Ciro na ofensiva contra Serra e Aécio

Pedro do Coutto

Em declarações dos jornalistas Eduardo Kath, no Estado de S. Paulo de sexta-feira, o ex-governador Ciro Gomes voltou à ofensiva contra a candidatura de José Serra, sustentando que está violentando a de Aécio Neves, a seu ver o candidato natural de Minas Gerais. O ataque é dirigido nitidamente a impedir uma aliança que já perdeu seu tempo como uma capa eleitoral, mas com o apoio de um candidato a senador, Aécio, a um presidenciável, Serra.

Com isso, Ciro começa a imprimir o tom da campanha que pretende desenvolver ao lado de Lula e Dilma Roussef, aliás antecipada na véspera no horário político do PSB, quando lançou uma série de elogios em série às obras e realizações ao atual presidente da República. Ciro, agora, joga para dividir São Paulo e Minas, por menor que seja a influência de Aécio, como candidato a senador ao postulante do PSDB ao palácio do Planalto.

Ficou nítida, porém, a estratégia de Ciro Gomes enfrentando Geraldo Alckmin em São Paulo, José Serra a Dilma Roussef pela presidência da República. Ciro pode até perder em São Paulo, mas sem dúvida diminuirá a diferença de voto entre a coligação PT-PMDB da PSB-PPS-PR, no caso de um segundo turno o PV de Marina Silva.

É verdade que há uma dissidência no PMDB de Pernambuco de Jarbas Vasconcelos. Mas são doses minúsculas. Na área do PMDB inclusive a impressão que se tem é a de que Ciro quer vencer as resistências e ser mesmo o vice de Dilma. Mas com isso, Ciro se expõe frontalmente aos ataques paulistas à sua candidatura por São Paulo.

Poderão ser por elas, mas o Palácio do Planalto no fundo teme uma base paulista aliada a um alicerce mineiro. Inclusive existe ainda a candidatura de Itamar Franco possivelmente. Se aliar-se junto com Aécio enfrentando Dilma a sigla do PR de Alencar não será das mais importantes, não vai dispor de tempo na televisão.

Além disso, a candidatura Garotinho pode enfrentar Sergio Cabral no Rio de Janeiro desde que se coloque no segundo turno. Nesta hipótese, Cabral corre o risco de uma união entre Gabeira, Garotinho ou alguém que possa aparecer à última hora. São dois pólos opostos federais e estaduais. Por isso mesmo, para afastar tal hipótese, Ciro Gomes parte antecipadamente para a ofensiva. Melhor papel para ele desempenhar não existe do que este. É o personagem certo, mas o contexto é que dê margem a dúvidas que surgiram com a morte de um grevista de fome em Cuba e tanto não foi positivo que o governo de Havana conduziu um segundo grevista para a UTI atribuindo-lhe portanto destino diferente ao que foi destinado à primeira vítima. Este desfecho desestabilizou o governo de Havana. Diante da reação mundial teve que mudar de orientação. O Brasil também terá de fazer isso.

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