Ciro Gomes, apontado como terceiro homem para 2022, não participou do movimento das ruas contra Bolsonaro

Ausência de Ciro Gomes representou uma oportunidade perdida

Pedro do Coutto

Reportagem de Jan Niklas e Bianca Gomes, edição de domingo de O Globo, destaca o protesto contra o governo Jair Bolsonaro que levou milhares de pessoas às ruas de cidades do país e também tiveram a adesão de brasileiros residentes no exterior. Todos pedindo pela vacinação e o impeachment do presidente da República, além de estenderem o movimento contra o esquema de corrupção que surgiu na questão de compra de imunizantes.

A repercussão foi muito grande, mas a ausência do ex-governador Ciro Gomes representou uma oportunidade perdida por ele de se afirmar como um candidato independente de Lula, mas ao mesmo tempo contrário à reeleição e às ameaças de Bolsonaro. Faltou perspectiva porque no fundo da questão Ciro Gomes é de fato o único nome que pode ser colocado no centro da polarização entre o ex-presidente Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro.

ALTERNATIVA – Mas é preciso considerar que ele, Ciro Gomes, para tentar chegar ao segundo turno nas urnas de outubro de 2022 só possui um caminho, além do pequeno percentual de votos que possui; arrebatar os bolsonaristas arrependidos.

Fora daí, não há espaço para ele. Não consegue tirar dez votos do líder do PT. O título deste artigo está inspirado no filme do diretor Carol Reed, “O terceiro homem”, com a participação da Orson Welles no elenco.

PRAZO – O presidente Jair Bolsonaro desde que se desfiliou do PSL não ingressou em nenhuma outra legenda partidária e terá que fazê-lo até outubro, pois a lei partidária estabelece que qualquer pessoa para se candidatar tem que ter filiação até um ano antes das eleições. O prazo colocado para Bolsonaro tem o limite de 3 de outubro deste ano.

Por incrível que pareça, Bolsonaro tem encontrado dificuldades em inscrever-se em alguma legenda, uma situação singular na história política moderna do país. De modo geral, as direções partidárias estão sempre abertas para a inscrição de um presidente da República. Mas não é o caso que se aplica a Bolsonaro.

Reportagem de Ricardo Della Coletta, Julia Chaib e Daniel Carvalho, Folha de S. Paulo, revelou ontem que o próprio PP, que participa do governo, encontra-se dividido sobre se aceita ou não o ingresso de Bolsonaro em seus quadros. Não conseguindo inscrição, Bolsonaro cria um caso único na Justiça Eleitoral; um presidente da República inelegível por falta de inscrição partidária.

RESTRIÇÕES – Correntes de outros partidos, além de uma fração PP, também levantam restrições a conceder registro eleitoral ao presidente que dentro de menos de 18 meses se dispõe a tentar a reeleição, chegando ao ponto de fazer ameaças de cancelar o pleito se as urnas eletrônicas não forem substituídas pelo voto impresso.

É claro que após o pronunciamento dos generais Braga Netto e Hamilton Mourão, o presidente da República ficou sem espaço político e terá que recuar. Aliás, já recuou. Não há outro caminho e vale lembrar que a política é a arte de comunicar coisas e situações que os lábios não pronunciam.

CONSUMO – Falei há pouco sobre o erro de Ciro Gomes ao não comparecer às manifestações. São muitas as queixas populares contra o governo que congela salários e aceita o aumento de preços, tornando o consumo alimentar dos brasileiros de menor renda impossivel. Estes, provavelmente, terão que comer um dia sim e outro não. Incluindo seus filhos e suas famílias.

Paulo Soprana, Leonardo Vieceli e Daniela Arcanjo, Folha de S.Paulo, revelam que as classes pobres sentem muito mais a alta de preços do que as classes médias e os de renda mais elevada. Isso porque para os de menor remuneração, mais atingidos inclusive pelo desemprego, o peso percentual da alimentação é maior do que para as demais categorias sociais.

Com isso, amplia-se a fome que forma, ao lado da escassez de saneamento, transporte e habitação, uma válvula de pressão e opressão permanente contra aqueles que ganham até um salário mínimo. Uma faixa que reúne também aqueles que nem o mínimo recebem por mês. Por tudo isso, ratifico, o terceiro homem para as urnas de 2022 evaporou-se no meio da multidão.

17 thoughts on “Ciro Gomes, apontado como terceiro homem para 2022, não participou do movimento das ruas contra Bolsonaro

  1. Para uma terceira candidatura ser viável ela tem que apresentar algumas características já vividas no passado.
    1- Tem que aparecer na undécima hora. Quando tudo parece perdido. O Salvador da Pátria.
    2 – deve ter muito boa aparência. Ser jovial. Dinâmico tal como os super heróis.
    3 – Ter um discurso pronto. Ambíguo em todos os temas. Usar jargões de fácil repetição.
    Ciro não preenche tais requisitos. Não vai decolar.

  2. As Manisfestações “Democráticas” e com aglomerações, mais uma vez vandaliza o Centro de Tucanópolis, Agências Bancárias e Empresas foram alvos da violência comunopata doentia.
    Será que o Merval está sabendo disso?

  3. O que ganha eleição é voto nas urnas e não gente na rua, que, no caso, estão apenas colocando azeitonas nas empadas do demotucanismo, bancado pelo erário paulista, o queridinho dos grandalhões da mídia mercenária, que quer porque quer que Bolsonaro ceda o seu lugar cativo para o pupilo dela, com a petezada e a cirada, sem juízo, dando a maior força, sem noção de que serão o Bolsonaro dele$ amanhã, como já foram no passado até recente.

  4. QUAL TERCEIRA VIA ? A terceira via do mais dos me$mo$ (situação e oposição), puxadinho ou variante da primeira ou da segunda, ou a Terceira Via de Verdade, antissistema, libertadora, que propõe a nova política de verdade com o megaprojeto novo e alternativo de política e de nação, o novo caminho para o novo Brasil de Verdade, porque evoluir é preciso. Eis a questão. Vamos combinar que o sistema político que ai está com prazo de validade vencido há muito tempo revelou-se ou foi transformado pela velha política num lixão a céu aberto, e neste contexto falar em terceira via dos me$mo$ é apenas laborar em prol de mais 171 eleitoral, à moda me engana que eu gosto, que só convém aos espertos, oportunistas e aproveitadores do sistema podre que estão sempre de plantão, com as suas vítimas choramingando logo depois das eleições, dizendo que foram enganadas, parecendo um bando de desmemoriados. Depois dos R$ 6 bilhões do tal fundão eleitoral indicando que a próxima pegada poderá chegar aos R$ 15 bilhões, se as vítimas permanecerem caladas, se todos apartidários tivessem um mínimo de noção da realidade que nos cerca e nos domina aproveitaria 2022, na surdina, e, de surpresa, mandaria o sistema inteiro para o lixão da história do Brasil, como propõe a terceira via de verdade, antissistema, libertadora, com o megaprojeto novo e alternativo de política e de nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso.

    • Vai.., com o fundo partidário, o fundão eleitoral e o João Santana a tiracolo ? Seis, papudo. Conte agora aquela do papagaio. Vai salvar o Brasil do Bolsonaro, do Lula, do Dória…, e pegá-lo para ele, com que roupa, aquela comprada pelo fundo partidário e o famigerado fundão eleitoral indecoroso ? Os psicopatas do sistema podre são isto sim casos de camisa de força e internação em manicômio de segurança máxima. Quem tem que salvar o Brasil é o povão, tirando-o das mãos sujas dos ladrão do fundão, ou dos psicopatas loucos por poder, dinheiro, vantagens e privilégios, nas costas da população trabalhadora e contribuinte, Ciro, à moda quinta-coluna, continuísta da mesmice do sistema podre, a meu ver, vai só atrapalhar o advento da terceira via de verdade, servindo como puxadinho do Bolsonaro e do Lula, a turma do mais dos me$mo$, a exemplo de 2018, e as sovas eleitorais anteriores.

      • ”Quem tem que salvar o Brasil é o povão, tirando-o das mãos sujas dos ladrão do fundão, ou dos psicopatas loucos por poder, dinheiro, vantagens e privilégios, nas costas da população trabalhadora e contribuinte,”””

        E tem que ser daquele jeito.

    • Salvar o Brasil do que e de quem, do jeito que o Bolsonaro salvou, sentando no colo do centrão e afundando ainda mais no pântano da corrupção ?

  5. Cangaceiro, Coroné do Sertão, já fez muita kagada e aprontou demais da conta.
    Teve sua chance, perdeu todas, o povo não escolheu para sentar na cadeira mais suja do Planeta.
    Entonces, acabou, chega.
    Vá curtir o dinheiro das “sardinhas” da Odebrejo junto com sua famiglia e deixe o Páis em Paz.
    O Páis tem de seguir em frente., sem os mesmos lixos ainda mais com um lixão do João Luladrão Santana….

    • PS. Paris ou Cuba te espera de braços abertos.
      Faça boa viagem, e se piquem, como dizia o saudoso Galeâo Cumbica….

      OBS : Cumbica, para quem não sabe, é um bairro da região de Guarulhos, e onde fica o Aeroporto Internacional de Guarulhos…

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