CNBB pede que casos de ministros corruptos sejam apurados até o fim.

Carlos Newton

No rastro da reação dos evangélicos, Dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), convocou esta semana uma entrevista coletiva para falar sobre a nova ministra Eleonora Menicucci, nomeada para ocupar a Secretaria de Política para as Mulheres, mas acabou abordando também a escalada da corrupção.

O dirigente da CNBB declarou que é preciso levar ao final as investigações sobre políticos destituídos de cargos no Executivo após denúncias de irregularidades. “Não basta denunciar e o ministro cair. Uma sociedade madura pede que seu processo chegue ao seu fim, o que não tem acontecido de forma suficiente. Todos nós gostaríamos de que todo esse levantamento de corrupção chegasse até o fim”, salientou, destacando que a decisão favorável da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa foi considerada pela CNBB como um “presente à sociedade” e como um caminho para que “os políticos sejam realmente representantes do povo”.

Quanto á a nomeação de Eleonora Menicucci, amiga pessoal da presidente Dilma Rousseff, que agora comanda a Secretaria de Política para as Mulheres, é claro que não agradou aos católicos. Dom Leonardo Steiner declarou que a posição favorável da ministra sobre a descriminalização do aborto “incomodou muita gente”.

A seguir, porém, dom Leonardo amaciou a declaração e ressalvou disse que faz uma distinção: “Ela fez um pronunciamento pessoal, depois disse que não era a posição do governo”. Mas o secretário-geral da CNBB então reafirmou que a questão do aborto não pode ser entendida como questão ideológica. “Nós colocamos com o sentido de vida humana”, acentou.

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CARTA À PRESIDENTE DILMA

“A presidenta é livre para escolher seus ministros, de modo que não interferimos na escolha dos ministros. É claro que estranha, logo logo iniciado seu trabalho no ministério, [a ministra] já abordar uma questão que sabemos que é muito discutida na sociedade. E há outros temas, evidentemente, mais importantes a serem tratados”, afirmou dom Raymundo Damasceno, presidente da CNBB.

A presidência da CNBB não quis detalhar o conteúdo da carta que vai encaminhar à presidente Dilma Rousseff depois do carnaval e afirmou que não pode reclamar da relação da entidade com o atual governo.

Na coletiva, a CNBB foi questionada sobre outro tema polêmico da semana: a campanha do Ministério da Saúde para o Carnaval contra a Aids. Dom Damasceno deixou claro que a entidade “evidentemente é contra” a distribuição de camisinhas.

Detalhe final: ao divulgar o que houve na coletiva do presidente e do secretário-geral da CNBB, a imprensa só deu destaque à questão do aborto e à distribuição de camisinhas. É lamentável.

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