Collor diz que Bolsonaro errou ao sair do PSL e que criação do Aliança pelo Brasil não apresenta avanço político

Collor disse que uma das falhas do governo seria o núcleo familiar

Gabriel Pinheiro
Correio Braziliense

Em entrevista concedida ao programa CB.Poder, uma parceria do Correio com a TV Brasília, na tarde desta quarta-feira, dia 20, o ex-presidente da República e senador, Fernando Collor de Mello (Pros-AL), afirmou que a criação de um partido sob a alçada do presidente Jair Bolsonaro não apresenta avanço político nenhum.

“Foi uma medida muito pessoal por parte do presidente. Deixar de mão um partido com 52 parlamentares, que seriam o núcleo da construção do bloco de sustentação do governo e entrar nessa seara de criação de um partido, é uma coisa que eu acho que não seria muito apropriada”, afirma Collor.

DECISÃO ERRADA– Para ele, faltou um melhor aconselhamento por parte de pessoas próximas a Bolsonaro, para que pudessem convencê-lo de que a decisão “seria um erro”.Segundo o senador, o presidente precisa ter, não só o apoio eventual em determinadas pautas no Congresso, mas também precisa ter a solidariedade dos parlamentares.

“Eu não consigo perceber ainda ele conseguindo se articular com o Congresso. Mas eu realmente espero que um dia ele consiga”, destacou.

FILHOS – Durante a entrevista, o ex-presidente expressou que acredita que uma das falhas do atual governo seria o núcleo familiar de Bolsonaro. “Quando o filho dele falou em fechar o Supremo Tribunal Federal e no retorno de um AI-5, era esperado uma reação severa e uma reafirmação do compromisso do presidente de seguir rigorosamente a Constituição.”

Sobre as novas reformas, Fernando Collor prevê dificuldade de tramitação no Congresso das propostas. “Essa reforma da questão federativa e dos municípios e esse projeto fiscal de redução de salário de servidores em 25% não têm como passar.”

SIMPATIA GOVERNAMENTAL – O senador acredita que a reforma tributária é uma questão extremamente delicada e que só tem condições de andar se vier por uma proposta com a simpatia do governo. “Reforma tributária supõe uma repartição de recursos. Quem detém a maior parcela dos recursos arrecadados na União no país inteiro é o governo federal, eles são os menos interessados em uma reforma como essa.”

O ex-presidente não acredita que a reforma trabalhista surtirá efeito, pois, na visão dele, são medidas que são levadas adiante “sem o sentimento da população” e do que o povo precisa. “São números muito frios e cálculos muito frios, que não alcançam o povo de um modo geral e, portanto, não vão dar resultado. Não vai acabar com desemprego e também não vai fazer com que nós retomemos o nosso crescimento”, contesta.

SEGUNDA INSTÂNCIA – Sobre a decisão do STF que derrubou a prisão após condenação em segunda instância, fator que permitiu a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Collor afirma que é uma garantia individual do cidadão somente ser condenado depois de ser levado à avaliação de todas as instâncias jurídicas dentro do Poder Judiciário. “Não acho que seria o momento oportuno de o Congresso retificar uma decisão da mais alta Corte de Justiça do país.”

Relembrando os dias de presidente, Collor diz que, na visão dele, sua eleição foi “um capítulo da manutenção da ordem democrática”. “Eu abri a janela do Brasil para deixar o sol entrar, mostrando o que nós queríamos compartilhar com o os países que compõem o nosso planeta. Compartilharmos as nossas experiências e nos  mostrarmos como parceiros confiáveis, dentro do processo de globalização que já estava em início, isso era fundamental”, diz o senador.

ESCORREGÕES – Sobre os erros do passado, o ex-presidente comenta que o exercício de um mandato presidencial é solitário e, por isso, o número de erros que se comete é muito maior do que fora do cargo. Sobre os erros do atual governo, ele diz que “de vez em quando e de lá para cá, nos preocupa alguns escorregões que são dados, seja por integrantes da classe política, seja por dirigentes do nosso país ou seja por pessoas ligadas aos dirigentes do país”, conclui.

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ÍNTEGRA DA ENTREVISTA:

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Como já foi dito nesta TI, Bolsonaro logo no primeiro ano de mandato perdeu a oportunidade de fortalecer a legenda, articulando de forma correta, evitando que seus filhos metessem os pés pelas mãos, batendo de frente com tudo e com todos, inclusive com as lideranças do PSL. Entre a diplomacia e os “presidentes coadjuvantes”, Bolsonaro preferiu passar a mão na cabeça dos três, embriagou-se pelo poder, como diz o amigo Carlos Newton, e agora vai ter que dançar miudinho para superar os obstáculos na empreitada. Não foi sensato, estrategista ou teve uma boa assessoria, como cita Collor nesta entrevista. Discordâncias a parte, neste ponto, ele pontuou em cheio. (Marcelo Copelli)

34 thoughts on “Collor diz que Bolsonaro errou ao sair do PSL e que criação do Aliança pelo Brasil não apresenta avanço político

  1. -Concordo com a nota do redator. Falta tato ao presidente, mas, por outro lado, a Casa está cheia de bandido (o entrevistado entre eles) procurando alguma lucrativa negociata.

    “Essa reforma da questão federativa e dos municípios e esse projeto fiscal de redução de salário de servidores em 25% não têm como passar.” ”

    -Cortar salário de servidor?
    -Mas não acabaram de dar 16,4% para os ministros do Supremo, fora as mordomias?

    “O chamado “efeito cascata” do reajuste nos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), sancionado pelo então presidente Michel Temer em novembro de 2018, já atinge um terço dos Estados brasileiros em menos de dois meses.

    Desembargadores de São Paulo e Pernambuco se juntaram ontem aos colegas de outros sete Estados no grupo de magistrados com subsídios fixados em R$ 35.462,22 – correspondente a 90,25% do salário dos ministros do STF, teto do funcionalismo público. O valor representa o salário base, sem contar os auxílios ou as gratificações, e é o máximo permitido por lei.”
    (12/01/2019)

  2. Não entendo essa tentativa de a TI em ressuscitar politicamente Collor!

    Além da cizânia entre comentaristas, trata-se de um tema inócuo, irrelevante, pois quem se interessa pelo que diz o ex-presidente?!

    Quem é Collor para aconselhar depois do que fez e vem fazendo, afora seus envolvimentos em corrupção OU NÃO É VERDADE A MINHA AFIRMAÇÃO??!!

    A menos que o blog julgue divertido a postagem de textos ofensivos e degradantes, insultuosos e agressivos, como fatidicamente vai acontecer com este meu registro.

    E, de antemão, deixo avisado:
    Não vou responder.

    Que os colegas observem a forma como escrevi a respeito de Collor, E SOMENTE SOBRE O ATUAL SENADOR, e quem virá em sua defesa invadindo o terreno pessoal.

    Espero que não, mas jamais vou deixar de postar o que penso sobre o parlamentar em tela.
    Neste caso, a TI transparece que provoca não o debate, mas textos que decaem a qualidade do blog irremediavelmente, PARA DEPOIS O MEDIADOR DELETÁ-LOS!

  3. Apesar de Bolsonaro errar tanto, nada se compara aos governos de luiz inácio, dilma e temer. Os três juntos conseguiram ser muto pior que Bolsonaro.

    Mas é fácil explicar : os três ratos nada sabem de política, sim de política, os três aprenderam a dar golpes baixos para ter poder. E não venham me dizer que temer, o único político que aprendeu o B A BÀ mas para se juntar ao PT e aproveitar a carona no barco dos ratos e se meter em todo tipo de falcatruas.

    Os três são personagens da vida pública, e ganharam notoriedade mais pelas mazelas que causaram ao país do que por terem sido protagonistas de qualquer estratégia política a altura do que o Brasil merece.

    Dois já estiveram na cadeia, fato histórico inédito ocorrido com presidentes do país. A terceira está com os dias contados pois sabe que é questão de tempo porque a terrorista fez de mal dá para encher muitas fichas policiais.

    Portanto, temos que estar agradecidos a Bolsonaro, e não é o que merecemos mas é o melhor que temos.

    Viva o Clube de Regatas Vasco da Gama!

  4. Marcelo Copelli, meus entusiasmados parabéns pela serenidade e excelente análise do teu texto. Em poucas linhas você sintetizou toda a verdade dos bastidores do governo e das ações atrapalhadas do próprio presidente. Tuas palavras indicam que ainda existe quem pensa e raciocina no blog. Você é claro. Passa longe da estupidez e da mediocridade daqueles que se vestem de sóbrios, quando, na verdade, são torpes instrumentos da podridão humana. Claro que Collor, como você salienta, tem todo o direito de se manifestar. e o faz com grandeza, com isenção e maturidade. O resto é a lama conduzindo o ódio dos neurônios estragados dos ratos e hienas que mal sabem onde nasceram e que jamais viram uma certidão comprovando que belo dia tiveram pai e mãe. Prossiga, Marcelo. Sem permitir ser contagiado pela burrice, pelo recalque, pela pretensão doentia e pela arrogância própria dos pigmeus.

  5. Collor foi um excelente presidente.
    Mas péssimo político.

    Aprovou a lei de improbidade administrativa.

    Aprovou o CDC;

    Obteve superávit fiscal logo no primeiro ano e também no segundo ano de mandato;

    Balança comercial com saldo positivo para o Brasil;

    Acabou com a reserva de mercado;

    Abriu os portos;

    Escolheu o melhor vice presidente que o país já teve. Que se tornou pai do plano Real;

    Etc, etc.

    Mas os ingratos o defenestraram.

    • Collor foi o pai do plano real? Essa é novidade para mim. Nunca tinha ouvido falar disso.
      Collor foi um desastre completo, em todos os sentidos. Sua “abertura dos portos” arruinou a indústria brasileira, e aos críticos da “ineficiência” desta, é bom lembrar que indústria nenhuma, seja onde for, começou com produtos de primeiríssima linha.
      Quanto a Itamar, a escolha foi casuística, visando o eleitorado mineiro, e em pouco tempo Collor estava inimizado com ele. Na verdade, o que Collor queria mesmo era ter sido vice do Mario Covas, mas este não quis, dado o histórico político dele.

      • O Sr. ou é analfabeto ou é mau caráter.

        Eu disse que o Vice, Itamar, se tornou pai do plano Real.

        Mas não disse, e poderia dizer, que o plano Real só foi possível graças aos sucessivos superávits fiscais e comerciais.
        Que foram obras de Collor.

        Mas os merdas dos pobres só sabem ficar repetindo que ele confiscou as poupanacas.

        Por acaso o país parou por causa disso ?

        Não. Muito pelo contrário, alcançamos superávit comercial e fiscal. Coisas que o Sr. Não sabe o que são. E se sabe é um cretino por não dar valor.

        Pobre não gera riqueza.

        E se tem ressentimento dos ricos, ainda por cima é mau agradecido.

        Volta para a escola Sr. Analfabeto.

  6. Sim, o Collor tem o direito de se manifestar porque vivemos numa democracia. No entanto, esse ladrão de primeira roubou o país em todos os sentidos.

    Vale lembrar que foi o único presidente no mundo que saqueou poupança , conta corrente etc., e por isso muitos brasileiros morreram, portanto ele também é um assassino além de ladrão como disse acima.

    Também , responde por um montão de processos no STF que irão prescrever por causa de nossa justiça lenta e garantista.TENHO DITO!!!!!

  7. Porque dar asas as baboseiras e insultos de um pobre diabo que se diz César, se posso destacar, exaltar e compartilhar o texto lúcido, verdadeiro e oportuno, de um autêntico patriota chamado Antônio Henrique?

  8. Essas matérias com o Collor já encheram a paciência, só servem de gatilho para avalanches de comentários grosseiros e sem sentido da parte de alguns que, por qualquer razão, adoram esse grande mestre da “humildade” que fez um governo desastroso há cerca de trinta anos, e agora pode oferecer em entrevistas a sabedoria própria de quem não tem mais o poder nas mãos.
    Que os jornais entrevistem também a Dilma, que a essa altura teve ter tanta ou mais “sabedoria” e “humildade” para oferecer que o Collor. Pelo menos assim teremos um pouco de variedade.

  9. Este cara, Collor, falando e ruminando, é a mesma coisa.
    Algumas coisas passam, e lamentamos, por ter sido tão gratificantes e importantes para o Brasil.
    Outras não merecem nem serem lembradas, pois se perderam no esgoto da história….

  10. Alguém pode me responder como é que o bozo aquele imbecil troglodita ganhou a eleição?
    Nos últimos 18 meses todo mundo se mostrou imbecil em termos políticos então pra que gastar vela com defunto ruim

  11. Para se ter uma ideia da incompetência de Collor.
    1) No primeiro dia de seu governo, confiscou 80% dos ativos financeiros ( o dinheiro).
    2) Sem qualquer dúvida, os preços no dia seguinte desabariam ( DESABARIAM)
    3) Junto com o confisco, Collor decretou o congelamento de preços ( o mesmo que Dilson Funaro tinha feito em 1986).

    Devido a este congelamento de preços, os comerciante não baixaram os valores de suas mercadorias (preferiam não vender do que baixar, pois não poderiam aumentar num futuro)

  12. Berlim,ainda ah analistas sem paixão..

    Parabéns,Sr.Antônio.
    Comentário isento,lhe dá toda a credibilidade di tbem fazer a crítica honesta….

    COLLOR,já tinha feito sua auto crítica,ao se aconselhar com o Governador BRIZOLA..

    COLLOR,num ato de grandeza a meu ver, aconselha Bolsonaro ser um bom gestor e um político sensato..

    Realmente,senhor Antônio, COLLOR foi bom gestor..

  13. Alguns jornalistas e/ou políticos tem a certeza que todos eleitores e leitores são uns néscios, tapados, que não sabem interpretar um texto e despejam meias verdades misturadas com meias mentiras e acham que estão fazendo a cabeça dos incautos.
    Pinçar uma palavra de dentro de um contexto pra defender posição ideológica só engana aos convertidos e babacas que pululam na esgotosfera.

  14. “Não é o pecado que mais fere meu Coração… O que O despedaça são as almas não quererem refugiar-se em Mim depois de o terem cometido”

    ( Revelação do Sagrado Coração de Jesus a Soror Josefa Menendez)

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