Chico Buarque, o rei e o Ano Novo

O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Hollanda deixou, historicamente, a ironia fazer festa na letra de “Ano Novo” contra a ditadura militar que, na época, imperava no país. O menino, na primeira estrofe, passa rapidamente da indiferença à comoção, pois o autoridade, o Rei, deseja que todos se alegrem, pois o ano novo está chegando, e ele, obediente, não contesta a ordem. Se ao rei não interessa ver a realidade, mascarem-se os fatos, oculte-se o sofrimento, a cegueira, a doença, a falta. A música ”Ano Novo” foi gravada no LP Chico Buarque de Holanda – Volume II, em 1967, pela RGE.

ANO NOVO
Chico Buarque

O rei chegou
E já mandou tocar os sinos
Na cidade inteira
É pra cantar os hinos
Hastear bandeiras
E eu que sou menino
Muito obediente
Estava indiferente
Logo me comovo
Pra ficar contente
Porque é Ano Novo

Há muito tempo
Que essa minha gente
Vai vivendo a muque
É o mesmo batente
É o mesmo batuque
Já ficou descrente
É sempre o mesmo truque
E que já viu de pé
O mesmo velho ovo
Hoje fica contente
Porque é Ano Novo

A minha nega me pediu um vestido
Novo e colorido
Pra comemorar
Eu disse:
Finja que não está descalça
Dance alguma valsa
Quero ser seu par

E ao meu amigo que não vê mais graça
Todo ano que passa
Só lhe faz chorar
Eu disse:
Homem, tenha seu orgulho
Não faça barulho
O rei não vai gostar

E quem for cego veja de repente
Todo o azul da vida
Quem estiver doente
Saia na corrida
Quem tiver presente
Traga o mais vistoso
Quem tiver juízo
Fique bem ditoso

Quem tiver sorriso
Fique lá na frente
Pois vendo valente
E tão leal seu povo
O rei fica contente
Porque é Ano Novo

(Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

14 thoughts on “Chico Buarque, o rei e o Ano Novo

  1. Em quem chico se inspira para elaborar essas letras? Nessa, pelo menos, nele mesmo é que não é. Não na realidade em que vive. Me parece que a intenção dele é agradar à nossa boa e velha esquerdinha caviar com sua falácia de que estão do lado dos oprimidos e por isso, e como sempre fez e faz usa-os como moeda sentimental para corromper os frágeis emocionais e culturais. Dá certo e dá dinheiro. Ganhou muito. Tem até apartamento em Paris.
    O interessante é seu posicionamento a favor do rei de Cuba, que está a 54 anos no poder e o ano pros cubanos não muda nunca. Só piora. Todo ano que passa só faz aquela gente chorar:
    Vai vivendo a muque
    É o mesmo batente
    É o mesmo batuque
    Já ficou descrente
    É sempre o mesmo truque
    E que já viu de pé
    O mesmo velho ovo

  2. Inacreditável constatar um artista do nível de Chico Buarque, autor de letras memoráveis e que continuam super atuais apareça na televisão fazendo parte de uma campanha eleitoral mentirosa, sórdida e imunda dizendo que inicialmente tinha votado na presidANTA por causa do molusco capo de nove dedos e que novamente votaria nela por causa dela mesmo. Uma decepção total. Não precisamos de “intelectuais” como este senhor, que ainda vive uma utopia cega, atrasada e populista (e de repente profícua) . Será que ele não vê o que acontece à sua volta? Como sempre tenho dito aqui, é muita hipocrisia!

  3. Wagner, Edson, Mauro e Rogério, estão certíssimos. Chico Buarque, não é socialista, é sim um grande comerciante do socialismo, para ser mais claro, ele fatura e ganha a vida, pregando o que ele não vive. Ele e o Lula Safo da Vida, são muito parecidos, dois grandes FARSANTES , não é mesmo ?

  4. Esta letra refere-se a ditadura militar que vigorava no brasil desde 1964 e foi gravada, em 1967, conforme o Paulo Peres explica. Logo, o Chico Buarque petista de hoje é mais um farsante petista.

  5. A Cleidiner está correta, porque no tempo da ditadura o Chico Buarque passagem uma imagem bem diferente da atual para o povo, principalmente, para os estudante e algumas classes de trabalhadores da época.

  6. Chico, seu comportamento não condiz com esta frase.
    Vc é um acomodado, burguesão, conivente com as maracutaias petralhas, elite-esquerda caviar, beneficiário do bolsa ditadura com 30 mil mensais da Viúva… Ah!! E mais 1 milhão na mão. Aliás como muitos de seus amigos, tipo Ziraldo e Conny.

    • Aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, em 2002, a lei 10.559 – ou simplesmente o Bolsa Ditadura (como foi batizado pela imprensa) – tinha o objetivo de reparar danos impostos a cidadãos brasileiros durante o regime militar estabelecido em 1964. De lá para cá, o Bolsa Ditadura já custou R$ 2,5 bilhões aos cofres do país em pensões e compensações. O benefício foi concedido a mais de doze mil pessoas e outras milhares – estima-se em sete mil – estão na fila de requerimento. Ao lado delas, um punhado de advogados que incentivam os pedidos de indenizações e, para cada causa ganha, recebem comissões que vão de dez a 30 por cento. As pensões – mensais, permanentes e continuadas – variam entre 800 e 8.000 mensais. Já as compensações – indenizações pagas de uma só vez – podem ultrapassar a casa do milhão de reais. Falar no assunto em certos meios é mexer em vespeiro.

      A lei, vigente desde o governo Fernando Henrique – concede reparação a todos os perseguidos políticos que apresentarem requerimento e documentação à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Esta comissão julga cada caso e concede o benefício aos que aprova. O cálculo do valor deverá considerar a remuneração que o beneficiário receberia atualmente se tivesse continuado na atividade que exercia à época.

      No grupo dos beneficiados estão Ziraldo Alves Pinto, escritor e chargista, e o cartunista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe – o Jaguar – que ganharam o direito a pensões mensais de R$ 4.365,88 e ainda exatos R$ 1.000.253,24 de indenização para cada um. A ex-guerrilheira Estela – hoje ministra da Casa Civil, Dilma Vana Roussef Linhares – recebeu indenizações por três diferentes estados – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – que somaram R$ 72 mil. O jornalista Carlos Heitor Cony e a viúva do seringueiro Chico Mendes, Ilzamar Gadelha Mendes, também conquistaram suas cotas. Cony ganhou indenização retroativa de R$ 1.417.072,75 e reparação mensal de R$ 19.115,19. Nada mal! Ilzamar foi indenizada em R$ 337.800,00 e recebe – desde o ano passado – pensão mensal de R$ 3 mil. Preso por 31 dias em 79, Luiz Inácio Lula da Silva percebe cerca de R$ 5 mil por mês. Impressiona a velocidade e generosidade com que os pagamentos do Bolsa Ditadura são decididos – ao contrário do que ocorre em aposentadorias comuns, pagamentos de precatórios e questões trabalhistas diversas.

      O deputado federal Fernando Gabeira, que participou de movimentos armados contra a ditadura, do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick e acabou exilado por dez anos, nunca pediu a indenização a que teria direito: “Não solicitei porque minha atividade naquele período foi consciente. O risco estava bastante nítido para mim. Além disso, embora tenha deixado meu trabalho de jornalista, o exílio me enriqueceu muito, de forma que, ao retornar, tinha possibilidades mais diversas”, revela. O parlamentar acha justo que a indenização seja paga em alguns casos: “Não posso fazer uma lista complexa de critérios, mas penso que pessoas inocentes, colhidas por acaso nas malhas da repressão, sem inclusive saber do que estava acontecendo realmente no Brasil, mereciam compensação”. Outro que recusou o benefício foi o humorista Millôr Fernandes. Quando esta polêmica começou – há cerca de dois anos – foi dele a frase ácida: “Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?”

      Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, defende a legitimidade do benefício e acha que houve uma campanha orquestrada por uma parte da grande imprensa com o claro objetivo de desmerecer o direito adquirido por aqueles que sofreram prejuízos e danos durante os anos da ditadura militar: “Essa expressão – bolsa ditadura – foi uma sacanagem do jornal O Globo com o objetivo de questionar a legitimidade às reparações que receberam o Ziraldo e o Jaguar, por exemplo. Mais que uma ofensa, esta foi uma agressão, das mais ignominiosas, à história do país”, afirmou.

      Você está mentindo. Chico ( nem Caetano nem Gil) não usufrui da bolsa-ditadura. Observe desde quando a lei está em vigor.

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