One thought on “Charge do Duke

  1. MOSCA QUE INFECTA O BRASIL E O MUNDO – O MONTURO

    Pelas úmidas campinas
    Corre o outono amarelento:
    O cerúleo espaço imenso
    Tolda-o o nimbo pardacento;
    E na antes frutífera parra,
    E no recôndito asilo,
    Já não descanta a cigarra,
    Já não trina o alegre grilo.

    Os troncos negros das florestas,
    Nus de folha e verdes copas,
    São como espectros sinistros,
    Envoltos em negras bostas;
    E nas frestas das portadas,
    E nos áridos maninhos
    Uivam ríspidas lufadas.
    Dias de túrbido aspecto!

    Como vós, nas sombras luta
    Quem viu num mosquito infecto
    A flor que amara impoluta.
    Ha pouco o dia, a bonança,
    O azul da lúcida esfera;

    Agora a escura lembrança
    De uma enganosa quimera;
    E nos primórdios da aurora,
    Na longínqua soledade,
    A treva que sempre chora,
    A perpétua escuridade!

    Triste de quem nos alvores
    Da primavera dos anos
    Sentiu no peito as agruras
    De funestos desenganos!

    Assim o bêbado passa
    Da beatitude à tristeza,
    Se trouxe aos lábios a taça,
    Onde sonhara um Falerno,
    Mas por diabólica graça
    Colheu peçonhas do inferno!

    Triste de quem nos alvores
    Da primavera dos anos
    Sentiu no peito as agruras
    De funestos desenganos!

    Então, nesses paroxismos,
    A louca procela em fúria,
    Ruindo pelos abismos,
    Soluce a rouca lamúria
    Dos supremos cataclismos!
    Que a tristeza se minora.

    Nos embates da tormenta;
    Une a desgraça o que chora
    Ao que na dor se lamenta!

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