Colunista Ricardo Noblat quebra o silncio sobre a viagem de Cabral e diz tudo sem dizer nada.

Carlos Newton

Como em sociedade tudo se sabe, um considervel nmero de jornalistas h dias vem sendo informado sobre um dos motivos mais pessoais que fizeram Cabral viajar para Porto Seguro no dia 17, mas nenhum deles at agora revelara a informao, por uma questo de tica, evitandose meter na vida particular do governador, embora haja jurisprudncia de que homem pblico no tem direito mesma privacidade do cidado comum.

Ontem, porm, no violentssimo artigo que publicou em O Globo, sob o ttulo Diz a, Cabral!, o colunista Ricardo Noblat rompeu essa barreira, ao redigir o seguinte pargrafo: Sou do tempo em que os polticos escondiam amantes, tesoureiros de campanha e empresrios do peito. Amantes ainda so mantidas sombra embora algumas delas, de um tempo para c, tenham protagonizado barulhentos escndalos. Outras morrem sem abrir o bico.

Com invulgar habilidade, Noblat contou tudo, sem dizer nada, revelando com clareza a existncia de mais um motivo para o desespero do governador e para essa insistncia em amarrar com o amigo Eike Batista a histria do emprstimo do avio, mentindo sobre a hora em chegou a Porto Seguro etc. e tal.

A ser exata a informao que Ricardo Noblat com sutileza insinuou, porque para quem sabe ler um pingo letra, o mais delicado problema do governador Sergio Cabral nesse acidente que vitimou sete pessoas em Porto Seguro seria hoje um segredo de polichinelo, que at j circula a internet.

Portanto, no sem motivos que a conscincia esteja pesando demais sobre Srgio Cabral. Sua vida pessoal e sua carreira desabaram. Como j comentamos aqui, no foi trabalhar e fez o filho e a futura nora faltarem aula para irem se divertir com ele no Sul da Bahia. Cabral e o filho tiveram sorte e escaparam. Mas a namorada do rapaz perdeu a vida. Outras seis pessoas, tambm. Entre elas, Fernanda Kfouri e o filhinho Gabriel, de apenas dois anos.

Agora que em sociedadetudo se sabe, o melhor que o governador tem a fazer renunciar ao cargo e se mudar para Paris, onde certamente a conscincia poderlhe ficar menos pesada, j que na Cidade Luz ningum o conhece e ele no precisar andar pelas sombras, como est fazendo aqui no Rio de Janeiro.

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