Coisas do capeta também envolvendo a política

Percival Puggina

Era natural à cultura da época em que surgiu o mito de Fausto, que certas atitudes consideradas antirreligiosas fossem compreendidas como acordos demoníacos. Foi assim que, em torno da pessoa do alquimista Johann Georg Faust (1480-1540), nasceu o mito do pacto atribuído a ele e aos contemporâneos Paracelsus e Nostradamus. Dois séculos depois, sob a regência da pena de Goethe, Fausto se tornaria figura central de uma das principais obras da literatura universal.

Na história contada por Goethe, as várias tentativas de Mefistófeles para cumprir seu acordo com o cliente Fausto envolveram o conhecimento da verdade, a juventude, a beleza e o poder de sedução. No Brasil do século 21, o pacto mefistofélico desceu vários degraus na direção das labaredas eternas. Aqui, quem fez o pacto mais do que o confessou – anunciou-o publicamente! A presidente da República divulgou sua intenção no dia 4 de março de 2013 quando, em João Pessoa, afirmou: “Podemos fazer o diabo quando é hora de eleição”. Ela não estava num laboratório de poções fumegantes, entre besouros secos e asas de morcego, mas num encontro com prefeitos paraibanos e beneficiários de programas sociais.

INTERESSES OUTROS

Veio a campanha e o diabo foi feito. Diferentemente dos anteriores acordos mefistofélicos, elevados anseios humanos não fizeram parte do negócio. Não houve interesse por uma longa juventude. Menos ainda desejo de acesso à sabedoria e à verdade. A primeira se manteve tão inatingível quanto antes. A segunda inviabilizaria a vitória eleitoral. O negócio com o diabo visava a obter mais quatro anos de mandato. Ponto. O resto da história vocês todos conhecem. O Pai da Mentira fez o que lhe correspondia. Trabalhou eficientemente, contando com a melhor assessoria que o dinheiro podia comprar. Na hora final, no tudo ou nada, quando se contaram os votos no Teatro de Comédias Brasil, caiu o pano sobre o palco e tudo se fez às ocultas, no silêncio da coxia. Desde o canto onde estava jogado, apenas um inerte polichinelo de pano presenciou àquele enorme segredo.

Leio e ouço explicações. Por serem tantas, revelam não haver uma que preste. Firmo solidamente minha convicção. O ocorrido foi coisa do capeta, que, convenhamos, fez sua parte. A presidente conseguiu o que queria. Mas – desculpem-me a divergência – o Brasil não pode ir de cambulhada num negócio desses. Que Dilma e Mefistófeles se acertem como puderem, mas nos deixem de fora, não é mesmo, senhores congressistas?

8 thoughts on “Coisas do capeta também envolvendo a política

  1. Quando a deletéria presidente de conhecido passado lamentável diz que nas eleições, que é efetivamente onde o povo tem a única chance de participar diretamente do processo político, pode-se fazer o diabo e ela o fez, mentindo todo o tempo, não deixa mais nenhuma dúvida da sua criminosa condição e, portanto, deveria estar na cadeia.

  2. Mauro Julio, concordo tranquilamente com seu comentário.
    E diria para a ”diabólica” :
    ”menina vai, com jeito vai; senão um dia a casa cai”

  3. E o aecim que saiu na lista do janot, a irmã é suspeita de ter ido em furnas pegar dinheiro para campanha, o anastásia braço direito de aecim setrá invsetigado pelo MP, não obstante, na campanha, aecim usou usou como bandeira o combate a corrupão. O que dizer disso então ? Ainda mais agora depois do escândalo swissleaks onde o nome do armínio consta como financiador de campanha com 4,4 milhões ded dólares. Armínio seria ministro da fazenda se aecim fosse eleito. A Presidente venceu a eleição porque aecim perdeu em Minas Gerais.

  4. UMA COISA É CERTAS! O DIABO NUNCA DEIXA DE COBRAR A CONTA, ALIÁS JÁ ESTÁ COBRANDO!
    SÓ NÃO SE SABE QUANTO É QUE VAI FICAR E QUANTO TEMPO LEVARÁ PARA SER PAGA!
    SÓ PARA FICAR NA LITERATURA TAMBÉM, NO RETRATO DE DORIAN GREY DE OSCAR WILDE O PREÇO FOI A PRÓPRIA VIDA DO PERSONAGEM! REALMENTE O DIABO NUNCA DEIXA NADA BARATO!

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