Celso de Mello finge acossar Bolsonaro, mas abre as brechas da lei para os advogados dele

Nani Humor: BRECHA DA LEI

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o advogado-geral da União, José Levi, na tarde de sexta-feira (dia 11) para avaliar a decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a obrigatoriedade de -depoimento presencial de Bolsonaro no inquérito sobre suposta interferência na Polícia Federal.

Depois de vários meses de reflexão, o magistrado chegou à conclusão de que Bolsonaro não teria a prerrogativa de marcar horário, data e local para prestar esclarecimentos – nem de apresentar depoimento por escrito. Na visão do relator da ação, só teriam esses benefícios os chefes de Poderes listados em processos como testemunhas. Segundo Celso de Mello, o presidente aparece na causa como investigado.

EMBROMAÇÃO – O que tudo indica é que está havendo uma tremenda embromação por parte do ministro-relator, para favorecer Bolsonaro. Habilmente, Celso de Mello finge estar favorecendo Moro, mas na verdade está abrindo espaço à defesa de Bolsonaro.

Reparem que, ao emitir essa determinação de depoimento presencial, Celso de Mello não está baseado em nenhuma lei, é apenas “interpretação”, e isso dá margem a que Bolsonaro recorra ao plenário do Supremo e atrase o inquérito.

Qualquer estudante de Direito sabe que Bolsonaro jamais poderia constar no inquérito como “investigado”. Muito pelo contrário, desde sempre ele deveria aparecer na condição de “vítima” de denunciação caluniosa e outros seis crimes supostamente cometidos pelo então ministro Sergio Moro, conforme está bem claro na petição inicial apresentada ao Supremo pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, a pedido do presidente da República, para investigar Sérgio Moro.

ENGANO ABSURDO -O fato concreto é que, se você acessar o site do Supremo, verificará que no registro do pedido de abertura do inquérito nem aparece o nome de Sérgio Moro e o investigado é mesmo Jair Messias Bolsonaro, acredite se quiser.

Esse tipo de “engano” nunca aconteceu na Justiça brasileira, com a “vítima” Bolsonaro virando “investigado”, enquanto o verdadeiro “investigado” passou a ser “vítima”. Essa esculhambação chega a ser hilária, como se dizia antigamente, mas a meu ver é altamente suspeita.

Celso de Mello está agindo de maneira bipolar. Aparentemente, imprime total rigor processual contra Bolsonaro, mas se inclina e por baixo da toga escancara as brechas da lei para auxiliar os advogados do presidente, que agora podem alegar que Bolsonaro é o autor da queixa e não pode ser tido como “investigado”.

APOSENTADORIA – O tempo não para, como dizia Cazuza, e o ministro Celso de Mello se aposenta no dia 1º de novembro. Até lá, os defensores de Bolsonaro (Augusto Aras (PGR), José Levi (AGU) e André Mendonça (MJ) vão esgotar os recursos e a embromação, até Celso de Mello dar adeus às armas. Então, como diria o jornalista e poeta Olavo Bilac, “não verás depoimento algum!”.

É tudo uma grotesca armação, pois o caso de Bolsonaro e Moro na verdade será julgado pelo próximo ministro do Supremo, a ser indicado pelo próprio presidente da República e pode até ser algum de seus defensores, como Augusto Aras, José Levi e André Mendonça, que Deus nos proteja.

Como disse em seu livro de memórias o ex-ministro Saulo Ramos, Celso de Mello é um “juiz de merda”. E a culpa de tudo isso é do próprio Saulo Ramos, que foi responsável pela nomeação de Celso de Mello para o Supremo no governo Sarney.

7 thoughts on “Celso de Mello finge acossar Bolsonaro, mas abre as brechas da lei para os advogados dele

  1. Mas, indique quem indicar o indicado não tem que ser referendado pelo congresso?!!!
    E o congresso não fomos nós os eleitores que os colocamos lá?!!!
    Então se isto é verdade; o “tosco” tem só parte da culpa e justificado pelo fato de que “deve” e muito ele e seu clã; então tem que se preparar para o futuro.

  2. Da mesma forma que o fez magnificamente no “Pacto entre os três poderes” e deixou livre todos os corruptos/hediondos.
    E nenhum deles amargará mais prisão depois do HC dado por um “beiçola” da vida liberando da prisão preventiva.

  3. A tese publicada por C.N. mereceria ampla análise jurídico doutrinária sobre as tais “brechas”, suas motivações e efeitos, mas devido à minha total falta de capacidade para tal e, ainda, menos vontade, prefiro reportar-me às minhas simplórias, mais indiscutíveis jabuticabas.
    Aquela pretinha e doce jabuticaba” Uma Corte Constitucional transformada em tribunal recursal de quarta instância e juiz natural de acusados do primeiro escalão dos Três Poderes” parece ser a causa da impropriedade processual do caso, pois se houve denuncia do PGR contra o Dr Moro, que já não era mais ministro de estado, por que não iniciar a Ação no Juízo Federal Singular?
    Porque na relação processual figurava o Presidente da República, detentor de foro privilegiado, como vítima, dirão.
    Aí, além do palavrão “foro privilegiado” entra outra jabuticaba como causa da mácula moral do caso, “ministros do STF escolhido livremente por aquele que futura e provavelmente poderá ser réu exclusivo” (na realidade, um possível réu que escolhe entre amigos seu futuro julgador).
    É a disfunção total do Estado, sustentada e dinamizada pelos que dela se locupletam.

  4. Eu não sei porque as bolsonaretes e petistetes reclamam tanto no STF!?

    É essa instituição quem mais ajuda Lularápio, Bozo, Dilmanta, e outros.

    Só pra lembrar, também é vagabundo quem acredita que esse vagabundo é patriota:

    AL GORE: “Estou preocupado com a Amazônia”

    MILICIANO: “Quero explorar os recursos da Amazônia com os EUA”

    AL GORE: ???? “Não entendi o que você quer dizer”

    As viagens q o CONDENADO fez foram pra isso: VENDER A AMAZÔNIA.

    https://twitter.com/GCasaroes/status/1297923397012389890

  5. Prezado Carlos Newton,
    Belíssimo artigo!
    Como eu disse desde o início do episódio:

    “Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo”
    (frase de Pinheiro Machado instruindo, em 1915, o seu cocheiro sobre como conduzir a carruagem diante da multidão feroz que, enfurecida por ele ter imposto o nome de Hermes da Fonseca como Senador pelo Rio Grande do Sul, o esperava na porta do Palácio do Conde dos Arcos, antiga sede do Senado no RJ)
    Grande abraço,
    Werneck

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