Catta Preta dá entrevista estranha, em que não revela nada

A advogada Beatriz Catta Preta durante entrevista à Rede Globo

A advogada Beatriz Catta Preta, ao se apresentar no Jornal Nacional

Carlos Newton

Não se fala em outra coisa. Responsável por firmar nove acordos de delação premiada de réus da Operação Lava Jato, a advogada Beatriz Catta Preta disse ao “Jornal Nacional” que deixou o caso e decidiu abandonar a advocacia porque se sentiu ameaçada.

“Depois de tudo que está acontecendo, e por zelar pela minha segurança e dos meus filhos, decidi encerrar minha carreira”, afirmou.

Segundo reportagem da Folha, ela disse que a pressão aumentou após um de seus clientes, o lobista Julio Camargo, mencionar em depoimento que pagou US$ 5 milhões em propina ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Vamos dizer que [depois do depoimento de Julio Camargo] aumentou essa pressão, essa tentativa de intimidação a mim e à minha família”, disse,  se referindo à insistência de a CPI ouvi-la.

AMEAÇAS CIFRADAS?

Mas a advogada não revelou como seriam essas intimidações. “Não recebi ameaças de morte, não recebi ameaças diretas, mas elas vêm de forma velada, elas vêm cifradas.”

Questionada sobre a origem das supostas tentativas de intimidação, Catta Preta respondeu que elas vinham de integrantes da CPI que votaram a favor de sua convocação. Disse também que não podia afirmar se Eduardo Cunha integrava esse grupo.

Acerca do valor de R$ 20 milhões que teria recebido por seus honorários na Lava Jato, Catta Preta afirmou que o número é “absurdo”. “Não chega perto da metade disso”, disse.

A advogada explicou que os pagamentos foram feitos no Brasil por meio de transferência bancária ou em cheque, com emissão de nota fiscal e recolhimento de impostos.

A criminalista também negou que tenha cogitado mudar de país. Ela afirmou que passou o último mês nos Estados Unidos de férias com a família.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA

Muito estranha esta entrevista da advogada, a ponto de necessitar de tradução simultânea. 1) Não fugiu, foi apenas tirar férias, abandonando os clientes em fase decisiva dos inquéritos. 2) Não diz quem a ameaçou. 3) Não houve ameaças diretas, “mas elas vêm de forma velada, elas vêm cifradas”. 4) Como foram as tais ameaças? Por telefone, por e-mail, por Facebook, redes sociais ou bilhetinhos?  5) Se tirou férias exatamente quando Júlio Camargo deu o depoimento, como pôde ser encontrada para ser “ameaçada”? 6) Por que não denunciou as ameaças? 7) Não pode atribuir a Eduardo Cunha as ameaças. 8)Tem medo de quê, de quem?

Sinceramente, a fraqueza da entrevista-denúncia de Beatriz Catta Preta diminui sua importância como advogada. Imaginem se todo advogado for se curvar a esse tipo de ameaça cifrada, que se resume na verdade apenas a uma convocação para prestar depoimento, em que ela nem precisaria dizer nada. Como advogada, nota zero. Deveria devolver a carteira da OAB e os honorários dos clientes que ela abandonou sem justa causa.

30 thoughts on “Catta Preta dá entrevista estranha, em que não revela nada

  1. Sempre achei muito estranha essa situação. Uma mulher que se casa com um homem que transporta dólares falsos e estava envolvido com trafico de pedras preciosas não é nada abonador, ainda mais quando exerce o ofício de advogada. Estranho, muito estranho!

    • AMOR está acima de tudo Eliana. Ame e verás. Amor explica tudo e também se sente. Um pai, uma mãe amarão eternamente seu filho, seja ele quem for.

  2. São as forças ocultas, aquelas do Jânio Quadros, se manifestando novamente.
    Porém acho que na verdade, alguém prometeu divulgar alguma coisa, que a doutora não gostaria ver
    publicada, dai ter tomado media tão radical.
    Dizem que a maior “breguice” de brasileiro hoje, é ir para Miami. Sera?

  3. Sinceramente, não sei o que pensar. De que viverá essa moça, a ser verdade que o marido só cuidava da contabilidade do escritório dela? Diz ter recebido bem menos da metade de 20 milhões pela atuação na Lava-Jato e largou todos os clientes que tinha. Foram 7, 8 milhões? Dariam para viver “para sempre” uma vida a que deve estar acostumada? Ou vai esperar a poeira baixar e volta, discretamente, à profissão? O que seriam ameaças veladas? Acho que os integrantes da CPI não deixarão essas acusações sem resposta dura, legal.

  4. Sr. Newton, enquanto a Doc não revela nada, uma revelação que todo o mundo já sabia, mesmo os franceses e aRainha da França dizendo que era mentira e negando todos os fatos da época, como bom franceses mentirosos prepotentes arrogantes e maus caráter que são.
    O Planeta inteiro sabia que o francês geraldo pinockinho fez o acordo com a Organização Criminosa…..das três letras da sigla,,,,pxxxiiiii, ninguem pode dizer ou escrever o nome dela é proibido até mesmo nas mesas de redações dos jornalões pró-Efeagacê.,
    Mas geraldo e a quadrilha negavam até o último fio de cabelo que era mentira, era coisa do outro partido para tumultuar a competência de 30 anos de Administração em São Paulo.
    E agora , Sr, Newton, veja o que disse a matéria do Estadinho do CArdosê, nesta semana, para sua avaliação….
    http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,estado-fez-acordo-com-pcc-para-cessar-ataques-de-2006–mostra-depoimento,1732413

    • No mundo da carochinha vivia o Armanduvas um sugeito simples e que não gostava de trabalhar. Todo o dia ia para o escritório, colocava o paletó na cadeira e saia para tomar cafezinho com os amigos todos petitovas. Um dia, um novo gestor chegou o famoso FHCvas e mandou o Armanduvas para lá do vás. E até o hoje o Armanduvas nâo entendeu o que aconteceu.

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    31/07/2015 às 6:23
    Desconstruindo Beatriz Catta Preta 1: uma história da carochinha. Ou: Quem será a Beatriz de Beatriz? Ou ainda: A quem ela anunciou que não vai fugir?

    Vamos lá. Começo pelo óbvio e não mudei de ideia: continuo a me opor à convocação da doutora Beatriz Catta Preta pela CPI da Petrobras porque acho que isso abre a porta para relativizar o direito de defesa. E fui o primeiro na grande imprensa a me insurgir contra isso. Como me insurgi contra a tentativa de transformar Dora Cavalcanti em ré. Mas daí a acreditar no conteúdo da entrevista de Beatriz, concedida a Cesar Tralli, que foi ao ar no Jornal Nacional desta quinta, vai uma diferença abissal.

    A criminalista Beatriz poderá procurar com lupa nos meus posts uma só acusação contra ela. Não haverá. Não é do meu feitio. Não sou procurador, delegado ou juiz. Eu lido com a lógica e com os fatos que apuro. Não acreditei em uma palavra do que ela disse. Nada! E esse é um direito que eu tenho. E não acreditei porque a sua narrativa é um apanhado de absurdos e de despropósitos. Mais: serve para demonizar a CPI da Petrobras — e, por consequência, o Congresso. Quer dizer que doutora Beatriz acha um absurdo falar a uma CPI, mas pensa ser razoável jogar acusações ao vento no Jornal Nacional?

    Antes que avance: tudo certo com a entrevista de Cesar Tralli. Fez boas perguntas, não todas as boas que poderia, e, a meu juízo, intencionalmente ou não, contribuiu para revelar o que acho ser peça de ficção. De saída, eu tenho uma questão para a doutora Beatriz. Se ela quiser responder, publico. É um dos pontos centrais do imbróglio.

    Se Julio Camargo, seu ex-cliente, falou a verdade quando afirmou ter pagado US$ 5 milhões em propina ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, então esse mesmo Camargo mentiu nos depoimentos iniciais, já sob delação premiada. Doutora Beatriz, me conte: ele mentiu para a senhora ou vocês dois mentiram para a Corte? Essa resposta precisa ser dada, não é mesmo?

    Eu sou muito atento à linguagem. Eu tenho apreço pelo sentido das palavras. Tralli quis saber por que Camargo negava antes o pagamento de propina a Cunha e só o admitiu depois. Ela respondeu: “Receio. Ele tinha medo de chegar ao presidente da Câmara”. E pergunta o JN: “E por que ele muda de ideia? O que o faz mudar de ideia?”. Aí Beatriz dá a resposta impossível, leiam: “A colaboração dele, a fidelidade, a fidedignidade da colaboração, o fato de que um colaborador não pode omitir fatos, não pode mentir, o levaram então a assumir o risco. Aquele risco que ele temia, e levar todos os fatos então à Procuradoria-Geral da República”.

    Entendi. O medo fez Camargo mentir. E uma súbita coragem, saída sabe-se lá de onde, o fez falar a verdade? É nesse ponto que caberia e cabe a pergunta que não quer calar: “A senhora sabia que ele estava mentindo?”. A propósito: quem mente por medo uma vez não pode mentir uma segunda em razão de um medo ainda maior? Pergunta agora ao mundo jurídico: uma delação premiada pode ser um “work in progress”? Um advogado acerta os termos de uma delação premiada ou de uma conta de chegada, alterando a narrativa ao sabor dos ventos e da metafísica influente? É assim que se faz no resto do mundo? Ninguém precisa me responder. Eu sei a resposta. Não é.

    O verbo “fugir”
    Doutora Beatriz estava logo ali, em Miami. Como diria Gilberto Gil na excelente música “Parabolicamará”, para ela mandar uma mensagem ao Brasil, leva “o tempo que levava a Rosa para ajeitar o balaio, quando sentia que o balaio ia escorregar”. Deixou que prosperasse por aqui a informação de que havia fechado o escritório, que se mudaria para aquela cidade americana, de que trabalharia lá, onde tem (ou tinha?) um escritório. E nada de desmentido. Ao contrário: foram se acumulando os boatos de que teria sido ameaçada por Cunha etc. — versão que ela endossa, ainda que de forma enviesada.

    Bastou que começassem a surgir por aqui notícias sobre a sua impressionante proximidade com a força-tarefa de Curitiba, sobre o modo como trabalharia alinhada com o Ministério Público — de sorte que seu escritório é chamado por alguns de “anexo da força-tarefa” — e sobre a abordagem algo heterodoxa que seu marido faz com os clientes, e ela decide desmentir, então, a informação de que deixaria o país, o que poderia ter feito logo no primeiro dia.

    E, ora vejam, a primeira pergunta feita a ela — o que pode ser parte da combinação para conceder a entrevista (e não há mal nenhum nisso!) — é esta: “A senhora está morando em Miami?”.
    E ela responde:
    “De forma alguma. Eu saí de férias. Aliás, eu costumo sair de férias e viajar pra lá, sempre que os meus filhos estão em período de férias escolares. Nunca cogitei sair do país, ou fugir do país como está sendo dito na imprensa.”

    Foi ela quem usou o verbo “fugir”, não a imprensa. Fiquei com a impressão, e tenho o direito de tê-la, de que ela está mandando um recado a alguém — alguéns?: “Não vou fugir!”. Fugir de quê? Ela é uma penalista. Conhece o peso dessa palavra. Certamente não está dizendo a seus supostos perseguidores “que não vai fugir”, certo?

    Ademais, desde que com os devidos papéis, não há nada de errado em morar em Miami, especialmente alguém que se diz sob perseguição. A negativa não precisa de ênfase.

    Beatriz é incapaz de dizer que tipo de ameaça sofreu. Afirmou: “Não recebi ameaças de morte, não recebi ameaças diretas, mas elas vêm de forma velada. Elas vêm cifradas”. Certo! E isso fez, meus caros, atenção, com que ela desistisse não só dos clientes: BEATRIZ USOU O JORNAL NACIONAL PARA ANUNCIAR QUE ESTÁ DEIXANDO A ADVOCACIA!

    Também nesse caso, pareceu-me um recado: “Ok, pessoal, estou fora dessa profissão. E não vou fugir”. Sigo no post abaixo. Encerro este tentando a sugerir a Beatriz que arrume uma Beatriz em benefício de uma narrativa mais verossímil.

    Texto publicado originalmente às 4h45

    Por Reinaldo Azevedo

  6. Caro Carlos Newton, você tem gradativamente aumentado seu rigor contra aquilo que lhe desagrada. A doutora Beatriz Catta disse com clareza quem a está ameaçando. Dizer que depois do depoimento de Julio Camargo dizendo que deu 5 milhões ao presidente da Câmara as pressões aumentaram, está dito tudo. Você parte para um interrogatório como se estivesse interrogando Catta. Não pode ser assim. Você é um jornalista com uma folha de serviços prestados à nação há 70 anos. Quando Catta diz que a ameça vem de integrantes da CPI e que não sabe se Cunha integra o grupo. Se você fosse um delegado e te dessem este roteiro, voce se sentiria tranquilo dizendo: Só os ratos deixam rastros fáceis de serem vistos, mas esses são mafiosos, chegar a uma conclusão será muito difícil. Se as ameaça tivessem vindo de forma clara Catta já os teria denunciado. Eu se fosse investigar iniciaria por mortes suspeitas de pessoas ligadas a empresas e a Petrobrás, nos últimos dez anos. Júlio sem nenhuma dúvida foi ameaçado por Cunha e deu aquela de que foi tratado com educação. Pergunta singela: Porque desnescessariamente Júlio menciona isso: Claro meu caro Watson: Já fora ameaçado outras veses. Assim como Fernando Baiano. Isso está cristalino, insofismável, lógico; a clareza é meridiana. A ameaça a Catta tem procedência e é fundamentada. Exemplo: Lembras o queaconteceu com fulano e sua família? A coisa é feia Newton. Para investigar e defender pensando em fazer justiça absolvendo quem não tem culpa e punindo os criminosos os homens precisam ter culhões e as mulheres úteros fortes. Por suposição os que estão mais ameaçados são pela ordem: Janot, Moro e Zavaski. O que desejam os mafiosos é melar a investigação. Tirar a Dilma do governo também faz parte. É só lembrar o que Dilma disse no debate com Aécio sobre questionamento do Lava a Jato: Não ficará pedra sobre pedra, doa a quem doer. Com Dilma fora tudo se ajeita inclusive para o PSDB, PMDB, PP, SD e outros. PT e os que O apoiam ficarão ao sol e a chuva.Caso contrário a Papuda terá no mínimo dois times, um terá sem dúvida lamentavelmnte no gol um ALMIRANTE. Não dá para chorar mas a decpção é grande.

    • Respeito tu opinião, Aquino, e sempre respeitarei. É que sou de uma família de advogados. Meu avô paterno era juiz federal, meu tio foi presidente do Tribunal de Justiça, um primo é procurador, outro é especialista em Direito Ambiental. Quem milita na Justiça precisa ter coragem e firmeza. Caso contrário, é melhor trabalhar em boutique ou loja de delicatessen.
      Você é um homem corajoso, Aquino, sabe do que estou falando. Esta senhora abandonou os clientes num momento dificílimo para eles, depois de ter embolsado o dinheiro. A única ameaça que recebeu foi a convocação para depor. Só citou esta.

      Abs, saúde e paz,

      CN

  7. Essa pilantra tá levando uma nota preta do PT para incriminar o Eduardo Cunha que tá em pé de guerra com aquela instituição criminosa. Outra facção criminosa, tentáculo do crime organizado e braço direito do PT, a OAB, também se interessou muito pelo caso, querendo defendê-la. Daí mais um motivo para desconfiar que tudo não passa de uma manobra política para melar a lava – jato e acabar com o Eduardo Cunha, que, diga – se de passagem, não é nenhum santo, mas é o único agora que pode acabar com o reinado da Dilma.

  8. Hum….., Hugo Motta em entrevista coletiva, relatou que a convocação da advogada foi unanime, e agora a CPI, quer saber da Catta Preta, quais deputados federais, que estão ameaçando-a. Nossa Senhora da Abadia, a gata vai feder!!!

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    Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)
    31/07/2015 às 16:26
    CPI mantém convocação de Catta Preta. Faz bem! Eu era contra até ontem; agora, sou a favor. E explico, como sempre, por quê

    Eu me opunha à convocação da doutora Beatriz Catta Preta pela CPI da Petrobras até ontem. Depois da entrevista que ela concedeu ao Jornal Nacional, passei a ser a favor. Eu não quero que ela vá lá revelar o valor dos seus serviços. Também não lhe cabe dizer a origem do dinheiro daqueles que pagam seus honorários. Não é a ela que cabe fazer esse tipo de investigação. O estado dispõe de instrumentos para isso.

    Agora, eu quero que a doutora Beatriz vá à CPI para dizer quem a ameaçou e de que modo. Lembrando sempre que um advogado não dispõe de prerrogativas para fazer falso comunicado de crime. A CPI manteve a convocação da doutora e fez muito bem. Dado o novo contexto, a OAB deveria aprová-la, em vez de tentar obstá-la.

    Na entrevista eivada de absurdos concedida ao Jornal Nacional, a doutora disse com todas as letras, nesta quinta: “Depois de tudo que está acontecendo, e por zelar pela segurança da minha família, dos meus filhos, eu decidi encerrar a minha carreira na advocacia. Eu fechei o escritório”. Em seguida, pergunta-lhe o repórter César Tralli: “A senhora consegue identificar de onde vem essa intimidação que a senhora enxerga tão claramente hoje?”. E ela responde: “Vem dos integrantes da CPI, daqueles que votaram a favor da minha convocação”.

    Raramente ou nunca, estivemos diante de um absurdo de tal natureza, de tal monta. A doutora Beatriz está dizendo, sim, que está fechando o escritório e mudando de profissão, pensando na segurança de sua família, e as intimidações — que são, então, ameaças — estariam partindo de membros da CPI. Só porque ela foi convocada? Não é possível.

    A doutora Beatriz tem de ir à CPI para dizer quem, na comissão, a ameaça e por que uma simples convocação pode ser caracterizada como um molestamento até a sua família. Isso nada tem a ver com sigilo no exercício da profissão.

    Igualmente considero fora do sigilo uma questão que me parece elementar. Se Julio Camargo fala a verdade agora, quando diz que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recebeu US$ 5 milhões de propina, então mentia antes, quando negava. A pergunta é óbvia: ele mentira também para a advogada ou ambos mentiam, unidos, para a Justiça?

    Não tem jeito. Doutora Beatriz e a OAB têm de ter clareza quando as coisas ultrapassam o limite do aceitável. Se há deputados na CPI que fazem ameaças, eles precisam ser denunciados e banidos da vida pública. E ela terá a chance de anunciar seus nomes em rede nacional. Todos estaremos atentos. Se não foi ameaça dessa ordem, mas, como ela disse, uma coisa indireta, que, ainda assim, revele como se deu.

    Eu tenho curiosidades que, espero, também estejam na mente dos deputados, e nenhuma delas tem a ver com sigilo profissional ou com especulações sobre a origem dos ganhos da advogada. EMBORA, ATENÇÃO, TUDO LHE POSSA SER INDAGADO. ELA NÃO É OBRIGADA A RESPONDER O QUE FIRA O CÓDIGO DE SUA PROFISSÃO. ESTÁ LÁ RESGUARDADA POR DECISÃO DO SUPREMO.

    1 – A primeira questão é aquela já anunciada: Camargo mentiu para ela, ou ambos mentiram para a Corte?

    2 – Dê exemplo de uma ameaça que a senhora ou sua família tenham sofrido.

    3 – Em tempos de WhatsApp, e-mail, comunicação online, por que a senhora não desmentiu desde o primeiro dia a pretensão de se mudar para a Miami?

    4 – Por que a senhora usou o verbo “fugir” para se referir à possível mudança para os EUA? A senhora fugiria de quem?

    5 – A senhora não considera um despropósito abandonar a profissão em razão de ameaças que a senhora mesma diz terem sido indiretas?

    6 – Não pergunto sobre nenhum caso em particular, mas em tese: na sua experiência profissional, diria que um delator premiado deve ter direito a quantas versões?

    7 – Um advogado que cuida de várias delações premiadas não pode acabar cuidando das várias versões, de modo a evitar contradições entre elas?

    8 – Procedem os comentários que circulam nos meios jurídicos segundo os quais a senhora é uma espécie de quarto elemento da força-tarefa?

    9 – A senhora era vista até a semana retrasada como uma aliada e uma amiga do Ministério Público. A senhora tem receio de que isso possa mudar?

    10 – Digamos que a senhora estivesse desgostosa com a Lava Jato e deixasse os clientes. Mas por que deixar a profissão? O que a impediria de exercê-la em outros casos? Os descontentes com a operação a perseguiriam até em outros processos?

    11 – Como uma pessoa acostumada a defender pessoas, a senhora acha que faz sentido o ataque dirigido à CPI?

    12 – A senhora reconhece a legitimidade do Congresso Nacional e das Comissões Parlamentares de Inquérito?

    13 – A senhora tem ciência se, em algum momento, clientes a procuraram por indicação de algum membro da força-tarefa? Se isso acontecesse, seria ético, na sua opinião?

    14 – A senhora teve alguma relação com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) antes desse episódio?

    15 – Por que a senhora acha que se fizeram especulações só sobre seus honorários, não sobre o de outros, que também cuidaram de delações premiadas?

    16 – Antes de a senhora tomar a drástica decisão que tomou, foi procurara por algum emissário de Eduardo Cunha para alguma conversa?

    17 – Seu marido participa, de algum modo, da conversa ou da abordagem dos acusados que a procuram para fazer delações?

    18 – Com o apoio da imprensa, da OAB e até de ministros da STF, a senhora não acha que há certo exagero em aparecer como vítima de uma CPI?

    19 – O que a senhora acha que deve acontecer com alguém que, sendo beneficiário da delação premiada, mente?

    20 – A senhora pretende dar início à carreira de roteirista?

    Por Reinaldo Azevedo

  10. Pra mim ela disse muito, afinal para bom entendedor meia palavra… E o reporter nao ajudou. O tempo vai mostrar que essa CPI estah na mao de uma gangue. A proposito, os demais advogados de todos os citados na Lava Jato tambem serao convocados para explicar seus honorarios?

  11. Carlos Newton, ser de uma famílía de advogados só o engrandece. Eu modestamente passei pela Santa Úrsula cursando direito. Fui um bom aluno e só. Como advogado se você fosse ameaçado não recuaria tenho certeza. Mas cada pessoa é uma pessoa. Sem querer aparecer digo com toda franqueza se alguém me intimidasse quando mais novo, no dia seguinte eu estaria em sua porta nas primeiras horas da manhã. Outras pessoas não são assim. Uma advogada por mais brilhante que seja com família, filhos menores sendo ameaçada, como ela falou, de maneira velada. Pode tomar tranquilamente a atitude que tomou. Tem mais se ela for a CPI e ficar calada segundo é previsto em lei o que acontece? Nada! Mas e se depois acontecer qualquer coisa de mal com um de seus filhos? Haverá indenização em caso de morte? Em toda a história política do Brasil é a primeira vez que um advogado é chamado a dizer quem lhe paga os honorários. Porque outra banca de advogados diz que existe uma prática de gangues? Eu já disse aqui que Cunha entrou em uma arapuca armada por ele mesmo. Atrás dessa ameaça velada deve ter algum assasinato. ” Disse alguém que quando advogados acusavam “bicheiros” pediam garantias de vida. Se acontecesse alguma coisa de mal com eles os bicheiros eram responsabilizados”. É verdade. Mas os bicheiros eram todos conhecidos. Os que de maneira subreptícia ameaçam Catta vivem na sombra. Podemos supor, mas dizer é esse ou aquele que está ameaçando é impossível. Os tentáculos dessa máfia são quilométricos. Outra coisa, falar que Camargo mentiu. Isso é uma fantasia. Camargo não quis dizer nos primeiros interrogatórios. Imagino ter pensado em ser salvo por alguém. Quando viu que estava sozinho e ninguém lhe estendia a mão, disse: Eu não vou pagar sozinho o que desviei para o partido tal dando na mão de Eduardo Cunha uma última parcela de CZ5.000.000,00 (cinco milhões de cruzeiros). Essa “hestória” de que Dilma mandou, que o PT mandou; pagou É UMA QUIMERA. A paixão e o fanatismo político quase sempre tolda a visão mental.

  12. Com a Granna Pretta que essa mulher ganhou do PT para bancar essa palhacada, qualquer um gostaria de estar na pele dela. Mas um dia vão descobrir e ela vai ter o que merece.

  13. Newton tenho notado que algumas intervenções minhas não tem se mantido. Tem alguém mediando sem que saibamos? Se tem é preciso que todos saibam. Se for apenas problemas do próprio Blog tudo bem.

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