Circulação da Folha, do Estadão e do Globo sobe, apesar da internet

Pedro do Coutto    

Reportagem publicada no caderno econômico da Folha de São Paulo, edição de sexta-feira 25, revela que em fevereiro deste ano a circulação média diária dos três maiores jornais do país, a própria FSP, O Globo e O Estado de São Paulo, subiu apesar da concorrência com a internet. O que acentua, em minha opinião, estar começando a ser alcançado um ponto de convergência entre o jornal de papel e o produzido na tela eletrônica.

A Folha, a informação é do IVC, Instituto Verificador de Circulação, bíblia da publicidade, atingiu a escala de 316 mil exemplares, incluindo bancas e assinaturas. O Globo foi o segundo com 271 mil. O Estado de São Paulo o terceiro registrando 256 mil. Todos estes três cresceram em fevereiro sobre janeiro, tendência mensal que vem se mantendo constante.

O número médio de leitores por exemplar é de 3,5. Expressivo, porque Folha, Estado, Globo, concorrem entre si nas áreas A e B, de poder aquisitivo mais alto, e atuando nas faixas de decisão tanto da política propriamente ditada quanto na econômica e financeira. A FSP liderou o crescimento com a taxa de 4,6 por cento. Muito alta.

Vale assinalar que os integrantes do segmento sensíveis aos impulsos e análises dos três grandes possuem poder aquisitivo para comprar seu tríplice conjunto diariamente. Mas eu acentuei no título que o avanço verificou-se apesar do acesso às páginas pela internet.

Foi o que aconteceu. A Folha de São Paulo alcançou 168 mil acessos diários no facebook para uma circulação de 316 mil exemplares. Ocupa a terceira posição mundial, destaca a reportagem, somente superada pelo New York Times (1 milhão e 200 mil acessos) e pelo Wall Street Journal, de Rudolf Murdock, com 234 mil. O New York Times vende 3 milhões de exemplares por dia. Está, como se vê, consolidada nos números internacionais a sintonia entre a mídia tradicional e a mídia nas telas da internet. Era previsível.

 A certo momento, alguns teóricos que nunca viveram uma redação de jornal achavam o contrário. Sempre houve e haverá no mundo os teóricos de atividades francamente abertas, acessíveis a todos, como o jornalismo. Qualquer um pode escrever no jornal. E bem. Não é esta a questão. O desafio está na pesagem dos temas e nas diversas características e setores que cercam a comunicação.

Os editoriais, por exemplo, somente pode ser acompanhados nas páginas, não nas telas. A página, acho eu, é para ler. A tela para ver. Atacar alguém ou alguma política ou denunciar atitude econômica pela internet não causa  menor impacto. Impacto causa linguagem escrito nestes casos. Mas haverá sempre os que dão palpite em tudo sem ter certeza de nada.

Na minha vida profissional, de mais de meio século, testemunhei muitos casos. Aparecem de repente nas redações os amigos dos filhos dos proprietários, são designados para cargos de direção. Começa pelos postos de comando. Surpresa o que estou dizendo? Nem tanto. Quando o Boni foi substituído na direção geral da Rede Globo, seu lugar foi ocupado pela economista Marluce Dias Pereira. Nunca tinha entrado numa emissora. Olha que episódio aconteceu numa das três maiores redes de TV do mundo.

Mas não desejo me afastar do tema título. Volto a ele, retorno a convergência entre a folha de papel e a tela eletrônica. Caminho lógico, desfecho também. Ninguém pode andar acessando o laptop ou o netbook pelas ruas. É um perigo. Além do mais, as edições eletrônicas dos jornais não reproduzem os jornais integralmente.

Restringem-se a alguns pontos, sinteticamente,  nem faria sentido se completas fossem. Aí sim, os jornais não desapareceriam, mas perderiam uma parcela de leitores. Não aconteceu. Ao longo da História, um novo meio de comunicação sempre se acrescentou ao que existia. Nunca o substituiu.

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