Clubes do Exército, Marinha e Aeronáutica se posicionam contra a urna eletrônica

Charge do Miguel Paiva (Portal 247)

Deu no Portal Terra

O Clube Militar, o Clube Clube Naval e o Clube de Aeronáutica, formados por oficiais da reserva das Forças Armadas brasileiras, emitiram em conjunto uma noite desta segunda-feira (2) defendendo a proposta de “voto auditável”, bandeira defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e motivo de confrontos com o Supremo Tribunal Eleitoral (TSE).

A nota reproduz os argumentos utilizados por Bolsonaro em suas transmissões pelas redes sociais na última quinta-feira (29). Segundo os oficiais da reserva, “Auditagem das urnas não pode ser enxergada a olho nu. Trata-se de uma inescrutável caixa preta”. Confira a nota completa dos clubes militares, assinada pelo almirante Palmer Fonseca, presidente do Clube Naval, pelo general Eduardo Barbosa, presidente do Clube Militar, e pelo brigadeiro Carballo Perez, presidente do Clube de Aeronáutica.

REQUISITOS BÁSICOS“A confiabilidade e a transparência de um processo eleitoral constituem requisitos básicos para uma democracia saudável, e suscitaram o debate sobre a implementação da urna eletrônica com  voto impresso auditável, em análise pelo Congresso Nacional, provocado  pela PEC 135/2019.

As Urnas Eletrônicas (DRE – Direct Recording Electronic Voting Machines) de 1ª Geração foram implantadas em 1996. De 2006 a 2012, Holanda, Alemanha, EUA, Canadá, Rússia, Bélgica, Argentina, México e Paraguai abandonaram-nas. Em 2014, India e Equador adotaram modelos mais avançados. Embora já exista a Urna E de 3ª Geração, o Brasil insiste em utilizar as superadas Urnas E de 1ª Geração.

A auditagem das urnas não pode ser enxergada a olho nu. Trata-se de uma inescrutável caixa preta. A inviolabilidade das urnas eletrônicas, atestada pela própria equipe técnica do TSE, não pode ser um dogma.

VISTORIA EXTERNA – O TSE bloqueia sistematicamente propostas de teste do sistema solicitados por equipes externas, o que pode levar à suspeita de que tem algo a esconder. Por que essa exclusiva “segurança em obscuridade”? Por que tal segregação, se todos, indistintamente, tem direito à verdade?

No entendimento do TSE, apoiado na letra jurídica, o ônus da prova cabe a quem reclama de fraude. Mas pelo fato de todo o processo ser digitalizado, sem a existência de provas visíveis e tangíveis, torna-se impossível atestar uma possível ilicitude. Se não há como apresentar provas materiais, a questão permanece em suspenso, o que favorece os tenazes defensores do sistema. Até quando vai perdurar esse circunlóquio?

Pessoas dotadas de nível mediano de conhecimentos sobre sistemas sabem que celulares e computadores são vulneráveis a vírus e invasões.

PRAGAS CIBERNÉTICAS – No tocante a Urnas E, o universo de pragas cibernéticas pode compreender, dentre outros malefícios,  a clonagem e adulteração de programas,  a inclusão de programas  maliciosos para desvio de votos de um candidato para outro, a supressão de votos, fraudes na apuração e totalização de votos e pré-inserção de votos nas urnas.

Sistemas digitais da NASA, do Pentágono, de partidos políticos americanos e de grandes empresas privadas, mesmo protegidos por sistemas de segurança (CyberSecurity) up to date, já foram invadidos. Hackers, por ideologia e/ou interesses financeiros, são gênios do mal e estão sempre um passo à frente em termos de avanço tecnológico. Diante destas inquestionáveis evidências, seriam as urnas eletrônicas brasileiras realmente inexpugnáveis?

De acordo com o previsto na PEC 135/2019, mediante a impressão, o eleitor não tocaria o voto, tampouco o levaria consigo, apenas o veria, verificaria se ele de fato corresponde ao candidato que aparece na tela, confirmaria, o papel cairia e permaneceria armazenado dentro de urna lacrada, o que possibilitaria, caso necessário, futuro cotejo e recontagem.

PURA DESINFORMAÇÃO – Portanto, nada mais falso afirmar que, com a impressão do voto, o eleitor poderia ser pressionado por “benfeitores”, traficantes, milicianos e afins. Pura desinformação.

O TSE, administrador-mor do sistema, prega a dependência absoluta do software, ao afirmar que   um aumento da interferência humana ocasionaria erros que abririam brechas para a judicialização do processo eleitoral. Obviamente, nenhum sistema está totalmente a salvo da maldade dos homens. Mas seria a aceitação passiva dos resultados da urna eletrônica mais aconselhável, a fim de evitar questionamentos válidos, no melhor estilo “Cale-se, eu sei o que é melhor para você”? Eis a verdadeira ditadura.

O sistema de urnas eletrônicas com voto impresso auditável, indubitavelmente, acrescenta equipamentos eletrônicos, o que aumenta a probabilidade da ocorrência de problemas sistêmicos, além de gerar necessidades logísticas e de segurança física. Caberia ao TSE ser proativo e estabelecer planos contingentes para que o sistema como um todo possa operar de maneira eficiente. A justificativa de que, em face da pandemia, o gasto de três bilhões de reais com o custo da implementação das urnas eletrônicas com voto impresso auditável seria inadmissível não se sustenta, pois a lisura e a transparência do processo eleitoral – essenciais para uma  salutar  democracia – não tem preço, seja em que tempo for.

O prazo final para a resolução desse imbróglio, visando as eleições de 2022, será outubro. Esperamos que não seja um outubro vermelho, mas sim verde e amarelo, pelo bem do Brasil.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A importante matéria foi enviada por Celso Serra, sempre atento aos bastidores da política. O pior é que os oficiais da reserva têm razão em desconfiar das ultrapassadas urnas brasileiras. Espera-se que os oficiais da ativa não se deixem contaminar pelo vírus do golpe. (C.N.)

12 thoughts on “Clubes do Exército, Marinha e Aeronáutica se posicionam contra a urna eletrônica

  1. Não entendo o porquê de tanta resistência a mudanças.
    Se for para reforçar a segurança, qual o problema?

    Pelas manchetes, têm-se a impressão que é voltar ao voto no papel.
    Não é isto…

  2. O pior é que os oficiais da reserva têm razão em desconfiar das ultrapassadas urnas brasileiras.

    Espero que volte o voto em papel igual em Páises desenvolvidos…

  3. Esses clubecos são a nata da nata do reacionarismo.

    Calam sobre a corrupção que campeia solta em todas as armas.

    Calam sobre a política genocida que seus pares implementaram no ministério da saúde.

    E ao calarem – tornam-se cúmplices desses crimes hediondos responsáveis por centenas de milhares de mortes EVITÁVEIS pela Covid-19.

    Obs. Volto a ressaltar: o criminoso jmb usa a discussão sobre a forma de votação como cortina de fumaça.
    Quando o criminoso que ora preside o país está nas cordas essa falsa prioridade lhe dá uma sobrevida.
    Tem de ser muito ingênuo ou comprometido com o ideário narcomiliciano pra não enxergar o óbvio.

    • Nunca abertamente. Mas os atos falam por si.
      Esses discursos e outros na caserna… e quantos negros, homossexuais e transgêneros, mulheres no alto oficialato?

  4. Análise certa. O sistema atual permite a você, eleitor, questionar resultado de uma urna na qual você votou? Se a urna eletrônica disser que você, candidato, teve zero votos na urna na qual você mesmo votou, como você poderá provar o contrário? Seria muito desrespeito ao principio do contraditório, se isso não for factivel.

  5. Se existe um modo REALMENTE mais seguro de se votar, que se adote o mesmo O QUANTO ANTES. O voto impresso, desde não contivesse o nome do eleitor, seria uma vantagem na urna eletrônica. Então, MÃOS À OBRA!!! Vamos começar a providenciar o que for preciso antes que seja tarde demais !!!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *