Collor apresenta voto denunciando irregularidades de Janot

Janot está sendo investigado pelo TCU, denuncia Collor

Deu no Correio Braziliense

O senador Fernando Collor (PTB-AL) apresentou quarta-feira à Comissão de Justiça um voto em separado, pelo qual tenta evitar a recondução de Janot ao cargo. O documento foi um contraponto ao parecer do relator, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), para quem o procurador-geral cumpre todos os requisitos e pode, portanto, ser sabatinado.

Segundo Collor, que ao ler seu voto usou expressões como “vetusto procurador” e “simpática PGR”, Janot omitiu dados sobre o fato de sua gestão estar sob análise de órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU). O pedido para que dois contratos da Procuradoria-Geral fossem investigados partiu do próprio Collor, depois que vieram à tona indícios de seu envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás.

O ex-presidente é autor de outros cinco pedidos contra Janot no Senado visando o afastamento do chefe do Ministério Público. “Além de todas essas ações, passíveis de julgamento e condenação há uma infindável lista de condutas ilícitas, reprováveis e abusivas, praticadas pela PGR”, disse o senador.

Em tom de ironia, Collor afirmou que não tinha interesse em se manifestar contra ou a favor de Janot, e sim em trazer “novas informações” para os senadores decidirem seu voto. Ferraço defendeu seu parecer sobre o procurador-geral. Segundo ele, a sabatina será o momento para os senadores colocarem questionamentos a Janot.

COLLOR SERÁ DENUNCIADO

A Procuradoria-Geral da República incluirá o ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL) na primeira leva de políticos com prerrogativa de foro denunciados por envolvimento no esquema de desvios da Petrobras. A expectativa, conforme fontes com acesso às investigações, é de que a acusação seja encaminhada ainda esta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal.

O texto final das denúncias estava sendo preparado ontem pela equipe do procurador-geral, Rodrigo Janot. A peça deve atribuir a Collor envolvimento em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é suspeito de receber ao menos R$ 26 milhões em propinas, entre 2010 e 2014, no esquema na Petrobras.

Desde que foi incluído no rol de políticos investigados na Operação Lava Jato, Collor tem travado uma batalha pública contra Janot.

10 thoughts on “Collor apresenta voto denunciando irregularidades de Janot

  1. SENHORES…

    -Não vejo vantagem alguma a Lava Jato denunciar “300 picaretas” de uma vez, pois o mundo (e a corrupção brasileira) não se acabará amanhã.
    -O Bom senso nos avisa que QUANTO MAIS PEIXE O PESCADOR PEGAR COM UMA JOGADA DE TARRAFA, MAS FÁCIL SERÁ A TARRAFA ABRIR ALGUMA BRECHA E SE ROMPER, deixando fugir todos os peixes, grandes e pequenos, e o pescador apenas na vontade…
    -E de brechas os advogados e magistrados brasileiros entendem!!!
    -Não se pesca TUBARÃO com rede de arrastro, ainda mais se esta for feita com linha fina, pois pelo rasgo que fizer o tubarão, passarão também os peixes pequenos. E, no que diz respeito ao Judiciário brasileiro, notadamente o Supremo Tribunal Federal, ele sempre usou linha 0,01mm, propositalmente, para tecer as malhas da nossa JUSTIÇA de forma que pudessem beneficiar os BANDIDOS. Por isso estamos onde estamos…

    -Peixe grande se pesca de um a um!!!

    Abraços.

  2. QUEM SÃO OS ELEITORES? 10 EMPRESAS FINANCIARAM 70% DOS DEPUTADOS
    Lawrence Lessig (renomado professor da Faculdade de Direito de Harvard) e Paulo Roberto Costa (réu confesso e delator no caso Lava Jato, que está preso em regime domiciliar) afirmam que as doações empresariais de campanha distorcem a República e têm por objetivo influenciar o comportamento dos eleitos (deslegitimando a democracia). Reportando-se ao caso americano, Lawrence Lessig é enfático: “Temos eleições gerais, mas só depois que os financiadores escolhem os candidatos que vão participar da disputa”. Do sistema de dominação (invisível) exercido pelos poderosos econômico-financeiros, faz parte o controle do poder político, que é o visível. Isso representa uma distorção gravíssima, que acontece com maior ênfase no Brasil, onde apenas 10 grandes empresas participaram do financiamento das campanhas de 70% dos deputados federais eleitos em 2014.
    De cada 10 deputados federais, portanto, 7 foram financiados (“corrompidos em sua independência”) pelos 10 doadores empresarias que mais “investiram” nos políticos (cf. portal Estadão 8/11/14). São 360 dos 513 deputados, distribuídos em 23 partidos diferentes. O dinheiro dos financiadores não têm cor nem ideologia. O fundamental para o sistema de dominação é ter o controle do poder político. Tudo e todos (incluindo, particularmente, o poder político e o poder midiático) devem estar sob suas rédeas. Com o sistema de dominação de uma sociedade não se brinca. Os dez maiores financiadores são: JBS (bancada do bife), Bradesco e Itaú (bancada dos bancos), OAS, Andrade Gutierrez, Odebrecht, UTC e Queiroz Galvão (bancada das betoneiras ou do concreto), Grupo Vale (bancada dos minérios) e Ambev (bancada das bebidas). Além dessas ainda existem as bancadas da bola, da bala, da bíblia etc. O STF já votou (majoritariamente) pela inconstitucionalidade desse financiamento empresarial.
    Não existem de fato eleições livres no Brasil e não é difícil compreender onde está o centro do problema. Se um candidato não dispõe de recursos significativos para promover a sua campanha e outro está abastecido por milhões (os eleitos gastaram 11 vezes mais que os não eleitos), já se sabe de antemão quem vencerá. O número de pessoas alcançadas pela propaganda deste último superará em muito os que sequer saberão da candidatura do outro. No nosso caso, temos que considerar ainda o caráter endêmico do abuso do poder econômico caracterizado pela compra do apoio de lideranças políticas.
    Paga-se, e muito, a pessoas com as quais o candidato não possui vínculo algum, desde que sejam capazes de mobilizar certo número de eleitores. Isso explica a votação imensa obtida por notórios desconhecidos. Em circunstâncias assim, para ser eleito é mais conveniente encontrar meios de conquistar o beneplácito de poderosos financiadores que perder tempo tentando convencer os eleitores da validade dos seus propósitos políticos.
    Uma das formas mais comuns de compra de apoio político é a das “dobradinhas” entre candidatos a deputado federal e estadual. Opulentos candidatos à Câmara Federal escolhem diversos postulantes à Assembleia Legislativa, espalhados por diferentes regiões do Estado, e integrantes dos mais diversos partidos para pedirem votos em conjunto. Até integrantes de partidos aparentemente rivais conjugam seus esforços para assegurar vitória eleitoral um ao outro. O candidato a deputado estadual entra no “negócio” com sua base local de eleitores; o que postula o cargo federal participa do acordo com dinheiro, muito dinheiro (que normalmente vem dos “financiadores de campanhas”).
    Alguém que se predisponha a disputar com um candidato assim está fadado, com raríssimas exceções, à derrota. Mas não é o oponente o maior perdedor, senão toda a República e a democracia. Os eleitos não são de fato representantes dos cidadãos, mas dos seus poderosos financiadores. Não há problema em adotar no mandato postura que contrarie os votantes. Só um pecado não é aceito: negar ajuda a quem tornou possível a superação do jogo financeiro em que se transformaram as eleições.
    O resultado é um Congresso Nacional que definitivamente não espelha a complexidade e riqueza social de um País imenso e plural com o Brasil. “Garimpar verbas de campanha se tornou um estilo de vida”, afirma Lessig. Costa complementa: “doação oficial é uma balela”, para deixar claro que, na verdade, o que ocorre é uma operação de natureza econômica, uma compra e venda. Os criminosos (ao menos aparentemente) falam com autoridade (sobre os crimes organizados dos quais participam).
    Esse não é apenas um problema americano ou brasileiro, mas um desafio para o aperfeiçoamento da democracia no Século XXI. Trata-se de solucionar um problema grave (inclusive filosófico). A democracia moderna foi concebida por uma classe social ascendente, a burguesia, para permitir a seus integrantes a partilha do poder político. Dois séculos de desenvolvimento sociopolítico fizeram surgir o voto universal, expandindo o número daqueles aptos a escolher os mandatários. Mas esse movimento não se fez acompanhar por outro: a candidatura universal.
    De fato, os candidatos são escolhidos e suas campanhas são viabilizadas por setores diminutos da sociedade, justamente os grandes detentores do capital econômico-financeiro (que são os verdadeiros donos do poder), o que mostra que o processo de aprofundamento da democracia pode e deve seguir seu curso.
    Por Márlon Reis (juiz de direito e membro do MCCE) e Luiz Flávio Gomes (jurista e presidente do IAB).

  3. Luiz Antônio,
    Oportuno artigo que transcreveste, pois vários de nós, comentaristas, quando afirmamos que este Congresso não representa o povo brasileiro, invariavelmente ouvimos ou lemos como resposta que, “os parlamentares espelham a sociedade do Brasil”.
    Ledo engano.
    Representam as incorporações que lhes financiaram as campanhas, razão pela qual o povo jamais foi atendido pelo governo conforme as suas necessidades, e exigências de um País que deveria estar em patamares superiores ao permanente estágio de “emergente” – anteriormente 3º mundo -, que nos encontramos há muito tempo estagnados.
    Além de trazer às vistas do povo os ladrões da Petrobrás, a Lava-Jato coloca o dedo na ferida com relação às eleições brasileiras, que se radiografa com precisão a maneira de os parlamentares se elegerem, por óbvio o sistema é o mesmo com relação à presidência da República e, em menor escala com governadores e um pouco abaixo os prefeitos das capitais.
    Assim, pode-se afirmar certamente que, as eleições atuais não são a legítima vontade do povo, mas uma engrenagem a serviço de poderosos que “investem” nos candidatos com chances de vitória para confirmar que sejam eleitos, para depois usufruírem dos meios políticos à obtenção de vantagens, preferências em licitações e, evidentemente, a cobrança pelo dinheiro “doado” às campanhas dos eleitos.
    Na razão direta dessa obrigação com seus legítimos patrões e investidores, o desprezado é o povo, pois a primazia será obedecer os interesses das corporações e, se sobrar tempo, o teatro de péssima qualidade do Congresso quando se diz discutindo projetos populares.
    Valeu, Luiz Antônio.

  4. Na atual situação política brasileira, trata-se de devaneio alegações sobre parlamentares acima de qualquer suspeita!
    TODOS, indistintamente, são corruptos e desonestos!
    Se não roubam pecuniariamente, lesam a cidadania através do tráfico de influência, fisiologismo, negociam seus votos por cargos, ministérios, secretarias, diretorias de estatais, conselhos, e vagas no serviço público para apaniguados sem concurso público!
    Não há neste blog de três anos para cá um comentarista que mais tenha criticado Collor de Mello do que eu, indiscutivelmente.
    E fui ofendido várias vezes porque escrevi verdades, que não agradam aos políticos, que detestam quando lhes apontam o dedo na cara e revelam as suas reais intenções para com o povo, invariavelmente roubado, explorado e usado despudoradamente!
    Collor acusar Janot e vice-versa é a demonstração explícita do estágio da falta absoluta de moral e ética nos meios Legislativo e Executivo.
    O senador aponta o seu dedo sujo para o Procurador e, este, responde com acusações que não ocasionam surpresa à população, pois conhece o comportamento do parlamentar alagoano pela sua absoluta inutilidade na defesa e interesses do povo brasileiro, e de péssima e sangrenta lembrança quando foi presidente da República, o pior de todos, aquele que mais ofendeu, rasgou e cuspiu na Constituição Federal quando confiscou o dinheiro do cidadão, tanto em conta corrente como na poupança, evidentemente salvando-se aqueles que eram amigos do rei, que retiraram as suas fortunas antes desta medida violenta e desnecessária, haja vista que não resolveu a inflação, que retornou com a mesma força de antes.
    Desta forma, a Nação está acostumada, lamentavelmente, a ler e ouvir este tipo de acusações inócuas, que jamais ocasionam a prisão de alguém, mas que retratam fidedignamente a podridão dos poderes legislativo e executivo, cujos quadros pessoais estão abaixo de qualquer utilidade, seriedade, honestidade e solução para nossos problemas atuais, mas muito acima de qualquer imaginação por mais fértil que seja, quanto a roubar o erário, assaltar estatais, e legislar em causa própria.
    As declarações de Collor são risíveis contra Janot, em se tratando de um político que levará para o resto de sua vida como aquele que causou os piores males à sociedade brasileira, e que não poderia estar gozando as delícias do conforto de uma cadeira no Senado, um misto de frivolidade, incompetência, corrupção, desonestidade, imoralidade e comportamento permanentemente antiético, que caracterizam a nossa “Câmara Alta”.

    • Presenciamos e somos contemporâneos a mais uma GERAÇÃO DE BANDIDOS!
      A prova disso é o nosso atraso em relação ao resto do mundo desenvolvido, mesmo com a enorme carga tributária.

  5. Concordo contigo Limongi, apesar de achar que o Janot faz um bom trabalho, mas atacar Collor e Ze Dirceu virou o esporte favorito da direita.

  6. Ora, ora, eu ter generalizado?!
    Comentei sobre o Collor de Mello, mais específico impossível!
    E afirmei que TODOS, e não apenas meia dúzia ou cem parlamentares eram corruptos e desonestos, TODOS, indistintamente.
    Agora, quanto às ofensas pessoais, morro de rir da tua valentia, Limongi, um indivíduo desclassificado, que optou pela defesa de políticos ladrões em detrimento do povo explorado, roubado e usado por esta máfia travestida de representantes da população brasileira, irresponsáveis e criminosos que só pensam em si e no dinheiro que se autoconcedem através de aumentos imorais, perdulários e absolutamente imerecidos, afora propinas e comissões de várias origens, aliás, uma das acusações contra o Presidente da Câmara Federal, e a conhecida má fama do seu colega, o do Senado!
    Quem não tem dignidade e honra é quem tenta amenizar os fatos com relação aos políticos brasileiros, que recaem sobre eles uma substancial parcela de culpa pela nossa situação atual.
    Mais a mais não está na calça a integridade de uma pessoa, outro erro teu, Limongi, fruto do convívio com gente abjeta, estes, sim fantasiados de terno e gravata como se este paramento ocultasse o mau caráter que possuem, mas do comportamento e compromissos assumidos como homem e, da minha conduta e moral eu me orgulho, já não posso dizer das tuas atitudes porque simplesmente confirmas a frase:
    Diz-me com quem andas e te direi quem és.

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