Ciro Gomes diz que desentendimentos com Lula não foram superados, mas que “diálogo foi retomado”

Pedetista descartou possibilidade de compor chapa com Lula

Sérgio Roxo
O Globo

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) afirmou nesta segunda-feira, dia 23, que não superou os desentendimentos com o ex-presidente Lula (PT), com quem se encontrou em setembro conforme revelou o Globo. Disse, porém, que a conversa serviu para a retomada do diálogo.

“Nós conversamos depois de quase dois de desentendimentos profundos. Não superamos os desentendimentos, mas restauramos o diálogo. Ele me convidou para conversar e acho que política a gente faz conversando, dialogando, mesmo que eu tenho entrado com as mesmas ideias e saído com as mesmas convicções e ele, certamente, entrou com as mesmas convicções que saiu”, afirmou Ciro, em entrevista à Rádio Jornal Pernambuco.

DIFERENÇAS – O pedetista ainda afirmou que a conversa serviu para tratar “as diferenças de forma franca, aberta, sincera, pensando na questão do Brasil”. O ex-ministro atacou o PT e principalmente a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff. Anteriormente, já havia afirmado que conversa serviu para lavar roupa-suja.

Para Ciro, Lula “impôs a Dilma para continuar mandando” e assim acabou criando as condições para que Jair Bolsonaro fosse eleito em 2018. “A Dilma, sem nenhuma experiência, se agarra na economia mais atrasada e a  corrupção generalizada, que infleizmente não dá para ser escondida, (o ex-ministro Antonio) Palocci era braço direito do Lula. Isso criou as condições no Brasil para o povo  por desespero, por raiva, por frustração, que eu compreendo com a minha alma, votar neste absurdo que está se revelando ser o Bolsonaro”, afirmou.

CHAPA – Indagado sobre a opinião do marqueteiro João Santana, revelada em em entrevista ao programa Roda Viva, de que uma chapa com Ciro e Lula de vice seria imbatível, o pedetista descartou essa possibilidade: “Isso não existe, o Lula é grande demais. O Lula deveria, se ele tivesse um pouco de grandeza, até em respeito a si próprio, guardar o lugar justo que ele tem na história. Um presidente que fez muita coisa pelo povo naquele momento, mas que errou profundamente na política, a ponto de ser ele a maior vítima”.

Ciro lembrou a prisão de Lula para exemplificar a consequência do erro político do ex-presidente. “Não tenho nenhum prazer em lembrar: o Lula foi bater na cadeia, com duas condenações, já vêm mais seis processos. E precipitou o país com a Dilma. Ele sabe. A Dilma não é uma pessoa desonrada, é uma pessoa séria. Nós aqui no Ceará demos dois terços do votos contra o impeachment, portanto não me meto nessa história de que a Dilma é uma corrupta, mas a Dilma desastrou o Brasil. Quando ela assumiu o desemprego era 4% quando saiu estava em 14%”, afirmou.

APOIO A BOULOS – O ex-ministro também falou sobre o seu apoio a Guilherme Boulos (PSOL) no segundo turno da eleição de São Paulo e a sua aparição no horário eleitoral do candidato ao lado de Lula, do governador Flávio Dino (PCdoB) e de Marina Silva (Rede). Na avaliação de Ciro, a união foi provocada não por Boulos, mas pela vontade de derrotar o governador João Doria (PSDB), padrinho político do prefeito Bruno Covas.

“Saiu que Boulos uniu toda esquerda e a centro-esquerda do Brasil. Isso não é verdade. Quem conseguiu unir todos foi o Doria. O Doria é um governador tão desastrado, tão reacionário, anti-povo,  anti-nacional, que há a necessidade mudar São Paulo, a bem do Brasil”, disse.

Ciro ainda avaliou que a eleição municipal foi marcada pela derrota do PT e do bolsonarismo. “Foi uma vitória importante desse campo que nega os extremos. O luopetismo corrompido e o bolsonarismo boçal foram varridos da vida brasileira nas grandes cidades”, destacou. No fim de semana, Ciro esteve no Recife para participar da campanha de João Campos (PSB), adversário da petista Marília Arraes no segundo turno da eleição da capital pernambucana.  

6 thoughts on “Ciro Gomes diz que desentendimentos com Lula não foram superados, mas que “diálogo foi retomado”

  1. Lula já enganou Ciro duas vezes. Na primeira oportunidade, propôs que o ex-governador cearense mudasse seu domicílio eleitoral para São Paulo, para se candidatar a governador com apoio do PT e quebrar a hegemonia dos tucanos, para depois ser candidato a presidente, coligado ao PT.

    Ciro acreditou, pensou que se tornaria herdeiro do espólio político de Lula e isso atrapalhou e atrasou muito sua carreira política.

    Na sucessão de 2018, quando Ciro Gomes voltou a ter chance de chegar ao segundo turno, desta vez concorrendo pelo PDT, Lula se reaproximou dele, demorou muito a escolher o candidato do PT e ficou dando esperanças ao político cearense. Na expectativa de receber apoio, Ciro elogiava Lula e o PT, acabou perdendo muitos votos com essa postura.

    Vai ser enganado a terceira vez. tudo pela ganancia politica do coronel de Sobral.

  2. O coronel nordestino não quer admitir que com o outro coronel, o pestista esta conversa fiada de “união das esquerdas” não passa de conversa fiada. Para não levar a fama de que é ruim de diálogo, o Cangaciro se sujeitou a ter mais um diálogo de surdos com o 51. Desta vez o 51 não tem vantagem alguma para oferecer para a “união das esquerdas”, o partido conseguiu sair menor do que entrou nestas eleições .

  3. Acaso Ciro Gomes deixar-se desmanchar pelo bafo emoliente do Lula, já vi que o paulista/cearense não tem sangue no zóio!
    Seria a negação do sentimento, do qual o brasileiro dever-se-ia prover com carga plena: VINGANÇA!

  4. Tolice. Pura ilusão. “União”, “parceria” inútil. Convenhamos, repito: sabidões de araque que apenas dão mais asas para que avance a reeleição de Bolsonaro. Francamente!

  5. O que me interessa mesmo são as ideias. Um projeto para o país se desenvolver. Por enquanto, quem tem e fala sobre um projeto é Ciro Gomes.

    Acho que qualquer projeto de desenvolvimento deve ser realista, inclusivo e de longo prazo. Considerar o nosso deficit fiscal é obrigatório em qualquer programa decente. Temos que aumentar a nossa arrecadação sem aumentarmos a carga tributária das empresas e da classe média para baixo. De preferência, propor uma reforma tributária que redistribua essa carga de maneira mais justa.

    Qualquer programa de governo deve considerar também a nossa reindustrialização e a nossa tecnologia, a fim de aumentarmos e qualificarmos os empregos. Também deve incluir as áreas de educação (principalmente a básica) e saúde.

    O voto distrital, com redução gradativa dos parlamentares é outra proposta que pode ser levada adiante.

    Enfim, são muitas as coisas que devem ser feitas, mas é inviável fazer tudo ao mesmo tempo, logo devem ser elegidas prioridades.

    Há pouco tempo li uma entrevista dada pelo atual presidente argentino, onde ele fala que o defeito no seu país é cultuar o personalismo em vez de discutir ideias. Será que acontece isso no Brasil?

    Mas quem se expõe no Brasil em propor algum projeto além de Ciro? A mídia publica ou só interessa as manchetes que vendem fácil à população?

    Peguemos o caso de Trump. Sim, ele foi um mau presidente no sentido geral, mas em matéria econômica teve aprovação ampla, tanto é que obteve muitos votos. Biden deve dar continuidade à essa política, tanto é que já declarou dar preferência aos produtos nacionais, além de dizer que irá lutar por aumentar a renda da classe média de lá.

    E no Brasil queremos continuar na mesmice ou tentar algo novo? Há quanto tempo não temos um projeto de longo prazo?

    Se a pessoa ideal para isso é Ciro? Não sei. Como escrevi, se continuarmos cultuando personalidades, olvidando-nos das ideias, ficaremos sempre nos queixando. Precisamos exigir que os possíveis candidatos coloquem as suas ideias para analisarmos de acordo com nossas convicções. E que sejam realistas, não utópicas, sempre lembrando que as receitas são finitas.

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