Coalizões municipais já começam a desmoralizar as ‘ditaduras partidárias’. E nem Lula consegue escapar.

Carlos Newton

Cada partido tem um dono, é praticamente assim que funciona a política brasileira. Em alguns partidos o dono manda muito, em outros manda menos. Mas esse panorama agora começa a mudar, de uma forma ou outra, em função da realidade de cada eleição municipal nas grandes cidades.

Como todos sabem, Lula é o dono e ditador do PT, Serra domina mais ou menos o PSDB, Roberto Freire é o dono e ditador do PPS, Michel Temer controla mais ou menos o PMDB, Francisco Dornelles é o dono e ditador do PP, Eduardo Campos domina mais ou menos o PSB, Carlos Lupi é o dono e ditador do PDT, e por aí em diante.

Com toda certeza, as eleições municipais estão a desmoralizar essas ditaduras e esses líderes que tentam subjugar o partidos. Basta conferir o que aconteceu domingo passado, no encontro que Lula manteve com o presidente nacional do PSB, o governador pernambucano Eduardo Campos.

Estavam em pauta as coalizões PT-PSB nas eleições municipais. Os dois líderes chegaram a ficar três horas negociando, na mais longa reunião de Lula desde que ficou doente, mas não conseguiram chegar a um acordo. Nada, nada, nada.

A pauta principal eram as prefeituras de Belo Horizonte, São Paulo, Recife e Campinas. Só problemas, nenhuma solução. Aliás, a confusão é geral. Basta dizer que em Belo Horizonte o candidato do PSB Marcio Lacerda está tendo apoio do PSDB e do PT, ao mesmo tempo.

Apesar de o PT de BH ter aprovado no seu encontro municipal tese em que diz não querer na aliança partidos que nacionalmente fazem oposição ao governo Dilma Rousseff, isso foi só para constar, porque o documento aprovado por 53,2% deixa a decisão para Lacerda resolver, vejam só quanto liberalidade…

Ao mesmo tempo, os diretórios municipal e estadual do PSB em São Paulo estão dispostos a apoiar José Serra, porque já participam do governo tucano de Alckmin e sabem que Serra não perde de jeito nenhum para o petista Fernando Haddad, queira Lula ou não.

Já no Paraná, a sólida aliança entre o governador tucano Beto Richa e o prefeito Luciano Ducci (PSB) dobrou o PSDB e “expulsou” do partido o ex-deputado federal Gustavo Fruet, que queria sair candidato em Curitiba. Para concorrer, Fruet foi para o PDT, vejam só que troca-troca.

Diante desse quadro surrealista, o máximo que Eduardo Campos conseguiu foi dizer a Lula que a decisão do PSB sobre a coalizão em São Paulo ficará para junho. E no dia seguinte, segunda-feira, em entrevista a rádios de Recife, Campos resumiu da seguinte forma a conversa com o dono do PT:
“Em São Paulo, eu disse a ele (Lula) que não há decisão antes de junho. O debate vai passar pela (direção) municipal, pela direção estadual e vai chegar até a nacional porque não há consenso”.

Mas acontece que os diretórios municipais são soberanos para definir candidaturas e coalizões. Os diretórios estadual e nacional só podem atuar se fizerem intervenção nos diretórios municipais, através de um ato ditatorial que ninguém aceita e arrebenta com a unidade do partido.

Traduzindo tudo isso: em junho, as candidaturas municipais de PT, PSB, PSDB etc. já estarão mais do que consolidadas, nem Eduardo Campos nem Lula conseguirão fazer qualquer mudança consensual. Esta é a realidade. Os partidos têm donos, mas àz vezes ficam rebeldes.

 

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