Collor faz da CPI do Cachoeira um palanque para recuperar sua imagem política.

Carlos Newton

Muito interessante a postura do senador Fernando Collor (PTB-AL), que está se transformando num dos destaques da CPI do Cachoeira. Não teve pudores e está acusando o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de ter cometido crime de prevaricação e improbidade administrativa, por ter se “omitido” em 2009, no final das investigações da Operação Vegas, da Polícia Federal.

Os trabalhos do Congresso serão reiniciados amanhã em clima de tensão e expectativa, porque na sexta-feira Collor subiu à tribuna do Senado e anunciou que as respostas encaminhadas pelo procurador Gurgel à CPI comprovam os crimes que teriam sido cometidos por ele, no exercício da importantíssima função pública.

“O testemunho escrito enviado pelo procurador-geral em resposta às indagações feitas pela CPI constitui, isso sim, uma cabal comprovação daquela sua postura”, afirmou Collor, acrescentando que Gurgel afirma ter recebido em setembro de 2009 os autos do inquérito da Operação Vegas, analisou o material na época e não observou fatos que justificassem abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal.

O procurador alega que não remeteu os autos para arquivamento no Supremo, optando por sobrestá-los – numa tentativa de permitir a retomada futura das investigações.

Collor disse que, com essa postura, Gurgel reconheceu que deixou de apurar por quase dois anos as denúncias e tinha conhecimento da investigação de parlamentares pela Polícia Federal, e por isso deveria ter encaminhado os autos ao Supremo.

“Graças à omissão, essa organização criminosa do senhor Carlos Cachoeira pode atuar, livre e destemidamente, por 18 meses, sem ser perturbada. O fato é que o senhor Roberto Gurgel nada sobrestou, ao contrário, omitiu-se ou prevaricou, falhou com a verdade, ao afirmar a necessidade de se retomarem as interceptações telefônicas e outras diligências”, disse Collor, assinalando:

“No engavetamento da Operação Vegas, sem as formalidades legais, ou seja, com despacho de arquivamento, o procurador agiu de forma criminosa, já que um membro do Ministério Público que atua em qualquer entrância ou instância tem de agir nos estritos limites da legalidade. A resposta do procurador à CPI, invocando o instituto da ação controlada, para tentar justificar o seu ato ou o seu não ato, é um acinte ao Congresso Nacional.”

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VAZAMENTO

Collor ia bem em seu discurso, até que passou a acusar os subprocuradores da República  de vazarem os autos do inquérito para a imprensa: “Esses processos da 11ª Vara Federal de Goiás, vale acentuar, estão sob segredo de Justiça e foram vazados por dois procuradores, a mando do senhor Roberto Gurgel.”

Collor se referia aos subprocuradores Léa Batista de Oliveira e Daniel de Rezende Salgado, que foram convidados a depor na CPI, mas recusaram o convite. Os dois são responsáveis pelas investigações da Vegas e da Monte Carlo, que resultaram na prisão de Cachoeira e de integrantes da suposta organização criminosa conduzida pelo empresário do ramo de jogos.

Se vazaram as informações, conforme Collor acusa, esses subprocuradores devem ser enaltecidos. Para o respeitável público brasileiro, não interessa se estão sendo cumpridas firulas da lei, o que interessa é o resultado, a transparência e a justiça.

Collor perder o poder, foi cassado e acabou absolvido por essas firulas da lei. Mas ninguém sabe o que foi feito dos recursos do Caixa 2 manipulado por PC Farias, que passaram – e muito – de um bilhão de dólares, segundo o próprio PC. Às vezes, recordar é viver, como diz a marchinha carnavalesca de Aldacir Martins e Macedo. E o Brasil não é um imenso carnaval?

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