Cientistas políticos avaliam que o general Braga Netto não teria apoio militar em “aventura golpista”

Analistas acreditam que Braga Netto esteja blefando

Sarah Teófilo
Correio Braziliense

A última semana foi marcada pela divulgação de um suposto recado do ministro da Defesa, general Braga Netto, ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), condicionando a realização das eleições de 2022 à aprovação, na Casa, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que institui o voto impresso. O militar negou a informação, noticiada pelo jornal O Estado de S. Paulo, mas defendeu a mudança no sistema eleitoral.

Consultados pelo Correio, historiadores que estudam os militares no Brasil classificam como remoto o risco de ruptura institucional promovida pela categoria. A avaliação deles, entretanto, é de que a postura do Ministério da Defesa tem o objetivo de reforçar uma “campanha de medo” para tentar frear as apurações da CPI da Covid, no Senado, que estão atingindo militares.

CRISE COM A CPI – De acordo com a reportagem do Estadão, a suposta ameaça de Braga Netto ocorreu em 8 de julho, data que coincide com a crise entre fardados e a comissão parlamentar, que tem apurado a relação de militares com negociações suspeitas de aquisição de vacinas contra o novo coronavírus.

Diante dos avanços nas investigações, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou, no último dia 7, que os bons militares deviam estar envergonhados com o “lado podre das Forças” Armadas. No mesmo dia, o Ministério da Defesa divulgou uma dura nota, assinada pelos comandantes do Exército, Aeronáutica e Marinha, além do próprio Braga Netto, enfatizando que “não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”.

No dia 9, o jornal O Globo publicou entrevista com o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, na qual ele dizia que as Forças não emitiriam 50 notas, que seria apenas aquela. “Homem armado não ameaça”, enfatizou. O comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, apoiou a postura, ao publicar a entrevista em seu Twitter. O comandante do Exército, general Paulo Sérgio de Oliveira, ficou em silêncio.

RECADO DE BRAGA NETTO – Professor de história contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Francisco Teixeira, estudioso da história militar, afirma que é preciso entender o suposto recado de Braga Netto no contexto do clima de CPI.

“Os fenômenos-chaves são o ‘lado podre’ das Forças Armadas e a tentativa de abrir uma punição contra Pazuello (general da ativa Eduardo Pazuello, que não foi punido após participar de evento político, proibido pelas regras dos militares)”, diz.

“O que desmoralizou as Forças, fundamentalmente, foi aquele rol de coronéis fazendo negociata e a necessidade clara de punir o Pazuello. Se essas duas avançam, toda tentativa de ter as Forças       

BLINDAR OS MILITARES – Teixeira ressalta que Braga Netto tentou paralisar a CPI em tudo que se referia a militares. Nesse cenário, apesar de o general mostrar-se um grande bolsonarista, o professor avalia que ele não vocaliza o conjunto de militares, porque não tem liderança na caserna, tampouco apoio, e que as últimas ameaças tentam cativar respaldo por parte daqueles que estão em volta do presidente. “

Ele tem muita resistência interna. Parece-me que está falando isso para unificar esse grupo minoritário que está em torno do Bolsonaro no momento em que ele se mostra muito enfraquecido”, analisa.

Rodrigo Patto Sá Motta, professor de história da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avalia que risco de ruptura existe, mas que os militares estão passando recado para Lira, ou enviando nota para CPI, justamente para amedrontar.

CAMPANHA DE TERROR – “Estão pelo menos fazendo uma campanha de terror. Acho que o objetivo imediato deles é, por meio do medo, conseguir o que querem: que a CPI se contenha, que não vá à frente em investigações. É um jogo de ameaça. Tem um certo elemento de blefe.”

De acordo com ele, é preciso ponderar se há possibilidade de ir “além do blefe”, porque o Brasil já trilhou esse caminho. “Mas é menos provável hoje, em função das mudanças no mundo, no país. A questão é sempre avaliar qual o tamanho do risco, se tem como sair do blefe e se tornar algo concreto”, explica.

Também estudioso da história militar, João Roberto Martins Filho, professor titular sênior da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é outro que acredita existir a tentativa de fazer “campanha de terror”. “Só que a sociedade não está com medo, está impaciente. Postura de outros Poderes e órgãos mostram isso”, diz. Fazem ameaças, mas, na verdade, querem assustar a CPI para não ir muito longe na questão dos coronéis.”

SEM RUPTURA – Ele vê como “muito difícil” tentativa de ruptura, até porque não existe apoio da sociedade, como ocorreu no passado. “Se houvesse uma tentativa vinda do ministro da Defesa, com apoio do presidente, isso poderia gerar uma divisão no alto-comando do Exército, que, talvez, não acompanhasse uma aventura que não tem futuro.”

Segundo Martins Filho, o cenário é de um governo e um ministro enfraquecidos. O professor aponta que Braga Netto é um radical apoiador de Bolsonaro, mas que os militares estão observando os grandes desgastes de suas imagens promovidos pelo general.

Diz o estudioso que a divisão começou lá atrás, quando o presidente demitiu todos os comandantes e o então ministro da Defesa, general Fernando Azevedo. A situação piorou com a decisão de não punir o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, por participar de evento político ao lado do chefe do Planalto.

9 thoughts on “Cientistas políticos avaliam que o general Braga Netto não teria apoio militar em “aventura golpista”

  1. Alguns filhos ficam na bota do Papai-Corrupto-Ladrão , mas preferem o anonimato, não tem ligações com a política, a não ser, mamar nas Tetas Públicas com o dinheiro roubado
    São vários filhos e filhas nessa situação
    Mas outros entram para a politica como o Papai-Corrupto-Ladrão, querem está no meio do lamaçal corruptivo e fincar os pés familiares, para assim se perpetuarem no poder…..
    Então mais algumas lembranças desses filhos que entram de sola nos cofres públicos…

    Helder Barbalho recebeu 1,5 mi da Odebrecht em 2014, diz delator
    No mesmo inquérito, também é investigado o senador petista , processado por envolvimento no mensalão

    Leia mais em: https://veja.abril.com.br/politica/ministro-helder-barbalho-recebeu-r-15-mi-da-odebrecht-em-2014/

  2. Cada instituição defende a corrupção como pode; o legislativo legislou enfraquecendo muito o combate a corrupção, o executivo colocou um procurador para quebrar a ponta de lança do combate a corrupção (lava jato) o judiciário transformou o bandido em mocinho e mocinho em bandido e soltou todos, até mesmo chefes do narcotráfico e os militares?!!!!
    Cada um responde com seu arcabouço institucional; o que importa é : “Que dê o meu manoooo?!!!
    E a sociedade?!!! Pague e não bufe, se não já sabe né!!!

  3. General é oficial da ativa. Quando ele passa para a reserva ele é general-da-reserva até ser reformado. Reserva quer dizer que ele poderia ser chamado á ativa em caso de extrema emergência embora com poucas chances de ser útil. O general-da-reserva não tem direito a continência, ele é um civil com saudades dos tempos do direita, volver!

  4. Golpes militares estão fora de moda.
    O Tio Sam agora só patrocina golpes maquiados de legalidade. Paraguai, Brasil, Bolívia, são alguns exemplos.

  5. A “direitalha” continua a fazer o que sabe fazer e o faz desde antanho:

    ARMANDO, literalmente, buchas de canhão para continuar a roubar, mentir, explorar os frutos do trabalho da maioria absoluta da população

    – enquanto posam de cristãos, de honestos, de defensores da lei e da ordem.

    Quanto aos seus lacaios – mudam de assunto, apontam as falcatruas dos adversários -, unicamente com o objetivo de salvaguardar a imagem dos amos, enquanto buscam passar como “isentões”.

    Que tempo de baixo nível… Arre, égua!

      • Primeiro ano de Mandato (2019), da BolsoKicis e a moça já detonou meus cofres públicos..
        Isso porque dizia ela que tudo ia ser diferente, é a nova politica, “vamos (des)moralizar o Congresso, vamos zelar pelo dinheiro público,”
        Vamos cortar na própria carne, ”
        “Para que esse monte de assessores, 4,5 está de bom tamanho”…

        E a moça já chutou o pau da barraca logo que inicio o mandato.

        BIA KICIS

        Verba de gabinete em 2019

        A verba de gabinete, no valor mensal de R$ 111.675,59 por deputado, destina-se a pagar os salários de até 25 secretários parlamentares que trabalham para o mandato, em Brasília ou nos estados.

        Mês Valor disponível (R$) Valor gasto (R$)
        02 111.675,59 81.293,53
        03 111.675,59 98.683,72
        04 111.675,59 106.508,36
        05 111.675,59 105.747,83
        06 111.675,59 106.382,39
        07 111.675,59 108.592,89
        08 111.675,59 105.749,79
        09 111.675,59 102.021,07
        10 111.675,59 104.964,57
        11 111.675,59 100.541,02
        12 111.675,59 100.541,02

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