Com 1,6 milhão de dólares no bolso, Assange agora tem como se defender na Justiça e seguir lutando pela democratização das informações, via WikiLeaks

Carlos Newton

Com a decisão de lançar seu livro de memórias, o que já era mais do que esperado, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, vai marcar mais um grande ponto em sua luta pessoal pela democratização das informações, com a divulgação de documentos secretos dos mais diversos países.

O livro será lançado pelo editor americano Alfred A. Knopf e depois, é claro, vai se tornar um filme de sucesso, garantindo a Assange a retaguarda financeira de que necessita para enfrentar os mais poderosos governos do mundo.

Assange declarou ao jornal “The Sunday Times”, na Grã-Bretanha, que se viu obrigado a fazer um acordo sobre um livro por causa das dívidas que começa a acumular para se defender nos processos que abrem contra ele.

“Não quero escrever esse livro, mas tenho de fazer isso”, disse Assange, citando a crescente conta de serviços jurídicos, que já passa de 200 mil libras. “Tenho de me defender e manter o WikiLeaks no ar.”

Assange, de 39 anos, é um australiano especialista em computadores que enlouquece as grandes potências mundiais ao divulgar despachos diplomáticos secretos em seu website, fazendo acordo com alguns jornais no mundo para amplificar o impacto das revelações.

Ele está agora sob liberdade condicional, em prisão domiciliar em uma casa na região rural da Inglaterra, enquanto luta contra a extradição para a Suécia, onde as autoridades querem interrogá-lo numa acusação de delitos sexuais.

As acusações são ridículas, mas perigosas. Ele foi denunciado por fazer sexo com várias mulheres (separadamente, destaque-se) sem usar preservativo. Na Suécia isso é crime, e grave, vejam vocês, apesar de as parceiras sexuais dele terem consentido.   

Mas afinal o que é o tal de WikiLeaks? Na verdade, trata-se de uma organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia, que publica, em seu site, posts de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis.

Ou seja: o site aceita as informações e garante o anonimato das fontes, o que é essencial para a democratização das informações. Para a postagem, a WikiLeaks recomenda expressamente o uso do Tor, visando a preservar a privacidade dos seus usuários, e garante que a informação colocada pelos colaboradores não é rastreável.

Assange explica que o site foi construído com base em vários pacotes de software, incluindo MediaWiki, Freenet, Tor e PGP. Apesar do seu nome, a WikiLeaks não é uma wiki – ou seja, leitores que não têm as permissões adequadas não podem editar o seu conteúdo.

O site, administrado por The Sunshine Press, foi lançado em dezembro de 2006 e, em meados de novembro de 2007, já continha 1,2 milhões de documentos. No site, a organização The Sunshine Press informa ter sido fundada por dissidentes chineses, jornalistas, matemáticos e tecnólogos dos Estados Unidos, Taiwan, Europa, Austrália e África do Sul. Assange, como jornalista, é o diretor do site.

O WikiLeaks só começou a ser mundialmente famoso em abril deste ano, quando divulgou um vídeo mostrando um helicóptero Apache dos Estados Unidos, no contexto da ocupação do Iraque, matando pelo menos 12 pessoas – entre as quais dois jornalistas da agência de notícias Reuters – durante um ataque a Bagdá , em 2007.

Outro documento polêmico mostrado pelo site é a cópia de um manual de instruções para tratamento de prisioneiros na prisão militar norte-americana de Guantánamo, em Cuba.

Bem, esperamos que Assange se livre logo dessas acusações ridículas e passe a fazer sexo com preservativo. Nunca custa nada ter essa precaução, especialmente porque agora está provado que a falta do uso da camisinha tem múltiplas utilidades, inclusive no mundo da política diplomática.

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