Ciranda da miséria

Carlos Chagas

Aumentou o número dos que recebem o bolsa-família: mais 800 mil necessitados, por conta da ampliação de três para cinco filhos de cada mãe que  faz jus a esse auxílio, chegando  aos 242 reais mensais. Ótimo. Nada a opor. Sem isso, mais de 13 milhões de famílias estariam mendigando, passando fome e hesitando entre o cemitério ou a cadeia.

Indaga-se, porém, se o assistencialismo é solução, já que cresce de ano para ano, ao tempo em que o governo apregoa ir a economia muito bem, estando o Brasil imune à crise que assola o planeta. Para evitar o pior, claro que é válido o bolsa-família, mas se o número de miseráveis aumenta, não seria hora de questionar o modelo que multiplica a miséria enquanto favorece o lucro do sistema financeiro?

Não será através do bolsa-família que o país sairá dessa ciranda da miséria. Logo seremos atingidos pela onda recessiva responsável pelo caos da Europa, a débacle dos Estados Unidos e a fome na África. Será então, pelo modelo vigente, a  hora de aumentar impostos, congelar os salários,  promover o desemprego em massa e cortar investimentos em políticas sociais. Fórmula imposta pelos mesmos de sempre, os que lucram com a especulação financeira.

Quebrar o círculo de giz, só com a determinação de  enfrentar os responsáveis pela crise, que, se não dispõem de força para interromper o bolsa-família, insurgem-se contra gastos nas políticas públicas, em especial saúde, educação e segurança. Diante dessa encruzilhada já nos defrontamos vezes incontáveis, sempre com a prevalência dos interesses da minoria. Depuseram Getúlio Vargas e João Goulart e cooptaram o Lula. Disputam palmo a palmo as concepções de Dilma Rousseff. Só que a ciranda da miséria não é ilimitada. Esgota-se na implosão.

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CUIDADO, OBAMA 

Golpes de estado, ao estilo clássico, estão afastados, nos Estados Unidos. Não se tem notícia, em toda a sua História, de Juntas Militares ou da tomada do poder por caudilhos, à força. Lá,  utilizam outra fórmula, a de assassinar presidentes da República.  A crônica registra montes de tentativas, umas bem sucedidas, outras malogradas, mas todas desenvolvidas em função de interesses contrariados.

O presidente Barack Obama acaba de comprar briga monumental com o establihment americano ao propor o corte de  gastos no sistema industrial-militar, mola-mestra de tantas guerras, bem como elevar os tributos dos cidadãos ricos. Com isso, mais de três trilhões de dólares desapareceriam do deficit público que seu governo enfrenta.

Deve cuidar-se, caso a oposição careça de forças para impedir seu projeto no Congresso. 

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GREVE SE FAZ CONTRA PATRÃO

Ontem, terça-feira, Brasília amanheceu sem ônibus urbanos. Sumiram todos na hora em que os trabalhadores se dirigiam para suas ocupações, assim como à noitinha, na hora de voltar para casa. Tem razão os motoristas e trocadores em protestar contra o descumprimento de acordo celebrado em junho com as empresas, até agora ignorado. 

O problema é a forma do protesto, porque quem sofre com tais paralizações  é o trabalhador. Greve não se faz contra o povo, mas contra patrão. A mesma coisa está acontecendo no país inteiro  por conta da greve nos Correios. Quem tem carro livra-se da ausência do transporte coletivo, só que a maioria não tem. Aqueles que dispõem de computador e de tempo para digitá-lo comunicam-se por e-mails. Menos a grande massa de assalariados que deixa de receber a correspondência.                                              

No caso dos ônibus, a solução seria que trafegassem com as catracas abertas, ou seja, o usuário não pagaria passagem e os patrões logo chegariam a  um acordo, em função do prejuízo. Quanto aos carteiros, que se organizassem para boicotar as comunicações do governo, patrão deles todos, jamais  a correspondência  do cidadão comum.  Seria difícil, mas profundamente eficaz.

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SE O PMDB FICAR, O PT TAMBÉM FICA  

Já se olha bem adiante, no Congresso. José Sarney presidiu o Senado no biênio 2009-2010, podendo continuar em 2011-2012 por tratar-se de outra Legislatura.  Assim, tem direito a mais uma rodada, em 2013-2014, pelas disposições vigentes.

Na Câmara, como compensação pela prevalência do PMDB no Senado, o PT emplacou Marco Maia para presidir a casa em 2011-2012, sucedendo Michel Temer, do PMDB.

Estava acertado um rodízio, ou seja, a partir  de 2013, o PT assumiria no Senado e o PMDB, na Câmara. O problema é que os senadores do PMDB, amplamente  majoritários, não vêem porque entregar a presidência so companheiros. Assim, já cuidam de sedimentar  a permanência de Sarney. O resultado seria o PT manter a direção maior na Câmara, com Marco Maia ou outro deputado da legenda. Renovação que é bom, ficaria para mais tarde.

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