Confirmada a fraude da OIT no tratado internacional que tenta dar independência às nações indígenas

Reginaldo Oliveira

Acabei de ir às fontes para verificar a informação. No sítio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, a tradução disponível em português da Convenção 169 realmente utiliza, no artigo 7º, a expressão “na maior medida possível”. Isto pode ser conferido aqui:

http://www.oitbrasil.org.br/sites/default/files/topic/gender/pub/convencao%20169%20portugues_web_292.pdf

Por outro lado, na versão oficial do Decreto 5051/2004, o texto traz a versão “na medida do possível” em seu artigo 7º, concordando, portanto com o articulista Celso Serra e com o próprio texto oficial em espanhol da Organização

(http://www.ilo.org/dyn/normlex/en/f?p=1000:12100:0::NO::P12100_INSTRUMENT_ID,P12100_LANG_CODE:312314,es:NO)

Para quem quiser verificar o texto oficial do Decreto, basta acessar a página http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5051.htm

Em resumo: há má-fé dessa turma do movimento indigenista. Eles não jogam limpo.

Genoino aluga casa de 450 m² para curtir a prisão domiciliar em Brasília

Guilherme Almeida

Enquanto os companheiros fazem “vaquinha” para pagar a multa determinada pelo Supremo, o ex-deputado federal José Genoino aluga “casão” de 450 m2 para “curtir” a prisão domiciliar em Brasília.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,genoino-aluga-casa-para-cumprir-prisao-domiciliar-em-brasilia,1119018,0.htm

Se você fez alguma doação, não deixe de pegar os seu diploma de TROUXA no site

http://vindodospampas.blogspot.com.br/2014/01/site-que-arrecada-fundos-para-ze.html

Representantes de ministérios tentam acordo impossível entre índios tenharins e moradores de Humaitá

Ivan Richard
Agência Brasil

Humaitá – Representantes dos ministérios do Meio Ambiente, da Justiça, do Desenvolvimento Agrário e do Desenvolvimento Social estiveram na Terra Indígena Tenharim Marmelos, a cerca de 150 quilômetros do município de Humaitá, no sul do estado do Amazonas.

A equipe desembarcou na região do conflito entre os índios tenharins e a população de Humaitá,para tentar uma solução para os conflitos e, principalmente, para que os índios não voltem a cobrar pedágio na BR-230 (Transamazônica), que corta a reserva.

Há quase um mês, os índios tenharins estão isolados nas aldeias. Impedidos de cobrar o pedágio e impossibilitados de se deslocar até a cidade, estão dependentes da assistência do governo federal. A Fundação Nacional do Índio (Funai) tem distribuído cestas básicas e medicamentos.

Moradores da cidade acusam os índios de terem sequestrado três homens, em 16 de dezembro, em represália à morte do cacique Ivan Tenharim, no início do mês passado. Uma nota do então coordenador da regional da Funai, Ivã Bocchini, levantou a suspeita de que o líder tenharim teria sido assassinado. A polícia apontou a causa da morte como acidente de moto. Na sexta-feira (10), Bocchini foi exonerado do cargo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo diz o samba de Luiz Reis e Haroldo Barbosa, a notícia carece de exatidão. Não há a menor possibilidade de conciliação. Os índios se consideram proprietários da rodovia Transamazônica e anunciam recomeçarão a cobrar pedágio no dia 4. Já a população de Humaitá exige que os sequestradores e assassinos dos três homens que trafegavam na estrada seja presos e punidos, o que é mais do que justo. Portanto, a conciliação é impossível. (C.N.)

Manuais dizem pouco

03
Tostão
O Tempo

Na festa da Fifa, Amarildo, espontaneamente, quebrou o protocolo ao fazer um longo discurso com críticas à violência em nossos estádios. A maioria dos presentes riu e viu no campeão mundial de 1962 somente um idoso engraçado. Melhor ainda seria se ele chutasse o balde, exercesse o direito da idade, o de não ter medo de parecer ridículo, e criticasse o excessivo poder da Fifa sobre os países anfitriões da Copa, os enormes gastos de dinheiro público com o Mundial e a construção de alguns elefantes brancos.

Como o esperado, Cristiano Ronaldo ganhou o prêmio de melhor de 2013, mas Messi continua sendo o melhor do mundo na minha opinião. A força dos grandes talentos, dos grandes profissionais, vem de suas derrotas. O grande talento de Cristiano Ronaldo parece um manual sobre como ser um craque. Tudo ele faz muito bem. Já o talento de Messi não pode ser tão bem mensurado e entendido. Temos de vê-lo com os olhos e com a imaginação.

No sábado, vi, pela TV o empate em 0 a 0 entre Atlético de Madri e Barcelona. A partida parecia também um manual sobre detalhes táticos e sobre como marcar bem o time catalão. O Atlético de Madri alternou a marcação por pressão, o que dificultou muito a troca de passes do Barça, da defesa para o ataque, com a marcação mais recuada, com todos os jogadores em seu campo, formando três rígidas linhas, com pouco espaço entre elas. Havia uma linha de dois atacantes, outra de quatro armadores e mais uma de quatro defensores, próximos à grande área.

Como o Barcelona finalizou pouco de longa distância, raramente cruzou a bola para a área e não encontrou espaços nas costas dos zagueiros para alguém se infiltrar e receber a bola dentro da área, como costuma fazer, criou poucas chances de gol. A ausência de boas jogadas pelo alto é uma deficiência do Barça.

Uma das qualidades da equipe, na época de Guardiola, era a recuperação da bola perto do outro gol. Hoje, com o argentino Tata Martino, isso acontece muito menos. Por outro lado, o Barcelona não adianta tanto a marcação, como fazia, deixa menos espaço na defesa para os contra-ataques.

Os bons técnicos conhecem todas as informações essenciais e todas as estratégias de jogo. Aprendem nos manuais, nos cursos, na web e na prática. Já a capacidade de observar os detalhes, subjetivos e objetivos, de escolher o tipo de estratégia para o momento e a qualidade para comandar a execução do que foi planejado, não se aprende nos manuais. Esses dizem pouco. Não contam o essencial.

NOVOS PLANOS

A permanência de Ronaldinho é, tecnicamente, importantíssima para o Atlético. Ronaldinho está fora da Copa, mas ainda é decisivo para o time. O volante Elias seria um ótimo reforço. A principal deficiência do time é não ter um volante mais hábil, com mais mobilidade, que marque e avance, como está se tornando comum nas grandes equipes. Os volantes do Galo são só ótimos marcadores.

O Cruzeiro contratou alguns jogadores, mas nenhum reforço. Todos vão disputar uma posição de titular. Se o Cruzeiro mantiver o time do ano passado, ficará ainda mais forte em relação aos concorrentes, já que houve uma diminuição da qualidade da maioria das outras equipes fora de Minas Gerais.

Rolê da mercadoria

Gilberto Maringoni

A truculência dos donos de shoppings centers contra os rolezinhos de jovens pobres acaba por mostrar os limites da propalada “inclusão social” da última década e a empulhação do conceito de “nova classe média”.

Há uma expansão desenfreada de shoppings – 38 a mais em todo o país, em 2013 – mas nenhuma expansão dos direitos de cidadania.

Com a redução e a precarização do espaço público urbano – ruas mais perigosas, serviços cada vez mais privatizados etc. – produziu-se uma realidade virtual. A de que os shoppings – com suas áreas de alimentação, vitrines reluzentes, formas arquitetônicas pretensamente modernosas, segurança e asseio, – teriam tudo o que falta nas ruas, parques e praças. Uma espécie de espaço público mais eficiente, exatamente por não ser público.

Tudo está à mão, tudo é facilitado, tudo em dez vezes sem juros. Mas o “espaço público” dos shoppings é virtual. Não é para encontros, combinações, lazer ou beijar na boca.

Só é quando encontros, combinações, lazer ou beijar na boca são para se fazer compras.

Shopping faz inclusão no cadastro, no crediário e no mailing. Não faz inclusão social. Rolezinho de jovens pretos, pobres e periféricos não pode.  Shopping é lugar de rolê da mercadoria.

(artigo enviado por Mário Assis)

 

O sal da terra, na visão genial de Ronaldo Bastos e Beto Guedes

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Beto Guedes, sempre na estrada, fazendo shows

Em parceria com Beto Guedes, o jornalista, produtor musical e compositor Ronaldo Bastos Ribeiro, nascido em Niterói (RJ), primeiramente mostra que a música tem como título uma passagem bíblica, quando Jesus diz aos homens vós sois o “Sal da Terra”, ou seja, aquilo que dá sentido, sabor ao mundo. A letra reconhece a ganância humana e a necessidade de se banir a opressão e de se resgatar o amor.

Neste sentido, a letra retrata um mundo que pede socorro, pois está sendo mal tratado pela má administração do homem. É um chamado para melhorar o mundo. Logo, precisamos acatar as palavras do autor: “vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois”. O que precisamos fazer para mudar a situação, é conscientizar todo mundo de que a natureza é a nossa casa, nossa mãe, se ela morrer, morreremos com ela. A música foi gravada por Beto Guedes no LP Contos da Lua Vaga, em 1981, pela EMI-Odeon.

O SAL DA TERRA
Beto Guedes e Ronaldo Bastos
Anda,
quero te dizer nenhum segredo,
falo neste chão da nossa casa.
Vem que tá na hora de arrumar.Tempo,
quero viver mais duzentos anos,
quero não ferir meu semelhante
nem quero me ferir.

Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão,
para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor.

A felicidade mora ao lado
e quem não é tolo pode ver.
A paz na Terra amor,
o pé na terra,
a paz na terra amor
o sal da Terra.

És o mais bonito dos planetas
tão te maltratando por dinheiro,
tu que és a nave, nossa irmã.

Canta,
leva tua vida em harmonia
e nos alimenta com seus frutos,
tu que és do homem a maçã.

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois,
pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão.

É criar um Paraíso agora
para merecer quem vem depois.

Deixa nascer o amor,
deixa fluir o amor.
Deixa crescer o amor,
deixa viver o amor.
O sal da Terra.


(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Não há um ideário de nação independente

Humberto Guedes

Não costumo fazer de quadrado círculo, mesmo porque nenhum deles exista no mundo real; arredondamentos, eufemismos servem bem a visão do mundo.

Mas soa-me ingênuo não enxergar que, muito além das questões indígenas, a partir dos (pós) doutos ou MBAistas, sempre, de dentro de gabinetes refrigerados, de cabeças feitas principalmente pelos modelos estrategistas rentabilistas, não temos mais que influências divorciadas com nossas necessidades e realidades culturais.

Um olhar minimamente desapegado aos simbolismos componentes do ideário de nação independente, somente com sentido em contexto neocolonial, resta manifesto que não somos governados para os interesses dos brasileiros em geral.

Mais, facilmente constata-se o beneplácito aos plutocleptocratas de todas as procedências do planeta, de modo que não se pode em sã consciência descartar a evidência de integrarmos um amontoado de gente acabrestada a produzir riqueza para maganos locais e potentados estrangeiros ou estrangeirados, e que tudo não passa de uma republiqueta feitoral.

ALÉM-FRONTEIRAS

Assim, o tradicional despotismo racionalista, o calculismo de prancheta, tecnoburocracia esquizoide, tudo feito na distância do calor da realidade dos fatos, até questões como ensino, passam por um desenho tracejado além-fronteiras, senão, ao menos, segundo modelos teóricos desenvolvidos nos padrões alienígenas.

Desta sorte, autonomia nacional de indígenas, privatizações a qualquer preço, ecologismo xiita idiótico, massificação e elitização econômica da Justiça, um Estado contra o cidadão, mas pró-corporações, a começar por suas análogas estruturas formadas pelos estamentos que o vivificam, voto eletrônico, voto facultativo, e mais uma miríade de estratégias das mais diversas cepas, concorrem direta ou indiretamente ao tão velho como a vida princípio do “divide e impera” e assegura eficácia a governos a serviço de interesses de uma minoria minoritária mínima e seus sabujos e agregados, ressalvado o pão e o vinho (drogas lícitas e ilícitas) para as massas se entorpecerem.

Saudações libertárias, mas desiludidas e desesperançadas.

Brasil e México

Delfim Netto
Folha

Se tomarmos o septênio 2007-13, em que se iniciou a grande recessão mundial, as performances das economias brasileira e mexicana diferem, mas não se pode afirmar qual é a melhor: 1) crescimento anual do PIB: Brasil 3,5% e México 2,0%; 2) inflação anual: Brasil 5,3% e México 4,3% e 3) deficit em conta-corrente: Brasil 2% e México 1%.

A situação é mais perturbadora quando olhamos as “expectativas” dos agentes econômicos no curto prazo (2014-15). Esperam um aumento médio do PIB no Brasil de 2% ao ano (estável) e de 3,6% no México (crescendo) e uma taxa de inflação média no Brasil de 5,5% e de pouco mais de 3,5% no México. Mais do que isso: a agência de rating Standard & Poor´s promoveu o México em dezembro e agora sugere que poderá rebaixar o Brasil.

De onde vem tanta incerteza e pessimismo? Talvez do lado político. O México elegeu em julho de 2012 o presidente Enrique Peña Nieto, que deixou claro a que veio. Elegeremos nosso presidente em outubro de 2014. Hoje o mais provável vencedor é Dilma Rousseff. O problema é que o governo enfrenta sérias desconfianças do setor empresarial, que não se sente confortável com o excessivo ativismo gerencial manifestado até aqui. Ninguém sabe se um segundo mandato será uma aposta dobrada no que não funcionou satisfatoriamente, ou se haverá uma correção de rumo.

“PACTO DO MÉXICO”

No México, depois de 70 anos da chamada “ditadura perfeita” do Partido Revolucionário Institucional (PRI), dez anos de democracia foram insuficientes para corrigir seus erros. O PRI voltou ao poder em 2012 pelas mãos de Peña Nieto. No dia da posse ele assinou, junto com seus principais adversários, o “Pacto do México”, para aprovar no Congresso uma revolução econômica e social nas telecomunicações, na educação, energia e finanças, cuja essência é dar maior liberdade à iniciativa privada, insistir na necessidade de competição e reduzir o poder dos oligopólios construídos legalmente ao longo dos intermináveis 70 anos.

O programa tem sido muito bem-sucedido: o Congresso quebrou a castanha do retrógrado sindicato dos professores, ampliou a concorrência nas telecomunicações e estabeleceu a competição no setor de energia.

Há uma lição na experiência mexicana que deveríamos introjetar: todo oligopólio legalmente protegido, como é o nosso setor de comunicações, torna-se preguiçoso no desenvolvimento tecnológico e contenta-se em explorar o consumidor indefeso. Forçar, por exemplo, como sugerem os interessados, a venda da TIM para os atuais operadores (com mais dinheiro do governo) seria um erro trágico, pelo qual pagaríamos em alguns anos. Como se viu no México, as consequências vêm sempre depois…

Somos um país racista ou não?

Francisco Bendl

O Brasil oferece oportunidades iguais a brancos e negros? Tem razão o nosso Carlos de Jesus em acusar os brancos e o Brasil de racista, na atual conjuntura?

A carência de líderes negros e brancos é uma realidade. Lula, que chegou perto de ser uma exceção, deixou de sê-lo porque se mostrou frágil diante das tentações do poder e sucumbiu a elas, apesar de ser uma máquina de votos para incultos e incautos.

Entre os negros, é de se admirar que mesmo entre eles Joaquim Barbosa seja severamente criticado pela sua atuação no mensalão. Então, brancos e negros brasileiros estão sem um legítimo e autêntico comandante, um líder verdadeiro, que unisse todas as etnias desta grande nação. E não é somente no Brasil, não.

Se nesta terra os negros de sucesso não se importam com seus pares, não se unem em prol de melhorias de vida, de escolas, trabalho, aperfeiçoamento, técnicos, o branco não se difere desta omissão e descaso para com a população. Não há quem não aplauda os jogadores de futebol, os bons, claro, negros e brancos. mas sabemos de seus envolvimentos nas questões sociais?

OMISSÃO TOTAL

Não há quem não admire os atores da TV e do cinema nacionais. Excetuando demonstrarem suas simpatias políticas, por acaso participam de programas sociais ou pressionam os parlamentares a agirem diferente com relação à corrupção?

Temos excelentes jornalistas negros e brancos. AlgUém se preocupa com a situação do povo? E marca a sua trajetória profissional em defesa de avanços sociais neste particular?
Existem pastores, padres, religiosos, negros e brancos. Eles conseguem unir seus fiéis em prol de uma vida comunitária mais coesa, solidária e interessada neles mesmos?

Nas prisões brasileiras, o mal do momento, a escancarada irresponsabilidade dos governos estaduais e federal neste aspecto, quem estão detidos? Negros e brancos que estão sendo mortos por bandos rivais na busca do poder interno dos presídios, além da superlotação, péssimas condições e total insegurança para os presos e seus familiares. Surgiu algum movimento social de negros ou brancos ou de ambos que protestassem contra esse criminoso descaso dos governos citados acima?

POUCO SE IMPORTANDO

Ora, então estamos diante de brancos e negros omissos negligentes com a população brasileira e pouco se importando com o País! A verdade é que negros e brancos hoje só pensam em si, em suas próprias vidas, em subsistirem às dificuldades de cada dia. Não há tempo para movimentos sociais; não há ânimo para se lutar pela comunidade; não se vislumbra alguma vitória pela forma como o Brasil vem sendo governado, pois em completa e absoluta rendição à ideologia retrógrada do poder central e a maneira incisiva e abominável que estendeu o bolsa família para milhões de pessoas e condenou-as à miséria e ignorância, apenas pedintes à espera da esmola mensal, eternos dependentes das benesses do governo em troca de votos, brancos e negros neste quadro patético de mãos estendidas a cada trinta dias.

Talvez haja racismo nas classes mais abastadas brasileiras, e acredito que assim seja, desgraçadamente. No entanto, brancos e negros e na sua maioria, vivem hoje os mesmos problemas, as mesmas carências, deficiências, descaso, desprezo, omissões e irresponsabilidades de nossas autoridades constituídas, tanto civís, militares quanto eclesiásticas.

Inegavelmente faltam-nos líderes, brancos e negros. Porém, a nossa maior ausência é a falta de patriotismo de nossos políticos e parlamentares, negros e brancos, que desfraldassem a bandeira da igualdade, fraternidade e liberdade, um sonho ainda por se concretizar!

Hoje, completam-se 95 anos do brutal assassinato de Rosa Luxemburgo

Augusto Buonicore
Hoje, 15 de janeiro, completam-se 95 anos do brutal assassinato da comunista polonesa Rosa Luxemburgo. Ela foi uma combatente de primeira hora contra o revisionismo teórico que irrompeu no interior da social-democracia alemã. Condenou duramente o oportunismo de direita que ganhava corpo nas direções dos sindicatos alemães, e defendeu a experiência da revolução russa de 1905, especialmente o uso da greve geral como instrumento importante na luta revolucionária.
Quando se iniciou a Primeira Grande Guerra Mundial e ocorreu a traição da maioria dos dirigentes da II Internacional, Rosa se colocou ao lado de Lênin contra a guerra imperialista e na defesa da revolução socialista. Foi fundadora do grupo spartakista que daria origem ao Partido Comunista da Alemanha. Após sua trágica morte, Lênin fez uma pungente homenagem à águia polonesa, heroína do proletariado mundial, no discurso de abertura do congresso de fundação da III Internacional. Se interessar leia o artigo no link abaixo.

(texto enviado por Sergio Caldieri)

Entre as micro e as macro soluções para a sociedade

João Batista Libânio

A sociedade atual vive doloroso paradoxo. Tem desenvolvido altíssima tecnologia para plasmar pequenos objetos. A nanotecnologia nos fascina. Cada vez os celulares conseguem unir em pequeno aparelho tão enorme quantidade de ofertas que escapam ao uso normal. A internet oferece bilhões de sites que uma vida não consegue frequentar. Os automóveis se sofisticam cada vez mais com recursos eletrônicos. Admiramos a inteligência humana na capacidade de inventar e produzir maravilhas no campo da eletrônica, da biotecnologia.

No lado oposto, cria-se verdadeiro inferno e arrisca-se grandemente o futuro da humanidade, quando se pensa nas dimensões do macro. Basta mero olhar para o mapa do Brasil para ver a loucura do tipo de ocupação territorial que estamos a desenvolver, concentrando dezenas de milhões de pessoas em espaços reduzidos com terríveis consequências sociais.

As mobilizações de junho de 2013, que movimentaram alguns milhões, sobretudo jovens, denunciavam o “inferno urbano”. Cada carro exibe alta tecnologia, fruto de inteligência criativa. A cidade no conjunto revela atrasos incompreensíveis, de burrice astronômica. A mesma inteligência que equipou o automóvel de recursos tecnológicos avançados não consegue pensar outra maneira de morar, organizar, mover-se na cidade. Congestionamentos, filas intermináveis, horas paradas no trânsito fazem parte do dia a dia.

O FIM DO VERDE

A indústria de construção devora os espaços verdes, sobe com edifícios altos, concentrando pequenas cidades em único prédio. Cantilena antiga repete que o gigante geográfico brasileiro ainda dorme sem reforma agrária, entregue às mineradoras e à agroindústria, que aumentam o fluxo de pessoas para as cidades já super-habitadas.

Já era tempo de inverter a orientação do pensar. Em vez de acelerar o micro, voltar-se para o macro, a fim de planejar a sociedade das próximas décadas. Moradia, educação, saúde, transporte público, alimentação sadia na dimensão macro desafiam a criatividade humana do futuro. As soluções imediatas enganam-nos, como remendos nunca fazem veste nova.

As micromudanças fascinam e ganham mais votos. Por isso, os políticos investem nelas, deixando atrás de si rastros de graves problemas. Para quem? Para todos nós. O futuro depende das macrossoluções. A humanidade atingiu já 7 bilhões de habitantes e aí já não funcionam soluções estilo celular bem-equipado. O volume dos transtornos diários por causa das demandas das multidões não se soluciona com miradas para a própria esquina.

Cabe apostar em projetos a longo prazo e de alcance que visem a construir amanhã melhor para toda a sociedade, especialmente para os que padecem à margem das benesses sociais. Não se trata de tarefa fácil. Os poderes do dinheiro por causa da ganância imediata obstruem os planos de maior envergadura. Haja vista a questão do metrô em Belo Horizonte, cujo mover-se se torna cada dia mais trágico. Haja inteligência para construir o futuro, e não só se prender ao presente! (transcrito de O Tempo)

Estamos no país das maquiagens financeiras

Carlos Newton

A maquiagem econômica virou moda, já faz algum tempo. Na Grécia em crise, o governo fez um verdadeiro festival. Aqui no Brasil, a maquiagem pode ser pública ou privada. Chegou ao ápice nas empresas de Eike Batista, que nada produziam, mas fizeram furor na Bolsa de Valores, demonstrando que está mais do que correta a velha teoria dos irmãos Barney, grandes empresários do circo nos Estados Unidos, que costumavam proclamar: “A cada 30 segundos nasce um otário”.

Aqui no Brasil, claro, as autoridades econômicas logo decidiram aderir a essa curiosa prática. Este ano, foi um sucesso a maquiagem à moda Mantega, carregada nas falsas exportações da Petrobras e na contabilização do lance do leilão do Campo de Libra, com a Petrobras entrando de novo com mais R$ 6 bilhões para garantir o make up financeiro.

Agora, surge a maquiagem das contas da Caixa Econômica Federal, que considerou  como “lucro” as contas de milhares de poupanças que estavam inativas. Tudo o que a Caixa fez foi totalmente irregular, e a nota oficial emitida é um primor de desfaçatez. Ah, Brasil! E ainda há quem se espante com essas jogadas…

À tripa-forra.

Jacques Gruman

É inegável que os inúmeros arquivos de imagens, sobretudo o gigantesco acervo das televisões, tornaram a memória humana totalmente obsoleta. A garotada não se interessa mais por recordações – só quer replays (Millôr Fernandes)

Lá vinha a carrocinha amarela. No gelo seco, como é que fumaça podia ser gelada?, ja-jás, ka-lus, ton-bons, chicabons. Em cima, ao alcance do olho e, principalmente, do bolso, caixas de pirulitos “com vitamina C” e kibambas. Às vezes, as moedinhas acumuladas a duras penas davam para matar o desejo. A glória de rasgar a embalagem daqueles chocolatinhos era bissexta. Vida dura. A regra era a escassez, olho arregalado e aflito, sonho de, adulto, empurrar a fábrica ambulante que aguçava sentidos e se empanturrar com os frutos proibidos, cor de cacau. Um dia, quem sabe ?

E o dia chegou. Não mais com as carrocinhas, mas nas prateleiras dos supermercados. Ah, barras inteiras ao alcance da gula reprimida. Foi aí que experimentou um velho dilema existencial: acesso fácil e irrestrito pode conviver com a fantasia, o desejo, o mistério, a criação, a volúpia do desconhecido ? Pensava nisso quando li um artigo de David Shariatmadari, no jornal inglês The Guardian. David observa que jamais a humanidade esteve tão equipada para se registrar em imagens. Estima-se que serão tiradas, em 2014, cerca de 1 trilhão de fotos em todo o mundo. Mais ou menos 33 mil imagens por segundo.

Quando é que Louis Daguerre poderia imaginar esta avalanche há 175 anos, época em que apareceram as primeiras fotos (daguerreótipos, em homenagem a seu inventor) ? Houve a impressão, naqueles tempos pioneiros, de que a máquina recém desenvolvida seria um olho humano com superpoderes, capaz de armazenar memórias. Como diria o Cony, ledo e ivo engano. Hoje, há fortes evidências de que tirar fotografias ao invés de mergulhar fundo numa experiência pode prejudicar a formação de memórias.

Memórias são matéria plástica. Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia mostrou que é possível implantar memórias falsas mesmo em gente com capacidade excepcional de lembrar. Quantas vezes não somos flagrados afirmando categoricamente que “vimos” alguma coisa que jamais aconteceu ? Dia desses, revi o filme Roma, cidade aberta, um clássico do neorrealismo italiano. No meio da história, garanti para mim mesmo, ancorado numa lembrança peremptória: “O padre vai amaldiçoar os nazistas quando enfrentar o pelotão de fuzilamento”. Surpresa: não foi bem assim. Na prisão, o padre vê seu amigo comunista, com quem lutava na resistência contra o nazifascismo, torturado e morto. É nesse momento, e não quando vai ser fuzilado, que amaldiçoa os algozes. Até tu, Brutus, digo, memória?

ROTINAS E BANALIDADES

O dilúvio de imagens não para de gerar filhotes. A facilidade e o baixo custo para tirar fotos cria uma espécie de imperativo neurótico: registrar tudo e, se possível e com enorme frequência, compartilhar rotinas e banalidades. Que valor podem ter os selfies? De que servem sorrisos Kolynos congelados e obrigatórios, quando a vida é maleável, cheia de irebires como diriam os lusitanos, nada a ver com essas pândegas ilusórias com dentinas imaculadas? Shariatmadari observa, com propriedade, que as gerações antigas tinham percebido com mais inteligência a falsa sensação de segurança trazida por imagens. Retratos pintados a óleo vinham, não raro, adornados por um crânio, a lembrar que a morte é inevitável. E a Magrinha não é sorridente.

O excesso cobra seu preço. Guardam-se pen drives, hard drives e nuvens abarrotados de fotos rigorosamente iguais, sem qualquer significado ou expressão. Clones de si mesmas. Como no moon walk, andamos para trás. Leio que, depois dos books de adolescentes, grávidas e bebês, chegou a vez de álbuns profissionais para recém-nascidos com até 25 dias (!). Como todo modismo de classe média, que precisa ocupar o tempo para mascarar sua mediocridade, esse também tem a sua “lógica”. Muito bem desenhada por uma das clientes do serviço: “É um trabalho artístico, mostra a pureza da criança”. Os pais das antigas, sem parafernália tecnológica, eram bem mais seletivos nestes registros. Viviam a experiência, sem se preocupar com “purezas” (de resto, como Freud já o demonstrou, inexistentes). Acreditar que fotos podem captar estados de espírito num recém-nascido é o mesmo que acreditar que comer o coração de um guerreiro transfere a bravura para o comilão.

Tenho uma prima que confessou: não consegue abrir a caixa de fotografias que sua mãe deixou. Teme despertar emoções que ela prefere manter sepultadas. São, seguramente, imagens em preto e branco, com qualidade muito inferior à que se consegue com câmeras modernas. No entanto, desconfio que não são descartáveis. Contam histórias. Coçam a imaginação. Quantos instagrams podem dizer o mesmo ? Fotos não datadas de um avô, tiradas em Buenos Aires, escondem segredos que convidam à fantasia. Claro que há material excelente que não foi tirado em Rolleiflex, que vale para a história dos povos e para o afeto. Não sou ludita. O que incomoda é a enxurrada, gordura que não produz energia, apenas obesidade.

Com minha psicologia de boteco, intuo que muita gente clica sem parar na tentativa inconsciente e vã de congelar o tempo. Uma ilusão compreensível. Está aí o retrato de Dorian Gray para provar que esta é uma corrida que se perde no exato momento da largada.

(artigo enviado por Mário Assis)

Mais médicos, mais mágicos: uma gambiarra no sistema de saúde vale milhões de votos

Altamir Tojal
(Site Este Mundo Possível)

Daqui a pouco vai ser a chuvarada. Mas por enquanto, nesse calorão de início de 2014 no Rio, falta água na casa de muita gente, principalmente em bairros e comunidades pobres. Como estamos num ano eleitoral, pode ter candidato e gente do governo providenciando carro-pipa e bica d’água para aliviar o pessoal. É a velha troca de necessidades por votos.

O Programa Mais Médicos, do governo federal, é coisa parecida. Doente pobre tem de acertar a mega-sena de um atendimento no SUS ou disputar com governantes e milionários a salvação no Hospital Sírio-Libanês. Mas eis que depois de 11 anos no poder, o governo lança o ‘Mais Médicos’.

Não é original, mas mágica velha também funciona. Após levar o sistema de saúde do país a uma situação calamitosa, o governo melhora o atendimento aqui e ali na véspera da eleição, gasta milhões em propaganda e colhe votos para eleger o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, governador de São Paulo, e ajudar Dilma Rousseff a se reeleger presidente.

UMA BANDEIRA

Há menos de seis meses, o Partido dos Trabalhadores estava buscando uma marca forte, uma bandeira para alavancar a campanha de Padilha. O ‘Mais Médicos’ foi mais uma invenção genial dos marqueteiros do partido. Mesmo que tenha vícios e evidente caráter eleitoreiro, quem se atreve a criticar o programa acaba ajudando a estratégia do “fale mal, mas fale de mim”. E vai logo para a galeria de inimigos da pátria. Ao lado dos “jornalistas golpistas”, dos “juízes conservadores”, dos “economistas em guerra psicológica”, temos os “médicos burgueses”, que se recusam a atender os pobres e criticam o ‘Mais Médicos’. De quebra, o programa dá uma força aos aliados que ainda mandam em Cuba, ajudando a equilibrar o balanço de pagamentos da ilha.

Temos em 2014 com o ‘Mais Médicos’, o que o Programa Bolsa Família foi para a reeleição de Lula, em 2006, e para a eleição de Dilma, em 2010. Tanto as transferências de renda como os programas sociais de saúde e outros são políticas de estado, mas são manipuladas nas administrações do PT como dádivas do governo e do partido. E as oposições são empurradas para o corner. Como criticar a bica d’água no calorão do Rio ou na seca do Nordeste?

É uma mágica eleitoral que dá certo desde sempre no Brasil. O que será que os marqueteiros do PT vão preparar para a volta de Lula em 2018? Talvez o ‘Mais Polícia’. Ou será o ‘Mais Prisões’?

(artigo enviado por Mário Assis)

Três Poderes: contribuinte pagou sofisticadas máquinas de café, toalhas de algodão egípcio e produtos de maquiagem em 2013

Isabella Lacerda

Não basta a compra de inúmeros móveis e eletroeletrônicos feita ano a ano por Executivo, Legislativo e Judiciário. Na lista de aquisições feitas pelos Três Poderes são facilmente encontrados artigos no mínimo curiosos e, em alguns casos, de luxo. Ao longo de 2013, o carrinho de compras dos órgãos federais brasileiros incluiu toneladas de pães, biscoitos, chocolates e bebidas. Foram incluídas ainda máquinas de café ao preço unitário de R$ 18,1 mil, toalhas de algodão egípcio, ímãs de geladeira, maquiagem, entre outros.

Os itens estão em um levantamento feito por O Tempo utilizando informações do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal, divulgadas semanalmente pela ONG Contas Abertas.

No ano passado, as compras – várias delas feitas por meio de pregão eletrônico ou dispensa de licitação – totalizaram pelo menos R$ 48,9 milhões. Só o Judiciário foi responsável pela metade da despesa, totalizando R$ 25,1 milhões. Um exemplo inusitado partiu do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em julho, foram empenhados R$ 18,2 mil para o serviço de recuperação de cadeiras em estilo Dom João VI. A empresa vencedora do pregão teria 45 dias para executar o serviço. As peças são consideradas relíquias no mercado e imitam móveis trazidos ao Brasil pelos portugueses.

Mesmo tendo desembolsado menos do que o Judiciário, Senado e Câmara dos Deputados foram recordistas nos gastos supérfluos do ponto de vista da relevância pública. Em 2013, os senadores passaram a usar duas máquinas avançadas de café, avaliadas em R$ 36,3 mil. Outros R$ 6.600 foram usados para a compra de maquiagens – pó compacto, bases líquidas, batons e lápis de olho – e sete secadores de cabelo.

Os parlamentares também puderam ficar tranquilos quanto à presença de ratos, já que R$ 35,5 mil foram usados no serviço de desratização. Em julho, o Senado encomendou também mil imãs de geladeira.

Mas os deputados federais não ficaram atrás. Entre as compras milionárias feitas pela Câmara, foram adquiridos 28 mil sacos de café e, para acompanhar, 2.472 xícaras de porcelana. Na Casa, as obras de arte demandaram um serviço de transporte das peças que custou R$ 11,1 mil.

PLANALTO

Mas a lista de itens curiosos não se limita a Legislativo e Judiciário. O Executivo, incluindo a Presidência e a Vice-Presidência da República, resolveu investir e adquiriu produtos de qualidade. Um exemplo é a compra de 200 toalhas brancas de banho, rosto, mão e piso, 100% algodão egípcio. Já a manutenção das áreas verdes dos prédios da Presidência custaram nada menos que R$ 787 mil aos cofres públicos.

Nos órgãos do Poder Executivo, também está liberado o consumo de chocolate: um total de R$ 10,2 mil foi despendido com as guloseimas em 2013.

SEM RESPOSTA

O Senado foi procurado ontem para explicar o uso de produtos como maquiagem, imãs de geladeira e máquinas de café, mas até o fechamento desta edição não havia uma resposta.

Rolando o mundo com Drummond

O bacharel em Farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos mestres da poesia brasileira, no poema “Rola Mundo” afirma ter visto tantas coisas na vida que chegou à conclusão que é melhor deixar o mundo existir.

ROLA MUNDO
Carlos Drummond de Andrade

Vi moças gritando
numa tempestade.
O que elas diziam
o vento largava,
logo devolvia.
Pávido escutava,
não compreendia.
Talvez avisassem:
mocidade é morta.
Mas a chuva, mas o choro,
mas a cascata caindo,
tudo me atormentava
sob a escureza do dia,
e vendo,
eu pobre de mim não via.

Vi moças dançando
num baile de ar.
Vi os corpos brandos
tornarem-se violentos
e o vento os tangia.
Eu corria ao vento,
era só umidade,
era só passagem
e gosto de sal.
A brisa na boca
me entristecia
como poucos idílios
jamais o lograram;
e passando,
por dentro me desfazia.

Vi o sapo saltando
uma altura de morro;
consigo levava
o que mais me valia.
Era algo hediondo
e meigo: veludo,
na mole algidez
parecia roubar
para devolver-me
já tarde e corrupta,
de tão babujada,
uma velha medalha
em que dorme teu eco.

Vi outros enigmas
à feição de flores
abertas no vácuo.
Vi saias errantes
demandando corpos
que em gás se perdiam,
e assim desprovidas
mais esvoaçavam,
tornando-se roxo,
azul de longa espera,
negro de mar negro.
Ainda se dispersam.
Em calma, longo tempo,
nenhum tempo, não me lembra.

Vi o coração de moça
esquecido numa jaula.
Excremento de leão,
apenas. E o circo distante.
Vi os tempos defendidos.
Eram de ontem e de sempre,
e em cada país havia
um muro de pedra e espanto,
e nesse muro pousada
uma pomba cega.

Como pois interpretar
o que os heróis não contam?
Como vencer o oceano
se é livre a navegação
mas proibido fazer barcos?
Fazer muros, fazer versos,
cunhar moedas de chuva,
inspecionar os faróis
para evitar que se acendam,
e devolver os cadáveres
ao mar, se acaso protestam,
eu vi: já não quero ver.

E vi minha vida toda
contrair-se num inseto.
Seu complicado instrumento
de vôo e de hibernação,
sua cólera zumbidora,
seu frágil bater de élitros,
seu brilho de pôr de tarde
e suas imundas patas…
Joguei tudo no bueiro.
Fragmentos de borracha
e
cheiro de rolha queimada:
eis quanto me liga ao mundo.
Outras riquezas ocultas,
adeus, se despedaçaram.

Depois de tantas visões
já não vale concluir
se o melhor é deitar fora
a um tempo os olhos e os óculos.
E se a vontade de ver
também cabe ser extinta,
se as visões, interceptadas,
e tudo mais abolido.
Pois deixa o mundo existir!
Irredutível ao canto,
superior à poesia,
rola, mundo, rola, mundo,
rola o drama, rola o corpo,
rola o milhão de palavras
na extrema velocidade,
rola-me, rola meu peito,
rolam os deuses, os países,
desintegra-te, explode, acaba!

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Como Roseana Sarney conseguiu ter 150 milhões de dólares nas ilhas Cayman? E Jereissati?

Yuri Sanson

Em 2009 o Wikileaks teve acesso a contas de milhares de clientes de paraísos fiscais, do banco Julius Baer.  Rudolf Elmer, um ex-gerente da filial do Julius Baer, um dos maiores bancos suíços nas Ilhas Cayman, foi demitido e decidiu tornar públicos os dados bancários de clientes. E isto se deu através do Wikileaks.

Dos brasileiros mais famosos, estavam lá: Roseana Sarney e Tasso Jereissati. a atual governadora do Maranhão tinha 150 milhões de dólares em Cayman.

O vazamento expôs bilhões sonegados. Muitos correntistas foram processados em diversos países, como EUA, Canadá e México. Deu cana mesmo.

O relatório foi publicado em 2009. Mas apesar da denúncia postada no Wikileaks, nenhuma medida foi tomada por autoridades brasileiras, que poderiam abrir investigações sobre a suposta lavagem de dinheiro pelos dois políticos.

Mas como Brasil é Brasil, não só as autoridades, mas também os jornalões não deram atenção. E com esta turbulência atual no Maranhão, vale relembrar!

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Estes são os links onde podem ser visto os extratos:

Roseana =>
http://wikileaks.org/wiki/Bank_Julius_Baer:_Brazilian_Senator_Roseana_Sarney_estimated_USD_150M_in_Caymans,_1999

Jereissati =>