Censura nas universidades é um alerta do que pode estar vindo por aí…

A faixa proibida na Faculdade de Direito da UFF

Bernardo Mello Franco
O Globo

A democracia brasileira enfrentará uma prova de fogo se as urnas confirmarem o favoritismo de Jair Bolsonaro. O capitão reformado fez carreira exaltando a ditadura militar, um regime que amordaçou a imprensa e perseguiu opositores. Agora seus impulsos liberticidas vão testar a resistência das instituições e da Constituição de 1988.

Nos últimos dias, quem teme uma escalada autoritária ganhou novos motivos para se preocupar. Ao menos 20 universidades públicas foram alvo de operações da polícia e de fiscais eleitorais. A pretexto de coibir a propaganda irregular, as batidas suspenderam aulas, impediram a realização de debates e apreenderam faixas e cartazes.

EXTREMISMO – O caso da Universidade Federal Fluminense resume os abusos da ofensiva. Uma juíza determinou a retirada de uma faixa laranja com a inscrição “Direito UFF Antifascista”, sem referência a partidos ou candidatos. Acrescentou que a polícia deveria prender o diretor da Faculdade de Direito em caso de descumprimento da ordem.

Em Minas Gerais, uma juíza ordenou a retirada de uma nota publicada no site da Universidade Federal de São João del Rei. O texto censurado também não citava o nome de nenhum candidato. Era um manifesto “a favor dos princípios democráticos e contra a violência nas eleições”.

Em Mato Grosso do Sul, policiais federais entraram no campus da Universidade Federal da Grande Dourados para impedir uma aula pública com o tema “Esmagar o Fascismo”. Os agentes fotografaram e coletaram nomes de estudantes que organizavam a atividade. A ação foi autorizada por um juiz eleitoral que milita contra o PT nas redes.

SINAL DE ALERTA – As batidas nas universidades servem como um alerta do que pode vir por aí. Bolsonaro ainda não vestiu a faixa e já surgem autoridades ansiosas para restabelecer a censura. Desta vez, houve reação da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal.

Na noite de sexta, a procuradora Raquel Dodge pediu a suspensão das ações nas universidades. Apontou ofensa a princípios fundamentais como os “direitos de crítica, de protesto e de discordância decorrentes da livre manifestação do pensamento, assim como a liberdade de expressão”.

LIBERDADE – A ministra Cármen Lúcia aceitou o pedido e concedeu a liminar. “Sem liberdade de manifestação, a escolha é inexistente. O que é para ser opção, transforma-se em simulacro de alternativa. O processo eleitoral transforma-se em enquadramento eleitoral, próprio das ditaduras”, afirmou.

Ela acrescentou que as batidas afrontaram o princípio da autonomia universitária. “Pensamento único é para ditadores. Verdade absoluta é para tiranos. A democracia é plural em sua essência. E é esse princípio que assegura a igualdade de direitos individuais”, escreveu a ministra.

O episódio pode ter sido um ensaio para futuros choques entre o Executivo e o Judiciário. No domingo passado, Bolsonaro sugeriu um retorno aos anos de chumbo. “Ou vão para fora ou vão para cadeia”, disse, referindo-se a opositores. Ontem ele voltou a abrandar o tom no Twitter. Prometeu “obediência à Constituição”.

23 thoughts on “Censura nas universidades é um alerta do que pode estar vindo por aí…

  1. Nem perdi tempo lendo o artigo do petralha Mello. Aliás, o sobrenome já diz tudo. O mais interessante, porém, é este tipo de comentário “ditadura nunca mais”. Este mesmo tipo de gente que diz isso ao mesmo tempo apoia a ditadura na Venezuela, Cuba, Coréia do Norte, e outras mais. Ou não são ditaduras? Graças a Deus o sonho de vocês não irá se concretizar. Ademais, vale a velha máxima, se o(a) que se diz “carioca da gema” gosta tanto de ser vermelhinho(a), vai com Deus para esses países. Aqui no Brasil não!!

  2. Existe uma eleição, fato, Um lado diz que o outro é fascista, o que é mentira. O outro lado diz que o um é integrante de um partido comandado por um bandido da cadeia o que, de forma subjetiva é verdade.
    Será que seria aceito um cartaz contra os “Partidos do crime comandados por criminosos condenados de dentro da cadeia”?
    Óbvio que não. Os motivos são os mesmos pelo qual eu não quero esse tipo de manifestação.
    Será que Bernardo Mello Franco é hipócrita?

  3. De tudo o que disseram que o Bolsonaro era ou é, pode até não ser, porém o povo aprovou que seja isso mesmo.
    O povo aprovou o capitão assim como ele é ou dizem que é, então como dizia o velho Zagallo, “vão ter que engolir o capita”.
    Lembrando aos discordantes, que corrida esta acabada, a democracia foi cumprida e o novo presidente esta eleito.
    Desejamos que Deus o ilumine e de sabedoria para conduzir o povo brasileiro.

  4. Falo com conhecimento de causa pois fui professor numa universidade federal por 35 anos. Liberdade nunca faltou. O que falta é cumprir a lei. Durante campanha eleitoral as universidades tem de cumprir a lei como todo lugar público, Só isso. Depois das eleições, façam o que sempre fizeram.

  5. Bernardo Mello Franco é um tremendo ignorante. Porque até hoje não sabe que instituições públicas de ensino não são locais para propagandas de quaisquer ideologias ou candidaturas politicas.

  6. As universidades se transforam em um antro de fascismo vermelho. Quando assistimos pela Internet os discursos inflamados dos esquerdalhas, a platéia parece hipnotizada. Vi um discurso da Maria do Rosário que me lembrou os discursos de Hitler. Parece que é doentio o que acontece hoje nas universidades. Outro dia, um professor foi ameaçado porque estava com a camisa do Bolsonaro. Estamos criando monstros nas nossas Universidades que foram tomadas pelo pensamento marxista, que prega a igualdade mas gosta mesmo de desfilar em Ipanema e nas boutiques cariocas mais caras. Um grande problema brasileiro, principalmente as Federais.

  7. Convenhamos, aumenta, mas não inventa. Chamar um candidato a presidente de fascista e ainda fazer propaganda disso nas universidades como se elas pertencessem a grupos e não a toda população é um escarnio. A motivação foi clara, fazer campanha contra um se existem dois é fazer propaganda a favor do outro e isso é proibido. Outra coisa é essa preocupação excessiva com quem vai fazer o que nos órgãos públicos, não lembro de haver tamanha movimentação quando a bagunça era generalizada e o tipo de escolha era a pior possível. O resultado da eleição já deixou bem claro que os idiotas que aceitavam essa sujeira, é passado. Censura prévia ao presidente é coisa de palhaços, sem querem desmerecer os dignos profissionais circenses.

  8. Nem uma palavra sobre o aparelharemto das universidades pelos esquerdopatas. Nem uma palavra sobre a ideia do PT de controlar a imprensa e as redes sociais. E ainda deixa no ar a ideia de que foi Bolsonaro quem mandou censurar os atos que estavam realizando nas universidades. Bernardo, se quiser saber o que é censura vá à universidade pública brasileira defender ideias tidas como de direita. Tenha a paciência!

  9. Urge uma limpeza ideológica nas universidades públicas brasileiras, a maior preocupação hoje de seus reitores e professores é o de formar uma juventude ideológica de esquerdopatas, algo mais ou menos aos moldes da juventude hitlerista.

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