Falta pouco para a Tribuna se livrar do ataque dos hackers

Carlos Newton

O blog da Tribuna da Internet está quase normalizado, graças aos esforços do especialista em informática Márcio Lordelo e dos programadores do servidor UOL, que continuam trabalhando para nos livrar dos últimos efeitos deste mais recente ataque de hackers.

No momento o acesso está totalmente normal pelo endereço www.carlosnewton.com.br, mas continua inviável pelo endereço principal, www.tribunadainternet.com.br, que somente permite acesso quando não se digita www antes do endereço.

Esta é a quinta vez que somos hackeados e o motivo é sempre o mesmo: a postagem de graves denúncias de irregularidades, que fazemos sempre com exclusividade e visando ao interesse público, contando com importantes informações que nos são enviadas por comentaristas de todo o país e também do exterior, pois a Tribuna da Internet tem acessos diários de 65 países.

Podem hackear à vontade, mas tenham a certeza de que logo voltaremos, pois só pode existir controle da mídia em países totalitários e o Brasil ainda é uma democracia.

 

 

Da guerra de energia à guerra da moeda contra os BRICS

Pepe Escobar
Rússia Today

O novo choque do petróleo dos sauditas – que, no mínimo, recebeu luz verde do governo Obama – combina perfeitamente com o padrão “Conhecimento Total de Informação” [orig. Total Information Awareness (TIA)], em termos de ofensiva contra os BRICS, com dois deles no papel de alvos chaves: Rússia e Brasil.

Mais de 50% do orçamento da Rússia vem da venda de petróleo e gás. Cada redução de $10 no preço do barril de petróleo significa que a Rússia deixa de receber coisa como $14,6 bilhões por ano. Pode ser de certo modo compensado pela desvalorização do rublo – mais de 25% contra o dólar norte-americano, desde o início de 2014. E a Rússia, claro, ainda tem cerca de $450 bilhões em reservas. Mesmo assim, a economia russa pode crescer só de 0,5 a 2% em 2015.

Com a redução de $1 nos preços do petróleo cru, a maior empresa brasileira, Petrobras, perde mais de $900 milhões. Aos preços atuais do petróleo, a Petrobras estará perdendo em torno de $14 bilhões por ano. A queda dos preços portanto mina a expansão de longo prazo da Petrobrás para financiar novos projetos de infraestrutura e de exploração conectados aos seus valiosos depósitos de petróleo do pré-sal. A Petrobras foi alvo preferencial para a demonização de Rousseff.

O Irã não é membro dos BRICS, mas partilha o impulso do grupo com vistas a um mundo multipolar. Para equilibrar o próprio orçamento, o Irã precisa de petróleo a $136 o barril. Um acordo nuclear a ser firmado com o P5+1 em três semanas, dia 24/11, pode levar a um alívio nas sanções – pelo menos as vindas da Europa – e permitir que o Irã melhore suas exportações de petróleo. Mas em Teerã não há ilusões sobre o quanto a manipulação dos preços foi cerebrada para desestabilizar ainda mais a economia iraniana e minar sua posição nas negociações nucleares.

DÓLAR EM ALTA

No front econômico, a doutrina do “Conhecimento Total de Informação” manifesta-se em o Fed pôr fim ao “quantitative easing”, QE [injeção de dólares recém impressos na economia, lit. “facilitação quantitativa” ou “alívio quantitativo”]: significa que o dólar dos EUA continuará a subir e mais dólares dos EUA deixarão os mercados emergentes. A rede chinesa Xinhua expôs e discutiu seriamente essa questão.

O dólar norte-americano e o yuan estão efetivamente ligados. Quando o dólar norte-americano sobe, o yuan também sobe. Mas é a economia chinesa que sofre. O que preocupa Pequim é que é possível que a manufatura chinesa torne-se excessivamente cara, em muitíssimos países nos quais as margens de lucro já são muito estreitas.

Portanto, o que com certeza acontecerá é o Banco Central da China determinar uma queda controlada do yuan – e ao mesmo tempo desenvolver mecanismos para combater a saída de dinheiro quente, sobretudo para Hong Kong.

A China pode até ser relativamente imune ao fim do QE. Mas todos na Ásia lembram ainda muito bem da crise financeira de 1997, que respingou na Rússia em 1998. Os únicos beneficiados então foram – e quem seria?! – os interesses privados norte-americanos e a hegemonia de Washington.

DEMONIZAÇÃO DOS BRICS

A demonização dos BRICS, em graus diferentes, prossegue sem parar – com o foco central na Rússia, a qual, por falar dela, iniciará a 3ª Guerra Mundial. Por quê? Porque os EUA dizem que sim.

A mais recente ação envolve o Serviço de Inteligência da Defesa Dinamarquesa [orig. Danish Defense Intelligence Service (DDIS)], que noticiou, semana passada que a Rússia simulara um ataque com jatos e mísseis sobre a ilha de Bornholm em junho.

DDIS não distribuiu qualquer detalhe concreto sobre o ataque simulado. Mas enfatizou que foi o maior exercício militar russo sobre o Mar Báltico desce 1991. DDIS distribuiu um documento “Avaliação de Risco 2014” [orig. Risk Assessment 2014], no qual prevê que “ao longo dos próximos poucos anos, a situação no leste da Ucrânia tem alta probabilidade de converter-se em novo conflito europeu frio.”

Mas os dinamarqueses foram muito claros: “Não há indicações de que a Rússia constitua crescente ameaça militar direta ao território dinamarquês.” Nada disso impediu que os chefes militares norte-americanos de sempre se pusessem a repetir que a Rússia se prepara para iniciar a 3ª Guerra Mundial.

SISTEMA FRAGMENTADO

Não há absolutamente nenhuma prova de que Washington esteja preparada sequer para discutir a possibilidade de modificar o atual sistema-mundo, como teorizado por Immanuel Wallerstein, na busca por gestão mais democrática. A próxima reunião do G20 na Austrália, mais uma vez, deixará isso bem claro.

O que se vê, portanto, é o sistema, cada dia mais fragmentado, deslizando inexoravelmente rumo a um catastrófico ponto de ruptura. O “Conhecimento Total de Informação” [orig. Total Information Awareness (TIA)] e suas reviravoltas e circunvoluções não passam de “estratégia” desesperada para adiar uma decadência inevitável. No fim, Wallerstein estava certo. O mundo do pós-Guerra Fria está condenado a permanecer imensamente volátil.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

Cientista americano condena a urna eletrônica brasileira

Helder Ribeiro
Brasil Post

J ALEX HALDERMAN

Halderman: Todos os processos eletrônicos são falhos

Considerado autoridade mundial em segurança da votação eletrônica, o pesquisador J. Alex Halderman esteve no Brasil participando do XIV Simpósio Brasileiro em Segurança da Informação e de Sistemas Computacionais (SBSeg). Realizado de 3 a 6 de novembro, o simpósio coincidiu com o período em que o país aguardava a resposta do TSE ao pedido de auditoria do processo de votação, requerido pelo PSDB. Organizado anualmente pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), o evento reúne pesquisadores e profissionais da área de segurança computacional.

Nesta edição, o simpósio contou, pela primeira vez, com um Workshop em Tecnologia Eleitoral, em que se discutiram as oportunidades e perigos abertos pelo uso de computadores no processo de votação. Halderman, que é professor da Universidade de Michigan, esteve presente para apresentar sua experiência analisando sistemas de votação de diversos países.

Como o seu trabalho acadêmico o levou às pesquisas sobre tecnologia eleitoral?

Eu sou professor de ciência da computação e engenharia na Universidade de Michigan, onde ensino e pesquiso segurança computacional e privacidade. Nos últimos 10 anos, uma das minhas especializações tem sido segurança na votação eletrônica. Como o voto é uma das funções centrais da democracia, eu me interesso profundamente em garantir que seja o mais seguro possível.

Que tipo de pesquisa você tem feito nessa área?

Eu estudei a segurança de sistemas de voto eletrônico usados em países ao redor do mundo, incluindo nos Estados Unidos, na Europa e na Índia.

Em 2007, ajudei a liderar a primeira auditoria pública de segurança em voto eletrônico sancionada por um estado americano, que resultou em grandes mudanças na tecnologia eleitoral usada na Califórnia.

Em 2010, participei da primeira análise de segurança das urnas eletrônicas da Índia que influiu na decisão que concedeu aos cidadãos o direito ao comprovante do voto em papel. E também estudei sistemas de votação via Internet, incluindo um sistema criado pela cidade de Washington, D.C. O governo realizou um teste público do sistema e convidou qualquer pessoa no mundo a tentar invadi-lo durante uma eleição simulada. Meus alunos e eu tentamos e, em 48 horas, ganhamos controle completo dos servidores e mudamos todos os votos. Por causa disso, a cidade acabou o sistema.

O que você sabe sobre a tecnologia de votação usada no Brasil? Você já lidou com sistemas similares antes?

Tenho acompanhado de perto o sistema brasileiro há vários anos. Fiquei impressionado com o trabalho de Diego Aranha durante os testes conduzidos em 2012, apresentado na principal conferência internacional de pesquisa acadêmica em segurança da votação eletrônica. Esses testes foram conduzidos sob circunstâncias extremamente restritas, então é fantástico que ele tenha conseguido descobrir algo. E os problemas que ele encontrou — falhas que enfraquecem a integridade de resultados de eleições e poderiam comprometer a privacidade do voto de todos — são profundamente perturbadoras. Elas sugerem que há muitos problemas que ainda precisam ser descobertos.

Cientistas da computação tiveram mais tempo para estudar sistemas de votação similares usados nos EUA e na Europa, e em todos eles, sem exceção, os pesquisadores encontraram vulnerabilidades graves que poderiam comprometer a privacidade do eleitor e permitir que atacantes alterassem os votos. Nos Estados Unidos, eu mesmo demonstrei um vírus de urna eletrônica que poderia infectar uma urna e silenciosamente se disseminar para outras, comprometendo os resultados das eleições de um estado inteiro.

Assumindo que as falhas encontradas pelo Prof. Aranha tenham sido consertadas, será que o sistema brasileiro tem outros problemas similares? Não saberemos com certeza até que haja uma investigação pública e rigorosa. Em todos os países onde trabalhei, autoridades eleitorais e fornecedores de tecnologia de votação prometeram que seus sistemas eram perfeitamente seguros, até terem o exato oposto demonstrado por cientistas.

Que critérios podemos usar para determinar se um sistema eleitoral é realmente transparente e seguro?

Segurança tem que começar com o projeto fundamental do sistema. Como é muito difícil garantir que computadores sejam totalmente seguros e sem falhas, um sistema de votação bem projetado deve ter um jeito de detectar qualquer tipo de erro ou fraude computacional.

Um jeito de conseguir isso é tendo um rastro em papel — um registro impresso de cada voto que o eleitor pode conferir, e que é depositado em uma urna física. Assim, podemos auditar as urnas físicas para garantir que os resultados batem com os registros digitais, e isso nos dá um mecanismo para verificar que os computadores são honestos e corretos.

Este é um teste para ver se um sistema de votação é transparente: ele requer que o público aceite cegamente as alegações de representantes do governo, ou ele provê alguma forma de o público verificar que o sistema é seguro e livre de erros? Pessoalmente, eu acredito que autoridades eleitorais são honestas, mas eleitores céticos não deveriam ser forçados a confiar nos representantes para crer que o resultado das eleições é correto.

Agentes eleitorais têm um trabalho extremamente difícil. Há tantas coisas que podem dar errado com um sistema moderno high-tech de votação, de hacking intencional a erros acidentais de computador. Projeto e auditoria de segurança apropriados do sistema de votação podem tornar esse trabalho muito mais fácil ao garantir que há defesas fortes que podem detectar e se recuperar de tais problemas.

Recentemente, um partido político no Brasil pediu para auditar o sistema de votação. Você foi contactado? Estaria disposto a auditar o sistema de votação brasileiro?

Se convidado, eu ficaria feliz em contribuir com uma auditoria de segurança do sistema brasileiro, desde que os resultados sejam disponibilizados ao público do país. Eleitores, não importa onde, merecem saber como seus votos são contados e se o processo é confiável.

 

Eduardo Cunha promete” engavetar” controle da mídia pelo PT

Cunha: Câmara terá nova CPI da Petrobras

Isabela Horta
Blog do Kennedy

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), diz que, se eleito presidente da Câmara dos Deputados, vai colocar “na gaveta” o projeto de regulação da mídia que a presidente Dilma Rousseff pretende elaborar.

“Regulação de mídia jamais. Eu colocaria na gaveta. Não faz parte do meu propósito. Eu sou muito claro, transparente para que todos saibam que eu eleito presidente da Câmara não darei curso a um projeto de regulação de mídia”, afirma Cunha.

O líder do PMDB avalia que a futura revelação dos nomes de deputados e senadores acusados nas delações premiadas da Operação Lava Jato não afetará o funcionamento da Congresso. “Da minha parte não travará. Eu acho que tem de funcionar como prevê a Constituição, o regimento da Câmara e, provavelmente, do Senado.”

CPI DA PETROBRAS

Segundo ele, será inevitável a instalação de uma nova CPI no Congresso para investigar a corrupção na Petrobras. “Não há condições políticas da gente dizer que não apoiará. Claro que temos de apoiar. Efetivamente, essa investigação foi interrompida por fatos supervenientes a ela.”

Cunha diz que advogados do ex-diretor de Abastecimento e Refino Paulo Roberto Costa lhe disseram que ele não foi citado na delação premiado, contrariando relato da revista “IstoÉ”. “Foi uma citação vaga de uma revista, que tinha outras citações vagas, e que efetivamente mandaram me desmentir. […] Mandei meus advogados consultarem. Não houve citação do Paulo Roberto. O que também não teria nenhum problema de ter citação, porque citação não implicaria ter nenhum comprometimento.”

A respeito da disputa pela presidência da Câmara, ele diz que os deputados não aceitariam a eleição de um petista nem do rodízio acordado entre PT e PMDB. “A Casa não vê com bons olhos, a sua maioria, que o PT, já que está no Poder Executivo, comande o Poder Legislativo. E não dá pra nós, PT e PMDB, mesmo que nós concordássemos em fazer um acordo de divisão, de rodízio, a Casa não aceitaria.”

Cunha rebate as críticas de que seria um adversário do Palácio do Planalto. “Em primeiro lugar, eu não sou inimigo do governo. Em segundo lugar, quanto a presidente gosta ou deixa de gostar [de mim], eu nunca ouvi falar.” Ele afirma que “não quer ser submisso ao governo nem quer ser candidatura de oposição” em uma eventual disputa pela presidência da Câmara.

DIÁLOGO COM DILMA

Para o deputado, a relação de Dilma com o Congresso Nacional será mais difícil a partir de 2015. “Na medida em que você tem uma divisão maior e uma oposição mais aguerrida, é claro que a Casa ficará mais difícil no seu dia-a-dia. Então, é importante que se lide através do diálogo, que a própria presidente propôs.”

Eduardo Cunha considera “um absurdo” os pedidos de impeachment que circulam nas redes sociais. “Nós não podemos fazer um segundo turno eleitoral praticamente duas semanas depois das eleições. Não dá pra gente querer, como se diz, ganhar com gol de mão depois que o resultado acabou.”

Cunha afirma ser favorável a PEC da Bengala, proposta de emenda à Constituição que amplia de 70 para 75 anos a idade limite para aposentadoria compulsória dos magistrados. “São pessoas que estão na sua plenitude intelectual. Expectativa de vida de 70 anos, quando foi feito isso na constituição de 88, hoje é completamente diferente.”

Transpetro e Andrade Gutierrez são as próximas vítimas

Eduardo Militão
Correio Braziliense

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu ao juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, para tomar o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa em duas investigações que há quatro anos apuram irregularidades na estatal.

Na primeira, apura-se se o presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, teve evolução patrimonial incompatível com os rendimentos. Na segunda, se houve superfaturamento em obras do Centro de Pesquisas da petroleira (Cenpes) tocadas pela construtora Andrade Gutierrez ao custo de R$ 154 milhões. No total, o projeto, tocado também por outras empreiteiras, teve o custo elevado de R$ 1 bilhão para R$ 2,5 bilhões.

A promotora Gláucia Santana pediu que o juiz Moro a autorize ir à casa de Paulo Roberto, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para evitar custos com o transporte seguro de um réu preso em casa com tornozeleira eletrônica.

TRANSPETRO E ODEBRECHT

Durante depoimento em colaboração premiada para o Ministério Público Federal na Operação Lava-Jato, o ex-diretor da Petrobras disse que um esquema de corrupção pagou propinas a uma série de políticos. Na 13ª Vara, afirmou que Sérgio Machado fazia parte do esquema pelo PMDB e que, inclusive, havia pago cerca de R$ 500 mil a Paulo Roberto no apartamento do presidente da Transpetro no Rio.

A propina foi motivada porque o ex-diretor ajudou a fechar a contratação de “alguns navios”. Paulo Roberto ainda disse que a Andrade Gutierrez fazia parte de um cartel de empreiteiras que superfaturava licitações na estatal em 3% a fim de financiar os subornos que seriam destinados a partidos e políticos. O contato seria o presidente da empreiteira, Paulo Dalmazzo.

Afinal, quem é o verdadeiro pai do Bolsa Família?

André Carvalho
Brasil Post

O primeiro debate entre os presidenciáveis mirando o segundo turno, realizado na TV Band, encerrou-se com uma indagação: quem é o verdadeiro “pai” do Bolsa Família?

Para a candidata Dilma Rousseff (PT), não há dúvidas: trata-se do ex-presidente Lula. Seu opositor Aécio Neves (PSDB), porém, assegura que não.

“O senhor está fabulando, está criando uma história que não existe”, respondeu a petista ao tucano, quando ele reivindicou a “paternidade” do programa ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que governou o País entre 1995 e 2002, e à ex-primeira dama Ruth Cardoso.

PSDB OU PT?

Para o senador mineiro, o ex-presidente Lula valeu-se do programa Bolsa Escola, implantado no governo federal em 2001 por FHC, para criar o Bolsa Família.

De fato, a lei nº 10.836, que criou o programa que beneficia hoje mais de 50 milhões de brasileiros, vinculou o PNAA (Programa Nacional de Acesso à Alimentação), criado por Lula em 2003, a outros programas instituídos pelo governo anterior, como o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação, o Auxílio-Gás e o cadastramento único do governo federal, unificando-os.

Para Dilma, no entanto, é impossível comparar o Bolsa Escola, um “programa-piloto”, como ela frisou no debate, que atendia apenas cinco milhões de pessoas, com o Bolsa Família, que, além de atingir um número de pessoas dez vezes maior, tem como condicionalidade para o recebimento do benefício não só a frequência escolar das crianças da família – além, claro, da comprovação de pobreza -, mas também obrigações na área de saúde e assistência social.

Porém, mesmo o Bolsa Escola, não foi criado por FHC em 2001, e sim por Cristovam Buarque, atualmente exercendo o cargo de senador pelo PDT.

TRANSFERÊNCIA DE RENDA

http://4.bp.blogspot.com/-t1_gGTn5_E4/TqFmqD4sBOI/AAAAAAAACn4/uU13hKAM_vE/s400/sonhos.bmp

Em 1986, quando era reitor da Universidade de Brasília, Cristovam Buarque, então filiado ao PT, idealizou o programa de transferência de renda, que tinha como novidade uma contrapartida necessária dos beneficiários — no caso a exigência de que jovens e crianças de baixa renda frequentassem a escola regularmente.

O programa seria, posteriormente, implantado pelo próprio parlamentar, em 1995, como governador do Distrito Federal, com o nome de Bolsa-Educação.

No mesmo ano, praticamente na mesma época, José Roberto Magalhães Teixeira (PSDB), prefeito de Campinas, também instituiu o Bolsa Escola como programa de governo, com o nome de Programa de Garantia de Renda Familiar Mínima (PGRFM).

Em âmbito federal, finalmente, seria Fernando Henrique Cardoso, que contou com a participação ativa de sua esposa, a primeira-dama Ruth Cardoso, o responsável pela implementação do Bolsa Escola, em 2001, dentro da rede de proteção social, que consistia na junção de diferentes programas de cunho social.

COMUNIDADE SOLIDÁRIA

Desde o início do governo FHC, em 1995, Ruth Cardoso gerenciava o programa Comunidade Solidária, vinculado à Casa Civil da Presidência da República. As ações focavam o combate à mortalidade infantil, a distribuição emergencial de alimentos e a alimentação escolar e do trabalhador.

Em 2004, com Lula na Presidência, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome passou a administrar o Bolsa Família, que reuniu todos os programas sociais anteriores, alcançando uma parcela maior da população brasileira.

A proposta da unificação dos programas foi feita, ainda em 2002, pelo governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB), que também foi o responsável pela proposta da fórmula de financiamento do programa, com a União sendo responsável por 60% dos custos, os Estados por 30% os municípios por 10%.

Desde 2011, já sob a governança de Dilma Rousseff, o Bolsa Família passou a integrar o Plano Brasil sem Miséria.

Foi assim que aconteceu.

Ascenso Ferreira e sua paixão pela cultura do Nordeste

Ascenso, pioneiro na poesia pelo rádio

O poeta pernambucano Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895-1965), um dos primeiros a difundir a poesia através do rádio, ficou conhecido também por integrar o movimento modernista de 1922 com uma poesia que destacava a temática regional de sua terra.

MARACATU

Ascenso Ferreira

Zabumba de bombos,
Estouro de bombas,
Batuques de ingonos,
Cantigas de banzo,
Rangir de ganzás…

– Luanda, Luanda, onde estás?
Luanda, Luanda, onde estás?

As luas crescentes
De espelhos luzentes,
Colares e pentes,
Queijares e dentes
De maracajás…

– Luanda, Luanda, onde estás?
Luanda, Luanda, onde estás?

A balsa do rio
Cai no corrupio
Faz passo macio,
Mas toma desvio
Que nunca sonhou…

– Luanda, Luanda, onde estou?
Luanda, Luanda, onde estou?

                              (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

 

O sonho acabou e chegou a hora de cortar os gastos públicos

Wagner Pires

Não há mais espaço orçamentário para o governo da gerentona promover “programa anticíclico”, expandindo os gastos públicos, em abandono à política de austeridade fiscal.

Não há mais recursos. O rombo o ano passado no Orçamento da Seguridade Social, por exemplo, foi de R$ 90,1 bilhões. Em 2014, até a metade do ano, isto é, junho, o déficit já estava em R$ 50 bilhões. Quer dizer que tem tudo para ultrapassar os R$ 100 bilhões até o fim do ano.

Dilma e sua equipe relaxaram tanto na política fiscal, para manter os seus 39 ministérios de Ali Babá, que não conseguirão qualquer superávit primário.

O rombo será assustador no fechamento do ano. Sob estas circunstâncias, quem continuará aceitando os papéis da dívida pública deste governo perdulário?!

COMPAREM AS SUBCONTAS

Observem o rombo já em 2013 de R$ 90,1 bilhões e comparem com as subcontas do Seguro Desemprego e do programa do Bolsa Família.

Seguro Desemprego:………..R$ 46,6 bilhões

Bolsa Família:…………………..R$ 24,0 bilhões
———————————————————————

Total…………………………….……R$70,6 bilhões

Ou seja, do rombo de R$ 90,1 bilhões do ano passado, R$ 70,6 bilhões (78,35%) eram relativos a estas duas contas.

Vejam, também, o montante gasto com os benefícios assistenciais, como a Lei Orgânica da Assistência Social e a Remuneração Mensal Vitalícia, que soma R$ 34,3 bilhões!

MENOS MINISTÉRIOS

Para obter recursos e continuar saldando os gastos com tais contas, o governo tem de enxugar o número de ministérios, que hoje é um absurdo – 39 pastas.

Precisa retomar, imediatamente, a austeridade em sua política fiscal, enxugando os gastos correntes da máquina pública administrativa federal. Se não fizer isso, não terá mais como retirar recursos do orçamento fiscal para honrar o orçamento da Seguridade Social.

O pior é que quase a metade dos recursos utilizados no orçamento da União (42,4%) é derivada dos papéis do governo. Ou seja, da dívida pública.

Portanto, é o governo mais irresponsável dos últimos tempos. Capaz de jogar pela latrina abaixo todo o esforço de equilíbrio e retomada do crescimento implementado por Itamar e FHC.

Tribuna da Internet ainda com problema, atacada por hackers

Carlos Newton

Depois de quatro dias fora do ar, devido a um ataque de hackers, a Tribuna da Imprensa chegou a estar de volta, graças aos esforços dos especialistas do servidor UOL, mas o problema permanece, segundo o jurista Jorge Béja, que não conseguiu entrar no blog com www à frente do endereço. No Google, já está normal e a busca sai mesmo no nosso blog.

Não é a primeira vez que este espaço independente é retirado do ar. No início, julgávamos que se tratasse de problemas técnicos causados por excesso de acessos simultâneos, mas agora o próprio servidor UOL constatou a ação dos piratas virtuais.

Por coincidência, o ataque foi iniciado no início da madrugada de quarta-feira (dia 5), pouco depois de o PT ter convocado sua “militância virtual” para combater as manifestações de oposição na internet.

Como sempre, recorremos ao especialista em informática Márcio Lordelo, que conseguiu recuperar o blog e descobriu que ele não era mais acessável se fosse digitado www ou htpp/ antes do título. Os especialistas do UOL passaram então a pesquisar a origem do problema e chegaram à conclusão que teriam de trabalhar no âmbito do próprio servidor. Ou seja, o ataque dos hackers desta vez não foi apenas no blog, mas no servidor, vejam a gravidade da situação.

Continuamos editando o blog todos esses dias, embora a audiência tenha caído de 84 mil para apenas 2 mil acessos diários. É inútil pensarem que vamos desistir. Pelo contrário, os piratas tecnológicos, sejam do PT ou de outras origens, não nos desestimularão.

Podem nos tirar da web quantas vezes quiserem, mas tenham certeza de que logo estaremos de volta, sempre obedecendo à regra de que jornalista tem de estar na oposição, apontando erros para que o governo possa melhorar. Repórter que só faz aplaudir o governo e criticar a oposição deveria mudar de ramo, como recomendava Millôr Fernandes, e ir trabalhar em secos e molhados, porque não é jornalista.

Aproveitem e releiam o artigo de quarta-feira, sobre fraude na eleição (Minas Gerais também teve apuração secreta, por ordem de Toffoli), que acreditamos tenha motivado o ataque de hackers. Bom proveito.

Piada do Ano: Lewandowski defende independência do Supremo

Eduardo Militão
Correio Braziliense

A presidente Dilma Rousseff indicará um novo ministro ao Supremo Tribunal Federal para a vaga deixada por Joaquim Barbosa, que foi o relator do mensalão e contribuiu para que figuras históricas do PT fossem parar na cadeia por corrupção. Com as aposentadorias próximas de Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, nomeados por indicação de José Sarney (1985-1990) e Fernando Collor (1990-1992), Dilma e o ex-presidente Lula acabarão responsáveis por indicar 10 dos 11 ministros da Corte até 2018. Só restaria Gilmar Mendes, que chegou ao posto pelas mãos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro Gilmar Mendes  disse que a possibilidade de uma Corte submissa ao governo é algo que “tem de ser avisado e denunciado”. Assinalou que era importante a Corte não se tornar “bolivariana” para “chancelar o que o governo quer”.

Para Lewandowski, porém, não existe risco. “Não há bolivarianismo”, disse ele em um café com jornalistas. “Não há vinculação com o partido do Palácio do Planalto”, afirmou, acrescentando que “a história do Supremo não tem demonstrado isso”. Disse que o próprio Joaquim Barbosa, algoz dos petistas no mensalão, foi indicado pelo ex-presidente Lula, quee também indicou Cézar Peluso e Carlos Ayres Britto, criticados pelos governistas nas redes sociais por votos duros contra os réus no esquema de pagamento de propinas para compra de apoio político no Congresso.

“O STF se orgulha muito dessa independência enorme que os ministros têm com relação aos presidentes que os indicaram”, disse o presidente do Supremo. “Essa é a história do STF.”

Lewandowski, que foi o revisor do mensalão, costumava ter posições divergentes de Barbosa e votou pela absolvição do ex-ministro do governo Lula José Dirceu no crime de corrupção ativa.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão dá para levar a sério essa entrevista de Lewandowski, que atuou no julgamento do mensalão como uma espécie de advogado de defesa dos réus, que só foram condenados devido à obstinação do então ministro Joaquim Barbosa. Este, sim, é que demonstrou independência em relação ao Executivo. Muitos outros se curvaram à podridão que infecta a Praça dos Três Poderes. (C.N.)

Agora, é guerra total contra os BRICS

Pepe Escobar
Rússia Today

Apertem os cintos, a guerra de informação já desencadeada contra a Rússia deve expandir-se para Brasil, Índia e China.

Brasil, Rússia, Índia e China, como o mundo inteiro sabe, são os quatro principais países do grupo BRICS de potências emergentes, que também inclui a África do Sul e em futuro próximo incorporará também outras nações do Sul Global. Os BRICS perturbam imensamente Washington – e sua Think-Tank-elândia – porque são a corporificação do impulso concertado do Sul Global rumo a um mundo multipolar.

Podem-se apostar garrafas de champanhe crimeano que a resposta dos EUA a esse processo deve ser alguma espécie de guerra total de informação – não muito diferente, em espírito, do “Conhecimento Total de Informação” [orig. Total Information Awareness (TIA)], elemento central da Doutrina da Dominação de Pleno Espectro, do Pentágono. Os BRICS são vistos como importante ameaça –, e conseguir contratorpedeá-los implica dominar toda a grade informacional.

Vladimir Davydov, diretor do Instituto de América Latina da Academia de Ciências da Rússia, acertou o olho do alvo quando observou que “a situação atual mostra que há tentativas para suprimir não só a Rússia, mas também os BRICS, dado que o papel global daquela associação só faz crescer.”

BICHO-PAPÃO

A demonização da Rússia escalou rapidamente nos EUA, das sanções relacionadas à Ucrânia, para Putin o “novo Hitler” e a ressurreição do bicho-papão bem testado ao longo da Guerra Fria, tipo “Os Russos estão chegando”.

No caso do Brasil a guerra de informação já começou antes da reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Assim como Wall Street e suas elites comprador locais faziam de tudo para bombardear o que definem como economia “estatista”, Dilma foi também pessoalmente demonizada.

Passos não inimagináveis para futuro próximo talvez incluam sanções contra a China, por causa de sua posição “agressiva” no Mar do Sul da China, ou Hong Kong, ou Tibet; sanções contra a Índia por causa do Kashmir; sanções contra o Brasil por causa de violações de direitos humanos ou excesso de desflorestamento. Seletos diplomatas indianos, lamentam, off the record, que o primeiro dos BRICS a ser afivelado sob pressão será a Índia.

MAIS COMUNICAÇÃO

Georgy Toloraya, diretor executivo da Comissão Nacional Russa de Pesquisa sobre os BRICS, lembra que hoje, pelo menos, há “mais e mais comunicação acontecendo pelos canais BRICS.”

Os brasileiros, por exemplo, estão particularmente interessados em cooperação de investimentos. O Banco de Desenvolvimento dos BRICS será realidade já em 2015. E uma equipe russa está preparando relatório detalhado sobre perspectivas futuras para cooperação entre os BRICS, para ser discutido em Pequim, em profundidade, durante uma semana, enquanto acontece a reunião de cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico [orig., Asia-Pacific Economic Cooperation, APEC].

Dado que os BRICS são tijolos realmente chaves na construção de um sistema global de relações internacionais e um sistema financeiro mais inclusivos – e não há outros no mercado –, eles que, pelo menos, mantenham-se bem alertas. Se não, cada um deles será abatido, um depois do outro.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

AMANHÃ:
Da guerra de energia à guerra da moeda contra os BRICS

Nas urnas, Uruguai rejeita redução da maioridade penal

Ricardo Urquizas Campello
Estadão

Na semana passada, enquanto os eleitores de Dilma Rousseff comemoravam a reeleição da candidata à presidência da República no Brasil, outro grito emocionado de alívio soava na sede da Comissión Nacional No a la Baja, em Montevidéu, no Uruguai. Após a realização de um plebiscito para decidir sobre a diminuição ou não da maioridade penal de 18 para 16 anos no país, mais de 53% da população uruguaia se posicionou contra a redução.

A proposta de reforma seria aprovada caso a campanha pelo “Sim à redução” obtivesse mais de 50% dos votos. Ela alteraria o artigo 43 da Constituição do Uruguai, prevendo que jovens a partir dos 16 anos fossem julgados como adultos caso cometessem crimes de furto, roubo, extorsão, lesões graves ou gravíssimas, sequestro, estupro, homicídio ou homicídio qualificado. Além disso, propunha que a ficha pregressa de jovens não fosse desconsiderada e passasse a ser levada em conta nos processos penais a que fossem submetidos após completarem 16 anos.

A comissão contrária à medida, composta majoritariamente por jovens apartidários, chamava atenção para a constatação de que o endurecimento das políticas de penalização de jovens não repercute na contenção da violência. Fabiana Goyeneche, Zelmar Lucas e Frederico Barreto foram algumas das vozes do movimento uruguaio “No a la baja”, que levava como símbolo o voo livre do colibri. Já a campanha pela redução foi liderada pelo então candidato à presidência do Partido Colorado, Pedro Bordaberry, filho do ditador uruguaio, Juan María Bordaberry, condenado em 2006, por tortura, sequestro, desaparecimento e assassinato de pessoas durante o seu regime.

A vitória dos uruguaios contrários à intensificação das penalizações contra jovens deve ser celebrada por todos aqueles que não acreditam no cárcere como suposta forma de “reeducação” ou solução de conflitos. Entretanto, ela não significa em absoluto a interrupção do avanço de forças políticas punitivas na América Latina. Em terras brasileiras, a formação de um Congresso composto em grande medida por deputados e senadores representantes da chamada bancada da bala, com propostas de endurecimento de penas que incluem a redução da maioridade penal por aqui, indica que a luta persiste e se deve tomar fôlego para os próximos anos. Atingimos em 2014 a marca de 711 mil pessoas presas. Em 2012, os dados do Departamento Penitenciário Nacional já indicavam que mais da metade da população prisional do Brasil era composta por jovens entre 18 e 29 anos. É a nossa juventude que se encontra atrás das grades.

Ademais, considerando a atual política de atendimento socioeducativo a adolescentes em conflito com a lei, pode-se afirmar que a maioridade penal no Brasil já foi reduzida para 12 anos, idade em que meninas e meninos que praticam atos infracionais são levados às instituições de internação, que nada mais são do que presídios para jovens. As chamadas medidas socioeducativas não passam de eufemismos para a pena propriamente dita. Procedimentos processuais tais como a prisão preventiva de adultos são reproduzidos pelo sistema de atendimento socioeducativo por meio das Unidades de Internação Provisória (UIPs). Denúncias de torturas, maus-tratos, espancamentos e isolamentos nas chamadas “celas de seguro” são frequentes nas unidades de internação.

Ao trancar jovens em instituições espelhadas no modelo prisional, a justiça se apropria não somente de seus corpos, mas também de seus sonhos e perspectivas de transformação da própria realidade social. Considerando que quem habita estas prisões juvenis são infalivelmente os adolescentes pobres e de bairros periféricos, o dito sistema de atendimento socioeducativo inicia o crivo criminalizador da miséria, consolidado pelo sistema penal adulto. Nesse sentido, fixar a idade penal em faixas etárias cada vez menores ratifica a já conhecida seletividade da justiça criminal, ampliando seu alcance para as gerações que se esforçam em florescer. Que o êxito uruguaio fortaleça o combate às prisões para jovens no Brasil e em toda a América Latina. E que voem os colibris!

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG A realidade do Uruguai é completamente distinta da situação do Brasil. A população é muito pequena (menos de 3,5 milhões de habitantes) e a criminalidade juvenil lá não chega a ser dos problemas mais aterradores. Enquanto isso, no Brasil… (C.N.)

Vergonha mundial: Plano de saúde investe mais que o governo

Wanderley Preite Sobrinho
iG São Paulo

Embora sejam suplementares ao sistema público de saúde, os planos médicos no Brasil investem mais no setor do que o governo federal no SUS (Sistema Único de Saúde). Este é o único caso no mundo, segundo estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Por aqui, a parcela do orçamento federal destinada à saúde gira em torno 8,7%, diz o estudo. Esse número é menor do que a média dos países africanos (10,6%) e mundial (11,7%). Mesmo assim, a situação era ainda pior em 2001, quando apenas 4,7% dos gastos públicos eram destinados ao setor.

O relatório da organização chegou à conclusão de que, exceto pelo Brasil, em nenhum lugar em que a saúde pública é universal o sistema privado investe mais. Ele é público e gratuito no Brasil, Argentina, Reino Unido, Suécia, Canadá, Alemanha, França e Cuba. No Reino Unido, cujo modelo inspirou o SUS, 83% do dinheiro investido vêm do Estado. Mas até em países sem o sistema universal o gasto público supera o particular. Na Noruega essa proporção é de 86%, seguida por Luxemburgo (84%), Japão (80%), Turquia (75%), Colômbia (74%) e Uruguai (68%).

QUATRO VEZES MAIS

No Brasil, quando se compara os gastos federais com aqueles efetuados pelos planos de saúde, essa diferença fica evidente: os convênios investem quatro vezes mais do que a verba anual que o Ministério da Saúde destina ao SUS, per capita.

De acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), as operadoras desembolsaram R$ 90,5 bilhões em 2013 com pagamento de internações, consultas e exames de laboratórios para atender um total de 50 milhões de clientes. Este ano, o SUS recebeu da União R$ 91,6 bilhões para chegar a 200 milhões de pacientes.

Embora invista menos que os planos – autorizados para funcionar apenas como auxiliar ao SUS –, o Ministério da Saúde se defende afirmando que os recursos destinados a toda rede pública “mais que triplicaram nos últimos 11 anos”, uma vez que esse montante girava em torno de R$ 27,2 bilhões em 2003. Quando se corrige esse valor pela inflação do período, no entanto, o aumento equivale a 86%.

ATENDIMENTO UNIVERSAL

A maioria dos países opta por não adotar o atendimento universal. Nesse caso, o Estado paga apenas uma parte do que despendem as famílias, normalmente contratantes de planos médicos.

É assim nos Estados Unidos, onde os cidadãos escolhem seus planos por conta própria ou aderem a convênios empresariais. O Estado também prepara programas públicos especiais, como o Medicare, destinado à terceira idade, e o Medicaid, para pessoas de baixa renda. Além desses grupos, só os veteranos das forças armadas têm garantida saúde de graça.

93% REJEITAM O SUS

Presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), o médico Florisval Meinão atribui à falta de investimento público uma das razões para o resultado de uma pesquisa encomendada pela associação ao Datafolha, que em agosto último revelou que 93% da população estão insatisfeitos com o SUS. “O usuário tem essa percepção de que falta dinheiro.”

Diretor executivo da Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), Antônio Carlos Abbatepaolo acredita que o baixo investimento em saúde pública prejudica também o setor privado, que acabaria assumindo atendimento básico, que deveria ser todo ele realizado pelo SUS. “Com mais dinheiro público, os planos participariam em áreas de alta complexidade e atendimento especializado.”

O presidente da APM concorda. Meinão sugere que o SUS aumente os repasses, hoje em R$ 10,1 bilhões, para o programa Saúde da Família – equipes compostas por médicos, enfermeiros e agente de saúde que fazem atendimento preventivo em domicílio. “A atenção primária detecta precocemente doenças, diminui os agravos, emergências e reduz a procura por pronto-socorro e cirurgias reparadoras.”

PLANOS DE BAIXO CUSTO

Para o médico, a União vem incentivando a comercialização de planos de baixo custo para diminuir a necessidade de colocar mais dinheiro no setor. O resultado, diz ele, é que essas operadoras também são mal avaliadas.

“O sistema privado coloca muitos obstáculos para realizar exames de alta complexidade, cobra caro pelos serviços e remunera muito mal os profissionais e hospitais”, diz ele. “Em alguns casos, paga-se tão pouco que o médico prefere não operar.”

Pizzolato X Battisti e o macaco que não olha o rabo

Celso Lungaretti
Blog Náufrago da Utopia

A Folha de S. Paulo informa que, ao rejeitar o pedido brasileiro de extradição de Henrique Pizzolato, condenado pelo Supremo Tribunal Federal como mensaleiro, a Corte de Apelação de Bolonha se ateve a um único e primordial motivo: a falta de segurança em nossas prisões.

A defesa do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, que autorizou o repasse de R$ R$ 73,8 milhões da instituição para o esquema criminoso de Marcos Valério e recebeu R$ 336 mil como sua parte do butim, alegou que a morte recente de dois prisioneiros na penitenciária da Papuda evidenciava os riscos que Pizzolato correria, tanto nela quanto nos dois outros presídios que o governo brasileiro indicou como locais de sua detenção caso a extradição fosse concedida.

A decisão da corte italiana fala em “fenômeno alarmante da falta de segurança e de ordem nas penitenciárias brasileiras”, cujas condições “não respeitam os direitos fundamentais da pessoa humana”.

BELA LIÇÃO

Os magistrados italianos nos deram uma bela lição de direitos humanos, ao consideraram que os riscos corridos pelo extraditando constituem razão mais do que suficiente para negar-se a extradição. País que se preza não entrega ninguém para ser morto ou barbarizado.

Nos julgamentos do escritor Cesare Battisti, isto não foi minimamente levado em conta por Gilmar Mendes e Cezar Pelluzo, que eram, respectivamente, o presidente do Supremo Tribunal Federal e o relator do processo. Se dependesse deles, os direitos humanos valeriam tanto quanto os direitos das hortaliças…

Foi totalmente ignorada a dramática carta de Patrizio Gonnella, presidente de uma das principais entidades de defesa dos DH da Itália (a Antígone), que em novembro de 2009 atestou a situação terrível dos presídios italianos, a ponto de lembrarem campos de extermínio, pois somente naquele ano suicidaram-se 62 prisioneiros, antigos militantes da ultraesquerda, por não suportarem os rigores a que eram submetidos nas seções especiais de isolamento (o RDD de lá…).

PRISÕES NA ITÁLIA

Eis alguns trechos da carta:

“As condições de vida nas prisões italianas nunca foram tão ruins como são agora. A superlotação priva os prisioneiros de toda dignidade e coloca suas vidas no limite.

Mais de 60 detentos cometeram suicídio durante 2009, um número nunca visto antes. Muitas pessoas têm morrido em circunstâncias que ainda não foram investigadas, dentre as quais estão a violência e a falta de cuidados médicos”.

DIREITOS HUMANOS

O regime prisional regido pelo artigo 41 bis da Lei Penitenciária Italiana é tristemente conhecido por ter sido várias vezes criticado pela Corte Européia dos Direitos Humanos.

As sentenças de prisão perpétua são quase sempre cumpridas integralmente, apesar de a Constituição Italiana dizer que as sentenças devem servir para a reintegração social”.

Resumo da opereta: em termos de respeito aos direitos humanos nas decisões judiciais, o placar moral foi Corte de Bolonha 7×1 STF.

Faltou apenas aos togados peninsulares um mínimo de autocrítica quanto às próprias mazelas – e não só as do passado, pois a Anistia Internacional amiúde denuncia as arbitrariedades cometidas contra imigrantes ilegais e o dantesco descaso com relação à vida de refugiados.

Como não fizeram tal ressalva, podemos dar o troco atirando-lhes na cara a velha pérola da sabedoria popular: “Macaco, olha o teu rabo!”.

Não tem nada fácil, não

Carla Kreefft

Governabilidade não é coisa fácil, não. A presidente Dilma Rousseff começa a sentir as consequências de uma eleição extremamente polarizada e, especialmente, marcada por troca de acusações. A possibilidade de negociação, até mesmo com a base aliada, está mais difícil. Diálogo com a oposição, neste momento, parece coisa impossível.

Além da intensificação da polarização, o resultado eleitoral também contribui para a dificuldade. O senador tucano Aécio Neves, candidato derrotado no segundo turno, teve 48% dos votos válidos – percentual que a oposição ainda não tinha obtido. Essa votação expressiva o habilita a encarnar a oposição, certamente. E, considerando aquilo que o senador já disse, ele está disposto mesmo a fazer uma oposição sistemática, que foi exatamente o que o PSDB não fez em nenhum mandato do PT. Em outras palavras, o PSDB somente tem incorporado a função de oposição efetiva em período pré-eleitoral. Foi isso, inclusive, o que aconteceu neste ano.

Com essa nova situação, pode ser que o PSDB mude sua postura e passe a fazer uma “marcação mais dura e cerrada” sobre o PT. Se assim fizer, Dilma Rousseff ainda deverá ter muitas dores de cabeça. Esse convite que ela tem feito – ainda que meio envergonhado – para o diálogo é um sinal de que ela reconhece todas as dificuldades e está disposta a privilegiar o governo. Não gratuitamente, ontem, a presidente disse que não representa seu partido. “Represento a Presidência”, disse ela durante entrevista.

NEM É PETISTA…

Na verdade, Dilma Rousseff nunca foi uma petista de carteirinha – se é que ainda existe isso. Ela chegou ao partido depois de passar pelo PDT, sigla em que realmente criou uma identificação. Descolar do petismo neste momento pode ser uma estratégia inteligente para ela e para o governo, mas também terá um preço. Foi esse PT que carregou a campanha vitoriosa da presidente. Foi o partido que saiu às ruas para combater o antipetismo e defender Dilma. Assim, criar uma briga interna à legenda pode não ser mesmo a coisa mais adequada, especialmente para quem ainda tem pretensões políticas.

A presidente terá que ter muito jogo de cintura para governar sem transformar seu partido em um obstáculo e, ao mesmo tempo, sem alimentar as críticas da oposição, que já parece faminta. É um enorme desafio o colocado para ela. Talvez seja o tempo de Dilma ter mais humildade e admitir que ela chegou à Presidência pelas mãos de Luiz Inácio Lula da Silva e do PT e com eles é preciso governar. Afinal, governar para todos é uma coisa e governar com todos é outra.

O país precisa de conciliação e unidade, mas os partidos e o sistema político precisam das divergências. É assim a democracia. É difícil? É sim, mas não foi para isso que ela foi eleita? (transcrito de O Tempo)

PT decide enfrentar Eduardo Cunha pela presidência da Câmara

De cabelo implantado, Cunha é uma espécie de Renan da Câmara

Iolando Lourenço
Agência Brasil 

A bancada do PT na Câmara decidiu hoje (6), durante reunião, que terá candidato à presidência da Câmara para as eleições que ocorrerão no início de fevereiro do ano que vem. O líder da bancada, deputado Vicentinho (SP), disse que os deputados do partido se reuniram para uma avaliação sobre a composição da Mesa Diretora da Câmara, quando, por unanimidade, aprovaram que o partido disputará à eleição para a presidência da Casa.

“Nós teremos um nome para submeter ao plenário para disputar a presidência da Câmara. Para isso, vamos ter um diálogo com todos os partidos, começando pelos da base, os independentes e da oposição, de maneira que a Casa seja bem representada, com independência, sem se situação ou oposição, mas com o papel que cabe ao Parlamento”, disse.

Segundo Vicentinho, na reunião também foi definida uma comissão, que vai dialogar com todos os partidos sobre a sucessão na Câmara. Integram a comissão, os ex-presidentes da Câmara Marco Maia (RS), Arlindo Chinaglia (SP), o próprio líder e os deputados Geraldo Magela (DF) e José Guimarães (CE), que integram a Executiva Nacional do PT.

CUNHA É DE OPOSIÇÃO?

Perguntado se a comissão vai procurar o deputado Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB, e que tem feito movimentos para ser candidato à presidência da Câmara, Vicentinho desconversou, disse que o PT e o PMDB são partidos do governo e fez uma avaliação sobre a disputa. “Nós jamais vamos concordar com qualquer candidatura que signifique postura de oposição. Como é que vamos ter uma candidatura que tem atitudes contrárias às orientações partidárias, atitudes individuais. Nós aqui somos coletivos”.

O líder petista informou, ainda, que durante o encontro os deputados também fizeram uma avaliação geral sobre várias questões da relação que o partido quer ter. Ele informou que no dia 3 de dezembro ocorrerá um seminário da bancada com alguns ministros para continuarem dialogando sobre o que os deputados pensam.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGOs deputados mais prestigiados são Arlindo Chinaglia e Marco Maia. Os outros dois, Geraldo Magela e José Guimarães, não têm o menor prestígio. Aliás, Guimarães tem prestígio negativo. Além de ser irmão de José Genoino, há alguns anos um assessor seu foi preso no aeroporto com uma mala de dinheiro e a cueca cheia de dólares. Não é preciso dizer mais nada. (C.N.)

Clima péssimo em Brasília. Então, é hora do “Disque Lula”

Lula Telefone dilma fantasmas do passado b

Fernando Rodrigues
Folha

Está péssimo o clima político em Brasília. Uma dezena de partidos disputa um naco do próximo governo da presidente reeleita. Os 39 ministérios serão insuficientes para aplacar os ânimos. Pelo menos 20 ministros serão demitidos e vão ruminar suas mágoas no time de políticos derrotados.

São exíguas as chances de Dilma Rousseff injetar entusiasmo na sua tropa no Congresso nos próximos dias. A saída para a presidente está mais na economia do que na política. Aí está a importância da escolha do novo ministro da Fazenda.

Se a petista conseguir encontrar um nome que traga tranquilidade e boas perspectivas para a retomada do crescimento do país, o ambiente pode melhorar com rapidez. De outra forma, vários problemas políticos ficarão maiores do que já são.

PRINCIPAIS DESAFIOS

Há dois desafios principais no Congresso nos próximos meses. Primeiro, a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado. Segundo, o início formal dos processos contra congressistas acusados de envolvimentos no escândalo da Petrobras, revelado pela Operação Lava Jato.

Tudo poderá ser mitigado se 2015 começar com bom vigor na economia –algo que ninguém mais acredita. Mas um nome correto na Fazenda ajudaria a conter o pessimismo.

Escândalos de corrupção só fragilizam um presidente de fato se vêm acompanhados de baixo crescimento do país. Foi assim com Fernando Collor, em 1992. Já em 1994 (quando o efeito do caso dos anões do Orçamento ainda arrasava o Congresso), o então presidente Itamar Franco lançou o Plano Real e elegeu Fernando Henrique Cardoso.

O problema de Dilma é encontrar a fórmula mágica para equilibrar as contas do país em pouquíssimo tempo. Só assim minimizará o impacto dos solavancos políticos. Talvez por essa razão a petista tenha seguido sua receita mais conhecida nessas horas. Por isso, esta semana ela se reuniu com seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva.

 

O amor não tem pressa, segundo Chico Buarque

 

O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, na letra de “Futuros amantes”, fala do amor adiado, que não tem pressa para ser consumado e consumido, do amor maduro, longe das urgências do amor juvenil. Mas fala também, de viés, da paciência como necessidade para os acontecimentos da vida. A música foi gravada por Chico Buarque no LP Paratodos, em 1993, pela RCA/BMG.

FUTUROS AMANTES
Chico Buarque

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)