Gigante paralisado

Gaudêncio Torquato

A luta, vista de perto, deixa ver um embate engalfinhado por espaços na estrutura governativa entre dois gigantes partidários: PMDB e PT. Sobre o primeiro colou-se a pecha de fisiológico. Sobre o segundo, conta-se um pouco de tudo, como a versão de que deixou de ser “vestal” para se transformar em pecador igual aos outros. Ambos são parceiros na construção da aliança que pôs Dilma Rousseff no comando da nação.

Desde 1986, o PMDB tornou-se a maior organização partidária, elegendo o maior número de prefeitos e as bancadas mais cheias nas áreas legislativas. De lá para cá, acumulou extraordinária capilaridade, fazendo-se presente nos rincões distantes e se tornando o pêndulo de qualquer governo. Puxando os cordões do poder pelas margens sociais, conseguiu chegar, por três vezes, à Presidência da República e neste ano busca angariar a quarta vitória, com a qual reforçará a base do projeto mais longo (e vertical) de poder da história contemporânea: dirigir o Brasil por um tempão.

Vista de longe, a esganiçada contenda entre os dois atores mostra que ambos não lutam apenas para conquistar espaço na Esplanada dos Ministérios. Trata-se de algo mais abrangente e que, pouco a pouco, acirra os ânimos dos parlamentares plantados nas legendas governistas. A meta petista é eleger, neste ano, 130 deputados federais, o maior número de governadores, a mais extensa bancada de deputados estaduais, pavimentando a base para o “Volta, Lula” em 2018, com direito a reprise na reeleição de 2022.

Hegemonia – eis o fulcro do imbróglio entre os maiores partidos políticos. O poder hegemônico engendrado pelo PT é que está em jogo. São tênues, para não dizer improváveis, alternativas que apontem para o estreitamento das colunas do nosso edifício democrático. A contemporaneidade abre-se para o respiro social e a hegemonia, pelo menos nos termos do passado, não condiz com a atualidade.

NOVOS PARADIGMAS

Não se divisa “o fim do poder” nas condições que o editor-chefe de “Foreign Police”, Moisés Naim, mostra em seu livro lançado em outubro do ano passado, e sim sua degradação, seu arrefecimento. As dificuldades enfrentadas pelas administrações públicas, em todo o planeta, impõem novos paradigmas, levando os poderes a se tornar fragmentados. O palco da política está mudando. Na esteira da dispersão, antigos centros de poder perdem sua capacidade de coordenação e controle.

Os arsenais das democracias enchem-se de armas menores, mas tão eficientes como os grandes armamentos, tendo capacidade de vetar, contrapor, combater e limitar as margens de manobra dos grandes atores.

Essa nova artilharia é composta e suprida por micropoderes, ajuntamentos de pessoas, formados no interior de categorias profissionais, na escala dos gêneros, nas geografias regionais e no espaço das organizações intermediárias. Moisés Naim pinça um bom retrato: “a figura de Gulliver, amarrado no chão por milhares de minúsculos liliputianos, capta bem a imagem dos governos destes tempos – gigantes paralisados por uma multiplicidade de micropoderes”. (transcrito de O Tempo)

Papel do Estado é fomentar a produção e a concorrência entre as empresas

Flávio José Bortolotto

No recente artigo do Prof. Delfim Netto, na Folha de S. Paulo, ele colocou magnificamente bem as atribuições do Estado, da iniciativa privada e da concorrência. Já o jornalista Mauro Santayana, aqui na Tribuna da Internet, vai bem mais além, dizendo que “ao Estado não basta ser indutor e fiscalizador da atividade econômica, mas eventualmente, participar diretamente dela, na produção, distribuição e venda, sempre que isso for necessário para evitar a espoliação pura e simples do consumidor pela voracidade – muitas vezes incontrolável – do mercado”.

A prática no mundo todo já mostrou sobejamente que esta solução não é boa. Muito melhor é fomentar a produção e a concorrência entre as empresas de cada setor. Quando isto não é possível, como no caso dos transportes públicos, água e saneamento etc., monopólios naturais, aí sim o Estado deve operar diretamente, ou regular os preços fixando uma margem de lucro normal.

Quanto à questão das empresas nacionais, principalmente as de iniciativa privada, ou estrangeiras, é sabido que só a empresa nacional gera tecnologia nacional, fator estratégico que dá alto padrão de vida ao povo. Portanto, deve ter prioridade na economia.

E o mercado precisa ser bem regulado, porque, sendo assim, é disparado o melhor alocador dos recursos escassos de qualquer economia.

Marcha da Família ensaia volta este sábado, com mobilização pela internet

Isabella Lacerda e Tâmara Teixeira
O Tempo

A uma semana do aniversário de 50 anos do golpe militar, alguns grupos conservadores prometem reeditar amanhã a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, movimento que, em 19 de março de 1964, levou cerca de cem mil pessoas às ruas de São Paulo.

Agora, no entanto, a mobilização é consideravelmente mais tímida. Nas redes sociais, pelo menos sete eventos foram criados e 1.100 pessoas haviam confirmado, até a tarde de ontem, a presença virtual em todo o Brasil. Mas, diferentemente do fato ocorrido há 50 anos, o ato já encontra resistência: páginas foram criadas no Facebook ironizando a ação do grupo que, assim como no passado, busca “combater o comunismo no país”.

Se o movimento de fato sairá às ruas amanhã, ainda é uma incógnita. Mas, em 17 cidades de Minas a Marcha já tem data e local certo para sair. Na capital o encontro será na 4ª Companhia de Polícia do Exército, no Barro Preto. Ontem, porém, apesar de procurados pela reportagem, os organizadores preferiram não se manifestar. “Não estamos dando entrevistas devido a várias chacotas feitas com a Marcha. É um assunto sério para estar sendo ridicularizado”, respondeu um organizador.

No evento no Facebook, além das críticas ao comunismo, o grupo se posiciona de forma contrária à votação do Marco Civil da Internet e garante que o PT e partidos de esquerda planejam um “golpe” em 2014.

ANÁLISE

Segundo a professora do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Regina Helena Alves, é difícil definir o perfil dos apoiadores da Marcha de amanhã. “Em 1964 era clara a participação da classe média branca, dos religiosos e moralistas. Hoje, é difícil identificar”. Porém, segundo ela, a bandeira do passado se repete neste ano. “Eles levantam bandeiras muito comuns como o combate a corrupção e a postura de alguns políticos. Apesar do espaço de tempo, o moralismo, a intolerância e a arrogância continuam”, analisa.

Na marcha de 1964, chegou-se a dizer que o público atingiu um milhão de pessoas. Mas pesquisas recentes e a análise das fotos do dia revelam que não passaram de cem mil pessoas. A superestimação, na opinião da professora, tinha o claro objetivo de justificar uma adesão popular ao golpe.

Para o professor de história da PUC de São Paulo Luiz Antonio Dias, a motivação da marcha de 1964 era mais clara. “Já existia uma articulação anterior. Os primeiros movimentos começaram em 1962. Neste ano, existem questões que podem explicar a reedição do movimento. Um exemplo é a existência de um governo mais popular, com medidas para reduzir a desigualdade social, fatores questionados pelos militares”, justifica Dias.

Segundo ele, as bandeiras que aparecerão neste ano tratarão menos do comunismo e mais de temas defendidos por uma parcela da população. “Serão críticas à homossexualidade, à defesa da criminalização do aborto e da redução da maioridade penal.”

CPI da Petrobras depende do “Blocão” para ser criada

Deu em O Tempo

A proposta do senador Aécio Neves (PSDB-MG) de criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar a compra de uma refinaria pela Petrobras em Pasadena (EUA) pode ter mais facilidade para ser criada, caso o tucano consiga apoio de integrantes do “Blocão” formado por aliados irritados com o governo Dilma Rousseff.

A CPMI precisaria da assinatura de 27 senadores e de 171 deputados para surgir. Esse apoio é suficiente para instalar a comissão automaticamente, pulando etapas do processo de criação de uma CPI apenas no Senado ou na Câmara. Só na Câmara há 12 pedidos na fila da atual legislatura, de 2011 para cá. A comissão mista também tem mais força ao reunir senadores e deputados no mesmo colegiado, diferentemente de um grupo de trabalho isolado em apenas umas das Casas do Congresso Nacional.

A avaliação foi o pano de fundo do anúncio feito nesta quinta-feira, por Aécio, que afirmou disposição de apresentar a criação de uma CPMI na próxima terça-feira. Não à toa, o senador tucano e pré-candidato do PSDB à Presidência da República convocou o “blocão” para apoiar sua iniciativa. “Aqueles da base do governo que dizem querer investigar essa questão e que já nos ajudaram a aprovar a comissão externa envolvendo outras denúncias na Petrobras, como no pagamento de propina por parte de uma empresa holandesa, esperamos que possam nos ajudar para que essa questão seja esclarecida”, disse.

APOIO DE DILMA

O jornal “O Estado de S. Paulo” publicou reportagem informando que “documentos inéditos mostram que Dilma Rousseff votou em 2006, quando era ministra e presidia o Conselho de Administração da Petrobras, a favor da compra de 50% da refinaria de Pasadena, nos EUA” e que ao justificar a decisão disse que só apoiou a medida porque recebeu “informações incompletas” de um parecer “técnico e juridicamente falho”. A Petrobras acabou desembolsando US$ 1,18 bilhão na operação.

A compra é investigada por Polícia Federal, Tribunal de Contas da União e Congresso por suspeitas de evasão de divisas. A oposição tenta reunir força para vencer a maioria governista e criar uma comissão de investigação. “Vamos, na próxima terça-feira, nos reunir à oposição no Congresso para construir um grande esforço para que possamos ter a CPI da Petrobras”, indicou o senador.

Pesquisa Ibope mostra a fraqueza das oposições e a força de Dilma

José Carlos Werneck

Como eu previ, numa série de três artigos escritos, aqui na “Tribuna da Internet”, o eleitorado não se deixa abalar nem um pouco quando a presidente Dilma se afasta dos aproveitadores de sua chamada Base Aliada. Ao contrário, quanto mais ignora as ameaças e as chantagens destes seus “aliados”, a presidente consolida seu prestígio junto ao eleitorado.

Segundo informam os jornalistas Daniel Bramatti e José Roberto de Toledo, em matéria publicada no site do “Estado de São Paulo”,na primeira pesquisa feita pelo instituto em 2014, a presidente obtém até 43% das intenções de voto; Aécio e Campos registram 15% e 7%

A pesquisa Ibope revela um quadro de estabilidade: Dilma Rousseff, candidata à reeleição, tem 43% das intenções de voto, o mesmo índice que foi registrado em novembro de 2013, data do levantamento anterior. O tucano Aécio Neves oscilou um ponto porcentual para cima, de 14% para 15%, e Eduardo Campos (PSB) se manteve com 7%.

Em outro cenário analisado pelo Ibope, em que os nomes de cinco “nanicos” são incluídos na lista apresentada aos entrevistados, Dilma, Aécio e Campos aparecem, respectivamente, com 40%, 13% e 6%. Somados, os demais candidatos ficam com 4%. Ou seja, mesmo assim, a representante do PT tem mais eleitores que a soma dos adversários (40% a 23%) – condição necessária para vencer no primeiro turno.

Em um eventual segundo turno, Dilma também sairia vitoriosa. Contra Aécio, sua vantagem seria de 27 pontos porcentuais (47% a 20%). Em uma disputa direta com Eduardo Campos, a distância chegaria a 31 pontos (47% a 16%).

EXIGINDO MUDANÇAS

Apesar do favoritismo da candidata do governo, a maioria (64%) do eleitorado afirma esperar que o próximo presidente “mude totalmente” ou “muita coisa” na próxima gestão. Apenas 32% esperam continuidade “total” ou de “muita coisa”.

O Ibope perguntou somente aos entrevistados que desejam mudanças se estas devem ser promovidas com Dilma ou com outra pessoa na Presidência. Nesse caso, a presidente tem apoio de apenas 27%. Outros 63% afirmam que querem mudar o País com outro governante.

Quando todo o universo de entrevistados é consultado, o resultado é diferente. Diante da pergunta “quem tem mais condições de promover as mudanças de que o País ainda necessita?”, Dilma aparece com 41%, com larga vantagem sobre Aécio (14%) e Campos (6%).

MARINA SILVA

O Ibope também testou cenários em que Marina Silva é listada como candidata, no lugar de Eduardo Campos – apesar da possibilidade remota de que a chapa do PSB seja alterada até a eleição. Em uma eventual disputa entre Dilma, Aécio e Marina, as intenções de voto são de 41%, 14% e 12%, respectivamente. Marina vem perdendo terreno nas simulações desde outubro, época em que era a preferida de 21% do eleitorado.

Em um eventual segundo turno entre a atual presidente e a ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata a presidente pelo PV, Dilma venceria por 45% a 21%.

O Ibope ouviu 2.002 pessoas em 140 municípios. As entrevistas foram realizadas entre os dias 13 e 17 de março. A margem de erro do levantamento é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 31/2014.

O nível de confiança utilizado para calcular o tamanho da amostra e a margem de erro é de 95%. A pesquisa foi feita por iniciativa do próprio Ibope – o instituto aparece como contratante na documentação entregue à Justiça Eleitoral.

Viajando na música e na poesia, pelo sertão de Guimarães Rosa

Carlos Newton

O advogado e analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ) Paulo Roberto Peres, jornalista, poeta, compositor e letrista carioca, inspirou-se na obra de Guimarães Rosa para fazer a letra de “Jequitinhonha”, música gravada por Amarildo Silva no CD Virgem Sertão Roseano, em 2003, produção independente.

A música “Jequitinhonha” foi regravada pelo Grupo Cambada Mineira no CD Meu Recado, em 2006, com participação da cantora, compositora e instrumentista Simone Guimarães, pela Gravadora Rob Digital. Este CD obteve o 3º Lugar no “Prêmio Jazz+ Melhores de 2006″.

Vale ressaltar que “Jequitinhonha”, está entre as músicas que farão parte do show do grupo Cambada Mineira, neste sábado, às 22h, no Bar do Tom, na Rua Adalberto Ferreira 32, Leblon (RJ), Tel: 2274-4022.

JEQUITINHONHA
Amarildo Silva e Paulo Peres

Jequitinhonha
Voz na história
Prosa risonha
Luz e vitória
Banindo miséria
No chão do sertão

No Palco vida
Cotidiano
Surge atrevida
A primavera
Beleza da terra
Sonho desse chão

Que um dia foi mar
Mas virou sertão
Veredas sem fim
Memória arar
Futuro na mão
Fartura enfim

Parte do sertão
Tinha como meta
O bem comum
Parte do sertão
Vive tão discreta
Lugar nenhum

Eu sou o filho de um camponês
Cuja sina à terra fez
Plantar arroz, milho e feijão
E dividir com o meu irmão
E dividir com o meu irmão
Esta Bandeira da “Fome Não”
Que é raça, é luta e é valentia,
Fonte de toda sabedoria

Não há bolha imobiliária no Brasil, mas a crise do setor é desesperadora

Correio Braziliense

Em meio às críticas acerca dos preços altos dos imóveis no Brasil, o Banco Central (BC) preparou estudo inédito que garante não existir qualquer sinal de bolha imobiliária no país. O material traz uma série de simulações de quedas de preços e seus respectivos impactos nos resultados financeiros dos bancos nacionais. 

Mesmo no pior cenário traçado, que prevê redução abrupta de 33% no valor dos imóveis residenciais em apenas um dia, nenhuma instituição bancária – incluída a Caixa Econômica Federal, líder no segmento – chegaria à falência.

O número máximo de queda, de 33%, não foi escolhido à toa. “Esse percentual foi o mesmo verificado na bolha do subprime dos Estados Unidos, mas lá essa deterioração nos preços dos imóveis ocorreu entre abril de 2006 e maio de 2009. Aqui, no nosso teste, eles caíram 33% em um dia”, disse o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles.

COM CERTEZA

Meirelles garantiu: “Não há bolha imobiliária no Brasil, e posso dizer isso com certeza”, disse. “Não tem elementos que possam caracterizar essa bolha. Aqui os preços não sobem sem justificativa econômica. Aqui a gente não tem subprime (títulos podres de hipotecas dos EUA). Não tem segunda hipoteca praticamente nenhuma residência, e mais de 90% dos imóveis são para moradia”, enumerou.O diretor do BC lembrou que, no estudo preparado, mesmo no pior cenário traçado, nenhum banco brasileiro ficaria desenquadrada das regras de Basiléia 3.

O acordo de Basiléia é um conjunto de regras bancárias que impõe percentuais mínimos de garantias às instituições financeiras. A terceira fase desse acordo internacional tem implementação prevista para o fim em 2019. “No Brasil, se as regras já valessem hoje, apenas quatro de 135 bancos precisariam aumentar o capital para se adequar a essas regras”, disse Meirelles.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO diretor do BC está certo. Não há bolha no Brasil, porque o sistema bancário é muito diferente do americano e do japonês, sem possibilidade de acúmulo de hipotecas (subprime). Mas o estudo do BC e a reportagem são incompletos, porque omitem a informação mais importante: o mercado imobiliário está atravessando a maior crise das últimas décadas. Como diz o economista Luís Carlos Ewald, professor da PUC e consultor do Fantástico e da Globonews, “a situação é desesperadora, ninguém está comprando nada”. Ele garante que após a Copa o preço dos imóveis vai despencar. (C.N.)

Senado pede ao Legislativo norte-americano documentos relativos ao golpe de 1964

Karine Melo
Agência Brasil 

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), confirmou nesta quinta-feira (20) que também será signatário da carta endereçada ao presidente do Senado dos Estados Unidos solicitando o acesso do Brasil a documentos que podem esclarecer fatos relacionados ao golpe militar de 1964.

O documento foi redigido e assinado por senadores que integram a Comissão de Direitos Humanos da Casa, a pedido do filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente Goulart.

Lembrando que a Justiça brasileira tem cumprido esse papel, Renan cobrou que a sociedade continue vigilante e, na medida do possível, busque reparação para os excessos cometidos.

EXPOSIÇÃO

Os 50 anos do golpe militar estão sendo lembrados na exposição Onde a Esperança se Refugiou, inaugurada hoje no Salão Negro do Congresso Nacional. Organizada em cinco eixos, a mostra traz 366 rostos das vítimas da ditadura militar no Brasil. Durante a solenidade, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que, em um regime democrático, os eventuais abusos cometidos no exercício da liberdade de expressão só podem ser coibidos pelo Judiciário.

A exposição está aberta para visitação até 13 de abril, das 9h às 17h.

Acampados há oito dias na Câmara, aposentados do Aerus (Varig) esperam apoio do governo

Carolina Gonçalves
Agência Brasil

Acampados há oito dias no Salão Verde da Câmara dos Deputados, representantes dos aposentados e pensionistas do Instituto Aerus. formado por trabalhadores das extintas companhias aéreas Varig, Cruzeiro e Transbrasil, esperam ser recebidos na próxima terça-feira (25) por uma equipe da Advocacia-Geral da União (AGU), para tentar solucionar os problemas no pagamento dos benefícios para os quais contribuíram durante o período em que estavam na ativa.

Os 18 integrantes do instituto, que vieram de Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e do Rio de Janeiro, alertaram hoje (20) que outros trabalhadores e aposentados prejudicados pelo fundo de pensão estão de malas prontas para viajar para Brasília se não houver uma sinalização concreta da AGU.

“Não dá para sair daqui com mãos abanando desta vez. Se não tiver uma posição [da AGU] vamos trazer mais gente, porque o pessoal está disposto a vir até de ônibus, se for preciso”, disse o ex-comandante da Varig Zoroastro Ferreira Lima Filho.

MÉDIA DE 75 ANOS…

Aos 81 anos de idade, Zoroastro, que trabalhou  38 anos na companhia, explicou que os 10 mil aposentados prejudicados têm, em média, 75 anos e que a maioria está vivendo com dificuldades financeiras, por não receber retorno dos valores pagos como contribuição ao fundo de pensão.

Os aposentados estão acampados na Câmara desde o último dia 12, quando vieram para Brasília para acompanhar o julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou a União a pagar indenização à Varig por perdas decorrentes da inflação, acumuladas em razão da política tarifária adotada pelo governo entre 1986 e 1991.

Mesmo sem um acordo que garantisse o ressarcimento dos valores, a decisão, tomada por 5 votos a 2, é vista como uma esperança por aposentados e pensionistas e pelos trabalhadores em atividade que também contribuíram com o fundo e aguardam uma solução para se aposentar.  Juntos, os beneficiários do fundo somam quase 20 mil pessoas.

SÓ RECEBEM 8%…

De acordo com o Sindicato Nacional dos Aeronautas, os trabalhadores que contribuíram para o fundo estão recebendo hoje 8% do valor que deveria ser pago e, desde setembro do ano passado, vivem sob o temor do fim desse pagamento, já que os recursos se esgotaram e o instituto tem conseguido repassar valores provenientes de sobras de reservas e comercialização de bens e imóveis de baixo valor.

“Só queremos a volta da nossa folha, que custaria à União R$ 38 milhões por ano. Depois, conversaremos sobre os atrasados”, explicou Zoroastro. Segundo ele, além da audiência na AGU, os acampados estão tentando marcar uma conversa com o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, mas o encontro ainda não foi confirmado pela assessoria do ministro.

Há pouco mais de seis meses, os aposentados do Aerus ficaram acampados no Congresso por dias. Zoroastro lembrou, entretanto, que a situação foi completamente diferente da atual. Segundo ele, a manifestação pacífica de agosto do ano passado chegou a momentos tensos de embate com a Polícia Legislativa, mas, com o apoio declarado pelos presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), desta vez, os acampados estão em condições muito melhores.

Ministério da Justiça, através do Cade, enfim abre processo para apurar irregularidades em licitações de trens e metrôs

Ivan Richard
Agência Brasil 

Após dez meses de investigações sigilosas, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) instaurou hoje (20) processo administrativo para apurar prática de cartel em licitações de trens e metrôs, ocorridas entre 1992 e 2003, nos estado de São Paulo, Minas Gerais, do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. De acordo com o Cade, 18 empresas e 109 funcionários são suspeitos de participar do esquema.

No inquérito, instaurado em 22 de maio de 2013, a partir da assinatura de um acordo de leniência com a empresa alemã Siemens, o Cade sustenta que “há fortes indícios” da prática de cartel. “O conjunto probatório reunido permite concluir pela presença de fortes indícios de que as empresas e pessoas físicas discriminadas teriam celebrado ajuste com a finalidade de fixar preços, dividir mercado e ajustar condições, vantagens ou abstenção em licitações públicas relativas a projetos de metrô e ou trens”, diz o inquérito.

As testemunhas ouvidas pelo Cade confessaram ter participado de um esquema fraudulento com objetivo de eliminar a competição das concorrências. Além da Siemens, também teriam participado do cartel a Alston Brasil Energia e a Hyundai-Rotem Co. Ainda de acordo com o Cade, as licitações que estão sendo apuradas totalizam contratos de cerca de R$ 9,4 bilhões.

Supremo determina prisão do deputado federal Asdrúbal Bentes, do PMDB, que fazia ligação de trompas para se eleger

André Richter
Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou hoje (20) a prisão do deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) pelo crime de esterilização cirúrgica irregular. Os ministros rejeitaram recurso protocolado pela defesa do parlamentar, que vai cumprir três anos e um mês de prisão em regime aberto.

O STF também decidiu informar a Câmara dos Deputados sobre a condenação para que a Casa abra processo de cassação do parlamentar.

Segundo o Ministério Público, o deputado usou a Fundação PMDB Mulher para recrutar eleitoras em troca de cirurgias de laqueadura tubária. Os fatos correram em 2004, quando o parlamentar era candidato a prefeito de Marabá. Segundo a denúncia, as mulheres eram encaminhadas a um hospital, onde eram submetidas a cirurgias, justificadas com documentos falsos.

Começou a festa na Petrobras: Polícia Federal prende ex-diretor suspeito de lavagem de dinheiro

Danilo Macedo
Agência Brasil 

A Polícia Federal confirmou hoje (20) a prisão do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, no Rio de Janeiro. Costa é suspeito de ter ligação com uma organização criminosa que lavava dinheiro em seis estados e no Distrito Federal, desarticulada no início desta semana na Operação Lava Jato, e pode ter movimentado mais de R$ 10 bilhões.

Segundo a Polícia Federal, Costa foi preso provisoriamente porque estava destruindo provas de sua ligação com um doleiro. O ex-diretor da Petrobras será levado ainda nesta quinta-feira para Curitiba, base da Operação Lava Jato.

Na segunda-feira (17), a Polícia Federal cumpriu 24 mandados de prisão e 15 de condução coercitiva, além de 81 mandados de busca e apreensão em 17 cidades. Cerca de 400 policiais participaram da operação. A organização contava com quatro grupos que tinham à frente doleiros que lucravam com câmbio paralelo ilegal, mas também praticavam crimes como tráfico de drogas, exploração e comércio ilegal de diamantes e corrupção de agentes públicos, entre outros.

APENAS R$ 10 BILHÕES…

Juntos, os grupos movimentaram mais de R$ 10 bilhões nos últimos três anos, de acordo com informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda. A principal forma para lavar o dinheiro era por meio de atividades como redes de lavanderias e postos de combustível.

Eles também abriram empresas de fachada no Brasil e no exterior para simular contratos de importação e exportação. Por esse mecanismo de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, apenas um doleiro enviou ao exterior, entre 2009 e 2013, US$ 250 milhões.

 

“Não vos queixeis dos tempos, vós sois os tempos’’

Sandra Starling 

Pouco antes do “crack” da Bolsa de Valores de Nova York, Sigmund Freud publicou um livro muito interessante, intitulado “O Mal-Estar da Civilização”. Nele, tratou da sensação de angústia generalizada a perpassar seus contemporâneos numa época que se anunciava como de profunda crise de valores.

Freud apontava na obra a incapacidade da cultura ocidental de oferecer felicidade, aquele etéreo objeto de desejo inscrito por Thomas Jefferson na Declaração de Independência dos Estados Unidos aos homens e às mulheres da década de 20 do século passado. Parece-me desnecessário dizer o que veio depois. Basta apenas lembrar que, pouco antes da comemoração do primeiro decênio do fatídico evento em Wall Street, iniciava-se a Segunda Guerra Mundial.

Não vos queixes dos tempos”, pregava santo Agostinho. Tenho tido, porém, ultimamente, desde a débâcle que se abateu sobre as economias norte-americana e europeia em setembro de 2008, um estranho sentimento de esgotamento dos potenciais culturais de nosso tempo. Na política, na ciência, na economia, nas artes, tudo parece sem rumo.

TUDO ERRADO

Meus coetâneos estão taciturnos, diria Drummond. Os desastres ambientais vão se acumulando. A tecnologia não encontra limites éticos. Há erupções de nacionalismos irracionais por todos os lados. Os sistemas econômicos ampliam o fosso entre aquele 1% da humanidade que controla quase tudo e o resto da patuleia a que se reserva, quando muito, ultrapassados os umbrais da exclusão absoluta, o direito de consumir. E todos os nossos desejos monitorados por esse Big Brother da modernidade: a NSA.

Não há música que dê conta de novas aspirações. Só combinações de ruídos digitalizados (o Kraftwerk dos anos 70 era mais original!). Não há teatro que espelhe nossos dramas. A literatura encolhe. Eric Hobsbawn havia dito, em um de seus últimos ensaios, que apenas as artes visuais (leia-se cinema, TV, YouTube) sobreviveriam. Mas mesmo nas telas há muito pouco de inspiração.

Incrível como o consumo de drogas lícitas ou ilícitas se espraia. Na ausência de utopias, a humanidade busca o torpor. Há, de tal forma, um chamamento à erotização que nos Carnavais da vida trocam-se parceiros com mais frequência que fantasias, quando essas existem. Estamos imersos na cultura “selfie” do Instagram: egoísmo e narcisismo imperam. As religiões não religam ninguém à transcendência. Servem de motivo para altercações e violência desenfreada em várias partes do planeta.

Tudo seria motivo para precipitarmo-nos de vez nas águas, como argumentava o poeta. Mas eis que leio interessante entrevista com o jornalista italiano Eugenio Scalfari, ateu, iconoclasta, socialista militante. Roma tornou-se novamente a capital do mundo, diz ele do alto dos seus mais de 80 anos. De lá, para espanto de todos, uma voz vinda do fim do mundo, um tal de Francisco, há um ano, pede aos jovens que sejam revolucionários. Digo, então, a mim mesma: não tenho um cão, como no poema, mas ainda há esperança. Não nos queixemos dos tempos. Nossas ações fazem o nosso tempo! (transcrito de O Tempo)

Primeiro-ministro britânico propõe que G7 discuta expulsão da Rússia do G8

Da Agência Brasil

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que os países do G7 devem discutir “a exclusão permanente da Rússia” do G8 no caso de serem adotadas mais ações que desestabilizem a Ucrânia.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, convocou um encontro do G7 para a próxima segunda-feira (24), paralelamente à reunião sobre segurança nuclear que será realizada em Haia, na Holanda, para discutir o aumento da crise provocada pela anexação da Crimeia à Rússia.

“Penso que é importante agirmos em concertação com os nossos aliados e parceiros e penso que devemos discutir se excluímos ou não a Rússia de forma permanente do G8 se forem tomadas outras medidas”, disse Cameron no Parlamento.

O primeiro-ministro britânico afirmou também que qualquer avanço da Rússia no Leste da Ucrânia deve ter como consequência sanções econômicas e diplomáticas “as mais duras possíveis”. Cameron observou que o Reino Unido foi um dos primeiros países a suspender o processo de preparação da reunião do G8 marcada para junho em Sochi, na Rússia.

O G8 é constituído pela Rússia e pelos membros do G7 – Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

O presidente russo, Vladimir Putin assinou na terça-feira o tratado de anexação da Crimeia, considerado legal, por unanimidade, pelo Tribunal Constitucional da Rússia, porque no domingo quase 97% dos eleitores da Crimeia que foram às urnas votaram a favor da separação da Ucrânia e anexação à Rússia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo se diz na linguagem futebolística, o pessoal do G-7 está jogando para a arquibancada… Daqui a mais alguns dias o assunto Crimeia deixa as manchetes e tudo volta ao normal. Vida que segue, como dizia o genial João Saldanha, que faz uma falta danada por aqui. (C.N.)

Sarney e José Alencar: Bandidos da paternidade que são acobertados pelas Varas de Família

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Fátima Oliveira

A maranhense Izaura Nogueira Araújo e a mineira Francisca Nicolina de Moraes, ambas falecidas, tiveram suas filhas renegadas pelos pais. Izaura Nogueira Araújo é mãe de Silene Nogueira Araújo, que tem como alegado pai o senador José Sarney; segundo diz a mídia, o teste de DNA deu positivo. Francisca Nicolina de Moraes, mãe de Rosemary de Moraes, tem como pai, confirmado pela Justiça pela recusa ao teste de DNA, o ex-vice-presidente da República José Alencar, já falecido.

Diante da negativa dos ditos cujos em assumir a paternidade, as mães optaram pelo silêncio durante décadas, inclusive para as filhas. Os pais alegados são autoridades da República que deram o pior dos maus exemplos, ao arrepio da lei: o abandono de incapazes. Aparentemente, elas foram covardes: aceitaram que os sujeitos que as engravidaram não assumissem a paternidade. Em tese, sim.

Para a sociedade da época, elas eram “despossuídas” de qualquer vestígio moral. Uma porque vivia na zona, e a outra por ser amante de um político casado. A palavra delas não valia um tostão furado, como explicou José Alencar, no programa “Jô Soares”, cheio de razão, do pedestal da sua moralidade pé de maxixe, por que se recusava a fazer o DNA: “Se todo mundo que foi à zona um dia tiver de fazer… São milhões”.

O imoral é que as crianças, cujos pais renegam suas proles, são ainda vítimas do abandono cruel das Varas de Família, que acobertam o banditismo de quem, após a paternidade ser confirmada por DNA, tendo sido designada a pensão de alimentos, não a paga e fica por isso mesmo anos a fio. E os juízes, “nem aí!”. Como podem dormir o sono dos justos? A Justiça não pode obrigar um pai a amar quem ele rejeita, mas tem de zelar para que o instituto da pensão alimentícia não seja tão avacalhado: paga quem quer, e, em geral, só passa a ser recebida com a regularidade legal depois que o mau-caráter é preso.

PRISÃO NELES 

A prisão do bandido da paternidade é um instrumento pedagógico da maior relevância. Nunca foi e não é fácil engaiolar um trapaceiro de tal tipo. Até parece que não pagar dívida de alimentos é igual a cadeia. Nunca foi! É uma via-sacra que exige paciência, tempo e dinheiro, pois as brechas legais, os subterfúgios e os rodeios à disposição dos bandidos da paternidade são inúmeros, e os juízes são bonzinhos até demais da conta com eles. Seria solidariedade machista?

Pode ser e revela a face injusta da Justiça, que a cada queixa de não pagamento exige um novo processo, fazendo com que inúmeras mães deixem para lá, por impossibilidade de remover os entraves à Justiça. Por que não basta à mãe comunicar que não está recebendo a pensão para que o juiz tome providências? Urge desburocratizar a denúncia de que a pensão de alimentos não está sendo paga, pois como é hoje, na prática, a Justiça está acobertando esses pais bandidos!

Causa espécie a tentativa recente de legalizar no Novo Código Civil o banditismo de devedores da pensão de alimentos. A bancada feminina conseguiu reverter o retrocesso, e a lei será mantida: “Quem não paga a pensão alimentícia é comunicado pela Justiça e tem um prazo de três dias para se justificar e pagar. Se não fizer isso, é preso e só é liberado depois de quitar toda a dívida”. Mas os bandidos da paternidade ainda ganharam benesses: se presos, terão direito a uma cela especial separada dos outros presos. Por que a regalia? Só mesmo uma sociedade patriarcal afaga tais bandidos! (transcrito de O Tempo)

Aécio e o passadismo

João Gualberto Jr.

Aécio foi veladamente apontado pelo presidente do PT como encarnação do “neopassadismo” (ou reencarnação do passadismo, tanto faz). Retrucou o senador acusando os adversários de estarem “à beira de um ataque de nervos” e de fazerem neologismos sem lógica.

Fato é que veio agora a conhecimento público que o tucano tentou, por via judicial, restringir menções negativas a ele na internet. Os responsáveis pelos portais explicaram que a filtragem seria impossível, e a resposta à solicitação de decisão liminar foi negativa.

O processo, até então ignorado, tomou dimensão nacional ao circular pela “Folha de S.Paulo”. Do caso, desprendem-se algumas perguntas: por que um homem público com 30 anos de carreira muito bem-sucedida, tendo sido eleito, reeleito e aprovado por seus conterrâneos, os mineiros, incomoda-se com o que dizem sobre ele na terra de ninguém da internet? Por que um político que quer se eleger presidente da República, com janela suficiente para almejar tal posto, parece indispor-se previamente a se submeter a ataques, boatos e injúrias que invariavelmente surgem na campanha?

Trata-se de um caso de censura? Sim, já que o objetivo da ação é cercear o acesso do cidadão a determinadas informações, independentemente de serem elas verdadeiras. Ora, em nossos dias, talvez nada pareça mais anacrônico, velho e “neopassadista” do que tentar censurar, tentar restringir o conteúdo que se posta na rede.

A atitude de Aécio, ou pelo menos de seus advogados, é o sintoma da escassez de alternativas políticas palpáveis na oposição e, por conseguinte, de opções de escolha para o cidadão. Milhões de jovens foram às ruas no ano passado – e voltarão – impulsionados por um clima de indisposição geral e irrestrita “a tudo isso que está aí”. “Vocês não nos representam”, diz o jargão das faixas mencionado por Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro. Pois, deputado, como a oposição pretende entrar em sintonia com os jovens?

São conselheiros de Aécio na área econômica, por exemplo, pais ou padrinhos do Plano Real, que completa 20 anos. Outros interlocutores para a formulação de seu programa de candidatura são ex-ministros do governo Fernando Henrique sobre os quais, depois da eleição de Lula, não se teve mais notícias. As referências de políticas públicas exitosas, o legado citado e reivindicado pelo pré-candidato são justamente da era FHC, que terminou há 12 anos. E em Minas, onde dizem que “a vitória terá início”, o senador fia a candidatura de um homem que disputou sua última eleição em 1998.

Além de todas essas referências de história viva, evidentemente, a campanha tucana vai lembrar, relembrar e trelembrar o espírito público do avô Tancredo. Pelo que vê, pelo que fala, pelo que faz e pelas companhias, não têm mesmo cheiro de novo os lastros das pretensões de Aécio.  (transcrito de O Tempo)

Câmara vai colaborar com investigações sobre desaparecimento de Rubens Paiva

Carolina Gonçalves
Agência Brasil

A Câmara dos Deputados vai ajudar nas investigações sobre o desaparecimento do corpo do deputado federal cassado Rubens Paiva. Preso pelo regime militar em janeiro de 1971, desde então, Paiva nunca mais foi visto. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), diz que é preciso apenas que os líderes decidam se os trabalhos serão conduzidos por comissões permanentes ou por uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) criada especificamente para tratar do assunto. 

O compromisso ficou acertado depois que Alves recebeu do coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari, o relatório preliminar sobre o desaparecimento do parlamentar. A intenção de Dallari foi envolver o Legislativo no caso para tentar ouvir, novamente o general José Antônio Nogueira Belham.Apontado como um dos autores do crime, Belham negou envolvimento no caso no primeiro depoimento prestado na CNV, mas análises de documentos administrativos revelaram contradições entre os registros e as declarações do general, como o fato de que ele estaria de férias no período. Belham, que hoje mora em Brasília, recusou-se a prestar outro depoimento ou a fornecer mais informações sobre o caso.“Com a mobilização da Câmara, espero que o general se sensibilize porque esse assunto já extrapolou a esfera do direito”, disse Dallari. Ele ressaltou que o principal resultado dessa investigação conjunta será a descoberta do local onde o corpo de Paiva foi deixado.

Belham e o tenente Antônio Hughes de Carvalho foram apontados pela CNV como responsáveis pela morte e ocultação do cadáver de Rubens Paiva. Os integrantes da comissão concluíram há quase um mês as análises de documentos e testemunhos.

O general Belham era comandante do Destacamento de Operações e Informações (DOI), onde Paiva esteve preso e, segundo relatos, foi alertado, mais de uma vez, sobre o risco de morte do ex-deputado, mas não tomou qualquer providência. Um dos depoimentos analisados pela comissão revelou que Amilcar Lobo, que na época era tenente-médico, atendeu Paiva na madrugada do dia 21 de janeiro de 1971 e constatou hemorragia abdominal, por ruptura hepática. Mesmo com a recomendação médica, ele não foi hospitalizado.

Rubens Paiva era deputado pelo PTB e foi cassado após o golpe militar de 1964. O ex-parlamentar ficou exilado por um período e quando retornou ao Brasil, em 1971, foi preso e transferido para o DOI. Paiva morreu no dia 21 de janeiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ claro que o general não vai aceitar convite para depor na Câmara. Como os demais torturadores militares, ele foi beneficiado pela Lei da Anistia (da mesma forma que Dilma Rousseff e todos os participantes da luta armada). Enquanto não revogarem a Lei da Anistia, nada feito. (C.N.)