Celso de Mello diz que nunca viu quadrilha igual a essa e desempata o jogo: 5 a 4

Carlos Newton

O ministro Celso de Mello começa a votar e indica de imediato o rumo de seu raciocínio: “Nunca presenciei caso em que o crime de quadrilha se apresentasse, em meu juízo, tão nitidamente caracterizado”, acrescentando que “esta estabilidade se projeta para mais de dois anos, 30 meses. Eu nunca vi algo tão claro”, disse Celso de Mello sobre o tipo de associação entre os réus.

 “Vítimas somos todos nós”

A seu ver, para que se exista quadrilha, “basta que seja uma associação permanente, de trabalho comum, combinado”. E assinalou: – “Vítimas, senhor presidente, somos todos nós, ao lado do Estado. Vítimas de organizações criminosas que se reúnem em bandos”.

Mais adiante, fulminou: “O que eu vejo nesse processo são homens que desconhecem a República”, disse Celso de Mello, acrescentando que o objetivo dos acusados era dominar o sistema político brasileiro, de forma “inconstitucional”.

“Os fins não justificam a adoção de quaisquer meios, especialmente quando tais meios se apresentam em conflito extensivo com a Constituição e as leis da República”, prosseguiu o decano dos ministros do Supremo, um jurista de verdade, realmente de notório saber e de conduta inatacável. “Estamos a condenar não atores políticos, mas protagonistas de sórdidas artimanhas criminosas”, disse Celso de Mello.

O ministro acompanha o voto de Joaquim Barbosa e condena Dirceu, Delúbio, Genoino, Valério, seus ex-sócios, Simone, Kátia, Salgado e Samarane, mas absolve  Geiza e Ayanna.

Vira.vira, virou, e o placar vai a 5 a 4 pró condenação da quadrilha.

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