das pessoas que têm as suas vidas menosprezadas pelos governantes e rebaixadas a um nível inferior ao valor da vida dos animais, pois até mesmo uma galinha choca pode reagir contra quem tentar pegar seus pintos.

Triste país, onde a educação, a saúde e a segurança foram falidas pelos ladrões que estão no poder!

 

 

Joaquim Levy ficará dois anos descascando o abacaxi

Flávio José Bortolotto

O governo, com crescimento econômico muito baixo e dois trimestres negativos ( 1º e 2º trimestres de 2014 ), o que caracteriza recessão, a meu ver no curto prazo, tecnicamente fez o que tinha de fazer, executar medidas anticíclicas via gasto do superávit primário, para ativar ao máximo a fraca demanda.

Não é um caminho sem custo, mas é o de menor custo quando se está em recessão. O governo Dilma, economicamente errou em muitas coisas, criando instabilidade no mercado, (falta de diálogo com os agentes econômicos, deixando especialmente de ”tomar umas pingas com o Pessoal da FIESP”, para saber como está “o clima” na Economia, trocar ideias, fazer sondagens, como está a lucratividade nas empresas etc.

Ao mesmo tempo, fez interferência pesada nos mercados, congelando preço da gasolina/diesel/etanol etc., rebaixando a tarifa da energia elétrica (residencial, cerca de 30%, e industrial , 35%), forçando a renovação de contratos de 30 anos com as geradoras e no fim não podendo sustentar, elevando de novo os preços, com desonerações e onerações pontuais que geraram incertezas etc., etc.

Porém, a meu ver, no caso da lei que mudou o superávit primário, não errou, pois assim preservou o emprego. O erro maior foi feito antes, de 2003 a 2010, quando a conjuntura internacional foi francamente favorável, e o governo não aproveitou para reduzir nosso duplo déficit – o fiscal, de 3,5% do PIB ou R$ 175 bilhões/ano, com o governo sempre gastando mais do que arrecada, e o do balanço de pagamentos internacional , saindo sempre mais riquezas do que entram no Brasil (hoje, cerca de US$ 100 bilhões ou R$ 258 bilhões/ano).

ARRUMAR A CASA

O novo czar da economia Joaquim Levy tem que reduzir os gastos (já tem um pacote fiscal de cortes de cerca de R$ 50bilhões) e, a meu ver, deverá aumentar a carga tributária em R$ 100 bilhões, reduzindo o déficit fiscal, portanto, de R$ 250 bilhões para R$ 100 bilhões em 2015, e um pouco mais para 2016.

Para reduzir o déficit do balanço de pagamentos, deve melhorar o desempenho de nossa balança comercial (exportações líquidas), e praticamente a única maneira de fazer isso rápido é desvalorizando o câmbio. Com um real mais desvalorizado em relação ao dólar, exportamos mais e importamos menos. Mas tem que fazer isso sem recessão, pode até crescer bem pouco em 2015, só não pode encolher, e a inflação terá que tender para o centro da meta, e o câmbio tem que ser manejado de forma “lenta, gradual e segura” para dar tempo de as empresas endividadas em dólar irem saindo da arapuca.

É uma bela tarefa que tem pela frente o ministro Joaquim Levy, que terá que caminhar pelo menos por dois anos “no fio da navalha”.

Justiça bloqueia R$ 614 milhões do cartel do metrô

Deu no Correio Braziliense

Após indicar 33 pessoas por corrupção ativa e passiva, cartel, crime licitatório, evasão de divisas e lavagem de dinheiro na semana passada, a Justiça Federal de São Paulo bloqueou ontem R$ 614,3 milhões das contas de cinco multinacionais e de uma empresa brasileira acusadas de participar do cartel dos trens de São Paulo. O esquema de corrupção teria ocorrido entre 1998 e 2008, nos governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

Na decisão, o juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, João Batista Gonçalves, atendeu ao pedido da Polícia Federal que requisitava o congelamento de valores das empresas no inquérito encaminhado em dezembro à Justiça. Foram bloqueadas as contas das subsidiárias brasileiras da Mitsui, Bombardier, CAF, Siemens e Alstom, além da brasileira T’Trans. Também foram atingidas as contas do consórcio ADTranz — formado pelas empresas Alstom, CAF e ADTranz (hoje Bombardier).

A Justiça Federal de São Paulo confirma a decisão, mas não informou detalhes porque as investigações correm em segredo de Justiça. Segundo o jornal O Globo, nenhuma conta de pessoa física foi bloqueada. As investigações revelam que as empresas mencionadas se associaram em um cartel para dividir obras de reformas de trens que operam no Metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). As investigações da PF apontam para um jogo de cartas marcadas em que as empresas escolhiam quem ia ganhar a licitação e superfaturavam em até 30% o preço.

Conselho de Ética deverá abrir processo contra Bolsonaro

Deu em O Tempo

O Conselho de Ética da Câmara da Deputados marcou para a próxima terça-feira uma reunião para instaurar processo por quebra de decoro parlamentar do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Ele afirmou que não estupraria a deputada Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não merecia.

Na última quarta-feira, PT, PCdoB, PSB e Psol entraram com uma denúncia no Conselho contra o deputado por quebra de decoro parlamentar.

Na reunião marcada para a próxima semana, será definido o relator da representação a partir de uma lista tríplice. Apesar de a legislatura terminar na próxima semana, líderes dos partidos acreditam que será possível manter o processo no órgão de controle no próximo ano.

CONVOCAÇÃO

O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), pretende convocar sessão para a próxima semana para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015. Ele afirmou que tudo deve ser votado até dia 22, último dia de trabalho antes do recesso constitucional.

Numa crítica ao Planalto, Calheiros disse que o governo talvez “prefira” não ver o Orçamento de 2015 aprovado agora, apenas a LDO, porque assim ele terá mais liberdade para gastar.

Graça Foster já pôs cargo à disposição de Dilma duas vezes

Deu em O Tempo

Em meio ao turbilhão de acontecimentos e descobertas que tem vindo à tona com a operação Lava Jato, a presidente da estatal, Graça Foster, colocou seu cargo à disposição de Dilma Rousseff pela segunda vez, em poucas semanas. Em ambos os casos, Dilma teria recusado a oferta.

De acordo com o jornal “Folha de S.Paulo”, a executiva da Petrobras conversou com a presidente na semana passada após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sugerir publicamente que toda a diretoria da petroleira passasse por uma substituição.

Interlocutores disseram que Graça confidenciou que a diretoria ficou incomodada com a ofensiva do procurador, mas Dilma não concordou com a proposta.

PROCURADOR

Na terça-feira (9), durante um evento sobre corrupção na terça (9), Janot disse que “diante de um cenário tão desastroso na gestão da companhia, o que a sociedade espera é a mais completa e profunda apuração dos ilícitos perpetrados, com a punição de todos, todos os envolvidos”.

Ele ressaltou ainda que “esperam-se as reformulações cabíveis, inclusive, sem expiar ou imputar previamente culpa, a eventual substituição de sua diretoria”.

Assim que a presidente do país teve conhecimento do conteúdo das críticas, ela convocou ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e mandou que desse uma entrevista defendendo a diretoria da estatal. “Não há razão objetiva para que atuais diretores sejam afastados”, disse o o ministro no dia.

PEDIDO DE SAÍDA

Graça sugeriu deixar o cargo há duas semanas por outro motivo. Ela enfrentou uma saia-justa com investidores ao ter de explicar que a divulgação do resultado financeiro da empresa no terceiro trimestre de 2014 teria de ser adiado.

Os balanços auditados é uma exigência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para empresas que negociam títulos e ações no mercado de capitais, mas a auditoria PricewaterhouseCoopers se recusou a assinar a demonstração contábil da estatal em novembro, em meio às denúncias de corrupção.

Ouvidos pela Folha, ministros disseram que o gesto de Graça foi ”pro forma”. Na avaliação de auxiliares presidenciais, a chefe da estatal queria mais uma sinalização de apoio de Dilma do que, efetivamente, deixar o comando da petroleira.

CONVERSANDO…

Dilma e Graça conversaram entre terça e quarta-feira sobre a a sugestão de Janot.

A Petrobras diz ter tomado providências após as denúncias, mas não afirmou sobre o teor das mensagens de Venina Velosa da Fonseca, que foi subordinada do ex-diretor Paulo Roberto Costa, um dos delatores da Operação Lava Jato.

Venina deve apresentar e-mails e documentos ao Ministério Público Federal em Curitiba ao longo desta semana para comprovar os alertas.

Graça Foster era diretora de gás e energia da Petrobras na época em que o esquema desbaratado pela Polícia Federal atuava. As investigações não apontaram até agora nada que envolva seu nome com irregularidades.

Eduardo Cunha diz que Governo não deve se intrometer na eleição da Câmara

Em encontro com parlamentares mineiros, em Belo Horizonte, o candidato à presidência da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) defendeu que não haja “intromissão” do governo federal e da presidente Dilma Rousseff na eleição da nova direção da Casa. Apesar de ser do PMDB, partido aliado do Planalto, Cunha não conta com o apoio da bancada do PT, que deve lançar Arlindo Chinaglia (SP). O PSDB ainda não definiu quem apoiar.

“Espero que ela (Dilma) reconheça que, caso haja disputa, essa é uma situação do Parlamento. Não é uma questão de governo, não tem que haver de ninguém uma intromissão”, declarou o peemedebistas antes do encontro que reuniu cerca de 20 deputados mineiros de partidos como PP, PR, PSDB, PSC, PTN, PT, e de toda a bancada federal do PMDB mineiro.

Durante o encontro, o candidato à presidência afirmou que considera “inevitável” a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) na nova Legislatura para investigar a corrupção na Petrobras. Apesar de admitir ter “abandonado” a atual CPMI, que segundo ele perdeu o sentido devido às delações premiadas prestadas por acusados à Justiça, após o teor dos depoimentos virem à tona é normal que o Congresso queira continuar investigando. “E a CPMI é automática e não depende do presidente da Câmara”, destacou Cunha, que negou ser um candidato de oposição ao atual governo. “Minha candidatura não é de oposição, tampouco é submissa. Queremos uma Câmara independente.”

VIAGENS PELO PAÍS

A agenda de Eduardo Cunha em Belo Horizonte foi a 25ª visita do peemedebista a capitais brasileiras desde quando teve oficialmente seu nome lançado pela bancada. Até o momento, ele conta com os apoios do Solidariedade e do PSC. Nos próximos dias, o DEM também deverá aderir.

Nesta sexta, antes do encontro com os deputados, Cunha esteve com o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), com o governador Alberto Pinto Coelho (PP) e com o governador eleito, Fernando Pimentel (PT). O deputado, porém, tratou as agendas como “pessoais”.

Dos colegas de Câmara, o peemedebista ouviu apoios e também ameaças ao governo federal. “Se o governo tiver juízo, ele vai apoiar o Eduardo. Ele saberá reconhecer que o PMDB é governo”, disse Saraiva Felipe.