Chateaubriand, interpretação de uma vida. A trajetória da memória, do nascimento até a morte, pelo caminho estreitíssimo, irrevogável e indecifrável, da GENÉTICA, do DESTINO, do TALENTO ou INTELIGÊNCIA.

José Carlos Werneck:
Magnífico o seu artigo.Só desconhecia o episódio da tentativa de Carlos Lacerda de salvar o filho de Roberto Marinho”.

Altivo Moreno:
No ramo de jornais, isto é, a verdadeira imprensa dos anos sessenta para trás, os melhores jornais factuais estavam em mãos de grandes jornalistas de Chatô.
São Paulo à época tinha os seguintes jornais diários: Gazeta Mercantil – só área econômica. Estadão – voltado para um público elitista. Folha – não era tão influente no meio como hoje. Gazeta Esportiva – imbatível no esporte. Diário de São Paulo – nada a ver com o DSP atual. Diário da Noite – excelente jornal factual. Notícias Populares – sensacionalista mas… Diário Popular – muito bom em anúncios médios e factual. Popular da Tarde – esporte. Ultima Hora – publicava colunas do Plínio Marcos e do Nelson Rodrigues.”

Hugo Gomes de Almeida:
Hélio: sua prodigiosa memória, enriquecida evidentemente de muita leitura, produz textos importantíssimos que enriquecem quantos têm a sorte de conhecê-los. Chateaubriand muito cedo adquiriu projeção intelectual, principalmente quando recém-formado disputou a cátedra de Direito Romano com Joaquim Pimenta, que já detinha a livre-docência e era figura respeitabilíssima em meio da intelectualidade do Recife. Foi Joaquim Pimenta um dos pioneiros da causa socialista no Brasil.
Realizadas as provas, verificou-se empate entre os nomeados disputantes. O desempate deveria haver galardoado Joaquim Pimenta, que já ocupava docência na mesma faculdade, mas, surpreendentemente, não acontecera. Chateaubriand, posto muito jovem,  já era uma figura, como depois se comprovara, que não tinha limites na capacidade aliciante.
Em Recife tinha a proteção do general governador Dantas Barreto e da família da namorada, muito influente. Não se contentou com a proteção local e, com sua ilimitada audácia, partiu para o Rio de Janeiro, com cartas de recomendação, tendo conseguido audiência com o Presidente da República, à época, Wenceslau Brás. Este o premiou, dando-lhe ganho de causa com a nomeação para reger a cadeira.”

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado ao Werneck, o habitual. Ao Altivo, relação impressionante dos jornais de São Paulo, que em determinada época, chegaram a 19 diários. (O Rio teve 18). Foram diminuindo antes mesmo do avanço da tecnologia, que não vai matar os “impressos”, apenas reduzi-los.

Ao Hugo Gomes de Almeida e seu grande conhecimento sobre o jornalista Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, que ele mesmo, com satisfação, gostava que fosse apenas, Doutor Assis, que personagem, que figura.

Não posso deixar de fazer referência, a mais ligeira possível, ao que Hugo chama de minha “prodigiosa memória”. Em vez de receber como elogio, agradeço o que passou a ser lugar comum, a constatação proclamada e obrigatória.

A memória propriamente dita. Veio comigo, deve ter sido dádiva de Deus. Não acredito em religião e sim na fé. Não sou católico nem ateu, uma das minhas grandes admirações é Jesus Cristo, o pregador e o personagem, devorados pela liturgia da Igreja Católica.

Além desse fato inexplicável, normalmente identificado como “memória prodigiosa”, veio daí, cresceu com a curiosidade inata e alimentada, há o fato incontestável, de que compreendi desde muito cedo, que como num automovel a memória não se transporta sem combustível.

Voltemos ao Doutor Assis e a outros que se realizaram até mesmo sem saberem que estavam se realizando. Por pura intuição ou reflexão, cheguei à conclusão de que essa realização só pode ser alcançada de três formas, três maneiras, identificadas com três palavras, muito mais profundas do que se estivessem no mais importante dicionário.

1 – GENÉTICA.

2 – DESTINO.

3 – TALENTO ou INTELIGÊNCIA, às vezes as duas ligadas, irmanadas, consolidadas.

O Doutor Assis, nascido no interior da Paraíba, no desconhecido e praticamente inexistente Umbuzeiro, não tinha nem podia ter mesmo, a menor ligação com a GENÉTICA. Já mergulhado no trabalho antes dos 13 anos, quando precisava dele para sobrevivência diária, nem imaginava sequer que a palavra fosse tão importante.

Identificável, mas raríssima, essa GENÉTICA só pode ser conhecida, consagrada e exaltada, muito depois, geralmente nos obituários escritos sobre o personagem. Mas nada no nascimento do Doutor Assis, faz acreditar que, anterior a esse nascimento, existisse alguma razão que o encaminhasse aos 23 anos de idade, para conquistar em concurso intelectual, as cátedras de Direito Romano e Filosofia do Direito.

Surge então o segundo “motivador”, o DESTINO. Este, relevante e presente, mas impossível de ser localizado, interpretado ou descoberto antecipadamente. Deve ter tido, e teve mesmo, enorme influência na sua carreira, na conquista das cátedras aos 23 anos.

Muito mais popular do que a GENÉTICA, é até citado popularmente, muita gente justifica, dizendo, mesmo sem conhecimento ou  convicção: “Era o seu DESTINO”. (Aí a referência não é só ao Doutor Assis, mas a todos que se destacam, geralmente de forma surpreendente. Já a explicação da GENÉTICA, é mais intelectualizada, e precisa de ancestrais, que palavra, naturalmente famosos e admirados).

E finalmente o terceiro e último fator, esse o verdadeiro, o que tem raízes próprias, que foi plantado, adubado, tratado com carinho, que é o TALENTO, complementado pela INTELIGÊNCIA. Existe o TALENTO diminuído pela falta de INTELIGÊNCIA, e esta sem o TALENTO. Mas quando se juntam os dois, TALENTO e INTELIGÊNCIA, nasce, cresce e não morre nunca essa árvore gigantesca que pode ter um nome próprio, Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, como ensina Hugo Gomes de Almeida.

***

PS – Fora desses TRÊS ITENS, ninguém chega a lugar algum. O mundo caminha para os 7 BILHÕES de pessoas. As que se enquadram nas três identificações, menos de 1 BILHÃO, pouco mais de 10 por cento.

PS2 – Os outros mais de 6 BILHÕES trabalham em bancos como Bradesco-Itaú, vendem automóveis para ricos, servem a donos de órgãos poderosos que remuneram os trabalhadores com salário mínimo, recebem aumentos de 7,7%.

PS3 – Ficam a existência inteira rondando a vida, mas sem viverem.

PS4 – De qualquer maneira, num estágio superior, só descoberto (ou negado) no meio do caminho, seja o da GENÉTICA, do DESTINO ou do TALENTO-INTELIGÊNCIA, juntos, separados, não se desligam de maneira alguma da MEMÓRIA.

PS5 – Hoje existe a CULTURA DO GOOGLE, que ilude mas não vale muito. É até uma cultura destruidora e de consulta momentânea.

PS6 – Chateaubriand não se enquadrou na GENÉTICA. Tem todo o tipo de ter sido favorecido pelo DESTINO. E certamente, aí sem nenhuma dúvida, tinha TALENTO e INTELIGÊNCIA. Por sorte, simultâneos.

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