CNBB atual não defende mais a “ética na política”

Dom Waldyr Calheiros lutava por um Brasil livre e democrático

Jorge Béja

O artigo “Assessoria da CNBB defende os réus da Lava Jato”, do sempre lido e respeitado Percival Puggina e hoje aqui publicado, mostra a que ponto chegou a CNBB, que nos tempos atuais se mostra oposta à CNBB do início da década de 90, quando, junto com mais de outras mil entidades, subscreveu petição ao presidente da Câmara dos Deputados do seguinte teor:

“Excelentíssimo Senhor Presidente, Senhoras Deputadas e Senhores Deputados. Pela ética na política, as entidades da sociedade civil relacionadas abaixo, vêm pela presente manifestar seu apoio à petição de impeachment do Senhor Presidente da República, que foi apresentada a esta Casa pelo senhor Barbosa Lima Sobrinho e Marcello Lavenère Machado. Reforçam, ainda, que a transparência da moralidade exige o voto aberto”.

Não se pode comparar a corrupção no curto governo Collor com a corrupção do governo do PT. Aquela não durou mais de dois anos. Esta perdura há quase 14 anos. Aquela foi de pequena monta em cotejo com esta, do governo petista, que praticou o maior roubo da História. Se vê que a CNBB atual não defende mais a “ética na política”.

DELAÇÃO PREMIADA

Saibam os senhores bispos da CNBB de hoje que a Delação Premiada é instituto do Direito Material, porque prevista em lei específica. Saibam, também, que contra as prisões, temporárias e preventivas, decretadas pelo Juiz Sérgio Moro, foram impetrados Habeas Corpus por seus defensores e nenhum deles foi acolhido pelos tribunais que os analisaram, sendo que os mesmos foram julgados, no mínimo por três desembargadores do Tribunal Federal da 4ª Região, por cinco ministros do STJ e outros tantos do STF!!.

Não se está prendendo para que o preso se veja forçado a contar o que sabe. E dizer à Justiça o que uma pessoa sabe ou fez de errado não é nenhuma virtude, mas imperativo dever. As prisões são decretadas porque, mesmo após indiciados nos inquéritos instaurados pela Polícia Federal do Paraná e denunciados nas ações penais, os réus continuaram cometendo ações delituosas, tais como a transferência bancária dos dinheiros roubados da Petrobrás, a destruição de provas, dentre outras até aqui tornadas públicas.

São prisões rigorosamente legais e indispensáveis para assegurar a aplicação da lei. Isso sem falar na concreta possibilidade de fuga, a exemplo de Pizzolato, hoje na Itália e sem a garantia da sua extradição para o Brasil, ainda mais quando José Eduardo Cardozo declarou que preferia morrer a cumprir pena nos cárceres brasileiros. A Justiça italiana ouviu e leu essa declaração, que não se pode descartar tenha sido intencionada.

“MANIFESTO”

Saibam os senhores bispos da CNBB que esse seu último manifesto, chamemos assim, destoa e vai de encontro aos anseios do povo brasileiro, que não aceita a corrupção e quer que o Poder Judiciário continue a cumprir com sua missão constitucional, que é a de distribuir Justiça, com a punição dos culpados, a recuperação dos dinheiros criminosamente desviados da Petrobras e, com isso, possibilitar a reedificação da ordem e do progresso nacionais, que há mais de uma década vem sendo dilapidada a cada dia, de forma gigantesca e sem freios.

Senhores bispos da CNBB, se os senhores não querem o bem do Brasil e do povo brasileiro, calem-se. Ou, então, se espelhem na CNBB do passado. Lembrem-se de Waldyr Calheiros, Paulo Evaristo Arns, Pedro Casaldaliga, Adriano Hipólito e outros bispos mais que dedicaram suas vidas, seus pastoreios em prol da democracia, da moralidade, contra as ilegalidades, desvios de poder, desmandos, enriquecimento por meios desonestos…

DOM WALDYR CALHEIROS

Fui amigo, muito amigo de Dom Waldyr Calheiros Novaes, desde quando era pároco da Igreja de São Francisco Xavier, Tijuca, RJ, nos anos 60. Quando se tornou bispo de Volta Redonda e cidades vizinhas, sofreu na carne o preço por querer um Brasil livre e democrático. Foi preso algumas vezes. Era avesso ao arbítrio, às ilegalidades, às desonestidades.

Lemos dias atrás, aqui mesmo na Tribuna da Internet, artigo de Frei Betto em que o dominicano reprovava a transformação para o mal que ocorreu no seu Partido dos Trabalhadores. E sinalizava com o seu afastamento deste partido. Deu para entender isso. E paradoxalmente, vem a público essa nota (manifesto) da CNBB que traduz adesão integral aos que estão no poder e aversão às ações e decisões do Juízes nacionais.

14 thoughts on “CNBB atual não defende mais a “ética na política”

  1. Disse e repito: A odiosa CNBB em conjunto com a asquerosa, corrupta, nauseabunda, repugnante, imunda, sórdida e criminosa OAB – “Organização dos Amigos do Brahma” – recebem rios de grana imoral para ficarem defendendo essa corja de bandidos e depois ficam posando de moralistas! Organizações covardes, só agem no interesse exclusivo de seus bolsos!!! Deveriam ser extintas por decreto, mas não por esse governinho de bosta e comunista da Dilma, mas sim por decreto dos militares quando retomarem o poder e acabar com essa farra toda. Pena que isso nunca mais irá acontecer!

  2. Dr. Béja, para variar, em poucas e necessárias palavras, disse tudo sobre a delação premiada, no que interessa à análise da desastrosa manifestação da CNBB, que deve querer significar Calados, Nos Brindariam Bastante.

  3. Por: Roberto Freire no Blog do Noblat

    Basta folhear as páginas dos principais jornais brasileiros para constatar que o país alcançou um ponto de combustão política de consequências imprevisíveis. Emparedada em diversas frentes, com a corrupção revelada pela Operação Lava Jato que levou às suspeitas sobre ilegalidades na prestação de contas de sua campanha eleitoral, Dilma Rousseff demonstra absoluta inaptidão para o cargo e acumula declarações estapafúrdias que mostram o descontrole da presidente da República.

    A constrangedora entrevista da petista à “Folha de S.Paulo” na última terça-feira (7), em que acusa as oposições de “golpistas” e desafia o Congresso Nacional, traz à tona uma postura imperial muito semelhante àquela adotada pelo ex-presidente Fernando Collor momentos antes de ser alvo de um processo de impeachment. Antes tratado de forma comedida pela opinião pública, o eventual afastamento de Dilma entrou definitivamente na pauta nacional e está na ordem do dia. Não se sabe o que o futuro nos reserva, mas o clima no país é de que vivemos os últimos capítulos de um dos mais desastrosos governos da história republicana.

    A acusação bravateira de que falar em impeachment é uma atitude golpista não se sustenta diante da lógica, das leis e dos fatos. Dilma e o PT, afinal, sabem muito bem que se trata de uma ferramenta constitucional, regulamentada por lei, à qual o país já recorreu uma vez, em 1992, quando Collor deixou o cargo antes da conclusão de seu mandato. Na ocasião, o PT apoiou o impeachment votado pelo Congresso e não qualificava seus entusiastas como “golpistas”.

    À crise econômica pela qual passa o país graças à irresponsabilidade de Lula, Dilma e dos governos do PT, se soma neste momento uma grave crise política que tem recrudescido com rapidez espantosa. As possibilidades que hoje se colocam são a cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que investiga a utilização de recursos desviados da Petrobras na campanha eleitoral de 2014, ou a rejeição das contas do governo pelo Congresso Nacional com base no parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) em decorrência das “pedaladas fiscais”, que configuram evidente descumprimento à Lei de Responsabilidade Fiscal.

    Na primeira hipótese, Dilma seria afastada automaticamente, assim como o vice Michel Temer – o presidente da Câmara dos Deputados assumiria o cargo e novas eleições seriam convocadas. No segundo caso, com a reprovação das contas pelo TCU, poderia ser instaurado no Congresso um processo de impeachment da presidente por crime de responsabilidade. Além de tudo isso, muito se fala sobre uma eventual renúncia de Dilma, o que não pode ser totalmente descartado.

    Enredada pelos desdobramentos do petrolão, abandonada por Lula e pelo PT e rejeitada pela população, Dilma não tem mais nada a oferecer aos brasileiros. O impeachment não é fruto de meras vontades ou desejos, mas algo que pode se impor diante da ingovernabilidade para a qual o país caminha de forma célere. Chegou a hora de as forças republicanas assumirem suas responsabilidades e, respeitando a Constituição e as instituições, estarem prontas para o encaminhamento de uma solução democrática para a crise. Vivemos os estertores de um desastre político do qual o Brasil não sentirá saudade.

    Roberto Freire é deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

  4. Enquanto isso na Mandiocolandia

    “Desemprego sobe para 8,1% no trimestre fechado em maio, diz IBGE”

    Do UOL, em São Paulo
    09/07/201509h03 > Atualizada 09/07/201513h31

    O desemprego registrado no trimestre que terminou em maio foi de 8,1%, o que representa uma alta em relação ao mesmo período do ano anterior (7%) e também em relação ao trimestre encerrado em fevereiro deste ano (7,4%).

    O resultado é o mais alto desde o início da série histórica, em 2012. No trimestre encerrado em abril deste ano, o desemprego registrado tinha sido de 8%.

    Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e fazem parte da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Mensal.

    A Pnad Contínua Mensal avalia os dados do mês em questão (no caso, maio), assim como as informações dos dois meses anteriores (março e abril).

    Segundo o instituto, são pesquisados 211.344 domicílios particulares permanentes distribuídos em cerca de 3.500 municípios.
    Número de desempregados sobe 10%

    O número de pessoas desempregadas entre março e maio subiu para 8,2 milhões, o que representa uma alta de 10,2% em relação ao trimestre anterior, de dezembro a fevereiro (quando o número de desempregados era de 7,4 milhões).

    Já o número de pessoas empregadas não apresentou variação significativa em relação ao trimestre terminado em fevereiro, permanecendo próximo de 92,1 milhões.
    Rendimento mensal fica estável

    O rendimento real médio (já descontada a inflação) ficou em R$ 1.863 no trimestre encerrado em maio. O número não apresenta variação significativa em relação ao trimestre anterior (R$ 1.877) nem em comparação com o mesmo período de 2014 (R$ 1.870).
    Maio teve recorde de vagas cortadas

    O Ministério do Trabalho divulgou no mês passado que 115.599 vagas de trabalho com carteira assinada foram cortadas em maio.

    É o pior resultado para o mês desde 1992. Desde aquele ano, o país não tinha registrado mais demissões do que contratações em maio. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados)

    Desemprego em maio foi de 6,7%, segundo PME

    O IBGE também realiza a PME (Pesquisa Mensal de Emprego). A última, de maio, foi divulgada no mês passado e o desemprego registrado foi de 6,7%, o maior para o mês desde 2010.

    A PME usa dados das regiões metropolitanas de Recife, Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre e é menos abrangente que a Pnad Contínua. O IBGE estuda deixar de fazer a PME no ano que vem. Por enquanto, ela continua, por ser mais antiga que a Pnad Contínua.

    Leia mais em: http://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2015/07/09/desemprego-sobe-para-81-no-trimestre-fechado-em-maio-diz-ibge.htm

  5. Que religião estes caras defendem? A petista? Depois deste crucifixo comunista (e ateu) dado ao Papa vejo que não tem escrúpulos…

    Como diria Dilma, eles (e ela, é claro) fazem o diabo para conquistar as coisas. Será que é por este motivo que o PT defende uma bandeira vermelha?!

  6. Afirmou Jesus de Nazaré: O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO, MEU REINO NÃO É DAQUI. O MAIS O REINO DA IGREJA CATÓLICA É DAQUI E COMPACTUA COM A CORRUPÇÃO E ROUBALHEIRA NO BRASIL.

  7. Aquele crucifixo do Uevos Imorales não era comunista, assim como essas pragas que mataram o socialismo e o cristianismo não são nem de longe. Sobre o capitalismo, nem conheceram a Revolução Industrial em sua mente absolutista e retrógrada feudal.

    São criaturas totalmente oportunistas e superficiais, desprovidas de qualquer convicção política ou religiosa. Adoram e servem à riqueza e aos privilégios pessoais e de seus amigos. Só imitam as riquezas, a prostituição e a idolatria de Salomão. Mas não têm maturidade suficiente para ler e entender Eclesiastes.

    O símbolo desse “cumunismo da necromancia chavipeteemeessedebista”, com muitas caras e partidos, é a ignorância, o fingimento e o atraso. O que parece uma foice e um martelo na verdade é um vibrador sado-masoquista usado por essa galera pra cima de quem é passado pra trás.

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