Cezar Peluso diz que fase de “ódio absurdo” e cultura de punitivismo intimidam o Judiciário

Peluso critica efeitos da transmissão de sessões do STF

Thomas Traumann
O Globo

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o histórico julgamento do Mensalão, Cezar Peluso acredita que parte da sociedade busca um punitivismo contra os acusados de corrupção.

“Ao juiz não cabe a missão messiânica de mudar a cultura da sociedade mediante condenações para não permitir uma suposta impunidade. Ao juiz cabe julgar”, afirma. Segundo ele, o uso judicial dos diálogos obtidos ilegalmente das conversas entre os procuradores da Lava-Jato será decido no STF.  

Por que hoje em dia é mais fácil para um brasileiro médio saber os nomes dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal do que dos titulares da seleção brasileira?
Começou com a transmissão das sessões de julgamentos do STF pela TV Justiça. Embora se trate de um fato irreversível — ninguém conseguiria evitar que a TV transmita as sessões, pois haveria acusações de falta de transparência —, é da natureza humana ter comportamento diferente perante as câmaras. Onde a televisão foca os juízes decidindo, os juízes deixam, de certo modo, de ser juízes, e passam a agir como atores. Duvido que discussão sobre qualquer dos assuntos objeto das decisões do Supremo provocaria os mesmos excessos verbais se fosse travada em ambiente reservado.

Na sua experiência, algum ministro teve o seu voto influenciado por estar exposto às câmaras?
Não sou capaz de fazer avaliação de caráter subjetivo a respeito, mas há o risco, e isso já basta. E não se restringe aos ministros do Supremo, mas alcança os juízes em geral, porque está dentro do quadro de intimidação que os juízes vêm sofrendo. É subproduto desse ambiente de ódio, em que as pessoas já não suportam a diversidade de pontos de vista. Os juízes estão sendo objeto dessa pressão. 

O senhor enxerga uma intimidação ao Judiciário?
Sem dúvida. O Judiciário se defronta com intimidação exercida, dentre outros meios, pelos canais da internet, que expressam aspirações imediatistas das multidões. Por exemplo, é fato conhecido que certo juiz, ao conceder habeas corpus de procedência claríssima, que não podia ser negado, relativo à Lava-Jato, concedeu o habeas, mas fez uma advertência: “olha, estou concedendo o habeas corpus, mas não sou contra a Lava-Jato”. Ou seja, há preocupação de salvaguardar a imagem própria diante dessa pressão.

Mas a sociedade não tem direito de fiscalizar o Judiciário?
Sim, lógico, mas o problema é a cultura de punitivismo, inspirada no caldo dessa revolta justa contra a corrupção, mas também incentivado por setores da imprensa. É uma fase de ódio absurdo na sociedade brasileira, sobretudo dirigida contra o STF, mas também contra todo o Judiciário. Alguns ministros do STF, em certas circunstancias, não podem sair à rua.

A origem dessa atenção toda ao STF está no julgamento do Mensalão, em 2012. Qual o saldo do julgamento?
O processo e o julgamento da Ação Penal 470 (Mensalão) foram admiráveis. Tínhamos no relator, ministro Joaquim Barbosa, um juiz muito rigoroso, mas em nenhum passo do processo o STF foi leniente com a legalidade. Teoricamente admitimos que algumas teses que o Supremo adotou podem ser discutíveis, como a questão da ‘teoria do domínio do fato’, mas nada sobre a irrepreensibilidade do processo e do julgamento dos réus. Aí nasceu essa expectativa distorcida de que o Judiciário tem que ser sempre punitivo. Se é divulgado que certas pessoas são culpadas, independentemente do que se apure no processo segundo as regras legais e garantias constitucionais, setores da sociedade, inclusive da imprensa, pretendem que esses réus sejam punidos de qualquer maneira.

Qual efeito da pressão do punitivismo?
As pessoas não percebem que juízes não estão aqui para condenar ninguém. Essa não é a função do Judiciário. A função do Judiciário é julgar, condenando quando as provas produzidas segundo as regras legais e constitucionais assim determinem, ou absolvendo, em caso contrário.

E aí entra outro aspecto: alguns juízes, com mais vocação política do que de magistrado, assumem papel messiânico de responder aos apelos da sociedade e, nisso, podem transformar o Judiciário em órgão de persecução penal, de condenação. Nesse caso, corremos riscos de arbitrariedades a título de dar satisfação à pressão de setores da opinião pública. 

O senhor está se referindo à Lava Jato?
Em relação à Lava Jato, reservo-me a não dizer o que penso a respeito das revelações do site The Intercept (sobre os vazamentos de diálogos dos promotores obtidos ilegalmente por um hacker). Mas, se, por hipótese, as revelações forem verdadeiras, a ilicitude na sua aquisição vai provocar uma discussão que terminará no Supremo Tribunal Federal: embora como prova ilícita não possam condenar ninguém, podem ser usadas para absolver alguém? Ou para anular processo? O Supremo tem encontro marcado com essa questão.

Qual a sua posição?  
Diálogos obtidos ilegalmente não podem ser usados para condenar ninguém, mas seria iniquidade dizer que não se pode usar prova ilícita para absolver um réu que ostensivamente, segundo esses dados, não cometeu o crime. O Direito não foi feito para isso. 

Qual sua avaliação sobre os juízes que entram na política, como o ministro Sergio Moro, o governador Wilson Witzel, a senadora Selma Arruda?
Alguns juízes têm mais vocação de políticos do que de magistrados, o que acaba sendo confirmado pelo fato histórico de deixarem a função jurisdicional para, legitimamente, assumir nova carreira.

Mas isso pode de algum modo suscitar a suspeita de que alguns juízes estariam mais propensos a tomar atitudes ditadas menos pela interpretação da lei do que pelo impulso de exercer, ainda que inconscientemente, a missão política de fazer revolução cultural ou social. Ao Judiciário não cabe função primordial de combater a corrupção; isso é do objetivo e da competência da polícia e do Ministério Público.

Ao juiz, não cabe a tarefa messiânica de mudar a cultura da sociedade mediante condenações para não permitir uma suposta impunidade. E acho que nem toda a sociedade quer juízes-celebridade.

Como assim?
Há setores que querem juízes justiceiros, mas noto uma saudável nostalgia dos velhos juízes, recatados, circunspectos, dotados de gravidade, com uma vida pública e privada irrepreensíveis, discretíssimos.

Qual a sua opinião sobre o novo julgamento do STF sobre condenação em segunda instância?
Fui um dos ministros que levaram à revisão da jurisprudência do Supremo (em julgamento em 2009). Muitas pessoas, inclusive alguns juízes, dizem que a norma constitucional estabelece a presunção de inocência. Não é isso. Que é que essa regra diz? Diz apenas que, enquanto não haja, por parte do Judiciário, seja no processo, seja antes do processo, uma sentença transitada em julgada, isto é, contra a qual não caiba recurso e que reconheça a culpa do réu, os juízes não podem aplicar a esse réu, nem a investigado, nenhuma medida restritiva a seu patrimônio jurídico considerado no sentido amplo, isto é, não apenas à liberdade física, mas também a seu patrimônio material. Ponto.  

Em 2016, o STF mudou essa jurisprudência sem justificativa, salvo a pressão da sociedade contra suposta impunidade de suspeitos de corrupção. Aí que houve a revisão. O que aconteceu agora (com o julgamento de novembro) foi restabelecer o julgamento de 2009.

O que o senhor acha da iniciativa de parte do Congresso que discute hoje mudar a Constituição para permitir a prisão em segunda instância?
A meu juízo, a norma constitucional, de garantia individual, não pode ser modificada de jeito nenhum.

Mas o senhor fez uma PEC sobre o tema.
Sim, mas eu não estava preocupado em prender ninguém, mas em acabar com a crise sistêmica do Judiciário, da indústria dos recursos, em que manobras protelatórias retardam o fim dos processos e adiam a execução das sentenças.

A PEC dos Recursos, que inspirei, alterava o termo do ‘trânsito em julgado’. Ao invés de ser a última decisão de todos os recursos previstos na Constituição, fixaria o trânsito em julgado das decisões, sejam civis, criminais, trabalhistas, em segundo grau.  

Pela minha sugestão, os processos terminariam depois do julgamento do juiz de primeiro grau e do tribunal competente de segundo grau. Os recursos às cortes superiores não impediriam a execução imediata das decisões dos tribunais estaduais e regionais. Os recursos e outras vias continuariam existindo como hoje, em especial o habeas corpus, mas os recursos extraordinários já não poderiam ser usados para travar a execução das sentenças. Isso significa, por exemplo, que União, Estados e Municípios teriam de pagar os precatórios, ao invés de protelar seu pagamento. Acho que a sociedade não estava preparada para proposta tão ousada.  

Nesses dez anos, o Supremo decidiu sobre aborto de fetos anencéfalos, criminalização da homofobia, cotas nas universidades. O STF está tomando o lugar do Congresso?
Essa acusação de ativismo do STF, no geral, é exagerada. Há uma dialética entre Parlamento e Judiciário, em todo lugar. Se decisões judiciais não são aceitas pela sociedade, toca ao Parlamento alterar a legislação em que o Judiciário se baseia. Se o Parlamento não muda essa legislação, se o Judiciário é chamado a se pronunciar em análise da Constituição, ele terá que tomar uma atitude, exercendo sua função de zelar pela integridade da Carta.

Como o senhor avalia as manifestações de rua pedindo o fechamento do Supremo?
Demonstram que o Supremo é visto como grande artífice da legalidade e que atrapalha os propósitos de sua quebra. São resultado do clima de intimidação a que me referi. Todo mundo é contra a corrupção, porque a corrupção é um mal, é crime, é danosa ao país. E como se combate a corrupção? Nos limites da lei. O fato de o crime ser de corrupção não justifica que a lei não seja observada.  E é extremo exagero dizer que a corrupção é o grande mal do país. Somos a segunda ou terceira maior concentração de renda do mundo, e não raro a multidão sai às ruas para fazer campanha contra esse estado de coisa, mas alguma vez assistimos a manifestações públicas que clamem por um pouco mais de justiça social, de redistribuição de renda? Não. Mas, se é para combater a corrupção, muitos saem à rua. Por quê? Porque supõem que a corrupção seja a coisa mais importante. Não acho que seja. E, depois, porque corrupção no Brasil é endêmica e atávica, cuja cultura só pode ser erradicada pela educação. Ninguém faz campanha de rua contra sonegação de imposto, faz? Não faz. O sonegador de imposto não causa dano ao país? Causa e muito, mas isso não move as pessoas, porque quem sai as ruas às vezes sonega imposto, corrompe o guardinha da esquina, o policial rodoviário.  
 

19 thoughts on “Cezar Peluso diz que fase de “ódio absurdo” e cultura de punitivismo intimidam o Judiciário

  1. Provas adquiridas ilegalmente são ilegais e pronto! Esse mimimi todo é para contorcerem os fatos até chegarem onde querem, anular os crimes do molusco. E se a sociedade não largar mão desses movimentos de rua e saírem independentemente por conta própria, essas forças Escuras conseguiram o intento.

  2. Com todo o respeito, divirjo da opinião do ex-ministro Cézar Peluso. É verdade que tivemos recentemente um ministro recentemente que foi digno, mesmo ante as câmaras de televisão, que não foi leniente com a legalidade. Todavia, ele foi a exceção, e não a regra informal dos atuais ministros do STF.

    Se mesmo com a televisão mostrando ao vivo para todo o país os vergonhosos votos de Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, sempre lenientes com a corrupção, imaginem o que estes ministros do STF poderiam fazer se as sessões do STF fossem secretas, vedadas ao conhecimento público.

    O povo brasileiro, pagador de impostos e com estes impostos o alto salário dos juízes, está farto de ver parlamentares corruptos serem absolvidos ou mesmo obtendo o arquivamento de seus processos por corrupção, a exemplo de Renan Calheiros acontecendo à luz dos holofotes focados nas decisões lenientes com a legalidade. Se a imprensa não pudesse trazer a público, colocar ao vivo os votos dos ministros na televisão, ou quando isto não acontece, noticiar o arquivamento de processos de parlamentares sabidamente criminosos e com robustas provas, teríamos mais políticos bandidos soltos, além dos muitos que já estão processados e seus processos ou são arquivados pelo STF, ou se beneficiam com a prescrição de seus processos por decurso de prazo, como é o caso de Fernando Collor de Mello, que todos sabem que cometeu vários crimes quando foi presidente da República, mas seu processo criminal foi prescrito porque este ainda senador, que continua atuante, apesar da idade, continua apto para continuar senador, mas passa a ser inapto para ser condenado porque fez 70 anos de idade.

    Além do mais, o ex-ministro Cezar Peluso deixa claro em seu depoimento que é mais um garantista, como Gilmar, Lewandowsky, Marco Aurélio Mello, Rosa Weber, Dias Toffoli, Celso de Mello, Gilmar Mendes , que não compreendem que de 1988 para cá o Brasil mudou, os crimes passaram a ser mais sofisticados, como o roubo na Petrobrás, como as “rachadinhas”, e que a interpretação da letra dúbia contida na Constituição (a meu entender escrita de má fé pelos constituintes de 1988) com uma frase incompleta escrita por constituintes que tinham praticado crimes ou que tinham a intensão de, se eleitos, praticarem crimes, que diz que “ninguém será preso sem o trânsito em julgado”, frase que não define o que seja o trânsito em julgado, tanto é que este assunto volta a ser revisto diversas vezes pela corte, que ora entende o trânsito em julgado de uma maneira, ora entende o contrário.

    Tudo que os brasileiros necessitam, em se tratando do poder judiciário é, em primeiro lugar, acabar com a extrema morosidade nos julgamentos de processos, e do afastamento dos garantistas não só no STF , mas também nas cortes inferiores. E magistrados do STF também precisam ser processados e julgados, pelo mesmo STF, obviamente sem os votos desses magistrados, porque juiz não pode julgar-se a si próprio, mas pelo pleno da corte, quando ocorre caso de depósitos irregulares feitos por suas esposas, com mesadas a ministros, casos já detectados pelo COAF e de conhecimento do Ministério Público, mas que o STF, corporativamente não abre processo e mesmo não recebe denúncia do Ministério Público sobre estes crimes tão graves.

  3. Gostei dos comentários do Cezar Peluso, afinal de contas vão ao encontro do que penso e que já expressei aqui na TI.
    Por exemplo, extraindo da entrevista:

    “A PEC dos Recursos, que inspirei, alterava o termo do ‘trânsito em julgado’. Ao invés de ser a última decisão de todos os recursos previstos na Constituição, fixaria o trânsito em julgado das decisões, sejam civis, criminais, trabalhistas, em segundo grau.”

    “Todo mundo é contra a corrupção, porque a corrupção é um mal, é crime, é danosa ao país. E como se combate a corrupção? Nos limites da lei. O fato de o crime ser de corrupção não justifica que a lei não seja observada. E é extremo exagero dizer que a corrupção é o grande mal do país. Somos a segunda ou terceira maior concentração de renda do mundo, e não raro a multidão sai às ruas para fazer campanha contra esse estado de coisa, mas alguma vez assistimos a manifestações públicas que clamem por um pouco mais de justiça social, de redistribuição de renda? Não. Mas, se é para combater a corrupção, muitos saem à rua. Por quê? Porque supõem que a corrupção seja a coisa mais importante. Não acho que seja. E, depois, porque corrupção no Brasil é endêmica e atávica, cuja cultura só pode ser erradicada pela educação. Ninguém faz campanha de rua contra sonegação de imposto, faz? Não faz. O sonegador de imposto não causa dano ao país? Causa e muito, mas isso não move as pessoas, porque quem sai as ruas às vezes sonega imposto, corrompe o guardinha da esquina, o policial rodoviário.”

    • Tremendo papo furado esses questionamentos de Peluso.
      A realidade dos fatos é que o povo está cansado deste estado que não pune o criminoso, cobra impostos de países socialistas, absurdos como por exemplo pasmem, 62% nos combustíveis, para sustentar uma máquina estatal caríssima, contra a má gestão e também corrupção como se viu descaradamente nos governos passados. Isto tudo faz parte da insatisfação popular que inclui muito desemprego e miséria.

      • A realidade dos fatos? Humm, acho que já discutimos isso.

        Infelizmente, a maioria do povo não exprime o seu descontentamento com ações coletivas. Somente as classes que tem um pouco mais de poder aquisitivo protestam.

        • Talvez porque a maioria das pessoas tenha de dar duro para sobreviver. Ativismo se torna fácil para quem tem a vida ganha, e não precisa trabalhar para pagar as contas.

  4. Peluso é ministro aposentado do STF. Não é ex-ministro, como insistem. Inclusive famosos com espaços preciosos na imprensa. Se erram de propósito, porque se julgam sábios e não admitem críticas nem colaborações isentas, só o manual do jornal, tv ou revista deles é que sabem. No STF não existe a figura de ex-ministro. Entrou lá, sai como ministro aposentado. Permanecem ganhando salários. Nenhum ex-ministro recebe salários. Como Peluso, tem uma penca de aposentados da Suprema Corte, vivos, faceiros e muitos deles dando entrevistas. Exemplos, Jobim, Pertence, Veloso, Barbosa, Sanches. Grecie, Grau, Ayres e Rezek. Ministros de outros tribunais superiores que também se aposentam, devem ser tratados, porque é verdade, como ministros aposentados.

  5. Respeitosamente, mas Peluso mordeu a própria língua.

    Transcrevendo através da postagem do meu conterrâneo Vidal parte da entrevista do ex-presidente do STF, o digno senhor se contradiz de uma forma pueril!
    Assim Peluso se manifesta:

    “ … E é extremo exagero dizer que a corrupção é o grande mal do país … Mas, se é para combater a corrupção, muitos saem à rua. Por quê? Porque supõem que a corrupção seja a coisa mais importante. Não acho que seja. E, depois, porque corrupção no Brasil é endêmica e atávica, cuja cultura só pode ser erradicada pela educação. Ninguém faz campanha de rua contra sonegação de imposto, faz? Não faz. O sonegador de imposto não causa dano ao país? Causa e muito, mas isso não move as pessoas, porque quem sai as ruas às vezes sonega imposto, corrompe o guardinha da esquina, o policial rodoviário.”

    Alega que a corrupção é um extremo exagero sendo classificada como o mal do país.
    Ora, então qual seria o mal nacional?!
    O roubo dos poderes constituídos?
    Mas não são nacionais?!

    Depois, surpreendentemente, afirma que a corrupção é endêmica e atávica, ou seja, Peluso disse que a corrupção se restringe a uma região(?!), e vai sendo transmitida hereditariamente(?!).
    A frase é um atentado à lógica, ainda mais sendo proferida por quem possui cultura e conhecimentos!
    Qual seria a região, então, onde a corrupção se localiza exclusivamente, significado de endêmica?
    Depois, Peluso afirma que a corrupção se transmite por “hereditariedade”, que quer dizer atávico, uma declaração no mínimo absurda e ofensa à Medicina, que jamais descobriu que os desvios de caráter de uma pessoa corrupta e corruptora advém de genes, de pai para filho!
    Aliás, neste aspecto, Beluso tem razão e, de outro, comete uma das maiores ofensas contra o cidadão brasileiro.
    Por exemplo, os filhos de Lula e Bolsonaro são corruptos, logo, os filhos de todos os políticos e parlamentares serão corruptos na análise de Peluso.
    Mas, os filhos de quem nasce na mesma região da doença (endêmica) e seus pais são honestos, a prole não será corrupta (atávica) porque não são políticas e parlamentares, porém sonegadoras de impostos!

    Afirma que a corrupção só será erradicada pela educação.
    Outra afirmação esdrúxula e ridícula.
    Conforme disse anteriormente, se a corrupção é endêmica (em uma região apenas) e atávica (hereditariedade), de nada adiantará a educação naquela região e para as pessoas que lá nascem ou que sejam filhos de políticos e parlamentares!
    Peluso usou o Calvinismo, onde o religioso afirmava que, Deus predestinou os seus escolhidos para a salvação, uma vez que a humanidade após o pecado não teria condições de se voltar ao Criador por estarem mortos em seus pecados e delitos.

    Por último, Peluso meteu os pés pelas mãos, conforme eu dissera no início:
    Quem não é corrupto porque fora da região onde ela se mantém, e os pais não são políticos e parlamentares, Peluso as acusa de sonegadoras de impostos!
    E, para o sonegador ou seus cúmplices, ou seja, o povo porque não faz campanha contra a sonegação de impostos – a suprema contradição e infeliz -, o entrevistado sequer comentou sobre a educação para essa classe de pessoas, as sonegadoras!

    Em síntese:
    O povo não tem mais jeito e solução, consequentemente, o Judiciário deve agir livre de corruptos e sonegadores para que possa sentenciar com base na lei (????!!!!), haja vista que o cidadão (população do pais como um todo) exige apenas e tão somente a punição para os corruptos e corruptores, menos para os sonegadores!

    Em outras palavras:
    Salvar-se-ão apenas os magistrados, pois mesmo que corruptos e sonegadores, trata-se dos escolhidos que irão designar quem deve ou não ir para o céu!

    Credo, mas além dos males que temos e insolúveis, agora temos de conviver com entrevistas malucas, insanas, doidas, sem pé e cabeça e, o gravíssimo desta situação:
    Advindas de juristas, de doutores em leis, de pessoas cultas e, supostamente, inteligentes, pois neste caso, Peluso demonstrou que a sua mente é dotada de poucas luzes, fracas e bruxuleantes!

    • ““ … E é extremo exagero dizer que a corrupção é o grande mal do país … Mas, se é para combater a corrupção, muitos saem à rua. Por quê? Porque supõem que a corrupção seja a coisa mais importante. Não acho que seja. E, depois, porque corrupção no Brasil é endêmica e atávica, cuja cultura só pode ser erradicada pela educação. Ninguém faz campanha de rua contra sonegação de imposto, faz? Não faz. O sonegador de imposto não causa dano ao país? Causa e muito, mas isso não move as pessoas, porque quem sai as ruas às vezes sonega imposto, corrompe o guardinha da esquina, o policial rodoviário.”

      Como se corrupção e sonegação de impostos fossem coisas absolutamente separadas. Algum corrupto paga impostos sobre o que recebe ilegalmente? como declararia?
      Além do mais, Peluso ignora ou finge ignorar a complexidade humana. Uma pessoa pode sim, eventualmente, praticar uma coisa que acha condenável, sem necessariamente ser um hipócrita completo. Até porque nem sempre se pode escapar das circunstâncias de viver neste país.

    • Caro Bendl,

      a corrupção é endêmica no Brasil. Não está correto dizer isso?
      E atávica, no sentido de ser transmitida de pais para filhos, que está presente na nossa cultura. Também de modo geral, não está correto?

      Veja os exemplos presentes no nosso país.

      Não sei se isso mudaria com a educação formal. Acho que não.

      Para alterar essa cultura, teríamos que incentivar a mudança da atitude nas pessoas, a fim de que a mesma se reflita no comportamento. Não é um processo fácil e rápido. E, necessariamente, tem de começar na parte de cima, com o exemplo. Caso contrário, permaneceremos na mesma. Talvez Peluso tenha se referido a isso.

      Abraço, saúde e vida longa.

      • Meu prezado Vidal,

        Não está correto dizer que a corrupção é endêmica, pois a palavra que dizer em um certo local, uma região.
        Se ela está localizada, seria muito mais fácil combatê-la!

        Igualmente, trata-se de um erro crasso, absurdo, ridículo, até, pois advindo de uma pessoa dotada de conhecimentos e cultura, afirmar que a corrupção é “atávica”.

        Peluso endoidou?
        Conforme ele declarou, e tu tentaste explicar o inexplicável, Vidal, querendo ajudar o entrevistado, se a corrupção fosse transmitida de pai para filho, então o assassino, o ladrão, o estelionatário, o pedófilo, o estuprador … transmitiriam para seus filhos o mesmo desvio de caráter!

        Por que seria apenas a corrupção?!
        E por que os nossos genes apenas carregariam consigo esta patologia específica, a corrupção??!!

        Entendo que Peluso quer mais é aliviar os crimes praticados pelos políticos e parlamentares, haja vista que as suas explicações para este mal que seria impossível saná-lo a não ser pela educação, o ministro errou pateticamente, pois a doença somente poderia ser debelada com … antibióticos!

        Observa, Vidal, a asneira monumental proferida por Peluso:
        se a corrupção é atávica, então Brasília é o lugar onde ela é endêmica;
        se a corrupção é atávica, ou seja, transmitida de pai para filho, igualmente os filhos transmitirão a seus filhos a corrupção, e assim por diante, até mesmo fora do local onde ela está ativa e incurável!

        Logo, perda de tempo e dinheiro, querer que esteja na educação a cura para os corruptos e corruptores, pois impossível, diante da sua hereditariedade!!!

        Peluso quis reinventar a roda, mas acabou fazendo um quadrado, mais ou menos como deve estar a sua mente:
        encaixotada em confusões mentais, para amenizar a corrupção que atinge até mesmo seus pares!

        Abração.
        Saúde.

  6. Tô dizendo …
    As castas decidiram jogar milho para o povo, entendendo que não vamos captar a mensagem do mestre, logo, sai a proferir impropérios e palavras sem qualquer nexo entre elas!

    Peluso seria o quê, na sua ótica?
    Se não é corrupto e sonegador, indiscutivelmente seria … mentiroso!

  7. Vaidade faz coisas: No afã de querer se mostrar mais apurado na visão dos fatos, Peluso acaba por subestimar a inteligência do povo, que sabe muito bem o que: competência e moralidade, não só contra corruptos, mas contra todos que o prejudica com outros tipos de crime na máquina pública.

    Peluso, o povo não é bobo como vc pensa.

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